Alberto Salazar sofre nova cirurgia
Coração bloqueado
O ex-campeão da maratona de Nova York Alberto Salazar, talvez o maior maratonista norte-americano da história, sofreu nova cirurgia no coração neste mês, depois de passar mal pouco antes de iniciar o treino de um de seus atletas em Eugene, Oregon.
O próprio corredor levou Salazar aos hospital, e os médicos decidiram imediatamente implantar um stent (dispositivo que facilita o fluxo sangüíneo em artérias obstruídas) ao constatarem que ele tinha 90% de uma artéria esquerda obstruídos.
Salazar, 49, já tinha passado por cirurgia semelhante neste ano, depois de ter sofrido um ataque cardíaco em junho no campus da Nike.
Ele passou um mês em recuperação e, aos poucos, retomou os exercícios. Atualmente, estava correndo cerca de sete quilômetros por dia a um ritmo de cinco minutos por quilômetro.
No período, levou seus atletas a várias competições internacionais e foi chefe de equipe no Mundial de atletismo no Japão.
Se você se interessa em saber mais sobre esse grande
corredor, recomendo a leitura do livro "Duel in the Sun", que tem o longo
subtítulo de "Alberto Salazar, Dick Beardsley and America’s Greatest Marathon"
(Rodale Inc., 2006).
O livro do jornalista John Brant revive a disputa épica da maratona de Boston de 1982, quando Salazar e Beardsley correram a prova toda juntos, chegando ao fim com apenas um segundo de diferença.
O autor entrevista os dois atletas e utiliza registros de jornais e TVs para enriquecer o relato, mas eu gostaria mais se a palavra dos corredores estivesse mais presente. nem parece que o cara efetivamente fez as entrevistas.
O bom é que Brant conta um pouco da história pregressa dos dois e também do seu futuro. Mas fica forçando a barra para enquadrar cada um num estereótipo, quando todos sabemos que qualquer pessoa é muito mais que qualquer rótulo.
Salazar é durão, sofisticado, altivo, prepotente _enfim, o dono da bola. O outro é um sujeito simples, ingênuo, boa gente, vítima das circunstâncias.
Depois de Boston, o prodigioso Salazar passou a dar resultados aquém de sua expectativa, caiu em depressão, descambou para a religiosidade exacerbada e conseguiu voltar a ter alegria de correr na base do Prozac. Beardsley, o garotão do interior, que sempre quis ter uma vidinha rural, acabou viciado depois de sofrer um acidente de trabalho. Chegou ao crime para manter seu vício, mas conseguiu se reerguer.
Bem, de qualquer forma, o texto é razoavelmente fluente e agradável, ainda que pareça pender para um dos lados. Não conheço tradução. Várias livrarias brasileiras fazem serviço de importação, que eu utilizei e me pareceu mais confortável do que a compra direta pela Amazon (preço de capa: US$ 22,95, mas sem acha por menos), que é uma outra opção.
Escrito por Rodolfo Lucena às 13h08
Foto do dia
Coisinha fofa
Garota alimenta seu belíssimo samoieda durante exposição internacional de cães em Budapeste (foto Reuters).
Esse foi apenas um intervalo nas nossas conversas sobre corrida.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53
7ª Maratona Internacional de Santa Catarina
Mico do Ano
A Maratona de Santa Catarina, marcada para o primeiro domingo de novembro, nem foi realizada ainda e já pode levar o título de Mico do Ano entre as provas oficiais de 42.195 metros neste país.
Isso porque a prova trocou de data várias vezes, dando oportunidade e um mundo de informações desencontradas, prejudicando os treinos e a programação de gente que, como eu e você, treina duro para tentar melhorar o desempenho ou, pelo menos, manter uma boa imagem de si mesmo ao terminar uma prova.
Não raro, o corredor planeja sua participação em uma maratona com até um ano de antecedência. São meses de treino para chegar ao ápice da forma. E, quando o sujeito chega lá, fica sabendo que a corrida trocou de data.
No ano passado, a Maratona de Santa Catarina foi realizada em agosto, no Dia dos Pais, quando o clima costuma ser agradável em Florianópolis. Não o ideal para maratonas, mas bem simpático. No ano passado, fez um calor infernal, o que, ao lado do atraso na largada, prejudicou bastante o desempenho.
Eu levei mais de 1h30 para completar meus últimos 12 quilômetros. É bem verdade que entrei na prova no vai-da-valsa, contrariando orientações de meu técnico, que queria apenas um longo com qualidade (eu deveria parar no km 30).
Bem, mas se a gente não pode fugir dos caprichos do clima, deveria, pelo menos, ter organizadores de confiança que mantivessem o planejado.
Não foi o que aconteceu com a plana e rápida prova de Floripa, que é bem bonita, mas também chatinha por conta das tantas vezes que a gente passa pelo mesmo ponto.
Neste ano, a confusão é tanta que o site da Fesporte identifica a prova deste ano como a sexta edição (é a sétima) e traz zero de informação relevante para os corredores. A falta de informações adequadas e claras também é marca do site da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, para onde é encaminhado quem clica no link "Visite o site do evento", no serviço de inscrições on-line.

Por essas e por outras, muita gente desistiu ou trocou para Curitiba, que é quente e tem um percurso mais desafiador, mas tem fama de acolher os corredores com carinho (eu falo de ouvir dizer, pois nunca fui nessa prova).
É uma pena. Tomara que o governo de Santa Catarina, responsável pelo evento, aprenda com os erros deste ano e melhore no ano que vem. E há muito o que melhorar.
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h12
Mesmo baixa intensidade de exercício faz bem
Pouco e bom
Se o seu interesse em exercício é melhorar sua condição física geral, saiba que não precisa temer altas doses de caminhadas aceleradas ou corridas intensas para conseguir os desejados benefícios para a saúde.
Uma recente pesquisa feita na Universidade de Ulster, na Irlanda do Norte, mostrou que meia hora de caminhada rápida, três vezes por semana, já é o suficiente para reduzir a pressão e propiciar alguma emagrecidinha.
A pesquisa envolveu cem funcionários públicos saudáveis, mas sedentários, que se engajaram em um programa de exercícios por 12 semanas. A dieta da turma, cuja idade variava de 40 a 60 anos, não foi modificada no período.
O grupo foi dividido em três pelotões: um que nada fez, outro que passou a fazer 30 minutos de caminhada rápida três vezes por semana e um que fez a mesma atividade, mas cinco vezes por semana (como é o recomendado).
A pressão e as medidas da cintura e do quadril caíram significativamente nos dois grupos de caminhantes.
"Pequenas reduções na pressão e nas medidas são suficientes para fazer uma diferença no nível de risco de morte por doença cardiovascular", afirmou o doutor Mark Tully, do Instituto de Pesquisa em Saúde e Ciências da Reabilitação da UU.
Escrito por Rodolfo Lucena às 18h14
Ironman do Havaí
Salve, simpatia
Veja só o jeitão de Chrissie Wellington, da Grã-Bretanha, com as honras de campeã em Kona. Abaixo, o campeão na geral, Chris McCormack (fotos AP).
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h23
2º Mundial de Corridas de Rua
De meião
A nova recordista mundial dos 20 km e da meia-maratona, Lornah Kiplagat, da Holanda, corre para vencer o Mundial de corridas de rua (foto AP).
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h10
2º Mundial de Corridas de Rua
Mais pro Marílson
Ainda não há confirmação oficial, mas, a julgar pelas passagens divulgadas, o Marílson pulverizou hoje também as melhores marcas sul-americanas em corridas de rua nos 10 km, nos 15 km e nos 20 km. Tudo no Mundial de Corridas de Rua, em Udine, onde ele bateu o recorde sul-americano de meia-maratona.
Compare as passagens com os dados informados no site da Confederação Brasileira de Atletismo.
Nos 10km, passou em 27min48 --o recorde era de Antonio Fabián Silio (ARG), 27min52 (18/08/90).
Nos 15 km, cravou 42min15, bem melhor que os 42min41 de Valdenor Pereira dos Santos (28/03/94) e Ronaldo da Costa (26/02/94)
Finalmente, nos 20 km, Marílson passou com 56min32, longe, muito longe da marca de Emerson Iser Ben (59min52 em 09/06/96).
Escrito por Rodolfo Lucena às 14h00
2º Mundial de Corridas de Rua
Marílson da América
O brasileiro Marílson Gomes dos Santos, campeão da maratona de Nova York, terminou na sétima posição no Mundial de corridas de rua, realizado hoje em Udine, Itália.
Cravando 59min33, foi o último dos sete atletas que correram a meia-maratona para menos de uma hora e estabeleceu novo recorde sul-americano. Sua melhor marca já durava sete anos (1h02min12 no Rio).
Mas a marca de Marílson é mais importante ainda como indicação de seu ótimo preparo para enfrentar a dureza de Nova York, onde ele vai defender seu título no primeiro domingo de novembro.
O ouro hoje foi para Zersenay Tadese, da Eritréia, que se sagrou bicampeão mundial depois de escapar do pelotão, aos 57min de prova, para acelerar e terminar em 58min59, melhor marca já estabelecida em Mundiais.
Tadese, 25, também é o atual campeão mundial de cross country.
O segundo colocado foi o queniano Patrick Makau Musyoki, que chegou longos três segundos mais tarde, seguido por Evans Cheruiyot (59min05).
"Parecia que toda a Eritréia estava correndo comigo", disse o campeão, que foi saudado por muitos compatriotas _em Roma, a 650 km de Udine, há uma grande comunidade de imigrantes daquele país africano.
"O apoio deles foi muito importante para mim", saudou Tadese.
Também importante foi a capacidade que o campeão demonstrou de administrar a prova, em que começou na dianteira mandando ver.
Quando chegou ao km 15, porém, decidiu que era hora de dar um tempo, pois o ritmo estava muito forte e três adversários continuavam com ele no primeiro pelotão.
"Nenhum deles queria puxar, nenhum estava em condições de me ajudar com o ritmo", disse Tadese. "Então resolvi segurar um pouco para ir para a vitória. Fui para trás deles e planejei sair quando faltasse um quilômetro".
Assim pensou e assim fez, sem que ninguém pudesse fazer nada.
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h41
2º Mundial de Corridas de Rua
Recorde no asfalto
Nascida no Quênia, a hoje holandesa Lorna Kiplagat já dizia, durante a semana, que 20 km e meia-maratona eram as distâncias que ela mais gostava de correr. E hoje, nas ruas da italiana Udine, ela mostrou que tinha razão: quebrou o recorde mundial das duas distâncias e levou o título mundial de corridas de rua, competição oficial da IAAF (federação internacional de atletismo).
Ela pulverizou sua própria marca nos 20 km, tirando 24 segundo dos tempo que estabelecera em Debrecen há um ano e cravando 1h02min57 (tempo não-oficial, a confirmar).
Daí começou a correr de verdade para levar o ouro e fechar a meia-maratona em 1h06min25. Com isso, derrubou em 19 segundos a marca que a sul-africana Elana Meyer havia estabelecido há oito anos.
Ainda que o recorde mundial oficialmente reconhecido seja agora da holandesa nascida no Quênia, a marca mais rápida continua nas mãos (e nos pés) da britânica Paula Radcliffe, que correu 1h05min40 em 2003, mas o percurso tinha inclinação acima do aceito pela IAAF.
A segunda posição foi da queniana Mary Keitany, que quebrou o recorde de seu país ao marcar 1h06min48 (um segundo abaixo da marca anterior, que já durava oito anos). Ela foi seguida por sua compatriota Pamela Chepchumba (1h08min06).
Feliz com a vitória e com os prêmios (US$ 30 mil pelo ouro e US$ 50 mil pelo recorde), ela parecia ainda mais feliz pelos cada vez melhores resultados femininos: "No Quênia, durante anos as pessoas não acreditavam que as mulheres pudessem correr tão bem", disse ela, completando: "Veja agora, estou aqui com o uniforme holandês e tenho duas garotas do Quênia comigo: isso é a demonstração do desenvolvimento das corredoras quenianas".
Kiplagat corre pela Holanda há quatro anos, desde que casou com Pieter Langerhorst, que é também seu treinador.
A brasileira mais bem colocada foi Ednalva da Silva, a Pretinha, que fechou em 1h14min23, na posição 41. Lucélia Peres terminou no 48º lugar, em 1h15min39, entre as 56 moças que completaram a meia-maratona.
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h08
