Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Conversas na USP

Fome de bola

Hoje tive o prazer e a honra de trotar por alguns metros ao lado de uma veterana corredora de origem japonesa, na descida da FAU, na Cidade Universitária.

Quando estávamos chegando ao final da descida, e eu já embicava para continuar no percurso da tradicional volta de 10 km da USP, ela se volta para a esquerda. Vai seguir para mais uma subidona da Biologia (para os que não a conhecem, trata-se de uma rampa de cerca de um quilômetro com pelo menos o dobro da dificuldade da subida da Brigadeiro, que você vê -ou corre- na São Silvestre).

"E aí, vai fazer duas vezes a Biologia hoje?", pergunto eu, meio invejoso, pois estou apenas me recuperando da minha ultra, com treininhos leves.

"Não. Hoje vou fazer seis vezes", retruca ela, como se não fosse nada.

De queixo caído, por dentro, mas tentando fazer cara de paisagem, volto a perguntar:

"Ah, é? Está treinando para quê?", já pensando que vou encontrar a superdisposta sexagenária no Desafio Castelhanos.

"Ah, não, é que eu vou ter de parar. Vou fazer uma cirurgia, então tou descontando a vontade de correr..."

E seguiu Biologia acima...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h23

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Troféu Brasil

Explosão de alegria

O grito forte de Maria Laura Almirão (foto Divulgação) foi seu anúncio de vitória nos 400 metros no Troféu Brasil, hoje á tarde. Ela venceu mais que as adversárias: superou um longo período de dores e tratamento médico.

"Tive uma contusão por excesso de treinamento. Passei por muitos problemas para chegar até aqui, mas isso me fez crescer como atleta e como pessoa também", disse a corredora, que foi campeã do TB em 2001.

Ela fechou a volta em 52s16.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h31

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Troféu Brasil

Beijo da vitória

 

Sanderlei Parrela, vencedor dos 400 metros hoje no Troféu Brasil, beija a mullher, Gilvaneide (foto Divulgação), que havia sofrido uma queda feia quando disputara uma das semifinais dos 100 metros com barreiras (ela venceu e se qualificou para a final).

Sanderlei, 32 conquistou sua vaga no Pan ao fechar a volta em 46s02, um centésimo à frente de Rodrigo Bargas, 11 anos mais jovem. Bargas também vai para o Rio-07 porque é o primeiro do ranking nacional.

Além de suar fogo para sair do terceiro lugar em que estava na entrada dos cem metros finais, Sanderlei teve de esquecer, por momentos, a preocupação com a situação de Gilvaneide.

‘Deu um frio, um gelo, quando vi a Gilvaneide cair. Aí percebi que tinha que me focar na prova e dar o máximo para que ela não pensasse que tinha me atrapalhado‘, conta o veterano atleta, que tem entre suas conquistas o vice no Mundial de 99.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h30

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Fala, leitor

Medalha e sementinha

O boom de corridas em São Paulo se espalha para a praia carioca. No domingo passado, o engenheiro de produção Alexandre Issao Minamihara, 24, participou da T&F Run Series, disputada nas imediações do Barra Shopping. Leia a seguir o relato dele. E, quando quiser, mande também as suas experiências. Os textos serão avaliados e podem vir a ser publicados no blog (clique em "Fala, leitor", no menu ao lado, para ficar ciente das condições).

"No domingo, acordei cedo e fui até o longínquo (para mim) Barra Shopping, onde estava montada toda a estrutura do evento. Peguei o chip (havia uma fila enorme, para os atletas que fariam os 5K, que eram a maioria) e, depois de ajeitar minhas coisas, fui para a largada. Depois, fiquei sabendo que o Luciano Huck e outros famosos participaram da prova.

"9 horas, largada! O funil de largada era estreito, mas eu estava na frente e logo me livrei da confusão das primeiras curvas. Os km foram passando, eu estava relativamente bem, até que faço o km 5 em 3min26! Opa, tem alguma coisa errada! Como tínhamos que dar duas voltas de cinco quilômetros e e não havia nada de errado com os quilômetros, a conclusão matemática: não eram cinco quilômetros.

"Depois da corrida, verifiquei no Google Earth que a medição da primeira volta estava correta, mas a segunda não repetia um pequeno trecho, cortando os 10 k em 300 metros. Foi uma falha inaceitável.

"Além disso, o tráfego não estava totalmente fechado para os corredores. Muitas vezes os carros atravessavam a pista, e motoristas impacientes buzinavam com todos os seus pulmões mecânicos.

"Outro fato que me deixa injuriado, mas que eu notei que tornou-se padrão aqui no Rio, é não ter ninguém nos postos d’água para entregar os copinhos: sempre temos que reduzir um pouco o ritmo para pegar o copinho em cima da bancada. Os staffs ficam atrás da bancada, apenas arrumando os copos....

"Mas no geral a corrida foi legal. Eu acabei fechando os 9,7 km em 39min37 (4min05/km), se realmente fossem 10K eu fatalmente terminaria sub-41min! No final distribuíram isotônico e ganhamos, além da medalha, uma toalhinha de rosto e uma sementinha de ipê roxo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h26

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Coisas da internet

Recorde à vista

Não sei se vai ter recorde: o que quero dizer é que você pode ver a tentativa de superação.

O ultramaratonista Dean Karnazes tenta superar a atual marca mundial de 24 horas em esteira. E faz isso em frente às câmeras, todas elas mostrando imagens ao vivo na internet. Você pode escolher cenas colhidas por três câmeras, como o momento captado acima com a câmera 1.

Para ver a tentativa do corredor, autor e ex-publicitário, clique AQUI.

Mas fique esperto porque, no momento em que escrevo estas linhas, faltam cerca de nove horas para o término da experiência.

A marca a ser batida é de 247,45 quilômetros, segundo informa o site que acompanha a trajetória de Karnazes. A julgar pelo desempenho até agora, ele não está em ritmo de recorde. Mas a diferença é pouca, pode ser que ele consiga reverter.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h06

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Marílson e Ednalva dominam TB

Que beleza!

Foi uma satisfação assistir ontem à noitinha a prova masculina de 10.000 metros no Troféu Brasil, quando Marílson Gomes dos Santos confirmou sua condição de melhor fundista brasileiro na atualidade.

Apesar de sabedor disso, ele tratou o evento com seriedade, o que tornou a prova, a exemplo de outras competições de pista, um jogo de xadrez, em que cada participante tenta calcular e antecipar as chances e os lances dos adversários.

A prova começou com o veterano Elenilson da Silva, de "avançados" 35 anos, assumindo a ponta, que conseguiu manter por duas voltas, ambas muito lentas, em torno de 1min10. A torcida toda olhava para o meio do grupo, onde se embolavam Marílson, Clodoaldo Gomes da Silva, aparentemente desinteressados de perseguir os ponteiros.

Na terceira volta, Alan Wendell fechou na frente, mas não agüentou a perseguição e entregou a liderança para Luiz Paulo, do Cruzeiro.

Ele só conseguiu ficar uma volta na maciota, pois logo se desenhou o perfil da prova: Marílson chegou atrás, trazendo consigo Clodoaldo (que também é treinado por Adauto Domingues, técnico de Marílson). Alan ainda tentou ficar no grupinho, mas foi uma tentativa vã.

E assim foi a prova, numa chatice sem tamanho. Os caras pareciam ter combinado que ninguém ia correr naquele dia; nas arquibancadas, a torcida ficava imaginando coisas. "Vai dar pro Ubiratan", apostava alguém, enquanto outros torciam pelo baixinho Clodoaldo, que você talvez se lembre da última São Silvestre, em que ele deu um show à parte no finalzinho da prova.

Ninguém acreditava era no ponteiro, Luiz Paulo, que seguia liderando enquanto a platéia bocejava.

Um movimento: Ubiratan vem de trás e começa a chegar em Clodoaldo e se aproximar de Marílson. O campeão de Nova York parece ter olhos nas costas e abre a passada na reta oposta. Não dando mostras de esforço, toma a frente de Luiz Paulo, que vai minguando. Ubiratan vem no vai-da-valsa e encosta em Marílson.

os dois chegam quase emparelhados, com Marílson dois passos à frente, à marca dos 6.000 metros. Mais uma volta e outra, Ubiratan tenta oferecer resistência, mostrar armas para um duelo. Que não acontece. Marílson primeiro segura, depois se afasta, depois parece esperar, numa dança que tem cheiro de desgraça para Ubiratan.

"Ele vai quebrar", prevê a platéia, notando que, lá do meio do pelotão, uma camiseta verde-limão começa a despontar e se afasta do grupinho que observava à distância a quase disputa.

A distãncia entre Clodoaldo e Ubiratan parece grande, mas, uns 15 metros depois da marca dos 8.000, o segundo colocado vira o rosto para ver a concorrência. Na platéia, o veredito: "Olhou prá trás. Tá perdido".

De fato, Clodoaldo cerca e conquista, enquanto, lá na frente, em outra galáxia, Marílson corre sozinho. Os corredores em quarto e quinto lugares sentem o momento difícil de Ubiratan e dão uma disparada para tentar roubar-lhe o bronze, mas a distância é grande demais.

Marílson vai para o Pan com 29min08s21; Clodoaldo, que é o segundo do ranking nacional, também garante a vaga. Elenilson, aquele que liderou as duas primeiras voltas, está longe, mas continua a correr para terminar em último lugar, mostrando ombridade e determinação. O veterano corredor foi tão ou mais aplaudido que Marilson.

No feminino, a elegância discreta das passadas de Ednalva Laureano não deu chances para a explosão de Lucélia Peres. A paraibana abriu nos 4.000 e correu sozinha, terminando em 33min11s73 e carimbando o passaporte para o Pan, onde as meninas brasileiras vão enfrentar grandes adversárias, com marcas em torno dos 31min.

Veja AQUI os resultados completos de ontem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h06

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Troféu Brasil

É hoje!

Começa hoje o Troféu Brasil, última oportunidade para que candidatos ao Pan carimbem seus passaportes para os Jogos do Rio.

As competições acontecem no complexo esportivo do Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 14h, quando será realizada a cerimônia de abertura.

Até o próximo domingo, o estádio Ícaro de Castro Melo vai abrigar 44 provas olímpicas, com a participação de mais de 700 atletas. Os campeões de cada prova individual vão para o Pan (a outra vaga é baseada no ranking nacional).

Algumas provas, que não serão disputadas no TB, já têm os representantes brasileiros escolhidos. Na maratona, irão Vanderlei Cordeiro de Lima, Franck Caldeira, Márcia Narloch e Sirlene Pinho; na marcha 50 km masculina, estão classificados Mário José dos Santos Júnior e Cláudio Richardson.

As competições de hoje começam com a eliminatória dos 100 metros rasos masculino, às 14h30 (confira AQUI a programação completa). Mas o filé do dia está marcado para o final da tarde, com a final feminina dos 10.000 metros, às 17h10, e masculina, às18h30.

Marilson, é claro, deve ser a estrela do dia. Com prata nos 10.000 e bronze nos 5.000 em santo Domingo-03, o campeão da maratona de Nova York quer brigar pelo ouro no Rio.

No feminino, a elegância das passadas de Ednalva Laureano, a Pretinha, vai enfrentar a força e o vigor de Lucélia Peres. As duas acumulam títulos e troféus em penca. No Sul-Americano, Pretinha levou o ouro nos 5.000 metros e Lucélia, nos 10.000.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h37

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Triatlo

Dinheirama suada

 

Escolhi a imagem desta página pela força, pela emoção viva na expressão da atleta norte-americana captada pelos fotógrafos da AP. Daí fui pesquisar para dar a você mais informações que apenas um texto-legenda.

A moça é Laura Bennet, que acabava de vencer a Copa do Mundo de Triatlo, etapa de Des Moines (Des Moines BG Triathlon World Cup), no último domingo. Além do troféu e da alegria, levou para casa um cheque de US$ 200 mil e mais US$ 65 mil em prêmios diversos, incluindo um carro zerinho.

Ela ganhou a taça, mas a brasileira Mariana Ohata deu um show à parte. Terminou os 42 quilômetros de bicicleta dois minutos atrás da líder e foi derrubando o tempo, chegando lá, para fechar a prova em terceiro, menos de um minuto depois de Bennett.

Isso apesar do calor fulminante, que tirou da prova derrubou 16 das 42 atletas de elite que iniciaram o desafio. A vencedora completou em 2h04min32.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h26

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Comrades 2007

Comrades 2007

Nota trágica

Até agora, estão confirmadas as mortes de dois corredores que participaram ontem da ultramaratona Comrades, na África do Sul.

Segundo os relatos que vi na internet, os dois estavam na rabeira da prova, lutando desesperadamente para conseguir vencer o tempo de corte da corrida, que é de 12 horas.

Michael Gordon, 34, morreu pouco tempo depois de cruzar a linha de chegada. Durante 20 minutos, uma equipe médica usou técnicas de ressuscitação, sem sucesso.

O outro corredor, de 48 anos, ainda foi levado para atendimento em um hospital de Durban, mas não resistiu.

Jeremy Boulter, o médico-chefe da Comrades Marathon Association, disse que a causa das mortes pode ter sido ataque cardíaco.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Comrades 2007

Comrades 2007

Dupla de três

As gêmeas russas Olesya (esq.) e Elena Nurgalieva celebram sua dobradinha vitoriosa na Comrades, maior ultramaratona do mundo, que foi realizada ontem na África do Sul. Entre as mulheres, Olesya chegou primeiro na prova de 89,3 quilômetros corrida de Pietermaritzburg a Durban, seguida pela mana, que já venceu a prova três vezes (foto AP).

Bem antes delas, outro russo fez história na ultra, que ontem reuniu 12 mil participantes. Leonid Shvetsov, 38, mandou para o espaço o recorde estabelecido por Bruce Fordyce em 1986: correu a prova em 5h20min49, mais de três minutos de vantagem sobre o recorde anterior. Será que esse tempo dura mais 21 anos?

Shvetsov, que foi 13º na maratona olímpica de 2004, corre, entre outras coisas, para mostrar que grandalhões também são capazes de voar no asfalto. Ele tem 1m86, pesa 72 quilos e abriu nove minutos e meio de vantagem sobre o segundo colocado (a maior diferença desde o ano em que Fordyce estabeleceu seu recorde).

"O mais importante numa prova como essa é se concentrar na distância e economizar energia. Segure o que der para o final", disse ele.

Um número recorde de brasileiros participou do evento. Espero ter logo notícias deles.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h05

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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