Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Maratona de Londres

Maratona de Londres

Turma do balacobaco

Essa foto da Reuters tem estrelas de grandezas maiores que as da Via Láctea. Todos esses galácticos do atletismo estarão disputando o trono da maratona de Londres no próximo domingo.

Na ponta esquerda, temos o candidato a recordista Haile Gebrselassie, da Etiópia, que é ladeado pelo campeão olímpico Stefano Baldini, da Itália.

No meinho, o marroquino Jaouad Gharib, campeão mundial da maratona, vitória que obteve exatamente sobre o italiano. E, na ponta direita, a simpatia do sorriso do recordista mundial e multicampeão da São Silvestre Paul Tergat, do Quênia.

A prova será transmitida pela SporTV2. A transmissão ao vivo começa às 5h. Haverá VT às 15h. Os comentários serão de Lauter Nogueira. A programação é sujeita a alterações.

Eu vou tentar assistir, mas não sei se haverá condições objetivas para isso. Se você acompanhar a prova, mande seus comentários sobre a corrida e a transmissão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12

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Ecos de Boston

Maratona high-tech

A maratona de Boston deste ano ampliou o uso das tecnologias de comunicação instantânea hoje disponíveis. Familiares e amigos dos corredores podiam receber informações em tempo real sobre o desempenho de seus atletas queridos.

Os dados podia chegar por e-mail ou por mensagem de texto em celulares ou micros de mão; o site da maratona de Boston também é repleto de informações sobre o andamento da prova.

Houve um aumento de mais de 30% no número de corredores que se inscreveram no programa Athlete Alert, totalizando 13.841 participantes. Eles registraram 15.372 e-mails e 22.091 números de celulares e outros aparelhos móveis para onde mandar as mensagens.

A organização mandou 192.354 avisos para esses números, contra 108 mil enviados no ano passado. E o site da prova recebeu, no dia da corrida, 1,8 milhão de visitantes; no ano passado, foram 700 mil.

Os chips usados pelos corredores tinham um sistema de transmissão de dados por radiofreqüência. A cada passagem pelos tapetes que capturavam os dados, os sinais também eram transmitidos para um computador, que os retransmitia para os interessados.

Mas nem tudo funcionou a contento. O repórter Andrew Welsh-Huggins, da AP, que correu a prova, publicou hoje uma avaliação dos serviços.

Ele diz: "O sistema não foi perfeito.O site ficou lento ao longo da prova, dificultando o acesso dos meus familiares aos dados de meu desempenho na corrida. A rede de alta velocidade também saiu do ar por vários minutos, atrasando por meia hora uma das atualizações de informações que deveriam ter sido mandadas para o celular de minha mulher".

Além disso, a promessa era de que os dados chegariam aos celulares em até quatro segundos depois da passagem do corredor pelo tapete; esse tempo foi bem maior, chegando a cerca de um minuto, segundo diz o repórter.

O texto dele está bem legal, e você pode lê-lo AQUI, em inglês.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h03

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A escolha do tênis

Qual é a quilometragem

O leitor André, de Florianópolis, mandou um comentário sobre a minha avaliação do Mizuno Creation 8 que me motivou a abordar o tema do quanto dura um tênis de corrida.

Ele disse que usa habitualmente modelos da Nike, mas resolveu experimentar um Creation 7. Mas está com o pé atrás: "O Creation custa cerca de 40% a mais do que os Nikes que eu costumo usar, mas eu duvido que ele dure 40% a mais de quilometragem também..."

Tudo bem, é uma questão pertinente. Afinal, todos nós queremos aplicar bem o nosso dinheiro duramente conquistado e desejamos que os investimentos nos dêem bons retornos.

Mas não sei se é "bom", "saudável" usar um tênis de corrida até o limite de sua vida útil ou avaliar um tênis por sua longevidade.

Quando eu comecei a correr, há nove anos, os médicos que eu consultava, treinadores e vendedores de tênis concordavam, mais ou menos e sem grandes compromissos, que você podia usar um tênis por de 600 a 800 quilômetros. Alguns falavam de 400 a 600, outros diziam "em torno de 500".

Agora, para minha surpresa, a Mizuno faz uma enorme propaganda do Creation 8 dizendo que ele tem mais longevidade, passa de 300 quilômetros (que seria o padrão anterior, portanto) para 500 quilômetros. No meu entender, isso é uma contrapropaganda, pois significa dizer que os outros tênis da empresa tem uma longevidade de 300 quilômetros.

Eu, em geral, uso cada par de tênis até 600 quilômetros. Alguns não chegam a isso, como foi no caso do Nike Pegasus 2005, que eu só conseguia usar em treinos de até 10 quilômetros (sei que muitos gostam desse modelo, e a "Runner’s World" o idolatra, mas comigo não deu certo).

Também faço rodízio de modelos e marcas; em geral, uso três pares de tênis em rodízio.

Tem aquela questão: há o risco de a gente economizar no tênis e depois ter de gastar no ortopedista. E acho melhor investir em um bom pisante, confortável, com bom amortecimento e estrutura bem-feita. De preferência, leve, mas isso é difícil.

De qualquer forma, médicos, vendedores, empresas e quem mais quiser podem falar o que bem entenderem, pois cada corredor vai fazer o uso que sua capacidade financeira permitir e sua saúde mandar.

Conte aí quantos quilômetros você roda com cada par. E diga se você costuma fazer rodízio de marcas e modelos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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Maratona de Londres

De olho no recorde

Depois de um fim de semana mais quentinho, as temperaturas devem baixar no próximo fim de semana, aumentando as chances de bons desempenhos nas maratona de Londres, que vai reunir um elenco estreladíssimo, os galácticos do atletismo.

Apostadores, técnicos, patrocinadores, torcida, todos estão de olho em uma eventual quebra de recorde mundial. O etíope Haile Gebrselassie já esteve por beliscar a marca de Paul Tergat, mas vai ter de dar ainda mais gás se quiser mesmo a taça de mais rápido do mundo.

Em contrapartida, o próprio fato de haver tantos e tão rápidos corredores na disputa pode fazer com que a prova se torne uma corrida pela vitória, e não por marcas. É que todos vão ficar se estudando, vendo quem sai, e é dureza, nessas condições, decidir arriscar e sair para o tempo.

O campeão Felix Limo, do Quênia, falou exatamente isso. Ele disse que terá de ter olhos nas costas para acompanhar o movimento dos adversários e conseguir o bicampeonato. Martin Lei, para variar, vai estar na cola (ou á frente, quem sabe).

Além desses todos, o americano nascido no Marrocos Khalid Khannouchi, que bateu o recorde mundial ao vencer em Londres em 2002, também estará na raia. Ele diz, modestamente, que fará o possível, pois ainda está em processo de recuperação de uma cirurgia nos pés. "Estou a 90%, talvez 95%", disse ele.

Sei...

Pela situação atual, as palavras de Limo são mais do que verdadeiras: "A definição pode sair na última passada". Ele também comentou que todos precisam ficar espertos. Se ficarem só cuidando de Tergat ou Haile, pode surgir um outro e levar o trunfo.

O brasileiro Marilson, que já fez isso em Nova York, estará lá.

Faça sua aposta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Maratona de Londres

De olho no recorde

Depois de um fim de semana mais quentinho, as temperaturas devem baixar no próximo fim de semana, aumentando as chances de bons desempenhos nas maratona de Londres, que vai reunir um elenco estreladíssimo, os galácticos do atletismo.

Apostadores, técnicos, patrocinadores, torcida, todos estão de olho em uma eventual quebra de recorde mundial. O etíope Haile Gebrselassie já esteve por beliscar a marca de Paul Tergat, mas vai ter de dar ainda mais gás se quiser mesmo a taça de mais rápido do mundo.

Em contrapartida, o próprio fato de haver tantos e tão rápidos corredores na disputa pode fazer com que a prova se torne uma corrida pela vitória, e não por marcas. É que todos vão ficar se estudando, vendo quem sai, e é dureza, nessas condições, decidir arriscar e sair para o tempo.

O campeão Felix Limo, do Quênia, falou exatamente isso. Ele disse que terá de ter olhos nas costas para acompanhar o movimento dos adversários e conseguir o bicampeonato. Martin Lei, para variar, vai estar na cola (ou á frente, quem sabe).

Além desses todos, o americano nascido no Marrocos Khalid Khannouchi, que bateu o recorde mundial ao vencer em Londres em 2002, também estará na raia. Ele diz, modestamente, que fará o possível, pois ainda está em processo de recuperação de uma cirurgia nos pés. "Estou a 90%, talvez 95%", disse ele.

Sei...

Pela situação atual, as palavras de Limo são mais do que verdadeiras: "A definição pode sair na última passada". Ele também comentou que todos precisam ficar espertos. Se ficarem só cuidando de Tergat ou Haile, pode surgir um outro e levar o trunfo.

O brasileiro Marilson, que já fez isso em Nova York, estará lá.

Faça sua aposta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Boston feminina

Boston feminina

Trio calafrio

A campeã de Nova York, Jelena Jelena Prokopcuka, da Letônia, a mexicana Madai Perez e a russa Lidiya Grigoryeva competem nas ruas de Boston. A russa venceu, Jelena Prokopcuka a seguiu e a mexicana chegou em terceiro (foto AP).

Se Madai Perez, que fechou em 2h30min16, vier para o Pan do Rio, vai fazer estragos...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53

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Boston

Russa surpreende

 

Com uma bandeira da Rússia nas mãos, Lidiya Grigoryeva correu para romper a fita (foto AP) e se tornar a primeira mulher não-queniana a vencer a maratona de Boston em oito anos. Ela fechou em 2h29min18.

A americana Deena Kastor, medalhista em Atenas, ficou em quinto lugar.

No masculino, o queniano Robert Cheruiyot, já conhecido dos brasileiros por suas participações na São Silvestre, venceu a prova pela terceira vez. Hoje, porém, com chuva, seu tempo foi fraco: 2h14min13, na corrida mais lenta desde 1977.

É que os corredores tiveram de ser muito cuidadosos por causa do terreno escorregadio, que deu um banho até nos motoqueiros, como mostra a foto abaixo, da Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h43

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Fala, leitor

Recorde em Floripa

Bicampeã feminina da prova de revezamento Volta à Ilha, que cobre 150 quilômetros em Florianópolis, a equipe TPM - Treinamento para Mulheres estabeleceu um novo recorde na categoria no sábado passado: 11h22. Trago hoje o relato escrito por Fabiana Pereira, uma das nove integrantes do time.

"Nossa largada estava marcada para as 06:00, junto com as demais equipes femininas; dentre elas, nossa maior concorrente neste ano, as Paulistanas equipe feminina do Clube Paulistano (SP).

"Despertamos às 5h,ainda escuro, tomamos um bom café da manhã e partimos para a largada. Com o dia amanhecendo, a atleta Elisabeth Cruz deu a largada, percorrendo uma distância aproximada de oito quilômetros até o primeiro posto de troca.

Ela chegou à frente da equipe Paulistanas por apenas alguns minutos, dando uma pequena vantagem para a atleta nº 2, Mônica Pinheiro, que foi ultrapassada pela adversária em seu primeiro trecho na prova.

Feita a troca, assumiu a atleta nº 3, Juliana Gomes, que pode diminuir a diferença entre as duas equipes, facilitando a ultrapassagem feita por Sabrina Majella (atleta nº 4) em seu trecho.

A partir desse momento, em que as atletas Adriana Piacsek (nº 5), Fabiana Pereira (nº 6), Marina Verdini (nº 7) e Luciane Macias (nº 8) iniciaram seus primeiros trechos de prova, assumimos e mantivemos a liderança até o final dos 150 quilômetros da Volta à Ilha, aumentando a cada "perna" a distância sobre as adversárias.

À medida que a tarde chegava ao fim, nos aproximávamos da linha de chegada, já preocupadas não mais com as adversárias, de quem estávamos 16 minutos à frente, mas com quebrar o recorde da prova, conquistado pela TPM em 2006.

Quando Luciane Macias deu início a sua última perna trecho final da prova-, sabíamos ter conseguido.

Às 17h22min, cruzamos a linha de chegada com 11h22min de prova, batendo o recorde em 25 minutos!

A alegria de mais uma conquista com grandes amigas é algo que guardamos na memória para sempre... Que costuma ofuscar os detalhes do momento e nos deixa apenas uma boa sensação de felicidade...

Por isso, a única coisa que me vem à cabeça desse nosso momento é o abraço coletivo e um grito bem forte: "AHA! UHU! O RECORDE É NOSSO!"."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h22

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Fala, leitor

Decepção em Roterdã

Os médicos Ana Paula Volpato Kuga, 33, e Cláudio Kuga, 33, de São Paulo, participaram da maratona interrompida de Roterdã, ontem, na Holanda, e mandaram um relato da confusão em que a corrida se transformou. Eles são da equipe Find Yourself, que me passou o texto de Cláudio. O casal já correu várias maratonas no Brasil e no exterior e procura fazer uma espécie de turismo esportivo. Vamos ao relato.

"Ontem, acordamos com muito sol e temperatura de aproximadamente 20 graus. A largada foi dada às 11h horas e, devido à minha lesão, resolvi que iria acompanhar a Ana até onde agüentasse.

"Logo no primeiro posto de água, no km 5, percebi que essa prova seria diferente das demais, pois não havia mais água da organização e tivemos que beber água das torneiras oferecidas pelos moradores.

"A partir do km 10, já havia vários corredores passando mal e caminhando. Continuamos nossa corrida com a temperatura de aproximadamente 25 graus.

"Conforme o tempo passava, ia aumentando o número de pessoas caminhando e desfalecidas, recebendo atendimento médico.

"Em todos os pontos de hidratação para nós, corredores mais lentos, apenas água de mangueira e um pouco de isotônico. Era visível o desespero das pessoas em busca de água.

"Na altura do km 32, com aproximadamente 3h30 de prova, fomos informados que a corrida tinha sido suspensa. Tivemos de retornar, cruzando a rua e caindo no km 40, completando nosso longão de 34 quilômetros com aproximadamente 3h50.

"Recebemos nossa medalha, mas fomos considerados desistentes pela organização. Nós nos preparamos, pensamos nas varias coisas poderiam acontecer _quebrar, parar por dor, ter câimbras... Mas realmente nunca pensei em ser impedido de continuar...

"A medalha está aqui, mas com um sabor de frustração... É uma grande decepção, pois sempre pensamos que provas no exterior são perfeitas em sua organização.. Acho que ninguém passou por situação semelhante no Brasil.

"Infelizmente, o que era para ser uma grande maratona se tornou um grande fiasco...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h20

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Roterdã

Roterdã

Prova suspensa

O calor fez com que os organizadores da maratona de Roterdã, realizada hoje na Holanda, suspendessem a corrida após três horas e meia de prova. O objetivo, segundo o diretor da prova, foi proteger a saúde dos atletas.

Claro que o calor extremo era para eles: a temperatura passou dos 25 graus (segundo a EFE, chegou a 28 graus) e muita gente teve de ser atendida pelos médicos (como mostra foto da EFE).

Pelo menos 26 corredores foram levados a hospitais, diz a agência de notícias ANP, e pelo menos 14 foram internados, dois com problemas cardíacos.

Segundo o diretor da prova, Mario Kadiks, a medida foi "puramente preventiva". Ele disse que as críticas de alguns corredores quanto à falta de água eram bobagem: foram distribuídos 200 mil saquinhos de água e 200 mil esponjas molhadas.

Para a elite, a corrida já havia terminado há muito tempo. O queniano Joshua Chelanga, que acaba de completar 34 anos, venceu com 2h08min21, quase dois minutos à frente do segundo colocado, o japonês Takayukuki Matsumiya.

No feminino, as nacionalidades se inverteram no pódio: a japonesa Hiromi Ominami chegou sozinha com 2h26min37, com mais de um quilômetro de diferença sobre a queniana Helena Kiprop Loshanyang.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Paris

Estréia na Cidade-Luz

Trago hoje a colaboração muito especial do ortopedista Henrique Cabrita, um jogador amador de rúgbi que foi picado pela paixão das corridas e completou hoje, em Paris, sua primeira maratona. Ele correu parte da prova com um colega, Márcio de Faria Freitas, que vinha treinando para uma meia-maratona, mas acabou encarando a distância completa. Sem mais delongas, vamos ao texto de Cabrita, que ele acaba de enviar de um cibercafé parisiense.
 
"Paris, 15 de abril de 2007, 8h45.

"Partindo do Champs Eliseè, tida como a avenida mais linda do mundo, 31 mil atletas iniciam a Maratona de Paris. Dentre eles, dois brasileiros, ambos ortopedistas, ambos da mesma faculdade, esportistas pela vida inteira em modalidades coletivas (rúgbi e futebol), iniciam juntos uma jornada rumo aos limites do corpo e da mente.

"Exagero? Coisa de quem nunca correu?

"Muito pelo contrário.

"Uma maratona nunca inicia na linha de partida. Ela começa no dia em que você topa o desafio. Para mim, foram quatro meses de treinamento, correndo três a quatro vezes por semana, de 10 a 30 quilômetros, praticando a hidratação (e a arte de conseguir beber e tomar gel sem parar de correr e sem alterar o ritmo), ouvindo bronca da esposa (com razão), sendo privado das brincadeiras dos filhos (especialmente nos treinos longos, que foram nos fins de semana e de manhã, hora em que as crianças adoram brincar), conversando com maratonistas, principalmente aqueles que correram a mesma prova que você vai fazer, estudando livros, montando planilhas com profissionais experientes (obrigado ao Rodrigo, do Instituto Vita), conversando com nutricionistas (Lancha, também do Vita), recebendo inspiração de quem realmente é fonte de inspiração (Paul Tergat, nosso Roberto da Costa etc.) e, principalmente, querendo saber, de verdade, o que e conseguir correr 42.125 metros e chegar CORRENDO no final.

"A epopéia começou com uma rápida adaptação ao fuso horário, afinal corremos às 3h15min do querido Brasil.
Comemos um café da manhã quase que só líquido (ontem foram uns três quilos de macarrão) e fomos para o metrô.
No caminho, encontramos um francês que começou a puxar papo. Ok... Na hora de pegar o metro, ele pediu dinheiro, pois não tinha... Tudo bem. Mas o cara cheirava a sovaco para chuchu!

"A gente sabe que os franceses não são lá muito chegados à água (até inventaram o perfume para disfarçar), mas o camarada era demais. Se os conterrâneos dele todos estivessem no mesmo estado, jamais chegaríamos a sair do metrô, quanto mais ao final da prova. Nós o perdemos de vista, felizmente, na saída do vagão, pois saíram umas 500 pessoas na estação.

"O início da prova é fantástico. Percebemos a concentração de todo mundo, o espetáculo das camisas, shorts e tênis (a foto do alto é da AP). As fantasias, cada uma mais inventiva que a outra.

"A organização da prova pelo tempo de chegada foi muito boa. Entregaram até uma pulseira com a cola dos km e tempo, e podíamos seguir marcadores de ritmo, que carregavam com balões com seu tempo de chegada.

"Mictórios espalhados na largada (muito diferente da São Silvestre, quem já correu lá me entende), água já na largada e orientações sobre clima e hidratação. Por sinal, esta foi a maratona de Paris mais quente de todas. Estávamos esperando um baita frio e fez 28 graus às 11h!

Largada!

"A massa de corredores se movimenta. Sem atropelos, apenas checando o tempo.

"Será que vai ser assim até o fim?

"Doce ilusão. Após o km 5, depois da primeira hidratação, todo mundo ficou espremido num afunilamento, e todos querem passar logo...

"Isto ocorreu de novo depois do km 10, mas foram as únicas ocasiões.

"O Freitas ficou atrás de mim logo no início, afinal ele queria correr 21 quilômetros. Lá fui eu. Nessa hora, é só você e seu corpo.

"O meio externo influencia bastante, mas você tem que filtrar as coisas: elimine o calor com boné e roupas leves; hidrate bem e leve oito a dez sachês de carboidrato em gel e sais minerais (medo da hiponatremia, baixa de sódio que pode matar um maratonista), observar a paisagem rapidamente e ficar olhando um pouco mais os locais lindos de Paris (Louvre, torre Eiffel, boulevard de Vincenne...).

"Você e seu corpo, a mente comandando. Checar o relógio, mas sem fascismo (eu querrerr chegar em menas de quatro horras!), controlando suas reações e percalços.

"Problemas, aliás, que começaram a ocorrer no km 15. Não comigo, mas foi a essa altura que vi uma moca chorando com a mão na parte posterior da sua coxa. Durante a prova, vários colegas vão desabando, especialmente depois do km 32.

"Vi pessoas levarem as mãos para todos os lugares: nas coxas, pernas, abdome, braços e também para o alto, chorando... É frustrante se preparar tanto e sofrer a derrota, mesmo eu sabendo que, no fundo, eles também são vencedores.

"O apoio das bandas e, especialmente, da população francesa é muito legal. Cada vez que você ouve um batuque ( e as bandas brasileiras eram as melhores), você sai correndo no ritmo."

 

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23

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Paris - final

Paris - final

"Sou um maratonista"

Parte final do relato da estréia de Henrique Cabrita no mundo das maratonas. Vamos logo ao relato...

"Enfim, a meia-maratona. Estou bem, passei com 1h58min, acho que dá para terminar em quatro horas... Vamos em frente. Havia combinado com minha esposa de encontrá-la no km 26, mas nos desencontramos.

"É muito legal ter alguém conhecido te incentivando na hora. Vi uma mulher com um bebê de colo correndo atras do marido: "Allez, allez!"

"Um maluco estava correndo com uma Torre Eiffell em cima e cinco caras do lado (foto AP). Aliás: este foi meu primeiro erro: tentei passar um pouco mais depressa o sujeito ( estava no km 27) e senti levemente uma pontada no posterior da coxa. Só faltava essa.

"Aprende, Cabrita, não passa do limite, não corre que nem maluco, vai na boa...

"Km 30. Místico. A barreira, o paredão, o muro do km 30. Um monte de gente desabando, muito calor e uma subida para ajudar. Mas até que eu estava legal.

"Fui controlando as passadas e checando o relógio.

"No Bois de Boulogne, um parque maravilhoso, entramos nas retas finais.

"Uma coisa legal em Paris são esses parques. Corri pelo menos 15 km em terra, meu terreno favorito.

"Depois do km 30, o pessoal se amontoa anda toda a vez que tem água. Tenho que atropelar alguns para manter o ritmo.

"No km 38, eu vi o quanto uma maratona é realmente séria.

"O pior acontece a um corredor de aproximadamente 40 anos. Ele desmaia na minha frente, cai e abre uma ferida na testa. Três pessoas imediatamente o acodem, sendo duas delas médicos.

"Paro para falar com eles. Um é socorrista, e todos pedem para chamar a organização da prova. Fico preocupado. Será que ele ficou vivo? Varias ambulâncias levaram corredores para o hospital neste dia.

"Faltam apenas quatro quilômetros... Ora, corro isso habitualmente. Agora é baba.

"Mas aí é que o pensamento vai longe. Chego no 40. Mais dois. Em 12 minutos e termino em 4 horas. Faltam 300 metros. Penso em tudo para me incentivar. Meus filhos, minha esposa, minha mãe, meu pai, meus pacientes, meus amigos, até no cachorro!

"Corro o pique final achando que sou um velocista (minha esposa viu e me disse que não foi bem assim, ela achou que eu fiz foi mais cara feia)

"E foi. Acabou. 4h00min09s.

"Tudo, da cintura para baixo, dói. Mal consigo tirar o chip e pegar água. Me deito junto a milhares de colegas. Juntos na alegria do dever cumprido.

"Como será que ficarei amanhã?

"Não interessa. O momento é hoje. A alegria é hoje. Eu sou um maratonista hoje.

"E o Freitas? Eu sabia que eu ia chegar de qualquer modo, mas e ele?

"Depois de 5h30min, lá vem ele. Mais vencedor do que eu, ele encarou 42 quilômetros sem nunca ter corrido mais que 18 quilômetros.

"Está certo? Está errado?

"Não sei. Foi arriscado para ele, mas eu lhe falei: "Isto é a sua vida, cara! Nunca você vai esquecer. Você venceu, não importa como foi. E uma das maiores maravilhas que a vida pode te dar".

"Como diziam os romanos antigos, "a perseverança venceu a batalha"."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h16

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Meia-maratona da Corpore

Desastre nos kits

Falhas de planejamento e organização transformaram o que deveria ser um momento de festa e alegria, ao final da meia-maratona da Corpore, realizada hoje em São paulo, em uma chatice sem tamanho, incomodação desnecessária, enfim, um toque amargo uma manhã que até então tinha sido de puro divertimento.

Falo das filas para pegar o a medalha e o kit, ao final da prova. Com a melhor das intenções, imagino, os organizadores criaram diversas cabines, cada uma para um grupo demográfico, conforme o tamanho da camiseta (Homens G, Homens P, Mulheres M e por aí vai).

Só que a fila para Homens G era muuuuito maior que qualquer outra. E o espaço e o número de pessoas atendendo era igual em todas as cabines (ou assim parecia). Chegou a haver um momento patético, em que um auxiliar, tentando diminuir a confusão, sugeriu que o pessoal tamanho G fosse para as filas M ou P, que estavam menores.

É difícil de entender (e não só nas corridas, mas principalmente na vida): atendimento equilibrado não significa dar o mesmo tratamento a todos, mas sim tratar desigualmente os desiguais.

Bueno, como vocês perceberam, eu fiquei muito desagradado, pois morguei numa fila besta pelo tempo equivalente a mais de três quilômetros correndo....

Mas, enfim, esse foi um dos poucos aspectos negativos no evento (para meu gosto, o desenho da camiseta e da medalha é bem sem-graça, mas pode ser que alguém goste), que, de resto, é uma das festas mais bacanas do ano no mundo das corridas paulistanas.

É legal porque deixa claro o crescimento do número de empresas, entidades, escolas, academias e equipes que se dedicam às corridas. É mais legal ainda porque você vê uma multidão alegre, bem disposta, festejando a vida, se cumprimentando e se respeitando, vivendo e deixando viver.

Para completar, as duas provas têm ótimo percurso. Para iniciantes ou menos treinados, a corrida de seis quilômetros combina planura com alguns desafios leves. E a meia-maratona é bem variada; eu só não gosto do vai-e-volta do retão a partir da praça Pan-Americana até o final do parque Villa-Lobos e o respectivo retorno.

Hoje, a meteorologia nos enganou. Estava previsto um dia nublado, com máxima de 25 graus, pelo que ouvi, e o céu esteva aberto, entregue ao solzão que esquentou nossos cérebros. Alguém falou que chegou aos 27 graus, mas a sensação térmica era pior. Ainda bem que não faltou água (morna, mas água) _aliás, o pessoal que entregava os copinhos esteve sempre muito simpático, incentivando os corredores.

Para mim, foi uma delícia, pois consegui manter o ritmo planejado apesar do sol. Fiz o primeiro quilômetro em 6min45 e foi reduzindo gradativamente; no geral, minha média por quilômetro foi 6min08, o que está bom demais para meu nível.

Quanto aos resultados gerais, no feminino, Márcia Narloch deu um pau na queniana Jeptoo Priscah: fechou em 1h15min53, mais de um minuto à frente da segunda colocada.

No masculino, Frank Caldeira cozinhou o galo até o km 14 e daí atacou o então líder, Luiz Paulo Antunes, tomou-lhe a frente e foi-se embora para completar em 1h03min59.

No próximo domingo, o garoto mineiro corre a maratona de Pádua para sacramentar sua vaga na maratona do Pan.

Hoje, os lugares são de Vanderlei Cordeiro e Marilson, mas o campeão de Nova York deverá preferir as provas de pista, deixando campo aberto para que outros disputem a oportunidade.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h35

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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