Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

São Silvestrinha

Claudia Aratangy

Desrespeito

Poucos se lembram, mas um dos componentes da São Silvestre é a tal da "São Silvestrinha", que foi criada em 1994 para abrir espaço para a criançada participar do evento. Tal como a São Silvestre, a prova para a petizada acontece na parte mais quente do dia e nem sempre é pautada pela boa organização. No almoço dos técnicos da elite, hoje, vários comentaram o sofrimento a que a petizada foi submetida na tarde de ontem, na pista de atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera. Ao todo, houve provas para dez categorias divididas por idade e distâncias, começando aos seis e indo até os 15 anos, sempre com meninos e meninas. Sobre o evento, recebi e publico mensagem que nossa leitora e colaboradora eventual Claudia Aratangy enviou à organização da prova. Leiam o que diz essa corredora, mãe e educadora indignada.

"Estive ontem no Constâncio para acompanhar meus filhos de seis e 12 anos para participarem da competição e acho um absurdo que vocês estejam satisfeitos com a organização da prova. Logo se vê que vocês nada entendem de organização, nem de corridas e muito menos de crianças!

"As crianças foram obrigadas a passar horas em espera sem ter absolutamente nada para fazer além de ouvir as barbaridades proferidas em alto e bom som pelo Cristiano e o Chicão (da FPA). Só para ilustrar algumas das pérolas ditas por eles ao microfone: "Vamos sortear este CD, mas quem não quiser pode levar o kit ‘faça seu filho gay’, que vem até com baby doll" ou "Olha o gordinho, gente!" e ainda "Se não gostar do prêmio, dê para sua sogra!". Isso sem falar em outras brincadeiras grosseiras e desrespeitosas, como a que foi feita com Tainá, a índia xavante que foi tratada por Cristiano como débil mental (aliás, ele é que ficou parecendo débil mental) na sua tentativa de comunicação com ela.

"Chegamos às 13h, conforme solicitado pela organização e tivemos de passar uma hora esperando os portões abrirem para podermos entrar com as crianças. Lá, eles tiveram de esperar mais uma hora, sentados e quietos sem nada para fazer.

"O tempo entre as primeiras baterias (justo das crianças mais novas) foi o mais demorado. Meu filho mais velho só correu às 19h. Nesse tempo todo, a única "atividade" oferecida foi o ininterrupto besteirol dos detentores dos microfones e, claro, música alta. A sorte nossa foi que o sol não estava dos mais fortes. Caso contrário, o risco de termos casos de insolação seria bem alto. Ah, e claro, não havia nada além de sorvete e outras tranqueiras para se alimentarem. Meu filho mais velho ficou morto de fome.

"Assim, fica difícil estimular as crianças a gostar de corrida! Eles ficaram irritados, cansados e famintos!

"Muitas pessoas vieram de outras cidades e até de outros Estados. Algumas, de origem bastante humilde, para quem esta viagem é um sacrifício É um desrespeito com todos. Infelizmente, poucas se sentem no direito de reclamar.

"E não vamos nem comentar a São Silvestre. O fato de a prova estar perdendo suas estrelas de primeira grandeza já fala por si só."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h37

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Visual de elite

Melenas crescidas

Márcia Narloch pode até não ganhar amanhã, mas hoje ela recebeu muitas atenções no saguão do hotel da elite da São Silvestre, no centro de São Paulo. Várias pessoas destacavam o que pode ser considerado cabeleira na atleta, que costuma manter tosadinhos seus cabelos.

Não dá para dizer que ela está de cabelos compridos, se você a comparar, por exemplo, com a tricampeã da Pampulha Lucélia Peres, mas o fato é que a catarinense está deixando as melenas crescerem. E atrai elogios.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h22

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Política na São Silvestre - 2

Elegância e respeito

Os técnicos da elite não se cansam de comparar o tratamento dado a seus atletas por algumas provas brasileiras, notadamente as organizadas pela Yescom, com quem estão em conflito, e as atenções recebidas em provas no exterior.

Falam, especialmente, da badalação na maratona da Disney, que oferece alta exposição aos atletas, que costumam receber do bom e do melhor.

Assim também foi o tratamento dado a Márcia Narloch pela maratona de Berlim neste ano. "E olha que ela não corria a prova havia 16 anos", destaca Filé, o técnico da atleta. Segundo ele, como a catarinense foi quinta colocada em terras germânicas, no ano que vem pode até vir a receber cachê "para largar" _referindo-se a uma bolsa pela simples participação.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h16

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Política na São Silvestre

Reivindicações básicas

Acabei de voltar do hotel onde estão hospedados os atletas de elite que vão participar da São Silvestre. Quando saí, os técnicos da elite estavam começando uma reunião para tentar fechar uma posição conjunta para apresentar à Yescom, que organiza a principal corrida brasileira e também as chamadas "provas da Globo", como a meia do Rio e a maratona de São Paulo.

Durante o almoço, antes da reunião, os técnicos alinhavam sua plataforma básica, que tem como um dos pontos o estabelecimento de regras claras e prazos menores para o pagamento dos prêmios aos vencededores das corridas de rua no país. Eles também querem a manutenção do pódio até o quinto colocado, além de pagamento das despesas dos atletas de elite.

A reclamação dos técnicos e dos atletas vai muito além da compensação financeira. Tratamento mais respeitoso e digno aos corredores é uma exigência fundamental. "O atleta não pode ser tratado como rês", resumiu um treinador.

Para Thadeus Kassabian, da Yescom, o fato de a São Silvestre não pagar cachê nem as despesas dos atletas de elite é compensado pela visibilidade na mídia: "A São Silvestre é um trampolim de estrelas. O atleta que ganha tem um upgrade na carreira, na vida, a possibilidade de virar ídolo", disse ele ao site Gazeta Esportiva.

Mais tarde eu conto o resultado oficial da reunião, se é que vai sair alguma plataforma comum. Pois, como vocês podem imaginar, entre os técnicos também há divergências e arestas, ciúmes e troca de farpas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h06

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Melhores do ano

Barba, cabelo e bigode

A Associação Internacional de Federações de Atletismo acaba de publicar o seu balanço do ano nas corridas de rua.

Foi uma bela temporada ano para a maratona e para a meia-maratona, na avaliação da entidade. Nada menos que sete atletas correram os 42.195 metros em menos de 2h07 -em 2005, apenas Haile Gebrselassie fizera uma prova nessa marca. Por sinal, o etíope mandou ver e promete ir buscar o recorde de Paul Tergat no ano que vem. Neste ano, contentou-se em estabelecer a melhor marca da temporada: 2h06min52.

Correndo por resultados, o queniano Robert K. Cheruiyot (foto) foi outro destaque do ano, com suas vitórias em Boston e Nova York em Berlim. Por sinal, lidera a disputa pelo Grand Slam das maratonas internacionais. E o rol dos mais rápidos também cresceu: 37 atletas correram a prova abixo de 2h09, contra 29 na temporada anterior. Mas a marca não chegou a bater a de 2003, quando 51 atletas fizeram a maratona em menos de 2h09.

Bem, a IAAF não falou, mas eu aqui lembro que a surpresa do ano foi a vitória do brasileiro Marilson em Nova York. Pegou todos eles com as calças na mão...

Na meia-maratona, de novo o rei da cocada preta é Gebrselassie, 33, que bateu o recorde da prova mal o ano começou, sendo o primeiro homem a correr a distância em menos de 59 minutos: 58min55 foi a sua marca. No total, sete atletas completaram a meia em menos de uma hora. O ano também teve maior quantidade de bons desempenhos que o anterior: 24 corredores fizeram a prova em menos de 61 minutos, contra 19 em 2005.

Para saber mais detalhes, visite a página de balanço da IAAF, que também traz os rankings detalhados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h05

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Melhores do ano - 2

Melhores do ano - 2

Renovação nas top 10

No balanço feito pela IAAF, a grande vitoriosa do ano foi a holandesa Lornah Kiplagat (nascida no Quênia), que conquistou o Mundial de corridas de rua em outubro. Ela estabeleceu lá um novo recorde mundial para a distãncia de 20 km: 1h03min21, que lhe valeu um bônus de US$ 50 mil.

Segunda naquela prova, a romena Constantina Tomescu, 36, igualou o recorde europeu para 15 km, que era da própria Kiplagat (47min10).

Na meia-maratona, o melhor tempo do ano foi da veterana Edith Masai, do Quênia, que aos 39 anos correu 1h07min16 em Berlim.

A maratona viveu um ano menos empolgante por causa da ausência de Paula Radcliffe, que está prestes a ter seu primeiro filho (o parto está previsto para sexta-feira próxima). Mas três corredoras abriram caminho nas top 10 de todos os tempos: Deena Kastor, dos EUA, com 2h19min36 em Londres, a chinesa Zhou Chunxiu (2h19min51 em Seoul) e a elegantérrima etíope Berhane Adere (foto), que marcou 2h20min42 em Chicago.

No balaço geral, porém, 2006 não se destaca entre os outros deste novo século: o décimo tempo (2h23) e o centésimo (2h31) são os mesmos de todos os anos do milênio.

Veja detalhes do balanço feito pela IAAF e links para os rankings do ano AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h57

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São Silvestre

São Silvestre

Vida dura

Os mais rápidos participantes da São Silvestre são também os que consideram ter a mais baixa qualidade de vida e os que têm o mais baixo índice de escolaridade, revela tese de doutorado apresentada pelo médico Joel Tedesco à Faculdade de Medicina da USP.

A tese é resultado de entrevistas feitas com 962 atletas que participaram da São Silvestre em 2002. Eles foram divididos em cinco grupos, de acordo com o seu desempenho (o grupo 1 era o dos corredores que completaram a prova em até 1h09min56, no masculino, e até 1h19min56; o grupo 5 ia de 1h44min08 a 2h57min02 no masculino e de 1h56min44 a 2h24min26 no feminino).

Os pesquisadores tiraram várias medidas (peso, altura, circunferência da cintura etc.) e fizeram um questionário para medir sua percepção de qualidade de vida e seu grau de satisfação com a vida que levavam. Com isso, Tedesco conseguiu montar um perfil dos corredores pesquisados. Vejam a seguir o que diz a tese, que foi aprovada em outubro passado e publicada no site da USP (AQUI) há pouco mais de dez dias.

"Os corredores mais velozes da amostra masculina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de estatura; d) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; e) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; f) o mais baixo valor da média de circunferência do quadril; g) o valor mais elevado da média de número de sessões de treinamentos semanais; h) média de nove anos de treinamentos regulares; i) o menor valor da média de idade; j) níveis de escolaridade entre fundamental e médio; k) média de 31 anos de idade.

"As corredoras mais velozes da amostra feminina caracterizaram-se por: a) o valor mais baixo da avaliação do domínio ambiental de qualidade de vida; b) o mais baixo valor da média de massa corpórea; c) o mais baixo valor da média de índice de massa corpórea; d) o mais baixo valor da média de circunferência abdominal; e) o maior valor da média de número de sessões de treinamentos semanais; f) média de sete anos de treinamentos regulares; g) o menor valor da média de idades; h) nível de escolaridade médio; i) média de 30 anos de idade."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h58

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São Paulo

São Paulo

Quente e lenta

O horário da São Silvestre é um fator de risco para os corredores e uma ameaça para as marcas. Hoje, a campeã pan-americana da maratona, Márcia Narloch, afirmou que, por causa da hora da largada, é quase imposssível cair o recorde da prova feminina. "Ninguém vai conseguir correr abaixo dos 52 minutos", disse a catarinense tricampeã da Maratona de São Paulo, referindo-se á disputa no feminino. Na prova masculina, José Telles, campeão da Maratona de São Paulo nop ano passado, disse esperar correr "45 baixo", enquanto Franck Caldeira (foto) acredita que poderá correr em menos de 45 minutos.

Mesmo assim, a julgar pelas previsões dos crredores, ninguém deverá levar o bônus por quebra de recorde oferecido pelos organizadores para atletas brasileiros. A bolsa é de 50% do valor do prêmio de ganhador. O vencedor da prova recebe R$ 21 mil, e o prêmio para os brasileiros eventualmente recordistas está estipulado em R$ 10,5 mil.

No masculino, o recorde é do queniano Paul Tergat, que marcou 43min12seg na edição de 1995. O recorde feminino é de 1993, quando a também queniana Hellen Kimaiyo cruzou a linha de chegada em 50min26seg.

As fotos são de Mastrangelo Reino/Folha Imagem

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h18

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Nutrição

Nutrição

Sabor e saúde

Bem, o povo da Alemanha, como vocês viram, corre para se divertir e queimar um pouquinho dos excessos da alimentação natalina. Mas eles e todos nós ainda temos muita comilança pela frente. Por isso, convidei a nutricionista Cynthia Antonaccio, da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem-Estar, para dar algumas dicas para você enfrentar a esbórnia. Já vou avisando que ela recomenda "prestar atenção nas quantidades e não abusar...". Bom, vamos ao texto.

1. Álcool:

Bebidas alcoólicas, obviamente, devem ser consumidas em pouca quantidade. São ricas em calorias vazias (em outras palavras: têm calorias, porém não fornecem nutrientes) e seu abuso -que é uso excessivo, porém não continuado- causa o clássico quadro de embriaguez, sonolência, reflexos lentos etc.

O álcool pode prejudicar a absorção de alguns nutrientes, entre eles o ferro e a vitamina C. A fisiologia de alguns hormônios, como o Hormônio Antidiurético, também fica alterada. Este, na presença de bebidas alcoólicas, é inibido e o resultado disso é que a pessoa perde mais água que o habitual (urina mais), o que pode provocar a desidratação.

2. Nos dias de happy hour:

É claro que se haverá um ‘deslize‘ à noite, vale a pena investir em um prato ‘bem comportado‘ na hora do almoço, sem frituras e sem preparações gordurosas. Abuse da salada e dos legumes. Mas evite permanecer em jejum ou comer apenas salada ao longo do dia! Essa atitude só irá aumentar seu apetite e aí fica bem difícil resistir a uma porção de batata frita!

Em bares, sempre prefira porções de bruschetta, carpaccio, provolone (não ‘à milanesa!‘) e lembre-se de intercalar o consumo de bebida com um copo de água.

Uma última dica: faça um pequeno lanche antes de sair. Vale um iogurte light, uma barrinha de cereal, um queijo tipo Polenguinho ou uma fruta.

3. Na ceia:

Quem disse que não é possível ter uma ceia saborosa e saudável?

O que comer? Tente moderar nas quantidades e prefira carnes de aves ou peixes, muita salada verde, frutas, legumes, arroz, o tradicional Panetone (uma fatia), frutas secas (uma colher de sopa). As nozes, pistaches, castanhas e avelãs podem ser consumidas, porém cuidado com as quantidades! Algo em torno de seis unidades está de bom tamanho!

O que beber? Muita água, sucos naturais e até duas taças de vinho ou champagne.

É natural que nos dias de festas haja comilança, mas também é correto retomar práticas alimentares saudáveis logo em seguida. Mesmo com tantas tentações, evite o excesso de gorduras e de carboidratos de alto índice glicêmico (aquele que o organismo transforma em açúcar rapidamente), como açúcar, pão francês, batata, arroz branco, doces. E procure aumentar o consumo de frutas, vegetais, cereais e pães integrais, carnes magras e leite/iogurtes desnatados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h57

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Berlim

Berlim

Hora da digestão

Na Alemanha, como aqui e em quase todo o mundo, os dias 24 e 25 de dezembro são marcados por altas comilanças. Para compensar as quantidades teutônicas de calorias extras, a turma germânica faz uma festa corredística, em que aproveitam para queimar um pouquinho do peso conquistado á mesa. Trata-se da tradicional Corrida da Digestão do Ganso Assado, cuja oitava edição começou às dez da manhã em ponto, no dia 26, no estádio Mommsen, em Berlim.

Exatos 394 participantes, um número recorde, deram a largada na corrida sem caráter competitivo, que durou pouco mais de uma hora. O percurso pela Floresta Grünewald previa uma etapa na casa florestal Saubucht ("Baía da Porca", nome romântico, né?), onde os participantes fizeram um pit-stop regado a quentão e biscoitos natalinos, antes do regresso ao estádio.

Na linha de largada havia uma série de "atletas" vestidos de Papai Noel, além de um ganso de verdade, que obviamente tinha sobrevivido às comilanças natalinas (fotos). A corrida foi organizada por Wolfgang Paech. Entre os acompanhantes da turma, estava também Bernd Hübner, o legendário maratonista que largou -e chegou ao fim- em todas as 33 Maratonas de Berlim.

O mais legal de tudo isso é que este texto me foi mandado por um gaúcho que hoje vive na Alemanha e que foi meu colega na quarta série do ginásio, no glorioso colégio Pio XII, lá nas lombas do Alto da Bronze. Ele toca violão, dá aula em faculdade de música e faz apresentações numa cidadezinha perto da Floresta Negra, onde também cuida de sua sensacional família. Trata-se de Fábio Shiro Monteiro, que é fiel leitor da Folha Online e colaborador honorário deste blog nas Europas... Obrigado, Fábio.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h51

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Nairóbi

Nairóbi

Corrida engajada

O Fórum Social Mundial, que teve seus dias de glória na Porto Alegre vermelha, será realizado no mês que vem no Quênia, procurando lembrar aos poderosos do planeta os sofrimentos e as necessidades da maioria da população desta terra.

A corrida e os corredores terão parte ativa no evento, que vai de 20 a 25 de janeiro. O recordista mundial da maratona, Paul Tergat, e a ex-recordista Tegla Loroupe estarão na linha de largada da Maratona pelos Direitos Básicos: Um Outro Mundo é Possível Mesmo para os Favelados", que acompanha o lema do evento neste ano: "Um Outro Mundo é Possível".

A corrida vai começar em Korogocho, uma favela na zona leste de Nairóbi, e rodar por 14 quilômetros pelas ruas da cidade, terminando no parque Uhuru. Cerca de 10 mil moradores de favelas e loteamentos irregulares do país deverão participar, além dos forumitas, correndo e reivindicando melhores condições de vida e mais atenção do governo para os favelados do país.

Há 199 favelas na capital do Quênia. A Korogocho, que significa "confusão" na língua dos kikuyu, o maior grupo étnico do país, é um exemplo delas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h24

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São Silvestre

Asfalto de fogo

A cada ano, surge a dúvida: corro ou não corro a São Silvestre?

Odeio a muvuca, acho o horário uma irresponsabilidade, não gosto da descida da Consolção nem do retão da Rio Branco.

Mas é bacana participar da confraternização, é confortador ver o povo aplaudindo e é ótimo ultrapassar um monte de gente na subida da Brigadeiro. 

Além do mais, SEMPRE que alguém descobre que você corre, surge a pergunta: "Já fez a maratona da São Silvestre?" Até você explicar que focinho de porco não é tomada fica mais fácil dizer sim ou não e pronto.

Para mim, continua a dúvida. Corro ou vejo pela TV? Acho que a preguiça vai vencer, mas a dúvida ainda existe.

E vocês? Quem vai correr? E por quê?

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h36

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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