Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Cena paulistana

Fotos Silvia Corbucci

Corrida com obstáculos

Pois não é que fui subir a lomba da Biologia hoje, na Cidade Universitária de São Paulo, e tive de parar no meio do caminho? Mas não foi por falta de pernas, e sim porque uma superhipermega-árvore havia caído, fechando a rua de lado a lado.

Fiquei doido procurando alguém que estivesse correndo com celular com câmera, para conseguir uma foto para o blog, e encontrei uma história ainda melhor.

Ontem à tarde, às 16h, a ciclista Silvia Corbucci desceu aquela rampa a 30 km/h, sem parar nem piscar. Três horas depois, quando voltava do treino, o mundo tinha desabado na rua do Matão. Aproveitou, para, como diz, brincar na "verticalidade horizontal" daqueles troncos.

Hoje ela voltou para registrar o desastre com seu cãozinho Chien (abaixo) e fez as fotos aqui apresentadas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h01

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Fala, leitor

Pesadelos de corredor

Numa noite dessas, tive meu primeiro sonho com corrida, depois de oito anos nessa vidinha encantada. Era uma confusão danada, mas bem interessante. Tratei de protegê-lo na memória pensando em contar para vocês, mas me esqueci. Então fui atrás de gente que já sonhou com isso. Encontrei amigos e conhecidos que já tiveram até pesadelos, e contaram suas histórias na internet. Passo para vocês tal qual me contaram.

"Tive um pesadelo ontem!

Era assim: Era dia de corrida. Acordei atrasada. Tinha combinado de ir com um amigo, mas, devido ao atraso, perdi-o de vista. Não achava minhas meias de corrida. Eu tinha cedido meu quarto, em casa, para dois hóspedes (!!??); entrei no quarto com eles ainda lá dentro, abri a gaveta procurando meias. Não tinha uma meia limpa (vixx, q absurdo! rs), peguei a mais "usável". A mais "usável" era da marca Lupo (vejam q pesadelo mais detalhista, isso pq eu nunca tive nenhuma meia dessa marca q fosse de correr!). Eu não tinha carro. Peguei carona numa van e encontrei um conhecido. Pergunto se dá tempo de chegar na prova, ele diz q tá td tranqüilo. Começo a perceber a "tranqüilidade": o caminho até a largada era de terra, uns morros bem íngremes, cheios de pedronas ( parecia uma Chapada Diamantina). No meio do caminho, percebo q esqueci minha mochila. Mas penso: "Pelo menos estou com roupa de correr"...

Daí acordei...ufa. ..era só um pesadelo...!"

Marie Ota, 35, médica, corre há três anos, acaba de fazer em Curitiba sua primeira maratona

 

"Que coincidência, esses dias tive meu primeiro pesadelo com corrida...

Estava preocupadíssima com o revezamento Ayrton Senna, que iria correr em dupla com a minha irmã Paty. Todos falavam que somos muito corajosas e que dar quatro voltas no autódromo é muito difícil... Meu cérebro fez uma salada com essas informações e sonhei...

A corrida era na minha casa, que estava cheia de gente. Tínhamos que subir e descer muitas escadas, várias vezes (minha casa era enooooorme, rs), As pessoas não saíam do lugar, e nós tínhamos que saltá-las...Eu ia caindo e bambeando... foi terrível!!! Quando estava +ou- na volta 20 acordei...ufa! !! Estava cansadíssima. ..rsrs

Após a corrida, lembrei desse pesadelo e tive a certeza de que a realidade foi bem melhor, me cansei bem menos correndo os 21 km no autódromo do que sonhando com a corrida!!! E ainda faturamos o 1° lugar na dupla feminina!!!"

Mariana Resende, 23, estagiária de direito, corre há três anos

 

"Pesadelo, não. Só sonhos.

Nas corridas do mundo real, já acordei atrasado, deixei amigos esperando muitos minutos, peguei tênis errado, esqueci o chip, escorreguei de nádega no lodo. Fiz surfe com prancha de eucatex e também só com o tênis. Salto de costas ao solo e de frente ao chão. Sofri ataques de cachorros, de motoristas, de grupinho. Pulei sobre cobras, cercas, gambá. Enfrentei lagartos e formigueiros. Com os cortes ardidos, conheci o bambu-lixa. No arame farpado, deixei preciosos cabelos. Corri em lamaçal, dentro de riacho, no mar, na areia fofa e até no meio da boiada.

Pode parecer pesadelo, mas é o divertido dia-a-dia."

Toinho, 53, dentista, 23 anos de corrida

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h30

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Fala, leitor

Por que você corre - 2

Um leitor do Canadá, que se assina FT, mandou o seguinte comentário, que está lá no seu devido lugar. Mas achei que pode representar o pensamento de alguns de vocês, e por isso resolvi colocar aqui também.

Eu não corro porque eu tenho problema de peso (sou magro). Eu não corro por desafio. Eu não corro pra melhorar desempenho sexual. Eu não corro por um monte de coisas que as pessoas falam. Eu corro pra sentir daquela "onda de pensamento" que a gente sente quando tá numa corrida com um monte de gente.

Vc já sentiu isso ? É muito forte. São muitas pessoas correndo juntas e pensando parecido. Isso parece que gera uma onda, sei lá da onde, que me empurra. Eu não fico tão cansado tanto em corridas como fico em treinos. Não sei direito explicar.

É por isso que eu corro. Essa sensação vicia, sim. Vicia muito. Fiz a minha primeira meia-maratona em setembro passado, depois de algumas provas de 10Km, e toda essa sensação me empurrou pros 1:57. Nunca imaginei que seria capaz. Isso, sim, é porque eu corro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h31

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Bastidores

Por que você corre

Era um figura muito estranha: calça jeans, camisa esporte de mangas compridas, sapatênis modernoso, gravador na mão e correndo ao lado de um sujeito de calçãozinho e regata ou de uma dama adequadamente trajada para o esporte. Tratava-se deste que vos fala: para produzir a coluna +corrida desta semana no caderno "Equilíbrio", na Folha, fui à USP na manhã cinza e chuvisquenta do sábado 25.11 entrevistar corredores. Perguntei por que corriam, há quanto tempo e se a corrida fez com que se sentissem mais desejáveis ou desejados. Quem quis disse nome e sobrenome, outros só falaram nome e houve quem preferisse nada dizer. Veja a seguir algumas das entrevistas, com pequenas adaptações para transformar a sucessão de perguntas e respostas em texto corrido. Fiquem à vontade para mandar mais contribuições.

"Sou francês, cheguei a São Paulo há quatro anos. Saí de uma cidade de 30 mil habitantes na França, bem tranqüila, cheguei a São Paulo, que é uma cidade difícil, muito dura. Sentia que precisava achar uma forma para entrar em contato um pouquinho mais com a natureza. Comecei a correr seis anos atrás, fiz amizade com a turma da corrida. Fiz algumas provas aqui no Brasil, provas curtas, depois fiz duas meias-maratonas, no Rio e em Buenos Aires, e agora vou o desafio da minha vida: no dia 10 de dezembro, vou tentar fazer a maratona. Correr melhorou muito a minha vida. Na vida afetiva, me deu um equilíbrio, que eu não estava achando aqui, porque eu trabalho muito mais do que eu estava trabalhando na França. Como eu falei: a vida em São Paulo é difícil, e a corrida me ajuda muito, me dá um equilíbrio tanto profissional quanto afetivo, não é verdade? E de amizade muito forte. Ajuda em tudo, pois para se preparar para fazer a maratona é difícil, é muito sacrifício, mas você sabe que tem um objetivo e você vai correr atrás do objetivo e isso ajuda em tudo, trabalho, vida afetiva, a vida de forma geral." Allan Poleto, 49, chefe de cozinha

"Eu gosto muito de correr e me faz bem. É um momento que eu tenho de desprendimento, que eu posso correr sem me preocupar se algum carro vai me atropelar. Está todo mundo correndo junto. Um momento que eu me desprendo das coisas. Eu me sinto melhor fisicamente. Eu me sinto melhor comigo, então, se isso repercute alguma em alguma coisa física, tudo bem, mas o objetivo não é esse." Vilma, 46, consultora de restaurante.

"Comecei a correr para começar a emagrecer e depois porque gostei, é um desafio todo dia. Aí me empolguei, agora corro sempre. Os benefícios são menor ansiedade, bem-estar para dormir, para trabalhar, mais concentração, mais garra, objetivo. Eu acho que você fica melhor com seu corpo, não é? Você se sente melhor, com certeza. Emocionalmente, sua auto-estima melhora e você fica mais autoconfiante." Cristiane, 28, gerente de comunicação corporativa

"Gosto de correr, corro há dez anos. A corrida ajudou a diminuir a minha ansiedade." Carlos Silva, 42, administrador de empresas.

"Corro há quatro anos, por uma melhor qualidade de vida, para a circulação, respiração, cardíaco e manter a forma. A corrida trouxe muitos benefícios para a minha vida. No dia-a-dia, você sofre um desgaste muito grande, mas é mental, e o desgaste físico teu acaba ficando... Você precisa queimar, extrapolar o teu físico, para você se equilibrar, alcançar o teu ponto de equilíbrio. Fazendo isso, você consegue manter um bom relacionamento tanto profissional quanto familiar." Agnaldo Antunes, 38, economista.

"Comecei porque eu estava precisando de um esporte, acabei meio que viciando. A verdade, é que a corrida vicia. Ela me trouxe muitos benefícios: disposição, saúde, perdi peso, passei a me alimentar melhor, tudo isso. Olha, eu tinha um parceiro e terminei com ele. Acho que a corrida me fez enxergar por outros lados... É brincadeira, a verdade é que não tem nada a ver o fim do relacionamento com a corrida. Mas a corrida, com certeza, me deixou mais bem-humorada, eu sou uma pessoa mais disposta, depois que eu comecei a correr." Silvana Cassino, 30, publicitária

"Corro há três anos. Corro por filosofia de vida, estilo de vida, me sentir bem, me manter saudável, enfim, porque é tudo de bom. A corrida traz benefícios com aprender a respirar, disposição, auto-estima, enfim. Melhora a qualidade do sexo, sem dúvida nenhuma, mas eu acho que não é um fato isolado. É a junção de vários fatores que te completam, enfim, te tornam mais atraente, lógico, fisicamente e mentalmente." Alessandro, 32, administrador

"Eu gosto de correr. Não tem nada a ver com competição. Só por prazer. É complicado falar de prazer, uma coisa assim subjetiva, assim como as palavras não têm o significado dos próprios objetos. Você fala uma cadeira, é uma idéia _a cadeira mesmo não é a idéia da cadeira. Quando chega em prazer, a coisa fica mais complicada ainda. Um pouco assim de autoconhecimento de quais são os seus prazeres, não é? Você não experimentou tudo, então, o prazer vem da experiência. Eu não sou um cara novo, com certeza eu já passei da metade do todo e, dentre as coisas que eu experimentei, eu não sei dizer por que me dá prazer, mas dá. Uma sensação assim de colocar o teu lado físico à tona, trazer à tona. A gente vive o tempo todo com a prevalência do que não é físico. O que domina na sua cabeça não é o físico, você vive o tempo todo assim tentando entender, interpretar as coisas. E, de repente esse lado não há muito que interpretar. É sentir." ...dos Santos, 55

"Eu corro porque eu busco bem-estar, qualidade de vida, porque é um esporte que dá para fazer ao ar livre, em vez de ficar na academia, que é um ambiente fechado. Correr é legal, é um ambiente bem saudável. Eu acho que não só a corrida, mas qualquer atividade física, quando você faz com prazer, ela te dá uma sensação de sucesso, não é? Quando você completa uma prova, independente de chegar na frente de alguém ou não, o próprio objetivo, eu acho que essa sensação de sucesso é importante para você ter auto-estima e vencer em outros campos da vida também, não é? Profissional, afetivo, o afetivo também, sem sombra de dúvidas." Wilson, 20, estudante de educação física.

"Corro há 13 anos. Eu amo correr, amo o esporte, faz bem para a saúde, bem para tudo, para a mente." ......, secretária executiva

"Quem corre consegue coordenar mais e ter um foco mais direcionado para aquilo que ela pretende. Quem não corre pode dar uma corrida, assim, em viés, para chegar num ponto. Quem corre já direciona o foco aqui e vai direto. Uma reta só. Além de todo bem-estar... É todo um conglomerado de idéias de tudo. É muito bom." Chris, disponível para o mercado de trabalho

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h50

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História

De Esparta a Atenas

A Garota Corredora é uma das quase 300 peças da exposição "Athens-Sparta", atualmente em cartaz no Onassis Cultural Center, em Nova York. Essa figura em bronze tem mais de 2.500 anos -é datada de 550 a 540 antes de Cristo. Antropólogos e historiadores podem tentar explicar as razões e os porquês dessa escultura, mas dá para imaginar que havia mulheres correndo na época, o que levou a inspiração ao artista desconhecido.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h57

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Entrevista exclusiva

Entrevista exclusiva

Boa forma e atração sexual

Um estudo relacionando a prática do exercício com a auto-imagem e a atratividade sexual levou a pesquisadora Tina Penhollow às páginas de jornais do mundo inteiro. O trabalho, que citei na coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), foi realizado na Universidade de Arkansas. Ainda hoje, dois anos depois de publicado, é tido como um dos poucos na área. Penhollow, 26, continuou investindo nesse terreno e, em maio passado, obteve o doutorado em Ciências da Saúde. Hoje é professora-assistente no Departamento de Ciências do Exercício e Promoção da Saúde da Florida Atlantic University. A pesquisadora é adepta do jogging (no mundo das corridas dos EUA, há quem diferencie ser um "runner" _um corredor freqüente, de bom ritmo_ e um "jogger", que vai no vai-da-valsa; para mim, somos todos corredores). Também pratica musculação, natação e golfe, como contou à Folha em entrevista por e-mail. Vamos ao que diz Tina Penhollow.

Folha - O nome de seu trabalho é uma pergunta ("Atração Sexual e Performance Sexual - Será que Exercícios e Boa Forma Realmente Importam?", numa tradução livre). Qual a resposta?

Tina Penhollow - Com base na minha pesquisa, a resposta é: sim, exercitar-se e estar em boa forma parecem ter um impacto em quão desejável a pessoa se sente e na sua performance sexual. Quem se exercita por mais tempo e tem níveis mais altos de atividade física diz sentir-se mais desejável e ter melhor performance sexual.

Folha - O que exatamente a senhora quer dizer quando fala em exercício? Musculação, corrida ou o quê? A senhora tem algum estudo específico sobre corrida e auto-estima?

Penhollow - Para o nosso estudo, não fizemos uma definição específica do tipo de exercício. Solicitamos aos participantes que avaliassem seu grau de boa forma e indicassem a freqüência com que faziam exercícios (de um dia por semana a seis/sete dias por semana). Portanto, exercício, no caso, pode incluir tanto musculação quanto trabalhos aeróbicos. Não fiz nenhuma pesquisa específica sobre corrida e auto-estima, mas há estudos que relacionam a prática de exercícios aeróbicos com níveis mais altos de auto-estima.

Folha - A senhora considera que, estando em boa forma, a pessoa tem mais chances de fazer conquistas amorosas?

Penhollow - O exercício faz com que as pessoas sintam-se melhor consigo mesmas. Elas ficam mais cheias de energia, melhoram a aparência e aumentam seu bem-estar psicológico. Uma percepção positiva de si mesmo faz com que a pessoa sinta-se sexy e seja mesmo mais atraente sexualmente. Ser sexy não é simplesmente uma questão visual, física, mas engloba a auto-estima e a autoconfiança. Conseqüentemente, quem faz exercícios pode ser mais capaz de ‘conquistar‘ do que indivíduos que não fazem nenhum tipo de exercício.

Folha - O responsável pela edição sul-africana da revista "Runner’s World" disse que "maratonistas são como deuses do sexo". A senhora concorda?

Penhollow - Maratonistas já foram comparados a deuses do sexo por várias razões. A literatura sugere que estar em boa forma significa basicamente o mesmo que ser atraente sexualmente. Outras pesquisas demonstraram uma relação negativa entre alto índice de massa corporal e a experiência sexual. Então, pode-se imaginar que maratonistas tenham mais energia, mais resistência e atração sexual, o que se combina para produzir uma boa vida sexual.

Folha - A senhora corre? Sentiu-se mais desejável depois de ter começado a correr?

Penhollow - Eu me considero basicamente uma corredora casual [uma "jogger", e não uma "runner", na frase em inglês]. Estar em boa forma faz com que eu me sinta mais autoconfiante. Portanto, sim, eu me sinto mais desejável em comparação a períodos no passado em que não estive em boa forma.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h39

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Supresa

Supresa

Fora das ruas e das pistas

Vejam só o que encontrei em minhas pesquisas na internet: Marathon é o nome de uma banda punk que nasceu nos Estados Unidos em 2002 e acabou neste ano. Aqui ao lado você vê o panfleto de divulgação do último show.

Não entendo nada de punk, mas o som dos caras, pelo pouco que ouvi, é bacaninha. Também não sei se o nome tem a ver com a corrida, pois, como é de conhecimento corrente, a palavra maratona já extrapolou há muito o terreno do esporte e significa esforço hercúleo, determinação, continuidade e mais tantas coisas.

De qualquer forma, a tal banda continua bem viva no MySpace, onde tem um espaço próprio. Você também pode saber mais sobre os caras no site do grupo. E curta a seguir um videoclipe da Marathon, agora ouvida, e não corrida.

Marathon LIVE - "Dictator"

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h04

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Lembrete

Em causa própria

Amanhã é dia da coluna +corrida no caderno Equilíbrio, da Folha. Compareçam.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h58

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Longevidade

Longevidade

Bisavó põe neto para correr

No próximo domingo, uma mulher especialíssima vai largar entre os cerca de 29 mil participantes esperados na maratona da Honolulu, no Havaí. Trata-se de Gladys Burrill, uma novata nas corridas, mas veterana no esporte da vida. Aos 88 anos, essa bisavó prepara-se para fazer sua terceira maratona.

Desde menina, no frio e distante Estado de Washington, ela gostava de correr pelas colinas. Mas nunca se arriscara a enfrentar uma prova. Quando viu a maratona de Honolulu em 2003, porém, não resistiu e resolveu se inscrever para o desafio.

Aproveitou que estava embalada e inscreveu também o filho, o neto e a mulher dele. Todos terminaram felizes e satisfeitos a prova de 2004, a primeira maratona da mulher que ficou conhecida como Gladyator, por sua fibra e disposição de luta, uma gladiadora dos combates quotidianos.

"Esqueça esse negócio de idade e simplesmente aproveite o fato de estar lá, fazendo exercício, caminhando ou correndo", recomenda a bisavó, que neste ano pretende completar a prova em sete horas e meia _novamente com o filho, o neto e a mulher do dito cujo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h09

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Trapaça

Troca-troca

Duvido que alguém goste dos cortadores de caminho e outros fraudadores de corridas. Dão raiva ou pena, decepcionam por existir. Por isso, quando um é flagrado no ato, a reação da boa parte dos corredores é dizer "bem-feito!".

Se você é dessa turma que se alegra com a punição dos estelionatários de distâncias, veja só a história do dr. Hassan Ibraim, médico da Universidade de Minnesota.

Neste ano, ele reduziu em uma hora seu tempo na Twin Cities Marathon _as cidades-gêmeas são Saint Paul e Minneapolis_, que já havia corrido quatro vezes. Com o resultado, qualificou-se para a maratona de Boston do próximo ano.

Só tem um porém: ele não correu a maratona de Minnesota. Em entrevista por telefone com a TV local, admitiu ter dado seu chip e número do peito para outro corredor. A história, publicada no site da emissora, surgiu depois que os organizadores da prova receberam uma denúncia e foram analisar os dados do corredor, vídeos e fotos da prova.

O sujeito que fez a prova em 3h10 foi um irmão de um colega do médico, que alegou que pretendia correr Boston para arrecadar fundos para obras benemerentes.

Apesar da confusão, o corredor já se inscreveu para a maratona de Boston 2007. Resta saber se os organizadores da prova de Minneapolis vão referendar seu tempo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h59

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Beirute

Beirute

Resistência

A maratona de Beirute, que havia sido adiada por causa do assassinato do ministro da Indústria e Comércio do país (leia neste blog AQUI), foi realizada ontem sem problemas, mas com incidentes.

O percurso teve de ser aumentado um pouco para desviar de uma manifestação que acontecia no centro da cidade. Com isso, o trajeto ficou em 42,8 quilômetros, o que impede a comparação dos resultados de ontem com as marcas anteriores.

O campeão foi o queniano Moses Kemboi, que completou a prova em 2h17min28. No feminino, a também queniana Eunice Korir fechou em 2h49min17.

Mas a verdade é que, como bem diz o SITE da prova, "cada corredor é um vencedor".

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h05

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Nimbus VIII

Nimbus VIII

Incômodo taruguinho

O Nimbus é tido e havido como um dos melhores tênis _para alguns, o melhor_ de amortecimento disponíveis no mercado. Na mais recente versão do produto, porém, a Asics deu uma rateada em um pequeno detalhe, que pode virar uma enorme incomodação.

Na biqueira do Nimbus VIII (foto ao lado), o que era uma espécie de círculo machetado no Nimbus VII (abaixo, à direita) virou um pequeno cilindro, ficando em relevo na ponta do tênis.

Até aí, tudo bem. O problema é do lado de dentro, onde aquele relevo é repetido. Ou seja, fica um taruguinho lá, roçando nos seus dedos.

Quando vi o modelo novo em uma loja em San Francisco, e ainda por cima com preço promocional, quase fui tirando o cartão de crédito do bolso. Mas resolvi experimentar e foi decepcionante. Nem sequer dei aquele trotinho pela loja para ver se está tudo bem...

É bem verdade que nem todo mundo sente o problema. Consultei homens e mulheres que experimentaram o calçado e alguns nem notaram o que para mim foi um problemão. Deve ter algo a ver com a posição em que fica o pé, o tamanho dos dedos, sei lá... De qualquer forma, na opinião deste blogueiro, a tal saliência interna não deveria existir. É foco potencial de problemas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h55

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Gripe

Gripe

Na dúvida, não ultrapasse

Pessoal: atendendo a pedidos, trago para vocês um artigo comentando os riscos de correr quando gripado ou com febre. O texto é do treinador Danilo Henrique Santos, 29, mais conhecido como Danilo Balu. Ele é bacharel em esporte pela USP e atualmente cursa nutrição. Leiam suas recomendações.

Você já se sentiu culpado por ter deixado de treinar por causa de uma gripe ou febre? Ou já se perguntou se pode ou não treinar quando um resfriado parece não deixá-lo 100% para um esforço maior?

Nosso organismo não é uma ciência exata. A programação da nossa rotina física, por mais detalhada que seja, não afasta por completo esse imprevisto que é ser acometido de pequenos distúrbios respiratórios _ainda mais no clima que vivemos. E, quando eles vêm, para minimizar as perdas, como devemos agir?

A coisa é bem mais simples do que parece!

No caso de febre, por mais leve que ela seja, a recomendação unânime é a que, por ser um problema que exige mais tempo de recuperação e por acarretar um desconforto maior, deveríamos deixar de lado o treino (seja forte, fraco ou competição). A regra é descansar e ir tomar o medicamento receitado pelo médico. Uma atividade só agravaria o problema e te afastaria por mais tempo ainda.

Para gripes e resfriados, funciona muito bem uma pequena regra. Se os sintomas só se fazem sentir acima do pescoço (coriza, nariz entupido, rouquidão...), você pode optar por uma atividade fazendo de seu treino uma atividade mais leve. Caso os sintomas apareçam também abaixo do pescoço (dores, peito "chiando", cansaço...), a recomendação é a de não realizar atividade alguma!

O importante é saber que isso geralmente ocorre quando há uma queda em nosso sistema imunológico. Se você decidir correr, faça-o com menor intensidade! No caso da febre, correr implica uma maior carga em um sistema já debilitado. Você reduz as condições para uma boa recuperação se submete o sistema a um estresse maior.

Se no dia você teria uma competição, por mais doloroso que isso seja, o melhor é abrir mão. Uma pena, mas acontece. Dando condições ao seu corpo de se recuperar, você poderá correr muitas outras vezes. E melhor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h09

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Humor

Humor

Orlando

Orlando é um sujeito de mil facetas, todas elas muito boas. Ilustrador e chargista, também encontra tempo na sua movimentada vida desenhada para ser agitador cultural e sindical, mobilizando os colegas de pincel e lápis. De nome completo Orlando Pedroso, é paulistano e nasceu em 1959.

Faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil, para quem organizou o 2º e 3º ilustrabrasil! em parceria com o Senac Lapa. Participa do grupo de formação das câmaras setoriais de artes aplicadas junto à Funarte.

Acaba de lançar o livro "Moças Finas", com 84 desenhos inéditos.

Saiba mais sobre Orlando e seus trabalhos AQUI e AQUI.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h47

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Belo Horizonte

Belo Horizonte

Tri-Bi

Deu dobradinha brasileira na Volta da Pampulha, na manhã de hoje em Belo Horizonte.

A mineira radicada em Brasília Lucélia Peres sagrou-se tricampeã da prova, enterrando o fantasma daquela não-chegada na Meia do Rio, quando passou mal a poucos metros do final. Passeou na prova, chegou inteiraça e sorridente em 1h02min16, cerca de meio quilômetro (a julgar pelos tempos) na frente da segunda colocada, Márcia Narloch (1h04min02). Em terceiro chegou Marily dos Santos (1h04min40).

Na prova masculina, Franck Caldeira conquistou o bicampeonato, tal como Vanderlei Cordeiro de Lima. O mineirim mandou ver na terrim, com os quenianos na cola, mas dominando o terreno. Passou a linha de chegada em 53min53, seguido pelos quenianos os quenianos Kosgei Kiplino (54m03s) e Cosmers Kemboi.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h42

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Fukuoka

Fukuoka

Ficou para 2007

Nove semanas depois de estabelecer o melhor tempo da maratona neste ano, em Berlim, o legendário Haile Gebrselassie voltou a vencer, agora em Fukuoka, supertradicional prova japonesa que completou sua edição de número 60. Mas não veio o recorde sonhado pelos organizadores do evento: o etíope, dono de dois ouros olímpicos nos 10.000 m e de 21 recordes mundiais nas mais variadas distâncias, fez "apenas" 2h0652, quase um minuto mais lento do que havia sido na Alemanha.

"Hoje o mais importante era vencer", disse Gebrselassie (na foto, já com os louros da vitória), que escapou do pelotão no km 38, deixando o campeão da prova, o ucraniano Dmytro Baranovskyy, e o marroquino Jaouad Gharib (bicampeão mundial da maratona) em segundo e terceiro lugares.

Satisfeito por ter chegado em menos de 2h07, o etíope afirmou: "Quero quebrar o recorde logo. Isso deve acontecer no ano que vem".

A marca a ser batida foi estabelecida por Paul Tergat em Berlim em 2003: 2h04min55, naquela prova épica em que o coelho Korir quase venceu, terminando também sub-2h05. Aliás, aqui neste blog está disponível o vídeo dessa chegada. Procurem no arquivo, no lado direito, ou façam uma busca com os nomes dos dois.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h11

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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