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Engarrafamento na fábrica

Foi muito bacana a Volkswagen Run, prova de 10 km realizada hoje nas instalações da montadora, em São Bernardo do Campo. Os atletas percorreram as alamedas da fábrica e passaram até por dentro da linha de montagem (foto).
O tempinho frio, até com uma garoinha chata, ajudou bastante, permitindo uma corrida confortável (voltei a fechar em menos de uma hora, uma semana depois dos 50 km no Rio).
Não faltou água, apesar de os postos estarem mal distribuídos.
Mas o que importa, na hora da prova, é o percurso diferente, inusitado, divertido.
No chão de fábrica, sob os automóveis em construção ou quase pontos, fomos saudados por grupos de trabalhadores da empresa (foto), que também estavam em diversos pontos das alamedas.
A multidão de atletas aproveitou para fazer festa, com a presença de muitos iniciantes.
Digo isso porque vi muita gente caminhando antes mesmo da chegada do primeiro quilômetro, o que não tem problema nenhum.
Ao contrário, é muito legal ver que as corridas começam a ser tão sedutoras que atraem para o desafio mesmo quem talvez não esteja pronto para percorrer toda a distância sequer em um ritmo de trote.
Eu saúdo a todos, especialmente os últimos a terminarem, que talvez nunca sejam os primeiros (pelo menos, nesse tipo de competição), mas dão exemplo de garra, denodo e espírito esportivo.
Dito isso, vamos aos problemas, que foram muitos e estavam já anunciados na malfadada entrega dos kits, que era para ser super organizada e foi bem fracativa, como já relatei aqui.
Hoje constatei que o problema foi muito pior que eu imaginava. Havia montes de gentes tentando pegar seu número de peito e chip; no chutômetro, baseado nas filas e no tamanho das pilhas de números que vi, diria centenas, talvez mais de 200 não receberam o kit quando deveriam.
Não sei por que, a entrega dos números e dos chips era em pontos diferentes. Os chips eram entregues em guichês de acordo com a numeração de peito; já os números eram entregues num cantinho do balcão, e lá havia uma fila bem bagunçada.
O meu número, como o de muitos outros, chegou sem o meu nome (na maior parte dos casos, o número de peito veio personalizado com o nome do atleta).
O estacionamento também foi um problema, mesmo para quem chegou cedo. Por causa da confusão, muita gente começou a deixar o carro na estrada, mas logo veio o aviso de que a polícia estava multando, e todo mundo tratou de levar o carro para local seguro, em terreno da VW mais longe da largada.
Aliás, ir para a largada também inclui momentos desagradáveis. Tínhamos de passar por uma barreira de seguranças, que lá estavam para impedir que pessoas sem número entrassem na área. Um sujeito que acompanhava um corredor, aparentemente para tirar fotos, foi barrado por um grandalhão que lhe colocou a mão no peito. Só faltou empurrar. Uma garota desavisada foi encaminhada para o lado com menos do que elegância.
A largada atrasou quase 20 minutos (18min38 no meu relógio), e os primeiros metros foram a passo: cruzei o pórtico cerca de quatro minutos depois de dado o sinal para a partida.
A prova foi legal, como falei, sem maiores falhas, que eu saiba, mas registro um incidente.
A 200 metros da chegada, um corredor passou mal, caiu ao chão, e a ambulância levou pelo menos cinco minutos para chegar até ele.
Ele caiu bem em frente à porta de um dos prédios da VW. Os próprios corredores começaram a gritar por socorro, e veio alguém da VW que estava ali na porta. Depois chegaram duas moças de branco, médicas ou enfermeiras, que avaliaram o sujeito. Também veio um bombeiro, enquanto a organização fez barreiras no percurso para proteger a área em que ele estava sendo atendido. Espero que nada de mais grave tenha acontecido.
Terminei em 58min53, e depois enfrentei mais confusão, pois os corredores que queriam entregar um papelzinho para participar de um sorteio formavam uma barreira, dificultando a passagem até o local para a troca do chip pela medalha. Mas superei também essa última muvuca.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h55
Pódio na Spartathlon
O santista Valmir Nunes, maior ultramaratonista brasileiro, terminou em terceiro lugar a Spartathlon, prova que repete o caminho do soldado grego Fidípedes e leva os atletas pelos 245,3 quilômetros entre Atenas e Esparta, na Grécia.
Nunes, que venceu a prova em 2001 e foi vice em 2003, fechou em 25h37min40, atrás do norte-americano Scott Jurek, que garantiu o bicampeonato com 23h12min14, e do polonês Piotr Kurylo (que liderou por mais de 200 km), com 24h29min41.
"Até o 160, fui junto com o Scott, mas os últimos 86 quilômetros fui sofrendo com a dor no meu tendão. Foi uma penitência. Se não fosse a minha equipe de apoio, eu teria parado", disse Valmir.
Ele agora vai parar de competir por alguns meses, pois vai sofrer uma cirurgia no tendão do pé esquerdo. E promete voltar no ano que vem: "Com o tendão bom, podem esperar muito mais. Hoje foi duro, doía tudo, o ciático, os joelhos, as coxas, porque tinha de pisar errado para agüentar", contou.
No último dia 24 de julho, Valmir venceu a Badwater, considerada a corrida mais difícil do Mundo, com 217 quilômetros feitos no deserto do Vale da Morte, nos Estados Unidos. Também neste ano, foi bicampeão nas 24 Horas Helênicas (Grécia), correndo 222 km, e a Brazil 135 Ultramaratona, com a mesma distância da Badwater.
Ele é recordista das Américas em provas de 24 horas, com a marca de 273,8 km estabelecida na Soochow University Endurance Race, em Taiwan, em 2003.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18
Medalhas em penca

Frente a uma pilha de milhares de medalhas da maratona de Berlim, um voluntário ergue um cartaz em que está escrito "Você nunca correrá sozinho" (foto EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32
Dupla dinâmica

Haile posa com sua compatriota Gete Wami, bicampeã de Berlim, depois de sua vitória hoje na Alemanha (foto EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32
Chegada

O recordista mundial Haile Gebrselassie cruza a linha de chegada na maratona de Berlim, tendo ao fundo os portões de Brandemburgo (foto AP)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h30
Massa humana

Mais de 40 mil corredores participaram hoje da maratona de Berlim, onde o etíope Haile Gebrselassie bateu o recorde mundial, que foi estabelecido pelo queniano Paul Tergat há quatro anos, na mesma prova (foto EFE).
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h29
2h04min26
Finalmente, ele conseguiu. O etíope dono de uma
montoeira de recorde mundiais nas mais variadas distâncias enfim tomou conta da
maratona, como ele queria e previa desde o dia em que estreou na distância e se
deu mal porque não se alimentou direito (bebeu apenas água no
percurso).
Hoje, na plana e agradável Berlim, na sua sétima tentativa nos
42.195 metros, Haile Gebrselassie (foto EFE) quebrou o recorde mundial da
maratona, tirando o cetro de seu adversário nas pistas e nas ruas Paul Tergat,
do Quênia.
Haile correu a prova em 2h04min26, baixando em quase meio minuto
a marca estabelecida por Tergat na mesma Berlim, há quatro anos:
2h04min55.
"Isso foi mesmo muito especial", disse ele, logo depois da
prova. "As condições estavam perfeitas, no ano passado teve muito vento. E o
público foi maravilhoso", saudou Haile.
Choveu no sábado, mas hoje o dia estava bom, e a prova começou
com 14 graus Celsius, chegando a apenas 18 graus, sopa no mel.
Esse foi o recorde número 24 na carreira desse etíope de 34
anos, que ainda quer mais, muito mais: "Eu tinha prometido correr 2h03. isso não
foi possível, mas talvez da próxima vez..."
Ainda em frente à imprensa, o telefone tocou. Era Paul Tergat
que ligava para felicitar o adversário. E ouviu a flauta do etíope: "Desculpe,
Tergat. Acho que hoje as condições estavam melhores do que quando você correu.
Vou pedir para o diretor da prova te convidar da próxima vez".
Tergat ficou na dele e falou aos jornalistas: "O esporte é assim
mesmo, os recordes foram feitos para serem quebrados. Estou muito feliz por ele,
nós somos bons amigos".
Aliás, quatro quenianos (Rodgers Rop, Wilson Kigen, Andrew Limo
e Peter Kiprotich) e um etíope, Eshetu Wondimu, foram parceiros na façanha,
servindo de coelhos até o km 30. Ninguém mais da elite tentou acompanhar o
campeão.
A passagem do km 15 indicava 2h04 na maratona, mas o ritmo caiu
bastante em seguida. tanto que, na meia-maratona, a previsão era de chegar pau a
pau com o recorde anterior. Mas isso eram os números, pois Haile já sabia:
"Depois de 20 quilômetros, eu sabia que poderia quebrar o recorde. Eu estava me
sentindo muito bem".
A carreira esplendorosa desse minúsculo gigante do atletismo
começou em distâncias bem menores. Seu primeiro recorde mundial foi nos 5.000 m,
em Hengelo, na Holanda, em 1994.
Por seu lado, Berlim é o palco ideal para performances
maravilhosas. O de hoje foi o sexto recorde mundial no percurso. Christa
Vahlensieck marcou 2h34min48 em 1977, ainda nos primórdios da participação
feminina em provas oficiais. Depois, em 1998, o brasileiro Ronaldo da Costa
iluminou o mundo com uma estrela após correr a maratona em 2h06min05. Do Quênia,
Tegla Louroupe estabeleceu 2h20min43 em 1999. A japonesa Naoko Takahashi
tornou-se a primeira mulher a correr sub2h20 em 2001 (2h19min43), e Tergat quase
perde para o amigo Samir Korir em 2003, mas chegou lá, um segundo
antes.
A prova feminina foi vencida sem esforço pela etíope Gete Wami,
que correu sozinha para terminar em meros 2h23min17 e se tornar bicampeã de
Berlim. Ela disse que aliviou porque está querendo muito ir para as cabeças em
Nova York, em novembro. "Quero levar o prêmio", disse ela, referindo-se ao US$ 1
milhão para os vencedores do circuito World Marathon Majors (Berlim, Nova York,
Boston, Londres e Chicago, mais Mundial e Olimpíada, nos respectivos
anos).
AVISO: não deixe de voltar mais tarde, pois vou
colocar ótimas fotos da prova
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h17
Chegou a senha
Na terça-feira, 25, tentei, sem sucesso, fazer minha inscrição na São Silvestre. Não pretendo correr a prova, mas queria testar o sistema de inscrições, porque vinha recebendo muitas reclamações de leitores.
De fato, como relatei, o sistema não funcionou. Mandei uma reclamação pelo sistema de e-mail do site, como também tinha enviado o pedido de senha, apesar de estar registrado na Yescom.
Pois bem, hoje, três dias depois, recebi a senha. Fui tentar de novo e, desta vez, o processo funcionou.
Antes de receber a senha, havia recebido mensagem da assessoria de imprensa da São Silvestre. Dizia: "A ferramenta de inscrição é a mesma usada pela Yescom nas principais provas do Brasil. Para a perfeita utilização do processo de inscrição é necessário desabilitar o bloqueador de pop-up, conforme instrução no site".
Ou seja, a culpa é do corredor que não sabe fazer sua inscrição.
Retruquei que não era esse o problema --ou não parecia ser, pois não apenas o bloqueador de pop-ups estava desativado como a mensagem de erro apareceu em um ... pop-up-- e até agora não tive resposta, mas ela vai chegar, acredito.
De qualquer forma, no teste feito hoje, o sistema de inscrição funcionou.
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h37
Pneu furado
A primeira Volkswagen Run, marcada para este domingo nas instalações da montadora, em São Bernardo, promete ser muito interessante. Mas também há prenúncios de problemas.
A inscrição para a prova indicava o contrário, um show de boa organização. Você deveria retirar o kit antecipadamente, o que é muito saudável, e podia escolher entre vários endereços de revendedoras da marca, o que também é legal e contribui, em tese, para a redução das filas comuns nesses eventos.
Na quarta-feira, dia 26, recebi e-mail dizendo que meu kit (como os de todos os outros corredores, é claro), estaria disponível do dia 27 ao dia 29, em horário comercial (portanto, a partir das 8h ou, mais tarde, a partir das 10h) no local que eu havia escolhido.
Fiquei surpreso com a gentil mensagem, incomum nesse mundinho nem sempre muito organizado, mas resolvi dar algumas horas a mais para que o meu kit chegasse ao local indicado.
Quando lá cheguei, não havia fila. Apenas um sujeito ocupava os dois atendentes, entrincheirados num canto da loja. Eu vou me aproximando e notando que o diálogo entre eles não indica satisfação.
Claro. Já deu problema, pensei eu, substituindo problema por uma palavra menos elegante.
Bom, em vez de chegar e retirar meu kit, tive de agüentar a querela do colega corredor, que tinha ido buscar uns três kits, pelo que eu percebi, e o que tinha chegada tinha o número certo, mas o nome errado (o número de peito vem com seu nome); os outros nem tinham aparecido.
Conversa vai, conversa vem, enfim o cara sai com a sacolinha com uma camiseta, um bonequinho de um patrocinador e mais papelada.
Chega a minha vez.
Para encurtar a história, meu número não estava lá, meu chip não estava lá, e eu saí com uma sacolinha tal e qual, mais um papel em que os atendentes admitiam o erro, orientando para que a retirada fosse feita no dia da prova. Ou seja, exatamente o que toda a suposta bem estruturada organização pretendia evitar. E, no que tange à minha observação de entrega de kits, 100% de falha.
Vamos ver o que a prova nos reserva.
Escrito por Rodolfo Lucena às 13h28
Pintura no acostamento

Quando levantei a cabeça, que estava perdida olhando o asfalto e controlando as passadas lentas na difícil subida, vi uma enorme coruja de pedra, esculpida pelos séculos no alto de um enorme rochedo que domina a paisagem no montanhoso caminho de Teresópolis a Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
A estrada corta pequenas localidades, vales cultivados de hortaliças e morros. Subia um deles, pelo asfalto, quando arrisquei uma olhada em torno e, talvez pelo cansaço dos já mais de 30 quilômetros percorridos sob um solaço de seus 30 graus, talvez pelos vôos desconhecidos que o cérebro dá nesses momentos de exaustão, me encontrei com a coruja.
A montanha pelada, rocha pura, se erguia entre outras menos áridas, com algum verde, até árvores. Mas ela é imponente, seca, careca. No topo, duas enormes reentrâncias circulares separadas por uma saliência terminada em adunca ponta: não tem tirar nem por: são os olhos de pires e o bico rapinante das corujas dos campos, que sentam nos moirões de cerca nos fins de tarde, esperando a hora da caça.
Serpenteio meu corpo cansado pela estrada, muda o ângulo de visão, chego mais perto da montanha, e a rocha vai se transformando. A coruja vista se transforma, aos poucos, em uma caveira estilizada, tal e qual o símbolo do Fantasma, a marca do Espírito-que-Anda, herói de histórias em quadrinhos que lia nos meus tempos de guri.
Eu já tinha ultrapassado a metade dos 50 quilômetros da primeira edição da Supermaratona de Nova Friburgo, realizada no último domingo no circuito Tere-Fri, pois a estrada começa em Teresópolis, a cidade de Teresa, imperatriz de Brasil. Confiava que chegaria ao fim, mas as dores pelo corpo teimavam em tentar me desmentir. Se não chegasse, não seria surpresa num dia que tinha começado todo errado.
No sábado, o povo do hotel, indicado pela organização como "em frente ao ponto da largada", mal sabia da prova. Depois de vários telefonemas e consultas a outros corredores também ali hospedados, chegou-se a um consenso de que a largada seria na estrada, num ponto relativamente próximo ao hotel. Mas os kits, prometidos para a tarde do sábado, não foram entregues: deveriam ser retirados no dia seguinte, até as 6h30, para que tudo andasse certo e escorreito para a hora da largada, às 7h.
A partir das 6h20 de domingo, foi se formando o grupo de corredores no lugar indicado, em frente a um haras. A estrada estava vazia, a porteira aberta, mas ninguém por perto. passava o tempo, crescia o grupo, a desinformação também, assim como um início de revolta, indignação com a bagunça já instaurada, prenúncio de que coisas piores viriam.
Só às 6h55 chega o carro da organização com os kit remanescentes. Feita a entrega, conversa vai, conversa vem, o chefe da turma chamou para a largada. Cadê a largada?
Não havia pórtico nem faixa nem cones nem tijolos de pé, como as goleiras das peladas nos campinhos improvisados da infância. Uma moça, aparentemente a subchefe, toureava a turma, orientando os corredores para seguirem pela estrada e chamando o pessoal da segunda parte do revezamento (o evento incluía uma versão em duplas) para os ônibus.
Paramos, uns 200 corredores, num certo ponto, mas não era ali. Mais um pouco, mais um pouco, enfim o marco inicial. Tratava-se de uma faixa verde pintada no acostamento da estrada. Enfim acertados, aguardamos o sinal para a partida, que só veio às 7h27, quase meia hora perdida para o sol que subia e prometia crestar nossos costados.

E lá nos fomos, embalados por uma brisa agradável, ainda felizes e dispostos a enfrentar o que viesse. A tropa se largou a correr, eu fui ficando. trotava num grupinho que, aos poucos, se dispersava, pois o pessoal seguia uma passada mais forte. Eu me dizia para segurar o que fosse, que minha obrigação, se é que tinha alguma, era chegar até o fim. Com sorte, considerando o calorzão e o percurso cheio de subidas enormes, faria dentro das sete horas exigidas.
Continua...
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h41
Fritura de músculos
A paisagem ajudava. O coração da região montanhosa do Rio, nessa
parte mais central do estado, é a serra dos Órgãos, que abriga um parque
nacional e tem o famoso pico Dedo de Deus, visto no caminho da capital
fluminense a Teresópolis.
A estrada Tere-Fri também é arquibancada para maciços rochosos
imponentes; é no do Três Picos, desconfio, que milhões de anos de ventos e
chuvas esculpiram a tal coruja.
Mas o início é marcado por campos e vales cultivados. Os
verdes, escuros, claros, claríssimos, amarelados, amarronzados, tomam a terra.
Há alface, espinafre, agrião, cebolinha, tempero verde, tudo em plantações
retinhas, rasgando a paisagem em grandes tapetes retagulares, colchas de
retalhos feitas de vida.Nesse passo, os primeiros dez quilômetros se vão sem nem
sentir. Tinha cruzado pela localidade de Vieira, que se apresentou como seu
cemitério, primeira vista que tive da comunidade --como bom corredor cujo
espírito vagueia doidão da euforia apaixonada ao desânimo mais desenxavido,
achei que fosse sinal de coisa ruim.
Mas logo uma fuzarca me anima. Alto-falantes estridentes
anunciam a apresentação do circo Montreal. A atração da noite será a escolha da
mais bela moça de Vieira, com prêmio em dinheiro. E as crianças são bem-vindas,
com ingresso a apenas R$ 3.
Passo a lona mambembe e vou para Conquista, outra localidade no
rosário de vilazinhas que a estrada une. O nome, que vira numa placa lá atrás,
era incentivo. E as dificuldades do percurso também.
Para percorrer o segundo trecho de dez quilômetros, levo quase
20% a mais de tempo. Culpa de uma subida do 12 até o 14 e de uma escalada do 17
ao 20.

O prêmio é a chegada ao mirante Tere-Fri, supostamente o ponto
mais alto da estrada. De lá se via o vale e mais montanhas ao longe; como a
estrada serpenteia pela serra, nem sempre você tem a perspectiva da distância:
mais das vezes, tudo o que vê é a rocha ao seu lado e a entrada da próxima
curva.
Dali, uma longa descida marcou o início de um martelar mais
dolorido no calcanhar, que subia pela perna, cruzava o quadril e se instalava na
lombar, batucando nas hérnias devidamente protegidas por músculos treinados, mas
sempre sensíveis à repetição do choque.
Nas descidas, dizem que o impacto da pisada no chão é quatro
vezes maior. Digo de ouvir falar, mas pode ser uma vez e meia ou dez vezes, o
certo é que cada passada dói até nos dentes.
O remédio é correr, sim, mas controlar ainda mais o ritmo,
segurar as costas para que não desabem, montando no corpo uma fortaleza no
abdôme, protegendo a lombar e impedindo que a cabeça tombe e se transforme em
mais um peso a carregar.
A chamada hora do sol bom, quando os raios não são tão
perniciosos para o corpo humano, já se tinha ido. Nas montanhas, não é como nas
metrópoles: não há poluição tão densa funcionando como escudo contra o sol, que
colore o dia com tons de laranja e amarelo intensos, ilumina sem neblina,
encharca de luz o mundo e parece ter sido feito de encomenda para queimar a
cabeça, tostar as costas e fritar os músculos de corredores que teimem em
desafiar a distância, a serra e o calor.
Eu também já tinha passado a metade da prova, calculava que iria
fazer no tempo, mas as pernas reagiam ao pensamento. Olhava em torno, mandava
beijos para a Eleonora, que seguia de carro no apoio, incentivando e me fazendo
dar um trotinho mais forte a cada vez que a via. Mesmo assim, um canto de sereia
pérfida rondava meus ouvidos, chamando para parar, dizendo que eu precisava
descansar, argumentando que esse negócio não tinha sentido.
Ouvindo os reclames, eu mesmo tinha de concordar. Era loucura
fazer uma prova dessas sem ter treinado. Meu último longo, a dizer a verdade,
tinha sido a ultramaratona da Itália, cem quilômetros corridos em maio na região
da Toscana. depois daquela prova, tirara mais de um mês de descanso e engorda.
Vinha crescendo as distâncias, é certa, mas os treinos mal chegavam a hora e
meia, 60 ou 70 quilômetros por semana incluindo caminhadas.
Era nelas que eu confiava. Quando o trote era dolorido, passava
a caminhar, mas não forçado, derrotado, de cabeça baixa. De peito aberto e
cabeça erguida, costas arrumadas, procurava manter o ritmo mais rápido
possível.
As caminhadas me reconfortavam. Era um espécie de antídoto para
a promessa que fizera ao meu treinador, que pararia se sentisse as costas, o
quadril ou o pé; enfim, se tivesse dores, a ordem era parar. Mas quem não tem
dor ao correr 50 quilômetros? Precisava equilibrar o combate aos problemas com a
vontade de terminar.
Brigando comigo mesmo, fico pensando no que está acontecendo com
meu corpo. Bebi água em cada um dos postos de abastecimento, montados conforme o
prometido e fornidos com copinhos gelados ou, pelo menos, frescos. Tomei
carboidrato em gel a cada dez quilômetros, e não sentia fome. Sabia que
precisava beber mais água; ao mesmo tempo, temia o peso do líquido. Às vezes,
sentia nos lábios a secura do corpo e tinha de esperar mais um ou dois
quilômetros para molhar a boca: parecia mais importante jogar água na pele do
que beber.
Continua...
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h39
Socorro das montanhas

As subidas são minhas melhores amigas. Numa delas, quase na
metade, fizera minha primeira ultrapassagem, superando uma corredora do
revezamento. Não tem importância nenhuma, mas anima um pouco o espírito pensar
que você não é o último (ainda que seja...). Já depois do km 30, caminhando,
passo atletas que vinham resistindo no trote.
Além disso, elas são uma espécie de ponto de encontro. Faço uma
curva e, láááá de baixo, vislumbro vultos que estão lá no alto, no outro
extremo, vejo outros espalhados pela escalada. As subidas são uma lição de vida,
um ensinamento de humildade, um encontro com o desânimo e uma escalda para o
orgulho da conquista.
Na Supermaratona de Nova Friburgo, diga o que disser a
altimetria, o ponto mais alto é no 36, pico de uma lomba enorme, a mais dura,
dolorida, demorada. Lá no alto vejo gente parada, os que bebem água ou se
alimentam parecem não querer partir, recuperando-se do esforço e pensando no que
ainda há de vir.
Trotando e caminhando, passo o pequeno grupo de atletas mais
rápidos que descansavam. Sei que eles vão me alcançar mais tarde, mas, mesmo
assim, tento animar o ritmo na descida forte.
Uma dupla me alcança, o rapaz cumprimenta, a mulher comenta o
chão que já foi, o sol que está lá, o asfalto que ainda vem. E revela: "Já tive
para morrer duas vezes, não é isso que vai me derrubar". Bebê ainda, aos seis
meses de vida Elisa derrotou uma meningite; agora, havia poucos anos, já
corredora, uma queda lhe rasgara o braço. Espirrou sangue, mas não que bastasse
para o coração de atleta parar de bater.
Eles se vão, com augúrios de bom caminho, e eu fico contando os
quilômetros. A Eleonora me grita que falta só uma corridinha até o Ibirapuera;
eu sorrio, ergo os braços, faço sinal de positivo, mas lembro sem falar: tudo o
que falta ainda tem de ser corrido.
A maior vantagem de uma prova de 50 quilômetros é não ser de cem
quilômetros. Isso é uma grande ajuda e levanta o espírito quando você acha que
nada mais vai dar certo no dia, na sua vida, no planeta e na história da
humanidade. Outra grande vantagem é que você não corre os 50 de uma vez; ao
contrário, cada quilômetro é um só, fracote e fedorento (talvez menos que o
corredor, a essa altura do campeonato). Às vezes, cada quilômetro não passa
mesmo de um monte de metros, e o metro, como se sabe, é menor que um passo.
Coisa pouca.
Há que cumprir a distância, porém. A coluna me dói muito, mas é
de tempos em tempos. O pior é quando passo do trote mais rápido, em descida,
para a caminhada acelerada; parece um tranco. Trotar em ritmo mais forte também
não ajuda. O desafio é acertar um passo que me deixe cobrir a distância sem
manda arrepios para a lombar.
E os pés, os pés. Batucaram, a essa altura, mais de 40 mil vezes
no chão: estou chegando à marca da maratona. Passo por ela, e os pés me dizem
que sofrem. O calcanhar esquerdo parece socar direto o asfalto; o arco do mesmo
pé às vezes sofre um choque que vai estourar direto na orelha, fazendo ranger os
dentes.
Por que não posso parar? Falta pouco, cada vez menos: outra
grande vantagem da corrida: à medida que você voa, trota, corre, caminha, há
menos para percorrer.
Tem mais subida, tem mais sol, tem mais chão. A Eleonora grita
que falta só uma volta no Ibira, nem isso.
E a montanha me socorre de novo.
Desta vez, vejo um castor encarapitado no topo da rocha, me
olhando com as patinhas erguidas, com o focinho arreganhado num sorriso que é de
escárnio ou desafio. A mente voa, imaginando como os anos moldam as montanhas e
o que leva a gente a pensar que vê coisas que não vê.
É assim que chega o 48, a entrada de Nova Friburgo e o início do
trecho mais perigoso do percurso. Até ali, havíamos seguido sem proteção, mas o
movimento era pouco e o acostamento, razoavelmente largo; na cidade, numa
descida de um quilômetro serpenteando o morro, não tinha acostamento. No máximo,
um caminho de paralelepípedos à guisa de calçada.
Era por ali mesmo, batucando as pedras e ouvindo o zumbido dos
carros na descida, que tínhamos de seguir. Meus pés, aliviados por uma troca de
tênis havia poucos quilômetros, buscavam as pedras como se fossem massageadores.
No final da descida, Eleonora me esperava para um beijo e a última despedida até
a chegada.
Eu ia chegar.
O último quilômetro foi plano, trotado na malha urbana,
subindo em calçadas, dando mais uma caminhada para proteger as forças que
restavam e, enfim, eu poder gritar: "Eleonora, eu tô chegando", partindo
acelerado, forte, gritando, cantando, abraçando, beijando.
A corrida terminou ali, nos braços dela, mas a supermaratona
ainda não tinha acabado.
Continua...
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h33
Pelo correio
Ao final, ganhamos um kit, um saquinho com duas frutas e nenhuma
medalha. O pessoal da organização, que estava ali em volta, bem espalhado,
informava que cada um receberia um troféu, não uma medalha, e que a entrega
estava sendo feita em um pavilhão em frente.
Lá me fui para me entusiasmar com o belo troféu, daqueles de
segurar com as duas mãos e erguer os braços em festa. Ainda por cima,
personalizado: uma etiqueta impressa na hora informava o tempo, o nome do
corredor e sua colocação. Coisa muito fina, para ficar na sala em posto de
honra.
Isso se você conseguisse por a mão no seu. Havia uma muvuca
danada em volta do cercadinho onde estava sendo feita a tal entrega, a passos de
cágado febril. Aos poucos, fui conseguindo entender o processo gerador daquela
mixórdia.
Na chegada, auxiliares preenchiam uma folha com o nome de cada
atleta que terminava, seu tempo e colocação. À medida que cada página ia sendo
completada, era mandada para uma sala no fundão, onde a etiqueta era impressa.
Ou seja, a impressão era na hora, mais ou menos, mais para menos do que para
mais.
Uma vez impressa a etiqueta, era colocada no troféu;
quando havia uma média dúzia, alguém carregava o lote até a mesa. Daí o chefão
do processo lia o nome dos atletas, em séries de cinco, que subiam num
podiozinho. O chefão levava o papel para cada atleta, conferia o nome e ticava o
nome da lista; só então, entregava o troféu, e o grupo podia ser fotografado
para a posteridade.
Quando estavam entregando os troféus do povo que terminara por
volta de quatro horas e qualquer coisa, eu já indócil no aguardo no cercadinho,
vejo uma senhora avisar ao chefão do processo, em voz baixa: "Acabou a
tinta".
Deu para entender, então, por que alguns dos troféus mais
recentemente chegados tinham vindo sem a etiqueta. Protestos, reclamações,
promessas de que as etiquetas seriam mandada pelo correio, mas tudo ali
conversado, sem anúncios gerais para que todos percebessem o que ocorria e
pudessem se acalmar.
Segue o baile. Para tentar diminuir as tensões, uma manobra
diversionista. Uma subchefe orienta os que já têm troféu em mãos a formarem uma
fila para receber a camiseta de concluinte. Eu, ainda aguardando meu troféu,
cuja entrega segue em ritmo de lesma encarangada, me escabelo ainda mais
pensando na fila e perguntando aos meus alfinetes por que a entrega não havia
sido feita na chegada, como é comum acontecer?
Resumo da ópera. Depois de receber meu troféu, fui para a fila
da camiseta. A dita cuja acabou quando ainda havia uns dez sujeitos na minha
frente. Mas a fila continuou ainda mais vagarosa, pois agora o nome e endereço
de cada um era anotado, e cada um ouvia a promessa, "certeza", de que a camiseta
e a etiqueta seriam mandadas por correio.
Quem viver verá. O certo é que tenho mais 50 quilômetros nos
pés, num ano até agora só feito de ultramaratonas. Doídas, sofridas,
apaixonadas.
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h29
Começaram as confusões
Você, que acompanha este blog, já deve ter visto os comentários de leitores reclamando sobre problemas nas inscrições on-line para a São Silvestre 2007.
Os internautas tentam, mas não conseguem completar nem sequer a etapa de registro.
Como o número de e-mails sobre o assunto é crescente, resolvi tentar fazer minha inscrição. E, como os leitores, o processo não passou da segunda etapa: não consegui criar senha nem recuperar a dita cuja. Apareceu uma tela dizendo que o site não podia exibir a página.
Na verdade, não sei o que os caras querem que recupere, pois o processo começa sem cadastro e registro de senha. No meu caso, tenho cadastro na Yescom, e talvez o sistema pudesse puxá-lo, pois o software de registro é o daquela empresa (o endereço de validação começa com www.yescom.com.br).
Na página da Yescom, o link para a São Silvestre encaminha para o site oficial, ou seja, começa tudo de novo.
Falei com a empresa que tradicionalmente presta assessoria para a São Silvestre, e a resposta que obtive é que eles deverão fazer assessoria, mas ainda não está sacramentado, ou seja, a empresa não é porta-voz da prova.
Liguei para a Fundação Cásper Líbero e não tive resposta.
Via site, usei o botão Fale Conosco e, depois de passar por uma borrocracia enorme, cheia de registros e cadastros para enviar um simples e-mail, consegui mandar a mensagem.
Assim que souber mais, conto para você.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12
Muvuca que diverte
O solzão da primeiro dia da primavera recepcionou os 25 mil corredores que participaram da 15ª edição da Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, que costuma ser uma muvuca das boas, comm diversão e irritação garantida para todos os gostos.
Eu não acompanhei o evento, pois fui participar de uma prova de 50 km no Rio de Janeiro, mas colhi alguns relatos em fóruns de corredores, que confirmam o que disse acima.
Há gente que organiza a família em equipes, outros que se aproxima de colegas distantes para fazer uma festa corrida. Neste ano, a organização inverteu o percurso da prova, o que gerou algumas reclamações.
"Assim que largamos fomos para dentro do Ibirapuera --aquelas ruas eram muito estreitas pra tanta gente!! Mal dava pra correr", reclamou um atleta.
"A organização piorou as coisas ao inverter o sentido da prova, mas achei o resto bem organizado", argumenta outro.
Comentário de um que fez a prova em dupla: "Foram 2 voltas cheia de voltas... O percurso é muito chato: a gente ia pela 23 de Maio em direção ao aeroporto e voltava; daí, ia pela 23 de Maio em direção ao centro e voltava, ia novamente em direção ao aeroporto, e voltava de novo..."
Outras frases pescadas na rede mostram o caráter familiar da festa: "Completei minha volta e passei a pulseira para o namorado de minha filha (...) na seqüência acompanhei meu filho em sua volta, lançada cheia de energia e disposição (apesar dos meus conselhos para que maneirasse...rs), que duraram exatamente 1 Km, e depois fizemos a caminhada da família..."
Longe desse clima, a disputa foi acirrada entre os profissionais. Ontem, turbinada por Franck Caldeira, a equipe do Cruzeiro venceu, depois de longo predomínio da equipe BM&F/Pão de Açúcar.
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h45
Barreira humana

O polonês Marek Plawko salta sobre o norte-american James Carter, que levou o maior tombão na prova de 400m com barreiras (foto Reuters) no evento realizado no último final de semana em Sttutgart, Alemanha.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h40
Prestando atenção

A recordista mundial do salto com vara e vencedora da Liga de Ouro Yelena Isinbayeva vonversa com seu treinador antes de vencer sua prova na final em Sttutgart; a russa saltou 4,87 m (foto EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39
Efeito veloz

Na magia da câmera (foto Reuters), a imagem da alta velocidade na prova masculina dos 1.500 m, vencida pelo queniano Daniel Kipchirchir Komen (esq.).
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h38
Campeã comparece

A norte-americana Sanya Richards, que dividiu o prêmio de US$ 1 milhão da Liga de Ouro, em ação na final do Circuito Mundial da IAAF, no domingo em Stuttgart, Alemanha (EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h37
Momento mágico

Depois de alguns dias sem postar neste espaço (mas fiz um podcast que você pode conferir na Folha Online), trago para você essa belíssima imagem de um ciclista observando o pôr-do-sol em Brasília, que sofre com o calor e a falta de chuva (foto Ueslei Marcelino/Folha Imagem).
Aqui em São Paulo a coisa também tem sido dureza para enfrentar a secura do ar, a poluição terrível e o calorão. Hoje deu uma aliviada, e espero que continue assim no final de semana, pois temos provas sensacionais pelo Brasil afora, como o circuito de montanhas no Paraná e a Supermaratona de Nova Friburgo.
Em terras bandeirantes, acontece o que é talvez o maior evento de corridas de rua do ano (título disputado pela Nike 10, em novembro): a Maratona de Revezamento Pão de Açucar.
Há, segundo os organizadores, 25 mil inscritos na prova, que reúne equipes de 2, 4 e 8 corredores. Hoje, a região do Ibirapuera, onde o evento vai rolar, já estava fervilhando com os preparativos.
Espero que todos se divirtam e aproveitem bem o dia. Uma dica: procurem ir de metrô para evitar a confusão do trânsito.
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h26
Saiu o milhão

A velocista norte-americana Sanya Richards (dir., foto EFE) e a russa Yelena Isinbayeva, especialista no salto com vara, ficaram um pouquinho mais ricas hoje. Elas dividem o prêmio de US$ 1 milhão por terem vencido todas as seis etapas da Liga de Ouro 2007.
As disputas finais ocorreram hoje em Berlim, sob os aplausos de 70 mil pessoas que lotaram o estádio Olímpico.
A sexta vitória de Richards nos 400 m foi obtida com a marca de 49s27, a melhor do mundo neste ano. Esta é a segunda vez que a norte-americana vence a Liga de Ouro; no ano passado, dividiu o prêmio com outros três atletas, levando US$ 250 mil.
A russa Isinbayeva completou sua meia dúzia de conquistas com um salto de 4,82 m. Ela é campeã olímpica, bicampeã mundial e atual recordista mundial da prova, com 5,01 m.
A prova teve a participação da brasileira Fabiana Murer, que terminou empatada em sétimo lugar com a russa Yuliya Golubchikova, com a marca mais baixa entre as finalistas, 4,42 m. A melhor marca de Fabiana é 4,66 m, recorde sul-americano.
No salto triplo, o brasileiro Jadel Gregório conquistou a medalha de bronze neste domingo. Ele marcou 16,99 m, ficando atrás do campeão mundial, o cabo-verdiano naturalizado português Nelson Évora, e do norte-americano Aarik Wilson, que saltaram 17,07 m. Wilson levou o ouro e Évora, a prata.
Jadel, que é campeão pan-americano e vice-campeão mundial, continua com a melhor marca da temporada:17,90 m obtidos no GP de Belém, em maio, marca que destronou o recorde sul-americano, que era de João do Pulo e durava 32 anos.
Escrito por Rodolfo Lucena às 20h07
Seios em ação
Além do tênis adequado, um top esportivo é essencial para mulheres que correm, seja um trote lento e gradual, seja um tiro em alta velocidade. Sutiãs convencionais são inadequados, incapazes de dar o suporte necessário para conter o movimento dos seios.
Isso pode parecer óbvio para você, leitora corredora, mas saiba que são conclusões de uma pesquisa feita na Universidade de Portsmouth, Inglaterra.
O trabalho, conduzido pela cientista Joanna Scurr, concluiu que, durante o exercício, os seios se movimentam muito mais que estudos anteriores haviam constatado.
As sacudidelas chegam a 21 cm, e não a 16 cm, como já havia sido medido. O artigo em que estou baseando esta mensagem não explica como é medida a movimentação, mas imagino que seja a soma dos movimentos para cima, para baixo e para os lados.
Por causa dessa agitação toda, muitas mulheres sofrem dores nos seios durante a corrida, qualquer que seja a intensidade do treino. Aliás, segundo a pesquisa, mais da metade das corredoras sofrem com o problema.
Os sutiãs convencionais são feitos para sustentar os seios e controlar os movimentos para cima e para baixo, mas acontece que, conforme constatou a pesquisa liderada pela doutora Scurr, a movimentação é também para os lados e para fora e para dentro.
A dor provocada pelo atrito não é vinculada nem à intensidade do exercício nem ao tamanho dos seios. Uma mulher com seios pequenos pode ter tanto incômodo ou mais que uma de tamanho GG.
A pesquisa da cientista, que é feita em colaboração com fabricantes de peças íntimas da Inglaterra e de outros países, tem como objetivo buscar orientações, indicativos para projetar sutiãs esportivos que permitam que as mulheres façam exercício sem dor.
Scurr afirma haver estudos mostrando que o uso de tops esportivos adequados reduz ou acaba com as dores nos seios em cerca de 80% dos casos.
Mas a grande questão, diz ela, é por que até hoje há tão poucos estudos sobre o efeito do exercício nas mulheres, por que se sabe tão pouco sobre o movimento dos seios.
"A ciência esportiva tem sido dominada pelos homens, e, para eles, estudar seios é visto como algo um tanto risível. Para as mulheres, porém, é completamente razoável, pois elas podem perceber os benefícios".
Na verdade, a julgar pelo material que recebi das agências, o trabalho da doutora Scurr vem sendo recebido com seriedade não apenas pela indústria do vestuário esportivo como por fabricantes de tecidos ditos inteligentes e até as Forças Armadas.
O projeto de pesquisa, desenrolado ao longo de dois anos, envolve 70 mulheres com seios dos mais diversos tamanhos, de bem pequenos a bem grandes, recrutadas entre alunas e funcionárias da universidade, além de academias locais.
Escrito por Rodolfo Lucena às 19h37
Beijim, beijim

A atleta etíope Meseret Defar saúda o público depois de bater o recorde mundial das duas milhas ao correr 8min58s58 hoje no Memorial van Damme, meeting que se realiza na Bélgica (foto EFE).
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41
Sem lugar nem hora
Hoje fiz minha longa caminhada semanal, que me dá mais oportunidade para olhar as ruas, as pessoas, lojas, praças, o movimento da cidade.
De uma longa rampa no Sumarezinho, observei um sujeito treinando numa pequena praça encrustrada entre duas ruas de menos movimento, em forte desnível uma em relação à outra. A praça tem basicamente uma área de recreio para a criança, mais ao nível da rua de cima, uma platô intermediário com um retângulo livre de uns 15 metros por 50 (cálculo no olhômetro) e um talude gramado que desce para a tal rampona que eu subia.
Pois lá estava o sujeito, ainda mais velho que eu, mais alto, magro, careca. Trotava devagar em passos bem curtinhos, de um lado para outro. Às vezes, desaparecia da vista de quem estava cá embaixo, provavelmente porque fazia sua retinha do fundão para retornar e começar tudo de novo, sem pressa, sob uma gostosa sombra.
Quando vi o cara, já comecei a pensar: "Esse é doido, ficar correndo de lá para cá num espacinho desses... Se ele está na rua, por que não usa as calçadas, aproveita a liberdade?"
Mal me vi pensando essas bobagens, já me xinguei e corrigi, pois vai saber quais são as limitações ou vontades do cara. E quem disse que ele não está se divertindo à grande. Na verdade, é muito legal ter disposição para esquecer do mundo e simplesmente ficar rodando, devagar, num cantinho em que se está confortável.
E é legal perceber que correr, caminhar ou simplesmente ficar de bem consigo mesmo não tem lugar nem hora, nem regras nem padrões. Basta ir lá e fazer.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11
Muvuca geral
O site oficial da São Silvestre anuncia uma grande mudança para a prova deste ano: as mulheres vão largar mais tarde, às 16h45 (e não às 15h, como vinha acontecendo nos últimos anos), com uma diferença de apenas 15 minutos em relação à largada da prova masculina.
Isso tem um lado muito positivo, pois tira as mulheres do horário maldito que tinham de enfrentar. Ainda que, no alto verão, esses 105 minutos não fazem muita diferença, como é visto pelo sofrimento de todos na prova masculina. Mas sempre há mais chance de uma chuvinha amiga.
Em contrapartida, as mulheres terão de suportar uma muvuca das bravas, pois a homarada começa a se chegar com pelo menos uma hora de antecedência em relação ao horário de largada. Os mais previdentes chegam até hora e meia antes.
Já deu para perceber as chances de um desastre anunciado: calor, apertume, 2.000 mulheres entre 12 mil homens, hormônios à solta.
Para complicar as coisas, a diferença vale apenas para as mulheres da elite. Apesar de a primeira página do site oficial falar em prova feminina, o regulamento especifica que a primeira largada é só da elite feminina. O que vai originar o boa disputa de elites na etapa final da prova. E vai aumentar a muvuca da segunda largada, às 17h, com todo mundo.
Eis o que diz o regulamento: "1.4.2) CATEGORIA ELITE FEMININA LARGADA: a partir das 16h45 em pelotão único.
1.4.3) CATEGORIAS ELITE “A” , “B” e Especial C, Geral Masculina e Feminina. LARGADA: a partir das 17h00 em pelotões que se posicionarão de acordo com as respectivas categorias."
Espera-se que todos cumpram seu dever e que façam uma corrida com ordem, respeito e civilidade. Não será algo incomum, pois várias mulheres, por causa do clima, têm corrido sozinhas na prova masculina sem notícia de incidentes desagradáveis. E, ao longo da corrida, tudo deve ficar normal mesmo. O problema é o antes, a muvuca ampla, geral e irrestrita.
Bem, as inscrições já estão abertas AQUI ao preço de R$ 65.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h09
Teste - Mizuno Solarum
Vontade de tirar
A Mizuno lançou aqui no Brasil sua jaqueta de corrida musical, a Mizuno Solarum, que vem com toca-MP3 e uma bateria solar para recarregar o bichinho sem gastar energia elétrica. Convidei a médica oftalmologista CRISTIANE LEITE DE ALMEIDA, 32, para testar o equipamento. Ela participa de corridas de ruas há quatro anos, preferindo provas curtas, de até 12 quilômetros. E sempre usa seu toca-MP3 nos treinos. Leia a seguir a avaliação que ela fez.

"Testei a jaqueta para corridas da Mizuno, a Solarun. Ela vem em um kit composto por um toca-MP3 e um painel de placa solar. A tal bateria solar tem o objetivo de carregar ‘ecologicamente’ o toca-MP3 durante os treinos.
"O design do casaco é bonito, com zíperes refletores, bolsos estratégicos para colocar a bateria solar (nas costas) e o aparelho de MP3 (braço esquerdo), mantendo toda a fiação de conexão entre os dois devidamente escondida.
"Após dificuldades iniciais para a instalação do CD-ROM no computador (que não era reconhecido no drive D), entrei em contato com a assessoria da Mizuno e fui orientada que, para salvar as músicas nesse aparelho de MP3, não é necessário nenhum programa especial, e sua utilização é bem fácil. E não é que é verdade?
"Com as músicas salvas, parti, então, para o teste propriamente dito.
"Inicialmente a bateria solar demora um pouco para carregar (talvez devido aos dias nublados em São Paulo?), mas, depois, a alimentação do aparelho de MP3 ocorre tranqüilamente, desde que se esteja em um ambiente com boa iluminação externa (não necessariamente sob o sol).
"Pontos desfavoráveis? O preço é um pouco ‘salgado’ para uma jaqueta de corrida (em torno de R$ 500)...
"... E, na verdade, utilizar uma jaqueta para correr em um país com altas temperaturas como o Brasil me parece inviável. Não há como não sentir calor após alguns minutos de corrida, e sentir uma vontade irresistível de tirar o casaco e esquecer da placa solar...
"Mas foi bem legal a experiência do uso de uma fonte de energia renovável e não-poluente."
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h48
Boca seca
Os brasileiros tomaram de assalto a metrópole portenha para participar da bela e rápida corrida no domingo passado: cerca de 20% dos 5.000 participantes da Meia-maratona de Buenos Aires saíram de nossas plagas.
Muito divertido, e tal e coisa, e coisa e tal, mas a prova tão incensada deixou um gosto amargo em muita gente: faltou água em um dia muito quente.
"No Brasil e em outros países, nesse tipo de prova há água a cada três quilômetros", lembra o leitor Adilson Bachini, que participou da corrida argentina. "Nós corremos 21 quilômetros em um calor insuportável sem água. Era para ter a cada cinco quilômetros, e não teve".
Os organizadores argumentam que, como o dia estava muito quente, os atletas pegaram mais água do que o previsto. Ora, veja! Isso evidentemente não é desculpa. Eles precisam estar espertos, precisam sempre ter um plano B, e não fazer o atleta pagar pela sua imprevidência.
Como diz o prezado leitor, que é consultor imobiliário e corre há seis anos: "Não sou de reclamar nem de questionar, mas isso foi um absurdo".
Tomara que os organizadores da prova sejam mais organizados no futuro, pois é uma corrida bonita, que atrai muita gente daqui.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h08
Erros e acertos
Meu feriadão começou tal como planejado: já com o chip e o número, nem precisei acordar tão cedo para chegar na hora exata para a Corrida da Independência, com largada e chegada na histórica área do Museu do Ipiranga, em São Paulo.
A corrida foi muito bem organizada. O percurso é muito semelhante ao da prova dos Bombeiros, mas começa dentro do parque da Independência, então tem algumas centenas de metros de mais beleza e mais árvores, assim como mais subidas e descidas curtas e relativamente íngremes.
O dia estava mais quente do que quando da prova dos Bombeiros, mas nada desesperador. Havia água gelada em postos em todos os quilômetros pares, o que é até um exagero, mas de qualquer forma atesta o respeito pela saúde e bem-estar dos corredores. Os postos era longos, outro conforto.
Encontrei o Roberto Losada, que talvez você conheça das corridas paulistanas. É um ultramaratonista, criador (acho) da equipe dos Tartarugas, que anima as corridas com suas brincadeiras, sempre incentivando o pessoal mais lento a ir até o fim. Por causa de seu grito de guerra, é também conhecido como Cachorrão. E por causa dos cabelos, alguns o têm por Jesus Cristo. Aliás, ele é tema de uma comunidade do Orkut (Eu vi Jesus Cristo).
Vi um senhor passando mal, mas estava recebendo apoio. espero que esteja tudo bem.
No final, que para mim chegou sem suor depois de 1h01, a prova também passou no teste da entrega do kit: sem confusões e com isotônico gelado. Não tinha fruta nem sanduba, mas também não tinha fila.
Foi só passar uma toalha no corpo, botar uma camisa seca e tocar para o litoral. Se você não lembra, eu estava inscrito em quatro provas para fazer uma fieira de medalhas no final de semana. Além da corrida no Ipiranga, faria uma em São Sebastião na tarde do dia 7, outra em Peruíbe no sábado e uma em São Vicente neste domingão.
Antes mesmo de sair da Marginal, já decidi cair fora de São Sebastião, para não ter de enfrentar tanto trânsito e também não fazer um trajeto meio doido no feriadão, indo até o norte, cruzando depois mais um monte de quilômetros até Peruíbe.
Isso que eu não esperava aquele engarrafamento pai e mãe de todos os engarrafamentos da história. Imaginava que, às 10h, todo mundo já tivesse saído e eu iria pegar a estrada com movimento, trânsito até pesado, mas algo suportável.
Ledo e ivo engano, como diria o outro. Com três horas de estrada, não estava nem na metade do caminho para São vicente, meu ânimo e humor já estavam abaixo da crítica, e a fome fazia retorcer meus vermes internos.
Resumo da ópera: chegamos a São Vicente depois de seis horas de estrada, tendo comido, desde o final da prova, apenas uma goiaba. Almojantamos um ótimo filé de peixe e fomos caminhar na praia.
São Vicente, que eu mal conhecia, apesar de estar já há mais de 20 anos em São Paulo, é um lugarzinho bem bonito. A vista a partir do monumento projetado por Niemeyer é muito bacana, a praia é boa de correr e pára por aí.
O mar é sujíssimo e o trânsito é insuportável. Para completar, estava frio.
Na manhã seguinte, dia da prova em Peruíbe, acordamos cedo para uma gostosa caminhada na praia. Depois, um cafezão e um santo descanso. E a decisão: chega de praia neste fim de semana. Vou deixar para outra vez as medalhas de Peruíbe e São Vicente, porque não quero mais saber de horas no sol e na estrada.
Belíssima iniciativa. Chegamos a São Paulo em menos de uma hora, pegamos uns filmes na locadora e ficamos em paz.
Hoje fiz um treininho básico, às 7h, com solzinho fraco, ventinho gostoso, quase ninguém na rua. Uma maravilha. São Paulo, já disse alguém, tem ótimo trânsito nos feriadões. De fato.
PS.: Conte para a gente como foi seu feriadão
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53
Agora é para valer

O jamaicano Asafa Powell mandou ver hoje no Meeting de atletismo de Rieti, na Itália, e quebrou seu próprio recorde mundial nos 100 m rasos (foto EFE).
Ele tinha feito 9s77 em 2005, mas amargava o fato de a marca ser compartilhada pelo americano Justin Gatlin, que não levou porque foi pego no doping.
Agora, não tem para ninguém: o jamaicano cravou 9s74 e dá a volta por cima em um em que vinha amargando resultados pouco auspiciosos.
Recentemente, no Mundial de atletismo em Osaka, por exemplo, saiu mandando a maior brasa nos 100 m, mas pouco depois da metade foi ultrapassado pelo americano Tyson Gay, que levou o ouro. Tão abatido ficou que deixou até a prata escapar, e o segundo lugar no Mundial ficou com Derrick Atkins, das Bahamas.
O novo recorde mundial foi estabelecido por Powell em uma das semifinais do Meeting de Rieti; o segundo colocado, o norueguês Jaysauma Saidy Ndure, marcou 10s07.
Na final, menos de duas horas depois de ter estabelecido o novo recorde, o jamaicano tirou o pé do acelerador e levou o ouro com 9s78.
Única brasileira a participar do Meeting de Rieti, Keila Costa terminou em sexto no salto triplo, com 14,45 m. A cubana Yargelis Savigne, que levou o ouro no Pan do Rio, também foi a primeira na Itália, com 14,92 m.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h25
Frio e chuva
Estou agora no aeroporto, me despedindo de Berlim, sob uma chuvinha intermitente que, desde ontem, veio e foi, veio e foi, atrapalhando um pouco meus planos desses últimos dias de jornada germânica.
Devo dizer que adorei Berlim. Eta cidadezinha boa de correr. Tudo é plano, as calçadas são largas, há muito verde, tem alamedas ao lado do rio, os carros respeitam a gente, enfim, só tenho coisas boas nos meus pés já saudosos dos treinos berlinenses.
Não é legal apenas por ser uma cidade européia, rica, desenvolvida, de bem consigo mesma. É que o povo por aqui é desencanado, não dá muita bola para nada. Todo mundo educado, mas cada um na sua, cada um esperando que o outro também haja direito, o que parece muito bom.
O custo de vida me pareceu mais baixo que em outras cidades européias, e em todo o lugar dão o troco certo.
É meio estranho, porém, estar numa cidade ocidental e não entender nada ou quase nada do que eles falam. As palavras escritas às vezes eu consigo decifrar, ainda mais com o parco alemão que trago de família, mas quando os caras desandam a falar é uma tristeza.
Eles estão no fim do verão (no domingo, passei por uma sommer fest infantil). Você precisa ver o tamanho dos casacos que eles usam para sair às ruas nestes dias de verão (he, he).
Bueno. É isso. Aprendi um monte na feira que cobri (você pode ver a cobertura no meu outro blog, www.folha.com.br/circuitointegrado, e no caderno Informática desta quarta-feira) e corri bastante pelas ruas da cidade. Não deu para participar de nenhuma prova, mas foi muito divertido.
Ah, estive numa loja de esportes e os caras tinha uma superpromoção: uma câmara de ar rarefeito em que você podia treinar de graça, preparando-se para a maratona de Berlim (que é no fim do mês) como se estivesse treinado em altitude. Bastava se inscrever e chegar na hora; havia duas esteiras na câmara, e o pessoal trocava de roupa na loja mesmo.
Não experimentei. Segundo o atendente, para fazer efeito são necessários pelos menos dez dias de treino na câmara; o treinamento pára cerca de dez dias antes da prova-alvo.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h37
Feriadão corrido
Quem quer aproveitar o feriadão que começa no Dia da Independência para ganhar mais medalhas tem fartura de opções.
Os que moram no rio, por exemplo, podem começar o 7 de Setembro com uma prova nova, a 1º Corrida Rústica e Caminhada da Pátria. O percurso é velho, no Aterro do Flamengo, é a distância é curta: seis quilômetros para caminhar ou correr.
Os que preferem mais esforço podem se inscrever na IV Minimaratona da Lagoa Rodrigo de Freitas, que no momento em que escrevo ainda tem vagas para a prova de 15 km.
Para quem não tem tantas belezas, resta começar o dia paulistano com o VI Troféu da Independência Carrefour Viver 10 Km, que é lá em volta do museu do Ipiranga.
Daí, aproveite que todo mundo já terá descido para o litoral e vá você atrás de umas corridinhas na praia.
Se a prova da manhã não deu para cansar, estique até São Sebastião, onde à tarde tem a 23ª Prova Pedestre 7 de Setembro.
Descanse bem e, no dia seguinte, tome uma café da manhã reforçado, relaxe na praia e, à tarde, enfrente uma estrada até Peruíbe, onde rola o Circuito Peruíbe de Corridas.
Para completar a caçada de medalhas, no domingão você acorda mais cedo e corre a 1ª Prova Ecológica 10 Km Ilha Porchat São Vicente-SP, que promete ser muito bonita.
Eu estou inscrito nas quatro provas paulistas que citei, mas não sei se vou ter vontade de fazer todas. Vamos ver como serão os dias.
Bom, os links para as provas estão nos nomes de cada uma delas; a de São Vicente estava com as inscrições fechadas, mas acho que, se você entrar em contato diretamente com a organização, ainda consegue uma vaguinha.
Boa sorte e bom feriadão.
PS.: Só para lembrar: a gente continua trabalhando até lá, colocando novidades neste blog. Portanto, não deixe de visitar este espaço.
Escrito por Rodolfo Lucena às 05h12
Elegância premiada
Demorou, mas finalmente Catherine Ndereba voltou a vencer uma maratona importante, ainda que não rápida.
Ex-recordista mundial, a queniana vinha beliscando tudo desde 2001, mas parecia não conseguir chegar lá. Claro que teve resultados importantes, mas, para o pessoal que compete nesse nível, só existe o primeiro lugar.
Em Osaka, as mulheres fizeram o que provavelmente foi uma das mais emocionantes e parelhas provas da história. Infelizmente, não pude assistir pela TV, mas posso imaginar só de acompanhar os tempos intermediários.
Elas correram praticamente todo o tempo em grandes pelotões. Na metade da prova, por exemplo, Ndereba estava no lugar 25, mas a apenas dois segundos da primeira colocada.
No km 25, 18 corredoras estão entre 1h30min50 e 1h30min51. No km 30, sete atletas estão no mesmo segundo; Ndereba fica um segundinho atrás, em nono lugar e mantendo a calma.
Mais cinco quilômetros e ela assume o quarto posto, para chegar no km 40 ao lado da líder Chunchiu Zhou, as duas no mesmo segundo.
Mas a experiência da queniana falou mais alto, e ela terminou oito segundo à frente da chinesa.
Para saber mais sobre a elegante Ndereba, leia AQUI uma entrevista que fiz com ela em 2001.
E, apenas para registro, pois provavelmente você já viu: não deu para o quarteto brasileiro. Ficou mesmo em quarto lugar, sem medalha, com mais experiência.
Aliás, a única medalha brasileira em Osaka foi mesmo a de Jadel, já comentada aqui. O negócio é treinar mais, dar mais incentivo, investir nos atletas, se é que a CBAT quer medalhas em Pequim.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h00
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 52, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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