Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Fala, leitor

Fala, leitor

Detonando a esteira

Hoje publico a primeira colaboração de leitor. A escolhida para a estréia foi a publicitária aposentada Sônia Maria Farhat, 64, que começou a correr aos 60 anos, quando se aposentou de uma longa carreira. Ela começou a trabalhar aos 18 anos e atuou na Standard Propaganda, na revista "Visão" e na editora Abril, entre outros. Vamos ao texto dela, que aparece na foto ao lado terminando a meia-maratona de Miami.

Quando jovem, era preguiçosa, gostava de dormir até tarde. Depois que casei, tive dois filhos e vi que ficou difícil manter o peso sem fazer alguma atividade física. Comecei a jogar tênis duas a quatro vezes por semana.

Quando finalmente me aposentei e podia realmente me dedicar a jogar tênis, tive uma fratura grave no ombro. Daí começou o namoro com a corrida. Primeiro comprei a esteira e sou a única pessoa que conheço que conseguiu destruir uma, com apenas alguns meses de uso. Nessa época, descobri uma vizinha que era treinadora de corrida. Através dela, conheci minha atual treinadora, Eliana Reinert, do "Projeto Correr".

Lembro bem como fiz a primeira volta na pista de 400 m. Quase morri!!! Mas amei. A partir de então, com 60 anos passei a treinar todos os dias. Em poucos meses, coloquei na cabeça que iria correr a Maratona de Paris em 2004. Consegui. Levei 6h19 correndo, mas adorei a experiência.

Neste ano, já corri seis meias-maratonas e uma maratona, a de Chicago. As pessoas ficam surpreendidas de ver minha alegria e vontade de correr cada vez mais e melhor. Sei que nunca vou ser uma corredora veloz, mas serei sempre uma corredora de longa distância porque tenho muita paciência, e não me preocupo em correr muito rápido. Minha preocupação é apenas chegar.

Vejo que, depois de uma certa idade, as pessoas se machucam com facilidade porque invariavelmente forçam o corpo, correndo em velocidades acima dos seus limites, desprezando suas histórias. Um advogado ou um médico não se dedicou tanto ao esporte quando um atleta. Por isso, acho que médicos, advogados ou jornalistas devem querer correr como médicos, advogados ou jornalistas, e não como atletas de ponta.

Hoje encaro a corrida como uma grande diversão, que levo a sério no que diz respeito ao treinamento. Tudo que é pedido de mim, faço com prazer. Adoro os treinos, as viagens, o contato com gente jovem, o antes, o durante e o depois das corridas.

Conto isso para incentivar pessoas que querem começar a correr ou a fazer qualquer outro esporte, pedindo a elas: não esperem mais um minuto. Comecem logo. A prática de atividade física é tão boa para o corpo e para a alma que vocês nem podem imaginar. Façam como eu: aceitem suas limitações, mas não se deixem inibir por elas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h47

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Memória

Carrinho de rolimã

Hoje não deu para subir a lomba da Biologia pelo asfalto, na USP. É que o terreno estava fechado: seria usado para a realização GP Poli-NSK, que nada mais é que uma corrida de carrinhos de rolimã.

Claro que, em se tratando de coisa do pessoal da Poli, os carrinhos devem ser da pá virada. Esta é a edição de número 41 do GP, basicamente o número de anos que me separam da época em que eu também brincava nesses bólidos.

Enquanto subia, pela calçada, a ladeira da Biologia, mergulhava na ladeira da memória, lembrando dos tempos em que minha turma da rua Pelotas, em Porto Alegre, subia a Ramiro e ruas paralelas para desabar lomba abaixo em alucinante velocidade. Eu nunca tive muita coragem nem habilidade para construir ou manejar os carrinhos na descida -mal e porcamente eu me garantia nos terrenos mais fáceis. E fui um ajudante razoável na hora da construção dos carrinhos.

Se você ficou curioso, o site do GP da Poli está AQUI.

E curta uma foto de uma das edições passadas do GP.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h54

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Treino da manhã

Abuso

Acabei de voltar de um treininho de 10 k na USP. É sempre um prazer rodar na Cidade Universitária, onde corredores, ciclistas e equipes montam um espetáculo colorido, cheio de alegria e vibrante de amor à vida.

Isso não quer dizer que não existam problemas. Todos se lembram do bololô que a USP chegava a ficar quando as equipes montavam barracas imensas, privatizando o espaço público.

Agora as coisas estão mais civilizadas. Os treinadores podem até não gostar tanto, mas parece que há mais espaço para todo mundo. Alguns, porém, começam a abusar, de novo querendo ampliar seu espaço em cima do terreno que todos usamos.

Notei hoje pelo menos duas equipes que colocaram no gramado do canteiro central da raia encerados imensos, nos quais os integrantes das equipes fazem seus alongamentos. Tudo bem que não queiram sentar ou deitar direto na grama. O problema é que, no caso dessas duas equipes, o tal encerado deles cobriu também a trilha pela qual os corredores passam.

Vocês já perceberam o potencial para encrencas, não? Claro que os corredores podem dar a volta para não pisar no encerado dos caras, mas seria mais elegante se essas duas equipes, uma com um plástico azul e outra com um laranja, respeitassem os limites da trilha.

Se o corredor quiser se manter na trilha, há dois problemas. O primeiro é a potencial encrenca com as equipes (devo dizer que hoje pisei nos dois e ninguém reclamou; pode ser que todos fiquem sempre desencanados e sem crises, o que será ótimo). O segundo é um alto risco de queda ou, pelo menos, torção de tornozelo, pois os plásticos encobrem irregularidades do percurso, raízes e outros eventuais obstáculos.

Tomara que todos se acertem.

   

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h41

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São Paulo

São Paulo

Gargalo

 Esta é para o pessoal que vai correr a Nike 10 K no domingo: técnicos que eu ouvi estão alertando para alguns gargalos no início da prova.

O primeiro momento que pode gerar confusão é a saída da USP para pegar a av. Escola Politécnica. É que ali a multidão que vem pela avenida da raia olímpica se afunila. Fique esperto nessa hora e também nas primeiras curvas.

Bueno, a festa vai ter a presença do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima e do saltador Jadel Gregório. A lista de famosos ainda inclui a VJ Marina Person, a modelo Carolina Magalhães, a empresária Cristiana Arcangeli e o rapper MV Bill.

Quem não viu o mapa no site da prova dê uma olhada aqui:

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h34

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Recorde mundial

Recorde mundial

Momento mágico

Na maratona de Berlim de 2003, como todos se recordam, o recorde mundial foi reduzido a pó. Não só Paul Tergat fez sub-2h05 como também o coelho da prova transformado em duelista, seu compatriota Sammy Korir, despachou a marca anterior, que era de Khalid Khannouchi,

Como recordar é viver, levantei no YouTube a chegada de Tergat perseguido por Korir, um momento especialíssimo na história do atletismo mundial e da maratona em particular.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40

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Preparação

Preparação

Hora da tremedeira

A Nike Run Americas, que terá sua edição brasileira realizada em São Paulo no próximo domingo, provavelmente vai marcar a estréia de muitos corredores no mundo das competições. Pelo que já aconteceu no passado, provas como essa atraem até mesmo pessoal que faz algum tipo de esporte de vez em quando e resolve ir para a festa. Isso é muito legal, mas os iniciantes e/ou estreantes costumam sentir aquele friozinho na barriga quando vêem que está chegando a hora-do-vamos-ver. Aliás, corredores experientes também se emocionam e até esquecem detalhes importantes quando a adrenalina começa a bombar.

Por causa disso, convidei o professor Nélson Evêncio para dar algumas dicas que podem ser úteis para a prova deste domingo e para suas futuras competições. Evêncio é pós-graduado em treinamento esportivo, técnico de atletismo nível 1 pela International Association of Athletics Federation (a Fifa do atletismo) e vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo. Vamos ao texto dele.

Na véspera

* Descanse o máximo possível.

* Procure ingerir massas no jantar, evite bebidas alcoólicas e tente deitar-se cedo.

Antes de sair de casa
* Tome um bom café da manhã, mas evite comer ou tomar algo que não esteja acostumado.

* Não corra de estômago vazio em hipótese alguma.

* Coloque o chip no tênis, pois por meio dele dele será computado seu tempo de prova.

* Vista sua camiseta amarela com o número estampado no peito para participar da prova e entrar na área destinada ao show. Sem a camiseta oficial você não terá acesso aos locais.

Chegada ao local e preparativos antes da prova

* A largada está agendada para às 8h, mas procure chegar à concentração em torno de 6h30/7h.

* O acesso ao local só poderá ser feito a pé, de bicicleta e nos veículos da organização que farão os translados entre os estacionamentos oficiais e a arena. Não será permitido estacionar de carro ou de moto dentro da USP. !Os estacionamentos disponíveis serão: Shopping Eldorado - av. Rebouças, 3970; CENU - av. das Nações Unidas, 12.901; WTC - av. das Nações Unidas, 12.551; Market Place - av. Dr. Chucri Zaidan, 902; e editora Abril - av. das Nações Unidas, 7.221)

* Guarde seus pertences na sacola plástica cedida pela organização, no guarda-volumes da prova. Não serão aceitos volumes fora da sacola numerada.

* Em torno de 7h20/ 7h30, realize um trote leve de dez minutos ou 15, caso você tenha mais dificuldade para aquecer o corpo.

* Faça os alongamentos de costume ou siga o alongamento que será ministrado por um profissional de educação física às 7h30.

* Em torno de 7h40, direcione-se à largada e posicione-se nas baias, de acordo com a cor de sua pulseira e seu nível técnico. Respeite as placas para não sair acima de seu ritmo, o que pode comprometer o seu resultado final e atrapalhar outros corredores.

Após a largada
* Contenha-se no primeiro quilômetro, principalmente nos primeiros minutos, procurando sentir seu corpo e achar seu ritmo ideal.

Detalhes muito importantes

* Não corra sem estar inscrito.

* Ao sentir algum mal-estar, diminua o ritmo, ande ou pare imediatamente e aguarde o auxilio de um profissional de saúde.

* Beba um pouco de água oferecida nos postos, mesmo que não sinta sede.

* Respeite e incentive seus colegas durante a prova. Agradeça ao público com um sorriso, com um gesto de positivo, ou uma palavra de gratidão, caso seja possível!

* Vá para prova com a alegria de que vai a uma festa e não com a preocupação de quem vai prestar vestibular. Lembre-se de que é um grande privilégio poder desfrutar de saúde para treinar e participar de um evento desse porte, independente de seu tempo e sua colocação final.


Boa prova!

 

  

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h44

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Polêmica

Polêmica

O tempo de Cicarelli

Como prometido, trago hoje aqui a resposta da apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli a respeito das contestações que leitores deste blog levantaram sobre seu tempo na maratona de Nova York, em 2003.

A resposta é uma não-resposta: segundo sua assessoria, Cicarelli prefere não comentar a polêmica surgida.

De qualquer forma, a quem interessar possa, eis aqui os resultados publicados no site da prova para Daniela Lemos e Luiz Milano, com quem ela foi casada.

LUIZ MILANO M47 2736 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

DANIELA LEMOS F24 F383 BRAZIL 4:37:11 4:33:25

O primeiro tempo é o bruto e o segundo, o líquido. 

Para terminar, devo dizer que este blog não julga ninguém pelo seu tempo em maratonas, meias-maratonas, provas de dez quilômetros ou qualquer outra quilometragem. Aproveito a sabedoria dos antigos e fico com o dito popular, que sentencia: "Cada um com seu cada qual". 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h48

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Seleção

Seleção

O melhor tênis do ano

A revista "Runner`s World", mais importante publicação internacional sobre corridas, anunciou sua seleção de melhores tênis do ano.

O escolhido dos editores foi o Nike Air Pegasus 2006, um tênis de amortecimento para corredores com pisada neutra.

Já o Mizuno Wave Elixir, tênis de performance, foi eleito o melhor lançamento do ano. A Brooks e a Asics foram premiadas pelas melhores inovações pelo desenvolvimento e uso de novas tecnologias. O texto da "Runner`s World contando mais detalhes está AQUI.

Lembre-se, porém, de que o tênis tem de ser bom para você. O fato de este ou aquele ser considerado o melhor não significa que seja o "seu" melhor. Antes de comprar, verifique se ele é indicado para o seu tipo de pisada, confira avaliações disponíveis na internet ou converse com colegas a respeito.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h08

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Especial

Especial

Primeiros passos

Muitos de nós se entusiasmam ao ver feitos esportivos como a vitória de Marilson em Nova York ou a determinação de Vanderlei na maratona olímpica. Com esses heróis na mente ou simplesmente para cuidar da saúde, baixar a barriga ou buscar nova diversão, saímos atrás de exercícios. A corrida aparece como uma boa opção, mas nenhum iniciante deve sair por aí rodando quilômetros em penca.

Antes de disparar pelas ruas, não deixe de ler o texto que o doutor João Gilberto Carazzato, um dos mais reconhecidos especialistas em medicina esportiva no país, preparou especialmente para este blog.

Ex-técnico e atleta de vôlei, participou de várias seleções brasileiras. Como médico, esteve na delegação brasileira em três Olimpíadas e quatro Pans. Professor-doutor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, ele chefia o Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas.

Mas chega de conversa. Vamos ao texto.

 

"De todos os métodos utilizados para preservar a saúde e para prevenir e, mesmo, curar as doenças, não há nada melhor que o exercício físico. O exercício é mais eficaz que os medicamentos e deve ser praticado durante toda a vida para preservar e restaurar a saúde", já dizia Nicholas Andry em seu livro "Orthopedia" , publicado no século 18.

Como também refere Carazzato na introdução do seu livro de Medicina Esportiva: "O ser humano, durante toda a sua existência, preenche as 24 horas de cada dia das mais variadas formas possíveis. Há os que acordam cedo, trabalham muito e têm pouco tempo para alimentação, repouso e lazer. Há os que, na prática, ´nada fazem`.

"É evidente que a programação do dia de cada pessoa tem por base seu grupo etário. Assim, o recém nascido permanece praticamente imóvel durante 24 horas, sendo apenas ´acordado` para higiene e alimentação. Muitos idosos, em seus últimos momentos de vida, encontram-se também em condições semelhantes. Em todos os demais grupos etários, as programações apresentam características absolutamente particularizadas e individuais.

"Sabemos também que, além da alimentação, do repouso, do trabalho, do estudo e do lazer, a prática de atividade física é também considerada essencial para o ser humano e, portanto, deve ser realizada em toda a sua existência. Assim, independente de seu grupo etário, você deve fazer atividade física."

Vamos supor que você resolva iniciar um programa de atividade física. Como fazê-lo?

Dependendo do seu grupo etário, você deve inicialmente avaliar suas condições de saúde. Uma avaliação médica com alguns poucos exames laboratoriais pode considerá-lo apto ou detectar pequenos distúrbios que devam ser sanados inicialmente.

Para um início de atividade física, não são necessários grandes e complexos esquemas de avaliação cardiocirculatória tais como teste ergométrico e detecção dos limites aeróbios e anaeróbios, tão importantes nos esportes competitivos e nos programas de atividade física de alta intensidade e que são determinados por médicos especialistas em medicina esportiva.

Assim, um início simples pode ser conseguido com a mais rudimentar das atividades físicas, ou seja, o andar.

Para haver benefícios cardiocirculatórios, o andar deve observar três princípios básicos: freqüência, intensidade e continuidade.

A freqüência deve ser de um mínimo de três vezes por semana, se possível cinco vezes, e nunca sete vezes.

A intensidade ideal seria de 120 passos por minuto.

A continuidade deve ser conseguida em todo o ano.

Como conseguir isto?

Podemos fazer um protocolo inicial muito simples, a saber: ande em linha reta por cinco minutos com passos amplos com a mesma velocidade que você utiliza no dia a dia. Conte o número de passos. Vamos chamá-lo de X.

Sabendo que o ideal seria 120 passos por minuto o total seria 600 passos em cinco minutos, faça a diminuição 600 – X = Y. Ou seja, Y é o número de passos que faltam para atingir os 600 passos em cinco minutos.

Divida este número Y por dez ( ou mais ) dias e teremos Z que é o número de passos que você deve alcançar a cada dia que andar, até atingir o número ideal de 120 por minuto em cinco minutos.

Conserve sempre o tempo de cinco minutos.

Conseguido o andar com 120 passos por minuto, passe a aumentar o tempo em um minuto a cada dia que andar até atingir o tempo que queira disponibilizar para sua atividade.

Caso você não consiga atingir o número de 120 passos por minuto, não desanime. Estabeleça o seu limite, que pode ser, por exemplo, 80, 90 ou cem passos por minuto, que será aquele que você deve utilizar.

Bem, esse é o início.

Posteriormente poderemos correr, nadar, andar de bicicleta, fazer musculação, ginástica especializada ou até as mais diversas modalidades esportivas. Mas isso veremos em informações posteriores.

Comece de forma simples, que não exija demais de suas condições, para que possa ir progredindo lenta e gradativamente, sem desgastá-lo, sem estresse e, assim, sem oportunidades para frustrações em não conseguir chegar a limites que sejam ambiciosos demais.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h17

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Marilson

Marilson

Correndo forte

 

Caio Guatelli/Folha Imagem

A entrevista se encaminha para o final. Depois da série de perguntas, Marilson recebe de João Paulo Diniz um prêmio oferecido pelo Pão de Açúcar: um ano de supermercado grátis. A seguir, o final da coletiva de hoje..

 PERGUNTA - Na corrida, qual foi o momento em que você deu aquela olhada para trás e falou: "Deu..."?

MARILSON - Teve um momento da prova, quando eu entrei no Central Park, eu olhei para trás e não vinha ninguém. Então eu falei: "Não, vou diminuir um pouco o ritmo, vou controlar o ritmo da corrida para que não me aconteça nada, para tentar garantir mesmo a vitória". Mais um pouco para a frente, eu olhei para trás e vi que eles encostaram, eles tiraram um pouco a diferença, e aí eu comecei a correr novamente mais forte até a linha de chegada.

PERGUNTA - Minha intenção não é fazer você chorar, mas queria que você comentasse a importância de sua pai, seu Vitorino, da dona Célia...

MARILSON - Dona Cíntia. Meus pais sempre me apoiaram bastante em tudo o que eu fiz na vida, nos estudos, no atletismo. Na verdade, eles são os meus torcedores número 1. Eles sempre me apoiaram bastante. Foi difícil para eles, também, porque eu tive que sair de casa ainda criança, com 15 anos de idade. Tanto para eles quanto para mim, foi uma época muito difícil. Eu era um garoto muito caseiro, nunca tinha saído de casa nem para dormir uma noite fora. De repente, sair de casa para viver em outra cidade, levar outro estilo de vida, foi uma transformação muito grande. Isso eles aceitaram numa boa e sempre me apoiaram no que era possível.

PERGUNTA - Você ficou com medo de que algum padre ou que houvesse algum incidente, como ocorreu com Vanderlei?

MARILSON - Não, acho que ali foi um fato único, lamentável para o atletismo brasileiro e para o Vanderei. Mas lá eu não temia isso, porque a prova é superorganizada. O tempo todo a gente tem os batedores acompanhando, os policiais pelas ruas, eu não temia nenhum tipo de ataque.

PERGUNTA - Qual sua expectativa para o Pan? E para a maratona olímpica em 2008?

MARILSON - O Pan vai ser uma competição muito importante para a gente. Eu quero melhorar meus resultados. Fui medalha de bronze nos 5.000 metros e medalha de prata na prova de 10.000 no último Pan, e a expectativa é melhorar esses resultados. Quanto à maratona, agora a gente vai ter que planejar tudo certinho para que eu não cometa o mesmo erro que cometi na Olimpíada passada e fiquei de fora.

ADAUTO - No Pan, pode ser que esteja muito quente. Nós temos grandes atletas hoje na maratona, teremos uns seis atletas brigando por três vagas. Em compensação não tem talvez um outro atleta no Brasil com chances de ganhar no 10.000. Pelas marcas, dificilmente ele perde a medalha de ouro. E ao mesmo tempo ele abre oportunidade para outro atleta correr na maratona do Pan.

PERGUNTA - No início da sua carreira, você chegou a correr descalço. Como você vê isso, agora?

MARILSON - Eu comecei em Brasília com 14 anos, com um grupo de corredores, com o Albenis, que já tinha revelado alguns atletas antes e tinha feito contato com alguns clubes de São Paulo e enviado atletas para São Paulo. Cheguei a correr algumas provas descalço, mas não era porque eu não tinha calçado. O meu pai sempre trabalhou, sempre deu o sustento para a gente, tudo o que a gente precisava. Eu achava que aquilo era o melhor para mim. É diferente correr descalço porque você não tem condições de ter e correr porque eu achava que aquilo era o melhor para mim.

PERGUNTA - Os quenianos realmente correm em equipe e impõem respeito aos adversários?

MARILSON - Todo mundo pensa que os quenianos correm em equipe, mas na realidade não acontece isso. Numa prova de grande porte, como a de Nova York, a impressão que passa é essa, mas ali todo mundo que dar o melhor de si mesmo, quer conseguir o seu melhor resultado, até mesmo porque trabalham com técnicos e agentes diferentes, cada um quer obter o melhor resultado.

ADAUTO - Imagine uma situação nos 10.000 no Pan. O Marilson é um atleta de um poder de ritmo muito grande, mas que não tem um final tão rápido. O Hudson é o inverso: é um atleta que acompanha muito bem e tem um final muito rápido. Pode acontecer de o Marilson puxar a prova toda, dar um ritmo muito forte, e o Hudson vai e ganha. Aí vão dizer lá fora que os brasileiros correm em equipe. mentira, o Marilson estava treinando fugir... Com os quenianos é assim, cada um quer ganhar a prova, mas, como eles são muito iguais na condição física, um acaba acompanhando o outro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h35

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Marilson

Marilson

Olhando para o futuro

Segue a entrevista. Como é uma coletiva, não há um fio condutor para as perguntas, que abordam diversos aspectos da vida e do trabalho do atleta.

PERGUNTA - Você foi para Nova York sem seu o técnico. Em algum momento você lembrou coisas que havia trabalhado?

MARILSON - Sou acostumado a correr grandes provas. Corri Chicago, corri o Mundial de Helsinque, desde categorias menores venho participando das principais provas da Iaaf (entidade internacional do atletismo) e nem sempre o técnico pode estar presente. Isso a gente tem de ter em mente. A gente tem de ter uma grande concentração tanto antes quanto durante a prova para fazer com que isso não atrapalhe. O mais importante é que a gente já tinha planejado tudo antes, aqui no Brasil, já tinha feito o treinamento, já tinha dado tudo certo. Eu já tinha ido para lá muito confiante, o mais importante é isso.

PERGUNTA - Você já sabe o que vai fazer com o dinheiro?

MARILSON - Minha vida teve uma reviravolta muito grande, desde que quando comecei a treinar. O que eu tenho que pensar agora é em manter o nível e depois pensar o que vou fazer com os prêmios, com o dinheiro. Tenho que somente manter a cabeça no lugar, os pés no chão e dar continuidade no meu trabalho.

PERGUNTA - Como foi a maratona de compromissos depois da vitória?

MARILSON - Na verdade, até agora a maratona não acabou. Estou sempre cheio de compromissos. Lá, depois da maratona, os dois dias seguintes foram muito corridos. Tive de assumir alguns compromissos, como acontece sempre com o campeão da prova. Como eu disse, é uma grande maratona, de status mundial, então não tem como fugir. Mas isso é bom para mim, para quem ganha uma maratona, assumir esses compromissos. É sempre uma grande honra participar desses compromissos.

PERGUNTA - O que vai mudar na sua vida agora? Você acha que vai haver alguma grande mudança?

MARILSON - Com certeza. Mas vou tentar seguir a minha vida como sempre segui, com humildade, trabalhando do mesmo jeito como sempre trabalhei, para que eu também não seja atrapalhado por isso. O mais importante é que eu consiga ser a mesma pessoa de sempre.

PERGUNTA - Qual foi o momento mais difícil da prova? Você chegou a ter medo?

MARILSON - Teve um momento da prova em que eu fiquei preocupado. Foi na meia maratona, porque eu comecei a sentir algumas dores musculares, no anterior da perna direita, na coxa. Fiquei preocupado, porque eu não sabia o que estava acontecendo, até mesmo porque eu estava correndo muito fácil até ali, e de repente começaram a surgir essas dores. Mas procurei centrar o pensamento na prova e esquecer, sempre pensando que mais tarde ia passar, como passou e não chegou a atrapalhar tanto...

PERGUNTA - Para o Pan, você tem um adversário muito forte, que é o Hudson de Souza, nos 5.000 metros... Você acha que pode vencê-lo?

MARILSON - O Hudson, aliás, é da nossa equipe e também é de Brasília. Convivi muito com ele. Acho que se a medalha estiver nas minhas mãos ou nas dele vai estar com o Brasil, o mais importante é isso. Tanto ele quanto eu vai tentar vencer a prova. Que vença o melhor.

PERGUNTA - Há planos de o Marilson ficar só nas maratonas?

ADAUTO DOMINGUES - Acho que não é impossível, não é inviável o Marilson ser um excelente maratonista e ter boas marcas em provas de 10 mil. Acho que os 5.000 metros, para ele, pode começar a ficar uma prova muito rápida. Mas eu vou sempre querer que ele faça as provas de dez quilômetros, que a gente consiga melhorar as marcas. Ele é novo, tem 29 anos, a gente ainda tem muita coisa para fazer. O Marilson é um cara muito fácil de trabalhar. Ele tem uma dedicação muito grande e uma disciplina muito grande, isso é uma coisa chave, fora o fator genético. E espero que a vida dele não mude muito, não, porque as coisas estão dando certo. Eu já o conheço há 14 anos, e acho que essa vitória muda muito pouco... Claro, ele vai ter de lidar um pouco com essa coisa de assédio, mas isso abaixo a poeira e a gente segue...

PERGUNTA - Por que o treinamento em Campos do Jordão e por que 35 dias, e não 20 ou 40?

MARILSON - Normalmente, ele iria para Paipa, na Colômbia, fazer essa preparação. Só que ele estava com um problema no pé e, se essa coisa agravasse, aqui no Brasil seria mais fácil de a gente tratar. Por isso, escolhemos Campos do Jordão. Ele tem uma resposta muito boa ao treinamento. Esse se afastar funciona muito mais por causa da tranqüilidade. Lógico, tem o efeito fisiológico tremendo por causa da altitude. Em geral, a gente fica quatro semanas. A primeira semana ele dá uma segurança, e aí tem 21 dias que ele tem sempre bons resultados. Mas em Campos foi mais a tranqüilidade de poder treinar. Por mais que ele seja um cara caseiro, em São Paulo sempre é muito difícil. E lá as coisas são mais fáceis, mais práticas...

PERGUNTA - O fato de você não ter sofrido pressão da imprensa antes da prova facilitou as coisas para você?

MARILSON - Com certeza. tome como exemplo a São Silvestre, que é a maior prova que a gente tem aqui no país. Eu sofro essa pressão a cada ano e é sempre complicado correr em cima de pressão. Lá eu não tive pressão nenhuma e isso foi um fato que me ajudou bastante. Agora eu vou ter que administrar, que lidar com essa pressão. mas acho que eu vinha administrando bem, até mesmo aqui no Brasil. Um bom corredor tem que aprender a lidar com essas situações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Marilson

Marilson

O que diz Juliana

A mulher de Marilson, JULIANA PAULA GOMES DOS SANTOS, 23, corredora de 800 m (2min01) e 1.500 (4min16), acompanhou a entrevista da platéia, em silêncio, sorrindo ás vezes, esperando a sua vez.

Ela foi terceira do mundo nos 800 metros, em 2003, no Mundial Juvenil de atletismo, tornando-se a primeira brasileira a conquistar medalha em Mundiais na modalidade. A segui, ela conta sua primeira conversa com Marilson depois da vitória. 

"Eu fiquei sabendo logo depois que terminou a corrida, pelo meu técnico, o Adauto, porque eu não tinha mais acesso à internet. Eu só fui falar com o Marilson umas duas horas depois, questão assim de menos de três minutos. Ele só falou assim: "Amor, conseguimos". Era o que a gente queria mesmo, o que a gente tinha lutado para conseguir. Não esperava que fosse tão rápido, veio muito rápido, graças a Deus, ele conseguiu acertar, achou o dia... E ficamos muito felizes. Ele falou: "Nossa, tou cansado, mas tou feliz, tou feliz. Você sabe que essa vitória também é sua". Bem, foi uma conversa muito rápida, mas foi muito bom."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h25

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Marilson

Marilson

Momento de emoção

Caio Guatelli/Folha Imagem

 

Segue a entrevista com Marilson. Quando fala sobre o resultado, o corredor se emociona e chora por alguns momentos.

PERGUNTA - Você pretende correr a São Silvestre?

MARILSON - A gente vai conversar, eu e o Adauto, e a gente vai ver o que é melhor para mim e para a equipe.

ADAUTO DOMINGUES - Hoje, não está descartada a participação, mas também não está confirmada. Depois de uma maratona, sempre há alguns traumas. A gente vai ter de avaliar isso clinicamente, com exames médicos, e fisicamente, para ver como será possível recuperá-lo. Há outras competições tão importantes quanto a São Silvestre.

PERGUNTA - Você enfrentou frio, dor e os maiores atletas do mundo. quando faltavam uns dez metros para a chegada, o que você pensou?

MARILSON - Passa um pequeno filme pela cabeça. A gente pensa em tudo. Eu estava até um pouco... Um pouco, não, bastante emocionado. É uma prova de muito status mundialmente. E, de repente, eu, que não era cotado entre os favoritos, chegar a vencer a prova, isso para mim foi o ápice da minha carreira.

PERGUNTA - Por que você não vai correr a maratona no Pan, e vai voltar às suas provas de origem os 5.000 e os 10.000 metros. Isso está decidido mesmo?

MARILSON - Acho que o Adauto pode responder melhor.

ADAUTO - O Marilson tem como objetivo final a maratona de Pequim 2008, nos Jogos Olímpicos. Isso vem desde o final de 2003. A gente fez uma preparação para ele correr a maratona olímpica em Atenas, infelizmente, por 50 segundos, ele ficou fora do ranking dos três melhores do Brasil. depois ele mostrou que era capaz, porque correu 2h08. Como eu disse antes, o Marilson tem um final um pouco lento. Então, a gente quer que ele melhore ainda alguns resultados nos 5.000 e nos 10.000. É uma questão matemática: é impossível você fazer 30 minutos nos 10 mil metros se você não tem 15 nos 5.000. Em cima disso, a gente quer que ele melhore essas marcas de 10.000 para que ele possa, numa maratona olímpica, ter uma passagem com um pouco mais de conforto para ir até o final da prova. Aqui ninguém de vocês pode me garantir que na maratona do Pan não vá estar 32 graus. É possível estar 32 graus no inverno no Rio de Janeiro. E eu preciso que ele faça uma maratona rápida. Então, se eu o colocar na maratona no Rio de Janeiro, eu perco provavelmente algumas provas rápidas no segundo semestre. Ou perco Chicago ou perco Berlim. E eu não quero arriscar novamente que ele fique de fora da Olimpíada, agora com chance de chegar entre os primeiros.

PERGUNTA - O que representa para aquele rapaz que veio aos 15 anos lá de brasília hoje ser conhecido no mundo inteiro, ter sua foto nos jornais do mundo inteiro...

MARILSON - É com eu disse, é o ápice para mim. Ninguém, nem eu mesmo, imaginaria que um dia eu pudesse chegar a esse ponto. Um menino que saiu de Brasília, da Ceilândia, uma cidade muito humilde.... (emocionado, começa a chorar)....

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h16

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Marilson

Marilson

Sofrimento e glória

Acompanhe a primeira parte da entrevista coletiva de Marilson, realizada hoje pela manhã no auditório do Pão de Açúcar. Algumas de suas respostas sõa complementadas pelo seu técnico, Adauto Domingues.

PERGUNTA - COMO FOI SUA PREPARAÇÃO?

MARILSON GOMES DOS SANTOS - A preparação para uma maratona é sempre dura, sempre complicada. Eu fiquei ausente de casa uns 35 dias, em Campos dos Jordão. Logo depois do Troféu Brasil eu fui para Campos do Jordão me preparar, fazendo mais ou menos 200 quilômetros por semana, em média, com duas sessões diárias de treinamento. É sempre sofrido, muito complicado, porque a gente tem de abrir mão de algumas coisas, até mesmo da família, da minha esposa, Juliana, também, porque, se não for assim, não dá certo. Mas eu fiquei feliz porque eu consegui alcançar o meu objetivo, que era acertar uma grande maratona, e acabou dando certo na maratona de Nova York.

PERGUNTA - EM QUE MOMENTO DA PROVA VOCÊ ACHOU QUE PODIA GANHAR?

MARILSON - Quando eu comecei a abrir distância, depois da milha 19 (km 30, aproximadamente), eu senti uma confiança muito grande, porque era um momento em que eu estava me sentindo muito bem na prova. Comecei a abrir vantagem cada vez mais, então ali eu percebi que teria grandes chances de chegar como vencedor da prova.

PERGUNTA - CONTE UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA DA PROVA DESDE O COMEÇO E COMO VOCÊ CONTROLA SEU RITMO PESSOAL

MARILSON - A maratona de Nova York tem um percurso difícil, bastante duro, com muitas subidas e descidas, além do nível da maratona. Estavam presentes o campeão olímpico, o vice-campeão olímpico, o recordista mundial, vários atletas com 2h06, mas durante o decorrer da prova, o ritmo foi bem confortável. Foi uma passagem cômoda, não só para mim, para todos, a primeira parte da maratona foi fraca. Eu estava me sentindo bem, e estava saindo tudo de acordo com o planejado. Meu plano era sair, depois do 30, do km 35, para ver se diminuía o pelotão de elite, os atletas que estavam na frente, ou que eu pudesse abrir alguma vantagem, que viesse um ou outro, apenas. Como ninguém veio, eu acabei me destacando mais e consegui vencer a prova.

PERGUNTA - VOCÊ JÁ SAIU NO GRUPO DA FRENTE?

MARILSON - Na maratona de Nova York, o pelotão de elite é grande. Eu procurei sempre ficar atrás do grupo, me proteger do frio, do vento, e não ir muito para frente, sempre correndo no vácuo... Eu sabia que era uma prova difícil e que a parte final, quando você entra no Central Park, seria muito desgastante, muito difícil. Eu procurei economizar no começo o máximo possível para que eu pudesse depois encontrar energias para terminar o percurso.

ADAUTO DOMINGUES - No km 25, havia 29 atletas no pelotão de elite. Eram 29 atletas que podiam vencer a prova. A diferença do primeiro para o 29 era de dois segundo. Desses 29 atletas, 14 eram quenianos. Por isso, quando ele tentou sair no km 30, o objetivo ainda não era ganhar a prova, mas, sim, fazer com que esse grupo diminuísse para que ele tivesse mais chance de uma melhor colocação. Quem conhece o Marilson sabe que ele tem um final de prova não tão rápido como têm outros atletas. Então, o objetivo da escapada era diminuir o número de atletas para obter uma melhor colocação. A escolha por Nova York é em cima de colocação, não em cima de marca, pois a gente sabe da dificuldade da prova.

PERGUNTA - QUANDO VOCÊ DECIDIU QUE ROUPA USARIA? VOCÊ JÁ TINHA CORRIDO COM OS MANGUITOS?

 MARILSON - Para mim, quatro graus, cinco graus, que estava previsto para o dia da prova, é frio. Eu tenho uma porcentagem de gordura muito baixa (3,7% a 4,2%; o comum em não-atletas é acima de 16% ou 18%, segundo o treinador Adauto Domingues) e sinto bastante frio nas principais provas de maratona, que são realizadas no frio. Então eu procurei me defender do frio, me proteger o máximo possível, usando o gorro, as luvas, os manguitos para não sentir tanto frio durante a prova.

PERGUNTA - ANTES DE VOCÊ EMBARCAR, VOCÊ ESTAVA COM UM PROBLEMA NO PÉ. VOCÊ SENTIU DORES E COMO VOCÊ ESTÁ AGORA?

MARILSON - Na verdade, essa lesão minha ainda não passou. Vou ter de parar agora. Estou com uma fascite plantar, que é uma inflamação na planta do pé, e acabou até me atrapalhando nos treinos para a maratona, mas agora é o momento de parar para poder programar as futuras provas. Essa inflamação, durante a prova, não me atrapalhou, eu não senti tanto. Só no término, quando o corpo começou a esfriar, aí eu não conseguia nem andar direto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h20

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Marilson Gomes dos Santos

Marilson Gomes dos Santos

Pura emoção

Primeiro sul-americano a vencer a maratona de Nova York, Marilson Gomes dos Santos chegou hoje pela manhã a São Paulo e foi direto para uma entrevista coletiva no auditório do Pão de Açúcar.

Contou sobre os momentos mais duros e mais felizes da prova, lembrou a carreira, falou um pouco sobre o futuro e não conteve as lágrimas ao tentar comentar o que a vitória mudava na vida daquele garoto que, aos 15 anos, saiu de sua Ceilândia (DF) natal para vir tentar a sorte no atletismo em São Paulo.

Não conseguiu continuar sua fala naquele instante e foi socorrido por João Paulo Diniz, conselheiro do grupo Pão de Açúcar, e por Sérgio Coutinho Nogueira, diretor-técnico da equipe BM&F, que compunham a mesa, completada pelo técnico de Marilson, Adauto Domingues.

Janaina, mulher de Marilson e primeira brasileira a ganhar uma medalha em um Mundial de atletismo na prova de 800 metros, estava na platéia. 

Agora vou tirar a entrevista e logo coloco mais informações.   

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h47

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Campeão

Campeão

Marilson vem aí

 

Ele será recepcionado por seus patrocinadores e deverá falar à imprensa agora pela manhã, no auditório do Pão de Açucar, em São Paulo.

Depois eu conto como foi.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h48

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São Paulo

São Paulo

Festerê

No próximo domingo, acontece na Cidade Universitária mais uma grande festa do mundo das corridas. É a segunda edição do Nike Run Americas, prova de dez quilômetros patrocinada pela empresa de material esportivo.

O objetivo da Nike é colocar nas ruas de nove cidades da América Latina um total de 120 mil corredores vestindo a camiseta da Nike 10 K. Em São Paulo, há vagas para 25 mil atletas. E, até este momento, segundo a assessoria da empresa, ainda há vagas. As inscrições continuam somente no shopping Eldorado (avenida Rebouças, 3.970 - Pinheiros; piso térreo, átrio azul). O valor é de R$ 50.

Com tanta gente na prova, a corrida também será lenta. Mas divertida, especialmente para quem está começando e gosta da energia bacana que costuma rolar nesses eventos. Haverá música e até um show especial para os participantes. No dia seguinte, promete a empresa, cada corredor poderá ver no site da prova um vídeo com o momento da sua chegada.

O percurso é batido, combinando um trecho dentro da USP e um trecho na avenida Escola Politécnica, e fácil, não devendo assustar corredores iniciantes ou com pouco experiência em rodagens no asfalto.

Eu só não gosto do fato de o corredor ser obrigado a vestir a camiseta da prova -seu número vem impresso na camiseta. O objetivo da Nike, claro, é ter fotos de multidões vestindo amarelo, como teve multidões de laranja no ano passado.

É o marketing das multidões.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h36

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Polêmica

Polêmica

Qual o tempo de Cicarelli?

 

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

 

A apresentadora e maratonista Daniella Cicarelli contou para este blog que fez sua primeira e -até agora- única maratona em 4h12 minutos, em Nova York, em 2003. Comentou até: "Seis minutos por quilômetro, imagina!". Mas a informação foi contestada por leitores deste blog.

Um deles disse ter pesquisado nos resultados da prova e encontrado uma Daniela Lemos, que completou a corrida em 4h33'25" .

Outros leitores reagiram, dizendo que pouco importa o tempo, o importante é a dedicação ao esporte.

Encaminhei a polêmica para a assessoria de imprensa da apresentadora. Mais tarde conto o que deu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h21

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Dica saudável

Dica saudável

Alta umidade

Acabei de voltar de um treininho de uma hora na avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo e tenho um lembrete para todos os que estão para começar seus treinos ou ainda vão correr ao longo do dia.

Apesar da temperatura, pela manhã, ainda estar agradável (senti até uma leve brisa), a umidade está muito alta e "derruba" a gente.

Meu treino foi bem leve, pois estou em recuperação da maratona de Buenos Aires, mas suei muito, como se estivesse correndo uma prova de 10 quilômetros.

Então procurem levar água, mesmo para treinos curtos, ou planejem um percurso em que possam se hidratar.

E não deixem de beber pelo menos um copo de água antes e depois do treino. Você vai correr melhor, vai cansar menos e sua recuperação será mais rápida.

Ao longo do dia, continuem bebendo. Água, é claro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h08

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Palavras de Marilson

Palavras de Marilson

Eu sou mais eu

"Havia um grupo de grandes corredores, mas eu também sou um deles. Para vencer, você precisa ter coragem, e hoje eu tive a coragem de tomar a frente e vencer a corrida."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Nova York

Nova York

Vídeo bem legal

Apenas para inspiração, não é um documentário.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h03

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Arquivo

Arquivo

Fotos históricas

O dublê de ex-corredor, técnico e, principalmente, apaixonado pelo atletismo Nilson Duarte Monteiro colocou no ar um fotoblog com imagens de seu arquivo.

Há cenas sensacionais, como o aceno de Eleonora Mendonça, representante brasileira na primeira maratona olímpica feminina, em Los Angeles-84.

Veja outras fotos AQUI.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17

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Blumenau

Blumenau

Da noite para a manhã

A maratona de Blumenau estava anunciada como a primeira noturna do Brasil, mas, na própria semana do evento, os organizadores, alegando razões externas à vontade deles, mudaram o horário do fim da tarde de sábado último para o início da manhã de ontem.

Foi mais uma das confusões que envolveram essa prova, que tradicionalmente é realizada em meados do ano para aproveitar o clima, propiciando bons tempos.

Para complicar mais as coisas, os banheiros químicos não chegaram na hora combinada: na largada, não estavam lá.

Mas, pelo que dizem atletas que correram a prova, tudo isso foi compensado por uma boa organização no percurso, que foi fechado ao trânsito. Bom suprimento de água e frutas, resultados divulgados rapidamente. Enfim, os relatos que ouvi deram uma nota positiva depois de uma negativa.

Os tempos foram altos:

Masc

 1.Claudir Rodrigues 02:20:15
2.Claudioi da Cruz 02:22:03
3.Andre A Ferreira 02:22:25
4.Paulo da Silva 02:23:56
5.Jose Pedro Mendes 02:25:54

Fem
1.Erinelda R da SIlva 02:47:41
2.Ilaine Wandsheer I 02:48:10
3.Maria Sandra P da Silva 02:48:44
4.Maria do Carmo A Guimaraes 02:49:51
5.Luciana Beatriz L da Luz 02:53:22
6.Maria dos Remedios Castro 02:58:22
7.Maria Salete S Herold03:10:19

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h29

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Na hora

Na hora

Chegada

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Deu no New York Post

Deu no New York Post

Luvas negras

A reportagem publicada no "New York Post", com informações de agências, foi a primeira que vi que descreveu o modelito de Marilson.

Diz o texto: "Vestindo luvas negras e com manguitos (aquelas mangas compridas separadas da camiseta) também pretos até o bíceps, boné preto e camiseta regata amarela, Gomes cruzou a linha com os braços levantados e depois fez o sinal da cruz. E logo foi cumprimentado pelos dois quenianos que o seguiram, que abriram largos sorrisos ao abraçar Gomes, que parecia estar sofrendo um pouco".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h43

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Tática

Tática

Mais e depois + um pouco

 

Marilson, por um intérprete, revelou sua tática para os repórteres da Associated Press. Aqui neste blog vai a tradução da tradução.

"Eu acelerei, apertei o ritmo para ver se ficava menos gente no pelotão", disse Marilson.  "Daí continuei a acelerar e eles continuaram a ficar para trás".

Em resumo: ele acelerou um pouco e depois acelerou um pouco mais.... E se tornou, segundo as agência de notícias, não só o primeiro brasileiro campeão na Big Apple, mas o primeiro sul-americano a triunfar em Nova York.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h29

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Deu no New York Times

Deu no New York Times

Marilson na primeira página

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h23

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Marilson

Melhor das melhores

"Estou muito feliz e satisfeito com essa vitória, pois a maratona de Nova York é a melhor entre as melhores", disse Marilson Gomes dos Santos depois de surpreender o mundo ao deixar para trás o recordista mundial da maratona, Paul Tergat e outros quenianos do primeiro time, além dos norte-americanos tidos como bem cotados.

Ele deu sua arrancada pouco depois do quilômetro 30 e construiu uma vantagem de 30 segundos antes que Kiogora e Tergat se dessem conta e fossem para cima. Eles chegaram perto, mas Marilson soube segurar a liderança. Entrou no Central Park como campeão e como campeão cruzou a linha de chegada.

O heptacampeão do Tour de France, o superhiperciclista Lance Armstrong, terminou quase uma hora mais tarde, fechando em 2:59:37 sua prova. Ele correu para arrecadar fundos para entidades de combate ao câncer.

Com sua vitória de hoje, Marilson integra o time dos primeiros no grande slam das maratonas mundiais, empatado no segundo posto com Felix Limo, que venceu em Londres, e Haile Gebrselassie, campeão de Berlim. Com 25 pontos, os três perseguem Robert Cheruiyot, que tem 50 pontos por sua vitórias em Boston e Chicago.

Nessa disputa, desenrolada ao longo de dois anos, ganham pontos os cinco primeiros nas maratonas de Boston, Berlin, Chicago, Londres e Nova York City. Os vencedores no masculino e no feminino levam um prêmio de pelo menos US$ 1 milhão cada um.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h10

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Nova York

Nova York

Bicampeã

No feminino, a vitória foi da campeã do ano passado, que correu baseada na sua experiência, seguiu a coelho nos primeiros quilômetros, mas tomou a frente e manteve a liderança o tempo todo.

O resultado oficial:

  1. Jelena Prokopcuka (LAT) 2:25:05
  2. Tatiana Hladyr (UKR) 2:26:05
  3. Catherine Ndereba (KEN) 2:26:58

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h43

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Nova York

Nova York

Marilson do Brasil

Marilson dos Santos, campeão da São Silvestre, agora é também o campeão da maratona de Nova York.O brasileiro esperou a hora, atacou e foi-se embora. Na hora dos vamos ver, a tábua de resultados apontou:

  1. Marilson Gomes dos Santos (BRA) 2:09:58
  2. Stephen Kiogora (KEN) 2:10:06
  3. Paul Tergat (KEN) 2:10:10

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h38

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Nova York

Nova York

Eis a estrela

Lance Armstrong, visto pela câmera especial que vai acompanhá-lo ao longo da prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h35

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Pausa

Nova missão

 

Pessoal, agora vou ter de fazer uma pausa nas transmissões. Tenho de sair para assitir ao Gre-nal no estádio Olímpico. Vamos ver se o Grêmio faz alguma coisa. Sobre as transmissões, têm sido boas, mas, seja por causa deles, mas, principalmente, por causa da conexão, o vídeo não estava legal.

Quem conseguiu assitir e quiser comentar, mande notícias.

Mais tarde volto ao ar. Se tudo der certo, haverá surpresas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h33

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Nova York

Nova York

Perseguição

A campeã Prokopcuka, da letônia, lidera o grupo das mulheres, seguida pela norte-americna Deena Kastor

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h30

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Nova York

Nova York

Os homens estão nas ruas

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h20

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Nova York

Nova York

Passagem

A líder Prokopcuka passou a marca dos 5 km em 17:34, e o pelotão, com Deena Kastor, em 18:32. A coelho Talpos está bem na frente.

E agora o locutor anuncia as estrelas masculinas: Tergat, Ramala, Baldini.... Não deu para ouvir se o brasileiro Marilson foi anunciado.

Vai tocar o hino norte-americano, o som está legal, mas o vídeo continua daquele jeito.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h09

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Nova York

Nova York

Desgarradas

A coelho da corrida está dando um banho, correndo mais do que devia ou que era esperado.

Só a campeão da prova, Jelena Prokopcuka, acompanha o ritmo da coelho, Luminita Talpos, mas segue um  pouco atrás.

O pelotão está quase dois quarteirões atrás das líderes, mas é só o começo.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h56

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Nova York

Nova York

Mulheres na pista

 

Com um elenco estelar, acaba de começar a prova feminina.

A transmissão continua aos soluções, pelo menos com a conexão que eu consegui. Parece mais uma série de slides. Mas o som está ótimo, tanto dos narradores quanto do ambiente.

Bem bacana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h40

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Nova York

Nova York

Soluços e tropeços

 

A transmissão já está no ar. O som vem legal, mas as imagens surgem aos soluços. Agora, neste exato momento, só tenho listas coloridas na tela, enquanto ouço os narradores fazendo aumentar a tensão, dizendo que a prova feminina está prestes a começar.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Nova York

Nova York

Começou

 

12h15: Os cadeirantes já estão rodando nas ruas da cidade. A temperatura no Central Park, pouco antes do início da prova, era de seis graus centígrados.

A minha janela de vídeo já abriu, mas as transmissões ainda não começaram. Vamos ver se dá certo.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h17

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Nova York

Nova York

Frio na barriga

Agora é aquela hora em que os corredores ficam pensando em tudo que pode dar errado, duvidam do treino que fizeram, alongam um pouquinho mais e daí levantam a cabeça, pensando: "Vai dar tudo certo!".

Um sorriso, um puxão no quadríceps, mais uma vez checar a amarração dos tênis, muda o humor. Calcula o ritmo, pensa se vai começar forte ou fraco, pensa se o tempo está legal ou se vai esfriar ou vai esquentar.

Chega! Vai soar o tiro da largada.

Para mim, aqui na frente do computador, também é uma emoção nova. Não sei se vai funcionar a transmissão ao vivo, se eu vou ter habilidade e rapidez para colocar as mensagens no ar assim que os eventos acontecerem. Sei que vou tentar fazer o melhor, mas também sei que o melhor de cada um nem sempre é o suficiente.

Boa maratona para todos que estão em Nova York, para os que correm, para os que assitem, para os que trabalham e para os que torcem.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h49

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Nova York

Nova York

Pela honra e pelo emprego

 

O deficiente físico Brian O'Sullivan, 30, terá muitos desafios pela frente na maratona de hoje em Nova York. Além de vencer a distância, ele quer deixar ainda mais evidente o que considera discriminação por parte do Departamento de Polícia de Nova York.

Sullivan, que não tem uma perna, está processando o NYPD des de 1999. Em 98, ele passou no exame escrito para conseguir uma vaga na polícia, mas seu nome foi riscado da lista quando viram que ele usava uma prótese. Não permitiram sequer que ele fizesse o exame físico. "Foi uma humilhação", diz ele.

Hoje ele pretende demonstrar ser perfeitamente capaz de fazer a ronda das ruas. Com sua perna mecânica, vai mandar ver nos 42.195 metros. "E seu tempo será muito bom", afirma seu advogado, Brian O'Dwyer.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h36

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Atenas

Atenas

De novo, um queniano

 

O domingo maratonístico começou em Atenas, onde, para variar, um queniano levou a taça. Foi Henry Tarus, 26, que se arrastou pelo caminho para terminar em 2h17min45. Lembrem-se que o percurso tem duas longas e doloridas subidas e o calor de Atenas já derrubou muita gente.

A primeira mulher foi a japonesa Ogushi Chikako, que fez 2h40min45 e ficou em 21 no geral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h26

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Stefano Baldini

Stefano Baldini

Em paz consigo mesmo

 

"Sou um homem tranqüilo", diz o campeão olímpico antes de começar a maratona de Nova York. "Ao ganhar o ouro em Atenas, provavelmente atingi o máximo com que um corredor pode sonhar. O que vier agora é lucro".

 

Escrito por Rodolfo Lucen