Pessoal, como prometido, sábado é o Dia do Leitor. Hoje trago um breve relato enviado por Noëlle François, que, com José Carlos Barbagli (na foto acima), formou a primeira equipe brasileira a participar da Gore-Tex TransAlpine Run, uma corrida-monstra nos Alpes. Vamos logo ao texto que ela mandou.
A Gore-Tex TransAlpine Run é uma ultramaratona que, ao longo dos seus 233 quilômetros, cruza os Alpes, passando por Alemanha, Áustria, Suíça e Itália. São oito dias de competição árdua, com uma variação de 14 mil metros de altitude, porém todo esse sofrimento é compensado com os belíssimos cenários alpinos.
Devido ao alto grau de dificuldade encontrado nas trilhas, nos trechos atravessados com auxilio de cabos de aço e nas escaladas repletas de enormes pedras soltas, é obrigatório (por questões de segurança) que a competição seja realizada por equipes de dois atletas, podendo ser times masculinos, femininos ou mistos.
A largada acontecia todos os dias pontualmente às 8h e cada equipe tinha até as 18h para completar o percurso do dia. Cada percurso variou de 28 a 42 quilômetros por dia. A grande dificuldade estava em vencer as elevações de altitude, a dor e o cansaço que iam somando dia a dia, o que tornava uma etapa algo nem sempre confortável.
A organização, sempre de prontidão, contava com um time de ortopedistas, médicos, fisioterapeutas e massagistas _além, é claro, de um jantar de massas ao final de cada etapa.
Com dias ensolarados e a sorte de não chover, os atletas enfrentaram todo tipo de desafio ao longo do percurso. As maravilhosas paisagens dos Alpes, com suas geleiras permanentes eram os pontos altos da prova.
As pedras pelo caminho eram um dos grandes obstáculos a serem enfrentados, sem falar, é claro, dos problemas de enjôo causados pela altitude, bolhas nos pés e dores por toda parte.
Essa competição, que aconteceu de 2 a 9 de setembro, contou pela primeira vez com a participação da equipe brasileira _José Carlos Barbagli (nove vezes Ironman Finisher) e Noëlle François (quatro vezes Ironman Finisher), da Academia Dandy Sports. Eles fizeram um tempo total de 55h43min, ficando em 29º lugar entre as 41 equipes mistas. A Gore-Tex TransAlpine Run neste ano de 2006 contou com 117 equipes.
Tudo azul para a Samsung 10K Corpore São Paulo Classic, que acontece na manhã deste domingo. A Corpore pagou a taxa de R$ 24 mil cobrada pela CET para liberar ruas e prestar serviços de apoio à prova. Portanto, a corrida não está mais sob ameaça.
Segundo o vice-presidente da Corpore, Octávio Aronis, a entidade recebeu nesta semana uma notificação advertindo que, se a taxa não fosse paga, a CET suspenderia o apoio.
Mas agora, como disse Roberto Scaringella, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego, que cuida do trânsito paulistano, "está tudo resolvido".
Na verdade, não é bem assim. Para domingo, tudo está mesmo ok. Mas essa não é a única pendenga entre Corpore e CET.
Há, informa Aronis, uma dívida de R$ 90 mil referente às taxas cobradas pela CET pelos serviços de apoio à meia-maratona realizada em abril deste ano. Scaringella confirmou a inadimplência, mas disse não saber o valor exato nem se há mais do que um caso em aberto.
A cobrança foi contestada pela Corpore e a discussão no plano jurídico está em andamento.
O Garmin Forerunner 305 é um parque de diversões para corredores
e ciclistas que gostam de acompanhar seus treinos em detalhes, com informações
diversificadas sobre o desempenho _velocidade, ritmo, batimentos cardíacos e
percurso realizado são algumas delas.
Nos testes que fiz, ele teve excelente desempenho no que se
refere ao mapeamento do percurso realizado, oferecendo instantaneamente
informações sobre ritmo da corrida, velocidade, batimentos cardíacos etc. Sua
precisão não foi tão boa ao calcular as altitudes, e as informações sobre queima
de calorias no exercício parecem exageradas quando comparadas com índices
geralmente aceitos por especialistas em exercício.
A principal incomodação é ter de ficar aguardando, ao ligar o
aparelho, que ele receba o sinal do satélite. Isso já levou até dois minutos, o
que é uma eternidade quando você está louco para sair correndo pelo
mundo.
Além disso, você não pode esquecer de, na noite anterior,
verificar a bateria, que tem duração estimada em dez horas. Se for o caso, é
preciso colocá-la para carregar. Para isso, você encaixa o relogião num suporte
que tem uma porta mini-USB na qual você liga o fio para conectar o aparelho ao
computador ou ligá-lo à tomada.
Uma vez pronto para o trabalho, o aparelho deve ser
personalizado com as informações do usuário: sexo, data de nascimento, peso e
freqüência cardíaca máxima. Daí é hora de personalizar as telas com as
informações que você deseja receber instantaneamente durante seu treinamento. Há
três telas, que podem ser subdivididas em até quatro janelas.
Mesmo com a subdivisão máxima, os números com os resultados
aparecem de forma bem legível; já os letreiros com o nome das variáveis são
muito pequenos, difíceis de ler na corrida. Isso não chega a ser um problema,
pois com dois ou três treinos você já terá decorado os campos de dados que
escolheu para cada tela.
O cardápio tem quase 40 opções. Só de tempo, por exemplo, há o
tempo da volta, o tempo da última volta, a média das voltas, o tempo parado e a
hora do dia, além do tempo total de exercício. Para acompanhar a freqüência, há
também vários indicadores.
Depois do treino, você conecta o 305 ao computador, e os dados
dos treinamentos são inseridos no Garmin Training Center _software incluído na
caixa_, que mostra as informações em tabelas e gráficos. Aliás, para alguns
tipos de treino, o aparelho oferece um parceiro virtual contra quem você
compete.
E as diversões ainda não terminaram. Se desejar, você pode se
cadastrar gratuitamente no MotionBased, um serviço que recebe interpreta os
dados do GPS. Com base neles, também cria telas com outras informações e _o mais
legal de tudo_ casa seu percurso com imagens de satélite no Google Earth (que
você precisa já ter instalado em seu computador).
O Forerunner
305 é caro no Brasil, acima de R$ 1.400, mas o preço é
compatível com o de aparelhos de outras marcas com funções semelhantes. Se você
tiver oportunidade de comprá-lo pela internet ou em uma viagem ao exterior,
aproveite, pois sai muito mais barato.
A supercampeã Tegla Loroupe, a sorridente senhora da foto acima, é dona das melhores marcas mundiais para uma hora, 20, 25 e 30 quilômetros, ex-recordista da maratona (2h20min43 em Berlim, 1999) e também uma ativa militante pela paz mundial -especialmente, pela paz em sua terra natal, o Quênia.
No sábado passado, ela realizou mais uma de suas corridas pela paz, eventos que a Fundação que leva seu nome organiza no país desde 2003 e também no Sudão e em Uganda.
Centenas de guerreiros de tribos rivais depuseram armas, pelo menos naquele dia, e disputaram em paz a prova de 10 km em Kapenguria, no noroeste do país.
A região é sangrada por conflitos intertribais em que o gado é o pomo da discórdia. A própria família de Tegla Loroupe foi atingida _um primo dela foi morto por ladrões de gado há 20 anos.
As corridas ganham significado cada vez mais importante para a comunidade e para as vidas de alguns guerreiros. Há dois anos, Mark Lokitare, da tribo Pokot, trocou seu rifle AK-47 por um par de tênis. Ele acabou se tornando um herói da comunidade, chegou a falar perante as Nações Unidas e teve um encontro com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
No próximo ano, a grife Tegla Loroupe de corridas pela paz vai ganhar a Europa. Uma prova de 10 km que vem sendo realizada há 33 anos na pequena cidade italiana de Navazzo mudará de nome para entrar na campanha pacifista-corredora que a grande campeã queniana lidera.
Leia mais sobre a prova do último final de semana AQUI, em inglês. A foto abaixo é uma cena da corrida no ano passado.
A foto acima mostra a lagoa da Conceição vista do morro de
Ratones, no interior de Florianópolis.
Esse morro é um dos desafios da prova que marca o início do
Circuito de Corridas de Montanha, que terá outras etapas distribuídas ao longo
do ano que vem, sempre com corrridas de 8 km a 12 km. A de
estréia tem 8 km e vai de Ratones à Costa da Lagoa pela através da Trilha da
Costa.
A má notícia é que a prova será realizada neste domingo e as
inscrições vão só até amanhã. Se você tem pique, tempo e dinheiro, parece ser
uma bela opção de fim de semana.
O lugar é superlegal e por isso estou dando a informação. Mas
não sei nada a respeito dos organizadores, a X3 Eventos Esportivos, em cujo
site você encontra mais informações sobre eles e sobre a prova.
Orlando é um sujeito de mil facetas, todas elas muito boas. Ilustrador e chargista, também encontra tempo na sua movimentada vida desenhada para ser agitador cultural e sindical, mobilizando os colegas de pincel e lápis.
De nome completo Orlando Pedroso, é paulistano e nasceu em 1959.
Em 1978, publica pela primeira vez, já na época da abertura política, no jornal oposicionista "Em Tempo".
Colabora com a Folha desde 1985 e com revistas como "Veja" e "Você S/A", além de ilustrações e capas para editoras como Moderna, Scippione e Ediouro.
É co-autor do "Livro dos Segundos Socorros", dos grupo Doutores da Alegria, além de ser responsável pela criação de suas peças de comunicação. Em 2002, organiza o livro "Dez na área, um na banheira e ninguém no gol", lançado pela Via Lettera. Prêmio hqmix de melhor ilustrador de 2001 e 2005, presidente do 16º e 17º hqmix em 2003 e 2004.
Faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil, para quem organizou o 2º e 3º ilustrabrasil! em parceria com o Senac Lapa. Participa do grupo de formação das câmaras setoriais de artes aplicadas junto à Funarte.
Acaba de lançar o livro "Moças Finas", com 84 desenhos inéditos.
Saiba mais sobre Orlando e seus trabalhos AQUI e AQUI.
Dessa eu nunca tinha ouvido falar, mas os resultados estão no site da Associação Internacional de Maratonas e o site da prova é bem bacana. Pode valer a pena você colocar em seu calendário do ano que vem.
Trata-se da meia-maratona Quito, Metade do Mundo, cuja segunda edição foi realizada no último domingo na capital do Equador.
Pela qualidade do site e pelas informações lá colocadas, parece ser uma prova bem interessante, basicamente plana (ainda que, como diz o ditado, "quem vê cara não vê coração"). O vencedor de domingo completou a prova em 1h04min59 _para comparação, Franck Caldeira venceu a última meia do Rio com 1h03min25.
A partir do site da prova, você tem acesso a outras páginas de esportes do Equador, abrindo um leque de oportunidades turísticas e esportivas que parecem ser bem legais.
Coloquei tudo no condicional (pode, parece) porque não conheço nada por lá. Se alguém tiver mais informações, mande que a gente publica.
Pessoal, é com grande prazer que trago para vocês hoje a colaboração de uma convidada especial. Veja o que Silvana Arantes nos conta sobre um filme também muito especial. Silvana é repórter e corre atrás de notícias de cinema no caderno Ilustrada da Folha desde 2000. Vamos ao texto dela.
"Corra, Lola, Corra" é um filme de tirar o fôlego. Mas não no sentido tradicional _do nó que aperta a garganta. Aqui, o espectador fica mesmo sem ar de tanto ver Lola correr. Com seus cabelos tingidos de vermelho e suas roupas meio desleixadas, a alemãzinha corre atrás de grana, precisamente 100 mil marcos (o filme é de 1998, anterior ao Euro).
Mas Lola não é uma desvairada por dinheiro. Ao contrário, a moça é do tipo romântica, por mais que sua aparência não sugira isso. Ela tem 20 minutos para reunir o dinheiro e salvar a pele do namorado, Manni.
O cara perdeu essa quantia no metrô. Era dinheiro para um acerto de contas que devia ser feito até o fim daquele dia, com uns caras envolvidos em atividades esquisitas. Moral da história: a vida de Manni está em perigo.
A sacada do diretor Tom Tykwer foi contar essa história com a mesma energia que Lola coloca em sua correria disparada. Quando ela avança muito, o filme vira desenho animado.
Se você ainda não viu "Corra, Lola, Corra" (disponível em DVD, quer dizer, não muito: diz o site da Blockbuster que o produto está ‘esgotado‘ no momento), deve estar se perguntando como uma corrida de 20 minutos foi esticada até virar um filme de longa-metragem. Simples: Tykwer triplicou a história. Fez Lola correr três vezes o trajeto, com obstáculos, soluções e desfechos vividos de maneira diferente em cada um.
O crítico norte-americano Roger Ebert, o mais influente nos Estados Unidos na atualidade, acha que está aí a moral da história: "Os menores acontecimentos podem ter imensas conseqüências. O bater das asas de uma borboleta na Malásia pode causar um furacão em Trinidad. Você conhece o ditado", lembra ele.
O fato é que "Corra, Lola, Corra" chamou a atenção do mundo para o nome do alemão Tykwer, e a de Hollywood para Franka Potente. A moça foi parar nos blockbuster "Identidade Bourne" e "A Supremacia Bourne", novamente vivendo perigosamente por conta de um homem _desta vez, Matt Damon, que, cá entre nós, vale o risco.
Se você perdeu as passadas de Potente em 1998 , corra até uma locadora e boa sorte!
A esta altura vocês já devem ter lido as notícias sobre suspeita de doping do medalha de ouro nos 800 m em Sydney-2000, o alemão Nils Schumann. Também está sob investigação da Federação de Atletismo Alemã o ex-campeão europeu dos 400 m, Grit Breuer.
O doping é uma maldição nas competições, perseguido em todos os esportes, mas também alimentado pelo próprio espírito competitivo e, principalmente, pelos dólares envolvidos na atividade.
Há uma luta sem quartel contra o doping, mas os laboratórios que criam as drogas parecem estar sempre à frente dos comitês antidopagem.
Por isso, há quem defenda que deve ser tudo liberado de uma vez, e que vença o melhor (ou o mais dopado).
Mas os males para a saúde são grandes, como mostra este texto AQUI. Veja também esta pesquisa sobre uso de drogas anabolizantes em um bairro de Salvador.
Morreu em Los Angeles o cineasta Robert Altman, 81, que se notabilizou por filmes críticos ao status quo, de humor mordaz e elegante.
Um de seus grandes sucessos foi "M*A*S*H", que virou série televisiva. "Nashville" também foi muito bacana, entre outros títulos famosos.
Saiba mais sobre ele AQUI, em inglês, e AQUI, em português. AQUI, uma entrevista antiga.
PS.: Espero que você, caro leitor, veloz leitora, não ache que isso não tem nada a ver com corrida. Correr é abrir janelas no mundo e bisbilhotar um pouco sobre tudo.
O Santiago é um dos gênios que o Rio Grande do Sul produziu. Como bom gaúcho, o humorista Neltair Rebés Abreu não se cansa nunca de homenagear a Pátria em que nasceu e dela tirou seu nome artístico, natural que é de Santiago do Boqueirão.
A gente se conhece desde o milênio passado, dos trabalhos nas plagas gaúchas. Santiago, apesar de então já famoso, colaborou várias vezes com publicações da imprensa sindical em que eu militava, especialmente o "Jornal dos Bairros", um mensário da federação de associações comunitárias do Rio Grande.
Seu personagem mais conhecido é o Macanudo Taurino, gaúcho de quatro costados. Mas Santiago tem livros em penca: o mais recente é "Conhece o Mário?", editado pela L&PM, que todo mundo deve ir procurar correndo. Para saber mais sobre a história e a produção desse artista, clique AQUI.
Neste Dia da Consciência Negra, é bom a gente pensar um pouco sobre o racismo que ainda grassa em nosso país, nas mais diversas atividades e até entre os sem-atividade.
Reportagem publicada no sábado passado na Folha mostrou que mais da metade dos desempegrados no Brasil são negros, apesar de serem minoria na população economicamente ativa, segundo estudo do IBGE (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Quando conseguem emprego e estudo, os negros também ficam para trás, destruindo o mito da ascensão social pela educação, como mostra outra reportagem da Folha.
E viceja nos campos esportivos como erva daninha. É impressionante ver a raiva racial nos gritos de guerra nos campos de futebol. O hino da Alma Castelhana, uma das torcidas organizadas do meu querido Grêmio, é um poço de preconceito. Essa vergonha também diz presente em outras organizadas.
O atletismo e as competições foram usados ao longo da história para sustentar ou difundir mitos racistas e chauvinistas. Todos se lembram da humilhação que o negro norte-americano Jesse Owens impôs a Hitler na Olimpíada de 36, mas os Estados Unidos estão longe de serem bastiões da luta contra o racismo, como sabemos.
Para refrescar a memória, vejam este trecho de texto sobre os Jogos de 1968, no México, publicado pela revista "IstoÉ": "A delegação norte-americana era dividida em duas: brancos e negros. Durante a cerimônia de premiação, dois atletas negros norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, que conquistaram respectivamente as medalhas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, subiram ao pódio com luvas pretas e levantaram o punho esquerdo fazendo a saudação clássica do movimento radical Black Power. O Comitê Olímpico Internacional (COI) expulsou-os sumariamente da Vila Olímpica. Mesmo com a advertência, outros atletas deram continuidade à manifestação nos dias subseqüentes como, por exemplo, os três atletas negros Lee Evans, Larry James e Ronald Freeman, que subiram ao pódio com boinas pretas na cabeça.
O suposto domínio de uma ou outra "raça" em alguns esportes também dá vazão ao surgimento de teses racistas, disfarçadas sob um cientificismo de baixo coturno. A revista "Veja" tratou do assunto ao analisar, no ano 2000, um livro que procurava explicar o que a genética tem a ver com a supremacia dos africanos e seus descendentes nos esportes. O autor continua falando o quer na internet, apesar de a tese ter sido reduzida a pó por diversos outros estudos. Leia, por exemplo, "Será que a genética determina o campeão?".
Nas ruas, a luta contra o racismo continua. E também nas corridas. Nos Estados Unidos, há várias "race agaist racism", como ESTA e ESTA. Em São Paulo, será realizado no próximo domingo o quinto Troféu Zumbi dos Palmares. É bem verdade que o nome do patrocinador colocou no ostracismo a homenagem, que aparece em caracteres minúsculos no material de divulgação. Mas, pelo menos, é uma lembrança.
Se você ficou inspirada pela maratona feminina de Tóquio, realizada neste domingo no Japão, leia a seguir duas dicas de corridas de 42.195 metros para mulheres no ano que vem.
A polícia de Sacramento, na Califórnia, fará uma prova para apenas 500 corredoras, em abril do ano que vem. Pelo limite restrito, é bem posssível que as inscrições acabem logo. A corrida chama-se City of Trees Women’s Marathon. Há uma outra prova de nome semelhante, mas para homens e mulheres, em Idaho. O organizador da dita cuja mandou mensagem para a polícia de Sacramento reclamando da coincidência.
Mas o maior evento do gênero deve ser a corrida promovida pela Nike em San Francisco. A festa, que inclui maratona e meia-maratona, teve quase 12 mil participantes neste ano. Na maratona, participaram 3.960 mulheres e 252 homens. Em 2007, será realizada no dia 21 de outubro.
Deliciem-se agora com um texto de Daniel Castro, 39, colunista da Folha, onde escreve sobre televisão diariamente. Corre e nada há vários anos, mas é novato em provas. A primeira foi em abril deste ano. Numa equipe formada por colegas aqui do jornal, ele correu na manhã de hoje a maratona de revezamento Ayrton Senna Racing Day.
A chuva da madrugada de ontem frustrou um fabricante de filtro solar que montou tenda no autódromo de Interlagos. Mas foi uma dádiva para os participantes da terceira Ayrton Senna Racing Day, maratona de revezamento. Sem a chuva, provavelmente milhares de pessoas teriam fritado no asfalto do autódromo de São Paulo.
A Ayrton Senna Racing Day reuniu equipes de dois, quatro e oito corredores, que percorreram ao todo 42,2 km dando oito voltas no circuito de Interlagos. As equipes largaram dos boxes e seguiram em sentido anti-horário, como nas corridas. Logo de cara, há uma descida de quase um quilômetro, pela reta oposta, e quase no final, antes da reta dos boxes, há um bom trecho de subida em pista inclinada. Muita gente abre o bico nesse trecho. Alguns param de correr e simplesmente andam. As corridas em Interlagos são consideradas duras.
Fui o segundo a correr pela equipe da Folha, de oito pessoas. O asfalto ainda estava bem molhado, mas já não chovia desde as 6h30 da manhã. Como foi minha segunda vez em Interlagos, fiz uma corrida sem surpresas. Segurei um pouco o ritmo na descida da reta oposta, para não maltratar muito a perna direita, que doía um pouco. O asfalto molhado pesava um pouco, mas nada que atrapalhasse. Passei sem qualquer trauma (e sem ser ultrapassado por ninguém) pelo subidão que vai dar nos boxes e aumentei o ritmo na reta final. Terminei os 5.270 metros que me cabiam em mais ou menos 25 minutos (o resultado oficial ainda não foi divulgado) com gosto de "quero mais". Se pudesse, repetiria o trajeto.
Nossa equipe participava de uma disputa à parte, a dos jornalistas. No ano passado, a Folha ficou em segundo lugar, atrás do jornal "Valor Econômico". Neste ano, nem nós, que levamos quase quatro horas para completar a prova, nem os colegas do "Valor" subimos ao pódio. A equipe campeã foi a da TV Record, que completou a prova em 3h24min39, segundo resultado não-oficial. Depois veio a F1 Racing, publicação especializada em Fórmula 1.
As corridas em Interlagos costumam ser bem organizadas. Desta vez, no entanto, faltaram banheiros no início da prova. Filas se formaram em frente aos horrendos banheiros químicos dispostos atrás dos boxes. Mais tarde alguém teve a brilhante idéia de abrir os toaletes dos boxes e as filas sumiram.
Um patrocinador montou camarote em dois boxes do autódromo. A ginasta Daiane dos Santos foi o destaque, mas um painel do homenageado do dia, Ayrton Senna, num boxe ao lado, foi muito mais requisitado para "rechear" as fotos dos corredores.
No camarote, havia até autorama (no qual o publicitário Washington Olivetto brincou um pouco) e sorvete fino, mas faltaram frutas. Moça do tempo, repórter e apresentadora da TV Globo, a jornalista Flávia Freire chamava a atenção no espaço carente de VIPs. Ainda com o número de peito (323-6), Flávia contava que era sua primeira corrida em Interlagos. "Depois da última subida, a sensação é de que não acaba nunca", disse, pouco antes de acenar para o colega de TV Globo Carlos Tramontina, que encerrava a penúltima volta da equipe de globais. A moça do tempo fez um bom tempo (para os parâmetros de atletas-jornalistas, é claro): 31 minutos.
Lá fora, a corrida continuava. Já era quase meio-dia e, apesar do calor, estava agradável devido à ausência do sol _que afugentou os corredores do estande da marca Copertone, que apresentava um novo protetor solar. Ayrton Senna, o homenageado, foi lembrado no pódio, nos cartazes, numa exposição de fotos e na chegada dos campeões, saudados com o "Tema da Vitória".
As corredoras estrangeiras não tiveram chances na Tokyo International Women’s Marathon, realizada neste domingo no Japão. Até o quilômetro dez a bicampeã da São Silvestre Olivera Jevtic ficou pau a pau com as líderes japonesas, que a partir dali foram se distanciando aos poucos, segundo a segundo.
Na metade da prova, a ex-recordista mundial Naoko Takahashi estava na mesma passada de Reiko Tosa, que foi terceira em Boston em abril passado, com 2h24min11. Takahashi ainda suportou a disputa até o km 30, mas sucumbiu. Tosa (foto), mais jovem, mais alta e mais leve, tomou conta do pedaço e foi sozinha até o final, fechando com 2h26min15.
Akemi Ozaki, 29, que vinha na espreita, aproveitou a degringolada da ex-recordista depois do km 35 e chegou ao km 40 já na segunda posição, que manteve até o final.
Veja abaixo uma ilustração do percurso da maratona em Tóquio.
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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