Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Mumbai

Mumbai

Chips ativos

Um show de tecnologia está sendo prometido pela maratona de Mumbai, a mais populosa cidade da Índia e talvez a mais densamente povoada do mundo. Mais de 20 câmeras serão usados para monitorar o público e os corredores, numa tentativa de aumentar a segurança do evento. Além dos olhares eletrônicos, cerca de 2.500 participantes do evento -que, no total, deve atrair cerca de 30 mil pessoas- vão usar chips de identificação com radiofreqüência ativa (RFID), que servirão para acompanhar o andamento da prova de cada um dos atletas.

Organizadores de corridas ao redor do mundo têm usado chips RFID passivos para registrar o desempenho dos corredores e tentar evitar fraudes. Mas, com esse sistema (que é usado nas grande provas brasileiras), é preciso colocar ao longo do percurso tapetes que captam o sinal dos chips. Conforme o orçamento da prova, os tapetes são colocados em mais pontos. Em geral, estão na largada, na chegada e no meio ou em algum ponto de retorno do percurso.

Com o novo sistema, os tapetes não são necessários. Os chips de radiofreqüência ativa têm uma bateria interna que liga e desliga ao passar pelos pontos de captação do sinal (instalados na largada, na chegada e a cada cinco quilômetros, no caso da prova da Índia). E, segundo os organizadores, oferecem mais precisão, mesmo quando uma grande quantidade de atletas passa ao mesmo tempo pelo mesmo ponto.

Para os organizadores da Maratona de Mumbai, há também uma vantagem econômica, pois os custos são menores. A redução acontece até no custo do transporte, pois todo o material usado para o sistema de cronometria da prova, com a tecnologia usada de 2004 até a prova do ano passado, pesava 3.000 quilos. O peso do material usado para o novo sistema totaliza 800 quilos.

Aproveito para registrar que esta é a primeira a fazer uma ponte entre os meus dois blogs, Circuito Integrado e +Corrida. Esporte também é tecnologia. E vice-versa ao contrário, como queiram.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Lance Armstrong

Lance Armstrong

Sub-2h45

Este é o objetivo do sete vezes campeão do Tour de France para 2007: terminar a maratona de Nova York deste ano em menos de 2h45. A revelação foi feita numa entrevista à ex-mulher, Kristin Armstrong, publicada na versão on-line da revista "Runner‘s World".

Como vocês se lembram, Armstrong foi a estrela maior da prova vencida pelo brasileiro Marilson. Havia uma câmera especial, a Lance Cam, acompanhando seus movimentos, e ele era apoiado por atletas e ex-atletas de elite, como a vencedora da primeira maratona olímpica feminina, Jean Benoit, numa gigantesca e bem-sucedida operação de marketing esportivo.

A conversa entre o superciclista e sua ex-mulher aconteceu três dias depois da prova (que ele correu 24 segundos abaixo das três horas), na cozinha da casa que os dois haviam compartilhado. Traz mais informações sobre as emoções e dores do corredor da maratona e, ao longo do texto leve, um pouco dos momentos passados entre os dois.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h24

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Deena Kastor

Deena Kastor

Medalhista internauta

A recordista americana da maratona e medalhista olímpica Deena Kastor lançou nesta semana seu novo site (foto acima), que traz um monte de informações sobre a atleta.

Ela conta, por exemplo, que adora cozinhar e até dá as receitas de alguns de seus pratos favoritos.

Se você quer saber mais sobre Deena Kastor, em português, não deixe de ler a entrevista que fiz com ela meses depois de sua sensacional performance em Atenas-04. Está no meu site Atletismo, Cara e Coragem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Lamentável

Escroque inglês

Nem todo maratonista é gente boa. O inglês Paul Appleby, por exemplo, é um escroque da pá virada. Ele se inscreveu nos programas de seguro social do governo para receber uma graninha como se fosse deficiente físico.

Alegando que ficava quase o tempo todo em cadeira de rodas e precisava de muletas para se locomover, acabou levando mais de 22 mil libras na maciota.

O problema é que, no mesmo período em que alegava estar incapacitado para o trabalho, correu uma penca de maratonas e meia-maratonas. Fazia parte do clube de corredores Sutton Harriers Athletic Running Club.

O mineiro aposentado recebia pensão desde 1994, quando teve que abandonar o trabalho por causa de problemas nas costas. Ele afirmou que não consegui andar nem cem metros em cinco minutos e que precisava de ajuda para comer, ir ao banheiro e qualquer outra atividade fora de casa.

Mas, em 2001, já estava suficientemente recuperado para ter até uma ativa vida esportiva. Mas resolveu continuar mamando no governo.

Foi condenado a dez meses de prisão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dias de calor

Dias de calor

Treine, mas proteja-se

 Correr, no Brasil, exige mais do que simplesmente abrir a porta e sair mandando bala. O calor de nosso verão (e, não poucas vezes, de nosso inverno) cobra de cada um de nós precauções e cuidados. Para falar sobre o assunto, convidei o sábio baiano Gilmário Mendes Madureira, que já colaborou com este blog. Ele é diretor técnico do Multsport Clube de Corredores e treinador da atleta de elite Marily dos Santos. Leiam o que Gilmário nos ensina.

Tempo quente, dias confusos de muito compromisso, e você, para relaxar, escolhe dar uma corridinha para esfriar a cabeça.

Sim, mas como esfriar a cabeça com a previsão do tempo indicando mais de 30 graus e alta umidade? E parece que a coisa vai esquentar mais ainda. Será que tem solução ???

Solução até que tem, mas isso vai demorar mais que algumas horas de simples adaptação.

O melhor é você começar "fugindo" do calor, correndo em horários mais frescos do dia. Aquela velha recomendação dos dermatologistas de não se expor ao sol depois das 10h e antes das 15h vale muito para corredores, não só e também pela proteção da pele. Correr nesses horários em algumas cidades do Brasil é pedir pra não ter prazer na corrida.

A pré-hidratação seria o cuidado inicial de quem quer se adaptar ao sol, mas não adianta tomar um tonel de hidratante porque vai correr ao meio-dia. Essa relação não é diretamente proporcional. Há um limite determinado pelo bom senso e pelas consultas aos profissionais de saúde.

Se adaptação é a palavra-chave, o ritmo de treino obedecerá ao clima, pois já é sabido que a performance é altamente influenciada pelo calor.

Quer correr mais forte? Então procure os lugares com mais sombra e ventilação. Fique de olho também na previsão do tempo para o dia de treino mais puxado. Combine com seu treinador uma certa flexibilidade na intensidade se o ambiente estiver abafado ou quente.

Se quer competir procure eventos que, além de respeitarem a relação saudável de horário, dêem atenção à logística de hidratação e ao atendimento médico. Se a prova é às 8h da manhã, e você treina às 5 da matina, tente avançar 30 minutos a cada dia de proximidade do evento até que se acostume. Observe, nesse processo, uma relação inversamente proporcional ao horário e à proximidade da corrida, ou seja, quanto mais próximo à corrida, mais leve será o seu treino, por estar mais exposto ao calor.

No Brasil, temos diferentes combinações de calor: quente-seco, quente-úmido, quente com vento contra, quente sem ventilação... Se você mora em uma cidade à beira-mar, as roupas de treino são fundamentais para uma boa evaporação. Se você mora em locais de altitude, saiba que a exposição aos raios ultravioleta é maior.

A mensagem que fica é de bom senso na procura dos horários, no uso das roupas, na ingestão de líquidos, na percepção de desgaste, pois o sol no nosso país tem uma imagem diretamente ligada ao bem-estar. Excesso de sol nunca vai significar saúde a mais. Corra com as pernas, mas use a cabeça.

Bons treinos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Filha do ano

Filha do ano

Ela se chama Isla

Esse foi o nome escolhido pela casal Radcliffe para a primeira filha da recordista mundial da maratona.

"O parto não foi fácil, mas ela vale a pena", disse a inglesa Paula Radcliffe, conforme publicado em seu site oficial.

"Eu estou adorando os meus primeiros dias como mãe, me preparando para conhecer minha filha e dividir a nossa vida com ela".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h55

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Maravilha curativa

Maravilha curativa

O valor da maratona
 
Eu adoro correr e adoro maratonas, sei que elas transformam a gente. Mas sempre fico impressionado ao ver como a corrida pode ser um tão importante e significativo símbolo de vitória pessoal que leva gente que superou desafios extremamente gradiosos a tentar ir até o fim de uma maratona.
 
Vejam o caso sensacional de uma menina norte-americana, que pretende paraticipar da maratona de Miami, no próximo domingo. Até seis meses atrás, a simples idéia de isso acontecer parecia impossível: Christina Reyes, 17, corredora de cross-country e cavaleira premiada, sofria de tumor cerebral.
 
A família descobriu porque a garota não se desenvolvia como as outras de sua idade; nem sequer tinha tido a primeira menstruação. Quando identificaram a causa, os médicos disseram que o tumor não poderia ser operado; ao final das contas, a cirurgia foi realizada, com sucesso, em julho passado.
 
Depois de uns meses de recuperação, a menina passou a treinar quatro dias por semana. E, no próximo domingo, vai correr a meia-maratona, acompanhada por seu pai e sua irmã, que vinham treinando com ela.
 
Christina acredita que será uma inspiração para outros que sofreram como ela ou enfrentam a dureza da doença. A menina e sua família também arrecadam fundos para entidades de apoio a doentes de tumor cerebral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Estatísticas

Maratona em números

Cá na nossa terra, é difícil sabermos exatamente quantos maratonistas somos. Calculo em uns 7.000 a 10 mil, a julgar pelos números divulgados pela revista "Contra-Relógio", que computou as cinco grandes maratonas brasileiras.

Isso significa que, no terrenos das maratonas, nossa relação com os Estados Unidos é ainda pior do que no terreno econômico, em que em geral eles são dez vezes maiores que o Brasil.

No ano passado, os EUA registraram nada menos que 397 mil finalistas em maratonas (o que não significa exatamente o mesmo número de maratonistas, pois uma certa quantidade de atletas corre mais do que uma prova). Foi um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior, aproximadamente.

Pela primeira vez em vários anos, segundo o site MarathonGuide, houve uma leve redução na participação feminina, que era de 40% e passou a 39,9%. Em breve serão divulgados números mais precisos sobre os tempos médios e outros dados.

Em 2005, a média de idade dos homens que correram maratonas foi de 40,5. O tempo médio masculino foi de 4h32min08. A idade média das mulheres: 36,1 anos; tempo médio: 5h06min08. No geral, a idade média dos maratonistas norte-americanos, em 2005, foi de 38,7 anos. E o tempo médio, 4h45min47.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paula Radcliffe

Paula Radcliffe

Nasceu!!!

É uma menina! A recordista mundial da maratona, Paula Radcliffe, entrou em trabalho de parto na manhã de ontem e, depois de "muito, muito tempo", no dizer de seu marido, deu à luz uma garota saudável no hospital Princess Grace, em Mônaco.

O anúncio foi feito hoje por Gary Lough, o "Mr. Radcliffe", que acompanhou o parto. A mãe e a criança passam bem.

Até agora, o casal não informou qual o nome escolhido: Lough disse que não tinham decidido ainda.

O bebê, que era esperado para o dia seis passado (como eu falei neste blog), nasceu com 2,9 kg. O pai, feliz da vida, disse que até agora "não caiu a ficha" sobre a novidade.

Se o bebê seguir a carreira dos pais (Lough também foi corredor, especialista nos 1.500 m), poderá competir sob a bandeira de Mônaco ou escolher entre as cores da Irlanda do Norte, pátria do pai, e da Inglaterra.

Radcliffe fez sua última corrida oficial em outubro último, mas continuou treinando. Ao anunciar sua gravidez, em julho passado, a recordista disse que pretendia continuar ativa na profissão por mais seis anos e planejava disputar a maratona olímpica em 2012. Para este ano, sua principal competição deverá ser o Mundial de Atletismo, no Japão. Mas não decidiu se irá para a pista, nos 10 mil metros, ou para as ruas, na maratona.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cara e coragem | PermalinkPermalink #

Brooks BR 135

Troca de posição

O ultramaratonista Éber Vallentim (foto) mandou mensagem a este blog esclarecendo que, apesar de ter chegado depois do segundo colocado, não ficou na terceira posição na ultramaratona Brooks BR 135, de 217 quilômetros na serra da Mantiqueira. Isso porque, em um determinado ponto, errou o caminho e "comeu quatro quilômetros", o que lhe custou uma "multa" de duas horas. A organização, segundo Éber, não havia percebido o caso e recebeu a informação do próprio corredor.

Vejam o que diz o Éber: "Durante a prova,por falha de um dos fiscais,eu peguei uma estrada errada e acabei levando uma vantagem de quatro quilômetros. Isso só foi descoberto porque, na chegada, eu achei que tinha algo errado e decidi conversar com o diretor da prova. De fato, houve algo errado, e eu fui penalizado em duas horas acima do meu tempo, o que me custou a terceira posição. Fiquei, então, na quarta colocação e preferi não entrar com recurso contra a decisão".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Outros esportes

O maior do mundo

Doente, alquebrado, Muhammad Ali completa hoje 65 anos. Ele é muito mais que o maior pugilista de todos os tempos, é um exemplo de lutador pela paz e pelos direitos do cidadão contra a opressão.

A minha geração o conheceu Cassius Marcellus Clay, o maior, o melhor, o mais debochado, o mais desafiador. E aprendemos a reverenciar Muhammad Ali, ainda o melhor, o maior, o mais debochado, e muito mais desafiador, capaz de enfrentar e derrotar a maior força política do mundo ocidental.

Por transformar em ato de coragem a sua crença na paz, virou ídolo.

O governo americano, ao lhe tirar o título e jogá-lo na prisão por sua recusa a ir lutar no Vietnã, não apenas não calou sua voz nem tirou sem poder mas também entregou ao mundo um mártir do pacifismo e da luta pela liberdade.

Voltou, ergueu os punhos e reconquistou nos ringues o lugar que nunca deveria ter perdido.

Mais tarde, a doença fez baquear seu corpo, estremecer seu espírito. E, de novo, ele reagiu.

Conheci Muhammad Ali em 1982, na minha primeira viagem aos EUA a serviço da Folha. Na feira paralela a uma convenção de supermercadistas, ele estava em um dos estandes, autografando um livro sobre a causa muçulmana. Entrei na fila para ter o direito de cumprimentar aquela lenda viva, que mal conseguia apertar a mão com seus braços trêmulos, mas cujo espírito dominava o corpo o suficiente para conseguir assinar o livro e mandar sua mensagem para o mundo.

Embaixador da paz, lutador de causas benemerente, ele continua hoje, mais do que nunca em sua vida, "voando como uma borboleta, ferindo como uma abelha", o seu lema dos tempos de glória esportiva.

Cada vez que ele abre os olhos, que movimenta os braços, que age e interage, impõe uma derrota à doença. Eventualmente, ela vai levá-lo ao nocaute final, mas Muhammad Ali continuará invencível e invencido, vivo em cada homem e cada mulher que, em qualquer lugar do planeta, a qualquer instante, esteja lutando pelo seu direito à paz, à liberdade e à busca da felicidade.

Feliz aniversário, Muhammad Ali!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h59

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rio 2007

Censura olímpica

O Comitê Olímpico Brasileiro e o Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007 decidiram censurar a cobertura do Pan pela internet. Eles anunciaram que os veículos de internet não terão direito à produção ou transmissão ao vivo de conteúdo próprio que inclua vídeo ou áudio captado em áreas oficiais do evento, que será realizado entre 13 e 29 de julho.

O objetivo é defender os interesses da Globo e demais canais de TV que compraram os direitos de transmissão. Conforme o UOL registra em ampla cobertura (leia AQUI), o diretor de marketing do comitê, Leonardo Gryner, afirma: "A preocupação do CO-Rio é respeitar os contratos de direito de transmissão firmados com as emissoras de TV brasileiras que irão garantir o amplo alcance de público na distribuição de sua produção durante os Jogos.".

Os comitês estão metendo os pés pelas mãos, confundindo alhos com bugalhos e atuando na contramão da história. Os grandes eventos esportivos e tudo, em geral, no mundo, estão cada vez mais internéticos. E os conteúdos disponíveis da internet passam, sim, pelas grandes empresas da mídia tradicional ou da mídia eletrônica, mas são cada vez mais produto de milhões de pessoas, numa onda que os burocratas do mundo, em geral, são cada vez menos capazes de conter.

As empresas de comunicação do Brasil (e, imagino, logo as do mundo) já se rebelam contra essa medida e tomam providências para defender os seus interesses (que, nesse caso, são também os interesses do público em geral). Vamos ver a que ponto isso vai chegar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paraisópolis

Paraisópolis

Os ultras chegaram!

Um corredor de última hora, que nem planejava participar oficialmente da prova, chegou em terceiro lugar na ultramaratona Brooks BR135, a prova mais difícil do Brasil, que teminou hoje à tarde nas encabritadas escarpas da serra da Mantiqueira, em Paraisópolis, Minas Gerais. 

Trata-se de Eber Valentim, um sujeito como a gente, que participa de provas de rua, mas gosta mesmo de ultras. Ali, ele já não é como nenhum de nós: cai no terreno dos superdotados, mostrando uma resistência fenomenal mesmo sem condições de seguir o melhor regime de treinamento.

Eber, que faz parte da equipe Nossa Turma, terminou os 217 quilômetros em pouco mais de 30, inteiraço de aço, atrás de Agnaldo Sampaio, que é professor de corrida em uma academia de São Bernardo e completou em 28h53min01. O vencedor foi Valmir Nunes, o melhor ultra brasileiro, que fechou em 27h26min30. Valmir teve de ser hospitalizado logo depois de chegar para receber soro.

Parabéns aos donos do pódio e aos 15 participantes dessa dificílima prova, que começou na manhã de segunda-feira última em Águas da Prata.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Dica

Dica

Assadura

Um leitor mandou e-mail perguntando o que eu faço para evitar assaduras nas coxas em treinos ou provas longas.

Vejam o que ele diz: "Estou me preparando para correr uma maratona em 2008 e tenho tido um problema com assadura entre as pernas (coxas). Comprei uma bermuda térmica, e estava indo tudo bem até fazer um longo de 21 km, quando a costura da bermuda provocou escoriações nas pernas. Estou pensando em usar a bermuda ao avesso. O que você faz para evitar esse problema?".

Nunca usei essas bermudas, mas não lembro de reclamações de pessoas que as usam. De qualquer forma, em treinos longos e em maratonas, costumo passar vaselina líquida nas pernas e braços para tentar fugir de assaduras.

Atualmente, tenho usado, em lugar da vaselina, um creme recomendado para o tratamento de assaduras. Ou seja, uso o remédio como precaução. Como é um remédio, não vou falar o nome; talvez o que valha para um não valha para outro, enfim. Mas a vaselina funciona bem, de qualquer forma.

Outra área que deve ser protegida são os mamilos. Além de vestir uma camiseta adequada, que não pese muito nem seja abrasiva, é bom usar algum protetor. Eu aplico apenas uma pomada comum, mas há quem coloque esparadrapo ou algum tipo de band-aid mais modernoso.

Quem usa bermuda térmica poderia colaborar com comentários. As opiniões de quem não usa também são bem-vindas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Dores e medos | PermalinkPermalink #

Outros esportes

Musa derretida

Gente, a Sharapova atrasou meu sono na noite passada. A mulher estava ganhando de 5 a 0 no terceiro set, depois de deixar a francesa Camille Pin empatar no segundo set (que estava na mão), e simplesmente derreteu.

Dava para ver a coitada sofrendo com o calor, que a fazia errar. Errando, ficava furiosa, nervosa, e errava mais ainda. Chegou uma hora que teve de pedir intervalo para tratamento médico. Colocou uma espécie de echarpe com gelo (na verdade, blocos de gelo enrolados em uma toalha, pelo que percebi) no pescoço, bebeu lá seu isotônico vermelho, tascou mais gelo na altura do estômago (pelo jeito, estava sentindo aquela dor do ladinho...).

Quando voltou para a quadra, mal se mexia. Tomou um tranco da francesinha, que era metade do tamanho da russa, e cedeu a aproximação. Quando estava 5 a 4, a Sharapova de novo estava com o jogo na mão, podia fechar o jogo, mas cedeu o empate para Pin (pronuncia-se "pan").

Eu ficava zapeando entre o jogo e a apresentação do Globo de Ouro, mas minha irritação com a Sharapona só aumentava. Lembrem-se de que bastaria a ela chegar à semifinal da Austrália para se tornar a número 1 do mundo. Pelo jeito, nem da primeira rodada a gigante passaria.

Vi mais umas bobagens hollywoodiana e voltei para a quadra australiana: a Pin tinha epatado. O jogo iria para o tie break. Era quase uma hora da manhã, ou já passava disso, sei lá. Muito depois de minha hora de dormir.

Falei tchau para elas e desliguei a TV, sem ver o final do jogo e sabendo apenas um vencedor do Globo de Ouro ("Betty, a Feia", por melhor comédia)..

Hoje abri a internet depois de meu treino. A Sharapova ganhou, derretendo e tudo. Mas o jogo ainda iria demorar muito, pois ela deixou rolar, indo até 9 a 7.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Águas da Prata

Águas da Prata

Ultradifícil

Quinze supercorredores largaram hoje pela manhã na segunda edição da difícil ultramaratona brasileira, toda ela corrida na serra da Mantiqueira, em parte do chamado Caminho da Fé. É a Brooks BR 135 (o número indica a distância em milhas, que equivale a pouco mais de 217 quilômetros).

A largada foi às 8h10 de uma manhã chuvosa em Águas da Prata. A primeira parada, abaixo de um temporal, foi no pico do Gavião, que fica numa altitude de 1.630 metros.

O primeiro a cobrir os 23 km até o morro foi Valmir Nunes, o principal ultramaratonista brasileiro, que chegou ao posto em 2h19.

Os corredores precisam completar o percurso em até 60 horas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Planejamento

Duas meias de saída

A Corpore acaba de divulgar a programação de suas primeiras provas do ano. O Circuito Corpore será aberto oficialmente no dia 4 de março com uma corrida de 12 km na USP. Agora, no dia 28 próximo, haverá uma prova festiva  de 7 km.

A meia da Corpore será no dia 15 de abril e, para variar, vai bater com a Volta à Ilha de Florianópolis. Para os fanáticos pelos 21.097 metros, está programada para o mês anterior a meia-maratona de São Paulo, organizada pela Yescom.

Os percursos não trazem inovação, beleza nem grandes desafios. Sei que falar de beleza em São Paulo é dureza, mas desafios há muitos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Paquistão

Paquistão

Contra a discriminação

Apesar das resistências de grupos islâmicos, o Paquistão realizou ontem a terceira edição da Maratona Internacional de Lahore com a participação de homens e mulheres (foto da AP,abaixo). O evento foi aberto pelo presidente do país, general Pervez Musharraf, que disse que corridas como essa deveriam ser realizada sem mais cidades paquistanesas.

Há dois anos, a maratona mista teve de ser transferida por causa das ameaças. E, quando ocorreu, muitos participantes foram agredidos a pedradas.

Ontem, porém, não houve incidentes na corrida, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas várias modalidades (havia também provas mais curtas) e distribuiu US$ 115 mil em prêmios.

No sábado, o porta-voz do partido islâmico Jamaat-e-Islami disse que a organização era contra a maratona mista porque "tais eventos esportivos têm como objetivo disseminar a obscenidade". Mas adiantou que o partido não iria interferir porque a população "rejeitava" a corrida.

Já o presidente do país afirmou que a população rejeitou o extremismo ao participar da prova, que foi vencida por corredores etíopes tanto no masculino quanto no feminino. Ketma Amerssissa completou em 2h15min26. Merima Danboban dominou o campo feminino ao terminar em 2h3254. Cada um levou um checão do equivalente a US$ 15 mil entregue pelo ministro-chefe Chaudhary Pervaiz Elahi, que foi o convidado mais graduado na festa de encerramento.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | GPS | PermalinkPermalink #

Canções e momentos

Canções e momentos

Movimento dos barcos

Quando terminei minha primeira maratona, em 1999, pulei, gritei, senti lágrimas escorrendo pelo rosto, abracei minha mulher, nós nós beijamos, comemoramos. E depois, andando já de pés descalços pelo asfalto da Perimetral, ao lado do Parcão, em Porto Alegre, cantei.

Com gritos roucos, toscos, desafinados, berrei os primeiros versos da "Suíte dos Pescadores", de Caymmi, também conhecida como "Minha Jangada...". Sei lá por quê. Ainda hoje me pergunto de que escaninho empoeirado de minha memória saiu o som daquele início de tarde, mas também não investigo muito.

A música fez parte da minha criação. Na família de minha mãe, especialmente, as reuniões do clã eram regadas a canções alemãs, folclore brasileiro, ritmos de roda. Na infância e adolescência, tentei aprender alguma coisa, mas minha incompetência foi maior do que a paciência dos professores. Já quase quarentão, redescobri os corais e participei de alguns grupos com meu som de baixo-barítono. Ou será barítono-baixo?

Mas nunca ouvi música ao correr. Acho perigoso e, principalmente, não gosto: ao correr, quero engolir o mundo com todos os meus sentidos. Mas cantar, já fiz, mesmo jogando pro espaço meu desempenho.

Já subi a Sumaré inteira entoando o "Baião de Ninar", sonhando com "um berço feito de raios de luar". Num treinão longuíssimo na USP, empurrei minhas pernas com a força do refrão de Djavan: "Vou andar, vou voar pra ver o mundo. Nem que eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo".

E me atirei no mar da memória e do mundo ao final de minha primeira maratona. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Livros, filmes e canções | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.