Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Exemplo de determinação e força de vontade

Amputado (quase) olímpico

 

Agora é oficial. O supercampeão paraolímpico Oscar Pistorius, que não tem as duas pernas e corre com próteses especiais, vai enfrentar em uma competição oficial o campeão olímpico dos 400 m, Jeremy Wariner. O desafio está marcado para o Norwich Union Sheffield Grand Prix, no próximo dia 15, na Grã-Bretanha.

Este será o primeiro Grand Prix disputado pelo atleta sul-africano, que usa próteses especiais de fibras de carbono. São lâminas curvas, que lhe valeram o apelido "Blade Runner" (o nome do filme, é claro, mas também algo como corredor em lâminas).

Pistorius (fotos AP) teve suas pernas amputadas quando tinha apenas 11 meses de vida. Por causa de um problema congênito, ele nasceu sem as fíbulas (que os mais velhos conhecemos como perônio) das duas pernas.

Depois de bater recordes mundiais para amputados nos 100 m, 200 m e 400 m, Pistorius tratou de começar a desafiar corredores com duas pernas. Ele participou recentemente do campeonato sul-africano de 400 m e ficou em segundo lugar.

Daí surgiu uma polêmica em torno das próteses. Corredores "normais" diziam que o "Blade Runner" tinha uma vantagem ilegal, pois suas lâminas de fibra de carbono lhe permitiriam passadas mais amplas e dariam um impulso maior que corredores comuns poderiam ter. As próteses seriam uma "ajuda artificial".

Quando li essa história pela primeira vez, pareceu-me algo kafkiano. Imaginava que todos deveriam louvar o esforço do atleta e ver nele uma inspiração, mas...

Bueno. O bom-senso prevaleceu, e a IAAF (a Fifa do atletismo) decidiu que ele poderia competir em provas oficiais e que haveria um período de observação para que saísse a liberação total.

O objetivo de Pistorius, claro, é chegar aos Jogos Olímpicos de Pequim. Antes, vai tentar estar presente no Mundial de Osaka, ainda neste ano. Seu tempo não o qualifica para disputar a prova individual de 400 m, mas é possível que ele venha a integrar a equipe sul-africana de 4x400.

Se chegar a Pequim, será o primeiro corredor amputado a competir nos Jogos, mas não o primeiro atleta com deficiência física em uma Olimpíada.

Quando, pela primeira vez, as mulheres foram autorizadas a disputar as provas de hipismo (Helsinque-1952), a dinamarquesa Lis Hartel, que não tinha o movimento das pernas, conquistou a medalha de prata. Ele tinha de ser ajudada para subir e descer do cavalo, mas mandou ver e ainda voltou a levar a prata na Olimpíada seguinte (Melbourne-1956).

Há outros exemplos, como o atirador húngaro Karoly Takacs, que teve o braço direito amputado e passou a competir com o outro, e o lutador português Hugo Passos, surdo-mudo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h53

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Acontece na Europa

Corrida dos pelados

Ativistas da ONG Peta, de defesa dos animais, fizeram uma manifestação em Paris nesta semana (foto Divulgação) protestando contra as touradas e contra as "corridas de toros", manifestações cumuns em vários países, notadamente na Espanha.

Aproveitaram para anunciar a Corrida dos Pelados, outro protesto organizado pela entidade, que será realizado em Pamplona, Espanha, no próximo dia 5, dois dias antes da tradicional Corrida de Toros da cidade, que os ativistas consideram crueldade contra os animais.

Os organizadores esperam cerca de mil pessoas na prova Running of the Nudes, em que peladões e peladonas, apenas de tênis e, eventualmente, alguma fantasia, correm cerca de um quilômetro pelas ruas de Pamplona.

Não há taxa de inscrição, mas os organizadores pedem que eventuais interessados façam um registro no site.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h15

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Ainda Haile

Faltou dizer

Na sua trajetória para bater o recorde mundial da hora em pista, Haile Gebrselassie derrubou outra marca histórica, também do mexicano Arturo Barrios.

O supercorredor etíope passou ontem os 20.000 metros em 56min25s98, quase 30 segundos mais rápido que a marca anterior.

"Hoje foi um dia fantástico", disse Gebrselassie, que é dono de mais de 20 recordes mundiais, segundo a revista "Runner’s World". E continuou: "Na metade da prova, eu já achava que iria bater o recorde. Mas 50% da conquista é por cor causa do público, que hoje foi fantástico".

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h42

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Haile quebra recorde da hora

Mais um

O etíope Haile Gebrselassie é puro esforço e energia na sua arrancada decisiva para quebrar o recorde mundial da hora em pista, hoje no estádio Vitkovice, na cidade tcheca de Ostrava, a cerca de 400 quilômetros de Praga.

O rei dos recordes, dono de quatro títulos mundiais e dois ouros olímpicos nos 10.000 m, correu 21.285 metros em uma hora. A marca anterior era 21.101 metros, estabelecida pelo mexicano Arturo Barrios em 1991, na França.

Vamos ver agora se Haile (foto AP, no alto) acerta o passo na maratona para quebrar a marca de Paul Tergat. Ele vai fazer nova tentativa nesta no em Berlim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h42

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Economia atlética

Corrida gera dinheiro

Nos últimos dias, conta o site Marathon Guide, duas conhecidas maratonas norte-americanas divulgaram dados procurando mostrar sua importância econômica para as comunidades locais.

A Marine Corps Marathon, que costuma lotar meses antes do prazo final para as inscrições, informou que gera US$ 31,7 milhões para a região da capital norte-americana; a Rock N Roll Arizona Marathon afirmou ter um impacto econômico de US$ 44 milhões.

Mas elas nem de longe são as corridas que geram mais entradas para as economias locais. O impacto econômico anual da maratona de Boston, por exemplo, é calculado em US$ 95 milhões. E a Maratona de Nova York gera entradas extras de US$ 188 milhões para a economia da cidade.

Como disse antes, as informações são dos próprios interessados, que calculam o movimento em compras produzido pelos participantes da provas.

Aposto que o povo que vem a São Paulo especialmente para a São Silvestre também deixa uma boa grana na cidade. Mereciam todos, eles e os cidadãos locais, ser mais respeitados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h03

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Fala, leitor

Enfim maratonista!

O prezado leitor Carlos Hideaki Fujinaga, 26, é um verdadeiro entusiasta de corridas. Formado em psicologia, começou a correr há um ano e meio e participa com invejável freqüência nas competições em São Paulo e, quando dá, em outras cidades. Nesse processo, emagreceu 20 quilos neste anos, sem maiores problemas. No domingo passado, no Rio de Janeiro, fez sua estréia no maravilhoso mundo das maratonas. Leia a seguir o que ele nos conta sobre a prova e suas emoções.

"No sábado, fomos buscar os kits. Fiquei maravilhado com a revista oficial da prova, com seu belo trabalho gráfico. A entrega de kits não era muito eficiente para retiradas em grandes quantidades, e os estrangeiros que estavam no local pareciam meio perdidos, com dificuldades para descobrir que deveriam pegar o número de peito numa fila e o kit em outra. Fiquei passeando pelo Rio no resto do dia, com direito a dois pratos de macarrão, no final do dia.

"A prova começou com um trecho de ida e volta de uns três quilômetros, para o oeste. O restante da prova era toda para o leste, com o sol batendo na cara. No primeiro quarto da corrida, a paisagem era linda, mas não havia muitas pessoas assistindo. Conheci a Tiana e o Ricardo (também estreante), que mantinham um ritmo semelhante ao meu (6m30s/km). Fomos conversando, o que tornou o percurso pela Praia de Reserva um momento muito agradável. Tanto que, entre as conversas, fiquei surpreso ao ver a placa de 17 Km, quando eu pensava que ainda estávamos nos 14 Km.

"Passada a metade da prova, chegou a hora de enfrentar as subidas do túnel do Joá e da avenida Niemeyer. Após os treinos para superar as subidas de Barueri, Brigadeiro e Barro Branco, não teve nenhum segredo.

"Corri conversando com a Tiana (54 anos. As suas histórias ao longo da prova me inspiraram profundamente) até o km 32, quando o meu corpo pediu para acelerar um pouco e combinamos de nos encontrar na chegada. Não acreditava que àquela altura, conseguia fazer 5min40/km. Estava na praia do Leblon/Ipanema e fui me animando a cada "Bom dia!!" que dizia ou recebia dos simpáticos banhistas, que nos incentivavam com muita alegria. A propósito, fiquei tão maravilhado com a cidade do Rio, que até esqueci de dar carona para o famoso "urso", por volta dos 30 Km.

"Reta final. Nos últimos quilômetros, ainda não tinha encontrado o tal urso, mas dois ursinhos pareciam abraçados nas minhas pernas. Ao chegar à região do Aterro do Flamengo, a animação do público aumentava cada vez mais e eu pegava pra mim um pouco desta energia. Placa do km 42 Pensei: "É hora do sprint".

"Daí em diante, só lembro de um staff dizendo "Vai com calma, vai com calma...", uma pequena puxada na coxa (apenas um susto) e a maravilhosa sensação de cruzar a linha de chegada, imitando o Vanderlei Cordeiro de Lima, com seu aviãozinho em Atenas. Sempre quis gritar ao terminar minhas provas, mas ficava com vergonha. Neste dia, consegui: "AAAAAAAHHHHHHHHHH H..."

"Foi um domingo maravilhoso, em que tudo deu certo (inclusive a vitória do meu querido São Paulo FC). Estou com 82 kg hoje e vou voltar para esta prova no ano que vem, com 10 kg a menos, o que vai ajudar bastante (tenho 1m63).

"Já sei o que vou me dar de presente no meu próximo aniversário: uma viagem para a Maratona de Curitiba, com direito a festinha de massas na véspera, no bairro da Santa Felicidade. Espero correr muitas provas de 10 k, meias, maratonas, quem sabe até ultras, mas sem jamais esquecer o espírito desta minha primeira maratona e todas as lições que aprendi nos treinos e nas 4 horas e 22 minutos desse domingo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

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Maratona do Rio

Beleza de prova

Prezado leitor: ainda hoje espero colocar aqui um relato de um corredor que fez sua estréia em maratonas na prova de ontem, no Rio de Janeiro. Enquanto isso não rola, vou colecionando alguns comentários pescados em sites especializados.

O evento incluiu também meia-maratona e uma corrida familiar, de 6 quilômetros. Dizer que o trajeto é bonito é chover no molhado.

Segundo um relato colocado na internet, "a água no percurso era ora quente ora gelada, depende de onde você pegava. O ruim era que os postos foram colocados em cima das marcações de quilômetro, dificultando a marcação das parciais. Ah! As caixas de água estavam debaixo do sol e colocadas diretamente no chão quente".

Ele também não gostou da venda da camiseta Finisher para "qualquer um", pois ela deveria ser entregue ou vendida apenas para os que efetivamente terminaram a prova. E reclamou: "O lanche de chegada era uma mexerica, uma banana prata e um isotônico sabor Açaí. Em compensação, as três áreas VIPs (Caixa, Asics e da prova) estavam cheias de comida e bebida gelada".

Já um corredor que participou da meia-maratona foi menos severo: "Achei a corrida fantástica em todos os aspectos, já começando na entrega dos kits, que foi em uma estação de metrô, facilitando a vida de muita gente. Largou às 8 em ponto, muita água no percurso, dois postos de isotônico, placas na posição correta, medalha bem legal, e, o mais importante, sem tumulto na largada. O ponto negativo foi a pouca quantidade de banheiros".

Bem, a prova pode até ter sido elogiada, mas o site oficial está bem lentinho. Até às 10h38 de hoje, a página abria dizendo: "Falta pouco para a maratona do Rio", ainda que a contagem regressiva já estivesse no negativo (e também errada, pois dava -2 dias, 11 horas 41 minutos...).

A maratona foi vencida por Élson Alex Gracioli (2h18min31). No feminino, Marily dos Santos (2h42min16) levou o primeiro lugar. Na meia, os vencedores foram Luiz Paulo Antunes e Sirlene Pinho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h50

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Troféu Brasil

Conquista amazônica

O amazonense Sandro Vianna comemora, com a bandeira de seu Estado, a vitória nos 200 metros no troféu Brasil, ontem em São Paulo. Aos 30 anos, o atleta vai pela primeira vez ao Pan, onde vai correr nos 100 m, nos 200 m e no 4 x 100 m.

Na prova masculina de 5.000 m, Marílson

confirmou sua ótima forma e carimbou seu passaporte para o Rio. Fotos de Caio Guatelli/Folha Imagem

Veja outros resultados no site da Confederação Brasileira de Atletismo.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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