Fala o ultra Carlos Dias - parte 1
A conquista do Brasil

Na semana passada, o administrador de empresas Carlos Dias estreou em seu novo emprego em uma empresa de recursos humanos _área da pós-graduação desse paulista de São Bernardo do Campo.
O trabalho foi um dos resultados concretos da última empreitada do ultramaratonista Carlos Dias, 34, que correu solitário de um extremo ao outro do Brasil, percorrendo 9.000 km do Oiapoque ao Chuí em cem dias. Seu espírito e suas conquistas se tornaram mais conhecidos, e ele, que tem atuado na organização de provas de longa distância, foi convidado para essa nova atividade.
Mais que ultramaratonista, ele é especialista em enfrentar a adversidade. Aos dois anos, perdeu o pai, morto a tiros por assaltantes que atacaram a empresa em que ele trabalhava como vigia.
A mãe, então analfabeta e faxineira na mesma empresa em São Bernado, tratou de cuidar dos três filhos --Carlos tem duas irmãs mais velhas. "Ela conseguiu", diz Carlos. "Os três têm faculdade, trabalham, e ela consegue ler uma notícia de jornal, uma revista. Ela é a maior vencedora de tudo."
Cada um trilho seu caminho. Aos 20 anos, ele fez sua primeira corrida, uma prova de 10 km na vila Prudente, em São Paulo. Desde então, correu mais de 60 maratonas e enfrentou grandes desafios no Grécia e na Holanda. Aqui no Brasil, correu três vezes a Maratona da Selva, além de completar o Desafio Mil Milhas.
Nesta entrevista exclusiva, Carlos Dias conta um pouco de sua trajetória do Oiapoque ao Chuí.
Folha - Como foi o trajeto de sua corrida?
Carlos Dias - Comecei lá no Oiapoque, Estado da Amapá, no dia 27 de maio, às 10h. Corrida por 11 Estados. Do Amapá, fui para o Pará, depois cruzei todo o Tocantins, entrei em Goiás, cruzei todo o sertão baiano, depois Chapada Diamantina, saí lá em Feira de Santana. Aí peguei a BR 101 direto até Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, depois Paraná, Santa Catarina e, finalmente, cheguei ao Chuí, lá no Rio Grande do Sul.
Folha - Terminou na fronteira.
Dias - Na fronteira com o Uruguai, no marco inicial do Brasil. Para mim, foi o marco final. No total foram 9.000 quilômetros. Dá um pouquinho a mais, mas eu arredondei para 9.000 quilômetros, em cem dias, 90 km a média geral. Terminei no dia 3 de setembro, às 4h45 da tarde. Eu pretendia terminar esse desafio em 110 dias, coloquei no site 120 para ter uma margem de segurança, se acontecesse uma coisa muito grave, que eu tivesse que ficar muito tempo parado...
Folha - E como você fez para se manter?
Carlos - Eu tinha um projeto programado para R$ 80 mil, incluindo gastos com equipe, levando cinegrafista, médico, custo de combustível, custo de hotel, salário, tudo. Trabalhei quase dois anos em cima disso para conseguir patrocínio. Mandei 400 propostas de patrocínio, para todas a resposta foi ‘Não‘.
Folha - Quatrocentas é o número mesmo que você mandou ou é força de expressão?
Dias - Número que eu mandei. Por telefone, por e-mail. No final, consegui R$ 10 mil de uma empresa, R$ 3.000 de outra, e fiz parcerias para divulgar o projeto, para conseguir apoio médico, roupas, a mochila, as coisas essenciais para que eu pudesse enfrentar a estrada sozinho.
Folha - O que você levava na mochila?
Dias - Na minha mochila, tinha um kit de primeiros socorros, um par extra de calçados, muda de roupa extra (eu lavava a roupa todos os dias), óculos, protetor solar, soro, barra de cereal, purê de batata e comida desidratada. Então, no início, no primeiro dia de prova, eu estava com 9,5 kg na mochila, que tinha um saco impermeável especial, onde eu colocava o celular e a máquina fotográfica.
Folha - E o celular funcionou?
Dias - Nenhuma empresa telefônica fez parceria comigo, então comprar cartões telefônicos para eu ligar para o pessoal, porque, se eu fosse dar uma entrevista e alguém me ligasse, era eu que pagava. Então, a comunicação foi muito por e-mail. Em todo o lugar que eu chegava que tinha uma LAN house eu ia lá e mandava notícias para o site. Esse meu projeto, além de tentar ser o primeiro brasileiro a fazer 9.000 km em cem dias, era de eternizar tudo isso aí num livro, colocando as dificuldades que o brasileiro enfrenta, em cada região, por exemplo, na parte ambiental, social, a violência que existe em cada local brasileiro, a parte cultural, não é?
Folha - E o que você viu de mais legal?
Dias - Ah, de mais bacana foi a cultura, como das aldeias indígenas em que eu fiquei, no Pará. A receptividade do povo, como o povo é solidário. Sem mesmo me conhecer, muitas pessoas que me cederam a casa. Abriram suas casas para me receber, para eu passar uma noite, me deram a comida, com todo carinho. Isso foi o que mais me surpreendeu. A própria natureza, também, que todo dia eu aprendia. Eu estava conversando com a natureza todos os dias. Eu virei parceiro do vento, ouvia o conselho das árvores, buscava inspiração, às vezes, na lua, quando corria à noite, nas estrelas. Então, quer dizer, a minha comunicação com a natureza foi constante, não é?
Continua...
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h10
Fala o ultra Carlos Dias - parte 2
Medo do escuro

Folha - Como você conseguiu apoio ao longo do caminho?
Dias - No início, a Prefeitura de Oiapoque me deu hospedagem lá, toda alimentação e me apresentou ao comandante do Exército lá do 1º BIS - Batalhão de Infantaria de Selva, onde eu dei uma palestra para os soldados. Eles se comprometeram a entrar em contato com algumas aldeias que eles conheciam, com as pessoas, sítios, lugares mais próximos lá e também me mandaram um batedor de moto, mias o secretário de Esportes do Oiapoque, também, me acompanhou durante sete dias, de moto, na estrada mais precária de lá, que ligava o Oiapoque a Macapá.
Era só lama, eu peguei época de chuva, justamente para não pegar aquele calor forte da Amazônia, mas havia bastante lama.
Nessa parte, eu tinha a escolta dessas duas pessoas, era um soldado do Exército e o secretário de Esportes, que parou praticamente a vida dele para me acompanhar durante sete dias.
Em cada cidade em que eu chegava, eu procurava a prefeitura, procurava a rádio, ligava para as TVs. Saía reportagem na imprensa local. Aí surgia um parceiro de hotel, restaurante, casas que ofereciam, a Polícia Rodoviária Federal, alguns comandantes pegavam a responsabilidade para ele e eles falavam: "Vou te escoltar durante dois dias, durante três dias".
O próprio Exército foi informando algumas bases e também fazendo escolta em alguns pontos, em alguns horários, assim, às vezes um pouquinho à noite. Quer dizer, coisas que foram surgindo, a partir do momento que eu dei o primeiro passo lá no Oiapoque.
Folha - Como você traçou seu percurso?
Dias - Eu queria fazer um trajeto diferente, pois o ultramaratonista Alexandre Sartorato já fez do Oiapoque ao Chuí pelo meio do Brasil, deu 7.000 km, uma reta só. Eu queria fazer um percurso com muitos lugares que, normalmente, as pessoas não passavam, por ser muito isolado ou muito violento. Queria conhecer um pouquinho de cada clima brasileiro, pegar a floresta tropical, pegar um pouco do cerrado, um pouco do sertão, um pouco do litoral, semi-árido, pegar um pouquinho de cada coisa.
No Nordeste, não peguei todos os Estados, só a Bahia, onde eu peguei o sertão e o sul, que é uma diferença de clima bem grande. O Tocantins, que é o cerrado, quente e seco, e a Amazônia, que é quente e úmida e de repente o Rio Grande do Sul que é frio e seco, não é? Então, você pega todo tipo de clima. Então, o traçar do mapa, do pensamento para passar à ação foram três anos.
Folha - Como era cada dia?
Dias - Eu programei as cidades, calculei isso no mapa. Mas, por mais planejamento que você faça, sempre tem as surpresas. Mas tinha cidade que era 10 km uma da outra, e tinha distâncias de 200 km. Em oito noites eu dormi à beira da estrada mesmo, e em outras cidades eu dormia em hotel cinco estrelas e em outras eu dormia num posto de gasolina. Normalmente, quando eu não tinha escolta, 4h eu estava levantando, usava a lanterna de cabeça, tinha que enfrentar o medo do escuro mesmo e corria até quase escurecer.
Folha - Mas você não fazia isso todos os dias.
Dias - Tinha cidades distante 70 km, outras 115, 120 km. Em média, corri 90 km por dia. Mas, na região norte, fiquei 20 dias, por exemplo, correndo a média de 115 a 120 km, mas teve dias, no final, em que eu corri 48 a 50 km.
Folha - A distância máxima qual foi?
Dias - No Amapá, foi 120 km. Lá eu corria em média 19 horas, com escolta. Quando não tinha escolta eu fazia, no máximo 75 km, no máximo 80, para chegar à cidade antes do anoitecer. Então, eu saía mais cedo para não correr muito tempo no escuro. Mas, em Santa Catarina mesmo, teve dias que eu fiquei na rodovia correndo durante à noite. Faltava 15 km para chegar na cidade, já era 6h30 da tarde e já estava noite. Então você tinha que fazer aquele esforço final para chegar na cidade, vencer o medo. Você corria mais assustado, você corria mais assombrado ali...
Folha - Mas medo do quê, exatamente?
Dias - Ah, o medo maior da gente: de repente você se assusta com um cachorro. Você não sabe o que você vai encontrar na frente, se é um bandido, não é? No escuro, você tem medo de tudo, é igual criança, não é? Você volta à sua infância. Então, eu tive que superar esse medo para conseguir buscar meu objetivo.
Teve alguns momentos tristes, como na Transamazônica, na cidade de Tacajá, eu parei ao meio-dia, para fazer a comida desidratada, o meu purê de batata, tinha que colocar água quente. Então, arranjei um ranchinho, um local que tinha água quente, pedi para a mulher água quente e tudo. A minha mochila, eu tinha que colocar uma capa preta, porque tinha muita poeira na estrada, na Transamazônica.
Coloquei a mochila embaixo de uma mesa e estou arrumando as coisas, colocando os panos na garrafa, fazendo o meu purê e tudo. Aí chegaram duas pessoas, com faca na mão. Um colocou a faca no meu pescoço e o outro na minha barriga. Acharam que eu era gringo.
Falei que não, disse que era brasileiro. Eles falaram que não gostavam muito de gente estranha, que o negócio deles era na faca, aquele temor, não é? Aí acabaram levando boneca, camiseta, levaram R$ 100, levaram um tênis, óculos, não é? Quer dizer, assim, levaram as coisas que eles visualizaram, mas o terror que eles fizeram ali na hora, eu fiquei sentindo por cinco dias, não é? Ficava em estado de alerta todo o tempo. Qualquer coisa era motivo de achar que ia ser assaltado. Então, esse foi um fato triste, lá na região norte.
Folha - Em que Estado foi isso?
Dias - No Pará. Tacajá fica a 108 km de Anapu, onde mataram aquela missionária americana. É considerada Grande Anapu. É um lugar de muita violência, muito conflito, tem muito foragido, tem muito grileiro, tem lugar, aqueles fornos com trabalho infantil, crianças trabalhando. Então, uma simples foto que você tire do lugar, as pessoas já ficam desconfiadas pensando que você é jornalista ou é polícia, qualquer coisa assim. Então, você corre o tempo todo em estado de alerta, você não sabe o que pode acontecer.
Continua...
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h07
Fala o ultra Carlos Dias - final
Derrotando os ‘nãos’
Folha - E como foi correr nas estradas?
Dias - Corria nas rodovias, pelo acostamento. Mas na região sul da Bahia e na 101 aqui na região de Santa Catarina até a divisa do Rio Grande do Sul não tinha acostamento. Você tem que estar em estado de alerta todo o tempo, dando o braço para os motoristas, para eles desviarem. E corria sempre na contramão. Só corria na mão ou no meio da estrada no Amapá e no Pará que não tinha carro. Lá no Pará você via um carro às 7,00 da manhã, você ia ver outro às 3h00 da tarde. Não tinha carro, era você e a estrada, só.
Folha - Quanto você acha que gastou nesse projeto todo?
Dias - Olha, foi mais de R$ 15 mil, foi quase R$ 17 mil. E teve algumas cidades que me deram apoio como Itabuna, Feira de Santana, Joinville, Florianópolis, Criciúma, que me deram apoio de hospedagem. E, por exemplo, eu pegava em posto de gasolina caminhoneiro, que me davam alimentação ou me davam ajuda de custo R$ 50, R$ 100, de alguma forma alguém me ajudava em alguma coisa. Outras pessoas me viam na TV, porque saia na TV aberta, o pessoal via no outro dia de manhã, virava uma festa, todo mundo buzinando, querendo tirar foto, ganhava muito santinho. Então, era um negócio assim impressionante na estrada, não é? Só que o isolamento e a distância da família eram muito forte. Eu tenho um filho que hoje está com oito meses, quando eu saí de São Paulo, ele estava com quatro meses, quando eu passei por São Paulo, que eu o revi, passei uma noite na minha casa, ele estava com seis e eu terminei o projeto e vim revê-lo com oito meses. Então, você imagina a saudade e o quanto é difícil você ficar longe dessas pessoas que você ama, não é? Mas, é necessário fazer um projeto desses, fazer uma coisa, realizar um sonho mesmo...

Folha - Necessário por quê?
Dias - Eu queria eternizar tudo isso em um livro. Acho que a adversidade é boa para o ser humano, faz com que ele cresça, que ele aprenda, que ele vá em frente. O fato de eu não ter uma equipe na estrada, o fato de eu não ter uma estrutura me acompanhando na estrada não foi motivo para que eu desistisse. Acho que até me motivou mais, porque a raiva, você cria uma certa raiva, mas só que uma raiva positiva, aquela raiva que você começa a correr de manhã e quer chegar, quer ir, sabe? Provar para você mesmo que você tem condições, tem capacidade.
Eu usei psicologicamente todos esses fatores negativos a meu favor. Não fiquei abaixando a cabeça e achando que eu era o coitadinho do mundo, não é? Então, acho que, na vida, a gente tem que agir desse jeito, porque é uma reação.
Acho que todo atleta é assim. Todo corredor, se um cara tiver que correr 5 km acho que ele tem uma coisa dentro dele, lá no íntimo dele, de buscar, de não desistir fácil. Então, essas corridas só me trouxeram coisas boas.
A corrida foi algo que transformou minha vida mesmo, onde sou respeitado por outros atletas e até por profissionais de outras áreas pelo fato de eu estar correndo. Então, hoje eu estou feliz por ter cumprido esse desafio, ter colocado no papel e ter me surpreendido, porque pelos acordos que eu tive na estrada, eu consegui fazer em cem dias, terminou dez dias antes do meu projeto inicial, do meu objetivo oficial, por ter corrido, às vezes, à noite.
A sensação é a de que qualquer pessoa pode fazer isso. Não é uma coisa, assim, fechada só para um grande atleta. Não. Qualquer pessoa pode fazer, mas ela tem que ter um ingrediente que não pode faltar: ela tem que ter entusiasmo, tem que amar o que ela vai fazer e tem que ser determinada. Aprender a lidar com os "nãos", que é uma coisa que derruba muito as pessoas, se elas não souberem trabalhar isso. Aceitar os "nãos" como algo que vai fazê-la crescer mais. Então, eu aprendi a lidar com esses "nãos" e cheguei lá, consegui e posso falar hoje que valeu a pena.
Escrito por Rodolfo Lucena às 08h04
Volkswagen Run
Engarrafamento na fábrica
Foi muito bacana a Volkswagen Run, prova de 10 km realizada hoje nas instalações da montadora, em São Bernardo do Campo. Os atletas percorreram as alamedas da fábrica e passaram até por dentro da linha de montagem (foto).
O tempinho frio, até com uma garoinha chata, ajudou bastante, permitindo uma corrida confortável (voltei a fechar em menos de uma hora, uma semana depois dos 50 km no Rio).
Não faltou água, apesar de os postos estarem mal distribuídos.
Mas o que importa, na hora da prova, é o percurso diferente, inusitado, divertido.
No chão de fábrica, sob os automóveis em construção ou quase pontos, fomos saudados por grupos de trabalhadores da empresa (foto), que também estavam em diversos pontos das alamedas.
A multidão de atletas aproveitou para fazer festa, com a presença de muitos iniciantes.
Digo isso porque vi muita gente caminhando antes mesmo da chegada do primeiro quilômetro, o que não tem problema nenhum.
Ao contrário, é muito legal ver que as corridas começam a ser tão sedutoras que atraem para o desafio mesmo quem talvez não esteja pronto para percorrer toda a distância sequer em um ritmo de trote.
Eu saúdo a todos, especialmente os últimos a terminarem, que talvez nunca sejam os primeiros (pelo menos, nesse tipo de competição), mas dão exemplo de garra, denodo e espírito esportivo.
Dito isso, vamos aos problemas, que foram muitos e estavam já anunciados na malfadada entrega dos kits, que era para ser super organizada e foi bem fracativa, como já relatei aqui.
Hoje constatei que o problema foi muito pior que eu imaginava. Havia montes de gentes tentando pegar seu número de peito e chip; no chutômetro, baseado nas filas e no tamanho das pilhas de números que vi, diria centenas, talvez mais de 200 não receberam o kit quando deveriam.
Não sei por que, a entrega dos números e dos chips era em pontos diferentes. Os chips eram entregues em guichês de acordo com a numeração de peito; já os números eram entregues num cantinho do balcão, e lá havia uma fila bem bagunçada.
O meu número, como o de muitos outros, chegou sem o meu nome (na maior parte dos casos, o número de peito veio personalizado com o nome do atleta).
O estacionamento também foi um problema, mesmo para quem chegou cedo. Por causa da confusão, muita gente começou a deixar o carro na estrada, mas logo veio o aviso de que a polícia estava multando, e todo mundo tratou de levar o carro para local seguro, em terreno da VW mais longe da largada.
Aliás, ir para a largada também inclui momentos desagradáveis. Tínhamos de passar por uma barreira de seguranças, que lá estavam para impedir que pessoas sem número entrassem na área. Um sujeito que acompanhava um corredor, aparentemente para tirar fotos, foi barrado por um grandalhão que lhe colocou a mão no peito. Só faltou empurrar. Uma garota desavisada foi encaminhada para o lado com menos do que elegância.
A largada atrasou quase 20 minutos (18min38 no meu relógio), e os primeiros metros foram a passo: cruzei o pórtico cerca de quatro minutos depois de dado o sinal para a partida.
A prova foi legal, como falei, sem maiores falhas, que eu saiba, mas registro um incidente.
A 200 metros da chegada, um corredor passou mal, caiu ao chão, e a ambulância levou pelo menos cinco minutos para chegar até ele.
Ele caiu bem em frente à porta de um dos prédios da VW. Os próprios corredores começaram a gritar por socorro, e veio alguém da VW que estava ali na porta. Depois chegaram duas moças de branco, médicas ou enfermeiras, que avaliaram o sujeito. Também veio um bombeiro, enquanto a organização fez barreiras no percurso para proteger a área em que ele estava sendo atendido. Espero que nada de mais grave tenha acontecido.
Terminei em 58min53, e depois enfrentei mais confusão, pois os corredores que queriam entregar um papelzinho para participar de um sorteio formavam uma barreira, dificultando a passagem até o local para a troca do chip pela medalha. Mas superei também essa última muvuca.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h55
Valmir Nunes conclui caminho de Fidípedes
Pódio na Spartathlon
O santista Valmir Nunes, maior ultramaratonista brasileiro, terminou em terceiro lugar a Spartathlon, prova que repete o caminho do soldado grego Fidípedes e leva os atletas pelos 245,3 quilômetros entre Atenas e Esparta, na Grécia.
Nunes, que venceu a prova em 2001 e foi vice em 2003, fechou em 25h37min40, atrás do norte-americano Scott Jurek, que garantiu o bicampeonato com 23h12min14, e do polonês Piotr Kurylo (que liderou por mais de 200 km), com 24h29min41.
"Até o 160, fui junto com o Scott, mas os últimos 86 quilômetros fui sofrendo com a dor no meu tendão. Foi uma penitência. Se não fosse a minha equipe de apoio, eu teria parado", disse Valmir.
Ele agora vai parar de competir por alguns meses, pois vai sofrer uma cirurgia no tendão do pé esquerdo. E promete voltar no ano que vem: "Com o tendão bom, podem esperar muito mais. Hoje foi duro, doía tudo, o ciático, os joelhos, as coxas, porque tinha de pisar errado para agüentar", contou.
No último dia 24 de julho, Valmir venceu a Badwater, considerada a corrida mais difícil do Mundo, com 217 quilômetros feitos no deserto do Vale da Morte, nos Estados Unidos. Também neste ano, foi bicampeão nas 24 Horas Helênicas (Grécia), correndo 222 km, e a Brazil 135 Ultramaratona, com a mesma distância da Badwater.
Ele é recordista das Américas em provas de 24 horas, com a marca de 273,8 km estabelecida na Soochow University Endurance Race, em Taiwan, em 2003.
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h18
Haile bate recorde em Berlim
Medalhas em penca
Frente a uma pilha de milhares de medalhas da maratona de Berlim, um voluntário ergue um cartaz em que está escrito "Você nunca correrá sozinho" (foto EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32
Haile bate recorde em Berlim
Dupla dinâmica
Haile posa com sua compatriota Gete Wami, bicampeã de Berlim, depois de sua vitória hoje na Alemanha (foto EFE)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32
Haile bate recorde em Berlim
Chegada
O recordista mundial Haile Gebrselassie cruza a linha de chegada na maratona de Berlim, tendo ao fundo os portões de Brandemburgo (foto AP)
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h30
Haile bate recorde em Berlim
Massa humana
Mais de 40 mil corredores participaram hoje da maratona de Berlim, onde o etíope Haile Gebrselassie bateu o recorde mundial, que foi estabelecido pelo queniano Paul Tergat há quatro anos, na mesma prova (foto EFE).
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h29
Haile bate recorde em Berlim
2h04min26
Finalmente, ele conseguiu. O etíope dono de uma
montoeira de recorde mundiais nas mais variadas distâncias enfim tomou conta da
maratona, como ele queria e previa desde o dia em que estreou na distância e se
deu mal porque não se alimentou direito (bebeu apenas água no
percurso).
Hoje, na plana e agradável Berlim, na sua sétima tentativa nos 42.195 metros, Haile Gebrselassie (foto EFE) quebrou o recorde mundial da maratona, tirando o cetro de seu adversário nas pistas e nas ruas Paul Tergat, do Quênia.
Haile correu a prova em 2h04min26, baixando em quase meio minuto a marca estabelecida por Tergat na mesma Berlim, há quatro anos: 2h04min55.
"Isso foi mesmo muito especial", disse ele, logo depois da prova. "As condições estavam perfeitas, no ano passado teve muito vento. E o público foi maravilhoso", saudou Haile.
Choveu no sábado, mas hoje o dia estava bom, e a prova começou com 14 graus Celsius, chegando a apenas 18 graus, sopa no mel.
Esse foi o recorde número 24 na carreira desse etíope de 34 anos, que ainda quer mais, muito mais: "Eu tinha prometido correr 2h03. isso não foi possível, mas talvez da próxima vez..."
Ainda em frente à imprensa, o telefone tocou. Era Paul Tergat que ligava para felicitar o adversário. E ouviu a flauta do etíope: "Desculpe, Tergat. Acho que hoje as condições estavam melhores do que quando você correu. Vou pedir para o diretor da prova te convidar da próxima vez".
Tergat ficou na dele e falou aos jornalistas: "O esporte é assim mesmo, os recordes foram feitos para serem quebrados. Estou muito feliz por ele, nós somos bons amigos".
Aliás, quatro quenianos (Rodgers Rop, Wilson Kigen, Andrew Limo e Peter Kiprotich) e um etíope, Eshetu Wondimu, foram parceiros na façanha, servindo de coelhos até o km 30. Ninguém mais da elite tentou acompanhar o campeão.
A passagem do km 15 indicava 2h04 na maratona, mas o ritmo caiu bastante em seguida. tanto que, na meia-maratona, a previsão era de chegar pau a pau com o recorde anterior. Mas isso eram os números, pois Haile já sabia: "Depois de 20 quilômetros, eu sabia que poderia quebrar o recorde. Eu estava me sentindo muito bem".
A carreira esplendorosa desse minúsculo gigante do atletismo começou em distâncias bem menores. Seu primeiro recorde mundial foi nos 5.000 m, em Hengelo, na Holanda, em 1994.
Por seu lado, Berlim é o palco ideal para performances maravilhosas. O de hoje foi o sexto recorde mundial no percurso. Christa Vahlensieck marcou 2h34min48 em 1977, ainda nos primórdios da participação feminina em provas oficiais. Depois, em 1998, o brasileiro Ronaldo da Costa iluminou o mundo com uma estrela após correr a maratona em 2h06min05. Do Quênia, Tegla Louroupe estabeleceu 2h20min43 em 1999. A japonesa Naoko Takahashi tornou-se a primeira mulher a correr sub2h20 em 2001 (2h19min43), e Tergat quase perde para o amigo Samir Korir em 2003, mas chegou lá, um segundo antes.
A prova feminina foi vencida sem esforço pela etíope Gete Wami, que correu sozinha para terminar em meros 2h23min17 e se tornar bicampeã de Berlim. Ela disse que aliviou porque está querendo muito ir para as cabeças em Nova York, em novembro. "Quero levar o prêmio", disse ela, referindo-se ao US$ 1 milhão para os vencedores do circuito World Marathon Majors (Berlim, Nova York, Boston, Londres e Chicago, mais Mundial e Olimpíada, nos respectivos anos).
AVISO: não deixe de voltar mais tarde, pois vou colocar ótimas fotos da prova
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h17
