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Beijim, beijim

A atleta etíope Meseret Defar saúda o público depois de bater o recorde mundial das duas milhas ao correr 8min58s58 hoje no Memorial van Damme, meeting que se realiza na Bélgica (foto EFE).
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h41
Sem lugar nem hora
Hoje fiz minha longa caminhada semanal, que me dá mais oportunidade para olhar as ruas, as pessoas, lojas, praças, o movimento da cidade.
De uma longa rampa no Sumarezinho, observei um sujeito treinando numa pequena praça encrustrada entre duas ruas de menos movimento, em forte desnível uma em relação à outra. A praça tem basicamente uma área de recreio para a criança, mais ao nível da rua de cima, uma platô intermediário com um retângulo livre de uns 15 metros por 50 (cálculo no olhômetro) e um talude gramado que desce para a tal rampona que eu subia.
Pois lá estava o sujeito, ainda mais velho que eu, mais alto, magro, careca. Trotava devagar em passos bem curtinhos, de um lado para outro. Às vezes, desaparecia da vista de quem estava cá embaixo, provavelmente porque fazia sua retinha do fundão para retornar e começar tudo de novo, sem pressa, sob uma gostosa sombra.
Quando vi o cara, já comecei a pensar: "Esse é doido, ficar correndo de lá para cá num espacinho desses... Se ele está na rua, por que não usa as calçadas, aproveita a liberdade?"
Mal me vi pensando essas bobagens, já me xinguei e corrigi, pois vai saber quais são as limitações ou vontades do cara. E quem disse que ele não está se divertindo à grande. Na verdade, é muito legal ter disposição para esquecer do mundo e simplesmente ficar rodando, devagar, num cantinho em que se está confortável.
E é legal perceber que correr, caminhar ou simplesmente ficar de bem consigo mesmo não tem lugar nem hora, nem regras nem padrões. Basta ir lá e fazer.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11
Muvuca geral
O site oficial da São Silvestre anuncia uma grande mudança para a prova deste ano: as mulheres vão largar mais tarde, às 16h45 (e não às 15h, como vinha acontecendo nos últimos anos), com uma diferença de apenas 15 minutos em relação à largada da prova masculina.
Isso tem um lado muito positivo, pois tira as mulheres do horário maldito que tinham de enfrentar. Ainda que, no alto verão, esses 105 minutos não fazem muita diferença, como é visto pelo sofrimento de todos na prova masculina. Mas sempre há mais chance de uma chuvinha amiga.
Em contrapartida, as mulheres terão de suportar uma muvuca das bravas, pois a homarada começa a se chegar com pelo menos uma hora de antecedência em relação ao horário de largada. Os mais previdentes chegam até hora e meia antes.
Já deu para perceber as chances de um desastre anunciado: calor, apertume, 2.000 mulheres entre 12 mil homens, hormônios à solta.
Para complicar as coisas, a diferença vale apenas para as mulheres da elite. Apesar de a primeira página do site oficial falar em prova feminina, o regulamento especifica que a primeira largada é só da elite feminina. O que vai originar o boa disputa de elites na etapa final da prova. E vai aumentar a muvuca da segunda largada, às 17h, com todo mundo.
Eis o que diz o regulamento: "1.4.2) CATEGORIA ELITE FEMININA LARGADA: a partir das 16h45 em pelotão único.
1.4.3) CATEGORIAS ELITE “A” , “B” e Especial C, Geral Masculina e Feminina. LARGADA: a partir das 17h00 em pelotões que se posicionarão de acordo com as respectivas categorias."
Espera-se que todos cumpram seu dever e que façam uma corrida com ordem, respeito e civilidade. Não será algo incomum, pois várias mulheres, por causa do clima, têm corrido sozinhas na prova masculina sem notícia de incidentes desagradáveis. E, ao longo da corrida, tudo deve ficar normal mesmo. O problema é o antes, a muvuca ampla, geral e irrestrita.
Bem, as inscrições já estão abertas AQUI ao preço de R$ 65.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h09
Teste - Mizuno Solarum
Vontade de tirar
A Mizuno lançou aqui no Brasil sua jaqueta de corrida musical, a Mizuno Solarum, que vem com toca-MP3 e uma bateria solar para recarregar o bichinho sem gastar energia elétrica. Convidei a médica oftalmologista CRISTIANE LEITE DE ALMEIDA, 32, para testar o equipamento. Ela participa de corridas de ruas há quatro anos, preferindo provas curtas, de até 12 quilômetros. E sempre usa seu toca-MP3 nos treinos. Leia a seguir a avaliação que ela fez.

"Testei a jaqueta para corridas da Mizuno, a Solarun. Ela vem em um kit composto por um toca-MP3 e um painel de placa solar. A tal bateria solar tem o objetivo de carregar ‘ecologicamente’ o toca-MP3 durante os treinos.
"O design do casaco é bonito, com zíperes refletores, bolsos estratégicos para colocar a bateria solar (nas costas) e o aparelho de MP3 (braço esquerdo), mantendo toda a fiação de conexão entre os dois devidamente escondida.
"Após dificuldades iniciais para a instalação do CD-ROM no computador (que não era reconhecido no drive D), entrei em contato com a assessoria da Mizuno e fui orientada que, para salvar as músicas nesse aparelho de MP3, não é necessário nenhum programa especial, e sua utilização é bem fácil. E não é que é verdade?
"Com as músicas salvas, parti, então, para o teste propriamente dito.
"Inicialmente a bateria solar demora um pouco para carregar (talvez devido aos dias nublados em São Paulo?), mas, depois, a alimentação do aparelho de MP3 ocorre tranqüilamente, desde que se esteja em um ambiente com boa iluminação externa (não necessariamente sob o sol).
"Pontos desfavoráveis? O preço é um pouco ‘salgado’ para uma jaqueta de corrida (em torno de R$ 500)...
"... E, na verdade, utilizar uma jaqueta para correr em um país com altas temperaturas como o Brasil me parece inviável. Não há como não sentir calor após alguns minutos de corrida, e sentir uma vontade irresistível de tirar o casaco e esquecer da placa solar...
"Mas foi bem legal a experiência do uso de uma fonte de energia renovável e não-poluente."
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h48
Boca seca
Os brasileiros tomaram de assalto a metrópole portenha para participar da bela e rápida corrida no domingo passado: cerca de 20% dos 5.000 participantes da Meia-maratona de Buenos Aires saíram de nossas plagas.
Muito divertido, e tal e coisa, e coisa e tal, mas a prova tão incensada deixou um gosto amargo em muita gente: faltou água em um dia muito quente.
"No Brasil e em outros países, nesse tipo de prova há água a cada três quilômetros", lembra o leitor Adilson Bachini, que participou da corrida argentina. "Nós corremos 21 quilômetros em um calor insuportável sem água. Era para ter a cada cinco quilômetros, e não teve".
Os organizadores argumentam que, como o dia estava muito quente, os atletas pegaram mais água do que o previsto. Ora, veja! Isso evidentemente não é desculpa. Eles precisam estar espertos, precisam sempre ter um plano B, e não fazer o atleta pagar pela sua imprevidência.
Como diz o prezado leitor, que é consultor imobiliário e corre há seis anos: "Não sou de reclamar nem de questionar, mas isso foi um absurdo".
Tomara que os organizadores da prova sejam mais organizados no futuro, pois é uma corrida bonita, que atrai muita gente daqui.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h08
Erros e acertos
Meu feriadão começou tal como planejado: já com o chip e o número, nem precisei acordar tão cedo para chegar na hora exata para a Corrida da Independência, com largada e chegada na histórica área do Museu do Ipiranga, em São Paulo.
A corrida foi muito bem organizada. O percurso é muito semelhante ao da prova dos Bombeiros, mas começa dentro do parque da Independência, então tem algumas centenas de metros de mais beleza e mais árvores, assim como mais subidas e descidas curtas e relativamente íngremes.
O dia estava mais quente do que quando da prova dos Bombeiros, mas nada desesperador. Havia água gelada em postos em todos os quilômetros pares, o que é até um exagero, mas de qualquer forma atesta o respeito pela saúde e bem-estar dos corredores. Os postos era longos, outro conforto.
Encontrei o Roberto Losada, que talvez você conheça das corridas paulistanas. É um ultramaratonista, criador (acho) da equipe dos Tartarugas, que anima as corridas com suas brincadeiras, sempre incentivando o pessoal mais lento a ir até o fim. Por causa de seu grito de guerra, é também conhecido como Cachorrão. E por causa dos cabelos, alguns o têm por Jesus Cristo. Aliás, ele é tema de uma comunidade do Orkut (Eu vi Jesus Cristo).
Vi um senhor passando mal, mas estava recebendo apoio. espero que esteja tudo bem.
No final, que para mim chegou sem suor depois de 1h01, a prova também passou no teste da entrega do kit: sem confusões e com isotônico gelado. Não tinha fruta nem sanduba, mas também não tinha fila.
Foi só passar uma toalha no corpo, botar uma camisa seca e tocar para o litoral. Se você não lembra, eu estava inscrito em quatro provas para fazer uma fieira de medalhas no final de semana. Além da corrida no Ipiranga, faria uma em São Sebastião na tarde do dia 7, outra em Peruíbe no sábado e uma em São Vicente neste domingão.
Antes mesmo de sair da Marginal, já decidi cair fora de São Sebastião, para não ter de enfrentar tanto trânsito e também não fazer um trajeto meio doido no feriadão, indo até o norte, cruzando depois mais um monte de quilômetros até Peruíbe.
Isso que eu não esperava aquele engarrafamento pai e mãe de todos os engarrafamentos da história. Imaginava que, às 10h, todo mundo já tivesse saído e eu iria pegar a estrada com movimento, trânsito até pesado, mas algo suportável.
Ledo e ivo engano, como diria o outro. Com três horas de estrada, não estava nem na metade do caminho para São vicente, meu ânimo e humor já estavam abaixo da crítica, e a fome fazia retorcer meus vermes internos.
Resumo da ópera: chegamos a São Vicente depois de seis horas de estrada, tendo comido, desde o final da prova, apenas uma goiaba. Almojantamos um ótimo filé de peixe e fomos caminhar na praia.
São Vicente, que eu mal conhecia, apesar de estar já há mais de 20 anos em São Paulo, é um lugarzinho bem bonito. A vista a partir do monumento projetado por Niemeyer é muito bacana, a praia é boa de correr e pára por aí.
O mar é sujíssimo e o trânsito é insuportável. Para completar, estava frio.
Na manhã seguinte, dia da prova em Peruíbe, acordamos cedo para uma gostosa caminhada na praia. Depois, um cafezão e um santo descanso. E a decisão: chega de praia neste fim de semana. Vou deixar para outra vez as medalhas de Peruíbe e São Vicente, porque não quero mais saber de horas no sol e na estrada.
Belíssima iniciativa. Chegamos a São Paulo em menos de uma hora, pegamos uns filmes na locadora e ficamos em paz.
Hoje fiz um treininho básico, às 7h, com solzinho fraco, ventinho gostoso, quase ninguém na rua. Uma maravilha. São Paulo, já disse alguém, tem ótimo trânsito nos feriadões. De fato.
PS.: Conte para a gente como foi seu feriadão
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h53
Agora é para valer

O jamaicano Asafa Powell mandou ver hoje no Meeting de atletismo de Rieti, na Itália, e quebrou seu próprio recorde mundial nos 100 m rasos (foto EFE).
Ele tinha feito 9s77 em 2005, mas amargava o fato de a marca ser compartilhada pelo americano Justin Gatlin, que não levou porque foi pego no doping.
Agora, não tem para ninguém: o jamaicano cravou 9s74 e dá a volta por cima em um em que vinha amargando resultados pouco auspiciosos.
Recentemente, no Mundial de atletismo em Osaka, por exemplo, saiu mandando a maior brasa nos 100 m, mas pouco depois da metade foi ultrapassado pelo americano Tyson Gay, que levou o ouro. Tão abatido ficou que deixou até a prata escapar, e o segundo lugar no Mundial ficou com Derrick Atkins, das Bahamas.
O novo recorde mundial foi estabelecido por Powell em uma das semifinais do Meeting de Rieti; o segundo colocado, o norueguês Jaysauma Saidy Ndure, marcou 10s07.
Na final, menos de duas horas depois de ter estabelecido o novo recorde, o jamaicano tirou o pé do acelerador e levou o ouro com 9s78.
Única brasileira a participar do Meeting de Rieti, Keila Costa terminou em sexto no salto triplo, com 14,45 m. A cubana Yargelis Savigne, que levou o ouro no Pan do Rio, também foi a primeira na Itália, com 14,92 m.
Escrito por Rodolfo Lucena às 15h25
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PERFIL
Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).
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