Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Exemplo de determinação e força de vontade

Amputado (quase) olímpico

 

Agora é oficial. O supercampeão paraolímpico Oscar Pistorius, que não tem as duas pernas e corre com próteses especiais, vai enfrentar em uma competição oficial o campeão olímpico dos 400 m, Jeremy Wariner. O desafio está marcado para o Norwich Union Sheffield Grand Prix, no próximo dia 15, na Grã-Bretanha.

Este será o primeiro Grand Prix disputado pelo atleta sul-africano, que usa próteses especiais de fibras de carbono. São lâminas curvas, que lhe valeram o apelido "Blade Runner" (o nome do filme, é claro, mas também algo como corredor em lâminas).

Pistorius (fotos AP) teve suas pernas amputadas quando tinha apenas 11 meses de vida. Por causa de um problema congênito, ele nasceu sem as fíbulas (que os mais velhos conhecemos como perônio) das duas pernas.

Depois de bater recordes mundiais para amputados nos 100 m, 200 m e 400 m, Pistorius tratou de começar a desafiar corredores com duas pernas. Ele participou recentemente do campeonato sul-africano de 400 m e ficou em segundo lugar.

Daí surgiu uma polêmica em torno das próteses. Corredores "normais" diziam que o "Blade Runner" tinha uma vantagem ilegal, pois suas lâminas de fibra de carbono lhe permitiriam passadas mais amplas e dariam um impulso maior que corredores comuns poderiam ter. As próteses seriam uma "ajuda artificial".

Quando li essa história pela primeira vez, pareceu-me algo kafkiano. Imaginava que todos deveriam louvar o esforço do atleta e ver nele uma inspiração, mas...

Bueno. O bom-senso prevaleceu, e a IAAF (a Fifa do atletismo) decidiu que ele poderia competir em provas oficiais e que haveria um período de observação para que saísse a liberação total.

O objetivo de Pistorius, claro, é chegar aos Jogos Olímpicos de Pequim. Antes, vai tentar estar presente no Mundial de Osaka, ainda neste ano. Seu tempo não o qualifica para disputar a prova individual de 400 m, mas é possível que ele venha a integrar a equipe sul-africana de 4x400.

Se chegar a Pequim, será o primeiro corredor amputado a competir nos Jogos, mas não o primeiro atleta com deficiência física em uma Olimpíada.

Quando, pela primeira vez, as mulheres foram autorizadas a disputar as provas de hipismo (Helsinque-1952), a dinamarquesa Lis Hartel, que não tinha o movimento das pernas, conquistou a medalha de prata. Ele tinha de ser ajudada para subir e descer do cavalo, mas mandou ver e ainda voltou a levar a prata na Olimpíada seguinte (Melbourne-1956).

Há outros exemplos, como o atirador húngaro Karoly Takacs, que teve o braço direito amputado e passou a competir com o outro, e o lutador português Hugo Passos, surdo-mudo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h53

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Acontece na Europa

Corrida dos pelados

Ativistas da ONG Peta, de defesa dos animais, fizeram uma manifestação em Paris nesta semana (foto Divulgação) protestando contra as touradas e contra as "corridas de toros", manifestações cumuns em vários países, notadamente na Espanha.

Aproveitaram para anunciar a Corrida dos Pelados, outro protesto organizado pela entidade, que será realizado em Pamplona, Espanha, no próximo dia 5, dois dias antes da tradicional Corrida de Toros da cidade, que os ativistas consideram crueldade contra os animais.

Os organizadores esperam cerca de mil pessoas na prova Running of the Nudes, em que peladões e peladonas, apenas de tênis e, eventualmente, alguma fantasia, correm cerca de um quilômetro pelas ruas de Pamplona.

Não há taxa de inscrição, mas os organizadores pedem que eventuais interessados façam um registro no site.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h15

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Ainda Haile

Faltou dizer

Na sua trajetória para bater o recorde mundial da hora em pista, Haile Gebrselassie derrubou outra marca histórica, também do mexicano Arturo Barrios.

O supercorredor etíope passou ontem os 20.000 metros em 56min25s98, quase 30 segundos mais rápido que a marca anterior.

"Hoje foi um dia fantástico", disse Gebrselassie, que é dono de mais de 20 recordes mundiais, segundo a revista "Runner’s World". E continuou: "Na metade da prova, eu já achava que iria bater o recorde. Mas 50% da conquista é por cor causa do público, que hoje foi fantástico".

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h42

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Haile quebra recorde da hora

Mais um

O etíope Haile Gebrselassie é puro esforço e energia na sua arrancada decisiva para quebrar o recorde mundial da hora em pista, hoje no estádio Vitkovice, na cidade tcheca de Ostrava, a cerca de 400 quilômetros de Praga.

O rei dos recordes, dono de quatro títulos mundiais e dois ouros olímpicos nos 10.000 m, correu 21.285 metros em uma hora. A marca anterior era 21.101 metros, estabelecida pelo mexicano Arturo Barrios em 1991, na França.

Vamos ver agora se Haile (foto AP, no alto) acerta o passo na maratona para quebrar a marca de Paul Tergat. Ele vai fazer nova tentativa nesta no em Berlim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h42

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Economia atlética

Corrida gera dinheiro

Nos últimos dias, conta o site Marathon Guide, duas conhecidas maratonas norte-americanas divulgaram dados procurando mostrar sua importância econômica para as comunidades locais.

A Marine Corps Marathon, que costuma lotar meses antes do prazo final para as inscrições, informou que gera US$ 31,7 milhões para a região da capital norte-americana; a Rock N Roll Arizona Marathon afirmou ter um impacto econômico de US$ 44 milhões.

Mas elas nem de longe são as corridas que geram mais entradas para as economias locais. O impacto econômico anual da maratona de Boston, por exemplo, é calculado em US$ 95 milhões. E a Maratona de Nova York gera entradas extras de US$ 188 milhões para a economia da cidade.

Como disse antes, as informações são dos próprios interessados, que calculam o movimento em compras produzido pelos participantes da provas.

Aposto que o povo que vem a São Paulo especialmente para a São Silvestre também deixa uma boa grana na cidade. Mereciam todos, eles e os cidadãos locais, ser mais respeitados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h03

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Fala, leitor

Enfim maratonista!

O prezado leitor Carlos Hideaki Fujinaga, 26, é um verdadeiro entusiasta de corridas. Formado em psicologia, começou a correr há um ano e meio e participa com invejável freqüência nas competições em São Paulo e, quando dá, em outras cidades. Nesse processo, emagreceu 20 quilos neste anos, sem maiores problemas. No domingo passado, no Rio de Janeiro, fez sua estréia no maravilhoso mundo das maratonas. Leia a seguir o que ele nos conta sobre a prova e suas emoções.

"No sábado, fomos buscar os kits. Fiquei maravilhado com a revista oficial da prova, com seu belo trabalho gráfico. A entrega de kits não era muito eficiente para retiradas em grandes quantidades, e os estrangeiros que estavam no local pareciam meio perdidos, com dificuldades para descobrir que deveriam pegar o número de peito numa fila e o kit em outra. Fiquei passeando pelo Rio no resto do dia, com direito a dois pratos de macarrão, no final do dia.

"A prova começou com um trecho de ida e volta de uns três quilômetros, para o oeste. O restante da prova era toda para o leste, com o sol batendo na cara. No primeiro quarto da corrida, a paisagem era linda, mas não havia muitas pessoas assistindo. Conheci a Tiana e o Ricardo (também estreante), que mantinham um ritmo semelhante ao meu (6m30s/km). Fomos conversando, o que tornou o percurso pela Praia de Reserva um momento muito agradável. Tanto que, entre as conversas, fiquei surpreso ao ver a placa de 17 Km, quando eu pensava que ainda estávamos nos 14 Km.

"Passada a metade da prova, chegou a hora de enfrentar as subidas do túnel do Joá e da avenida Niemeyer. Após os treinos para superar as subidas de Barueri, Brigadeiro e Barro Branco, não teve nenhum segredo.

"Corri conversando com a Tiana (54 anos. As suas histórias ao longo da prova me inspiraram profundamente) até o km 32, quando o meu corpo pediu para acelerar um pouco e combinamos de nos encontrar na chegada. Não acreditava que àquela altura, conseguia fazer 5min40/km. Estava na praia do Leblon/Ipanema e fui me animando a cada "Bom dia!!" que dizia ou recebia dos simpáticos banhistas, que nos incentivavam com muita alegria. A propósito, fiquei tão maravilhado com a cidade do Rio, que até esqueci de dar carona para o famoso "urso", por volta dos 30 Km.

"Reta final. Nos últimos quilômetros, ainda não tinha encontrado o tal urso, mas dois ursinhos pareciam abraçados nas minhas pernas. Ao chegar à região do Aterro do Flamengo, a animação do público aumentava cada vez mais e eu pegava pra mim um pouco desta energia. Placa do km 42 Pensei: "É hora do sprint".

"Daí em diante, só lembro de um staff dizendo "Vai com calma, vai com calma...", uma pequena puxada na coxa (apenas um susto) e a maravilhosa sensação de cruzar a linha de chegada, imitando o Vanderlei Cordeiro de Lima, com seu aviãozinho em Atenas. Sempre quis gritar ao terminar minhas provas, mas ficava com vergonha. Neste dia, consegui: "AAAAAAAHHHHHHHHHH H..."

"Foi um domingo maravilhoso, em que tudo deu certo (inclusive a vitória do meu querido São Paulo FC). Estou com 82 kg hoje e vou voltar para esta prova no ano que vem, com 10 kg a menos, o que vai ajudar bastante (tenho 1m63).

"Já sei o que vou me dar de presente no meu próximo aniversário: uma viagem para a Maratona de Curitiba, com direito a festinha de massas na véspera, no bairro da Santa Felicidade. Espero correr muitas provas de 10 k, meias, maratonas, quem sabe até ultras, mas sem jamais esquecer o espírito desta minha primeira maratona e todas as lições que aprendi nos treinos e nas 4 horas e 22 minutos desse domingo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

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Maratona do Rio

Beleza de prova

Prezado leitor: ainda hoje espero colocar aqui um relato de um corredor que fez sua estréia em maratonas na prova de ontem, no Rio de Janeiro. Enquanto isso não rola, vou colecionando alguns comentários pescados em sites especializados.

O evento incluiu também meia-maratona e uma corrida familiar, de 6 quilômetros. Dizer que o trajeto é bonito é chover no molhado.

Segundo um relato colocado na internet, "a água no percurso era ora quente ora gelada, depende de onde você pegava. O ruim era que os postos foram colocados em cima das marcações de quilômetro, dificultando a marcação das parciais. Ah! As caixas de água estavam debaixo do sol e colocadas diretamente no chão quente".

Ele também não gostou da venda da camiseta Finisher para "qualquer um", pois ela deveria ser entregue ou vendida apenas para os que efetivamente terminaram a prova. E reclamou: "O lanche de chegada era uma mexerica, uma banana prata e um isotônico sabor Açaí. Em compensação, as três áreas VIPs (Caixa, Asics e da prova) estavam cheias de comida e bebida gelada".

Já um corredor que participou da meia-maratona foi menos severo: "Achei a corrida fantástica em todos os aspectos, já começando na entrega dos kits, que foi em uma estação de metrô, facilitando a vida de muita gente. Largou às 8 em ponto, muita água no percurso, dois postos de isotônico, placas na posição correta, medalha bem legal, e, o mais importante, sem tumulto na largada. O ponto negativo foi a pouca quantidade de banheiros".

Bem, a prova pode até ter sido elogiada, mas o site oficial está bem lentinho. Até às 10h38 de hoje, a página abria dizendo: "Falta pouco para a maratona do Rio", ainda que a contagem regressiva já estivesse no negativo (e também errada, pois dava -2 dias, 11 horas 41 minutos...).

A maratona foi vencida por Élson Alex Gracioli (2h18min31). No feminino, Marily dos Santos (2h42min16) levou o primeiro lugar. Na meia, os vencedores foram Luiz Paulo Antunes e Sirlene Pinho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h50

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Troféu Brasil

Conquista amazônica

O amazonense Sandro Vianna comemora, com a bandeira de seu Estado, a vitória nos 200 metros no troféu Brasil, ontem em São Paulo. Aos 30 anos, o atleta vai pela primeira vez ao Pan, onde vai correr nos 100 m, nos 200 m e no 4 x 100 m.

Na prova masculina de 5.000 m, Marílson

confirmou sua ótima forma e carimbou seu passaporte para o Rio. Fotos de Caio Guatelli/Folha Imagem

Veja outros resultados no site da Confederação Brasileira de Atletismo.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00

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Conversas na USP

Fome de bola

Hoje tive o prazer e a honra de trotar por alguns metros ao lado de uma veterana corredora de origem japonesa, na descida da FAU, na Cidade Universitária.

Quando estávamos chegando ao final da descida, e eu já embicava para continuar no percurso da tradicional volta de 10 km da USP, ela se volta para a esquerda. Vai seguir para mais uma subidona da Biologia (para os que não a conhecem, trata-se de uma rampa de cerca de um quilômetro com pelo menos o dobro da dificuldade da subida da Brigadeiro, que você vê -ou corre- na São Silvestre).

"E aí, vai fazer duas vezes a Biologia hoje?", pergunto eu, meio invejoso, pois estou apenas me recuperando da minha ultra, com treininhos leves.

"Não. Hoje vou fazer seis vezes", retruca ela, como se não fosse nada.

De queixo caído, por dentro, mas tentando fazer cara de paisagem, volto a perguntar:

"Ah, é? Está treinando para quê?", já pensando que vou encontrar a superdisposta sexagenária no Desafio Castelhanos.

"Ah, não, é que eu vou ter de parar. Vou fazer uma cirurgia, então tou descontando a vontade de correr..."

E seguiu Biologia acima...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h23

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Troféu Brasil

Explosão de alegria

O grito forte de Maria Laura Almirão (foto Divulgação) foi seu anúncio de vitória nos 400 metros no Troféu Brasil, hoje á tarde. Ela venceu mais que as adversárias: superou um longo período de dores e tratamento médico.

"Tive uma contusão por excesso de treinamento. Passei por muitos problemas para chegar até aqui, mas isso me fez crescer como atleta e como pessoa também", disse a corredora, que foi campeã do TB em 2001.

Ela fechou a volta em 52s16.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h31

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Troféu Brasil

Beijo da vitória

 

Sanderlei Parrela, vencedor dos 400 metros hoje no Troféu Brasil, beija a mullher, Gilvaneide (foto Divulgação), que havia sofrido uma queda feia quando disputara uma das semifinais dos 100 metros com barreiras (ela venceu e se qualificou para a final).

Sanderlei, 32 conquistou sua vaga no Pan ao fechar a volta em 46s02, um centésimo à frente de Rodrigo Bargas, 11 anos mais jovem. Bargas também vai para o Rio-07 porque é o primeiro do ranking nacional.

Além de suar fogo para sair do terceiro lugar em que estava na entrada dos cem metros finais, Sanderlei teve de esquecer, por momentos, a preocupação com a situação de Gilvaneide.

‘Deu um frio, um gelo, quando vi a Gilvaneide cair. Aí percebi que tinha que me focar na prova e dar o máximo para que ela não pensasse que tinha me atrapalhado‘, conta o veterano atleta, que tem entre suas conquistas o vice no Mundial de 99.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h30

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Fala, leitor

Medalha e sementinha

O boom de corridas em São Paulo se espalha para a praia carioca. No domingo passado, o engenheiro de produção Alexandre Issao Minamihara, 24, participou da T&F Run Series, disputada nas imediações do Barra Shopping. Leia a seguir o relato dele. E, quando quiser, mande também as suas experiências. Os textos serão avaliados e podem vir a ser publicados no blog (clique em "Fala, leitor", no menu ao lado, para ficar ciente das condições).

"No domingo, acordei cedo e fui até o longínquo (para mim) Barra Shopping, onde estava montada toda a estrutura do evento. Peguei o chip (havia uma fila enorme, para os atletas que fariam os 5K, que eram a maioria) e, depois de ajeitar minhas coisas, fui para a largada. Depois, fiquei sabendo que o Luciano Huck e outros famosos participaram da prova.

"9 horas, largada! O funil de largada era estreito, mas eu estava na frente e logo me livrei da confusão das primeiras curvas. Os km foram passando, eu estava relativamente bem, até que faço o km 5 em 3min26! Opa, tem alguma coisa errada! Como tínhamos que dar duas voltas de cinco quilômetros e e não havia nada de errado com os quilômetros, a conclusão matemática: não eram cinco quilômetros.

"Depois da corrida, verifiquei no Google Earth que a medição da primeira volta estava correta, mas a segunda não repetia um pequeno trecho, cortando os 10 k em 300 metros. Foi uma falha inaceitável.

"Além disso, o tráfego não estava totalmente fechado para os corredores. Muitas vezes os carros atravessavam a pista, e motoristas impacientes buzinavam com todos os seus pulmões mecânicos.

"Outro fato que me deixa injuriado, mas que eu notei que tornou-se padrão aqui no Rio, é não ter ninguém nos postos d’água para entregar os copinhos: sempre temos que reduzir um pouco o ritmo para pegar o copinho em cima da bancada. Os staffs ficam atrás da bancada, apenas arrumando os copos....

"Mas no geral a corrida foi legal. Eu acabei fechando os 9,7 km em 39min37 (4min05/km), se realmente fossem 10K eu fatalmente terminaria sub-41min! No final distribuíram isotônico e ganhamos, além da medalha, uma toalhinha de rosto e uma sementinha de ipê roxo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

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Coisas da internet

Recorde à vista

Não sei se vai ter recorde: o que quero dizer é que você pode ver a tentativa de superação.

O ultramaratonista Dean Karnazes tenta superar a atual marca mundial de 24 horas em esteira. E faz isso em frente às câmeras, todas elas mostrando imagens ao vivo na internet. Você pode escolher cenas colhidas por três câmeras, como o momento captado acima com a câmera 1.

Para ver a tentativa do corredor, autor e ex-publicitário, clique AQUI.

Mas fique esperto porque, no momento em que escrevo estas linhas, faltam cerca de nove horas para o término da experiência.

A marca a ser batida é de 247,45 quilômetros, segundo informa o site que acompanha a trajetória de Karnazes. A julgar pelo desempenho até agora, ele não está em ritmo de recorde. Mas a diferença é pouca, pode ser que ele consiga reverter.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h06

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Marílson e Ednalva dominam TB

Que beleza!

Foi uma satisfação assistir ontem à noitinha a prova masculina de 10.000 metros no Troféu Brasil, quando Marílson Gomes dos Santos confirmou sua condição de melhor fundista brasileiro na atualidade.

Apesar de sabedor disso, ele tratou o evento com seriedade, o que tornou a prova, a exemplo de outras competições de pista, um jogo de xadrez, em que cada participante tenta calcular e antecipar as chances e os lances dos adversários.

A prova começou com o veterano Elenilson da Silva, de "avançados" 35 anos, assumindo a ponta, que conseguiu manter por duas voltas, ambas muito lentas, em torno de 1min10. A torcida toda olhava para o meio do grupo, onde se embolavam Marílson, Clodoaldo Gomes da Silva, aparentemente desinteressados de perseguir os ponteiros.

Na terceira volta, Alan Wendell fechou na frente, mas não agüentou a perseguição e entregou a liderança para Luiz Paulo, do Cruzeiro.

Ele só conseguiu ficar uma volta na maciota, pois logo se desenhou o perfil da prova: Marílson chegou atrás, trazendo consigo Clodoaldo (que também é treinado por Adauto Domingues, técnico de Marílson). Alan ainda tentou ficar no grupinho, mas foi uma tentativa vã.

E assim foi a prova, numa chatice sem tamanho. Os caras pareciam ter combinado que ninguém ia correr naquele dia; nas arquibancadas, a torcida ficava imaginando coisas. "Vai dar pro Ubiratan", apostava alguém, enquanto outros torciam pelo baixinho Clodoaldo, que você talvez se lembre da última São Silvestre, em que ele deu um show à parte no finalzinho da prova.

Ninguém acreditava era no ponteiro, Luiz Paulo, que seguia liderando enquanto a platéia bocejava.

Um movimento: Ubiratan vem de trás e começa a chegar em Clodoaldo e se aproximar de Marílson. O campeão de Nova York parece ter olhos nas costas e abre a passada na reta oposta. Não dando mostras de esforço, toma a frente de Luiz Paulo, que vai minguando. Ubiratan vem no vai-da-valsa e encosta em Marílson.

os dois chegam quase emparelhados, com Marílson dois passos à frente, à marca dos 6.000 metros. Mais uma volta e outra, Ubiratan tenta oferecer resistência, mostrar armas para um duelo. Que não acontece. Marílson primeiro segura, depois se afasta, depois parece esperar, numa dança que tem cheiro de desgraça para Ubiratan.

"Ele vai quebrar", prevê a platéia, notando que, lá do meio do pelotão, uma camiseta verde-limão começa a despontar e se afasta do grupinho que observava à distância a quase disputa.

A distãncia entre Clodoaldo e Ubiratan parece grande, mas, uns 15 metros depois da marca dos 8.000, o segundo colocado vira o rosto para ver a concorrência. Na platéia, o veredito: "Olhou prá trás. Tá perdido".

De fato, Clodoaldo cerca e conquista, enquanto, lá na frente, em outra galáxia, Marílson corre sozinho. Os corredores em quarto e quinto lugares sentem o momento difícil de Ubiratan e dão uma disparada para tentar roubar-lhe o bronze, mas a distância é grande demais.

Marílson vai para o Pan com 29min08s21; Clodoaldo, que é o segundo do ranking nacional, também garante a vaga. Elenilson, aquele que liderou as duas primeiras voltas, está longe, mas continua a correr para terminar em último lugar, mostrando ombridade e determinação. O veterano corredor foi tão ou mais aplaudido que Marilson.

No feminino, a elegância discreta das passadas de Ednalva Laureano não deu chances para a explosão de Lucélia Peres. A paraibana abriu nos 4.000 e correu sozinha, terminando em 33min11s73 e carimbando o passaporte para o Pan, onde as meninas brasileiras vão enfrentar grandes adversárias, com marcas em torno dos 31min.

Veja AQUI os resultados completos de ontem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h06

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Troféu Brasil

É hoje!

Começa hoje o Troféu Brasil, última oportunidade para que candidatos ao Pan carimbem seus passaportes para os Jogos do Rio.

As competições acontecem no complexo esportivo do Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 14h, quando será realizada a cerimônia de abertura.

Até o próximo domingo, o estádio Ícaro de Castro Melo vai abrigar 44 provas olímpicas, com a participação de mais de 700 atletas. Os campeões de cada prova individual vão para o Pan (a outra vaga é baseada no ranking nacional).

Algumas provas, que não serão disputadas no TB, já têm os representantes brasileiros escolhidos. Na maratona, irão Vanderlei Cordeiro de Lima, Franck Caldeira, Márcia Narloch e Sirlene Pinho; na marcha 50 km masculina, estão classificados Mário José dos Santos Júnior e Cláudio Richardson.

As competições de hoje começam com a eliminatória dos 100 metros rasos masculino, às 14h30 (confira AQUI a programação completa). Mas o filé do dia está marcado para o final da tarde, com a final feminina dos 10.000 metros, às 17h10, e masculina, às18h30.

Marilson, é claro, deve ser a estrela do dia. Com prata nos 10.000 e bronze nos 5.000 em santo Domingo-03, o campeão da maratona de Nova York quer brigar pelo ouro no Rio.

No feminino, a elegância das passadas de Ednalva Laureano, a Pretinha, vai enfrentar a força e o vigor de Lucélia Peres. As duas acumulam títulos e troféus em penca. No Sul-Americano, Pretinha levou o ouro nos 5.000 metros e Lucélia, nos 10.000.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h37

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Triatlo

Dinheirama suada

 

Escolhi a imagem desta página pela força, pela emoção viva na expressão da atleta norte-americana captada pelos fotógrafos da AP. Daí fui pesquisar para dar a você mais informações que apenas um texto-legenda.

A moça é Laura Bennet, que acabava de vencer a Copa do Mundo de Triatlo, etapa de Des Moines (Des Moines BG Triathlon World Cup), no último domingo. Além do troféu e da alegria, levou para casa um cheque de US$ 200 mil e mais US$ 65 mil em prêmios diversos, incluindo um carro zerinho.

Ela ganhou a taça, mas a brasileira Mariana Ohata deu um show à parte. Terminou os 42 quilômetros de bicicleta dois minutos atrás da líder e foi derrubando o tempo, chegando lá, para fechar a prova em terceiro, menos de um minuto depois de Bennett.

Isso apesar do calor fulminante, que tirou da prova derrubou 16 das 42 atletas de elite que iniciaram o desafio. A vencedora completou em 2h04min32.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h26

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Comrades 2007

Comrades 2007

Nota trágica

Até agora, estão confirmadas as mortes de dois corredores que participaram ontem da ultramaratona Comrades, na África do Sul.

Segundo os relatos que vi na internet, os dois estavam na rabeira da prova, lutando desesperadamente para conseguir vencer o tempo de corte da corrida, que é de 12 horas.

Michael Gordon, 34, morreu pouco tempo depois de cruzar a linha de chegada. Durante 20 minutos, uma equipe médica usou técnicas de ressuscitação, sem sucesso.

O outro corredor, de 48 anos, ainda foi levado para atendimento em um hospital de Durban, mas não resistiu.

Jeremy Boulter, o médico-chefe da Comrades Marathon Association, disse que a causa das mortes pode ter sido ataque cardíaco.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Comrades 2007

Comrades 2007

Dupla de três

As gêmeas russas Olesya (esq.) e Elena Nurgalieva celebram sua dobradinha vitoriosa na Comrades, maior ultramaratona do mundo, que foi realizada ontem na África do Sul. Entre as mulheres, Olesya chegou primeiro na prova de 89,3 quilômetros corrida de Pietermaritzburg a Durban, seguida pela mana, que já venceu a prova três vezes (foto AP).

Bem antes delas, outro russo fez história na ultra, que ontem reuniu 12 mil participantes. Leonid Shvetsov, 38, mandou para o espaço o recorde estabelecido por Bruce Fordyce em 1986: correu a prova em 5h20min49, mais de três minutos de vantagem sobre o recorde anterior. Será que esse tempo dura mais 21 anos?

Shvetsov, que foi 13º na maratona olímpica de 2004, corre, entre outras coisas, para mostrar que grandalhões também são capazes de voar no asfalto. Ele tem 1m86, pesa 72 quilos e abriu nove minutos e meio de vantagem sobre o segundo colocado (a maior diferença desde o ano em que Fordyce estabeleceu seu recorde).

"O mais importante numa prova como essa é se concentrar na distância e economizar energia. Segure o que der para o final", disse ele.

Um número recorde de brasileiros participou do evento. Espero ter logo notícias deles.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h05

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Maldito GPS

Maldito GPS

Trajetória oscilante

Já tive oportunidade de publicar aqui uma avaliação do GPS Forerunner 305, da Garmin, em que coloquei pontos positivos desse produto assim como seus claros defeitos.

Mais tarde, falei das falhas clamorosas do aparelho em uma corrida.

Depois daquela prova, no litoral paulista, fui em busca de esclarecimentos da assistência técnica. Descobri que vários outros aparelhos tinham registrado falha semelhante (deixaram de registrar a freqüência cardíaca). E o conserto, se houve, poderia implicar ter de esperar peça do exterior.

Quando recebi esse diagnóstico, faltavam dois dias para minha viagem para a Itália, onde eu faria minha primeira prova de cem quilômetros, como já relatei aqui.

Sabia que a bateria do Forerunner não agüentaria as mais de 15 horas em que eu previa correr a prova (para o 305, a empresa informa duração de bateria de dez horas, mas vários depoimentos que recebi e a minha própria experiência indicam tempo inferior).

Então pensei em comprar um segundo aparelho, que usaria na prova e revenderia depois. Abriria mão do monitoramente cardíaco (usando também o meu aparelho defeituoso), mas teria o acompanhamento do GPS para poder montar um quadro preciso e belo do trajeto no Google Earth e imprimir um registro da altimetria mais exato que o quadro relativamente grosseiro fornecido pela organização da prova.

Para não gastar tanto, acabei optando pelo modelo 301, que é mais mangolão, mas promete mais tempo de bateria e custa, em reais, um terço do preço do 305. Também tem visor maior e números maiores, o que é excelente para um sujeito na minha idade. Em contrapartida, a sensibilidade do GPS é menor, segundo a própria Garmin (que dá a informação pelo outro lado, dizendo que a do 305 é maior...).

Bem, pude constatar, infelizmente, a baixa sensibilidade do GPS. Ao longo da prova, especialmente quando nas subidas de montanhas, o aparelho avisou sobre sinal fraco. Mas seguia funcionando.

Lá pelas 12 ou 13 horas de prova, notei que o reloginho não informava mais o ritmo, apesar de continuar marcando tempo e distância.

Para me garantir contra uma pane seca do 301, lá pelo km 70 coloquei também o 305.

Como o modelo menos sofisticado continuava funcionando, segui com ele.

Ao final da prova, sua marcação de tempo batia com a oficial. A de distância indicava quase 700 metros a mais que os tais cem quilômetros. Quando dei o Enter para fechar a prova, o 301 simplesmente desabou, desligou, fechou, morreu.

Por falta de compatibilidade entre as tomadas italianas e o plug do aparelho, não o recarreguei durante a viagem.

Quando, finalmente, coloquei o 301 ligado ao computador, tive a grata surpresa de ver o completo monitoramento cardíaco e todas as 101 voltas (a 101ª incompleta, claro). Mas várias voltas tinham tempo zero ou distância estranha (as tais, imagino, em que ele alegou sinal fraco do GPS). Então vale como referência, mas a informação completa não é confiável.

O pior de tudo foi na hora de mapear o percurso. Por incrível que pareça, apesar de, como disse, o aparelho ter registrado todos quilômetros, só marcou no mapa da metade do percurso em diante (ou seja, as montanhas mais cabeludas desapareceram). Eu fucei um pouco para tentar entender ou, com sorte, resolver o problema, mas acabei ficando tão furioso que deixei de lado e aceitei a vida como ela é.

Resumo da ópera: vou continuar usando essas traquitanas para marcar meus treinos, mas não dá para depositar muita confiança nelas. E olha que, para meu gosto, esses aparelhos são os melhores do mercado.

O que dá bem a noção do quanto elas precisam melhorar para que se tornem efetivamente úteis para os corredores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h29

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Obrigado, leitores

Milésima

Às 18h16 de hoje este blog recebeu o milésimo comentário. A mensagem veio da leitora Ana Pereira, de Portugal, que mandou o seguinte texto sobre o post "Veados selvagens em ação":

"Nossa! Já tive uma pequena aventura em prova com um rebanho de ovelhas e um robusto carneiro que veio encalhar em minha coxa! Tantos corredores e logo o carneiro teve de marrar comigo! Agora veados... por aqui também seria difícil... Vai ser de certeza uma corrida que ela nunca irá esquecer! Ainda bem que não se magoou."

Aproveito para agradecer a ela, a você e a todos os internautas que enriquecem este blog com suas mensagens e experiências. E aos tantos que passam por aqui sem deixar seu recado, fica o convite: a casa é sua.

De meu lado, vou continuar correndo para trazer a você informações novas, emocionantes, divertidas e úteis para a sua vida corrida.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h45

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Coisas do mundo das corridas

Veados selvagens em ação

Há quem diga que os cachorros são os maiores inimigos dos corredores. Mas a professora primária Kandi Hanson, 28, descobriu que os doces veadinhos também podem ser temíveis adversários.

Vivendo no Estado de Minnesota, nos EUA, ela já arrebentou completamente um carro ao bater num animal e amassou dois outros carros em choques com veados.

No sábado passado, foi o dia da caça: a moça participava de uma prova de dez quilômetros, parte dos eventos da Sour Grapes Half and Half, em Brainerd, quando um animal saiu do mato em desabalada carreira e passou raspando pela professora e duas de suas colegas.

Elas levaram um sustão, mas continuaram na balada. Não perceberam que havia um outro veado, que foi direto na direção de Hanson. Atingiu a garota em cheio, mandando-a pelo espaço até aterrissar na grama.

Com a ajuda das amigas, a professora conseguiu se levantar, viu que não tinha nada quebrado, deu uma limpadinha básica no barral em que estava metida e aí, sim, seguiu até o final da prova sem mais problemas que alguns hematomas.

A professora terminou no 31º lugar, mas não saiu de mãos abanando. Os organizadores da prova lhe garantiram um prêmio de primeiro lugar como a corredora que mais tempo ficou no ar na Sour Grapes Half and Half.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h21

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Creme perigoso

Antiinflamatório mortífero

A recente morte de uma jovem atleta norte-americana foi provocada pelo uso excessivo de um remédio antiinflamatório comum, disponível nas farmácias do país, segundo relatório do médico legista de Nova York divulgado no final de semana, depois de dois meses de investigação.

Arielle Newman (foto AP), uma corredora de cross-country de 17 anos, integrava a equipe de atletismo na Notre Dame Academy. Ela morreu no dia 3 de abril por intoxicação por salicilato de metila, que é encontrado em cremes antinflamatórios comumente vendidos nos EUA, como Bengay e Icy Hot.

Segundo o porta-voz do IML local, foi a primeira vez que registraram uma morte vinculada ao uso desses cremes esportivos.

A garota tinha um percentual incomum de salicilato de metila no corpo. "Ou ela usou uma quantidade exagerada ou usou uma quantidade normal e seu corpo absorveu um percentual exagerado", disse o médico Ronald Grelsamer, do Mount Sinai Medical Center.

Já Edward Arsura, do Richmond University Medical Center, alertou que o uso crônico é mais perigoso do que utilizar apenas uma vez. E disse que a absorção pode ser acentuada pelo exercício e pelo calor.

A Johnson & Johnson, fabricante do Bengay, manifestou seus sentimentos para a família. Mas lembrou os consumidores sobre a importância de ler o rótulo e a bula dos remédios para usá-los adequadamente.

A bula do Ultra Strength Bengay recomenda a aplicação por não mais de três a quatro vezes ao dia e a suspensão do uso e a consulta a um médico se as dores piorarem ou os sintomas persistirem por mais de uma semana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h10

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Estocolmo

Estocolmo

Calorão

A finlandesa Erja Kiuru toma um verdadeiro banho em um dos postos de água da maratona de Estaocolmo, que foi realizada no sábado sob um calor incomum, com os termômetros chegando a marcar 28 graus Celsius (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h28

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Cenas de Firenze-Faenza

As primeiras horas

Ao longo dos 100 Km del Passatore, a Eleonora ficou me animando o tempo todo e ainda arranjou tempo para fazer mais de duas centenas de fotos muito bacanas, emocionadas e emocionantes. Vou deixar aqui uma palhinha do que tenho nos arquivos.

A largada foi na região central de Florença, a poucos metros da praça da Signoria, onde fica a estátua de Davi, de Michelangelo. Segundo a organização, de 1.509 inscritos, largaram 1.425 corredores.

Visão geral e muito simplificada do desafio que os corredores iriam enfrentar. A prova larga a 65 metros acima do nível do mar, sobe até 516 metros no km 22,5, desaba para 190 no km 30, de onde inicia uma subida dolorosa até 913 metros no km 50. Então começa o que seria uma lenta e longa descida, mas na verdade é um caminho cheio de ondulações ameaçadoras, até a chegada a Faenza, a 100 metros acima do nível do mar.

No caminho até Fiesole, nos primeiros quilômetros da prova, a subida da montanha dos dá belas vistas panorâmicas de Florença (ao fundo, o famoso Duomo, a catedral da cidade). Esta foto foi feita por mim na volta, pois nesse pedaço a Eleonora não podia seguir de carro.

Exemplo de subidinha maneira lá pelo km 20.

O feno embalado nos campos foi uma das visões que acompanhou os corredores nas primeiras horas do trajeto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 03h56

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Cenas de Firenze-Faenza (2)

O caminho da conquista

Um dos nove cadeirantes que largaram manobra seu equipamento no difícil percurso. Ele é Umberto Pascoli e chegou em 11h43min.

Os postos "di ristoro" eram fartos como esse, que tinha até mortadela.

No km 80, já meio zureta, faço a troca dos tênis para o último esforço. Reparem no equipamento para a corrida na escuridão, que, no meu caso, dominou mais da metade da prova.

Chegam os primeiros raios de sol e eu ainda estou correndo.

Aqui, o tiro final nas ruelas de Faenza.

Emedalhado estou.

Escrito por Rodolfo Lucena às 03h52

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Forrest Gump

O destino nas pernas

A TV italiana aberta eh tao ruim ou pior do que a a brasileira, mas aas vezes nos reserva gratas surpresas. Na noite de sabado, estava zapeando pelos poucos canais oferecidos quando me encontrei com a cena de abertura de FORREST GUMP.

Eu jah perdi a conta de quantas vezes vi o filme ou cenas dele. Fui um dos primeiros, no Brasil, a testar e avaliar, para o caderno Informatica da FOLHA, o CD-ROM baseado no filme, que trazia cenas e cançoes (na epoca, a cultura do mundo estava em CD-ROM, a internet apenas engatinhava: e olha que se passaram bem poucos anos, talvez um decada ou pouca coisa mais),

Pois bem, era noite de chuva, e tratei de assistir ao Forrest dublado em italiano. Sabendo a historia, lembrando os dialogos, eh bem mais facil seguir a verborragia em lingua menos conhecida.

E, como a cada vez que vi o filme anteriormente, voltei a me emocionar. Ele tem razao de estar, sim, no topo da lista dos melhores filmes de corrida da historia (resultado de uma pesquisa com leitores da RUNNER'S WORLD publicada em dezembro passado).

Tah certo que o primeiro motivo para leva-lo a correr pode nao ter sido muito nobre, alguem pode argumentar. Mas um garoto que sofre de paralisia infantil usar as pernas para escapar de moleques que o atacam he tambem uma forma de heroismo. E ele tinha a voz da menina amada a lhe soar nos ouvidos: "Run, Forrest, run".

Mais tarde, saiu a correr pelo mundo, sem parar, sem destino, obedecendo apenas aos ditames de seu nariz, aas necessidades do corpo, ganhando seguidores e gerando paixoes pelo esporte, que eh, no fundo, a descoberta de cada um e de sua relacao com o mundo.

Bueno, isso eh muita filosofia. ha que lembrar, tambem, que o filme eh um poço de merchandising, propaganda subrepticia por todo o lado. Mas a historia tambem se beneficia das marcas que divulga, entao eh meio que um toma lah dah cah.

Enfim, se voce nao viu, va ver. Se nao concordar com minha avaliacao, mande seus comentarios. Se concordar, mande tb.

Abraço.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h02

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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