Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Devagar, quase parando

Por uma causa nobre

Para Greg Billingham, que trabalha na construção civil, a maratona de Londres terminou hoje, uma semana depois de o queniano Martin Lei ter vencido a prova em 2h07min41.

Billingham fez o percurso em "câmera lenta", levando de cinco a seis segundos para dar cada passo. Seu objetivo era angariar fundos para a entidade Children with Leukaemia (Crianças com Leucemia).

Ele largou junto com os outros 36 mil corredores, mas só completou o trajeto ao meio-dia de hoje (horário de Londres).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h07

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Meeting de Dakar

Maurren leva o ouro

Deu dobradinha brasileira no salto em distância no Meeting International d'Athletisme de la Ville de Dakar, no Senegal, que integra o Grand Prix de Atletismo.

Maurren Higa Maggi saltou ontem 6m80 para levar o ouro e ganhar a terceira posição no ranking mundial da IAAF (a Fifa do atletismo) deste ano. Keila Costa ficou com a prata ao saltar 6m74.

A campeã brasileira está agora a apenas dois centímetros da melhor marca do ano, da americana Akiba McKinney. E mostra que tem bala para saltar mais de sete metros no Pan-07.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h08

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Bandsports

Tem muito para melhorar

Hoje tive uma grande satisfação ao zapear pelos canais de TV no inglório horário de depois do almoço (que, no sábado, é antes do almoço).

Eis que a Bandsports estava passando um VT da maratona de Paris. Não integral, mas os melhores momentos concentrados em uma hora de programa, o que é bem razoável.

A satisfação foi se transformando em irritação crescente, porém, à medida que eu ouvia a narração e os comentários.

Fracos, errados, desinformados. E vou parar por aqui com os adjetivos, pois no aconchego de meu lar usei um palavreado que a boa educação não permite trazer à baila neste recinto.

É bem verdade que os dois pareciam esforçados, sem aquele pedantismo que marca algumas transmissões da Globo. E sem o ufanismo global também (apesar que, no caso, não havia de que se ufanar, pois não havia nenhum brasileiro nem perto do primeiro pelotão, do segundo...)

Mas, bueno. Como telespectador e assinante, esperava um pouco mais de consideração desse canal, que tem como estrela a Barbara Gancia, incansável defensora do bom jornalismo e da informação exata.

Numa certa altura, por exemplo, alguém disse que Tergat quebrou o recorde de Carlos Lopes, e tudo ficou por isso mesmo.

Para completar a irritação de telespectador frustrado, tentei mandar um e-mail para a emissora. E desisti.

Em primeiro lugar, o link Fale Conosco está escondidinho em um cinzinha lá no final da página. Depois, exigem que faça um cadastro com cerca de 30 campos, que pergunta até quantos filhos eu tenho.

Gente, assim não dá.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h14

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Violência na USP

Fora da cadeia

Foram soltos ontem à noite os dois estudantes da Poli que haviam sido presos acusados de agressão a ciclistas que rodavam na Cidade Universitária, em São Paulo, na noite da última segunda-feira.

Daniel Oltemann Rodrigues, 22 anos, e Rodrigo Nunes Mahfuz, 20, tinham sido presos em flagrante por dar tapetadas nos esportistas, tentando derrubá-los, segundo a polícia. Para o delegado que cuidou do caso, a agressão configurou uma tentativa de homicídio.

O juiz titular do 5º Tribunal do Júri do Fórum da Barra Funda, Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, entendeu que não foi tentativa de homicídio doloso (com intenção). E, por que os réus são primários, têm residência fixa e se comprometeram a comparecer a todas as fases do processo, determinou a libertação dos dos estudantes.

Segundo a reportagem do "Agora", o clima na USP continua tenso, com acusações entre ciclistas, motoristas e pedestres.

"Os ciclistas não dão passagem a quem vem de carro, dizem palavrões, chutam os veículos e eu já os vi até xingando motoristas de ônibus", disse um aluno ouvido pelo "Agora".

Já um ciclista argumentou: "Quem está de carro tem de nos esperar passar, mas só querem nos atropelar".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h33

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Patrícia Carla, a mulher, o mito, a ilustração

Correndo nos fotologs

A idéia foi do ilustrador André Leal, 28: uma corredora que tem na internet o seu percurso, passando por blogs e fotologs de outros artistas ou curiosos do desenho, que dão sua interpretação pessoal da atleta e criam para ela uma nova cena.

A largada foi no dia 11 de fevereiro, AQUI, com o desenho publicado ao lado.

Leal apresentou assim o seu projeto: "Patrícia Carla é uma garota muito saudável e adora fazer cooper. Ela não fica queta nunca, é uma espoleta, está sempre pra lá e pra cá."

A segunda ilustração (abaixo) também foi dele, mas depois a corredora tomou o caminho do mundo, ganhando novos pais e mães, que convidavam outros tantos para a brincadeira.

No momento em que coloco esta mensagem, Carla já passou da vigésima ilustração. E muitas outras virão por aí.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h07

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Mundial de Atletismo

O medo ao calor

Depois das maratonas européias mortalmente quentes deste mês, o mundo maratonístico está de olho no clima do Japão em agosto/setembro próximos, quando será realizado em Osaka o Campeonato Mundial de Atletismo.

A maratona masculina começa às 7h do Dia do Soldado (25.ago); a feminina abre as atividades do último dia do evento (2.set).

Mara Yamauchi, melhor corredora britânica na recente e quente prova de Londres, já advertiu que a temperatura deverá estar bem mais alta em Osaka, ficando perto dos 35 graus Celsius, com a umidade beirando os 100%.

"Será uma corrida de sobrevivência", disse Yamauchi, que mora no Japão.

Por sinal, talvez por conhecer bem a realidade local, a campeã olímpica Mizuki Noguchi não pretende disputar a prova em sua pátria.

Ela acredita que, apesar de a corrida ser quase um ano antes da competição olímpica (Pequim-08), pode gerar problemas para o treinamento por exigir prazo muito longo para a recuperação.

Yamauchi, que já trabalhou no serviço diplomático da Comunidade Britânica e vai liderar o time do Reino Unido em Osaka, concorda: "É realmente um pouco arriscado".

Ainda que perigoso, o clima adverso pode se transformar em armas para corredores que, mesmo não tão rápidos, são resistentes e capazes de montar um boa tática, a exemplo do brasileiro Marilson e da norte-americana Deena Kastor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h41

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Noruega

Noruega

Perigo na estrada

Na bela foto da Reuters, um corredor passa por um sinal de alerta contra a perigosa presença de ursos polares nas redondezas, no arquipélago de Svalbard, Noruega.

O cartaz adverte: "Vale para toda Svalbard".

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h32

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Conflitos na USP

Qual que é, gente?

Primeiro a informação, se você já não leu no jornal: dois estudantes da USP foram presos, acusados de tentativa de homicídio, depois de baterem em ciclistas que pedalavam na Cidade Universitária, em São Paulo

Segundo a acusação, Daniel Oltemann Rodrigues, 22, e Rodrigo Nunes Mahsuz, 20, perseguiram de carro ciclistas que rodavam perto da raia olímpica. Usando tapetes de borracha do carro, enrolados como porrete, teriam batido nas costas do pessoal do pedal. Os acusados não falaram com a imprensa nem indicaram quem pudesse falar em seu nome.

Ninguém saiu ferido, mas o delegado que cuidou do caso e prendeu os alunos da Poli disse que os universitários sabiam o que poderia ter acontecido.

"Imagine tomar uma borrachada a 30 km/h, 40 km/h. Se a pessoa cair e bater a cabeça, é morte na certa", disse o delegado Paulo Inocêncio Novaes Gaeta, do 93º DP, segundo registrou a reportagem do "Agora".

Enfim, dá para perceber que a coisa passou completamente fora dos limites da convivência civilizada. A reportagem anotou reclamações de motoristas contra os ciclistas, que são "folgados" e "inconseqüentes"; por sua vez, a turma do pedal dá o troco no pessoal motorizado, que, como se viu, também tem seu vândalos.

Se os corredores, remadores, moradores e usuários em geral da Cidade Universitária passarem a usar da violência para resolver suas diferenças, vai ser uma meleca geral.

É bom que a USP tome logo providências. E que cada um trate de esfriar a cabeça e cuidar de sua vida. Nós estamos aqui para viver o melhor possível, não para morrer o mais rápido possível.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h49

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Maratona do Pan

Marilson fora

Em nota oficial, a Confederação Brasileira de Atletismo confirmou o que todos já sabiam desde novembro passado: Marilson Gomes dos Santos, melhor maratonista brasileiro de hoje e líder do ranking nacional na modalidade, não vai correr a maratona do Pan-07.

Ele acabou de conquistar seu recorde pessoal na maratona de Londres e planeja outros vôos nos 42.195 metros. No Rio, vai tentar a qualificação nas provas de pista, nos 5.000 e 10 mil metros (neste último, é o líder do ranking brasileiro deste ano).

Com isso, a CBAt convocou o mineiro Franck Caldeira para compor o time de maratonistas brasileiros, ao lado do medalhista olímpico e bicampeão do Pan Vanderlei Cordeiro de Lima.

No feminino, vão Márcia Narloch, também já panmedalhista, e a relativamente novata Sirlene Pinho, de Santos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h28

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Ranking brasileiro de atletismo

Maurren, o retorno

Já está no ar o ranking brasileiro de atletismo de 2007, atualizado até o último dia 22.

Uma das boas notícias é o bom desempenho de Maurren Higa Maggi, que parece estar voltando a todo o vapor depois de um longo e tenebroso inverno, que incluiu a suspensão por doping e problemas na vida pessoal.

Ela saltou 6m76 para ser a primeira brasileira na modalidade, mas tem uma jovem competidora em seu encalço. Ainda que relativamente distante, com 6m43, Vanessa Vieira Seles, quase cinco anos mais jovem que Maurren, deve ser observada com atenção.

No masculino, o destaque é Marilson Gomes dos Santos, que reina nos 10 mil metros com mais de um minuto de vantagem sobre o segundo, o também rápido Clodoaldo Gomes da Silva.

O ranking completo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) está AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h17

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Dicas de treinamento

Dicas de treinamento

A questão da hidratação

A morte de um corredor na maratona de Londres, supostamente por hiponatremia, e os casos de desidratação em Londres e na prova de Roterdã voltam a levantar a questão da hidratação em treinos ou provas de longa duração.

Não sou médico nem especialista no assunto, mas vou dar minha palhinha e contar o que faço.

Em provas longas, bebo água em todos os postos. Uma vez li que o corredor deveria beber em goles curtos, e criei uma espécie de rotina para mim: bebo pelo menos três goles de água em cada posto.

Também uso um sachê de carboidrato a intervalos de 50 minutos ou uma hora, mais ou menos. Ainda não testei, mas vários corredores com quem converso já experimentaram, com sucesso, comer batatinhas cozidas e salgadas lá pela metade da maratona ou mesmo mais tarde, em torno do km 30.

O certo é que é importante beber água, mas sem exageros (neste blog, já postei matéria com recomendações do colégio norte-americano de medicina esportiva, em que eles dizem exatamente isso: siga o que seu corpo manda).

A ingesta de água em quantidades, aliás, não contribui para diminuir a temperatura corporal nem melhora a performance. Pelo menos, é o resultado de uma pesquisa feita por especialista da Universidade de Exeter, na Inglaterra.

O doutor Chris Byrne e sua equipe mediram a temperatura interna do corpo de atletas, em uma prova de verdade. Ele monitoraram um grupo de corredores que participou de uma meia-maratona em Cingapura, realizada sob temperaturas de 26 a 29 graus e umidade relativa do ar de 75% a 90% (ou seja, condições para que a prova NÃO fosse realizada).

Na véspera da prova, os corredores ingeriram um sensor de temperatura, que mandava sinais de radio para um aparelho receptor que o corredor usou durante a prova. Segundo os pesquisadores, foi a primeira vez que a temperatura de corredores foi medida ao longo de todo uma prova, em tempo real.

Mais da metade dos corredores monitorados chegaram a uma temperatura corporal de mais de 40 graus e todos perderam em média 1,5 litro de suor por hora. Eles repuseram de 6% a 73% dos líquidos perdidos durante a prova. Não houve relação entre a quantidade de fluidos consumidos, a temperatura dos corredores e sua performance na corrida.

A mais alta temperatura corporal (41,7 graus) foi registrada no corredor que mais se reabasteceu (repôs 73% dos líquidos perdidos) e que, portanto, seria o menos desidratado do grupo.

Donde se conclui nada, como se pode ver pelo conselho do doutor Byrne aos corredores: "Ouça seu corpo e beba se tive sede, mas saiba que beber vários litros de água não vai melhorar sua performance".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h25

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Maratona de Londres

Causa mortis

Sem citar nenhuma fonte oficial, o site This is London afirma hoje que o corredor David Rogers, 22, que morreu depois de ter completado a maratona de Londres, sofreu de hiponatremia.

A hiponatremia é um desequilíbrio na concentração de eletrólitos no sangue, principalmente o sódio. Ao longo de provas exaustivas, como a maratona, a perda de água e sais minerais é muito grande. Se o atleta ingerir somente água, pode haver ocorrer esse desequilíbrio, provocando tontura, dores de cabeça e, em casos extremos, morte. Saiba mais a respeito AQUI.

Rogers foi o nono corredor a morrer por causa da participação na maratona de Londres, que vem sendo realizada desde 1981.

O pai do atleta disse que o garoto caiu praticando o esporte que lhe dava alegria. Ele e a mulher, Sarah, viram quando o corredor cruzou a ponte Torre de Londres.

"Ele nos viu, abanou para nós e deu um salto de felicidade. Ele estava fazendo o que gostava", disse Chris Rogers.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h54

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Maratona de Londres

Morto ao chegar

Registro aqui a morte de um jovem britânico que participou da maratona de Londres no domingo passado. O garoto de 22 anos desmaiou ao completar a prova, realizada a uma das mais altas temperaturas já registradas ao longo dos 27 anos da corrida. Foi imediatamente levado a um hospital, onde morreu ontem.

Por causa do clima, o serviço médico de emergência atendeu 5.032 pessoas; 73 foram mandadas a um hospital.

Os organizadores da maratona de Londres lançaram uma nota oficial a respeito: "É com tristeza que confirmamos que um homem de 22 anos morreu em paz na manhã de hoje, depois de ter entrado em colapso após completar com sucesso a maratona de Londres".

Cerca de 36.400 pessoas iniciaram a prova, e o número recorde de 35.674 corredores completaram a corrida no tempo limite.

Mais de 600 corredores desistiram, inclusive o favorito Haile Gebrselassie, que abandonou a prova próximo ao km 30.

Na semana anterior, a maratona de Roterdã fora suspensa depois de três horas e meia de prova, também por causa do calor excessivo e inesperado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h11

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Maratona de Londres

Maratona de Londres

É de Lei

Martin Lei mandou ver e venceu novamente a maratona de Londres, com 2h07min41, alguns passos sobre o segundo colocado.

No feminino, a chinesa CHUNXIU ZHOU fechou em 2h20min38.

Veja todos os resultados AQUI.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h46

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Maratona de Londres

Maratona de Londres

Turma do balacobaco

Essa foto da Reuters tem estrelas de grandezas maiores que as da Via Láctea. Todos esses galácticos do atletismo estarão disputando o trono da maratona de Londres no próximo domingo.

Na ponta esquerda, temos o candidato a recordista Haile Gebrselassie, da Etiópia, que é ladeado pelo campeão olímpico Stefano Baldini, da Itália.

No meinho, o marroquino Jaouad Gharib, campeão mundial da maratona, vitória que obteve exatamente sobre o italiano. E, na ponta direita, a simpatia do sorriso do recordista mundial e multicampeão da São Silvestre Paul Tergat, do Quênia.

A prova será transmitida pela SporTV2. A transmissão ao vivo começa às 5h. Haverá VT às 15h. Os comentários serão de Lauter Nogueira. A programação é sujeita a alterações.

Eu vou tentar assistir, mas não sei se haverá condições objetivas para isso. Se você acompanhar a prova, mande seus comentários sobre a corrida e a transmissão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12

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Ecos de Boston

Maratona high-tech

A maratona de Boston deste ano ampliou o uso das tecnologias de comunicação instantânea hoje disponíveis. Familiares e amigos dos corredores podiam receber informações em tempo real sobre o desempenho de seus atletas queridos.

Os dados podia chegar por e-mail ou por mensagem de texto em celulares ou micros de mão; o site da maratona de Boston também é repleto de informações sobre o andamento da prova.

Houve um aumento de mais de 30% no número de corredores que se inscreveram no programa Athlete Alert, totalizando 13.841 participantes. Eles registraram 15.372 e-mails e 22.091 números de celulares e outros aparelhos móveis para onde mandar as mensagens.

A organização mandou 192.354 avisos para esses números, contra 108 mil enviados no ano passado. E o site da prova recebeu, no dia da corrida, 1,8 milhão de visitantes; no ano passado, foram 700 mil.

Os chips usados pelos corredores tinham um sistema de transmissão de dados por radiofreqüência. A cada passagem pelos tapetes que capturavam os dados, os sinais também eram transmitidos para um computador, que os retransmitia para os interessados.

Mas nem tudo funcionou a contento. O repórter Andrew Welsh-Huggins, da AP, que correu a prova, publicou hoje uma avaliação dos serviços.

Ele diz: "O sistema não foi perfeito.O site ficou lento ao longo da prova, dificultando o acesso dos meus familiares aos dados de meu desempenho na corrida. A rede de alta velocidade também saiu do ar por vários minutos, atrasando por meia hora uma das atualizações de informações que deveriam ter sido mandadas para o celular de minha mulher".

Além disso, a promessa era de que os dados chegariam aos celulares em até quatro segundos depois da passagem do corredor pelo tapete; esse tempo foi bem maior, chegando a cerca de um minuto, segundo diz o repórter.

O texto dele está bem legal, e você pode lê-lo AQUI, em inglês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h03

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A escolha do tênis

Qual é a quilometragem

O leitor André, de Florianópolis, mandou um comentário sobre a minha avaliação do Mizuno Creation 8 que me motivou a abordar o tema do quanto dura um tênis de corrida.

Ele disse que usa habitualmente modelos da Nike, mas resolveu experimentar um Creation 7. Mas está com o pé atrás: "O Creation custa cerca de 40% a mais do que os Nikes que eu costumo usar, mas eu duvido que ele dure 40% a mais de quilometragem também..."

Tudo bem, é uma questão pertinente. Afinal, todos nós queremos aplicar bem o nosso dinheiro duramente conquistado e desejamos que os investimentos nos dêem bons retornos.

Mas não sei se é "bom", "saudável" usar um tênis de corrida até o limite de sua vida útil ou avaliar um tênis por sua longevidade.

Quando eu comecei a correr, há nove anos, os médicos que eu consultava, treinadores e vendedores de tênis concordavam, mais ou menos e sem grandes compromissos, que você podia usar um tênis por de 600 a 800 quilômetros. Alguns falavam de 400 a 600, outros diziam "em torno de 500".

Agora, para minha surpresa, a Mizuno faz uma enorme propaganda do Creation 8 dizendo que ele tem mais longevidade, passa de 300 quilômetros (que seria o padrão anterior, portanto) para 500 quilômetros. No meu entender, isso é uma contrapropaganda, pois significa dizer que os outros tênis da empresa tem uma longevidade de 300 quilômetros.

Eu, em geral, uso cada par de tênis até 600 quilômetros. Alguns não chegam a isso, como foi no caso do Nike Pegasus 2005, que eu só conseguia usar em treinos de até 10 quilômetros (sei que muitos gostam desse modelo, e a "Runner’s World" o idolatra, mas comigo não deu certo).

Também faço rodízio de modelos e marcas; em geral, uso três pares de tênis em rodízio.

Tem aquela questão: há o risco de a gente economizar no tênis e depois ter de gastar no ortopedista. E acho melhor investir em um bom pisante, confortável, com bom amortecimento e estrutura bem-feita. De preferência, leve, mas isso é difícil.

De qualquer forma, médicos, vendedores, empresas e quem mais quiser podem falar o que bem entenderem, pois cada corredor vai fazer o uso que sua capacidade financeira permitir e sua saúde mandar.

Conte aí quantos quilômetros você roda com cada par. E diga se você costuma fazer rodízio de marcas e modelos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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Maratona de Londres

De olho no recorde

Depois de um fim de semana mais quentinho, as temperaturas devem baixar no próximo fim de semana, aumentando as chances de bons desempenhos nas maratona de Londres, que vai reunir um elenco estreladíssimo, os galácticos do atletismo.

Apostadores, técnicos, patrocinadores, torcida, todos estão de olho em uma eventual quebra de recorde mundial. O etíope Haile Gebrselassie já esteve por beliscar a marca de Paul Tergat, mas vai ter de dar ainda mais gás se quiser mesmo a taça de mais rápido do mundo.

Em contrapartida, o próprio fato de haver tantos e tão rápidos corredores na disputa pode fazer com que a prova se torne uma corrida pela vitória, e não por marcas. É que todos vão ficar se estudando, vendo quem sai, e é dureza, nessas condições, decidir arriscar e sair para o tempo.

O campeão Felix Limo, do Quênia, falou exatamente isso. Ele disse que terá de ter olhos nas costas para acompanhar o movimento dos adversários e conseguir o bicampeonato. Martin Lei, para variar, vai estar na cola (ou á frente, quem sabe).

Além desses todos, o americano nascido no Marrocos Khalid Khannouchi, que bateu o recorde mundial ao vencer em Londres em 2002, também estará na raia. Ele diz, modestamente, que fará o possível, pois ainda está em processo de recuperação de uma cirurgia nos pés. "Estou a 90%, talvez 95%", disse ele.

Sei...

Pela situação atual, as palavras de Limo são mais do que verdadeiras: "A definição pode sair na última passada". Ele também comentou que todos precisam ficar espertos. Se ficarem só cuidando de Tergat ou Haile, pode surgir um outro e levar o trunfo.

O brasileiro Marilson, que já fez isso em Nova York, estará lá.

Faça sua aposta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Maratona de Londres

De olho no recorde

Depois de um fim de semana mais quentinho, as temperaturas devem baixar no próximo fim de semana, aumentando as chances de bons desempenhos nas maratona de Londres, que vai reunir um elenco estreladíssimo, os galácticos do atletismo.

Apostadores, técnicos, patrocinadores, torcida, todos estão de olho em uma eventual quebra de recorde mundial. O etíope Haile Gebrselassie já esteve por beliscar a marca de Paul Tergat, mas vai ter de dar ainda mais gás se quiser mesmo a taça de mais rápido do mundo.

Em contrapartida, o próprio fato de haver tantos e tão rápidos corredores na disputa pode fazer com que a prova se torne uma corrida pela vitória, e não por marcas. É que todos vão ficar se estudando, vendo quem sai, e é dureza, nessas condições, decidir arriscar e sair para o tempo.

O campeão Felix Limo, do Quênia, falou exatamente isso. Ele disse que terá de ter olhos nas costas para acompanhar o movimento dos adversários e conseguir o bicampeonato. Martin Lei, para variar, vai estar na cola (ou á frente, quem sabe).

Além desses todos, o americano nascido no Marrocos Khalid Khannouchi, que bateu o recorde mundial ao vencer em Londres em 2002, também estará na raia. Ele diz, modestamente, que fará o possível, pois ainda está em processo de recuperação de uma cirurgia nos pés. "Estou a 90%, talvez 95%", disse ele.

Sei...

Pela situação atual, as palavras de Limo são mais do que verdadeiras: "A definição pode sair na última passada". Ele também comentou que todos precisam ficar espertos. Se ficarem só cuidando de Tergat ou Haile, pode surgir um outro e levar o trunfo.

O brasileiro Marilson, que já fez isso em Nova York, estará lá.

Faça sua aposta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Boston feminina

Boston feminina

Trio calafrio

A campeã de Nova York, Jelena Jelena Prokopcuka, da Letônia, a mexicana Madai Perez e a russa Lidiya Grigoryeva competem nas ruas de Boston. A russa venceu, Jelena Prokopcuka a seguiu e a mexicana chegou em terceiro (foto AP).

Se Madai Perez, que fechou em 2h30min16, vier para o Pan do Rio, vai fazer estragos...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53

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Boston

Russa surpreende

 

Com uma bandeira da Rússia nas mãos, Lidiya Grigoryeva correu para romper a fita (foto AP) e se tornar a primeira mulher não-queniana a vencer a maratona de Boston em oito anos. Ela fechou em 2h29min18.

A americana Deena Kastor, medalhista em Atenas, ficou em quinto lugar.

No masculino, o queniano Robert Cheruiyot, já conhecido dos brasileiros por suas participações na São Silvestre, venceu a prova pela terceira vez. Hoje, porém, com chuva, seu tempo foi fraco: 2h14min13, na corrida mais lenta desde 1977.

É que os corredores tiveram de ser muito cuidadosos por causa do terreno escorregadio, que deu um banho até nos motoqueiros, como mostra a foto abaixo, da Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h43

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Fala, leitor

Recorde em Floripa

Bicampeã feminina da prova de revezamento Volta à Ilha, que cobre 150 quilômetros em Florianópolis, a equipe TPM - Treinamento para Mulheres estabeleceu um novo recorde na categoria no sábado passado: 11h22. Trago hoje o relato escrito por Fabiana Pereira, uma das nove integrantes do time.

"Nossa largada estava marcada para as 06:00, junto com as demais equipes femininas; dentre elas, nossa maior concorrente neste ano, as Paulistanas equipe feminina do Clube Paulistano (SP).

"Despertamos às 5h,ainda escuro, tomamos um bom café da manhã e partimos para a largada. Com o dia amanhecendo, a atleta Elisabeth Cruz deu a largada, percorrendo uma distância aproximada de oito quilômetros até o primeiro posto de troca.

Ela chegou à frente da equipe Paulistanas por apenas alguns minutos, dando uma pequena vantagem para a atleta nº 2, Mônica Pinheiro, que foi ultrapassada pela adversária em seu primeiro trecho na prova.

Feita a troca, assumiu a atleta nº 3, Juliana Gomes, que pode diminuir a diferença entre as duas equipes, facilitando a ultrapassagem feita por Sabrina Majella (atleta nº 4) em seu trecho.

A partir desse momento, em que as atletas Adriana Piacsek (nº 5), Fabiana Pereira (nº 6), Marina Verdini (nº 7) e Luciane Macias (nº 8) iniciaram seus primeiros trechos de prova, assumimos e mantivemos a liderança até o final dos 150 quilômetros da Volta à Ilha, aumentando a cada "perna" a distância sobre as adversárias.

À medida que a tarde chegava ao fim, nos aproximávamos da linha de chegada, já preocupadas não mais com as adversárias, de quem estávamos 16 minutos à frente, mas com quebrar o recorde da prova, conquistado pela TPM em 2006.

Quando Luciane Macias deu início a sua última perna trecho final da prova-, sabíamos ter conseguido.

Às 17h22min, cruzamos a linha de chegada com 11h22min de prova, batendo o recorde em 25 minutos!

A alegria de mais uma conquista com grandes amigas é algo que guardamos na memória para sempre... Que costuma ofuscar os detalhes do momento e nos deixa apenas uma boa sensação de felicidade...

Por isso, a única coisa que me vem à cabeça desse nosso momento é o abraço coletivo e um grito bem forte: "AHA! UHU! O RECORDE É NOSSO!"."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h22

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Fala, leitor

Decepção em Roterdã

Os médicos Ana Paula Volpato Kuga, 33, e Cláudio Kuga, 33, de São Paulo, participaram da maratona interrompida de Roterdã, ontem, na Holanda, e mandaram um relato da confusão em que a corrida se transformou. Eles são da equipe Find Yourself, que me passou o texto de Cláudio. O casal já correu várias maratonas no Brasil e no exterior e procura fazer uma espécie de turismo esportivo. Vamos ao relato.

"Ontem, acordamos com muito sol e temperatura de aproximadamente 20 graus. A largada foi dada às 11h horas e, devido à minha lesão, resolvi que iria acompanhar a Ana até onde agüentasse.

"Logo no primeiro posto de água, no km 5, percebi que essa prova seria diferente das demais, pois não havia mais água da organização e tivemos que beber água das torneiras oferecidas pelos moradores.

"A partir do km 10, já havia vários corredores passando mal e caminhando. Continuamos nossa corrida com a temperatura de aproximadamente 25 graus.

"Conforme o tempo passava, ia aumentando o número de pessoas caminhando e desfalecidas, recebendo atendimento médico.

"Em todos os pontos de hidratação para nós, corredores mais lentos, apenas água de mangueira e um pouco de isotônico. Era visível o desespero das pessoas em busca de água.

"Na altura do km 32, com aproximadamente 3h30 de prova, fomos informados que a corrida tinha sido suspensa. Tivemos de retornar, cruzando a rua e caindo no km 40, completando nosso longão de 34 quilômetros com aproximadamente 3h50.

"Recebemos nossa medalha, mas fomos considerados desistentes pela organização. Nós nos preparamos, pensamos nas varias coisas poderiam acontecer _quebrar, parar por dor, ter câimbras... Mas realmente nunca pensei em ser impedido de continuar...

"A medalha está aqui, mas com um sabor de frustração... É uma grande decepção, pois sempre pensamos que provas no exterior são perfeitas em sua organização.. Acho que ninguém passou por situação semelhante no Brasil.

"Infelizmente, o que era para ser uma grande maratona se tornou um grande fiasco...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h20

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Roterdã

Roterdã

Prova suspensa

O calor fez com que os organizadores da maratona de Roterdã, realizada hoje na Holanda, suspendessem a corrida após três horas e meia de prova. O objetivo, segundo o diretor da prova, foi proteger a saúde dos atletas.

Claro que o calor extremo era para eles: a temperatura passou dos 25 graus (segundo a EFE, chegou a 28 graus) e muita gente teve de ser atendida pelos médicos (como mostra foto da EFE).

Pelo menos 26 corredores foram levados a hospitais, diz a agência de notícias ANP, e pelo menos 14 foram internados, dois com problemas cardíacos.

Segundo o diretor da prova, Mario Kadiks, a medida foi "puramente preventiva". Ele disse que as críticas de alguns corredores quanto à falta de água eram bobagem: foram distribuídos 200 mil saquinhos de água e 200 mil esponjas molhadas.

Para a elite, a corrida já havia terminado há muito tempo. O queniano Joshua Chelanga, que acaba de completar 34 anos, venceu com 2h08min21, quase dois minutos à frente do segundo colocado, o japonês Takayukuki Matsumiya.

No feminino, as nacionalidades se inverteram no pódio: a japonesa Hiromi Ominami chegou sozinha com 2h26min37, com mais de um quilômetro de diferença sobre a queniana Helena Kiprop Loshanyang.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Paris

Estréia na Cidade-Luz

Trago hoje a colaboração muito especial do ortopedista Henrique Cabrita, um jogador amador de rúgbi que foi picado pela paixão das corridas e completou hoje, em Paris, sua primeira maratona. Ele correu parte da prova com um colega, Márcio de Faria Freitas, que vinha treinando para uma meia-maratona, mas acabou encarando a distância completa. Sem mais delongas, vamos ao texto de Cabrita, que ele acaba de enviar de um cibercafé parisiense.
 
"Paris, 15 de abril de 2007, 8h45.

"Partindo do Champs Eliseè, tida como a avenida mais linda do mundo, 31 mil atletas iniciam a Maratona de Paris. Dentre eles, dois brasileiros, ambos ortopedistas, ambos da mesma faculdade, esportistas pela vida inteira em modalidades coletivas (rúgbi e futebol), iniciam juntos uma jornada rumo aos limites do corpo e da mente.

"Exagero? Coisa de quem nunca correu?

"Muito pelo contrário.

"Uma maratona nunca inicia na linha de partida. Ela começa no dia em que você topa o desafio. Para mim, foram quatro meses de treinamento, correndo três a quatro vezes por semana, de 10 a 30 quilômetros, praticando a hidratação (e a arte de conseguir beber e tomar gel sem parar de correr e sem alterar o ritmo), ouvindo bronca da esposa (com razão), sendo privado das brincadeiras dos filhos (especialmente nos treinos longos, que foram nos fins de semana e de manhã, hora em que as crianças adoram brincar), conversando com maratonistas, principalmente aqueles que correram a mesma prova que você vai fazer, estudando livros, montando planilhas com profissionais experientes (obrigado ao Rodrigo, do Instituto Vita), conversando com nutricionistas (Lancha, também do Vita), recebendo inspiração de quem realmente é fonte de inspiração (Paul Tergat, nosso Roberto da Costa etc.) e, principalmente, querendo saber, de verdade, o que e conseguir correr 42.125 metros e chegar CORRENDO no final.

"A epopéia começou com uma rápida adaptação ao fuso horário, afinal corremos às 3h15min do querido Brasil.
Comemos um café da manhã quase que só líquido (ontem foram uns três quilos de macarrão) e fomos para o metrô.
No caminho, encontramos um francês que começou a puxar papo. Ok... Na hora de pegar o metro, ele pediu dinheiro, pois não tinha... Tudo bem. Mas o cara cheirava a sovaco para chuchu!

"A gente sabe que os franceses não são lá muito chegados à água (até inventaram o perfume para disfarçar), mas o camarada era demais. Se os conterrâneos dele todos estivessem no mesmo estado, jamais chegaríamos a sair do metrô, quanto mais ao final da prova. Nós o perdemos de vista, felizmente, na saída do vagão, pois saíram umas 500 pessoas na estação.

"O início da prova é fantástico. Percebemos a concentração de todo mundo, o espetáculo das camisas, shorts e tênis (a foto do alto é da AP). As fantasias, cada uma mais inventiva que a outra.

"A organização da prova pelo tempo de chegada foi muito boa. Entregaram até uma pulseira com a cola dos km e tempo, e podíamos seguir marcadores de ritmo, que carregavam com balões com seu tempo de chegada.

"Mictórios espalhados na largada (muito diferente da São Silvestre, quem já correu lá me entende), água já na largada e orientações sobre clima e hidratação. Por sinal, esta foi a maratona de Paris mais quente de todas. Estávamos esperando um baita frio e fez 28 graus às 11h!

Largada!

"A massa de corredores se movimenta. Sem atropelos, apenas checando o tempo.

"Será que vai ser assim até o fim?

"Doce ilusão. Após o km 5, depois da primeira hidratação, todo mundo ficou espremido num afunilamento, e todos querem passar logo...

"Isto ocorreu de novo depois do km 10, mas foram as únicas ocasiões.

"O Freitas ficou atrás de mim logo no início, afinal ele queria correr 21 quilômetros. Lá fui eu. Nessa hora, é só você e seu corpo.

"O meio externo influencia bastante, mas você tem que filtrar as coisas: elimine o calor com boné e roupas leves; hidrate bem e leve oito a dez sachês de carboidrato em gel e sais minerais (medo da hiponatremia, baixa de sódio que pode matar um maratonista), observar a paisagem rapidamente e ficar olhando um pouco mais os locais lindos de Paris (Louvre, torre Eiffel, boulevard de Vincenne...).

"Você e seu corpo, a mente comandando. Checar o relógio, mas sem fascismo (eu querrerr chegar em menas de quatro horras!), controlando suas reações e percalços.

"Problemas, aliás, que começaram a ocorrer no km 15. Não comigo, mas foi a essa altura que vi uma moca chorando com a mão na parte posterior da sua coxa. Durante a prova, vários colegas vão desabando, especialmente depois do km 32.

"Vi pessoas levarem as mãos para todos os lugares: nas coxas, pernas, abdome, braços e também para o alto, chorando... É frustrante se preparar tanto e sofrer a derrota, mesmo eu sabendo que, no fundo, eles também são vencedores.

"O apoio das bandas e, especialmente, da população francesa é muito legal. Cada vez que você ouve um batuque ( e as bandas brasileiras eram as melhores), você sai correndo no ritmo."

 

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

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Paris - final

Paris - final

"Sou um maratonista"

Parte final do relato da estréia de Henrique Cabrita no mundo das maratonas. Vamos logo ao relato...

"Enfim, a meia-maratona. Estou bem, passei com 1h58min, acho que dá para terminar em quatro horas... Vamos em frente. Havia combinado com minha esposa de encontrá-la no km 26, mas nos desencontramos.

"É muito legal ter alguém conhecido te incentivando na hora. Vi uma mulher com um bebê de colo correndo atras do marido: "Allez, allez!"

"Um maluco estava correndo com uma Torre Eiffell em cima e cinco caras do lado (foto AP). Aliás: este foi meu primeiro erro: tentei passar um pouco mais depressa o sujeito ( estava no km 27) e senti levemente uma pontada no posterior da coxa. Só faltava essa.

"Aprende, Cabrita, não passa do limite, não corre que nem maluco, vai na boa...

"Km 30. Místico. A barreira, o paredão, o muro do km 30. Um monte de gente desabando, muito calor e uma subida para ajudar. Mas até que eu estava legal.

"Fui controlando as passadas e checando o relógio.

"No Bois de Boulogne, um parque maravilhoso, entramos nas retas finais.

"Uma coisa legal em Paris são esses parques. Corri pelo menos 15 km em terra, meu terreno favorito.

"Depois do km 30, o pessoal se amontoa anda toda a vez que tem água. Tenho que atropelar alguns para manter o ritmo.

"No km 38, eu vi o quanto uma maratona é realmente séria.

"O pior acontece a um corredor de aproximadamente 40 anos. Ele desmaia na minha frente, cai e abre uma ferida na testa. Três pessoas imediatamente o acodem, sendo duas delas médicos.

"Paro para falar com eles. Um é socorrista, e todos pedem para chamar a organização da prova. Fico preocupado. Será que ele ficou vivo? Varias ambulâncias levaram corredores para o hospital neste dia.

"Faltam apenas quatro quilômetros... Ora, corro isso habitualmente. Agora é baba.

"Mas aí é que o pensamento vai longe. Chego no 40. Mais dois. Em 12 minutos e termino em 4 horas. Faltam 300 metros. Penso em tudo para me incentivar. Meus filhos, minha esposa, minha mãe, meu pai, meus pacientes, meus amigos, até no cachorro!

"Corro o pique final achando que sou um velocista (minha esposa viu e me disse que não foi bem assim, ela achou que eu fiz foi mais cara feia)

"E foi. Acabou. 4h00min09s.

"Tudo, da cintura para baixo, dói. Mal consigo tirar o chip e pegar água. Me deito junto a milhares de colegas. Juntos na alegria do dever cumprido.

"Como será que ficarei amanhã?

"Não interessa. O momento é hoje. A alegria é hoje. Eu sou um maratonista hoje.

"E o Freitas? Eu sabia que eu ia chegar de qualquer modo, mas e ele?

"Depois de 5h30min, lá vem ele. Mais vencedor do que eu, ele encarou 42 quilômetros sem nunca ter corrido mais que 18 quilômetros.

"Está certo? Está errado?

"Não sei. Foi arriscado para ele, mas eu lhe falei: "Isto é a sua vida, cara! Nunca você vai esquecer. Você venceu, não importa como foi. E uma das maiores maravilhas que a vida pode te dar".

"Como diziam os romanos antigos, "a perseverança venceu a batalha"."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h16

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Meia-maratona da Corpore

Desastre nos kits

Falhas de planejamento e organização transformaram o que deveria ser um momento de festa e alegria, ao final da meia-maratona da Corpore, realizada hoje em São paulo, em uma chatice sem tamanho, incomodação desnecessária, enfim, um toque amargo uma manhã que até então tinha sido de puro divertimento.

Falo das filas para pegar o a medalha e o kit, ao final da prova. Com a melhor das intenções, imagino, os organizadores criaram diversas cabines, cada uma para um grupo demográfico, conforme o tamanho da camiseta (Homens G, Homens P, Mulheres M e por aí vai).

Só que a fila para Homens G era muuuuito maior que qualquer outra. E o espaço e o número de pessoas atendendo era igual em todas as cabines (ou assim parecia). Chegou a haver um momento patético, em que um auxiliar, tentando diminuir a confusão, sugeriu que o pessoal tamanho G fosse para as filas M ou P, que estavam menores.

É difícil de entender (e não só nas corridas, mas principalmente na vida): atendimento equilibrado não significa dar o mesmo tratamento a todos, mas sim tratar desigualmente os desiguais.

Bueno, como vocês perceberam, eu fiquei muito desagradado, pois morguei numa fila besta pelo tempo equivalente a mais de três quilômetros correndo....

Mas, enfim, esse foi um dos poucos aspectos negativos no evento (para meu gosto, o desenho da camiseta e da medalha é bem sem-graça, mas pode ser que alguém goste), que, de resto, é uma das festas mais bacanas do ano no mundo das corridas paulistanas.

É legal porque deixa claro o crescimento do número de empresas, entidades, escolas, academias e equipes que se dedicam às corridas. É mais legal ainda porque você vê uma multidão alegre, bem disposta, festejando a vida, se cumprimentando e se respeitando, vivendo e deixando viver.

Para completar, as duas provas têm ótimo percurso. Para iniciantes ou menos treinados, a corrida de seis quilômetros combina planura com alguns desafios leves. E a meia-maratona é bem variada; eu só não gosto do vai-e-volta do retão a partir da praça Pan-Americana até o final do parque Villa-Lobos e o respectivo retorno.

Hoje, a meteorologia nos enganou. Estava previsto um dia nublado, com máxima de 25 graus, pelo que ouvi, e o céu esteva aberto, entregue ao solzão que esquentou nossos cérebros. Alguém falou que chegou aos 27 graus, mas a sensação térmica era pior. Ainda bem que não faltou água (morna, mas água) _aliás, o pessoal que entregava os copinhos esteve sempre muito simpático, incentivando os corredores.

Para mim, foi uma delícia, pois consegui manter o ritmo planejado apesar do sol. Fiz o primeiro quilômetro em 6min45 e foi reduzindo gradativamente; no geral, minha média por quilômetro foi 6min08, o que está bom demais para meu nível.

Quanto aos resultados gerais, no feminino, Márcia Narloch deu um pau na queniana Jeptoo Priscah: fechou em 1h15min53, mais de um minuto à frente da segunda colocada.

No masculino, Frank Caldeira cozinhou o galo até o km 14 e daí atacou o então líder, Luiz Paulo Antunes, tomou-lhe a frente e foi-se embora para completar em 1h03min59.

No próximo domingo, o garoto mineiro corre a maratona de Pádua para sacramentar sua vaga na maratona do Pan.

Hoje, os lugares são de Vanderlei Cordeiro e Marilson, mas o campeão de Nova York deverá preferir as provas de pista, deixando campo aberto para que outros disputem a oportunidade.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h35

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Em cima da hora

Vai passar na TV

Recebi há pouco a informação de que a maratona de Nagano vai passar na TV aqui no Brasil, transmitida pelo canal NHK (TVA, com certeza; mas outras operadoras também devem tê-lo).

Não consegui confirmar oficialmente a dica, mas estou colocando aqui apenas para não dizerem que não falei das flores.

Pelo que entendi, começa às 20h35 no horário brasileiro.

Tomara que dê tempo para você assistir. Mande seus comentários sobre a prova e a transmissão.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h36

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Dia cheio

Belas e rápidas

Há as bonitas, mas não tão velozes. E as rápidas, mas meio chatinhas. E temos ainda as belas e rápidas, para deleite dos corredores que buscam performance, mas não deixam para trás o hedonismo.

Estou falando das maratonas deste domingo, que está repleto de provas importantes, atraentes, que chamam para si os olhos do mundo.

A mais charmosa _e principal destino internacional dos corredores brasileiros_ é a maratona de Paris.

A mais rápida talvez seja a de Roterdã, na Holanda, e a prova comemorativa em Nagano, no Japão, leva a taça de mais cerimoniosa.

O domingão também traz maratonas legais na Itália, na Austrália, em Nantes (interior da França) e até no pólo Norte.

De minha parte, estarei queimando o asfalto paulistano na meia-maratona da Corpore.

Boa prova para todos e cada um neste mundo velho sem porteira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h40

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Deu no jornal

Corrida na parada gay

A coluna Mônica Bergamo de hoje, na Folha, diz que será realizada no dia 7 de julho a 1ª Corrida da Diversidade de São Paulo.

A prova faz parte do calendário da Parada do Orgulho GLBT e aceitará inscrições tanto do público gay quanto do hétero.

Eu nunca tinha ouvido falar de uma corrida do gênero aqui no Brasil, mas há várias no exterior.

Em San Francisco, por exemplo, há um monte de grupos esportivos de gays e lésbicas (veja uma lista AQUI). E há mais de 20 anos são disputados os Gay Games, cuja próxima edição será em Colônia, na Alemanha, em 2010.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h05

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Primeira volta ao mundo correndo

Recorde reconhecido

O inglês Robert Garside finalmente conquistou seu grande objetivo: no final de março, recebeu do Guinness um documento reconhecendo seu recorde mundial como primeiro homem a dar a volta ao mundo correndo.

O reconhecimento chega mais de três anos depois de Garside ter terminado sua jornada e funciona também como uma espécie de vingança contra seus detratores. Ao longo de sua caminhada, o corredor foi vítima de críticas de sites especializados em ultramaratonas, que duvidavam da honestidade de seu comportamento (veja AQUI).

Agora, porém, suas provas foram sacramentadas pela entidade, que publicou um texto afirmando ser essa a primeira corrida de volta ao mundo devidamente comprovada (leia AQUI).

A jornada reconhecida pelo Guinness começou e terminou em Nova Déli, na Índia. Durou 2.062 dias e cruzou 29 países, totalizando mais de 48 mil quilômetros.

Em 1999, Garside passou pelo Brasil. Eu o entrevistei, por telefone, quando ele estava em Curitiba, e depois voltamos a conversar em São Paulo (a foto acima, de Niels Andreas/Folha Imagem, é do dia da chegada dela a Sampa).

O resultado foi uma reportagem da contracapa de Esportes, na Folha, em 26 de setembro de 1999. Leia o texto AQUI (apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL; a formatação está estranha, mas é o que temos).

Deixo aqui só uma palhinha da entrevista, a resposta dele quando pergunto por que resolveu partir naquela jornada:

"É sobre correr, é sobre liberdade. Não tenho propriedades, bens materiais. Eu tinha muito, tinha tudo o que qualquer pessoa tem, mas não era o que eu queria naquele ponto da minha vida. Você tem de carregar todas essas coisas, elas possuem você, você precisa tomar conta delas, e eu queria liberdade para explorar o mundo. Imagine explorar o mundo... É sensacional. Quando corri pela Índia, dormi numa delegacia de polícia, não tinha dinheiro, me davam comida. Corria 60 km por dia, no calor, entre as pessoas, e aprendia coisas."

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h02

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Exercício físico ajuda a reduzir ansiedade

Eu já sabia

Sua corridinha diária ou eventual não só ajuda a melhorar sua saúde física mas também colabora para seu bem-estar psicológico.

Tudo bem, você já sabia. Mas sua observação empírica foi confirmada por um estudo científico realizado na Inglaterra, em que médicos ao longo de dez anos acompanharam um grupo de homens de meia-idade.

Os que faziam exercícios físicos vigorosos regularmente tinham menos probabilidade de desenvolver desordens mentais relacionadas à ansiedade ou á depressão.

O resultado do estudo, publicado no "American Journal of Epidemiology" é coerente com pesquisas anteriores, que apontam efeitos benéficos do exercício mesmo em pessoas que já desenvolveram depressão leve.

Os pesquisadores não sabem exatamente as razões, mas levantam hipóteses de que o exercício pode ser gatilho para liberação de certos agentes químicos no cérebro ou que a atividade física tenha impacto positivo na auto-estima.

Bueno, queria ver esse povo examinando o contrário: o quanto de depressão o exercício pode provocar no ser humano.

Nós, corredores, somos exemplos de maníacos-depressivos, bipolares, obsessivos-compulsivos ou qualquer outra coisa que queiram inventar.

Pense no sujeito que treina como se fosse tirar o pai da forca e depois tem um resultado aquém do que previra. Ou a hora em que você acha que nada vai dar certo. Treina mais um pouco? Ou descansa? Será que não é melhor trocar o tênis? E aquele chocolate, não foi demais?

Sem, falar nas nossas anotações.... Dia, hora, minuto, segundo, quilômetros do tênis, posição na corrida no geral, posição relativa no sexo, na faixa etária...

E os treinos? Sempre o mesmo percurso, exato ao centímetro. Inverter é um pecado, mudar o traçado, um crime.

Ou não: também desencanamos, sorrimos, cantamos, deixamos o corpo nos levar para onde o nariz apontar.

E na hora da chegada, do treininho na rua do lado ou da ultramaratona mais difícil do mundo, a alegria é total, a conquista é única, a vitória é incomparável.

Eta, mundo velho sem porteira...

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h55

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Recordista bombado confessa crime

Lomba abaixo

O ex-recordista mundial dos 100 metros Tim Montgomery se confessou culpado de crimes de lavagem de dinheiro e fraude bancária nos Estados Unidos. O esquema chegou a movimentar US$ 5 milhões.

Montgomery, 32, confessou-se culpado de uma acusação de conspiração para cometer fraude bancária e duas acusações de fraude bancária.

"Eu me arrepende sinceramente do papel que tive nesse episódio", disse ele, que conquistou a medalha de ouro em Sydney-00. Dois anos depois, quebrou o recorde mundial dos 100 metros rasos ao correr a prova em 9s78.

Sua carreira de atleta acabou em 2005 depois de um escandaloso caso de doping.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h14

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Truques das ruas

Eu adoro as frações

Não que eu seja um fanático por matemática ou fique vendo o número 42.195 (em vez do 23 do filme) em todos os lugares, mas descobri nas frações grandes amigas ao longo de meus treinos de distâncias mais avantajadas ou mesmo nas provas.

Trata-se do seguinte: a gente vê a prova ou o treino por partes. Primeiro, você só tem uma microparte do que vai fazer. Depois, uma partezinha. Com um pouquinho mais de esforço, uma parte e logo você já fez 40% da tarefa, num piscar de olhos ela termina.

Um exemplo concreto. Hoje saí para um longo. Com seis minutos, tinha feito somente 1/30 da distância que planejava cumprir. Era muito pouco, coisa de desanimar.

Mas, com apenas dois quilômetros a mais, cheguei a um décimo. Ah, isso, sim, já é alguma coisa. Outro tanto, e estava com um quinto da tarefa realizada. Faltavam apenas outras quatro partes...

E assim vai.

Parece bobagem (e é, não é?), mas ajuda. Ou, pelo menos, faz passar o tempo.

Assim como ajuda pensar que bastam 27 quilômetros bem feitos para você dominar a maratona. Claro: os cinco primeiros não contam, porque você está apenas aquecendo. Os cinco últimos também não contam, pois você já saiu da velocidade de cruzeiro e prepara corpo e mente para a arrancada final, quem sabe até passar alguns adversários nos metrinhos que faltam. E lá no meio tem uns cinco quilômetros em que tudo dói tanto que é melhor esquecê-los.

Taí, moleza.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h25

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Fala, leitor

Ritmo e sangue frio

No sábado passado, foi realizado em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, o 1º Desafio Ultramaratona 6 Horas, corrida em pista de 400 metros. No feminino, a vitória foi da experiente Maria Auxiliadora Venâncio; no masculino, venceu Adilson Dama Pereira, também experiente corredor de distâncias muito longas (veja o resultado completo AQUI). A pista também foi palco de experiências para jovens corredores, como o estatístico Paulo Nogueira Starzynski, 24, que adentrou o mundo das corridas há cinco anos e, em São Caetano, conquistou o primeiro lugar em sua categoria. É dele o relato que trago hoje para você.

"A semana que antecedeu o Desafio de 6 Horas foi de pouco treino _apenas 20 minutos na quinta_ e cuidado redobrado com a alimentação. Sentia-me preparado para a prova, mas em dúvida sobre o que esperar do organismo em um evento tão longo (na foto, Paulo e sua namorada chegam para o evento).

"A regra fundamental seria cuidar da alimentação, da hidratação e do ritmo, principalmente durante as primeiras três horas de prova.

"Defini uma estratégia de não correr direto mais que 60 minutos em nenhum momento da prova, intercalando os trechos com caminhadas de aproximadamente cinco minutos para me recuperar e aliviar o acúmulo de ácido láctico na musculatura.

"Dada a largada, todos saíram bastante rápido, pelo menos para o ritmo que eu imaginava ser o de início de uma ultra. Tentei não pensar nisso e seguir na minha estratégia.

"Depois de uma hora, enquanto todos ainda corriam bastante velozes, eu caminhava os meus primeiros cinco minutos, com a sensação de estar fazendo a maior besteira em termos táticos. Assim foi por mais algum tempo, até que no final da segunda hora eu era o último colocado em minha categoria.

"A organização e o pessoal do meu apoio foram muito eficientes em prover a hidratação e alimentação necessárias: água, isotônico, refrigerante, laranja picada, banana, carboidrato em gel e até sorvete!!

"O corpo respondia bem a cada trecho de corrida e se recuperava satisfatoriamente durante a breve caminhada.

"Os corredores que iam à minha frente foram cansando e reduzindo. Muitos passaram a caminhar largos períodos de tempo e outros tiveram de parar efetivamente para alongamento e massagem.

"No final da terceira hora eu já estava em segundo na categoria!

"Daí pra frente, com o moral mais alto e a certeza de estar fazendo uma boa prova, não tive mais dúvidas quanto à tática.

"O cansaço ia chegando e por isso passei a correr menos de uma hora, reduzindo proporcionalmente também o tempo de caminhada. O resultado foi o mesmo, porém longos trechos de corrida na fase final da prova consumiriam mais rápido o que restava de energia.

"Com quatro horas de prova eu já liderava a minha categoria e, talvez atrapalhado pela pressão de permanecer à frente, essa foi a fase mais difícil da prova.

"Tinha em torno de 1.500m de vantagem para o segundo, mas isso podia não ser nada se ele estivesse mais inteiro e fosse dar um bote nos 60 ou 40 minutos finais.

"Para alívio geral, na quinta parcial eu abrira mais de 4.000 metros e bastava administrar os últimos 60 minutos para garantir a vitória na categoria.

"Na pista, o psicológico faz muita diferença. É esquecer a dor e continuar correndo.

"Quando a prova acabou, depois de seis horas e exatos 63.074 metros percorridos, foi hora da comemoração e do pódio!

"As ultramaratonas em pista são, acima de tudo, táticas e psicológicas. Algo que todos deveriam experimentar ao menos um vez."

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h39

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Atleta em campanha

 

 

Discriminação mortífera

A campeã dos 400 m  em Sydney-2000, Cathy Freeman, posa num “mar de mãos”, campo montado para uma campanha publicitária que visa lançar mais luz sobre a enorme diferença da expectativa de vida dos aborígenes australianos e dos não-aborígenes (foto Paul Miller/AP).

Ela mesmo descendente dos habitantes nativos da ilha-continente, Freeman tem uma história de luta contra  a discriminação racial e por melhores condições de vida para os aborígenes.

Para quem não lembra, ela ergueu a bandeira aborígene em sua volta olímpica depois de conquistar o ouro na pista em Sydney-00, quando também foi a atleta indicada para acender a pira olímpica.

A campanha “Closing the Gap” (Reduzindo a diferença) é motivada pelo fato de que a expectativa de vida dos aborígenes australianos é 17 anos menor que a de seus compatriotas descendentes de europeus.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h54

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Eu não disse?

Eu não disse?

Contra o iPod – parte 2

 

 

Tempos atrás, dediquei a coluna +Corrida, que escrevo mensalmente no caderno Equilíbrio, da Folha, ao momentoso tema do uso de iPods e congêneres por corredores. Intitulei o texto “Contra o iPod” (AQUI, apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL).

 

No texto, dizia que várias maratonas norte-americanas já condenam o uso dos aparelhinhos, mas não chegam a tomar medidas punitivas contra os corredores que preferem participar da prova ao som de sua música pessoal.

 

Pois bem, a Grandma`s Marathon resolveu engrossar. Trata-se de uma das maiores dos Estados Unidos e talvez a mais “runner-friendly”, como eles gostam de dizer, referindo-se ao espírito amigável da prova e aos organizadores interessados no bem-estar dos atletas.

 

A partir da edição deste ano, em junho próximo, os toca-MP3 e congêneres estão banidos, proibidos. O uso dos aparelhos sujeita o corredor à desclassificação, e o nome do incauto não vai constar na lista dos concluintes.

 

No site da prova, que teve 6.909 concluintes no ano passado, os organizadores recomendam que os inscritos nem sequer levem seus aparelhos ao evento. Quem levar terá a opção de entregar os dispositivos, que serão guardados e devolvidos por correio aos legítimos donos.

 

Assim, a prova e outras corridas dos mesmos organizadores se adaptam às regras definidas pela entidade norte-americana de atletismo (USATF).

 

Na verdade, pelo que observei, acho que o artigo não tem muito a ver com o espírito das provas de rua. O objetivo do item citado (regra 144.3b) para justificar o banimento de dispositivos eletrônicos de áudio ou vídeo é impedir que os competidores recebam algum auxílio externo. E claro que não é essa a razão pela qual os corredores usam seus iPods e outros tocadores de música digital.

 

Além disso, até agora, eu sempre tinha visto a segurança e o respeito aos demais corredores alinhados como razões para que os organizadores de provas recomendassem que tocadores de músicas não fossem usados pelos atletas. O que, na minha opinião, até faz sentido. Mas deveria ser uma recomendação, não uma condição.

 

E outra coisa: os termos do comunicado colocado no site da prova poderiam ter sido mais elegantes e simpáticos, ainda mais considerando que a prova se orgulha de ser hospitaleira e ter grande espírito comunitário. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h09

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Grécia verde-amarela

 

Valmir campeonakos

Deu dobradinha brasileira no Segundo Festival Helênico de Ultramaratonas, que terminou hoje na Grécia. Na prova de 24 horas, Valmir Nunes deu um verdadeiro banho de bola, e Adeluci Moraes, de Londrina, também não deixou por menos no feminino.

O evento incluiu também uma prova de sete dias, vencida pelo alemão Wolfgang Schwerk, um cantor de óperas que, ao longo da disputa, aproveitou para bater o recorde mundial das 48 horas (como você viu neste blog).

Ao completar a oitava hora, Valmir Nunes estava a um quilômetro do então líder, o suíço Eusebio Bochons. Foi quando o brasileiro iniciou sua arrancada, assumindo a liderança antes do final da décima hora e não abandonando mais o posto.

A superioridade de Nunes era tamanha que, mesmo se tivesse parado na vigésima-segunda hora, teria completado mais quilometragem que os dois gregos que acabaram em segundo e terceiro lugares (o suíço desapareceu na poeira).

Mas Nunes seguiu e fechou a prova com 222 mil metros, com uma vantagem de mais de 12 quilômetros sobre o segundo colocado.

Já Adeluci Moraes começou arrasando e nunca chegou a ter sua liderança ameaçada. Apesar do cansaço que se abateu na segunda parte da prova (evidente pela redução do ritmo), ela segurou sempre uma diferença confortável em relação à segunda colocada. Acabou completando 174.394 metros, com uma vantagem de quase dez voltas sobre a finlandesa Maria Tachavuori.

Na prova de sete dias, o alemão correu nada menos que 1.011 quilômetros (quase a distância que separa São Paulo de Porto Alegre). A mulher mais rápida foi uma conterrânea do campeão, Cornelia Bullig, que rodou 811 quilômetros e terminou em quinto no geral.

PS.: Antes que alguém venha me corrigir: que eu saiba, a palavra campeonakos não existe; é apenas uma brincadeira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h22

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48 horas na estrada

Cada coisa é uma coisa

Fui atrás de informações sobre os recordes em corridas de 48 horas e, de fato, há registros diferentes para provas em pista e provas de estrada/ruas.

Na primeira modalidade, Yiannis Kouros tem mais de 473 quilômetros, mas a distância percorrida por ele na estrada é bem menor e foi efetivamente batida agora na Grécia.

Os dados que consultei foram os fornecidos pela American Ultrarunning Association.

Se você leu esta nota e não entendeu nata, role a página mais um pouco. Estou falando de marcas estabelecidas em um festival de ultramaratonas que está em andamento na Grécia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h27

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Brasileiro na ultramaratona grega

Voltas e mais voltas

O brasileiro Valmir Nunes está, neste momento, em segundo lugar em uma ultramaratona de 24 horas que está se desenrolando na Grécia.

Ao cabo das primeiras oito horas de prova, ele havia percorrido 96 quilômetros, um a menos que o primeiro colocado, o suíço Eusebio Bochons.

Valmir já foi campeão mundial dos 100 km e atualmente é o recordista das Américas em prova de 24 horas.

Você pode acompanhar o andamento da prova AQUI.

Além disso, o evento inclui também uma ultramaratona de sete dias, que está sendo liderada pelo corredor alemão Wolfgang Schwerk. Até o último registro (sexto dia), o corredor alemão havia percorrido um total de 936 quilômetros.

No site da prova, afirma-se que o alemão quebrou, ao longo da prova, o recorde mundial de 48 horas em corrida de rua, com 420 quilômetros. A marca anterior, segundo o site, seria de 413,5 quilômetros, estabelecida pelo superhipermegaultramaratonista Yiannis Kouros.

Ocorre que, na Wikipedia, a marca de Kouros para 48 horas é mais de 470 quilômetros. A discrepância pode se dever ao fato que uma é em estrada e outra em pista, mas vou procurar mais informações a respeito.  

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h54

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Bob Dolphin

Bob Dolphin

Enfim, a quadricentésima

Cinco horas, 39 minutos e 27 segundos. Esse foi o tempo que Robert Dolphin levou para completar a Yakima River Canyon Marathon no sábado passado, em Washington. Dolphin tem 78 anos e essa foi sua maratona de número 400, num evento que ele mesmo organiza com sua mulher e que acabou de completar sua sétima edição.

O veterano corredor começou a enfrentar as provas de 42.195 metros aos 51 anos. Desde então, chegou a trafegar pelas ultramaratonas, mas agora está totalmente dedicado às provas "curtas": no ano passado, correu 24 maratonas.

Já sofreu vários contratempos. Um dos mais doloridos talvez tenha sido o recente problema de saúde da mulher, Lenore, que o acompanha pelo mundo nas corridas e que é responsável pela distribuição dos relatos que Dolphin faz acerca da provas que participa.

Os dois superaram as dificuldades (Lenore ainda se recupera de uma angioplastia...) e chegaram juntos à linha de largada em Yakima, Washington, no frio noroeste dos Estados Unidos. Dolphin foi correr, Lenore tinha como missão incentivar a ele a a todos os outros lá presentes.

Depois da prova, troquei e-mails com com Bob. A "conversa"  completou uma entrevista que fiz com ele em outubro do ano passado. Leia a seguir os principais trechos.

Folha - Qual é a importância de completar sua maratona de número 400?

ROBERT DOLPHIN - Os maratonistas contam cada uma de suas maratonas porque é muito difícil completar essa prova, que é tão exigente e especial. Marcos como a maratona 400 são objetivos que merecem uma celebração, e daí partimos para a próxima meta (a 500ª, no meu caso). A mensagem é que você pode se colocar objetivos difíceis de alcançar e, mesmo assim, alcançá-los. Eu queria ser o primeiro corredor do Noroeste do Pacífico (dos EUA) a completar a maratona 400; agora, quero ser o primeiro do Oeste dos EUA a correr 500 maratonas.

A minha maratona 400 foi muito boa. As coisas funcionaram bem, e minha corrida foi melhor do que eu esperava. Eu estava sob muita pressão, mas CONSEGUI! Essa foi a primeira vez, em três anos, que terminei a maratona de Yakima em menos de seis horas. O tempo estava ideal, e tive apenas leves caimbras nos últimos cinco quilômetros.

Na chegada, fui tratado como um rei, com beijos e abraços da Lenore, champanhe, fotos, parabéns. Havia mais de 200 balões coloridos com o desenho de um golfinho (dolphin) e a inscrição "Bob’s 400th" (a 400ª de Bob), e muitos amigos correram comigo a parte final da prova. Meu filho Jeff e sua família vieram para a festa, assim como a milha filha Ellen e seu marido. Uma sobrinha-neta correu a maratona, e outros parentes também ajudaram na organização e nos trabalhos de apoio aos corredores.

Folha - Quem era você antes de começar a correr?

ROBERT DOLPHIN - Tenho doutorado em entomologia. Trabalhei como entomologista por 26 anos. Trabalhei na área de controle de mosquitos do Estado da Califórnia, e depois no Departamento de Agricultura dos EUA, onde fiquei por 23 anos. Minhas pesquisas incluíram trabalhos na área de controle biológico de pragas, o uso de inimigos naturais, insetos contra insetos.

Folha - Paralelamente à sua vida profissional, o senhor já tinha, naquela época, uma vida esportiva?

Dolphin - Eu pratiquei atletismo quando estava no segundo grau: salto em distância, algumas provas curtas de corrida e até uma prova de três milhas. Quando eu estive no Marine Corps, participei por um pequeno período de tempo da equipe de corridas da unidade em que estava. Depois, voltei à universidade e também ao trabalho na área civil. Todo esse tempo eu tive uma vida ativa, mas não pratiquei nada de esportes porque estava simplesmente muito ocupado: tinha uma família para cuidar, o trabalho, os estudos... E as corridas só se tornaram tornaram populares nos Estados Unidos em meados da década de 70. Eu comecei a correr em 1979, quando tinha 49 anos. No ano seguinte eu corri uma prova de dez quilômetros (Human Race, em maio, em Columbia, MO). Daí eu entrei num clube de corridas e passei a participar de provas curtas. Em 1981, corri minha primeira maratona, e não parei mais.

Folha - O que fez com que o senhor passasse das provas curtas para a maratona?

DOLPHIN - Nesse clube de corrida, vários dos colegas corriam maratonas, e eu fiquei tentado a fazer uma também. Então fiquei treinando. Nesses dois anos em que corria, de 79 a 81, eu fui aumentando as distâncias. Corri a minha primeira maratona na cidade onde eu estava morando na época, em Columbia, Missouri, e foi a Heart of America Marathon, 1º de setembro de 1981, Dia do Trabalho nos EUA. Fiz esse difícil percurso em 3h50. Algumas semanas, depois corri uma outra em Kansas City, num tempo parecido. Mais algumas semanas e corri em Saint Louis, em 4h15. E fui indo. No ano seguinte, corri oito maratonas. Nos primeiros dez anos em que corri maratonas, fiz em média dez provas por ano. Não há muito problema, desde que faça em fim de semanas seguidos, desde que você deixe algum intervalo entre as provas.

Folha -E por que tantas? A maioria dos treinadores de corrida e médicos do esporte recomendam no máximo duas provas por ano...

DOLPHIN - Eu não gosto muito de fazer treinos longos. Tentei algumas vezes, e descobri que prefiro correr logo uma maratona do que fazer um treino de 20 milhas (a maratona tem 26,2 milhas). Eu gosto do clima das maratonas, do esporte, das viagens, dos amigos que você faz, gosto do desafio que envolve. Então, assim como quem gosta de sair para jogar golfe ou jogar tênis num fim de semana, eu saio para correr uma maratona.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h51

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Bob Dolphin - parte 2

Bob Dolphin - parte 2

"Eu corro maratonas"

Segunda parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Isso não lhe parece uma espécie de vício?

DOLPHIN - Acho que sim, até um certo ponto. Mas não mais do que o caso de alguém que gosta de jogar golfe todos os finais de semana. É um vício saudável. Eu gosto do desafio, gosto da competição. Eu gosto muito da competição nas faixas etárias. Eu sempre me saí muito bem na minha faixa etária. Pertenço a um grupo chamado Marathon Maniacs (Maníacos por Maratonas), e todos lá correm muitas maratonas porque eles gostam. É uma maneira de ficar em forma, de fazer muitos amigos e de conhecer o país. Não é incomum, hoje em dia, ter pessoas correndo muitas maratonas. Minha mulher e eu somos diretores do Clube das 100 Maratonas. Nós temos 175 membros, e há gente se associando a toda a hora. Nós não estamos tentando ganhar as corridas, mas tentamos nos sair bem, competir na faixa etária. Você pode correr um grande número de maratonas. Você não perde seu treinos. Você pode usar cada maratona como um treino longo para a próxima maratona.

Folha - O senhor tem um médico que o acompanha ou um técnico? Imagino que eles digam que fazer tantas maratonas não é bom para a saúde...

DOLPHIN - Bem, eu estou com 77 anos (na época da entrevista; hoje ele está com 78 anos) e me considero em bom estado de saúde. Não tenho problemas de articulações, passo muito bem nos meus exames anuais, estou em muito boa forma. Alguns médicos admiram o que eu faço... Isso está se tornando uma tendência, em que mais pessoas correm maratonas mais freqüentemente. Eu costumava fazer também ultramaratonas, mas parei quando fui ficando mais velho. Agora me especializei em maratonas.

Folha - Qual é o impacto da corrida em seu cotidiano? O senhor treina muitas horas?

DOLPHIN - Às vezes, na primavera e no outono, eu corro maratonas em seis fins de semana seguidos. E se eu for fazer uma maratona a cada final de semana, não faço nenhum outro exercício especial. Corto a grama, faço algumas pequenas caminhadas, mantenho-me ativo, mas não treino corridas. Em outros períodos, em que as maratonas estão mais espaçadas no tempo, daí, sim, eu faço alguns treinos curtos de corrida, de cinco a dez milhas. Mas a maior parte das minhas corridas é mesmo em competições. Participo de provas curtas, especialmente no inverno, e faço parte de times que participam de duas corridas de revezamento, o Hood to Coast (www.hoodtocoast.com/dev/) e Mt. Rainier to the Pacific Relay. Faço muitas corridas curtas também, que funcionam como treinos de velocidade _elas me dão velocidade, acho. Enfim, eu me considero um afortunado por ser capaz de , na minha idade, fazer uma maratona a cada final de semana ou a cada quinze dias.

Folha - E o que o senhor me diz sobre suas atividades que não envolvem a corrida?

DOLPHIN - Meu objetivo na vida é correr o máximo que eu puder. À medida em que vou ficando mais velho, tenho de caminhar mais durante as corridas. Caminho nas subidas, nos postos de hidratação, nas últimas milhas, quando a prova fica difícil. Mas eu ainda corro cerca de 80% da distância total e caminho apenas para completar, quando sinto que é necessário. Já caminhei maratonas inteiras, do começo ao fim, e já fiz caminhadas de 24 horas algumas vezes. Então eu sei que, quando eu não puder corrê-las mais, ainda poderei caminhar as maratonas. Um amigo meu, de 85 anos, já correu 700 maratonas _começou mais cedo do que eu. Ele já não consegue correr a maratona, mas consegue caminhar. Então ele começa a prova antes, quando isso é permitido, e ele caminha a maratona inteira. Ele faz muito mais maratonas do que eu faço por ano. Só conheço umas poucas pessoas no país que fazem isso, e ele é uma delas.

Folha - Então eu volto à pergunta: por que fazer isso? O senhor disse que gosta da competição. Mas o que correr faz ou traz de bom para a pessoa?

DOLPHIN - Nas faixas etárias, seu competidores vão envelhecendo assim como você, então você tem chances de se manter competitivo. Às vezes, um ou outro cai fora, e a competição fica mais fácil à medida que você fica mais velho. Alguns sujeitos que, há 20 anos, costumavam correr comigo e me vencer não estão mais correndo. Foram para outros esportes ou sofreram cirurgias, então a competição já não está mais tão dura como foi. É simplesmente um estilo de vida, é uma identidade. É quem eu sou. Se me perguntam o que eu sou, o que eu faço, eu respondo: "Eu corro maratonas".

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h45

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Bob Dolphin - parte 3

Bob Dolphin - parte 3

Dançando para o amor

Terceira parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Como é o trabalho com sua mulher?

DOLPHIN - Lenore e eu, nós formamos uma dupla. Nós somos co-diretores da Yakima River Canyon Marathon. Minha mulher toma conta das coisas e eu corro. As pessoas gostam de nossa prova e voltam ano após ano...

Folha - E ela o acompanha em provas pelo país.

DOLPHIN - Ela é muito ativa. É uma excelente diretora de prova, muito conhecedora. Ela tem uma deficiência física e não pode caminhar muito bem, quanto mais fazer outras coisas, por causa de dores nas costas e tudo isso... Mas ela é uma entusiasta e atua como voluntária em diversas provas. E ele e eu vamos a encontros e seminários de diretores de provas, e ela é bem conhecida na comunidade de corredores, tem boa fama como diretora de prova. E ela me dá muito apoio. Toma conta de todos os detalhes das viagens. Quando eu escrevo um artigo, ela digita e edita o texto. Nós somos um time.

Folha - Você estão casados há quantos anos?

DOLPHIN - Vamos completar 12 anos no mês que vem (novembro 2006). É por isso que nós temos duas casas. Ela morava perto de Seattle, em Renton, e eu tinha essa casa em Yakima, onde eu estava alocado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Nós mantivemos nossas casas.

Folha - O senhor tem filhos, netos?

DOLPHIN - Tenho uma filha casada, em Yakima, e ela tem uma filha casada em Renton, e ela tem outros filhos que moram na Califórnia e no Estado de Washington. Eu tenho outra filha casada que mora em Illinois. Nós juntamos nossas famílias. Nós já somos bisavôs e provavelmente somos os mais velhos diretores de prova nos Estados Unidos.

Folha - Como vocês se conheceram?

DOLPHIN - Eu voltava de uma competição de atletismo, e a gente se encontrou em Ellensburg, que é cerca de 35 milhas ao norte de Yakima. Eu estava solteiro, era viúvo, minha primeira mulher já tinha morrido, e eu fui a um clube, Eagle Club, e ela estava lá com algumas amigas, colegas de escola. Eu dancei com várias daquelas senhoras, e ela e eu nos demos muito bem, trocamos números de telefone, passamos a nos encontrar e casamos um ano e pouco depois.

Folha - O que seus familiares pensam de sua corrida?

DOLPHIN - Minha mãe ainda está viva, mora numa casa de repouso para idosos _ela está com 95 anos. Até alguns anos atrás, ela costumava dizer que eu iria prejudicar minha saúde, mas acho que acabou aceitando. E meus filhos, netos e bisnetos, todos eles me dão muito apoio, eles acham que é muito bom. E meus filhos adotivos também dão muito apoio. Acho até que eles têm um pouco de orgulho de minhas realizações. E ninguém tenta me convencer a parar de correr.

Folha - O senhor acha que teriam sucesso se tentassem?

DOLPHIN - Acho que não. É uma coisa que eu gosto de fazer, e espero continuar fazendo enquanto durar minha saúde. Pretendo continuar competindo enquanto não tiver dores, enquanto não sofrer. Eu já tive muitas lesões, mas tudo já passou, nunca tive nada crônico. E também nunca tive de sofrer uma operação.

Folha - Bem, hoje o senhor está aposentado, como é que o senhor vive?

DOLPHIN - Já estou aposentado há quase 20 anos, eu me aposentei com 58 anos. Tive uma boa aposentadoria, uma boa pensão. Minha esposa trabalha para o filho dela, cuida de sua contabilidade, e também ganha algum. E nós fazemos muitas maratonas em locais próximos, que não exigem grandes viagens nem grandes gastos. Nós não vamos muito freqüentemente a outros Estados, e a única viagem que fizemos à Europa foi para fazer a maratona de Londres _foi minha maratona de número 200. Nós tentamos economizar. Nas viagens, ficamos com amigos ou parentes sempre que possível, e até agora estamos nos dando muito bem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h40

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Bob Dolphin - parte 4

Bob Dolphin - parte 4

"Tento não exagerar"

Última parte da entrevista com Bob Dolphin, entomologista aposentado de 78 anos que acaba de completar sua maratona de número 400.

Folha - Qual a maratona que o senhor mais gostou e qual foi a pior?

DOLPHIN - Minha favorita é a Yakima River Canyon Marathon (foto), que nós organizamos. É um lindo cenário, bem organizada, nós gostamos. A segunda é a Royal Victoria Marathon, em Vancouver. É uma prova muito bonita, muito bem organizada. Foi lá que fiz minha maratona de número 300, alguns anos atrás, e eles me deram inscrição gratuita vitalícia, e eles sempre me tratam muito bem, saúdam minhas realizações.

Também tive meus momentos difíceis, especialmente no calor. Corri a Crater Lake Marathon no ano passado, a altitude chega a quase 2.000 metros e estava muito quente, quase nos 30 graus, levei 7h30 e quase não consegui completar. Eu fiz a Pikes Peak Marathon  uma vez. Lá você sobe a mais de 4.500 metros, dá a volta e desce tudo de novo. Levei cerca de oito horas e meia e tive o mal de altitude.

Tive minhas dificuldades, mas eu tive sorte: fui obrigado a parar em apenas uma maratona e em uma ultramaratona. A maratona foi há um ano e meio, tive uma lesão que não me permitiu ir além da milha 15. Anos atrás, tive de abandonar uma prova de cem quilômetros na milha 12 porque eu estava com uma lesão à qual não dei bola. Eu não deveria ter nem sequer entrado na prova, mas fui assim mesmo e me dei mal.

Folha - O senhor tem algum tipo especial de dieta?

DOLPHIN - Não, nada em especial. Eu não como muita carne. Gosto de peixe, saladas, frutas, vegetais, massa. Minha alimentação tende a ser mais carboidratos. Não bebo muito, apenas um pouquinho de cerveja, um pouco de vinho, mas é só. Acho que minha dieta é muito saudável...

Folha - E as sobremesas?

DOLPHIN - Adoro sorvetes. São minha fonte de cálcio (risos)... Tento não exagerar.

Folha - O senhor falou que usa as provas curtas como treinos de velocidade. E como são seus treinos de força? Faz musculação?

DOLPHIN - Eu gosto de fazer caminhadas e hiking, é o meu segundo esporte. Já fiz um pouco de musculação, mas não fui muito religioso. Tenho de voltar a fazer, pois sinto falta, vejo que estou perdendo massa muscular. Mas eu gosto mesmo é de longas caminhadas, de cortar grama, essas coisas. Eu cheguei a fazer triatlos, cheguei a fazer uns 15, mas eu não era muito bom, acabei desistindo. Acho que, fora das corridas, as caminhadas são meu outro esporte. Eu descanso bastante entre as maratonas, tento dormir e relaxar. Eu gosto de treinar, mas tento não exagerar. Então, talvez na maioria das vezes eu esteja subtreinado do que treinado em excesso. Eu já tive lesões no passado, então eu tento não exagerar para não me machucar novamente.

Folha - Que conselhos o senhor daria para quem está começando a correr?

DOLPHIN - Quem gosta de correr deveria ser encorajado a continuar. Correr pode ser cansativo, você pode se machucar, e você deve fazer o melhor possível para evitar lesões ou aprender a conviver com os problemas. Eu nunca corri uma maratona que fosse fácil, especialmente nas últimas seis milhas (cerca de dez quilômetros). É realmente muito desconfortável, mas é o desafio que você tem de enfrentar. É uma questão de resistência, de persistência.

Folha - O senhor tem uma lista de coisas que se devem e que não se devem fazer?

DOLPHIN - Eu tento não começar a prova muito rapidamente, procuro guardar alguma energia para as últimas milhas e tento não me cansar exageradamente por correr subidas fortes -vou mais devagar ou caminho para economizar energia. Tomo líquidos constantemente e também uso carboidrato em gel, provavelmente na maratona eu como e bebo mais do que a maioria das pessoas costuma. Também consumo essas cápsulas com três tipos de sal, pois tenho tendência a ler câimbras nas pernas. Enfim, procuro encontrar formas para completar a maratona confortavelmente.

Troco de tênis periodicamente para não ter lesões por causa de tênis muito gastos, e tento usar roupas apropriadas para o clima, e sempre tenho roupas extras, em caos de o tempo mudar durante a prova e eu tenha de me proteger contra o vento ou a chuva. Tento ter tudo o que preciso comigo, numa pochete, com minhas cápsulas, meus sachês de gel e outras coisas.

Com a experiência, você acaba aprendendo o que funciona para você. Eu tenho de usar protetor solar para não ter câncer de pele, eu já tive melanomas removidos. Eu tenho tendência a desenvolver câncer de pele, então preciso me cuidar.

Folha - Depois de tantas maratonas, o senhor ainda fica nervoso antes da prova?

DOLPHIN - A gente sempre tem alguma preocupação, especialmente com o clima: se vai ser muito quente, se vai chover... A gente sempre quer fazer o melhor. Cada vez que vou fazer uma maratona, fico um pouco apreensivo um ou dois dias antes, desejando me sair bem, esperando não ter muito problemas. Há sempre algum grau de excitação, de entusiasmo e de preocupação. Você nunca pode ter certeza de que vai completar a maratona até que você veja a linha de chegada. Nada é garantido. Às vezes, surgem lesões ou outros problemas que te impedem de continuar. Nada é garantido. Simplesmente tente fazer o melhor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h37

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Ensaio sobre uma teoria do valor

O fator 7

Essa questão dos preços dos tênis no Brasil remete para uma discussão que venho tendo, no jornalismo de informática, desde que comecei a atuar no segmento, já lá se vão muitos anos: como as empresas justificam os preços que praticam no país?

Por dedução, vários jornalistas chegaram a um resultado que, na falta de outo nome, chamamos de "fator 7".

Ou seja: para estabelecer o preço final de qualquer bem de informática no Brasil, as empresas simplesmente multiplicam por sete o seu valor de face no mercado de origem, mormentemente o norte-americano.

Parece que outros segmentos se apropriaram do modelo. É por isso, por exemplo, que um tênis de US$ 70 é vendido por R$ 499 no Brasil, com uma esticadinha no fator 7.

Sabe-se lá qual a razão para isso, e obviamente que você poderá encontrar não poucas exceções, dado que essa não é uma "lei", mas simplesmente uma dedução baseada na observação de uma certa quantidade de preços.

Quando, em reportagens, alguma empresa é instada a justificar o preço que pratica, tão distante do original, em geral o executivo argumenta com os impostos brasileiros.

Trata-se, evidentemente, de uma falácia, como bem calculou o caro leitor Nishi, em comentário publicado neste blog, que trago de novo à baila:

"Considerando o câmbio a mais ou menos R$ 2,05, um tênis de US$ 70 custaria uns R$ 150,00. Existe o imposto de importação, que encareceria esse valor em 60%, o que daria mais R$ 90,00, totalizando R$ 240,00. Lógico que tem também o frete, mas duvido que isso custaria mais do que R$ 100. Chutando, no limite uns R$ 340,00, o valor já compensaria a importação. Talvez o meu cálculo tenha esquecido de algum outro fator, mas, mesmo assim, ainda estamos longe dos R$ 500,00 cobrados pelas boas lojas do ramo."

Para deixar ainda mais clara a falácia, lembre-se de que o valor original com que estamos trabalhando é o preço ao consumidor final. Portanto, já embute os custos e lucros dos envolvidos no processo produtivo.

Ocorre, porém, que há muito tempo que o custo de produção e outros custos agregados deixaram de ser o critério para a formação do preço de um produto. O preço, como nós, consumidores, estamos carecas de sofrer, é o valor mais alto que o mercado aceita pagar. Em suma, de certa forma, somos nós, os pagantes, os responsáveis pelos preços que pagamos.

Isso é ainda mais verdade no mercado de elite, como o que estamos tratando aqui. Faz parte do fetiche de "ser elite" a característica "ser caro". E por aí vai.

Para completar, lembro a sabedoria de Shakeaspeare, que ensinou: "Há mais coisas entre o céu e a terra que nossa vã filosofia pode alcançar".

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h41

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Brooks no Brasil

Variedade limitada

Uma das melhores marcas de tênis de corrida chega ao mercado brasilerio com mais força. Trata-se da Brooks, cujos produtos vêm sendo encontrados no país de forma muito irregular. Há uns cinco anos, o modelo Vapor, para corredores com pisada neutra, estava disponível até em algumas lojas de shopping em Porto Alegre e Florianópolis. Hoje em dia, a oferta continua incerta e aleatória.

A loja Velocita, de São Paulo, parece querer mudar um pouco essa história e vem propagandeando a disponibilidade de tênis de corridas Brooks.

É muito bom que os corredores possam analisar essa outra opção, mas a variedade disponível é bem limitada. E, para variar, os preços estão lá no alto.

Mesmo assim, há pelo menos dois modelos de alta qualidade, que recomendo para análise de eventuais interessados.

O primeiro é o Brooks Beast. Trata-se de um tênis para pronadores severos e pesados. É também pesado, largão e tem um superamortecimento (apesar de ser de controle de movimento). Infelizmente, a Velocita não traz a linha Addiction, que é mais barata um pouco, não é tão rígida e tem excelente amortecimento. Quando eu usava tênis de pronação, o Addiction 4 e o Addiction 5 estiveram entre os mais confortáveis.

A mesma falha de oferta se verifica na linha de tênis para corredores com pisada neutra. Está disponível o Glycerin 5, que é um tênis muito bom (um dos que uso é o Glycerin 4), mas mais rígido e com menos amortecimento que seu irmão menor, o Radius, que é muuuito mais confortável e bem mais barato. No ano passado, comprei o Radius 4 por US$ 40 (!!) numa promoção; no início deste ano, o Glycerin me saiu US$ 75.

E aí volto a tocar na questão preço. São abusivos. O Glycerin 5, por exemplo, você encontra por US$ 80 na internet; na loja, está R$ 499,99. O Beast, que custa o mesmo em reais, é encontrável por US$ 70 na internet. Claro que é difícil fazer a compra pela internet ou você vai gastar tempo extra, quando em viagem ao exterior, se quiser aproveitar promoções. Mas repito: quem puder comprar no exterior deve fazê-lo, pois a diferença é enorme.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h25

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Circuito Nacional dos Carteiros - Maceió

Gêmeos em ação

Apesar de não aparecer muito nos calendários de revistas e sites especializados, o Nordeste brasileiro oferece uma rica e intensa programação de corridas. E circuitos nacionais também abrem etapas no nordeste, como é o caso do Circuito Nacional dos Carteiros, que teve no último sábado uma prova em Maceió. Bem que eu gostaria de participar em cada uma delas, com direito a banho de mar depois da corrida, mas nem sempre a vida leva a gente como a gente quer. Em compensação, trago o bem-humorado texto de Gilmário Mendes Madureira, treinador de atletas de elite e orientador de corredores amadores, mentor do clube de corridas baiano Multsport. Ele nos conta um pouco como foram os dez quilômetros de Maceió. Vamos ao texto de Gilmário.

"Na prova dos Circuito Nacional dos Carteiros de sábado passado (dia 31), em Maceió (Alagoas), algumas coisas ficaram evidentes e uma até hoje causa dúvida.

"A prova se desenrolou como qualquer outra bem disputada corrida de dez quilômetros: pelotão da frente largando forte, alguns permanecendo na disputa até o sprint final (diferença de 12 segundos entre o primeiro e o quarto colocalos na geral) e bons tempos registrados.

"Até agora, porém, muitos que assistiram e correram a prova estão a perguntar: "Quem venceu foi Cosme ou Damião?"

"Brincadeiras à parte, a semelhança entre os dois jovens atletas alagoanos é tão grande que não dá chance de saber quem está na frente _ainda mais considerando que vestiam uniformes iguais.

"Pelo resultado oficial, o vencedor foi Cosme Anselmo, com 30min06; seu irmão gêmeo, Damião, chegou em terceiro, oito segundos mais tarde. Entre os dois, a apenas três segundos do vencedor, ficou Antonio Marcos, de Garanhuns.

"No feminino, não havia dúvidas. Aqui, só o uniforme era igual (as duas que disputavam a liderança eram da equipe Multsport, de Salvador), mas Marluce Queiroz e Reneide Sacramento eram bem diferentes, coincidindo apenas a vontade de vencer.

"O Circuito Nacional dos Carteiros ocorre em todo o Brasil, mas já tem tradição no Nordeste, com boas disputas regionais e bons prêmios em cada etapa.

"Todas as capitais nordestinas são brindadas com as etapas respectivas. A próxima será em Aracaju (10 de junho) e, se você do Sul estiver "de bobeira" viajando pelo Nordeste, pode coincidir de estar numa cidade com esse organizado circuito.

"Além das belas e famosas praias, todos podem conhecer eventos com sotaque regional e tempero nordestino."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h38

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Nova Friburgo - RJ

Nova Friburgo - RJ

 

Dolorida ecologia

Em preparação para sua primeira maratona, Marcus Vinícius Pinheiro correu ontem os 30 quilômetros de Friburgo, no Rio de Janeiro, uma das belas provas fora do asfalto que o Brasil nos oferece. Analista de sistemas, Marcus era praticamente um sedentário te metade do ano passado. Em seis meses, saiu da mesa do computador com 92 kg para as corridas nas ruas, agora com 74 kg. Aos 38 anos, treina de cinco a seis vezes por semana e nos brinda com um belo relato. Leia a seguir o texto de Pinheiro, que pretende estrear na maratona do Rio, em junho próximo.

"A 83 dias da maratona, as distâncias devem aumentar. Com esse pensamento fui a Friburgo realizar os 30 km Ecológicos, uma dureza onde 15 km são da mais pura subida, culminando em uma altitude de dar vertigens.

"Mas com uma coisa eu não contava: a dor na lateral do joelho esquerdo proporcionada por um recente deslocamento da "cabeça" do perônio. Sim, aquele osso mais fino da parte inferior da perna que, não sei por que motivo, saiu do lugar há duas semanas. A discussão filosófica é: "Dói mais quando sai ou quando coloca no lugar ?"

"Lá estava eu em um ritmo excelente morro acima. Mas, no km 6, o pior dos meus pesadelos aconteceu. Uma superdor na lateral do joelho esquerdo, tornando impossível não mancar.

"Não acreditava: km 6, em uma prova de 30 km? O que fazer? Não conseguia imaginar ter que suportar aquela dor por mais 24 km. Comecei a pensar e agir. E em um procedimento repetitivo fazia: "Esfrega, caminha e corre ..."

"No km 8, não via perspectiva de melhora ...

"Meus colegas de equipe, ao passarem por mim, gritavam: "É melhor não forçar ... "Mas como iria abandonar? Não era a simples perda da medalha, e sim minha última grande prova antes da maratona.

"Fiquei no meu mantra: "Esfrega, caminha e corre ..."

"Um motoqueiro da organização parou ao meu lado e perguntou: "Quer abandonar? Eu te levo de volta ..."

"Respondi que iria tentar mais um pouco.

"Eu lembrava dos telefonemas que recebi essa semana, de minha treinadora, de amigos, todos dizendo: "Você é capaz". Lembrava do meu atual livro e cabeceira, "Portões de Fogo", o conto de Heródoto que deu origem ao filme "Os 300 de Sparta". Eles eram Guerreiros! Não desistiam nunca, sua glória era morrer lutando ...

"Esfrega, caminha e corre ..."

"E a dor foi diminuindo. Era milagre! Só podia ser: km 11 e o joelho a estabilizado. A dor não sumira completamente, mas já era suportável.

"O mantra mudou: "Corre, agradece e corre ..."

"Meu plano de terminar a prova em menos de três horas foi para o espaço. Mas àquela altura do campeonato terminar era lucro!

"E dá-lhe ladeira acima. Cheguei à metade. Agora é tudo morro abaixo ...ou quase isso.

"Lá vou eu tentando recuperar o tempo perdido. Km 21, 25, 28. Só faltam dois!

"E enfim a chegada !!!

"Ao entrar na rua, vi um corredor de 50 e poucos anos, de minha equipe, e sua comemoração com o filho por estar chegando.

"Faltando cerca de seis metros para a chegada, ele percebeu minha aproximação e chegou para o lado para que eu o passasse.

"Eu o cutuquei e disse : "O senhor merece essa chegada " Ele retrucou: "Não! Você está mais rápido! Cruze você."

"Acabamos cruzando junto. O tempo valeu como treino: 3h17min35.

"E que venha a Maratonaaaaaaaaaa !!!!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h43

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Circuito das estações

Chip cheio de complicações

Hoje conto com a colaboração de meu colega de Redação e vizinho de blog Fábio Seixas, que correu a primeira prova do Circuito das estações deste ano e nos traz seu relato. Sem mais delongas, vamos ao belo texto do Seixas.  

"Não, você não está no blog errado. O texto é meu, Fábio, mas o blog é o do Rodolfo. É que hoje pela manhã deixei de lado os antiecológicos motores e pneus e resolvi me aventurar na seara do meu vizinho de blog. Tênis, shorts, camiseta vermelha, cronômetro no pulso, lá fui eu, cedo, cedo, para a prova de outuno do Circuito das Estações Adidas.

"Foi a terceira ou quarta vez que disputei uma prova de 10 km. Não sou exatamente um fanático por corridas, mas gosto dessa distância. É o ideal para manter o equilíbrio entre os excessos dos bares e restaurantes e uma certa tranqüilidade na consciência.

"A prova, na verdade, começou na véspera. Para alguns, ainda antes. Sexta e sábado eram os dias para buscar o kit da corrida, basicamente a tal camiseta vermelha e o número de peito. "Mas e o chip?", era a pergunta mais ouvida ali no balcão da Bayard do Shopping Ibirapuera, onde escolhi buscar o meu. "O chip, só amanhã", era a resposta.

"O que já me deixou encafifado. Por que, afinal, não entregar tudo junto, como nas provas anteriores que fiz?

"Pois hoje pela manhã, ouvi a mesma pergunta dezenas e dezenas de vezes nos mais variados tons de voz e de nervosismo. O que fizeram (ou não fizeram) na entrega dos chips foi digno de comédia pastelão. Desorganização das grossas.

"A entrega acontecia numa tenda montada na Praça Charles Miller. A cada 300 ou 350 números, havia uma fila. O "probleminha" é que esqueceram de sinalizar qual fila era referente a qual espectro de números. Na verdade, até fizeram uma sinalização. Mas parecia piada. As caixinhas onde os envelopes com os chips eram guardados tinham uma indicação. Agora, tente enxergar isso com centenas de pessoas à sua frente...

"No improviso, os pobres dos atendentes levantavam as plaquinhas vez ou outra. "Pobres", escrevi, porque foram eles que ouviram os desabafos e xingamentos de quem ficou por muito tempo na fila e perdeu, por exemplo, a chance de fazer um alongamento decente.

"Foi meu caso. Não falo do xingamento, mas sim da preparação para a prova. Cheguei ao estádio às 7h20 e só consegui pegar meu chip, depois de duas filas erradas, às 7h50.

"Pelas conversas com amigos que correram o circuito no ano passado, a impressão é que a prova cresceu muito desde a última edição, mas que a organização não acompanhou o ritmo. Chato.

"Apesar da confusão, a largada aconteceu com pouquíssimo atraso. E ali estava eu, 8h05 de um domingo, correndo pela avenida Pacaembu. Que Gordo, Bigão, Bibi, Garrafa, Jureba, Silveta e outros marginais da cerveja tentem me entender...

"Os dois quilômetros iniciais são tranqüilos: terreno plano, árvores proporcionando boas sombras, todo mundo animado. As dificuldades começam após o túnel. Uma subida leva até o Minhocão. E é sobre o mais horrendo monstrengo arquitetônico da cidade de São Paulo que se desenrolam seis quilômetros da prova.

"A primeira constatação é óbvia: não há árvores, portanto não há sombras. E embora os dizeres na minha camiseta insistissem em lembrar que estamos no outono, o clima nesta manhã era do mais brasileiro verão.

"No Minhocão, pelo menos, dá para se distrair vendo muita coisa que passa despercebida quando estamos acelerando o carro.

"Vi pichações no asfalto. Vi um sujeito, ao lado de uma criança, jogando lixo pela janela do apartamento. Vi senhoras curiosas, apoiadas no parapeito. Vi uma moça lavando a sacada. Vi camisinhas no meio-fio. Vi um senhor passeando com seu poodle em meio à correria. Vi aquele outdoor da Cicarelli _ah, sim, esse eu vejo mesmo de carro.

"As distrações ajudaram a fazer o tempo passar. Sim, o último quilômetro de Minhocão é terrível, mas o sorriso ressurge no rosto assim que o declive começa.

"De volta à Pacaembu, só alegria. Os derradeiros dois quilômetros são percorridos exatamente no mesmo trajeto do início da prova.

"Fechei a corrida em 53min14s, segundo meu cronômetro. E, se faltou organização antes da prova, não há motivos para queixas do pós-corrida: bela medalha e distribuição farta de isotônico, frutas, água.

"Ganhei até um chinelo, devidamente calçado ainda no estádio. Será ele meu companheiro até amanhã de manhã, quando, se as bolhas deixarem, tentarei dar uma corridinha no parque."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h44

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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