Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Tóquio

Que multidão!!!

De novo, a notícia é velha, mas, como você lembra, eu estava em férias e só hoje vi a foto. E ela vale a pena.

A imagem da AP (Kazuhiro Nogi) mostra o formigueiro que foi a largada da maratona de Tóquio, no domingo retrasado, dia 18.

Apesar da chuva e do frio, cerca de 25 mil corredores participaram do evento.

Para quem não lembra, o medalhista olímpico brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima terminou a prova em sexto lugar, com 2h16min08.

O vencedor foi o queniano Daniel Njenga, que disparou no km 25 e correu sozinho para fechar em 2h09min45.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h54

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Veteranos revisitados

Pau no racismo

As páginas de Masters Athletics com os rankings dos veteranos, que comentei aqui, trazem mais ensinamentos que o já falado exemplo de vida.

Vez que outra, herdeiros de idéias racistas brandem os resultados de corredores quenianos, em particular, e negros, em geral, tentando engordar argumentos para suas teorias ultrapassadas.

Uma vista geral e rápida das listas dos veteranos e veteranas nas maratonas pode ajudar a embasar outra tese: o que manda é a economia.

Vemos que os rankings de maratonistas longevos são recheados por competidores e competidoras de países ricos (ou que pretendem sê-lo, como as nações eslavas). O sujeito não vive do esporte, mas pratica o esporte por diversão, por prazer. E tem como sustentar seu hobby.

Confesso que não chequei um por um, mas talvez muitos dos que estão hoje nas listas dos maiores de 50 anos não tenham freqüentado os rankings dos melhores do mundo quando na juventude.

Talvez porque os que lá disseram presente preferem pendurar as chuteiras quando chegam à idade madura. Viveram para o esporte e querem, na sua aposentadoria (muitas vezes precoce), com razão, que o esporte lhes dê a vida.

Além disso, quem corre 200 a 300 quilômetros por semana para competir duas vezes por ano quer descansar quando não consegue mais obter as riquezas e as glórias reservadas ao pódio.

Enquanto os veteranos ranqueados talvez tenham tido (e ainda levem) uma vida de trabalho, realizações e conquistas em outros setores, e agora podem mais tranqüilamente sustentar sua diversão.

Enfim, veja lá as estatísticas e mande sua opinião.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h14

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Coisa de doido

Os reis do deserto

Ok, foi na semana passada, mas, como eu estava fora, só fiquei sabendo agora e conto tudinho para vocês.

Três ultramaratonistas doidos de pedra passaram a ser, na terça-feira passada, os primeiros seres humanos a cruzarem a pé, correndo, as 4.000 milhas do deserto do Saara.

Os mais de 6.400 quilômetros foram percorridos em 111 dias, numa aventura que foi acompanhada passo a passo por cinegrafistas. O projeto Running the Sahara vai virar um filme que, muito provavelmente, todos nós adoraremos ver.

O projeto inicial previa fazer a travessia em 100 dias, mas a jornada se provou ainda mais dura do que parecia ser.

"Vai demorar bastante para cair a ficha", disse o ultramaratonista norte-americano Charlie Engle, 44. "Isso é algo para fazer uma vez na vida e aproveitar. Dizem que a ignorância é uma benção. Agora que eu sei quão difícil é a travessia, eu jamais pensaria em fazer isso novamente", completou.

Junto com ele, correram o canandense Ray Zahab, 38, e Kevin Lin, 30, de Taiwan (veja os três nessa foto da AP, no dia número 109 de sua corrida).

Depois de cruzarem seis países (Senegal, Mauritânia, Mali, Niger, Líbia e Egito), eles finalmente chegaram ao mar Vermelho, deitaram no chão e tocaram a água, como havia feito no dia inicial da jornada, no Senegal.

No meio tempo, enfrentaram temperaturas de fritar ovo nas dunas, durante o dia, e de enregelar o sangue à noite. Tiveram tendinite, diarréia, câimbras e problemas nos joelhos.

Cada dia começava às quatro da matina. Uma hora depois, já alimentados e banhados, começavam a correr. Almoço, sesta e mais corrida. O jantar acontecia por volta das 21h30 e depois, cama.

E cada um deles, secretamente, em algum momento se perguntou, exatamente como fazemos todos, em algum instante privado, durante uma maratona: "O que eu estou fazendo aqui?".

Ninguém sabe. Claro que a corrida também tinha um elemento benemerente, para divulgar uma ONG. Mas o fato é que eles queriam correr e estavam correndo. Que sejam felizes.

 

 

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h15

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Veteranos em ação

Exemplo de vida

Está no ar, atualizado, o ranking dos maratonistas veteranos de todo o mundo (e também dos experientes competidores de todas as demais modalidades do atletismo).

As listas são publicadas pelo Masters Athletics, espécie de Fifa do atletismo entre os "velhinhos".

Muitos brasileiros aparecem nas faixas mais jovens, a começar pelo medalhista Vanderlei Cordeiro de Lima.

O que eu mais gostei foi ver os maravilhosos desempenhos do pessoal de mais de 60 anos.

No dia 21 de maio do ano passado, o senhor Bill Boudreau, norte-americano que compete na faixa etária de 85 a 89 anos, completou a maratona de Green Bay em 4h00min48.

O resultado é surpreendente, mas pense no esforço e na disposição do sujeito para treinar para chegar a esse resultado. Isso, sim, que é determinação.

Entre as mulheres, a piorzinha da lista, na faixa dos 70 aos 74 anos, foi a japonesa Yoshiko Takahasi, que completou a maratona de Nova York em 4h19min32.

Sai de baixo!

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h37

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Pós-Carnaval

Corrida na propaganda

Na publicidade, colocar um sujeito (ou uma sujeita) correndo não serve apenas para vender tênis ou produtos correlatos.

Aproveitando que a bebida não é vendida no Brasil (ou, pelo menos, eu não conheço), mostro como exemplo esta propaganda de suco.

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Escrito por Rodolfo Lucena às 11h35

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De volta

Preparem seus mouses

Oi, pessoal, acabei de chegar e já estou mandando uma breve mensagem de aviso aos navegantes: trarei logo muitas novidades.

Agradeço a todos pelas mensagens sobre a super de Rio Grande (com 10 km extras) e pelo meu aniversário.

Obrigado pela participação neste blog e vamos em frente que a estrada está nos chamando.

Abraços.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h43

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Cassino, Rio Grande

Cassino, Rio Grande

Regresso aos pagos

Neste momento, escrevo este texto vestido com a camiseta regata lembrança da XIV Supermaratona de Rio Grande, que completei no último domingo, dia 11 de fevereiro, três dias antes dos meus 50 anos, em 6h48min32, segundo registro de meu GPS.

O aparelho, aliás, marcou uma distância um pouco inferior a 50 km no percurso, mas como o trajeto vem sendo percorrido há 14 anos sem reclamações e como a própria fabricante diz que o aparelho pode não ser totalmente preciso, não vou falar mal da distância, que é muito boa, simpática e desafiadora.

A prova foi totalmente excelente. Diferentemente da de dois anos atrás, quando faltou água já no km 5, desta vez a organização foi primorosa. Acho até que havia mais postos de água do que os prometidos no regulamento. Todos eles abastecidos e com um bom número de pessoas atuando, oferecendo a bebida e dando incentivo aos atletas.

Com o calorão, nem sempre a água estava sequer fresca, mas não faltou para ninguém. Ambulâncias cruzavam o percurso, e o interesse e a preocupação com a saúde e o bem-estar dos corredores eram evidentes.

O bem-estar de todos, aliás, foi muito auxiliado pelo clima. Corri dez quilômetros antes da prova, como aquecimento e para engrossar os 50 km, por causa de um objetivo futuro. Comecei às 5h45, e posso dizer que nesse horário estava mais quente, ou a sensação térmica era pior, do que nas primeiras duas ou três horas de prova.

Isso porque a largada, às 7h02, foi sob uma temperatura agradável, brisa e até alguma nebulosidade. O tempo estava abafado, mas já tinha estado pior. Com menos de uma hora de trote, a chuva começou a bater, tirando aquele mormação da nossa frente.

Deu uma pancadinha leve, depois um pancadão, mais uns pingos cá e lá, o suficiente para refrescar. Mas ficaram nuvens no céu, continuando a nos proteger pelos primeiros quilômetros, que são muito perigosos.

A Super larga da praia do Cassino, a maior do mundo em extensão, a praia mais família e gaudéria desse planeta, onde o vento carrega o cheiro do churrasco e o mar é do tamanho da alegria e da satisfação dos banhistas. Dali, a gente roda um quilômetro na própria cidadezinha, que tem pouco mais ou menos que uma dúzia de ruas calçadas e uma enormidade de caminhos de chão batido.

Então pegamos a estrada em direção a Rio Grande, o porto do Mercosul, cidade que foi o berço da pátria gaúcha e que neste fevereiro completou 270 anos de orgulho.

É o trajeto mais complicado do ponto de vista da segurança, único aspecto mais problemático da prova neste ano. Os corredores dividem a estrada apertada com motoristas nervosos, apressados, e ônibus beligerantes, nem sempre dispostos a aguardar com tranqüilidade o momento para ultrapassar.

Em 2005, houve mesmo um acidente. Desta vez, não ouvi comentários, mas o comportamento do povo motorizado me pareceu até mais agressivo e irritadiço.

CONTINUA...

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h48

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Cassino, Rio Grande

Cassino, Rio Grande

Bendita praia

A metade da prova se completa no seio da cidade, passando por ruelas, praças, monumentos, tudo vazio. O povo dorme naquele calorão; os poucos que desafiam o sol aplaudem e incentivam os corredores que passamos, também nós meia dúzia de gatos pingados.

Para ser exato, 263 largaram no evento, que teve ainda uma prova de 10 km, a maior parte dela na areia da praia, uma caminhada e uma corrida para a gurizada, numa confraternização bem bacana da comunidade. Segundo os registros que vi publicados no jornal, apenas 206 completaram. Ou seja , uma queda de mais de 20%, o que já dá uma idéia da dificuldade da prova.

Não sei se, nesses que não completaram, eu e mais uns tantos que acabaram o percurso um pouco antes e muito depois de mim, estamos incluídos. É que a prova tem limite de tempo de 6h15.

Quando terminei, havia gente da organização por lá esperando os corredores. Uma senhora meu deu minha medalha e logo outro sujeito da organização veio oferecendo mais uma. Eu agradeci, pois a primeira já seria o suficiente.

Também havia gente acompanhando o último atleta, que terminou os 50 km cerca de meia hora depois de mim (calculo no olhômetro), num exemplo de sujeito que não se entrega por nada.

E olha que não faltou vontade de se entregar. E havia razão para isso. Apesar de as condições estarem bem melhores que há dois anos, isso não significa que estavam adequadas para a prática esportiva, para dizer o mínimo.

O calor é algo que faz parte da Super, todos sabemos disso, mas o fato de saber não significa que não se sofra com ele. E os quilômetros? E os asfalto? E as retas? E o vento?

Para alegria de meus médicos e fisioterapeutas, não tive dores nas costas, as hérnias se comportaram direito. A fasciite plantar também não incomodou, mas os pobres pés sofreram. Chegou uma hora, lá pelo km 30 (que, para mim, era 40), que eu só queria na vida uma bacia com salmoura para largar os pés.

Mas daí já estava ali mesmo, era um treinão, reduzi a marcha e segui em frente. O que me valia era a companhia salvadora da Eleonora, que desta vez me acompanhou todo o percurso, desde a prévia da madrugada.

Ela se encarregou da minha água e de todo o abastecimento, porque, como diz o ditado "gato escaldado tem medo de água fria", e eu não ia me arriscar de novo a ficar sem bebida e alimento nesse trajetão. Mais do que abastecer, incentivou, chamou, deu forças ao meu espírito corredor.

E olha que os espírito fraquejou um tanto, pau a pau com as pernas, as panturrilhas e os coitados dos pés.

O ritmo foi caindo com o calor, que também machucava o ânimo, perdido naquele retão: quando se sai do centro da cidade, vai-se para o porto, sozinho. São 3.200 metros ao longo dos armazéns, depois uma curva para a direita, outra para a esquerda e se chega ao km 30 e à maior reta que já vi em uma prova. Vai até o 42, e claro que não é absolutamente reta, mas é totalmente plana, e a paisagem quase não muda: campo e mar parado, um ou outro corredor que se avista na distância.

O que eu avistei foi um sujeito vestido de corredor, mas sem número, vindo em minha direção. Para encurtar a história, era um conhecido com que já conversara lá em Rio Grande, em outras oportunidades, e que veio bater papo, falar das corridas pelo mundo e contar também belas histórias da terra.

O certo é que corremos e caminhamos juntos os últimos 15 km, que ficaram mais leves por causa de tanta história.

Leves e alegres, pois a última etapa do desafio é, só ela e finalmente, na querida praia do Cassino. Lá pelo km 40,5 se avistam as dunas, depois as perdemos. E só no 42 se põe finalmente o pé na areia (para você ter uma idéia do meu desempenho, clique AQUI; se você tiver Google Earth, poderá acompanhar todo o percurso).

Chãozinho batido, vento gostoso, as famílias na praia, a carne assando, o mate rolando, e a gente vai no trote. Está mais de 30 graus, com certeza. meus ombros e braços estão totalmente vermelhos, apesar do protetor solar, mas a sensação é de quase euforia, mesmo com a dor e o cansaço: sei que vou chegar.

No km 48, a Eleonora entrega a água pela última vez, e dá um tchau que me deixa todo emocionado: "Te vejo na chegada".

E lá fui, para ela, até a chegada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h45

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Interregno

Pausa para meditação

Embarco hoje para Rio Grande, no sul do país, onde domingo participo da Supermaratona de Rio Grande, na praia do Cassino, a maior do mundo em extensão. Estou morrendo de medo do calor, mas pior é a guerra.

Depois, entro em microférias e provavelmente vou rarear minha presença aqui.

Mas continuem visitando, pois vez que outra posso trazer alguma surpresa.

E grande abraço a todos.

Corram com alegria.

Divirtam-se.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h22

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Os melhores da história

Os 10 mais

Apresento a vocês a lista dos dez melhores tempos da história na maratona. Sem tabela sei que é mais difícil de entender, mas façam um esforcinho e tudo dará certo.

A única marca estabelecida por um não-africano foi a do brasileiro Ronaldo da Costa, já entrevistado neste blog.

Os dois EUA que aparecem no ranking são de Khalid Khannouchi, nascido no Marrocos e naturalizado norte-americano (seu primeiro recorde foi como marroquino).

Notem que a segunda melhor marca da história não foi a de um vencedor, mas de um segundo colocado (perdeu para o Tergat em Berlim).

As informações são as seguintes: lugar no ranking, tempo na maratona, atleta, nacionalidade, cidade onde foi estabelecida a marca, posição do atleta na prova e data da corrida.

1- 2:04:55 - Tergat, Paul - Quênia - Berlim -1- 9/28/03

2- 2:04:56 - Korir, Sammy - Quênia - Berlim -2- 9/28/03

3- 2:05:38 - Khannouchi, Khalid - EUA - Londres -1- 4/14/02

4- 2:05:42 - Khannouchi, Khalid - Marrocos - Chicago -1- 10/24/99

5- 2:05:48 - Tergat, Paul - Quênia - Londres -2- 4/14/02

6- 2:05:50 - Rutto, Evans - Quênia - Chicago -1- 10/12/03

7- 2:05:56 - Gebrselassie, Haile - Etiópia - Berlim -1- 9/24/06

7- 2:05:56 - Khannouchi, Khalid - EUA - Chicago -1- 10/13/02

9- 2:06:05 - da Costa, Ronaldo - BRASIL - Berlim -1- 9/20/98

10- 2:06:14 - Limo, Felix - Quênia - Rotterdam -1- 4/4/04

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Política do esporte

Vai rolar a festa

É hoje, finalmente, a reunião entre os técnicos de corredores brasileiros de elite com a Yescom e, provavelmente, alguns outros organizadores de provas de rua. O encontro será em São Paulo.

Espero que os técnicos da elite se lembrem da massa dos corredores e reivindiquem provas começando mais cedo e com água, além de suas propostas específicas.

Mas a coisa está em ritmo de festa: pelas informações que colhi, não confirmadas, a Yescom teria pago as passagens dos técnicos que não moram em São Paulo. Quando necessário, teria bancado também a estadia de ontem para hoje e estaria financiando o dia de reunião (com almoço e cafezinhos) em um hotel da capital.

Isso não é nenhum crime nem nenhuma ilegalidade. Também não desabona nem tira a independência dos participantes da reunião, mas é bom que fiquem claras as condições em que o encontro está sendo realizado.

Se a Yescom quiser fazer algum comentário, este blog está aberto para sua manifestação.

A Yescom, para quem não sabe, é a organizadora das mais importantes provas de rua do Brasil, da São Silvestre à Meia do Rio de Janeiro. Enfim, as provas da Globo.

É uma grande empresa no setor, obviamente, com grande capacidade de trabalho, mas também é muito criticada por corredores de rua, por causa dos horários tardios das provas e de bagunças nas corridas, além do péssimo tratamento dado aos corredores mais lentos, especialmente na Maratona de São Paulo.

Os fóruns de corredores e este blog trazem muitos depoimentos de corredores de rua insatisfeitos. Tomara que, na tal reunião, lembrem também desses problemas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h20

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Nas bancas

"Contra-Relógio"

Uma reportagem com dicas para você se preparar para as maratonas primeiro semestre é o destaque da edição de fevereiro da revista.

O articulista Ayrton Ferreira apresenta planilhas de treinamento de 13 semanas, para 21 níveis de corredores, para preparação com vistas às maratonas de Porto Alegre (27/5), São Paulo (3/6) ou Rio de Janeiro (24/6).

Outra reportagem afirma que corrida e dietas vegetarianas são compatíveis. Segundo a nutricionista Andréia Torres, as dietas vegetarianas têm várias vantagens e poucas limitações.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h39

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A dica do doutor

Em busca do equilíbrio

Neste artigo, o doutor Wagner Castropil traz informações que podem nos ajudar a organizar melhor nossos treinos a fim de tentar evitar lesões. Ex-judoca olímpico, Castropil está se preparando para sua primeira maratona, marcada na agenda para abril próximo. Com mestrado e doutorado pela USP, é o inspirador do Instituto Vita. Leiam o que ele nos conta e, se tiverem perguntas, estejam à vontade para mandá-las.

"Quando nos deparamos com uma lesão, questionamos a causa que a gerou. Mudanças nos treinos, equipamentos inadequados (tênis, piso) ou trauma são lembrados, mas os desequilíbrios musculares relacionados ao esporte praticado são freqüentemente esquecidos.

"Deve haver um equilíbrio entre grupos musculares para o bom funcionamento das articulações. Quando esse equilíbrio é quebrado, temos uma sobrecarga na articulação.

"Na corrida, utilizamos a musculatura propulsora, formada pela cadeia muscular posterior, que trabalha impulsionando nosso corpo para frente, e por isso se desenvolve nesta atividade física.

"O desequilíbrio mais freqüente ocorre entre a musculatura anterior e a posterior das pernas e das coxas, que pode ser a origem de muitas lesões encontradas nos corredores, como tendinites ao nível do joelho, fraturas por estresse da tíbia ou mesmo desgastes articulares que vêm com os anos.

"É preciso prestar especial atenção no fortalecimento da musculatura anterior da perna e da coxa e nos alongamentos da musculatura posterior para prevenir esse desequilíbrio.

"Em casos de recuperação de lesões ou atletas de alto rendimento, é aconselhável uma avaliação mais precisa e individual através da avaliação isocinética (foto), que consiste em um teste de força, resistência, potência e fadiga da musculatura, medindo cientificamente todas as qualidades da musculatura testada e direcionando um trabalho de equilíbrio e prevenção de lesões."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h08

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Akron Marathon

Akron Marathon

Tênis de graça

Assim como a gente ganha camisetas aos terminar uma corridinha de 10k ou uma dolorida maratona, o pessoal que participar da Road Runner Akron Marathon vai ganhar tênis ao completar a prova.

Trata-se de uma parceria com a Brooks, que vai fornecer quatro modelos para cada corredor escolher, de acordo com seu tipo de pisada.

Além do presentinho para os concluintes, todos os participantes no evento, que será em setembro e inclui ainda meia-maratona e revezamento, vão ganhar uma camiseta especial  também da fabricante norte-americana de tênis, que é a segunda dos EUA no mercado de calçados para corredores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h15

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Cruce de Los Andes

Cruce de Los Andes

Travessia vitoriosa

A ultramaratonista Elisete Pereira, que vive no Paraná, está de volta da travessia dos Andes, duríssima prova de revezamento para equipes de 12 atletas em que cada um corre uma maratona.

Ela me mandou uma mensagem, que diz o seguinte:

"Consegui sobreviver pelo segundo ano.

"Das 11 equipes, nossa equipe feminina, a Kurufmawida, se posicionou em quinto lugar, chegando a essa colocação com muita garra e mostrando a força que tem a mulher no esporte.

"Só tenho a dizer que a Cruce de Los Andes é uma competição muito dura -de sobrevivência.

"Quando pensava em desistir, me lembrava, primeiramente, da minha equipe, por todo o esforço que havíamos feito nas etapas anteriores, passando por privações, enfrentando as diferenças de altitude, tempestade de neve, chuva, calor, frio. Pensava que deveria ser uma guerreira e ir até o fim.

"Foi muito duro o percurso e não passei bem, devido à altitude.

"Corri o tempo todo com náusea, tonturas, problemas gastrointestinais... Tive que enfrentar no inicio um frio insuportável, e dos 33 km em diante um sol de rachar a cabeça, com subida de 10 km, em curvas de sssss (esses)."

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h16

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St. Pauli Elbtunnel

St. Pauli Elbtunnel

Nas entranhas da terra

Esta eu ainda vou fazer um dia: uma maratona sob o rio Elba, na cidade alemã de Hamburgo, cruzando o antigo túnel.

O único risco é ficar claustrofóbico e totalmente tonto, pois são 48 voltas nos túneis mais um tequinho de 508 metros, totalizando a menor ultramaratona do mundo.

É verdade, pois a soma oficial do percurso dá 42.196 metros, um a mais que a cabalística distância da maratona.

A mais recente edição da corrida foi no dia 28 passado. Além de divertida, é uma boa forma de escapar do frio que faz nas ruas lá em cima...

As fotos que ilustram esta mensagem eu consegui deste site AQUI, que é em alemão. Tem um botão para obter a tradução automática para o inglês, com todos os defeitos desse sistema, mas bom o suficiente para entender um pouco do que rolou.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h13

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Maratona romântica

SuperBeijo

Quem consegue dar o mais longo beijo? Esse é o desafio dos participantes da maratona do beijo, que vai rolar no próximo final de semana em Malta, na Europa.

É a terceira edição dessa competição, que neste ano vai durar 20 horas (o dobro do tempo do beijo vencedor no ano passado).

Por sinal, o casal campeão de 2006 estabeleceu um recorde para a modalidade, o que levou os nomes de Louis e Samantha Agius ao Livro dos Recordes de Malta.

Os competidores têm de ser maiores de 18 anos. O beijo é na boca, mas os participantes devem manter um nível de decência (sabe-se lá o que isso seja, mas deve ser para conter os mais entusiasmados).

Os prêmios da maratona do beijo incluem um anel de diamantes e uma viagem para a Sicília.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h57

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Vale dos Vinhedos

Vale dos Vinhedos

Corrida nos parreirais

"Cadê o Lavandoski?", conclamou o cartunista Iotti ao final da Maratona do Vinho, chamando às falas o organizador da prova de revezamento realizada no último domingo de janeiro na bela e etílica Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Sem esperar resposta e usando sua autoridade de patrono da corrida, o artista, que integra o grupo de corridas Macarruners e colabora com este blog, tascou alto e bom som: "Lavandoski, vá tomar no olho de seu ...! Nós queremos te agradecer pelo percurso que tu arrumaste, todo plaino, sem lomba", disse, irônico e brincalhão, com seu estilo de gaúcho da serra.

A alegria (vá lá, mesclada com uma dose de irritação) de Iotti provavelmente refletia a de todos que participaram da estréia desse projeto: uma corrida que passa pelos parreirais e pelas sedes de várias vinícolas de Bento Gonçalves, com oferta de produtos da região aos corredores, que também foram agraciados com o bom vinho gaúcho.

A corrida começou mal, com quase 15 minutos além do já tardio horário oficial de início (8h30). O solaço prometia uma prova duríssima, exaustiva além das dificuldades inerentes ao percurso (cheio, repleto, crivado de longas subidas e descidas mais terríveis ainda).

Mas todo mundo estava alegre com a perspectiva da aventura. Ao som do tiro de espingarda disparado por Janice Teixeira, heptacampeã brasileira de tiro ao prato e bronze no Pan de Santo Domingo-2003, larguei acompanhando meu irmão Rafael, que faria a primeira perna no nosso quarteto da Nossa Turma, que também levou uma dupla a Bento Gonçalves.

Ele havia preparado uma surpresa: como os organizadores sugeriram que as equipes corressem fantasiadas, meu irmão deu um jeito de produzir máscaras de Rodolfo, e saímos então quatro barbudos e cabeludos.

Depois dos primeiros metros de brincadeira, a coisa ficou séria e cada um tratou de se organizar para que a equipe tivesse o melhor desempenho possível.

Na primeira perna, aqueles metros iniciais no hotel Villa Michelon, que abrigou a largada e a chegada da prova, foram praticamente os únicos planos do percurso. Atravessando a avenida e já margeando um imenso parreiral, a subida veio dolorida, queimando as panturrilhas ainda adormecidas.

Mas a gente seguiu conversando, apreciando a beleza da serra gaúcha, cuidando para não escorregar nos diversos tipos de piso: chão batido, algum trecho acascalhado, asfalto de novo e cascalho mais uma vez.

Nessa batida, chegamos à metade do percurso e ao prometido posto de água. Mas, antes mesmo de aportamos à salvação naquele calor imenso, corredores mais rápidos, que voltavam do posto, avisavam: "Não tem água!!!".

A raiva foi grande. O fornecimento de água é talvez o único ponto em que os organizadores de provas não poderiam errar, pois prejudicam o desempenho e ameaçam a saúde do corredor. Os caras podem dizer o que quiserem, mas não há justificativa para errar nisso.

A gente já entrou no posto gritando e reclamando. Demos a volta protestando e seguimos pela estrada dos Vinhedos pensando em como seria rodar mais meia hora, 40 minutos no seco, nas lombas, no solaço.

Talvez por causa do nosso protesto, uns 500 metros depois fomos abordados por um carro da organização, que levava água. Mas o mal estava feito. E os corredores que passaram antes? Seguiram a seco.

O que vale é que as paisagens nos distraíam, mas não dava para ficar muito perdidão, não, porque estávamos na estrada principal, e carros e caminhões rodavam em velocidade de cruzeiro, tornando o percurso muito perigoso.

Esta foi outra falha muito grave da organização: não cuidar da segurança dos cerca de 250 corredores que participaram do evento. Tudo bem que não desse para fechar a rodovia, mas seria possível pelo menos colocar cartazes de advertência para os motoristas, distribuir panfletos, sei lá, tomar medidas para deixar as coisas menos perigosas.

Ainda bem que, ao que eu saiba, não aconteceu nada mais grave. Mas, no trecho em que percorri com meu irmão, várias vezes tivemos de pular do acostamento para escapar de caminhões ou carros mais afoitos.

Outra dificuldade, que enfrentamos por várias vezes, foi saber para onde ir. Na parte final, do asfalto, estava fácil. Mas, ao longo do percurso encabritado e serpenteante, pelo menos três vezes ficamos em dúvida sobre o caminho a seguir _coisa que poderia ser resolvida pela organização com facilidade e sem muito custo.

E assim, subindo lomba e reclamando, chegamos ao final da primeira perna, festejando ao passar por um belíssimo parreiral, descendo ainda uma rampa escorregadia e alcançando o tapete vermelho da troca de corredor. Ali nos esperavam uvas, vinhos, água e até um sandubão decupado (o pão e os pertences vinham separados, todos embrulhados num pacotinho só).

Também deu para acompanhar o empenho da criançada que participou da Maratoninha do Suco, revezamento de 1.800 metros. Era o posto de troca das duplas: meninos e meninas chegavam afogueados e saíam em disparada, acrescendo mais alegria ao dia de festa.

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h09

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Vale dos Vinhedos - parte 2

Vale dos Vinhedos - parte 2

Vozes da montanha

Rafael entrou o bastão para o Marcos, o comandante da Nossa Turma e o mais rápido da equipe, que queimou o chão. A parte dele era praticamente toda de asfalto, com uma enorme descida, longa e leve, e uma amaldiçoada subida de pelo menos dois quilômetros. Em compensação, passou por uma das vinícolas mais progressistas da região do Vale dos Vinhedos, que hoje é muito mais que apenas um terreno.

Os vinhos produzidos ali agora fazem parte do seleto grupo das indicações geográficas reconhecidas pela União Européia. O grupo inclui, por exemplo, os produzidos nas regiões de Champagne, Bordeaux, Douro. Pela primeira vez, a União Européia reconhece uma denominação de origem não-européia. Além do Vale dos Vinhedos, foi aprovada a denominação Napa Valley, para vinhos produzidos naquela região da Califórnia.

Esse "selo", digamos assim, é um reconhecimento da qualidade dos produtos de certa região, fabricados segundo regras e padrões predefinidos. E tem enorme valor de mercado: no ano passado, o Vale dos Vinhedos (região entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul) exportou 500 mil litros de vinho para a União Européia.

Mas nós não contávamos litros nem dólares, muito menos euros: contávamos quilômetros. E Marcos acelerou na parte final de seu percurso, mais uma longa, duríssima subida, que lhe deu como prêmio uma das mais belas vistas de todo o percurso (abaixo).

Linda também era a bagunça montada no alto da montanha para receber os que chegavam à metade exata da prova. Nada de vinho, apenas uva e água.

Em compensação, um coral devidamente paramentado com vestes típicas italianas (ou alemãs ou aleanas ou itamãs, sei lá) mandava ver com invejável entusiasmo. Eu não resisti e relembrei meus tempos de baixo barítono (ou será barítono baixo?), unindo-me ao coro de "Santa Lucia".

Dali saíam os segundos corredores das duplas, os quintos dos octetos e os terceiros dos quartetos para enfrentar talvez o mais "selvagem" ou "rural" de todos os trechos, pegando estrada de terra e cruzando por parreirais. Foi a Lika, a noiva do Marcos, que fez essa perna na nossa equipe, sofrendo um pouco nos trechos íngremes e subidas longas, mas divertindo-se enormemente com o ambiente.

Ela emergiu de um verdadeiro túnel de uvas e vegetação para me entregar a pulseira de corredor da vez no mais belo posto de troca, com grama, árvores e uma vinícola instalada em uma casa antiga. Para os que ali chegavam, havia água, vinho, uvas e sombra. Vários compraram o vinho dali, de boa qualidade e em oferta. A bebida, por sinal, fez parte da premiação: os vencedores em cada categoria, além de dinheiro, levaram 50% do peso da equipe em vinho.

Aos que partiam, como eu, estava reservada, de saída, uma lomba abaixo daquelas, em que só faltou eu ir de cócoras. Desci carregando o velho corpo com cuidado, já tendo uma idéia das dificuldades que viriam.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h04

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Vale dos Vinhedos - final

Vale dos Vinhedos - final

Vinhas da alegria

Apesar de já ser mais de meio-dia, não estava tão quente quanto na primeira metade da prova, pois nuvens encobriam o sol e, de vez em quando, soprava até uma brisa. Quando o sol rompia, porém, o negócio era sair de baixo.

Coisa que eu não podia fazer.

Tinha mesmo era que olhar para o chão, pois mais de metade de meu caminho seria de calçamento irregular, pedras e paralelepípedos traiçoeiros.

Passei por uma fábrica de vinho, para a qual os chamados connoisseurs torcem o nariz, alegando que produz o precioso líquido em massa, sem a pureza artesanal que os enólogos tanto prezam.

Sei lá, o certo era que a fábrica estava cheia de caminhões em volta, para transportar sua produção, um bom indício de seu sucesso. E o cheiro era inebriante.

Subir, subir, subir. Queimamos os quadríceps, as panturrilhas, mas em compensação as costas ficam inteiras. E, olhando para a frente, já vejo o céu, indicação que a lomba um dia há de terminar.

Seu fim me lava a descortinar os vales lá longe, em um show de verdes claros, escuros, indicando campos e parreirais. Saio da estrada para entrar em uma vinícola, talvez a mais sofisticada de todas as que participam do evento e recebem a passagem dos corredores por seu terreno.

Essa hospitalidade é semelhante à que dão aos turistas. Um bom grupo de vinícolas da região está aberta à visitação e, especialmente à degustação de seus vinhos. No passado, tudo isso era gratuito, mas hoje cobram preços simbólicos pela taça de degustação. Você compra uma taça, passeia pelo terreno, aprende alguns dos segredos da produção e, depois, usa sua taça para experimentar os vinhos da terra.

Nessa balada, em uma tarde você pode fazer a festa gastando relativamente pouco e bebendo relativamente muito, se seu interesse for esse. Mas, na região, parece que o foco é na degustação, apreciação lenta e em pequenas quantidades da bebida tratada quase com néctar de saúde e prazer.

Para mim, ali, o prazer era o contato direto com a natureza, com a produção rural de que estou tão distante no dia a dia. Nessa voltinha de pouco mais de um quilômetro pelo terreno da vinícola, passei por um parreiral tradicional e também por outro, muito diferente, em que os pés de uva são arrumados em estacas, em fieiras, formando imensas ruelas, no chamado plantio em espaldeira

Tinha visto isso na França, quando participei de uma maratona na Provença, região também afamada pelos seus vinhos, além das ervas e da cheirosíssima lavanda.

No Brasil, desconhecia esse uso. Pareceu-me curioso que a mesma vinícola usasse as duas técnicas em terrenos próximos, separados apenas pela estrada.

O parreiral tradicional, em que as uvas e folhas fazem um grande campo a cerca de 1,5 m do chão, é mais produtivo, mas a qualidade das uvas assim produzida é muito díspar, pois, como é fácil perceber, uma certa quantidade de cachos vai receber mais sol que a outra, que fica entremeada no parreiral.

Da outra forma, em espaldeiras, o plantio é mais organizado. São carreiras e carreiras de parreiras, como se fossem enormes prateleiras de supermercados. Dessa forma, os cachos recebem sol por igual e a manutenção e a colheita também são mais fáceis.

Essas uvas são usadas na produção de vinhos finos, o orgulho do Vale dos Vinhedos e do Rio Grande do Sul, que produziu no ano passado 32 milhões de litros de vinhos de alta qualidade. No total, o Estado contabilizou 217 milhões de litros, sendo responsável por mais de 90% da produção nacional.

Curioso mesmo foi descobrir que, mesmo pensando estar no alto da montanha, tinha ainda mais um trecho para subir. A volta do percurso seria em uma igrejinha, onde corredores esperavam seus colegas dos octetos, pessoal da organização oferecia água e algumas moças e rapazes fantasiados também divertiam a turma.

Fiz a volta confiante que, a partir dali, era só descida. Como vocês sabem, para baixo todo santo ajuda, mas descer é uma atividade traiçoeira. Os joelhos estão sempre em risco e a musculatura posterior da coxa é chamada a trabalhar como nunca: exagerar na descida é receita certa para abrir o bico mais adiante.

Para um sujeito como eu, então, um tanto acima do peso e, especialmente, com hérnias e dores de coluna, todo cuidado é pouco. Desci aqueles quilômetros escorregadios mais rápido do que subi, é certo, mas fazendo de tudo para proteger a lombar, enrijecendo o abdômen, cuidando da postura, restringindo a fome de correr um pouco mais.

E assim chegou o asfalto e mais morro. Parece que eu só falo de lomba acima e lomba abaixo, mas o fato é que a altimetria do percurso parece um eletrocardiograma... de um sujeito com arritmia.

Não posso reclamar, porque os quilômetros vão se acabar, cruzo a porteira final, mais uma curva e já vejo o tapete vermelho. Os companheiros da Nossa Turma se aprochegam, mascarados de Rodolfo, e lá vamos os quatro para terminar a primeira Maratona do Vinho, um revezamento gostoso e saudável em uma das mais belas e inspiradoras regiões do país.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h59

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Triatlo

Dá raiva

A cobertura da Globo tropeça nas próprias pernas. Nem numa provinha pequena, com menos de 20 atletas, como esse fast triatlo que está rolando agora em Camboriú, a emissora do plim-plim consegue dar informação na hora e com precisão.

A câmera acompanha a primeira colocada e, com sorte, a segunda. Como a terceira desapareceu do olho da câmera, já não sabemos quem é. Nem eles, os narradores...

No caso da equipe brasileira, aconteceu alguma coisa com a atleta Bocannera, que não conseguiu acompanhar as poderosas Mariana Ohata e Sandra Soldan no pedal. Mas os caras não conseguiram explicar direito o que aconteceu.

E, no final, não informaram com precisão qual a classificação da dita cuja na segunda bateria: "No visual, parece que ela entrou em sétimo", disse o locutor.

Lamentável.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h09

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Leitura dominical

Onde está a Justiça

A coluna de Elio Gaspari, hoje na Folha, não trata dos temas costumeiramente abordados neste blog, mas é extremamente educativa. Com o título "O viés dos juízes pelos pobres é lenda", apresenta o resulta de pesquisas que analisaram e contabilizaram decisões judiciais em São Paulo e mais 16 Estados.

A coluna, na íntegra, está AQUI (para assinantes da Folha e/ou do UOL), mas dou a seguir uma palhinha que já apresenta a questão:

"Se dois litigantes buscam a proteção de uma mesma lei, aquele que está no andar de cima tem até 45% mais chances de sair vitorioso. Se o contrato favorece o forte, tende a prevalecer. Quando favorece o fraco, esgarça. (...)

"Quando uma das partes pertence ao andar de cima local, tem entre 26% e 38% mais chances de prevalecer do que um grande grupo nacional ou internacional. (...) Quanto maior a desigualdade social numa região, maior é o conforto do poderoso."

 

PS.: Antes que alguém me acuse de preguiça, aviso que postei esta mensagem também em meu outro blog, Circuito Integrado, porque a julguei de interesse de informatas e corredores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h35

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Revista

Revista

"SuperAção"

 
Na edição de fevereiro da revista "SuperAção":
 
NUTRIÇÃO - Recupere-se dos exageros depois das festas, férias e finais de semana
 
ABDOME FORTALECIDO - Para diminuir o risco de lesões
 
TREINAR DE DIA OU DE NOITE? - Escolha o melhor período para você
 
BALANÇO DA SÃO SILVESTRE - O que vai ser da principal corrida do País
 
PERFIL - Franck Caldeira e Lucélia Peres
 

Para mais informações, visite o site www.interesportes.com.br.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h39

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Nas bancas

Nas bancas

"O2"

Na edição deste mês, a reportagem de capa é sobre o fotoenvelhecimento de pele e cabelos: a exposição, durante treinos e provas, faz dos corredores alvos mais suscetíveis aos efeitos dos raios solares; exageros na corrida também envelhecem mais.

Outra matéria de destaque é o perfil de Jesse Owens, o negro que peitou Hitler. Ele não se abateu pelo preconceito racial, levou quatro ouros nas Olimpíadas de Berlim e fez o líder nazista se retirar do Estádio Olímpico em 1936.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h37

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Dean Karnazes

Dean Karnazes

Ultraman delirante

Como informei hoje na minha coluna no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL), chega às livrarias na próxima semana a versão em português da autobiografia de Dean Karnazes, que se transformou no mais popular ultramaratonista norte-americano (talvez o primeiro ultramaratonista a ser popular).

Ele voltou às manchetes (pelo menos, de sites esportivos norte-americanos), ao completar em novembro, na maratona de Nova York, uma série de 50 maratonas em 50 dias, numa campanha para arrecadar fundos para entidades benemerentes.

A história do cara é muito legal, ainda que seus treinos e estilo de vida possam não ser considerados um exemplo para a maioria de nós.

Para dar uma palhinha, conto como ele virou ultra. Estava num boteco fino, com os colegas yuppies do mundo do marketing e da publicidade, comemorando seus 30 anos e uma carreira em franca ascensão. Uma garota começou a dar em cima dele, que também deu mole. estavam quase chegando aos beijos, no final da noite, quando ele, então (e ainda agora) um sujeito bem casado, se deu conta da meleca que estava fazendo.

Caiu fora e, em vez de pegar o carro para voltar para casa, saiu a correr pelas ruas de San Francisco para desanuviar a cabeça. Correu a noite toda e iniciou uma revolução na sua vida.

Hoje vive de patrocínios, palestras e da renda do livro ("O Ultramaratonista", ed. Rocco). Que, por sinal, na versão que recebi para avaliação, tem um erro logo na capa. O subtítulo diz que o autor é “o homem que correu dez maratonas em um único dia”.

Eu já tinha lido o livro há mais de um ano e não lembrava de nada do gênero. Conversei com Karnazes por e-mail, e ele disse o seguinte: “Bem que eu gostaria de poder correr 262 milhas (422 quilômetros) em 24 horas, mas não dá. Já corri 350 milhas em 81 horas nas Califórnia. E recentemente corri 50 maratonas em seqüência, no que provavelmente foi meu maior desafio até agora”. Leia a seguir a primeira parte da entrevista com Karnazes.

FOLHA - Qual foi sua pior corrida (se é que existe uma corrida ruim)?
DEAN KARNAZES -
A primeira vez que eu tentei correr a Badwater Ultramarathon, uma corrida de 135 milhas (217 quilômetros) que passa pelo Vale da Morte no meio do verão. Foi um desastre. Eu relato a experiência no meu livro. Basicamente, tudo que poderia dar errado deu errado. Meu carro de apoio quebrou, eu bebi água contaminada, meus tênis derreteram, fiquei muito desidratado e cheguei ao delírio. Na milha 72, desmaiei e fui levado para atendimento em segurança.

FOLHA - E qual foi o desafio mais interessante?
KARNAZES -
Recentemente eu corri 50 maratonas nos 50 Estados dos EUA em 50 dias seguidos. Não só a corrida foi muito interessante, mas eu pude viajar e ver o país inteiro. A experiência como um todo foi incrível.

FOLHA - O que você sente quando corre?
KARNAZES -
Liberdade. Qualquer um que corra conhece a sensação. Correr dá a você um sentido de liberdade marcante.Algumas pessoas não conseguem entender o que faço. Mas eu adoro fazer isso, e é sempre muito legal poder fazer o que você gosta. Uma coisa maravilhosa da corrida é que ela é tão simples, qualquer um pode correr. Há algo primordial, intrínseco na corrida que faz com que aflore o melhor das pessoas.

FOLHA - Mas é preciso correr distâncias tão longas para obter essa satisfação? Uma coisinha mais curta, como uma maratona dupla, já não seria suficiente?

KARNAZES - Eu tenho curiosidade de saber até onde o corpo humano pode ir. Quero testar e ampliar os limites da resistência humana. Eu sou fascinado por isso. Então, não é tanto pela corrida, mas sim por expandir os meus próprios limites pessoais.


Continua a seguir.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h34

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Dean Karnazes

Dean Karnazes

Dicas do Ultraman

Esta é a continuação da entrevista exclusiva com Dean Karnazes, ultramaratonista norte-americano cuja autobiografia será lançada no Brasil na próxima semana.


FOLHA - O que o torna diferente dos outros corredores?
KARNAZES -
Nada, na verdade. Sou apenas um sujeito comum. Eu sinceramente acredito que qualquer um pode fazer o que eu faço, desde que tenha a paixão e o compromisso para treinar e se preparar adequadamente. Eu acho que isso é parte da razão pela qual minha história tem tido alguma repercussão. Sou apenas um sujeito comum fazendo o melhor possível com os recursos que tenho. As pessoas consideram isso inspirador.

FOLHA - No seu livro, você conta que correr, de certa forma, salvou seu casamento. E agora, com tantas horas dedicadas ao esporte, como sua família reage?
KARNAZES -
A corrida pode unir as famílias, mas também pode provocar separações. Para nós, minha corrida nos tornou ainda mais unidos. Nós estamos mais próximos do que nunca.

FOLHA - O que fez você passar de um ultramaratonista para um ultrafamoso ultramaratonista?
KARNAZES -
Isso aconteceu basicamente por causa de meu livro. Quando eu o escrevi, pensei: “Se eu conseguir que uns dez colegas meus comprem, já serei muito sortudo”. Quando o livro se tornou um best-seller, eu fiquei doidão.

FOLHA - Com o sucesso de seu livro, você se tornou uma estrela. Como isso se refletiu na sua vida financeira?
KARNAZES -
Apesar de tudo, eu ainda ganho menos hoje, com o livro, as palestras e os patrocínios, do que ganhava no mundo corporativo. mas eu estou muito mais feliz. A troca valeu a pena.

FOLHA - Como é um típico dia de Dean Karnazes?
KARNAZES -
Na verdade, não há um dia típico, o que é uma das coisas que adoro em meu estilo de vida. Às vezes, corro cedinho pela manhã, outras vezes corro à noite (às vezes, toda a noite). Se as ondas estiverem legais, vou dar uma surfada. Se está nevando, vou fazer snowboard.

FOLHA - Você já enfrentou vários desafios. Qual é o próximo?
KARNAZES -
Tenho muitos planos e alguns projetos em andamento. Eu gostaria de fazer coisas mais globais, na Europa, na África, na Ásia, na América do Sul. A corrida tem uma capacidade única de unir as pessoas, provocar a integração além das fronteiras, das religiões, das raças. Há muitas guerras no mundo, muita raiva e muitas mortes desnecessárias. Usar a corrida para ajudar a unir as pessoas, esse é o meu maior objetivo.

FOLHA - Algum plano para o Brasil?
KARNAZES -
Por enquanto, não. Mas eu adoraria. Já encontrei muitos corredores brasileiros em minhas viagens, e gostei muito de seu espírito e atitude.

FOLHA - Você recomendaria que alguém se tornasse ultramaratonista?
KARNAZES -
Não sou muito bom em recomendar coisas para pessoas ou para dar conselhos. Se alguém pergunta, meu conselho é que ele escolha fazer algo de que goste muito. Se for ultramaratonas, muito bem. Se for outra coisas, surfe, ciclismo, então faça isso. Se você começar fazer algo de que não gosta, nunca vai perseverar naquela atividade.

FOLHA - Quais são suas dez principais dicas para quem pretenda começar uma atividade física.
KARNAZES -
Correr uma maratona começa com o primeiro passo. Meus dez conselhos são esses:

1. Seja paciente.
2. Estabeleça objetivos realistas.
3. Se você perder algum treino ou fraquejar, não é o fim do mundo. Não desista.
4. Conte a todo mundo o que você está fazendo e que planeja entrar em forma.
5. Escolha uma atividade que você adore.
6. Passe a considerar entrar em forma uma prioridade importante em sua vida.
7. Consiga um parceiro para treinar junto.
8. Inscreva-se numa corrida ou caminhada de cinco ou dez quilômetros (NR: Mas dê a você mesmo um tempo para a preparação).
9. Elimine de sua dieta o açúcar refinado.
10. Tome dez copos de água por dia.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h26

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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