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Morte no deserto
O corredor francês Bernard Jule, 49, que participava da Marathon des Sables, uma das mais difíceis e exigentes ultramaratonas do mundo, foi encontrado morto em sua tenda na manhã de quinta-feira em Jebl Kfiroune, sudeste do Marrocos.
Ele foi encontrado por seus companheiros de tenda. O corpo foi levado de helicóptero para um hospital em Errachidia, onde a causa da morte foi determinada: ataque cardíaco.
A prova de 243 quilômetros era liderada pelo eneacampeão Lahcen Ahansalca, corredor marroquino que seguia firme para sua décima vitória.
Para ficar no tema tétrico: também na quinta-feira, mas nos Estados Unidos, um jovem corredor morreu depois de ser atingido por um raio. O acidente aconteceu na pista de atletismo pouco antes do início de uma competição escolar em que Corey Williams, 18, iria participar.
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h36
Boston, fora da Terra
A comandante Suni Williams vai correr uma maratona totalmente amarrada com cordas de bungee jump, vestida com quilos de roupas e sozinha. Ela estará no espaço, a bordo da estação espacial internacional que orbita a Terra a 210 milhas (cerca de 336 quilômetros do planeta).
A nave cobre os 42,2 quilômetros da maratona em 5,4 segundos, mas Williams vai ter de suar bastante para completar a distância, pois vai correr numa esteira especialmente preparada para ela, que vai participar, no espaço, da maratona de Boston no próximo dia 16. Tem até número de peito e, quando voltar à Terra, haverá uma medalha esperando por ela.
Como se sabe, para participar da mais antiga maratona do planeta é necessário se qualificar. A astronauta conseguiu o feito aqui mesmo na Terra, em janeiro último, quando completou a maratona de Houston em 3h29min57. Sua irmã, Dina Pandya, também obteve a vaga e inscreveu as duas na mesma hora.
Por causa das marchas e contramarchas dos vôos espaciais, Williams, 41, estará no espaço no dia da prova, quando 24 mil corredores se alinharão para iniciar a edição número 111 da maratona de Boston.
Com os horários malucos do espaço, ela não sabe se conseguirá correr a prova na mesma hora que os atletas do planeta, mas seguramente pretende fazer a distância no mesmo dia.
Para conseguir correr na esteira, terá de ficar toda amarrada, por causa da gravidade nula (ou quase, para não ferir os ditames científicos).
Os equipamentos fazem parte do mobiliário padrão da espaçonave, pois a Nasa (que forneceu as fotos desta página, distribuídas pela AP) exige que os astronautas se exercitem mesmo no espaço. Os arreios vão pesar depois de um certo tempo, mas ela terá de lidar com isso.
Mas não terá alguns pequenos benefícios terrenos: "Vou sentir falta de um banho quente", disse Williams.
Escrito por Rodolfo Lucena às 09h48
O tofu de Lewis
O supercampeão e ex-recordista mundial Carl Lewis, que já sofreu até acusações de uso
de substâncias ilegais, agora virou garoto-propaganda de alimentação
natural.
O vídeo a seguir está em inglês, mas dá mesmo quem não entende
vai perceber que ele considera que a alimentação light ajuda a viver melhor e a
ter melhor performance atlética.
Para mim, a carne é imprescindível...
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h02
Praga
Encha os olhos

Vejam só que bela imagem: as cores dos corredores cruzando a ponte Carlos durante a meia-amaratona de Praga, no domingo passado. (Foto Martin Kozak/AP/CTK)
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h05
Dicas de treinamento
Musculação - certo e errado
Está acontecendo nos Estados Unidos o 11º Congresso de Saúde e Boa Forma do American College of Sports Medicine. Teses, pesquisas, palestras e um monte de novos produtos são apresentados no evento.
O especialista em musculação e boa forma Len Kravitz, por exemplo, fez uma palestra em que afirmou que o treinamento de resistência (em oposição, por exemplo, à musculação para hipertrofia) tem efeitos favoráveis na força e resistência musculares, no sistema cardiovascular e no bem-estar psicossocial em geral.
E apontou coisas que devem e que não devem ser feitas nos treinos.
FAÇA:
1. Alongamentos imediatamente depois de alguma atividade aeróbica, quando os músculos ainda estão aquecidos, o que aumenta a flexibilidade e pode ajudar a prevenir lesões (falo eu: sempre ouço os técnicos recomendarem extremo cuidado nesses alongamentos, pois o próprio fato de os músculos estarem aquecidos pode levar a um abuso, com conseqüências danosas).
2. Aquecimento antes de trabalhar com pesos. Suas musculatura precisa de tempo para se adaptar ao exercício.
3. Desaqueça. Depois do exercício, mesmo musculação, dê um tempo para sua freqüência cardíaca baixar. Caminhe sem sair do lugar ou alongue-se.
NÃO FAÇA
1. Levantamento de mais peso do que você efetivamente pode suportar. O aumento gradual e progressivo da resistência é mais seguro e eficiente.
2. Exercícios com muita intensidade. As lesões acontecem quando as pessoas exageram, fazendo muito esforço com alta intensidade.
3. Musculação "aos soluços", dando trancos para levantar o peso. Se você precisa fazer isso, provavelmente está exagerando e corre o risco de se lesionar.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h28
Desistências em penca
No balanço geral, 82 corredores foram forçados pelo calor a cair fora da provas que disputaram durante o Mundial de Cross-country em Mombaça, Quênia, no sábado passado.
Isso representa cerca de 18% do total dos participantes das quatro corridas (masculino e feminino juniores e adultos).
O etíope Kenenisa Bekele, supercampeão e recordista, que até então parecia imbatível, foi derrubado por problemas estomacais. Depois da prova, ele revelou como sucumbiu ao calor: "De repente, percebi que minha coordenação não estava boa, que eu estava ficando tonto. Cheguei mesmo a ficar confuso sobre quantas voltas ainda precisava percorrer. Eu senti que perdia toda a minha energia. Eu ficava cada vez mais lento e sentia que estava perdendo controle sobre meu corpo e minha mente. Foi por isso que decidi abandonar a prova".
Especialmente na prova das mulheres mais jovens, aconteceram vários desmaios (como você já viu neste blog) e 20 das 87 participantes não terminaram a corrida.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h25
Primeiras impressões

Creation 8
Acabo de testar o Creation 8, que a Mizuno está lançando agora no Brasil para corredores com pisada neutra ou supinada.
Trata-se de uma verdadeira evolução em relação ao Creation 7, mas também mantém os problemas da linha (e acho que dos produtos Mizuno em geral).
O modelo novo é bem mais bacana que o anterior. O design é mais agressivo, e a combinação de cores tem mais impacto. É bem verdade que havia alguns modelos do Creation 7 com cores sólidas que eram muito legais também (e o verde-amarelo é muito simpático).
Bom, mas a principal mudança é no sistema de amortecimento. As estruturas ovais no calcanhar (entre a "onda" plástica e a sola propriamente dita) estão maiores, mais altas e mais alongadas, o que me deu impressão de mais balanço (na foto do alto, o Creation 8 é o da direita).
Há mais conforto no calcanhar. Parece que a Mizuno alargou um pouco a estrutura: ali, o Creation 7 fica justo, enquanto o 8 ficou um pouco folgado, exigindo uma amarração mais cuidadosa.
O novo modelo também está um pouco mais flexível, mas mantém a característica de "dureza" que marca os tênis da Mizuno. Fiz treinos de até 15 quilômetros. Acho que, em distâncias maiores, há risco de aumentar bastante o desconforto na parte da frente do pé.
Esse, por sinal, é um problema dos dois modelos: o amortecimento é relativamente bom no calcanhar, mas insuficiente na parte da frente (outras fabricantes já estão dando mais atenção a essa área). Tenho a impressão de que houve uma pequena evolução do Creation 7 para o 8 nesse terreno, mas nada muito notável.
Outro ponto duvidoso é o solado. Corri muito bem no asfalto do Ibirapuera, mas bastou passar por áreas mais úmidas para sentir o tênis perder a aderência. A sensação se repetiu em terreno de chão batido.
Claro que há lugares que são escorregadios para qualquer tênis comum, mas a reação do Creation 8 me pareceu exagerada (o Glycerin 4, da Brooks, também não se sai muito bem em terreno escorregadio).
Em resumo, é um tênis mais confortável e flexível que o modelo anterior, mas manteve os principais defeitos da linha.
E outra coisa: não confio muito naquelas estruturas ovais tão grandes. Só de olhar parece que vão desabar. Claro que é apenas impressão, e pode ser que as tais estruturas sejam ainda mais resistentes que a modelagem anterior. Mas não sei não...
O preço, R$ 549, está fora da realidade. Por R$ 50 a menos, você compra modelos de outras marcas tão bons ou melhores. De qualquer forma, os preços dos tênis no Brasil voltaram a explodir, tornando a compra no exterior um imperativo para quem tem a oportunidade.
Nos Estados Unidos, modelos de amortecimento top de linha são encontráveis por de US$ 80 a US$ 120 nas lojas comuns. Comprando pela internet ou em outlets, os preços são ainda menores.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14
O calor joga
O calor africano fez várias vítimas durante o campeonato
mundial de cross-country, que foi disputado em Mombaça, Quênia, no sábado. Pelo
menos duas corredoras juvenis desmaiaram ao final da disputa e tiveram de ser
carregadas (ao lado, a canadense Amanda Truelove; foto da Reuters).
O pentacampeão Kenenisa Bekele, da Etiópia, donos dos recordes
dos 5.000 e dos 10.000 metros, também não se deu bem com o calor e a umidade.
Abandonou a prova na última volta por causa de complicações estomacais, segundo
comunicado da federação etíope de atletismo,
Zersenay Tadese, da Eritréia, que vinha alternando-se na
liderança com Bekele, aproveitou e venceu a prova de 12 quilômetros em
35min50.
Na prova feminina, de oito quilômetros, Lornah Kiplagat,
queniana naturalizada holandesa, venceu em 26min23.
Houve forte presença de forças de segurança durante a prova,
pois os Estados Unidos haviam alertado contra supostos ataques terroristas que
estariam planejados. Mas a única manifestação de protesto efetivamente agendada
foi suspensa na quinta-feira pelo grupo muçulmano que a organizava. Mesmo assim,
a ação da polícia foi agressiva até para conter o público (foto abaixo, da
AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h56
Estréia trilheira
Ortopedista de profissão, Luiz Fernando Teochi,
que atende no Instituto Vita, é apaixonado
por cavalos e rodeios, mas também dá seus pitacos nas corridas de rua.
Participante da equipe Nossa Turma,
ele (na foto abaixo, é o que está de roupa escura) conta agora como foi sua
estréia na meia-maratona. E que meia-maratona!, para usar uma expressão que
permeia o texto.
"Chegou o dia de mais um desafio. Após ter corrido provas de 10 a 15 km
de distância nos últimos anos e algumas provas longas apenas em revezamentos,
decidi que 2007 seria o ano de aumentar as distâncias.
"Com duas provas de 10 km na bagagem desse ano (Itu e Corrida da
Lua/Campinas), fui a Ribeirão Pires para correr, pela primeira vez, uma prova de
21 km.
"E que escolha! A meia trilheira de Ribeirão Pires tem um
percurso bastante difícil, não apenas pela altimetria mas pelo tipo de terreno a
enfrentar. Subidas com pedras soltas, trilhas cheias de erosão e lama, trechos
que nos obrigam a andar em fila indiana e até a correr sobre os dormentes de uma
estrada de ferro.
"Havia cerca de 600 pessoas (80 mulheres apenas) e a largada
prevista para 8h não teve um grande atraso, a partir do Centro Cultural Airton
Senna do Brasil, pelas ruas do centro de Ribeirão Pires, em direção às famosas
trilhas.
"Ao final do terceiro quilômetro, começamos o trecho de terra. E
que começo! Uma longa subida (cerca de 400m) com o terreno cheio de
pedras.
"Não havia melhor momento para encarar a pior subida da prova:
perfeitamente aquecidos pelos três quilômetros pela cidade e ainda descansados.
"Logo depois desse esforço inicial, os primeiros copos de água
nos esperavam na marca do km 4.
"A prova teve uma organização muito boa, com sinalização
perfeita pelas trilhas. Praticamente divide-se o percurso em cinco trechos de
quatro quilômetros: o primeiro é representado pelo trecho urbano; depois, mais
quatro quilômetros são percorridos pelo verdadeiro trecho de trilhas até a a
estrada de ferro. Segue-se então um trecho por estrada de terra até retornar à
estrada de ferro. Daí faz-se o sentido inverso das trilhas. E por último, quatro
quilômetros no retorno do trecho urbano.
"Minha tática era seguir num ritmo confortável, ao redor de
6min/km, para poder correr o maior tempo possível e conseguir completar a
prova.
"Ao chegar ao km 10 da corrida, fiz um balanço e ainda estava
bem fisicamente.
"Fiquei bastante animado, porém essa euforia durou pouco,
porque, três quilômetros depois, tudo mudou. Parecia que meu organismo havia
percebido que o esforço seria além do habitual (normalmente faço treinos longos
de até 1h15min) e foi necessário concentração das energias para seguir na
prova.
"Ao redor do km 15, essa sensação desapareceu e tive a certeza
de que conseguiria terminar a prova.
"Sempre administrando o ritmo, meu gás parece ter durado na
medida: fiz os últimos três quilômetros bastante cansado, mas com direito a uma
chegada emocionante, que trouxe a vontade de buscar novos
desafios."
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h14
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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