Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Firenze=Faenza 2

O segredo do transverso
 
No momento em que botei o peh na piazza de la Signoria, em Firenze, onde seria a partida dos 100 km del Passatore, meu estomago ficou tranquilo. Nos dias anteriores, porem, tinha havido uma revolucao interior, sem grandes consequencias. Bem menos que o desastre havia dez dias antes, com frio, febre e complicacoes intestinais das mais desagradaveis.
 
Talvez tenha sido um processo de limpeza, uma purga dos medos, um tempo obrigatorio para descansar antes de enfrentar a prova dos nove.
Pois estava tranquilo, ainda que nao sereno. Um fio esticado de tensao, um temor soh das dores que poderiam advir.
 
Comecei a prova com duas hernias, fasciite plantar fortissima no peh esquerdo e nao tao foderosa no peh direito, neuroma de morton no peh esquerdo, restos de uma malcurada tendinite no isquiotibial, um repuxado chato no posterior da coxa, algo errado no gluteo medio e degeneracao progressiva nas cartilagens do quadril.
 
Pode parecer muita coisa, mas era nada perto do que tinham outros em volta. Havia pelo menos um cadeirante, e o cara prometia dar um show. Seu veiculo lembrava mais um bolido de formula 1, ou um carro de corrida dos tempos passados, estilo carretera, do que uma cadeira de rodas, mesmo essas mais esportivas e cheias de alta tecnologia. Ele sentava no cockpit rente ao chao e movimentava a cadeira com os bracos girando um equipamento que ficava em frente ao seu torax.
 
Ao longo da corrida, soh encontrei com ele uma vez, naquela subida mais terrivel de todas as subidas, em algum ponto entre o km 40 e o km 50. Eu caminhava forte e firme naquela ladeirona interminavel, jah depois do lusco-fusco, o ceu se encaminhando para enegrecer, e passei pelo cara que girava cada braco em sincronia,lentamente. A mao subia devagar, com dificuldade, chegava ao ponto mais alto do giro e descia rapido, enquanto a outra comecava sua lenta subida, como se ele estivesse puxando um pesadissimo balde de dentro de um poco superprofundo.
 
Mais tarde, ele deve ter me passado em algum ponto depois do km 50, mas eu nao percebi. A Eleonora me conta te-lo visto voando baixo em uma descida, zunindo.
 
Mas isso era ele. Eu tinha lah minhas dores.
 
Nos ultimos seis meses, cuidei delas com carinho, tentando reduzir os problemas, procurando nao curar, mas aprender a conviver e superar com coisas que vivem comigo. Foram longos meses de trabalho de fisoterapia com o sensacional pessoal do Instituto Vita, que me apoia desde meus primeiros passos maratonados pelo mundo.
 
Pois foi assim que aprendi a conhecer o transverso. Ele eh um sujeito sensacional.
 
Trata-se de um musculo na parte inferior do abdome, que abraca o corpo no diagona .daih seu nome. Por anos de pessima postura, cadeiras distantes das necessidades ergonomicas basicas e outros quejando, eu e a torcida do Gremio esquecemos de cuidar das costas, largamos a barriga frouxa e deixamos todo o peso do corpo cair sobre a lombar.
 
Com exercicios simples, ainda que nem sempre faceis, aprendi a acionar o tal do transverso, que assume entao para si a responsabilidade de equilibrar o corpo, tirando do quadrado lombar essa dura tarefa.
 
Eh dificil acostumar a mante-lo sempre alerta. para dizer a verdade, nao consegui chegar ao ponto desejado pela fisioterapeuta, mas jah consegui fazer varias provas sem dores ou com poucas dores ou sendo capaz de administrar as dores. Tudo gracas aa capacidade de controlar esse musculo.
 
Se voce nao o conhece, procure conhece-lo. Quando eu voltar, prometo colocar um artigo mais cientificamente embasado sobre o dito cujo,e ainda algumas dicas de exercicio.
 
Voce vai adorar.
 
Termino por aqui, voltando a pedir desculpas pela falta de acentos adequados, falta de caracteres especiais e falta de revisao. espero que, mesmo assim, minha prova continue legivel.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h30

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Firenze-Faenza

Firenze-Faenza

Perfume da noite

Quando meu GPS marcou o centesimo quilometro, vi o cartaz colado em uma arvore: ULTIMO QUILOMETRO.

Sacanagem!

A ultramaratona de 100 km mais bela e mais dificil do mundo tem 101 quilometros. Quando voce pensa que esta la, ainda falta mais um tanto.

Para mim, porem, ja nao importava mais. Ela estava conquistada, domada, amarrada no meu peito, pisada passo a passo, morro a morro, sol a sol.

O sol, por sinal, voltava a brilhar, depois de uma noite fria e ventosa.

A prova comecara na tarde do dia anterior, os 100 km del Passatore, uma ultramaratona ponto a ponto, que parte de Firenze, no coracao da Toscana, e segue ate Faenza, patria da ceramica (faianca).

O inicio, as tres da tarde, foi sob um sol mortifero. Tive de me organizar para largar mais lento do que nunca, e depois ficar ainda mais lento, pois bastaram uns poucos quilometros planos e logo comecamos a subir.

Metro a metro, a altimetria prometida nos mapas era ainda mais dura sob nossos pes, e tornava-se ainda mais dificil sob o sol da Toscana.

Em compensacao, tinhamos a vista de Florenca para acompanhar a subida, a primeira de muitas, muitas, muitas.

Mas a melhor vista tive no km 18, quando finalmente a Eleonora conseguiu driblar os bloqueios de transito e me encontrou correndo. Eu estava forte, apesar de ter enfrentado o trajeto mais complicado, do ponto de vista estrat'egico, que ja tivera pela frente.

Minha tatica foi simples: seguir os mais experientes (ou que pareciam), caminhar quando subia, trotar de leve quando dava, procurar a sombra escondida.

Faltavam apenas pouco mais de 80 quilometros. Eh a maravilha da corrida: quanto mais voce corre, menos falta para correr.

Voce pode acompanhar a altimetria no site da prova, AQUI. A sequencia de lombas fortes, muito fortes e fortissimas 'e arrasadora. Mas eu me aguentei ate a noite chegar, por volta do km 50.

Com ela, veio o frio, o vento, o cheiro de mato. E forca para minhas pernas, meu corpo, meu coracao. A lembranca mais duradoura da oprova talvez nao sejam as dores, mas o perfume da noite, quando eu corria solitario no meio do campo, subindo montanhas, descendo encostas, vislumbrando apenas o cenario em volta de mim.

E um cheio de frio entrando pelas narinas, um perfume de merda de vaca, um odor de agua rolando nas pedras do rio, um pouco de vento e de suor.

Depois do 75, as coisas todas comecaram a doer. Mas por pouco tempo. A cada cinco quilometros, havia um posto di ristoro, e a cada cinco quilometros eu encontrava a Eleonorar, me incentivando, mandando beijos, ajudando a trocar de roupa (fiz varias trocas no caminho), me mantendo vivo e ativo, firme e forte.

As duas hernias nao chiaram, mas o pe mandou seu recado. Tomei conta dele. No km 80, eu sabia que iria chegar. Ja tinha mais de 12 horas de prova, poderia ter mais tres, quanto ou cinco, mas chegaria bem, inteiraco como vinha desde o inicio.

Era so segurar o guidon com a ponta dos dedos, e mandar ver.

Tratei de lembrar das minhas filhas, da presenca da Eleonora. No 90, comecei a chorar, antevendo a chegada. Mas logo me irritei com a marcacao que parecia errada.

Nao precisava mais pensar. Corria, caminhava, trotava, caminhava.

Entrei em Faenza, passei a marca dos 100 km. E engoli cada metro dos km 101 at'e chegar onde Eleonora me esperava, mais um beijo, depois de uma tarde, uma noite e uma madrugada na estrada, depois de 15h53min05. Terminei. Feliz, satisfeito, cheio de cheiro da noite no meu peito. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h16

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Firenze

Firenze

Faltam 65 minutos

Estou num internet cafe, nao tenho acentos nem caracteres especiais.

Hoje nao estah tao quente quanto ontem, mas o sol ainda eh bem forte, e todos os corredores buscam sombra para se proteger.

A largada eh na piazza della Signoria, onde fica a est'atua de David, do ladinho do Ufizzi, onde Hanibal lecter comecou ma das suas etapas de destruicao e morte.

A piazza esta tomada por turistas, os corredores omos um punhado, num canto. Ha uma barracona onde sao entregues os ultimos chips e pectorales (numero do peito).

Variops caminhoes pegam as roupas dos corredores. As minhas vao ficar no carrimnho da Eleonora, que jah estah toda preocupada com as manobras que terah de faszer para acompanhar o percurso.

A tensao eh grande. Acabei de ver um mapa da altimetria do percurso em tamanho maior, dando uma ideai melhor (ou pior) do grau de dificuldade da dita cuja.

Do km 34 ao km 50 ha uma subida em que se sai de 165 metros acima do nivel do mar e se chega a 915 metros. Deu para perceber o tamanho da encrenca?

Bueno, agora eh tratar de botar uma perna na frente da outra.

Antes, porem, ha que agradecer a todos voces quem vem mandando mensagens e comentarios. Elas alegram o espirito e temperam a vontade, alem de me deixarem ainda mais emocionado do que jah estou.

Tchau!

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h54

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Florença

Florença

Que meda!

Faltam 23 horas e dez minutos para o inicio da prova e esta um calor desgraçado.

Vai ser como correr uma Sao Silvestre no horario das meninas e depois seguir por morros e montanhas mais 85 km.

Agora os termometros marcam 31 graus C.

Vambora, Brasil!

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h48

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Carta ao leitor

 
Você é demais

Talvez você não tenha se dado conta, mas você, caro leitor, veloz leitora, é a razão de ser deste blog. Todos os dias, procuro colocar aqui algo que lhe seja útil ou, pelo menos, sirva de alguma diversão.

É muito bom receber sua resposta, ler suas mensagens e comentários, que às vezes até viram posts oficiais.

Por isso, é com uma ponta de saudade que saio hoje em mais uma etapa de minhas microférias. Ficarei fora alguns dias, em repouso ativo, mas vou procurar mandar mensagens sempre que possível.

Vou tentar fazer minha primeira ultramaratona de cem quilômetros. Estou louco de medo, mas também muito entusiasmado, confiante e feliz por ter a coragem de dar esse passo, ainda que eu não tenha idéia de aonde tudo isso irá levar.

Portanto, apesar das microférias, continue visitando o blog. De vez em quando, haverá mensagens novas, além de você poder analisar os comentários de seus pares. E, claro, a leitura de mensagens passadas sempre é uma opção.

Mande e-mails, entupa minha caixa com mensagens, faça seus comentários na janela criada especialmente para lhe dar voz. Todo apoio, toda torcida, todo incentivo, dica ou sugestão é valioso. Aprochegue-se. Não se avexe, não. Este é o seu blog.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h14

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Exercício e nutrição

Radicais ameaçadores

Uma leitora perguntou: "Como é essa história dos radicais livres? Eu faço exercício para ficar mais viva e mais jovem, mas fico me envelhecendo por causa deles?" Não entendi nada e fui pesquisar a respeito. Encontrei na internet um documento produzido pela mestre em nutrição Cláudia Dornelles Schneider. Entrei em contato com ela, que atua na área esportiva há dez anos, acompanhando atletas de corrida, triatlo e praticantes de academia, e pedi uma colaboração especial para este blog. Muito gentilmente, a professora nutrição esportiva do curso de especialização da PUC/RS tirou um tempo de seus trabalhos na tese de doutorado que desenvolve na Escola de Educação Física da UFRGS e produziu o texto a seguir. Com certeza, será muito útil.

 

Os radicais livres de oxigênio são substâncias produzidas normalmente em nosso organismo, a partir do oxigênio que respiramos. Eles possuem papéis importantes de proteção, como por exemplo, o combate a bactérias. Por outro lado podem ser prejudiciais quando ocorre desequilíbrio no sistema pró-oxidante versus antioxidante, chamado de estresse oxidativo.

Quando temos mais oxidantes que antioxidantes, existe a produção de compostos tóxicos ou danosos aos tecidos, e é possível haver dano às membranas de nossas células. A teoria do envelhecimento precoce está associada a isso.

Isso pode ocorrer devido ao fato de termos uma dieta desequilibrada, pobre em nutrientes antioxidantes (vitaminas A, C, E, selênio), ou então quando formamos mais radicais livres do que somos capazes de combater.

Quando corremos, por exemplo, respiramos mais oxigênio do que em repouso, e, portanto, formamos mais radicais livres. Mas não podemos entender que o exercício é prejudicial, pois justamente um dos efeitos do treinamento é aumentar a atividade de algumas enzimas antioxidantes, como por exemplo, a enzima glutationa peroxidase.

Também não é qualquer intensidade ou duração de exercício capaz de provocar o estresse oxidativo. Os estudos têm mostrado que exercícios que levam o atleta à exaustão ou de longa duração (acima de duas horas) é que podem ser capazes de causar esse desequilíbrio.

A partir dessa afirmação, alguns pesquisadores sugerem que devemos aumentar o consumo de frutas e vegetais em nossa alimentação, pois existe uma relação entre o consumo desses alimentos e as concentrações sangüíneas de antioxidantes.

Muitos trabalhos publicados internacionalmente usam a suplementação de vitaminas (muitas vezes em altas doses) através de cápsulas para observar seu efeito sobre o estresse oxidativo decorrente do exercício. Sabe-se que as vitaminas A, C e E agem como antioxidantes, mas é importante ressaltar que essas mesmas vitaminas, quando ingeridas em altas doses, são capazes de exercer o efeito contrário, ou seja, aumentar o estresse oxidativo.

Devemos sempre respeitar uma das leis da nutrição que é evitar o exagero.

Os nutrientes antioxidantes provenientes da dieta alimentar são necessários em pequenas doses. Além disso, é importante lembrar que os antioxidantes agem em conjunto. A vitamina E em geral é a primeira a ser atacada pelos radicais livres. Ela neutraliza o radical livre e, a partir daí, torna-se ela própria um radical livre menos reativo que o anterior. Logo em seguida, a vitamina C age, regenerando a vitamina E, e torna-se também um radical menos reativo que o anterior e assim sucessivamente.

Assim, podemos concluir que de nada adianta tomar uma megadose de vitamina C se não tivermos vitamina E suficiente.

Alimentos fonte destes nutrientes: Vitamina A: frutas e vegetais de cor alaranjada ou verde-escuro, como cenoura, mamão, couve e abóbora. Vitamina C: laranja, kiwi, tomate, brócolis, bergamota/mexerica, acerola, limão. Vitamina E: está associada aos óleos como oliva, canola, girassol, milho e soja, às frutas oleaginosas e também está presente no germe de trigo.

Outro detalhe importante é que as frutas e verduras contêm outras substâncias com capacidade antioxidante muito maior que as próprias vitaminas, entre elas podemos citar os flavonóides.

Para alcançar o benefício dos antioxidantes, as frutas e verduras devem ser consumidas diariamente dentro de uma dieta equilibrada, adequada à planilha de treinamento do atleta.

Muito esforço tem sido feito para determinar qual a dose e a combinação ideais de antioxidantes necessários para evitar o dano provocado pelos radicais livres. Infelizmente, ainda não existe nenhum consenso sobre o assunto, já que algumas pesquisas apontaram efeitos pró-oxidantes desses nutrientes.

O exercício pode aumentar a necessidade de algumas vitaminas e minerais, contudo tal necessidade pode ser alcançada com uma dieta balanceada baseada em uma variedade de alimentos.

A recomendação de institutos ligados ao esporte, como o Colégio Americano de Medicina do Esporte, Instituto Australiano do Esporte e do Comitê Olímpico Internacional, é de que os atletas devem aderir às recomendações de ingesta de frutas e vegetais da população em geral, e que o atleta deve obter assistência de um nutricionista do esporte qualificado para lhe fornecer uma dieta individualizada.

Poucos estudos avaliaram o papel de dietas ricas em nutrientes antioxidantes como forma de proteção, provavelmente devido ao fato de ser mais fácil e prático tomar uma cápsula em lugar de comprar, lavar, carregar e comer frutas ou verduras.

Nesse sentido, desenvolvemos uma pesquisa de doutorado com atletas de triatlo para avaliar o efeito e a diferença entre comer uma dieta rica em vitaminas A, C e E e a suplementação em cápsulas dessas mesmas vitaminas. A pesquisa está sendo realizada na Escola de Educação Física da UFRGS, encontra-se na fase final e em breve os dados serão publicados. (Cláudia Dornelles Schneider)



Escrito por Rodolfo Lucena às 08h15

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GLS

Arco-íris

Saíram afinal as informações oficiais sobre a corrida que vai fazer parte dos eventos relacionados à Parada Gay.

Trata-se da primeira Corrida pela Diversidade, que será realizada no dia 7 de junho, na distância de seis quilômetros. Haverá também uma caminhada de três quilômetros.

Para mais informações, clique AQUI.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h52

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Curitiba

Curitiba

Vitória do planejamento

"Cale a boca e vá correr."

Essa foi a resposta de um funcionário da empresa Kronochip a um atleta que reclamou da falta da prometida cronometragem eletrônica na prova de 24 horas realizada no último final de semana em Curitiba.

Mesmo assim, o corredor seguiu firme, lutando por seu objetivo, assim como Júlio Latini, o Bond, que ouviu o lamentável diálogo enquanto enfrentava a chuva e o frio na pista.

Mas o esforço, para ele, não deu muito resultado: sua tentativa de 24 horas sem parar terminou com 12 horas e 24 minutos, depois de muitas dores nas pernas.

Em compensação, assistiu a um belíssimo desempenho de um jovem, mas experiente corredor, que já nos contou neste blog suas aventuras no terreno das ultramaratonas. Falo de Paulo Nogueira Starzynski, que disputou e venceu a prova de 12 horas. Sua namorada, Pamela, enfrentou a de seis horas e ficou em segundo lugar no geral.

Vejam o que o Bond nos conta sobre o desempenho de Paulo Nog Run, como ele se assina em blogs e fóruns de corredores:

"Ele era um relógio na pista. Foi para fazer 100 km em 12 horas com uma estratégia pessoal: correr 75% + /- e caminhar o restante. Sua tática foi perfeita, não teve chuva ou frio ( que por sinal era muito grande ) que o fizesse esmorecer. Seus competidores diretos foram embora, e ele não se abalou: ficou ali correndo contra ele mesmo.

"Quando faltavam cinco minutos para acabar a prova e todos os atletas já estavam em ritmo de festa, as posições já definidas, ele já tinha sua vitória garantida.

"A organização distribuía apitos e balões entre os atletas na pista para que o final fosse em festa. O Paulo, correndo sem perder o ritmo, me entregou seu balão e acelerou um pouco mais. E completou 100.400 metro, primeiro lugar geral, campeão.

"Nas seis horas, a Pamela caminhou onde tinha que caminhar, correu onde havia planejado e se superou."

Enquanto eles festejam e são justamente homenageados por amigos e conhecidos, não deixo de registrar algumas críticas de Bond à organização.

"Faltou local para que os atletas que não possuíam barracas ou tendas pudessem deitar/dormir. A equipe de fisioterapia ( estagiários) estava mais preocupada em cumprir o tempo de estágio que cuidar dos atletas. Falta de parciais seguras de voltas. Falta de cronometragem eletrônica conforme prometido e de ambulância e/ou médico na pista ."

Os pontos positivos, além do carinho do organizador Mozart e de sua família para com os atletas: banheiros químicos limpos, com um funcionário 24 horas cuidando de sua limpeza após o uso; ótima qualidade dos alimentos oferecidos; ótima quantidade e qualidade de líquidos (isotônicos, refrigerantes, água); transporte do local da prova para o centro da cidade; e alojamento gratuito para os atletas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h27

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Fala, leitor

Por mares e montanhas

No sábado passado, aconteceu a sétima edição da prova Ilhabela Corpore Terra & Mar, que mistura corrida a pé e natação em um revezamento com no mínimo cinco corredores e um nadador. São 104,5 quilômetros a serem percorridos pelas estradas de Ilhabela, e mais 2,5 quilômetros de natação no canal que separa Ilhabela de São Sebastião. Para contar um pouco sobre a festa deste ano, convidei o estatístico Marcos Sanches, um dos líderes da equipe Nossa Turma, da qual faço parte. Leia o que ele nos conta.

"Participamos com duas equipes, a Nossa Turma 1 e a Nossa Turma 2, ambas de corredores de São Paulo que haviam se deslocado até Ilhabela no dia anterior, juntamente com centenas de corredores e nadadores de outras equipes. A ilha ficou tomada por atletas, houve congestionamento e espera nas balsas, ficou difícil encontrar pousada vaga.

"Nossa largada foi no sábado, às 5h, juntamente com várias outras equipes. A largada era dada em grupos de seis a 11 equipes, das 4h35 até as 6h45 da manhã. Os atletas seguiam rumo ao sul da ilha sob o céu ainda escuro e iluminados pelas luzes da cidade e pelos faróis do carro de apoio que seguia logo atrás. Cada equipe precisava ter dois carros, segundo o regulamento: um deles transportava os atletas entre os postos de troca e o outro seguia o atleta que estava correndo, dando proteção e, naquelas primeiras horas, também clareando o caminho.

"Eu fui o atleta número 1 e era sensacional correr naquele horário. Ainda na vila, viam-se ao longe as luzes dos postes e o contorno dos morros no céu nublado, com os picos escondidos pelas nuvens baixas. Fora da cidade, o ambiente era ainda mais agradável. Fazia um friozinho gostoso, e o percurso, tomado por montanhas de um lado e mar do outro, cheio de curvas e morros, tinha um gosto todo especial para nós, vindos da fumaça paulistana.

"O dia foi ficando claro e ficavam evidentes a agitação e a ansiedade dos atletas nos postos de troca, esperando seus pares e a sua vez de encarar o desafio. Fomos até o sul da ilha acompanhados por uma chuva intermitente e fina que ora fazia lisos e perigosos os trechos de terra, ora tornava refrescante e prazerosa a corrida no asfalto. Em cada posto de troca, o atleta chegava exausto, passava o chip pelo detector que ficava na vertical e o entregava ao atleta seguinte num funil especial.

"O percurso continuava até Borrifos, no sul, e de lá voltava para o centro, indo dali para a subida do Castelhanos, temido trecho mais difícil da prova. O atleta recebia o bastão na base do morro e começava a subida de mais de seis quilômetros ainda no asfalto. Logo a trilha de terra, cheia de buracos e pedras se tornava uma constante, bem como a subida. O tempo ainda fechado dava uma sensação especial a quem percorria esse trecho por tomar o seu ponto mais alto por neblina. Tendo subido e descido o Castelhanos, o atleta exausto sempre estava também maravilhado de felicidade.

"Às 9h, os nadadores partiram para sua primeira perna da natação, de 2.000 metros, todos juntos em uma massa de aproximadamente 160 atletas. Os tempos dos nadadores seriam somados posteriormente ao tempo da corrida. É uma competição isolada, onde o nadador faz a prova longe de sua equipe, enfrentando de uma vez só todas as equipes concorrente. Nossos nadadores saíram-se muito bem.

"Voltando de Castelhanos, a equipe corre rumo ao norte, em direção ao Jabaquara. O trecho mais ao norte, sem acesso para os carros das equipes, é feito de forma solitária pelo corredor, que vai e volta em um percurso de terra com bastante lama acumulada por causa da chuva.

"Na parte final do revezamento, depois de voltar do norte, os corredores passam o bastão (que na verdade não existe, é apenas um chip) para o nadador, que faz mais uma perna de 500 metros. Terminada a natação, toda a equipe se junta ao nadador e, juntos, fazem o trecho final, de 2.800 metros. É um dos momentos mais emocionantes da prova: os atletas passam todos juntos geralmente de mãos dadas ou abraçados, pelo pórtico de chegada, escoltado por uma moto, depois de mais de nove horas de prova.

"Eram equipes e mais equipes chegando com seus atletas unidos, felizes pelo enorme desafio de morros e trilhas vencido. Pegavam suas medalhas e eram incontáveis as fotos de chegada, com a turma exausta e mais alegre do que nunca. Depois de um merecido banho na pousada, os restaurantes de Ilhabela se encheram de corredores repondo suas energias com enormes pratos de massas regados por intermináveis histórias da prova que tinha acabado de acontecer..."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h08

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Letônia

Letônia

Sinais trocados

Apesar da indicação do trânsito no asfalto, o maratonista segue em frente na maratona de Nordea Riga.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h04

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Texas

Texas

Cores quentes

Pouco depois do nascer do sol, corredores participam da prova de revezamento Beach to Bay, que vai de Padre Island a Corpus Christi, no Texas (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h21

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China

China

Montanhas de degraus

Corredores participam da oitava edição da Maratona da Grande Muralha da China, em Huang Ya Guan,Kuahuolin, nordeste de Pequim (foto AP). Eles enfrentam cerca de 3.800 degraus na muralha, além de montanhas e sol forte. Neste ano, um grande grupo de brasileiros participou do evento. Ao que eu saiba, todos completaram.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h18

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Alemanha

Alemanha

Passadas abstratas

Com um superzoom, Jens Meyer, da AP, faz poesia ao registrar a ação dos participantes na 35ª edição da maratona GutsMuths Rennsteiglauf, em Neuhaus/Rennweg, Alemanha. Cerca de 14 mil corredores participaram do evento no último sábado.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h16

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Santos

Santos

Pretinha manda na Tribuna

Ednalva Laureano, a Pretinha, não tomou conhecimento da concorrência nos 10 Km Tribuna FM, prova realizada hoje em Santos com a participação de 12,5 mil atletas.

A atleta paraibana, que agora lidera o ranking nacional de corridas de rua da Confederação Brasileira de Atletismo, fechou em 33min12, deixando em segundo a queniana Genoveva Jelagat Kigen, 33min41, e em terceiro a maratonista (qualificada para o Pan) Sirlene Souza de Pinho (33m54).

No masculino, Marilson quase chegou lá: ficou 14 segundos atrás do queniano Lawrence Kipcrotich, que levou um carro 0 km com 28min06 (Ednalva também ganhou um carro).

Segundo os organizadores, estiveram presentes atletas de 130 cidades.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h44

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Prodígio indiano vai enfrentar 500 quilômetros

Caminhada infantil

O garoto indiano que, no ano passado, despertou a atenção do mundo e gerou muito polêmica por correr provas de longuíssima distância, volta à cena.

Agora com cinco anos, Budhia Singh deverá iniciar no dia 6 de junho uma caminhada de 500 quilômetros, segundo anunciou seu treinador. Com final em Calcutá, a prova vai começar em na cidade de Bhubaneswar, no Estado de Orissa. A expectativa é que dure dez dias.

O técnico Biranchi Das acredita que o esforço do menino servirá de exemplo e inspiração para as crianças e jovens indianos, mas defensores dos direitos e da saúde das crianças não são nem um pouco favoráveis à empreitada.

Dizem que não passa de superexploração de uma criança. E que, se efetivamente Singh tem dotes atléticos especiais (o que parece evidente), deve ser preparado e protegido adequadamente, e não tratado como um fenômeno circense.

No ano passado, o garoto iniciou uma ultramaratona de 70 quilômetros, mas os médicos suspenderam sua participação no km 65 (!!!), alegando que ele demonstrava cansaço excessivo.

Mas o técnico não está nem aí: "Nosso objetivo é mostrar para as crianças indianas e de todo o mundo que, se começarem hoje, poderão disputar uma vaga para a Olimpíada de 2016".

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h17

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China

China

Visita de inspeção

Corredores que vão participar, amanhã, da maratona da Grande Muralha da China dão uma geral para conhecer de perto o tamanho do problema que terão de enfrentar (fotos AP).

Essa é uma das provas mais lindas e emocionantes do mundo, por tudo que ela oferece: cenário, história, dificuldade, raridade.

Quando participei, em 2004, fui o único brasileiro na maratona, que passa duas vezes pela muralha; a segunda, depois do km 34.

Leia mais AQUI.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h04

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Medalhista olímpica com câncer de pele

Doença extirpada

Tem uma nota de alívio a mensagem que a medalhista olímpica Deena Kastor colou ontem em seu site, contando ter recebido uma ligação de sua dermatologista garantindo que o câncer de pele tinha sido extirpado completamente.

"Eu sabia!", disse o marido dela, Andrew, dizendo que só poderiam termesmo tirado tudo, tanto que os médicos cavoucaram na pele da corredora.

A maratonista norte-americana havia comentado em uma mensagem do dia 10 passado a dura batalha que estava enfrentando contra o câncer de pele: três manchas em seu corpo (mesmo em lugares que o sol não alcança) foram diagnosticadas como diferentes tipos de câncer.

Naquele momento, ela estava com 25 pontos externos por causa de intervenções para retirada de carcinomas e melanomas; também recebeu pontos internos, para fechar vasos atingidos durante a intervenção, que foi bem profunda em alguns pontos (como dá para perceber pelo comentário de Andrew).

Sobre as origens do problema, ela não fala, mas diz sempre usar protetor solar e, aparentemente, vai se transformar numa espécie de evangelista pelo uso dos cremes protetores.

Mas uma evangelista muito ativa na pista: apesar do drama vivido, não largou dos treinos. Na terça, deu seis tiros de 1k, os últimos dois para 2min49. Coisa pouca, não? Ela acha que, daqui a pouco, vai poder começar os trabalhos de velocidade...

Bueno, o site de Kastor está aqui. Em 2004, depois a olimpíada, fiz uma longa entrevista com ela, que você pode ver AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h09

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Mudanças na Maratona de São Paulo

Quase um nada

Bem, os organizadores da maratona de São Paulo estão traulitando mudanças na prova, afirmando terem atendido a reivindicações de técnicos de corrida e que vão beneficiar os milhares de anônimos que nela participam e sofrem.

Fizeram umas mudanças de perfumaria no percurso, sendo a mais significativa a troca da ponte Bernardo Goldfarb pela da Cidade Universitária, que é mais maneira. Não refresca grande coisa.

O que melhora um pouco é a troca do horário, que sai da absurda 9h40 para um impreciso "a partir das 8h55".

Sabe-se lá o que isso pode vir a significar. Quem já sofreu as provas da Globo sabe que isso pode depender do fim de um set de vôlei ou de tênis, de um anúncio ou de qualquer outra coisa.

De qualquer forma, sem dúvida é uma melhora, ainda que o horário esteja longe de ser decente. Maratona no Brasil, de setembro a maio, tem de começar às 7h e olhe lá; de maio a agosto, 8h.

Uma prova importante e que carrega tanta gente inexperiente como a maratona de São paulo deveria ser mais responsável e mais respeitadora da saúde dos atletas.

A mudança indica uma preocupação positiva, mas ainda muito aquém das necessidades.

E quero ver como vai ser o tratamento da massa dos lentos, dos que fazem em mais de cinco horas, que são uma parcela significativa no evento. A cada ano, os relatos são dramáticos e revoltantes. Tomara que melhore também.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h39

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Sem visto

Discriminação ou o quê?

O recordista mundial da meia-maratona, Sammy Wanjiru, que ia participar de uma tentativa de quebra de recorde dos dez quilômetros no próximo domingo, na Inglaterra, não vai poder entrar na corrida: o reino Unido lhe negou o visto.

O corredor queniano, que vive no Japão, entrou com o pedido no dia 15 de abril, mas recebeu uma negativa.

"É ultrajante negar o visto a um corredor internacionalmente reconhecido com Wanjiru", disse o secretário-geral de atletismo do Quênia, David Okeyo. "Não sabemos a razão, mas é surpreendente. Vamos mandar uma nota formal de protesto", afirmou.

O diretor da Great Manchester Run, Matthew Turnbull, disse estar frustrado por perder mais um atleta de elite por causa de procedimentos burocráticos. Em janeiro, o Reino Unido negou visto para o corredor de Uganda Boniface Kiprop, que iria participar de uma prova na Escócia.

De qualquer forma, a corrida em Manchester terá a presença do campeão mundial de cross-country Zersenay Tadesse, da Eritréia, e do queniano Micah Kogo. Eles vão tentar derrubar a marca de 27min02 do etíope Haile Gebrselassie. O campeão britânico de cross-country, Mo Farah, também vai tentar tirar uma casquinha.

No feminino, as campeãs da maratona de Boston, Lidiya Grigoryeva, e de Nova York, Jelena Prokopcuka, lideram a tropa de elite.

No total, são esperados 28 mil corredores na festa.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h57

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Artigo

Artigo

Esporte contra saúde

Não sei se está crescendo o número de mortes de pessoas que correm maratona ou se cresce a divulgação dessas ocorrências. Acredito que são as duas coisas, pois é crescente o número de pessoas que praticam exercícios e a mídia em geral está um pouco (bem pouco, é verdade) antenada para esse movimento. Eu, que adoro maratonas e provas mais longas, tenho claro que elas não são a coisa mais saudável do mundo, mas são muito gostosas. de qualquer forma, para ajudar a entender um pouco mais os efeitos do exercício e, especialmente, da maratona no corpo, trago hoje um artigo da bióloga Camila Yumi Mandai, que foi publicado originalmente na revista on-line "Vox Scientia", do NJR-ECA/USP, e que repriso com a devida autorização.

"Existe hoje um consenso geral entre os médicos de que o esporte profissional, como praticado atualmente, é nocivo à saúde. Isso porque, com as pressões das competições, os atletas, sobretudo os chamados "atletas de elite", são levados até o limite do corpo. A busca pelas quebras de recordes, e pelos centésimos de segundo decisivos, apontam para o fato de que a capacidade física máxima do ser humano está na fronteira do limite. O melhor atleta será aquele que se sacrificar um pouco mais para atingir tal meta.

"Esse esforço exagerado acarreta, ao longo do tempo, desgastes físicos e psicológicos. Além dos tradicionais males dos esportistas, como fraturas, rupturas ou deslocamentos ósseos e musculares, que levam os atletas ao abandono ou um período de retiro do esporte, há as doenças oriundas de problemas cardíacos, seja conseqüência de uma predisposição genética ou acarretada e agravada pela sobrecarga de exercícios.

"Quando pensamos em pessoas cardíacas, associamos a pessoas sedentárias, de maus hábitos alimentares e submetidas ao constante "estresse cotidiano". Assim, é bastante chocante quando atletas de destaque sofrem, por exemplo, morte súbita em plena competição. O porte atlético e as habilidades de muitos jovens atletas escondem a fragilidade dos seus corpos e o extenso esforço dos mesmos para executar suas exaustivas tarefas diárias.

"Ao iniciar um exercício físico, a primeira reação fisiológica do corpo é o aumento do fluxo respiratório e sangüíneo como resposta à aceleração do metabolismo, que em uma maratona chega até 2.000% acima do normal (uma pessoa com febre tem o metabolismo 100% mais acelerado), com conseqüente elevação na demanda de oxigênio. A distribuição dessa alta taxa de oxigênio para os tecidos é suprida com o aumento da freqüência cardíaca. Durante a prática saudável de exercícios físicos, a freqüência cardíaca é constantemente monitorada, seu valor máximo varia conforme o sexo e a idade do praticante. Ao ultrapassar muito esse limite, há um aumento da liberação de radicais livres, relacionados a processos degenerativos, associada com o aumento do consumo de oxigênio. É claro que um melhor preparo físico suporta exercícios mais intensos com menor freqüência cardíaca e assim menor produção de radicais livres. Ainda assim, por mais preparados que os atletas de elite possam estar, além de eles treinarem diariamente, isto é, sem passar pelo período de repouso que pode causar a "Síndrome de Overtraining", os exercícios são feitos até a exaustão.

"Na prática esportiva, o coração é o órgão mais exigido do corpo. Ele é o um dos fatores determinantes no desempenho máximo dos atletas. Muitas vezes a presença de grande massa muscular esquelética (aquela associada a movimentação do corpo) pode não ser vantagem quando a eficiência do coração for baixa. Os maratonistas que conseguem maior aumento do débito cardíaco, com a prática de exercícios, são os que, em geral, conseguem quebrar os recordes de tempo.

"Essa exigência constante da massa muscular cardíaca leva um aumento do volume da mesma. Em outras palavras, durante o treinamento atlético não são apenas os músculos esqueléticos que se hipertrofiam, mas também o coração. Esse aumento está associado a uma maior capacidade de bombeamento do sangue. O coração de um maratonista é consideravelmente maior que o de uma pessoa normal, tendo um aumento de 50% a 75% na massa cardíaca. Esse aumento exagerado do coração pode estar relacionado com os problemas cardíacos em atletas de elite. A contração do músculo cardíaco é controlada por sinais elétricos transmitidos por sensores nervosos localizados na parede das câmaras cardíacas. Esses sinais são despertados por estímulos sensitivos que indicam o estiramento da parede das câmaras do coração quando preenchidas com o sangue, e controlam as duas fases de contração, a sístole e a diástole. O aumento do coração pode levar a uma alteração da inundação dos ventrículos pelo sangue e conseqüente desritmia cardíaca. Além disso, o espessamento das paredes pode levar a uma obstrução na cavidade ventricular esquerda e prejudicar o funcionamento e eficiência no bombeamento do sangue.

"Assim, é de extrema importância fazer uma avaliação física detalhada antes da prática vigorosa de exercícios. Muitas vezes a busca pela saúde e beleza físicas podem acabar sendo prejudicais em casos de pessoas, jovens ou velhos, que apresentam alguma predisposição genética, como em muitos casos de hipertrofia cardiomiopática, responsável por 36% dos casos de morte súbita em jovens atletas. É claro que, de modo geral, a prática regular de exercícios é um hábito saudável, a curto e longo prazo, já que ela aumenta a eficiência cardio-respiratória, deixando os praticantes menos suscetíveis as doenças oportunistas e levando a uma recuperação mais rápida de possíveis enfermidades, já que há uma maior eficiência de oxigenação dos tecidos. Mas esse fato pode muitas vezes ocultar problemas individuais sérios de saúde e, assim, a falta de acompanhamento médico nas práticas esportivas."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41

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Praga

Queria estar lá

Veja só que beleza a multidão de corredores cruzando a ponte Carlos, relíquia arquitetônica medieval de Praga, durante a maratona realizada hoje (foto AP).

Vá dizer que não dá vontade de estar lá...

Bem, a prova foi vencida pelo atleta português Helder Ornelas, 33, que fechou em 2h11min49. Ele cozinhou o galo a prova toda e partiu pro pau nos últimos quilômetros, deixando para trás o queniano Luka Kipkemboi Chelimo, que terminou quase um minuto mais tarde. Se a prova durasse mais, talvez nem desse para o queniano beliscar a prata, pois terminou a apenas 15 segundos do terceiro colocado, o também português Paulo Caetano Gomes.

No feminino, a vitória foi da russa Nailya Yulamanova, que fez 2h33min10, seguida de longe pela polonesa Malgorzata Sobanska.

Deve ser uma bela prova numa belíssima cidade, onde se come muito bem e se pode ter um maravilhoso encontro com a história.

Apesar dos choques de governos passados com a ex-União Soviética, ainda é possível perceber a herança dos tempos em que a administração pública era mais preocupada com o público.

Vendo mapas gerais da cidade, nota-se como ela é organizada em círculos concêntricos, e o transporte público também segue esse projeto. Eu achei muito bacana.

Sem falar que uma de suas mais sensacionais salas de concerto é o Rudolfino...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

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Fala, leitor

Mamilos em sangue

Trago hoje para a você a experiência do leitor Carlos Alberto Diógenes Yazlle, 30, que enfrentou o frio norte-americano para obter o melhor tempo de sua vida na maratona. Para esse sociólogo, que corre há apenas cinco anos e já contabiliza a partipação em 108 provas, foi a quarta maratona. Vamos ao texto do Carlos.

"Às seis da manhã do dia 21 de abril, com dez graus e escuridão, eu estava meio preocupado com o que poderia acontecer nessa maratona de Charlottesville.

"Não era para menos: havia chegado aos EUA no dia 13 e, desde então, já tinha ficado bêbado duas vezes, comido fast-food todos os dias e treinado apenas uma vez _um trotezinho de 40 minutos em que eu quase morri de frio.

"Bem, agora não tinha mais o que fazer. Fui pela última vez ao banheiro _as instalações químicas têm o mesmo cheiro característico das ‘casinhas‘ das provas brasileiras.

"Às 6h30, deram a largada. Saí tranqüilo, tentando encontrar o meu ritmo, não acelerar demais nem ir muito devagar, observando os outros corredores, vendo a cidade, apreciando a vista. Passei a primeira milha com 8min44 e passei a segunda milha tentando calcular qual seria esse ritmo em minutos por quilômetro _enfim, devia ser uns 5min30/km, estava bom.

"Na terceira milha, primeiro posto de água e isotônico, começamos a sair da cidade e ir para a zona rural _várias fazendas, as árvores ainda sem folhas, paisagem de filme americano...

"Eu havia largado com um casaco e começou a esquentar. Abaixei um pouco o zíper do casaco para pegar um pouco de vento frio. Quando esfriava demais, eu subia o zíper; quando esquentava de novo,abaixava o zíper _estava feliz por poder controlar a minha própria temperatura ...

"Na sexta milha (são 26,2 no total), o pessoal da meia-maratona virava à direita, e nós íamos em frente. Pensei: ‘Agora que vai começar’. Na décima milha (1h23+ou-), fomos para uma estrada de terra batida, e muitas pedrinhas, poucas casas. Em determinados momentos, eu ficava sozinho.

"Na milha 13, aproximadamente a metade da prova, passei com 1h51m+ou-. Projetava completar em 3h42/43 (uau! fiquei feliz), mas sabia que a segunda metade é onde as coisas acontecem. Fui presenteado com a primeira subidona de respeito: a panturrilha começou a avisar que ela estava lá e que ia doer.

"Na milha 17, voltamos ao asfalto, começando a refazer o caminho de vinda: cada passo dado, era um passo mais perto da chegada!

"Na milha 20, estávamos no alto de um morrinho, vi uma descida e depois uma subida maior ainda na frente. Pensei: ‘Xi, ferrô!’ Para a minha sorte, no final da descida, viramos à direita, mas não refrescou muito, pois na milha seguinte começou ‘A Subida‘. Leve no começo, mas foi aumentando. No meio dessa rampa, tinha um banquinho, com um radio solitário tocando musica pra gente.

"Na milha 22, a subidona começou a ficar absurda: xinguei o percurso com todos os palavrões que conhecia, em português e inglês. Não agüentei e caminhei um pouquinho, só para recuperar o fôlego e voltar a correr.

"Na milha 23, entramos de volta na cidade. Nas ruas, várias pessoas aplaudindo, gritando ‘Nice run’, ‘Good job’. A adrenalina do ‘tá-quase-acabando!’ subiu, e comecei a acelerar.

"Fui estabelecendo metas _passar o próximo corredor. Passava um e mirava no outro. No final da descida, havia uma rotatória: era só contorná-la, virar a esquerda e cruzar a linha de chegada.

"Ufa! Acabou!

"Peguei a medalhinha _feinha. Era a mesma, assim como a camiseta, para a maratona e para ameia-maratona! No final, o lanchinho era um banquete: tinha maçã, banana, pão, MMs, batata frita, isotônico, pizza!!

"Acabei sem nenhuma bolha ou unha preta nova no pé. O pior foram os mamilos, que sangraram _durante a corrida, não senti muita dor, mas depois...

"Completei em 3h45m47! Novo recorde pessoal! Média de 8:38 por milha ou 5min29 por quilômetro.A minha melhor milha foi a ultima: 7min39. Fiquei em 77º lugar dos 361 que completaram a maratona!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h31

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O amor é lindo

Ação benemérita

A atriz Drew Barrymore, dona, quando criança, do maior grito da história do cinema (em "ET"), abraça o corredor Paul Tergat, dono, já adulto, do menor tempo já registrado para um humano completar 42,2 quilômetros.

O encontro foi numa cerimônia em Washington, ontem,quando a atriz foi nomeada embaixadora contra a fome pelas Nações Unidas, função que Tergat também exerce. Ambos pretendem concentrar seus esforços para apoiar programas de alimentação escolar.

E o amor a que se refere o antetítulo desta mensagem é dos dois pela humanidade, não entre eles _pelo menos, que eu saiba.

A foto é de Molly Riley/Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h58

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Coisa de cinema

Estiloso

Repare no estilo da corrida do ator Robert Carlyle, que foge de seres infectados pelo vírus da raiva no filme de horror "28 Weeks Later" (28 semanas depois), da Fox Atomic (foto de divulgação distribuída pela AP). Pelo jeito, o filme não é grande coisa, mas que o rapaz faz um esforço para correr, lá isso faz. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h23

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Molly Tucker

Molly Tucker

Pequena notável

Molly Tucker venceu com facilidade a prova de cinco quilômetros de Dragon’s Fire, no sábado passado, deixando a segunda colocada mais de dois minutos atrás.

Essa informação, publicada em um jornal local do interior do Texas, não teria razão para ser repetida em nenhum outro lugar do planeta, virtual ou concreto, não fosse o fato de a senhora Tucker ter apenas dez anos de idade.

A garota vem se provando um fenômeno na região, ganhando na sua faixa etária, é claro, mas especialmente competindo com adultos e tendo ótimo desempenho na geral em provas de cinco quilômetros.

"Correr é minha paixão. Um dia eu quero ser uma corredora olímpica", diz ela, completando: "Meu modelo e ídolo é Flo-Jo".

Ela se refere à corredora norte-americana Florence Griffith Joyner, que conquistou três ouros em Seoul-88 e morreu de problemas cardíacos aos 38 anos, em 1998.

Como treino, a garota corre cerce de 30 quilômetros por semana, acompanhada pelo pai na bicicleta.

Em recente provas na região, ela se classificou em primeiro lugar entre as mulheres, todas as idades, em quatro corridas.

Imagino que você, como eu, já esteja se perguntando se isso é bom para uma criança tão jovem.

Em geral, a resposta de médicos, ortopedistas, pediatras e terapeutas é contra a participação de crianças em esportes competitivos, ainda mais tão exigentes quanto a corrida.

Mas vá dizer isso para a feliz texanazinha...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h48

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Ilustração

Ela usa óculos

Marcela Summers é uma criação do ilustrador André Leal, que já deu início à maratona de Patrícia Carla pela blogosfera (como você já viu aqui). Sobre Summers, André conta a seguinte história:

"Existe um brilho especial nos olhos da estudante Marcela Lúcia Summers, por isso ela está sempre de óculos escuros. Quando lhe pedem para tirar os óculos, ela responde que tem um brilho especial nos olhos e que é melhor a pessoa tomar um pouco de cuidado.

"Uma vez, na esteira da academia onde ela criou e mantém duas pernas bem torneadas, seus óculos caíram! Foi o maior fuzuê, todo mundo correndo pra todo lado, aquela gritaria e os professores da academia tentando acalmar a multidão de alunos.

"Ninguém se feriu, mas alguns se apaixonaram gravemente por ela.

"Por causa desse incidente, um dos funcionários de lá providenciou elásticos para as pernas pouco torneadas dos óculos escuros que Marcela Lúcia usa. Graças a esta sacada genial, o tal funcionário ganhou um aumento de salário e um quadro de ‘funcionário do mês’, que ele olha com orgulho todos os dias, na recepção da academia."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h41

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Grandma’s Marathon

Tudo contra as drogas

A Grandma’s Marathon, uma das corridas mais festejadas pelos atletas amadores nos EUA, reafirmou uma política firme de combate ao doping, anunciada na semana passada.

Qualquer atleta que der positivo no antidoping será desclassificado. Aliás, no ano passado, a vencedora do feminino, Halina Karnatsevich, testou positivo para um esteróide anabolizante e teve de devolver os US$ 8.000 do prêmio, além de ser banida da prova por dois anos.

Outra medida anunciada é que a prova não vai contratar atletas de elite que testaram positivo e vai cortar relações com técnicos e agentes de qualquer atleta suspenso por uso de droga.

E os atletas de elite devem assinar um documento dizendo que estão limpos.

Em agosto passado, os diretores das maratonas de Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York decidiram banir para a vida toda atletas condenados por uso de doping.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h55

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De graça

Missão fotográfica

Fiquei conhecendo, por e-mail, um casal de corredores que se diverte fazendo fotos de corridas e transforma seu hobby em um bom serviço para a comunidade.

Marinete, 54, começou a correr aos 50 anos, na esteira de seu marido, Roberval de Mello, 54, hoje aposentado, que já participa de corridas há mais de dez anos.

Combinando corridas, turismo e fotografia, montam álbuns mostrando os percursos das provas em que participam e os amigos que lá correram.

Como eles tomam o cuidado de colocar legenda em cada imagem, o resultado são fotorreportagens de provas como a Meia Trilheira de Ribeirão Pires (foto) e a 8 Km São Sebastião, ambas nas edições deste ano.

Além dos álbuns dedicados às corridas, há também um álbum intitulado "Família", com cenas do mundo mais particular dos dois corredores

O acesso é gratuito e não há linha d’água ou proteção especial para as imagens _se você aparecer em uma foto e quiser copiá-la, não há problema. Mas a definição, como acontece nas fotos para internet, é baixa.

E o site está AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h19

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Bertioga

Bertioga

A derrota do GPS

O vermelhão que tomava conta do céu, do final da madrugada, já anunciava que o dia tinha dono: o sol iria mandar, dominar, esquentar, soltar fogo pelas ventas. E foi o que aconteceu hoje em Bertioga, no litoral norte de São Paulo, onde algumas centenas de corredores se dispuseram a enfrentar 25 quilômetros de praia livre, areia firme e calor para ninguém botar defeito.

A Interpraias deste ano começou muito melhor do que a primeira edição em que participei, quando eram ainda 30 quilômetros e a largada atrasou mais de 15 minutos. Hoje, a corneta soou na hora certa, com a temperatura ainda amena. Melhor ainda: no primeiro posto de abastecimento efetivamente havia água.

Há três anos, corremos quase a praia inteira sem água e sem saber direito em que altura estávamos, pois a marcação da quilometragem era muito irregular e difícil de ser vista. Hoje, havia postos de água em todos os pontos prometidos pelos organizadores; em alguns, estava até geladinha.

Isso não é dizer pouco, pois o erro no abastecimento é um dos maiores problemas das corridas fora da capital. Ao que parece, os organizadores da Interpraias aprenderam um pouco com as falhas do passado. Tomara que o serviço adequado se repita nas outras provas programadas para o litoral.

Mas, se não tínhamos de lutar contra a falta de água, enfrentávamos outro adversário, ainda mais temível: o todo-poderoso solzão.

Eu saí razoavelmente bem, para meu padrão de lentidão, rodando a pouco mais de seis minutos por quilômetro até o km 6; depois me perdi um pouco na jogada, não marquei direito as passagens dos quilômetros e, irritado, deixei a peteca cair.

Estava correndo sem o prezado apoio de meu superGPS, que se revelou bem pouco super nessa prova. Como cheguei em cima do laço para o começo da prova, não consegui dar ao aparelhinho o tempo necessário para ele se localizar, encontrar o satélite e se transformar em uma traquitana útil.

Deixei-o só no cronômetro, mas, acostumado à marcação automática, acabei sem bater a cada quilômetro. Azar, fui fazendo quando percebia. Só que, a tantas horas, o GPS enfim localizou o satélite e daí começou sua marcação própria, que engoliu parte do que eu havia feito. Enfim uma zona.

Bem, melhor apreciar a paisagem. Praia deserta, gostosa, mar com poucas ondas, de vez em quando um ventinho contra ou de ladinho, só para disfarçar o calor, montanhas à frente.

A perna de ida termina num paredão de montanha, no final mesmo da praia. Daí, dá-se uma voltinha, passa-se por estradinhas de chão batido e, três quilômetros depois, volta-se à praia. É o trecho com piso mais gostoso, melhor que a areia dura da praia, mas também perigoso, porque cheio de costeletas traiçoeiras, prontas para um tropicão.

Na praia, enfim, foi só alegria. Apesar do trambolhão no meu pulso, corria como se estivesse sem relógio: só o sentimento do corpo, diminuindo um pouco aqui, aumentando um pouco lá, mirando corredores que estavam á frente e, aos poucos, chegando perto e passando (ou, se mirasse errado, nem chegando perto).

Às vezes, me deixava abater pelo calor, mas recuperava o ânimo de olho no próximo posto de água. Segui num trote bem razoável que me permitiu até acelerar no último quilômetro e soltar a passada nas centenas finais para terminar em 2h49min33, o que não é nenhuma marca para recorde, mas foi a que meu corpo permitiu hoje.

Ao final da prova, um bom kit com frutas, barrinha, água e uma bebida venenosa de tão doce; o gosto da mistura de açaí com guaraná e ginseng (acho que é isso) até que não é ruim, mas precisava ter um centésimo do açúcar ou adoçante para ficar bebível. A medalha é mais ou menos; não traz a data. E a camiseta também é feinha para meu gosto (alguns até correram com ela, donde se conclui que de gustibus non discutambus, numa adaptação sem-vergonha da citação latina).

Mas essas coisas valem menos. Importa que a prova é agradável, o circuito é bonitinho, o abastecimento foi adequado e, de modo geral, os corredores foram respeitados. Só o meu GPS que não foi muito respeitador.

 

PS.: A foto do alto, mostrando cena da Interpraias em Bertioga, é de Fausto Ferrarias / Runnersp

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h06

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Dica de treino

Pés chatos

Vários leitores escreveram solicitando a planilha de treinos do Fábio e outras dicas para tratamento doméstico de dores nos joelhos ou problemas nos pés.

Eu vou falar com ele sobre os alongamentos, especificamente, mas quero lembrar que aqui não somos técnicos nem médicos. Os textos que eu publico, escritos por mim ou por leitores, tratam de experiências individuais, que não necessariamente vão dar certo para outras pessoas.

Minha principal dica é: se você tem dores ao correr, procure um ortopedista ou fisiologista ou médico do esporte especializado em corrida, de preferência alguém que também corra.

Outra dica: não aceite verdades supostamente estabelecidas e imexíveis.

Eu sou um exemplo desse erro: como tenho pés chatos, eu e toda a torcida do Grêmio, incluindo especialistas, sempre demos de barato que minha pisada era exageradamente pronada.

A literatura e a propaganda da indústria de tênis vinculam pés chatos com pronação, pés cavos com supinação etc.

Mas lembre-se de que pé não é pisada. Nossos movimentos são influenciados por N fatores musculares, esqueléticos e psicológicos.

Depois de muitos anos, fiz um teste de pisada correndo na esteira (que também não considero a melhor forma, mas, pelo menos, é a mais próxima da vida real que conheço) e deu que tenho pisada supinada para neutra ou neutra para supinada.

Um outro teste, de análise da distribuição das forças na pisada, mostrou um equilíbrio quase perfeito no espalhamento do peso nos dois pés, coisa que também não fazia parte das hipóteses _ao contrário, esperava-se até um desbalanceamento razoável.

Enfim, lembre-se sempre de que cada um é cada qual e o que serve para um não necessariamente serve para outro.

De qualquer forma, eu sou partidário do alongamento como forma de proteção e até como parte do processo de tratamento, em muitos casos. Há alongamentos que podem ser de uso geral, e em breve trarei alguns exemplos aqui.

Se você não agüenta esperar, uma dica é consultar o livro "Alongue-se", de Bob Anderson. É relativamente caro, mesmo em promoções encontráveis na internet. Por isso, vale a pena dar uma olhada nos sebos da cidade. Na Teodoro Sampaio há alguns bem razoáveis, assim como na rua Pedroso de Morais, perto da Fnac.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h17

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Fala, leitor

Treinos gelados

O leitor Fábio Testte, 30, engenheiro de telecomunicações que mora no Canadá desde 2003, mandou esta história em que conta sua segunda experiência na meia-maratona. Ele começou a correr no ano passado, incentivado pela mulher, que já corria provas de seis e dez quilômetros. O objetivo da casal é completar juntos uma meia-maratona em setembro próximo. Vamos ao que ele nos conta.

"Como muitos dizem, completar a corrida é fácil. Duro mesmo são as intermináveis semanas de planilha. Eu descobri que pior ainda é treinar para uma meia-maratona no inverno que faz aqui no Canadá.

"Como a segunda prova de 21,1 quilômetros de minha vida foi no dia 22 de abril, ainda estava muito frio no período de treinamento, que foi de fevereiro até o começo de abril.

"Realizei praticamente todos os treinos em esteira. Tempo run, speedwork, long run, tudo. Teve dia que eu cheguei a correr 13 quilômetros na esteira. Acho que treinei na rua umas quatou ou cinco vezes no máximo.

"Quando estava em ponto de bala, meu chefe me mandou em uma longa viagem a trabalho a Nova York. Tive de negociar para dar um pulinho de volta a Montréal num bate-e-volta de fim de semana, mas ele aceitou numa boa.

"O meu corpo é que, às vezes, reclamava. Depois que completei minha primeira meia-maratona, em setembro do ano passado, eu desenvolvia muita dor em um dos joelhos toda vez que treinava.

"Consultei ortopedistas, que, após alguns exames, me receitaram alongamentos especiais e, principalmente, uma palmilha feita sob medida pois eu tenho pés chatos. Depois das novas técnicas de alongamento e do uso da palmilha, eu nunca mais senti dor.

"Chegou enfim o dia. Temperatura boa pra correr (13*C). Acordei cedinho e já me mandei para a prova, realizada num parque maravilhoso chamado Jean Drapeau. O percurso passa também por uma ilha vizinha, onde acontece o GP de F1 do Canadá _aliás, boa parte da corrida é feita na pista do circuito mesmo (as fotos são de momentos da prova).

"Devido à chuva que rolou na prova de 2006, eles montaram a base no prédio do parque aquático que tem nessa ilha. Organização perfeita. Vários armários para quem tivesse cadeado poder deixar seus pertences. Entrega do chip bem organizada. Todo mundo respeitando a ordem de chegada das pessoas e cada um pegando seu chip sem desespero.

"Fui para a largada. Umas 1.500 pessoas mais ou menos. Aposto que bem menos do que na meia da Corpore, que um dia ainda gostaria de correr.

"Tudo pronto, larguei levando na bagagem três sachês de carboidrato, 400ml de água e uma foto da esposa, que tinha ficado em Nova York torcendo por mim _ela havia me acompanhado na tal viagem de negócios.

"Comecei bem na boa, fazendo seis minutos por quilômetro, completando a primeira metade em uma hora e quatro minutos.

"Havia vários postos de abastecimento pela prova, o que ajudou bastante os corredores. Além de água e isotônico, entregavam também uma outra marca de gel _o que o patrocínio não faz.

"Mas, como eu gosto de beber água na hora que o corpo pede, uso um camel-back, uma bolsa de água que tem um tubinho para beber sem derramar e sem precisar esperar pelo posto de abastecimento.

"Por volta do km 11, eu tomei o primeiro gel com um pouco de água e senti o ‘kick‘. O corpo absorve rapidinho o gel e você sente mais energia para continuar a correr.

"A temperatura foi aumentando e chegou aos 17ºC. Chegando ao km 18, comecei a sentir o cansaço, assim como havia sentido no ano passado, e tive que dar aquela desacelerada nos quilômetros finais para terminar numa boa com 2h09.

"Recomendo aos que estiverem a fim de conhecer Montréal que venham participar da maratona que acontece em setembro. O evento tem também meia-maratona e outras provas e a organização é espetacular."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h24

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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