Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

São Silvestre 2007

Chegou a senha

Na terça-feira, 25, tentei, sem sucesso, fazer minha inscrição na São Silvestre. Não pretendo correr a prova, mas queria testar o sistema de inscrições, porque vinha recebendo muitas reclamações de leitores.

De fato, como relatei, o sistema não funcionou. Mandei uma reclamação pelo sistema de e-mail do site, como também tinha enviado o pedido de senha, apesar de estar registrado na Yescom.

Pois bem, hoje, três dias depois, recebi a senha. Fui tentar de novo e, desta vez, o processo funcionou.

Antes de receber a senha, havia recebido mensagem da assessoria de imprensa da São Silvestre. Dizia: "A ferramenta de inscrição é a mesma usada pela Yescom nas principais provas do Brasil. Para a perfeita utilização do processo de inscrição é necessário desabilitar o bloqueador de pop-up, conforme instrução no site".

Ou seja, a culpa é do corredor que não sabe fazer sua inscrição.

Retruquei que não era esse o problema --ou não parecia ser, pois não apenas o bloqueador de pop-ups estava desativado como a mensagem de erro apareceu em um ... pop-up-- e até agora não tive resposta, mas ela vai chegar, acredito.

De qualquer forma, no teste feito hoje, o sistema de inscrição funcionou.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h37

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Volkswagen Run

Pneu furado

A primeira Volkswagen Run, marcada para este domingo nas instalações da montadora, em São Bernardo, promete ser muito interessante. Mas também há prenúncios de problemas.

A inscrição para a prova indicava o contrário, um show de boa organização. Você deveria retirar o kit antecipadamente, o que é muito saudável, e podia escolher entre vários endereços de revendedoras da marca, o que também é legal e contribui, em tese, para a redução das filas comuns nesses eventos.

Na quarta-feira, dia 26, recebi e-mail dizendo que meu kit (como os de todos os outros corredores, é claro), estaria disponível do dia 27 ao dia 29, em horário comercial (portanto, a partir das 8h ou, mais tarde, a partir das 10h) no local que eu havia escolhido.

Fiquei surpreso com a gentil mensagem, incomum nesse mundinho nem sempre muito organizado, mas resolvi dar algumas horas a mais para que o meu kit chegasse ao local indicado.

Quando lá cheguei, não havia fila. Apenas um sujeito ocupava os dois atendentes, entrincheirados num canto da loja. Eu vou me aproximando e notando que o diálogo entre eles não indica satisfação.

Claro. Já deu problema, pensei eu, substituindo problema por uma palavra menos elegante.

Bom, em vez de chegar e retirar meu kit, tive de agüentar a querela do colega corredor, que tinha ido buscar uns três kits, pelo que eu percebi, e o que tinha chegada tinha o número certo, mas o nome errado (o número de peito vem com seu nome); os outros nem tinham aparecido.

Conversa vai, conversa vem, enfim o cara sai com a sacolinha com uma camiseta, um bonequinho de um patrocinador e mais papelada.

Chega a minha vez.

Para encurtar a história, meu número não estava lá, meu chip não estava lá, e eu saí com uma sacolinha tal e qual, mais um papel em que os atendentes admitiam o erro, orientando para que a retirada fosse feita no dia da prova. Ou seja, exatamente o que toda a suposta bem estruturada organização pretendia evitar. E, no que tange à minha observação de entrega de kits, 100% de falha.

Vamos ver o que a prova nos reserva.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h28

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1ª Supermaratona de Nova Friburgo - 1ª parte

Pintura no acostamento

 

Quando levantei a cabeça, que estava perdida olhando o asfalto e controlando as passadas lentas na difícil subida, vi uma enorme coruja de pedra, esculpida pelos séculos no alto de um enorme rochedo que domina a paisagem no montanhoso caminho de Teresópolis a Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

A estrada corta pequenas localidades, vales cultivados de hortaliças e morros. Subia um deles, pelo asfalto, quando arrisquei uma olhada em torno e, talvez pelo cansaço dos já mais de 30 quilômetros percorridos sob um solaço de seus 30 graus, talvez pelos vôos desconhecidos que o cérebro dá nesses momentos de exaustão, me encontrei com a coruja.

A montanha pelada, rocha pura, se erguia entre outras menos áridas, com algum verde, até árvores. Mas ela é imponente, seca, careca. No topo, duas enormes reentrâncias circulares separadas por uma saliência terminada em adunca ponta: não tem tirar nem por: são os olhos de pires e o bico rapinante das corujas dos campos, que sentam nos moirões de cerca nos fins de tarde, esperando a hora da caça.

Serpenteio meu corpo cansado pela estrada, muda o ângulo de visão, chego mais perto da montanha, e a rocha vai se transformando. A coruja vista se transforma, aos poucos, em uma caveira estilizada, tal e qual o símbolo do Fantasma, a marca do Espírito-que-Anda, herói de histórias em quadrinhos que lia nos meus tempos de guri.

Eu já tinha ultrapassado a metade dos 50 quilômetros da primeira edição da Supermaratona de Nova Friburgo, realizada no último domingo no circuito Tere-Fri, pois a estrada começa em Teresópolis, a cidade de Teresa, imperatriz de Brasil. Confiava que chegaria ao fim, mas as dores pelo corpo teimavam em tentar me desmentir. Se não chegasse, não seria surpresa num dia que tinha começado todo errado.

No sábado, o povo do hotel, indicado pela organização como "em frente ao ponto da largada", mal sabia da prova. Depois de vários telefonemas e consultas a outros corredores também ali hospedados, chegou-se a um consenso de que a largada seria na estrada, num ponto relativamente próximo ao hotel. Mas os kits, prometidos para a tarde do sábado, não foram entregues: deveriam ser retirados no dia seguinte, até as 6h30, para que tudo andasse certo e escorreito para a hora da largada, às 7h.

A partir das 6h20 de domingo, foi se formando o grupo de corredores no lugar indicado, em frente a um haras. A estrada estava vazia, a porteira aberta, mas ninguém por perto. passava o tempo, crescia o grupo, a desinformação também, assim como um início de revolta, indignação com a bagunça já instaurada, prenúncio de que coisas piores viriam.

Só às 6h55 chega o carro da organização com os kit remanescentes. Feita a entrega, conversa vai, conversa vem, o chefe da turma chamou para a largada. Cadê a largada?

Não havia pórtico nem faixa nem cones nem tijolos de pé, como as goleiras das peladas nos campinhos improvisados da infância. Uma moça, aparentemente a subchefe, toureava a turma, orientando os corredores para seguirem pela estrada e chamando o pessoal da segunda parte do revezamento (o evento incluía uma versão em duplas) para os ônibus.

Paramos, uns 200 corredores, num certo ponto, mas não era ali. Mais um pouco, mais um pouco, enfim o marco inicial. Tratava-se de uma faixa verde pintada no acostamento da estrada. Enfim acertados, aguardamos o sinal para a partida, que só veio às 7h27, quase meia hora perdida para o sol que subia e prometia crestar nossos costados.

E lá nos fomos, embalados por uma brisa agradável, ainda felizes e dispostos a enfrentar o que viesse. A tropa se largou a correr, eu fui ficando. trotava num grupinho que, aos poucos, se dispersava, pois o pessoal seguia uma passada mais forte. Eu me dizia para segurar o que fosse, que minha obrigação, se é que tinha alguma, era chegar até o fim. Com sorte, considerando o calorzão e o percurso cheio de subidas enormes, faria dentro das sete horas exigidas.

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h41

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1ª Supermaratona de Nova Friburgo - 2ª parte

Fritura de músculos

A paisagem ajudava. O coração da região montanhosa do Rio, nessa parte mais central do estado, é a serra dos Órgãos, que abriga um parque nacional e tem o famoso pico Dedo de Deus, visto no caminho da capital fluminense a Teresópolis.

A estrada Tere-Fri também é arquibancada para maciços rochosos imponentes; é no do Três Picos, desconfio, que milhões de anos de ventos e chuvas esculpiram a tal coruja.

Mas o início é marcado por campos e vales cultivados. Os verdes, escuros, claros, claríssimos, amarelados, amarronzados, tomam a terra. Há alface, espinafre, agrião, cebolinha, tempero verde, tudo em plantações retinhas, rasgando a paisagem em grandes tapetes retagulares, colchas de retalhos feitas de vida.Nesse passo, os primeiros dez quilômetros se vão sem nem sentir. Tinha cruzado pela localidade de Vieira, que se apresentou como seu cemitério, primeira vista que tive da comunidade --como bom corredor cujo espírito vagueia doidão da euforia apaixonada ao desânimo mais desenxavido, achei que fosse sinal de coisa ruim.

Mas logo uma fuzarca me anima. Alto-falantes estridentes anunciam a apresentação do circo Montreal. A atração da noite será a escolha da mais bela moça de Vieira, com prêmio em dinheiro. E as crianças são bem-vindas, com ingresso a apenas R$ 3.

Passo a lona mambembe e vou para Conquista, outra localidade no rosário de vilazinhas que a estrada une. O nome, que vira numa placa lá atrás, era incentivo. E as dificuldades do percurso também.

Para percorrer o segundo trecho de dez quilômetros, levo quase 20% a mais de tempo. Culpa de uma subida do 12 até o 14 e de uma escalada do 17 ao 20.

O prêmio é a chegada ao mirante Tere-Fri, supostamente o ponto mais alto da estrada. De lá se via o vale e mais montanhas ao longe; como a estrada serpenteia pela serra, nem sempre você tem a perspectiva da distância: mais das vezes, tudo o que vê é a rocha ao seu lado e a entrada da próxima curva.

Dali, uma longa descida marcou o início de um martelar mais dolorido no calcanhar, que subia pela perna, cruzava o quadril e se instalava na lombar, batucando nas hérnias devidamente protegidas por músculos treinados, mas sempre sensíveis à repetição do choque.

Nas descidas, dizem que o impacto da pisada no chão é quatro vezes maior. Digo de ouvir falar, mas pode ser uma vez e meia ou dez vezes, o certo é que cada passada dói até nos dentes.

O remédio é correr, sim, mas controlar ainda mais o ritmo, segurar as costas para que não desabem, montando no corpo uma fortaleza no abdôme, protegendo a lombar e impedindo que a cabeça tombe e se transforme em mais um peso a carregar.

A chamada hora do sol bom, quando os raios não são tão perniciosos para o corpo humano, já se tinha ido. Nas montanhas, não é como nas metrópoles: não há poluição tão densa funcionando como escudo contra o sol, que colore o dia com tons de laranja e amarelo intensos, ilumina sem neblina, encharca de luz o mundo e parece ter sido feito de encomenda para queimar a cabeça, tostar as costas e fritar os músculos de corredores que teimem em desafiar a distância, a serra e o calor.

Eu também já tinha passado a metade da prova, calculava que iria fazer no tempo, mas as pernas reagiam ao pensamento. Olhava em torno, mandava beijos para a Eleonora, que seguia de carro no apoio, incentivando e me fazendo dar um trotinho mais forte a cada vez que a via. Mesmo assim, um canto de sereia pérfida rondava meus ouvidos, chamando para parar, dizendo que eu precisava descansar, argumentando que esse negócio não tinha sentido.

Ouvindo os reclames, eu mesmo tinha de concordar. Era loucura fazer uma prova dessas sem ter treinado. Meu último longo, a dizer a verdade, tinha sido a ultramaratona da Itália, cem quilômetros corridos em maio na região da Toscana. depois daquela prova, tirara mais de um mês de descanso e engorda. Vinha crescendo as distâncias, é certa, mas os treinos mal chegavam a hora e meia, 60 ou 70 quilômetros por semana incluindo caminhadas.

Era nelas que eu confiava. Quando o trote era dolorido, passava a caminhar, mas não forçado, derrotado, de cabeça baixa. De peito aberto e cabeça erguida, costas arrumadas, procurava manter o ritmo mais rápido possível.

As caminhadas me reconfortavam. Era um espécie de antídoto para a promessa que fizera ao meu treinador, que pararia se sentisse as costas, o quadril ou o pé; enfim, se tivesse dores, a ordem era parar. Mas quem não tem dor ao correr 50 quilômetros? Precisava equilibrar o combate aos problemas com a vontade de terminar.

Brigando comigo mesmo, fico pensando no que está acontecendo com meu corpo. Bebi água em cada um dos postos de abastecimento, montados conforme o prometido e fornidos com copinhos gelados ou, pelo menos, frescos. Tomei carboidrato em gel a cada dez quilômetros, e não sentia fome. Sabia que precisava beber mais água; ao mesmo tempo, temia o peso do líquido. Às vezes, sentia nos lábios a secura do corpo e tinha de esperar mais um ou dois quilômetros para molhar a boca: parecia mais importante jogar água na pele do que beber.

 

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h39

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1ª Supermaratona de Nova Friburgo - 3ª parte

Socorro das montanhas

As subidas são minhas melhores amigas. Numa delas, quase na metade, fizera minha primeira ultrapassagem, superando uma corredora do revezamento. Não tem importância nenhuma, mas anima um pouco o espírito pensar que você não é o último (ainda que seja...). Já depois do km 30, caminhando, passo atletas que vinham resistindo no trote.

Além disso, elas são uma espécie de ponto de encontro. Faço uma curva e, láááá de baixo, vislumbro vultos que estão lá no alto, no outro extremo, vejo outros espalhados pela escalada. As subidas são uma lição de vida, um ensinamento de humildade, um encontro com o desânimo e uma escalda para o orgulho da conquista.

Na Supermaratona de Nova Friburgo, diga o que disser a altimetria, o ponto mais alto é no 36, pico de uma lomba enorme, a mais dura, dolorida, demorada. Lá no alto vejo gente parada, os que bebem água ou se alimentam parecem não querer partir, recuperando-se do esforço e pensando no que ainda há de vir.

Trotando e caminhando, passo o pequeno grupo de atletas mais rápidos que descansavam. Sei que eles vão me alcançar mais tarde, mas, mesmo assim, tento animar o ritmo na descida forte.

Uma dupla me alcança, o rapaz cumprimenta, a mulher comenta o chão que já foi, o sol que está lá, o asfalto que ainda vem. E revela: "Já tive para morrer duas vezes, não é isso que vai me derrubar". Bebê ainda, aos seis meses de vida Elisa derrotou uma meningite; agora, havia poucos anos, já corredora, uma queda lhe rasgara o braço. Espirrou sangue, mas não que bastasse para o coração de atleta parar de bater.

Eles se vão, com augúrios de bom caminho, e eu fico contando os quilômetros. A Eleonora me grita que falta só uma corridinha até o Ibirapuera; eu sorrio, ergo os braços, faço sinal de positivo, mas lembro sem falar: tudo o que falta ainda tem de ser corrido.

A maior vantagem de uma prova de 50 quilômetros é não ser de cem quilômetros. Isso é uma grande ajuda e levanta o espírito quando você acha que nada mais vai dar certo no dia, na sua vida, no planeta e na história da humanidade. Outra grande vantagem é que você não corre os 50 de uma vez; ao contrário, cada quilômetro é um só, fracote e fedorento (talvez menos que o corredor, a essa altura do campeonato). Às vezes, cada quilômetro não passa mesmo de um monte de metros, e o metro, como se sabe, é menor que um passo. Coisa pouca.

Há que cumprir a distância, porém. A coluna me dói muito, mas é de tempos em tempos. O pior é quando passo do trote mais rápido, em descida, para a caminhada acelerada; parece um tranco. Trotar em ritmo mais forte também não ajuda. O desafio é acertar um passo que me deixe cobrir a distância sem manda arrepios para a lombar.

E os pés, os pés. Batucaram, a essa altura, mais de 40 mil vezes no chão: estou chegando à marca da maratona. Passo por ela, e os pés me dizem que sofrem. O calcanhar esquerdo parece socar direto o asfalto; o arco do mesmo pé às vezes sofre um choque que vai estourar direto na orelha, fazendo ranger os dentes.

Por que não posso parar? Falta pouco, cada vez menos: outra grande vantagem da corrida: à medida que você voa, trota, corre, caminha, há menos para percorrer.

Tem mais subida, tem mais sol, tem mais chão. A Eleonora grita que falta só uma volta no Ibira, nem isso.

E a montanha me socorre de novo.

Desta vez, vejo um castor encarapitado no topo da rocha, me olhando com as patinhas erguidas, com o focinho arreganhado num sorriso que é de escárnio ou desafio. A mente voa, imaginando como os anos moldam as montanhas e o que leva a gente a pensar que vê coisas que não vê.

É assim que chega o 48, a entrada de Nova Friburgo e o início do trecho mais perigoso do percurso. Até ali, havíamos seguido sem proteção, mas o movimento era pouco e o acostamento, razoavelmente largo; na cidade, numa descida de um quilômetro serpenteando o morro, não tinha acostamento. No máximo, um caminho de paralelepípedos à guisa de calçada.

Era por ali mesmo, batucando as pedras e ouvindo o zumbido dos carros na descida, que tínhamos de seguir. Meus pés, aliviados por uma troca de tênis havia poucos quilômetros, buscavam as pedras como se fossem massageadores. No final da descida, Eleonora me esperava para um beijo e a última despedida até a chegada.

Eu ia chegar.

O último quilômetro foi plano, trotado na malha urbana, subindo em calçadas, dando mais uma caminhada para proteger as forças que restavam e, enfim, eu poder gritar: "Eleonora, eu tô chegando", partindo acelerado, forte, gritando, cantando, abraçando, beijando.

A corrida terminou ali, nos braços dela, mas a supermaratona ainda não tinha acabado.

Continua...

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h33

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1ª Supermaratona de Nova Friburgo - final

Pelo correio

Ao final, ganhamos um kit, um saquinho com duas frutas e nenhuma medalha. O pessoal da organização, que estava ali em volta, bem espalhado, informava que cada um receberia um troféu, não uma medalha, e que a entrega estava sendo feita em um pavilhão em frente.

Lá me fui para me entusiasmar com o belo troféu, daqueles de segurar com as duas mãos e erguer os braços em festa. Ainda por cima, personalizado: uma etiqueta impressa na hora informava o tempo, o nome do corredor e sua colocação. Coisa muito fina, para ficar na sala em posto de honra.

Isso se você conseguisse por a mão no seu. Havia uma muvuca danada em volta do cercadinho onde estava sendo feita a tal entrega, a passos de cágado febril. Aos poucos, fui conseguindo entender o processo gerador daquela mixórdia.

Na chegada, auxiliares preenchiam uma folha com o nome de cada atleta que terminava, seu tempo e colocação. À medida que cada página ia sendo completada, era mandada para uma sala no fundão, onde a etiqueta era impressa. Ou seja, a impressão era na hora, mais ou menos, mais para menos do que para mais.

Uma vez impressa a etiqueta, era colocada no troféu; quando havia uma média dúzia, alguém carregava o lote até a mesa. Daí o chefão do processo lia o nome dos atletas, em séries de cinco, que subiam num podiozinho. O chefão levava o papel para cada atleta, conferia o nome e ticava o nome da lista; só então, entregava o troféu, e o grupo podia ser fotografado para a posteridade.

Quando estavam entregando os troféus do povo que terminara por volta de quatro horas e qualquer coisa, eu já indócil no aguardo no cercadinho, vejo uma senhora avisar ao chefão do processo, em voz baixa: "Acabou a tinta".

Deu para entender, então, por que alguns dos troféus mais recentemente chegados tinham vindo sem a etiqueta. Protestos, reclamações, promessas de que as etiquetas seriam mandada pelo correio, mas tudo ali conversado, sem anúncios gerais para que todos percebessem o que ocorria e pudessem se acalmar.

Segue o baile. Para tentar diminuir as tensões, uma manobra diversionista. Uma subchefe orienta os que já têm troféu em mãos a formarem uma fila para receber a camiseta de concluinte. Eu, ainda aguardando meu troféu, cuja entrega segue em ritmo de lesma encarangada, me escabelo ainda mais pensando na fila e perguntando aos meus alfinetes por que a entrega não havia sido feita na chegada, como é comum acontecer?

Resumo da ópera. Depois de receber meu troféu, fui para a fila da camiseta. A dita cuja acabou quando ainda havia uns dez sujeitos na minha frente. Mas a fila continuou ainda mais vagarosa, pois agora o nome e endereço de cada um era anotado, e cada um ouvia a promessa, "certeza", de que a camiseta e a etiqueta seriam mandadas por correio.

Quem viver verá. O certo é que tenho mais 50 quilômetros nos pés, num ano até agora só feito de ultramaratonas. Doídas, sofridas, apaixonadas.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h29

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São Silvestre 2007

Começaram as confusões

Você, que acompanha este blog, já deve ter visto os comentários de leitores reclamando sobre problemas nas inscrições on-line para a São Silvestre 2007.

Os internautas tentam, mas não conseguem completar nem sequer a etapa de registro.

Como o número de e-mails sobre o assunto é crescente, resolvi tentar fazer minha inscrição. E, como os leitores, o processo não passou da segunda etapa: não consegui criar senha nem recuperar a dita cuja. Apareceu uma tela dizendo que o site não podia exibir a página.

Na verdade, não sei o que os caras querem que recupere, pois o processo começa sem cadastro e registro de senha. No meu caso, tenho cadastro na Yescom, e talvez o sistema pudesse puxá-lo, pois o software de registro é o daquela empresa (o endereço de validação começa com www.yescom.com.br).

Na página da Yescom, o link para a São Silvestre encaminha para o site oficial, ou seja, começa tudo de novo.

Falei com a empresa que tradicionalmente presta assessoria para a São Silvestre, e a resposta que obtive é que eles deverão fazer assessoria, mas ainda não está sacramentado, ou seja, a empresa não é porta-voz da prova.

Liguei para a Fundação Cásper Líbero e não tive resposta.

Via site, usei o botão Fale Conosco e, depois de passar por uma borrocracia enorme, cheia de registros e cadastros para enviar um simples e-mail, consegui mandar a mensagem.

Assim que souber mais, conto para você.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12

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15ª Maratona de Revezamento Pão de Açúcar

Muvuca que diverte

O solzão da primeiro dia da primavera recepcionou os 25 mil corredores que participaram da 15ª edição da Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, que costuma ser uma muvuca das boas, comm diversão e irritação garantida para todos os gostos.

Eu não acompanhei o evento, pois fui participar de uma prova de 50 km no Rio de Janeiro, mas colhi alguns relatos em fóruns de corredores, que confirmam o que disse acima.

Há gente que organiza a família em equipes, outros que se aproxima de colegas distantes para fazer uma festa corrida. Neste ano, a organização inverteu o percurso da prova, o que gerou algumas reclamações.

"Assim que largamos fomos para dentro do Ibirapuera --aquelas ruas eram muito estreitas pra tanta gente!! Mal dava pra correr", reclamou um atleta.

"A organização piorou as coisas ao inverter o sentido da prova, mas achei o resto bem organizado", argumenta outro.

Comentário de um que fez a prova em dupla: "Foram 2 voltas cheia de voltas... O percurso é muito chato: a gente ia pela 23 de Maio em direção ao aeroporto e voltava; daí, ia pela 23 de Maio em direção ao centro e voltava, ia novamente em direção ao aeroporto, e voltava de novo..."

Outras frases pescadas na rede mostram o caráter familiar da festa: "Completei minha volta e passei a pulseira para o namorado de minha filha (...) na seqüência acompanhei meu filho em sua volta, lançada cheia de energia e disposição (apesar dos meus conselhos para que maneirasse...rs), que duraram exatamente 1 Km, e depois fizemos a caminhada da família..."

Longe desse clima, a disputa foi acirrada entre os profissionais. Ontem, turbinada por Franck Caldeira, a equipe do Cruzeiro venceu, depois de longo predomínio da equipe BM&F/Pão de Açúcar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h45

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Cenas da final do Circuito Mundial da IAAF

Barreira humana

O polonês Marek Plawko salta sobre o norte-american James Carter, que levou o maior tombão na prova de 400m com barreiras (foto Reuters) no evento realizado no último final de semana em Sttutgart, Alemanha.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h40

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Cenas da final do Circuito Mundial da IAAF

Prestando atenção

A recordista mundial do salto com vara e vencedora da Liga de Ouro Yelena Isinbayeva vonversa com seu treinador antes de vencer sua prova na final em Sttutgart; a russa saltou 4,87 m (foto EFE)

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39

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Cenas da final do Circuito Mundial da IAAF

Efeito veloz

Na magia da câmera (foto Reuters), a imagem da alta velocidade na prova masculina dos 1.500 m, vencida pelo queniano Daniel Kipchirchir Komen (esq.).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h38

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Cenas da final do Circuito Mundial da IAAF

Campeã comparece

A norte-americana Sanya Richards, que dividiu o prêmio de US$ 1 milhão da Liga de Ouro, em ação na final do Circuito Mundial da IAAF, no domingo em Stuttgart, Alemanha (EFE)

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h37

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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