Rodolfo Lucena

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Humor

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Jean

Jean Carlos Galvão, 34, é cartunista há 14 anos. Começou fazendo cartuns para sindicatos de trabalhadores e charges diárias para um jornal de São José dos Campos, onde mora.

Colaborou com "Veja", "BUNDAS", "Jornal do Brasil" e "O Pasquim21", criou vinhetas animadas (plim-plins) para a TV Globo e hoje publica charges na Folha e ilustrações e tiras semanais na revista "Recreio".

Conquistou vários prêmios, dentre os quais três Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h18

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Desafiante

Desafiante

Cuidado com ela

Divulgação

A mexicana Madaí Perez Carrillo, ao que tudo indica, virá ao Rio para disputar os 5.000 e os 10.000 m no Pan-Americano. E aí ela já vai dar trabalho para as especialistas nacionais na distância, como a recém-vencedora da Samsung 10 k, em São Paulo, Ednalva Lauriano da Silva, e a segunda colocada na mesma prova, Fabiana Cristine da Silva, esta dedicada aos 5.000 m.

A mexicana já fez 15min57.86 nos 5000 m e 32min22.09 nos 10.000 m. Claro que não dá para comparar tempos em pista e em rua, mas só para que se tenha uma idéia da qualidade da oposição, Ednalva venceu em São Paulo no domingo passado com 34mil41. De qualquer forma, tem concorrência.

Se Madaí Carrillo viesse para a maratona, porém, as coisas poderiam se complicar mais. Ela obteve em Chicago, em outubro passado, sua melhor marca. Tornou-se, com 2h22min59, a primeira mulher de língua espanhola a baixar de 2h23. Terminou em quarto lugar com uma explosão de alegria, festejando com seu treinador, Gérman Silva, e com seu marido, o corredor mexicano de elite Odilón Cuahutle, que fizera na prova 2h18min43.

Para comparar, o recorde brasileiro feminino é de 2h27min41, obtido por Carmem de Oliveira Furtado em Boston em 1994. Neste ano, os melhores tempos são 2h35min28, de Márcia Narloch em Berlim, e 2h35min45, de Sirlene Sousa de Pinho em Amsterdam.

Para saber mais sobre Madaí Carrillo, leia AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

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Pesquisa

Pesquisa

Maratonistas e câncer

Se você leu a nota que saiu hoje no caderno "Equilíbrio", da Folha, veio correndo para este blog e não viu nada, não se desespere nem xingue os jornalistas.

A reportagem está aqui, sim, e também está a entrevista exclusiva com a dermatologista-corredora da Áustria que participou da tal pesquisa. Basta rolar a página mais para baixo que você encontrará os dois textos.

A entrevista vai aparecer primeiro, mas ela foi feita depois... Logo em seguida virá o texto sobre a pesquisa. Boa leitura e use protetor solar -pelo menos, é a recomendação médica.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h58

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Palestra

Palestra

 Corra com saúde

"A Arte de Correr com Saúde" é o tema do simpósio que Turíbio Leite de Barros, diretor do Centro de Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube, comanda no próximo sábado no auditório do MAM (Museu de Arte Moderna), no parque Ibirapuera.

As dores pós-treinos, suas causas e tratamentos ou medidas para evitá-las serão o foco da palestra.

As inscrições são gratuitas e as vagas, limitadas.

Mais informações você encontra no site da Corpore.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h04

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Shangai

Shangai

42 km de emoções

O treinador brasileiro Marco Antonio de Oliveira, que já dirigiu a seleção brasileira de ultramaratonstas e outros escretes nacionais, acompanhou no domingo passado a maratona de Shangai. Mandou um texto especial para este blog, que vocês podem ler a seguir.

Cerca de 16 mil pessoas ocuparam, na manhã de domingo passado, a mais famosa rua comercial de Shangai, a metrópole chinesa que combina passado remoto e arquitetura futurista. Às 7h30, pontualmente, foi dada a largada para a prova na Nanjing Road East (foto acima), num dia especial para correr: a temperatura de 14 graus Celsius e a umidade de 78% eram de fazer inveja à maratona de Berlim. A organização se preocupava em atender bem à multidão local e estrangeira. Exemplo disto foi a locução multilíngüe nas arenas de largada e de chegada, com as informações transmitidas em mandarim, shangainês, japonês e inglês.

O vizinho Japão não perdeu a festa e se apresentou com Mizuki Noguchi para correr a meia-maratona e Hiromi Taniguchi para prestigiar o evento. A moça foi ouro em Atenas-04 na maratona. Tanigushi conquistou o ouro em Tóquio no mundial de 91. Noguchi mostrou a que veio e bateu o recorde do percurso, com 1h09min04. Após a corrida, ficou sempre acompanhada de sua torcida uniformizada.

Dizem que assistir a uma maratona é monótono, mas quem viu essa edição da maratona de Shangai, que acontece desde 1997, não vai acreditar muito nisso. Vejam algumas cenas e vocês vão concordar.

Após cruzar a linha de chegada da meia-maratona, uma corredora chinesa imediatamente foi pedida em casamento pelo noivo nervoso e ansioso, que a aguardava com flores.

Um maratonista estrangeiro também teve seu momento especial ao terminar a prova, no estádio Minhang: estourou uma garrafa de champagne, encheu varias taças e brindou com o público.

A disputadíssima ‘briga’ pelo primeira colocação entre Paul Korir e Jonathan Kosgei acabou com os dois quenianos cruzando a linha no mesmo segundo: 2h15min25) para os dois quenianos. Além de perder no olhômetro, Kosgei caiu sentado (foto). A má sorte já havia dado seu sorriso torto a Kosgei na altura da metade da prova, quando ele quase foi atropelado por um veículo de apoio, perdendo preciosos segundos.

Na largada da Run Fun de 4, 5 km, que também fazia parte do evento, um casal chinês largou pronto para o casório. Ele na estica e ela toda de branco, véu e grinalda. Eles se conheceram na meia-maratona do ano passado e resolveram se casar nesta edição da prova. Foi uma boa escolha, pois a chegada da prova curta foi em um templo.

A TV estatal chinesa CCTV não perdeu nenhuma dessas cenas. Por sinal, a transmissão foi bem diferente da que estamos acostumados a assistir . Os corredores de elite tiveram pouquissimo destaque. A estrela para a CCTV foi a massa humana correndo.

A massa, por sinal, não abandona seus hábitos tão facilmente. Aquele bordão conhecida nosso no Brasil, "largue o cigarro correndo", aqui em Shangai, na própria maratona, foi virado do avesso: corra até onde puder e depois relaxe fumando. Muitos dos que paravam ao longo do percurso aproveitavam para acender um cigarrinho.

 

Saiba mais sobre o autor: Marco Antonio de Oliveira, 48, atua como técnico de triatlo e atletismo desde 1981. Foi treinador de seleções brasileiras em eventos internacionais de atletismo em 11 oportunidades, é tecnico de atletismo da ONG Sylvio de Magalhaes Padilha/Reebok e sócio-fundador da Infinitum, onde é responsável pelo planejamento e implementação do processo de acompanhamento personalizado para executivos,
profissionais liberais e empresas.
 
 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Shangai

Shangai

Cenas de uma maratona

O treinador brasileiro Marco Antonio de Oliveira, que já dirigiu a seleção brasileira de ultramaratonstas e outros escretes nacionais, acompanhou no domingo passado a maratona de Shangai. Mandou um texto especial para este blog e várias fotos exclusivas. Aqui, algumas das imagens do evento.

Com a bandeira do Brasil na camisa, chega Hui Chen, que tem dupla nacionalidade (Brasil e Taiwan). Ultramaratonistas, corre provas de 24 horas e de 100 km. Fez a maratona como treino.

Mizuki Noguchi, ouro na maratona em Atenas-04, junto com a sua torcida uniformizada depois de quebrar o recorde do percurso na meia-maratona. Ela está com o número 1. Ao fundo, mais para o lado direito, o campeão da maratona no Mundial de Tóquio-91, Hiromi Taniguchi (com a fita do crachá aparecendo) conversa com um sujeito de óculos

Uma dúzia dessas motos especiais, com carrinho de carona na lateral, foi usada no suporte à organização. Eram dirigidas por profissionais sócios de um grupo de motoqueiros (Obs.: as motos parecem ser Chang Jiang, réplicas de modelos usados na Segunda Guerra, mas se alguém aí tiver mais informãções, mande, por favor. Abaixo, uma vista mais próxima)

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h17

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Entrevista exclusiva

Entrevista exclusiva

Usem protetor solar

Esse assunto de câncer de pele atingindo maratonistas é muito assustador e, para tentar saber mais sobre o tema, fui logo à fonte original. Trago agora para vocês uma entrevista exclusiva, feita por e-mail, com a doutora Christina M. Ambros-Rudolph, que participou da pesquisa que concluiu que maratonistas têm mais risco de contrair câncer de pele. Christina tem 35 anos e, como seus colegas, mora em Graz, na Áustria, onde trabalha no Departamento de Dermatologia da Universidade Médica de Graz. Ela corre há vários anos, por diversão, e nunca participou de uma prova _maratona, nem pensar. Prefere explorar os parques e as verdes colinas da cidade ("há lugares ótimos para correr", diz ela).

Bem, vamos à entrevista.

Folha - Li que você e seus colegas são corredores. Quanto vocês correm? E usam protetor solar nos treinos?

Christina M. Ambros-Rudolph - Duas pessoas já correram várias maratonas. Uma delas, agora com 65 anos, passou a fazer ski cros country e até participou da Wasa, uma espécie de maratona para ski cross country. O outro, de mais de 50 anos, mudou para o triatlo. Quando corria maratonas, chegou a fazer uma em 3h50 e treinava de quatro a cinco vezes por semana, uns 50 a 70 km por semana. Os outros correm mesmo apenas por hobby, como eu. Os dois corredores usavam, sim, protetor solar nas corridas, mas nos treinos o uso era irregular -mas eles não treinavam sob sol forte e nunca das 11h às 15h. Além disso, costumavam usar boné e roupas que pelo menos lhes cobrissem os ombros.

Folha - Apesar do clima brasileiro, creio que os corredores aqui não usam protetor solar regularmente. E os corredores que vocês analisaram usam? Em caso negativo, vocês investigaram as razões?

Ambros-Rudolph - Veja os nossos colegas: mesmo eles usavam proteção de forma irregular. Eu uso sempre, especialmente no pescoço, nos ombros e nos braços, quando não posso evitar correr sob o sol. Nós não perguntamos aos maratonistas por que eles não usavam protetor solar. Mas acho que, apesar de ouvirmos bastante sobre câncer de pele e proteção contra o sol, nós esquecemos disso na hora de praticar esportes.

Folha - O uso de protetor solar parece aumentar a sensação de calor. Isso tem alguma base científica? O protetor solar dificulta a evaporação do suor?

Ambros-Rudolph - Nunca ouvi falar disso, mas certamente depende da fórmula do produto. Eu recomendo, especialmente para homens com bastante pelos nos braços e no corpo, que usem gel ou spray. O spray, especialmente, é muito fácil de aplicar e costuma ser mais bem aceito pelos homens, que em geral odeiam usar cremes e loções (pelo menos, os meus paciente homens e meu marido...). E certifiquem-se de que o produto é resistente à água..

Folha - A mistura de protetor solar e suor caindo nos seus olhos durante a corrida não é exatamente uma sensação agradável...

Ambros-Rudolph - Use uma faixa na cabeça, ou um boné ou um chapéu -o que é ainda melhor, pois dá proteção para a cabeça ao mesmo tempo, muito importante para quem sofre de calvície.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h52

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Pesquisa

Pesquisa

O perigo do câncer de pele

Não fosse este um blog totalmente família, eu começaria esta mensagem com um sonoro palavrão. Não bastassem as fascites malditas, canelites infelizes, distensões, contraturas, torsões e fraturas as mais diversas, agora temos de lidar com o câncer. De pele, ok, mas mortífero como qualquer outro.

O "Archives of Dermathology" traz, na edição deste mês, um estudo afirmando que os maratonistas temos mais risco de sofrer de câncer de pele, notadamente o melanoma, o mais letal deles.

"Somos os primeiros a constatar isso", afirmou Christina Ambos-Rudolph, integrante do grupo de pesquisadores da Universidade Médica de Graz, na Áustria, responsável pelo estudo. A equipe decidiu realizar a pesquisa depois de ter tratado, ao longo da década passada, de oito ultramaratonistas que sofriam de melanoma maligno.

Os pesquisadores estudaram 210 maratonistas e um grupo de controle de 210 não-maratonistas com a mesma composição de sexos e faixas etárias. Todos brancos, o que, por si só, já é um fator de risco para o câncer de pele.

Os resultados mostraram que há uma diferença de risco entre os dois grupos, especialmente na ocorrência de "manchas de velhice" provocadas pela exposição ao sol. Ninguém tinha melanoma, mas 24 dos maratonistas e 14 dos não-maratonistas foram encaminhados para cirurgia para tratamento de lesões que pareciam ser manchas pré-cancerosas. Não foi estabelecido, porém, quão maior é o risco dos maratonistas.

O perigo não aumenta apenas por causa da exposição ao sol, que é o fator principal, mas também porque o exercício de longa duração provoca o enfraquecimento do sistema imunológico do indivíduo _é por isso, por exemplo, que estamos mais sujeitos a pegar gripe ou outros males oportunistas no período pós-maratona ou depois de longões.

Outra coisa: fazer exercício ao sol pode ser mais perigoso para a pele do que simplesmente deitar na praia. Isso porque, segundo indicam os pesquisadores, o suor aumenta significativamente a sensibilidade da pele aos raios ultravioletas, tornando mais provável a ocorrência de queimaduras.

Cerca de um terço dos maratonistas analisados corria até 25 milhas por semana _que raio de maratonistas são esses? Metade era mais normal, correndo entre 25 e 45 milhas (40 a 72 quilômetros), e 15% fazia mais do que isso. Os de treino mais intenso apresentaram maiores índices de lesões na pele. Apenas metade deles usava protetor solar regularmente.

Nos Estados Unidos, devem ser registrados neste ano cerca de 62 mil novos casos de melanoma e mais de 1 milhão de casos de câncer de pele não-melanoma, segundo a Sociedade Americana do Câncer.

E hoje a Folha publicou reportagem sobre a incidência de diversos tipos de câncer no Brasil. Leia AQUI, exclusivo para assinantes da Folha e/ou do UOL.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h14

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Humor

Humor

Iotti

 

Em primeiro lugar, ele é gaúcho. Maratonista, tem um traço de primeira. O nome todo do Iotti, que muitos devem conhecer das páginas da "Contra-Relógio", é Carlos Henrique Iotti. Ele nasceu em 1964 em Caxias do Sul, na serra gaúcha. É jornalista, cartunista, corredor e pescador.  Publica diariamente nos jornais "Zero Hora", "Pioneiro", "Diário Catarinense", "O Estado do Paraná", entre outros. Seu personagem Radicci é best-seller no Sul do Brasil. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h43

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Curitiba

Curitiba

Luto

Durante a maratona de Curitiba, Raimundo Rodrigues Sobrinho, 57, passou mal na altura do km 40. Foi atendido por socorristas e levado ao Hospital Evangélico, mas não resistiu. O corpo foi liberado ontem à noite e levado para Apucarana (interior do Paraná), onde seria realizado o enterro, segundo informações da Prefeitura de Curitiba.

Antes do início da prova, foi feito um minuto de silêncio em memória de Clécio José dos Santos, 28, vencedor da maratona de Recife deste ano. Clécio, que morreu no início do mês, foi o primeiro corredor a se inscrever para a maratona de Curitiba deste ano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h13

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Curitiba

Curitiba

Divulgação

Apoio contagiante

 A maratona de Curitiba reuniu hoje 1.628 atletas, consolidando-se como uma das mais importante provas do gênero no país, ao lado das corridas de São paulo e do Rio. No total, 3.014 pessoas participaram do evento, que incluiu prova de 10 km, caminhada e maratona de cadeirantes. Para falar sobre a maratona, trago para vocês a palavra de Gilmário Mendes Madureira, treinador do Multsport Clube de Corredores, da Bahia. Vamos ao texto dele, especial para este blog.

Dia nublado, tempo abafado, com variação de temperatura entre 20º e 22º, e muita festa na largada. O apoio da população de Curitiba à maratona é contagiante e vem de uma cultura administrada pelos órgãos responsáveis, trazendo para o grande público o conceito de que esporte é cidadania e saúde. Nisso Curitiba tem experiência de sobra para servir de exemplo.

No percurso talvez esteja a única falha da prova, pois a cada mudança ele se torna mais travado, com muitas ladeiras depois do km 35, o que é um suplício para os atletas.

O abastecimento é ótimo e o apoio, tanto de staffs quanto pessoas comuns na rua, é indescritível. Muitos moradores colocam suas cadeiras na porta de casa para ver a passagem dos atletas e aplaudir de perto até os mais lentos com bastante entusiasmo.

Na prova masculina, o atleta Lindenberg, de Brasília, liderou isolado desde o começo, só sendo alcançado por Adriano Bastos no km 30. Ao encostar no atleta brasiliense, nem lhe deu tempo de reagir, pois a disposição para a vitória era visível em Bastos (foto abaixo), que conquistou seu primeiro título na distância no Brasil, ele que já é figura carimbada no posto mais alto do pódio na maratona da Disney, nos EUA.

Usando uma tática totalmente inversa, o garoto Urias Yostaque saiu do oitavo lugar, ainda no km 21, para começar a buscar os mais afoitos, que imprimiam um ritmo de 3min15/km. Não deu outra: chegando com sobras, Urias ultrapassou três competidores nos últimos três quilômetros. O terceiro posto ficou com Eliesio Miranda da Silva.

No feminino, a disputa pelo primeiro lugar só durou até o km 20, pois Rosa Jussara abriu muito em relação às outras depois desse ponto. Denise Paiva e Marluce Queiroz duelaram pelo vice com uma distância de 200 m uma da outra. Denise conseguiu abrir no final e atribuiu sua força às muitas ladeiras que treinou em Itamonte.

Entre os amadores, era nítido o esforço final para superar a parte mais difícil do percurso. Uma chuva fina veio brindar os amadores nos dez a 15 quilômetros finais para quem fazia acima de 3h30 de maratona.

Um sistema de transporte perfeito, um atendimento de primeira e uma cidade satisfeita em receber os atletas. Que mais pode se esperar de um município com a fama de ser sinônimo de qualidade de vida?

Divulgação

Saiba mais sobre o autor do texto: Gilmário Mendes Madureira, 39, é baiano de Salvador e treina atletas de elite e amadores há 18 anos. É diretor-técnico do Multsport Clube de Corredores, um grupo de corrida que existe há 15 anos, englobando 65 atletas -50 amadores e 15 de elite regional e nacional, como Marily dos Santos (líder do Circuito Nacional de Corridas de Rua), Marluce Queiroz (terceira colocada na Maratona de Curitiba 2006 e na Maratona do Rio 2005) e Manoel Teixeira (vencedor da Meia-maratona de Palmas 2006). Formado em educação física e pós-graduado em treinamento desportivo pela Ufba, dirige um projeto social com atletas carentes na cidade de Pojuca, interior da Bahia.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h35

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Beirute

Beirute

Na linha de fogo

A maratona de Beirute, que deveria ser realizada hoje no Líbano, foi adiada por causa do assassinato do ministro Pierre Gemayel, da Indústria e Comércio, morto na última quarta-feira.

"Estamos adiando, e não cancelando a corrida", disse um porta-voz da BLOM Bank Beirut Marathon. "Não seria correto fazer um evento como o nosso nas atuais circunstâncias, mas vamos realizar a prova em outra data."

Em setembro passado, os organizadores da prova haviam dito que, apesar da destruição sofrida pela cidade durante o conflito de julho com Israel, a corrida estava mantida.

A decisão foi motivo de admiração, e os organizadores receberam o apoio do governo, que anunciou que faria reparos em ruas do percurso da prova.

Com o recente assassinato, porém, não foi possível manter os planos.


Escrito por Rodolfo Lucena às 08h53

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Fala, leitor

Fala, leitor

Montanhas, gelo e diversão

Pessoal, como prometido, sábado é o Dia do Leitor. Hoje trago um breve relato enviado por Noëlle François, que, com José Carlos Barbagli (na foto acima), formou a primeira equipe brasileira a participar da Gore-Tex TransAlpine Run, uma corrida-monstra nos Alpes. Vamos logo ao texto que ela mandou.

 A Gore-Tex TransAlpine Run é uma ultramaratona que, ao longo dos seus 233 quilômetros, cruza os Alpes, passando por Alemanha, Áustria, Suíça e Itália. São oito dias de competição árdua, com uma variação de 14 mil metros de altitude, porém todo esse sofrimento é compensado com os belíssimos cenários alpinos.

Devido ao alto grau de dificuldade encontrado nas trilhas, nos trechos atravessados com auxilio de cabos de aço e nas escaladas repletas de enormes pedras soltas, é obrigatório (por questões de segurança) que a competição seja realizada por equipes de dois atletas, podendo ser times masculinos, femininos ou mistos.

A largada acontecia todos os dias pontualmente às 8h e cada equipe tinha até as 18h para completar o percurso do dia. Cada percurso variou de 28 a 42 quilômetros por dia. A grande dificuldade estava em vencer as elevações de altitude, a dor e o cansaço que iam somando dia a dia, o que tornava uma etapa algo nem sempre confortável.

A organização, sempre de prontidão, contava com um time de ortopedistas, médicos, fisioterapeutas e massagistas _além, é claro, de um jantar de massas ao final de cada etapa.

Com dias ensolarados e a sorte de não chover, os atletas enfrentaram todo tipo de desafio ao longo do percurso. As maravilhosas paisagens dos Alpes, com suas geleiras permanentes eram os pontos altos da prova.

As pedras pelo caminho eram um dos grandes obstáculos a serem enfrentados, sem falar, é claro, dos problemas de enjôo causados pela altitude, bolhas nos pés e dores por toda parte.

Essa competição, que aconteceu de 2 a 9 de setembro, contou pela primeira vez com a participação da equipe brasileira _José Carlos Barbagli (nove vezes Ironman Finisher) e Noëlle François (quatro vezes Ironman Finisher), da Academia Dandy Sports. Eles fizeram um tempo total de 55h43min, ficando em 29º lugar entre as 41 equipes mistas. A Gore-Tex TransAlpine Run neste ano de 2006 contou com 117 equipes.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h41

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São Paulo

São Paulo

Pago, não pago

Tudo azul para a Samsung 10K Corpore São Paulo Classic, que acontece na manhã deste domingo. A Corpore pagou a taxa de R$ 24 mil cobrada pela CET para liberar ruas e prestar serviços de apoio à prova. Portanto, a corrida não está mais sob ameaça.

Segundo o vice-presidente da Corpore, Octávio Aronis, a entidade recebeu nesta semana uma notificação advertindo que, se a taxa não fosse paga, a CET suspenderia o apoio.

Mas agora, como disse Roberto Scaringella, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego, que cuida do trânsito paulistano, "está tudo resolvido".

Na verdade, não é bem assim. Para domingo, tudo está mesmo ok. Mas essa não é a única pendenga entre Corpore e CET.

Há, informa Aronis, uma dívida de R$ 90 mil referente às taxas cobradas pela CET pelos serviços de apoio à meia-maratona realizada em abril deste ano. Scaringella confirmou a inadimplência, mas disse não saber o valor exato nem se há mais do que um caso em aberto.

A cobrança foi contestada pela Corpore e a discussão no plano jurídico está em andamento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h34

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GPS de pulso

GPS de pulso

Não se esqueça da bateria

O Garmin Forerunner 305 é um parque de diversões para corredores e ciclistas que gostam de acompanhar seus treinos em detalhes, com informações diversificadas sobre o desempenho _velocidade, ritmo, batimentos cardíacos e percurso realizado são algumas delas.

Nos testes que fiz, ele teve excelente desempenho no que se refere ao mapeamento do percurso realizado, oferecendo instantaneamente informações sobre ritmo da corrida, velocidade, batimentos cardíacos etc. Sua precisão não foi tão boa ao calcular as altitudes, e as informações sobre queima de calorias no exercício parecem exageradas quando comparadas com índices geralmente aceitos por especialistas em exercício.

A principal incomodação é ter de ficar aguardando, ao ligar o aparelho, que ele receba o sinal do satélite. Isso já levou até dois minutos, o que é uma eternidade quando você está louco para sair correndo pelo mundo.

Além disso, você não pode esquecer de, na noite anterior, verificar a bateria, que tem duração estimada em dez horas. Se for o caso, é preciso colocá-la para carregar. Para isso, você encaixa o relogião num suporte que tem uma porta mini-USB na qual você liga o fio para conectar o aparelho ao computador ou ligá-lo à tomada.

Uma vez pronto para o trabalho, o aparelho deve ser personalizado com as informações do usuário: sexo, data de nascimento, peso e freqüência cardíaca máxima. Daí é hora de personalizar as telas com as informações que você deseja receber instantaneamente durante seu treinamento. Há três telas, que podem ser subdivididas em até quatro janelas.

Mesmo com a subdivisão máxima, os números com os resultados aparecem de forma bem legível; já os letreiros com o nome das variáveis são muito pequenos, difíceis de ler na corrida. Isso não chega a ser um problema, pois com dois ou três treinos você já terá decorado os campos de dados que escolheu para cada tela.

O cardápio tem quase 40 opções. Só de tempo, por exemplo, há o tempo da volta, o tempo da última volta, a média das voltas, o tempo parado e a hora do dia, além do tempo total de exercício. Para acompanhar a freqüência, há também vários indicadores.

Depois do treino, você conecta o 305 ao computador, e os dados dos treinamentos são inseridos no Garmin Training Center _software incluído na caixa_, que mostra as informações em tabelas e gráficos. Aliás, para alguns tipos de treino, o aparelho oferece um parceiro virtual contra quem você compete.

E as diversões ainda não terminaram. Se desejar, você pode se cadastrar gratuitamente no MotionBased, um serviço que recebe interpreta os dados do GPS. Com base neles, também cria telas com outras informações e _o mais legal de tudo_ casa seu percurso com imagens de satélite no Google Earth (que você precisa já ter instalado em seu computador).

O Forerunner 305 é caro no Brasil, acima de R$ 1.400, mas o preço é compatível com o de aparelhos de outras marcas com funções semelhantes. Se você tiver oportunidade de comprá-lo pela internet ou em uma viagem ao exterior, aproveite, pois sai muito mais barato.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h27

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Quênia

Quênia

Evelyn Hocksteins/The New York Times

 

Pela vida e pela paz

A supercampeã Tegla Loroupe, a sorridente senhora da foto acima, é dona das melhores marcas mundiais para uma hora, 20, 25 e 30 quilômetros, ex-recordista da maratona (2h20min43 em Berlim, 1999) e também uma ativa militante pela paz mundial -especialmente, pela paz em sua terra natal, o Quênia.

No sábado passado, ela realizou mais uma de suas corridas pela paz, eventos que a Fundação que leva seu nome organiza no país desde 2003 e também no Sudão e em Uganda.

Centenas de guerreiros de tribos rivais depuseram armas, pelo menos naquele dia, e disputaram em paz a prova de 10 km em Kapenguria, no noroeste do país.

A região é sangrada por conflitos intertribais em que o gado é o pomo da discórdia. A própria família de Tegla Loroupe foi atingida _um primo dela foi morto por ladrões de gado há 20 anos.

As corridas ganham significado cada vez mais importante para a comunidade e para as vidas de alguns guerreiros. Há dois anos, Mark Lokitare, da tribo Pokot, trocou seu rifle AK-47 por um par de tênis. Ele acabou se tornando um herói da comunidade, chegou a falar perante as Nações Unidas e teve um encontro com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

No próximo ano, a grife Tegla Loroupe de corridas pela paz vai ganhar a Europa. Uma prova de 10 km que vem sendo realizada há 33 anos na pequena cidade italiana de Navazzo mudará de nome para entrar na campanha pacifista-corredora que a grande campeã queniana lidera.

Leia mais sobre a prova do último final de semana AQUI, em inglês. A foto abaixo é uma cena da corrida no ano passado.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h24

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Floripa

Floripa

 

De última hora

A foto acima mostra a lagoa da Conceição vista do morro de Ratones, no interior de Florianópolis.

Esse morro é um dos desafios da prova que marca o início do Circuito de Corridas de Montanha, que terá outras etapas distribuídas ao longo do ano que vem, sempre com corrridas de 8 km a 12 km. A de estréia tem 8 km e vai de Ratones à Costa da Lagoa pela através da Trilha da Costa.

A má notícia é que a prova será realizada neste domingo e as inscrições vão só até amanhã. Se você tem pique, tempo e dinheiro, parece ser uma bela opção de fim de semana. 

O lugar é superlegal e por isso estou dando a informação. Mas não sei nada a respeito dos organizadores, a X3 Eventos Esportivos, em cujo site você encontra mais informações sobre eles e sobre a prova.

Boa sorte. Se você for, mande notícias depois.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h27

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Humor

Humor

Orlando

 

Orlando é um sujeito de mil facetas, todas elas muito boas. Ilustrador e chargista, também encontra tempo na sua movimentada vida desenhada para ser agitador cultural e sindical, mobilizando os colegas de pincel e lápis.

De nome completo Orlando Pedroso, é paulistano e nasceu em 1959.

Em 1978, publica pela primeira vez, já na época da abertura política, no jornal oposicionista "Em Tempo".

Colabora com a Folha desde 1985 e com revistas como "Veja" e "Você S/A", além de ilustrações e capas para editoras como Moderna, Scippione e Ediouro.

É co-autor do "Livro dos Segundos Socorros", dos grupo Doutores da Alegria, além de ser responsável pela criação de suas peças de comunicação. Em 2002, organiza o livro "Dez na área, um na banheira e ninguém no gol", lançado pela Via Lettera. Prêmio hqmix de melhor ilustrador de 2001 e 2005, presidente do 16º e 17º hqmix em 2003 e 2004.

Faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil, para quem organizou o 2º e 3º ilustrabrasil! em parceria com o Senac Lapa. Participa do grupo de formação das câmaras setoriais de artes aplicadas junto à Funarte.

Acaba de lançar o livro "Moças Finas", com 84 desenhos inéditos.

Saiba mais sobre Orlando e seus trabalhos AQUI e AQUI.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h32

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Quito

Quito

Metade do Mundo

Dessa eu nunca tinha ouvido falar, mas os resultados estão no site da Associação Internacional de Maratonas e o site da prova é bem bacana. Pode valer a pena você colocar em seu calendário do ano que vem.

Trata-se da meia-maratona Quito, Metade do Mundo, cuja segunda edição foi realizada no último domingo na capital do Equador.

Pela qualidade do site e pelas informações lá colocadas, parece ser uma prova bem interessante, basicamente plana (ainda que, como diz o ditado, "quem vê cara não vê coração"). O vencedor de domingo completou a prova em 1h04min59 _para comparação, Franck Caldeira venceu a última meia do Rio com 1h03min25.

A partir do site da prova, você tem acesso a outras páginas de esportes do Equador, abrindo um leque de oportunidades turísticas e esportivas que parecem ser bem legais.

Coloquei tudo no condicional (pode, parece) porque não conheço nada por lá. Se alguém tiver mais informações, mande que a gente publica.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h39

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Dica de filme

Dica de filme

Passadas de Potente

Pessoal, é com grande prazer que trago para vocês hoje a colaboração de uma convidada especial. Veja o que Silvana Arantes nos conta sobre um filme também muito especial. Silvana é repórter e corre atrás de notícias de cinema no caderno Ilustrada da Folha desde 2000. Vamos ao texto dela.

"Corra, Lola, Corra" é um filme de tirar o fôlego. Mas não no sentido tradicional _do nó que aperta a garganta. Aqui, o espectador fica mesmo sem ar de tanto ver Lola correr. Com seus cabelos tingidos de vermelho e suas roupas meio desleixadas, a alemãzinha corre atrás de grana, precisamente 100 mil marcos (o filme é de 1998, anterior ao Euro).

Mas Lola não é uma desvairada por dinheiro. Ao contrário, a moça é do tipo romântica, por mais que sua aparência não sugira isso. Ela tem 20 minutos para reunir o dinheiro e salvar a pele do namorado, Manni.

O cara perdeu essa quantia no metrô. Era dinheiro para um acerto de contas que devia ser feito até o fim daquele dia, com uns caras envolvidos em atividades esquisitas. Moral da história: a vida de Manni está em perigo.

A sacada do diretor Tom Tykwer foi contar essa história com a mesma energia que Lola coloca em sua correria disparada. Quando ela avança muito, o filme vira desenho animado.

Se você ainda não viu "Corra, Lola, Corra" (disponível em DVD, quer dizer, não muito: diz o site da Blockbuster que o produto está ‘esgotado‘ no momento), deve estar se perguntando como uma corrida de 20 minutos foi esticada até virar um filme de longa-metragem. Simples: Tykwer triplicou a história. Fez Lola correr três vezes o trajeto, com obstáculos, soluções e desfechos vividos de maneira diferente em cada um.

O crítico norte-americano Roger Ebert, o mais influente nos Estados Unidos na atualidade, acha que está aí a moral da história: "Os menores acontecimentos podem ter imensas conseqüências. O bater das asas de uma borboleta na Malásia pode causar um furacão em Trinidad. Você conhece o ditado", lembra ele.

O fato é que "Corra, Lola, Corra" chamou a atenção do mundo para o nome do alemão Tykwer, e a de Hollywood para Franka Potente. A moça foi parar nos blockbuster "Identidade Bourne" e "A Supremacia Bourne", novamente vivendo perigosamente por conta de um homem _desta vez, Matt Damon, que, cá entre nós, vale o risco.

Se você perdeu as passadas de Potente em 1998 , corra até uma locadora e boa sorte!

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h02

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Drogas

Drogas

 Maldito doping

A esta altura vocês já devem ter lido as notícias sobre suspeita de doping do medalha de ouro nos 800 m em Sydney-2000, o alemão Nils Schumann. Também está sob investigação da Federação de Atletismo Alemã o ex-campeão europeu dos 400 m, Grit Breuer.

O doping é uma maldição nas competições, perseguido em todos os esportes, mas também alimentado pelo próprio espírito competitivo e, principalmente, pelos dólares envolvidos na atividade.

Há uma luta sem quartel contra o doping, mas os laboratórios que criam as drogas parecem estar sempre à frente dos comitês antidopagem.

Por isso, há quem defenda que deve ser tudo liberado de uma vez, e que vença o melhor (ou o mais dopado).

Veja o texto em inglês AQUI.

Mas os males para a saúde são grandes, como mostra este texto AQUI. Veja também esta pesquisa sobre uso de drogas anabolizantes em um bairro de Salvador.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h23

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Luto

Luto

Humor elegante e ácido

Morreu em Los Angeles o cineasta Robert Altman, 81, que se notabilizou por filmes críticos ao status quo, de humor mordaz e elegante.

Um de seus grandes sucessos foi "M*A*S*H", que virou série televisiva. "Nashville" também foi muito bacana, entre outros títulos famosos.

Saiba mais sobre ele AQUI, em inglês, e AQUI, em português. AQUI, uma entrevista antiga.

PS.: Espero que você, caro leitor, veloz leitora, não ache que isso não tem nada a ver com corrida. Correr é abrir janelas no mundo e bisbilhotar um pouco sobre tudo.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h31

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Humor

Santiago

 

O Santiago é um dos gênios que o Rio Grande do Sul produziu. Como bom gaúcho, o humorista Neltair Rebés Abreu não se cansa nunca de homenagear a Pátria em que nasceu e dela tirou seu nome artístico, natural que é de Santiago do Boqueirão.

A gente se conhece desde o milênio passado, dos trabalhos nas plagas gaúchas. Santiago, apesar de então já famoso, colaborou várias vezes com publicações da imprensa sindical em que eu militava, especialmente o "Jornal dos Bairros", um mensário da federação de associações comunitárias do Rio Grande.

Seu personagem mais conhecido é o Macanudo Taurino, gaúcho de quatro costados. Mas Santiago tem livros em penca: o mais recente é "Conhece o Mário?", editado pela L&PM, que todo mundo deve ir procurar correndo. Para saber mais sobre a história e a produção desse artista, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h50

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Dia da Consciência Negra - 2

Protesto olímpico

Eis aí um minidocumentário sobre o protesto de atletas negros norte-americanos no pódio, na Olimpíada do México.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h14

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Dia da Consciência Negra

Vergonha (inter)nacional

Neste Dia da Consciência Negra, é bom a gente pensar um pouco sobre o racismo que ainda grassa em nosso país, nas mais diversas atividades e até entre os sem-atividade.

Reportagem publicada no sábado passado na Folha mostrou que mais da metade dos desempegrados no Brasil são negros, apesar de serem minoria na população economicamente ativa, segundo estudo do IBGE (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Quando conseguem emprego e estudo, os negros também ficam para trás, destruindo o mito da ascensão social pela educação, como mostra outra reportagem da Folha.

O racismo no Brasil não é tão oculto como teimam alguns, tese que já foi sobejamente detonada (veja, por exemplo, o estudo "A Face Oculta do Racismo no Brasil: Uma Análise Psicossociológica").

E viceja nos campos esportivos como erva daninha. É impressionante ver a raiva racial nos gritos de guerra nos campos de futebol. O hino da Alma Castelhana, uma das torcidas organizadas do meu querido Grêmio, é um poço de preconceito. Essa vergonha também diz presente em outras organizadas.

O atletismo e as competições foram usados ao longo da história para sustentar ou difundir mitos racistas e chauvinistas. Todos se lembram da humilhação que o negro norte-americano Jesse Owens impôs a Hitler na Olimpíada de 36, mas os Estados Unidos estão longe de serem bastiões da luta contra o racismo, como sabemos.

Para refrescar a memória, vejam este trecho de texto sobre os Jogos de 1968, no México, publicado pela revista "IstoÉ": "A delegação norte-americana era dividida em duas: brancos e negros. Durante a cerimônia de premiação, dois atletas negros norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, que conquistaram respectivamente as medalhas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, subiram ao pódio com luvas pretas e levantaram o punho esquerdo fazendo a saudação clássica do movimento radical Black Power. O Comitê Olímpico Internacional (COI) expulsou-os sumariamente da Vila Olímpica. Mesmo com a advertência, outros atletas deram continuidade à manifestação nos dias subseqüentes como, por exemplo, os três atletas negros Lee Evans, Larry James e Ronald Freeman, que subiram ao pódio com boinas pretas na cabeça.

O suposto domínio de uma ou outra "raça" em alguns esportes também dá vazão ao surgimento de teses racistas, disfarçadas sob um cientificismo de baixo coturno. A revista "Veja" tratou do assunto ao analisar, no ano 2000, um livro que procurava explicar o que a genética tem a ver com a supremacia dos africanos e seus descendentes nos esportes. O autor continua falando o quer na internet, apesar de a tese ter sido reduzida a pó por diversos outros estudos. Leia, por exemplo, "Será que a genética determina o campeão?".

Nas ruas, a luta contra o racismo continua. E também nas corridas. Nos Estados Unidos, há várias "race agaist racism", como ESTA e ESTA. Em São Paulo, será realizado no próximo domingo o quinto Troféu Zumbi dos Palmares. É bem verdade que o nome do patrocinador colocou no ostracismo a homenagem, que aparece em caracteres minúsculos no material de divulgação. Mas, pelo menos, é uma lembrança.

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h51

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Planejamento

Provas femininas

Se você ficou inspirada pela maratona feminina de Tóquio, realizada neste domingo no Japão, leia a seguir duas dicas de corridas de 42.195 metros para mulheres no ano que vem.

A polícia de Sacramento, na Califórnia, fará uma prova para apenas 500 corredoras, em abril do ano que vem. Pelo limite restrito, é bem posssível que as inscrições acabem logo. A corrida chama-se City of Trees Women’s Marathon. Há uma outra prova de nome semelhante, mas para homens e mulheres, em Idaho. O organizador da dita cuja mandou mensagem para a polícia de Sacramento reclamando da coincidência.

Mas o maior evento do gênero deve ser a corrida promovida pela Nike em San Francisco. A festa, que inclui maratona e meia-maratona, teve quase 12 mil participantes neste ano. Na maratona, participaram 3.960 mulheres e 252 homens. Em 2007, será realizada no dia 21 de outubro

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h10

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São Paulo

São Paulo

 O tempo da moça do tempo

Deliciem-se agora com um texto de Daniel Castro, 39, colunista da Folha, onde escreve sobre televisão diariamente. Corre e nada há vários anos, mas é novato em provas. A primeira foi em abril deste ano. Numa equipe formada por colegas aqui do jornal, ele correu na manhã de hoje a maratona de revezamento Ayrton Senna Racing Day.

A chuva da madrugada de ontem frustrou um fabricante de filtro solar que montou tenda no autódromo de Interlagos. Mas foi uma dádiva para os participantes da terceira Ayrton Senna Racing Day, maratona de revezamento. Sem a chuva, provavelmente milhares de pessoas teriam fritado no asfalto do autódromo de São Paulo.

A Ayrton Senna Racing Day reuniu equipes de dois, quatro e oito corredores, que percorreram ao todo 42,2 km dando oito voltas no circuito de Interlagos. As equipes largaram dos boxes e seguiram em sentido anti-horário, como nas corridas. Logo de cara, há uma descida de quase um quilômetro, pela reta oposta, e quase no final, antes da reta dos boxes, há um bom trecho de subida em pista inclinada. Muita gente abre o bico nesse trecho. Alguns param de correr e simplesmente andam. As corridas em Interlagos são consideradas duras.

Fui o segundo a correr pela equipe da Folha, de oito pessoas. O asfalto ainda estava bem molhado, mas já não chovia desde as 6h30 da manhã. Como foi minha segunda vez em Interlagos, fiz uma corrida sem surpresas. Segurei um pouco o ritmo na descida da reta oposta, para não maltratar muito a perna direita, que doía um pouco. O asfalto molhado pesava um pouco, mas nada que atrapalhasse. Passei sem qualquer trauma (e sem ser ultrapassado por ninguém) pelo subidão que vai dar nos boxes e aumentei o ritmo na reta final. Terminei os 5.270 metros que me cabiam em mais ou menos 25 minutos (o resultado oficial ainda não foi divulgado) com gosto de "quero mais". Se pudesse, repetiria o trajeto.

Nossa equipe participava de uma disputa à parte, a dos jornalistas. No ano passado, a Folha ficou em segundo lugar, atrás do jornal "Valor Econômico". Neste ano, nem nós, que levamos quase quatro horas para completar a prova, nem os colegas do "Valor" subimos ao pódio. A equipe campeã foi a da TV Record, que completou a prova em 3h24min39, segundo resultado não-oficial. Depois veio a F1 Racing, publicação especializada em Fórmula 1.

As corridas em Interlagos costumam ser bem organizadas. Desta vez, no entanto, faltaram banheiros no início da prova. Filas se formaram em frente aos horrendos banheiros químicos dispostos atrás dos boxes. Mais tarde alguém teve a brilhante idéia de abrir os toaletes dos boxes e as filas sumiram.

Um patrocinador montou camarote em dois boxes do autódromo. A ginasta Daiane dos Santos foi o destaque, mas um painel do homenageado do dia, Ayrton Senna, num boxe ao lado, foi muito mais requisitado para "rechear" as fotos dos corredores.

No camarote, havia até autorama (no qual o publicitário Washington Olivetto brincou um pouco) e sorvete fino, mas faltaram frutas. Moça do tempo, repórter e apresentadora da TV Globo, a jornalista Flávia Freire chamava a atenção no espaço carente de VIPs. Ainda com o número de peito (323-6), Flávia contava que era sua primeira corrida em Interlagos. "Depois da última subida, a sensação é de que não acaba nunca", disse, pouco antes de acenar para o colega de TV Globo Carlos Tramontina, que encerrava a penúltima volta da equipe de globais. A moça do tempo fez um bom tempo (para os parâmetros de atletas-jornalistas, é claro): 31 minutos.

Lá fora, a corrida continuava. Já era quase meio-dia e, apesar do calor, estava agradável devido à ausência do sol _que afugentou os corredores do estande da marca Copertone, que apresentava um novo protetor solar. Ayrton Senna, o homenageado, foi lembrado no pódio, nos cartazes, numa exposição de fotos e na chegada dos campeões, saudados com o "Tema da Vitória".

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h17

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Tóquio

Tóquio

Só deu japa na parada

As corredoras estrangeiras não tiveram chances na Tokyo International Women’s Marathon, realizada neste domingo no Japão. Até o quilômetro dez a bicampeã da São Silvestre Olivera Jevtic ficou pau a pau com as líderes japonesas, que a partir dali foram se distanciando aos poucos, segundo a segundo.

Na metade da prova, a ex-recordista mundial Naoko Takahashi estava na mesma passada de Reiko Tosa, que foi terceira em Boston em abril passado, com 2h24min11. Takahashi ainda suportou a disputa até o km 30, mas sucumbiu. Tosa (foto), mais jovem, mais alta e mais leve, tomou conta do pedaço e foi sozinha até o final, fechando com 2h26min15.

Akemi Ozaki, 29, que vinha na espreita, aproveitou a degringolada da ex-recordista depois do km 35 e chegou ao km 40 já na segunda posição, que manteve até o final.

Veja abaixo uma ilustração do percurso da maratona em Tóquio.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h49

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Filmão

Filmão

Maratona da Esperança

Está passando na HBO um filme que pode até não ser uma grande realização cinematográfica -vi um pedaço ontem e achei bem mais ou menos-, mas retrata uma história de grandeza, bravura e determinação como poucas.

É a epopéia de Terry Fox, um garoto canadense que, aos 18 anos, foi diagnosticado com câncer nos ossos. Mesmo com o tratamento, sua perna direita foi amputada 15 cm acima do joelho.

Enquanto no hospital, ficou tão impressionando com o sofrimento de outras crianças e jovens atingidos pelo câncer que resolveu fazer uma campanha para arrecadar fundos para combater a doença. Decidiu atravessar o Canadá correndo, em uma jornada que batizou de Maratona da Esperança.

Treinou por 18 meses, correndo mais de 5.000 quilômetros para se preparar. A travessia teve início em 12 de abril de 1980 e ele passou a fazer uma maratona por dia, mal atraindo atenções no início, mas logo se tornando uma figura nacional. Foi obrigado a parar em primeiro de setembro, depois de 143 dias e 5.373 quilômetros, pois o câncer havia voltado, agora nos pulmões. Morreu em 28 de junho de 1981, aos 22 anos.

Sua abnegação e heroísmo renderam frutos. Hoje há corridas Terry Fox por todo o mundo, e uma Fundação com seu nome continua a empreitada que ele começou.

O filme, "Terry", é uma produção do ano passado, e suas próximas exibições na HBO serão nos dias 21 e 25 deste mês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h29

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Fala, leitor

Festa com os garis

Claudia Arantangy, 42, é roteirista, conteudista, mãe, formadora. Desde 2002, corredora. Atualmente no estaleiro por causa de uma fratura por estresse, aproveitou para mandar o relato abaixo, cheio de garra e emoção.

Sempre gostei de atividades físicas e pratiquei algum esporte mas, logo no início de 2003, uma descoberta me fez começar a treinar com mais afinco. Aos 39 anos, já tinha uma osteopenia lombar.

Competir aos domingos era uma operação de guerra, afinal, deixar o marido sozinho com quatro meninos para cuidar, era sacanagem.

Em 2004, participei de duas provas mas resolvi encarar a São Silvestre. Ou melhor: me inscrever na São Silvestre. Estaria na praia e, se me desse coragem, subiria para a corrida. Coincidentemente, um amigo de meu pai, assíduo corredor da prova, estaria numa praia vizinha e me daria carona. Dias depois, o tal amigo _Fernando_ ligou e, quando eu disse que não ainda sabia se iria correr, foi categórico: ‘Você está inscrita na São Silvestre e está pensando em não ir?! Está maluca?‘

No dia da corrida, acordei cedo. O dia estava lindo. Despedi-me da família, prometendo voltar antes da meia-noite, com a medalha no pescoço.

No caminho, Fernando Leme, corredor experiente, me contou muitas de suas corridas e deu dicas interessantes.

Saí de casa para a Paulista apenas com o dinheiro do bilhete do metrô. Comprei o bilhete duplo e, não tendo onde guardá-lo, enfiei na meia.

Da largada ao Minhocão, foi tudo bem. Lá, o calor me pegou. Não tinha uma brisa. O sol, inclemente e a torcida, ausente _só um ou outro bêbado gritando obscenidades. Pensei: ‘O que estou fazendo aqui? Sou louca. A família na praia, se refrescando no mar. E eu derretendo neste inferno. Não vou agüentar! Vou cair aqui mesmo, ser levada por uma ambulância e nem ao menos a promessa da medalha vou conseguir cumprir!‘

Logo depois, havia uma torcida animada nas ruas, pessoas com esguichos para nos refrescar e o sol começou a dar uma trégua. No Teatro Municipal, o céu ficou nublado e, meu ânimo, renovado. Subi a Brigadeiro eufórica: sabia que chegaria até o fim.

Terminei em 1h22min57. Cruzei a chegada numa alegria absoluta, mas não havia ninguém me esperando para compartilhá-la. Não tive dúvida: cheguei num grupo de garis e chorando, abracei-os e agradeci por estarem ali, colaborando para aquela linda festa acontecer.

Corri para o metrô. O bilhete, colocado na meia, estava em frangalhos. O funcionário da estação sorriu e me deixou passar.

Na volta, Fernando, espantado com o meu tempo, me incentivou a investir na corrida e participar de mais provas. Suas palavras foram ouvidas.

Cheguei, triunfante, antes da meia-noite. Medalha no pescoço, transbordando de satisfação. Mesmo o marido, que havia me amaldiçoado o dia inteiro por tê-lo deixado e às crianças, para ir cometer uma loucura, me abraçou e me desculpou.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h12

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Fala, leitor

Cresça e apareça

Pessoal, tenho a dizer que o sábado passa ser, oficialmente, o dia do leitor.

A cada semana, vou colocar uma nova contribuição de um de vocês. Poderá ser uma experiência marcante, o relato de uma corrida bacana, crítica de livro ou filme _enfim, vou procurar selecionar o melhor entre o material que vocês mandarem.

As regras e critérios estão informadas nos links "Fala, leitor" e "Regras", aqui no lado direito da página.

De qualquer forma, repito uma parte do que está dito lá:

"Ao mandar sua mensagem, você automaticamente autoriza a publicação e aceita as já comentadas regras da Folha Online e as deste blog, que são as seguintes:

A seleção das mensagens é arbitrária e atende aos critérios jornalísticos básicos.

As mensagens são publicadas como contribuição e podem ser reduzidas ou editadas. Nenhuma receberá qualquer tipo de pagamento ou premiação além da própria publicação e do crédito ao autor.

O remetente não receberá aviso da publicação ou da rejeição de sua mensagem. Fique ligado: se sua história agradar, ela acabará entrando no ar."

No sábado passado, o relato de dona Sonia Farhat emocionou a todos os que visitaram este blog. Amanhã, você vai conhecer a história da primeira São Silvestre da educadora Claudia Arantangy, mãe de quatro garotos.

A próxima poderá ser a sua história.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h14

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Luto

Campeão sem taça

Está certo que este blog é de corridas, mas não podemos deixar de homenagear a memória de Ferenc Puskas, um dos maiores jogadores que o mundo viu, que morreu na manhã de hoje em Budapeste (leia AQUI mais informações).

Puskas liderou o escrete húngaro na década de 50 e brilhou na seleção que fez misérias na Copa de 1954, mas não levou a taça, talvez a única a faltar na história desse supercampeão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h24

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Tóquio

Tóquio

O Japão vai tremer

Neste domingo, passadas leves e delicadas farão estremecer o asfalto das ruas de Tóquio e o coração de todos os que estiverem acompanhando a Tokyo International Women’s Marathon, prova feminina que vem sendo realizada desde 1979.

Sempre muito disputada, neste ano promete ser ainda mais: uma das atletas nativas convidadas é nada mais nada menos que a campeão olímpica da maratona em Sydney-2000 e ex-recordista mundial Naoko Takahashi. Em Berlim, em 2001, ela se tornou a primeira mulher a fazer os 42.195 metros em menos de 2h20. Mas seu recorde durou pouco: no domingo seguinte, foi derrubado pela queniana Catherine Ndereba, em Chicago.

O elenco internacional também é estelar. Só para citar uma nossa conhecida: estará lá a bicampeã da São Silvestre Olivera Jevtic, que no ano passado deu um banho de estratégia na queniana Rose Cheruiyot na ruas de São Paulo.

O site da prova não promete fazer cobertura ao vivo e também não está na grade da programação da NHK, mas assim que eu tiver notícia coloco as informações aqui.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h49

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Nutrição

Nutrição

Coma d e v a g a r

Esta é uma mensagem noturna, como pode-se ver pelo horário da postagem, mas sugiro que você a encare como a primeira do dia. Diz respeito à sua alimentação. E a mensagem é a seguinte: coma devagar. Assim você vai comer menos.

Claro que estou assumindo que você, como eu, está sempre um pouco além do que deveria. Aliás, quando  descrevo minhas características físicas, uso a fórmula "mais baixo do que gostaria, mais pesado do que deveria", que é batida, mas dá o recado.

Mas voltemos à pesquisa que supostamente comprovou a velha tese esposada por um grande número de nutricionistas. Um grupo de mulheres foi orientado para comer rapidamente um pratão de macarrão. As madames mandaram bala em 646 calorias em nove minutos. Depois, com um prato cheio com a mesma quantidade, foi dito ao mesmo grupo que comesse devagar, mastigando bastante, numa boa. Pois elas consumiram então apenas o equivalente a 579 calorias em 29 minutos. E, quando comeram mais devagar, disseram ter ficado mais satisfeitas.

Mais informações sobre o caso você encontra AQUI, em inglês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h50

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Humor

Humor

Iotti estréia em +corrida

Em primeiro lugar, ele é gaúcho. Maratonista, tem um traço de primeira. O nome todo do Iotti, que muitos devem conhecer das páginas da "Contra-Relógio", é Carlos Henrique Iotti. Ele nasceu em 1964 em Caxias do Sul, na serra gaúcha. É jornalista, cartunista, corredor e pescador.  Publica diariamente nos jornais "Zero Hora", "Pioneiro", "Diário Catarinense", "O Estado do Paraná", entre outros. Seu personagem Radicci é best-seller no Sul do Brasil. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h12

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Paul Tergat

Paul Tergat

Reflexos do baile

Olha só o que disse Paul Tergat sobre a vitória de Marilson na maratona de Nova York.

"Sinceramente, eu não sabia quem ele era. Eu pensei que poderíamos deixá-lo ir, que iriámos pegá-lo depois. Eu não sabia que ele tinha corrido 2h08 em Chicago." 

Será?

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h03

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Vôlei

Guerreiras do Brasil

As meninas do Brasil lutaram até o fim, na madrugada de hoje, mas não conseguiram suportar o poderio das gigantes russas. No final, foi 3 a 2 (15 a 13 no tie break). As brasileiras saíram com a medalha de prata e com a glória de nunca terem se entregado.

Leia a cobertura na Folha Online.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00

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Estatística

Esporte da maturidade

A maratona é uma modalidade esportiva para homens e mulheres maduros. Pelo menos é o que indica uma análise do público que participou da prova de Santa Catarina, uma das mais rápidas e bonitas entre as poucas provas de 42.195 metros que são disputadas no Brasil. O maratonista Marcos Sanches, 32, que na vida civil é estatístico e trabalha no Ipsos, analisou alguns dos números da prova e preparou um texto especial para este blog. Vamos a ele.

A maratona de Santa Catarina, cuja sexta edição foi realizada em agosto passado, é uma corrida simples, bem organizada, onde o corredor consegue fugir um pouco do tumulto das corridas lotadas de participantes que acontecem em São Paulo. Atingiu seu recorde de participação no ano passado, com 676 concluintes, dos quais apenas cerca de 14% eram mulheres. Aliás, a participação feminina na maratona de Santa Catarina sempre ficou em torno disso, tendo atingido o seu máximo em 2003: 16% dos participantes. Essa pequena participação das mulheres é relativamente comum nas corridas de rua do Brasil e ainda mais comuns em maratonas.

A maratona, sendo uma corrida que envolve grande resistência, tende a ser freqüentada por atletas de idade maior do que a média, desmistificando a idéia de que esportes de grande esforço são para jovens. Se considerarmos todas as edições da maratona de Santa Catarina, temos 60% dos homens e quase 50% das mulheres participantes com mais de 40 anos. E cerca de um em cada quatro participantes tem mais do que 50 anos de idade.

Se aceitarmos o fato de que os maratonistas representam uma ínfima minoria na população brasileira, podemos considerar os dados populacionais como sendo representativos dos não maratonistas. A pirâmide etária dos maratonistas é extremamente diferente da pirâmide populacional, considerando no momento somente a maratona de Santa Catarina. Enquanto o número de habitantes decresce rapidamente com o aumento da idade, o número de maratonistas cresce até o seu pico na faixa de 40 a 44 anos e decresce daí em diante, formando uma distribuição bastante simétrica com centro nessa faixa etária.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Tratamento

Tratamento

Sem parar de correr

 Hoje fiz parte de meu treino no Minhocão, onde encontrei o veterano Geraldo, 60, corredor há 15 anos e com 19 maratonas nas costas. Eu corria, mas ele estava de bicicleta. Uma lesão brava o tirara das ruas pouco depois da São Silvestre do ano passado.

As dores no quadril mal permitiam que ele caminhasse, mas talvez a incomodação maior fosse ir de um médico a outro sem encontrar uma palavra que lhe desse confiança no diagnóstico e no tratamento proposto.

Depois de passar por vários, enfim achou um médico que lhe pareceu confiável e iniciou o tratamento de verdade. No início, quando as dores ainda estavam muito fortes, sua atividade não passava de horas e horas, ao longo da semana, trabalhando o alongamento.

Mas logo o médico deu-lhe a boa nova: ele iria continuar sendo tratado, mas precisava começar também a entrar em ação. Estabeleceu um programa progressivo de caminhadas em que o limite era a dor.

Depois vieram os trotes leves, alternados com as benditas caminhadas. E as primeiras corridas, a volta às provas. O tratamento de um corredor inclui correr, pois senão o sujeito fica triste, cabisbaixo, nervoso.

Claro que cada caso é um caso, mas, pelo que já vi na minha curta vida corrida e pelo que aprendi nas conversas com colegas corredores e com médicos, uma boa parte das lesões pode até exigir um período de parada total, mas logo o tratamento deve prosseguir com uma lenta e controlada, mas progressiva, volta à ação.

É bem capaz que médicos tradicionais não pensem assim, preocupados em proteger o paciente. Por isso, se você se lesionar, busque um médico do esporte ou, melhor ainda, um que tenha experiência com corridas. Fale com seus colegas, procure dicas com seus treinadores, tente encontrar alguém que compreenda também o seu mundo, além de entender do seu eventual -e passageiro- problema.

Geraldo continua em tratamento, mas já participa de corridas. Faz seus treinos com cuidado, roda na bicicleta, alonga, começa um trabalho de fortalecimento muscular. E está inscrito na São Silvestre. Que tenha numa boa prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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Corra com o cérebro

Corra com o cérebro

Estratégia é tudo

Todos nós, corredores, da elite, medianos ou lentos, chegamos às provas dispostos a fazer o melhor. E aposto que a maioria de nós acha que isso significa dar o máximo durante o maior tempo possível. Pode até ser, mas isso não necessariamente produz os melhores resultados.

Marilson Gomes que o diga. Ficou o tempo todo no pelotão, protegeu-se do frio, estudou com seus técnico as condições da prova e avaliou as suas próprias condições e o seu potencial. Quando foi a hora, atacou. E venceu em Nova York.

Nas corridas em condições adversas, costuma valer mais a pena o sujeito se poupar para agüentar. Quem não economiza paga, como Paula Radcliffe na Olimpíada de Atenas. Se isso vale para a elite, para os profissionais, vale também para nós outros, amadores.

Tudo isso é para introduzir uma educativa história que um medalhista norte-americano contou durante um simpósio técnico realizado nos Estados Unidos como preparação aos Jogos de Pequim-2008 , conforme relato publicado no "The New York Times".

Steve Spence, o maratonista em questão, chegou a Tóquio em agosto de 1991 para disputar o Mundial de maratona. O clima era péssimo: quente, úmido, superpoluído. "As piores condições em que jamais havia sido corrido um Mundial", segundo seu conselheiro, o fisiologista do esporte David Martin, hoje professor na Georgia University.

Quando chegou a hora da largada, com temperatura acima dos 20 graus Celsius e alta umidade, Spence sabia que não podia nem pensar em sair no ritmo em que treinara. Tratou de segurar, segurar, segurar, esperando que assim pudesse resistir ao clima e aumentar o ritmo mais perto do final.

Foi desesperador, ele lembra. "Os líderes estavam tão distantes que eu pensava que nunca iria sequer chegar perto deles. Será mesmo que eles não iriam resistir e quebrariam mais tarde?".

Eles quebraram. No total, 40% dos que largaram não completaram a prova. Spence chegou em terceiro, 40 segundos depois do vencedor, o japonês Hiromi Taniguchi, e tornou-se um dos pouco norte-americanos a levar para casa uma medalha no Mundial da maratona.

"Será que era era a terceira pessoa em melhor forma naquele grupo? Não, de jeito nenhum. Seria o terceiro mais talentoso? Também não". Para ele, o que fez diferença foi seu planejamento e estratégia de prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h24

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Planejamento

Pensando no futuro

O ano vai terminando, a São Silvestre já se anuncia por aí, depois virá um período de descanso e mais um ano inteiraço de aço pela frente.

Se você gosta de planejar seu futuro corredístico, é bom dar uma olhada nos calendários on-line. Vários já começam a colocar a previsão de corridas para 2007. Outros apresentam competições de diversas modalidades especiais para amadores.

Um bem novinho é o Agenda Esportiva, que entrou no ar há pouco e traz informações sobre diversos esportes. É simples e, pelo que pude ver, bem-feito.

Um mais especializado no mundo das corridas e também bem mais polpudo em número de provas é o Calendário Amigável, que já existe há vários anos e presta bons serviços à comunidade de corredores amadores.

Bom, não dá para deixar de fora um site que virou até comunidade de corredores, o Runner Brasil, que traz calendário, notícias e um fórum bem movimentado.

A Yescom já anunciou parte de sua programação para o próximo ano, assim como a TH5, que organiza o Circuito das Praias em São Paulo e anuncia para março uma Maratona de Revezamento no Guarujá.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h32

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Personalidade

Rápido e  rico

O jamaicano Asafa Powell foi escolhido Atleta do Ano pela Iaaf, a Fifa do atletismo. Recordista mundial dos 100 metros rasos, Powell levou um cheque de 100 mil doletas na cerimônia realizada ontem em Monte Carlo. Na verdade, ele é co-recordista, mas o norte-americano Justin Gatlin testou positivo para produto dopante dois meses depois de fazer a marca.

No feminino, a norte-americana Sanya Richards levou a coroa. Corredora de 400 m, ela teve 15 vitórias seguidas neste ano e fez a volta em 48s70, quebrando um recorde norte-americano que durava 22 anos.

Assista agora a um vídeo do recorde dos 100 m rasos.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h58

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Boa ação

Correr e participar

Quem gosta de fazer de sua diversão um benefício para a sociedade tem duas boas oportunidades nos próximos dias em São Paulo.

Terminam hoje as inscrições para a prova de 10 km em benefício da Associação de Apoio á Criança com Câncer. Mais informações no site da Yescom, que faria um bem para os corredores se desburocratizasse o seu processo de inscrição, que chega às raias do absurdo. A ficha inquere até qual a função ou cargo que você exerce, além de outros dados que me parecem absolutamente desnecessários. Quando estava terminando o meu longo processo de inscrição, o site deu pau, o que me fez desistir de vez. Se a Yescom quiser fazer comentários, o espaço está aberto. Mandei reclamação para o site, e a resposta automática foi que eu seria contatado em até 72 horas!!!.

Outra alternativa é uma corrida no dia 2 de dezembro, em benefício do Projeto Arrastão. Mais informações sobre a prova, que inclui caminhada e uma competição para crianças, você encontra AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h20

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Humor

Humor

Corredor metafísico

Com essa maravilhosa tira do Laerte, que gentilmente mandou sua contribuição para este blog, começamos uma área de humor e ironias sobre a vida corrida.

O Laerte "não é bom, é gênio", como diz outro gênio do cartum, o gaúcho Santiago.  Para ver mais trabalhos dele, que, entre outras múltiplas atividades, também produz uma tira semanal para o caderno "Informática" da Folha, visite o seu (dele) site, que está AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h37

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São Paulo

São Paulo

Divulgação

Outras opiniões

Elogios, críticas, alegrias e desapontamentos se combinam e se atracam nos comentários sobre a prova de hoje.

Um corredor veterano afirmou: "O que mais aborreceu foi na largada, prestes a iniciar a corrida. Pouquíssimos banheiros disponíveis (todos com filas imensas). Acho que na largada tinha no maximo uns 50 banheiros. Outros, próximo ao setor de guarda-volumes, não tinham seu acesso permitido por pessoas da organização da corrida. Não entendi porque tinham sido instalados. Os poucos banheiros tinham filas enormes. Faltavam dez minutos para o inicio da corrida, e havia 20, 30 pessoas em cada fila. Eu e minha filha desistimos. O espaço da largada não comportava 24 mil ou 25 mil corredores. Estes, em massa compacta, correram por todo o trecho da corrida. Parecia uma procissão de Semana Santa."

Outro participante declarou: "O mais legal foi ter passado o Vanderlei Cordeiro e o Marilson no km 8!!! Ok, pra eles, aquele ritmo devia ser trote, mas o que importa é que eu passei os dois e nem olhei pra trás! hehehe..."

No site da Corpore, o texto sobre a prova traz a seguinte declaração do rapper MV Bill, presidente da Central Única das Favelas, entidade que recebeu parte do dinheiro arrecadado na prova:  “Estou achando o evento muito louco, por causa de tudo que é proporcionado. Não só pelo entretenimento, mas também a pratica esportiva, que pra mim combina com coisa saudável, geral acordando cedo, 25 mil pessoas aqui e com espaço para a solidariedade. É um evento maneiro e estou torcendo para ser uma atitude copiada por outras marcas, empresas, Governo Federal, Municipal, sociedade... O que me deixa feliz é saber que ano que vem teremos mais um evento que vai ajudar outra instituição. O ciclo aqui não pára”. 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h47

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São Paulo

São Paulo

Valeu pela festa

Divulgação

 

 

Especial para vocês,  um texto de meu colega Adalberto Leister Filho, 32, repórter do Esporte da Folha. Ele corre há três anos e participou hoje da Nike 10K, que foi sua 23ª prova de rua em São Paulo. Leiam o que ele nos conta.

A impressão que me deu, quando a Nike anunciou que colocaria 25 mil corredores de rua para disputar sua prova em São Paulo é que, mais uma vez, nós brazucas naufragaríamos diante de nossa eterna falta de preparo para grandes eventos. Não participei da competição do ano passado (estava viajando), mas amigos me disseram que foi caótico. Em vários pontos houve congestionamento e necessidade de literalmente andar, desperdiçando preciosos minutinhos para quem gosta de competir contra si mesmo, em busca de recordes pessoais.

Não foi o que aconteceu hoje, na Nike 10K, afora uma falha. Para limitar o acesso à Cidade Universitária, foram montados bolsões de estacionamento. Na capital, é o mesmo esquema utilizado no GP Brasil de F-1. A intenção era fazer com que a chegada até a USP, local da prova, não tivesse contratempos. O problema é que quase todo mundo (eu incluído) resolveu se dirigir até o shopping Eldorado. As filas imensas me fizeram chegar atrasado. Larguei quando o cronômetro já superava os 27 minutos de prova. Os setores coloridos, de onde largavam os corredores de acordo com sua média de tempo, não serviram assim, para nada.

Fiz praticamente toda a prova tendo que me desvencilhar de caminhantes e retardatários. Nas curvas, a situação ficava um pouquinho mais complicada. O ideal era já planejar a diminuição do ritmo nesses trechos e retomar a corrida nas retas. Em uma das passagens, quando me mostrei ansioso para ultrapassar um casal que trotava e me impedia seguir adiante, ouvi da garota: "Faz parte". De fato, faz parte, em uma corrida festiva daquela deixarmos um pouco de lado a preocupação com o tempo e curtirmos o mar de camisetas amarelas que coloriam a rua.

Na avenida Luciano Gualberto, por volta do km 8, a bateria da escola de samba Rosas de Ouro era de entusiasmar. Cheguei àquele trecho quando tocavam "Ah, vira virou, a Mocidade chegou...", da Mocidade Independente-1990, um de meus sambas-enredo prediletos. Era um alento para quem completava a parte final do percurso. No km 9, finalmente não havia mais retardatários para atrapalhar. Havia fôlego para um sprint final. Completei em 55 minutos cravados (descontado o tempo da largada), apenas oito minutos atrás do Marilson dos Santos e do Vanderlei Cordeiro de Lima. Nada mau, para meus padrões. Valeu pela festa.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h57

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São Silvestre

Fique esperto

Quem está interessado em participar da São Silvestre tem de ficar esperto e fazer logo sua inscrição.

Eu fiz a minha na sexta-feira e peguei número oito mil e caquerada. Acabei de olhar o site da prova e lá está informado que mais de 11 mil pessoas já estão registradas. Há vagas para apenas 15 mil corredores no total.

Há um monte de polêmicas sobre a prova, que é criticada e condenada por alguns e adorada por outros. Eu considero o horário abominável, mas admiro a festa e a alegria de todos os participantes. Opiniões à parte, é o mais importante evento brasileiro de corrida de rua.

A inscrição custa R$ 65,00, outro fator de constantes reclamações, pois muitos consideram que a organização não dá o devido retorno, considerando o valor pago. Qual é a sua opinião?

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h58

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Fala, leitor

Fala, leitor

Detonando a esteira

Hoje publico a primeira colaboração de leitor. A escolhida para a estréia foi a publicitária aposentada Sônia Maria Farhat, 64, que começou a correr aos 60 anos, quando se aposentou de uma longa carreira. Ela começou a trabalhar aos 18 anos e atuou na Standard Propaganda, na revista "Visão" e na editora Abril, entre outros. Vamos ao texto dela, que aparece na foto ao lado terminando a meia-maratona de Miami.

Quando jovem, era preguiçosa, gostava de dormir até tarde. Depois que casei, tive dois filhos e vi que ficou difícil manter o peso sem fazer alguma atividade física. Comecei a jogar tênis duas a quatro vezes por semana.

Quando finalmente me aposentei e podia realmente me dedicar a jogar tênis, tive uma fratura grave no ombro. Daí começou o namoro com a corrida. Primeiro comprei a esteira e sou a única pessoa que conheço que conseguiu destruir uma, com apenas alguns meses de uso. Nessa época, descobri uma vizinha que era treinadora de corrida. Através dela, conheci minha atual treinadora, Eliana Reinert, do "Projeto Correr".

Lembro bem como fiz a primeira volta na pista de 400 m. Quase morri!!! Mas amei. A partir de então, com 60 anos passei a treinar todos os dias. Em poucos meses, coloquei na cabeça que iria correr a Maratona de Paris em 2004. Consegui. Levei 6h19 correndo, mas adorei a experiência.

Neste ano, já corri seis meias-maratonas e uma maratona, a de Chicago. As pessoas ficam surpreendidas de ver minha alegria e vontade de correr cada vez mais e melhor. Sei que nunca vou ser uma corredora veloz, mas serei sempre uma corredora de longa distância porque tenho muita paciência, e não me preocupo em correr muito rápido. Minha preocupação é apenas chegar.

Vejo que, depois de uma certa idade, as pessoas se machucam com facilidade porque invariavelmente forçam o corpo, correndo em velocidades acima dos seus limites, desprezando suas histórias. Um advogado ou um médico não se dedicou tanto ao esporte quando um atleta. Por isso, acho que médicos, advogados ou jornalistas devem querer correr como médicos, advogados ou jornalistas, e não como atletas de ponta.

Hoje encaro a corrida como uma grande diversão, que levo a sério no que diz respeito ao treinamento. Tudo que é pedido de mim, faço com prazer. Adoro os treinos, as viagens, o contato com gente jovem, o antes, o durante e o depois das corridas.

Conto isso para incentivar pessoas que querem começar a correr ou a fazer qualquer outro esporte, pedindo a elas: não esperem mais um minuto. Comecem logo. A prática de atividade física é tão boa para o corpo e para a alma que vocês nem podem imaginar. Façam como eu: aceitem suas limitações, mas não se deixem inibir por elas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h47

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Memória

Carrinho de rolimã

Hoje não deu para subir a lomba da Biologia pelo asfalto, na USP. É que o terreno estava fechado: seria usado para a realização GP Poli-NSK, que nada mais é que uma corrida de carrinhos de rolimã.

Claro que, em se tratando de coisa do pessoal da Poli, os carrinhos devem ser da pá virada. Esta é a edição de número 41 do GP, basicamente o número de anos que me separam da época em que eu também brincava nesses bólidos.

Enquanto subia, pela calçada, a ladeira da Biologia, mergulhava na ladeira da memória, lembrando dos tempos em que minha turma da rua Pelotas, em Porto Alegre, subia a Ramiro e ruas paralelas para desabar lomba abaixo em alucinante velocidade. Eu nunca tive muita coragem nem habilidade para construir ou manejar os carrinhos na descida -mal e porcamente eu me garantia nos terrenos mais fáceis. E fui um ajudante razoável na hora da construção dos carrinhos.

Se você ficou curioso, o site do GP da Poli está AQUI.

E curta uma foto de uma das edições passadas do GP.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h54

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Treino da manhã

Abuso

Acabei de voltar de um treininho de 10 k na USP. É sempre um prazer rodar na Cidade Universitária, onde corredores, ciclistas e equipes montam um espetáculo colorido, cheio de alegria e vibrante de amor à vida.

Isso não quer dizer que não existam problemas. Todos se lembram do bololô que a USP chegava a ficar quando as equipes montavam barracas imensas, privatizando o espaço público.

Agora as coisas estão mais civilizadas. Os treinadores podem até não gostar tanto, mas parece que há mais espaço para todo mundo. Alguns, porém, começam a abusar, de novo querendo ampliar seu espaço em cima do terreno que todos usamos.

Notei hoje pelo menos duas equipes que colocaram no gramado do canteiro central da raia encerados imensos, nos quais os integrantes das equipes fazem seus alongamentos. Tudo bem que não queiram sentar ou deitar direto na grama. O problema é que, no caso dessas duas equipes, o tal encerado deles cobriu também a trilha pela qual os corredores passam.

Vocês já perceberam o potencial para encrencas, não? Claro que os corredores podem dar a volta para não pisar no encerado dos caras, mas seria mais elegante se essas duas equipes, uma com um plástico azul e outra com um laranja, respeitassem os limites da trilha.

Se o corredor quiser se manter na trilha, há dois problemas. O primeiro é a potencial encrenca com as equipes (devo dizer que hoje pisei nos dois e ninguém reclamou; pode ser que todos fiquem sempre desencanados e sem crises, o que será ótimo). O segundo é um alto risco de queda ou, pelo menos, torção de tornozelo, pois os plásticos encobrem irregularidades do percurso, raízes e outros eventuais obstáculos.

Tomara que todos se acertem.

   

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h41

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São Paulo

São Paulo

Gargalo

 Esta é para o pessoal que vai correr a Nike 10 K no domingo: técnicos que eu ouvi estão alertando para alguns gargalos no início da prova.

O primeiro momento que pode gerar confusão é a saída da USP para pegar a av. Escola Politécnica. É que ali a multidão que vem pela avenida da raia olímpica se afunila. Fique esperto nessa hora e também nas primeiras curvas.

Bueno, a festa vai ter a presença do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima e do saltador Jadel Gregório. A lista de famosos ainda inclui a VJ Marina Person, a modelo Carolina Magalhães, a empresária Cristiana Arcangeli e o rapper MV Bill.

Quem não viu o mapa no site da prova dê uma olhada aqui:

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h34

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Recorde mundial

Recorde mundial

Momento mágico

Na maratona de Berlim de 2003, como todos se recordam, o recorde mundial foi reduzido a pó. Não só Paul Tergat fez sub-2h05 como também o coelho da prova transformado em duelista, seu compatriota Sammy Korir, despachou a marca anterior, que era de Khalid Khannouchi,

Como recordar é viver, levantei no YouTube a chegada de Tergat perseguido por Korir, um momento especialíssimo na história do atletismo mundial e da maratona em particular.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40

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Preparação

Preparação

Hora da tremedeira

A Nike Run Americas, que terá sua edição brasileira realizada em São Paulo no próximo domingo, provavelmente vai marcar a estréia de muitos corredores no mundo das competições. Pelo que já aconteceu no passado, provas como essa atraem até mesmo pessoal que faz algum tipo de esporte de vez em quando e resolve ir para a festa. Isso é muito legal, mas os iniciantes e/ou estreantes costumam sentir aquele friozinho na barriga quando vêem que está chegando a hora-do-vamos-ver. Aliás, corredores experientes também se emocionam e até esquecem detalhes importantes quando a adrenalina começa a bombar.

Por causa disso, convidei o professor Nélson Evêncio para dar algumas dicas que podem ser úteis para a prova deste domingo e para suas futuras competições. Evêncio é pós-graduado em treinamento esportivo, técnico de atletismo nível 1 pela International Association of Athletics Federation (a Fifa do atletismo) e vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo. Vamos ao texto dele.

Na véspera

* Descanse o máximo possível.

* Procure ingerir massas no jantar, evite bebidas alcoólicas e tente deitar-se cedo.

Antes de sair de casa
* Tome um bom café da manhã, mas evite comer ou tomar algo que não esteja acostumado.

* Não corra de estômago vazio em hipótese alguma.

* Coloque o chip no tênis, pois por meio dele dele será computado seu tempo de prova.

* Vista sua camiseta amarela com o número estampado no peito para participar da prova e entrar na área destinada ao show. Sem a camiseta oficial você não terá acesso aos locais.

Chegada ao local e preparativos antes da prova

* A largada está agendada para às 8h, mas procure chegar à concentração em torno de 6h30/7h.

* O acesso ao local só poderá ser feito a pé, de bicicleta e nos veículos da organização que farão os translados entre os estacionamentos oficiais e a arena. Não será permitido estacionar de carro ou de moto dentro da USP. !Os estacionamentos disponíveis serão: Shopping Eldorado - av. Rebouças, 3970; CENU - av. das Nações Unidas, 12.901; WTC - av. das Nações Unidas, 12.551; Market Place - av. Dr. Chucri Zaidan, 902; e editora Abril - av. das Nações Unidas, 7.221)

* Guarde seus pertences na sacola plástica cedida pela organização, no guarda-volumes da prova. Não serão aceitos volumes fora da sacola numerada.

* Em torno de 7h20/ 7h30, realize um trote leve de dez minutos ou 15, caso você tenha mais dificuldade para aquecer o corpo.

* Faça os alongamentos de costume ou siga o alongamento que será ministrado por um profissional de educação física às 7h30.

* Em torno de 7h40, direcione-se à largada e posicione-se nas baias, de acordo com a cor de sua pulseira e seu nível técnico. Respeite as placas para não sair acima de seu ritmo, o que pode comprometer o seu resultado final e atrapalhar outros corredores.

Após a largada
* Contenha-se no primeiro quilômetro, principalmente nos primeiros minutos, procurando sentir seu corpo e achar seu ritmo ideal.

Detalhes muito importantes

* Não corra sem estar inscrito.

* Ao sentir algum mal-estar, diminua o ritmo, ande ou pare imediatamente e aguarde o auxilio de um profissional de saúde.

* Beba um pouco de água oferecida nos postos, mesmo que não sinta sede.

* Respeite e incentive seus colegas durante a prova. Agradeça ao público com um sorriso, com um gesto de positivo, ou uma palavra de gratidão, caso seja possível!

* Vá para prova com a alegria de que vai a uma festa e não com a preocupação de quem vai prestar vestibular. Lembre-se de que é um grande privilégio poder desfrutar de saúde para treinar e participar de um evento desse porte, independente de seu tempo e sua colocação final.


Boa prova!

 

  

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h44

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Polêmica

Polêmica

O tempo de Cicarelli

Como prometido, trago hoje aqui a resposta da apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli a respeito das contestações que leitores deste blog levantaram sobre seu tempo na maratona de Nova York, em 2003.

A resposta é uma não-resposta: segundo sua assessoria, Cicarelli prefere não comentar a polêmica surgida.

De qualquer forma, a quem interessar possa, eis aqui os resultados publicados no site da prova para Daniela Lemos e Luiz Milano, com quem ela foi casada.

LUIZ MILANO M47 2736 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

DANIELA LEMOS F24 F383 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

O primeiro tempo é o bruto e o segundo, o líquido. 

Para terminar, devo dizer que este blog não julga ninguém pelo seu tempo em maratonas, meias-maratonas, provas de dez quilômetros ou qualquer outra quilometragem. Aproveito a sabedoria dos antigos e fico com o dito popular, que sentencia: "Cada um com seu cada qual". 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h48

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Seleção

Seleção

O melhor tênis do ano

A revista "Runner`s World", mais importante publicação internacional sobre corridas, anunciou sua seleção de melhores tênis do ano.

O escolhido dos editores foi o Nike Air Pegasus 2006, um tênis de amortecimento para corredores com pisada neutra.

Já o Mizuno Wave Elixir, tênis de performance, foi eleito o melhor lançamento do ano. A Brooks e a Asics foram premiadas pelas melhores inovações pelo desenvolvimento e uso de novas tecnologias. O texto da "Runner`s World contando mais detalhes está AQUI.

Lembre-se, porém, de que o tênis tem de ser bom para você. O fato de este ou aquele ser considerado o melhor não significa que seja o "seu" melhor. Antes de comprar, verifique se ele é indicado para o seu tipo de pisada, confira avaliações disponíveis na internet ou converse com colegas a respeito.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h08

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Especial

Especial

Primeiros passos

Muitos de nós se entusiasmam ao ver feitos esportivos como a vitória de Marilson em Nova York ou a determinação de Vanderlei na maratona olímpica. Com esses heróis na mente ou simplesmente para cuidar da saúde, baixar a barriga ou buscar nova diversão, saímos atrás de exercícios. A corrida aparece como uma boa opção, mas nenhum iniciante deve sair por aí rodando quilômetros em penca.

Antes de disparar pelas ruas, não deixe de ler o texto que o doutor João Gilberto Carazzato, um dos mais reconhecidos especialistas em medicina esportiva no país, preparou especialmente para este blog.

Ex-técnico e atleta de vôlei, participou de várias seleções brasileiras. Como médico, esteve na delegação brasileira em três Olimpíadas e quatro Pans. Professor-doutor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, ele chefia o Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas.

Mas chega de conversa. Vamos ao texto.

 

"De todos os métodos utilizados para preservar a saúde e para prevenir e, mesmo, curar as doenças, não há nada melhor que o exercício físico. O exercício é mais eficaz que os medicamentos e deve ser praticado durante toda a vida para preservar e restaurar a saúde", já dizia Nicholas Andry em seu livro "Orthopedia" , publicado no século 18.

Como também refere Carazzato na introdução do seu livro de Medicina Esportiva: "O ser humano, durante toda a sua existência, preenche as 24 horas de cada dia das mais variadas formas possíveis. Há os que acordam cedo, trabalham muito e têm pouco tempo para alimentação, repouso e lazer. Há os que, na prática, ´nada fazem`.

"É evidente que a programação do dia de cada pessoa tem por base seu grupo etário. Assim, o recém nascido permanece praticamente imóvel durante 24 horas, sendo apenas ´acordado` para higiene e alimentação. Muitos idosos, em seus últimos momentos de vida, encontram-se também em condições semelhantes. Em todos os demais grupos etários, as programações apresentam características absolutamente particularizadas e individuais.

"Sabemos também que, além da alimentação, do repouso, do trabalho, do estudo e do lazer, a prática de atividade física é também considerada essencial para o ser humano e, portanto, deve ser realizada em toda a sua existência. Assim, independente de seu grupo etário, você deve fazer atividade física."

Vamos supor que você resolva iniciar um programa de atividade física. Como fazê-lo?

Dependendo do seu grupo etário, você deve inicialmente avaliar suas condições de saúde. Uma avaliação médica com alguns poucos exames laboratoriais pode considerá-lo apto ou detectar pequenos distúrbios que devam ser sanados inicialmente.

Para um início de atividade física, não são necessários grandes e complexos esquemas de avaliação cardiocirculatória tais como teste ergométrico e detecção dos limites aeróbios e anaeróbios, tão importantes nos esportes competitivos e nos programas de atividade física de alta intensidade e que são determinados por médicos especialistas em medicina esportiva.

Assim, um início simples pode ser conseguido com a mais rudimentar das atividades físicas, ou seja, o andar.

Para haver benefícios cardiocirculatórios, o andar deve observar três princípios básicos: freqüência, intensidade e continuidade.

A freqüência deve ser de um mínimo de três vezes por semana, se possível cinco vezes, e nunca sete vezes.

A intensidade ideal seria de 120 passos por minuto.

A continuidade deve ser conseguida em todo o ano.

Como conseguir isto?

Podemos fazer um protocolo inicial muito simples, a saber: ande em linha reta por cinco minutos com passos amplos com a mesma velocidade que você utiliza no dia a dia. Conte o número de passos. Vamos chamá-lo de X.

Sabendo que o ideal seria 120 passos por minuto o total seria 600 passos em cinco minutos, faça a diminuição 600 – X = Y. Ou seja, Y é o número de passos que faltam para atingir os 600 passos em cinco minutos.

Divida este número Y por dez ( ou mais ) dias e teremos Z que é o número de passos que você deve alcançar a cada dia que andar, até atingir o número ideal de 120 por minuto em cinco minutos.

Conserve sempre o tempo de cinco minutos.

Conseguido o andar com 120 passos por minuto, passe a aumentar o tempo em um minuto a cada dia que andar até atingir o tempo que queira disponibilizar para sua atividade.

Caso você não consiga atingir o número de 120 passos por minuto, não desanime. Estabeleça o seu limite, que pode ser, por exemplo, 80, 90 ou cem passos por minuto, que será aquele que você deve utilizar.

Bem, esse é o início.

Posteriormente poderemos correr, nadar, andar de bicicleta, fazer musculação, ginástica especializada ou até as mais diversas modalidades esportivas. Mas isso veremos em informações posteriores.

Comece de forma simples, que não exija demais de suas condições, para que possa ir progredindo lenta e gradativamente, sem desgastá-lo, sem estresse e, assim, sem oportunidades para frustrações em não conseguir chegar a limites que sejam ambiciosos demais.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h17

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Marilson

Marilson

Correndo forte

 

Caio Guatelli/Folha Imagem

A entrevista se encaminha para o final. Depois da série de perguntas, Marilson recebe de João Paulo Diniz um prêmio oferecido pelo Pão de Açúcar: um ano de supermercado grátis. A seguir, o final da coletiva de hoje..

 PERGUNTA - Na corrida, qual foi o momento em que você deu aquela olhada para trás e falou: "Deu..."?

MARILSON - Teve um momento da prova, quando eu entrei no Central Park, eu olhei para trás e não vinha ninguém. Então eu falei: "Não, vou diminuir um pouco o ritmo, vou controlar o ritmo da corrida para que não me aconteça nada, para tentar garantir mesmo a vitória". Mais um pouco para a frente, eu olhei para trás e vi que eles encostaram, eles tiraram um pouco a diferença, e aí eu comecei a correr novamente mais forte até a linha de chegada.

PERGUNTA - Minha intenção não é fazer você chorar, mas queria que você comentasse a importância de sua pai, seu Vitorino, da dona Célia...

MARILSON - Dona Cíntia. Meus pais sempre me apoiaram bastante em tudo o que eu fiz na vida, nos estudos, no atletismo. Na verdade, eles são os meus torcedores número 1. Eles sempre me apoiaram bastante. Foi difícil para eles, também, porque eu tive que sair de casa ainda criança, com 15 anos de idade. Tanto para eles quanto para mim, foi uma época muito difícil. Eu era um garoto muito caseiro, nunca tinha saído de casa nem para dormir uma noite fora. De repente, sair de casa para viver em outra cidade, levar outro estilo de vida, foi uma transformação muito grande. Isso eles aceitaram numa boa e sempre me apoiaram no que era possível.

PERGUNTA - Você ficou com medo de que algum padre ou que houvesse algum incidente, como ocorreu com Vanderlei?

MARILSON - Não, acho que ali foi um fato único, lamentável para o atletismo brasileiro e para o Vanderei. Mas lá eu não temia isso, porque a prova é superorganizada. O tempo todo a gente tem os batedores acompanhando, os policiais pelas ruas, eu não temia nenhum tipo de ataque.

PERGUNTA - Qual sua expectativa para o Pan? E para a maratona olímpica em 2008?

MARILSON - O Pan vai ser uma competição muito importante para a gente. Eu quero melhorar meus resultados. Fui medalha de bronze nos 5.000 metros e medalha de prata na prova de 10.000 no último Pan, e a expectativa é melhorar esses resultados. Quanto à maratona, agora a gente vai ter que planejar tudo certinho para que eu não cometa o mesmo erro que cometi na Olimpíada passada e fiquei de fora.

ADAUTO - No Pan, pode ser que esteja muito quente. Nós temos grandes atletas hoje na maratona, teremos uns seis atletas brigando por três vagas. Em compensação não tem talvez um outro atleta no Brasil com chances de ganhar no 10.000. Pelas marcas, dificilmente ele perde a medalha de ouro. E ao mesmo tempo ele abre oportunidade para outro atleta correr na maratona do Pan.

PERGUNTA - No início da sua carreira, você chegou a correr descalço. Como você vê isso, agora?

MARILSON - Eu comecei em Brasília com 14 anos, com um grupo de corredores, com o Albenis, que já tinha revelado alguns atletas antes e tinha feito contato com alguns clubes de São Paulo e enviado atletas para São Paulo. Cheguei a correr algumas provas descalço, mas não era porque eu não tinha calçado. O meu pai sempre trabalhou, sempre deu o sustento para a gente, tudo o que a gente precisava. Eu achava que aquilo era o melhor para mim. É diferente correr descalço porque você não tem condições de ter e correr porque eu achava que aquilo era o melhor para mim.

PERGUNTA - Os quenianos realmente correm em equipe e impõem respeito aos adversários?

MARILSON - Todo mundo pensa que os quenianos correm em equipe, mas na realidade não acontece isso. Numa prova de grande porte, como a de Nova York, a impressão que passa é essa, mas ali todo mundo que dar o melhor de si mesmo, quer conseguir o seu melhor resultado, até mesmo porque trabalham com técnicos e agentes diferentes, cada um quer obter o melhor resultado.

ADAUTO - Imagine uma situação nos 10.000 no Pan. O Marilson é um atleta de um poder de ritmo muito grande, mas que não tem um final tão rápido. O Hudson é o inverso: é um atleta que acompanha muito bem e tem um final muito rápido. Pode acontecer de o Marilson puxar a prova toda, dar um ritmo muito forte, e o Hudson vai e ganha. Aí vão dizer lá fora que os brasileiros correm em equipe. mentira, o Marilson estava treinando fugir... Com os quenianos é assim, cada um quer ganhar a prova, mas, como eles são muito iguais na condição física, um acaba acompanhando o outro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h35

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Marilson

Marilson

Olhando para o futuro

Segue a entrevista. Como é uma coletiva, não há um fio condutor para as perguntas, que abordam diversos aspectos da vida e do trabalho do atleta.

PERGUNTA - Você foi para Nova York sem seu o técnico. Em algum momento você lembrou coisas que havia trabalhado?

MARILSON - Sou acostumado a correr grandes provas. Corri Chicago, corri o Mundial de Helsinque, desde categorias menores venho participando das principais provas da Iaaf (entidade internacional do atletismo) e nem sempre o técnico pode estar presente. Isso a gente tem de ter em mente. A gente tem de ter uma grande concentração tanto antes quanto durante a prova para fazer com que isso não atrapalhe. O mais importante é que a gente já tinha planejado tudo antes, aqui no Brasil, já tinha feito o treinamento, já tinha dado tudo certo. Eu já tinha ido para lá muito confiante, o mais importante é isso.

PERGUNTA - Você já sabe o que vai fazer com o dinheiro?

MARILSON - Minha vida teve uma reviravolta muito grande, desde que quando comecei a treinar. O que eu tenho que pensar agora é em manter o nível e depois pensar o que vou fazer com os prêmios, com o dinheiro. Tenho que somente manter a cabeça no lugar, os pés no chão e dar continuidade no meu trabalho.

PERGUNTA - Como foi a maratona de compromissos depois da vitória?

MARILSON - Na verdade, até agora a maratona não acabou. Estou sempre cheio de compromissos. Lá, depois da maratona, os dois dias seguintes foram muito corridos. Tive de assumir alguns compromissos, como acontece sempre com o campeão da prova. Como eu disse, é uma grande maratona, de status mundial, então não tem como fugir. Mas isso é bom para mim, para quem ganha uma maratona, assumir esses compromissos. É sempre uma grande honra participar desses compromissos.

PERGUNTA - O que vai mudar na sua vida agora? Você acha que vai haver alguma grande mudança?

MARILSON - Com certeza. Mas vou tentar seguir a minha vida como sempre segui, com humildade, trabalhando do mesmo jeito como sempre trabalhei, para que eu também não seja atrapalhado por isso. O mais importante é que eu consiga ser a mesma pessoa de sempre.

PERGUNTA - Qual foi o momento mais difícil da prova? Você chegou a ter medo?

MARILSON - Teve um momento da prova em que eu fiquei preocupado. Foi na meia maratona, porque eu comecei a sentir algumas dores musculares, no anterior da perna direita, na coxa. Fiquei preocupado, porque eu não sabia o que estava acontecendo, até mesmo porque eu estava correndo muito fácil até ali, e de repente começaram a surgir essas dores. Mas procurei centrar o pensamento na prova e esquecer, sempre pensando que mais tarde ia passar, como passou e não chegou a atrapalhar tanto...

PERGUNTA - Para o Pan, você tem um adversário muito forte, que é o Hudson de Souza, nos 5.000 metros... Você acha que pode vencê-lo?

MARILSON - O Hudson, aliás, é da nossa equipe e também é de Brasília. Convivi muito com ele. Acho que se a medalha estiver nas minhas mãos ou nas dele vai estar com o Brasil, o mais importante é isso. Tanto ele quanto eu vai tentar vencer a prova. Que vença o melhor.

PERGUNTA - Há planos de o Marilson ficar só nas maratonas?

ADAUTO DOMINGUES - Acho que não é impossível, não é inviável o Marilson ser um excelente maratonista e ter boas marcas em provas de 10 mil. Acho que os 5.000 metros, para ele, pode começar a ficar uma prova muito rápida. Mas eu vou sempre querer que ele faça as provas de dez quilômetros, que a gente consiga melhorar as marcas. Ele é novo, tem 29 anos, a gente ainda tem muita coisa para fazer. O Marilson é um cara muito fácil de trabalhar. Ele tem uma dedicação muito grande e uma disciplina muito grande, isso é uma coisa chave, fora o fator genético. E espero que a vida dele não mude muito, não, porque as coisas estão dando certo. Eu já o conheço há 14 anos, e acho que essa vitória muda muito pouco... Claro, ele vai ter de lidar um pouco com essa coisa de assédio, mas isso abaixo a poeira e a gente segue...

PERGUNTA - Por que o treinamento em Campos do Jordão e por que 35 dias, e não 20 ou 40?

MARILSON - Normalmente, ele iria para Paipa, na Colômbia, fazer essa preparação. Só que ele estava com um problema no pé e, se essa coisa agravasse, aqui no Brasil seria mais fácil de a gente tratar. Por isso, escolhemos Campos do Jordão. Ele tem uma resposta muito boa ao treinamento. Esse se afastar funciona muito mais por causa da tranqüilidade. Lógico, tem o efeito fisiológico tremendo por causa da altitude. Em geral, a gente fica quatro semanas. A primeira semana ele dá uma segurança, e aí tem 21 dias que ele tem sempre bons resultados. Mas em Campos foi mais a tranqüilidade de poder treinar. Por mais que ele seja um cara caseiro, em São Paulo sempre é muito difícil. E lá as coisas são mais fáceis, mais práticas...

PERGUNTA - O fato de você não ter sofrido pressão da imprensa antes da prova facilitou as coisas para você?

MARILSON - Com certeza. tome como exemplo a São Silvestre, que é a maior prova que a gente tem aqui no país. Eu sofro essa pressão a cada ano e é sempre complicado correr em cima de pressão. Lá eu não tive pressão nenhuma e isso foi um fato que me ajudou bastante. Agora eu vou ter que administrar, que lidar com essa pressão. mas acho que eu vinha administrando bem, até mesmo aqui no Brasil. Um bom corredor tem que aprender a lidar com essas situações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Marilson

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O que diz Juliana

A mulher de Marilson, JULIANA PAULA GOMES DOS SANTOS, 23, corredora de 800 m (2min01) e 1.500 (4min16), acompanhou a entrevista da platéia, em silêncio, sorrindo ás vezes, esperando a sua vez.

Ela foi terceira do mundo nos 800 metros, em 2003, no Mundial Juvenil de atletismo, tornando-se a primeira brasileira a conquistar medalha em Mundiais na modalidade. A segui, ela conta sua primeira conversa com Marilson depois da vitória. 

"Eu fiquei sabendo logo depois que terminou a corrida, pelo meu técnico, o Adauto, porque eu não tinha mais acesso à internet. Eu só fui falar com o Marilson umas duas horas depois, questão assim de menos de três minutos. Ele só falou assim: "Amor, conseguimos". Era o que a gente queria mesmo, o que a gente tinha lutado para conseguir. Não esperava que fosse tão rápido, veio muito rápido, graças a Deus, ele conseguiu acertar, achou o dia... E ficamos muito felizes. Ele falou: "Nossa, tou cansado, mas tou feliz, tou feliz. Você sabe que essa vitória também é sua". Bem, foi uma conversa muito rápida, mas foi muito bom."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h25

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Marilson

Marilson

Momento de emoção

Caio Guatelli/Folha Imagem

 

Segue a entrevista com Marilson. Quando fala sobre o resultado, o corredor se emociona e chora por alguns momentos.

PERGUNTA - Você pretende correr a São Silvestre?

MARILSON - A gente vai conversar, eu e o Adauto, e a gente vai ver o que é melhor para mim e para a equipe.

ADAUTO DOMINGUES - Hoje, não está descartada a participação, mas também não está confirmada. Depois de uma maratona, sempre há alguns traumas. A gente vai ter de avaliar isso clinicamente, com exames médicos, e fisicamente, para ver como será possível recuperá-lo. Há outras competições tão importantes quanto a São Silvestre.

PERGUNTA - Você enfrentou frio, dor e os maiores atletas do mundo. quando faltavam uns dez metros para a chegada, o que você pensou?

MARILSON - Passa um pequeno filme pela cabeça. A gente pensa em tudo. Eu estava até um pouco... Um pouco, não, bastante emocionado. É uma prova de muito status mundialmente. E, de repente, eu, que não era cotado entre os favoritos, chegar a vencer a prova, isso para mim foi o ápice da minha carreira.

PERGUNTA - Por que você não vai correr a maratona no Pan, e vai voltar às suas provas de origem os 5.000 e os 10.000 metros. Isso está decidido mesmo?

MARILSON - Acho que o Adauto pode responder melhor.

ADAUTO - O Marilson tem como objetivo final a maratona de Pequim 2008, nos Jogos Olímpicos. Isso vem desde o final de 2003. A gente fez uma preparação para ele correr a maratona olímpica em Atenas, infelizmente, por 50 segundos, ele ficou fora do ranking dos três melhores do Brasil. depois ele mostrou que era capaz, porque correu 2h08. Como eu disse antes, o Marilson tem um final um pouco lento. Então, a gente quer que ele melhore ainda alguns resultados nos 5.000 e nos 10.000. É uma questão matemática: é impossível você fazer 30 minutos nos 10 mil metros se você não tem 15 nos 5.000. Em cima disso, a gente quer que ele melhore essas marcas de 10.000 para que ele possa, numa maratona olímpica, ter uma passagem com um pouco mais de conforto para ir até o final da prova. Aqui ninguém de vocês pode me garantir que na maratona do Pan não vá estar 32 graus. É possível estar 32 graus no inverno no Rio de Janeiro. E eu preciso que ele faça uma maratona rápida. Então, se eu o colocar na maratona no Rio de Janeiro, eu perco provavelmente algumas provas rápidas no segundo semestre. Ou perco Chicago ou perco Berlim. E eu não quero arriscar novamente que ele fique de fora da Olimpíada, agora com chance de chegar entre os primeiros.

PERGUNTA - O que representa para aquele rapaz que veio aos 15 anos lá de brasília hoje ser conhecido no mundo inteiro, ter sua foto nos jornais do mundo inteiro...

MARILSON - É com eu disse, é o ápice para mim. Ninguém, nem eu mesmo, imaginaria que um dia eu pudesse chegar a esse ponto. Um menino que saiu de Brasília, da Ceilândia, uma cidade muito humilde.... (emocionado, começa a chorar)....

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h16

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Marilson

Marilson

Sofrimento e glória

Acompanhe a primeira parte da entrevista coletiva de Marilson, realizada hoje pela manhã no auditório do Pão de Açúcar. Algumas de suas respostas sõa complementadas pelo seu técnico, Adauto Domingues.

PERGUNTA - COMO FOI SUA PREPARAÇÃO?

MARILSON GOMES DOS SANTOS - A preparação para uma maratona é sempre dura, sempre complicada. Eu fiquei ausente de casa uns 35 dias, em Campos dos Jordão. Logo depois do Troféu Brasil eu fui para Campos do Jordão me preparar, fazendo mais ou menos 200 quilômetros por semana, em média, com duas sessões diárias de treinamento. É sempre sofrido, muito complicado, porque a gente tem de abrir mão de algumas coisas, até mesmo da família, da minha esposa, Juliana, também, porque, se não for assim, não dá certo. Mas eu fiquei feliz porque eu consegui alcançar o meu objetivo, que era acertar uma grande maratona, e acabou dando certo na maratona de Nova York.

PERGUNTA - EM QUE MOMENTO DA PROVA VOCÊ ACHOU QUE PODIA GANHAR?

MARILSON - Quando eu comecei a abrir distância, depois da milha 19 (km 30, aproximadamente), eu senti uma confiança muito grande, porque era um momento em que eu estava me sentindo muito bem na prova. Comecei a abrir vantagem cada vez mais, então ali eu percebi que teria grandes chances de chegar como vencedor da prova.

PERGUNTA - CONTE UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA DA PROVA DESDE O COMEÇO E COMO VOCÊ CONTROLA SEU RITMO PESSOAL

MARILSON - A maratona de Nova York tem um percurso difícil, bastante duro, com muitas subidas e descidas, além do nível da maratona. Estavam presentes o campeão olímpico, o vice-campeão olímpico, o recordista mundial, vários atletas com 2h06, mas durante o decorrer da prova, o ritmo foi bem confortável. Foi uma passagem cômoda, não só para mim, para todos, a primeira parte da maratona foi fraca. Eu estava me sentindo bem, e estava saindo tudo de acordo com o planejado. Meu plano era sair, depois do 30, do km 35, para ver se diminuía o pelotão de elite, os atletas que estavam na frente, ou que eu pudesse abrir alguma vantagem, que viesse um ou outro, apenas. Como ninguém veio, eu acabei me destacando mais e consegui vencer a prova.

PERGUNTA - VOCÊ JÁ SAIU NO GRUPO DA FRENTE?

MARILSON - Na maratona de Nova York, o pelotão de elite é grande. Eu procurei sempre ficar atrás do grupo, me proteger do frio, do vento, e não ir muito para frente, sempre correndo no vácuo... Eu sabia que era uma prova difícil e que a parte final, quando você entra no Central Park, seria muito desgastante, muito difícil. Eu procurei economizar no começo o máximo possível para que eu pudesse depois encontrar energias para terminar o percurso.

ADAUTO DOMINGUES - No km 25, havia 29 atletas no pelotão de elite. Eram 29 atletas que podiam vencer a prova. A diferença do primeiro para o 29 era de dois segundo. Desses 29 atletas, 14 eram quenianos. Por isso, quando ele tentou sair no km 30, o objetivo ainda não era ganhar a prova, mas, sim, fazer com que esse grupo diminuísse para que ele tivesse mais chance de uma melhor colocação. Quem conhece o Marilson sabe que ele tem um final de prova não tão rápido como têm outros atletas. Então, o objetivo da escapada era diminuir o número de atletas para obter uma melhor colocação. A escolha por Nova York é em cima de colocação, não em cima de marca, pois a gente sabe da dificuldade da prova.

PERGUNTA - QUANDO VOCÊ DECIDIU QUE ROUPA USARIA? VOCÊ JÁ TINHA CORRIDO COM OS MANGUITOS?

 MARILSON - Para mim, quatro graus, cinco graus, que estava previsto para o dia da prova, é frio. Eu tenho uma porcentagem de gordura muito baixa (3,7% a 4,2%; o comum em não-atletas é acima de 16% ou 18%, segundo o treinador Adauto Domingues) e sinto bastante frio nas principais provas de maratona, que são realizadas no frio. Então eu procurei me defender do frio, me proteger o máximo possível, usando o gorro, as luvas, os manguitos para não sentir tanto frio durante a prova.

PERGUNTA - ANTES DE VOCÊ EMBARCAR, VOCÊ ESTAVA COM UM PROBLEMA NO PÉ. VOCÊ SENTIU DORES E COMO VOCÊ ESTÁ AGORA?

MARILSON - Na verdade, essa lesão minha ainda não passou. Vou ter de parar agora. Estou com uma fascite plantar, que é uma inflamação na planta do pé, e acabou até me atrapalhando nos treinos para a maratona, mas agora é o momento de parar para poder programar as futuras provas. Essa inflamação, durante a prova, não me atrapalhou, eu não senti tanto. Só no término, quando o corpo começou a esfriar, aí eu não conseguia nem andar direto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h20

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Marilson Gomes dos Santos

Marilson Gomes dos Santos

Pura emoção

Primeiro sul-americano a vencer a maratona de Nova York, Marilson Gomes dos Santos chegou hoje pela manhã a São Paulo e foi direto para uma entrevista coletiva no auditório do Pão de Açúcar.

Contou sobre os momentos mais duros e mais felizes da prova, lembrou a carreira, falou um pouco sobre o futuro e não conteve as lágrimas ao tentar comentar o que a vitória mudava na vida daquele garoto que, aos 15 anos, saiu de sua Ceilândia (DF) natal para vir tentar a sorte no atletismo em São Paulo.

Não conseguiu continuar sua fala naquele instante e foi socorrido por João Paulo Diniz, conselheiro do grupo Pão de Açúcar, e por Sérgio Coutinho Nogueira, diretor-técnico da equipe BM&F, que compunham a mesa, completada pelo técnico de Marilson, Adauto Domingues.

Janaina, mulher de Marilson e primeira brasileira a ganhar uma medalha em um Mundial de atletismo na prova de 800 metros, estava na platéia. 

Agora vou tirar a entrevista e logo coloco mais informações.   

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h47

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Campeão

Campeão

Marilson vem aí

 

Ele será recepcionado por seus patrocinadores e deverá falar à imprensa agora pela manhã, no auditório do Pão de Açucar, em São Paulo.

Depois eu conto como foi.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h48

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São Paulo

São Paulo

Festerê

No próximo domingo, acontece na Cidade Universitária mais uma grande festa do mundo das corridas. É a segunda edição do Nike Run Americas, prova de dez quilômetros patrocinada pela empresa de material esportivo.

O objetivo da Nike é colocar nas ruas de nove cidades da América Latina um total de 120 mil corredores vestindo a camiseta da Nike 10 K. Em São Paulo, há vagas para 25 mil atletas. E, até este momento, segundo a assessoria da empresa, ainda há vagas. As inscrições continuam somente no shopping Eldorado (avenida Rebouças, 3.970 - Pinheiros; piso térreo, átrio azul). O valor é de R$ 50.

Com tanta gente na prova, a corrida também será lenta. Mas divertida, especialmente para quem está começando e gosta da energia bacana que costuma rolar nesses eventos. Haverá música e até um show especial para os participantes. No dia seguinte, promete a empresa, cada corredor poderá ver no site da prova um vídeo com o momento da sua chegada.

O percurso é batido, combinando um trecho dentro da USP e um trecho na avenida Escola Politécnica, e fácil, não devendo assustar corredores iniciantes ou com pouco experiência em rodagens no asfalto.

Eu só não gosto do fato de o corredor ser obrigado a vestir a camiseta da prova -seu número vem impresso na camiseta. O objetivo da Nike, claro, é ter fotos de multidões vestindo amarelo, como teve multidões de laranja no ano passado.

É o marketing das multidões.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h36

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Polêmica

Polêmica

Qual o tempo de Cicarelli?

 

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

 

A apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli contou para este blog que fez sua primeira e -até agora- única maratona em 4h12 minutos, em Nova York, em 2003. Comentou até: "Seis minutos por quilômetro, imagina!". Mas a informação foi contestada por leitores deste blog.

Um deles disse ter pesquisado nos resultados da prova e encontrado uma Daniela Lemos, que completou a corrida em 4h33'25" .

Outros leitores reagiram, dizendo que pouco importa o tempo, o importante é a dedicação ao esporte.

Encaminhei a polêmica para a assessoria de imprensa da apresentadora. Mais tarde conto o que deu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h21

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Dica saudável

Dica saudável

Alta umidade

Acabei de voltar de um treininho de uma hora na avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo e tenho um lembrete para todos os que estão para começar seus treinos ou ainda vão correr ao longo do dia.

Apesar da temperatura, pela manhã, ainda estar agradável (senti até uma leve brisa), a umidade está muito alta e "derruba" a gente.

Meu treino foi bem leve, pois estou em recuperação da maratona de Buenos Aires, mas suei muito, como se estivesse correndo uma prova de 10 quilômetros.

Então procurem levar água, mesmo para treinos curtos, ou planejem um percurso em que possam se hidratar.

E não deixem de beber pelo menos um copo de água antes e depois do treino. Você vai correr melhor, vai cansar menos e sua recuperação será mais rápida.

Ao longo do dia, continuem bebendo. Água, é claro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h08

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Palavras de Marilson

Palavras de Marilson

Eu sou mais eu

"Havia um grupo de grandes corredores, mas eu também sou um deles. Para vencer, você precisa ter coragem, e hoje eu tive a coragem de tomar a frente e vencer a corrida."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Nova York

Nova York

Vídeo bem legal

Apenas para inspiração, não é um documentário.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h03

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Arquivo

Arquivo

Fotos históricas

O dublê de ex-corredor, técnico e, principalmente, apaixonado pelo atletismo Nilson Duarte Monteiro colocou no ar um fotoblog com imagens de seu arquivo.

Há cenas sensacionais, como o aceno de Eleonora Mendonça, representante brasileira na primeira maratona olímpica feminina, em Los Angeles-84.

Veja outras fotos AQUI.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17

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Blumenau

Blumenau

Da noite para a manhã

A maratona de Blumenau estava anunciada como a primeira noturna do Brasil, mas, na própria semana do evento, os organizadores, alegando razões externas à vontade deles, mudaram o horário do fim da tarde de sábado último para o início da manhã de ontem.

Foi mais uma das confusões que envolveram essa prova, que tradicionalmente é realizada em meados do ano para aproveitar o clima, propiciando bons tempos.

Para complicar mais as coisas, os banheiros químicos não chegaram na hora combinada: na largada, não estavam lá.

Mas, pelo que dizem atletas que correram a prova, tudo isso foi compensado por uma boa organização no percurso, que foi fechado ao trânsito. Bom suprimento de água e frutas, resultados divulgados rapidamente. Enfim, os relatos que ouvi deram uma nota positiva depois de uma negativa.

Os tempos foram altos:

Masc

 1.Claudir Rodrigues 02:20:15
2.Claudioi da Cruz 02:22:03
3.Andre A Ferreira 02:22:25
4.Paulo da Silva 02:23:56
5.Jose Pedro Mendes 02:25:54

Fem
1.Erinelda R da SIlva 02:47:41
2.Ilaine Wandsheer I 02:48:10
3.Maria Sandra P da Silva 02:48:44
4.Maria do Carmo A Guimaraes 02:49:51
5.Luciana Beatriz L da Luz 02:53:22
6.Maria dos Remedios Castro 02:58:22
7.Maria Salete S Herold03:10:19

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h29

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Na hora

Na hora

Chegada

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Deu no New York Post

Deu no New York Post

Luvas negras

A reportagem publicada no "New York Post", com informações de agências, foi a primeira que vi que descreveu o modelito de Marilson.

Diz o texto: "Vestindo luvas negras e com manguitos (aquelas mangas compridas separadas da camiseta) também pretos até o bíceps, boné preto e camiseta regata amarela, Gomes cruzou a linha com os braços levantados e depois fez o sinal da cruz. E logo foi cumprimentado pelos dois quenianos que o seguiram, que abriram largos sorrisos ao abraçar Gomes, que parecia estar sofrendo um pouco".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h43

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Tática

Tática

Mais e depois + um pouco

 

Marilson, por um intérprete, revelou sua tática para os repórteres da Associated Press. Aqui neste blog vai a tradução da tradução.

"Eu acelerei, apertei o ritmo para ver se ficava menos gente no pelotão", disse Marilson.  "Daí continuei a acelerar e eles continuaram a ficar para trás".

Em resumo: ele acelerou um pouco e depois acelerou um pouco mais.... E se tornou, segundo as agência de notícias, não só o primeiro brasileiro campeão na Big Apple, mas o primeiro sul-americano a triunfar em Nova York.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h29

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Deu no New York Times

Deu no New York Times

Marilson na primeira página

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h23

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Marilson

Melhor das melhores

"Estou muito feliz e satisfeito com essa vitória, pois a maratona de Nova York é a melhor entre as melhores", disse Marilson Gomes dos Santos depois de surpreender o mundo ao deixar para trás o recordista mundial da maratona, Paul Tergat e outros quenianos do primeiro time, além dos norte-americanos tidos como bem cotados.

Ele deu sua arrancada pouco depois do quilômetro 30 e construiu uma vantagem de 30 segundos antes que Kiogora e Tergat se dessem conta e fossem para cima. Eles chegaram perto, mas Marilson soube segurar a liderança. Entrou no Central Park como campeão e como campeão cruzou a linha de chegada.

O heptacampeão do Tour de France, o superhiperciclista Lance Armstrong, terminou quase uma hora mais tarde, fechando em 2:59:37 sua prova. Ele correu para arrecadar fundos para entidades de combate ao câncer.

Com sua vitória de hoje, Marilson integra o time dos primeiros no grande slam das maratonas mundiais, empatado no segundo posto com Felix Limo, que venceu em Londres, e Haile Gebrselassie, campeão de Berlim. Com 25 pontos, os três perseguem Robert Cheruiyot, que tem 50 pontos por sua vitórias em Boston e Chicago.

Nessa disputa, desenrolada ao longo de dois anos, ganham pontos os cinco primeiros nas maratonas de Boston, Berlin, Chicago, Londres e Nova York City. Os vencedores no masculino e no feminino levam um prêmio de pelo menos US$ 1 milhão cada um.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h10

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Nova York

Nova York

Bicampeã

No feminino, a vitória foi da campeã do ano passado, que correu baseada na sua experiência, seguiu a coelho nos primeiros quilômetros, mas tomou a frente e manteve a liderança o tempo todo.

O resultado oficial:

  1. Jelena Prokopcuka (LAT) 2:25:05
  2. Tatiana Hladyr (UKR) 2:26:05
  3. Catherine Ndereba (KEN) 2:26:58

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h43

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Nova York

Nova York

Marilson do Brasil

Marilson dos Santos, campeão da São Silvestre, agora é também o campeão da maratona de Nova York.O brasileiro esperou a hora, atacou e foi-se embora. Na hora dos vamos ver, a tábua de resultados apontou:

  1. Marilson Gomes dos Santos (BRA) 2:09:58
  2. Stephen Kiogora (KEN) 2:10:06
  3. Paul Tergat (KEN) 2:10:10

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h38

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Nova York

Nova York

Eis a estrela

Lance Armstrong, visto pela câmera especial que vai acompanhá-lo ao longo da prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h35

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Pausa

Nova missão

 

Pessoal, agora vou ter de fazer uma pausa nas transmissões. Tenho de sair para assitir ao Gre-nal no estádio Olímpico. Vamos ver se o Grêmio faz alguma coisa. Sobre as transmissões, têm sido boas, mas, seja por causa deles, mas, principalmente, por causa da conexão, o vídeo não estava legal.

Quem conseguiu assitir e quiser comentar, mande notícias.

Mais tarde volto ao ar. Se tudo der certo, haverá surpresas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h33

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Nova York

Nova York

Perseguição

A campeã Prokopcuka, da letônia, lidera o grupo das mulheres, seguida pela norte-americna Deena Kastor

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h30

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Nova York

Nova York

Os homens estão nas ruas

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h20

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Nova York

Nova York

Passagem

A líder Prokopcuka passou a marca dos 5 km em 17:34, e o pelotão, com Deena Kastor, em 18:32. A coelho Talpos está bem na frente.

E agora o locutor anuncia as estrelas masculinas: Tergat, Ramala, Baldini.... Não deu para ouvir se o brasileiro Marilson foi anunciado.

Vai tocar o hino norte-americano, o som está legal, mas o vídeo continua daquele jeito.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h09

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Nova York

Nova York

Desgarradas

A coelho da corrida está dando um banho, correndo mais do que devia ou que era esperado.

Só a campeão da prova, Jelena Prokopcuka, acompanha o ritmo da coelho, Luminita Talpos, mas segue um  pouco atrás.

O pelotão está quase dois quarteirões atrás das líderes, mas é só o começo.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h56

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Nova York

Nova York

Mulheres na pista

 

Com um elenco estelar, acaba de começar a prova feminina.

A transmissão continua aos soluções, pelo menos com a conexão que eu consegui. Parece mais uma série de slides. Mas o som está ótimo, tanto dos narradores quanto do ambiente.

Bem bacana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h40

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Nova York

Nova York

Soluços e tropeços

 

A transmissão já está no ar. O som vem legal, mas as imagens surgem aos soluços. Agora, neste exato momento, só tenho listas coloridas na tela, enquanto ouço os narradores fazendo aumentar a tensão, dizendo que a prova feminina está prestes a começar.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Nova York

Nova York

Começou

 

12h15: Os cadeirantes já estão rodando nas ruas da cidade. A temperatura no Central Park, pouco antes do início da prova, era de seis graus centígrados.

A minha janela de vídeo já abriu, mas as transmissões ainda não começaram. Vamos ver se dá certo.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h17

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Nova York

Nova York

Frio na barriga

Agora é aquela hora em que os corredores ficam pensando em tudo que pode dar errado, duvidam do treino que fizeram, alongam um pouquinho mais e daí levantam a cabeça, pensando: "Vai dar tudo certo!".

Um sorriso, um puxão no quadríceps, mais uma vez checar a amarração dos tênis, muda o humor. Calcula o ritmo, pensa se vai começar forte ou fraco, pensa se o tempo está legal ou se vai esfriar ou vai esquentar.

Chega! Vai soar o tiro da largada.

Para mim, aqui na frente do computador, também é uma emoção nova. Não sei se vai funcionar a transmissão ao vivo, se eu vou ter habilidade e rapidez para colocar as mensagens no ar assim que os eventos acontecerem. Sei que vou tentar fazer o melhor, mas também sei que o melhor de cada um nem sempre é o suficiente.

Boa maratona para todos que estão em Nova York, para os que correm, para os que assitem, para os que trabalham e para os que torcem.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h49

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Nova York

Nova York

Pela honra e pelo emprego

 

O deficiente físico Brian O'Sullivan, 30, terá muitos desafios pela frente na maratona de hoje em Nova York. Além de vencer a distância, ele quer deixar ainda mais evidente o que considera discriminação por parte do Departamento de Polícia de Nova York.

Sullivan, que não tem uma perna, está processando o NYPD des de 1999. Em 98, ele passou no exame escrito para conseguir uma vaga na polícia, mas seu nome foi riscado da lista quando viram que ele usava uma prótese. Não permitiram sequer que ele fizesse o exame físico. "Foi uma humilhação", diz ele.

Hoje ele pretende demonstrar ser perfeitamente capaz de fazer a ronda das ruas. Com sua perna mecânica, vai mandar ver nos 42.195 metros. "E seu tempo será muito bom", afirma seu advogado, Brian O'Dwyer.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h36

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Atenas

Atenas

De novo, um queniano

 

O domingo maratonístico começou em Atenas, onde, para variar, um queniano levou a taça. Foi Henry Tarus, 26, que se arrastou pelo caminho para terminar em 2h17min45. Lembrem-se que o percurso tem duas longas e doloridas subidas e o calor de Atenas já derrubou muita gente.

A primeira mulher foi a japonesa Ogushi Chikako, que fez 2h40min45 e ficou em 21 no geral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h26

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Stefano Baldini

Stefano Baldini

Em paz consigo mesmo

 

"Sou um homem tranqüilo", diz o campeão olímpico antes de começar a maratona de Nova York. "Ao ganhar o ouro em Atenas, provavelmente atingi o máximo com que um corredor pode sonhar. O que vier agora é lucro".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h16

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Som e tecnologia

Som e tecnologia

Chips que correm

 
A maratona de Nova York é um dos maiores e mais charmosos eventos de corrida do planeta. Neste domingo, cerca de 37 mil pessoas vão tomar as ruas da cidade, aplaudidas ao longo do percurso por esperados 2 milhões de espectadores.
 
Muito dos corredores vão enfrentar as dificuldades da distância com o auxílio da tecnologia. Lance Armstrong, o ciclista superhipermegacampeão do Tour de France, é talvez a maior estrela da prova. Ele vai usar tênis da Nike com sensores que mandam para seu iPod nano informações sobre seu ritmo de corrida.
 
O empresário Dino Farfante terá cada passo monitorado por um aparelho GPS fabricado por sua companhia, a MotionLingo. O aparelho manda os dados para um toca-MP3, que, por sua vez, vai sussurrar as dicas no ouvido do corredor, segundo reportagem publicada no "The New York Times".
 
Os GPS para corredores, aliás, são os mais novos membros da família de acessórios eletrônicos, em que os mais conhecidos e usados são os monitores cardíacos. A Garmin, que fabrica um relógio/GPS/monitor cardíaco, vem patrocinando corridas nos EUA para divulgar sua marca. Por sinal, aguarde que em breve vamos publicar em +corrida um teste exclusivo do Forerunner 305, um dos mais sofisticados aparelhos do gênero.
 
Mas, em Nova York, como bem lembra o NYT, provavelmente o acessório mais usado será o tocador de MP3, ainda que muitos organizadores de corrida não recomendem o uso de fones de ouvido por questões de segurança.
 
Entrevistado pelo NYT, o editor-chefe da Runner`s World, David Willey, disse calcular que um em cada cinco marotonistas use algum modelo de toca-MP3 para dar ritmo à corrida ou simplesmente se divertir.
 
Um técnico de corridas norte-americano recomenda a seus alunos que façam o download de um podcast com um metrônomo, a fim de ficarem no ritmo certo. Mas, para a maioria, a música é que comanda.
 
Pamela Ribon, autora de "Why Moms Are Weird" (Por que as mães são estranhas), não larga seu aparelho. Segundo ela, a música "Toxic", de Britney Spears, foi o incentivo que precisava para superar uma câimbra depois de seis horas de prova, na milha 24, na maratona de Maui. Para se recuperar, seguiu o resto cantando e dançando como podia e cruzou a linha de chegada. >
 
Para você, prezado leitor, qual é a música?   

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h03

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Nova York

Nova York

Brasileiro na área

A edição deste ano da maratona de Nova York, que acontece neste domingo, reúne talvez o mais galáctico dos elencos galácticos que costumam rechear a famosa e charmosa prova.

Para começar, nada menos que o recordista mundial e superconhecido dos brasileiros, o queniano Paul Tergat, que defende o título. No feminino, a campeão do ano passado, Jelena Prokopcuka, também volta ao campo.

Os norte-americanos vão torcer pelo seu compatriota Meb Keflezighi, medalhista olímpico nascido na Eritréia. Talvez com mais chance de beliscar o pódio corre Deena Kastor, que fez uma prova cerebral nos Jogos de Atenas para conquistar sua merecida medalha.

Conforme o clima, um brasileiro também pode incomodar. O campeão da São Silvestre, Marilson Gomes dos Santos, 29, está lá para tentar mais do que simplesmente fazer bonito. Ele deve correr os 5.000 e os 10 mil metros no Pan, mas isso não quer dizer que vá deixar de lado uma oportunidade como esta. Com tempo de  2h08min48 na maratona de Chicago, em 2004, Marilson tem credenciais e cabeça para dizer presente entre os melhores.


 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h56

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Nova York

Nova York

Muita grana

A maratona de Nova York oferece a maior premiação da história nessa modalidade de corrida. No total, são mais de US$ 740 mil em prêmios. O primeiro homem e a primeira mulher levam US$ 130 mil cada um. Haverá bônus diversos premiando desempenhos sub-2h11min30, para homens e sub-2h29 para mulheres.

Pela primeira vez na história, a corrida vai ser transmitida ao vivo pela internet. Uma parceria de NBCSports.com, NBC Ports e MediaZone vai dar acesso às imagens para quem pagar US$ 4.99. Eu já paguei, estou devidamente registrado e, se tudo der certo, vou contar para vocês os principais lances da corrida neste domingo pela manhã.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h27

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Nova York

Nova York

Estrela entre as estrelas

Um ciclista será a pessoa mais paparicada amanhã entre os 37 mil corredores que vão participar da maratona de Nova York. Trata-se do heptacampeão do Tour de France, Lance Armstrong, que vai tentar mostrar que é tão bom no chão quanto no pedal.

Para chegar inteiro, correndo e com um bom desempenho, será auxiliado por outras estrelas, estas do mundo das corridas. Terá como pacers, ou seja, corredores que lhe ditam o ritmo, nada menos que o maior herói norte-americano da longa distância, Alberto Salazar, último vencedor em Nova York que levantou a bandeira dos EUA, e Joan Benoit Samuelson, que venceu a primeira maratona olímpica feminina.

Salazar, 48, vai rodar com ele as dez milhas iniciais (16 km). A vencedora de Los Angeles-84, de 49 anos, ditará o ritmo nos 16 quilômetros seguintes. Para chegar quase até o final, Armstrong terá a orientação do campeão olímpico dos 1.500 e 5.000 metros, Hicham El Guerrou. O superciclista só vai correr sozinho, mesmo, os tais 195 metros que matam.

Tomara que ele sobreviva.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h04

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Mil maratonas - parte 4

Mil maratonas - parte 4

Na reta final

Parte final da entrevista exclusiva com Norm Frank, aposentado norte-americano que corre para completar sua milésima maratona

FOLHA - O senhor correu a maratona de Boston por 30 anos seguidos, correu uma maratona por mês por 216 meses seguidos...
FRANK
- É, isso foi lá no começo. Eu nem sabia que tinha esses recordes. Quando eu compilo meus dados, mando para esse clube do Japão, e eles que me disseram que eu tinha esses recordes. Mas eu tive uma cirurgia da próstata e tive uma infecção muito grave, que me deixou praticamente um mês sem poder correr. Como eu não sabia que tinha esses recordes, nem cheguei a fazer uma tentativa de manter a seqüência. Daí os dois recordes caíram no mesmo ano, em 1997, caíram sem que eu nem ao menos soubesse que os tinha..

FOLHA - Bem, esse foi um problema grave de saúde, mas não relacionado com as maratonas. O senhor já teve problemas graves de saúde relacionados com sua corrida?
FRANK -
Não. Tive uma cirurgia na aorta, uma operação de coração aberto. Mas não foi por causa da corrida, eu nasci com o problema e chegou a um ponto em que ela precisava ser substituída porque já não estava mais funcionando direito. Provavelmente funcionou por mais tempo do que poderia porque eu corro. Eu já tive minhas lesões. Já rompi o tendão de Aquiles, tive várias lesões ao longo dos anos, mas elas só me deixaram fora de combate por algumas semanas, um mês no máximo.

FOLHA - O senhor considera isso um vício?.
FRANK -
Sim, absolutamente. Eu diria que certamente é um vício, mas um bom vício. Eu não bebo nem fumo. Correr alivia o estresse. Eu tinha meu negócio, minha empresa, mas no final de semana eu corria, na segunda estava pronto para voltar ao trabalho. Eu gosto de viajar e, durante um certo tempo, viajei bastante, foi muito divertido. Agora é mais difícil.

FOLHA - Sobre sua família: o senhor é casado, tem filhos.
FRANK -
Eu fui casado, mas me divorciei há uns 30 anos e vivo sozinho. Tenho um filho, de 47 anos, que é um ultraciclista, corre umas 100 milhas todos os finais de semana, e minha filha vai fazer 40 anos, ela nasceu no mesmo ano em que comecei a correr. Ela tem dois filhos. Ela corre quando tem tempo, porque ela é muito ocupada com o trabalho e com a família, mas tem muita vontade de correr uma maratona. Ela gosta de correr, ele gosta de pedalar.

FOLHA - O senhor tem esse objetivo de completar sua milésima maratona. Já tem tudo planejado, qual será?
FRANK -
Eu não tenho tudo planejado, pois não dá para pensar com tanta antecedência. Em primeiro lugar, porque tenho 75 anos e posso nem sequer estar aqui em dois anos... Mas, se as coisas derem certo, minha milésima maratona será na minha cidade, Rochester, em setembro de 2008 Isso é o que eu imagino, pois dificilmente será antes dessa data. Vai ser legal, minha família está aqui, meus amigos, vai ser uma grande celebração se eu conseguir fazê-la aqui.

FOLHA - O senhor tem alguma mania, alguma rotina antes de cada prova? Usa sempre a mesma roupa, come a mesma coisa?
FRANK -
Eu tomo uma xícara de café e como um donut. Durante a prova, tomo alguma bebida esportiva ou água, como uma banana ou o que me oferecerem. Nas ultramaratonas há mais comida... O que eles tiverem, eu como.

FOLHA - Qual sua mensagem para os corredores ou para as pessoas que gostariam de correr?
FRANK -
Eu sugiro que todos experimentem correr, participar de corridas e que não fiquem decepcionados se não se derem muito bem no início. Sejam pacientes e pensem nas razões para fazer isso. Algumas pessoas começam a correr apenas para perder peso. Tente aproveitar a corrida, faça dela uma diversão, uma experiência. Não seja exagerado, tente não ficar tenso, tente não exigir muito de si mesmo.

FOLHA - O senhor conhece algo sobre corridas no Brasil?
FRANK -
Nunca fui ao Brasil. Fui ao Panamá uma vez, ao canal do Panamá. Eu ia correr do oceano pacífico ao oceano Atlântico, cerca de 52 milhas. Mas fiquei no sol e me queimei de tal forma que não conseguia sequer colocar as meias. Fui até lá e não pude participar da corrida. Esse é o lugar mais próximo do Brasil em que já estive.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h17

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Mil maratonas - parte 3

Mil maratonas - parte 3

No "Livro dos Recordes"


Aqui continuamos a entrevista de Norm Frank, o jardineiro norte-americano aposentado que corre para completar sua milésima maratona -neste ano, ainda planeja correr pelo menos duas provas de 50 quilômetros, além de duas maratonas. Na mensagem anterior, ele falou sobre seu processo de aprendizado dos segredos da corrida. Agora, segue o baile.

FOLHA - Como o senhor prova que correu todas essas maratonas? Como documentou seus feitos para entrar no "Guinness"?
FRANK -
Eu tenho toda a documentação. Para entrar no "Guinness", eu tive de apresentar um certificado de todas as maratonas em que participei _o que eu fiz. Se não tivesse um certificado, um artigo de jornal ou o resultado publicado da prova, mas da maioria delas eu tinha um certificado oficial com o meu tempo etc.

FOLHA - Quando o senhor bateu o recorde mundial?
FRANK -
Em 1994. Foi quando eu completei 525 maratonas. O recorde anterior era de 524, e eu o quebrei em maio, em Buffalo. E eu o tive por alguns anos [hoje, o recorde registrado no "Guinness" é do alemão Horst Preisler, que correu 1.305 maratonas ou provas mais longas de 1974 a 2004].

FOLHA - Em que ano o senhor correu seu maior número de maratonas?
FRANK - Não lembro exatamente, mas acho que foi 1996, mas eu venho correndo entre 35 e 40 por ano desde que quebrei o recorde. O que acontece é que as mulheres começaram a correr, assim como pessoas passaram a caminhar as maratonas para alguma causa (combate ao câncer, luta contra a leucemia), as cidades começaram a ganhar dinheiro com isso, e então passaram a organizar e promover maratonas. Passou a haver dinheiro nisso, para as cidades, o turismo, os restaurantes. E surgiram mais provas, nasceu o clube dos 50 Estados (para que correm uma maratona em cada Estado norte-americano), há dois deles, com centenas, milhares de membros. Isso é muito bom para as cidades. Agora, em Nova York, 37 mil pessoas vão correr a maratona. Pode imaginar quanto dinheiro isso gera? Então também ficou mais fácil correr uma maratona, pois você não precisaria sair de Nova York e ir até a Califórnia para participar, porque você poderia ir ao Maine ou a outro local mais próximo. Hoje, eu consigo correr praticamente uma por semana sem ter de viajar de avião, eu não viajo mais tanto _e nem teria condições de fazê-lo...

FOLHA - Como o senhor se sustenta hoje?
FRANK -
Bem, eu sou aposentado. Tinha meu próprio negócio e me aposentei e vivo de minha aposentadoria.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h11

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Mil maratonas - parte 2

Mil maratonas - parte 2

Menos é mais

Leia a seguir a seqüência dos melhores momentos da entrevista com Norm Frank, 75, norte-americano aposentado que planeja chegar, em 2008, à maratona número 1.000.

FOLHA - Mesmo esses seus números do começo da carreira, de três a cinco maratonas por ano, já eram maiores dos que os recomendados por treinadores ou médicos do esporte...
FRANK - Por muitos e muitos anos, sempre se pensou que você podia fazer apenas duas ou três maratonas por ano, que seu corpo não iria resistir, que não era saudável. Eu até acho que isso possa ser verdade para quem está tentando fazer a maratona em menos de duas horas e meia, mas para quem corre como eu... Eu nunca na verdade fui bom o suficiente para correr tanto que me quebrasse, então... Eu simplesmente não achava que eu tivesse algum problema por fazer a quantidade de maratonas que eu fazia. À medida que passavam os anos, havia mais maratonas, e eu passei a fazer cada vez mais maratonas por ano. Nos últimos dez anos, venho fazendo mais de 35 por ano.

FOLHA - E por que tantas? O senhor disse que o desafio o atrai, mas um desafio desses a cada semana?
FRANK - Sim, acho que sim. Os percursos são sempre diferentes, o clima também faz diferença. Quando você vai para a Flórida, é calor; quando você para o oeste, tem as montanhas. Cada uma das maratonas que fiz foi um novo desafio. Nunca fui muito fanático sobre o meu tempo, eu queria me sair bem, mas não pensava que eu tinha de correr mais rápido a cada prova...

FOLHA - Qual era o seu objetivo, então?
FRANK - Meu objetivo era terminar a prova. E esse tem sido meu objetivo desde sempre, e hoje é um desafio ainda maior do que era há 20 anos, pois estou mais velho, é mais difícil, eu estou mais lento. Mas acho que é por isso que eu me dei tão bem e fiz tantas maratonas, pois considero cada nova prova um desafio. Você precisa respeitar a distância cada vez que você corre uma maratona.

FOLHA - O senhor tinha uma rotina de treinamentos? E como é hoje?
FRANK - Quando comecei, eu realmente tinha um plano de treinos. Era um processo, e você precisa lembrar que corro há 40 anos. Ao longo do tempo, fui aprendendo. E atribuo parte da minha capacidade de correr por tanto tempo ao fato de que eu não treinava muito, que não exagerava nos treinos nem nas provas. Hoje eu corro talvez um dia por semana, no meio da semana, entre as provas, e apenas umas cinco milhas (oito quilômetros). Eu caminho bastante. Gradualmente, ao longo dos anos, fui passando de correr todos os dias para quatro dias, três dias e, hoje, talvez um dia por semana, às vezes nem isso. Acho que muitos corredores exageram nos treinos. E se machucam. Quebram. A maioria dos corredores sofre lesões nos treinos, por causa do excesso de treinos. Eles não se machucam nas provas, mas sim nos treinos.

FOLHA - É melhor correr provas em excesso do que treinar em excesso?
FRANK - Sim. O treinamento excessivo é um fator importante de lesões. Eu não estou dizendo que você não deve treinar, mas esses caras que fazem 160 quilômetros por semana, você não os vê correndo por 20 anos. Você simplesmente não consegue manter isso. Todos aqueles caras que ganhavam as corridas quando eu participava da maratona de Boston, há 30 anos, você não os vê correndo. Você vê outros corredores mais velhos, como eu, que não corriam na frente... Eu fico satisfeito de não ser tão rápido, talvez eu não estivesse aqui agora [seu recorde pessoal é de 3h20; hoje leva entre seis horas e meia e sete horas para completar uma prova].


 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h06

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Mil maratonas

Mil maratonas

Jardineiro ultrasupermega

Persistência é a mais marcante característica de Norm Frank, no próprio dizer desse solitário senhor aposentado que, aos 75 anos, tem como meta na vida chegar à milésima maratona. Ele não está longe disso: no final de outubro, contabilizava 931 maratonas, sendo 175 delas ultras -corridas em distâncias superiores aos 42.195 metros da prova olímpica.

Frank nasceu em 20 de junho de 1931, em Rochester, Estado de Nova York, no nordeste norte-americano. Começou a correr aos 35 anos e nunca mais parou: faz entre 35 e 40 maratonas por ano e já teve seus feitos registrados no "Livro dos Recordes".

Ele conversou com a Folha por telefone de sua casa em Rochester, onde mora sozinho -divorciou-se há cerca de 30 anos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

FOLHA - Quando o esporte entrou em sua vida?
NORMA FRANK -
Eu sempre levei uma vida ativa e pratiquei esportes. No ginásio, corria cross country, participava da equipe de atletismo, jogava basquete, tênis, futebol americano, era bastante ativo. Eu saí direto do segundo grau para o trabalho, não cheguei a fazer nenhum curso universitário. Trabalhei na construção civil durante um tempo, depois estive no Exército por uns dois anos, joguei futebol e basquete, mas nada de atletismo. Quando eu saí do Exército, em 1955, costumava jogar squash. Trabalhava na construção civil, depois entrei na área de publicidade. Quando cheguei à maratona, eu já tinha trocado de carreira: estava no paisagismo. Tinha minha própria empresa de jardinagem e paisagismo, Marathon Lawn Service, e fiquei nela até me aposentar. Tive meu próprio negócio por cerca de 40 anos. Eu me saí bem nisso e tive a oportunidade de ser o meu próprio patrão: eu podia sair na hora que quisesse e ninguém podia me dizer que não era permitido. Eu era o patrão.

FOLHA - O que o levou à corrida e às maratonas?
FRANK - Eu jogava muito squash. Perto de onde eu morava tinha uma represa, em Cobb Hill, era um lugar bacana para correr. Eu ia até lá e corria um pouco, para soltar os músculos antes ou depois de uma partida. Um dia, conversei com um sujeito, que me perguntou: "Você está treinando para Boston?" E eu perguntei: "Boston?", eu não tinha idéia de a que ele estava se referindo. Ele me contou, falou que tinha corrido a maratona, eu me interesse. Era algo novo, parecia um desafio, e eu queria experimentar. Então eu fui e adorei, fui fisgado para as maratonas na primeira vez que corri Boston.

FOLHA - O que fez com que o senhor gostasse tanto?
FRANK - O desafio. Era difícil, muito duro. Os outros esportes, eu podia praticar por horas a fio, eu era até bastante bom não tinha problemas, nada era difícil para mim. Mas a primeira maratona, ah!, ela foi muito difícil. Depois que terminei, eu não conseguia me segurar de vontade: queria logo fazer uma segunda porque eu tinha de melhorar, eu queria que ela não fosse tão difícil. Nos anos seguintes, ir a uma maratona, viajar, se tornou parte da corrida. Fui para todos os Estados dos EUA, fui a Dublin, na Irlanda, a Berlim, a Atenas, lugares para onde eu nunca jamais iria se não fossem as maratonas.

FOLHA -  Quando fez sua segunda maratona?
FRANK - Acho que uns dois meses depois, em Toronto, Canadá. Não havia muitas maratonas naquela época. Por vários anos, eu consegui apenas correr umas três ou quatro maratonas ao ano. Por uns dez anos, eu não corri mais de cinco ao ano. Não havia muitas e, se havia, você não sabia, não tinha informação. Não conhecia ninguém em Rochester que corresse maratonas. Ninguém para dar dicas ou conselhos, não havia livros de treinamento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h33

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Equilíbrio

Maratona na veia

Esse foi o título de estréia da coluna +corrida, que passa a ser publicada toda primeira quinta-feira de cada mês no caderno "Equilíbrio" da Folha.

Na primeira coluna, contei a história de Norm Frank, um jardineiro norte-americano aposentado que, aos 75 anos, tem como objetivo na vida chegar à milésima maratona. Até agora ele já fez 931 provas de 42.195 metros ou mais longas.

A coluna está AQUI, exclusiva para assinantes da Folha e/ou do UOL. Ao longo do dia, vou colocar no ar os principais trechos da entrevista com Frank.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h35

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Entrevista - parte 3

Entrevista - parte 3

Em Chicago, de patins

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

FOLHA - Das corridas que você fez, qual que você lembra com mais carinho?

CICARELLI – A de Nova York eu terminei em prantos porque eu não acreditei que eu tinha corrido uma maratona. Eu falei: "Gente, não é possível que eu corri uma maratona". Eu corri, eu não tinha muita noção de corrida e corri.

 Eu tenho medo de altura e, quando deu a largada, eu estava antes da  ponte do Brooklin, assim, beleza, 40 mil pessoas estavam lá. Quando eu subi na ponte, a ponte começou a balançar. Eu olhava para baixo e travei, fiquei na ponte escorada... Eu falei: "Gente, eu não vou sair daqui".

 Eu praticamente engatinhei na ponte de tanto medo, a ponte balança. Quarenta mil pessoas em cima da ponte a ponte faz assim, olha, e eu fiquei apavorada. E terminei chorando, numa felicidade enorme.

FOLHA - Bom, as suas dores, você falou que tinha tendinite...

CICARELLI - Eu tenho a tal da tendinite, cada um tem a sua. Já tive fratura de estresse. Eu tenho tendinite na tíbia esquerda. Às vezes volta, mas tudo bem. É um problema sem solução, não é como um problema de joelho. Um problema de joelho você opera, mas esse negócio não tem, você tem que parar de correr. Você põe gelo, coloca aqueles adesivos, passa pomada antiinflamatória, faz fisioterapia, faz alongamento, faz massagem, faz aqueles ultra-sons. São paliativos, mas, quando o negócio vem, a solução é parar de correr, não tem outra coisa.

FOLHA - Alguma prova que gostaria muito de correr?

CICARELLI - Outro dia eu fiquei sabendo de uma maratona que tem na Noruega, que é do Sol da Meia-Noite. E tem as mais convencionais, como a de Chicago. Eu, no primeiro ano, fiz a maratona de Nova York. No segundo, comecei a treinar para a maratona de Chicago. Mas aí tive uma fratura de estresse, que eu descobri depois da meia do Rio, que é em agosto, e a maratona de Chicago é em outubro. . Já estava com a passagem paga, já estava com tudo pago. Então eu fui para fazer a maratona de ... patins. Nunca fui tão xingada em toda a minha vida. Acho que eles pensavam: "Espera aí: eu passei o ano inteiro treinando e agora vem essa mulher de patins e corre do meu lado. Ela está louca?" Mas, me xingaram, me xingaram, os 42 km eu ouvi. Então eu fiz uma outra maratona, também, de patins, mas essa não vale.

FOLHA - O que você recomenda para quem quer começar a correr?

CICARELLI - Eu não sou treinadora para recomendar, mas eu recomendo fazer o esporte, porque é muito gostoso, muito legal. É um esporte que todo mundo pode fazer. Eu já tive amigas que nunca tinham corrido ou que eram gordinhas, que fumavam. Começava caminhando no parque e foi evoluindo, no final dava aquela corridinha, sabe? Aquela corridinha toda tímida e que deixava a pessoa extremamente feliz. Da mesma maneira que um dia também eu comecei caminhando e um dia corri uma maratona. Eu recomendo correr, porque é um esporte muito gostoso, muito popular. Não é um esporte de elite. É um esporte do povo mesmo, e eu tenho o maior orgulho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h42

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Entrevista - parte 2

Entrevista - parte 2

Moacy Lopes Júnior/Folha Imagem

Delícia de vício

A corrida conquistou Daniella Cicarelli em São Paulo, para onde a garota mineira se mudou em 2001 para investir na sua carreira de modelo. Foi no parque do Ibirapuera que ela deu seus primeiros trotes, experimentou correr sem parar por longuíssimos 12 minutos e ficou com o coração na boca. Hoje, a corrida virou um vício para a apresentadora de 1,79 metro e 62 quilos. Foi no Ibirapuera, também, que ela deu esta entrevista exclusiva na semana passada. Leia a seguir os principais trechos da conversa.

FOLHA - Já vi muitas notícias dizendo que você estava treinando para uma maratona, mas não lembro de alguma falando que você tinha efetivamente feito a prova. Você já correu uma, afinal?

DANIELLA CICARELLI - Eu fiz a minha primeira maratona em Nova York, em 2003. Comecei a correr em 2001: uma amiga minha estava correndo, treinando para uma maratona. Eu falei: "Mas o que é isso?" Quarenta e dois quilômetros ponto 195. Eu acho muito importante esse ponto 195, são os finais, são os piores. Aí, eu falei: "Mas como assim? Alguém corre isso? Isso existe? Alguém já correu? Você vai ser a primeira?" Aí, eu resolvi começar a correr. Lembro que a primeira vez que eu vim correr aqui no parque, eu corri 12 minutos, sentei no chão e fiquei, parecia que eu ia ter um troço. Isso eu tinha 21 anos (ela completa 27 anos na próxima segunda-feira).

FOLHA - E como foi a maratona?

CICARELLI - Fiz minha primeira maratona em 4h12 _imagina, seis minutos por quilômetro. Sofri, sofri, sofri, mas terminei. Quando eu vi a plaquinha do quilômetro 41, nossa, eu chorava, chorava. As pessoas perguntam: "Você chora? Mas chora do quê? De tristeza?" Eu falei: "Não, você chora de pura felicidade, porque maratona nada mais é do que você impor um objetivo para você e você se superar". Você pode até competir com seu vizinho, com seu amigo ou com sua amiga, mas o objetivo, a superação é sua, porque é você que sente a dor. Dói tudo, dói do fio do cabelo até a unha do pé. A unha do pé, então, principalmente, não é?

FOLHA - A corrida acompanhou sua carreira de modelo ou você já tinha destaque?

CICARELLI - Não, estava no começo. Quando vim para cá, em 2001, eu estava começando. Comecei uma vida nova. Antes, eu fazia faculdade de administração, em Belo Horizonte. Aí mudei para cá. Comecei a correr, comecei a trabalhar como modelo, logo depois eu entrei na TV. Então, a corrida esteve ao lado nessas grandes mudanças. Em 2001, eu era exatamente modelo. Agora, não sou mais, agora sou apresentadora de TV, principalmente, porque as modelos agora têm 12 anos, 14 anos, eu sou tia delas, não é? Então, no começo eu era modelo e corria e ninguém acreditava, porque todo mundo falava: "Gente, modelo não come, como é que consegue correr?"

FOLHA - Modelo come alface, corredor come massa.

CICARELLI - É verdade, só que eu sempre tive o negócio da gula. Sou filha de família italiana, então eu amo massa. Para mim, não é uma obrigação comer uma massa à noite para fazer um treino longo de manhã. É um delírio, eu adoro. Eu adoro comer, eu como chocolate, como massa. Eu sou do carboidrato total, total, total, total, eu gosto e contei com a genética e agora com a corrida, não é? Porque chega uma hora em que a genética acaba. Aí entra a corrida.

FOLHA - Você tem um treinador que dá orientação?

CICARELLI - É uma assessoria esportiva. Não tenho um treinador do meu lado, comigo, correndo, não. Você vai, paga uma mensalidade, você tem a infra-estrutura dos treinos e ele te manda uma planilha. A minha planilha geralmente é: segunda, eu corro e nado; terça, eu faço musculação e pedalo; quarta, eu corro e nado; quinta, musculação e pedal; sexta, eu corro e nado; Sábado, faço treino longo de corrida e domingo, treino longo de pedal.

FOLHA - E você consegue cumprir a planilha?

CICARELLI - Depende, eu estou sempre tentando encaixar, mas tem dia que, obviamente, não dá. Tem dia que você está cansada, não se alimentou direito, está meio fraca e não vai. Mas é um dia incompleto. O dia que eu não treino é um dia incompleto.

FOLHA - Incompleto por quê? O que falta? Como você se sente quando não treina?

CICARELLI - Não sei, me dá uma sensação de preguiça grande, assim... Não sei explicar. É uma sensação de corpo preguiçoso. É uma loucura, porque, realmente, eu tenho essa turma do triatlo e é geral assim: todo mundo que fica sem treinar fica praticamente deprimido. É uma droga mesmo.

FOLHA - Uma droga? Um vício?

CICARELLI - É um vício, é um vício louco.

FOLHA - O que ele traz de bom?

CICARELLI - Eu acho que a número um é a superação, não é? Hoje, eu consigo correr dez quilômetros, amanhã eu consigo correr 12, depois de amanhã eu vou correr meia maratona, um dia eu vou correr a maratona, um dia vou baixar o tempo da minha maratona, um dia vou ganhar do fulano. Essa coisa competitiva que é bacana. A coisa de superação também, eu acho que é o melhor. Se eu pensar que um dia eu não conseguia correr 12 minutos e um dia corri uma maratona, eu fico superfeliz.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h38

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ENTREVISTA

ENTREVISTA

Cicarelli e o mundo das corridas

 

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

"Dona Cicarelli, na contramão não dá, tem imprensa no parque. Imprensa, dona Cicarelli."

Com algo de cúmplice, ainda que firme, o policial da Guarda Civil Municipal que cuidava de botar ordem na bagunça do estacionamento próximo ao viveiro Manequinho Lopes, no parque Ibirapuera, obrigou Daniella Cicarelli a fazer a volta e sair do bolsão por onde irregularmente havia entrado.

Ela ligou avisando que ia atrasar um pouco mais para a entrevista exclusiva marcada com o (+)corrida. Levou seu jipão até sua casa e voltou a pé, sozinha.

Boné laranja enterrado no rosto, passos rápidos, chegou contando o incidente no estacionamento e reclamando do trânsito. Mas, para a conversa, a apresentadora dublê de maratonista estava bem disposta.

"A roupa tá boa?", perguntou ao fotógrafo, mostrando que sua camiseta rosa-choque não tinha marcas de patrocinadores.

 No local escolhido para as fotos, ainda perguntou: "Com boné ou sem boné?" E foi se posicionar. Uma corridinha para cá, outra para lá. Mais uns tantos piques, fotos de frente, de lado. Em cerca de dez minutos, foram 225 cliques _a seleção dos melhores está apresentada aqui. As fotos são de Moacyr Lopes de Souza, da equipe da Folha, e você pode ver a galeria AQUI.

 Depois, sentada num banco de pedra, numa sombra no Ibirapuera, uma conversa desarmada sobre suas grandes diversões: correr, nadar, pedalar.

A corrida vem antes de todos: "Tanto a natação quanto a bicicleta são os esportes mais difíceis de praticar. A bicicleta tem toda aquela parafernália, lugar, é um esporte muito perigoso. Para a natação, você precisa de uma piscina. A corrida é o mais popular deles, sabe, aquele que todo mundo pode fazer. Já a natação você precisa de uma infra-estrutura, de um clube, de uma piscina, de uma academia, alguma coisa. A bicicleta é supercara, é um equipamento: bicicleta, fora que é perigoso também e acho que a corrida é mais popular, assim, e ela é mais gostosa".

Cicarelli, que vai fazer 27 anos na próxima segunda-feira, não se cansa de elogiar o esporte, que pratica com a orientação de uma assessoria esportiva.

"É uma delícia, porque são todos os tipos de pessoas, são todos iguais, porque todos sofrem igual, todos têm dor, todos passam mal e todos também têm suas grandes recompensas. Então, eu sou fã número um. Eu faço bicicleta e natação também. Mas acho que, como corrida, não tem. Fora que eu acho muito prático, não é? Você leva um tênis e está pronta, em qualquer lugar você pode correr."

Leia na seqüência mais trechos da entrevista com a maratonista, apresentadora e modelo Daniella Cicarelli.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h08

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ESTRÉIA

Vamo que vamo

 

Assim mesmo, comendo letras e encavalando as palavras, é o cumprimento dos corredores que rodam nos parques e nas ruas da cidade. É uma voz de incentivo, de apoio, de parceria. Cada um entende as dificuldades que o outro enfrenta, e cada um sabe a luta que é para superá-las.

"Vamos lá!", "Falta pouco!" são variantes ouvidas nas provas, que se repetem mundo afora. Nos Estados Unidos, os espectadores batem palmas e cumprimentam pelo esforço: "Good job", dizem. Numa corrida em que partipei, porém, uma garota se esgüelava para gritar seu incentivo a plenos pulmões: "Guys, you are amaaaaazing!", fazendo com que cada um se sentisse ainda mais sensacional.

Na Alemanha e nos países escandinavos, fala-se "Reia!, reia!" ou algo que soa parecido. Na França, "allez, allez!". Há quem seja mais exigente: em uma prova na bela região da Provença, alguém pendurou um cartaz em que havia um boneco corredor desenhado com traços infantis e a frase que mais parecia uma cobrança: "Plus vitte, JC!" O tal JC, que provavelmente vinha fazendo seu esforço máximo, como todos nós, deve ter ficado uma arara...

Mas é com o espírito pacífico, de incentivo, apoio e parceria, que começamos hoje este blog sobre corridas, corredores, suas histórias, conquistas, dores e prazeres.

Fique com a gente, aproveite as histórias contadas por nossos entrevistados _a primeira é Daniella Cicarelli- e mande também o seu recado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h04

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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