| |
Entusiasmo alemão
Uma corridinha de menos de meia dúzia de quilômetros na Alemanha foi a prova que mais reuniu atletas em todo o mundo, no ano passado, de acordo com estatísticas divulgadas no site Running USA.
Trata-se da edição de Frankfurt do circuito internacional de provas JPMorgan Chase Corporate Challenge, que reuniu 56 mil pessoal na aprazível cidade alemã. Neste ano, a corrida foi ainda mais longe: teve 67.270 inscritos (leia AQUI).
A lista tem oito provas com 40 mil ou mais participantes, mas nenhuma delas é maratona. A primeira prova 42.195 metros a aparecer no ranking está em décimo lugar: é a Nova York, com 37.866 participantes.
Conheça a seguir as provas mais concorridas de 2006.
1 - 56.000 JPMorgan Corp Challenge: Frankfurt 3.5 Mile ALE
2 - 54.556 Peachtree Road Race 10K EUA
3 - 53.694 Sun-Herald City to Surf 14K AUS
4 - 49.805 Cursa El Corte Ingles 11K ESP
5 - 43.635 Celestial Seasonings Bolder Boulder 10K EUA
6 - 40.750 Lilac Bloomsday Run 12K EUA
7 - 40.000 Stramilano 15K ITA
7 - 40.000 HSBC Round the Bays 8.4K NZL
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h33
Vai passar na TV
Se você treinar cedinho neste domingo ou preferir o calor do meio-dia para sua corrida diária, pode aproveitar para ver na TV outros tantos se esfalfando no asfalto.
É que a TV Cultura de São Paulo (canal 2) vai transmitir ao vivo a corrida 10KM Unicsul, que larga às 9h, em frente à Assembléia Legislativa, no Ibirapuera.
Ednalva Laureano, da Fila/Caixa, deverá participar do evento, assim como o atleta Paulo Alves dos Santos, do Cruzeiro. Estão inscritos também a queniana Alice Cherotch Serser Milgo e seu compatriota Cosmers Kibet Kemboi.
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h04
Aquecimento

O norte-americano Tyson Gay participa de prova classificatória para os 100 m no Grand Prix de Londres, na pista do Crystal Palace Park (foto Reuters).
Na hora do jogo para valer, o velocista tentou buscar o recorde do jamaicano Asafa Powell, mas não foi desta vez.
Leia mais sobre o evento AQUI, em inglês.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h12
Brincando de correr

Ainda falta cerca de um ano para os Jogos Olímpicos de Pequim, mas o clima da competição já começa a se espalhar e chega até ao terreno do entretenimento eletrônico. Aliás, só mesmo o espírito olímpico para realizar um feito que, lá pelos idos da década de 90, seria simplesmente inimaginável: unir, em um mesmo título, Mario e Sonic, provavelmente os dois mais populares personagens dos games.
Para os mais desavisados, o porco-espinho Sonic e o bigodudo Mario são símbolos-máximos de Sega e Nintendo, respectivamente, empresas que protagonizaram uma das maiores rivalidades do mundo dos jogos --hoje, andam colaborativas. É, os tempos mudam...
O jogo em questão é Mario & Sonic at the Olympic Games, que será lançado em versões para o Wii e o DS até o final do ano. Trata-se da primeira vez que os ícones estrelam juntos um game, fato que mereceu atenção do Comitê Olímpico Internacional (COI). Sendo assim, ambos vão competir em uma série de modalidades, todas ambientadas em cenários da cidade de Beijing.
Os protagonistas trouxeram consigo seus respectivos parceiros e, sendo assim, outras figuras conhecidas dão as caras, como Luigi, Knuckles, Yoshi, Tails etc. Talvez os 100 m rasos já estejam no papo para Sonic, conhecido pela supervelocidade, mas há outras modalidades, que passam por tênis de mesa, salto triplo, arremesso de martelo e natação.
Shigeru Miyamoto, célebre criador de Mario, o bigodudo e gordinho mascote da Nintendo, ainda não jogou a toalha: ‘Há muito tempo estamos discutindo a possibilidade de, um dia, ambos competirem um contra o outro. Agora que surgiu a oportunidade perfeita, com os Jogos Olímpicos. Talvez possamos finalmente saber quem é mais rápido, Sonic ou Mario?‘. A disputa poderá ser levada para o multijogador, com suporte até quatro participantes.
Até agora, jogos oficiais baseados na Olimpíada nunca mereceram sequer um lugar no pódio, ficando a desejar em termos de qualidade. Mario & Sonic at the Olympic Games, com sua abordagem para não ser levada muito a sério e, ao mesmo tempo, traduzindo o verdadeiro propósito da competição --celebrar o esporte deixando as diferenças de lado--, pode finalmente acertar a mão.
Texto de Theo Azevedo, redator do UOL Jogos e colaborador do caderno Informática da Folha
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h17
Eu gostei
Pode parecer estranho lançar, em meio à saraivada de críticas ao Pan, que misturam reclamações contra os gastos faraônicos a ponderações sobre o pífio desempenho da esquadra nacional, uma palavra mais entusiasmada. Mas o fato é que eu achei muito legal toda essa confusão, esses milhares de atletas dando sangue para mostrar o melhor de si nas pistas, nas quadras, nos campos e nas piscinas.
Para dizer a verdade com todas as letras, eu adorei. Só com um evento assim foi possível termos uma cobertura ao vivo, para todo o Brasil, de esportes esquecidos por quase todas, praticados por poucos, mas sempre com uma grande dedicação.
É comum vermos o povo que gosta de futebol ou mesmo apreciadores de qualquer outro esporte, ainda que menos famoso, mostrar desprezo por modalidades não tão populares por aqui. Mas e daí? O Pan não é uma aulinha de ginástica nem um concurso de popularidade; é, sim, um grande espetáculo multiesportivo em que (quase) todas as tribos têm a oportunidade de se expressar e de assistir ao desempenho de seus ídolos.
Quando na vida que a gente ia ver, em TV aberta, cobertura completa de provas de 5.000 m? Corridas de obstáculos? Tiro a não sei o quê, badminton, beisebol, hóquei na grama?
Para não falar logo do que realmente importante, ou seja, a maratona e os maratonistas, os fundistas brasileiros em superexposição.
Eu infelizmente não pude assistir a todas as transmissões; seria necessário passar os dias em frente à TV. Mas tive oportunidade de ver as fotos de cada dia --e compartilhei muitas delas com você. As imagens mostravam emoções despertas, expostas, concretas: alegria que dava para segurar com as mãos, dor que cortava o coração, entusiasmo, desespero, tristeza, empolgação. Vida, meu amigo, vida.
Mais que os feitos calculados em horas, minutos, segundos, centésimos de segundo, gravados em ouro, prata ou bronze, os atletas todos deram um espetáculo de vida, de beleza.
Teve muita porcaria. A maratona feminina, que abriu o Pan, foi esquecida, desprezada pela TV aberta. Os narradores, locutores, comentaristas deram shows de gafes, erros, grosseria até, como uma leitora deste blog anotou em comentário aqui publicado. Bem, se a cobertura do futebol, em que supostamente somos todos especialistas, já tem a qualidade que vemos todos os dias, imagine desses esportes quase alienígenas.
Os gastos no Pan superaram o orçamento, e a orgia de desperdício parece não ter fim, como vemos na imprensa e na TV. A pista de bicicross, que custou cerca de R$ 400 mil, foi desmontada ao final das competições e tudo ficou por isso mesmo. Pipocam indícios de nepotismo e de privilégios irregulares.
Espero que o Ministério Público ou quem de direito abra as necessárias investigações, que corruptos sejam punidos e que o dinheiro mal gasto seja devolvido ao erário.
Mas isso não diminui minha satisfação pelo show de esporte que vivemos nessas duas semanas. Muitos advertem que os resultados brasileiros não credenciam o país como potência olímpica. Quando o Brasil foi potência olímpica?
O que houve foi uma competição regional, no nível possível para os países desta nuestra América, que é pobre, sofrida, marcada por enormes divisões sociais, culturais e econômicas, com governos que, de modo geral, se dedicam basicamente a manter ou aprofundar essas diferenças.
E o que vimos foram homens e mulheres dando mostras de sua luta privada, particular, para sobreviver apesar disso e para, apesar de tudo isso, apresentar desempenho excepcional em algum terreno da atividade humana.
O boxeador nordestino e o rastafari lutador de taekwondo são a imagem mais escarrada desse sonho; mas a nadadora balzaquiana, que fica à tona entre imberbes tubarões e barracudas recém-saídas da adolescência, também o é, assim como o uruguaio gordo, barrigudo (que ofensa pode ser maior, caro leitor? Só velho, talvez...), que insistiu em ficar na quadra, entre os melhores e, pior para o coro dos contentes, mostrou que podia mesmo estar ali.
Isso alegra, emociona, empolga. Dá vontade de quero mais.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h20
Franck Caldeira, campeão da maratona do Pan
Momentos mágicos



Durante a corrida (foto AP), chegando para a vitória (foto Reuters) e no pódio (EFE), três momentos de um domingo mágico para o jovem corredor de Sete Lagoas (MG).
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h17
Multidão

Mais de 43 mil corredores tomaram as ruas de Bogotá ontem, participando da meia-maratona que é o maior evento da Colômbia no terreno das corridas de rua (foto AP).
Ou seja, mais que o triplo de participantes das maior corrida do Brasil, que tem mais que o triplo dos habitantes do vizinho país e uma economia quase quatro vezes maior.
No feminino, venceu a jovem queniana Neriah Asiba; seu compatriota Issac Macharia foi o vencedor geral.
Escrito por Rodolfo Lucena às 10h01
O que só eu vi
Os locutores da rede Globo ainda não tinham percebido, o público que assistia à maratona pan-americana pela TV também não sabia, mas no quilômetro 30 os brasileiros Franck Caldeira e Vanderlei Cordeiro de Lima estavam no mesmo segundo, empatados em segundo lugar.
Lá na frente, bem na frente, a uma distância de mais de 300 metros, corria isolado, solitário e forte, o guatemalteco Amado Garcia, que buscou a ponta desde os primeiros quilômetros, passando na liderança por todos os postos de controle desde o km 20.
Mas a TV enfim se dá conta que os brasileiros vão tentar se aproximar. No km 32,5, os computadores televisivos revelam que a distância, que já fora de 315 metros, cai para 226 metros.
Locutor e comentarista globais passam a fazer elucubrações sobre a estratégia de Vanderlei Cordeiro de Lima, o medalhista olímpico, que "deve ter um coelho na cartola".
Mas a distância é grande, será que dá tempo para ele?
Enquanto eles conversam, a câmera fica no guatemalteco, corredor experiente, de 29 anos, que tem como melhor tempo 2h13min53 e parecia perfeitamente em condições de manter até o final o ritmo que vinha desenvolvendo.
Quando finalmente as imagens vão procurar o segundo colocado, quem aparece não é Vanderlei, para surpresa do pessoal da Globo (que, pelo visto, está tão mal informado quanto nós, os telespectadores). É Franck Caldeira, de faixa na cabeça, que corre sozinho, caçula do pelotão de 15 maratonistas, para assumir a responsabilidade de desafiar a distância que o separa de Batista.
Aliás, no km 35 Caldeira já passara no segundo posto, mas não ficamos sabendo. Menos mal que a Globo tinha apresentado, havia poucos instantes, um especialzinho que preparara sobre o jovem corredor mineiro.
Agora, os elogios e o entusiasmo abundam. Voltam a dizer que ele é conhecido como Queniano entre os colegas, por causa de seu tipo físico: 1m70, 49 quilos.
O garoto de Minas vai em desabalada carreira. No 37, a diferença cai para cerca de 200 metros, pouco depois entra na casa dos "cento e...".
Vanderlei não está à vista, os telespectadores não sabemos o que acontece com ele, os locutores também não sabe, as imagens não revelam.
A câmera fecha em close no rosto de Caldeira, mostra a determinação do garoto, que só entrou no Pan porque Marílson Gomes do Santos desistiu da vaga que era sua para correr os 5.000 m e os 10.000 m. A torcida é grande. Será que ele vai passar?
Zuum. Não foi clique, não teve estrondo, não aconteceu uma epifania, não soaram coros de virgens nem tambores rufaram: minha TV apagou, apagaram-se as luzes da sala, o rádio deixou de piscar, a secretária eletrônica fez um píííííí e deu, o no-break do computador começou a emitir sinais, o microondas passou a apitar desesperadamente, o som cada vez mais baixo.
Faltou luz na minha casa! Também não gritei, não reclamei, não saí pulando de raiva nem quebrei copos ou pratos. Não estava chovendo, não estava ventando, sabe-se lá o que acontecera. Precisava apenas esperar, e em segundos a luz haveria de voltar.
Eu poderia ver a tentativa desesperada de Franck Caldeira para chegar ao título, sem sucesso, caindo a poucos metros do final; ou veria sua glória, desbancando o guatemalteco e mostrando seu valor.
Nem segundos, nem minutos. Vou para a garagem: o rádio do carro é a salvação. Mas nenhuma emissora está transmitindo direto. Uma dá flashes, outra também. Anunciam o próximo início da final do basquete.
O que acontece na maratona, me desespero. Eu, que desde cedo me preparara para fazer um acompanhamento dedicado, para contar a você, que talvez também a tenha assistido, o que só meu olho clínico soubera ver, estava cego e surdo.
Num soluço, num desafogo, num daqueles flashes, o locutor da rádio berra que Franck Caldeira está em segundo. Começa a fazer poesia sobre o desempenho do corredor mineiro. Nada sobre Vanderlei, e ninguém sabe quando a luz vai voltar na minha casa.
Vou á rua atrás de explicações. A resposta está na esquina, a cem metros: as raízes podres de uma tipuana não agüentaram mais o peso dos anos nem tinham mais nada a dar à voracidade dos cupins. Sem vento nem chuva nem tempestade nem choque nem trauma nem estresse, a árvore desabou no exato instante em que a maratona dos XV Jogos Pan-Americanos completava sua segunda hora.
Levou consigo uma lâmpada de rua, deslocou um poste, arrebentou fios telefônicos, cabos de alta tensão, desmantelou a rede elétrica dos arredores. Ainda bem que não caiu sobre ninguém nem destruiu carros, muros ou casas.
Voltei correndo, rindo e xingando. Estava refém da narração do rádio, do locutor que parecia ainda mais perdido que os da TV, provavelmente dependendo, ele mesmo, das imagens transmitidas pela televisão.
E eu não vi nada.
A esta altura, você já sabe todos os resultados, conhece os tempos e as colocações, sabe que Vanderdei abandonou (câimbras, segundo afirmou), viu todos os replays e se alegrou com a felicidade de Caldeira.
Veja então a algoz deste que vos fala. E bons treinos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h26
Ver mensagens anteriores
|
|
PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
|
|