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Vai passar na TV
Recebi há pouco a informação de que a maratona de Nagano vai passar na TV aqui no Brasil, transmitida pelo canal NHK (TVA, com certeza; mas outras operadoras também devem tê-lo).
Não consegui confirmar oficialmente a dica, mas estou colocando aqui apenas para não dizerem que não falei das flores.
Pelo que entendi, começa às 20h35 no horário brasileiro.
Tomara que dê tempo para você assistir. Mande seus comentários sobre a prova e a transmissão.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h36
Belas e rápidas
Há as bonitas, mas não tão velozes. E as rápidas, mas meio chatinhas. E temos ainda as belas e rápidas, para deleite dos corredores que buscam performance, mas não deixam para trás o hedonismo.
Estou falando das maratonas deste domingo, que está repleto de provas importantes, atraentes, que chamam para si os olhos do mundo.
A mais charmosa _e principal destino internacional dos corredores brasileiros_ é a maratona de Paris.
A mais rápida talvez seja a de Roterdã, na Holanda, e a prova comemorativa em Nagano, no Japão, leva a taça de mais cerimoniosa.
O domingão também traz maratonas legais na Itália, na Austrália, em Nantes (interior da França) e até no pólo Norte.
De minha parte, estarei queimando o asfalto paulistano na meia-maratona da Corpore.
Boa prova para todos e cada um neste mundo velho sem porteira.
Escrito por Rodolfo Lucena às 09h40
Corrida na parada gay
A coluna Mônica Bergamo de hoje, na Folha, diz que será realizada no dia 7 de julho a 1ª Corrida da Diversidade de São Paulo.
A prova faz parte do calendário da Parada do Orgulho GLBT e aceitará inscrições tanto do público gay quanto do hétero.
Eu nunca tinha ouvido falar de uma corrida do gênero aqui no Brasil, mas há várias no exterior.
Em San Francisco, por exemplo, há um monte de grupos esportivos de gays e lésbicas (veja uma lista AQUI). E há mais de 20 anos são disputados os Gay Games, cuja próxima edição será em Colônia, na Alemanha, em 2010.
Escrito por Rodolfo Lucena às 09h05

Recorde reconhecido
O inglês Robert Garside finalmente conquistou seu grande objetivo: no final de março, recebeu do Guinness um documento reconhecendo seu recorde mundial como primeiro homem a dar a volta ao mundo correndo.
O reconhecimento chega mais de três anos depois de Garside ter terminado sua jornada e funciona também como uma espécie de vingança contra seus detratores. Ao longo de sua caminhada, o corredor foi vítima de críticas de sites especializados em ultramaratonas, que duvidavam da honestidade de seu comportamento (veja AQUI).
Agora, porém, suas provas foram sacramentadas pela entidade, que publicou um texto afirmando ser essa a primeira corrida de volta ao mundo devidamente comprovada (leia AQUI).
A jornada reconhecida pelo Guinness começou e terminou em Nova Déli, na Índia. Durou 2.062 dias e cruzou 29 países, totalizando mais de 48 mil quilômetros.
Em 1999, Garside passou pelo Brasil. Eu o entrevistei, por telefone, quando ele estava em Curitiba, e depois voltamos a conversar em São Paulo (a foto acima, de Niels Andreas/Folha Imagem, é do dia da chegada dela a Sampa).
O resultado foi uma reportagem da contracapa de Esportes, na Folha, em 26 de setembro de 1999. Leia o texto AQUI (apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL; a formatação está estranha, mas é o que temos).
Deixo aqui só uma palhinha da entrevista, a resposta dele quando pergunto por que resolveu partir naquela jornada:
"É sobre correr, é sobre liberdade. Não tenho propriedades, bens materiais. Eu tinha muito, tinha tudo o que qualquer pessoa tem, mas não era o que eu queria naquele ponto da minha vida. Você tem de carregar todas essas coisas, elas possuem você, você precisa tomar conta delas, e eu queria liberdade para explorar o mundo. Imagine explorar o mundo... É sensacional. Quando corri pela Índia, dormi numa delegacia de polícia, não tinha dinheiro, me davam comida. Corria 60 km por dia, no calor, entre as pessoas, e aprendia coisas."
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h02
Eu já sabia
Sua corridinha diária ou eventual não só ajuda a melhorar sua saúde física mas também colabora para seu bem-estar psicológico.
Tudo bem, você já sabia. Mas sua observação empírica foi confirmada por um estudo científico realizado na Inglaterra, em que médicos ao longo de dez anos acompanharam um grupo de homens de meia-idade.
Os que faziam exercícios físicos vigorosos regularmente tinham menos probabilidade de desenvolver desordens mentais relacionadas à ansiedade ou á depressão.
O resultado do estudo, publicado no "American Journal of Epidemiology" é coerente com pesquisas anteriores, que apontam efeitos benéficos do exercício mesmo em pessoas que já desenvolveram depressão leve.
Os pesquisadores não sabem exatamente as razões, mas levantam hipóteses de que o exercício pode ser gatilho para liberação de certos agentes químicos no cérebro ou que a atividade física tenha impacto positivo na auto-estima.
Bueno, queria ver esse povo examinando o contrário: o quanto de depressão o exercício pode provocar no ser humano.
Nós, corredores, somos exemplos de maníacos-depressivos, bipolares, obsessivos-compulsivos ou qualquer outra coisa que queiram inventar.
Pense no sujeito que treina como se fosse tirar o pai da forca e depois tem um resultado aquém do que previra. Ou a hora em que você acha que nada vai dar certo. Treina mais um pouco? Ou descansa? Será que não é melhor trocar o tênis? E aquele chocolate, não foi demais?
Sem, falar nas nossas anotações.... Dia, hora, minuto, segundo, quilômetros do tênis, posição na corrida no geral, posição relativa no sexo, na faixa etária...
E os treinos? Sempre o mesmo percurso, exato ao centímetro. Inverter é um pecado, mudar o traçado, um crime.
Ou não: também desencanamos, sorrimos, cantamos, deixamos o corpo nos levar para onde o nariz apontar.
E na hora da chegada, do treininho na rua do lado ou da ultramaratona mais difícil do mundo, a alegria é total, a conquista é única, a vitória é incomparável.
Eta, mundo velho sem porteira...
Escrito por Rodolfo Lucena às 14h55
Lomba abaixo
O ex-recordista mundial dos 100 metros Tim Montgomery se confessou culpado de crimes de lavagem de dinheiro e fraude bancária nos Estados Unidos. O esquema chegou a movimentar US$ 5 milhões.
Montgomery, 32, confessou-se culpado de uma acusação de conspiração para cometer fraude bancária e duas acusações de fraude bancária.
"Eu me arrepende sinceramente do papel que tive nesse episódio", disse ele, que conquistou a medalha de ouro em Sydney-00. Dois anos depois, quebrou o recorde mundial dos 100 metros rasos ao correr a prova em 9s78.
Sua carreira de atleta acabou em 2005 depois de um escandaloso caso de doping.
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h14
Eu adoro as frações
Não que eu seja um fanático por matemática ou fique vendo o número 42.195 (em vez do 23 do filme) em todos os lugares, mas descobri nas frações grandes amigas ao longo de meus treinos de distâncias mais avantajadas ou mesmo nas provas.
Trata-se do seguinte: a gente vê a prova ou o treino por partes. Primeiro, você só tem uma microparte do que vai fazer. Depois, uma partezinha. Com um pouquinho mais de esforço, uma parte e logo você já fez 40% da tarefa, num piscar de olhos ela termina.
Um exemplo concreto. Hoje saí para um longo. Com seis minutos, tinha feito somente 1/30 da distância que planejava cumprir. Era muito pouco, coisa de desanimar.
Mas, com apenas dois quilômetros a mais, cheguei a um décimo. Ah, isso, sim, já é alguma coisa. Outro tanto, e estava com um quinto da tarefa realizada. Faltavam apenas outras quatro partes...
E assim vai.
Parece bobagem (e é, não é?), mas ajuda. Ou, pelo menos, faz passar o tempo.
Assim como ajuda pensar que bastam 27 quilômetros bem feitos para você dominar a maratona. Claro: os cinco primeiros não contam, porque você está apenas aquecendo. Os cinco últimos também não contam, pois você já saiu da velocidade de cruzeiro e prepara corpo e mente para a arrancada final, quem sabe até passar alguns adversários nos metrinhos que faltam. E lá no meio tem uns cinco quilômetros em que tudo dói tanto que é melhor esquecê-los.
Taí, moleza.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h25
Ritmo e sangue frio
No sábado passado, foi realizado em São Caetano do Sul, na
Grande São Paulo, o 1º Desafio Ultramaratona 6 Horas, corrida
em pista de 400 metros. No feminino, a vitória foi da experiente Maria
Auxiliadora Venâncio; no masculino, venceu Adilson Dama Pereira, também
experiente corredor de distâncias muito longas (veja o resultado completo AQUI).
A pista também foi palco de experiências para jovens corredores, como o
estatístico Paulo Nogueira Starzynski, 24, que adentrou o mundo
das corridas há cinco anos e, em São Caetano, conquistou o primeiro lugar em sua
categoria. É dele o relato que trago hoje para você.
"A semana que antecedeu o Desafio de 6 Horas foi de
pouco treino _apenas 20 minutos na quinta_ e cuidado redobrado com a
alimentação. Sentia-me preparado para a prova, mas em dúvida sobre o que esperar
do organismo em um evento tão longo (na foto, Paulo e sua namorada chegam para o
evento).
"A regra fundamental seria cuidar da alimentação, da hidratação
e do ritmo, principalmente durante as primeiras três horas de prova.
"Defini uma estratégia de não correr direto mais que 60 minutos
em nenhum momento da prova, intercalando os trechos com caminhadas de
aproximadamente cinco minutos para me recuperar e aliviar o acúmulo de ácido
láctico na musculatura.
"Dada a largada, todos saíram bastante rápido, pelo menos para o
ritmo que eu imaginava ser o de início de uma ultra. Tentei não pensar nisso e
seguir na minha estratégia.
"Depois de uma hora, enquanto todos ainda corriam bastante
velozes, eu caminhava os meus primeiros cinco minutos, com a sensação de estar
fazendo a maior besteira em termos táticos. Assim foi por mais algum tempo, até
que no final da segunda hora eu era o último colocado em minha
categoria.
"A organização e o pessoal do meu apoio foram muito eficientes
em prover a hidratação e alimentação necessárias: água, isotônico, refrigerante,
laranja picada, banana, carboidrato em gel e até sorvete!!
"O corpo respondia bem a cada trecho de corrida e se recuperava
satisfatoriamente durante a breve caminhada.
"Os corredores que iam à minha frente foram cansando e
reduzindo. Muitos passaram a caminhar largos períodos de tempo e outros tiveram
de parar efetivamente para alongamento e massagem.
"No final da terceira hora eu já estava em segundo na
categoria!
"Daí pra frente, com o moral mais alto e a certeza de estar
fazendo uma boa prova, não tive mais dúvidas quanto à tática.
"O cansaço ia chegando e por isso passei a correr menos de uma
hora, reduzindo proporcionalmente também o tempo de caminhada. O resultado foi o
mesmo, porém longos trechos de corrida na fase final da prova consumiriam mais
rápido o que restava de energia.
"Com quatro horas de prova eu já liderava a minha categoria e,
talvez atrapalhado pela pressão de permanecer à frente, essa foi a fase mais
difícil da prova.
"Tinha em torno de 1.500m de vantagem para o segundo, mas isso
podia não ser nada se ele estivesse mais inteiro e fosse dar um bote nos 60 ou
40 minutos finais.
"Para alívio geral, na quinta parcial eu abrira mais de 4.000
metros e bastava administrar os últimos 60 minutos para garantir a vitória na
categoria.
"Na pista, o psicológico faz muita diferença. É esquecer a dor e
continuar correndo.
"Quando a prova acabou, depois de seis horas e exatos 63.074
metros percorridos, foi hora da comemoração e do pódio!
"As ultramaratonas em pista são, acima de tudo, táticas e
psicológicas. Algo que todos deveriam experimentar ao menos um
vez."
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h39

Discriminação mortífera
A campeã dos 400 m em Sydney-2000, Cathy Freeman, posa num “mar de mãos”, campo montado para uma campanha publicitária que visa lançar mais luz sobre a enorme diferença da expectativa de vida dos aborígenes australianos e dos não-aborígenes (foto Paul Miller/AP).
Ela mesmo descendente dos habitantes nativos da ilha-continente, Freeman tem uma história de luta contra a discriminação racial e por melhores condições de vida para os aborígenes.
Para quem não lembra, ela ergueu a bandeira aborígene em sua volta olímpica depois de conquistar o ouro na pista em Sydney-00, quando também foi a atleta indicada para acender a pira olímpica.
A campanha “Closing the Gap” (Reduzindo a diferença) é motivada pelo fato de que a expectativa de vida dos aborígenes australianos é 17 anos menor que a de seus compatriotas descendentes de europeus.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h54
Eu não disse?
Contra o iPod – parte 2
Tempos atrás, dediquei a coluna +Corrida, que escrevo mensalmente no caderno Equilíbrio, da Folha, ao momentoso tema do uso de iPods e congêneres por corredores. Intitulei o texto “Contra o iPod” (AQUI, apenas para assinantes da Folha e/ou do UOL).
No texto, dizia que várias maratonas norte-americanas já condenam o uso dos aparelhinhos, mas não chegam a tomar medidas punitivas contra os corredores que preferem participar da prova ao som de sua música pessoal.
Pois bem, a Grandma`s Marathon resolveu engrossar. Trata-se de uma das maiores dos Estados Unidos e talvez a mais “runner-friendly”, como eles gostam de dizer, referindo-se ao espírito amigável da prova e aos organizadores interessados no bem-estar dos atletas.
A partir da edição deste ano, em junho próximo, os toca-MP3 e congêneres estão banidos, proibidos. O uso dos aparelhos sujeita o corredor à desclassificação, e o nome do incauto não vai constar na lista dos concluintes.
No site da prova, que teve 6.909 concluintes no ano passado, os organizadores recomendam que os inscritos nem sequer levem seus aparelhos ao evento. Quem levar terá a opção de entregar os dispositivos, que serão guardados e devolvidos por correio aos legítimos donos.
Assim, a prova e outras corridas dos mesmos organizadores se adaptam às regras definidas pela entidade norte-americana de atletismo (USATF).
Na verdade, pelo que observei, acho que o artigo não tem muito a ver com o espírito das provas de rua. O objetivo do item citado (regra 144.3b) para justificar o banimento de dispositivos eletrônicos de áudio ou vídeo é impedir que os competidores recebam algum auxílio externo. E claro que não é essa a razão pela qual os corredores usam seus iPods e outros tocadores de música digital.
Além disso, até agora, eu sempre tinha visto a segurança e o respeito aos demais corredores alinhados como razões para que os organizadores de provas recomendassem que tocadores de músicas não fossem usados pelos atletas. O que, na minha opinião, até faz sentido. Mas deveria ser uma recomendação, não uma condição.
E outra coisa: os termos do comunicado colocado no site da prova poderiam ter sido mais elegantes e simpáticos, ainda mais considerando que a prova se orgulha de ser hospitaleira e ter grande espírito comunitário.
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h09
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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