De despedida do ano e de olho no recomeço, deixo com vocês a poesia do gaudério Mario Quintana, um gaúcho que conhece a alma do mundo como o Minuano que ronca no Pampa. A palavra do poeta é esta:
"Lá bem no alto do décimo-segundo andar do Ano
Mora uma louca chamada Esperança:
E quando todas as buzinas fonfonam
Quando todos os reco-recos matracam
Quando tudo berra quando tudo grita quando tudo apita
A louca tapa os ouvidos
e atira-se
– Ó miraculoso vôo!
–Acorda, outra vez menina, lá embaixo, na calçada.
O povo aproxima-se, aflito
E o mais velhinho curva-se e pergunta:
- Como é o teu nome, menininha de olhos verdes?
E ela então sorri a todos eles
E lhes diz, bem devagarinho para que não esqueçam nunca:
Num verdadeiro passeio no parque, o mineiro Franck Caldeira não tomou conhecimento dos adversários e venceu com tranqüilidade a São Silvestre, corrida sob forte chuva. Como sua conterrânea Lucélia Peres, rompeu a fita na Paulista mandando beijinhos para a galera. Os dois mineiros, por sinal, já haviam vencido este ano outra prova da Globo, a Volta da Pampulha, em Belo Horizonte.
Como na prova feminina, os verdadeiros contendores desceram a Consolação economizando. Caldeira avançou na entrada do elevado: na metade da alça de acesso ao Minhocão, tomou a liderança. Foi acompanhado, no elevado, por Ubiratan José dos Santos, atleta especialista em distâncias menores, e já desceu a avenida Pacaembu isolado na frente.
A partir de então, tratou de aumentar a distância, enquanto a disputa pelos postos secundários rolava, esta sim, forte, dois quarteirões atrás do mineiro. No km 10, Paulo Alves enfim deu o bote no angolano João Ntiamba, veterano de cinco olimpíadas, e assumiu o segundo posto com ares de quem ia fungar no cangote de Caldeira.
Não durou muito a esperança. Alves tratou de garantir seu posto, revezando-se com o adversário, mas sempre dominando o angolano e o colombiano Javier Guarin, que acompanhava a dupla.
Quando faltavam cerca de mil metros para o final, um pouco depois do viaduto que passa sobre a Brigadeiro, dá-se a surpresa: um bólido vem bagunçar a tranqüilidade estabelecida. Como se estivesse a 50 metros da chegada, o baixinho Clodoaldo Gomes da Silva ataca os estrangeiros, encosta no já cansado Paulo Alves e toma-lhe a frente sem dar a menor chance para sequer um esboço de reação.
Clodoaldo subiu a Brigadeiro como rei da montanha. Parecia querer mais chão para ter tempo de alcançar o distante líder. Mas as imagens de seu rosto, já na Paulista, mostraram que não era assim. Ele lutou e conseguiu manter o segundo posto conquistado com galhardia, mas uma distância maior talvez fosse mais favorável a Paulo Alves. Nunca saberemos, pois o que vale é o feito.
Caldeira, que fechou inconteste em 44min06, recebeu os dois compatriotas, que completaram mais um pódio totalmente brasileiro. A seguir, o garoto mineiro falou para o país, mostrando seu farto e limpo sorriso (registrado aqui na foto de Rogerio Cassimiro/FI). Contou sua emoção, agradeceu ao técnico e à família, mas se deixou entusiasmar pela vitória: "Na falta do Marílson, eu tive de carregar o Brasil nas costas".
O povo da Globo cometeu vários erros na transmissão, talvez pelo cansaço de duas São Silvestre em seqüência. Um dos quadros mostrando os líderes apareceu com o nome de Ubiratan no segundo e no quinto postos, tumultuando a transmissão. E, no final, o narrador chamou Caldeira de Marílson, para ficar só nisso.
Mas tudo bem, só quem já fez sabe como é difícil uma transmissão ao vivo. E a galera se diverte. Por sinal, fiz uma eleição privada para escolher os melhores recados do povão. Logo no início, alguém conseguiu colocar em frente da câmera um cartaz rabiscado: "Sandy, eu te amo!". Para ficar no romantismo, outro sujeito declarou em uma faixa que erguia com os dois braços: "Eu amo minha sogra" (Parece aquela música que diz: "Ana Cristina, eu não gosto de você, eu estou apaixonado pela sua mãe). Não posso deixar de registrar a placa que anunciava "Sou gaúcho, tchê". E, pelo tanto que falaram nela, a faixa mais apreciada pelos globais foi a que dizia: "Devo, não nego. Pago se ganhar a São Silvestre". Então tá.
A tricampeã da Pampulha fez valer nas ruas de São Paulo a maturidade que conquistou ao longo deste ano. Dominou a São Silvestre, surpreendeu-se com a chegada de Ednalva Laureano no km 10, mas soube manter o equilíbrio, garantir a liderança, ampliar a distância, administrar a dor e abrir o sorriso quando viu que a Paulista era dela.
Com a alta temperatura mais baixa do que o esperado, ela fez, sim, menos de 52 minutos, rompendo a fita em 51min23, mandando beijinhos para a galera.
Desta vez, não houve quebra nem desmaio (como na meia do Rio). Lucélia, que já tinha sido a segunda colocada na principal corrida brasileira, ficou no segundo pelotão pelos primeiros quilômetros. Guardava-se enquanto a turma se desgastava na descida da Brigadeiro. Foi para a frente no Minhocão e ali ficou, cozinhando o galo, ao lado da queniana Jane Kibii. Nessa altura, por sinal, Ednalva estava quietinha mais atrás, numa boa.
Mais dois quilômetros e tudo está diferente. Lucélia está solita, e a Pretinha, como é conhecida a corredora da Paraíba, vem atrás com a passada leve e elegante que a caracteriza. No km 10, encosta na líder, chega a ficar na frente uns poucos metros, mas a mineira, mais jovem, mais alta e aparentemente mais forte, recupera o terreno perdido e já passa pelo Municipal como quem corre para os louros da vitória.
É quando a queniana Pamela, anunciada desde o início como a mais perigosa da esquadra africana e marcada desde a saída por Marily dos Santos, arremete. Será que vai tentar o bote na Brigadeiro, aguardando a quebra das brasileiras?
Podia ter até pensado nisso, mas Lucélia e Ednalva estão em outra dimensão. No posto de água da Brigadeiro, Lucélia bebe um pouco, joga água sobre o rosto, atira mais água nas pernas e segue impávida. Pouco depois, Ednalva, que parecia muito tranqüila e prestes a disparar para tentar uma disputa exatamente na parte mais difícil da subida, revela um cansaço que o telespectador não tinha percebido: olha para trás, preocupada com o avanço de Pamela (que mais tarde desapareceu....).
Lucélia trata de administrar sem perda de ritmo. Seu rosto já começa a dar mostras de alegria, ela já enxerga a Paulista. Ainda olha para trás, mas Ednalva não significava mais ameaça.
A mineira faz a curva, abre o sorriso, parece dizer: "Esta é minha, daqui ninguém me tira!". De fato, ela vai embora para romper a fita, mandar seus beijos para a galera, ser recebida pelos microfones da Globo, dividir a vitória com a família e o técnico e destrancar a alegria que segurava no peito: "Finalmente, chegou o meu dia".
Parecendo respeitar aquele momento, Ednalva chegou quase meio minuto depois, com a mesma fisionomia serena que estampou na prova e trazendo em mãos a bandeira de sua orgulhosa e valente Paraíba.
A reunião dos técnicos da elite dos corredores de rua do país pode gerar uma nova força no atletismo brasileiro. Apesar de eventuais diferenças entre eles, ao que parece o grupo que se reuniu ontem no hotel em que ficou a elite da São Silvestre, no centro de São Paulo, conseguiu chegar a um denominador comum. Um dos participantes, com mais de 40 anos de rodagem na área, disse que nunca vira um encontro daqueles acontecer.
O documento com as reivindicações do grupo será mandado às entidades nacionais de atletismo e às empresas que organizam corridas de rua no país. Não sei exatamente o texto final, mas envolve, como já disse antes, exigência de mais respeito e consideração aos atletas brasileiros e a suas equipes, com tudo que isso representa, de tratamento na prova a pagamento com regras claras.
Participaram da reunião: Edilberto Barros (técnico de Lucélia Peres) e João Sena (treinador de Marizete Moreira dos Santos), ambos de Brasilia; Gilmário Mendes, treinador da Marily dos Santos e colaborador eventual deste blog, da Bahia; Filé, treinador de Márcia Narloch, e Henrique Vianna, treinador de Franck Caldeira, do Rio de Janeiro; Adauto Domingues (treinador do Marilson), Claudio Castilho (presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo), Marco Antonio de Oliveira, Nelson Evêncio e Danilo Balú (os três também colaboradores eventuais deste blog), de São Paulo; Minardi (do Cruzeiro), dr. Roberto/Leone, de Minas Gerais; Josa Moral (treinador de Ednalva Laureano), da Paraíba; Daniel, do Recife; Valmir Nunes (maior ultramaratonista brasileiro e treinador de Sirlene Pinho), de Santos, e Maria Domiciano.
O grupo dediciu realizar encontros anuais nos 10 km da Tribuna de Santos, no Trofeu Brasil e na São Silvestre. Além disso, os técnicos prometeram manter contato permanente por e-mails. E já foi agendado o primeiro encontro entre o grupo e a Yescom, que organiza a São Silvestre e demais provas transmitidas pela Globo.
Bem, tomara que isso venha mesmo a significar melhorias para a elite.
O que eu gostaria de saber é se os técnicos da elite pensam também nos corredores amadores. Afinal, vários dos participantes da reunião dirigem grupos de gente comum, que somos os que mais sofremos com a falta de organização e de respeito nas provas. Como vocês viram em outro texto que coloquei no blog, os corredores mais lentos somos os que mais sentimos, por exemplo, os efeitos deletérios do calor.
Pergunto ainda se algum dos técnicos de elite já viu o tratamento que o pessoal do caminhão-prego dá aos corredores que fecham a maratona de São Paulo. O espaço deste blog está aberto para que os técnicos da elite comunguem suas idéias e preocupações com os corredores comuns.
Cerca de 50 pessoas participaram na noite de ontem da corrida festiva Sampa Noturna, apesar da chuvarada, das festas e do fato de que vários ainda se preparavam para dizer presente na São Silvestre desta tarde. A turma se reuniu no vão do Masp, na av. Paulista, a partir das sete e pouco da noite.
Quando eu cheguei, lá pelas 19h40, já havia um bom grupo espalhado por ali, entre as grades que seriam usadas hoje na SS, palanques para a televisão e uma turma acampada sob a proteção do prédio. Eles dizem integrar um movimento contra o aumento das passagens de ônibus, mas não cheguei a conversar com nenhum deles.
Por causa da chuva, os planos tiveram de ser revistos na última hora, já que os corredores não poderiam ser acompanhados por ciclistas, como inicialmente estava previsto. Como a segurança teria de ser feita de carro, nada de reviver os românticos primórdios da São Silvestre, quando a prova tinha cerca de metade da distância de hoje e o percurso era invertido: descia-se pela Brigadeiro e sofria-se na subida da Consolação.
A participação no evento foi gratuita. Os organizadores pediram apenas que cada atleta levasse um quilo de alimento (o total arrecadado foi doado para uma obra beneficente). Havia uma camiseta alusiva (boa qualidade e belo desenho), que custava R$ 15, mas seu uso não era obrigatório (eu, por exemplo, corri com a minha regata dos Marathon Maniacs). Vários de nós usamos algum sistema individual de iluminação _um corredor, mais experiente em trechos noturnos, parecia uma árvore de Natal.
Com toda essa confusão, o início atrasou por cerca de meia hora, mas enfim saímos a passo, atrás do primeiro carro de apoio (outro fecharia o comboio e havia mais um ou dois acompanhando). Pela Paulista, fomos todos mais ou menos em bloco, mas, mal chegamos à Consolação, os corredores se agruparam em basicamente dois grandes grupos, os mais rápidos e os mais lentos. E havia também uma meia dúzia de gatos pingados não tão rápidos, mas não tão lentos, na qual se incluía este que vos fala. Calculo que o cortejo ocupasse mais de cem metros, contando as lacunas entre os diversos grupos.
Para mim, a descida da Consolação foi complicada, procurando não escorregar e tentando fazer com que as costas não doessem. Tinha de aproveitar a diversão, conversar com os amigos e saudar motoristas e transeuntes que nos cumprimentavam.
No viaduto do Chá, fizemos uma parada para confraternização, água e fotos do grupo. Depois, enfrentamos a pior subida do percurso, a traiçoeira Líbero Badaró e o tradicional largo de São Francisco. Ali fomos saudados por um grande grupo de moradores de rua que se escondia na chuva nas marquises dos prédios em frente às vetustas Arcadas.
Finalmente, Brigadeiro. Foi um cada-um-por-si, pois o acompanhamento pelos carros da segurança tornou-se muito complicado no corredor de ônibus. Alguns seguiram pelo asfalto, outros pela calçada. Eu fui pulando de um lado para outro, conforme me parecesse mais seguro.
Num zás-trás, estávamos na Paulista, encharcados e satisfeitos, correndo para o final do treino de pouco mais de sete quilômetros. Ainda ganhamos bebida isotônica gelada e um simpático kit, com minipanetone, torrone e outras guloseimas. Mas o melhor foi a promessa de que no ano que vem tem mais.
Oi, galera, não sou treinador nem nada, mas não posso deixar de meter minha colher torta no dia daqueles que vão correr a São Silvestre.
Iniciantes e veteranos, vocês já fizeram tudo o que tinham de fazer, agora é só tratar de não meter os pés pelas mãos que todos vão chegar à Paulista felizes e vitoriosos.
Se os debutantes conseguiram dormir à noite, ótimo. Se não, procurem descansar o resto do tempo até a hora decisiva.
O mais importante para todos, agora, é cuidar da alimentação e da hidratação. Sei que água não é cerveja, mas fiquem bebericando esse tal de líquido insípido, inodoro e incolor até pelo menos uma hora antes de sua refeição principal (que deve ser por agora para as mulheres).
Não abusem na hora da dita cuja (a refeição principal). Ouçam o que dizem e repetem sempre os mais famosos nutricionistas do país e deixem a esbórnia para depois da prova. Uma hora antes do início da corrida, comam uma banana ou uma barra de cereais, tomem mais água e vão em frente, que a glória os espera.
Quanto a mim, tomo emprestado o bordão do Macaco Simão: "Vão indo que eu não vou".
Feliz São Silvestre. E mandem notícias contando como foi.
Poucos se lembram, mas um dos componentes da São Silvestre é a tal da "São Silvestrinha", que foi criada em 1994 para abrir espaço para a criançada participar do evento. Tal como a São Silvestre, a prova para a petizada acontece na parte mais quente do dia e nem sempre é pautada pela boa organização. No almoço dos técnicos da elite, hoje, vários comentaram o sofrimento a que a petizada foi submetida na tarde de ontem, na pista de atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera. Ao todo, houve provas para dez categorias divididas por idade e distâncias, começando aos seis e indo até os 15 anos, sempre com meninos e meninas. Sobre o evento, recebi e publico mensagem que nossa leitora e colaboradora eventual Claudia Aratangy enviou à organização da prova. Leiam o que diz essa corredora, mãe e educadora indignada.
"Estive ontem no Constâncio para acompanhar meus filhos de seis e 12 anos para participarem da competição e acho um absurdo que vocês estejam satisfeitos com a organização da prova. Logo se vê que vocês nada entendem de organização, nem de corridas e muito menos de crianças!
"As crianças foram obrigadas a passar horas em espera sem ter absolutamente nada para fazer além de ouvir as barbaridades proferidas em alto e bom som pelo Cristiano e o Chicão (da FPA). Só para ilustrar algumas das pérolas ditas por eles ao microfone: "Vamos sortear este CD, mas quem não quiser pode levar o kit ‘faça seu filho gay’, que vem até com baby doll" ou "Olha o gordinho, gente!" e ainda "Se não gostar do prêmio, dê para sua sogra!". Isso sem falar em outras brincadeiras grosseiras e desrespeitosas, como a que foi feita com Tainá, a índia xavante que foi tratada por Cristiano como débil mental (aliás, ele é que ficou parecendo débil mental) na sua tentativa de comunicação com ela.
"Chegamos às 13h, conforme solicitado pela organização e tivemos de passar uma hora esperando os portões abrirem para podermos entrar com as crianças. Lá, eles tiveram de esperar mais uma hora, sentados e quietos sem nada para fazer.
"O tempo entre as primeiras baterias (justo das crianças mais novas) foi o mais demorado. Meu filho mais velho só correu às 19h. Nesse tempo todo, a única "atividade" oferecida foi o ininterrupto besteirol dos detentores dos microfones e, claro, música alta. A sorte nossa foi que o sol não estava dos mais fortes. Caso contrário, o risco de termos casos de insolação seria bem alto. Ah, e claro, não havia nada além de sorvete e outras tranqueiras para se alimentarem. Meu filho mais velho ficou morto de fome.
"Assim, fica difícil estimular as crianças a gostar de corrida! Eles ficaram irritados, cansados e famintos!
"Muitas pessoas vieram de outras cidades e até de outros Estados. Algumas, de origem bastante humilde, para quem esta viagem é um sacrifício É um desrespeito com todos. Infelizmente, poucas se sentem no direito de reclamar.
"E não vamos nem comentar a São Silvestre. O fato de a prova estar perdendo suas estrelas de primeira grandeza já fala por si só."
Márcia Narloch pode até não ganhar amanhã, mas hoje ela recebeu muitas atenções no saguão do hotel da elite da São Silvestre, no centro de São Paulo. Várias pessoas destacavam o que pode ser considerado cabeleira na atleta, que costuma manter tosadinhos seus cabelos.
Não dá para dizer que ela está de cabelos compridos, se você a comparar, por exemplo, com a tricampeã da Pampulha Lucélia Peres, mas o fato é que a catarinense está deixando as melenas crescerem. E atrai elogios.
Os técnicos da elite não se cansam de comparar o tratamento dado a seus atletas por algumas provas brasileiras, notadamente as organizadas pela Yescom, com quem estão em conflito, e as atenções recebidas em provas no exterior.
Falam, especialmente, da badalação na maratona da Disney, que oferece alta exposição aos atletas, que costumam receber do bom e do melhor.
Assim também foi o tratamento dado a Márcia Narloch pela maratona de Berlim neste ano. "E olha que ela não corria a prova havia 16 anos", destaca Filé, o técnico da atleta. Segundo ele, como a catarinense foi quinta colocada em terras germânicas, no ano que vem pode até vir a receber cachê "para largar" _referindo-se a uma bolsa pela simples participação.
Acabei de voltar do hotel onde estão hospedados os atletas de elite que vão participar da São Silvestre. Quando saí, os técnicos da elite estavam começando uma reunião para tentar fechar uma posição conjunta para apresentar à Yescom, que organiza a principal corrida brasileira e também as chamadas "provas da Globo", como a meia do Rio e a maratona de São Paulo.
Durante o almoço, antes da reunião, os técnicos alinhavam sua plataforma básica, que tem como um dos pontos o estabelecimento de regras claras e prazos menores para o pagamento dos prêmios aos vencededores das corridas de rua no país. Eles também querem a manutenção do pódio até o quinto colocado, além de pagamento das despesas dos atletas de elite.
A reclamação dos técnicos e dos atletas vai muito além da compensação financeira. Tratamento mais respeitoso e digno aos corredores é uma exigência fundamental. "O atleta não pode ser tratado como rês", resumiu um treinador.
Para Thadeus Kassabian, da Yescom, o fato de a São Silvestre não pagar cachê nem as despesas dos atletas de elite é compensado pela visibilidade na mídia: "A São Silvestre é um trampolim de estrelas. O atleta que ganha tem um upgrade na carreira, na vida, a possibilidade de virar ídolo", disse ele ao site Gazeta Esportiva.
Mais tarde eu conto o resultado oficial da reunião, se é que vai sair alguma plataforma comum. Pois, como vocês podem imaginar, entre os técnicos também há divergências e arestas, ciúmes e troca de farpas.
A Associação Internacional de Federações de Atletismo acaba de
publicar o seu balanço do ano nas corridas de rua.
Foi uma bela temporada ano para a maratona e para a
meia-maratona, na avaliação da entidade. Nada menos que sete atletas correram os
42.195 metros em menos de 2h07 -em 2005, apenas Haile Gebrselassie fizera uma
prova nessa marca. Por sinal, o etíope mandou ver e promete ir buscar o recorde
de Paul Tergat no ano que vem. Neste ano, contentou-se em estabelecer a melhor
marca da temporada: 2h06min52.
Correndo por resultados, o queniano Robert K. Cheruiyot
(foto) foi outro destaque do ano, com suas vitórias em Boston e Nova York
em Berlim. Por sinal, lidera a disputa pelo Grand Slam das maratonas
internacionais. E o rol dos mais rápidos também cresceu: 37 atletas correram a
prova abixo de 2h09, contra 29 na temporada anterior. Mas a marca não chegou a
bater a de 2003, quando 51 atletas fizeram a maratona em menos de
2h09.
Bem, a IAAF não falou, mas eu aqui lembro que a surpresa do ano
foi a vitória do brasileiro Marilson em Nova York. Pegou todos eles com as
calças na mão...
Na meia-maratona, de novo o rei da cocada preta é Gebrselassie,
33, que bateu o recorde da prova mal o ano começou, sendo o primeiro homem a
correr a distância em menos de 59 minutos: 58min55 foi a sua marca. No total,
sete atletas completaram a meia em menos de uma hora. O ano também teve maior
quantidade de bons desempenhos que o anterior: 24 corredores fizeram a prova em
menos de 61 minutos, contra 19 em 2005.
Para saber mais detalhes, visite a página de
balanço da IAAF, que também traz os rankings
detalhados.
No balanço feito pela IAAF, a grande vitoriosa do ano foi a holandesa Lornah Kiplagat (nascida no Quênia), que conquistou o Mundial de corridas de rua em outubro. Ela estabeleceu lá um novo recorde mundial para a distãncia de 20 km: 1h03min21, que lhe valeu um bônus de US$ 50 mil.
Segunda naquela prova, a romena Constantina Tomescu, 36, igualou o recorde europeu para 15 km, que era da própria Kiplagat (47min10).
Na meia-maratona, o melhor tempo do ano foi da veterana Edith Masai, do Quênia, que aos 39 anos correu 1h07min16 em Berlim.
A maratona viveu um ano menos empolgante por causa da ausência de Paula Radcliffe, que está prestes a ter seu primeiro filho (o parto está previsto para sexta-feira próxima). Mas três corredoras abriram caminho nas top 10 de todos os tempos: Deena Kastor, dos EUA, com 2h19min36 em Londres, a chinesa Zhou Chunxiu (2h19min51 em Seoul) e a elegantérrima etíope Berhane Adere (foto), que marcou 2h20min42 em Chicago.
No balaço geral, porém, 2006 não se destaca entre os outros deste novo século: o décimo tempo (2h23) e o centésimo (2h31) são os mesmos de todos os anos do milênio.
Veja detalhes do balanço feito pela IAAF e links para os rankings do ano AQUI.
Os mais rápidos participantes da São Silvestre são também os que consideram ter a mais baixa qualidade de vida e os que têm o mais baixo índice de escolaridade, revela tese de doutorado apresentada pelo médico Joel Tedesco à Faculdade de Medicina da USP.
A tese é resultado de entrevistas feitas com 962 atletas que participaram da São Silvestre em 2002. Eles foram divididos em cinco grupos, de acordo com o seu desempenho (o grupo 1 era o dos corredores que completaram a prova em até 1h09min56, no masculino, e até 1h19min56; o grupo 5 ia de 1h44min08 a 2h57min02 no masculino e de 1h56min44 a 2h24min26 no feminino).
Os pesquisadores tiraram várias medidas (peso, altura, circunferência da cintura etc.) e fizeram um questionário para medir sua percepção de qualidade de vida e seu grau de satisfação com a vida que levavam. Com isso, Tedesco conseguiu montar um perfil dos corredores pesquisados. Vejam a seguir o que diz a tese, que foi aprovada em outubro passado e publicada no site da USP (AQUI) há pouco mais de dez dias.
"Os corredores mais velozes da amostra masculina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de estatura; d) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; e) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; f) o mais baixo valor da média de circunferência do quadril; g) o valor mais elevado da média de número de sessões de treinamentos semanais; h) média de nove anos de treinamentos regulares; i) o menor valor da média de idade; j) níveis de escolaridade entre fundamental e médio; k) média de 31 anos de idade.
"As corredoras mais velozes da amostra feminina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; d) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; e) o maior valor da média de número de sessões de treinamentos semanais; f) média de sete anos de treinamentos regulares; g) o menor valor da média de idades; h) nível de escolaridade médio; i) média de 30 anos de idade."
O horário da São Silvestre é um fator de risco para os
corredores e uma ameaça para as marcas. Hoje, a campeã pan-americana da
maratona, Márcia Narloch, afirmou que, por causa da hora da largada, é quase
imposssível cair o recorde da prova feminina. "Ninguém vai
conseguir correr abaixo dos 52 minutos", disse a catarinense tricampeã da
Maratona de São Paulo, referindo-se á disputa no feminino. Na prova masculina,
José Telles, campeão da Maratona de São Paulo nop ano passado, disse esperar
correr "45 baixo", enquanto Franck Caldeira (foto) acredita que poderá correr em
menos de 45 minutos.
Mesmo assim, a julgar pelas previsões dos crredores, ninguém deverá
levar o bônus por quebra de recorde oferecido pelos organizadores para atletas
brasileiros. A bolsa é de 50% do valor do prêmio de ganhador. O vencedor da
prova recebe R$ 21 mil, e o prêmio para os brasileiros eventualmente recordistas
está estipulado em R$ 10,5 mil.
No masculino, o recorde é do queniano Paul Tergat, que marcou
43min12seg na edição de 1995. O recorde feminino é de 1993, quando a também
queniana Hellen Kimaiyo cruzou a linha de chegada em
50min26seg.
Bem, o povo da Alemanha, como vocês viram, corre para se divertir e queimar um pouquinho dos excessos da alimentação natalina. Mas eles e todos nós ainda temos muita comilança pela frente. Por isso, convidei a nutricionista Cynthia Antonaccio, da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem-Estar, para dar algumas dicas para você enfrentar a esbórnia. Já vou avisando que ela recomenda "prestar atenção nas quantidades e não abusar...". Bom, vamos ao texto.
1. Álcool:
Bebidas alcoólicas, obviamente, devem ser consumidas em pouca quantidade. São ricas em calorias vazias (em outras palavras: têm calorias, porém não fornecem nutrientes) e seu abuso -que é uso excessivo, porém não continuado- causa o clássico quadro de embriaguez, sonolência, reflexos lentos etc.
O álcool pode prejudicar a absorção de alguns nutrientes, entre eles o ferro e a vitamina C. A fisiologia de alguns hormônios, como o Hormônio Antidiurético, também fica alterada. Este, na presença de bebidas alcoólicas, é inibido e o resultado disso é que a pessoa perde mais água que o habitual (urina mais), o que pode provocar a desidratação.
2. Nos dias de happy hour:
É claro que se haverá um ‘deslize‘ à noite, vale a pena investir em um prato ‘bem comportado‘ na hora do almoço, sem frituras e sem preparações gordurosas. Abuse da salada e dos legumes. Mas evite permanecer em jejum ou comer apenas salada ao longo do dia! Essa atitude só irá aumentar seu apetite e aí fica bem difícil resistir a uma porção de batata frita!
Em bares, sempre prefira porções de bruschetta, carpaccio, provolone (não ‘à milanesa!‘) e lembre-se de intercalar o consumo de bebida com um copo de água.
Uma última dica: faça um pequeno lanche antes de sair. Vale um iogurte light, uma barrinha de cereal, um queijo tipo Polenguinho ou uma fruta.
3. Na ceia:
Quem disse que não é possível ter uma ceia saborosa e saudável?
O que comer? Tente moderar nas quantidades e prefira carnes de aves ou peixes, muita salada verde, frutas, legumes, arroz, o tradicional Panetone (uma fatia), frutas secas (uma colher de sopa). As nozes, pistaches, castanhas e avelãs podem ser consumidas, porém cuidado com as quantidades! Algo em torno de seis unidades está de bom tamanho!
O que beber? Muita água, sucos naturais e até duas taças de vinho ou champagne.
É natural que nos dias de festas haja comilança, mas também é correto retomar práticas alimentares saudáveis logo em seguida. Mesmo com tantas tentações, evite o excesso de gorduras e de carboidratos de alto índice glicêmico (aquele que o organismo transforma em açúcar rapidamente), como açúcar, pão francês, batata, arroz branco, doces. E procure aumentar o consumo de frutas, vegetais, cereais e pães integrais, carnes magras e leite/iogurtes desnatados.
Na Alemanha, como aqui e em quase todo o mundo, os dias 24 e 25 de dezembro são marcados por altas comilanças. Para compensar as quantidades teutônicas de calorias extras, a turma germânica faz uma festa corredística, em que aproveitam para queimar um pouquinho do peso conquistado á mesa. Trata-se da tradicional Corrida da Digestão do Ganso Assado, cuja oitava edição começou às dez da manhã em ponto, no dia 26, no estádio Mommsen, em Berlim.
Exatos 394 participantes, um número recorde, deram a largada na corrida sem caráter competitivo, que durou pouco mais de uma hora. O percurso pela Floresta Grünewald previa uma etapa na casa florestal Saubucht ("Baía da Porca", nome romântico, né?), onde os participantes fizeram um pit-stop regado a quentão e biscoitos natalinos, antes do regresso ao estádio.
Na linha de largada havia uma série de "atletas" vestidos de Papai Noel, além de um ganso de verdade, que obviamente tinha sobrevivido às comilanças natalinas (fotos). A corrida foi organizada por Wolfgang Paech. Entre os acompanhantes da turma, estava também Bernd Hübner, o legendário maratonista que largou -e chegou ao fim- em todas as 33 Maratonas de Berlim.
O mais legal de tudo isso é que este texto me foi mandado por um gaúcho que hoje vive na Alemanha e que foi meu colega na quarta série do ginásio, no glorioso colégio Pio XII, lá nas lombas do Alto da Bronze. Ele toca violão, dá aula em faculdade de música e faz apresentações numa cidadezinha perto da Floresta Negra, onde também cuida de sua sensacional família. Trata-se de Fábio Shiro Monteiro, que é fiel leitor da Folha Online e colaborador honorário deste blog nas Europas... Obrigado, Fábio.
O Fórum Social Mundial, que teve seus dias de glória na Porto Alegre vermelha, será realizado no mês que vem no Quênia, procurando lembrar aos poderosos do planeta os sofrimentos e as necessidades da maioria da população desta terra.
A corrida e os corredores terão parte ativa no evento, que vai de 20 a 25 de janeiro. O recordista mundial da maratona, Paul Tergat, e a ex-recordista Tegla Loroupe estarão na linha de largada da Maratona pelos Direitos Básicos: Um Outro Mundo é Possível Mesmo para os Favelados", que acompanha o lema do evento neste ano: "Um Outro Mundo é Possível".
A corrida vai começar em Korogocho, uma favela na zona leste de Nairóbi, e rodar por 14 quilômetros pelas ruas da cidade, terminando no parque Uhuru. Cerca de 10 mil moradores de favelas e loteamentos irregulares do país deverão participar, além dos forumitas, correndo e reivindicando melhores condições de vida e mais atenção do governo para os favelados do país.
Há 199 favelas na capital do Quênia. A Korogocho, que significa "confusão" na língua dos kikuyu, o maior grupo étnico do país, é um exemplo delas.
A cada ano, surge a dúvida: corro ou não corro a São Silvestre?
Odeio a muvuca, acho o horário uma irresponsabilidade, não gosto da descida da Consolção nem do retão da Rio Branco.
Mas é bacana participar da confraternização, é confortador ver o povo aplaudindo e é ótimo ultrapassar um monte de gente na subida da Brigadeiro.
Além do mais, SEMPRE que alguém descobre que você corre, surge a pergunta: "Já fez a maratona da São Silvestre?" Até você explicar que focinho de porco não é tomada fica mais fácil dizer sim ou não e pronto.
Para mim, continua a dúvida. Corro ou vejo pela TV? Acho que a preguiça vai vencer, mas a dúvida ainda existe.
Pessoal, o dia está quase indo embora, mas não posso deixar de registrar que hoje se comemora no país o Dia do Atleta.
A data foi instituída pelo presidente Jânio Quadros em 1961, por decreto. Os considerandos para a homenagem são: "que os atletas brasileiros elevam o nome dêste País no estrangeiro; que suas merecidas vitórias são um estimulo à eugênia da raça; e que lhes são devidas as homenagens de todos" [mantive a grafia original].
Parabéns a todos. Sintam-se devidamente lembrados e homenageados.
Um corredor e seu sensacional cachorro participam do Campeonato Espanhol de Canicross, na etapa realizada em San Adrian de Juarros, no norte do país, no início deste mês.
Bem, pelo nome todos já perceberam o que é canicross; há ainda modalidades com um tipo de bicicleta e com um trenó, tal como no Alasca.
Numa corrida em São Paulo, já vi um fulano correndo com sua boxer branca, que agüentou firme uma corrida de 10 km a cerca de seis minutos por quilômetro. Cristina Helena, minha dogue de bordeaux, é ótima para uns tiros curtos em altíssima velocidade, mas mal suporta 15 minutos de caminhada...
Como a cada fim de ano, muitos de nós aproveitamos a época das
festas para algum tipo de reflexão sobre o período passado e para elaborar
planos para o futuro.
Recebi do leitor Marcos V. P. (Binno), 38, um balanço cheio de
fotos bacanas, mas o mais legal é o resumo de sua evolução auxiliada ou
provocada pelas corridas de 2006: três de 6 km e três de 10 km.
Ele não mandou outros dados pessoais, mas os números que
informou já retratam suas conquistas: a) seis medalhas, b) 12 quilos a
menos em 110 dias; c) o remédio da pressão que foi para o lixo, já há um mês; d)
dois cintos no lixo; e) nove calças doadas; f) um ponto no relógio; g) dez tubos
de Calminex, cinco de Gelol, três de Gel Mobilat; h) cinco sessões de
acupuntura...
Ele ainda mandou uma frase legal, que não sei de quem é, mas vou
reproduzindo assim mesmo:
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Fiquem à vontade para mandar seus balanços. Coloquem nos
comentários ou mandem por e-mail. Nos comentários, entrarão no ar com certeza,
desde que respeitem as regras. Se tiverem textos maiores, mandem por e-mail, e
daí também há regras específicas, que vocês podem ver no link "Fala, leitor",
aqui ao lado.
O ano ainda nem terminou, mas as grandes maratonas do mundo já disputam a presença dos principais atletas do planeta. A campeã olímpica Mizuki Noguchi, 28, confirmou sua participação na maratona de Londres, em 22 de abril.
Terceira melhor corredora da história, com 2h19min12 em Berlim neste ano, a japonesa que decidiu aceitar o convite porque quer se testar "contra as melhores atletas do mundo".
De fato, vai enfrentar Berhane Adere, da Etiópia, e a russa Galina Bogomolova, que fizeram dobradinha em Chicago. A campeão dos Jogos Asiáticos, Chunxiu Zhou, da China, também estará presente.
A recordista mundial, Paula Radcliffe, deverá ficar assistindo, com seu primeiro rebento nos braços. O parto está previsto para 6 de janeiro.
O sempre atento corredor-internauta Ivo Cantor mandou para este blog um artigo da revista norte-americana "Runner’s World" que discute o estudo de um grupo de pesquisadores austríacos que constatou que maratonistas correm mais risco de câncer de pele do que não-maratonistas (vocês leram a respeito neste blog, que também publicou entrevista exclusiva de uma das pesquisadoras AQUI).
Não considero que o texto da RW tenha criticado o estudo austríaco, do qual publica os resultados sem contestar. Mas o autor discute, sim, algumas ilações feitas a partir da pesquisa e também contesta pelo menos uma hipótese feita pelos pesquisadores.
A hipótese contestada é a de que que um dos fatores a contribuir para o maior risco de maratonistas, além da exposição ao sol sem proteção, seria o enfraquecimento do sistema imunológico por causa do esforço de longa duração. Em oposição, Amby Burfoot, autor do texto da RW, aponta um estudo de uma universidade norte-americana que diz que "exercícios ou dietas que provoquem a redução da massa gorda (dos tecidos gordos) contribuem para inibir a carcinogênese".
Que seja. Nos links ao longo deste texto, você pode analisar os argumento de todos os envolvidos. O que ninguém discute são os riscos da exposição desprotegida aos raios solares. O importante, portanto, como conclui Burfoot, é que maratonistas e não-maratonistas, corredores que treinam forte ou fraco, todos nós, enfim, devemos procurar treinar nas horas em que o sol não é tão forte e usar protetor solar.
Agradeço ao caro leitor pela contribuição, que é também um alerta a todos.
A corredora indiana Shanti Sounderajan, 25,
que tirou o segundo lugar nos 800 m nos Jogos Asiáticos, não passou num teste de
sexo. Foi desclassificada pelo Conselho Olímpico da Ásia e perdeu sua medalha de
prata. O teste foi feito logo depois da competição.
Esse tipo de teste não é compulsório, mas os atletas podem ser
requisitados a fazê-lo.
Até agora, os despachos das agências internacionais não
registram comentários feitos pela corredora.
A Fenavinho, evento anual realizado em
Bento Gonçalves, na serra gaúcha, para festejar o preciso líquido, agregou aos
festejos de sua próxima edição uma maratona de revezamento.
O site do evento informa que "a prova de
revezamento acontecerá no Vale dos Vinhedos, com largada e ponto de chegada no
hotel Villa Michelon. O trajeto contempla a passagem por vinícolas, parreirais e
pontos turísticos da região _100% rural, a maratona passará de cantina em
cantina, além de um túnel formado por parreirais."
O nosso grande colaborador Iotti, que engalana com suas charges
as páginas deste blog, é o padrinho do evento e também vai participar. Os
organizadores prometem ainda a presença de Márcia Narloch.
Também será realizada a 1ª Maratoninha do Suco de Revezamento,
com 1.800 metros de percurso. Crianças e adolescentes de 7 a 15 anos podem
participar em duplas que poderão competir nas categorias A (7 a 9 anos), B (10 a
12 anos) e C (13 a 15 anos).
Já estão abertas as inscrições para equipes de dois, quatro ou
oito atletas, a R$ 30 por cabeça. Confira mais informações já citado site da
Fenavinho.
A atleta brasileira posa para foto com a bandeira palestina
Palestina no Rio de Janeiro
O caderno "Esporte", da Folha, traz hoje a inusitada história da corredora de rua Maria Lima de Oliveira. O repórter Guilherme Roseguini conta as aventuras dessa filha de um guerrilheiro comunista, que adotou o islamismo após o casamento e agora recebe incentivos de muçulmanos no Brasil.
¦
"Eu recebi um documento, assinado pela embaixadora, me incentivando a continuar exibindo a bandeira (nas corridas de rua) e dando visibilidade para a luta dos palestinos. Eu não conheço o território, mas entendo a batalha por terras com Israel e quero demonstrar o meu apoio", diz a atleta, que sonha em conquistar índice para participar do Pan no Rio de Janeiro.
¦
A reportagem completa pode ser lida AQUI, exclusiva para assinantes da Folha e/ou do UOL.
Em primeiro lugar, ele é gaúcho. Maratonista, tem um traço de primeira. O nome todo do Iotti, que muitos devem conhecer das páginas da "Contra-Relógio", é Carlos Henrique Iotti. Ele nasceu em 1964 em Caxias do Sul, na serra gaúcha. É jornalista, cartunista, corredor e pescador. Publica diariamente nos jornais "Zero Hora", "Pioneiro", "Diário Catarinense", "O Estado do Paraná", entre outros. Seu personagem Radicci é best-seller no Sul do Brasil.
Com fogos de artifício, a largada acontece no escuro da madrugada
Vitória na pele
O chef franco-italiano Alain
Poletto, 49, está no Brasil há quatro anos, depois de rodar o mundo
como consultor gastrônomico _é autor de um livro sobre cozimento a vácuo e foi
professor na escola francesa de hotelaria de Thonon-Les-Bains. Em São Paulo, ele
incorporou a corrida à sua rotina. Participou de provas de rua, fez duas
meias-maratonas e, no último dia 10, tornou-se maratonista. Escolheu para a
estréia o cenário paradisíaco de Honolulu, no Havaí, que abriga a sexta maior maratona do
mundo, com mais de 28.500 corredores registrados. Acompanhe suas
emoções.
Estou superfeliz com minha corrida, porque é verdade: já
é uma vitória simplesmente passar a linha de chegada (vi muitas pessoas parando
ou sofrendo muito).
Por causa do calor, a largada é muito cedo. A prova começou às
5h, então corremos cerca de uma hora e meia com noite ainda. Quando o sol
surgiu, foi lindo. Mar, flores, vista maravilhosa, uma paisagem que mistura
Miami e Taiti.
Essa maratona é muito difícil! Vim com dois amigos, que têm
grande experiência, já estão na quinta maratona, e eles quebraram... Precisaram
parar e andar porque as condições são muito difíceis: vento, calor,
subidas....
Eu fiz um tempo muito bom. Poderia fazer até melhor porque até o
km 32 estava muito bem, mas depois o cansaço chegou. Eu baixei meu ritmo para
poder chegar inteiro (tempo líquido=3h51min20). Minha estratégia foi perfeita:
aprendi a esperar, a me segurar nos primeiros 20 quilômetros. Foi uma boa
decisão, porque vi muitas pessoas parando a alguns metros da linha de
chegada.
Chorei já na largada, quando vi os competidores com necessidades
especiais chegarem com suas cadeiras de rodas. Eles dão uma lição de vida. Nunca
vou esquecer.
Também chorei durante a prova porque de repente me dei conta de
que estava fazendo uma maratona, a minha maratona, algo que eu pensava que
jamais conseguiria fazer.
Cheguei cansado, mas sem nenhuma lesão porque foi muito bem
preparado por minha equipe e por meu professor de musculação, que me ajudou
muito.
Na chegada, a ficha não caiu. Eu não estava me dando conta do
que tinha feito. Demorou algumas horas e chorei de novo.
Minha felicidade é grande porque foi uma coisa que eu sempre
admirei muito e nunca pensei conseguir. É uma vitória, estou aprendendo muito
com essa experiência.
Agora vou fazer uma tatuagem aqui no Havaí porque quero gravar
minha vitória de uma outra forma.
É bem recente, no Brasil, o aparecimento de lojas específicas para corredores. Em geral, temos de torcer para que tradicionais vendedoras de tênis, como a WorldTennis, tragam calçados para nossos pés que supinam, pronam ou marcham numa boa.
Mas São Paulo já tem pelo menos duas redes voltadas para nossas necessidades. São a FastRunner e a Velocitá Sports. Ambas têm grande variedade de produtos, muito além dos tênis específicos. Em ambas sempre fui bem atendido, mas raramente comprei alguma coisa, porque essas lojas, localizadas em regiões nobres da cidade, são meio careiras. Mesmo quando fazem promoções, seus preços não ficam muito distantes dos encontrados em lojas tradicionais. Às vezes alguém pode dar sorte, especialmente quando se trata de calçado de coleção anterior.
Isso também vale, infelizmente, para as megalojas, como a Decathlon e a Centauro. A vantagem desta última é estar presente em vários shoppings, mas o atendimento é mediano, quase cada-um-por-si. Já a Decathlon, lááá na zona sul, merece ser visitada pelo menos uma vez, porque é um play-ground para esportistas em geral. Corredores, em particular, podem se sentir um pouco escanteados, com os produtos colocados em alamedas mais distantes do centro da loja. Os preços, apesar da enormidade da cadeia (que é tida como a maior especializada em esportes no mundo), são regulares para altos. As promoções são atraentes, ainda que de coisas que você nem sempre esteja precisando. Os tênis, porém, estão rotineiramente a preços de mercado. O atendimento é praticamente inexistente, e as filas no caixa, especialmente nas manhãs de sábado, são muito desagradáveis.
Se você quer só um tênis e pronto, uma boa dica é a loja do Teru. Ele tem um endereço tradicional no Tatuapé e abriu há cerca de um ano uma loja na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, 3.750 (tel. 3885-2746), perto do Ibirapuera. O atendimento é muito bom e os preços são bem razoáveis.
Há ainda as pontas-de-estoque. Nunca fui na da Nike (Rodovia Presidente Dutra, km 230 loja 15, Guarulhos - SP, tel. 6425.0245), então não vou comentar. A da Reebok é, para dizer o mínimo, fraca. A da Adidas é melhor, com a vantagem de ficar em local de acesso mais fácil (esquina da Teodoro Sampaio com João Moura, em Pinheiros).
Pela internet, uma boa opção é a IronMan, de Curitiba. Há outras, com a NetShoes, mas nunca testei.
Agora, quem gosta dos tênis Saucony e dos ótimos Brooks vai cortar um dobrado. Não lembro de ter visto essas marcas em nenhuma das lojas que citei. Mesmo os New Balance são relativamente raros.
Quem pode comprar ou encomendar a compra no exterior deve fazê-lo, pois os preços são muito mais baixos. Se você for viajar, pesquise antes na internet para encontrar pontas-de-estoque ou grandes lojas para corredores. Mesmo em lojas convencionais, os preços são bem inferiores. Nos Estados Unidos, comprei por US$ 90 um tênis top de linha que aqui custa R$ 500. E, num outlet, paguei US$ 49 num menos anunciado, mas tão bom quanto qualquer outro.
Como havia antecipado para vocês, o Conselho Regional de Educação Física deu uma incerta no Ibirapuera nesta semana para ver se os treinadores de corrida estavam devidamente registrados, entre outras questões.
As visitas foram na terça, pela manhã e à noite, e ontem pela manhã. Há informações não-oficiais de que eles vão fazer nova fiscalização amanhã, durante a corrida de Natal da Corpore.
Apesar de ainda não ter saído o balanço oficial, o presidente da Comissão de Fiscalização do Cref, Márcio Tadashi Ishizaki, diz que não foram verificadas irregularidades gritantes. O caso mais grave foi o de um estagiário que estava ministrando treino.
Ishizaki acredita que os eventuais treinadores irregulares tenham sabido da fiscalização e caído fora. Por isso, pretende realizar mais incertas no parque.
Abrem nesta sexta-feira as inscrições para a Maratona de Berlim, que será realizada em setembro e é o maior evento maratonístico da Alemanha - quiçá, do mundo.
Com percurso plano e temperatura geralmente amena, a prova já foi palco de várias quebras de recorde mundial. O atual, de Paul Tergat, foi estabelecido lá, assim como a marca do brasileiro Ronaldo da Costa.
Neste ano, a prova teve 47.755 participantes registrados, e as inscrições acabaram muito antes do prazo oficial.
A TH5 já confirmou e anunciou a sua programação de provas para o ano que vem.
O Circuito das Praias, de corridas de 10 km, continua com seis etapas _a primeira será em 11 de fevereiro, em Peruíbe. Em pelo menos duas etapas, os percursos serão de 12 km.
As provas de 30 km formam reformatadas: agora as duas InterPraias terão 25 km. E haverá duas maratonas de revezamento.
Como muitos sabem, essa empresa organizadora de provas não tem exatamente a aprovação unânime dos corredores. Já foram registrados atrasos no início das provas e fornecimento irregular de água, para falar de apenas dois tipos de reclamação. Eu corri a primeira InterPraias, com 30 km na época, e foi um desastre no que se refere aos aspectos citados.
Mas é legal correr na praia, e acho que isso faz com que muitos releguem os problemas. De qualquer forma, espero que os organizadores melhorem seu desempenho em 2007.
A minha coluna da semana passada informou que a recordista mundial da maratona, Paula Radcliffe, fez, no início de outubro, com seis meses de gravidez, sua última corrida pública antes do parto, marcado para janeiro próximo em uma clínica de Monte Carlo. Houve quem estranhasse o fato de uma grávida praticar exercícios intensos, mas os mais velhos vão lembrar da Isabel, uma das musas do vôlei, carregando em quadra um superbarrigão. Bem, para dirimir dúvidas, falei com Cristina de Carvalho,campeã mundial de Ironman (1996, categoria 25 a 29 anos) e diretora da assessorias esportivas Projeto Mulher e Núcleo Aventura, que mandou um texto sobre o assunto. Cristina, 37, foi triatleta profissional durante dez anos. Tem um filho de um ano e treinou até um dia antes do parto. Neste ano, amamentou o bebê até os nove meses e, depois, voltou aos treinos e competições. Desde então, já ganhou várias provas, entre corridas de rua, de aventura e mountain bike. Vamos ao que ela nos conta. Ah, a foto que ilustra o texto é ela, aos seis meses de gravidez, fazendo uma trilha na África do Sul.
Ter uma gestação saudável envolve tranqüilidade em todos os sentidos e trará bons fluídos para seu bebê. O mais importante é a mulher buscar seu equilíbrio dentro do seu contexto e da sua história.
Para as mulheres que estão habituadas à prática desportiva, tudo indica que elas poderão e deverão manter uma rotina de treino. Mas é essencial ter acompanhamento e autorização médica.
O primeiro trimestre da gestação é considerado de risco. O risco está relacionado à possibilidade de o feto se descolar da placenta. Portanto, é habitual diminuir a intensidade e a quantidade de treinos para todas as mulheres comuns. Ou até mesmo suspender os treinos para mulheres mais conservadoras.
Acabado o primeiro trimestre, todas as mulheres podem e devem retomar suas atividades e treinos normalmente. A dúvida em relação à intensidade e quantidade de treino é muito polêmica e encarada de diferente formas por médicos e professores de educação física. O fato é que não existe nenhum estudo que comprove qualquer risco que relacione a prática desportiva a problemas com a gestação. Mas existem alguns estudos que demonstram que mulheres que mantêm a prática desportiva conseguem ter uma melhor qualidade de vida durante e depois do parto.
Uma informação muito importante e que traz bastante segurança para mulheres desportistas é que, antes de faltar qualquer substrato para desenvolvimento do feto, faltará para a mãe. Esse alarme é suficiente para que a mãe saiba que está na hora de suspender ou aliviar suas atividades.
Para mulheres que querem praticar atividade física durante a gestação é importante respeitar algumas regras: a) ter autorização médica; b) estar em dia com o exame pré-natal; c) evitar totalmente o hiper-aquecimento corporal ( ou seja, devemos evitar treinos durante os horários mais quente do dia); e d) fazer uma hidratação impecável e satisfatória durante e após atividade física. Também não vale iniciar nenhuma atividade física depois da gravidez, pois é de suma importância que a mulher já esteja adaptada às características da atividade por ela praticada. E devemos respeitar o peso da barriga e readaptar os treinos de acordo com a sensação e conforto corporal.
Para mulheres que apresentam qualquer risco na gravidez, a atividade física deve ser suspensa e proibida. Já as atletas profissionais ou amadoras de alto rendimento podem e conseguem treinar sem nenhum risco durante os nove meses da gestação. O seu primeiro trimestre muitas vezes é sua fase mais forte, uma vez que estão com uma taxa hormonal elevada e seu organismo é forte suficiente para eliminar o risco de descolamento do feto da placenta. Além disto, são mulheres que conseguem e toleram exercícios até um dia antes de entrarem em trabalho de parto.
Esse desafio homem contra mulher inventado pelos organizadores de provas de longa distância, como a meia-maratona holandesa que citei no início do dia, já está virando carne de vaca. Teve aqui na maratona de São Paulo já por duas edições, se não estou enganado, e várias outras corridas pelo mundo colocam as mulheres largando um pouco antes para criar mais essa "emoção" na disputa.
Mas o que acrescenta emoção de verdade à competição é que algumas dão uma boa grana para quem chega primeiro, como duas maratonas no último final de semana nos Estados Unidos. Em ambas, o homem se deu melhor.
No Texas, Moses Kororia fechou em 2h12min04 e estabeleceu novo recorde na Wellstone’s Dallas White Rock Marathon Sunday. A elite feminina começou a prova com luz (vocês entendem esse termo ou é coisa lá do Sul?) de 17 minutos. Mas Kororia passou Svetlana Ponomarenko, que seria a vencedora no feminino, duas milhas (3,2 km) antes do final. Com isso, levou um bônus de US$ 25 mil, além do prêmio de US$ 10 mil pela vitória.
Na maratona de Las Vegas, com começou às seis da manhã de um domingão ventoso, Joseph Kahagu livrou de seu principal oponente, Nolan Talem, pouco depois da metade da prova e desatou a perseguir a líder feminina, Jemima Jelagat. Conseguiu passá-la a 800 metros do final e engordou sua conta bancária em US$ 50 mil, que se somaram ao prêmio de US$ 15 mil pela vitória em 2h16min43. Jelagat, que fez sua estréia na distãncia, completou em 2h35min25.
Bem, é meio fora do assunto, mas é algo que sempre me deixa com a pulga atrás da orelha ao ver esse tempos das maratonas norte-americanas e seus prêmios fantásticos. Há vários corredores no Brasil capazes de correr em menos de 2h20 qualquer maratona, e um número razoável que baixa de 2h18 ou 2h17. Esse povo teria bons resultados e poderia ganhar um bom dinheiro nas provas norte-americanas. Não em Chicago ou Boston, mas em provas mais locais. Será que um corredor como o Rômulo, do Cruzeiro, por exemplo (é só um exemplo, não estou defendendo nem atacando o sujeito!!!), não conseguiria se dar bem nos States?
Fiscais do Conselho Regional de Educação Física deram uma incerta no Ibirapuera, em São Paulo, para verificar se os técnicos de corrida que lá exercem suas atividades profissionais estão devidamente em dia com a lei.
Ainda não saiu o balanço final. Depois eu conto se surgiu alguma coisa mais grave.
Gente, só hoje vi informações sobre uma corrida que parece interessante. Falha minha, pois ela está na edição número 40...
Bueno, é a 40º Prova Pedestre Henock Reis Filho, disputada em Aparecida, em um percurso de dez quilômetros. O mais chamativo é o horário da corrida, que tem início marcado para as 20h de amanhã.
A inscrição é um quilo de alimento. Saiba mais no site da prova.
Maase (esq.) chega um segundo antes de Susan Chepkemei (F2)
Em busca da revanche
A sorte está lançada. Os organizadores da meia-maratona holandesa de Egmond aan Zee conseguiram confirmar a presença dos campeões deste ano na prova do ano que vem: a queniana Susan Chepkemei terá a chance de dar o troco ao melhor corredor holandês de longa distância, Kamiel Maase.
Em janeiro deste ano, Maase venceu o desafio homem vs. mulher por uma diferença de apenas um segundo. Agora, no dia 14 de janeiro de 2007, Chepkemei terá a oportunidade de resgatar a taça. Na prova, as mulheres largam cerca de nove minutos antes dos homens e precisam tratar de manter a diferença.
A corrida na cidade litorânea, que já está com as inscrições fechadas, oferece outros desafios além da distância, como a incerteza do clima e o difícil percurso, que inclui trechos em dunas.
Se você já sabe de cor a programação das provas paulistas e paulistanas, abra os horizontes e dê uma olhada em corridas em outros Estados.
A ProCorrer, que organiza corridas no Paraná, acaba de anunciar seu calendário para 2007. Avalie com carinho a difícil e bela subida da serra da Graciosa e fique esperto, de olho na primeira edição da meia-maratona das cataratas do Iguaçu.
Eis as provas e as datas. Para saber mais, visite o site da ProCorrer.
04/03 - 5ª CORRIDA E CAMINHADA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 6KM 18/03 - 1ª CORRIDA DA SANTA CASA - 8/10KM 29/04 - 2ª CORRIDA CULTURAL DO REBOUÇAS - 10KM 17/06 - 5ª CORRIDA DO CENTRO HISTORICO DE CURITIBA - 10KM 08/07 - MEIA MARATONA DAS CATARATAS - FOZ DO IGUAÇU - BRASIL 26/08 - 2ª CORRIDA DO SISTEMA FECOMERCIO - 10KM - * 07/10 - 7ª CORRIDA DA SERRA DA GRACIOSA - 20KM 21/10 - 2ª CORRIDA DO COMERCIARIO - 10KM - * 09/12 - 12ª CORRIDA DO PARQUE TINGUI - 10KM 2ª CAMINHADA PELA VIDA - 4KM
Quando o Marilson deu sua primeira entrevista coletiva depois da vitória em Nova York, contou que vinha sofrendo fortes dores antes da prova (a entrevista completa você pode reler neste blog, AQUI). A praga era uma fasciite plantar, inflamação desagradável que muitos de nós já enfrentamos. Para saber mais sobre esse problema e seu tratamento, pedi ao doutor Wagner Castropil que escrevesse um artigo. Castropil foi judoca olímpico, é médico da Confederação Brasileira de Judô e corredor: está se preparando para sua primeira maratona, marcada na agenda para abril próximo. Com mestrado e doutorado pela USP, é o inspirador do Instituto Vita. Leiam o que ele nos conta e, se tiverem perguntas, mandem suas dúvidas.
A fasciite plantar é a inflamação da planta do pé, que apresenta internamente uma grossa fáscia (tecido firme e forte que suporta o peso do corpo). Ocorre em pacientes obesos e sedentários, com grande encurtamento da musculatura da perna e da fáscia, e em corredores ou atletas, por esforço repetitivo.
Os sintomas de uma fasciite plantar são dor local, que piora com o treino, e dor matinal (logo às primeiras pisadas de manhã).
O tratamento é conservador, quer dizer: redução do ritmo de treino _sem interrupção do treinamento_ e tratamento caseiro.
Você deve começar alongando a musculatura da panturrilha e da planta dos pés várias vezes por dia, principalmente ao se levantar, antes e ‘depois dos treinos. Pode usar uma calcanheira de silicone por um período e realizar massagem com uma garrafinha de água congelada por 20 minutos no final do dia.
Após essa fase, talvez seja necessária avaliação médica e encaminhamento para fisioterapia.
Em casos mais crônicos (mais de três meses), pode ser necessário um tratamento de terapia de ondas de choque, que tem por objetivo revascularizar o tecido inflamado, levando à cura completa após três a quatro semanas.
Ruqaya Al Ghasara, do Bahrain, vence a final dos 200 m nos Jogos Asiáticos
Vestida para vencer
Ela corre coberta dos pés à cabeça, em óbvio contraste com suas oponentes, de microshorts e tops coladíssimos. E corre muito bem: hoje venceu a prova de 200 m nos Jogos Asiáticos, em Doha, no Qatar. E já havia conquistado o bronze nos 100 m.
"Usar as vestimentas muçulmanas tradicionais me dá mais coragem. Não é um obstáculo, mas o contrário", diz a velocista Ruqaya Al Ghasara, do Bahrain.
É um tradicionalismo cheio da modernidade das mais avançadas tecnologias do vestuário: suas roupas são feitas de tecido especial e a marca do patrocinador está firme e forte no lenço que protege sua cabeça.
Trata-se de uma opção evangelizadora, digamos assim: "Usar essas vestimentas mostra que não há obstáculos. Foi com elas que fiz meus melhores tempos e me qualifiquei para o Mundial de Osaka", fala a corredora, que tem 24 anos.
Já está sendo entregue aos assinantes a edição de
dezembro da revista "SuperAção", que, na reportagem "A Engrenagem da Corrida,
conta o que acontece ao corpo exposto ao treinamento.
A edição também traz reportagem sobre o campeão Marilson e, na
coluna Nutrição, fala sobre a cafeína.
Para mais informações, visite o site da revista ou
ligue para (0xx19) 3294-4290.
Muitos corredores estão reclamando do kit da Gonzaguinha, tradicional prova paulistana seletiva para a São Silvestre.
As críticas detonam a medalha, considerada cópia descarada da medalha da Super40 (prova organizada pela Yescom, que assumiu a Gonzaguinha neste ano). Eu não a vi, mas dizem que nem a distância da prova estava informada na medalha.
E a camiseta também não agradou....
Quanto à corrida, foi disputada num clima que pode ser chamado de agradável, considerando a época calorenta que vivemos. Sirlene Souza de Pinho foi bicampeã da prova; no masculino, a vitória foi de João Ferreira de Lima, o João da Bota _que ganhou esse apelido porque, quando começou a participar de provas, corria com as mesmas botinas que usava para trabalhar na roça.
A Gonzaguinha foi realizada no domingo último, na zona norte de São Paulo, e reuniu cerca de 4.000 atletas.
No domingão, aconteceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, umas mais simples e simpáticas corridas do nosso calendário. É a Festa Nacional do Corredor, que completou 17 anos de vida simples, mas cumpridora.
Cerca de 700 corredores participaram da prova, mas até agora não vi os resultados publicados na internet. Percurso plano, que tinha de ser dividido com os carros. Dois postos de água, mas pouca gente para distribuir o precioso líquido. E faltou para os mais lentos.
O locutor era bem-humorado: quando o neomaratonista Alexandre Issao Minamihara completou seus dez quilômetros, botaram no ar a musiquinha do Jaspion, homenageando os ancestrais nipônicos do atleta.
No final, troféus para todos, em lugar de medalhas, e um lauto almoço, completado com sorvete. Uma festa do interior.
Já está nas bancas a edição deste mês da "Contra-Relógio", decana das revistas brasileiras de corrida. A vitória de Marílson em Nova York é analisada em detalhes na reportagem de capa, na qual o treinador do campeão, Adauto Domingues, fala sobre como foi a preparação do atleta e sobre a tática adotada. A revista mostra como foi a evolução do atleta em suas cinco maratonas.
Outras matérias de destaque da CR de dezembro são "Musculação só traz benefícios para o corredor" e "A magia do repouso (para correr bem)". Para saber mais, visite o site da revista.
Em primeiro lugar, ele é gaúcho. Maratonista, tem um traço de primeira. O nome todo do Iotti, que muitos devem conhecer das páginas da "Contra-Relógio", é Carlos Henrique Iotti. Ele nasceu em 1964 em Caxias do Sul, na serra gaúcha. É jornalista, cartunista, corredor e pescador. Publica diariamente nos jornais "Zero Hora", "Pioneiro", "Diário Catarinense", "O Estado do Paraná", entre outros. Seu personagem Radicci é best-seller no Sul do Brasil.
Quem não agüenta mais a São Silvestre, mas gosta de fazer uma corridinha festiva de final de ano, não pode mais reclamar.
Serão realizados dois eventos noturnos em São Paulo, nos dias 23 e 30 deste mês. Os organizadores preferem não chamar de prova porque é mais uma confraternização do que uma competição. E não há a estrutura que as corridas convencionais costumam oferecer.
A São Silvestre Noturna, que tem como um dos objetivos angariar brinquedos para crianças carentes, vai ser realizada no dia 23, às 20h30, com saída no Masp, na avenida Paulista. Há cem vagas e é preciso doar um brinquedo para participar do evento, que exige inscrição prévia. A distância é de 15 km, no mesmo percurso da São Silvestre.
Já a Sampa Noturna resgata o velho percurso de 8 km da antiga São Silvestre, descendo a Brigadeiro e subindo a Consolação. Além da festa, o objetivo da prova é angariar alimentos para distribuição a entidades beneficentes. Começa às 20h do dia 30, também no Masp, e há apenas 50 vagas. A inscrição é obrigatória: um quilo de alimento não perecível. Quem quiser camiseta especial comemorativa pagar R$ 15,00.
Eu participei da São Silvestre Noturna no ano passado e foi muito divertida e animada. Claro que as condições de segurança não são as melhores, por isso todos precisam prestar muita atenção e correr em grupo, procurando ficar principalmente nas calçadas. Quem tiver lanterna de cabeça ou aqueles faixas com luzinhas piscantes pode (deve) levar.
Mais informações e inscrições no site RunnerBrasil.
Pois não é que fui subir a lomba da Biologia hoje, na Cidade
Universitária de São Paulo, e tive de parar no meio do caminho? Mas não foi por
falta de pernas, e sim porque uma superhipermega-árvore havia caído, fechando a
rua de lado a lado.
Fiquei doido procurando alguém que estivesse correndo com
celular com câmera, para conseguir uma foto para o blog, e encontrei uma
história ainda melhor.
Ontem à tarde, às 16h, a ciclista Silvia Corbucci desceu aquela
rampa a 30 km/h, sem parar nem piscar. Três horas depois, quando voltava do
treino, o mundo tinha desabado na rua do Matão. Aproveitou, para, como diz,
brincar na "verticalidade horizontal" daqueles troncos.
Hoje ela voltou para registrar o desastre com seu cãozinho Chien
(abaixo) e fez as fotos aqui apresentadas.
Numa noite dessas, tive meu primeiro sonho com corrida, depois de oito anos nessa vidinha encantada. Era uma confusão danada, mas bem interessante. Tratei de protegê-lo na memória pensando em contar para vocês, mas me esqueci. Então fui atrás de gente que já sonhou com isso. Encontrei amigos e conhecidos que já tiveram até pesadelos, e contaram suas histórias na internet. Passo para vocês tal qual me contaram.
"Tive um pesadelo ontem!
Era assim: Era dia de corrida. Acordei atrasada. Tinha combinado de ir com um amigo, mas, devido ao atraso, perdi-o de vista. Não achava minhas meias de corrida. Eu tinha cedido meu quarto, em casa, para dois hóspedes (!!??); entrei no quarto com eles ainda lá dentro, abri a gaveta procurando meias. Não tinha uma meia limpa (vixx, q absurdo! rs), peguei a mais "usável". A mais "usável" era da marca Lupo (vejam q pesadelo mais detalhista, isso pq eu nunca tive nenhuma meia dessa marca q fosse de correr!). Eu não tinha carro. Peguei carona numa van e encontrei um conhecido. Pergunto se dá tempo de chegar na prova, ele diz q tá td tranqüilo. Começo a perceber a "tranqüilidade": o caminho até a largada era de terra, uns morros bem íngremes, cheios de pedronas ( parecia uma Chapada Diamantina). No meio do caminho, percebo q esqueci minha mochila. Mas penso: "Pelo menos estou com roupa de correr"...
Daí acordei...ufa. ..era só um pesadelo...!"
Marie Ota, 35, médica, corre há três anos, acaba de fazer em Curitiba sua primeira maratona
"Que coincidência, esses dias tive meu primeiro pesadelo com corrida...
Estava preocupadíssima com o revezamento Ayrton Senna, que iria correr em dupla com a minha irmã Paty. Todos falavam que somos muito corajosas e que dar quatro voltas no autódromo é muito difícil... Meu cérebro fez uma salada com essas informações e sonhei...
A corrida era na minha casa, que estava cheia de gente. Tínhamos que subir e descer muitas escadas, várias vezes (minha casa era enooooorme, rs), As pessoas não saíam do lugar, e nós tínhamos que saltá-las...Eu ia caindo e bambeando... foi terrível!!! Quando estava +ou- na volta 20 acordei...ufa! !! Estava cansadíssima. ..rsrs
Após a corrida, lembrei desse pesadelo e tive a certeza de que a realidade foi bem melhor, me cansei bem menos correndo os 21 km no autódromo do que sonhando com a corrida!!! E ainda faturamos o 1° lugar na dupla feminina!!!"
MarianaResende, 23, estagiária de direito, corre há três anos
"Pesadelo, não. Só sonhos.
Nas corridas do mundo real, já acordei atrasado, deixei amigos esperando muitos minutos, peguei tênis errado, esqueci o chip, escorreguei de nádega no lodo. Fiz surfe com prancha de eucatex e também só com o tênis. Salto de costas ao solo e de frente ao chão. Sofri ataques de cachorros, de motoristas, de grupinho. Pulei sobre cobras, cercas, gambá. Enfrentei lagartos e formigueiros. Com os cortes ardidos, conheci o bambu-lixa. No arame farpado, deixei preciosos cabelos. Corri em lamaçal, dentro de riacho, no mar, na areia fofa e até no meio da boiada.
Pode parecer pesadelo, mas é o divertido dia-a-dia."
Um leitor do Canadá, que se assina FT, mandou o seguinte comentário, que está lá no seu devido lugar. Mas achei que pode representar o pensamento de alguns de vocês, e por isso resolvi colocar aqui também.
Eu não corro porque eu tenho problema de peso (sou magro). Eu não corro por desafio. Eu não corro pra melhorar desempenho sexual. Eu não corro por um monte de coisas que as pessoas falam. Eu corro pra sentir daquela "onda de pensamento" que a gente sente quando tá numa corrida com um monte de gente.
Vc já sentiu isso ? É muito forte. São muitas pessoas correndo juntas e pensando parecido. Isso parece que gera uma onda, sei lá da onde, que me empurra. Eu não fico tão cansado tanto em corridas como fico em treinos. Não sei direito explicar.
É por isso que eu corro. Essa sensação vicia, sim. Vicia muito. Fiz a minha primeira meia-maratona em setembro passado, depois de algumas provas de 10Km, e toda essa sensação me empurrou pros 1:57. Nunca imaginei que seria capaz. Isso, sim, é porque eu corro.
Era um figura muito estranha: calça jeans, camisa esporte de mangas compridas, sapatênis modernoso, gravador na mão e correndo ao lado de um sujeito de calçãozinho e regata ou de uma dama adequadamente trajada para o esporte. Tratava-se deste que vos fala: para produzir a coluna +corrida desta semana no caderno "Equilíbrio", na Folha, fui à USP na manhã cinza e chuvisquenta do sábado 25.11 entrevistar corredores. Perguntei por que corriam, há quanto tempo e se a corrida fez com que se sentissem mais desejáveis ou desejados. Quem quis disse nome e sobrenome, outros só falaram nome e houve quem preferisse nada dizer. Veja a seguir algumas das entrevistas, com pequenas adaptações para transformar a sucessão de perguntas e respostas em texto corrido. Fiquem à vontade para mandar mais contribuições.
"Sou francês, cheguei a São Paulo há quatro anos. Saí de uma cidade de 30 mil habitantes na França, bem tranqüila, cheguei a São Paulo, que é uma cidade difícil, muito dura. Sentia que precisava achar uma forma para entrar em contato um pouquinho mais com a natureza. Comecei a correr seis anos atrás, fiz amizade com a turma da corrida. Fiz algumas provas aqui no Brasil, provas curtas, depois fiz duas meias-maratonas, no Rio e em Buenos Aires, e agora vou o desafio da minha vida: no dia 10 de dezembro, vou tentar fazer a maratona. Correr melhorou muito a minha vida. Na vida afetiva, me deu um equilíbrio, que eu não estava achando aqui, porque eu trabalho muito mais do que eu estava trabalhando na França. Como eu falei: a vida em São Paulo é difícil, e a corrida me ajuda muito, me dá um equilíbrio tanto profissional quanto afetivo, não é verdade? E de amizade muito forte. Ajuda em tudo, pois para se preparar para fazer a maratona é difícil, é muito sacrifício, mas você sabe que tem um objetivo e você vai correr atrás do objetivo e isso ajuda em tudo, trabalho, vida afetiva, a vida de forma geral." Allan Poleto, 49, chefe de cozinha
"Eu gosto muito de correr e me faz bem. É um momento que eu tenho de desprendimento, que eu posso correr sem me preocupar se algum carro vai me atropelar. Está todo mundo correndo junto. Um momento que eu me desprendo das coisas. Eu me sinto melhor fisicamente. Eu me sinto melhor comigo, então, se isso repercute alguma em alguma coisa física, tudo bem, mas o objetivo não é esse." Vilma, 46, consultora de restaurante.
"Comecei a correr para começar a emagrecer e depois porque gostei, é um desafio todo dia. Aí me empolguei, agora corro sempre. Os benefícios são menor ansiedade, bem-estar para dormir, para trabalhar, mais concentração, mais garra, objetivo. Eu acho que você fica melhor com seu corpo, não é? Você se sente melhor, com certeza. Emocionalmente, sua auto-estima melhora e você fica mais autoconfiante." Cristiane, 28, gerente de comunicação corporativa
"Gosto de correr, corro há dez anos. A corrida ajudou a diminuir a minha ansiedade." Carlos Silva, 42, administrador de empresas.
"Corro há quatro anos, por uma melhor qualidade de vida, para a circulação, respiração, cardíaco e manter a forma. A corrida trouxe muitos benefícios para a minha vida. No dia-a-dia, você sofre um desgaste muito grande, mas é mental, e o desgaste físico teu acaba ficando... Você precisa queimar, extrapolar o teu físico, para você se equilibrar, alcançar o teu ponto de equilíbrio. Fazendo isso, você consegue manter um bom relacionamento tanto profissional quanto familiar." Agnaldo Antunes, 38, economista.
"Comecei porque eu estava precisando de um esporte, acabei meio que viciando. A verdade, é que a corrida vicia. Ela me trouxe muitos benefícios: disposição, saúde, perdi peso, passei a me alimentar melhor, tudo isso. Olha, eu tinha um parceiro e terminei com ele. Acho que a corrida me fez enxergar por outros lados... É brincadeira, a verdade é que não tem nada a ver o fim do relacionamento com a corrida. Mas a corrida, com certeza, me deixou mais bem-humorada, eu sou uma pessoa mais disposta, depois que eu comecei a correr." Silvana Cassino, 30, publicitária
"Corro há três anos. Corro por filosofia de vida, estilo de vida, me sentir bem, me manter saudável, enfim, porque é tudo de bom. A corrida traz benefícios com aprender a respirar, disposição, auto-estima, enfim. Melhora a qualidade do sexo, sem dúvida nenhuma, mas eu acho que não é um fato isolado. É a junção de vários fatores que te completam, enfim, te tornam mais atraente, lógico, fisicamente e mentalmente." Alessandro, 32, administrador
"Eu gosto de correr. Não tem nada a ver com competição. Só por prazer. É complicado falar de prazer, uma coisa assim subjetiva, assim como as palavras não têm o significado dos próprios objetos. Você fala uma cadeira, é uma idéia _a cadeira mesmo não é a idéia da cadeira. Quando chega em prazer, a coisa fica mais complicada ainda. Um pouco assim de autoconhecimento de quais são os seus prazeres, não é? Você não experimentou tudo, então, o prazer vem da experiência. Eu não sou um cara novo, com certeza eu já passei da metade do todo e, dentre as coisas que eu experimentei, eu não sei dizer por que me dá prazer, mas dá. Uma sensação assim de colocar o teu lado físico à tona, trazer à tona. A gente vive o tempo todo com a prevalência do que não é físico. O que domina na sua cabeça não é o físico, você vive o tempo todo assim tentando entender, interpretar as coisas. E, de repente esse lado não há muito que interpretar. É sentir." ...dos Santos, 55
"Eu corro porque eu busco bem-estar, qualidade de vida, porque é um esporte que dá para fazer ao ar livre, em vez de ficar na academia, que é um ambiente fechado. Correr é legal, é um ambiente bem saudável. Eu acho que não só a corrida, mas qualquer atividade física, quando você faz com prazer, ela te dá uma sensação de sucesso, não é? Quando você completa uma prova, independente de chegar na frente de alguém ou não, o próprio objetivo, eu acho que essa sensação de sucesso é importante para você ter auto-estima e vencer em outros campos da vida também, não é? Profissional, afetivo, o afetivo também, sem sombra de dúvidas." Wilson, 20, estudante de educação física.
"Corro há 13 anos. Eu amo correr, amo o esporte, faz bem para a saúde, bem para tudo, para a mente." ......, secretária executiva
"Quem corre consegue coordenar mais e ter um foco mais direcionado para aquilo que ela pretende. Quem não corre pode dar uma corrida, assim, em viés, para chegar num ponto. Quem corre já direciona o foco aqui e vai direto. Uma reta só. Além de todo bem-estar... É todo um conglomerado de idéias de tudo. É muito bom." Chris, disponível para o mercado de trabalho
A Garota Corredora é uma das quase 300 peças da exposição "Athens-Sparta", atualmente em cartaz no Onassis Cultural Center, em Nova York. Essa figura em bronze tem mais de 2.500 anos -é datada de 550 a 540 antes de Cristo. Antropólogos e historiadores podem tentar explicar as razões e os porquês dessa escultura, mas dá para imaginar que havia mulheres correndo na época, o que levou a inspiração ao artista desconhecido.
Um estudo relacionando a prática do exercício com a auto-imagem e a
atratividade sexual levou a pesquisadora Tina Penhollow às páginas de jornais do
mundo inteiro. O trabalho, que citei na coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da
Folha (AQUI,
para assinantes da Folha e/ou do UOL), foi realizado na Universidade de
Arkansas. Ainda hoje, dois anos depois de publicado, é tido como um dos poucos
na área. Penhollow, 26, continuou investindo nesse terreno
e, em maio passado, obteve o doutorado em Ciências da Saúde. Hoje é
professora-assistente no Departamento de Ciências do Exercício e Promoção da
Saúde da Florida Atlantic University. A pesquisadora é
adepta do jogging (no mundo das corridas dos EUA, há quem diferencie ser um
"runner" _um corredor freqüente, de bom ritmo_ e um "jogger", que vai no
vai-da-valsa; para mim, somos todos corredores). Também pratica musculação,
natação e golfe, como contou à Folha em entrevista por e-mail. Vamos ao que diz
Tina Penhollow.
Tina Penhollow - Com base na minha pesquisa, a
resposta é: sim, exercitar-se e estar em boa forma parecem ter um impacto em
quão desejável a pessoa se sente e na sua performance sexual. Quem se exercita
por mais tempo e tem níveis mais altos de atividade física diz sentir-se mais
desejável e ter melhor performance sexual.
Folha - O que exatamente a senhora quer dizer quando
fala em exercício? Musculação, corrida ou o quê? A senhora tem algum estudo
específico sobre corrida e auto-estima?
Penhollow - Para o nosso estudo, não fizemos
uma definição específica do tipo de exercício. Solicitamos aos participantes que
avaliassem seu grau de boa forma e indicassem a freqüência com que faziam
exercícios (de um dia por semana a seis/sete dias por semana). Portanto,
exercício, no caso, pode incluir tanto musculação quanto trabalhos aeróbicos.
Não fiz nenhuma pesquisa específica sobre corrida e auto-estima, mas há estudos
que relacionam a prática de exercícios aeróbicos com níveis mais altos de
auto-estima.
Folha - A senhora considera que, estando em boa
forma, a pessoa tem mais chances de fazer conquistas
amorosas?
Penhollow - O exercício faz com que as pessoas
sintam-se melhor consigo mesmas. Elas ficam mais cheias de energia, melhoram a
aparência e aumentam seu bem-estar psicológico. Uma percepção positiva de si
mesmo faz com que a pessoa sinta-se sexy e seja mesmo mais atraente sexualmente.
Ser sexy não é simplesmente uma questão visual, física, mas engloba a
auto-estima e a autoconfiança. Conseqüentemente, quem faz exercícios pode ser
mais capaz de ‘conquistar‘ do que indivíduos que não fazem nenhum tipo de
exercício.
Folha - O responsável pela edição sul-africana da
revista "Runner’s World" disse que "maratonistas são como deuses do sexo". A
senhora concorda?
Penhollow - Maratonistas já foram comparados a
deuses do sexo por várias razões. A literatura sugere que estar em boa forma
significa basicamente o mesmo que ser atraente sexualmente. Outras pesquisas
demonstraram uma relação negativa entre alto índice de massa corporal e a
experiência sexual. Então, pode-se imaginar que maratonistas tenham mais
energia, mais resistência e atração sexual, o que se combina para produzir uma
boa vida sexual.
Folha - A senhora corre? Sentiu-se mais desejável depois
de ter começado a correr?
Penhollow - Eu me considero basicamente uma
corredora casual [uma "jogger", e não uma "runner", na frase em inglês]. Estar
em boa forma faz com que eu me sinta mais autoconfiante. Portanto, sim, eu me
sinto mais desejável em comparação a períodos no passado em que não estive em
boa forma.
Vejam só o que encontrei em minhas pesquisas na
internet: Marathon é o nome de uma banda punk que nasceu nos Estados Unidos em
2002 e acabou neste ano. Aqui ao lado você vê o panfleto de divulgação do último
show.
Não entendo nada de punk, mas o som dos caras, pelo pouco que
ouvi, é bacaninha. Também não sei se o nome tem a ver com a corrida, pois, como
é de conhecimento corrente, a palavra maratona já extrapolou há muito o terreno
do esporte e significa esforço hercúleo, determinação, continuidade e mais
tantas coisas.
De qualquer forma, a tal banda continua bem viva no MySpace,
onde tem um espaço
próprio. Você também pode saber mais sobre os caras no site do grupo. E curta a seguir
um videoclipe da Marathon, agora ouvida, e não corrida.
No próximo domingo, uma mulher especialíssima vai largar
entre os cerca de 29 mil participantes esperados na maratona da Honolulu, no
Havaí. Trata-se de Gladys Burrill, uma novata nas corridas, mas veterana no
esporte da vida. Aos 88 anos, essa bisavó prepara-se para fazer sua terceira
maratona.
Desde menina, no frio e distante Estado de Washington, ela
gostava de correr pelas colinas. Mas nunca se arriscara a enfrentar uma prova.
Quando viu a maratona de
Honolulu em 2003, porém, não resistiu e resolveu se inscrever para o
desafio.
Aproveitou que estava embalada e inscreveu também o filho, o
neto e a mulher dele. Todos terminaram felizes e satisfeitos a prova de 2004, a
primeira maratona da mulher que ficou conhecida como Gladyator, por sua fibra e
disposição de luta, uma gladiadora dos combates quotidianos.
"Esqueça esse negócio de idade e simplesmente aproveite o fato
de estar lá, fazendo exercício, caminhando ou correndo", recomenda a bisavó, que
neste ano pretende completar a prova em sete horas e meia _novamente com o
filho, o neto e a mulher do dito cujo.
Duvido que alguém goste dos cortadores de caminho e outros fraudadores de corridas. Dão raiva ou pena, decepcionam por existir. Por isso, quando um é flagrado no ato, a reação da boa parte dos corredores é dizer "bem-feito!".
Se você é dessa turma que se alegra com a punição dos estelionatários de distâncias, veja só a história do dr. Hassan Ibraim, médico da Universidade de Minnesota.
Neste ano, ele reduziu em uma hora seu tempo na Twin Cities Marathon _as cidades-gêmeas são Saint Paul e Minneapolis_, que já havia corrido quatro vezes. Com o resultado, qualificou-se para a maratona de Boston do próximo ano.
Só tem um porém: ele não correu a maratona de Minnesota. Em entrevista por telefone com a TV local, admitiu ter dado seu chip e número do peito para outro corredor. A história, publicada no site da emissora, surgiu depois que os organizadores da prova receberam uma denúncia e foram analisar os dados do corredor, vídeos e fotos da prova.
O sujeito que fez a prova em 3h10 foi um irmão de um colega do médico, que alegou que pretendia correr Boston para arrecadar fundos para obras benemerentes.
Apesar da confusão, o corredor já se inscreveu para a maratona de Boston 2007. Resta saber se os organizadores da prova de Minneapolis vão referendar seu tempo.
A maratona de Beirute, que havia sido adiada por causa
do assassinato do ministro da Indústria e Comércio do país (leia neste blog AQUI),
foi realizada ontem sem problemas, mas com incidentes.
O percurso teve de ser aumentado um pouco para desviar de uma
manifestação que acontecia no centro da cidade. Com isso, o trajeto ficou em
42,8 quilômetros, o que impede a comparação dos resultados de ontem com as
marcas anteriores.
O campeão foi o queniano Moses Kemboi, que completou a prova em
2h17min28. No feminino, a também queniana Eunice Korir fechou em
2h49min17.
Mas a verdade é que, como bem diz o SITE da prova, "cada
corredor é um vencedor".
O Nimbus é tido e havido como um dos melhores tênis _para
alguns, o melhor_ de amortecimento disponíveis no mercado. Na mais recente
versão do produto, porém, a Asics deu uma rateada em um pequeno detalhe, que
pode virar uma enorme incomodação.
Na biqueira do Nimbus VIII (foto ao lado), o que era uma espécie de
círculo machetado no Nimbus VII (abaixo, à direita) virou um pequeno cilindro,
ficando em relevo na ponta do tênis.
Até aí, tudo bem. O problema é do lado de dentro, onde aquele
relevo é repetido. Ou seja, fica um taruguinho lá, roçando nos seus
dedos.
Quando vi o modelo novo em uma loja em San Francisco, e ainda
por cima com preço promocional, quase fui tirando o cartão de crédito do bolso.
Mas resolvi experimentar e foi decepcionante. Nem sequer dei aquele trotinho
pela loja para ver se está tudo bem...
É bem verdade que nem todo mundo sente o problema. Consultei homens
e mulheres que experimentaram o calçado e alguns nem notaram o que para mim foi
um problemão. Deve ter algo a ver com a posição em que fica o pé, o tamanho dos
dedos, sei lá... De qualquer forma, na opinião deste blogueiro, a tal saliência
interna não deveria existir. É foco potencial de
problemas.
Pessoal: atendendo a pedidos, trago para vocês um artigo comentando os riscos de correr quando gripado ou com febre. O texto é do treinador Danilo Henrique Santos, 29, mais conhecido como Danilo Balu. Ele é bacharel em esporte pela USP e atualmente cursa nutrição. Leiam suas recomendações.
Você já se sentiu culpado por ter deixado de treinar por causa de uma gripe ou febre? Ou já se perguntou se pode ou não treinar quando um resfriado parece não deixá-lo 100% para um esforço maior?
Nosso organismo não é uma ciência exata. A programação da nossa rotina física, por mais detalhada que seja, não afasta por completo esse imprevisto que é ser acometido de pequenos distúrbios respiratórios _ainda mais no clima que vivemos. E, quando eles vêm, para minimizar as perdas, como devemos agir?
A coisa é bem mais simples do que parece!
No caso de febre, por mais leve que ela seja, a recomendação unânime é a que, por ser um problema que exige mais tempo de recuperação e por acarretar um desconforto maior, deveríamos deixar de lado o treino (seja forte, fraco ou competição). A regra é descansar e ir tomar o medicamento receitado pelo médico. Uma atividade só agravaria o problema e te afastaria por mais tempo ainda.
Para gripes e resfriados, funciona muito bem uma pequena regra. Se os sintomas só se fazem sentir acima do pescoço (coriza, nariz entupido, rouquidão...), você pode optar por uma atividade fazendo de seu treino uma atividade mais leve. Caso os sintomas apareçam também abaixo do pescoço (dores, peito "chiando", cansaço...), a recomendação é a de não realizar atividade alguma!
O importante é saber que isso geralmente ocorre quando há uma queda em nosso sistema imunológico. Se você decidir correr, faça-o com menor intensidade! No caso da febre, correr implica uma maior carga em um sistema já debilitado. Você reduz as condições para uma boa recuperação se submete o sistema a um estresse maior.
Se no dia você teria uma competição, por mais doloroso que isso seja, o melhor é abrir mão. Uma pena, mas acontece. Dando condições ao seu corpo de se recuperar, você poderá correr muitas outras vezes. E melhor.
Orlando é um sujeito de mil facetas, todas elas muito boas. Ilustrador e chargista, também encontra tempo na sua movimentada vida desenhada para ser agitador cultural e sindical, mobilizando os colegas de pincel e lápis. De nome completo Orlando Pedroso, é paulistano e nasceu em 1959.
Faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil, para quem organizou o 2º e 3º ilustrabrasil! em parceria com o Senac Lapa. Participa do grupo de formação das câmaras setoriais de artes aplicadas junto à Funarte.
Acaba de lançar o livro "Moças Finas", com 84 desenhos inéditos.
Saiba mais sobre Orlando e seus trabalhos AQUI e AQUI.
Deu dobradinha brasileira na Volta da Pampulha, na manhã de hoje em Belo Horizonte.
A mineira radicada em Brasília Lucélia Peres sagrou-se tricampeã da prova, enterrando o fantasma daquela não-chegada na Meia do Rio, quando passou mal a poucos metros do final. Passeou na prova, chegou inteiraça e sorridente em 1h02min16, cerca de meio quilômetro (a julgar pelos tempos) na frente da segunda colocada, Márcia Narloch (1h04min02). Em terceiro chegou Marily dos Santos (1h04min40).
Na prova masculina, Franck Caldeira conquistou o bicampeonato, tal como Vanderlei Cordeiro de Lima. O mineirim mandou ver na terrim, com os quenianos na cola, mas dominando o terreno. Passou a linha de chegada em 53min53, seguido pelos quenianos os quenianos Kosgei Kiplino (54m03s) e Cosmers Kemboi.
Nove semanas depois de estabelecer o melhor tempo da maratona neste ano, em Berlim, o legendário Haile Gebrselassie voltou a vencer, agora em Fukuoka, supertradicional prova japonesa que completou sua edição de número 60. Mas não veio o recorde sonhado pelos organizadores do evento: o etíope, dono de dois ouros olímpicos nos 10.000 m e de 21 recordes mundiais nas mais variadas distâncias, fez "apenas" 2h0652, quase um minuto mais lento do que havia sido na Alemanha.
"Hoje o mais importante era vencer", disse Gebrselassie (na foto, já com os louros da vitória), que escapou do pelotão no km 38, deixando o campeão da prova, o ucraniano Dmytro Baranovskyy, e o marroquino Jaouad Gharib (bicampeão mundial da maratona) em segundo e terceiro lugares.
Satisfeito por ter chegado em menos de 2h07, o etíope afirmou: "Quero quebrar o recorde logo. Isso deve acontecer no ano que vem".
A marca a ser batida foi estabelecida por Paul Tergat em Berlim em 2003: 2h04min55, naquela prova épica em que o coelho Korir quase venceu, terminando também sub-2h05. Aliás, aqui neste blog está disponível o vídeo dessa chegada. Procurem no arquivo, no lado direito, ou façam uma busca com os nomes dos dois.
O chinês Ding Junjun (à esq.) cruza a linha de chegada, com seu guia, para vencer a final dos 200 m na nona edição dos Jogos para deficientes da Fespic (o segundo maior evento esportivo internacional para deficientes, atrás apenas dos Jogos Paraolímpicos), realizada em Kuala Lampur, Malásia
Pessoal, hoje trago para vocês o relato de um debutante. Em Curitiba, no dia 26 de novembro, Alexandre Issao Minamihara, 24, fez sua estréia na maratona. Ele nasceu em São Paulo, mas hoje mora no Rio. Engenheiro de produção, corre desde 2001. Leia a seguir o texto do Issao, como é chamado.
Estou muito, mas muito feliz por ter feito a minha primeira maratona!
Agora, não sou mais um mero corredor: sou um MARATONISTA! Claro, foi muito mais difícil do que eu poderia imaginar. Mas é melhor assim, sinto-me recompensado por ter superado os 42.195 m da maratona.
Como dizem por aí que a maratona só começa no km 30, meu relato começa no km 30,5. Nesse momento, o China (acho que alguns de vocês o conheçam, da organização de provas da Corpore, como Jorge) emparelha do meu lado, diz algumas palavras de incentivo e logo dispara.
No km 31, havia um posto de água. Eu comi o pedaço de batata cozida que levava comigo (nunca comi nada tão gostoso na minha vida....) e emparelho novamente com o China.
Seguimos na mesma balada até o km 33, quando o corpo finalmente se sobrepõe à mente e eu tento caminhar um pouco. O problema é que, naquela altura do campeonato, caminhar era uma alternativa pior do que continuar correndo: as pernas travaram e foi difícil retomar a corrida.
Logo depois eu alcanço o China novamente, que não devia estar em um de seus melhores dias (eu estava no meu melhor dia!).
No km 35, o China diz que esse é o número mágico, só faltam 7km para a chegada: a subida do viaduto, uma outra subida e depois plano até o final!
Eu caminho novamente, o China dispara, eu volto a correr e alcanço o China novamente no km 37. No mesmo local, eu ultrapasso a Paty, amiga das corridas em São Paulo, e converso um pouco com ela. Era o final de uma subida.
No início da descida que se sucedeu, comecei a sentir câimbras nas duas coxas. Fui obrigado a parar e me atirar no chão, aguardando a câimbra passar. Um pouco depois, a Paty passa me oferecendo um copo d’água, que foi imediatamente aceito.
Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali jogado no chão, mas foram quase cinco minutos de agonia, até que resolvi levantar e continuar correndo.
Passo pelo viaduto, caminho um pouco na subida e no posto de água do km 40 encontro o China novamente! Fizemos juntos os próximos 1,5 km dentro do Passeio Público.
Na reta final, o China dispara e eu fico ali, curtindo cada segundo que me separava da linha de chegada.
É bom demais terminar uma maratona!
Acho que não vou esquecer destas 3h49min28 tão cedo. Mesmo porque a cada passo que eu dou as minhas pernas me lembram que eu corri uma maratona....
Neste domingo, o melhor maratonista do ano volta a correr. O etíope Haile Gebrselassie, que venceu em Berlim com 2h05min56, vai disputar a tradicional prova de Fukuoka, no Japão, e os organizadores torcem para que pinte um novo recorde.
Gebrselassie é especialista nisso: já estabeleceu 21 recordes mundiais nas mais diversas distâncias, mas os 42.195 metros ainda estão virgens para ele. Pior: o dono da melhor marca é seu rival das ruas e das pistas, o queniano Paul Tergat, que já amargou terríveis derrotas olímpicas nos 10.000 m.
Neste domingo, ele enfrenta o marroquino Jaouad Gharib, bicampeão da maratona nos Mundiais de Paris-03 e Helsinque-05, que tem como melhor marca 2h07min02. Nenhum deles pode descartar, porém, a concorrência do queniano Paul Biwott, que tem recorde pessoal inferior, mas é um bravo lutador nas ruas.
A esquadra nipônica é comandada pelo recordista de Fukuoka, Atsushi Fujita, que estabeleceu a marca de 2h06min51 no ano 2000. "Não importa quem seja o oponente, eu posso vencer se correr a minha corrida", diz ele, que venceu os Mundiais de 1999 e 2001.
A maratona de Fukuoka é uma das mais tradicionais do mundo, fazendo agora sua edição de número 60. Em 1995, a vitória ficou com o brasileiro Luiz Antonio dos Santos. Para saber mais sobre a história desta prova, leia longo e pormenorizado relato no site da Iaaf (a Fifa do atletismo), em inglês, AQUI.
Esta mensagem é apenas para lembrar que amanhã é o Dia do Leitor. Vou trazer para vocês o relato das emoções de um jovem que fez em Curitiba sua estréia no mundo das maratonas.
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