Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Velhinhos da pá virada

Velozes sessentões

Somente os corredores de mais de 60 anos tiveram melhora significativa no seu desempenho na São Silvestre, comparando-se os tempos médios de 1998 com os do ano passado.

É o que mostra reportagem publicada hoje na Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Em 98, a média dos mais de 60 era de 1h36min56; caiu para 1h33min44 no ano passado. As mulheres mandaram ainda melhor, passando de 1h55min35 para 1h47min39.

Outras categorias, como a de 50 a 59 anos e a dos jovens até 19 anos, também tiveram melhoras, mas menos significativas.

Bem, saúdo todos os de mais de 60 e espero que, quando chegar lá (não falta muito, não), eu também consiga baixar meu tempo.

Aliás, aproveito e saúdo todo mundo, parabéns ao campeão da São Silvestre, ao último colocado e a todos entre um e outro.

E feliz Ano Novo!!!

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h15

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ESPECIAL - Entrevista com o Atleta do Século 20 da Costa Rica

Em paz com a vida

Prezado leitor, você deve lembrar do nosso visitante e colaborador ANDRÉ DIAS, brasileiro que hoje vive na Costa Rica. Há alguns dias, publiquei relato dele sobre sua experiência na São Silvestre. Pois continuamos a conversar por e-mail, e sugeri que ele procurasse conversar com Rafael Angel Pérez, atleta da Costa Rica que venceu a São Silvestre em 1974. A idéia deu um fruto sensacional, a entrevista que você vai ler a seguir, com texto de ANDRÉ especialmente para este blog.

O carro diminuiu a velocidade, e uma senhora aproveitou que três rapazes conversavam na calçada para pedir uma informação. A conversa foi interrompida, um deles deu a resposta, a mulher agradeceu, fechou o vidro e seguiu seu caminho.

Como um dos três que ali estava naquela manhã de domingo em San José, Costa Rica, vi que seguramente essa senhora não sabia que acabara de falar com Rafael Angel Pérez (na foto, com o entrevistador). Eleito o Atleta do Século 20 em seu país por sua trajetória e suas conquistas no atletismo, colecionando vitórias e recordes entre 1964 e 1983, Rafael esteve em duas Olimpíadas e correu em mais de 220 competições internacionais em 45 países. Como ele mesmo diz, sua vitória na São Silvestre de 1974 foi a mais famosa e a que mais repercutiu em sua carreira, mas não a mais dura e brilhante.

Tive a oportunidade de conhecê-lo por meio de amigos corredores que tenho aqui na Costa Rica, um pequeno e lindo país da América Central com pouco mais de 4 milhões de habitantes. Esse senhor de 59 anos, formado em educação física, doutor em educação curricular, professor universitário aposentado, casado e pai de três filhos, aceitou o convite para participar de um almoço de confraternização de meu grupo de corredores.

Ainda quando nos acomodávamos para a conversa, perguntei, se a partir de sua experiência, podia dizer se algum dos presentes tinha pinta de corredor. Éramos mais ou menos 25 pessoas, entre corredores amadores e familiares. Levantou a sobrancelha como quem diz ‘tá difícil‘ e respondeu: ‘Esse aqui eu conheço bem, corremos juntos, é bom corredor. Você tem pinta de corredor, ele também (apontando para nosso treinador). Mas o que faz um balão é o ar, então o que vale mesmo é o que o corredor tem por dentro‘. A conversa prometia ser boa. E eu já havia ganho minha medalha...

Em uma conversa informal, respondeu com paciência a todas às perguntas do grupo. A impressão que ficou foi de um homem em paz com a vida e que não ficou parado no tempo.

Pergunta - A vitória na São Silvestre em 1974 é considerada a maior conquista do atletismo costarriquenho. Você concorda?

Rafael Angel Pérez - Foi a corrida mais famosa que eu venci e a que teve mais repercussão na minha carreira. Podem até não se lembrar mais de mim, mas da São Silvestre (foto) muita gente lembra neste país.

Mas, se você me perguntar se foi a mais brilhante, eu diria que não. A mais brilhante foi a Meia Maratona de San Blas, em Coamo, Porto Rico (foto na próxima mensagem). Eu venci em 71 e em 76. Era ano de Olimpíada (76) e em ano olímpico as corridas eram duríssimas, todo mundo querendo alcançar marcas para se garantir nos Jogos. Nessa corrida estavam os grandes do atletismo mundial na época, como o colombiano Víctor Mora (vencedor da São Silvestre em 72,73,75 e 81), o finlandes Lasse Viren (campeão olímpico dos 5.000 e 10 mil metros em 72 e 76), os etíopes Mirus Yifter e Gabre Gurmu e o inglês Ron Hill. Então eu acho que esta foi minha vitória mais brilhante. Ganhei do Mora com uns 200 metros de vantagem. Fiz em 1h03.

Na São Silvestre, tinha gente muito boa também, como Roelants (vencedor da São Silvestre em 64,65,67 e 68), Palomares (vencedor em 71), o alemão Detlef Uhlemann, o colombiano Jairo Correa, o finlandés Kantanen. Mas em Coamo foi mais duro.

Ganhei a São Silvestre, que na época era de 8 km (na verdade 8,9 km) com o tempo de 23min58. Quando a gente corre, sabe mais ou menos a distância que percorreu, e eu acho que não tinha tudo isso lá. Pelo tempo que fiz acho que a corrida tinha um pouco menos. Era comum na minha época isto acontecer, não existiam os recursos de hoje para medição.

Pergunta - E como foi sua chegada aqui na Costa Rica depois da vitória na São Silvestre?

Rafael Angel Pérez - O ministro da Cultura e Esportes foi contra, mas acabou que fizeram uma grande festa. No aeroporto estavam o presidente e 14 ministros de Estado. Foi até feriado em San José.

Veja, eu tive muitos problemas com a imprensa durante a minha carreira, e eles acabaram fazendo uma imagem de que eu era polêmico, uma pessoa difícil. Por isto o ministro da Cultura foi contra.

Pergunta - Que tipo de problema?

Rafael Angel Pérez - Eu sempre disse o que pensava, e isso não agradava todo mundo. Lembro que a imprensa tentou fazer uma rivalidade minha com o (colombiano) Victor Mora, criar fatos, a imprensa gosta dessas coisas. Mas não existia nada. Eu e o Mora corremos juntos várias vezes e nunca houve rivalidade fora das pistas. Quando eu desmentia, eles não gostavam.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h00

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ESPECIAL - Entrevista com Rafael Angel Pérez, segunda parte

Experiência vivida

Pergunta - Eu li que o senhor teve de vender sua medalha ganha na São Silvestre em 1974 para poder seguir competindo. É verdade?

Rafael Angel Pérez - Eu vendi sim, mas não era a medalha. Não tinha nada escrito. Veja, naquela época os corredores não podiam receber prêmios em dinheiro, o COI não permitia. Para correr na Olimpíada, não poderia ser profissional. Então o que os organizadores das corridas faziam era dar ao vencedor uma medalha ou algo assim em ouro. Na São Silvestre, eu ganhei um troféu e essa medalha, que não tinha nada escrito. Era como uma barra de ouro, com um laço. E era de muito bom quilate.

Quando voltei para a Costa Rica, logo depois desta vitória, um clube na Espanha me chamou para correr por eles em um circuito de corridas nos meses de fevereiro a maio. Era o Celta de Vigo. Eles pagavam tudo, passagem, hospedagem e ainda tinha prêmio pelas corridas, que eram de US$ 1.000, US$ 1.500. Como eu queria levar minha mulher comigo, tive que vender minha medalha, ou seja, a barra de ouro para fazer dinheiro.

Lembro que o primeiro carro que comprei foi quando voltei da Espanha. Ganhei um bom dinheiro lá.

Pergunta - Para quem vendeu?

Rafael Angel Pérez - Vendi para um joalheiro aqui mesmo em San José. O ouro era muito bom e valeu uns US$ 6 mil na época. Depois sei que esse joalheiro vendeu pro Banco Central e está lá até hoje. Tem um projeto para devolver a medalha para mim. (Em 2006 um deputado elaborou um projeto de lei prevendo a devolução dessa medalha a Rafael).

Pergunta - A medalha faz falta para o senhor? Digo, como valor histórico e sentimental?

Rafael Angel Pérez - Não, era feito para isso mesmo. Não tem nada escrito nela. Eu vendi porque quis. Se você for à minha casa, todos os meus troféus estão lá para quem quiser ver. Está tudo lá. Quando me pedem emprestado para uma exposição, por exemplo, eu empresto sem problemas.

Eu corri em mais de 45 países, só não corri na África. Tenho esse lado, o de viajar e conhecer um monte de coisa bem satisfeito. O mais importante são as recordações, a experiência vivida, e isso eu tenho tudo aqui (apontando para a cabeça).

Pergunta - E tem alguma outra corrida que o senhor se lembra de ter sofrido, tido dor, aquela corrida que foi ganha na raça mesmo?

Rafael Angel Pérez - Lembro de uma que venci na Guatemala e que foi muito, muito dura, sofri bastante. Acho que isto foi em 80 ou 81, era uma corrida sem importância internacional, a meia-maratona de Coban. Fomos três corredores daqui, e estávamos divididos, não havia espírito de grupo entre nós.

Eu já estava perto do fim de minha carreira, e muitos corredores do país não aceitavam que eu continuasse ganhando. Um desses que também foi à Guatemala me disse antes da prova que já estava na hora de eu parar de ganhar, que assim era melhor para o atletismo na Costa Rica e propôs que revezássemos algumas vitórias. Eu disse que achava ótimo que houvesse outros vencedores ticos (apelido de quem é nascido na Costa Rica), mas que não faria nenhum acerto deste tipo. Fiquei muito bravo com aquilo.

O fato é que depois de cinco quilômetros o grupo da frente já estava a mais de 200 metros na minha frente. Mas eu não queria perder aquela corrida de jeito nenhum. Depois foi chegando uma parte com mais subida e percebi que os da frente iam ficando mais para trás e eu fui chegando. No começo de uma subida forte cheguei no grupo e um deles me disse para acompanhá-lo na subida. Forcei mais ainda, intimidando o cara mentalmente. Ganhei a corrida na raça, foi muito forte.

Outra corrida que acho que corri bem foi no Tenesse, nos EUA. Ganhei e bati o recorde nacional dos 10 mil metros que dura até hoje (28min48), então acho que foi uma boa corrida.

Pergunta - O senhor disse que é posssível intimidar o adversário para derrotá-lo mentalmente. Como é isto entre os corredores da elite?

Rafael Angel Pérez - Essa é uma das coisas que estou escrevendo para meu livro que deve ficar pronto em maio do ano que vem. Essa intimidação começava antes mesmo da corrida, já no hotel ou outro lugar onde os corredores se encontravam. Tinha um pouco de espionagem, um pergunta ao outro como vão as coisas, que provas e tempos tem feito, já para saber como o cara está. Durante a corrida, você usa seu ritmo para testar o adversário e dizer do que é capaz. No atletismo não tem muita enganação não, pelo menos na minha época. Era jogo limpo, chegou na frente, ganhou.

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h54

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ESPECIAL - Entrevista com Rafael Angel Pérez, terceira parte

Mulheres de valor

Pergunta - Quantas maratonas o senhor venceu?

Rafael Angel Pérez - Eu nunca fui um maratonista, não era minha prova mais forte. Acho que corri cinco maratonas. Ganhei duas (Bracos, El Salvador, 1982 e Long Island, Nova York, 1983), mas não era uma corrida que eu era muito bom. Meu melhor tempo foi 2h16. (Todos começam a rir, imaginando o tempo que faria se fosse bom).

Pergunta - Se o senhor tivesse poder e condição para mudar alguma coisa no atletismo da Costa Rica, o que faria para melhorar?

Rafael Angel Pérez - Pergunta difícil porque se trata de uma hipótese. Mas eu acho que a Federação perdeu muito de seu prestígio e poder. Tinha que ser mais forte, ter condições de fazer aqui um ambiente competitivo para nossos atletas. Eu vejo o Roy Vargas (corredor local que há três anos é o primeiro no ranking nacional de corridas de rua) ganhar um monte de corridas todos os meses por aqui. É um desperdício o que estão fazendo com esse jovem. Não sei quão competitivo ele seria lá fora, mas tem potencial. No entanto fica aqui participando de corridas inexpressivas porque precisa do dinheiro dos prêmios. É uma pena.

Outra coisa que eu faria seria organizar corridas por categoria, para que todos tenham seu reconhecimento social. Vocês muitas vezes batem seu recorde de categoria e ninguém fica sabendo. Todo corredor deveria se sentir um pouco vencedor, o que de fato é. Não importa se são dez quilômetros em 28 minutos ou em uma hora. É uma vitória para o corredor e, no entanto, ele não é reconhecido.

Pergunta - Qual a importância que sua família teve na sua vida de corredor?

Rafael Angel Pérez - Olha, minha mãe me incentivou muito. Sou filho de mãe solteira, éramos muito pobres e ela sempre me incentivou a estudar. Eu até que fui um aluno bem regular, sem maiores sustos. Quando ela viu que eu gostava de correr, me apoiou muito, porque antes eu gostava mesmo era de jogar futebol. Jogava de goleiro e então sempre estava com machucados nas pernas. Por isso minha mãe gostou quando fui correr.

Minha mulher também foi muito importante na minha carreira. Lembro que, quando nos casamos, fomos de lua-de-mel para a Praia do Côco (aqui na Costa Rica). Minha mulher conta que acordou às 5 da manhã e não me encontrou na cama. Quando viu pela janela havia alguém correndo na praia. Ela logo soube que era eu. E isso na nossa primeira noite de casados. E ela não ficou brava, não.

Nunca fui a um baile de 31 de dezembro enquanto era corredor. Isso minha mulher reclamava. Não dava para ficar acordado até de madrugada e treinar cedo no dia seguinte. Eu ia dormir às 8 da noite para poder treinar.

Quando decidi que iria para a São Silvestre de 74, tive que passar a trabalhar meio período para treinar duas vezes por dia. Eu dava aula de educação física em tempo integral. Minha mulher então teve que passar a trabalhar meio período para poder complementar o dinheiro para manter a casa.

Portanto, minha família foi muito importante na minha carreira. Sem essas mulheres na minha vida, eu não chegaria aonde cheguei.

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h51

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ESPECIAL - Entrevista com Rafael Angel Pérez, conclusão

Tenacidade é importante

Pergunta - Hoje em dia há tênis, roupa, relógio e outros equipamentos específicos para corredores. Na sua época como era?

Rafael Angel Pérez - Eu ainda tenho a camisa que utilizei na corrida de São Silvestre em 74. O tecido é grosso, pesado, muito diferente do que se vê hoje em dia. Lembro-me que quando comecei a correr ainda na adolescência, aqui na Costa Rica, não havia nenhum tênis adequado para o atletismo, talvez em poucos lugares como EUA e Europa houvesse alguma coisa. O primeiro tênis Nike que eu usei foi em 69. Era outra coisa, supermacio.

Pergunta - Toda essa tecnologia faz diferença na performance do corredor?

Rafael Angel Pérez - Eu acho que não. Não faz o corredor vencer. É importante para evitar lesões, dar conforto. Mas vence quem está mais bem preparado. Eu sempre digo que quem vence uma corrida não é quem acelera mais, mas sim quem desacelera menos. O importante é o que está dentro do corredor.

Pergunta - O senhor fala que o que o corredor tem por dentro faz a diferença na pista. Que valores são importantes no caráter de um corredor que o faz vencedor?

Rafael Angel Pérez - Nós somos todos iguais, quase igualzinho uns aos outros. A diferença genética entre nós é muito pouca. E, claro, isso ajuda na hora de definir quem será um bom corredor de quem não será. Mas não é o mais importante.

Eu acho que a tenacidade é muito importante. Ser capaz de manter seu objetivo por muito tempo e ter um sonho. Manter esse sonho. E suar muito. Vejo muita gente com sonhos bonitos. Mas são poucos os que suam para alcançá-los. No atletismo, se você não suar muito não vai estar lá na frente.

Pergunta - E o senhor ainda tem sonhos? Depois de suas conquistas no esporte, o senhor ainda tem sonhos em sua vida pessoal e profissional?

Rafael Angel Pérez - Pouca gente sabe, mas tenho doutorado em educação, sou aposentado como professor universitário. Nas últimas décadas, trabalhamos em um projeto de reforma curricular para o país e não foi possível implementá-la como gostaríamos. Erramos, é verdade, teve muita coisa que afinal não ficou bem elaborada e eu sigo trabalhando para poder aperfeiçoar a educação.

Eu não conquistei tudo o que queria no atletismo. Eu tive o sonho de ser campeão olímpico e não consegui. Participei de duas Olimpíadas, quando ainda estava muito cru para o atletismo. Estive no México e na Alemanha.

Pergunta - O que lhe faltou para conseguir o sonho olímpico?

Rafael Angel Pérez - Em 1976 houve uma disputa política no Comitê daqui, e eu fiquei do lado da oposição e não fui à Olimpíada. Mas naquele ano tive meu melhor desempenho, ganhei em Coamo e meu tempo de 10 mil era de 29min baixo. O vencedor em Montreal fez 28min e pouco (na realidade o vencedor, o finlandês Lasse Viren, fez 27min e 40 seg).

Não digo que eu seria o vencedor, mas poderia estar lá na frente disputando medalha. Claro, poderia ser que no dia desse tudo errado, mas eu estava mais forte, mais rápido.

Eu não deveria ter ficado aqui, deveria ter ido viver fora, em um ambiente mais competitivo. Aqui nunca tivemos centros de treinamento que realmente preparassem atletas para competições de alto nível. Na minha época, os grandes corredores já iam para centro de treinamento na altitude, como lá no Colorado nos EUA, no México também. Aqui nunca teve disso.

Pergunta - O senhor ainda corre?

Rafael Angel Pérez - Não, agora só caminhada. Gastei toda minha cota quando era corredor. Depois que parei de competir em 1983, tive asma. Caminho regularmente para manter a saúde, coisa que faço duas ou três vezes por semana.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h49

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Papai Noel não descansa na Coréia do Sul

Natal no asfalto

 

Vestidos de Papai Noel, milhares de corredores participaram da Maratona de Natal, uma corrida beneficente de dez quilômetros realizada em Seul, Coréia do Sul, no sábado passado (fotos AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h57

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Encontro marcado na São Silvestre

Te vejo na Paulista

Acabei decidindo mesmo correr a São Silvestre deste ano, talvez o mais desafiador que já enfrentei na minha curta vida de corredor.

Fiz três ultramaratonas, encavalei uma maratona 15 dias depois de uma prova de 50 km encabritadíssima, enfrentei meus primeiros cem quilômetros sem parar e sem perder nenhum pedaço do corpo, visitei lugares novos, conheci gente sensacional.

E tive o prazer e a honra de manter esse blog, que é engalanado pela sua leitura. Cada leitor vira um amigo, acompanhando esses momento todos, mandando comentários, fazendo sugestões, pedindo dicas, enviando colaborações sensacionais.

Bueno, conheço vários de vocês e gostaria de conhecer muitos mais.

Quem sabe, vai dar para a gente apertar a mão e se desejar Feliz Ano Novo ao vivo, na Paulista, depois da São Silvestre.

Se nada der errado e tudo der certo, vou fazer em menos de 1h45, talvez lá por 1h30. Depois de pegar a medalha, vou ficar um pouco por ali, em frente ao prédio da Fiesp, para saudar os amigos. Se der, apareça.

Outra coisa: não deixe de visitar este blog mesmo no feriadão. Até domingo, segunda cedinho no mais tardar, vou colocar no ar uma bela entrevista feita por um colaborador que vive no estrangeiro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h46

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Fala, leitor

Dilúvio na Brigadeiro

Na São Silvestre, tudo pode acontecer. E mesmo os mais bem preparados podem se surpreender, como mostra o relato do leitor FÁBIO ROGÉRIO SILVEIRA NAMIUTI, 36, analista programador que nos conta agora como foi sua primeira experiência na maior prova do Brasil.

Dias antes desta corrida, em dezembro de 2005, a minha principal dúvida era: quantas vezes eu teria que parar durante a prova para conseguir concluir os 15 km. Era só a minha sexta prova, pouco mais de seis meses depois da estréia. A mais longa até então, já que eu só fizera provas de 10 km antes.

Desde que eu era moleque, algo assim como 16 anos, já falava brincando que um dia iria participar da São Silvestre. O dia chegou, e como eu me preparei para ele! A começar por perder 30 kg (passar de 110 para 80), deixar de ser fumante (dois maços por dia), absolutamente sedentário, hipertenso, com triglicérides marcando 512 ... Mas isso tudo é uma outra história!

Chegamos, eu, minha esposa e minha irmã na Paulista mais de duas horas antes da largada, uma muvuca tão grande que mal deu pra ver a largada feminina. E como o tempo custou a passar, que ansiedade era aquela?

Uma hora antes fiz um trote leve pra aquecer, um alongamento meia-boca (mal tinha espaço para isso) e fui alinhar pra largada, longe pra caramba do Masp e no meio de um tumulto enorme. Até passar pelo pórtico foram intermináveis 12 minutos andando, quase rastejando.

O primeiro km na Paulista foi lento à beça, nem tinha como ser diferente no meio daquele povo todo. Muito legal se sentir uma ‘celebridade‘, a molecada na rua esticando a mão para te cumprimentar, a platéia te incentivando quase o tempo todo.

Na descida da Consolação deu uma dispersada, mesmo assim tendo que desviar dos fantasiados e disputar espaço palmo a palmo com o Lula, o Raul Seixas, a noiva, o Hulk, o cara com o vaso na cabeça e outros tantos.

Desci devagar para poupar os joelhos, conforme recomendado em todos os sites de corrida. Na Ipiranga e na São João já começaram a aparecer os primeiros desistentes, o calor estava brabo. No km 4 apareceu um camarada de São José que me cumprimentou e disse que já me vira treinando algumas vezes.

Foram passando Minhocão, av. Pacaembu, Rudge, as temidas subidas dos viadutos. Tudo o que eu estava acostumado a ver na TV em anos anteriores e que tinha até decorado de tanto estudar o percurso na internet.

E eu lá, firmão ! No km 10, na Rio Branco, eu estava na faixa dos 54 minutos. Eu não via a hora de encarar a Brigadeiro, passei quase sem olhar por toda aquela região do centro velho.

Perto do Teatro Municipal, o incentivo de um cara que estava assistindo foi muito importante. Ele disse algo como ‘vocês se esforçaram muito para chegarem até aqui e merecem terminar bem‘. Estava pronto para subir. Mas aí veio o inesperado: o dilúvio !!!

A chuva já começou forte, deu uma refrescada legal. A temperatura, que estava nos 32 ºC no início da prova, iria cair para 18 ºC. Mas as vantagens pararam por aí. A chuva estava tão forte, com granizo junto, descendo a ladeira e formando poças enormes na lateral da pista, que mal dava para enxergar.

Não conseguia olhar para a frente, tinha que ficar com o rosto de lado ou até de cabeça baixa. O tênis encharcou, as pernas já estavam pesadas e as trombadas com outros corredores eram inevitáveis.

Quando virei à direita, no final da Brigadeiro, a chuva já mais fraca, ainda tinha gás para um sprint nos 400 metros finais da Paulista. Mas aí já era meio tarde, o tempo bruto já passava de 1 hora e 39 minutos. E o tempo líquido, de 1 hora e 27 minutos. Se eu falar que não fiquei um pouco decepcionado, vou estar mentindo. Tinha tudo pra fazer um tempo bem melhor. Mas, de qualquer maneira, foi ótimo concluir a prova sem parar uma única vez.

Foi emocionante cruzar aquela linha de chegada que eu só via na televisão desde moleque. Passou todo um filme na minha cabeça, desde aquele primeira ‘tentativa de treino de corrida‘, ainda cheio de nicotina no sangue, alcatrão nos pulmões e com muitos quilos a mais, que não durou mais de 250 metros.

As piadinhas que eu ouvi nos primeiros trotes na rua, do tipo ‘vai rolando que chega mais rápido‘. O esforço todo que foi me livrar de tanto peso extra, queimados em cinco, seis treinos por semana. A primeira prova, seis meses antes nos morros do Parque Estadual de Campos do Jordão, que teve 10 Km e umas cinco paradas pra ganhar fôlego. Os meses de preparação para essa corrida, as subidas todas. Não importava que eu fosse apenas o 5634º da prova masculina e nem que tivesse feito quase o dobro do tempo do Marilson Gomes dos Santos.

A medalhinha que deram nem bonita era, mas naquele momento valia pra mim o mesmo que a de um campeão olímpico. Viriam muitas outras corridas depois, mas certamente essa estréia na São Silvestre foi inesquecível.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h57

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Feliz Natal, tchurma!

Alegria, alegria


Divirta-se muito neste Natal, aproveite a folga, coma e beba o que der e, quando der vontade, aproveite para uma corridinha

Ho, ho, Ho

Muito obrigado pela companhia, leitura, comentarios, sugest~oes e incentivos.

Desculpe se esta mensagem sair meio estranha, com formato diferente, pois nao estou no meu computador e , ao que parece, as coisas nao estao saindo perfeitas.

No outro Natal, se der certo, a gente corrige

Divirta-se!!

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h28

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Nem tudo na vida é São Silvestre

Rolha de poço

Doutor em física e matemática, ROLDÃO DA ROCHA JR., hoje com 31 anos, corre desde 1999. Já chegou a fazer os 10 km em 38min e 15 km em 59min, mas dores crônicas acabaram por derrubá-lo: teve de fazer uma cirurgia e só voltou às corridas em 2004. Mas veio com tudo: de 2005 para cá, esse pesquisador da Universidade Federal do ABC (Santo André) fez 103 corridas oficiais. Uma delas foi a Corrida Aniversário de Sete Lagoas, uma prova de 10 km realizada em novembro último em Minas, tema do breve e divertido relato que você vai ler a seguir.

Vamos ao texto de ROLDÃO.

"Corri com o numeral 290 em Sete Lagoas, cidade que dista 70 km de Belo Horizonte, terra de Franck Caldeira. Lá estavam ele e o Marílson, mas não correram, foram apenas prestigiar o evento.

Terminei os 10 km em 51min48’, o que está para lá de bom para um sujeito que hoje pesa 105 quilos.

A certa altura, no oitavo quilômetro, na ida de uma avenida, uns pinguços estavam em um bar e começaram a caçoar de mim:

- Você não me engana, gordo!

- Cortou caminho, gordo!

- Rolha de poço!-

Na volta pela mesma avenida, eu estava em um ritmo de 5min/km de média, um calor de 34 graus, e os bêbados continuavam a caçoar de mim.

Admito que sou um cara tranqüilo e de espírito esportivo, relevaria qualquer xingamento que tivesse recebido, porém nunca cortei caminho e nem vou cortar.

Passei em frente à mesa deles, o sangue ferveu, não agüentei e derrubei algumas garrafas de cerveja. Parei e ainda disse para a turma de uma nove pessoas: "Seus f.. da p..., vagabundos!!! Covardes, agora quero ver vocês correrem atrás de mim e alcançarem o gordo!! Vamos ver quem é gordo!"

O tempo fechou, literalmente. Quebraram duas garrafas e todos foram atrás de mim correndo, com os cacos...

Fechei o nono quilômetro em 4min26, incluindo a parada de cinco segundos, desaceleração e aceleração. Corri como nunca. Como nunca!

Enquanto eles me perseguiam, ainda lembrei da célebre frase de Idi-Amin Dadá: "Ainda que um homem corra, uma bala corre mais..."

A adrenalina realmente funciona. Ninguém me alcançou, não correram nem 200 metros. Fiquei a 13 segundos do meu recorde pessoal pós-cirurgia: 51min35."

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h33

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São Silvestre para iniciantes

Km por km

Faltam poucos dias para a São Silvestre, a corrida mais importante do calendário brasileiro de atletismo. Neste ano, muita gente vai fazer sua estréia na Paulista, que vai estar lotadaça. As 20 mil inscrições se esgotaram, talvez por causa da novidade do ano: homens e mulheres largam juntos às 16h45 (haverá outras largadas antes, para a elite e atletas com necessidades especiais).

Para facilitar as coisas para quem vai debutar, convidei NELSON EVÊNCIO, presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo, para dar algumas dicas, antecipando o que você vai encontrar a cada quilômetro da prova. Vamos às orientações de Evêncio.

LARGADA: Chegue máximo uma hora e meia e no mínimo trinta minutos antes, faça um bom aquecimento, alongue a musculatura e espere o tiro de largada com tranqüilidade. É comum alguns chegarem muito cedo, mas ficarem em pé por muito tempo e terem seu desempenho comprometido, anda mais com a temperatura elevada que costuma fazer nesta época do ano.

KM 1 e 2 - É muito difícil para quem não é atleta de elite conseguir correr no ritmo desejado durante o o primeiro quilômetro, mas isso vira mais uma atração da prova, com aquele monte de gente fantasiada, com faixas, cartazes. Completa-se o km 1 já na famosa av. Consolação, pouco depois de sair da Paulista. Começa então a descida. Embora o ditado proclame que "para baixo todo santo ajuda", deve-se descer com bastante cuidado, evitando o desgaste excessivo que poderá ser sentido mais para frente. É muito comum alguns acelerarem demais neste trecho e pagarem o preço minutos depois.

KM 3 e 4 - Descemos a avenida Ipiranga, passamos em frente à praça da República e seguimos pela av.. São João. São mais dois quilômetros de descidas leves, dando a falsa impressão que a prova é a maior moleza. Todo cuidado com a empolgação excessiva é pouco, pois há muita prova pela frente. Preste atenção: quando entrar na São João, erga o rosto e olhe lá para a frente. No elevado Costa e Silva, o Minhocão, a multidão de corredores é um verdadeiro espetáculo.

KM 5 - Um pouco depois da entrada do elevado Costa e Silva, começa a parte de subida da prova. Para quem não poupou suas energias ou não costuma treinar em subidas, pode começar o grande problema.

KM 6 - Ainda no elevado, onde, além do sobe e desce, o complicador normalmente é o forte calor. É uma parte da cidade não muito bem cuidada, mas vale pelos cumprimentos de incentivo dos moradores nas janelas! Não esqueça de também saudar o público que aplaude.

KM 7 - Rua Margarida e outras cheias de curvas, um pedaço da avenida Pacaembú e logo mais uma subidinha considerável, de onde pode-se avistar o belo Memória da América Latina.

KM 8 e 9 - Avenida Norma Gianalti e av. Rudge, onde até dá para recuperar um pouco o fôlego e encarar um trecho mais plano.

KM 10 - Ainda na avenida Rudge, chegamos a um ponto bem crítico, que é o viaduto Rudge. É um dos piores trechos devido à inclinação e ao calor. Muita gente diminui o ritmo por ali e depois não consegue mais recuperá-lo. Seguimos pela Rio Branco com muito calor, mas onde há sempre muita gente na rua incentivando. Passamos pela praça Princesa Isabel, descemos mais um pouco e logo em seguida chegamos ao famoso largo do Paissandú.

KM 11 e 12 - O largo do Paissandú, normalmente lotado de ônibus, carros, motos e confusão de pedestres, abre alas para os corredores. Mais à frente avistamos o lindo Teatro Municipal e seguimos pelo Viaduto do Chá. Momento de grande euforia, mas de mais uma vez conter a empolgação, pois logo virá a pequena, mas bem íngreme ladeira do largo São Francisco.

KM 13 e 14 - Finalmente chegamos a tão temível subida da av. Brigadeiro Luis Antônio. Para os profissionais, é onde normalmente as primeiras colocações são definidas; para os amadores, começa o maior desafio. O bom dali é que tem muita sombra e muita gente incentivando.

KM 14 e 15 - Alcançamos o trecho de subida mais íngreme da prova quando passamos por baixo do viaduto Treze de Maio, onde o corredor pergunta várias vezes para si mesmo o que está fazendo ali... Mas logo diminui a inclinação da Brigadeiro, e você já pode se imaginar na Paulista. O público avisa que falta pouco. A última curva e a corrida para a emoção. Arquibancadas lotadas dos dois lados da avenida, pessoas gritando e vibrando, fogos de artifício, pose para chegada, e finalmente: missão cumprida. A vitória é sua.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h10

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Comece a programar seu ano

De olho em 2008

O ano nem terminou, e várias empresas e associações organizadores de provas já divulgam seu calendário para 2008.

Isso é muito positivo, desde que as datas sejam efetivamente mantidas.

Bem, já divulguei aqui as datas das principais maratonas brasileiras.

Agora chegaram os calendários da Corpore, a segunda mais importante promotora de corridas do país, atrás apenas da Yescom, e da TH5, que organiza um interessante circuito no litoral de São Paulo.

No calendário da Corpore, destaco a IX Meia Maratona Corpore, que será realizada no dia 13 de abril. O evento inclui também uma prova de 6 km e costuma ser muito bacana, pois mostra a força da comunidade de academias, equipes de corrida e grupos de atletismo de empresas.

Das provas de praia, a minha predileta é a 25 KM InterPraias, no dia 4 de maio. Costuma ser um calorão desgraçado; pelo menos, neste ano, o abastecimento de água foi adequado.

Já que falei da Yescom, a meia de São Paulo organizada por essa empresa será no dia 9 de março; e a do Rio, no dia 12 de outubro, valendo como o Mundial de corridas de rua. Mas disso eu falo mais no ano que vem. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h57

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O que aprendi no treino de hoje

Pequenos passos

Meu treino de hoje foi uma longa e ritmada caminhada que, por mais de três horas e meia, me levou por becos, lombas, ruas ricas e remediadas, bonitas e feias dessa cidade monstruosa.

Numa esquina da Lapa, em uma rua feinha que ela só, com casas simples e descoloridas, de pequenas frentes, vi essa figura que iluminou meu dia.

Era uma senhora de seus quase 80 anos, talvez até um pouco mais, que despontava no jardim de sua casa. Ela tinha o corpo bem ereto, olhava firme para a frente e não parava de caminhar. Apoiava-se nas grades do jardim para dar passos laterais, com uma agilidade que, da calçada, me pareceu impressionante.

Era um tipo de exercício. Ela tinha começado no canto da varanda, segurando a grade para ficar tesa e firme, e seguia em direção ao outro extremo, distante uns cinco metros.

O meu ritmo de caminhada logo me levou a passar, mas pude perceber a determinação e a diligência com que a senhora, vestida em tons escuros, marrom a saia, verde-escura a blusa, dava cada um dos seus passos.

Imaginei que era uma forma de ela se apegar à vida, mostrar à vida que continuava ali, disposta a lutar, mesmo que mais frágil do que em tempos passados.

Ela me lembrou de minha vó, da luta de minha vó contra o mal de Parkinson.

Meses antes da morte, ela ainda se esforçava para fazer exercícios. Sentava numa poltrona, no vão da escada (nas casas de muito tempo atrás, as escadas dos sobrados tinham vãos; lá no cantinho extremo, ficava uma portinha para um porão onde morava a Velha Açucareira, a Cuca e o bicho papão, além de engradados de cerveja, caixas de tudo que é tipo e rejeitos em geral), erguia o braço e segurava uma tira de borracha, que ficava pregava no teto.

E ali minha vó fazia seu exercício, puxando a borrachinha, estendendo o braço, voltando a puxar. Não sei quanto tempo ficava, mas lembro que, cada vez que a via, ficava impressionado pela figura já então miúda, enfraquecida, porém determinada a continuar, a seguir, a lutar, ainda que soubesse --todos sabíamos-- que a derrota era certa.

E foi assim, num dia cinzento, treinando numa ruela da Lapa, com a imagem da velha senhora da esquina e a memória da minha vó, que descobri --ou, pelo menos, disse para mim mesmo com todas as palavras e cada uma das letras-- meu objetivo na vida.

É dar mais um passo. Meu objetivo na vida é dar mais um passo --na paixão por minha mulher, no amor por minhas filhas, no desempenho profissional, na vontade de mudar o mundo, na ultrahipersupermaratona da vida, na vida corrida.

Dar mais um passo --e ter vontade de dar outro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h18

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Afinal, quão lento é devagar???

Seis por quilômetro

Como diz o ditado, o peixe morre pela boca. Eu, que fico blog afora defendendo que cada um corre no seu ritmo etc. e tal, fui depreciar meu treino, falando que o ritmo de seis minutos por quilômetro era lento.

Isso provocou o leitor Fábio Montarroios, que corre nessa balada com conforto e satisfação, a perguntar se vale a pena investir para acelerar o ritmo ou se essa batida confortável está prá lá de boa? O comentário dele está, na íntegra, na seqüência do post "Eta treininho bom".

Em primeiro lugar, Fábio e todos os leitores, deixem que eu me desculpe por ter usado desqualificadamente a palavra "lento" (ou lerdo, que eu também gosto de usar).

Ela não existe sozinha. Algo só é lento (ou rápido) em relação a algo, alguém ou algum objetivo. Claro que quem corre a seis por quilômetro vai mais devagar que quem corre a três por quilômetro. Mas a questão é: quem corre a seis por quilômetro (ou a sete ou a dez ou a quatro) está satisfeito com o que está fazendo? 

Se estiver, beleza. Divirta-se e seja feliz.

Não se trata, acho eu, de encontrar a velocidade máxima de cada um ou de viver no conforto, mas sim de estar em paz consigo mesmo.

Há quem queira sempre correr mais rápido, faz um esforço danada para isso e fica muito feliz quando consegue --em contrapartida, fica emburradíssimo quando cai cinco segundos em relação ao tempo desejado.

Há quem corra todos os dias sem usar relógio e sem pensar em participar em prova alguma, apenas por correr ou para emagrecer ou, sei lá, para ficar quieto por um tempo, sem ninguém por perto.

Eu fico muito feliz cada vez que consigo terminar um treino. Bem ou mal, foi uma etapa cumprida.

Às vezes, sou mais rápido; em outras, as costas doem, os pés latejam, a cabeça manda contra e me arrasto, fico deprimido, nada mais no mundo vai dar certo. No outro dia, estou lá, para tentar de novo.

Enfim, meu prezado Fábio, a resposta curta para sua pergunta é: "Não sei".

Eu chutaria que você pode, sim, ficar mais rápido do que é hoje, considerando sua juventude e o pouco tempo de corrida que tem. Aliás, se você quiser investir nisso, talvez seja mais prudente deixar a maratona para mais tarde, mais para o final do próximo ano ou mesmo para 2009.

Mas só você (ou seja, só cada um de nós) é capaz de avaliar se vale a pena investir o tempo e o sofrimento necessários para tornar confortável um ritmo mais forte do que o que faz hoje. Porque tentar ficar mais rápido, qualquer que seja o ritmo em que se esteja, exige aplicação, determinação e tempo. E, se não for um processo ajustado, pode provocar lesões, tirar o corredor da rua.

É complicado, mas é uma boa complicação. Vai além do tempo e da corrida, ajuda a que nos perguntemos o que queremos de nós mesmos e da vida.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h01

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Jogos do Sudeste Asiático

Valeu, cara!

A expressão de Yahuza Yahuza, da Indonésia, mostra tudo o que ele sofreu e o tanto que vibrou ao completar a maratona dos Jogos do Sudeste Asiático, que terminaram ontem em Nakhon Ratchasima, na Tailândia. O tempo do medalhista da foi grande coisa, apenas 2h23min46, mas lhe valeu o ouro na primeira maratona de sua vida.

Foi a primeira vitória da Indonésia na prova desde 1997, quando Nabunome Eduardus estabeleceu o recorde dos SEAG (Jogos do Sudeste Asiático, na sigla em inglês) ao correr 2h20min27.

Na prova feminina, Sunisa Sailomyen tornou-se a primeira tailandesa a conquistar a vitória na distância nos Jogos. Venceu em 2h43min33 --apesar de modesto, é o segundo melhor tempo da história dos SEAG.

Foto AP

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h27

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Êta treininho bom

Frio e velocidade

Em geral, fico na minha com os treinos do dia-a-dia, mas hoje peço licença para compartilhar com você a alegria e a satisfação que tive no longuinho matinal.

Apesar de ter ido dormir tarde, depois da meia-noite, acordei às 6h para aproveitar o clima propício.

pouco antes da sete, afinal, saí em direção à USP, já enfrentando as ladeiras da Pompéia, mas descansando na descida da Pereira Leite.

A USP, quando cheguei, estava vazia, cinzenta, tristinha. Os primeiros treinadores organizavam seus lugares, mas o povo não tinha chegado ainda. Corriam por lá os mais madrugadores.

Eles pareciam ser também muito rápidos, pois só depois de 3 km rodando fui alcançar alguém. Mas não estava dando muita bola para isso, prestava mais atenção em como meu corpo estava respondendo ao que eu pedia. E respondia bem.

Era para rodar entre 6min40 e 7min10, mas os quilômetros estava ficando em torno de seis minutos e meio, sem esforço. Claro que a subida da Biologia deu uma derrubada no tempo, assim como a descida, que encarei com todo o cuidado.

Quando terminei a primeira volta, com 15 km, estava lépido e fagueiro, pronto para a outra. Agora já tinha mais gente, dava para ultrapassar, fazer que estava em alguma disputa, marcar "adversários".

Só fui sentir um pouco de cansaço lá pelo km 22, mas daí já estava quase no fim e, para combater o inimigo, sentei o pau, fiz o penúltimo km em 6min07 e o último, em 5min50.

Sei que são tempos lerdíssimos para boa parte dos corredores, mas, para mim, foi um conquista, especialmente porque obtidos no final de um treino bem mais forte que o planejado.

Enfim, apesar de alguma dor lombar, deu tudo certo, e saí muito feliz, sabendo que podia fazer pelo menos mais 10 km sem cansar e pensando em encontrar logo-logo uma maratona por aí e estraçalhar. Quem dera...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h34

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Para ninguém esquecer

Direitos humanos

 

O fato de você e eu gostarmos de corrida não significa que fiquemos cegos para o que ocorre no mundo, que celebra nesta segunda-feira, dia 10, o Dia dos Direitos Humanos.

Para lembrar a data, a agência EFE distribuiu hoje a foto das mãos atadas e pintadas de Christian Diyoka, um refugiado da República Democrática do Congo (RDC), durante um protesto contra o tratamento dado pelo governo sul-africano aos refugiados. A manifestação ocorreu em frente ao Parlamento, na Cidade do Cabo, na terça-feira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h13

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Histórias da São Silvestre

Sem meia-noite

Dando seqüência às histórias vividas na São Silvestre, trago agora o relato de JAIR SANTIAGO FILHO, 29, administrador de empresas que corre há sete anos e pretende estrear na maratona em 2008. Ainda dá tempo para você mandar a sua história (envie o texto para rodolfolucena.folha@uol.com.br). Bom, vamos à experiência de Jair.

"Sou triatleta e viciado em corrida.

"Na São Silvestre de 2004 (a edição de número 80), eu e minha então namorada (hoje esposa) resolvemos correr. Como ela trabalhava em uma das empresas patrocinadoras do evento, conseguimos largar nas categorias elite (para ela) e elite B (para mim).

"Tive, assim, a oportunidade de não ficar no meio da galera e de aquecer junto aos atletas de elite. Impressionante, mas os quenianos não sabem trotar: são muito desengonçados.

"Como nunca havia disputado nenhuma prova no período da tarde (e a prova só se iniciava às cinco), fiz um almoço baseado em arroz, feijão, batatas e carne. Não preciso nem comentar que o efeito memória do almoço ainda estava presente no final da tarde.

"Quando deu a largada, saímos correndo como loucos, eu e o meu técnico tentando alcançar o pessoal da elite. Eu e um amigo estávamos em um ritmo sub-4min/km, na esperança de terminar a prova em cerca de uma hora, até menos.

"Mas, no km 8, a coisa começou a azedar, e as pernas a endurecer (para mim, o trecho da av. Rio Branco é o pior).

"Subimos a Brigadeiro e vi meu técnico uns 500 metros à nossa frente. Um colega que estava comigo deu a idéia de darmos um tiro para alcançarmos... Mas quem é que teria pernas no km 14?

"Resolvemos gritar e chegamos juntos em um tempo heróico de 1h07.

"Naquele mesmo ano, correu conosco um camarada com uma peruca cor-de-rosa. Não preciso nem mencionar os xingamentos que o sujeito ouvia (e eu por tabela). Uns dois meses vim a conhecê-lo e até hoje treinamos juntos...

"A festa de final de ano? Ficou para o ano seguinte. As pernas doíam muito e não tínhamos nem condições de chegar à meia-noite."

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h10

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Dicas básicas de nutrição para esportistas

Comida de corrida

Como está prometido na minha coluna desta quinta-feira, no caderno Equilíbrio, da Folha, trago para você um texto da nutricionista CYNTHIA ANTONACCIO com dicas sobre alimentação para esportistas. Ela é mestra em nutrição pela USP, sócia-proprietária da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem-estar e autora de "Boa Forma em 8 Semanas" (ed. Marco Zero).

Confira a seguir a orientação que ela apresenta.

"Um programa alimentar que atenda às demandas nutricionais de um exercício físico intenso é fundamental para o bom desempenho e a evolução nas metas estabelecidas tanto para a corrida quanto para outras modalidades esportivas. Por isso, os esportistas devem assumir um compromisso com:

Disciplina de horário - tanto para as refeições principais quanto para aquelas antes, durante e após o exercício. Ficar horas sem comer estimula o cortisol --um hormônio que estimula a utilização dos aminoácidos como fonte de energia-- ou seja, permite o catabolismo do músculo.

Planejamento das compras - para ter sempre à disposição alimentos e suplementos que permitam desde uma refeição rápida em casa àquelas que você carregará quando estiver na rua.

Ser mais seletivo - quanto ao grupo de alimento. É claro que todos os alimentos devem participar da dieta, mas dentro de um mesmo grupo de alimentos prefira opções com maior teor de fibras, com gorduras de boa qualidade (mono e poliinstauradas) e com baixo teor de açúcar e sódio.

Portanto, nas refeições principais, combine de forma adequada ao seu gasto energético, as seguintes porções:

1. Proteína de boa qualidade sem excesso de gordura saturada;

2. Vegetais coloridos e preparos ao vapor por serem mais nutritivos;

3. Grãos integrais: uma das melhores opções é a combinação de arroz com feijão. Mas vale também a batata, cozida ou como purê, e o macarrão.

Já os lanches podem ser compostos de alimentos de fácil digestão, como cereais em flocos ou em barras, iogurtes com menor teor de gordura, castanhas, pão integral com um pouco de queijo e frutas.

O lanche antes do treino

Eles devem incluir principalmente o carboidrato --esse nutriente garante uma energia contínua durante o exercício. Tente evitar o consumo de refeições ‘pesadas‘, com excesso de proteína ou gordura --cuja digestão é mais lenta, podendo provocar desconforto gástrico durante o exercício.

Os carboidratos são os principais substratos energéticos envolvidos na atividade física. Eles servem de matéria-prima para a produção de glicogênio muscular, que é a primeira e a principal fonte de energia utilizada durante o exercício. Quando a quantidade de carboidratos é insuficiente, o desempenho fica prejudicado.

A sua refeição antes do exercício depende do horário:

30 minutos antes: prefira alimentos de rápida absorção, como os isotônicos e água de coco, por não serem muito concentrados e permitirem um rápido esvaziamento gástrico. As barras energéticas e gel podem ser também boas alternativas para entregar carboidrato.

1 hora antes: alimentos como frutas, torradas, pão, geléia, suco, ricos em carboidratos e sem excesso de fibras são a melhor opção. Mas também valem as barras, gel e bebidas concentradas em carboidrato.

Mais de 1 hora antes: como já existe um tempo maior para digestão, vale testar como o organismo reage ao consumo de alimentos que contêm tanto carboidratos quanto proteína --com baixo teor de gordura. Exemplos são: pão com frios light, torradas com requeijão light, salada de fruta com iogurte ou mesmo uma vitamina com frutas, cereais e iogurte, bem como barras de proteína.

Após os exercícios

Os carboidratos ainda são importantes após o exercício para repor a energia gasta durante o treino. Seu consumo associado a proteínas tanto potencializa a absorção dos carboidratos quanto a reposição das proteínas. Um lanche natural com um suco de fruta é uma ótima opção! Mas, dependendo do horário, pode ser oportuno um shake de proteína ou mesmo uma refeição com grelhado, salada e uma porção de arroz ou batata.

Hidratação

Para garantir uma boa hidratação, procure ingerir líquidos antes de treinar e a cada 15 minutos. Em casos de uma atividade física muito intensa (acima de uma hora) ou em condições climáticas específicas (clima seco), é necessário recorrer a bebidas esportivas que contenham um pouco de carboidrato e eletrólitos (sódio, potássio etc.), pois só a água muitas vezes não consegue repor todos os minerais perdidos durante o treino.

E não espere sentir sede para começar a ingerir líquidos, pois a sensação de sede já é um dos mecanismos do organismo avisar que está em processo de desidratação. Quanto antes começar a ingestão de líquidos é melhor! A quantidade ideal de líquidos pode ser avaliada com a diferença entre o peso corpóreo antes e logo após a atividade."

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h27

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Nova vida no verão de 2008

Dicas para bons treinos

Como digo na minha coluna desta quinta-feira no Equilíbrio, na Folha, convidei a treinadora CRISTINA CARVALHO para dar algumas orientações básicas para nortear os primeiros passos de quem quem começar nas caminhadas e corridas. Cristina, 38, é formada em educação física pela USP e diretora do Projeto Mulher e do Núcleo Aventura. Integrou a seleção brasileira de triatlo de 1991 a 2002, participou da Natura Atenah, melhor equipe brasileira do Ecomotion Pró 2006, e foi a melhor brasileira nas edições de 2006 e 2007 do Xterra.

Leia as recomendações que ela nos manda.

1. EXAME MÉDICO - Para iniciar um treinamento, é OBRIGATÓRIO estar com seus exames médicos em dia. Caso contrário mantenha um ritmo que você consiga conversar durante a caminhada ou corrida do começo ao final do seu treino.

2. ALONGAMENTO - Alongue os principais músculos envolvidos na corrida antes e depois do seu treinamento, fique de 30 segundos a um minuto em cada posição e foque sua atenção na sua respiração. Além disto, antes de começar seu treino, você dever fazer 20 rotações de um lado e depois do outro nas principais articulações do seu corpo (tornozelo, joelhos, quadris, ombro e pescoço). CUIDADOS: Logo após sua caminhada ou corrida, seu corpo está mais aquecido. Se você exagerar na amplitude e intensidade do seu alongamento, você pode machucar sua musculatura além de alonga-la. Portanto, lembre-se que nesse momento o alongamento sugerido é suave e feito com tranqüilidade.

3. DIVIDA SEU TREINO EM TRÊS FASES: aquecimento, série principal e desaceleração.

4. FASE 1: AQUECIMENTO - Dedique de 10 a 15 minutos para aquecer seu corpo, procurando manter o ritmo da sua caminhada ou corrida constante e confortável.

5. FASE 2: SÉRIE PRINCIPAL- Aumente o ritmo do seu treino em relação ao aquecimento ou faça um jogo de velocidade com intervalos de ritmo fortes intercalado com intervalos de ritmo fracos. Vale combinar corrida com caminhada, caminhada firme com caminhada forte, corrida leve com corrida forte, corrida forte com caminhada... A idéia é nessa fase você exigir mais das suas pernas e coração.

6. FASE 3: DESACELERAÇÃO - Dedique de 10 a 15 minutos com caminhada ou corrida num ritmo constante e confortável antes de terminar seu treino.

7. PERIODIZAÇÃO- Inicie seu treinamento periodicamente. Comece com dois ou três treinos distribuídos na semana. Aumente, gradativamente, essa freqüência até, no máximo, seis vezes na semana. Neste caso, intercale dias de treino fortes com dias de treinos mais leves.

8. DURAÇÃO DE CADA TREINO: Os treinos podem durar de 40 minutos a uma hora. Se você quiser exceder esse intervalo, seria prudente buscar a orientação de um treinador ou professor de corrida. Lógico que caminhadas longas em ritmo de passeio vale usar e abusar do corpo... Apenas não esqueça da hidratação, protetor solar e estar bem alimentado.

9. INTENSIDADE DO TREINO: O ritmo do seu treino deve ter três intensidades diferentes: moderado, firme e forte. Moderado é aquele ritmo em que você consegue falar e dar risada sem se cansar, é a caminhada para alguns ou o trotinho de corrida para outros. Firme é um ritmo que permite falar, mas, falar menos e se concentrar na respiração para não perder o fôlego (pode ser caminhada, trote ou corrida mais acelerada). Forte é um ritmo que não dá para falar: o coração bate forte, a respiração fica ofegante e não dá para manter o esforço por muito tempo (é como fugir de alguém).

10. RESPIRAÇÃO: Concentre-se na respiração, ela é a principal responsável por seu desempenho físico. Use a boca e o nariz para entrada e saída do ar. A inspiração (entrada de ar) costuma ser menos eficiente quando aceleramos o ritmo da caminhada ou da corrida. Se você quiser no início inspirar dois tempo para cada expiração (saída de ar), isso pode ajudar a manter o esforço por mais tempo sem perder o fôlego. O mais importante aqui é você lembrar de usar a boca além do nariz para respirar durante a fase do treino que o ritmo estiver mais acelerado.

11. FREQUÊNCIA CARDÍACA: A freqüência cardíaca pode servir de parâmetro para a intensidade do seu treinamento.Se seus exames cardíacos estiverem em dia, vale deixar a freqüência subir sem medo; se você não estiver em dia com seus exames médicos, mantenha a freqüência dentro do permitido para sua idade (uma fórmula genérica para saber a freqüência máxima é tirar a idade de 220: se você tem 38 anos, por exemplo, sua freqüência máxima é de 182 e seu ritmo confortável, de 110 a 130 batimentos por minuto.

A seguir, confira duas planilhas com sugestão de treino de um mês para quem deseja começar a correr (caminhantes) e para quem está nos primeiros passos da corrida (iniciantes).

Bons treinos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h33

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Nova vida no verão de 2008 - caminhantes

Um passo à frente

Eis aqui a planilha elaborada pela professora Cristina de Carvalho com sugestão de treino de um mês para quem quer começar a correr (nivel caminhante)

 

SEMANA 01

SEMANA 02

SEMANA 03

SEMANA 04

Segunda

LIVRE

ALONGAR

1H ANDAR FIRME

100 ABDOMINAIS

ALONGAR

ALONGAR

1H ANDAR FIRME

100 ABDOMINAIS

ALONGAR

ALONGAR

1H ANDAR FIRME

100 ABDOMINAIS

ALONGAR

Terça

ALONGAR

10'ANDAR LEVE

3 VEZES:

3 X 30 AGACHAMENTOS

2'ANDAR/ 3'CORRER

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

ALONGAR

10'ANDAR LEVE

3 VEZES:

3 X 30 AGACHAMENTOS

2'ANDAR/ 3'CORRER

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

ALONGAR

10'ANDAR LEVE

3 VEZES:

3 X 30 AGACHAMENTOS

1'ANDAR/ 3'CORRER

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

ALONGAR

10'ANDAR LEVE

10  X 1’ TROTE

        20 AGACHAMENTOS

        2’ MUITO FORTE

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

Quarta

LIVRE

LIVRE

LIVRE

LIVRE

Quinta

ALONGAR

15'ANDAR LEVE

6  X  2'CORRER

        4’ ANDAR

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

ALONGAR

15'ANDAR LEVE

4  X 4’ CORRER

         4‘ ANDAR

10'ANDAR LEVE

ALONGAR

ALONGAR

15'ANDAR LEVE

5  X  4’ CORRER

         2' ANDAR

ANDAR ATÉ 1 H TREINO

ALONGAR

ALONGAR

10'ANDAR LEVE 

5  X  4’ CORRER

         1' ANDAR

ANDAR ATÉ 1 H TREINO

ALONGAR

Sexta

LIVRE

LIVRE

LIVRE

LIVRE

Sábado

ALONGAR

5 X   4'ANDAR

        2'CORRER

ALONGAR

ALONGAR

6 X   4'ANDAR

        2'CORRER

ALONGAR

ALONGAR

7 X   4'ANDAR

        2'CORRER

ALONGAR

ALONGAR

8  X   4'ANDAR

         2’ CORRER

ALONGAR

Domingo

LIVRE

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h33

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Nova vida no verão de 2008 - iniciantes

Mais ritmo

Eis a planilha elaborada pela professora Cristina de Carvalho com sugestão de treino de um mês para quem já corre (nível iniciante).

   
SEMANA 01
 
SEMANA 02
 
SEMANA 03
 
SEMANA 04
 
Segunda
 LIVRE  ALONGAR

40'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR

 ALONGAR

45'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR

 ALONGAR

45'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR

 
Terça
 
ALONGAR

10'CORRER LEVE

2' FORTE / 4' FORTE / 6'FORTE /  6'FORTE /  4' FORTE  / 2'FORTE /

COM 2'ANDAR

10'CORRER LEVE

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

3 VEZES :

3X (30''MTO FTE/ 1'30 LEVE) 

4'FORTE / 2'ANDAR

10'CORRER LEVE

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

2' FORTE / 4' FORTE / 6'FORTE /  8' FORTE / 6'FORTE /  4' FORTE  / 2'FORTE /

10'CORRER LEVE

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

3 VEZES :

6X (30''MTO FTE/ 1'30 LVE) 

4'FORTE / 1'ANDAR

10'CORRER LEVE

ALONGAR

 
Quarta
 LIVRE  LIVRE  LIVRE  LIVRE
 
Quinta
 
ALONGAR

10'CORRER LEVE

8 X  2’ TROTE

       20 AGACHAMENTOS

       1’ MUITO FORTE

10'CORRER LEVE

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

8 X   2'TROTE

        20 AGACHAMENT.

        2' MUITO FORTE

SOLTAR ATÉ 1 H TREINO

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

15  X 1’ TROTE

        20 AGACHAMENTOS

        1’ MUITO FORTE

SOLTAR ATÉ 1 H TREINO

ALONGAR

 ALONGAR

10'CORRER LEVE

10  X 1’ TROTE

        20 AGACHAMENTOS

        2’ MUITO FORTE

SOLTAR ATÉ 1 H TREINO

ALONGAR

 
Sexta
 LIVRE  LIVRE  LIVRE  LIVRE
 
Sábado
 
ALONGAR

40'CORRER LEVE

ALONGAR

 ALONGAR

45'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR 

 ALONGAR

45'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR

 ALONGAR

45'CORRER LEVE

200 ABDOMINAIS

ALONGAR

 
Domingo
 
LIVRE
 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h31

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Acabaram as vagas para a São Silvestre

Paulista lotada

Os organizadores da São Silvestre encerraram o processo de inscrição para a prova. As 20 mil vagas foram preenchidas, o que indica uma Paulista lotadaça no próximo dia 31.

As inscrições, feitas somente pela internet, foram abertas no dia 12 de setembro, e o anúncio do encerramento foi colocado no ar hoje no site da prova.

Os kits deverão ser retirados no Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro, rua Abílio Soares, 1.300, no Ibirapuera. Nos dias 27 e 28, o atendimento será das 12 às 20 horas. Nos dias 29 e 30, a entrega será das 9 às 17 horas. No dia da prova não serão entregues kits.

Fique esperto com os novos horários de largas. Às 15h15, saem cadeirantes e categoria especial; às 16h30, elite feminina; e às 16h45, elite masculina e demais categorias. Como você já viu neste blog, neste ano homens e mulheres correrão no mesmo horário.

A festa vai ser grande e a muvuca também. Deixe o carro em casa e vá de metrô; a estação Trianon-Masp dá na boca da largada, mas talvez seja melhor descer na estação Brigadeiro e vir caminhando com calma até a largada.

Devo dizer que não tenho muito entusiasmo pela prova, mas já vi tantos relatos bacanas que resolvi me garantir e fazer minha inscrição. Estarei de plantão no dia 31, então decidirei na hora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h26

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Jogos dos Povos Indígenas

Carregamento de tora

Em primeiro lugar, perdão, leitor, pela demora em trazer as informações prometidas sobre os Jogos Indígenas, cuja nona edição terminou no último final de semana, em Olinda.

Como já disse neste blog, a Olimpíada indígena envolveu vários esportes específicos, mas também jogos de futebol e modalidades de atletismo, como a corrida de cem metros.

Bueno, mas claro que as grandes atrações foram as modalidades indígenas, como o carregamento de tora, uma corrida de revezamento em que o atleta carrega um tronco de árvore que pesa algumas dezenas de quilos.

Na quarta-feira passada, mulheres da nação Kanela fizeram uma demonstração da competição (foto no alto da página). Oito moças, divididas em dois grupos, se revezaram para correr com as toras de 80 kg. No dia seguinte, ocorreu a corrida para valer, e os homens tiveram de carregar troncos de cerca de 100 kg enquanto o cacique pronunciava palavras de incentivo. Atletas da nação Kanela (foto ao lado) enfrentaram adversários da nação Xavante e levaram a melhor.

Também houve competições de cem metros e corridas mais longas de quase 3.000 metros. A foto acima é da prova de velocidade disputada na quarta-feira. A última cena mostra índios de diversas tribos erguendo seus troféus, no dia do encerramento do evento.

 

Todas as fotos são da Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h12

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Dança das cadeiras para a maratona olímpica

Tá fraco, mas tá bom

Vanderlei Cordeiro de Lima terminou hoje na sétima posição na maratona de Milão, com o tempo de 2h12min54.

Nada demais, inferior até ao recorde que ele estabeleceu na maratona de São Paulo, mas suficiente para, neste momento, fazer com que ele pule do sexto para o terceiro posto no ranking brasileiro de maratonistas, conseguindo uma vaga na equipe brasileira que vai a Pequim.

Mas quem se deu bem, mesmo, foi José Teles de Souza, 36, que terminou uma posição à frente de Vanderlei, cravando 2h12min24 nas ruas milanesas, passando a ser, por enquanto, o dono da segunda vaga na equipe olímpica. Isolado no primeiro posto está Marílson Gomes do Santos, que tem a marca de 2h08min37, que parece difícil de ser batida.

Com os resultados de hoje, Clodoaldo Gomes da Silva e Franck Caldeira, que estavam no segundo e terceiro postos no ranking brasileiro da maratona, despencam para o quarto e quinto lugares, respectivamente.

Talvez quem mais tenha festejado, porém, tenha sido o alagoano Cosme Ancelmo de Souza. Ele terminou em décimo em Milão, mas seu tempo (2h14min44) é um segundo melhor que o de Geovane de Jesus Santos, e lhe vale o sexto posto no ranking brasileiro.

Souza demonstra um altíssima capacidade de recuperação, pois estabelecera seu melhor resultado havia pouco mais de um mês, quando correu 2h22min30 em Foz do Iguaçu, no dia 12 de outubro.

A data-limite para a definição do time brasileiro de maratonistas para Pequim é 11 de maio.

Bom, só para não dizer que não falei dos vencedores de Milão, deu dobradinha queniana. Evans Kiprop Cheruiyot venceu no masculino e Pamela Chepchumba dominou a prova feminina. Ambos tinham sido medalha de bronze no Mundial de corrida de rua em Udine. Foi a estréia de Cheruyot na distância, estabelecendo a boa marca de 2h09min15, melhor tempo registrado na Itália neste ano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h46

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9ª edição da Volta Internacional da Pampulha

Marizete e Baldaia

Franck Caldeira conquistou hoje o tricampeonato na Volta da Pampulha, em Minas, correndo alegre e festejando muito nos metros finais, o que acabou por impedir que ele tirasse de Vanderlei Cordeiro de Lima o título de melhor tempo brasileiro na prova. Mas, pelo pouco que a TV, entretida com a virada da seleção masculina de vôlei no Japão, mostrou da prova, os nomes da corrida foram Marizete Rezende e Maria Zeferina Baldaia.

Falo isso porque, na penúltima vez que a Globo mostrou a competição da elite feminina, a queniana Nancy Kipron dominava sem contestação, seguida pela tricampeã Lucélia Peres, que era acompanhada, passos atrás, por Baldaia, com seu maravilhoso sorriso aberto e agora com cabelos mais longos.

Quase fora do vídeo, vinha Marizete, mais para a esquerda, parecendo desviada da rota. O imagem terminou com as ponteiras engolindo a câmera e Marizete parecendo seguir para a calçada, dando a impressão de que desistia.

Na verdade, ela apenas, na hora, havia escolhido pegar água do outro lado. Continuava na prova e se manteve firme na perseguição, como mostrou a última parte da transmissão da prova, quando a queniana tomou conta da tela, parecendo chegar sozinha para a vitória. Mas Marizete vinha firme, corpo mirrado em comparação com a longilínea Kipron. Na TV, a distância era enorme, e a brasileira fazia um esforço danado para correr: será que iria desistir, será que não iria agüentar?

Na tomada seguinte, estava mais próxima, até dava vontade de torcer por uma chegada embolada. Não se via nenhuma outra brasileira, era com Marizete mesmo, que já tem no seu cartel títulos da São Silvestre e da maratona de São Paulo, além de uma dura experiência de dois anos de suspensão por doping (leia AQUI uma entrevista que fiz com ela em 2001, antes que tudo isso acontecesse)..

No seu rosto estavam estampados o esforço e a vontade de chegar, mas o corpo não deixou: "Não sei exatamente do que se trata, mas o fato é que não consegui respirar direito. A perna estava boa, mas faltou ar", disse ela, que agora volta aos treinos para tentar lugar no pódio em São paulo no dia 31 de dezembro.

Depois dela, quem chegou foi Baldaia. Não deu para saber se Lucélia fraquejou ou se a corredora radicada em Sertãozinho tinha guardado fôlego para a arrancada final no forte calor. O fato é que Maria Zeferina está voltando aos pódios, depois de uma longa temporada de sobe-e-desce por causa de lesões. Foi a segunda na São Paulo Classic, com um tempo bem razoável de 34min40, e demonstra que também está disposta a buscar um lugar de destaque na avenida Paulista.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h43

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Fala, leitor - São Silvestre da Costa Rica

A conquista de Seu Francisco

Como prometido, começo neste domingo a publicar algumas das muitas histórias que chegam sobre a São Silvestre. Se você ainda não enviou a sua, sinta-se convidado, convocado até. Mande para rodolfolucena.folha@uol.com.br. O relato de hoje foi mandado por ANDRÉ DA SILVA DIAS, 36, engenheiro florestal paulista que mora na Costa Rica com a mulher e a filha. Corredor desde os 15 anos, ele relata experiências vividas lá e cá. Vamos ao texto.

Há 12 anos não moro mais em São Paulo. Como final de ano é época de estar com a família, quando aviso que estou chegando logo me perguntam: "Vai correr a São Silvestre?".

Já é parte da vida.

Para mim é mais de que uma corrida. Tem a parte atlética, claro. Mas vou mesmo por que é uma linda festa de corredor.

Quem já participou sempre chega à próxima corrida procurando na multidão aquelas figurinhas carimbadas: o Raul Seixas, o cara vestido de noiva, o Super-Homem, o Ayrton Senna de capacete e tudo, o garçom, o cara com a bicicleta superenfeitada, alguém fantasiado de presidente, Jesus Cristo em pessoa carregando a cruz.

E tem a música do filme "Carruagens de Fogo" na hora da largada e na chegada. Para mim, é a música da São Silvestre. Até quando a escuto em um elevador ou na sala de espera do dentista me emociono.

Uma vez, fiquei realmente contente com meu tempo. Fiz em 1h16. Meu recorde pessoal. Cheguei um pouco atrás do Papai Noel e um pouco antes do Incrível Hulk. Que chegada...só a São Silvestre para proporcionar isto.

Mas há vezes que dá vontade de não correr nunca mais. Em 2000, primeiro ano com inscrição por internet, fui todo contente e ansioso retirar meu kit e, para minha surpresa eu não existia no sistema. Solução da organização: devolver o dinheiro da inscrição.

Até parece que o único investimento do corredor é a inscrição. E os meses de treinamento, os gastos com viagem e hospedagem, as responsabilidades com quem patrocinou? E o sonho do corredor?

Um senhor ao meu lado, Seu Francisco, vinha de Pernambuco realizar seu sonho: correr a famosa corrida que na cidade dele todos viam pela televisão montada na pracinha central na noite de Ano Novo e que ele disse a todos que um dia iria corrê-la. A prefeitura estava ajudando com os custos. E nada da inscrição dele, mesmo com todos os comprovantes.

No final das contas, depois de muita discussão e espera (três dias!!!), todos que tiveram este problema (éramos muitos) receberam um número alternativo e puderam participar. O Seu Francisco deveria ter sido mais bem tratado.

Atualmente moro na Costa Rica, onde sigo participando de corridas de rua. Quando digo que sou brasileiro logo me perguntam se já corri a São Silvestre. Mesmo sem Rede Globo por aqui (que maravilha!!!!), a corrida é muito famosa, pelo menos entre os corredores. Já tive que levar minhas medalhas para o pessoal ver, tamanho o interesse que eles têm pela nossa corrida.

Acho que é porque em 1974 o vencedor foi um costarriquenho, Rafael Angel Perez. Vive por aqui e é um herói nacional por suas várias conquistas internacionais, incluindo a de São Paulo.

Ano passado, quando soube que passaria o Ano Novo por aqui, logo me inscrevi na Carrera de San Silvestre (na foto, o número de André). Sim, aqui também tem uma. É disputada as 9h da manhã do dia 31 de dezembro em um percurso de 10,5 km pelas ruas da capital, San José.

Corrida modesta, com pouco menos de mil participantes e que em nada se parece com a nossa (a não ser pelas subidas e descidas, coisa que por aqui é difícil evitar). É uma corrida como outra qualquer. Coisa que definitivamente a nossa não é. E é nessas horas que entendo porque brasileiro é conhecido por ser um povo animado, alegre.

Enfim, a São Silvestre tem muita qualidade como competição atlética e tem muito prestígio. E assim deve ser. Mas pode colocar dez Paul Tergat na elite que a corrida não é a mesma sem o Seu Francisco.

Neste ano vou correr minha sétima São Silvestre, largando lá do fundão. E estou ansioso como se fosse a primeira vez.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h24

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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