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Caminhada infantil
O garoto indiano que, no ano passado, despertou a atenção do mundo e gerou muito polêmica por correr provas de longuíssima distância, volta à cena.
Agora com cinco anos, Budhia Singh deverá iniciar no dia 6 de junho uma caminhada de 500 quilômetros, segundo anunciou seu treinador. Com final em Calcutá, a prova vai começar em na cidade de Bhubaneswar, no Estado de Orissa. A expectativa é que dure dez dias.
O técnico Biranchi Das acredita que o esforço do menino servirá de exemplo e inspiração para as crianças e jovens indianos, mas defensores dos direitos e da saúde das crianças não são nem um pouco favoráveis à empreitada.
Dizem que não passa de superexploração de uma criança. E que, se efetivamente Singh tem dotes atléticos especiais (o que parece evidente), deve ser preparado e protegido adequadamente, e não tratado como um fenômeno circense.
No ano passado, o garoto iniciou uma ultramaratona de 70 quilômetros, mas os médicos suspenderam sua participação no km 65 (!!!), alegando que ele demonstrava cansaço excessivo.
Mas o técnico não está nem aí: "Nosso objetivo é mostrar para as crianças indianas e de todo o mundo que, se começarem hoje, poderão disputar uma vaga para a Olimpíada de 2016".
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h17
China
Visita de inspeção

Corredores que vão participar, amanhã, da maratona da Grande Muralha da China dão uma geral para conhecer de perto o tamanho do problema que terão de enfrentar (fotos AP).
Essa é uma das provas mais lindas e emocionantes do mundo, por tudo que ela oferece: cenário, história, dificuldade, raridade.
Quando participei, em 2004, fui o único brasileiro na maratona, que passa duas vezes pela muralha; a segunda, depois do km 34.
Leia mais AQUI.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h04
Doença extirpada
Tem uma nota de alívio a mensagem que a medalhista olímpica Deena Kastor colou ontem em seu site, contando ter recebido uma ligação de sua dermatologista garantindo que o câncer de pele tinha sido extirpado completamente.
"Eu sabia!", disse o marido dela, Andrew, dizendo que só poderiam termesmo tirado tudo, tanto que os médicos cavoucaram na pele da corredora.
A maratonista norte-americana havia comentado em uma mensagem do dia 10 passado a dura batalha que estava enfrentando contra o câncer de pele: três manchas em seu corpo (mesmo em lugares que o sol não alcança) foram diagnosticadas como diferentes tipos de câncer.
Naquele momento, ela estava com 25 pontos externos por causa de intervenções para retirada de carcinomas e melanomas; também recebeu pontos internos, para fechar vasos atingidos durante a intervenção, que foi bem profunda em alguns pontos (como dá para perceber pelo comentário de Andrew).
Sobre as origens do problema, ela não fala, mas diz sempre usar protetor solar e, aparentemente, vai se transformar numa espécie de evangelista pelo uso dos cremes protetores.
Mas uma evangelista muito ativa na pista: apesar do drama vivido, não largou dos treinos. Na terça, deu seis tiros de 1k, os últimos dois para 2min49. Coisa pouca, não? Ela acha que, daqui a pouco, vai poder começar os trabalhos de velocidade...
Bueno, o site de Kastor está aqui. Em 2004, depois a olimpíada, fiz uma longa entrevista com ela, que você pode ver AQUI.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h09
Quase um nada
Bem, os organizadores da maratona de São Paulo estão traulitando mudanças na prova, afirmando terem atendido a reivindicações de técnicos de corrida e que vão beneficiar os milhares de anônimos que nela participam e sofrem.
Fizeram umas mudanças de perfumaria no percurso, sendo a mais significativa a troca da ponte Bernardo Goldfarb pela da Cidade Universitária, que é mais maneira. Não refresca grande coisa.
O que melhora um pouco é a troca do horário, que sai da absurda 9h40 para um impreciso "a partir das 8h55".
Sabe-se lá o que isso pode vir a significar. Quem já sofreu as provas da Globo sabe que isso pode depender do fim de um set de vôlei ou de tênis, de um anúncio ou de qualquer outra coisa.
De qualquer forma, sem dúvida é uma melhora, ainda que o horário esteja longe de ser decente. Maratona no Brasil, de setembro a maio, tem de começar às 7h e olhe lá; de maio a agosto, 8h.
Uma prova importante e que carrega tanta gente inexperiente como a maratona de São paulo deveria ser mais responsável e mais respeitadora da saúde dos atletas.
A mudança indica uma preocupação positiva, mas ainda muito aquém das necessidades.
E quero ver como vai ser o tratamento da massa dos lentos, dos que fazem em mais de cinco horas, que são uma parcela significativa no evento. A cada ano, os relatos são dramáticos e revoltantes. Tomara que melhore também.
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h39
Discriminação ou o quê?
O recordista mundial da meia-maratona, Sammy Wanjiru, que ia participar de uma tentativa de quebra de recorde dos dez quilômetros no próximo domingo, na Inglaterra, não vai poder entrar na corrida: o reino Unido lhe negou o visto.
O corredor queniano, que vive no Japão, entrou com o pedido no dia 15 de abril, mas recebeu uma negativa.
"É ultrajante negar o visto a um corredor internacionalmente reconhecido com Wanjiru", disse o secretário-geral de atletismo do Quênia, David Okeyo. "Não sabemos a razão, mas é surpreendente. Vamos mandar uma nota formal de protesto", afirmou.
O diretor da Great Manchester Run, Matthew Turnbull, disse estar frustrado por perder mais um atleta de elite por causa de procedimentos burocráticos. Em janeiro, o Reino Unido negou visto para o corredor de Uganda Boniface Kiprop, que iria participar de uma prova na Escócia.
De qualquer forma, a corrida em Manchester terá a presença do campeão mundial de cross-country Zersenay Tadesse, da Eritréia, e do queniano Micah Kogo. Eles vão tentar derrubar a marca de 27min02 do etíope Haile Gebrselassie. O campeão britânico de cross-country, Mo Farah, também vai tentar tirar uma casquinha.
No feminino, as campeãs da maratona de Boston, Lidiya Grigoryeva, e de Nova York, Jelena Prokopcuka, lideram a tropa de elite.
No total, são esperados 28 mil corredores na festa.
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h57
Artigo
Esporte contra saúde
Não sei se está crescendo o número de mortes de pessoas que correm maratona ou se cresce a divulgação dessas ocorrências. Acredito que são as duas coisas, pois é crescente o número de pessoas que praticam exercícios e a mídia em geral está um pouco (bem pouco, é verdade) antenada para esse movimento. Eu, que adoro maratonas e provas mais longas, tenho claro que elas não são a coisa mais saudável do mundo, mas são muito gostosas. de qualquer forma, para ajudar a entender um pouco mais os efeitos do exercício e, especialmente, da maratona no corpo, trago hoje um artigo da bióloga Camila Yumi Mandai, que foi publicado originalmente na revista on-line "Vox Scientia", do NJR-ECA/USP, e que repriso com a devida autorização.
"Existe hoje um consenso geral entre os médicos de que o esporte profissional, como praticado atualmente, é nocivo à saúde. Isso porque, com as pressões das competições, os atletas, sobretudo os chamados "atletas de elite", são levados até o limite do corpo. A busca pelas quebras de recordes, e pelos centésimos de segundo decisivos, apontam para o fato de que a capacidade física máxima do ser humano está na fronteira do limite. O melhor atleta será aquele que se sacrificar um pouco mais para atingir tal meta.
"Esse esforço exagerado acarreta, ao longo do tempo, desgastes físicos e psicológicos. Além dos tradicionais males dos esportistas, como fraturas, rupturas ou deslocamentos ósseos e musculares, que levam os atletas ao abandono ou um período de retiro do esporte, há as doenças oriundas de problemas cardíacos, seja conseqüência de uma predisposição genética ou acarretada e agravada pela sobrecarga de exercícios.
"Quando pensamos em pessoas cardíacas, associamos a pessoas sedentárias, de maus hábitos alimentares e submetidas ao constante "estresse cotidiano". Assim, é bastante chocante quando atletas de destaque sofrem, por exemplo, morte súbita em plena competição. O porte atlético e as habilidades de muitos jovens atletas escondem a fragilidade dos seus corpos e o extenso esforço dos mesmos para executar suas exaustivas tarefas diárias.
"Ao iniciar um exercício físico, a primeira reação fisiológica do corpo é o aumento do fluxo respiratório e sangüíneo como resposta à aceleração do metabolismo, que em uma maratona chega até 2.000% acima do normal (uma pessoa com febre tem o metabolismo 100% mais acelerado), com conseqüente elevação na demanda de oxigênio. A distribuição dessa alta taxa de oxigênio para os tecidos é suprida com o aumento da freqüência cardíaca. Durante a prática saudável de exercícios físicos, a freqüência cardíaca é constantemente monitorada, seu valor máximo varia conforme o sexo e a idade do praticante. Ao ultrapassar muito esse limite, há um aumento da liberação de radicais livres, relacionados a processos degenerativos, associada com o aumento do consumo de oxigênio. É claro que um melhor preparo físico suporta exercícios mais intensos com menor freqüência cardíaca e assim menor produção de radicais livres. Ainda assim, por mais preparados que os atletas de elite possam estar, além de eles treinarem diariamente, isto é, sem passar pelo período de repouso que pode causar a "Síndrome de Overtraining", os exercícios são feitos até a exaustão.
"Na prática esportiva, o coração é o órgão mais exigido do corpo. Ele é o um dos fatores determinantes no desempenho máximo dos atletas. Muitas vezes a presença de grande massa muscular esquelética (aquela associada a movimentação do corpo) pode não ser vantagem quando a eficiência do coração for baixa. Os maratonistas que conseguem maior aumento do débito cardíaco, com a prática de exercícios, são os que, em geral, conseguem quebrar os recordes de tempo.
"Essa exigência constante da massa muscular cardíaca leva um aumento do volume da mesma. Em outras palavras, durante o treinamento atlético não são apenas os músculos esqueléticos que se hipertrofiam, mas também o coração. Esse aumento está associado a uma maior capacidade de bombeamento do sangue. O coração de um maratonista é consideravelmente maior que o de uma pessoa normal, tendo um aumento de 50% a 75% na massa cardíaca. Esse aumento exagerado do coração pode estar relacionado com os problemas cardíacos em atletas de elite. A contração do músculo cardíaco é controlada por sinais elétricos transmitidos por sensores nervosos localizados na parede das câmaras cardíacas. Esses sinais são despertados por estímulos sensitivos que indicam o estiramento da parede das câmaras do coração quando preenchidas com o sangue, e controlam as duas fases de contração, a sístole e a diástole. O aumento do coração pode levar a uma alteração da inundação dos ventrículos pelo sangue e conseqüente desritmia cardíaca. Além disso, o espessamento das paredes pode levar a uma obstrução na cavidade ventricular esquerda e prejudicar o funcionamento e eficiência no bombeamento do sangue.
"Assim, é de extrema importância fazer uma avaliação física detalhada antes da prática vigorosa de exercícios. Muitas vezes a busca pela saúde e beleza físicas podem acabar sendo prejudicais em casos de pessoas, jovens ou velhos, que apresentam alguma predisposição genética, como em muitos casos de hipertrofia cardiomiopática, responsável por 36% dos casos de morte súbita em jovens atletas. É claro que, de modo geral, a prática regular de exercícios é um hábito saudável, a curto e longo prazo, já que ela aumenta a eficiência cardio-respiratória, deixando os praticantes menos suscetíveis as doenças oportunistas e levando a uma recuperação mais rápida de possíveis enfermidades, já que há uma maior eficiência de oxigenação dos tecidos. Mas esse fato pode muitas vezes ocultar problemas individuais sérios de saúde e, assim, a falta de acompanhamento médico nas práticas esportivas."
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41
Queria estar lá

Veja só que beleza a multidão de corredores cruzando a ponte Carlos, relíquia arquitetônica medieval de Praga, durante a maratona realizada hoje (foto AP).
Vá dizer que não dá vontade de estar lá...
Bem, a prova foi vencida pelo atleta português Helder Ornelas, 33, que fechou em 2h11min49. Ele cozinhou o galo a prova toda e partiu pro pau nos últimos quilômetros, deixando para trás o queniano Luka Kipkemboi Chelimo, que terminou quase um minuto mais tarde. Se a prova durasse mais, talvez nem desse para o queniano beliscar a prata, pois terminou a apenas 15 segundos do terceiro colocado, o também português Paulo Caetano Gomes.
No feminino, a vitória foi da russa Nailya Yulamanova, que fez 2h33min10, seguida de longe pela polonesa Malgorzata Sobanska.
Deve ser uma bela prova numa belíssima cidade, onde se come muito bem e se pode ter um maravilhoso encontro com a história.
Apesar dos choques de governos passados com a ex-União Soviética, ainda é possível perceber a herança dos tempos em que a administração pública era mais preocupada com o público.
Vendo mapas gerais da cidade, nota-se como ela é organizada em círculos concêntricos, e o transporte público também segue esse projeto. Eu achei muito bacana.
Sem falar que uma de suas mais sensacionais salas de concerto é o Rudolfino...
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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