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Gordos e magros
Mais um estudo médico dá um cacete na tal fórmula do Índice de Massa Corporal, estabelecido pela divisão do peso pelo quadrado da altura. O índice, aponta a pesquisa, não é preciso como padrão para estabelecer a quantidade de gordura.
Pesquisadores da Michigan State University e da Saginaw Valley State University calcularam o IMC de mais de 400 universitários, incluindo atletas. Constataram que, na maioria dos casos, o índice não refletia a percentagem de gordura no corpo.
Índice de massa corporal de 25 a 30 é considerado sobrepeso; acima de 30, obesidade. Quem tem IMC maior supostamente apresenta mais risco de doenças cardíacas.
A questão é que a fórmula é aplicada generalizadamente, para uma criança, um atleta ou um idoso. Por isso, "o IMC deve ser usado com cautela para definir sobrepeso e obesidade, especialmente em pessoas em idade universitária", afirma Jim Pivarnik, professor da MSU.
Além disso, apesar de usado para indicar gordura, o IMC não faz distinção entre massa muscular e massa gorda: tudo é peso que entra na tal fórmula. A resposta poderia ser a criação de vários padrões, adaptados a diferentes públicos, acredita o professor.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h08
Cada um é um
É muito educativo o resultado de um estudo sobre as características do treinamento dos corredores qualificados para disputar uma vaga no time de maratonistas olímpicos dos EUA. O trabalho sai publicado na edição deste mês do "International Journal of Sports Physiology and Performance".
Basicamente, o trabalho, que entrevistou candidatos às vagas olímpicas de 2004, não chega a conclusão geral alguma, a não ser que não dá para estabelecer que determinada forma de treino é melhor ou mais aceita do que outras.
Feita com maratonistas com tempos melhores ou iguais a 2h15 (homens) e 2h40 (mulheres), a pesquisa verificou que um grande número dos atletas de elite treina sem técnico: 49% dos homens e 31% das mulheres cuidam de sua própria preparação.
"Isso é uma anomalia entre atletas de elite, capazes de disputar uma vaga na Olimpíada", afirma o autor do estudo, Jason Karp, doutorando da Indiana University.
No que se refere ao volume de treinamento, os homens fazem quilometragem semanal maior do que as mulheres. Rodam em média 145 km por semana, chegando a um pico pouco acima de 190 km; as mulheres rodam em média 11 1 km semanais, com pico de 146 km semanais.
Em média, os homens correm nove vezes por semana, e as mulheres, sete.
A maior parte do treinamento era de corridas longas de baixa intensidade; os homens, por exemplo, fazem 75% de seus treinos com ritmo inferior ao de prova.
A pesquisa encontrou relações entre os tempos de maratona e o desempenho em 5 km, 10 km e meia-maratona, para homens e mulheres.
Escrito por Rodolfo Lucena às 14h51
Como domar dragões
O leitor Eduardo Toledo escreveu sugerindo que a gente discutisse um pouco aquela tremedeira geral que dá antes de uma prova. Há quem não durma na noite anterior, outros que não param de ir ao banheiro, outros que procuram seguir um metódico ritual que chega a ter algo de doentio de tão obssessivo. Procurei então a psicóloga e professora da USP Kátia Rubio, que coordena o curso de psicologia do esporte do Instituto Sedes Sapientia. Ela, que é autora de vários livros (por exemplo: "O Atleta e o Mito do Herói", ed. Casa do Psicólogo), produziu um texto especial para este blog. Vejamos o que Kátia nos ensina.
"Recentemente fiz uma pesquisa com atletas medalhistas olímpicos brasileiros e me chamou atenção a forma como vários deles lidaram com situações traumáticas e dramáticas em suas carreiras. Isso porque a psicologia do esporte é um fenômeno de aplicação recente no esporte no esporte brasileiro, muito embora haja relatos de seu uso desde os anos 1950.
"Diante da falta de conhecimento específico na área, vários atletas fizeram uso de sua intuição e imaginação para poderem lidar com situações desconfortáveis, ou mesmo aversivas, em treinos e competições.
"Curiosamente, a situação mais comum relatada por esses atletas é a ansiedade vivida antes, durante e depois da prova. Não é curioso pensar que mesmo depois de terminada a competição o sujeito não consiga ainda se "desligar da tomada"? Pois é.
"Joaquim Cruz, por exemplo, se refere à ansiedade como um dragão. Não um daqueles de escamas cor de madrepérola e olhos cor de rubi, como o Fuchur de "História sem Fim", mas como o terrível e gosmento Smaug, de "O Hobbit", que dorme com um dos olhos abertos sobre uma montanha de jóias roubadas nos vários saques efetuados ao longo de sua existência centenária.
"Monstros como esses quase nunca nos acompanham em nossos momentos de vigília, mas eles nos perseguem quando precisamos estar com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Isso porque na sociedade ocidental em que grande parte de nós, que leremos esse texto, vivemos, não tivemos uma educação voltada para o controle do pensamento, também chamada no esporte de concentração.
"O que é se concentrar? É manter a atenção dirigida a um foco específico. Ao fazermos isso mandamos os pensamos indesejados dar um passeio.
"A ansiedade pré e pós-competitiva pode se manifestar como a incapacidade de se desfazer de pensamentos indesejados que nos vêm à mente em forma de imagens, que podem ser reforçadoras ou aversivas.
Por exemplo, na noite que antecede uma prova, ou na noite subseqüente à competição –caso seja uma prova noturna--, é muito difícil deixar de pensar no que vai acontecer ou que já aconteceu. Dependendo da estrutura psíquica de cada atleta, essas imagens podem ser de vitória ou de derrota.
"Como então domar esse dragão que dorme com um dos olhos abertos?
"Uma das estratégias adotadas por Joaquim Cruz era, deliberadamente, em estado de vigília, fazer várias vezes a prova mentalmente.
"Ele procurava uma posição confortável, com um ambiente agradável (pode fazer uso ou não de música, bem ventilado, com pouca ou muita luz, dependendo do que você entende por conforto) e criava mentalmente a prova, desde o momento do aquecimento, a largada, o enfrentamento dos principais adversários, os momentos finais da prova e a chegada.
"Essa pode ser uma forma de transformar um dragão em um gatinho que lá de manso, que pode ser um grande companheiro.
"Bons treinos e boas provas."
Escrito por Rodolfo Lucena às 14h32
Dia Internacional da Mulher
Leitora amiga, salve, salve!
Este blog saúda todas as mulheres do mundo nesta data, que é de festa e de luta.
Nasceu, afinal, como homenagem a grevistas que reivindicavam a redução da jornada de trabalho feminina de 14 para dez horas e o direito à licença-maternidade, no século 19, em Nova York, Estados Unidos da América.
A greve foi violentamente reprimida e, no dia 8 de março de 1857, 129 operárias morreram queimadas em conseqüência de uma ação da polícia.
Para saber mais sobre a data, leia AQUI. A Folha publica hoje um caderno especial sobre a mulher, que assinantes da Folha e/ou do UOL podem ler AQUI. Para o público em geral, a Folha Online também organizou um especial, que você acessa AQUI.
No esporte, como em quase todas as áreas, a mulher teve de abrir caminhos, conquistar espaços, mostrar seu valor. Já contei aqui a história da maratona feminina e, ao longo do mês, trarei outras histórias e contribuições de colaboradores que vão falar sobre o assunto.
Vocês conheceram aqui a história de Eleonora Mendonça. Acompanhem também as aventuras de outra pioneira, Carmen de Oliveira. Eu a entrevistei já há alguns anos, e nossa conversa foi publicada em meu site Atletismo, Cara e Coragem, que tem ainda outras entrevistas históricas. Se você prefere ir logo para o depoimento de Carmen, clique AQUI.
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00
Morto ao chegar
"A morte é sempre desagradável", ensina o poeta, completando: "Mas antes morrer ciente do que viver enganado".
Talvez não passe de poesia, mas, de qualquer forma, é um assunto como outro qualquer, que o leitor Gustavo Faria trouxe à baila, a partir do registro dos problemas de saúde dos corredores que participaram da maratona de Hong Kong.
Ele pergunta se são comuns as mortes de maratonistas, durante ou logo depois de uma prova.
A resposta é: são muito mais raras do que mortes eventuais de corredores diletantes ou os chamados "atletas de fim de semana", que passam os dias úteis no escritório, talvez em uma que outra noitada, e mandam ver no futebolzinho do sábado à tarde.
As estatísticas e as pesquisas variam, mas a tendência é consistente.
Dos 215.413 corredores que participaram das maratonas Marine Corp de 1976 a 1994 e Twin Cities, de 1982 a 1994, quatro (três homens, uma mulher) morreram durante a prova ou imediatamente depois. os homens sofreram ataque cardíaco, e a mulher também teve complicações no coração, mas ela já tinha problemas anteriores.
Dados posteriores colhidos pelos mesmos pesquisadores indicam risco de morte súbita de 1 para 220.000 corredores que completam a maratona. Outro estudo indicou uma taxa mais de 100% superior, de 1 para 100.000, com base na análise de dados de um período de 19 anos das maratonas de Londres e de Nova York.
É um índice muito menor, porém, do que o risco de morte súbita entre corredores recreativos (os chamados joggers), que é de 1 por 15.000, ou para a prática genérica de exercícios, de 1 por 18.000.
Todos esses dados que citei foram publicados na revista "Marathon & Beyond" de jan/fev deste ano.
E eu aproveito para lembrar que todo praticante de atividade física deve consultar o médico antes de começar um programa de exercícios, seja ele qual for. O ideal é que retornem anualmente e façam pelo menos o teste de esforço.
Quanto mais velho for o atleta, mais deve se cuidar, mas isso não significa carta branca para que os mais jovens façam o que lhes der na telha. Cuide-se e viva feliz.
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h13
Os tempos dos quenianos
O leitor Alexadre Carvalho reclamou, justamente, que eu falei que o tempo do vencedor em Hong Kong era ruim, mas não dei elementos de comparação.
Bom, 2h17 é um tempo fraco, se você considerar as provas mais competitivas do mundo, e fraquíssimo para um maratonista de nível internacional, se você considerar que o recorde mundial, do queniano Paul Tergat, é de 2h04min55.
Para vocês terem uma idéia do nível dos 200 melhores corredores da história, que são donos das 400 melhoras marcas: em 2003, o queniano David Kiptoo correu Paris em 2h08min53. Chegou em sétimo lugar e seu tempo está no lugar número 382.
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h14
Hong Kong
Poluição ameaçadora
Um homem está hospitalizado em situação crítica em Hong Kong, depois de ter corrido a maratona da superpoluída ilha chinesa neste domingo. Outras 34 pessoas tiveram de ser hospitalizadas, mas a maioria já foi liberada.
Isso que os níveis de poluição estavam de médios para alto, segundo o criticado índice local de medição de poluição.
No ano passado, quando o nível de poluição estava alto no dia da prova, uma pessoa morreu e 5.000 atletas foram atendidos nos hospitais locais.
Apesar disso, o presidente do comitê organizador da prova, William Ko, mandou bala contra especialistas que advertiram os corredores sobre o risco de participar da maratona na poluída cidade.
"Isso é negativismo", disse ele. "Nós somos positivos: aconselhamos os corredores a treinar melhor para a prova".
Com risco ou sem risco, 43.956 pessoas se alinharam para dar ao evento (maratona, meia e 10 km) um número recorde de participantes. A umidade relativa do ar, no início da prova, estava em 95%, com os termômetros marcando 25 graus Celsius.
Nem os quenianos conseguem fazer bom tempo nessa situação: Steven Loruo Kamar venceu em 2h17min03, e Rose Kembo Nyangacha dominou o campo feminino com 2h38min19.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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