Dica de treino
Pés chatos
Vários leitores escreveram solicitando a planilha de treinos do Fábio e outras dicas para tratamento doméstico de dores nos joelhos ou problemas nos pés.
Eu vou falar com ele sobre os alongamentos, especificamente, mas quero lembrar que aqui não somos técnicos nem médicos. Os textos que eu publico, escritos por mim ou por leitores, tratam de experiências individuais, que não necessariamente vão dar certo para outras pessoas.
Minha principal dica é: se você tem dores ao correr, procure um ortopedista ou fisiologista ou médico do esporte especializado em corrida, de preferência alguém que também corra.
Outra dica: não aceite verdades supostamente estabelecidas e imexíveis.
Eu sou um exemplo desse erro: como tenho pés chatos, eu e toda a torcida do Grêmio, incluindo especialistas, sempre demos de barato que minha pisada era exageradamente pronada.
A literatura e a propaganda da indústria de tênis vinculam pés chatos com pronação, pés cavos com supinação etc.
Mas lembre-se de que pé não é pisada. Nossos movimentos são influenciados por N fatores musculares, esqueléticos e psicológicos.
Depois de muitos anos, fiz um teste de pisada correndo na esteira (que também não considero a melhor forma, mas, pelo menos, é a mais próxima da vida real que conheço) e deu que tenho pisada supinada para neutra ou neutra para supinada.
Um outro teste, de análise da distribuição das forças na pisada, mostrou um equilíbrio quase perfeito no espalhamento do peso nos dois pés, coisa que também não fazia parte das hipóteses _ao contrário, esperava-se até um desbalanceamento razoável.
Enfim, lembre-se sempre de que cada um é cada qual e o que serve para um não necessariamente serve para outro.
De qualquer forma, eu sou partidário do alongamento como forma de proteção e até como parte do processo de tratamento, em muitos casos. Há alongamentos que podem ser de uso geral, e em breve trarei alguns exemplos aqui.
Se você não agüenta esperar, uma dica é consultar o livro "Alongue-se", de Bob Anderson. É relativamente caro, mesmo em promoções encontráveis na internet. Por isso, vale a pena dar uma olhada nos sebos da cidade. Na Teodoro Sampaio há alguns bem razoáveis, assim como na rua Pedroso de Morais, perto da Fnac.
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h17
Fala, leitor
Treinos gelados
O leitor Fábio Testte, 30, engenheiro de telecomunicações que mora no Canadá desde 2003, mandou esta história em que conta sua segunda experiência na meia-maratona. Ele começou a correr no ano passado, incentivado pela mulher, que já corria provas de seis e dez quilômetros. O objetivo da casal é completar juntos uma meia-maratona em setembro próximo. Vamos ao que ele nos conta.
"Como muitos dizem, completar a corrida é fácil. Duro
mesmo são as intermináveis semanas de planilha. Eu descobri que pior ainda é
treinar para uma meia-maratona no inverno que faz aqui no Canadá.
"Como a segunda prova de 21,1 quilômetros de minha vida foi no dia 22 de abril, ainda estava muito frio no período de treinamento, que foi de fevereiro até o começo de abril.
"Realizei praticamente todos os treinos em esteira. Tempo run, speedwork, long run, tudo. Teve dia que eu cheguei a correr 13 quilômetros na esteira. Acho que treinei na rua umas quatou ou cinco vezes no máximo.
"Quando estava em ponto de bala, meu chefe me mandou em uma longa viagem a trabalho a Nova York. Tive de negociar para dar um pulinho de volta a Montréal num bate-e-volta de fim de semana, mas ele aceitou numa boa.
"O meu corpo é que, às vezes, reclamava. Depois que completei minha primeira meia-maratona, em setembro do ano passado, eu desenvolvia muita dor em um dos joelhos toda vez que treinava.
"Consultei ortopedistas, que, após alguns exames, me receitaram alongamentos especiais e, principalmente, uma palmilha feita sob medida pois eu tenho pés chatos. Depois das novas técnicas de alongamento e do uso da palmilha, eu nunca mais senti dor.
"Chegou enfim o dia. Temperatura boa pra correr (13*C). Acordei cedinho e já me mandei para a prova, realizada num parque maravilhoso chamado Jean Drapeau. O percurso passa também por uma ilha vizinha, onde acontece o GP de F1 do Canadá _aliás, boa parte da corrida é feita na pista do circuito mesmo (as fotos são de momentos da prova).
"Devido à chuva que rolou na prova de 2006, eles montaram a base no prédio do parque aquático que tem nessa ilha. Organização perfeita. Vários armários para quem tivesse cadeado poder deixar seus pertences. Entrega do chip bem organizada. Todo mundo respeitando a ordem de chegada das pessoas e cada um pegando seu chip sem desespero.
"Fui para a largada. Umas 1.500 pessoas mais ou menos. Aposto que bem menos do que na meia da Corpore, que um dia ainda gostaria de correr.
"Tudo pronto, larguei levando na bagagem três sachês de carboidrato, 400ml de água e uma foto da esposa, que tinha ficado em Nova York torcendo por mim _ela havia me acompanhado na tal viagem de negócios.
"Comecei bem na boa, fazendo seis minutos por quilômetro, completando a primeira metade em uma hora e quatro minutos.
"Havia vários postos de abastecimento pela prova, o que ajudou bastante os corredores. Além de água e isotônico, entregavam também uma outra marca de gel _o que o patrocínio não faz.
"Mas, como eu gosto de beber água na hora que o corpo pede, uso um camel-back, uma bolsa de água que tem um tubinho para beber sem derramar e sem precisar esperar pelo posto de abastecimento.
"Por volta do km 11, eu tomei o primeiro gel com um pouco de água e senti o ‘kick‘. O corpo absorve rapidinho o gel e você sente mais energia para continuar a correr.
"A temperatura foi aumentando e chegou aos 17ºC. Chegando ao km 18, comecei a sentir o cansaço, assim como havia sentido no ano passado, e tive que dar aquela desacelerada nos quilômetros finais para terminar numa boa com 2h09.
"Recomendo aos que estiverem a fim de conhecer Montréal que venham participar da maratona que acontece em setembro. O evento tem também meia-maratona e outras provas e a organização é espetacular."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h24
Devagar, quase parando
Por uma causa nobre
Para Greg Billingham, que trabalha na construção civil, a maratona de Londres terminou hoje, uma semana depois de o queniano Martin Lei ter vencido a prova em 2h07min41.
Billingham fez o percurso em "câmera lenta", levando de cinco a seis segundos para dar cada passo. Seu objetivo era angariar fundos para a entidade Children with Leukaemia (Crianças com Leucemia).
Ele largou junto com os outros 36 mil corredores, mas só completou o trajeto ao meio-dia de hoje (horário de Londres).
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h07
Meeting de Dakar
Maurren leva o ouro
Deu dobradinha brasileira no salto em distância no
Meeting International d'Athletisme de la Ville de Dakar, no Senegal, que integra
o Grand Prix de Atletismo.
Maurren Higa Maggi saltou ontem 6m80 para levar o ouro e ganhar a terceira posição no ranking mundial da IAAF (a Fifa do atletismo) deste ano. Keila Costa ficou com a prata ao saltar 6m74.
A campeã brasileira está agora a apenas dois centímetros da melhor marca do ano, da americana Akiba McKinney. E mostra que tem bala para saltar mais de sete metros no Pan-07.
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h08
