Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Meus cumprimentos à locomotiva do Brasil

Cinza e sangue

Já na hora do lusco-fusco, quase no apagar das luzes deste dia festivo, apresento meus parabéns a São Paulo, terra que acolheu tantos milhões de imigrantes, palco de violência, fogão em que se aquecem as melhores iguarias, território sem dono, asfalto de trânsito infernal, cama convidativa, vitrine para o mundo.

Não gosto de São Paulo, de como maltrata quem aqui vive, mas tenho de gostar de São Paulo, que tanto oferece a quem mora aqui e tanto produz para o Brasil.

Não é como Porto Alegre, onduladinha, rosada como seu pôr-do-sol; é angulosa como seus prédios, espinhosa, cinzenta. Mas também vermelha, movida a sangue e suor, gerando prazer, destilando energia vital.

Ela acolhe meus passos, e eu corto seu território, deixando aqui marcado um pedaço de minha história, como o mapa que risquei correndo, rasgando veias e construindo caminhos no asfalto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h14

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Haile Gebrselassie está de olho no Rio

Sede de títulos

As festas de fim de ano não seduziram o etíope Haile Gebrselassie, 34, que treinou forte em dezembro, para a Maratona de Dubai, na última sexta. O objetivo de tanta aplicação era superar o recorde mundial dos 42,195 km (2h04min26s), obtido pelo atleta em setembro, em Berlim. Se conseguisse o feito, arrebataria uma premiação total de US$ 1,25 milhão, a maior já dada a um competidor do atletismo.

Ao final da prova, Gebrselassie só perdeu para ele mesmo: fracassou na empreitada, mas obteve o segundo melhor tempo da história da prova, 2h04min53s (foto EFE). Depois, lançou dúvidas sobre sua participação na maratona olímpica, por causa da poluição em Pequim.

A entrevista que você vai ler a seguir foi realizada por e-mail pelo repórter ADALBERTO LEISTER FILHO. Ocorreu nos dias finais de preparação do atleta para a prova de Dubai e serviu de base para texto publicado na Folha na semana passada.

FOLHA - Há uma história famosa que diz que você corria até a escola quando era criança. É verdade?

HAILE GEBRSELASSIE - Eu me lembro bem. Isso realmente é verdade. Tinha que correr 10 km até a escola e, então, mais 10 km para voltar para casa.

FOLHA - Em Berlim, você atingiu uma marca considerável na maratona. Qual é o próximo passo? É possível, para o homem, correr essa prova em menos de duas horas?

GEBRSELASSIE - Acho que algum dia isso será possível. Sobre mim, correrei ao menos até 2012. Acho que 2h03min é possível para mim. No futuro, pessoas poderão correr em 2 horas ou talvez menos.

FOLHA - Qual é seu próximo objetivo no atletismo? Você pretende correr a maratona da Olimpíada de Pequim?

GEBRSELASSIE - Correrei a Maratona de Dubai no dia 18 de janeiro onde tentarei superar o recorde mundial novamente. Não correrei nenhuma outra maratona no primeiro semestre, então terei uma longa preparação pra Pequim. A prioridade na preparação será treinos de velocidade e farei algumas distâncias curtas em competições, provavelmente os 10.000 m na pista, em Hengelo, em maio, e a Meia-Maratona de Lisboa, em 16 de março.

FOLHA - Teme um mau desempenho por causa da poluição do ar da cidade?

GEBRSELASSIE - Quero correr rápido a meia-maratona porque será importante para a preparação para as circunstâncias de Pequim. Tenho feito um programa especial para ajustar minha preparação às condições de Pequim.

FOLHA - Como foi superar a marca de Paul Tergat?

GEBRSELASSIE - Fiquei muito feliz de quebrar o recorde em Berlim, no mesmo percurso onde Paul havia obtido sua marca.

FOLHA - Em sua carreira, Tergat é seu maior rival? O que acha dele?

GEBRSELASSIE - Sim. Eu estimo muito o Paul, especialmente por causa de nossos duelos em Atlanta e Sydney.

FOLHA - Quando você pretende parar de competir?

GEBRSELASSIE - Quero continuar correndo ao menos até os Jogos de Londres, em 2012. Estarei com 39 anos. Minha motivação é muito alta, não corro por dinheiro, mas pelo próprio atletismo. Tomo muito cuidado com o corpo. Se Deus quiser, meu objetivo é estar bem em Londres. Ainda quero vencer campeonatos e bater recordes mundiais na rua.

FOLHA - O que quer fazer depois disso?

GEBRSELASSIE - Tenho várias empresas na Etiópia e sou muito preocupado com o desenvolvimento de meu país. Quando parar de correr, terei mais tempo para servir a Etiópia e ajudar a melhorar a situação econômica e a educação de lá. Tenho tido sorte de viajar pelo planeta e me tornar um cidadão do mundo. Quero ajudar dando a muitos etíopes uma boa educação e uma vida mais razoável.

FOLHA - Você pretende desenvolver programas sociais na Etiópia? Dizem que seu nome é bem cotado à presidência...

GEBRSELASSIE - Alguns dizem que eu deveria ser presidente da Etiópia. Eu não sei se algum dia serei, mas darei algo para meu país. Tenho já algumas escolas e programas sociais. Quero ser um exemplo para a juventude e mostrar a ela o que você pode fazer mesmo se tiver muita dificuldade na vida. Com trabalho pesado e dedicação, você pode chegar longe!

FOLHA - Gostaria de treinar outros corredores no futuro?

GEBRSELASSIE - Não tenho ambição de me tornar treinador, mas com certeza quero fazer alguma coisa por meu povo.

FOLHA - Você conhece alguns corredores brasileiros, como Marílson dos Santos e Vanderlei Cordeiro de Lima?

GEBRSELASSIE - Sim, conheço ambos. O Vanderlei trabalha com a mesma empresa de agenciamento de atletas que eu. Tive o prazer de encontrá-lo algumas vezes. Ele é um bom atleta e um grande exemplo para a juventude. Treina duro, usa seu talento e mostra que você pode conseguir boas coisas na vida.

FOLHA - Qual é o futuro do atletismo na Etiópia?

GEBRSELASSIE - Sim, há grandes talentos na Etiópia. Kenenisa Bekele, Sileshi Sihine, Telete Burka e muitos outros atletas têm grandes possibilidades. Na maratona, tenho muita expectativa no Deriba Merga. Ele correu sua segunda maratona com o tempo de 2h06min.

FOLHA - O que você acha de Kenenisa Bekele? É possível que ele supere suas glórias no atletismo?

GEBRSELASSIE - Bekele está seguindo meus passos. Mas, claro, tentarei fazer com que esses passos sejam os mais difíceis possíveis.

FOLHA - Neste ano, o Rio de Janeiro será sede do Mundial de Meia-Maratona. Você pretende correr no Brasil?

GEBRSELASSIE - Não sei ainda, depende de como irei me recuperar da Olimpíada. Tenho muito interesse em ir ao Rio de Janeiro. Gostaria de vencer [essa competição]. Meu objetivo é vencer o maior número de campeonatos mundiais, mas isso dependerá muito do que acontecer em Pequim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h57

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Mais um corredor de elite é morto no Quênia

Flecha envenenada

Atingido por uma flecha envenenada, foi assassinado na última segunda-feira o maratonista queniano Wesley Ngetich, o segundo atleta de elite do país a morrer nos conflitos incendeiam a nação africana desde as últimas eleições, cujo resultado foi contestado pela oposição.

Segundo informações divulgadas nos Estados Unidos por Hussein Makke, treinador do atleta, Ngetich foi morto na sua cidade natal, Trans Mara, próximo à reserva de caça Maasai Mara.

O corredor queniano, que aparece acima (foto AP) cruzando a linha de chegada como vencedor da Grandma’s Marathon, em junho passado, estava escalado para participar em uma série de provas nos Estados Unidos nas próximas semanas.

Morto aos 34 anos, o maratonista deixa mulher e três filhos (8, 6 e 1 ano).

Além dele, também foi vítima da violência o velocista Lucas Sang, morto na véspera do Ano Novo.

Outro atleta de elite, o maratonista Luke Kibet, foi atingido por pedrada, mas sobreviveu.

Cerca de 650 pessoas já morreram e 250 mil foram desalojadas nos conflitos no Quênia, o pior período de violência no país desde a independência, em 1963.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h56

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Seminus, coreanos correm na neve

Pelados gelados

 

Mantendo a tradição do Festival da Neve Daegwallyeong, em Pyeongchang, cerca de 200 pessoas participam, sem camisa, de provas de 5km e 10 km.

Encontrei vários sites a respeito do evento, que termina nesta segunda-feira. O mais informativo, porém, é de 2003. Está em inglês e você pode consultá-lo AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h49

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Velhinha maratonista dá um pau em ladrão

Corredora carateca

Margo Foster, uma simpática e atlética senhora moradora da pacata localidade de Lighthouse Point, na Flórida, chegou em casa na sexta-feira de manhã, depois de seu treino de tênis, para encontrar a sala revirada e uma ladrão mexendo nas suas coisas, no quarto.

A velhinha (para os padrões da mocidade moderna) nem pensou duas vezes e se atirou no ladrão, que, surpreso com o ataque, saiu correndo levando uma mochila da própria Foster, carregada com propriedades da atleta amadora.

Maratonista, a vítima transformada em caçadora saiu atrás do ladrãozinho e o perseguiu por sete quarteirões.

Já cansado, o garoto tentou escalar uma cerca para escapar. Então Foster, 53, que também é faixa-preta em caratê, agarrou-o pela camisa, deu-lhe uns pára-te-quieto e recuperou a mochila roubada.

Na confusão, o moleque se mandou de novo, e a senhora ficou na dela: "Pode fugir que eu vou te pegar, eu corro há 40 anos". Seguiu atrás, só cozinhando o galo e, no caminho, pediu para um motorista que chamasse a polícia.

Resumo da ópera: o cara, de 24 anos, acabou preso, a polícia elogiou a coragem da corredora, mas reafirmou que não recomenda que ninguém reaja a ladrões, que podem estar armados, e a maratonista simplesmente disse: "Eu corri mais. Ele não tinha nenhuma resistência cardiorrespiratória".

Cai o pano.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h34

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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