Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Foto de maratona ganha prêmio internacional

Esforço recompensado

O corredor pode não ter levado nada, mas o fotógrafo que captou o momento da chegada desse atleta, sob forte chuva, na maratona de Copenhague, se deu muito bem.

A foto acima ganhou o primeiro prêmio do World Press Photo 2007 na categoria reportagem esportiva. Ela foi feita em 18 de maio de 2007 pelo fotógrafo dinamarquês Erik Refner _veja o site dele AQUI.

O prêmio foi anunciado ontem, e você pode ver AQUI outras fotos feitas por Refner na chegada da maratona. Se surgir problema no link, o site do prêmio está AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h09

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Entrevista com a ultramaratonista Pam Reed

Até o fim e mais um pouco

Livros que inspiram pensamentos corredísticos ou fazem meditar sobre a vida em si foram são o tema de minha coluna de hoje no caderno Equilíbrio, da FOlha (AQUI, exclusivo para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Em uma nota, comento o lançamento da autobiografia de Pam Reed, primeira mulher --única, até agora-- a vencer a dificílima ultramaratona de Badwater, 217 quilômetros de sofrimento e superação. Estou com o livro da minha estante, aguardando sua vez, mas posso garantir que é absolutamente inspiradora a história dessa mulher, que hoje já está mais perto dos 50 que dos 40 anos e cuida de cinco filhos.

A milha a mais do título se refere ao percurso que ela fez quando se tornou a primeira pessoa a correr 300 milhas de uma tacada só --para garantir, no finalzinho Reed ainda foi mais um pouco.

Leia a seguir um pequeno trecho de uma entrevista que fiz com ela pouco quando estava nos preparativos finais da produção do livro. O texto completo foi publicado na Folha em outubro de 2005, AQUI (para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Folha - Você começou a correr maratonas em 1988. O que a fez passar para as ultras?

Reed - Acho que foi apenas um processo progressivo... Naquela época, eu não tinha nem corrido corrido 13 milhas [meia maratona]. Então corri uma meia maratona. Daí foi uma progressão. Eu fazia triatlos, fazia a distância olímpica [1.500 metros de natação, 40 quilômetros de bicicleta, dez quilômetros de corrida] e levava mais ou menos duas horas e meia, duas e quarenta. Então eu pensei: "Bem, acho que consigo correr uma maratona". Então simplesmente fui lá e corri. Deu um clique, caiu a ficha.

Foi uma coisa de que eu realmente gostei muito. Adoro maratonas, a distância é ótima. Como já tinha uma maratona, acabei fazendo várias outras.

Então fui ao Canadá, onde fiz um ironman [3.800 metros de natação, 180 km de bicicleta, 42,2 km de corrida]. Isso foi em 1990, e eu me saí muito bem -fiquei em nono lugar no feminino, foi uma experiência muito boa. Depois disso, começaram as ultramaratonas. Minha primeira ultra foi uma prova de cem quilômetros em Elkhorn, em 1990, com meu marido -terminamos em último lugar.

Folha - Como são seus treinos?

Reed - Eu corro três ou quatro vezes por dia e faço minhas tarefas domésticas no meio tempo. Por exemplo: se eu acordo às cinco, corro até as seis. Quando voltou, preparo meu filho menor para ir a escola e enquanto isso lavo alguma roupa ou lavo os pratos. Depois que ele vai para a escola, faço outras coisas -agora tenho trabalhado no meu livro. Depois cuido do e-mail e então vou correr novamente. No total, corro umas 15 ou 20 milhas por dia, todos os dias. Quando chega a época de alguma prova, eu tendo a descansar um pouco. Quando corri minha prova de 300 milhas, tirei quatro dias de folga.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h54

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De calcinha na maratona de Londres

Promessa é dívida

Talvez você nunca tenha ouvido falar dela antes (eu nunca tinha ouvido...), mas a celebridade televisiva britânica Kate Lawler prometeu correr a maratona de Londres só de roupa de baixo se --e somente se-- conseguir arrecadar 20 mil libras para uma obra de caridade.

Lawler trabalhava na área de informática quando participou do "Big Brother" britânico, em 2002. A vitória foi o caminho para nova carreira: hoje é modelo (foto divulgação) e atriz. Também atua como DJ.

Nas horas vagas, corre. Pelo menos, é o que dá a entender a promessa que fez no seu site, em que diz que vai participar da prova em Londres no dia 13 de abril. A data está marcadinha no calendário de atividades que ela publica em seu site.

Não tenho certeza, mas a impressão é de que a tal celebridade está para o público londrino assim como Grazielli Massafera está para o brasileiro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h44

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O que reaprendi de novo com o treino de hoje

Experiência só não basta

Na verdade, foi com o treino de ontem, sábado.

Eu mais uma vez reaprendi de novo que, definitivamente, não sou o Super-Homem.

Essa ilusão, aliás, talvez não seja apenas minha: a ver os treinos de alguns colegas, parece que muitos de nós, corredores, acreditamos poder ir além e fazer mais do que efetivamente é sensato.

O pior é que muitos de nós, como este que aqui escreve, sabemos perfeitamente que não se deve abusar do corpo nem da boa vontade do espírito corredor. Ao longo dos anos, treinos e mais treinos, erros e mais erros, ensinaram, reensinaram e treensinaram as lições básicas, mas a gente é ainda mais teimoso do que acredita ser.

Devo dizer, antes de passar aos problemas concretos, que meu treino foi muito legal e meu desempenho esteve melhor do que o pedido pelo treinador (outra coisa que não necessariamente é positiva: Por que não fazer exatamente o pedido? Por que ir além?).

Não só fiquei a primeira hora absolutamente abaixo dos 7min/km solicitados como também passei nela por percurso extremamente encabritado, o que valoriza ainda mais o desempenho.

Segui pelas escarpas de Pinheiros, que ainda estava se espreguiçando da noite maldormida pelas aventuras carnavalescas, e cheguei lépido e fagueiro à USP, onde tomei caminhos inusuais. Em vez da tradicional volta de 10 km com rampa da Biologia, iniciei a rodagem na contramão e fui logo subir a rampona que leva á rua do Matão e mais além.

Mas não direto: peguei cada saída à esquerda, desci e subi com força aquelas rampas meio escondidas e continuei para passar pela Veterinária e fazer a volta por trás do bosque. Enfim, quando cheguei à primeira água, no dito bosque, estava com 13 km, exatamente a metade do meu treino previsto.

E o sol agora já estava mostrando que vinha para ficar, como quem lá esteve sentiu no lombo.

Bem, o treino seguiu sem incidentes, e meu ritmo até melhorou nos dez quilômetros seguintes. Os últimos três é que foram de lascar.

Não perdi o ritmo, apesar da vontade, mas fui ficando mais cansado, de saco cheio, incomodado, com os batimentos cardíacos subindo mesmo na velocidade costumeira. Acabei encerrando com 25 km, dentro do previsto (aliás, quase dez minutos melhor do que o previsto, mas nem por isso satisfeito).

E foi a única coisa inteligente que fiz, porque com certeza perderia ritmo, velocidade e ficaria triste, cansado e dolorido naquele último quilômetro.

Tudo por causa de erros e de não respeitar a minha própria programação de treino.

Vou repetir aqui o que todos sabemos, mas nem todos cumprimos: se você for correr por mais de uma hora, planeje seu reabastecimento (gel ou isotônico) a cada hora e procure beber água a cada meia hora.

É básico, ainda mais no calor.

Eu até planejei meu percurso para fazer isso, mas, ao chegar no ponto de beber, achei que faltava tão pouco (três quilômetros), que não seria necessário. Ledo e ivo engano.

Reabastecer e reidratar são medidas que não só melhoram seu treino mas ajudam na recuperação. Isso, na verdade, é o mais importante, ainda mais para quem, como eu, já há muito passou dos 30.

Mas prometo que da próxima vez faço direito. Ou não. 

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h18

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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