Está passando na HBO um filme que pode até não ser uma grande realização cinematográfica -vi um pedaço ontem e achei bem mais ou menos-, mas retrata uma história de grandeza, bravura e determinação como poucas.
É a epopéia de Terry Fox, um garoto canadense que, aos 18 anos, foi diagnosticado com câncer nos ossos. Mesmo com o tratamento, sua perna direita foi amputada 15 cm acima do joelho.
Enquanto no hospital, ficou tão impressionando com o sofrimento de outras crianças e jovens atingidos pelo câncer que resolveu fazer uma campanha para arrecadar fundos para combater a doença. Decidiu atravessar o Canadá correndo, em uma jornada que batizou de Maratona da Esperança.
Treinou por 18 meses, correndo mais de 5.000 quilômetros para se preparar. A travessia teve início em 12 de abril de 1980 e ele passou a fazer uma maratona por dia, mal atraindo atenções no início, mas logo se tornando uma figura nacional. Foi obrigado a parar em primeiro de setembro, depois de 143 dias e 5.373 quilômetros, pois o câncer havia voltado, agora nos pulmões. Morreu em 28 de junho de 1981, aos 22 anos.
Sua abnegação e heroísmo renderam frutos. Hoje há corridas Terry Fox por todo o mundo, e uma Fundação com seu nome continua a empreitada que ele começou.
O filme, "Terry", é uma produção do ano passado, e suas próximas exibições na HBO serão nos dias 21 e 25 deste mês.
Claudia Arantangy, 42, é roteirista, conteudista, mãe,
formadora. Desde 2002, corredora. Atualmente no estaleiro por causa de uma
fratura por estresse, aproveitou para mandar o relato abaixo, cheio de garra e
emoção.
Sempre gostei de atividades físicas e pratiquei algum
esporte mas, logo no início de 2003, uma descoberta me fez começar a treinar com
mais afinco. Aos 39 anos, já tinha uma osteopenia
lombar.
Competir aos domingos era uma operação de guerra, afinal, deixar
o marido sozinho com quatro meninos para cuidar, era sacanagem.
Em 2004, participei de duas provas mas resolvi encarar a São
Silvestre. Ou melhor: me inscrever na São Silvestre. Estaria na praia e, se me
desse coragem, subiria para a corrida. Coincidentemente, um amigo de meu pai,
assíduo corredor da prova, estaria numa praia vizinha e me daria carona. Dias
depois, o tal amigo _Fernando_ ligou e, quando eu disse que não ainda sabia se
iria correr, foi categórico: ‘Você está inscrita na São Silvestre e está
pensando em não ir?! Está maluca?‘
No dia da corrida, acordei cedo. O dia estava lindo. Despedi-me
da família, prometendo voltar antes da meia-noite, com a medalha no
pescoço.
No caminho, Fernando Leme, corredor experiente, me contou muitas
de suas corridas e deu dicas interessantes.
Saí de casa para a Paulista apenas com o dinheiro do bilhete do
metrô. Comprei o bilhete duplo e, não tendo onde guardá-lo, enfiei na
meia.
Da largada ao Minhocão, foi tudo bem. Lá, o calor me pegou. Não
tinha uma brisa. O sol, inclemente e a torcida, ausente _só um ou outro bêbado
gritando obscenidades. Pensei: ‘O que estou fazendo aqui? Sou louca. A família
na praia, se refrescando no mar. E eu derretendo neste inferno. Não vou
agüentar! Vou cair aqui mesmo, ser levada por uma ambulância e nem ao menos a
promessa da medalha vou conseguir cumprir!‘
Logo depois, havia uma torcida animada nas ruas, pessoas com
esguichos para nos refrescar e o sol começou a dar uma trégua. No Teatro
Municipal, o céu ficou nublado e, meu ânimo, renovado. Subi a Brigadeiro
eufórica: sabia que chegaria até o fim.
Terminei em 1h22min57. Cruzei a chegada numa alegria absoluta,
mas não havia ninguém me esperando para compartilhá-la. Não tive dúvida: cheguei
num grupo de garis e chorando, abracei-os e agradeci por estarem ali,
colaborando para aquela linda festa acontecer.
Corri para o metrô. O bilhete, colocado na meia, estava em
frangalhos. O funcionário da estação sorriu e me deixou passar.
Na volta, Fernando, espantado com o meu tempo, me incentivou a
investir na corrida e participar de mais provas. Suas palavras foram
ouvidas.
Cheguei, triunfante, antes da meia-noite. Medalha no pescoço,
transbordando de satisfação. Mesmo o marido, que havia me amaldiçoado o dia
inteiro por tê-lo deixado e às crianças, para ir cometer uma loucura, me abraçou
e me desculpou.
Pessoal, tenho a dizer que o sábado passa ser, oficialmente, o
dia do leitor.
A cada semana, vou colocar uma nova contribuição de um de vocês.
Poderá ser uma experiência marcante, o relato de uma corrida bacana, crítica de
livro ou filme _enfim, vou procurar selecionar o melhor entre o material que
vocês mandarem.
As regras e critérios estão informadas nos links "Fala, leitor"
e "Regras", aqui no lado direito da página.
De qualquer forma, repito uma parte do que está dito
lá:
"Ao mandar sua mensagem, você automaticamente autoriza a
publicação e aceita as já comentadas regras da Folha Online e as deste blog, que
são as seguintes:
A seleção das mensagens é arbitrária e atende aos critérios
jornalísticos básicos.
As mensagens são publicadas como contribuição e podem ser
reduzidas ou editadas. Nenhuma receberá qualquer tipo de pagamento ou premiação
além da própria publicação e do crédito ao autor.
O remetente não receberá aviso da publicação ou da rejeição de
sua mensagem. Fique ligado: se sua história agradar, ela acabará entrando no
ar."
No sábado passado, o relato de dona Sonia Farhat emocionou a
todos os que visitaram este blog. Amanhã, você vai conhecer a história da
primeira São Silvestre da educadora Claudia Arantangy, mãe de quatro
garotos.
Está certo que este blog é de corridas, mas não podemos deixar de homenagear a memória de Ferenc Puskas, um dos maiores jogadores que o mundo viu, que morreu na manhã de hoje em Budapeste (leia AQUI mais informações).
Puskas liderou o escrete húngaro na década de 50 e brilhou na seleção que fez misérias na Copa de 1954, mas não levou a taça, talvez a única a faltar na história desse supercampeão.
Neste domingo, passadas leves e delicadas farão estremecer o
asfalto das ruas de Tóquio e o coração de todos os que estiverem acompanhando a
Tokyo International Women’s Marathon, prova feminina que vem sendo realizada
desde 1979.
Sempre muito disputada, neste ano promete ser ainda mais: uma das
atletas nativas convidadas é nada mais nada menos que a campeão olímpica da
maratona em Sydney-2000 e ex-recordista mundial Naoko Takahashi. Em Berlim, em
2001, ela se tornou a primeira mulher a fazer os 42.195 metros em menos de 2h20.
Mas seu recorde durou pouco: no domingo seguinte, foi derrubado pela queniana
Catherine Ndereba, em Chicago.
O elenco internacional também é estelar. Só para citar uma nossa
conhecida: estará lá a bicampeã da São Silvestre Olivera Jevtic, que no ano
passado deu um banho de estratégia na queniana Rose Cheruiyot na ruas de São
Paulo.
O site da prova não promete fazer cobertura ao vivo e também não
está na grade da programação da NHK, mas assim que eu tiver notícia coloco as
informações aqui.
Esta é uma mensagem noturna, como pode-se ver pelo horário da postagem, mas sugiro que você a encare como a primeira do dia. Diz respeito à sua alimentação. E a mensagem é a seguinte: coma devagar. Assim você vai comer menos.
Claro que estou assumindo que você, como eu, está sempre um pouco além do que deveria. Aliás, quando descrevo minhas características físicas, uso a fórmula "mais baixo do que gostaria, mais pesado do que deveria", que é batida, mas dá o recado.
Mas voltemos à pesquisa que supostamente comprovou a velha tese esposada por um grande número de nutricionistas. Um grupo de mulheres foi orientado para comer rapidamente um pratão de macarrão. As madames mandaram bala em 646 calorias em nove minutos. Depois, com um prato cheio com a mesma quantidade, foi dito ao mesmo grupo que comesse devagar, mastigando bastante, numa boa. Pois elas consumiram então apenas o equivalente a 579 calorias em 29 minutos. E, quando comeram mais devagar, disseram ter ficado mais satisfeitas.
Mais informações sobre o caso você encontra AQUI, em inglês.
Em primeiro lugar, ele é gaúcho. Maratonista, tem um traço de primeira. O nome todo do Iotti, que muitos devem conhecer das páginas da "Contra-Relógio", é Carlos Henrique Iotti. Ele nasceu em 1964 em Caxias do Sul, na serra gaúcha. É jornalista, cartunista, corredor e pescador. Publica diariamente nos jornais "Zero Hora", "Pioneiro", "Diário Catarinense", "O Estado do Paraná", entre outros. Seu personagem Radicci é best-seller no Sul do Brasil.
Olha só o que disse Paul Tergat sobre a vitória de Marilson na maratona de Nova York.
"Sinceramente, eu não sabia quem ele era. Eu pensei que poderíamos deixá-lo ir, que iriámos pegá-lo depois. Eu não sabia que ele tinha corrido 2h08 em Chicago."
As meninas do Brasil lutaram até o fim, na madrugada de hoje, mas não conseguiram suportar o poderio das gigantes russas. No final, foi 3 a 2 (15 a 13 no tie break). As brasileiras saíram com a medalha de prata e com a glória de nunca terem se entregado.
A maratona é uma modalidade esportiva para homens e mulheres maduros. Pelo menos é o que indica uma análise do público que participou da prova de Santa Catarina, uma das mais rápidas e bonitas entre as poucas provas de 42.195 metros que são disputadas no Brasil. O maratonista Marcos Sanches, 32, que na vida civil é estatístico e trabalha no Ipsos, analisou alguns dos números da prova e preparou um texto especial para este blog. Vamos a ele.
A maratona de Santa Catarina, cuja sexta edição foi realizada em agosto passado, é uma corrida simples, bem organizada, onde o corredor consegue fugir um pouco do tumulto das corridas lotadas de participantes que acontecem em São Paulo. Atingiu seu recorde de participação no ano passado, com 676 concluintes, dos quais apenas cerca de 14% eram mulheres. Aliás, a participação feminina na maratona de Santa Catarina sempre ficou em torno disso, tendo atingido o seu máximo em 2003: 16% dos participantes. Essa pequena participação das mulheres é relativamente comum nas corridas de rua do Brasil e ainda mais comuns em maratonas.
A maratona, sendo uma corrida que envolve grande resistência, tende a ser freqüentada por atletas de idade maior do que a média, desmistificando a idéia de que esportes de grande esforço são para jovens. Se considerarmos todas as edições da maratona de Santa Catarina, temos 60% dos homens e quase 50% das mulheres participantes com mais de 40 anos. E cerca de um em cada quatro participantes tem mais do que 50 anos de idade.
Se aceitarmos o fato de que os maratonistas representam uma ínfima minoria na população brasileira, podemos considerar os dados populacionais como sendo representativos dos não maratonistas. A pirâmide etária dos maratonistas é extremamente diferente da pirâmide populacional, considerando no momento somente a maratona de Santa Catarina. Enquanto o número de habitantes decresce rapidamente com o aumento da idade, o número de maratonistas cresce até o seu pico na faixa de 40 a 44 anos e decresce daí em diante, formando uma distribuição bastante simétrica com centro nessa faixa etária.
Hoje fiz parte de meu treino no Minhocão, onde encontrei o veterano Geraldo, 60, corredor há 15 anos e com 19 maratonas nas costas. Eu corria, mas ele estava de bicicleta. Uma lesão brava o tirara das ruas pouco depois da São Silvestre do ano passado.
As dores no quadril mal permitiam que ele caminhasse, mas talvez a incomodação maior fosse ir de um médico a outro sem encontrar uma palavra que lhe desse confiança no diagnóstico e no tratamento proposto.
Depois de passar por vários, enfim achou um médico que lhe pareceu confiável e iniciou o tratamento de verdade. No início, quando as dores ainda estavam muito fortes, sua atividade não passava de horas e horas, ao longo da semana, trabalhando o alongamento.
Mas logo o médico deu-lhe a boa nova: ele iria continuar sendo tratado, mas precisava começar também a entrar em ação. Estabeleceu um programa progressivo de caminhadas em que o limite era a dor.
Depois vieram os trotes leves, alternados com as benditas caminhadas. E as primeiras corridas, a volta às provas. O tratamento de um corredor inclui correr, pois senão o sujeito fica triste, cabisbaixo, nervoso.
Claro que cada caso é um caso, mas, pelo que já vi na minha curta vida corrida e pelo que aprendi nas conversas com colegas corredores e com médicos, uma boa parte das lesões pode até exigir um período de parada total, mas logo o tratamento deve prosseguir com uma lenta e controlada, mas progressiva, volta à ação.
É bem capaz que médicos tradicionais não pensem assim, preocupados em proteger o paciente. Por isso, se você se lesionar, busque um médico do esporte ou, melhor ainda, um que tenha experiência com corridas. Fale com seus colegas, procure dicas com seus treinadores, tente encontrar alguém que compreenda também o seu mundo, além de entender do seu eventual -e passageiro- problema.
Geraldo continua em tratamento, mas já participa de corridas. Faz seus treinos com cuidado, roda na bicicleta, alonga, começa um trabalho de fortalecimento muscular. E está inscrito na São Silvestre. Que tenha numa boa prova.
Todos nós, corredores, da elite, medianos ou lentos, chegamos às provas dispostos a fazer o melhor. E aposto que a maioria de nós acha que isso significa dar o máximo durante o maior tempo possível. Pode até ser, mas isso não necessariamente produz os melhores resultados.
Marilson Gomes que o diga. Ficou o tempo todo no pelotão, protegeu-se do frio, estudou com seus técnico as condições da prova e avaliou as suas próprias condições e o seu potencial. Quando foi a hora, atacou. E venceu em Nova York.
Nas corridas em condições adversas, costuma valer mais a pena o sujeito se poupar para agüentar. Quem não economiza paga, como Paula Radcliffe na Olimpíada de Atenas. Se isso vale para a elite, para os profissionais, vale também para nós outros, amadores.
Tudo isso é para introduzir uma educativa história que um medalhista norte-americano contou durante um simpósio técnico realizado nos Estados Unidos como preparação aos Jogos de Pequim-2008 , conforme relato publicado no "The New York Times".
Steve Spence, o maratonista em questão, chegou a Tóquio em agosto de 1991 para disputar o Mundial de maratona. O clima era péssimo: quente, úmido, superpoluído. "As piores condições em que jamais havia sido corrido um Mundial", segundo seu conselheiro, o fisiologista do esporte David Martin, hoje professor na Georgia University.
Quando chegou a hora da largada, com temperatura acima dos 20 graus Celsius e alta umidade, Spence sabia que não podia nem pensar em sair no ritmo em que treinara. Tratou de segurar, segurar, segurar, esperando que assim pudesse resistir ao clima e aumentar o ritmo mais perto do final.
Foi desesperador, ele lembra. "Os líderes estavam tão distantes que eu pensava que nunca iria sequer chegar perto deles. Será mesmo que eles não iriam resistir e quebrariam mais tarde?".
Eles quebraram. No total, 40% dos que largaram não completaram a prova. Spence chegou em terceiro, 40 segundos depois do vencedor, o japonês Hiromi Taniguchi, e tornou-se um dos pouco norte-americanos a levar para casa uma medalha no Mundial da maratona.
"Será que era era a terceira pessoa em melhor forma naquele grupo? Não, de jeito nenhum. Seria o terceiro mais talentoso? Também não". Para ele, o que fez diferença foi seu planejamento e estratégia de prova.
O ano vai terminando, a São Silvestre já se anuncia por aí, depois virá um período de descanso e mais um ano inteiraço de aço pela frente.
Se você gosta de planejar seu futuro corredístico, é bom dar uma olhada nos calendários on-line. Vários já começam a colocar a previsão de corridas para 2007. Outros apresentam competições de diversas modalidades especiais para amadores.
Um bem novinho é o Agenda Esportiva, que entrou no ar há pouco e traz informações sobre diversos esportes. É simples e, pelo que pude ver, bem-feito.
Um mais especializado no mundo das corridas e também bem mais polpudo em número de provas é o Calendário Amigável, que já existe há vários anos e presta bons serviços à comunidade de corredores amadores.
Bom, não dá para deixar de fora um site que virou até comunidade de corredores, o Runner Brasil, que traz calendário, notícias e um fórum bem movimentado.
A Yescom já anunciou parte de sua programação para o próximo ano, assim como a TH5, que organiza o Circuito das Praias em São Paulo e anuncia para março uma Maratona de Revezamento no Guarujá.
O jamaicano Asafa
Powell foi escolhido Atleta do Ano pela
Iaaf, a Fifa
do atletismo. Recordista mundial dos 100 metros rasos, Powell levou um cheque de
100 mil doletas na cerimônia realizada ontem em Monte Carlo. Na verdade, ele é
co-recordista, mas o norte-americano Justin
Gatlin testou positivo para produto dopante dois
meses depois de fazer a marca.
No feminino, a norte-americana Sanya Richards levou a coroa.
Corredora de 400 m, ela teve 15 vitórias seguidas neste ano e fez a volta em
48s70, quebrando um recorde norte-americano que durava 22 anos.
Assista agora a um vídeo do recorde dos 100 m rasos.
Quem gosta de fazer de sua diversão um benefício para a sociedade tem duas boas oportunidades nos próximos dias em São Paulo.
Terminam hoje as inscrições para a prova de 10 km em benefício da Associação de Apoio á Criança com Câncer. Mais informações no site da Yescom, que faria um bem para os corredores se desburocratizasse o seu processo de inscrição, que chega às raias do absurdo. A ficha inquere até qual a função ou cargo que você exerce, além de outros dados que me parecem absolutamente desnecessários. Quando estava terminando o meu longo processo de inscrição, o site deu pau, o que me fez desistir de vez. Se a Yescom quiser fazer comentários, o espaço está aberto. Mandei reclamação para o site, e a resposta automática foi que eu seria contatado em até 72 horas!!!.
Outra alternativa é uma corrida no dia 2 de dezembro, em benefício do Projeto Arrastão. Mais informações sobre a prova, que inclui caminhada e uma competição para crianças, você encontra AQUI.
Com essa maravilhosa tira do Laerte, que gentilmente mandou sua contribuição para este blog, começamos uma área de humor e ironias sobre a vida corrida.
O Laerte "não é bom, é gênio", como diz outro gênio do cartum, o gaúcho Santiago. Para ver mais trabalhos dele, que, entre outras múltiplas atividades, também produz uma tira semanal para o caderno "Informática" da Folha, visite o seu (dele) site, que está AQUI.
Elogios, críticas, alegrias e desapontamentos se combinam e se atracam nos comentários sobre a prova de hoje.
Um corredor veterano afirmou: "O que mais aborreceu foi na largada, prestes a iniciar a corrida. Pouquíssimos banheiros disponíveis (todos com filas imensas). Acho que na largada tinha no maximo uns 50 banheiros. Outros, próximo ao setor de guarda-volumes, não tinham seu acesso permitido por pessoas da organização da corrida. Não entendi porque tinham sido instalados. Os poucos banheiros tinham filas enormes. Faltavam dez minutos para o inicio da corrida, e havia 20, 30 pessoas em cada fila. Eu e minha filha desistimos. O espaço da largada não comportava 24 mil ou 25 mil corredores. Estes, em massa compacta, correram por todo o trecho da corrida. Parecia uma procissão de Semana Santa."
Outro participante declarou: "O mais legal foi ter passado o Vanderlei Cordeiro e o Marilson no km 8!!! Ok, pra eles, aquele ritmo devia ser trote, mas o que importa é que eu passei os dois e nem olhei pra trás! hehehe..."
No site da Corpore, o texto sobre a prova traz a seguinte declaração do rapper MV Bill, presidente da Central Única das Favelas, entidade que recebeu parte do dinheiro arrecadado na prova: “Estou achando o evento muito louco, por causa de tudo que é proporcionado. Não só pelo entretenimento, mas também a pratica esportiva, que pra mim combina com coisa saudável, geral acordando cedo, 25 mil pessoas aqui e com espaço para a solidariedade. É um evento maneiro e estou torcendo para ser uma atitude copiada por outras marcas, empresas, Governo Federal, Municipal, sociedade... O que me deixa feliz é saber que ano que vem teremos mais um evento que vai ajudar outra instituição. O ciclo aqui não pára”.
Especial para vocês, um texto de meu
colega Adalberto Leister Filho, 32, repórter do
Esporte da Folha. Ele corre há três anos e participou hoje
da Nike 10K, que foi sua 23ª prova de rua em São Paulo. Leiam o que ele nos
conta.
A impressão que me deu, quando a Nike anunciou que
colocaria 25 mil corredores de rua para disputar sua prova em São Paulo é que,
mais uma vez, nós brazucas naufragaríamos diante de nossa eterna falta de
preparo para grandes eventos. Não participei da competição do ano passado
(estava viajando), mas amigos me disseram que foi caótico. Em vários pontos
houve congestionamento e necessidade de literalmente andar, desperdiçando
preciosos minutinhos para quem gosta de competir contra si mesmo, em busca de
recordes pessoais.
Não foi o que aconteceu hoje, na Nike 10K, afora uma falha. Para
limitar o acesso à Cidade Universitária, foram montados bolsões de
estacionamento. Na capital, é o mesmo esquema utilizado no GP Brasil de F-1. A
intenção era fazer com que a chegada até a USP, local da prova, não tivesse
contratempos. O problema é que quase todo mundo (eu incluído) resolveu se
dirigir até o shopping Eldorado. As filas imensas me fizeram chegar atrasado.
Larguei quando o cronômetro já superava os 27 minutos de prova. Os setores
coloridos, de onde largavam os corredores de acordo com sua média de tempo, não
serviram assim, para nada.
Fiz praticamente toda a prova tendo que me desvencilhar de
caminhantes e retardatários. Nas curvas, a situação ficava um pouquinho mais
complicada. O ideal era já planejar a diminuição do ritmo nesses trechos e
retomar a corrida nas retas. Em uma das passagens, quando me mostrei ansioso
para ultrapassar um casal que trotava e me impedia seguir adiante, ouvi da
garota: "Faz parte". De fato, faz parte, em uma corrida festiva daquela
deixarmos um pouco de lado a preocupação com o tempo e curtirmos o mar de
camisetas amarelas que coloriam a rua.
Na avenida Luciano Gualberto, por volta do km 8, a bateria da
escola de samba Rosas de Ouro era de entusiasmar. Cheguei àquele trecho quando
tocavam "Ah, vira virou, a Mocidade chegou...", da Mocidade Independente-1990,
um de meus sambas-enredo prediletos. Era um alento para quem completava a parte
final do percurso. No km 9, finalmente não havia mais retardatários para
atrapalhar. Havia fôlego para um sprint final. Completei em 55 minutos cravados
(descontado o tempo da largada), apenas oito minutos atrás do
Marilson dos Santos e do Vanderlei Cordeiro de Lima. Nada mau, para meus
padrões. Valeu pela festa.
Quem está interessado em participar da São Silvestre tem de ficar esperto e fazer logo sua inscrição.
Eu fiz a minha na sexta-feira e peguei número oito mil e caquerada. Acabei de olhar o site da prova e lá está informado que mais de 11 mil pessoas já estão registradas. Há vagas para apenas 15 mil corredores no total.
Há um monte de polêmicas sobre a prova, que é criticada e condenada por alguns e adorada por outros. Eu considero o horário abominável, mas admiro a festa e a alegria de todos os participantes. Opiniões à parte, é o mais importante evento brasileiro de corrida de rua.
A inscrição custa R$ 65,00, outro fator de constantes reclamações, pois muitos consideram que a organização não dá o devido retorno, considerando o valor pago. Qual é a sua opinião?
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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