Rodolfo Lucena

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Maratona do Saara

Morte no deserto

O corredor francês Bernard Jule, 49, que participava da Marathon des Sables, uma das mais difíceis e exigentes ultramaratonas do mundo, foi encontrado morto em sua tenda na manhã de quinta-feira em Jebl Kfiroune, sudeste do Marrocos.

Ele foi encontrado por seus companheiros de tenda. O corpo foi levado de helicóptero para um hospital em Errachidia, onde a causa da morte foi determinada: ataque cardíaco.

A prova de 243 quilômetros era liderada pelo eneacampeão Lahcen Ahansalca, corredor marroquino que seguia firme para sua décima vitória.

Para ficar no tema tétrico: também na quinta-feira, mas nos Estados Unidos, um jovem corredor morreu depois de ser atingido por um raio. O acidente aconteceu na pista de atletismo pouco antes do início de uma competição escolar em que Corey Williams, 18, iria participar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h36

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Maratona no espaço

Boston, fora da Terra

A comandante Suni Williams vai correr uma maratona totalmente amarrada com cordas de bungee jump, vestida com quilos de roupas e sozinha. Ela estará no espaço, a bordo da estação espacial internacional que orbita a Terra a 210 milhas (cerca de 336 quilômetros do planeta).

A nave cobre os 42,2 quilômetros da maratona em 5,4 segundos, mas Williams vai ter de suar bastante para completar a distância, pois vai correr numa esteira especialmente preparada para ela, que vai participar, no espaço, da maratona de Boston no próximo dia 16. Tem até número de peito e, quando voltar à Terra, haverá uma medalha esperando por ela.

Como se sabe, para participar da mais antiga maratona do planeta é necessário se qualificar. A astronauta conseguiu o feito aqui mesmo na Terra, em janeiro último, quando completou a maratona de Houston em 3h29min57. Sua irmã, Dina Pandya, também obteve a vaga e inscreveu as duas na mesma hora.

Por causa das marchas e contramarchas dos vôos espaciais, Williams, 41, estará no espaço no dia da prova, quando 24 mil corredores se alinharão para iniciar a edição número 111 da maratona de Boston.

Com os horários malucos do espaço, ela não sabe se conseguirá correr a prova na mesma hora que os atletas do planeta, mas seguramente pretende fazer a distância no mesmo dia.

Para conseguir correr na esteira, terá de ficar toda amarrada, por causa da gravidade nula (ou quase, para não ferir os ditames científicos).

Os equipamentos fazem parte do mobiliário padrão da espaçonave, pois a Nasa (que forneceu as fotos desta página, distribuídas pela AP) exige que os astronautas se exercitem mesmo no espaço. Os arreios vão pesar depois de um certo tempo, mas ela terá de lidar com isso.

Mas não terá alguns pequenos benefícios terrenos: "Vou sentir falta de um banho quente", disse Williams.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h48

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Alimentação olímpica

O tofu de Lewis

O supercampeão e ex-recordista mundial Carl Lewis, que já sofreu até acusações de uso de substâncias ilegais, agora virou garoto-propaganda de alimentação natural.

O vídeo a seguir está em inglês, mas dá mesmo quem não entende vai perceber que ele considera que a alimentação light ajuda a viver melhor e a ter melhor performance atlética.

Para mim, a carne é imprescindível...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h02

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Praga

Praga

Encha os olhos

Vejam só que bela imagem: as cores dos corredores cruzando a ponte Carlos durante a meia-amaratona de Praga, no domingo passado. (Foto Martin Kozak/AP/CTK) 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h05

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Dicas de treinamento

Dicas de treinamento

Musculação - certo e errado

Está acontecendo nos Estados Unidos o 11º Congresso de Saúde e Boa Forma do American College of Sports Medicine. Teses, pesquisas, palestras e um monte de novos produtos são apresentados no evento.

O especialista em musculação e boa forma Len Kravitz, por exemplo, fez uma palestra em que afirmou que o treinamento de resistência (em oposição, por exemplo, à musculação para hipertrofia) tem efeitos favoráveis na força e resistência musculares, no sistema cardiovascular e no bem-estar psicossocial em geral.

E apontou coisas que devem e que não devem ser feitas nos treinos.

FAÇA:

1. Alongamentos imediatamente depois de alguma atividade aeróbica, quando os músculos ainda estão aquecidos, o que aumenta a flexibilidade e pode ajudar a prevenir lesões (falo eu: sempre ouço os técnicos recomendarem extremo cuidado nesses alongamentos, pois o próprio fato de os músculos estarem aquecidos pode levar a um abuso, com conseqüências danosas).

2. Aquecimento antes de trabalhar com pesos. Suas musculatura precisa de tempo para se adaptar ao exercício.

3. Desaqueça. Depois do exercício, mesmo musculação, dê um tempo para sua freqüência cardíaca baixar. Caminhe sem sair do lugar ou alongue-se.

NÃO FAÇA

1. Levantamento de mais peso do que você efetivamente pode suportar. O aumento gradual e progressivo da resistência é mais seguro e eficiente.

2. Exercícios com muita intensidade. As lesões acontecem quando as pessoas exageram, fazendo muito esforço com alta intensidade.

3. Musculação "aos soluços", dando trancos para levantar o peso. Se você precisa fazer isso, provavelmente está exagerando e corre o risco de se lesionar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h28

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Mundial de Cross-country

Desistências em penca

No balanço geral, 82 corredores foram forçados pelo calor a cair fora da provas que disputaram durante o Mundial de Cross-country em Mombaça, Quênia, no sábado passado.

Isso representa cerca de 18% do total dos participantes das quatro corridas (masculino e feminino juniores e adultos).

O etíope Kenenisa Bekele, supercampeão e recordista, que até então parecia imbatível, foi derrubado por problemas estomacais. Depois da prova, ele revelou como sucumbiu ao calor: "De repente, percebi que minha coordenação não estava boa, que eu estava ficando tonto. Cheguei mesmo a ficar confuso sobre quantas voltas ainda precisava percorrer. Eu senti que perdia toda a minha energia. Eu ficava cada vez mais lento e sentia que estava perdendo controle sobre meu corpo e minha mente. Foi por isso que decidi abandonar a prova".

Especialmente na prova das mulheres mais jovens, aconteceram vários desmaios (como você já viu neste blog) e 20 das 87 participantes não terminaram a corrida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h25

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Primeiras impressões

Primeiras impressões

Creation 8

Acabo de testar o Creation 8, que a Mizuno está lançando agora no Brasil para corredores com pisada neutra ou supinada.

Trata-se de uma verdadeira evolução em relação ao Creation 7, mas também mantém os problemas da linha (e acho que dos produtos Mizuno em geral).

O modelo novo é bem mais bacana que o anterior. O design é mais agressivo, e a combinação de cores tem mais impacto. É bem verdade que havia alguns modelos do Creation 7 com cores sólidas que eram muito legais também (e o  verde-amarelo é muito simpático).

Bom, mas a principal mudança é no sistema de amortecimento. As estruturas ovais no calcanhar (entre a "onda" plástica e a sola propriamente dita) estão maiores, mais altas e mais alongadas, o que me deu impressão de mais balanço (na foto do alto, o Creation 8 é o da direita).

Há mais conforto no calcanhar. Parece que a Mizuno alargou um pouco a estrutura: ali, o Creation 7 fica justo, enquanto o 8 ficou um pouco folgado, exigindo uma amarração mais cuidadosa.

O novo modelo também está um pouco mais flexível, mas mantém a característica de "dureza" que marca os tênis da Mizuno. Fiz treinos de até 15 quilômetros. Acho que, em distâncias maiores, há risco de aumentar bastante o desconforto na parte da frente do pé.

Esse, por sinal, é um problema dos dois modelos: o amortecimento é relativamente bom no calcanhar, mas insuficiente na parte da frente (outras fabricantes já estão dando mais atenção a essa área). Tenho a impressão de que houve uma pequena evolução do Creation 7 para o 8 nesse terreno, mas nada muito notável.

Outro ponto duvidoso é o solado. Corri muito bem no asfalto do Ibirapuera, mas bastou passar por áreas mais úmidas para sentir o tênis perder a aderência. A sensação se repetiu em terreno de chão batido.

Claro que há lugares que são escorregadios para qualquer tênis comum, mas a reação do Creation 8 me pareceu exagerada (o Glycerin 4, da Brooks, também não se sai muito bem em terreno escorregadio).

Em resumo, é um tênis mais confortável e flexível que o modelo anterior, mas manteve os principais defeitos da linha.

E outra coisa: não confio muito naquelas estruturas ovais tão grandes. Só de olhar parece que vão desabar. Claro que é apenas impressão, e pode ser que as tais estruturas sejam ainda mais resistentes que a modelagem anterior. Mas não sei não...

O preço, R$ 549, está fora da realidade. Por R$ 50 a menos, você compra modelos de outras marcas tão bons ou melhores. De qualquer forma, os preços dos tênis no Brasil voltaram a explodir, tornando a compra no exterior um imperativo para quem tem a oportunidade.

Nos Estados Unidos, modelos de amortecimento top de linha são encontráveis por de US$ 80 a US$ 120 nas lojas comuns. Comprando pela internet ou em outlets, os preços são ainda menores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

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Mundial de Cross-Country

O calor joga

O calor africano fez várias vítimas durante o campeonato mundial de cross-country, que foi disputado em Mombaça, Quênia, no sábado. Pelo menos duas corredoras juvenis desmaiaram ao final da disputa e tiveram de ser carregadas (ao lado, a canadense Amanda Truelove; foto da Reuters).

O pentacampeão Kenenisa Bekele, da Etiópia, donos dos recordes dos 5.000 e dos 10.000 metros, também não se deu bem com o calor e a umidade. Abandonou a prova na última volta por causa de complicações estomacais, segundo comunicado da federação etíope de atletismo,

Zersenay Tadese, da Eritréia, que vinha alternando-se na liderança com Bekele, aproveitou e venceu a prova de 12 quilômetros em 35min50.

Na prova feminina, de oito quilômetros, Lornah Kiplagat, queniana naturalizada holandesa, venceu em 26min23.

Houve forte presença de forças de segurança durante a prova, pois os Estados Unidos haviam alertado contra supostos ataques terroristas que estariam planejados. Mas a única manifestação de protesto efetivamente agendada foi suspensa na quinta-feira pelo grupo muçulmano que a organizava. Mesmo assim, a ação da polícia foi agressiva até para conter o público (foto abaixo, da AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h56

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Fala, leitor

Estréia trilheira

Ortopedista de profissão, Luiz Fernando Teochi, que atende no Instituto Vita, é apaixonado por cavalos e rodeios, mas também dá seus pitacos nas corridas de rua. Participante da equipe Nossa Turma, ele (na foto abaixo, é o que está de roupa escura) conta agora como foi sua estréia na meia-maratona. E que meia-maratona!, para usar uma expressão que permeia o texto.

"Chegou o dia de mais um desafio. Após ter corrido provas de 10 a 15 km de distância nos últimos anos e algumas provas longas apenas em revezamentos, decidi que 2007 seria o ano de aumentar as distâncias.

"Com duas provas de 10 km na bagagem desse ano (Itu e Corrida da Lua/Campinas), fui a Ribeirão Pires para correr, pela primeira vez, uma prova de 21 km.

"E que escolha! A meia trilheira de Ribeirão Pires tem um percurso bastante difícil, não apenas pela altimetria mas pelo tipo de terreno a enfrentar. Subidas com pedras soltas, trilhas cheias de erosão e lama, trechos que nos obrigam a andar em fila indiana e até a correr sobre os dormentes de uma estrada de ferro.

"Havia cerca de 600 pessoas (80 mulheres apenas) e a largada prevista para 8h não teve um grande atraso, a partir do Centro Cultural Airton Senna do Brasil, pelas ruas do centro de Ribeirão Pires, em direção às famosas trilhas.

"Ao final do terceiro quilômetro, começamos o trecho de terra. E que começo! Uma longa subida (cerca de 400m) com o terreno cheio de pedras.

"Não havia melhor momento para encarar a pior subida da prova: perfeitamente aquecidos pelos três quilômetros pela cidade e ainda descansados.

"Logo depois desse esforço inicial, os primeiros copos de água nos esperavam na marca do km 4.

"A prova teve uma organização muito boa, com sinalização perfeita pelas trilhas. Praticamente divide-se o percurso em cinco trechos de quatro quilômetros: o primeiro é representado pelo trecho urbano; depois, mais quatro quilômetros são percorridos pelo verdadeiro trecho de trilhas até a a estrada de ferro. Segue-se então um trecho por estrada de terra até retornar à estrada de ferro. Daí faz-se o sentido inverso das trilhas. E por último, quatro quilômetros no retorno do trecho urbano.

"Minha tática era seguir num ritmo confortável, ao redor de 6min/km, para poder correr o maior tempo possível e conseguir completar a prova.

"Ao chegar ao km 10 da corrida, fiz um balanço e ainda estava bem fisicamente.

"Fiquei bastante animado, porém essa euforia durou pouco, porque, três quilômetros depois, tudo mudou. Parecia que meu organismo havia percebido que o esforço seria além do habitual (normalmente faço treinos longos de até 1h15min) e foi necessário concentração das energias para seguir na prova.

"Ao redor do km 15, essa sensação desapareceu e tive a certeza de que conseguiria terminar a prova.

"Sempre administrando o ritmo, meu gás parece ter durado na medida: fiz os últimos três quilômetros bastante cansado, mas com direito a uma chegada emocionante, que trouxe a vontade de buscar novos desafios."

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h14

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Fala, leitor

Beleza e superação

Trilhas, barro, frio e muito alegria por completar uma prova difícil e bela. Esse são os elementos do relato que nos traz o leitor Marcos Siqueira, que vive em Roseville, na Califórnia. Ele se tornou maratonista em dezembro de 2003 e, desde então, já fez muitas outras maratonas (na foto abaixo, aparece em uma das vezes em que completou a belíssima Big Sur). No final do ano passado, conseguiu se qualificar para disputar a maratona de Boston, que será realizada no mês que vem. Mas, antes disso, resolveu enfrentar um enduro, uma ultramaratona trilheira. Eis o relato de Marcos.

"Foram 50 quilômetros de muita subidas, descidas em trilhas de chão batido,. Não havia previsão de chuva, mas com certeza terreno molhado, barro, lama e frio no meio da floresta do Parque Estadual de Auburn, norte da Califórnia, no pé da Sierra Nevada _que tem no topo o famoso Lake Tahoe, com várias estações de esqui a seu redor.

"A Way Too Cool 50k foi no dia 10 de março, um sábado, e começou pontualmente às oito da manhã. Mas a corrida para a inscrição começou no dia 8 de dezembro do ano passado, também pontualmente às oito da manhã, e durou apenas sete minutos. Foi o tempo para que as 450 vagas fosse tomadas. Apenas dois de nosso grupo de seis corredores conseguiram a inscrição, e eu fui um deles.

"Na semana que antecedeu a prova, estive em Amsterdam, na Holanda, para uma semana em reuniões de negócios. Depois de 12 horas de vôo direto de Amsterdam a San Francisco, tive que dirigir mais três horas até em casa, onde cheguei às 20h30, depois de pegar muito trânsito.

"Estava cansado, atrapalhado com o fuso horário e com jet-lag. Mas havia mais quatro pessoas interessadas na minha inscrição, que estavam ligando para ver se eu não desistia e passava a vaga. Eu só dizia, para desespero de minha esposa: "Vou correr!".

"Enfim, lá estava eu na largada e com o tempo mais quente que o previsto mas sem chances de chegar perto de qualquer calor no inverno brasileiro. Foram 50 quilômetros de trilhas, na realidade 30 milhas de trilha e uma de asfalto, na largada, para todos poderem sair juntos. Depois disso foi trilha individual na terra (single trail).

"O percurso era bonito, no meio da mata em alguns pontos bem aberto, com uma altitude variando bastante e para cima, cruzando riachos, cachoeiras, vista do rio (Americam River) com águas bem claras. Algumas subidas tinha de ser a passo mesmo, não dava para correr.

"Os cinco postos de abastecimento tinham tudo que você pode imaginar para beber e comer, desde refrigerante com batatinha cozida e salgada até bebida isotônica com biscoito recheado de chocolate. Eu ficava nos isotônicos com barrinhas de cereal pequenas e gel para durante o percurso.

"Em alguns pontos, era preciso cruzar riachos ou partes alagadas e barreadas sem dó de molhar ou sujar o tênis (veja algumas fotos no site oficial; eu sou o corredor de uma mão só). Enfim, consegui terminar em 6h18 e com a sensação que estou preparado para treinar "tempo runs" para a maratona de Boston.

"Achei que estaria acabado no domingo, mas até que deu para ir três vezes ao parque com minha filha de 17 meses empurrando o carrinho de bebê especial para pais corredores . Ela ficou brava porque eu não estava correndo, mas só de estar andando e estar dando folga para a mãe depois de uma semana sem o pai para revezar, passou tudo a ser lucro."

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h50

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Mundial de Cross Country


Vigilância cerrada

Policiais do Quênia montam guarda durante treinamento de atletas canadenses que vão participar neste final de semana do Mundial de Cross Country em Mombaça.
Havia ameaças de protestos contra o evento, mas o grupo muçulmano que estava organizando uma manifestação cancelou a passeata.
Segundo o grupo, os Estados Unidos provocaram medo nos participantes do Mundial quando lançaram um alerta contra eventuais ataques terroristas durante o evento.


Foto Sayyid Azim/AP

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h31

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Mercado de corridas nos EUA

Muita grana e muita gente

O mercado de calçados de corrida faturou US$ 4,9 bilhões nos Estados Unidos no ano passado. Isso representa uma pequena queda em relação ao ano anterior, em que o faturamento foi de US$ 5 bilhões. Mas é anos-luz acima do primeiro ano deste século, quando as vendas foram um quinto disso.

Isso dá bem a idéia de quanto cresceu a participação popular no mundo das corridas naquele país. E mostra as razões pelas quais esse esporte gera um ecossistema empresarial próprio.

As publicações especializadas também são termômetro da massificação de corrida. A Rodale Press, que edita a maior revista de corridas do mundo, a "Runner’s World", recentemente comprou uma publicação menor, mais especializada, mas voltada para a performance, a "Running Times". os valores do negócio não foram divulgados, mas a Associated Press cita algo em torno de US$ 5 milhões.

O objetivo ‘pe atingir nicho dentro de nicho e ainda tentar capturar mais público para a RW, cuja circulação cresceu 5% no segundo semestre do ano passado, chegando a 639 mil cópias por mês. Trata-se de um aumento de 40% desde o ano 2000.

O universo dos corredores norte-americanos, por seu lado, cresceu 28% desde 2001, chegando a 29,2 milhões em 2005, de acordo com a National Sporting Goods Association.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h33

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Mulheres na corrida

Questão de estilo

O público feminino é cada vez maior no universo das corridas e recebe neste blog a devida e merecida atenção. Para reforçar, vvenho buscando colaborações específicas para o universo das mulheres. Um exemplo é o texto abaixo, escrito por Fabiana Pereira, 28, da equipe TPM - Treinamento para Mulheres. Além de treinadora de corrida e de pilates, ela é entusiasta participante de corridas de aventuras. Vamos ao texto, que está em duas partes.

"Se fizermos uma aposta sobre a regularidade de suas visitas ao ginecologista, temos certeza que, se dissermos ao menos uma vez ao ano, ficaremos milionárias. Mas, se a mesma aposta for feita em relação a suas visitas ao cardiologista, não teremos a mesma sorte.

"Levar os filhos ao pediatra, recomendar ao marido ou namorado que consulte um médico quando sente alguma dorzinha estranha no coração é tarefa comum entre as mulheres, mas quando se trata de cuidar da nossa saúde... Ai, ai, ai!

"A verdade é que a mulher está imensamente preocupada com aqueles que a cercam e julga que apenas visitar o ginecologista uma vez ao ano a deixará a salvo de doenças.

"Mas isso não é bem verdade. Quando o assunto é coração, não devemos dar atenção apenas ao lado emocional, mas também às doenças que afligem esse órgão que bombeia de 7.000 a 8.000 litros de sangue todos os dias dentro de nosso corpo.

"Desde 1984, a taxa anual de mortalidade por doenças cardíacas no país é maior entre as mulheres do que entre os homens. Entre as décadas de 90 e o ano 2000, a incidência dessas doenças dobrou entre as brasileiras. Há alguns anos, a cada grupo de dez infartados, apenas um era mulher. Atualmente, estima-se que essa proporção seja de seis homens para quatro mulheres: ou seja, 40% do total. Um número considerável, você não acha?

"O principal responsável por essa mudança é o estilo de vida da tão invejada mulher moderna. O acúmulo de estresse e de responsabilidades --casa e trabalho-- fizeram com que a mulher se equiparasse ao homem em relação aos fatores de risco para problemas cardiovasculares: fumo, pressão alta e colesterol elevado, obesidade e sedentarismo deixaram de ser exclusividade do universo masculino.

"A boa notícia é que esse quadro pode ser revertido e a palavra-chave para isso é prevenção: mudar sua rotina, introduzir hábitos saudáveis e buscar válvulas de escape para o estresse são essenciais para que a mulher entre em uma nova fase.

"Portanto, procure manter uma dieta equilibrada --COMA BEM--, alterne momentos de prazer com responsabilidade --DESLIGUE O CELULAR E VÁ AO CINEMA COM O NAMORADO--, tenha momentos de sossego --DURMA BEM, TIRE ALGUNS COCHILOS QUANDO POSSÍVEL-- e, não esqueça, MOVIMENTE SEU CORPO: encontre uma atividade que seja ideal para você!"

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h57

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Mulheres na corrida

A atividade ideal

Seqüência do texto de Fabiana Pereira, da TPM - Treinamento Para Mulheres.

"Toda atividade física é benéfica, principalmente se realizada com prazer. Contudo muitas vezes ouvimos queixas --ou melhor, desculpas-- de mulheres tentando justificar a falta de exercícios em sua rotina.

"Concordamos que acordar de madrugada, tomar café correndo e estar pronta para treinar às 06:00 da matina, ninguém merece, não é mesmo? Muito menos nós, mulheres, que passamos noites em claro tomando conta dos filhos e muitas vezes, do maridão.

"Sair da cama cedo, principalmente naqueles dias de garoa fina, típicos da nossa capital paulista, é de matar! Tira a vontade de treinar de qualquer uma, até mesmo daquelas mais disciplinadas.

"Mas para tudo dá-se um jeito: afinal, treinar não deve ser um ‘martírio‘ e sim um prazer!

"É por isso que existem hoje, em São Paulo, opções exclusivas para o universo feminino, que têm em mente o dia a dia da mulher moderna e procuram adequar-se a ele para ajudá-la a mexer o corpo.

"Tomemos como exemplo a CORRIDA (você não achou que deixaríamos de puxar a sardinha pro nosso lado, achou?): quer algo mais fácil do que calçar um tênis, vestir um shortinho e um top e sair por aí?

"Ah! Não esqueça de levar seu iPod, afinal, nada melhor do que correr acompanhada de nossas músicas preferidas e evitar que algum engraçadinho venha tirar o nosso sossego com algum papo sem graça!!!

"Viu só como é fácil: tênis, música, ar livre, nada de trânsito e espaços apertados... É como aquela propaganda, lembra? Uma rua longa e deserta, uma mulher correndo e deixando pra trás tudo que pesou sobre seus ombros durante o dia todo: problemas em casa, chefe, sogra...

"Genial, não acha? E tem mais: mesmo a corrida sendo um esporte individual, nunca estamos completamente sozinhas. Existe todo um universo de corredoras a nosso redor, cada uma no seu ritmo, no seu estado de concentração, mas todas nos fazendo companhia.

"Pois é, demorou, mas nós conseguimos entrar de vez no mundo das corridas. Se antigamente éramos banidas da prática esportiva, exclusividade dos homens, hoje somos esperadas em provas do mundo todo.

"De olho nesse mercado, cujo crescimento foi acelerado nos anos 90, algumas organizações resolveram investir em provas exclusivamente femininas, já que perceberam que, a cada ano, as mulheres compareciam em maior peso nas provas mistas. Dados da Corpore (Corredores Paulistas Reunidos) mostram que as mulheres são 25% do público participante em provas de rua na cidade.

"A precursora das provas só para mulheres foi a New York Women’s Mini-Marathon, que começou em 1972 e é disputada até hoje. Na primeira prova reuniu apenas 78 atletas, mas atualmente atrai 150 mil corredoras.

"No Brasil, já são pelo menos cinco eventos: Corrida da Mulher de Brasília, do ABC, Corrida Contra o Câncer de Mama de São Paulo, do Rio e Corrida do Batom.

"A Europa é um grande pólo de provas dessa natureza. A França tem a La Parisienne e outras 62; a Espanha vem logo atrás, com nove provas. A Inglaterra tem The London Breakfast 5 k, Running Women Windsor e Hydro Active Women’s Challenge, e Portugal já tem duas, a Corrida da Mulher e Lisboa, a Mulher e a Vida. Pelo continente europeu ainda há provas na Alemanha, Suíça, Suécia, Áustria, Irlanda e Hungria.

"Portanto, mulherada, não podemos mais perder tempo: é calçar um tênis e começar a treinar!!!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h53

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Alimento para o espírito

Pão de banana, maçã...

Tudo quanto é publicação de corrida está dando receita de pão bom para atleta. Eu sou especialista em comer pão, mas resolvi também entrar na dança, com a supervisão e orientação da supercozinheira Eliane Trindade.

Segue aqui, então, a receita de meu primeiro pão feito em casa, ideal para antes do treino (coma no máximo uma hora antes, porque o carbo é poderoso) e, especialmente, para encher a cara depois de um longo, longuinho ou longão.

Não é difícil, mas alguns procedimentos requerem algum treino. E ninguém pode ter medo de se melecar, porque, para fazer o pão, você literalmente tem de botar a mão na massa.

Você vai precisar de um liqüidificador, um recipiente para mexer a bagunça toda, uma superfície onde trabalhar a massa e uma forma untada. Mais o fogão com forno, é claro.

Os ingredientes que usei foram os seguintes: três ovos, uma xícara de água morna, duas xícaras de farinha integral, uma xícara de farinha comum (semolina da boa, por favor), duas colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem (adoro essa expressão, sempre fico imaginando o que ela pode significar), uma xícara de aveia em flocos, fermento para pão (aquele em quadradinhos), açúcar mascavo, sal, meia xícara de banana picada cozida temperada com um pouquinho de limão (para não pretear), meia xícara de maçã picada e cozida levemente.

Primeira coisa: naquele recipiente geral, coloque o quadradinho de fermente e uma colher de sopa de açúcar mascavo (não encha muito, faz favor) e misture os dois, amassando com o dedão até ficar uma melequinha meio aquosa. As receitas oficiais dizem que você precisa tirar daí para misturar na próxima etapa, mas, se o fizer, vai perder um montão; então é melhor deixar quieto.

No liqüidificador, bata os três ovos, as duas colheres de azeite de oliva, a xícara de água morna e a pitada de sala (uma colherinha de chá não muito cheia). De novo, receitas clássicas indicam colocar meia xícara de óleo, mas vai ficar muito gorduroso. Se você prefere, tente. O batimento dura uns poucos segundos e está ok.

Agora derrame essa mistura no recipiente onde já está a melequinha anterior. Comece a colocar a farinha e a mexer. Eu fui auxiliado, mas essa deve ser uma operação complicada para fazer sozinho. Com a mão esquerda (ou direita, se você for canhoto) ainda limpa, você derrama a farinha. Com a direita (ou esquerda etc.), já virada numa sujeira só, você vai mexendo.

Nada de muita energia. Vá com calma, misturando as farinhas até virar um mingau meio seco. Daí coloque as frutas e mexa novamente.

Agora é que vem a parte mais difícil. Você tem de tirar essa massa do recipiente e colocá-la na pedra (o balcão da cozinha), onde vai sovar a massa.

Os primeiros movimentos são fáceis, mas cuidado: não use muita força nem sove muito a massa, porque ela vai amolecer. Tem de mexer apenas o suficiente para dar liga e poder desgrudar a massa da pedra (na qual, esqueci de falar, você deveria ter colocado um tanto de farinha para não ficar grudenta).

Eu fui me colando todo com a meleca, mas a Eliane pegou a massa e com dois movimentos deixou a dita em ponto de pão. Daí tentei de novo e consegui (mais ou menos).

Se, antes disso, a massa não tiver ficado firme o suficiente para ser manipulada, coloque um pouco mais de farinha. No meu, tive de acrescentar mais uma xícara de farinhas integral e semolina (meia de cada uma).

Bom, agora é passar para a forma já untada e dar os retoques finais. Eu peguei uns restos de massa, fiz umas bolinhas e espalhei pelo corpo do pão. E completei "regando" com gergelim (pode usar linhaça ou outras sementes).

Agora basta deixar crescendo, com a forma coberta com um pano de prato. Isso leva uns 40 minutos.

Quanto tiverem passado uns 20, ligue o forno. Quando o pão tiver crescido para mais ou menos o dobro do tamanho inicial, pode colocá-lo para assar. Deve ficar pronto em uns 20 minutos, mas fique de olho.

Prontinho. Pode cortar, passar queijo cottage, manteiga, mel ou o que bem entender. Puro também é ótimo.

  

Veja as fotos do processo no próximo post.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h05

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Alimento para o espírito - 2

O pão em fotos

 

1. A massa na superfície onde será trabalhada

2. Comece a sovar o pão, mas...

3. ...não mexa com muito entusiasmo, porque a massa vira uma meleca

4. Agora, sim, a massa está decente

5. Na forma, o pão vai agora descansar para crescer

6. Crescido, está pronto para ir ao forno

7. Prontinho. Ficou uma delícia!!!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h02

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O Ultramaratonista

O Ultramaratonista

Erro corrigido

Enfim chegou o livro de Dean Karnazes impresso, pronto e acabado, em português.

E a editora corrigiu aquele erro feio na capa e na aprresentação, que identificava o ultramaratonista como "o único homem que tinha corrido dez maratonas em um dia".

Até hoje, duvido que alguém saiba de onde saiu a tal informação, que obviamente não estava no texto original. Mas, enfim, erros acontecem, e é muito bom quando a gente tem tempo de corrigi-los.

De resto, o livro "O Ultramaratonista" é muito interessante, como já comentei aqui neste blog. Cheguei mesmo a apresentar uma breve entrevista exclusiva com o Karnazes, que você pode reler AQUI (tem de rolar a página um pouco até chegar à entrevista, ok).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h30

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Quebra de recorde

Na meia é mais fácil

Na maratona, as melhores marcas do mundo, no masculino e no feminino, estão intocadas desde 2003. Na meia-maratona, porém, os recordes estão em queda livre.

No último sábado, o queniano Sammy Wanjiru bateu seu próprio recorde ao vencer a Fortis City Pier City Half-Marathon, nos EUA, em 58min35.

Ele melhorou em 18 segundos o recorde anterior, que estabelecera havia pouco mais de um mês (9 de fevereiro).

Assim, a antiga marca de Haile Gebrselasie, de 58min55, registrada em 15 de janeiro de 2006, passa a ser "apenas" o terceiro melhor tempo da história.

Pela tradicional fórmula de previsão de tempos, fazer a meia-maratona no ritmo de Wanjiru levaria a uma maratona em 2h02min59, coisa que nem aqueles cientistas que citei anteriormente neste blog estão prevendo para os próximos anos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h24

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Recorde em Roma

Presente de casamento

Comprar um carro para se dar de presente de casamento é o desejo da argelina Souad Ait Salem, que ontem quebrou o recorde feminino na maratona de Roma, correndo a prova em 2h25min08.

Ela fez exatamente o que planejava, mas poderia ter sido ainda mais rápida: "Eu vim para correr 2h25 e quebrar o recorde da prova. Mas, por causa do calor, sofri com câimbras nos últimos cinco quilômetros", disse a argelina, que está com o casamento marcado para esta semana.

Além de se alegrar com o casório, Salem tem um caminho florido à sua frente, rumando para o Mundial de atletismo: "Meu sonho é ficar entre as três melhores em Osaka".

No masculino, o queniano Elias Chelimo Kemboi venceu com 2h09min36. O brasileiro Geovane Santos chegou em 12º lugar, com 2h14min42, o que não foi o suficiente para superar a marca de Franck Caldeira (2h14min06s), que continua com a segunda vaga no Pan.

Também Marizete Moreira, de Brasília, não conseguiu lugar na prova no Rio, apesar de ter melhorado um pouco seu tempo, fechando em sétimo com 2h39min06. Por enquanto, a equipe brasileira para o Pan tem Márcia Narloch (2h35min28s) e Sirlene Pinho (2h35min45s).

Não sei não, mas já ouvi gente do ramo dizer que o Brasil não pega ouro nenhum no atletismo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h10

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Exercício de cálculo

Chances do Marílson

Marílson Gomes dos Santos, campeão da maratona de Nova York, ficou em quarto lugar na meia-maratona de Lisboa ontem.

Apesar de ter o melhor índice até agora para a maratona no Pan, ele deve ficar mesmo nos 5.000 e nos 10.000 metros, preferindo ir atrás de uma maratona famosa e mantendo fixo a mira em Pequem-08.

Se o mundo fosse feito só de cálculos, o resultado de ontem na meia autorizaria Marilson a brigar pelo primeiro lugar em qualquer maratona do mundo e o levaria ao melhor tempo brasileiro do século 21.

De acordo com as tabelas geralmente aceitas, 1h00min42 na meia permite predizer 2h07min26 na maratona.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h45

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Coisas da academia

Qual é o máximo?

Até agora o trabalho ainda não foi aceito em publicações científicas especializadas, mas o artigo final já rola na internet. Falo de um estudo de dois professores de econometria da Tilburg University, da Noruega, que se dedicaram a calcular até onde os recordes atuais podem chegar.

Os homens e as mulheres não se cansam de superar e jogar no ralo previsões e mais previsões de especialistas dos mais variados ramos, mas mesmo assim as especulações continuam. São, no mínimo, um exercício matemático interessante.

E um bom assunto para seu próximo papo de boteco com corredores.

Não vou entrar na matemática da coisa, que está bem explicada no artigo dos professores John Einmahl e Jan Magnus, que se chama "Records in Athletics Through Extreme-Value Theory" (em inglês, AQUI).

Basicamente, os caras pegaram resultados de competições olímpicas e melhores performances mundiais de homens e mulheres em 14 modalidades de atletismo (depois reduzidas para 13). E calcularam onde os recordes podem chegar, dentro das atuais regras de competição.

Pelo modelo desenhado, ainda dá para reduzir um pouco o tempo da maratona. Eles consideram que o máximo possível é 2h04min06, ou 49 segundos a menos que o recorde atual, de Paul Tergat. Quem sabe o Haile não dá uma testada nessa medida?

Para os 100 metros, eles acreditam que a evolução possa ser bem maior, uns 5% (na maratona, a diferença entre o recorde existente e o máximo previsto é de 0,1%).

Na tabela abaixo, pode ser visto um balanço geral das previsões dos caras. Para cada modalidade, estão informados o melhor resultado de hoje e máximo possível (endepoint).

Faça a sua aposta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h24

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Pegasus Air

Pegasus Air

Palmilha incômoda

Ao longo de meus anos de corredor, raramente usei tênis da Nike. Talvez uma espécie de vingança, pois meus primeiros calçados de corrida foram da empresa e destruíram minha unha do dedão...

É porque a forma mais afilada não casa com os meus pés meus largos e altos.

Isso começou a mudar com o lançamento da linha Pegasus. É um bom modelo de tênis neutro, comparativamente leve e um pouco mais largo que o estilo que caracteriza a Nike.

Já testei pelo menos duas gerações, com algum sucesso e também decepções. Basicamente, servem, no meu caso, para treinos curtos, de até uma hora e meia. Mais do que isso, há risco de bolhas e de desconforto.

Apesar de saber disso, bateu o olho grande quando vi numa loja aqui nos EUA o Pegasus Air, que eu não conhecia. Para meu gosto, é muito mais bonito que o Pegasus comum, tem menos jeito de mangolão, um ar mais agressivo.

Experimentei e já saí da loja com ele. Superconfortável, larguinho e bem mais leve que os tênis com que estou acostumado, sem perda de amortecimento.

Bom, mas nada poderia ser tão perfeito assim.

Na manhã seguinte, quando fui amarrar os tênis para valer, para enfrentar um longuinho que durou quase três horas, já me incomodei com os cadarços. São cilíndricos, e não chatos, o que é comum, mas deixa a amarração menos segura. O pior é o tecido, que acho que tem muito nylon ou coisa que o valha, pois é bem escorregadio. Em suma, o nó duplo é obrigatório, e não uma simples recomendação de segurança.

Os primeiros quilômetros foram uma beleza, mas depois de uma meia hora comecei a sentir um repuxado bem no meio do pé. Percebi que podia se tornar um problema grave, bolhas no arco dos pés no meio de um longo...

Não ia parar mesmo, então fui correndo e ajeitando os pés. Quando sentia a dor, movia um pouco, tentava evitar de deixar o pé sempre no mesmo ponto dentro do tênis.

Resumo da ópera: depois da corrida percebi que a palmilha do Pegasus tem um arco que avança um pouco na lateral. É isso que provoca o incômodo (não chegou a dar bolhas).

Pensei que seria apenas uma questão de adaptação e rodei mais um dia com ele, mas sem sucesso. Acho que até poderia agüentar, mas nunca teria confiança de usar o tênis em uma prova.

Em suma, o produto pode ser uma beleza, mas não deu certo para mim. Talvez corredores com arco do pé um pouco mais alto se dêem melhor.

O mais legal é que a loja aceitou receber o tênis de volta, mesmo com 32 quilômetros nos costados (ou no solado, no caso). Talvez porque seja uma loja de corredores para corredores (os caras organizam treinos gratuitos na comunidade e fazem promoções para equipes; eu ganhei desconto por ser do Marathon Maniacs), mas as lojas brasileiras especializadas também poderiam aprender com isso. Tênis de corrida se testa correndo, e a loja deveria ser parceira do cliente nessa experiência.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h57

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Correndo nos EUA - 2

Chuva de granizo

Ela começou quando eu estava a exatos 12 quilômetros de meu ponto de partida, correndo já havia mais de uma hora e um pouquinho, entrouxado em gorro e luvas de lã, calça e camiseta de manga comprida.

Mas o que podia eu esperar: já estava mais de um quilômetro dentro dos limites de Seattle, o "Portal do Pacífico", e em todos aqueles minutos não havia chovido. Como se sabe, não chove em Seattle em alguns momentos do dia, nunca aqueles em que você está protegido.

Também não era algo de assustar. Uma chuvinha assim, fraquinha, garoazinha. Mas com pedras.

Está bem: pedras, não; pedrinhas. Na verdade, não senti no rosto ou nas mão, mal via os bloquinhos de granizo no ar; só percebia mesmo quando batiam e rolavam no chão. De qualquer forma, acrescentavam mais alguma dificuldade ao meu trajeto, agora com chão beeem escorregadio.

Eu saíra do hotel com o objetivo de encontrar o caminho para Seattle, um caminho corrível, já que Bellevue e a cidade grande estão separadas pelo lago Washington e ainda há uma ilha no meio do caminho. E as pontes que as ligam são auto-estradas.

Mas havia a trilha, me garantiam, e eu fui ver onde começava. Corria com um tênis recém-comprado, levíssimo, e parecia até veloz, considerando minhas parcas habilidades como corredor.

Embestei por essa avenida até chegar a um parque que parecia abandonado, mas era na verdade uma fazenda alugada pela cidade (imagino) e abrigava o início de várias trilhas (na verdade, caminhos asfaltados para bicicletas e pedestres.

Disse para mim mesmo que iria só até aquele ponto em frente para ver como seguia a trilha. E nessa conversa de me engana que eu gosto, acabei chegando a uma ponte. Eu adoro cruzar pontes, então não ia largar dessa.

Cheguei a Mercer Island, a tal ilha entre Bellevue e Seattle. Bom, teria de pelo menos atravessá-la, e agora já estava muito longe para pensar em voltar. Minhas visitas aos sites de mapas indicavam um percurso de pouco mais de 10 km, então tá (saiba que esses mapas também podem ser enganosos).

No final da ilha, uma agradável surpresa. Assim como temos campinhos de futebol, aqui eles têm de beisebol. Um gramado lindo, que dava vontade de sair pastando. Mas o melhor de tudo é que tinha um bebedouro e um banheiro. Com 55 minutos de corrida, pude me hidratar, tomar um gel e me aprontar para o resto do percurso.

A próxima ponte é enorme e tem uma parte que pode ser erguida. Ali era a solidão total. Água geladérrima lá embaixo, vento assobiando nos ouvidos (protegidos, ainda bem), e carros zunindo na parte deles, mal me vendo, assim como eu mais os escutava, sentia, que via, pois estava focado no outro lado, na visão de Seattle, enfim.

Toda a passagem, até então tinha sido por locais ricos, belos. Marinas perto das pontes, aquela coisa toda. Agora, não era diferente. Eu só não via, porém, a tal de Space Needle, a torre que marca Seattle em filmes e que era meu destino desejado.

A ponte termina num caminho que desemboca em um túnel, mas dá para seguir pelo lado, subir uma superlomba tão super que termina em uma escadaria para chegar ao topo verdadeiramente final. Adivinhe qual escolhi.

Estava num bairro, o centro ficava longe. Era bom ver as caras de admiração das pessoas que eu abordava perguntando sobre como chegar à Space Needle. "É muito longe", "Você quer ir a pé?", "Falta muito..."

O certo é que eu não via a dita cuja, e a chuva me incomodava. Pelo menos, via o Pacífico, e sabia que estava na avenida 30; tinha de chegar à 1. No problema. Apenas subidas e descidas, uma escorregada.

No centro, enfim, vi o tal Pike Market, mercado público bem bacana, também figurante em vários filmes. Mas só no km 19,5 vi de longe a Space Needle.

Daí não precisa mais pedir dicas para ninguém. Era só correr no frio, agora sem chuva, e chegar.

No destino, dei uma volta em torno da torre, para que ela me reconhecesse e para fechar 21,1 km em pouco mais de 2h30, e fui procurar um bar para secar um pouco, tomar um chocolate quente e pensar em como voltar ao hotel.

A foto do alto é do Google Maps e mostra como ir do meu hotel à Space Needle de carro. O caminho que fiz é o oposto, beem mais comprido, pelas pontes da parte de baixo da imagem. Detalhe da travessia de Bellevue para a ilha Mercer você vê na foto acima, do Microsoft Virtual Earth.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h38

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Correndo nos EUA

Privatizacao do publico

Estou em Bellevue, microcidade ao lado de Seattle e Redmond, cobrindo um evento para o caderno informatica da Folha (saiba mais no meu outro blog, o Circuito Integrado).

Bom, mas, como em qualquer lugar do mundo, dah para correr antes de comecar o expediente, o trabalho.

Sai do hotel aas 6h30, com ceu ainda azul-escuro e temperatura de ZERO grau. Mas nao estava frio, se voce conseguia correr por lugares menos ventosos (como se isso fosse facil).

Fui de calca de corrida , uma camiseta com tecido tecnologico sensacional bem apertada e uma camisetona do Gremio de manga longa, tambem tecido tecnologico. Ainda luvas e gorro.

No treino, em si, nao sofri muito, mas, quando cheguei ao hotel e tirei a roupa, notei que o peito estava todo vermelho, como se tivesse queimado. Deve ser efeito do frio, nao sei.

Mas conto sobre o treino. Foram 12 km por ruas movimentadas, mas com poucos carros. Ou muitos, so que passavam rapidamente e nao dava para perceber a quantidade.

Com menos de um quilometro longe do hotel, jah estava em meio a ruas arborizadas, uma beleza de ambiente. Depois de corer pelas alamedas, resolvi enveredar para meu objetivo: correr em volta de um lago que tinha visto da janela do hotel.

DECEPCAO. O lago eh lindo, sensacional, mas NAO ha um lakefront walk way ou coisa que o valha, ou seja, nao ha uma trilha ou caminho ou ruela ou avenidade beira-mar (no caso, beira-lago). As ruas estao aquem e acima. Entre o povo e olago, ha casas, clubes, condominios, marinas. Vc ate consegue chegar QUASE ate a beira, mas nao da para rodar em volta.

Eh tudo lindo, mas tudo particular. Rodei pelo bulevard Lake Washington, que eh uma linda estrada, mas sem acostamento, soh uma faixinha pintada num cantinho do asfalto. Mas nao tive problemas de seguranca

Desculpem  a falta de acentos e eventuais erros de digitacao. mais tarde poderia blogar em melhores condicos. Com corte, coloc link para o mapa de meu treino de hoje.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h18

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Coisas de domingo

Que romântico!

Fazendo meu treininho básico hoje pela manhã, na Sumaré (zona oeste de São Paulo), notei uma novidade na demografia dos corredores da avenida.

Nos dias de semana, o mais comum é que homens e mulheres, jovens e veteranos corram sozinhos, isolados, cuidando do próprio nariz.

Aliás, essa costuma ser a regra nos fins de semana também, seja na Sumaré seja no Ibirapuera ou mesmo na USP (que não serve de parâmetro, pois é ponto de encontro de equipes).

A novidade que notei hoje foi um grande número de casais correndo juntos, homem na batida da mulher, mulher na passada do marido, namorado ou coisa que o valha.

Ao longo dos quilometrozinhos de ida e volta, foram uns dez casais, acho eu (não estava contando, depois é que percebi a raridade estatística do fato).

Muito legal, tomara que cada vez mais casais incorporem a corrida a suas atividades em comum.

Não é bom apenas para a saúde, para a diversão ou para colocar em dia a conversa atrasada: acertar o passo com o outro, no treino, é um exercício de compreensão, desprendimento e, principalmente, carinho. Amor, pois, pois.

Divirtam-se todos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h48

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Peso x altura

Gordos e magros

Mais um estudo médico dá um cacete na tal fórmula do Índice de Massa Corporal, estabelecido pela divisão do peso pelo quadrado da altura. O índice, aponta a pesquisa, não é preciso como padrão para estabelecer a quantidade de gordura.

Pesquisadores da Michigan State University e da Saginaw Valley State University calcularam o IMC de mais de 400 universitários, incluindo atletas. Constataram que, na maioria dos casos, o índice não refletia a percentagem de gordura no corpo.

Índice de massa corporal de 25 a 30 é considerado sobrepeso; acima de 30, obesidade. Quem tem IMC maior supostamente apresenta mais risco de doenças cardíacas.

A questão é que a fórmula é aplicada generalizadamente, para uma criança, um atleta ou um idoso. Por isso, "o IMC deve ser usado com cautela para definir sobrepeso e obesidade, especialmente em pessoas em idade universitária", afirma Jim Pivarnik, professor da MSU.

Além disso, apesar de usado para indicar gordura, o IMC não faz distinção entre massa muscular e massa gorda: tudo é peso que entra na tal fórmula. A resposta poderia ser a criação de vários padrões, adaptados a diferentes públicos, acredita o professor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h08

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Treinamento da elite

Cada um é um

É muito educativo o resultado de um estudo sobre as características do treinamento dos corredores qualificados para disputar uma vaga no time de maratonistas olímpicos dos EUA. O trabalho sai publicado na edição deste mês do "International Journal of Sports Physiology and Performance".

Basicamente, o trabalho, que entrevistou candidatos às vagas olímpicas de 2004, não chega a conclusão geral alguma, a não ser que não dá para estabelecer que determinada forma de treino é melhor ou mais aceita do que outras.

Feita com maratonistas com tempos melhores ou iguais a 2h15 (homens) e 2h40 (mulheres), a pesquisa verificou que um grande número dos atletas de elite treina sem técnico: 49% dos homens e 31% das mulheres cuidam de sua própria preparação.

"Isso é uma anomalia entre atletas de elite, capazes de disputar uma vaga na Olimpíada", afirma o autor do estudo, Jason Karp, doutorando da Indiana University.

No que se refere ao volume de treinamento, os homens fazem quilometragem semanal maior do que as mulheres. Rodam em média 145 km por semana, chegando a um pico pouco acima de 190 km; as mulheres rodam em média 11 1 km semanais, com pico de 146 km semanais.

Em média, os homens correm nove vezes por semana, e as mulheres, sete.

A maior parte do treinamento era de corridas longas de baixa intensidade; os homens, por exemplo, fazem 75% de seus treinos com ritmo inferior ao de prova.

A pesquisa encontrou relações entre os tempos de maratona e o desempenho em 5 km, 10 km e meia-maratona, para homens e mulheres.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h51

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Ansiedade pré-competitiva

Como domar dragões
 
O leitor  Eduardo Toledo escreveu sugerindo que a gente discutisse um pouco aquela tremedeira geral que dá antes de uma prova. Há quem não durma na noite anterior, outros que não param de ir ao banheiro, outros que procuram seguir um metódico ritual que chega a ter algo de doentio de tão obssessivo. Procurei então a psicóloga e professora da USP Kátia Rubio, que coordena o curso de psicologia do esporte do Instituto Sedes Sapientia. Ela, que é autora de vários livros (por exemplo: "O Atleta e o Mito do Herói", ed. Casa do Psicólogo), produziu um texto especial para este blog. Vejamos o que Kátia nos ensina.
 
"Recentemente fiz uma pesquisa com atletas medalhistas olímpicos brasileiros e me chamou atenção a forma como vários deles lidaram com situações traumáticas e dramáticas em suas carreiras. Isso porque a psicologia do esporte é um fenômeno de aplicação recente no esporte no esporte brasileiro, muito embora haja relatos de seu uso desde os anos 1950.
 
"Diante da falta de conhecimento específico na área, vários atletas fizeram uso de sua intuição e imaginação para poderem lidar com situações desconfortáveis, ou mesmo aversivas, em treinos e competições.
 
"Curiosamente, a situação mais comum relatada por esses atletas é a ansiedade vivida antes, durante e depois da prova. Não é curioso pensar que mesmo depois de terminada a competição o sujeito não consiga ainda se "desligar da tomada"? Pois é.
 
"Joaquim Cruz, por exemplo, se refere à ansiedade como um dragão. Não um daqueles de escamas cor de madrepérola e olhos cor de rubi, como o Fuchur de "História sem Fim", mas como o terrível e gosmento Smaug, de "O Hobbit", que dorme com um dos olhos abertos sobre uma montanha de jóias roubadas nos vários saques efetuados ao longo de sua existência centenária.
 
"Monstros como esses quase nunca nos acompanham em nossos momentos de vigília, mas eles nos perseguem quando precisamos estar com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Isso porque na sociedade ocidental em que grande parte de nós, que leremos esse texto, vivemos, não tivemos uma educação voltada para o controle do pensamento, também chamada no esporte de concentração.
 
"O que é se concentrar? É manter a atenção dirigida a um foco específico. Ao fazermos isso mandamos os pensamos indesejados dar um passeio.
 
"A ansiedade pré e pós-competitiva pode se manifestar como a incapacidade de se desfazer de pensamentos indesejados que nos vêm à mente em forma de imagens, que podem ser reforçadoras ou aversivas.
Por exemplo, na noite que antecede uma prova, ou na noite subseqüente à competição –caso seja uma prova noturna--,  é muito difícil deixar de pensar no que vai acontecer ou que já aconteceu. Dependendo da estrutura psíquica de cada atleta, essas imagens podem ser de vitória ou de derrota.
 
"Como então domar esse dragão que dorme com um dos olhos abertos?
 
"Uma das estratégias adotadas por Joaquim Cruz era, deliberadamente, em estado de vigília, fazer várias vezes a prova mentalmente.
 
"Ele procurava uma posição confortável, com um ambiente agradável (pode fazer uso ou não de música, bem ventilado, com pouca ou muita luz, dependendo do que você entende por conforto) e criava mentalmente a prova, desde o momento do aquecimento, a largada, o enfrentamento dos principais adversários, os momentos finais da prova e a chegada.
 
"Essa pode ser uma forma de transformar um dragão em um gatinho que lá de manso, que pode ser um grande companheiro.
 
"Bons treinos e boas provas."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h32

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Homenagem

Dia Internacional da Mulher

Leitora amiga, salve, salve!

Este blog saúda todas as mulheres do mundo nesta data, que é de festa e de luta.

Nasceu, afinal, como homenagem a grevistas que reivindicavam a redução da jornada de trabalho feminina de 14 para dez horas e o direito à licença-maternidade, no século 19, em Nova York, Estados Unidos da América.

A greve foi violentamente reprimida e, no dia 8 de março de 1857, 129 operárias morreram queimadas em conseqüência de uma ação da polícia.

Para saber mais sobre a data, leia AQUI. A Folha publica hoje um caderno especial sobre a mulher, que assinantes da Folha e/ou do UOL podem ler AQUI. Para o público em geral, a Folha Online também organizou um especial, que você acessa AQUI.

No esporte, como em quase todas as áreas, a mulher teve de abrir caminhos, conquistar espaços, mostrar seu valor. Já contei aqui a história da maratona feminina e, ao longo do mês, trarei outras histórias e contribuições de colaboradores que vão falar sobre o assunto.

Vocês conheceram aqui a história de Eleonora Mendonça. Acompanhem também as aventuras de outra pioneira, Carmen de Oliveira. Eu a entrevistei já há alguns anos, e nossa conversa foi publicada em meu site Atletismo, Cara e Coragem, que tem ainda outras entrevistas históricas. Se você prefere ir logo para o depoimento de Carmen, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00

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Mais estatísticas

Morto ao chegar

"A morte é sempre desagradável", ensina o poeta, completando: "Mas antes morrer ciente do que viver enganado".

Talvez não passe de poesia, mas, de qualquer forma, é um assunto como outro qualquer, que o leitor Gustavo Faria trouxe à baila, a partir do registro dos problemas de saúde dos corredores que participaram da maratona de Hong Kong.

Ele pergunta se são comuns as mortes de maratonistas, durante ou logo depois de uma prova.

A resposta é: são muito mais raras do que mortes eventuais de corredores diletantes ou os chamados "atletas de fim de semana", que passam os dias úteis no escritório, talvez em uma que outra noitada, e mandam ver no futebolzinho do sábado à tarde.

As estatísticas e as pesquisas variam, mas a tendência é consistente.

Dos 215.413 corredores que participaram das maratonas Marine Corp de 1976 a 1994 e Twin Cities, de 1982 a 1994, quatro (três homens, uma mulher) morreram durante a prova ou imediatamente depois. os homens sofreram ataque cardíaco, e a mulher também teve complicações no coração, mas ela já tinha problemas anteriores.

Dados posteriores colhidos pelos mesmos pesquisadores indicam risco de morte súbita de 1 para 220.000 corredores que completam a maratona. Outro estudo indicou uma taxa mais de 100% superior, de 1 para 100.000, com base na análise de dados de um período de 19 anos das maratonas de Londres e de Nova York.

É um índice muito menor, porém, do que o risco de morte súbita entre corredores recreativos (os chamados joggers), que é de 1 por 15.000, ou para a prática genérica de exercícios, de 1 por 18.000.

Todos esses dados que citei foram publicados na revista "Marathon & Beyond" de jan/fev deste ano.

E eu aproveito para lembrar que todo praticante de atividade física deve consultar o médico antes de começar um programa de exercícios, seja ele qual for. O ideal é que retornem anualmente e façam pelo menos o teste de esforço.

Quanto mais velho for o atleta, mais deve se cuidar, mas isso não significa carta branca para que os mais jovens façam o que lhes der na telha. Cuide-se e viva feliz.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h13

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Estatísticas

Os tempos dos quenianos

O leitor Alexadre Carvalho reclamou, justamente, que eu falei que o tempo do vencedor em Hong Kong era ruim, mas não dei elementos de comparação.

Bom, 2h17 é um tempo fraco, se você considerar as provas mais competitivas do mundo, e fraquíssimo para um maratonista de nível internacional, se você considerar que o recorde mundial, do queniano Paul Tergat, é de 2h04min55.

Para vocês terem uma idéia do nível dos 200 melhores corredores da história, que são donos das 400 melhoras marcas: em 2003, o queniano David Kiptoo correu Paris em 2h08min53. Chegou em sétimo lugar e seu tempo está no lugar número 382.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h14

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Hong Kong

Hong Kong

Poluição ameaçadora

Um homem está hospitalizado em situação crítica em Hong Kong, depois de ter corrido a maratona da superpoluída ilha chinesa neste domingo. Outras 34 pessoas tiveram de ser hospitalizadas, mas a maioria já foi liberada.

Isso que os níveis de poluição estavam de médios para alto, segundo o criticado índice local de medição de poluição.

No ano passado, quando o nível de poluição estava alto no dia da prova, uma pessoa morreu e 5.000 atletas foram atendidos nos hospitais locais.

Apesar disso, o presidente do comitê organizador da prova, William Ko, mandou bala contra especialistas que advertiram os corredores sobre o risco de participar da maratona na poluída cidade.

"Isso é negativismo", disse ele. "Nós somos positivos: aconselhamos os corredores a treinar melhor para a prova".

Com risco ou sem risco, 43.956 pessoas se alinharam para dar ao evento (maratona, meia e 10 km) um número recorde de participantes. A umidade relativa do ar, no início da prova, estava em 95%, com os termômetros marcando 25 graus Celsius.

Nem os quenianos conseguem fazer bom tempo nessa situação: Steven Loruo Kamar venceu em 2h17min03, e Rose Kembo Nyangacha dominou o campo feminino com 2h38min19.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54

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Fala, leitor

Lama endiabrada

No domingo passado, ocorreu a corrida da lama de Holambra, que chegou até a tela da Globo. Não fui, mas este blog teve um competente repórter improvisado na figura de Angel Domingos Zaccaro Conesa, economista de 52 anos que participa de corridas de rua há cerca de cinco anos. Ele não trouxe fotos, mas nos dá um vivo relato dos momentos emocionantes e divertidos que por lá passou. Vamos ao texto do Angel.

"Ninguém falou que seria moleza. CORRIDA DA LAMA! Também não falaram que seria assim. Nunca me diverti tanto em corridas. Essa foi a de numero 95 (oficial) da minha carreira e desde já eleita Top 10.

"O preço da inscrição, R$ 10,00, não prometia muito, mas decidi conhecer o tal circuito e mandei bala na inscrição. O mais correto seria: mandei barro.

"O ambiente soava familiar pois estávamos em uma pista de cavalos, com uma enorme piscina de lama vermelha no centro da pista. Uma "escada" de sacos de areia levava até o barral.

"Houve um pequeno atraso devido à brincadeira com as crianças, mas enfim tocou a corneta. Primeiro a turma dos 5K: percebi que a tal piscina de lama não só era grande como funda pois os caras vinham com barro até o peito.

"Depois de 20 minutos largou a turma dos 10 km (eu estava lá). Pouco antes da largada uma moça muito simpática chegou para mim e, depois de perguntar se era minha primeira vez, sugeriu que eu fosse sem óculos. Quando aleguei que não enxergava sem eles, ela advertiu: "Enxergarás menos com eles" .

'Larguei sem óculos.

"Primeiro, você corre mais ou menos 800m para então atravessar a piscina na frente da platéia. É o maior mico !

"A prova continua e você sai da vista da platéia para entrar numa fria, pois à sua frente surge uma fila indiana (parece coisa de guerrilha), que são os atletas andando com água pela cintura dentro de um lago com mais ou menos 100m e com solo arenoso misturado com barro.

"Continua a trilha de chão, sobe uma ladeirinha ao lado de uma parreira e aparece um fosso com mais de 1,5 m de profundidade. É água até o pescoço (ou quase).

"Agora desce um pequeno trecho de asfalto que parece o céu. Como é bom correr sem nada prendendo os pés.

"Acabou.

"Tome barro preto (parece chocolate), depois tome mais barro (parece tutu de feijão). Eu estou com fome, que passa ao ver o tamanho do nabo que nos espera: correr, melhor, andar por um rio que ao entrar tem até salva vidas com bóia amarrada em corda, parece coisa de cinema.

"Olho para o lado, dou uma risada e pulo. Afundei. Sobrevivi e atravessei entre troncos e lama e buracos aquáticos e cheiro de vaca e sei lá mais o quê.

"Mas ninguém reclamava. Todo mundo ria e se divertia.

"Eu briguei particularmente com um VETERANO B de Leme (esta foi a classificação dada pela organização para a minha faixa, embora eu achasse MASTER mais simpático) e um outro não sei da onde e foi nesse ponto, na segunda volta, que decidi ultrapassá-lo e consegui. Foi muito bom.

"Mais água suja, mais lama e um cara da organização com uma camiseta branquinha, limpinha, que observava os outros voluntários da organização que ajudavam os atletas a transporem os trechos mais complicados. Olhei para o voluntário e, pingando de lama, dei uma abraço, "carimbando" o peito do sujeito".

"Mais barro e, após passar três vezes pela piscina, completei os 10 km em 01h26. Foi incrível. Para completar, tinha ducha de água fria que, com o forte calor e a necessidade de tirar a lama do corpo, era muito convidativa.

"Tudo ia bem até que uma garota começou literalmente a tomar banho com sabonete e emperrou a fila. A galera começou a chiar, e a coisa ficou preta pois a jovem senhora começou a intencionalmente demorar. Teve que ouvir alguma gracinhas, que culminaram com gritos de "Limpinha! Limpinha!", quando se retirou do recinto.

"Dada a situação, tomei uma ducha rápida e corri para a chácara, onde, com escova, bucha e xampu tentei tirar os vestígios da lama vermelha.

"Só para o ouvido foram mais de dez cotonetes.

"Ano que vem, estarei de volta."

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h10

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Eleonora Mendonça

Eleonora Mendonça

A desbravadora

Ela conta nos dedos os dias em que ficou sem correr, desde os idos de 1972. E seus passos fizeram história, das ruas do Rio à pista do Coliseu de Los Angeles. Eleonora Mendonça foi a representante do Brasil na primeira maratona olímpica feminina, que ela, como corredora e militante, havia ajudado a tornar realidade (na foto, acena depois de participar da prova, em Los Angeles-84). Como empresária, fez deslanchar a maratona no Rio de Janeiro e organizou, em São paulo, a até então maior corrida feminina do mundo.

Hoje, aos 57 anos, está aposentada de sua vida de atleta e mestra (foi técnica e professora em universidades dos EUA por 20 anos), mas continua correndo diariamente pelas ruas e trilhas da praiana Cape Cod, nos EUA, de onde concedeu, por telefone, esta entrevista exclusiva.

Para melhor apresentação, dividi o texto em quatro trechos colocados em seqüência. No final, não deixem de ver também um anúncio dos anos 80, que ajuda a dar a dimensão da importância dessa militante do esporte e do feminismo, que neste mês é merecidamente homenageado.

Folha - Como você começou sua vida esportiva?

Eleonora - O esporte, para mim, foi, sempre foi e continua sendo uma parte importantíssima na minha vida, desde pequena, com apoio dos meus pais. Depois, sempre fui atleta do Fluminense. Nas escolas, sempre participei em esportes e na universidade também. Meu esporte foi muito diversificado: fiz voleibol, nadei, mas tênis foi aquela dedicação maior, primeira. Fui vice-campeã brasileira, participei de Sul-Americanos de Tênis. Foi uma curta, porém muito importante fase da minha vida.

Folha - Isso com que idade?

Eleonora - Joguei tênis desde os 12, 13 anos. Joguei muito aí em São Paulo, no Pinheiros. Foi uma época muito feliz. Até no meu último ano de universidade estava ativamente jogando tênis. Mas tive um acidente na universidade, estava fazendo educação física e ‘ferrei‘ o meu joelho. Naquela época, 40 anos atrás, não tinha muitos recursos. Então, fiquei debilitada para continuar naquele nível alto que eu estava buscando no tênis. Na mesma ocasião, quando eu estava terminando a faculdade, ganhei uma bolsa para os Estados Unidos para fazer mestrado em educação física. Isso foi em 1971/72.

Folha - E aí que você começou no mundo da corrida?

Eleonora - Em 1972, foi a época da Olimpíada de Munique. Eu acompanhei, fiquei muito impressionada com o evento, a ação terrorista. Ao mesmo tempo, por estar nos Estados Unidos, foi um evento muito glorioso para o país porque o Frank Shorter tinha ganho a medalha de ouro na maratona. Foi o início, como se diz, o estopim para o ‘boom‘ de corridas aqui nos Estados Unidos. Como eu estava aqui, comecei a correr.

Estava buscando uma alternativa para continuar envolvida no esporte. Quando você tem 22, 23 anos, a natação já não é uma alternativa, pois é uma idade em que a maioria dos nadadores está se aposentando. Mas, na corrida, o Frank Shorter naquela época tinha 25 anos. Eu falei: ‘Poxa, talvez seja o esporte em que eu possa buscar uma carreira‘.

Comecei a correr. Retornei ao Brasil depois de terminar o mestrado e continuei minhas corridas. No Fluminense, o técnico de atletismo Frederico Hottstacher, que foi durante muitos anos técnico de atletismo no Fluminense e da seleção brasileira, me chamou para correr. Ele iria me treinar para o sul-Americano de atletismo, onde iria haver pela primeira vez a prova de 1.500 metros feminino. Até então, 800 metros era a distância máxima para as moças.

Aceitei treinar e, após quatro meses, participei das eliminatórias em São Paulo, no clube Pinheiros. Foram alguns meses, dois, três, quatro meses e competi nessa prova, venci a prova abaixo de cinco minutos. Como estava sendo corrida pela primeira vez, a prova passou a ter minha marca como recorde brasileiro, com 4min58.

Gostei dessa experiência, corri mais um ano no Brasil a prova de 1.500 metros, depois retornei, em 74, aos Estados Unidos para retornar aos estudos em Direito e, ao mesmo tempo, tive uma oferta de trabalho.

Folha - Foi quando você começou na maratona?

Eleonora - Fui para Boston e, como você sabe, Boston é a meca de corridas, principalmente, corridas de longa distância, maratona. Comecei a expandir a minha experiência, o meu treinamento, além da pista, além dos 1.500 e 3.000 metros.

Comecei a treinar e competir em cross e, eventualmente, a pensar em correr a maratona.

Minha primeira experiência na maratona foi em 76 aqui mesmo em Boston. E, naquela época, como ainda acontece hoje, para participar da maratona de Boston tinha que se qualificar. Corri uma maratona três ou quatro meses anteriormente, aqui mesmo perto de Boston e corria maratona de Boston. Foi uma experiência excepcional...

Folha - Excepcional por quê? O que a maratona tinha?

Eleonora - Ah, porque eu estava treinando havia três, quatro, cinco anos em provas mistas, em provas de curta distância, e de repente entrei nesse treinamento e uma competição totalmente diferente. Para mim, marcou muito. Eu falei: ‘É aqui que eu quero ficar: treinando em maratona‘. Eu me encontrei em corridas de longa distância e corridas mais longas, como a maratona.

Folha - E como foi seu desempenho na prova?

Eleonora - Foi bom, foi muito bom. Eu cheguei, não me lembro agora, imagino nos dez primeiros lugares. Corri novamente em 77 e em 78. Este talvez, tenha sido o ano mais glorioso, eu não sei se é a palavra certa para mim, quando eu cheguei em sétimo lugar na maratona de Boston e em quinto lugar na maratona de Nova York. Esse quinto lugar em Nova York é ainda a melhor colocação de uma brasileira, com 2h48min45.

Esse tempo, naquela época, me colocou entre as 15 melhores do mundo e me levou a outros eventos na Europa, no Japão.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h46

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Eleonora Mendonça - parte 2

Eleonora Mendonça - parte 2

Quebrando tabus

Folha - Nesse período, você estava competindo profissionalmente?

Eleonora - Naquela época, eu estava trabalhando na fábrica de calçados esportivos New Balance. Naquela época, a empresa estava sentindo que a corrida estava tendo um boom. Numa atitude muito capitalista, muito empresarial dos Estados Unidos em geral, e, principalmente, de Boston, as firmas davam esse apoio para quem tinha talento. Ofereciam a oportunidade para o atleta trabalhar e, ao mesmo tempo, ajudar essas firmas a se desenvolverem nesse mercado. Ofereciam tempo para viagens, competições e treinamentos. Então, foram três anos de desenvolvimento muito fértil.

Folha - Você conseguia até competir no Brasil...

Eleonora - Em 76, fiquei ciente de que a São Silvestre, no ano anterior, em 75, tinha aberto para corredoras. Eu entrei em contato com a organização da São Silvestre e fui competir. Foi o primeiro ano que eu competi na São Silvestre e continuei competindo até 88. Tirei em segundo lugar em 78, quinto, lugar, sétimo lugar, subi duas ou três vezes ao pódio, naqueles primeiros anos.

Nessa época, eu via uma diferença muito grande no desenvolvimento que estava ocorrendo nos Estados Unidos e a falta de desenvolvimento ou então essa parada, essa estagnação no Brasil em relação à corrida. Então, eu resolvi trabalhar, iniciar um movimento de base, para ver se o povo, eu pudesse ajudar esse movimento de corrida no Brasil.

Soube que, no Rio, havia uma corrida de veteranos e, como eu estava trabalhando ainda para a New Balance, levei para o Brasil alguns calçados, algumas roupas da New Balance para oferecer como prêmio e foi muito bem recebido. O Yllen Kerr, eu o Paulo César Teixeira resolvemos abrir uma firma para tocar esse movimento para frente e o nome da firma era Printer.

Folha - Printer?

Eleonora - Printer - Promoções Internacionais. Em 78, nós fizemos a primeira corrida, em junho de 78, a Corrida de Copacabana. Depois o movimento começou a crescer, fizemos corridas para veteranos, corridas para crianças.

Entrei em contato com a Avon, que, naquela época, nos Estados Unidos estava fazendo o circuito de corridas femininas. Convenci a Avon a estender o circuito feminino para o Brasil e levamos esse circuito para o Brasil (na foto, Eleonora no segundo lugar, no pódio, em uma corrida Avon no Brasil).

Começamos pelo Rio de Janeiro e dois anos depois fizemos a maior corrida feminina do mundo. Foi realizada aí no Ibirapuera, em 1984, com mais de 5.000 atletas. Foi um sucesso incrível.

Além de corridas, confeccionamos roupas de corridas que, naquela época, não existiam no Brasil. E começamos a publicação da primeira revista de corrida no Brasil, chamada ‘A Corrida‘.

Creio eu que esse passo inicial que nós demos ajudou a despertar nas pessoas esse gosto, essa forma de viver, de integrar a atividade física no dia-a-dia de cada um.

Ao mesmo tempo que eu estava trabalhando nesse programa de desenvolvimento, eu continuava competindo nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, mas estava faltando uma coisa.

Eu estava bem resolvida na maratona, que foi uma experiência muito valiosa e onde eu estava concentrando minhas energias, mas faltava a maratona nas Olimpíadas. O sonho de todo atleta é almejar aquela competição máxima. Quando você é tenista você almeja jogar em Wimbledom. Você é um atleta, sonha com as Olimpíadas e não havia maratona olímpica feminina.

Folha - Qual era a justificativa para que não houvesse?

Eleonora - Havia uma mentalidade antiga no Comitê Olímpico Internacional, que achava que as mulheres não tinham capacidade. Aqueles tabus de que a corrida longa, essa batida, essa pressão traria danos para o sistema interno feminino.

Foi por isso que nós, da comunidade intelectual não só americana mas também internacional, estávamos tentando mudar um pouco essa mentalidade do Comitê Olímpico.

No final dos anos 70, foi criado o IRC - International Runners Committee, com representantes do mundo inteiro, não só na área de atletismo mas esportistas em geral, especialistas da área médica, da psicológica, para fazer estudos e levar ao Comitê Olímpico para mostrar que o que eles pensavam não era exatamente a realidade. Em 79, eu fui eleita presidente desse comitê.

Nós lutamos muito, buscando dados e estudos para provar que a mulher tinha condição de correr a prova de longa distância.

Em 81, o Comitê Olímpico, finalmente, aprovou não só a maratona mas também os 3.000 metros feminino na Olimpíada.

Para mim, foi uma vitória muito grande, através do esforço não só meu mas de vários colegas na parte do esporte, na parte médica, psicológica, de várias áreas, foi uma vitória muito significativa.

A primeira maratona olímpica seria a de 84, em Los Angeles. Então, desse marco de 81, comecei a redirecionar minhas energias, meu tempo para ver se eu conseguia fazer a marca para participar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h40

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Eleonora Mendonça - parte 3

Eleonora Mendonça - parte 3

Caminho suado

Folha - Como o Brasil selecionou seu representante?

Eleonora - Acho que a decisão pegou o Brasil muito despreparado. A CBAt, creio eu, não tinha uma norma de como iria se exibir, iria representar. Eles, inclusive, ficaram muito vagos se, realmente, iam mandar uma representante para as Olimpíadas. Em 1983, haveria o Campeonato Mundial, e dentro dos meus planos era me qualificar para o Mundial, já em preparação para a Olimpíada, que seria realizada no ano seguinte.

Entrei em contato com a CBAt para saber qual seria o critério para eu me qualificar para o Mundial, e eles também não tinham estabelecido nenhum critério.

Por causa dessa atitude vaga, eu participei da eliminatória para o Campeonato Mundial nos Estados Unidos, tentando, pelo menos, se eu me qualificasse e fizesse um bom tempo aqui nos Estados unidos, talvez, demonstrasse para eles que eu tinha as qualidades para poder representar o Brasil. A eliminatória foi em Los Angeles fiz abaixo de três horas.

Dois dias depois de participar dessa maratona, recebo uma comunicação de Hélio Babo, presidente da CBAt, dizendo que a seletiva brasileira seria a maratona Atlântica Boa Vista, no Rio de Janeiro, um mês depois...

Folha - Você teria apenas uma mês...

Eleonora - Naquela altura, eu não podia nem questionar, acho que as energias eram mais para poder me recuperar. Fui para o Rio, corri a maratona, venci a maratona, mas...

Naquela época, não tinha ninguém assim de muito nome, porque em 83 ainda estão começando, a maratona era um nenê, principalmente, na parte feminina. Eu corri, mas, infelizmente, apesar dos dois resultados, eles acharam uma forma e aleatoriamente disseram que com o meu tempo eles não iriam me enviar.

Folha - Eles decidiram não mandar representante para o Mundial de Helsinque, foi isso?

Eleonora - Exatamente. Fiquei muito decepcionada. Quando a CBAt não oficializou, foi uma decepção. Foi, talvez, uma das maiores decepções que eu tive, mas não foi por isso que eu parei, que eu deixei de lutar. Acho que aí me deu mais forças ainda para continuar lutando.

Folha - O que você fez?

Eleonora - A maratona que serviu como eliminatória tinha apoio do "Jornal do Brasil", que, apesar de eu ter sido recusada, me enviou para Helsinque para, pelo menos, eu fazer parte desse evento. Infelizmente, não como atleta, como eu gostaria.

No correr do ano, fiquei em contato com a CBAt para saber qual seria o critério de seleção para a Olimpíada. Finalmente, em abril de 1984 (os Jogos seriam em julho/agosto), eles disseram que, novamente, a Atlântica-Boa Vista, com o apoio do ‘JB‘, seria eliminatória. Então, eu fui, participei da corrida, venci em 2h54, se não me engano, ou 56min. O Elói Schleder venceu na parte masculina. Mesmo assim, a CBAt ficou muito indecisa de me enviar.

Folha - Ela ficou indecisa com base em quê?

Eleonora - A única razão que pode ser é que o papel deles não estava sendo cumprido e sim, através da Printer, que eu estava levando. E o "Jornal do Brasil", vendo que já era a segunda vez que a CBAt não endossava uma competição em que eles tinham investido muito dinheiro, eles estavam se sentindo, também, prejudicados. Fizeram pressão para a CBAt tomar uma decisão e, finalmente, duas semanas depois dessa prova, eles levaram a vencedora da eliminatória para a Olimpíada. Então, foi suado, foi suado esse caminho todo para chegar até Los Angeles.

Folha - E como foi Los Angeles?

Eleonora - Foi uma vitória profissional, pessoal e desportiva enorme, foi uma realização magnífica. Uma experiência indescritível (na foto, a chegada no Coliseu de Los Angeles).

Folha - O que você lembra do dia da maratona olímpica?

Eleonora - O dia em si foi um dia muito quente e úmido também. Creio que eram 60 as participantes, mas de 12 a 15 desistiram da prova. As condições em Los Angeles, naquele dia, estavam muito desfavoráveis...

Folha - Todos se lembram da figura de Grabriela Andersen chegando...

Eleonora - Ela já tinha tido problemas semelhantes anteriormente, uma questão dela mesma. São pessoas que são assim mais suscetíveis a temperaturas mais baixas ou temperaturas mais altas. Naquela época, ela estava morando Idaho, que é um Estado do norte dos Estados Unidos, muito frio e muito bonito. Ela já tinha tido esse problema em outros eventos, não vou dizer exatamente a maratona.

Eu estive com ela naquela tarde mesmo porque o Brasil ficou no mesmo alojamento da Suíça. Nos ficamos no campus da Ucla, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, onde ficaram as delegações menores. As maiores, como EUA e Canadá, ficaram no campus da U.S. University of California.

Então, eu já a conhecia e conversei com ela depois, ela já estava bem. É sempre um momento para impressionar, mesmo para quem não conhece. É um momento assim meio terrível, mas, graças a Deus, ela se recuperou bem.

Folha - E como você se sentiu?

Eleonora - Foram duas semanas de emoções. Não posso nem descrever o momento. O que eu estava sentindo ali era o fruto de trabalhos de anos não só como atleta, mas como uma pessoa que lutou para que esse evento pudesse ser realizado.

Não tem uma maneira de descrever. São sentimentos, sentimentos são difíceis de descrever. Quanto mais profundo, mais difícil fica. Mas, não resta dúvida que foi o clímax, os dias mais gloriosos...

O que vale é a competição, vale aquele evento, aquela corrida, mas a maior satisfação é o treinamento que veio por trás, o esforço todo. É essa parte que vai te levar à frente. Então, valeu o movimento. Quando eu atravessei a linha de chegada, foi aquela alegria, entendeu? Estou em felicidade total.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h29

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Eleonora Mendonça - final

Eleonora Mendonça - final

Corrida, eu recomendo

Folha - A participação olímpica teve algum impacto posterior na sua carreira ou na sua atividade esportiva de modo geral?

Eleonora - Teve. Logo após a Olímpiada, não só eu como todas as outras mulheres abriram um caminho muito grande. Os eventos aumentaram, os convites também, por causa das firmas, as empresas, estavam vendo que abriu uma outra visibilidade., Até os telespectadores, as pessoas estavam muito cientes de que esse evento é um evento bonito, um evento diferente, e as mulheres estão agora correndo como os homens.

Folha - Depois disso, você continuou competindo?

Eleonora - Continuei participando de outras provas, não só de maratonas, mas corridas de meia distância. Sempre meia distância e longa distância e nunca mais voltei para a pista.

Eu fiquei de olho para a Olimpíada de 88, em Seul.

No ano anterior, teve o Mundial em Roma. A CBAt já estava um pouco mais organizada e o critério era o melhor tempo brasileiro em qualquer maratona até 30 de junho.

Eu participei de uma maratona aqui nos Estados Unidos, fiz o melhor tempo de uma brasileira naquele ano, mas no dia seguinte baixaram meu tempo, nem me lembro quem foi (NR.: A representante brasileira na maratona do Mundial de 1987 foi Angélica de Almeida, que não completou a prova).

Aí eu voltei, bom, como atleta: levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Tratei de treinar mais, treinar mais forte.

Em abril de 88, papai faleceu. Foi uma passagem muito difícil para mim porque os dois, meu pai e minha mãe, deram uma força muito grande na minha vida profissional, atlética, mas muito próxima. E daí eu deixei de almejar a Olimpíada.

Continuei treinando, mas aos poucos fui deixando a parte de competição atlética. Comecei a me dedicar à parte profissional, deixei a Printer também e comecei a passar mais tempo aqui nos Estados Unidos. Fui técnica de atletismo numa universidade, a Simmons, passei 20 anos como técnica. Também dei aulas em Cambridge, então é isso.

Folha - E hoje?

Eleonora - Hoje corro todos os dias. Eu posso contar, acho que nas duas mãos quantos dias eu deixei de correr desde 1972. Há uns anos atrás eu diria uma mão só, mas agora... Foram poucos os dias, uns dois ou três dias na época da morte do meu pai e mais alguns. Antigamente, a gente corria no próprio aeroporto. A corrida faz parte e creio eu vai sempre fazer parte do meu dia-a-dia (na foto, ela corre com o logotipo de sua empresa de então, em uma prova em Copacaba, em 1983).

Folha - Você faz parte de um clube de corridas?

Eleonora - Exato. Esse clube foi o primeiro com que eu entrei em contato quando eu cheguei a Boston, em 1974. É o CSU, Cambridge Sports Union. Eles me acolheram de forma excepcional, me deram uma força incrível. Logo que eu comecei a despontar como atleta, eles me enviaram para a Alemanha, na primeira maratona feminina internacional.

Folha - Em Waldniel...

Eleonora - Exatamente, ela foi organizada pelo Dr. Van Aaken. Ele era um corredor e sofreu um acidente. Quando estava treinando, numa noite, foi atropelado por um carro e ficou paralítico. Com o dinheiro do seguro, ele organizou essa corrida. Ele sempre foi um grande apoiador do esporte e das mulheres. Foi o treinador da Christa Valensieck, que venceu a primeira São Silvestre feminina, em 75.

Bem, hoje continuo sócia do clube. Em 2002, eles me colocaram no Hall da Fama, foi uma homenagem muito bacana.

Folha - E profissionalmente?

Eleonora - Bom, agora, depois de 20 anos, me aposentei lá de Cambridge, da universidade. A palavra aposentada significa deixar um trabalho do qual você depende para fazer um trabalho que você gosta. Então, eu estou trabalhando com investimentos imobiliários e no meu tempo livre eu sou voluntária da Cruz Vermelha americana e de outras instituições aqui.

Folha - Para terminar: que mensagem você daria a mulheres que estão pensando em começar a correr ou fazer algum tipo de atividade física?

Eleonora - Eu acho que todo início de atividade física é um pouco difícil, mas os valores, os resultados são tão grandes, que nós, ainda agora, não temos idéia da extensão desses benefícios atléticos.

As mulheres de 20, 30 anos, que participam ativamente da vida profissional, para elas a atividade física é importantíssima para manter uma qualidade de vida saudável.

Não só para as mulheres, para os homens também. Mas os homens já tiveram essa oportunidade e já têm essa oportunidade há muito mais tempo. Eu acho que as mulheres deveriam tentar incorporar qualquer atividade física, não precisa ser a corrida.

A corrida, logicamente, é muito mais livre, muito mais independente, você não depende de ninguém e de nada. Você coloca o tênis, não importa qual a roupa que você vista.

Coloca o tênis e é só abrir a porta, a qualquer hora do dia, em qualquer lugar. Essa independência ajuda muito na escolha da corrida como atividade física. Eu recomendo as pessoas tentarem.

Não é fácil, é preciso uma orientação profissional para facilitar esse trânsito para uma atividade não mais confortável, mas mais bem recebida porque os benefícios são enormes, são imensuráveis.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h24

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Eleonora Mendonça

Eleonora Mendonça

Memória

Esse anúncio, publicado nos anos 80 nos Estados Unidos, ajuda a dar uma dimensão do trabalho realizado pelo Comitê Internacional de Corredores (IRC, na sigla em inglês), que foi presidido por Eleonora Mendonça.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h17

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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