Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Dica de artista

Dica de artista

Receita anti-estresse
 
A atriz Drew Barrymore, a inesquecível garotinha de "ET" dona do maior grito da história do cinema, tem uma infalível receita contra os males do estresse.
 
Depois de vencer problemas com drogas e alcoolismo e voltar à trilha do sucesso, agora supercaretona, Drew revelou à revista "Parade" o seu segredo:
 
"Vou dirigindo pela Irlanda, paro o meu carro e corro pelo campo enquanto arranco a roupa e corro nua pelos campos de trigo. Não é para que ninguém veja. É só para desfrutar da sensação de liberdade."
 
A atriz (na foto em cena do filme "Como se Fosse a Primeira Vez") estará ao lado de Hugh Grant na comédia romântica Music and Lyrics, que chega aos cinemas dos Estados Unidos em fevereiro.
 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Elisete Pereira

Elisete Pereira

Travessia andina

A ultramaratonista Elisete Pereira, que mora no Paraná, iniciou ontem mais uma aventura corrida. Deixou Curitiba com destino à Argentina, onde, a partir de sexta-feira, participa de uma corrida de revezamento que atravessa os Andes e chega ao Chile.
Cada equipe tem 12 atletas, e cada um vai correr uma maratona, totalizando mais de 500 quilômetros de morro, frio e ventania.
Elisete, 44, é catarinense, casada, tem duas filhas e vai participar do único time feminino entre os dez da prova, que, neste ano, contará pela primeira vez com uma equipe brasileira. A turma da atleta, Kurufmawida, foi organizada por atletas da Argentina e tem também tem representantes do Chile e do Uruguai.
Conversei com Elisete por e-mail pouco antes de ela iniciar sua viagem. Leia a seguir um resumo da entrevista.

FOLHA – O que você espera de Cruce de Los Andes?
ELISETE PEREIRA -
Cruce? É pura aventura, é corrida para poucos corajosos e ao mesmo tempo para quem gosta de ficar em contato com a natureza, longe da civilização.
Espero fazer o melhor que puder, e poder compartilhar esses momentos com o espírito de coleguismo e também curtir ao máximo o belo visual e deixar uma boa impressão do meu país como atleta e cidadã.

FOLHA – O que há de mais bacana na prova? E de mais desagradável?
ELISETE -
O que tem de mais bacana é a beleza encontrada na cadeia de montanhas, a amizade que existe entre os competidores, o apoio que um dá para o outro. Ninguém é adversário, porque todos sabemos das dificuldades que é correr por lá. Não existe nenhuma etapa fácil, todos enfrentamos na nossa etapa algo diferente, seja na altitude ou no clima.


O ruim é querer ir ao banheiro, por exemplo, e não poder. Também a falta de comunica cação, pois quando estamos lá, estamos desligados do mundo. Somos sós nós e as montanhas. E temos que cuidar da alimentação para não faltar. Não passaremos sede porque há muitos córregos de água desgelada das montanhas.

FOLHA - Qual a importância de haver uma equipe feminina? Vocês encontram
dificuldades diferentes das dos outros corredores? E facilidades?
ELISETE -
A imprensa de lá mais uma vez comentará a presença das “divas”, “perfumes na cordilheira”. Acho que a competição fica mais leve e harmônica. Somos guerreiras e sempre contornamos as situações com amor, carinho, coleguismo.

Mas é bom saber que lá não existe o "sexo frágil".

Não temos nenhuma facilidade, a regra é a mesma da dos homens (não existe uma premiação só para mulheres).

A desvantagem fica lá na parte mais alta, pois os homens têm mais músculos e fazem em menor tempo. Nós temos que cuidar do tempo limite, que é chegar em até três horas depois que a primeira equipe fecha aquela etapa. Se ultrapassarmos esse tempo a nossa equipe pode até continuar, mas será desclassificada.

FOLHA – Como você entrou na equipe?
ELISETE -
Participei na edição de 2006, quando entrei no fórum de corredores da Argentina, e veio a idéia de participar. Mandei um e-mail para uma corredora que eu havia conhecido numa competição de lá, disse que estava interessada em participar, Imediatamente me aceitaram.

A minha etapa neste ano será a décima, na Cordilheira do lado Argentino, e ficarei alojada em Iglesias, a 2.200 m de altitude, minha etapa será praticamente em descida, entre as 2h e 6h do dia 4 de fevereiro.

Vale lembra que a Equipe Kurufmaiwida é composta por 15 atletas, das quais só 12 participam. Temos várias professoras de educação física, cozinheira, uma que trabalha como tradutora na Cepal -órgão regulador da ONU-, eu, uma funcionária pública. A maioria delas não tem computador e usa o do trabalho para se comunicar.

Temos na equipe a primeira mulher a correr numa maratona na Argentina. Trata-se de Stella Maris Del Papa, que também se comunica via e-mail do computador do serviço do marido.

Todas enfrentam as mesmas dificuldades que aqui no Brasil para conseguir apoio financeiro. No ano passado, conseguimos ajuda. Neste ano, cada uma pagará as suas despesas.

As reuniões viram verdadeiras novelas, pois cada uma tem uma profissão, dias e horários disponíveis para tratar de assuntos da equipe. Ainda bem que existe o e-mail. Tudo o que acontece por lá é repassado por e-mail na nossa lista. Estamos todas sabendo de tudo o que está acontecendo o tempo todo, das competições que cada uma participa, das aniversariantes. Apesar da diversidade de nacionalidades, somos muito unidas.

FOLHA - Quando você começou a correr ultras?
ELISETE –
Minha primeira participação em corridas de ruas aconteceu em setembro de 1984, quando morava em Florianópolis. Foi a Corrida da Primavera - 9 km, na Beira Mar , promovida pelas Lojas Pernambucanas. Vi o folder, entrei na loja e me inscrevi sem nunca ter corrido, sem treino... Fui para a corrida sem roupa especial ou calçado. Era um calor insuportável, mas cheguei em quinta na minha faixa-etária.

Dei uma longa parada, de 1987 a 2003, para cuidar da família e cursar faculdade.

Retornei aos treinos em 08/01/2003. Não conseguia correr sequer 100 m, porém, com bastante dedicação em três meses de treinamentos diários, voltei ao condicionamento físico e recomecei as minhas participações em competições. Esse período de retorno foi ótimo porque perdi em torno de seis quilos, comprei roupas mais joviais e já podia encarar um espelho (ela mede 1m57 e pesa 58 quilos).
No sétimo mês de retorno já corri na Maratona de Florianópolis em agosto, depois na da Serra da Graciosa, em outubro, e finalizei o ano com a maratona de Curitiba.

Estreei na modalidade ultramaratona em julho de 2004, no estádio Pinheirão, em Curitiba.

Até a data já havia corrido em duas de 50 km, uma delas em montanhas, e duas maratonas. A prova começava às 10h de sábado e terminava às 10h do domingo:
consegui somar 132 km, me classifiquei em quinto lugar feminino e primeira na faixa etária 40-44 anos.
Nunca vou esquecer dessa ultra!

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Obrigado, leitor

Qüingentésimo

O internauta Mario, de São Paulo, foi o autor de comentário de número 500 neste blog. Ao destacar a mensagem dele, aproveito para agradecer a todos vocês que passam por aqui, lêem, divulgam, comentam, criticam, perguntam. Mande sua mensagem ou participe em silêncio, a casa é sua.

O comentário do Mário (daqui a pouco, viro poeta rimador) foi sobre o texto que escrevi criticando a absoluta falta de conservação das calçadas de São Paulo.

Eis o que ele disse: "Tem toda razão. Nossa cidade é pensada apenas para carros. Faço sempre um treino do Ibirapuera ao Morumbi e atravessar a ponte Cidade Jardim não é nada agradável. As calçadas então... Um amigo meu levou um tombão na descida em frente ao Hospital S. Luis Morumbi. Somos meio loucos, né?! É um tipo de corrida de aventura... Vida de paulistano!!!"

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Miami

Miami

"Velhinhas" poderosas

Está certo que a maratona é uma corrida para gente experiente. Mas a russa Ramila Burangulova abusou: aos 45 anos, idade provecta para o mundo esportivo, não tomou conhecimento da concorrência feminina e venceu de cabo a rabo a maratona de Miami, realizada ontem.

Para comprovar que o povo daquelas bandas é da pesada mesmo, a segunda colocada foi a ucraniana Rima Dubovik, de 43 anos. A terceira colocada é dez anos mais jovem que a campeã, que fechou em 2h40min25.

"As mulheres russas conseguem correr por mais tempo porque somos muito fortes por dentro", disse a líder, que treina e vive nos Estados Unidos. "Nós somos jovens. Nós somos fortes", completou ela, que também venceu a maratona de Palm Beach no início do mês passado.

No masculino, o vencedor foi o etíope Teshome Gelana, 23, mas quem chamou a atenção do público foi o queniano Charles Kamindo, que correu descalço mais de um terço da prova. Os tênis estavam deslizando muito no asfalto molhado, e o corredor resolveu abandonar os calçados na altura do km 26. Chegou com as meias rasgadas e os dedos murchos, mas sem nenhum machucado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Fala, leitor

Macarronada e mutucas

A ultramaratona Brooks BR 135, realizada na semana passada na serra da Mantiqueira, colocou à prova muito mais que o preparo físico dos 15 ultras que enfrentaram o acidentado percurso (11 terminaram no tempo-limite). Superar a dor, o medo, a fome, o frio e, principalmente, a vontade louca de parar foi o grande desafio. Vejam a seguir como Agnaldo Sampaio, professor de corrida em São Bernardo, superou todas essas dificuldades. Ele terminou a prova em 28h53min01s, atrás apenas do recordista das Américas de provas de 24 horas, Valmir Nunes. Vamos ao texto de Sampaio.

Os primeiros 6 km foram dentro da cidade, a partir daí, entramos numa estrada de terra do Caminho da Fé e então começou o grande desafio.

O Valmir Nunes desprezou a todos e imprimiu um ritmo forte logo no início, então decidi ir junto, confiante que assim faria uma grande corrida e conseguiria chegar em uma boa colocação, já que atrás de mim estava vendo alguns nomes mais respeitados em ultramaratonas mundiais.

Depois de muito sobe-e-desce veio o primeiro grande desafio no km 23, o Pico do Gavião, onde ficava o primeiro posto de controle da prova. Subi muito bem e parei no ponto de apoio para tomar meu hidratante.

Mas logo vi o Áureo Adriano, campeão da prova em 2005, sair com tudo. Percebi que tinha que ser forte, senão seria engolido pela turma que estava subindo o Pico. Resolvi então dar um de kamikaze e imprimir um ritmo forte até buscar o Áureo e assumir outra vez o segundo lugar.

O tempo ia passando entre uma montanha e outra, e a chuva, que não parava, inundava riachos e transformava a prova em uma verdadeira pista de motocross.

Depois de umas quatro horas correndo, a prova saiu das estradas de terra e pegou o asfalto. Começava ali a Serra dos Andradas, uma subida que depois se transformava em uma descida muito perigosa porque a chuva era forte e tínhamos que dividir a pista com os caminhões que vinham descendo.

Terminando a Serra, a prova passava por dentro da cidade de Andradas e logo em seguida entrava novamente pelos sítios e fazendas de estradas de terra, onde começava todo o sofrimento outra vez.

Escorregões, tombos e muita chuva na cabeça. Depois de uns dez quilômetros, começava a Serra dos Lima, com sua série de subidas intermináveis.

Terminei a Serra dos Lima e sentia naquele momento como se meu corpo tivesse sido atropelado por uma carreta. Um resfriado havia me pegado, o que era até lógico depois de tanta chuva e tanto esforço.

Naquele momento, saquei da pochete o meu primeiro socorro, um antigripal que tomei e segui firme até o km 70, onde tinha um outro posto de apoio, na cidade de Barra.

Já fazia seis horas que eu estava correndo na chuva e tudo que eu queria era uma bela macarronada quentinha. Parei nesse posto de apoio e comi dois pratos da suculenta macarronada.

Lá, falei com o Rodrigo, um dos organizadores da prova, que eu estava com vontade de parar, mas ele logo me deu aquela força. Disse que eu e o Valmir estávamos muito fortes e muito bem e que eu deveria continuar firme que o resfriado iria passar.

Não fiquei mais que dez minutos parado, peguei minha pochete, uma garrafinha de água e voltei forte para a prova, entrando outra vez no meu ritmo e controlando a minha mente. Tinha que ser forte, senão como chegaria a São Paulo e falaria para os meus alunos não desistirem? Iria me sentir um falso profeta.

Lá vou eu vencendo os desafios: subida, descida, chuva, lama, até ser atacado por um enxame de mutucas que me picaram o corpo inteiro.

O jeito foi arrancar um galho de árvore e correr com o galho na mão girando sobre a minha cabeça como se fosse a hélice de um helicóptero. Assim foi por muitos quilômetros até chegar à cidade de Crisólia. Só então pude abandonar o meu escudo e me livrar das mutucas.

A prova então seguiu pelos vilarejos e voltou outra vez pra estrada de terra, onde logo encontrei um riacho transbordando e tive que escalar pedras pra atravessá-lo, aproveitei para tirar um pouco a lama do meu corpo.

Logo segui forte. Precisava chegar à cidade de Inconfidentes antes de escurecer, lá era o km 113 da prova e havia um posto de apoio importantíssimo.

Em minha estratégia, solicitei que a organização da prova deixasse minha mochila com lanterna, roupa de frio e material pra correr à noite nesse posto de apoio. Se eu não chegasse lá antes de escurecer, com certeza me perderia na mata no meio da escuridão.

Mas deu: cheguei a Inconfidentes na última luz do dia com pouco mais de onze horas de prova.

Nesse ponto de apoio estava o Tião Magu, o grande massagista de prova, que fez uma rápida massagem. Tomei um banho quente, vesti minha roupa seca, jantei uma macarronada, peguei minha lanterna, blusa, roupa refletiva e caí na mata.

 

Continua na próxima mensagem...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fala, leitor

Dois olhos na escuridão

Segunda e última parte do relato de Agnaldo Sampaio (foto) sobre sua participação na ultramaratona Brooks BR 135, um acidentado percurso de 217 quilômetros na serra da Mantiqueira. Vamos ao texto dele.

Não dava pra enxergar um metro à frente sem a lanterna. Naquele momento não podia descuidar, qualquer vacilo significava se perder. O caminho era marcado por setas refletivas e quando a luz da lanterna batia, ela refletia e assim segui destruindo todos os quilômetros da prova.

Por volta da meia noite, a chuva que nos acompanhava desde o início da prova resolveu parar, mas as suas conseqüências estavam por todo o caminho. Muita lama, atoleiros e rios cheios.

No meio da madrugada, encontrei o Rodrigo com sua pick-up atolada no meio do percurso. Pude conversar um pouco com ele, peguei uma água gelada e segui o meu caminho, vencendo o sono, o cansaço e o frio da roupa molhada até chegar à cidade de Tocos de Mogi, onde avisei na pousada dos peregrinos que o Rodrigo estava atolado e estava sem sinal de rádio e celular.

Troquei as pilhas da minha lanterna, me hidratei, comi algumas frutas secas e barrinhas de cereais e segui em frente. Logo saí da cidade e de novo estradas de terra e subidas.

O sono era forte, a solidão me destruía, e eu não podia parar, senão com certeza perderia meu segundo lugar e a esperança de ganhar a prova, já que o Valmir Nunes poderia a qualquer momento parar pra descansar.

Foi quando quase enfartei de tanto susto: coloquei minha lanterna pra iluminar as setas refletivas do percurso e vi dois olhos brilhantes levantarem em minha frente.

Não tive outra opção a não ser bater o meu recorde de 100 metros pra trás, mas logo depois descobri que era apenas uma vaca que só queria sair da estrada, e não uma onça que fosse me atacar.

O episódio engraçado serviu pra espantar o sono e assim foi até o dia clarear. Logo cheguei à cidade de Estiva, em mais um posto de apoio, onde tomei banho quente, deixei todo o material que usei pra correr à noite, tomei um copo de leite quentinho e segui minha viagem para os últimos 50 quilômetros de prova.

Desci a rua da pousada, uma rua de paralelepípedo, até subir uma passarela que passava por cima da Rodovia Fernão Dias e logo à frente, outra vez, estrada de terra, lama e muita coragem rumo à cidade de Consolação, a última cidade antes de Paraisópolis.

Quando lá cheguei já estava exausto, era como se um filme estivesse passando e eu fizesse parte dele. Todos os meus alunos eram os personagens e a cada metro de prova sentia que não estava sozinho.

O Caminho da Fé me ajudou a descobrir o mito da vida, a ilustrar e compreender o compromisso de luta por ideais de muitas horas de vida levada ao extremo pela paixão de correr. Naquele momento tudo que eu queria era terminar a prova.

O medo da morte por exaustão era constante ao ponto de eu ter que reduzir o ritmo com medo da morte, aquela que eu sempre satirizei. Não podia morrer, o meu propósito estava chegando ao fim, e eu teria que carregá-lo até a linha de chegada e servir de exemplo, só assim eu teria a admiração de milhares de pessoas que eu quero conquistar e conduzi-las a uma vida saudável e a um mundo bem melhor do que este em que vivemos hoje.

Voltando à minha prova, os quilômetros iam passando e tudo que eu queria era encontrar uma cidade atrás de todas as montanhas que eu me deparava.

Subia a montanha e atrás dela outra montanha, estava no meio de um vale montanhoso, com milhares de subidas, descidas, muita lama e nada de chegar à Paraisópolis. Água e hidratantes já tinham acabado, e o jeito foi apelar para a água natural saindo direto das nascentes que encontrava no caminho.

Quando avistei a cidade de Paraisópolis foi a glória, sabia que era só ligar o piloto automático e vencer as últimas montanhas. Logo entrei na cidade, corri por volta de mais um quilômetro e a emoção a flor da pele, o cansaço, a dor, as bolhas nos pés e todo o sofrimento tinham valido a pena.

Quando avistei a linha de chegada e escutei a risada e os gritos escandalosos da Elis, vi que não estava sozinho, avistei também a Luiza e a Regina, minhas alunas e amigas, que iriam me fazer companhia e dividir a glória do meu segundo lugar em uma prova absolutamente desafiadora.

Cruzei a linha de chegada, fotos, câmeras, parabéns, sorrisos, choros em uma mistura de homem e herói, que usou seu talento e sua coragem, dominou a dor para vencer um grande objetivo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na Inglaterra

Crianças em ação

A Inglaterra vai distribuir pedômetros para estudantes de regiões mais pobres do país com o objetivo de motivar as crianças a fazer exercício. O investimento no Programa Nacional de Pedômetros para as Escolas chega a quase 500 mil libras (cerca de US$ 1 milhão).

Pelo projeto, serão distribuídos 45 mil pedômetros para 250 escolas de regiões mais necessitadas, que também terão acesso a recursos on-line para orientar os trabalhos.

Antes do lançamento, foi feito uma experiência em 50 escolas, e as crianças que usaram o pedômetro mostraram mais disposição para a atividade física. Os benefícios foram maiores para as crianças que eram menos ativas, mas os mais esportivos também avançaram.

Até as famílias se envolveram no esforço da garotada para aumentar seu número de passos e melhorar seu desempenho. Pais e mães passaram a participar de caminhadas com seus rebentos, e alguns decidiram até participar de clubes locais.

"Esse programa mostra que você não precisa entrar numa academia ou começar a correr maratonas para melhorar sua forma física. Coisas simples, como sair para uma caminhada ou subir as escadas em vez de tomar o elevador, podem contribuir para aumentar seu bem-estar", disse a ministra da Saúde Pública, Caroline Flint, ao lançar o programa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Humor

Orlando

Orlando é um sujeito de mil facetas, todas elas muito boas. Ilustrador e chargista, também encontra tempo na sua movimentada vida desenhada para ser agitador cultural e sindical, mobilizando os colegas de pincel e lápis. De nome completo Orlando Pedroso, é paulistano e nasceu em 1959.

Faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil, para quem organizou o 2º e 3º ilustrabrasil! em parceria com o Senac Lapa. Participa do grupo de formação das câmaras setoriais de artes aplicadas junto à Funarte.

Acaba de lançar o livro "Moças Finas", com 84 desenhos inéditos.

Saiba mais sobre Orlando e seus trabalhos AQUI e AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Terror urbano

Pontes e viadutos

Todos sabemos como é complicado correr em São Paulo, em meio à fumaça dos carros, donos da cidade.

Mas cruzar viadutos e pontes leva a taça da complicação.

Não sei qual engenheiro inventou que pedestre não deveria usar essas vias (ou, se usasse, não deveria ter segurança nenhuma).

O fato é que as passagens para os bípedes são estreitas, sujas, esburacadas e desprotegidas. Há as quem nem planas são. Em algumas, uma muretinha nos separa dos carros, que passam chispando. Em outras, nem isso.

Para complicar, o viaduto sobre o marginal Tietê que desemboca na continuação da av. Pompéia está sem várias placas de concreto naquilo que atende pelo nome de passagem para pedestres. Você corre por ali e, sem mais aquela, tem de saltar um buracão. Se estiver pensando na morte da bezerra, corre o risco de quebrar a perna.

Saravá!

PS.: Não me venham os engenheiros reclamar, por favor. Sei que a culpa não é deles, pois esse tipo de coisa faz parte de uma política centenária de desrespeito ao cidadão comum e favorecimento dos privilegiados em geral. Mas, se algum engenheiro quiser reclamar, fique à vontade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pan-americano

Mais censura

Além de tentar amordaçar a mídia eletrônica, o Comitê Olímpico Brasileiros aponta suas baterias contra a livre manifestação dos atletas.

"Nenhum atleta e/ou oficial da Delegação Brasileira dos XV Jogos Pan-Americanos Rio 2007 pode atuar como repórter, produzindo textos ou pesquisas mesmo para fins editorias, enviar periódicos ou diários on-line para sites na Web durante o período dos XV Jogos Pan-Americanos", afirma um comunicado enviado às confederações brasileiras.

O documento é assinado pelo presidente do COB e do Comitê Organizador do Pan do Rio, Carlos Arthur Nuzman.

Saiba mais AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"On the Edge"

Pradarias e montanhas

Aproveitei o domingão chuvoso para ver um DVD que comprei no ano passado, nos EUA, e deixei esquecido na gaveta. Errei em levar tanto tempo para assistir ao belo "On the Edge", que conta a história dramática de um ex-quase-corredor olímpico que tenta se reerguer e voltar a competir quando já está na idade madura.

O filme, cujo título pode ser traduzido para "No Limite" ou mesmo, com mais emoção, para "À Flor da Pele", é cheio de chavões, lugares-comuns e todas aquelas coisas que os críticos de cinema adoram condenar e que nós outros, espectadores, adoramos assistir. A produção é de 1985, mas está longe de ser uma velharia _o DVD é de 2005.

Os cenários são maravilhosos, a fotografia é de babar, as trilhas por onde o sujeito treina dão vontade de sair correndo, e as montanhas são coisa de cinema (por sinal, é disso que estamos tratando...). Infelizmente, não tem legendas sequer em inglês; alguns diálogos se perdem, comidos pelo sotaque de um ou outro personagem, mas quem tem inglês mediano consegue acompanhar medianamente a história.

O resumo da ópera: aos 44 anos, 20 anos depois de ser banido do esporte, um corredor aposentado volta à sua cidade natal para correr uma prova trilheira local de fama nacional, a segunda corrida mais antiga dos Estados Unidos, que perde apenas para a tradicional maratona de Boston.

Aos poucos, a história vai se esclarecendo e outros elementos complicadores são acrescidos à trama.

A volta para casa é também o difícil reencontro com o velho pai, comunista de carteirinha que sempre desprezou o esporte e vive em molambos cuidando de um ferro-velho.

Outra superação é aceitar as ordens de seu antigo treinador, que concordou em orientá-lo para enfrentar o novo desafio (aliás, alguns técnicos irão adorar um diálogo entre os dois, quando o corredor agradece ao treinador pelos conselhos, e o técnico diz: "Eu não dou conselhos", fazendo o sujeito se submeter).

O maior complicador é o fato de ter sido banido do esporte, e justamente por causa de uma deduragem do sujeito que agora, 20 anos depois, é o diretor da tal prova.

A punição não foi por doping, mas por Wes Holman, o tal corredor, ter se rebelado contra a falsidade do mundo do atletismo dos anos 60, com seu amadorismo de fachada protegido pelas elitistas federações.

O filme não é um documentário, mas vários atletas dos anos 60 e 70 enfrentaram e desmascaram a hipocrisia dos dirigentes esportivos de então, como fez o famoso Steve Prefontaine.

E a prova é baseada numa corrida maravilhosa, que tomara um dia eu possa fazer. Trata-se da The Dipsea Race, que começa nas montanhas e termina no mar, no norte da Califórnia. O percurso inclui escadarias, subidas dificílimas, descidas traiçoeiras, barro e até asfalto.

É o puro creme do milho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h28

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

In memoriam

In memoriam

O céu está cinza

Morreu na sexta-feira passada Denny Doherty, 66, um quarto do sensacional grupo folk The Mamas and The Papas, que mesmo os mais jovens entre vós devem conhecer pelos sucessos "California Dreamin" e "Monday, Monday".

Ele cantará para sempre.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Especial

Especial

Primeiros passos (replay)

O doutor João Gilberto Carazzato, um dos mais reconhecidos especialistas em medicina esportiva no país, foi um o primeiro colaborador da área médica neste blog. Logo no início de nossas atividades, publicamos texto dele em que dá orientações para quem pretende começar a fazer uma atividade física. Agora, manda uma seqüência daquele texto. Como o primeiro artigo foi publicado há quase dois meses, faço agora uma repostagem dele, com o objetivo de avivar a memória de todos. Em seguida, acompanhe a nova colaboração.

Vamos às dicas.

"De todos os métodos utilizados para preservar a saúde e para prevenir e, mesmo, curar as doenças, não há nada melhor que o exercício físico. O exercício é mais eficaz que os medicamentos e deve ser praticado durante toda a vida para preservar e restaurar a saúde", já dizia Nicholas Andry em seu livro "Orthopedia" , publicado no século 18.

Como também refere Carazzato na introdução do seu livro de Medicina Esportiva: "O ser humano, durante toda a sua existência, preenche as 24 horas de cada dia das mais variadas formas possíveis. Há os que acordam cedo, trabalham muito e têm pouco tempo para alimentação, repouso e lazer. Há os que, na prática, ´nada fazem`.

"É evidente que a programação do dia de cada pessoa tem por base seu grupo etário. Assim, o recém nascido permanece praticamente imóvel durante 24 horas, sendo apenas ´acordado` para higiene e alimentação. Muitos idosos, em seus últimos momentos de vida, encontram-se também em condições semelhantes. Em todos os demais grupos etários, as programações apresentam características absolutamente particularizadas e individuais.

"Sabemos também que, além da alimentação, do repouso, do trabalho, do estudo e do lazer, a prática de atividade física é também considerada essencial para o ser humano e, portanto, deve ser realizada em toda a sua existência. Assim, independente de seu grupo etário, você deve fazer atividade física."

Vamos supor que você resolva iniciar um programa de atividade física. Como fazê-lo?

Dependendo do seu grupo etário, você deve inicialmente avaliar suas condições de saúde. Uma avaliação médica com alguns poucos exames laboratoriais pode considerá-lo apto ou detectar pequenos distúrbios que devam ser sanados inicialmente.

Para um início de atividade física, não são necessários grandes e complexos esquemas de avaliação cardiocirculatória tais como teste ergométrico e detecção dos limites aeróbios e anaeróbios, tão importantes nos esportes competitivos e nos programas de atividade física de alta intensidade e que são determinados por médicos especialistas em medicina esportiva.

Assim, um início simples pode ser conseguido com a mais rudimentar das atividades físicas, ou seja, o andar.

Para haver benefícios cardiocirculatórios, o andar deve observar três princípios básicos: freqüência, intensidade e continuidade.

A freqüência deve ser de um mínimo de três vezes por semana, se possível cinco vezes, e nunca sete vezes.

A intensidade ideal seria de 120 passos por minuto.

A continuidade deve ser conseguida em todo o ano.

Como conseguir isto?

Podemos fazer um protocolo inicial muito simples, a saber: ande em linha reta por cinco minutos com passos amplos com a mesma velocidade que você utiliza no dia a dia. Conte o número de passos. Vamos chamá-lo de X.

Sabendo que o ideal seria 120 passos por minuto o total seria 600 passos em cinco minutos, faça a diminuição 600 – X = Y. Ou seja, Y é o número de passos que faltam para atingir os 600 passos em cinco minutos.

Divida este número Y por dez ( ou mais ) dias e teremos Z que é o número de passos que você deve alcançar a cada dia que andar, até atingir o número ideal de 120 por minuto em cinco minutos.

Conserve sempre o tempo de cinco minutos.

Conseguido o andar com 120 passos por minuto, passe a aumentar o tempo em um minuto a cada dia que andar até atingir o tempo que queira disponibilizar para sua atividade.

Caso você não consiga atingir o número de 120 passos por minuto, não desanime. Estabeleça o seu limite, que pode ser, por exemplo, 80, 90 ou cem passos por minuto, que será aquele que você deve utilizar.

Bem, esse é o início.

Posteriormente poderemos correr, nadar, andar de bicicleta, fazer musculação, ginástica especializada ou até as mais diversas modalidades esportivas. Mas isso veremos em informações posteriores.

Comece de forma simples, que não exija demais de suas condições, para que possa ir progredindo lenta e gradativamente, sem desgastá-lo, sem estresse e, assim, sem oportunidades para frustrações em não conseguir chegar a limites que sejam ambiciosos demais.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Especial

Especial

Entenda os movimentos

Texto do doutor João Gilberto Carazzato, um dos mais reconhecidos especialistas em medicina esportiva no país, especial para este blog. Ex-técnico e atleta de vôlei, Carazzato participou de várias seleções brasileiras. Como médico, esteve na delegação brasileira em três Olimpíadas e quatro Pans. Professor-doutor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, ele chefia o Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas.

Mas chega de conversa. Vamos ao texto.

Vocês observaram as regras básicas para o início de seus programas de atividade física e devem perguntar: "E depois, o que fazemos?"

Antes de seguir, veja algumas particularidades que não mencionamos inicialmente para não dificultar os seus estímulos em iniciar a prática de atividade física.

Sabemos basicamente que existem três tipos de relações do aparelho locomotor a saber: a) Longilíneo: com a predominância do tamanho dos membros em relação ao tronco; b) Brevilíneo: com a predominância do tamanho do tronco em relação aos membros; e c) Normolíneo: com o equilíbrio entre os dois segmentos.

Sabemos também das diferenças entre as estaturas dos indivíduos. Os altos, acima de 1m80; os baixos, abaixo de 1m70, e os que se situam entre as duas faixas.

É evidente que um passo total do longilíneo é maior que do normolíneo e mais ainda em relação ao brevilíneo. É evidente também que quanto mais alta é a pessoa maior é o seu passo.

Assim, um passo total aberto de um longilíneo alto pode ultrapassar 1m20, enquanto o de um brevilíneo baixo dificilmente chega a 0,80 m.

Isto vai influir no esquema que relatei a vocês em relação ao número de passos por minuto. Em conseqüência, o desgaste e o esforço necessário para dar 120 passos totais por minuto é muito maior nos brevilíneos baixos que nos outros tipos.

Se for o seu caso, não desanime. Estipule um número menor e use-o como padrão.

Sabemos também que os 120 passos totais de um longilíneo alto pode alcançar mais de 144 m, e os de um brevilíneo baixo não chegam a 100 m.

Mas, apesar da grande diferença dos espaços percorridos em um minuto, os esforços serão semelhantes. As diferenças podem ocorrer com o aumento da velocidade, que acarretará esforços maiores.

Além disso, existe outro fator que deve ser considerado. A relação peso X altura. Os indivíduos com obesidade terão muito mais dificuldade e esforço que os indivíduos magros para cumprir os mesmos programas.

Assim, se você for andar acompanhado, o ideal seria estar com alguém com suas mesmas características. Os opostos andando junto ou exigem esforços maiores dos brevilíneos baixos e obesos ou insuficientes aos longilíneos altos e magros.

Decida-se. O importante é que você ande.

Outras diferenciações podem ser notadas no contato dos pés com o solo.

O apoio total, com a observância das três fases (do apoio do calcâneo, do apoio total do pé e do desprendimento do hallux), promove reações bastante favoráveis para o bom funcionamento dos "corações dos pés" ( a rede artéria-venosa que ocorre em cada pé ), responsáveis pela impulsão do sangue periférico de volta ao coração e da diminuição de edemas dos membros inferiores.

Esse tipo de andar proporciona ótima circulação para seus membros inferiores (experimente tirar seus sapatos no início de uma longa viagem de avião na qual você deve manter-se sentado em sua poltrona. Ao final da viagem, você não conseguirá calçar seus sapatos pois seus pés estarão muito inchados).

Já o andar ou corrida apoiando apenas as pontas dos pés não beneficiariam tanto a circulação dos pés, mas, em compensação, aumentariam muito a velocidade e o desgaste em relação a grande diminuição do atrito com o solo.

A vantagem da corrida é acarretar um maior trabalho cardiocirculatório em menos tempo.

Os passos com carga total são mais efetivos para a circulação dos membros inferiores, mas proporcionam menos benefício cardiocirculatório na unidade tempo.

Enfim: andar rápido, trotar, ou correr rápido depende mais do psiquismo do indivíduo e de suas necessidades do que suas características de aparelho locomotor.

Se você quiser ganhar grande capacidade cardiocirculatória para a prática de esportes competitivos, a corrida é obrigatória

Se você quer emagrecer, apenas ande e sempre acima de 40 minutos, quando então você começa a perder gordura ( até 40 minutos praticamente você queima apenas açúcar).

Se o seu benefício é psíquico, escolha o que achar melhor.

E agora vamos em frente.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Necessidade básicas

Aquela hora sagrada

Quando Valmir Nunes voltou de Formosa, depois de quebrar o recorde das Américas das 24 horas, fui entrevistá-lo. Uma pergunta obrigatória, considerando que a reportagem seria publicada na Folha, para leitura por público que talvez não soubesse nadica de nada de ultramaratonas, era como ele resolvia suas necessidades básicas durante a corrida, já que tinha de ficar 24 horas batendo pernas na pista.

Não parava nem para fazer xixi; se o caso fosse mais grave, aproveitava as instalações colocadas á disposição dos corredores.

Bem, cada atleta já deve ter enfrentado um problema semelhante em corridas ou treinos. Fica sempre a dúvida se vale a pena parar. Em geral, acho que a tendência, em provas, é o sujeito segurar o máximo possível. Mas chega uma hora que não dá mais, que o desempenho está sendo prejudicado.

A neomãe Paula Radcliffe, recordista mundial da maratona, não quer nem saber. Resolve logo seu problema, surpreendendo até o narrador da corrida, uma prova de dez quilômetros em Londres. O cara fica em dúvida se ela caiu, se tropeçou e pede para dar um replay na cena (que não aparece direito no vídeo, na primeira vez).

Volta, e o sujeito vai narrando: "Vejam só, é mais ou menos por aqui... Ela vai diminuindo o ritmo..." Quando ela se agacha e o narrador percebe o que está ocorrendo, ele fica sem palavras. depois retoma: "Bem, seria muito indelicado comentar..."

Depois da prova, Radcliffe é entrevistada, pede desculpas pela cena e conta que seu desempenho estava sendo muito prejudicado pelo esforço em segurar o que se revelou insegurável.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mumbai

Mumbai

Chips ativos

Um show de tecnologia está sendo prometido pela maratona de Mumbai, a mais populosa cidade da Índia e talvez a mais densamente povoada do mundo. Mais de 20 câmeras serão usados para monitorar o público e os corredores, numa tentativa de aumentar a segurança do evento. Além dos olhares eletrônicos, cerca de 2.500 participantes do evento -que, no total, deve atrair cerca de 30 mil pessoas- vão usar chips de identificação com radiofreqüência ativa (RFID), que servirão para acompanhar o andamento da prova de cada um dos atletas.

Organizadores de corridas ao redor do mundo têm usado chips RFID passivos para registrar o desempenho dos corredores e tentar evitar fraudes. Mas, com esse sistema (que é usado nas grande provas brasileiras), é preciso colocar ao longo do percurso tapetes que captam o sinal dos chips. Conforme o orçamento da prova, os tapetes são colocados em mais pontos. Em geral, estão na largada, na chegada e no meio ou em algum ponto de retorno do percurso.

Com o novo sistema, os tapetes não são necessários. Os chips de radiofreqüência ativa têm uma bateria interna que liga e desliga ao passar pelos pontos de captação do sinal (instalados na largada, na chegada e a cada cinco quilômetros, no caso da prova da Índia). E, segundo os organizadores, oferecem mais precisão, mesmo quando uma grande quantidade de atletas passa ao mesmo tempo pelo mesmo ponto.

Para os organizadores da Maratona de Mumbai, há também uma vantagem econômica, pois os custos são menores. A redução acontece até no custo do transporte, pois todo o material usado para o sistema de cronometria da prova, com a tecnologia usada de 2004 até a prova do ano passado, pesava 3.000 quilos. O peso do material usado para o novo sistema totaliza 800 quilos.

Aproveito para registrar que esta é a primeira a fazer uma ponte entre os meus dois blogs, Circuito Integrado e +Corrida. Esporte também é tecnologia. E vice-versa ao contrário, como queiram.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Lance Armstrong

Lance Armstrong

Sub-2h45

Este é o objetivo do sete vezes campeão do Tour de France para 2007: terminar a maratona de Nova York deste ano em menos de 2h45. A revelação foi feita numa entrevista à ex-mulher, Kristin Armstrong, publicada na versão on-line da revista "Runner‘s World".

Como vocês se lembram, Armstrong foi a estrela maior da prova vencida pelo brasileiro Marilson. Havia uma câmera especial, a Lance Cam, acompanhando seus movimentos, e ele era apoiado por atletas e ex-atletas de elite, como a vencedora da primeira maratona olímpica feminina, Jean Benoit, numa gigantesca e bem-sucedida operação de marketing esportivo.

A conversa entre o superciclista e sua ex-mulher aconteceu três dias depois da prova (que ele correu 24 segundos abaixo das três horas), na cozinha da casa que os dois haviam compartilhado. Traz mais informações sobre as emoções e dores do corredor da maratona e, ao longo do texto leve, um pouco dos momentos passados entre os dois.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Deena Kastor

Deena Kastor

Medalhista internauta

A recordista americana da maratona e medalhista olímpica Deena Kastor lançou nesta semana seu novo site (foto acima), que traz um monte de informações sobre a atleta.

Ela conta, por exemplo, que adora cozinhar e até dá as receitas de alguns de seus pratos favoritos.

Se você quer saber mais sobre Deena Kastor, em português, não deixe de ler a entrevista que fiz com ela meses depois de sua sensacional performance em Atenas-04. Está no meu site Atletismo, Cara e Coragem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Lamentável

Escroque inglês

Nem todo maratonista é gente boa. O inglês Paul Appleby, por exemplo, é um escroque da pá virada. Ele se inscreveu nos programas de seguro social do governo para receber uma graninha como se fosse deficiente físico.

Alegando que ficava quase o tempo todo em cadeira de rodas e precisava de muletas para se locomover, acabou levando mais de 22 mil libras na maciota.

O problema é que, no mesmo período em que alegava estar incapacitado para o trabalho, correu uma penca de maratonas e meia-maratonas. Fazia parte do clube de corredores Sutton Harriers Athletic Running Club.

O mineiro aposentado recebia pensão desde 1994, quando teve que abandonar o trabalho por causa de problemas nas costas. Ele afirmou que não consegui andar nem cem metros em cinco minutos e que precisava de ajuda para comer, ir ao banheiro e qualquer outra atividade fora de casa.

Mas, em 2001, já estava suficientemente recuperado para ter até uma ativa vida esportiva. Mas resolveu continuar mamando no governo.

Foi condenado a dez meses de prisão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dias de calor

Dias de calor

Treine, mas proteja-se

 Correr, no Brasil, exige mais do que simplesmente abrir a porta e sair mandando bala. O calor de nosso verão (e, não poucas vezes, de nosso inverno) cobra de cada um de nós precauções e cuidados. Para falar sobre o assunto, convidei o sábio baiano Gilmário Mendes Madureira, que já colaborou com este blog. Ele é diretor técnico do Multsport Clube de Corredores e treinador da atleta de elite Marily dos Santos. Leiam o que Gilmário nos ensina.

Tempo quente, dias confusos de muito compromisso, e você, para relaxar, escolhe dar uma corridinha para esfriar a cabeça.

Sim, mas como esfriar a cabeça com a previsão do tempo indicando mais de 30 graus e alta umidade? E parece que a coisa vai esquentar mais ainda. Será que tem solução ???

Solução até que tem, mas isso vai demorar mais que algumas horas de simples adaptação.

O melhor é você começar "fugindo" do calor, correndo em horários mais frescos do dia. Aquela velha recomendação dos dermatologistas de não se expor ao sol depois das 10h e antes das 15h vale muito para corredores, não só e também pela proteção da pele. Correr nesses horários em algumas cidades do Brasil é pedir pra não ter prazer na corrida.

A pré-hidratação seria o cuidado inicial de quem quer se adaptar ao sol, mas não adianta tomar um tonel de hidratante porque vai correr ao meio-dia. Essa relação não é diretamente proporcional. Há um limite determinado pelo bom senso e pelas consultas aos profissionais de saúde.

Se adaptação é a palavra-chave, o ritmo de treino obedecerá ao clima, pois já é sabido que a performance é altamente influenciada pelo calor.

Quer correr mais forte? Então procure os lugares com mais sombra e ventilação. Fique de olho também na previsão do tempo para o dia de treino mais puxado. Combine com seu treinador uma certa flexibilidade na intensidade se o ambiente estiver abafado ou quente.

Se quer competir procure eventos que, além de respeitarem a relação saudável de horário, dêem atenção à logística de hidratação e ao atendimento médico. Se a prova é às 8h da manhã, e você treina às 5 da matina, tente avançar 30 minutos a cada dia de proximidade do evento até que se acostume. Observe, nesse processo, uma relação inversamente proporcional ao horário e à proximidade da corrida, ou seja, quanto mais próximo à corrida, mais leve será o seu treino, por estar mais exposto ao calor.

No Brasil, temos diferentes combinações de calor: quente-seco, quente-úmido, quente com vento contra, quente sem ventilação... Se você mora em uma cidade à beira-mar, as roupas de treino são fundamentais para uma boa evaporação. Se você mora em locais de altitude, saiba que a exposição aos raios ultravioleta é maior.

A mensagem que fica é de bom senso na procura dos horários, no uso das roupas, na ingestão de líquidos, na percepção de desgaste, pois o sol no nosso país tem uma imagem diretamente ligada ao bem-estar. Excesso de sol nunca vai significar saúde a mais. Corra com as pernas, mas use a cabeça.

Bons treinos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Filha do ano

Filha do ano

Ela se chama Isla

Esse foi o nome escolhido pela casal Radcliffe para a primeira filha da recordista mundial da maratona.

"O parto não foi fácil, mas ela vale a pena", disse a inglesa Paula Radcliffe, conforme publicado em seu site oficial.

"Eu estou adorando os meus primeiros dias como mãe, me preparando para conhecer minha filha e dividir a nossa vida com ela".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Maravilha curativa

Maravilha curativa

O valor da maratona
 
Eu adoro correr e adoro maratonas, sei que elas transformam a gente. Mas sempre fico impressionado ao ver como a corrida pode ser um tão importante e significativo símbolo de vitória pessoal que leva gente que superou desafios extremamente gradiosos a tentar ir até o fim de uma maratona.
 
Vejam o caso sensacional de uma menina norte-americana, que pretende paraticipar da maratona de Miami, no próximo domingo. Até seis meses atrás, a simples idéia de isso acontecer parecia impossível: Christina Reyes, 17, corredora de cross-country e cavaleira premiada, sofria de tumor cerebral.
 
A família descobriu porque a garota não se desenvolvia como as outras de sua idade; nem sequer tinha tido a primeira menstruação. Quando identificaram a causa, os médicos disseram que o tumor não poderia ser operado; ao final das contas, a cirurgia foi realizada, com sucesso, em julho passado.
 
Depois de uns meses de recuperação, a menina passou a treinar quatro dias por semana. E, no próximo domingo, vai correr a meia-maratona, acompanhada por seu pai e sua irmã, que vinham treinando com ela.
 
Christina acredita que será uma inspiração para outros que sofreram como ela ou enfrentam a dureza da doença. A menina e sua família também arrecadam fundos para entidades de apoio a doentes de tumor cerebral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Estatísticas

Maratona em números

Cá na nossa terra, é difícil sabermos exatamente quantos maratonistas somos. Calculo em uns 7.000 a 10 mil, a julgar pelos números divulgados pela revista "Contra-Relógio", que computou as cinco grandes maratonas brasileiras.

Isso significa que, no terrenos das maratonas, nossa relação com os Estados Unidos é ainda pior do que no terreno econômico, em que em geral eles são dez vezes maiores que o Brasil.

No ano passado, os EUA registraram nada menos que 397 mil finalistas em maratonas (o que não significa exatamente o mesmo número de maratonistas, pois uma certa quantidade de atletas corre mais do que uma prova). Foi um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior, aproximadamente.

Pela primeira vez em vários anos, segundo o site MarathonGuide, houve uma leve redução na participação feminina, que era de 40% e passou a 39,9%. Em breve serão divulgados números mais precisos sobre os tempos médios e outros dados.

Em 2005, a média de idade dos homens que correram maratonas foi de 40,5. O tempo médio masculino foi de 4h32min08. A idade média das mulheres: 36,1 anos; tempo médio: 5h06min08. No geral, a idade média dos maratonistas norte-americanos, em 2005, foi de 38,7 anos. E o tempo médio, 4h45min47.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paula Radcliffe

Paula Radcliffe

Nasceu!!!

É uma menina! A recordista mundial da maratona, Paula Radcliffe, entrou em trabalho de parto na manhã de ontem e, depois de "muito, muito tempo", no dizer de seu marido, deu à luz uma garota saudável no hospital Princess Grace, em Mônaco.

O anúncio foi feito hoje por Gary Lough, o "Mr. Radcliffe", que acompanhou o parto. A mãe e a criança passam bem.

Até agora, o casal não informou qual o nome escolhido: Lough disse que não tinham decidido ainda.

O bebê, que era esperado para o dia seis passado (como eu falei neste blog), nasceu com 2,9 kg. O pai, feliz da vida, disse que até agora "não caiu a ficha" sobre a novidade.

Se o bebê seguir a carreira dos pais (Lough também foi corredor, especialista nos 1.500 m), poderá competir sob a bandeira de Mônaco ou escolher entre as cores da Irlanda do Norte, pátria do pai, e da Inglaterra.

Radcliffe fez sua última corrida oficial em outubro último, mas continuou treinando. Ao anunciar sua gravidez, em julho passado, a recordista disse que pretendia continuar ativa na profissão por mais seis anos e planejava disputar a maratona olímpica em 2012. Para este ano, sua principal competição deverá ser o Mundial de Atletismo, no Japão. Mas não decidiu se irá para a pista, nos 10 mil metros, ou para as ruas, na maratona.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Brooks BR 135

Troca de posição

O ultramaratonista Éber Vallentim (foto) mandou mensagem a este blog esclarecendo que, apesar de ter chegado depois do segundo colocado, não ficou na terceira posição na ultramaratona Brooks BR 135, de 217 quilômetros na serra da Mantiqueira. Isso porque, em um determinado ponto, errou o caminho e "comeu quatro quilômetros", o que lhe custou uma "multa" de duas horas. A organização, segundo Éber, não havia percebido o caso e recebeu a informação do próprio corredor.

Vejam o que diz o Éber: "Durante a prova,por falha de um dos fiscais,eu peguei uma estrada errada e acabei levando uma vantagem de quatro quilômetros. Isso só foi descoberto porque, na chegada, eu achei que tinha algo errado e decidi conversar com o diretor da prova. De fato, houve algo errado, e eu fui penalizado em duas horas acima do meu tempo, o que me custou a terceira posição. Fiquei, então, na quarta colocação e preferi não entrar com recurso contra a decisão".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Outros esportes

O maior do mundo

Doente, alquebrado, Muhammad Ali completa hoje 65 anos. Ele é muito mais que o maior pugilista de todos os tempos, é um exemplo de lutador pela paz e pelos direitos do cidadão contra a opressão.

A minha geração o conheceu Cassius Marcellus Clay, o maior, o melhor, o mais debochado, o mais desafiador. E aprendemos a reverenciar Muhammad Ali, ainda o melhor, o maior, o mais debochado, e muito mais desafiador, capaz de enfrentar e derrotar a maior força política do mundo ocidental.

Por transformar em ato de coragem a sua crença na paz, virou ídolo.

O governo americano, ao lhe tirar o título e jogá-lo na prisão por sua recusa a ir lutar no Vietnã, não apenas não calou sua voz nem tirou sem poder mas também entregou ao mundo um mártir do pacifismo e da luta pela liberdade.

Voltou, ergueu os punhos e reconquistou nos ringues o lugar que nunca deveria ter perdido.

Mais tarde, a doença fez baquear seu corpo, estremecer seu espírito. E, de novo, ele reagiu.

Conheci Muhammad Ali em 1982, na minha primeira viagem aos EUA a serviço da Folha. Na feira paralela a uma convenção de supermercadistas, ele estava em um dos estandes, autografando um livro sobre a causa muçulmana. Entrei na fila para ter o direito de cumprimentar aquela lenda viva, que mal conseguia apertar a mão com seus braços trêmulos, mas cujo espírito dominava o corpo o suficiente para conseguir assinar o livro e mandar sua mensagem para o mundo.

Embaixador da paz, lutador de causas benemerente, ele continua hoje, mais do que nunca em sua vida, "voando como uma borboleta, ferindo como uma abelha", o seu lema dos tempos de glória esportiva.

Cada vez que ele abre os olhos, que movimenta os braços, que age e interage, impõe uma derrota à doença. Eventualmente, ela vai levá-lo ao nocaute final, mas Muhammad Ali continuará invencível e invencido, vivo em cada homem e cada mulher que, em qualquer lugar do planeta, a qualquer instante, esteja lutando pelo seu direito à paz, à liberdade e à busca da felicidade.

Feliz aniversário, Muhammad Ali!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rio 2007

Censura olímpica

O Comitê Olímpico Brasileiro e o Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007 decidiram censurar a cobertura do Pan pela internet. Eles anunciaram que os veículos de internet não terão direito à produção ou transmissão ao vivo de conteúdo próprio que inclua vídeo ou áudio captado em áreas oficiais do evento, que será realizado entre 13 e 29 de julho.

O objetivo é defender os interesses da Globo e demais canais de TV que compraram os direitos de transmissão. Conforme o UOL registra em ampla cobertura (leia AQUI), o diretor de marketing do comitê, Leonardo Gryner, afirma: "A preocupação do CO-Rio é respeitar os contratos de direito de transmissão firmados com as emissoras de TV brasileiras que irão garantir o amplo alcance de público na distribuição de sua produção durante os Jogos.".

Os comitês estão metendo os pés pelas mãos, confundindo alhos com bugalhos e atuando na contramão da história. Os grandes eventos esportivos e tudo, em geral, no mundo, estão cada vez mais internéticos. E os conteúdos disponíveis da internet passam, sim, pelas grandes empresas da mídia tradicional ou da mídia eletrônica, mas são cada vez mais produto de milhões de pessoas, numa onda que os burocratas do mundo, em geral, são cada vez menos capazes de conter.

As empresas de comunicação do Brasil (e, imagino, logo as do mundo) já se rebelam contra essa medida e tomam providências para defender os seus interesses (que, nesse caso, são também os interesses do público em geral). Vamos ver a que ponto isso vai chegar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paraisópolis

Paraisópolis

Os ultras chegaram!

Um corredor de última hora, que nem planejava participar oficialmente da prova, chegou em terceiro lugar na ultramaratona Brooks BR135, a prova mais difícil do Brasil, que teminou hoje à tarde nas encabritadas escarpas da serra da Mantiqueira, em Paraisópolis, Minas Gerais. 

Trata-se de Eber Valentim, um sujeito como a gente, que participa de provas de rua, mas gosta mesmo de ultras. Ali, ele já não é como nenhum de nós: cai no terreno dos superdotados, mostrando uma resistência fenomenal mesmo sem condições de seguir o melhor regime de treinamento.

Eber, que faz parte da equipe Nossa Turma, terminou os 217 quilômetros em pouco mais de 30, inteiraço de aço, atrás de Agnaldo Sampaio, que é professor de corrida em uma academia de São Bernardo e completou em 28h53min01. O vencedor foi Valmir Nunes, o melhor ultra brasileiro, que fechou em 27h26min30. Valmir teve de ser hospitalizado logo depois de chegar para receber soro.

Parabéns aos donos do pódio e aos 15 participantes dessa dificílima prova, que começou na manhã de segunda-feira última em Águas da Prata.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Dica

Dica

Assadura

Um leitor mandou e-mail perguntando o que eu faço para evitar assaduras nas coxas em treinos ou provas longas.

Vejam o que ele diz: "Estou me preparando para correr uma maratona em 2008 e tenho tido um problema com assadura entre as pernas (coxas). Comprei uma bermuda térmica, e estava indo tudo bem até fazer um longo de 21 km, quando a costura da bermuda provocou escoriações nas pernas. Estou pensando em usar a bermuda ao avesso. O que você faz para evitar esse problema?".

Nunca usei essas bermudas, mas não lembro de reclamações de pessoas que as usam. De qualquer forma, em treinos longos e em maratonas, costumo passar vaselina líquida nas pernas e braços para tentar fugir de assaduras.

Atualmente, tenho usado, em lugar da vaselina, um creme recomendado para o tratamento de assaduras. Ou seja, uso o remédio como precaução. Como é um remédio, não vou falar o nome; talvez o que valha para um não valha para outro, enfim. Mas a vaselina funciona bem, de qualquer forma.

Outra área que deve ser protegida são os mamilos. Além de vestir uma camiseta adequada, que não pese muito nem seja abrasiva, é bom usar algum protetor. Eu aplico apenas uma pomada comum, mas há quem coloque esparadrapo ou algum tipo de band-aid mais modernoso.

Quem usa bermuda térmica poderia colaborar com comentários. As opiniões de quem não usa também são bem-vindas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Outros esportes

Musa derretida

Gente, a Sharapova atrasou meu sono na noite passada. A mulher estava ganhando de 5 a 0 no terceiro set, depois de deixar a francesa Camille Pin empatar no segundo set (que estava na mão), e simplesmente derreteu.

Dava para ver a coitada sofrendo com o calor, que a fazia errar. Errando, ficava furiosa, nervosa, e errava mais ainda. Chegou uma hora que teve de pedir intervalo para tratamento médico. Colocou uma espécie de echarpe com gelo (na verdade, blocos de gelo enrolados em uma toalha, pelo que percebi) no pescoço, bebeu lá seu isotônico vermelho, tascou mais gelo na altura do estômago (pelo jeito, estava sentindo aquela dor do ladinho...).

Quando voltou para a quadra, mal se mexia. Tomou um tranco da francesinha, que era metade do tamanho da russa, e cedeu a aproximação. Quando estava 5 a 4, a Sharapova de novo estava com o jogo na mão, podia fechar o jogo, mas cedeu o empate para Pin (pronuncia-se "pan").

Eu ficava zapeando entre o jogo e a apresentação do Globo de Ouro, mas minha irritação com a Sharapona só aumentava. Lembrem-se de que bastaria a ela chegar à semifinal da Austrália para se tornar a número 1 do mundo. Pelo jeito, nem da primeira rodada a gigante passaria.

Vi mais umas bobagens hollywoodiana e voltei para a quadra australiana: a Pin tinha epatado. O jogo iria para o tie break. Era quase uma hora da manhã, ou já passava disso, sei lá. Muito depois de minha hora de dormir.

Falei tchau para elas e desliguei a TV, sem ver o final do jogo e sabendo apenas um vencedor do Globo de Ouro ("Betty, a Feia", por melhor comédia)..

Hoje abri a internet depois de meu treino. A Sharapova ganhou, derretendo e tudo. Mas o jogo ainda iria demorar muito, pois ela deixou rolar, indo até 9 a 7.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Águas da Prata

Águas da Prata

Ultradifícil

Quinze supercorredores largaram hoje pela manhã na segunda edição da difícil ultramaratona brasileira, toda ela corrida na serra da Mantiqueira, em parte do chamado Caminho da Fé. É a Brooks BR 135 (o número indica a distância em milhas, que equivale a pouco mais de 217 quilômetros).

A largada foi às 8h10 de uma manhã chuvosa em Águas da Prata. A primeira parada, abaixo de um temporal, foi no pico do Gavião, que fica numa altitude de 1.630 metros.

O primeiro a cobrir os 23 km até o morro foi Valmir Nunes, o principal ultramaratonista brasileiro, que chegou ao posto em 2h19.

Os corredores precisam completar o percurso em até 60 horas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Planejamento

Duas meias de saída

A Corpore acaba de divulgar a programação de suas primeiras provas do ano. O Circuito Corpore será aberto oficialmente no dia 4 de março com uma corrida de 12 km na USP. Agora, no dia 28 próximo, haverá uma prova festiva  de 7 km.

A meia da Corpore será no dia 15 de abril e, para variar, vai bater com a Volta à Ilha de Florianópolis. Para os fanáticos pelos 21.097 metros, está programada para o mês anterior a meia-maratona de São Paulo, organizada pela Yescom.

Os percursos não trazem inovação, beleza nem grandes desafios. Sei que falar de beleza em São Paulo é dureza, mas desafios há muitos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paquistão

Paquistão

Contra a discriminação

Apesar das resistências de grupos islâmicos, o Paquistão realizou ontem a terceira edição da Maratona Internacional de Lahore com a participação de homens e mulheres (foto da AP,abaixo). O evento foi aberto pelo presidente do país, general Pervez Musharraf, que disse que corridas como essa deveriam ser realizada sem mais cidades paquistanesas.

Há dois anos, a maratona mista teve de ser transferida por causa das ameaças. E, quando ocorreu, muitos participantes foram agredidos a pedradas.

Ontem, porém, não houve incidentes na corrida, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas várias modalidades (havia também provas mais curtas) e distribuiu US$ 115 mil em prêmios.

No sábado, o porta-voz do partido islâmico Jamaat-e-Islami disse que a organização era contra a maratona mista porque "tais eventos esportivos têm como objetivo disseminar a obscenidade". Mas adiantou que o partido não iria interferir porque a população "rejeitava" a corrida.

Já o presidente do país afirmou que a população rejeitou o extremismo ao participar da prova, que foi vencida por corredores etíopes tanto no masculino quanto no feminino. Ketma Amerssissa completou em 2h15min26. Merima Danboban dominou o campo feminino ao terminar em 2h3254. Cada um levou um checão do equivalente a US$ 15 mil entregue pelo ministro-chefe Chaudhary Pervaiz Elahi, que foi o convidado mais graduado na festa de encerramento.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Canções e momentos

Canções e momentos

Movimento dos barcos

Quando terminei minha primeira maratona, em 1999, pulei, gritei, senti lágrimas escorrendo pelo rosto, abracei minha mulher, nós nós beijamos, comemoramos. E depois, andando já de pés descalços pelo asfalto da Perimetral, ao lado do Parcão, em Porto Alegre, cantei.

Com gritos roucos, toscos, desafinados, berrei os primeiros versos da "Suíte dos Pescadores", de Caymmi, também conhecida como "Minha Jangada...". Sei lá por quê. Ainda hoje me pergunto de que escaninho empoeirado de minha memória saiu o som daquele início de tarde, mas também não investigo muito.

A música fez parte da minha criação. Na família de minha mãe, especialmente, as reuniões do clã eram regadas a canções alemãs, folclore brasileiro, ritmos de roda. Na infância e adolescência, tentei aprender alguma coisa, mas minha incompetência foi maior do que a paciência dos professores. Já quase quarentão, redescobri os corais e participei de alguns grupos com meu som de baixo-barítono. Ou será barítono-baixo?

Mas nunca ouvi música ao correr. Acho perigoso e, principalmente, não gosto: ao correr, quero engolir o mundo com todos os meus sentidos. Mas cantar, já fiz, mesmo jogando pro espaço meu desempenho.

Já subi a Sumaré inteira entoando o "Baião de Ninar", sonhando com "um berço feito de raios de luar". Num treinão longuíssimo na USP, empurrei minhas pernas com a força do refrão de Djavan: "Vou andar, vou voar pra ver o mundo. Nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo".

E me atirei no mar da memória e do mundo ao final de minha primeira maratona. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Livros, filmes e canções | PermalinkPermalink #

Stephen King

Stephen King

Perigo na estrada

Está de volta às livrarias brasileiras uma velha e excelente história de Stephen King, escrita pelo mestre do terror e do suspense sob o pseudônimo Richard Bachman lá nos idos dos anos 80. E que, pelo menos no título original, tem a ver com corredores.

Trata-se de "The Running Man", que poderia ser traduzido como "O Corredor" ou "O Fugitivo". No Brasil, o famosíssimo filme baseado no drama levou o nome de "O Sobrevivente", estrelado por Arnold Schwarzenegger. O livro foi batizado de "O Concorrente" e é leitura para uma sentada só, rápida, nervosa, emocionante.

Na verdade, o herói pouco corre no sentido literal, como nós fazemos. Usa principalmente outros meios em sua fuga desenfreada, como automóveis e até um helicóptero.

A aventura é ambientada num futuro em que as diferenças sociais são supostamente mais gritantes que hoje (talvez porque King não conheça profundamente o desnível sócio-econômico brasileiro). Para alguns, tal como hoje é a Mega Sena, a única saída da lama é tentar a sorte em programas de auditório mortíferos. Em um deles, asmáticos correm em esteiras enquanto são submetidos uma saraivada de perguntas...

O mais sensacional, de maior audiência e que paga mais, porém, é uma luta sem trégua e sem quartel entre um corredor (o concorrente, o fugitivo) e seus perseguidores, que são literalmente apoiados pelo mundo todo (ou quase, como vamos ver ao longo do drama).

Ficar vivo é a missão do cara, para levar uma grana e salvar sua filhinha doente. Um pouco mais complicado que correr uma maratona, mas a vida também o é.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Livros, filmes e canções | PermalinkPermalink #

Dica - 2

Amarração 2, a missão

Atendendo a inúmeros pedidos, procurei fazer um passo-a-passo com imagens, que vocês vêem a seguir, explicando a tal de amarração para deixar o calcanhar mais preso, dificultando que os pés dancem em descidas.

A primeira a foto mostra o cadarço na posição inicial. Em seguida, faço as abas. Depois, começo a passar o cadarço pelas abas (as tais orelhinhas) e termino de passar o fio (fotos 3 e 4). Puxo para cima, apertando bem o cadarço (5) e dou o nó normal.

Agradeço a inestimável colaboração de minha esposa e companheira de corridas na produção dessas fotos e espero que agora tudo tenha ficado mais fácil de entender o processo...

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tecnologia

Corredor incansável

O Asimo, robô humanóide desenvolvido pela Honda, está cada vez mais cada vez. Na CES, feira de eletrônica de consumo que acabou ontem em Las Vegas, nos Estados Unidos, a empresa japonesa mostrou uma versão do homem de aço capaz de correr.

É bem verdade que até eu daria um pau no latinha, cujos movimentos são agora "mais fluidos e rápidos", segundo a empresa. Mas ele não tem de parar para beber água, tomar carboidrato ou fazer massagem...

O robô, que é capaz de subir e descer escadas, corre a pouco mais de 6 km/h, ou seja, dez minutos por quilômetro.

Eles estão usando a expressão "corre" porque efetivamente os novos controles do Asimo (foto Divulgação) fazem com que ele entre em postura de corrida para ser capaz de desenvolver aquela velocidade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dica

Dica

Amarração

Pessoal, hoje vou dar uma dica de amarração de tênis que tem como objetivo segurar mais o calcanhar, evitando que, em descidas, o pé escorregue e o dedão ou todos os dedos batam na ponta do tênis.

Talvez muitos já a conheçam, mas eu aprendi essa técnica há pouco tempo e venho fazendo algumas experiências. Com meu treino de hoje, uma caminhada forte de quatro horas com muitas subidas e descidas, acho que a amarração passou nos testes.

Por isso, mesmo sem a ajuda de gráficos, vou tentar usar minhas limitadas habilidades de descrição para dar a dica.

Primeiro, entenda o objetivo da amarração: prender mais o calcanhar, evitar que o pé jogue dentro do tênis, mesmo em descidas.

Segundo, vamos todos falar a mesma linguagem. Eu vou usar basicamente as expressões primeiro furo e segundo furo (por onde passa o cadarço). Primeiro furo é o mais perto da perna, dali que você pega o cadarço para dar o nó. Segundo furo, portanto, é o imediatamente seguinte (ou imediatamente anterior, se você olhar o tênis da ponta para a ré).

Você coloca o cadarço normalmente. ANTES de dar o nó, no primeiro furo, puxe o cadarço para cima no segundo furo, criando abas (ou orelhinhas, como ensinou o vendedor que me deu esta dica). Daí, passe o cadarço por dentro dessa aba e puxe para trás. Você vai sentir um tranco no calcanhar, pois o tênis está ficando mais seguro, mais preso. Agora simplesmente complete a amarração como de costume.

Não exige prática nem habilidade. O vendedor faz uma espécie de mantra ao ensinar essa amarração: "Orelhinha, orelhinha (referindo-se às abas criadas de cada lado), passa, passa, puxa, puxa, amarra". Não repitam isso em público. Ou repitam, se quiserem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Tênis e trecos | PermalinkPermalink #

Londres

Londres

Marilson e o Big Ben

Os organizadores da Maratona de Londres estão fazendo o maior hype da corrida, que será em abril próximo. Já divulgaram a tropa de elite que vai disputar a prova feminina (que você ficou conhecendo neste blog) e agora anunciam os supercorredores que vão disputar o prêmio na prova masculina.

O recordista mundial Paul Tergat encabeça a lista, seguido pelo ex-recordista Khalid Kannouchi e pelo candidato a recordista Haile Gebrselassie. O brasileiro Marilson Gomes dos Santos também está lá no pedaço, firme e forte, como um dos que vão ouvir as badaladas do Big Ben.

Se tudo for confirmado, ele tem o 11º melhor tempo entre os já anunciados.

Faz sentido, pois o técnico de Marilson, Adauto Domingues, havia dito que o atleta deveria fazer duas maratonas neste ano para tentar o índice olímpico. Ele está de olho em Pequim, não no Rio.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Performance

Porto Alegre, a rápida

Quando alguém se arrisca a me perguntar qual a melhor maratona para fazer sua estréia ou para baixar tempo, minha resposta é sempre a mesma: Porto Alegre, Porto Alegre, Porto Alegre. Além das qualidades inerentes ao simples fato de ser uma cidade gaúcha (que não preciso comentar, mas são sobeja e mundialmente reconhecidas), Porto Alegre é bacana, simpática, acolhedora. E a Maratona de Porto Alegre é rápida, plana, bonita, corrida em temperatura adequada (quase sempre, pelo menos).

Se você acha que isso não passa de gauchismo, saiba que os números estão do meu lado. A revista "Contra-Relógio", que acaba de publicar o Ranking dos Maratonistas Brasileiros, fez um balanço de onde os corredores conseguiram suas marcas para entrar na classificação. Em Porto Alegre, nada menos que 63,3% dos participantes tiveram desempenho bom o suficiente para entrar no ranking. Ou seja: quer correr bem? Vá para Porto Alegre.

É bem verdade que, com 969 concluintes, foi a segunda menor das cinco provas consideradas pela revista, superando apenas Florianópolis, que teve 659 concluintes. Aliás, a prova de Floripa, que em 2006 foi quente demais, também é um bom terreno para um desempenho legal. Apesar do calor que infernizou nossa vida naquela corrida, 56,1% dos concluintes correram o suficiente para entrar no ranking (com mais de 5h15, eu não fui um deles...)

No extremo oposto está São Paulo, a maior maratona do Brasil, com 2.712 concluintes e apenas 38,2% dos participantes no ranking. Acredito, porém, que isso se deva menos às dificuldades do percurso (que são consideráveis, sabemos todos) e mais à presença de uma grande quantidade de atletas que não treinam regularmente ou consistentemente e são atraídos pelo glamour (???) da prova na Locomotiva do Brasil. É uma tese, e não tenho a menor comprovação.

Outra coisa: neste texto, quando falo de bom desempenho, estou me referindo a performances dentro dos limites de tempo estabelecidos pela revista para o ranking. Na minha opinião, porém, todo aquele que termina uma maratona teve um excelente desempenho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Coração

Coração

Morto ao chegar

Larry Altneu, 45, fez o melhor tempo de sua vida na maratona de Orange County, na Califórnia. Chegou em 4h00min31 na prova realizada domingo passado, reduzindo seu tempo em 20 minutos.

A alegria e a festa logo se transformaram em dor. Ele passou mal, foi levado ao UC Irvine Medical Center, mas o coração não resistiu.

Não foi revelada a causa oficial da morte, mas médicos disseram à família do corredor, que deixa mulher e dois filhos, que ele sofreu parada cardíaca imediatamente após a chegada. Segundo testemunhas, o corredor completou a prova e desabou, caindo de cara no chão.

Essa foi a quarta maratona desse engenheiro de computação, que participava de provas dessa distância havia quatro anos, treinando em academia quatro dias na semana e ainda fazendo longões nos finais de semana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Política

Reivindicações da elite

Aquela reunião dos treinadores da elite do atletismo brasileiro, antes da São Silvestre, teve como resultado a listagem de uma série de reivindicações, que serão consolidadas em um documento a ser apresentado à CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo), organizadores de provas e outras instituições.

Eu já adiantei neste blog alguns dos pontos. O documento continua em elaboração, mas consegui informações que permitem contar para vocês alguns pontos mais específicos. Aliás, ao que consta, os técnicos da elite terão uma reunião com a Yescom, organizadora das principais corridas no país, em menos de dez dias. Espera-se que, até lá, o documento está finalizado.

Insatisfeitos com a mudança vista na São Silvestre (e em algumas outras provas anteriores), em que apenas os três primeiros subiram ao pódio, os treinadores reivindicam a volta do pódio para os cinco primeiros colocados. E pedem premiação até o décimo colocado.

Outra dor de cabeça é a demora no pagamento dos prêmios. Os treinadores reivindicam o estabelecimento de regras claras, segundo as normas da IAAF (a Fifa do atletismo).

Propõem também critérios para inscrição no pelotão de elite em provas oficiais. Para a São Silvestre, por exemplo, entrariam no pelotão homens que fazem os 15 km em até 49min e mulheres que completam a distância em até 1h.

Discutem ainda formas de pagamento da premiação e regras para os convites (o que deve ser pago). E querem que os treinadores dos três primeiros colocados estejam na mesa das entrevistas coletivas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Franck Caldeira

Franck Caldeira

Quem dá mais?

O pessoal do Cruzeiro está anunciando aos quatro ventos a iminente contratação do mineiro Franck Caldeira, campeão da São Silvestre e da Maratona de São Paulo no ano passado, para a equipe de atletismo comandada pelo técnico Alexandre Minartdi. Ele abandonaria, assim, o trabalho que vem realizando sob a orientação do doutor Henrique Viana, da equipe fluminense Pé de Vento.

Segundo publicado no site RunnerBrasil, Minardi teria afirmado o seguinte: "Vai ser bom para todo mundo: para o Cruzeiro, para mim, Alexandre Minardi, para o patrocinador do Cruzeiro, que é a Unimed, e principalmente para o Franck, que será muito bem remunerado, e ele correndo para um clube da grandeza do Cruzeiro Esporte Clube, um dos maiores clubes do mundo, o nome dele aparecerá mais".

O treinador disse que Caldeira precisou aguardar o término dos contratos com a Nike e com o Bingo Arpoador, que teriam terminado no dia 31 passado, para assinar com o Cruzeiro, que ofereceu ao atleta R$ 10 mil mensais.

Mas o dirigente da equipe Pé de Vento e atual treinador de Caldeira, Henrique Viana, diz que as coisas não são bem assim. Colocou mensagem no fórum Atletismo Brasil - Pestana Br, afirmando que conversou hoje com o atleta e traz informações diferentes.

"O contrato com a Nike termina dia 30 de abril, e antes disso o Franck não romperá o contrato. A Nike está estudando nova proposta para ele. Outros nomes que o Franck usa, como Arpoador e Caixa, totaliza R$ 7.000. O Cruzeiro ofereceu a ele R$ 10 mil. O acordo que fiz com o Franck foi que, se conseguirmos isso, a proposta do Cruzeiro está fora", escreveu o treinador Henrique Viana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Planejamento

Hora da paquera

Quem acha que a corrida também é um ótimo lugar para encontrar novas amizades ou mesmo uma namorada ou namorado deve se preparar para entrar em provas curtas, seguir devagar e prestar atenção em que anda ao seu lado.

Os marmanjos que imaginam poder jogar um doce para a garota ao lado devem se programar para correr a prova de 6 km da Corpore (o calendário ainda não está no ar, mas, em 2006, a prova foi em abril). É que, segundo levantamento publicado na revista "SuperAção", essa prova tem a maior presença feminina relativa: as mulheres foram 36,2 do total, com 1.553 finalistas.

Se você acha que o mais importante é quantidade, a prova da vez é a Nike Run Americas (se houver edição neste ano). Em novembro passado, 5.995 corredoras completaram os 10 km daquela prova, representando 30,8% dos concluintes.

As meninas têm mais opções, pois, como vocês podem ver pelos números citados, em todas as provas a presença masculina é majoritária. Mas, se as moças quiserem mesmo altíssima variedade, a melhor dica talvez seja a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, que teve em 2006 96,8% de homens. O índice me parece exagerado, mas é o que está publicado na revista.

Um amigo meu costumava levar para as provas seu cartão de visita, que distribuía para eventuais interessadas (ou nem tanto). Não há registro de que tenha tido sucesso. Alguém aí já encontrou o grande amor em corridas? Ou em treinos na USP, Ibirapuera, mundo afora? Comentários neste blog ou cartas para meu e-mail.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Lição de vida

Lição de vida

Fica para outra vez

Faltam apenas alguns passos para a linha de chegada. C. J. Howards pára, arranca sua perna esquerda e, com a prótese na mão como uma bandeira, pula num pé só e termina a maratona de Orange County, na Califórnia, em 3h23.

"Fui meia hora mais lento do que eu planejava, mas terminei a prova", comemorou ele, falando ao "O.C. Register".

Howards, 19, é um corredor competitivo desde os tempos do ginásio, participando da equipe de corridas da escola e obtendo bons resultados para o time.

Mas, na época, ele tinha as duas pernas. Em 2002, uma suposta lesão provocada pela atividade esportiva acabou diagnosticada como câncer ósseo. O remédio foi amputar a perna esquerda abaixo do joelho.

"Qual será o recorde mundial dos 5 km para amputados?", ele diz ter perguntado. E, depois de nove meses de quimioterapia, voltou a competir.

Em 2004, estabeleceu o recorde mundial da meia-maratona na sua categoria, com 1h23min59. Agora, sonhava em ser o primeiro amputado a correr a maratona em menos de três horas, mas teve um machucado na perna que o incomodou muito durante a prova.

"Vou tentar de novo", disse ele ao jornal local depois da maratona de domingo passado. "Mas não hoje".

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Diário de bordo

Diário de bordo

Na ponta do lápis

Os corredores somos todos maníacos obsessivos. Calculamos cada centímetro percorrido, analisamos as rotas, tentamos medir a inclinação do terreno e, nas horas vagas, colocamos outras variáveis em nossas análises, como temperatura, umidade relativa do ar e a influência da cor de nossa camiseta.

Se você ainda não fez nada disso, tudo bem, talvez você seja mais normal. Ou se prepare, pois ainda vai fazer. No site que montei para contar ao mundo sobre minha primeira maratona internacional, a de Big Sur, tive o desplante de achar que seria de interesse dos eventuais leitores saber exatamente quantos quilômetros rodei com cada um dos tênis usados nos treinamentos para aquela maratona.

Eu sabia porque anotava tudo sobre meus treinos em um programa oferecido pela revista "Runner’s World" na internet _pode até ser visto como um precursor dos serviços hoje disponíveis na chamada web 2.0.

Anotar os treinos não é apenas sinal da tal obsessão que acompanha os corredores em geral, os maratonistas em particular e os ultras, então, nem lhe falo. O registro é útil para acompanhar sua evolução e verificar eventuais erros ou excessos que possam ter levado a um desempenho menos agradável ou mesmo a lesões.

Muitos ainda anotam em cadernos, e há atletas que guardam dezenas deles, com descrições detalhadas. Mas, hoje em dia, o melhor mesmo é usar a internet, que oferece muitas e bons programas para registro das nossas aventuras diárias.

O meu preferido é o do site CoolRunning, que é gratuito (exige apenas um registro simples). Ele é muito fácil de usar e permite que você faça gráficos os mais diversos.

Se você quer compartilhar as informações dos treinos com seu técnico, uma boa opção é o diário oferecido pelo WinningStats, também gratuito. A quantidade de opções do site me deixou um pouco confuso, no início, mas agora já estou relativamente craque (em oposição a relativamente pangaré).

Além das qualidades inerentes a cada um desses serviços, sua grande vantagem é estar disponível na internet. Ou seja, de qualquer computador, em qualquer ponto do mundo, você pode atualizar os dados ou verificar as informações arquivadas.

Mas, se você prefere ter tudo exclusivamente em seu computador e fica mais à vontade com o idioma português, tente o instalar o RunNotes. Eu nunca cheguei a usá-lo, mas sempre ouvi comentários elogiosos a respeito dele.

E bons treinos.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Política

Sem pátria

O Bahrain decidiu revogar a cidadania concedida a um atleta nascido no Quênia porque ele correu uma maratona em Israel.

No início do mês, Mushir Salem Jawher participou da maratona Tiberias sem autorização da Associação de Atletismo do Bahrain, país que não mantém relações diplomáticas com Israel.

O atleta, cujo nome original (quando ainda era um cidadão do Quênia) era Leonard Mucheru, recebeu a cidadania em 2002. Ele venceu a maratona israelense em 2h13.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Disney World

 

SuperMickey

Adriano Bastos mostrou que, no asfalto da Flórida, não tem prá ninguém: pela quarta vez, o brasileiro venceu a maratona da Disney e fez a maior festa. Com toda a razão, pois já era o primeiro e único tricampeão da prova. Agora, deixa seu recorde ainda mais difícil de ser alcançado.

Como tricampeão, Bastos já recebia as maiores mordomias dos organizadores e empresas envolvidas no evento. Ontem, foi atendido na Bibbidi Bobbidi Boutique, um "mágico" salão de beleza em Lake Buena Vista, onde ficam os parques temáticos da Disney. Recebeu um penteado especial, com fitinhas verde-amarelas.

Hoje, foi a vez de ele fazer barba, cabelo e bigode. Completou em 2h19min23, reduzindo em 20 segundos o seu tempo vencedor do ano passado.

A diferença de mais de dez minutos sobre o segundo colocado, o americano Matthew Dobson, que fechou em 2h32min22, fala por si só.

No feminino, a disputa foi bem mais acirrada. Gabriela Traña, da Costa Rica, fechou em 2h57min02, lutando bastante para manter sua superioridade sobre a americana Christa Benton, que terminou 22 segundos depois. A brasileira Elisabete Cruz chegou em terceiro, com 2h59min37.

Fotos: AP Photo/Phelan M. Ebenhack e AP Photo/Walt Disney World, Todd Anderson

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Cuiabá

Cuiabá

O carro é do Clodoaldo

Desta vez, Franck Caldeira não conseguiu resistir ao baixinho. Clodoaldo Gomes, que vocês viram na São Silvestre dando aquela arrancada na subida da Brigadeiro para terminar a prova em segundo, venceu a Corrida de Reis de Cuiabá na manhã de hoje e levou o carro que completa a premiação do vencedor. Terminou os 10 km em 29min51 (tempo não-oficial), seguido por Caldeira.

No feminino, a mineira Lucélia Peres vai começar o ano motorizada, depois de vencer acirrada disputa com Fabiana Cristine.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

São Caetano do Sul

São Caetano do Sul

Muvuca de Reis

Deu a maior muvuca na Corrida de Reis de São Caetano, na tarde de ontem. Muita gente correu sem número nem chip, que deveriam ter sido retirados até as 13h, de acordo com o regulamento. Mas parece que muitos pensaram que o horário seria mais flexível -de fato, foi, mas não tanto, como relatou o nosso leitor Hideaki no fórum RunnerBrasil:

"Cheguei ao posto de retirada de kits às 13h15. E consegui garantir o chip. Depois disso, perguntei até que horas ia a entrega de kits. e a moça me respondeu: ‘Era pra ser até 13h, mas acho que a gente fica mais um pouco, até pelo menos boa parte dos atletas retirarem o kit...’"

Vejam o que diz o ultramaratonista Júlio César Latini Jr., 35, em mensagem no fórum RunnerBrasil: "Às 15h estava no local na prova. Fiquei ali conversando e esperando uma muvuca desgraçada que estava formada onde seria a retirada do chip. Muitos policiais, empurra-empurra, ameaça de prisões. Saí de lá para não sobrar para mim...."

Bom, o corredor voltou mais tarde e, como ele, outras cem pessoas, aproximadamente, tentavam garantir o que consideravam seu direito. Diz Latini Jr., mais conhecido como Bond entre os corredores: "Fui até um funcionário e perguntei quais eram as chances de receber meu chip e número. A resposta foi nenhuma, mas os atletas que desejassem poderiam pegar seu lanchinho, camiseta e medalha com ele".

Apesar da bagunça, a largada atrasou relativamente pouco: a prova iniciou às 17h17, depois de intervenção policial (houve pelo menos um detido, segundo Bond).

A corrida, em si, parece ter sido divertida (se é que dá para ter uma diversão pacífica depois desse tumulto todo). Havia bastante água no percurso e, segundo o Hideaki, o kit pós-prova foi substancioso: dois sanduíches, um suco de limão, um achocolatado, um doce de amendoim e uma paçoca.

Mas a confusão teve conseqüências. A vencedora da prova feminina foi Sirlene Pinho, que completou em 34min52, seguida por Marily dos Santos, e por Maria Zeferina Baldaia, que correu sem número e foi desclassificada. Alías, mais tarde, segundo relata o site WebRun, o organizador do evento afirmou que Sirlene também será desclassificada.

Na prova masculina, a bagunça se repetiu. Luis Carlos Fernandes venceu em 29min49, seguido por Sérgio Celestino, que correu sem número e não teve seu tempo computado. Assim, o vice oficial foi Fábio Chagas, com 30min16.

Eu liguei hoje pela manhã para a organização da prova (a Diretoria de Esportes e Turismo da Prefeitura de São caetano do Sul), mas não tive resposta. No texto do WebRun, o repórter Alexandre Koda publica a seguinte declaração de Mauro Chekin, coordenador-geral do evento: "No banner estava escrito isso (o horário de entrega do chip) e vamos atrás para mostrá-lo aos atletas e provar que estávamos certos. O problema dos atletas é que não lêem".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Fala, leitor

Saudosismo revigorante

Correr a dois é mais gostoso. Quando o parceiro é também a amada, fica ainda melhor, como nos conta o leitor Adolfo Morandini Neto. Ele é designer, tem 43 anos e corre "desde sempre". No ano passado, ganhou companhia especial, como nos conta no texto a seguir.

Nasci em São Paulo há 43 anos. Sou designer há 25 anos, judoca há 33 e corredor desde sempre. No começo, a corrida era um complemento para o condicionamento físico, tão necessário para o judô. De uma quase ’"obrigação", virou meu prazer e minha terapia. E lá fui eu aumentando a distância e melhorando a performance a cada dia. Até que, em 2004, corri minha primeira São Silvestre. Prazer indescritível, ainda mais encontrando a mulher e os filhos na linha de chegada.

Em 2006, para correr minha terceira São Silvestre, fiz grande parte do meu treinamento no parque da Água Branca, em São Paulo. No início do ano, um amigo morreu atropelado na av. Brás Leme, e meus colegas de judô me "proibiram" de correr na rua, como eu costumava fazer diariamente, às 5 horas da manhã.

O parque da Água Branca é um local especial. Passei parte da minha infância freqüentando aquele espaço. O mesmo fazia minha mulher, quando criança.

Talvez movida por esse saudosismo, ela passou a ir comigo para respirar um pouco de ar puro e relaxar. Um dia resolveu caminhar. Andou algumas centenas de metros. Outro dia andou alguns quilômetros... Para encurtar a história, depois de algumas semanas estava trotando alguns metros, intercalando a corrida com sua caminhada. (Ela sempre me incentivou a praticar atividades físicas, mas estava sedentária havia 15 anos).

Um belo dia, ainda em fevereiro de 2006, ela disse que gostaria de correr a São Silvestre. Fiquei espantado, mas imensamente feliz. Passamos a treinar juntos, cada um no seu ritmo, trocando experiências, relatando sensações e dores. Isso nos aproximou ainda mais e tornou os treinos muito mais prazerosos.

No último dia 31 de dezembro, a Cláudia completou sua primeira corrida de 15 quilômetros. Correu em 1 hora e 45 minutos. Chegou inteira, realizada, e querendo participar no próximo ano.

Se correr é um vício delicioso e saudável, acho que o mundo das corridas ganhou mais uma viciada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pequim-08

Qual é o caminho?

A maratona de Pequim, nos Jogos Olímpicos de 2008, terá um percurso especial, que começa a ser definido pelos organizadores e que deverá passar pelos mais famosos monumentos e ícones da capital chinesa. Recentemente, relata hoje o "China Daily", um grupo com representantes do Comitê Olímpico e de consultores fez um passeio pela cidade para tentar estabelecer a rota da maratona.

A idéia é fazer da prova um superhipermega cartão-postal da cidade, passando pela Cidade Proibida, a praça Tianamen, o Palácio de Verão e outros pontos famosos. Mas outros elementos devem ser levados em conta, tal como o fato de que todo o percurso precisa ser visível pelas câmeras que estarão em helicópteros.

Claro que eles deverão levar em conta a tradicional rota da Maratona de Pequim, realizada em outubro, com suas imensas retas. Apesar de plana, a prova é duríssima por causa da temperatura e umidade, além da poluição, que também prejudica o desempenho. Se houver vento contra, então, a coisa complica para valer.

Mesmo assim, a última edição foi vencida pelo queniano James Kwambi Kipsang com o razoável tempo de 2h10min36. O melhor chinês foi Ren Longyun, que fez 2h15min13 para conquistar o oitavo posto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nas bancas

Nas bancas

"Contra-Relógio"

O destaque da edição de janeiro, que já está chegando às bancas, é o Ranking Brasileiro de Maratonistas, elaborado pela revista, tendo como base as cinco maratonas oficiais do país (Porto Alegre, São Paulo, Rio, Florianópolis e Curitiba). Trata-se de uma seleção baseada em limites de tempo por faixa etária, o que leva a revista a dizer que apresenta "os melhores maratonistas em 2006".

A edição traz ainda um panorama sobre das cinco maratonas, com detalhes sobre altimetria, temperatura, organização etc.

Na área de orientação técnica, dicas para o treinamento de base nos primeiros meses do ano, para obter melhores resultados ao longo do período.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Livros, filmes e canções | PermalinkPermalink #

Ronaldo da Costa

Ronaldo da Costa

Lalo de Almeida - 30.dez.98 /Folha Imagem

 

Até Pequim

Ele deu uma estrela no asfalto de Berlim e desapareceu no firmamento esportivo. Agora, tenta voltar: sonha com o Pan, com a maratona olímpica, sabe-se lá mais com quê. É Ronaldo da Costa, mineiro de Descoberto, o primeiro dos Ronaldinhos a maravilhar o mundo, derrubando um recorde que durava dez anos. Depois da brilhante marca, no entanto, passou por uma série de problemas na vida pessoal e profissional. Nesta entrevista exclusiva, feita por telefone em novembro passado, ele conta sobre seu recomeço, no interior de Minas, relembra o passado e revela um pouco de seus sonhos.

Folha - Há quanto tempo você recomeçou os treinos?

Ronaldo - Tem um ano e três meses que estou trabalhando com o Filé, o treinador da Márcia Narloch.

Folha - Por que você resolveu mudar de treinador?

Ronaldo - Bom, o Cavalheiro estava viajando muito, e eu estava um pouco abandonado, não é? Eu precisava de uma pessoa para ficar perto de mim, para me dar uma atenção. Aí, eu conversei com o Filé, na época, e ele me aceitou. Ele me arrumou um médico para tratar da cirurgia e tudo o mais. Eu operei o calcanho do pé esquerdo há um ano e meio, mais ou menos.

Folha - E você voltou para os treinos quando?

Ronaldo - Tem mais ou menos um ano que já voltei. Durante esse um ano, eu treinava uma mês, parava uma semana. Agora, não, estou bom. Depois da cirurgia, pararam as dores no pé, mas aí vieram as lesões, uma hora era na panturrilha, outra na coxa, até perder um pouco o peso. Agora, já está indo bem. Não falo que está 100% não, porque não vou mentir, não.

Folha - Mas você está treinando cinco, seis dias por semana?

Ronaldo - É, eu treino todos os dias, não é? De manhã e de tarde, uma média mais ou menos de 25 quilômetros por dia. Por enquanto, estou só no trabalho de base mesmo, para depois pegar firme. E, agora, já era para estar mais ou menos bem, porque já está quase em cima do Pan.

Folha - É esse seu objetivo agora?

Ronaldo - É. Meu objetivo mesmo agora é tentar pegar o índice do Pan. Tentar, não é? E Pequim, a Olimpíada, esse é o maior objetivo. Depois parar.

Folha - Você quer a maratona no Pan?

Ronaldo - Meu objetivo é a maratona. Vamos tentar treinar bem, a partir de janeiro começar competir em algumas provas aí, em abril tentar correr a maratona para ver se já pego o índice logo, num tiro só, vamos ver.

Folha - Você está treinando aí em Minas?

Ronaldo - Agora estou em São João Nepomuceno, próximo de Juiz de Fora, 70 km. Eu nasci em Descoberto e São João fica a 10 km de Descoberto, mas aí a minha família mora aqui, a minha esposa e tudo o mais.

Folha - Tem lugar legal para treinar aí?

Ronaldo - Aqui é bom, aqui é uma maravilha. Tem as paisagens, assim, muito verde, a montanha e terra batida, não tem muito trânsito, não tem nada de casas, aquela poluição, por isso que eu gosto daqui. Aqui é legal, vejo boi, paisagem de montanha.

Folha - Como é sua vida aí? Você mora na cidade ou tem uma casa no campo?

Folha - Eu tenho meu apartamento na cidade aqui e estou fazendo uma casa na roça, numa chacarazinha, a gente gosta de ficar mais lá.

Folha - Você planta alguma coisa?

Ronaldo - Eu capino, planto. É pertinho, mas é bom. É tranqüilo, é natureza, não é? Eu planto milho, feijão, planto grama, faço de tudo, é um tipo de ginástica, uai. Eu comecei a minha vida na enxada. É meu jeito mesmo. Eu não vou fugir das minhas origens, não. Não sei o dia de amanhã, é ou não é? Não vou passar fome. A gente tem que ser versátil.

Folha - Quando você começou a correr?

Ronaldo - Comecei com 16 para 17 anos. Antes, eu trabalhava na roça, mexia com plantio de arroz, de milho, feijão. Trabalhei na prefeitura aqui na cidade de Descoberto, onde nasci. O prefeito organizou essa corrida, em 1987, aí fui segundo colocado e meu irmão terceiro. Na segunda corrida que ele fez, fui primeiro e meu irmão foi segundo. Dali para a frente, foi isso aí.

Folha - Mas você resolveu participar da corrida do nada?

Ronaldo - Não, o prefeito fez a corrida aqui no dia do aniversário da cidade, um evento, no dia 30 de maio de 1987. Aí faltando 15 dias para essa corrida, comecei a treinar, pensando: "Quem sabe eu posso ganhar esse radinho aqui", que era o prêmio. Aí fui segundo colocado. O cara que ganhou, fazia dez anos que corria, eu não tinha nem 15 dias direito, fui segundo colocado e meu irmão terceiro. O pessoal gostou, eu era pequenininho, era uma atração, foi diferente. Em setembro teve outra corrida, no 7 de Setembro, aí eu ganhei do cara que tinha dez anos que corria, que se chamava Wilsinho.

Ronaldo - Não, aí eu fui para Juiz de Fora, eu fui correr na região, conheci um treinador que se chama Jefferson Viana. Ele foi meu primeiro técnico. Aí depois veio o Henrique, da Pé de Vento, ganhamos a São Silvestre de 94. O Henrique acabou de me formar. Depois passei para o Cavalheiro.

Folha - E você já estava ganhando dinheiro com corrida?

Ronaldo - Estava começando a ganhar alguma coisinha. Assim que eu fui correr pela Pé de Vento lá, não é? Comecei a pegar mais experiência, comecei a viajar para o exterior, aí começou a melhorar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 00h00

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Ronaldo da Costa - parte 2

Ronaldo da Costa - parte 2

O giro da estrela

Esta é a segunda parte da entrevista exclusiva com Ronaldo da Costa, que foi ao fundo do poço e aspira os píncaros da glória. Neste trecho, ele fala sobre seu momento no topo do ranking mundial dos maratonistas. Segue o baile.

Folha - Como foi a experiência de ganhar a São Silvestre?

Ronaldo - Ah, foi bom, porque a São Silvestre tinha dez anos que brasileiro não ganhava. Eu estava bem preparado porque em 93 eu tinha sido sétimo colocado geral. Depois, em 94, no ano da São Silvestre, fui terceiro colocado no Mundial da meia-maratona, na Noruega, e estava bem. Aí fui para a Colômbia treinar na altitude. Treinei 25 dias lá e estava confiante que podia ganhar e ganhei, foi aquela maior festa, foi bom. Era meu sonho ganhar a São Silvestre. Me abriu as portas mais ainda.

Folha - No ano seguinte, você passou a treinar com o Cavalheiro? Por que trocou?

Ronaldo - Ah, porque já tinha um tempo com o Henrique já, queria mudar, fazer uma nova experiência, para ver, não é? Eu não briguei com ele, que é uma pessoa muito boa. Eu queria fazer uma experiência. O Cavalheiro é um cara muito estudioso também. Só por isso mesmo.

Folha - E você fez sua primeira maratona em 1997, certo?

Ronaldo - Muito bem, ali mesmo, eu lembro até hoje, se eu tivesse aquela mesma experiência... Eu corri um pouco com medo naquela maratona. Todo mundo falava que eu poderia quebrar. Aí eu segurei até os 30. Estava muito fácil para mim. Aí quando eu vi lá. eu achei que ia ganhar a corrida, cheguei todo vibrando, não tinha ninguém na minha frente. E eles já tinham chegado. É sério. Essa história não contei para ninguém. Cheguei todo animado, feliz, não sei o quê, depois... Mas foi bom, o tempo foi excelente, 2h09min07. No ano seguinte aconteceu o que aconteceu.

Folha - Mas, antes de chegar lá, na sua melhor prova, eu queria saber qual foi sua pior corrida, da qual você tem as piores lembranças...

Ronaldo - Rapaz, foi Porto Rico, a meia-maratona. É bonito, eu fui segundo colocado, em 93 ou 94. O Khannouchi ganhou de mim lá no final. Meu amigo, quatro horas da tarde, um calor de não sei quantos graus no lombo, nossa Mãe do Céu. Eu fui duas vezes, umas três vezes eu já fui lá. Um calor! Mas tinha mais de mil pessoas na rua. Um sobe e desce danado, mas subida mesmo. É três vezes mais do que a Brigadeiro. Aquilo não é para atleta, é para cabrito, uai. Estou falando sério, um calor, um calor infernal. Onze horas da noite lá é dia, eu nunca vi isso, uai. A gente fica doido, não dá para concentrar, não.

Folha – E por que você resolveu passar para a maratona? Você estava se dando bem em distâncias menores...

Ronaldo - A maratona, como dizem, tem a sua história. É uma prova muito especial. E exige treinos longos. É um pouco mais desgastante, mas é um ritmo mais moderado. Você correr, fazer uma prova de 10 mil, são trabalhos de piques muito rápidos. Eu sou rápido em termos. Na maratona, você se dá mais, o corpo fica mais tranqüilo, o seu coração vai naquela batida...

Folha - E aí você foi para o recorde mundial...

Ronaldo - É, me preparei aí, estava muito bem, estava numa fase muito boa. Estava crescendo muito e sabia que podia bater o recorde brasileiro. Acho que do André Ramos, 2h07min35. Eu sempre falava que podia correr entre 2h07 e pouco e 2h08? Estava muito bem aquela vez ali. Aí eu falei: "Bom, eu não tenho o compromisso de bater o recorde mundial". Pensei em bater em os recordes Sul-Americano e Brasileiro. Aí que deu aquele 2h06min05. Eu cheguei muito bem, inclusive fiz aquela estrela, aquela gracinha no final.

Folha - O que deu em você para fazer aquilo? Você tinha planejado?

Ronaldo - Planejei quando estava no final, faltando mais ou menos uns três quilômetros, estava na frente dos caras. Já sabendo ali que estava para ir para o recorde, pensei: "Se chegar bem aqui, vou fazer uma graça".

Folha - Como você sabia que estava indo para o recorde? Quem avisou?

Ronaldo - Ah, foi o Felipe, meu empresário. Foi no km 30 mais ou menos. Ele estava no carro da organização e falou: "Ronaldo, Ronaldo, você está correndo para o recorde mundial" Eu fiquei na minha, tranqüilo, está bom, bom. Fui concentrado. Aí o ritmo foi aumentando. A cada quilômetro foi baixando o tempo. Eu tive que fazer 2h06min05, e ali estava correndo para 2h06min40, mais ou menos. Nos últimos quatro quilômetros, três quilômetros, corri mais de 2min17 por km. É, mano, quando é o dia não tem jeito... Às vezes, você treina bem, treina para caramba, chega no dia, você não corre o que treinou. Deu tudo certo, a temperatura estava ótima, o clima estava agradável, estava 12 graus, mais ou menos, aí falei: "É hoje". Aí foi.

Folha - E o que aconteceu depois da estrela, como foi a festa?

Ronaldo - Eles costumam fazer uma festa, tinha comes e bebes, dança, foi uma maravilha. Eu fiquei umas duas noites sem dormir, cara. Duas noites sem dormir e aí fui correr. Até cair a ficha, não é? É meio complicado, não é?

Folha - Você na época estava casado ou solteiro?

Ronaldo - Já tinha saído de um relacionamento e eu conheci uma outra. Antes da maratona de Berlim estava com a minha amiga, estou com ela até hoje, com a Lucília. Ela é o meu ponto de equilíbrio, não é? É uma pessoa tranqüila, pessoa da paz, de boa índole. Depois, outra coisa, é uma mãe exemplar., não é? Claro: se tem um pai exemplar como eu, tem que ter uma mãe exemplar.

Folha - Vocês têm um filho, dois filhos?

Ronaldo - Não, tenho um enteado de 13, que eu conheci com cinco anos, na época, e minha filha Victória, tem seis anos e meio. Essa é a Ronaldinha da Costa .......

Folha - Vai ser corredora também?

Ronaldo - Bom, eu não quero forçá-la, não. Ela é criança, quer brincar e tudo o mais. Você não pode obrigar a ser igual ao papai. Calma. Deixa assim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Ronaldo da Costa - parte 3

Ronaldo da Costa - parte 3

De olho na política

 

Esta é a terceira e última parte da entrevista exclusiva com Ronaldo da Costa, 36, brasileiro que bateu o recorde mundial da maratona em 1998. Depois da façanha, ele viveu anos complicados e agora tenta voltar à antiga forma. Sonha com o Pan e com a vereança. A foto é Leonardo Colosso (Folha Imagem), feita em 30.dez.98. Segue o baile.

Folha - Voltando ao recorde: quanto você ganhou?

Ronaldo - É, foi US$ 100 mil pelo recorde, mais a premiação, não é? US$ 30 mil, na época. Foi bom.

Folha - Teve teste antidoping? Como foi?

Ronaldo - Tranqüilo. Eu, se acontecer isso comigo, eu nunca mais mexo com esporte, não. O homem tem que ter vergonha na cara. A pessoa que faz isso aí, não dá para confiar em hora nenhuma. Eu não confio, não. Você treina, dá um duro danado, na natureba, vem um safado desse aí, tem que ser preso. Não tem nem conversa. Você tem que se valer do esporte, incentivar as outras pessoas. Mas esse negócio de doping, além de não fazer bem, está roubando do próximo que está levando a sério.

Folha – Mas, na época em que você quebrou o recorde, um outro atleta que treinava com o Cavalheiro foi pego... E você não usava?

Ronaldo - Mas aí, ele pode usar, alguém pode usar, está do meu lado e eu não estou sabendo, não é? Porque você sabe que quem vê cara não vê coração. Eu não sei, eu não posso falar por ele, porque não vi, não sei. Se foi acusado, alguma coisa de errado deve ter feito. Se foi comprovado, é porque usou. Se ele fez, ele pagou pelo erro. Mas é assim mesmo, a gente não pode esquentar a cabeça, não. Minha cabeça está sempre está erguida, nesse ponto aí.

Folha - Bem, com a divulgação do dinheiro que você ganhou surgiram várias histórias, a ameaça de um seqüestro...

Ronaldo - É, dei muita falta de sorte. Quando fui para Berlim, já fui mais ou menos machucado também. Não fui 100% para lá. Aí as coisas começaram a dar tudo errado. Foi complicado. Um amigo meu inventou aquelas coisas de seqüestro, foi uma confusão danada.

Folha - Um amigo seu?

Ronaldo - Foi, não vou citar o nome dele, não. Na época, ele queria ir para os Estados Unidos. Como eu já estava com aquele nome tudo o mais, direitinho, em 99, aí ele estava em casa em Minas, aqui, começou a inventar moda, que alguém queria me matar e não sei o que lá. Mas quem não deve não teme. Estou vivo ainda, não é? Tranqüilo aqui, olha.

Folha - E você foi para os Estados Unidos?

Ronaldo - Eu e a Lucília, ficamos em San Diego, fomos para Bolder, depois. É no Colorado, é uma cidade maravilhosa.

Folha - E como você se sustentava?

Ronaldo - Ah, não, a viagem, essas coisas aí, foi tudo visualização da competição, a gente aproveitava e ia. Aí aluguei uma casa lá. Ficamos num apartamento lá, em San Diego. Ficamos dois meses, três meses lá, é muito tempo. Eu gosto do Brasil, meu, o Brasil que é bom. Aqui ou senão a Colômbia, a Colômbia eu gosto.

Folha - Mas você voltou para cá e ficou afastado das competições. O que aconteceu nesse tempo todo? Às vezes parecia que você ia voltar, participava de uma prova ou outra...

Ronaldo - Sei lá, nem eu entendia, nem eu estava entendendo também. Mudou tudo, as coisas estavam esquisitas. Tudo complicado. Não sei nem como explicar.

Folha - E o que você fez nesse período que não estava correndo.

Ronaldo - Ah, estava aqui, estava em casa, sem nada, sei lá, sem passado, sem falar com ninguém, Ficava dentro do meu quarto. Não podia falar nem em corrida comigo. Não é que eu quisesse parar de correr, mas não podia falar de corrida. Fiquei em deprê, mas agora, não, agora estou tranqüilo...

Folha - Pelo menos, já consegue falar sobre suas corridas... O que você pensa quando corre?

Ronaldo - Rodolfo, o negócio é o seguinte: meu negócio é chegar, eu quero ganhar. Claro, o pensamento pensa em ganhar, mas as pernas, às vezes, não vão, não é? Aí você pensa tanta coisa boa, você pensa na família, se ganhar pode ajudar um pouco no orçamento financeiro e tudo o mais, mas concentrado e fazendo força. Puxa, pensar o que eu já fiz, quando eu trabalhava na roça, pensando e fazendo força. Tipo uma coisa lê na sua mente. Aí vai passando, vai aumentando, faz força e concentração total e não se preocupar com adversário nenhum que esteja do seu lado.

Folha - E depois do Pan, vocês já sabe o que pretende fazer?

Ronaldo - Coloca aí: eu sou candidato a vereador na cidade, sabe?

Folha - Você já se envolveu com política antes?

Ronaldo - Eu gosto de política, sempre gostei. Ah, gosto de tumulto. Porque política é tumulto, você sabe, não é? É, uai, é uma confusão danada, eu gosto da função. Porque eu sou uma pessoa muito popular, entendeu? Pessoa muito comunicativa, gosto dessas coisas, não é?

Folha - E você já se candidou alguma vez?

Ronaldo - Não. Sempre tive vontade, mas não me candidatei, não. Mas, desta vez, agora, a idade vai chegando, aí o corpo vai diminuindo, aí estou pensando alguma coisa, de passar a minha experiência para alguém.

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

São Silvestre

E os deficientes???

A leitora Clara Beauty mandou um comentário que está publicado no seu devido lugar, mas merece destaque nesta página. Disse ela:

"Rodolfo, só para não passar em branco, você conseguiu encontrar em algum lugar o resultado dos cadeirantes/deficientes físicos na SS? Procurei nas notícias sobre o evento, mas não consegui achar nada. É isso aí que chamam de "estimular a participação"? Faltou respeito."

Eu fui atrás de respostas.

De fato, não consegui encontrar, no site oficial da São Silvestre, nenhum link para os resultados dos cadeirantes. O botão "Resultados" dá acesso a uma página com links para a classificação geral na prova _em 2006, 11.556 homens e 1.233 mulheres completaram a São Silvestre.

Lá, na penúltima chamada da coluna "outros destaques", aparece o título: "Tetracampeão, Aranha diz que 'foi um feliz ano velho" . Apesar de não se referir a deficientes, desconfiei e fui ver o texto. Trata-se de uma reportagem sobre a São Silvestre dos cadeirantes: "Neste domingo, o paulista Fernando Aranha da Rocha se sagrou tetracampeão da São Silvestre para cadeirantes. Com uma ampla vantagem sobre o segundo colocado, o paraatleta se mostrou surpreso com o feito conseguido e teve um novo ânimo para pensar na participação nos Jogos Pan-americanos".

Não há informações sobre os resultados gerais. Consultei a assessoria do evento. "Os resultados serão publicados no site da São Silvestre asim que forem definidos os resultados oficiais. No site agora estão os resultados extra-oficiais", disse em e-mail Marcelo Eduardo Braga.

Bem, também não encontrei essa tal de classificação extra-oficial, mas digamos que a reportagem citada seja a dita cuja...

De qualquer forma, para que não passe em branco, seguem os resultados passados pela assessoria do evento:

Relatório Geral Masculino - CADEIRANTE

1 Diego Lucas Madeira 00:32:28

2 Francisco Claudio Amora da Silva 00:55:32

3 Jorge Henrique Ferreira Coelho 00:55:44

4 Noel Cleudinei Kostiurezko 01:03:38

5 Ronilson Bispo dos Santos 01:05:56

6 Jorge Marcos de Arruda 01:12:56

7 Carlos alberto Simão 01:21:34

8 Claudio Rosa 01:37:41

 Relatório Geral Feminino - CADEIRANTE

1 Angelina Nascimento da Silva 01:46:53

Relatório Geral Masculino - VISUAL

1 Pedro José dos Santos 01:17:27

2 Otacílio Aires dos Santos 01:18:41

3 Welison Batista de Oliveira 01:28:06

4 Francisco de Assis Benício 01:30:15

5 Edson dos Santos 01:35:30

6 Irisvan dos Santos Oliveira 01:41:53

7 Silvio Benedito Fernandes leite 01:58:13

8 Elias Pereira de Morais 02:13:46

Relatório Geral Feminino - VISUAL

1 Dores Fernandes Leite 01:19:38

2 Izabel Lina da Silva 01:38:59

Relatório Geral Masculino - DMAI

1 Jose Oswaldo Gallardo 02:01:39

2 Marcelo Ferreira 02:10:04

3 Anoestre Antonio Correa 02:10:53

A sigla DMAI, que não conhecia, refere-se a "atletas deficientes andantes membros inferiores", com deficiência que dificulte seu caminhar ou correr (que utilizam bengalas, muletas, andador etc.).

Com base no relatório extra-oficial, destaco o feito do senhor Anoestre Correa, que tem 62 anos e completou a prova em pouco mais de horas. Aliás, o campeão dos deficientes visuais, Pedro José dos Santos, tem, segundo o relatório recebido, 63 anos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Leitura

Leitura

"SuperAção"

Um perfil da bicampeã da maratona de Nova York, Jelena Prokopcukaa, é um dos destaques da revista "SuperAção" deste mês, que também traz uma entrevista com José João da Silva, o bicampeão da São Silvestre que é hoje empresário de eventos esportivos.

Na área de orientação técnica, a revista traz uma reportagem com várias dicas para começar a praticar a corrida com tudo neste ano.

Mais informações no site da editora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Livros, filmes e canções | PermalinkPermalink #

Em causa própria

Amanhã é quinta-feira

Dia em que circula o caderno "Equilíbrio", da Folha. Na primeira quinta de cada mês, como amanhã, o caderno traz minha coluna +corrida.

O blog também terá amanhã material especial, uma entrevista exclusiva com um grande atleta brasileiro.

Não deixe de ler a Folha nem de visitar este espaço. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na TV

Bons programas

Está rolando agora (19h12), na ESPN, um VT do Mundial de Ironman. Mais tarde, às 23h, a emissora apresenta a cobertura do Mundial de Corridas de Rua.

Amanhã, no mesmo horário, está programado o VT do Mundial de atletismo. Quem chega cedo do trabalho pode curtir, às 19h, a cobertura do New Plymouth Triathlon World Cup.

Na quinta, dia 4, tem repetição, às 13h, do Mundial de Corridas de Rua. Às 14, um resumão do IronMan.

Confira no site da ESPN.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Calendário

Atrações em profusão

O calendário de janeiro está cheio de provas bacanas, nas mais diversas distâncias, com percursos e desafios para todos os gostos.

Uma estréia que promete ser muito legal é a Maratona do Vinho e Maratoninha do Suco, em Bento Gonçalves, que já comentei neste blog. Se os organizadores cumprirem o prometido no regulamento e anunciado no site da Fenavinho, vai ser uma beleza.

No extremo oposto, de dureza pura, para poucos selecionados, está a Brazil 135 Ultramaratona. O nome do país está com "Z" no site oficial da prova, e o 135 se refere à quantidade de milhas da corrida. Em quilômetros, são 217, que deverão ser percorridos em até 60 horas nas montanhas da serra da Mantiqueira, em Minas.

Para quem prefere praia, a 1ª Meia Maratona Cidade de Maceió é de dar água na boca, com largada e chegada em Pajuçara. Como é prova de estréia, ainda não dá para falar nada sobre a organização. Claro que vai ser quente, mas isso aí faz parte. Também no dia 28, Cabo Frio (RJ) terá uma meia-maratona. É outra estréia, e nada sei sobre a organização.

Para quem prefere os dez quilômetros, uma boa pedida é a prova que marca o aniversário do Rio de Janeiro, no dia 20. E, claro, a do aniversário de São Paulo, no dia 25, que já vai para sua décima edição. Outra tradicional e simpática prova é a que comemora o aniversário do bairro de Santo Amaro, no dia 14, na zona sul de São Paulo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Madri

Madri

O recorde que não foi

Eu pretendia deixar meu poético texto de abertura do ano solito na página o dia inteiro, mas não posso deixar de registrar a quebra não-oficializada do recorde mundial dos 10 km, ocorrida no apagar das luzes de 2006 em terras madrilhenhas.

O vencedor da San Silvestre Vallecana e o segundo colocado correram abaixo da marca de 27min02 estabelecida há quatro anos por Hailé Gebrselassie, mas a façanha do queniano Eliud Kipchoge (26min54) na Espanha não deverá figurar nos rankings da IAAF. Isso porque o percurso da prova espanhola tem mais descida que o admitido pelos regulamentos (a diferença das altitudes da largada e da chegada é maior do que a aceita pela IAAF, caracterizando um circuito lomba abaixo -"downhill").

O queniano, que era dono da melhor marca do ano na distância, teve de dar tudo o que tinha para se manter na liderança, pois o campeão mundial dos 20 km estava fungando no seu cangote. Zersenay Tadesse, da Eritréia, fechou no mesmo segundo, mas centésimos atrás do vencedor, que assumiu a liderança com menos de um minuto de prova, ligou o turbo e disparou atrás do recorde que foi , mas não foi.

No feminino, a bicampeã da maratona de Nova York mostrou que é boa também em percursos mais curtos. Jelena Prokopcuka, da Letônia, fechou em 31min27, mais de 40 segundos à frente da segunda colocada, a australiana Benita Willis-Johnson.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Primeiro do ano

Prazer solitário

Quando faltavam uns 200 metros para terminar meu percurso na Sumaré, comecei a torcer para quem não aparecesse nenhum corredor. Ao me dar conta do sentimento, fiquei até meio envergonhado e uso esta tribuna como uma espécie de expiação. Mas confesso que deu um certo orgulho ser o único corredor na avenida na manhã então ainda chuvisquenta, friazinha, cinzenta do primeiro dia de 2007.

Não sei bem que façanha é essa ou se sequer é uma façanha, mas a história saúda quem primeiro cruzou os mares, os céus, descobriu isso ou aquilo, encarou as tempestades. Claro que a Sumaré não esconde muitos perigos nem cobre de glória quem por ela passa solitária, mas me senti um desbravador da Sampa ainda adormecida.

Por isso, talvez, consegui controlar as dores de costas e pés que ainda me acometem. Elas vêm e eu as enfrento. Eu dia elas vão vencer, assim como o tempo vai nos derrotar, mas, enquanto isso acontece, a gente segue dando um pau neles todos, tempo e dores. Com esse sentimento, entrei no parque da Água Branca quase entregue às moscas, e lá descobri os primeiros atletas de minha jornada.

Não eram corredores. Às 8h19, com os termômetros marcando 19 graus Celsius, dois senhores de bermudas coloridas e camisas de mangas curtas faziam exercícios sob a marquise de uma das baias do parque (para quem não sabem, a Água Branca abriga de quando em vez exposições de animais e feiras diversas e tem um conjunto de baias cobertas, além das estrebarias para a cavalhada).

Quando os vi, estavam de frente um para o outro e faziam algum tipo de exercício de respiração. Juntos, estavam lá talvez pelo sesquicentenário, como as barrigas, papadas, carecas e restos de cabelos brancos indicavam. mas faziam seus exercícios. Na última olhada, iniciavam uma série de agachamentos (quantos mais daquele idade estariam fazendo exercícios neste país?).

Segui enfim para o elevado. Com quase meia hora de treino, já estava mais leve e acostumado às dores, esquecido delas talvez. Vendo o asfalto limpo, vazio, especial para mim, apertei o passo na subida, fazendo a trajetória inversa à dos corredores que ontem participaram da São Silvestre.

No trecho que abrigou a corrida, quase nada lembrava os milhares de passadas da tarde chuvoso do 31 de dezembro de 2006. Apenas sachês de carboidrato chupados, dobrados, rasgados, esquecidos no chão, indicavam que o asfalto fora palco de um evento esportivo, assim como as camisinhas que pontuam o chão de algumas praças da cidade revelam o uso romântico do espaço.

Passando a alça por onde os atletas subiram, o percurso no Minhocão então revela alguns restos de comemorações na madrugada. Uma rolha perdida, carcaças de foguetes e rojões, uma garrafa de guaraná de dois litros. E nenhum outro corredor...

De gente, só alguns passantes. Um casal idoso caminha na manhã, e nos cumprimentamos pelo Ano Novo. Na alça da Ana Cintra, outro retrato da cidade: os sem-teto fazem um espécie de triste convenção, atirados sob a proteção do muro. Desprotegido, no asfalto mesmo do Minhocão, um menino ainda dorme com a cabeça escondida na camiseta, embalado sabe-se lá por qual droga ou simplesmente pelo cansaço da vida.

A mesquinharia da vida também se revela em mim mesmo, que fico meio acabrunhado, lamento até, quando enfim aparece outro corredor, pouco depois de cruzar sobre a Angélica. Mas chacoalho fora o sentimento feioso, me alegro com o outro, um sujeito mais velho, careca, com uma camiseta laranja- claro, e nos saudamos na passagem, ele seguindo em direção à Água Branca, eu já começando a acelerar para encontrar a Consolação, onde vou terminar minha horinha de estréia no ano.

Na última curva, avisto ao longe gentes em uma composição de cores que encerra a beleza da humanidade: uma jovem mãe carrega no colo seu filho. À distância, sua saia vermelha parece pregueada, plissada tal como as das normalistas de antanho, que povoaram sonhos de garoto. O menino, de calça azul-escuro e blusão azul-bebê, contrastava com a blusa verde-grama, clarinha, da mãe.

Chegando perto, pude ouvir o garoto manhar. Tinha um ano e meio, dois talvez, e seus nhém-nhém-nhém pareciam pedir chão. A mãe o largou no asfalto bem quando passei por eles, correndo forte. Logo aproveitei para ainda dar uma olhada para trás: o guri corria pelo asfalto, a mãe seguia atrás, o guri ziguezagueava, os passinhos curtos, os dois se divertiam.

Parti com tudo para a subida da Consolação. Ainda vi o primeiro carro batido do ano (o primeiro que vi, claro), cruzei a avenida e subi na contramão. No meio do trajeto, fui resgatado pela minha mulher, e seguimos para celebrar a dois o Ano Novo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.