Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Foto do dia

Que felicidade!

O norte-americano Alan Webb mostra um ar de alegria meio incrédula ao festejar sua vitória nos 1.500 metros no meeting de Paris da Golden League. A prova foi disputada hoje no Stade de France, em St. Denis (foto Reuters)

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h04

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Males que podem atingir os corredores

Cautela e caldo de galinha

Os elementos citados no título não fazem mal a ninguém, segundo a sabedoria popular. E os maratonistas e corredores podem muito bem aplicá-los à sua vida, tomando precauções para que o esporte não vire um problema. Sobre o assunto, que tratei na minha coluna de hoje em Equilíbrio (AQUI, exclusivo para assinantes da Folha e/ou do UOL), trago a seguir um artigo exclusivo do especialista em cardiologista e medicina do esporte Nabil Ghorayeb, chefe da seção de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e coordenador clínico do Sport check-up do Hospital do Coração.

Vamos ao texto do dr. Nabil.

"Participar de provas de rua virou moda, podemos dizer sadia, mas...e os males que podem atingir os corredores ?

"Começando pela atividade física das mais extenuantes, a maratona traz riscos ou benefícios? Quantas posso participar por ano?

"Sendo uma corrida na qual a freqüência cardíaca (pulsação) se mantém acima de 80-85% da máxima (inclusive no treinamento) e por tempo prolongado (de duas a seis horas, conforme o atleta/esportista), a maratona requer esforço físico muito longo e vigoroso e traz alguns riscos.

"Um deles é a hipertermia: normalmente variadas reações químicas são as fontes de energia usadas pelo organismo para fazer funcionar seus músculos. Uma parte das reações resulta em energia e outra grande parte vira calor. Em resumo: durante um exercício físico temos uma elevação da temperatura do corpo (que pode chegar a 40 graus Celsius em algumas pessoas), e o corpo se defende produzindo suor para esfriar as células e assim a coisa vai. Se não houver reposição imediata de líquidos, ocorre a desidratação (sede, fadiga e câimbras), seguida de hipertermia, quando o mecanismo termorregulador do corpo falha, e aí o atleta deve ser urgentemente atendido para ser baixada imediatamente a sua elevada temperatura.

"Outro risco é a hiponatremia, uma complicação grave por diminuição crítica do elemento químico Sódio, geralmente por consumo exclusivo ou excessivo de água, sem reposição dos eletrólitos (sódio, potássio, magnésio etc.) que são esgotados do nosso organismo quando perdemos mais de 1 a 1,5 kg de peso durante uma atividade física. Na maratona de Londres desta ano, um professor de 22 anos morreu por causa desse mal.

"Outro problema são os males cardíacos, que podemos dividir em duas categorias.

"A. Risco de morte súbita durante ou após a prova, que afeta aqueles com alguma doença cardíaca prévia ou ainda portando uma infecção não curada (seja por vírus ou bactéria); e os que têm algum sintoma clínico durante os treinamentos ou na prova.

"B. Risco de desenvolvimento de uma doença cardíaca no futuro. Entre os corredores, existe maior tendência de arritmias cardíacas benignas, mas eventualmente algum poderá desenvolver arritmias mais graves. Registrou-se também o aparecimento de danos no coração dos maratonistas sadios.

"Alguns corredores apresentaram, após a maratona de Boston (2006) e nas de São Paulo 2006 e 2007, aumento de substâncias (enzimas) que só existem dentro das células do coração (miocárdio) em 40% dos examinados. O significado real dessas alterações não foi ainda esclarecido.

"Com o conhecimento científico adquirido na atualidade podemos aconselhar àqueles amadores ou profissionais que desejam participar de corridas longas como maratonas:

"1 - Continuar com a prática da maratona por todos aqueles, que estejam na ocasião, em perfeitas condições de saúde. Todos aqueles que não se submeterem a exame médico especializado ou aqueles que apresentarem alguma doença de risco e os não adequadamente preparados para esse tipo de competição desgastante devem evitar participar de maratonas.

"2- Limitar a quantidade de participações, especialmente dos esportistas amadores, a duas (ideal) ou no máximo três por ano, mas com avaliações médicas competentes e detalhadas (por especialistas em cardiologia e medicina esportiva).

"3 - Atletas profissionais de qualquer idade e outras pessoas (esportistas em geral) que tenham 60 anos ou mais devem fazer avaliações multiprofissionais para participação em maratonas, seis meses antes."

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h08

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Entrevista com SIRLENE SOUZA DO PINHO

"Quero uma medalha"

Com 12 anos, ela ganhou uma corrida na escola e achou que tinha jeito para a coisa. Mas a vida não deixou que perseguisse seu sonho, pelo menos naquela hora. Aos 15 anos, teve que trabalhar para ganhar o sustento e ajudar a família. Passou a trabalhar como doméstica, profissão que exerceu durante quase dez anos.

Numa mudança de emprego, em 1998, em Santos, surgiu a oportunidade. O novo patrão era o ultramaratonista Valmir Nunes, que viu em Sirlene o potencial para o sucesso nas corridas de rua. Só três anos mais tarde, porém, ela decidiu tentar a sorte na nova atividade. E se deu muito bem, treinada pelo próprio Valmir. Tão bem que vai representar o Brasil no Pan, correndo a maratona ao lado da renomada e experiente Márcia Narloch.

Ela é Sirlene Souza do Pinho, 31, que agora conta sua história nesta entrevista exclusiva para +Corrida (fotos Divulgação).

FOLHA - Qual é a importância do Pan para você?

SIRLENE SOUZA DO PINHO - É uma vitória, porque acho que todo atleta sonha em chegar no Pan-americano e numa Olimpíada. Eu já vinha sonhando em estar no Pan, representa tudo para mim.

FOLHA - O que você imagina que possa acontecer no Pan?

SIRLENE - Eu venho me dedicando bastante nos treinamentos, eu espero correr bem no Pan e tentar uma medalha, que seja de ouro, de bronze, de prata, alguma medalha eu quero.

FOLHA - Como você se qualificou para o Pan?

SIRLENE - Eu me qualifiquei em uma maratona no ano passado, em Amsterdã, em que eu fiz 2h35m42s. Foi minha segunda maratona. A do Pan vai ser a terceira. A minha primeira maratona, eu não fui bem treinada, que foi a de São Paulo, em 2005. Eu ia puxar só 25 quilômetros, mas acabei indo até o fim e terminei em segundo. Então, o meu técnico falou: nós vamos tentar uma maratona para tentar o índice para o Pan...

FOLHA - E agora, como você está? Como tem sido 2007 para você?

SIRLENE - Eu me machuquei em março, tive um problema na coxa esquerda e fiquei parada.Voltei a competir em maio, que foi os 10 km da Tribuna, em que eu fiquei em terceiro, e agora a meia do Rio de Janeiro, que eu ganhei domingo passado (24 de junho).

FOLHA - De certa forma, o tempo parada por causa da lesão pode até ser benéfico, não?

SIRLENE - Ah, para mim sempre quando eu me machuco, volto sempre melhor. Em 2004, eu tive um problema sério, tive que ficar parada oito meses. Tive uma fratura por estresse e voltei em final de dezembro; em janeiro, já estava correndo bem. Então, acho que assim é melhor para um atleta para poder descansar, porque volta bem, com a cabeça querendo mais.

FOLHA - E como foi sua história, como você começou a correr?

SIRLENE - Em 1998, eu conheci o Valmir [Valmir Nunes, ultramaratonista e treinador], porque eu fui trabalhar na casa dele. Então, eu comecei a treinar com ele.Isso. Como eu trabalhava, não levava tão a sério. Aí acabei engravidando em 2000 e voltei em final de 2000, após o nascimento da minha filha, Beatriz, e a partir de 2001 eu comecei a me dedicar mesmo ao atletismo.

FOLHA - O que a levou a fazer essa opção?

SIRLENE - Não, eu sei que ganhava em correr. Eu assistia a prova das meninas, sempre via elas na frente, no pódio, então, eu sempre sonhava um dia competir como elas. Só que como eu trabalhava não dava para eu conciliar o treino e o trabalho. Aí, quando nasceu a minha filha, meu ex-marido começou a me ajudar. Foi uma parte, assim, mais difícil, porque só ele trabalhava, e eu corria.

FOLHA - Ele fazia o quê?

SIRLENE - Ele trabalha na CET. Ele coloca aquelas placas de sinalização. Aí era difícil, porque só ele trabalhava e ele foi uma ajuda superimportante, assim, porque ele sempre me ajudou, não deixava faltar nada para mim. Fazia hora extra para poder comprar tênis para mim, para eu correr. Aí eu acabei conseguindo um patrocínio, em 2001. Aí eu comecei a me dedicar mais. Aí veio mais patrocínio e hoje eu estou bem, estou onde eu sonhava.

FOLHA - Mas, também, no meio tempo, pelo jeito, você acabou se separando...

SIRLENE - Isso, eu me separei dele em 2004, porque eu comecei a me dedicar ao atletismo e eu acabei esquecendo a vida de casada, porque eu viajava muito, aí ele não agüentou.

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h58

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Entrevista com SIRLENE SOUZA DO PINHO - final

"Penso em tudo"

Leia a seguir a continuação da entrevista com a maratonista Sirlene Souza do Pinho, baiana de Santa Luz, uma das representantes do Brasil no Pan. Sirlene nasceu em 18 de janeiro de 1976, tem 1m77 e 45 quilos e se qualificou ao correr a maratona de Amsterdã em 2h35m42s, seu melhor tempo na prova.

FOLHA - Como foram suas primeiras corridas?

SIRLENE - Da minha vida, foi na escola, eu tinha 12 anos. Uma prova que eu fiz em Ribeirão Pires, porque tinham os jogos escolares e eu fazia sempre. Como profissional, foi o Campeonato Santista, que eu sempre corria. Mas que eu fiquei no pódio profissionalmente mesmo foi em 2003, que eu consegui a prata na meia-maratona do Rio e fui quinta na São Silvestre.

FOLHA - Nesse período, qual foi o momento mais emocionante de sua carreira?

SIRLENE - Ah, um momento assim foi em 2005, quando eu ganhei a meia do Rio, que foi uma das provas, assim, que eu posso dizer que foi aquela prova, não é? Mas o momento mais emocionante foi depois da minha lesão de 2004. Eu fiquei oito meses parada e acabei fazendo uma prova em janeiro de 2005, a Volta de Itu. Estava com um mês de treinamento e acabei vencendo a prova sem sentir nada da lesão que eu tive. Então, foi um momento, assim, que eu chorei e foi emocionante essa também.

FOLHA - E a maratona na Holanda, não foi emocionante também?

SIRLENE - Como era a minha primeira viagem ao exterior, assim, longa eu não curti muito não. Me dava muito sono lá. Eu fiquei supercansada quando eu voltei. Eu falei: nossa, prefiro correr no Brasil do que viajar. Aí todo mundo, nossa, você viajou e não sei o que, foi para Amsterdã, todo mundo falando, só que para nós atletas que vamos lá para correr é diferente. Agora, quando vai para passear é diferente, também. Não consegui curtir muito não. O atleta vai com aquela pressão de competir, então, não relaxa. Não dá nem para você passear na cidade. Quem vai para passear, vai para curtir o visual e tudo e nem visual eu vi.

FOLHA - O que você já conquistou com o atletismo?

SIRLENE - Ah, se eu trabalhasse como doméstica, eu ia precisar de muito tempo até conseguir dinheiro para comprar um apartamento. Hoje, eu já tenho o meu apartamento em Santos. O atletismo me deu tudo, assim, amigos, também, que eu conheço várias pessoas do atletismo também legais.

FOLHA - Correndo no limite, você consegue pensar em alguma coisa durante a prova?

SIRLENE - Ah, eu penso em tudo, penso na minha filha, penso na minha vida de antigamente, antes de eu começar a correr. Eu penso em tudo, dá para pensar em tudo, em ganhar, em correr bem, em bater recorde. Todo atleta, quando vai competir pensa nessas coisas, não é?

FOLHA - Você estuda a prova antes? Vê quais são as suas adversárias?

SIRLENE - Não, eu fico estudando assim, fico pensando mais na prova, não pensando nas adversárias. Eu fico pensando quanto que eu tenho que passar as passagens. Quanto que eu tenho que passar isso, então, eu fico estudando já, antes de ir, mas adversária eu não procuro estudar não.

FOLHA - E dopping? Como é que você vê a questão do dopping?

SIRLENE - Corrida é saúde. Não é para usar drogas. Os exames são bons porque aí você pega quem está roubando, não é? Porque você tomar alguma coisa que é proibida é a mesma coisa que você roubar. Então, é um ladrão, não é?

FOLHA - Você falou que atletismo é saúde, mas você tem um histórico de vários problemas que o atletismo causou. Como é que você enfrenta a dor e esses problemas de saúde que o esporte competitivo provoca?

SIRLENE - Ah, eu acho que todo atleta passa por isso. No atletismo você convive com dor 24 horas. Você treina de manhã, à tarde... Você tem treinos fortes, também, que você fica com dor. Às vezes, você levanta da cama para ir treinar e está toda dolorida, não quer ir treinar. Então, acho que o atleta tem que saber conviver com dor, não é?

FOLHA - Qual é o momento mais dolorido numa prova?

SIRLENE - Ah, é quando você está disputando com uma pessoa que você quer já deixá-la para trás e ela não deixa. Você tem que estar com a cabeça boa, mas, se a pessoa também está com a cabeça boa, você vai e a pessoa vai junto. Você já está com dor, com dor, e a pessoa também está... Acho que é a pior parte.

FOLHA - E o melhor momento?

SIRLENE - O melhor é quando ganha.

FOLHA - Você quer que sua filha Beatriz vá correr quando crescer?

SIRLENE - Bom, ela está fazendo natação. Ela competiu no sábado (23.jun), antes de eu competir no domingo, e ganhou uma prova de natação. O pai dela diz que ela está nadando bem, eu quero que ela nade. Mas, no ano passado, ela fez uma corrida de criança e chegou em terceiro. Ela está toda contente, disse que vai ser corredora, mas eu não quero isso para ela, não. É muito dolorido.

FOLHA - Nadar dói menos, não é?

SIRLENE - Nadar dói, mas eu acho que é menos do que correr. Mas ela está animada com a natação, ela diz que quer correr como eu. Vamos ver.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h54

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Ouça as mensagens de seu corpo

Dores diferentes

Na minha coluna de hoje, no caderno Equilíbrio, da Folha (leia AQUI, apenas assinantes da Folha e/ou do UOL), tratei de mortes em corridas e da difícil busca do autoconhecimento, da luta para ouvir e entender as mensagens que o corpo manda. Um dos recados é a dor, a qual às vezes teimamos em não dar bola.

Sobre esse tema, a psicóloga Kátia Rúbio, do Centro de Estudos Socioculturais do Movimento Humano (Escola de Educação Física e Esporte da USP), produziu, com o médico ortopedista Flavio de Godoy Moreira, o estudo "Dor, lesão e desempenho esportivo", em que os autores entrevistaram 45 atletas olímpicos brasileiros. Publico a seguir alguns trechos do trabalho, que saiu originalmente na revista "Dor: Pesquisa, Clínica e Terapêutica (vol. 8, nº 1, jan/fev/mar, 2007)", da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.

"Desde o momento do nascimento, exceto pela constatação de alguma insensibilidade congênita, todos os seres humanos convivem com a dor em algum grau. Isso porque ela funciona como um alarme frente a alguma alteração biopsíquica. Alocada entre as funções humanas vitais, a dor tem função adaptativa, educativa e protetora, uma vez que protege o indivíduo de situações de risco à existência. É por meio dessa percepção que se aprende a evitar e reconhecer situações e objetos que provoquem o surgimento ou agravamento de lesões.

"Para que o atleta possa atingir bons níveis de rendimento, é preciso que ele esteja no melhor de suas condições física e psicológica. Essa saúde compulsória reforça a idéia de que o atleta é um indivíduo saudável e que também detém o controle das ações e emoções vividas pelo seu corpo. Entretanto alguns estudos mostram que a superexposição social além dos altos níveis exigência dessa atividade pode levar o protagonista do espetáculo esportivo a atitudes extremas.

"Diante da dificuldade de discriminar o limite de suas habilidades e as diferentes formas de dor, o atleta corre sérios riscos de superar os limiares aceitáveis de suas capacidades, deparando-se então com a possibilidade de lesões. Essa condição é reforçada por criações do senso comum como não há prática esportiva sem dor.

"Em pesquisa realizada com medalhistas olímpicos brasileiros, foi possível observar que vários desses atletas são capazes de distinguir entre a dor relacionada com o esforço de treinamento e a dor ocasionada por lesão.

"A dor do treinamento é gerada pelo desconforto vivido pelo atleta em diferentes momentos da periodização do treinamento. Esses períodos são marcados por uma grande exigência física, necessária para a obtenção de uma forma capaz de dar o suporte necessário às demandas de competições futuras. Relatam alguns dos atletas medalhistas olímpicos que esse tipo de dor é por eles identificada e conhecida desde o princípio da carreira esportiva, e que, portanto, embora desconfortável é passível de convivência sem estranhamento.

"As cargas musculares não-racionais (especialmente de força potente e força máxima) são apontadas como a causa da dor muscular tardia, que normalmente desponta dois dias depois das sessões de treino. Treinadores e atletas não costumam dar muita importância a essas manifestações por considerá-los normais nas sessões de início da temporada, quando é realizada a passagem para grandes cargas ou para uma brusca troca de orientação do processo de treinamento. Mas esse tipo de dor muscular tardia pode produzir sérias alterações de caráter bioquímico, histológico e estrutural no tecido muscular.

"Se a dor do treinamento é admitida como uma constante na vida do atleta de alto rendimento, por outro lado a dor da lesão é vista como insuportável. Enquanto a dor do treinamento é geradora de desconforto, a dor da lesão está associada a inúmeras perdas ocasionadas pelo afastamento de treinos e competições.

"A lesão em si obriga o atleta a alterar radicalmente sua rotina de trabalho, pois agora é obrigado a viver uma rotina de reabilitação. Ou seja, essa modalidade de dor traz agregados inúmeros fatores de ordem extrínseca, como o afastamento da atividade competitiva e da mídia, por vezes a perda de importantes contratos e o risco de uma aposentadoria precoce e indesejada.

"A falta de conhecimento e preparo para o enfrentamento de situações de dor favorece a ocorrência de lesões leves e graves, que podem não só diminuir o rendimento esportivo como também gerar longos afastamentos de treinos e competições ou abreviar o final da carreira competitiva."

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h30

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Foto do dia

Ai, que sono!

 

A cena não tem nada a ver com corrida, mas vá dizer que você não adorou a imagem dos tigrinhos de Bengala recém-nascidos.

Com apenas um dia de vida, eles foram mostrados hoje numa feira nos Estados Unidos (foto AP).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h12

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Peachtree 10K

A maior do mundo

Cena da Peachtree Road Race, a maior prova de dez quilômetros do mundo, que reuniu hoje nas ruas de Atlanta, EUA, cerca de 55 mil corredores (foto AP).

Por pouco a corrida de hoje, a 38ª edição da prova, não entra na história como a primeiro do século vencida por um americano. Aliás, um cidadão dos EUA não ganha a prova desde 1991.

Hoje, o nativo da Somália Abdi Abdirahman, naturalizado norte-americano no ano 2000, disputou palmo a palmo a liderança com o queniano Martin Irungu, que disparou nos últimos 400 metros e fechou em 28min01, levando o prêmio de US$ 15 mil.

Em compensação, Abdirahman voltou para casa com mais dinheiro no bolso que o vencedor. É que, além dos US$ 7.500 pela prata, levou ainda US$ 10 mil como melhor norte-americano.

No feminino, a etíope Wude Ayalew venceu com 31min44.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h39

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Em causa própria

Artigos e entrevista

Prezado leitor, não deixe de visitar este blog amanhã.

Como em cada primeira quinta-feira do mês, minha coluna +Corrida será publicada no caderno Equilíbrio, da Folha.

E este blog recebe conteúdos extras.

Amanhã trago para você dois artigos de convidados especiais e ainda uma entrevista exclusiva com uma das maratonistas brasileiras que vai para o Pan.

Aguardo você aqui e na Folha.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h13

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Maratona de Dubai

Coisa fina

O super-recordista etíope Hailé Gebrselassie deu entrevista hoje para anunciar sua participação na maratona de Dubai-2008, apresentada como a mais rica do mundo.

A Standard Chartered Dubai Marathon, marcada para 18 de janeiro próximo, vai dar US$ 1 milhão em prêmios. O vencedor no masculino e a campeã feminina levam US$ 250 mil cada um (o dobro do maior prêmio atual, segundo o site da IAAF, a Fifa do atletismo).

Além disso, a Dubai Holding, empresa do governo de Dubai, anunciou um prêmio de US$ 1 milhão a quem quebrar o recorde mundial. No masculino, a marca a ser derrubada é de Paul Tergat, 2h04min55. No feminino, a recordista é Paula Radcliffe, com 2h15min25.

"Eu gostaria de quebrar o recorde mundial aqui em Dubai e começo amanhã a treinar para isso", disse Haile, observado (na foto da AP) por um representante da patrocinadora do prêmio.

A prova nos Emirados Árabes Unidos será a última do etíope antes da maratona olímpica, que ele também tenciona ganhar. E diz que não vai parar por aí.

Lembra que outros corredores etíopes chegaram à glória olímpica em idade supostamente tardia para esportistas. "Eu tenho apenas 34 anos. Se você for ver, Miruts (Yifter) ganhou a Olimpíada (1980, nos 5.000 m e nos 10.000 m) aos 39 anos, e Mamo (Wolde) tinha 40 anos quando ganhou a maratona olímpica de 1968. Eu terei apenas 38 anos em Londres, em 2012, então, por que não?

Longa vida e saúde ao grande Hailé, que no semana passada quebrou dois recordes mundiais em uma única prova, como você viu neste blog.

Há que lembrar, porém, que, na sua última maratona, exatamente em Londres, ele abandonou por causa de uma alergia. E que, antes de chegar ao calor de Dubai e à umidade de Pequim, vai passar pelo friozinho de Berlim, onde também corre pelo recorde, em setembro próximo.

Mas nem ele nem sua equipe parecem preocupados com os desafios que vêm pela frente. "No mundo ideal, eu gostaria que ele quebrasse o recorde em Berlim por um pouquinho e depois estraçalhasse a marca aqui em Dubai", disse o holandês Jos Hermens, manager de Hailé há muitos anos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

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Foto do dia

Salto olímpico

Gulnara Samitova-Galkina, da Rússia, durante a disputa dos 3.000 metros com obstáculos, que ela venceu hoje no Grand Prix Tsiklitiria, no estádio Olímpico de Atenas (foto AP). No ano que vem, as mulheres vão disputar essa prova pela primeira vez em uma Olimpíada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h22

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Corrida dos Bombeiros

Ladeira da memória

Hoje fiz uma coisa rara na minha curta vida de corredor: repeti uma prova. E que prova!

Participei da 12ª Corrida Corpore Bombeiros, em volta do parque da Independência, na zona sul de São Paulo.

Cerca de 6.000 corredores enfrentaram a manhã, que começou bem fria e continuou friazinha, apesar do benfazejo e tardio sol, e curtiram os dez quilômetros do percurso rápido, mas desafiador, com algumas ladeiras bem tinhosas.

Corri também nas trilhas da memória. A Corrida Corpore Bombeiros de 1998 foi a segunda prova pedestre de minha vida.

Na época, começávamos em frente ao quartel dos bombeiros da praça da Sé, descendo a Rangel Pestana, seguindo por alguns quilômetros pela feiúra da avenida do Estado e embicando pela Dom Pedro 1º para chegar até a esquina do parque da Independência, onde era o retorno.

A volta trazia a maior emoção: a cerca de um quilômetro da chegada tínhamos um desafiador viaduto para subir e o prêmio da descida do outro lado, apenas para ganhar impulso para a subidona final, passando em frente ao quartel dos bombeiros, entrando pela praça da Sé, fazendo uma voltinha para enfim descer com tudo até a linha de chegada.

Algumas centenas de metros daquele percurso foram repetidas hoje, em vielas de paralelepípedos e na própria avenida Dom Pedro I, nas proximidades do parque.

Naquela época, eu já era lento. Começava devagar, seguia devagar e terminava um pouquinho mais rápido. O que me valia passar por muitos que tinham me superado nos primeiros quilômetros.

Aquele viaduto no final da prova e, especialmente, a subida da Rangel Pestana, foram minha alegria de corredor iniciante: mandei ver e perdi a conta das ultrapassagens. Terminei esfalfado, mas feliz.

Hoje, mal suei para fazer um tempo tão bom (ou tão ruim, sei lá) quanto o daquela época, mas também me diverti muito. O melhor foi rever conhecidos das corridas de antanho. A turma de corredores do Piqueri, que conheci lá na prova dos Bombeiros em 1998, é um dos exemplos de grupo animado que tive o prazer de reencontrar.

A corrida de hoje esteve superbem organizada, e o clima era de festa geral, a começar pela grande quantidade de barracas de equipes, empresas e grupos vinculados às corridas, que deram um show à parte. O Corpo de Bombeiros também caprichou, colocando no parque seus carros especiais (haveria uma programação extra depois da prova, mas não acompanhei).

O trajeto foi muito bom, aproveitando o relevo em volta do parque e mais uns quilômetros planos na av. Dom Pedro I para completar o percurso. Com o friozinho, acho que muita gente fez tempos melhores que em muito percurso plano.

Foram três postos de água, e em dois deles peguei copinhos bem gelados. Muita gente da organização colocada ao longo do percurso, aplaudindo e incentivando os corredores.

Para variar, a Corpore ainda não conseguiu acertar no pós-prova. Melhorou muito em relação à meia-maratona, que foi uma bagunça, mas ainda não está no ponto.

Desta vez, a entrega dos kits foi por tamanho de camiseta, o que deveria propiciar mais organização. Talvez fosse preciso mais gente da Corpore orientando os corredores sobre a inovação.

Outra coisa: é preciso colocar a oferta/entrega de isotônico em algum outro ponto, e não antes dos postos de entrega dos kits, porque é aí que acontecem os maiores engarrafamentos.

Mas, como disse, houve um avanço significativo.

A camiseta de mangas longas, como é tradição nessa prova, é muito bacana, e a medalha tem o nome da corrida, a data e a quilometragem. O kit foi bom e ainda ganhamos um iogurte bem gelado no final.

Para completar as boas notícias, na hora em que liguei o computador, no início da tarde, o site da Corpore já trazia um texto sobre a corrida de hoje e os resultados completos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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