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Pau a pau

O atleta amputado sul-africano Oscar Pistorius disputa centímetro por centímetro com o italiano Marco Moraglio na prova de 400 m hoje no Golden Gala, competição oficial da IAAF (a Fifa do atletismo) realizada em Roma.
Cravando 46s90, o sul-africano (foto EFE), que tem recordes mundiais paraolímpicos nos 100 m, 200 m e 400 m, terminou a final B em segundo lugar, atrás do italiano Stefano Braciola, que fechou em 46s72.
Mais importante que o resultado, porém, foi o passo dado pelo Blade Runner (assim chamado porque usa próteses de lâminas de carbono) para conseguir competir nos Jogos Olímpicos de Verão (se conseguir o índice). Ele participou da prova de hoje por convite.
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h35
Sua excelência, o anunciante

A Globo não perdoou o telespectador nem no primeiro Pan realizado no Brasil nos últimos 44 anos: cortou com anúncios a transmissão ao vivo da cerimônia de abertura.
De resto, foi aquele padrão conhecido, com divulgação de curiosidades, mas pouca informação relevante e uma bobagenzinha aqui e ali.
A Band, cuja transmissão não ouvi, pelo menos apresentava, a cada delegação que entrava, os dados sobre os tamanhos da população e da seleção do país, além de um mapa localizando o pais nas Américas.
Minutos antes da entrada da delegação brasileira, a Globo ouviu Vanderlei Cordeiro de Lima, o maratonista que ira carregar a bandeira do país. "O coração está a mil, feliz da vida", disse o porta-bandeira, completando com "Hoje o Maracanã é nosso".
Não satisfeita, a repórter pediu, e o corredor acatou, largando o grito de guerra: "Aha, uhu, o Maraca é nosso!".
Vandelei (foto Reuters), de fato, parecia eufórico e, como toda a delegação, esbaldou alegria ao entrar na pista, arrancando do pessoal da Globo comentários como estes:
"Parece mais um passista de frevo", "Vem pulando que nem pipoca", "O Vanderlei está elétrico".
O porta-bandeira assumiu a "persona" e até beijinho deu na miss Brasil, Natália Guimarães, que iria assumir a responsabilidade de carregar a verde-amarela.
Outros destaques da entrada das delegações foram a chegada da seleção cubana, em que cada atleta trazia nas mãos uma bandeira de seu país e uma do Brasil, e a passeata da seleção norte-americana, que levou uma vaia das boas, logo abafada na transmissão.
No mais, foi aquele showzão bacana de sons e cores. A seleção musical está bem bacana. Destaque para a Orquestra Sinfônica Nacional, que tocou "O Trenzinho do Caipira", de Villa-Lobos.
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h39
Os caminhos da maratona

Por incrível que pareça, não se encontra no site oficial do Pan o mapa do percurso da maratona. Mas este blog traz para você, com exclusividade, um diagrama do trajeto (imagem do alto) e ainda a altimetria do percurso (abaixo).
Coloco os gráficos sem edição, da maneira como os consegui.

A maratona, km por km
| LOCATION |
PAP |
Rio 2007 |
Largada – Marathon Start |
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Av. Pref. Mendes de Morais, em frente à Rua José Tjurs, alinhamento a 3 m da calçada anterior da ref rua. |
| KM 01 |
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Av. Pref. Mendes de Morais, muro do Gávea Golf Clube, aprox. 40 m após portão verde. |
| KM 02 |
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Av Niemeyer, subida próx a no. 418 |
| KM 03 |
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Av. Niemeyer, próximo ao nº 550. |
| KM 04 |
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Av. Niemeyer, aprox. 100 m antes dos motéis do Vidigal. |
| KM 05 |
01 |
Final do recuo, após 2º mirante na Av. Niemeyer. |
| KM 06 |
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Av. Delfim Moreira, esquina c/ Rua José Linhares. |
| KM 07 |
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Av. Vieira Souto, esquina c/ Rua Aníbal de Mendonça. |
| KM 08 |
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Av. Vieira Souto, esquina c/ Rua Farme de Amoedo. |
| KM 09 |
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Rua Francisco Otaviano, garagem antes do Posto Esso. |
| KM 10 |
02 |
Aprox. 15 m após a quina do Posto do Salvamar 5. |
| KM 11 |
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Av. Atlântica, esquina c/ Rua Bolivar. |
| KM 12 |
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Av. Atlântica, esquina c/ Rua Duvivier. |
| KM 13 |
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Aprox. 30 m após a entrada Túnel Novo, reversível na pista da contramão. |
| KM 14 |
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Aprox. 50 m antes da saída do Túnel do Pasmado, reversível na pista da contramão. |
| KM 15 |
03 |
Praia de Botafogo, em frente à Obra Social ALBANO REIS, altura do Viaduto da Rua Farani. |
| KM 16 |
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Av. Infante Dom Henrique, pista da contramão, aprox. 5 m antes do Museu Carmen Miranda. |
| KM 17 |
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Av. Infante Dom Henrique, pista da contramão, quase esquina de R. AlmiranteTamandaré. |
| KM 18 |
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Av. Infante Dom Henrique, pista da contramão, em frente ao prédio antiga TV Manchete. |
| KM 19 |
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Av. Infante Dom Henrique, pista da contramão, em frente ao acesso ao MNMIIGM ( Monumento aos Pracinhas). |
| KM 20 |
04 |
Arcos da Lapa, em frente ao Restaurante Cosmopolita, Rua Teixeira de Freitas. |
| KM 21 |
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Av. Chile, direção da parede anterior prédio Petrobrás. |
| KM 21,1 |
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aprox 10 m. antes da cabine da PM, após prédio da Petrobrás |
| KM 22 |
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Av. Pres.Antônio Carlos, em frente à rampa de saída do Ed. Garagem Menezes Cortes. |
| KM 23 |
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Av. Pres. Vargas, pista central, na contramão, em frente agência do Banco Itaú na calçada oposta. |
| KM 24 |
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Av. Pres. Vargas, pista central, na contramão, aprox. 50 m antes do retorno no canteiro central, final do Campo de Santana e fachada anterior da central do Brasil. |
| KM 25 |
05 |
Av. Pres Vargas, 670 na contramão, aprox. 30 m antes da agência do Banco Itaú. |
| KM 26 |
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Av. Perimetral, pista pela contramão, lado dos prédios, 2 m após curva de 180o em direção a Rodoviária. |
| KM 27 |
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Av. Perimetral, pista pela contramão, lado dos prédios, em frente ao início do prédio do 10. Distrito Naval. |
| KM 28 |
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Av. Perimetral, pista pela contramão, lado dos prédios, 100 m antes da descida para a Pça Mauá. |
| KM 29 |
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Av. Perimetral, pista pela contramão, lado do mar, 80 m antes de uma grande chaminé de tijolos vermelhos, a direita. |
| KM 30 |
06 |
Av Perimetral, pista pela contramão, lado do mar, entre armazéns 2 e 3, final do prédio "Central Parking" no.173. |
| KM 31 |
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Av Perimetral, pista pela contramão, lado do mar. 100 m após ponte de acesso a Ilha das Cobras. |
| KM 32 |
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Av Perimetral, pista pela contramão, lado do mar. Parede posterior Tribunal de Justiça, alinhado com o meio do Píer da Pça Mauá. |
| KM 33 |
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Aterro, pista na contramão, lado do mar, final viaduto sobre Trevo dos Estudantes. |
| KM 34 |
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Aterro, pista na contra mão, lado do mar, próx. ao MNMIIGM (Monumento aos Pracinhas). |
| KM 35 |
07 |
Aterro, pista na contra mão, lado do mar, início da reta, entre dois últimos campos de futebol, em frente prédio anterior ao Hotel Novo Mundo, alinhado com pira olímpica. |
| KM 36 |
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Aterro, pista na contramão, lado do mar, final da reta, 2o. prédio antes da Rua Tucumã |
| KM 37 |
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Praia de Botafogo, pista na contramão, lado do mar. 10 m antes do Museu Carmen Miranda |
| KM 38 |
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Praia de Botafogo, pista na contramão, lado dos prédios. Em frente ao restaurante La Molle |
| KM 39 |
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Praia de Botafogo, pista na contramão, lado dos prédios. Parede anterior do Botafogo Praia Shopping |
| KM 40 |
08 |
Praia de Botafogo, pista na contramão, lado dos prédios, alinhado com Posto BR e edifício Khair no. 22. |
| KM 41 |
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Morro da Viúva, pista na contramão, lado dos prédios, início da passarela em frente ao prédio do antigo "Clube Flamengo" |
| KM 42 |
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Aterro, pista na contramão, lado dos prédios, início da passarela após posto BR na reta do Parque. |
Chegada – Marathon Finish |
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Administração do Parque do Flamengo, próx. meio do muro de pedra que delimita a área. |
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h03
Maratona do porta-bandeira
Vanderlei Cordeiro de Lima, o único maratonista brasileiro com medalha olímpica, chacoalha agora num ônibus de Paipa, na Colômbia, onde estava treinando, para Bogotá, onde pega o avião para o Brasil.
Chega amanhã cedo a São Paulo e viaja imediatamente para o Rio, onde vai se somar à delegação brasileira e se preparar para suas funções de porta-bandeira da delegação.
Falei há pouco com o técnico de Vanderlei, Ricardo D’Angelo, que prevê uma maratona difícil no Rio-07.
O treinador citou os representantes da Colômbia e do México como posssíveis fortes adversários do experiente corredor brasileiro. E lembrou também a prata da casa, Franck Caldeira.
Além dos adversários, o clima deve impor dificuldades extras: "Vai ser uma prova complicada", disse D’Angelo.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h59
Dicas de corredor
Como enfrentar o frio
Mais uma frente fria está chegando, e a gente continua teimando em correr. Claro que um friozinho ajuda a performance _para maratonas, acho que o ideal é uma temperatura entre 10 e 16 graus_, mas, para um friozão, bom mesmo é cama e chocolate quente.
Podemos ter isso e ainda ir às ruas mexer o esqueleto com um certo conforto, desde que tomemos algumas precauções para não encarangar, não pegar uma gripe nem simplesmente desanimar com o clima adverso.
A primeira medida é vestir-se adequadamente. Se você sair de regata e calçãozinho, vai dar um choque na musculatura e sofrer mais que o necessário.
Para esta época, é bom usar pelo menos bermudas adequadas para corrida ou calças compridas de lycra ou esses materiais ditos "tecnológicos". Camiseta dry-fit ou similar também é bom; para dias mais frios, não se envergonhe de vestir mangas compridas.
Se você for friorento mesmo ou se estiver ventando muito, vista um abrigo mais leve sobre as roupas especiais de corrida. O problema desse vestuário cebola, porém, é que diminui ou elimina o efeito das boas propriedades dos tecidos tecnológicos das camisetas, pois o suor acaba ficando preso sob o agasalho, e depois de um tempo você fica enregelado pelo próprio suor.
Mas isso acontece em treinos longos e sob temperaturas mais adversas. Uma vez, na Alemanha, corri sob uma geada bem fria, e enfrentei o clima com tudo isso que falei e ainda luvas e gorro de lã.
Aliás, essas duas peças são muito importantes, como todos que já correram no frio e no vento já perceberam.
O que talvez muitos não percebam é que mesmo no frio é necessário se manter bem hidratado, bebendo de dois a três litros de água por dia, como de costume. Para mim, é uma das coisas mais chatas e temidas, pois acabo ficando com mais frio... De qualquer jeito, é uma recomendação bem importante.
Outra coisa de que não gosto, mas que aprendi ser fundamental, é o alongamento. No frio, você sai da cama já encarangado, então é bom dar uma acordada nos músculos antes de sair pela porta em desabalada carreira. Um alongamento tranqüilo vai deixar seu corpo mais esperto.
Sei que há muita polêmica nesse terreno, com técnicos e pesquisadores contestando ou defendendo a importância do alongamento. Não sou técnico nem médico, falo do que dá certo para mim. Pode ser que não dê para você, mas não custa tentar.
Por fim, mas não menos importante, você pode simplesmente esquecer todas essas dicas e treinar no quentinho da academia, ao som de música e da balbúrdia do ambiente, em esteiras que lhe dão ritmo constante protetor.
Escrito por Rodolfo Lucena às 14h40
Subida envenenada
No último final de semana, foi realizada em São Paulo a segunda
edição de uma prova para poucos: 7,5 quilômetros subindo de Cubatão a São
Bernardo pelo Caminho do Mar. A leitora Marie Ota, 36, estava
lá e traz para nós o relato da corrida. Marie (ao centro, na foto) é médica
endocrinologista do SUS, corre desde 2003 e coleciona medalhas: o Desafio da
Mata Atlântica foi sua corrida número 94. Vamos ao texto dela.
"Há corridas em que a gente se inscreve por impulso. O Desafio
da Mata Atlântica foi uma dessas: fui mais pelo nome (cheguei a prestar
vestibular para Ecologia - UNESP, já lá se vão alguns anos) do que pela
realidade da coisa: subir nada menos que 750 metros, o que equivale a um prédio
de uns 250 andares. Quando caiu a ficha, já era tarde demais.
"Na descida do Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar, em São
Bernardo, para a largada, em Cubatão, já fui vendo o tamanho da
encrenca.
"Tive que trocar toda a roupa, pois, ao contrário do que pensava, abriu
um solzão. Vesti um shorts que trouxe na mochila, mais a linda camiseta do kit
da prova.
"Ficamos papeando, matando tempo... O locutor não parava de
repetir que seriam 7,5 km, com elevação de 100m/ km... E que não poderíamos
fazer isso, aquilo e mais aquilo outro no patrimônio (casa, igreja, monumento)
no decorrer do trajeto, senão seríamos desclassificados.
"Até que enfim chegou a hora H e píííííí !!! Os primeiros 500m
são planos, mas de que adiantava disparar ali, se o resto era uma lomba só?
Assim, fui em câmera lenta, como se quisesse adiar a chegada da
subida...
"Embora tivesse pensado em intercalar trote x caminhada, e
sabendo que caminhar muitas vezes não seja sinal de covardia, e sim de
inteligência, acabei trotando. Pois penso que, pra intercalar trote x caminhada,
em primeiro lugar é preciso treinar tal esquema...
"Conforme os quilômetros iam passando, obviamente o trote foi
ficando mais lento, e algumas pessoas, mesmo andando, me
ultrapassavam.
"A cada quilômetro havia um posto de água, o que ajudou
bastante. A cada dois quilômetros, banheiro químico. No trajeto todo, staffs
prontos para atender quem sucumbisse.
"Mas no km 6 senti que estava no extremo de minhas forças.
Percebi que, embora faltassem só 1,5 km, se continuasse no trotinho poderia ter
cãibras a qualquer momento. Então aderi à maioria e, pela primeira e única vez,
andei.
"Pelo km 6,5 os staffs nos incentivavam, alguns ‘inventavam‘ que
só faltava 400m ( na verdade faltava 1 km),rs...
"Chega de caminhada, a subida ia ficando menos íngreme e voltei
a trotar. Ali já se ouvia o locutor falando que o vencedor fizera um ritmo de 4
min/km. E...enfim chegueeeei!"
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h26
Turbilhão de alegria

"Deixei meu posterior da coxa no quilômetro oito" pode ser a lembrança que muito corredor desavisado guardará da Meia-maratona das Cataratas, que teve sua primeira edição realizada ontem, em Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira _Brasil, Argentina e Paraguai.
O belíssimo percurso, com final em frente às magníficas quedas d’água, disfarça as constantes subidas e descidas, mas elas estão lá, firmes e fortes, cobrando o esqueleto e a musculatura de quem não planejar bem sua prova.
Fui acordado às 4h30 pelas poderosas trovoadas, e a som da chuva parecia o das cataratas, prenunciando uma prova cheia de desafios e complicações. Tratei de dormir de novo, confiando que o temporal iria amainar até a hora da largada.
De fato, conseguimos chegar ao ponto da largada com apenas uma garoa fina, que logo ficou aos soluços, voltando e parando como quem não quer nada. Melhor assim: todos sabem que corredores gostam de chuva, mas que ela comece depois da largada.
O tempo não obedeceu aos nossos desejos. Quando os cerca de 500 atletas do Brasil e de vários países-irmãos estavam já no partidor, a água desabou novamente. Azar. A corneta soou e partimos pela avenida das Cataratas, que nos levaria até o parque Nacional de Iguaçu.
Ninguém sabia direito como seria o percurso. Alguns falavam de subidas até o km 6, e de chão de terra e percurso plano dentro do parque.
Ledo engano. No friozinho gostoso e na chuvinha companheira, enfrentamos uma seqüência abusada de subidas e descidas. Nada muito forte, nada muito íngreme, apenas o suficiente para ver se você treinou rampas com afinco.
Lá no fim do km 7, porém, você está no alto de uma colina e vai descer algumas centenas de metros. Experientes podem, talvez, usar a gravidade em benefício próprio, saindo em desabalada carreira. Para os mortais comuns, porém, aquilo é uma sedução para se vingar do ritmo mais lento na subida e uma armadilha para joelhos, tornozelos e costas.
Na São Silvestre, a descida da Consolação tem um papel semelhante. O sujeito desata a correr ali e, quando chega ao Minhocão, suas pernas estão pesadas e o ritmo se foi.
Para mim, nada disso. Vinha na minha lerdeza batida, subia e descia na mesma, aproveitando a vista dos campos verdes que margeiam a rodovia e aguardando para chegar ao parque.
Entramos com metade da prova já cumprida, e aí a natureza abraçou os corredores com seus galhos de sombra. Numa curva do caminho, uma família de quatis parece aguardar a passagem dos atletas. Em outra, um riozinho canta entre as pedras em sua descida até os precipícios de dezenas de metros que formam as cataratas do Iguaçu.
O percurso fica até mais exigente, e a chuva, que tinha ido embora, volta com tudo. O esforço é compensado com água de coco, servida à vontade, e pela perspectiva da chegada.
Vem uma longa descida e já não é mais necessário economizar: estamos no último quilômetro. Mais uma subida, para testar o vigor dos atletas, e da última curva se avistam enfim as cataratas.
Esse é o maior prêmio: o prazer de correr no mato, junto ao turbilhão de águas, entregando à chuva as emoções do corredor. Que venha a próxima.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h23
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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