Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Impressões sobre o Sul-americano de Natação

Aprendendo com os outros

Tive oportunidade de assistir, na manhã de hoje, à transmissão ao vivo de algumas da competições do Sul-americano de natação que está rolando na piscina do Pinheiros, em São Paulo.

Além de saber que as moças são lindas, os rapazes são fortões e que eu quase me afogo cada vez que tento passar dos 2.000 m, pouco conheço do mundo da natação. Por isso, não vou me arriscar aqui a falar de resultados nem a citar nomes de atletas nem memória.

Em contrapartida, deu para rever coisa semelhantes ao mundo das corridas.

A mais importante é que os atletas fazem uma periodização tão rigorosa quanto a da elite do atletismo.

Periodização é a divisão do treinamento em períodos com o objetivo de chegar à melhor forma possível na hora da competição-alvo. Você tem períodos de alta rodagem, de fortalecimento, de transição, de polimento e por aí vai (eu adoro os períodos de descanso...).

Fiquei muito impressionado com a competição de 1.500 metros, em que o índice para chegar a Pequim é de pouco mais de 15 minutos (ou seja, 1min e pouquíssimo a cada 100 metros).

O brasileiro ficou em quinto e quase uma piscina longe do índice, mas não estava nem aí. Quando foi entrevistado e interrogado sobre o tempo, explicou que estava em período de treinamento forte, "visando o Maria Lenk". Esse "o" aí, para a Maria, é porque se trata do Brasileiro.

O nome homenageia uma das maiores nadadoras brasileiras de todos os tempos, a pioneira Maria Lenk, primeira sul-americana a competir na natação olímpica --morreu no ano passado, aos 92 anos, quando ainda costumava nadar seus 1.500 m...

Bueno, voltando à piscina, o cara não estava nem aí. Disse que nem tinha raspado, referindo-se à depilação que os nadadores fazem. E esclareceu que não dá para nadar forte todo dia nem para quebrar recorde a cada competição. É preciso treinar, focar o trabalho e daí ir para a disputa com tudo.

Na seqüência, vi ainda duas entrevistas de brasileiros (uma de uma garota que venceu nos 200 m peito), e o discurso foi semelhante, mesmo da menina que levou o ouro.

É isso aí, gente: em qualquer área, há que o fazer treinos inteligentes, organizados, que ajudem a gente a dar o melhor na hora que for preciso.

Ah, se você quiser saber mais sobre o Sul-americano, é difícil. Tal como no atletismo, a cobertura da mídia é pequena e, pelo que percebi, os sites especializados são esforçados, mas não funcionam em tempo real.

Gostei do Swim it up, apesar do estrangeirismo, que não aprecio nem um pouco. Tive a impressão de ser em tempo real, mas é uma espécie de colagem de notícias. de qualquer forma, é interessante. O da Federação Aquática Paulista também é informativa, ainda que não muito noticioso. E visito, talvez por causa do nome, o Maratona Aquática, em que hoje a última notícia era do dia 7 passado...

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fala, leitor

Ídolo gelado

 

O engenheiro brasileiro FÁBIO TESTTE, 31, vive na gélida Montreal, no Canadá, mas não abre mão de correr, mesmo em condições as mais adversas. Ele já compartilhou conosco algumas de suas aventuras na gringa. Leia a seguir a história quentíssima de um evento geladérrimo, contada pelo leitor. As fotos são de cenas gerais da corrida, o Fábio não aparece...

"No dia 16 de Fevereiro, corri a Hypothermic Half Marathon aqui em Montreal. Hypothermic significa hipotérmica e, pra ficar mais claro ainda, nessa época do ano as médias de temperatura no Canadá são de 10 graus Celsius negativos a 30 graus Celsius negativos.

A parte de preparação foi interessante, combinei treinos na esteira, onde fiz intervalados e sessões de ritmo, com treinos na rua, onde fiz os longos, para me acostumar com a temparatura.

Um dos grandes incentivos pra mim foi minha esposa Eliane, pois ela sempre dizia: "Você é meu ídolo. Sair pra correr nesse frio de -10º C tem que gostar muito de correr."

Nada melhor do que um incentivo desses, além é claro de manter o ritmo de treino durante o longo e tenebroso inverno canadense.

Para os treinos no frio (e não digo frio paulista de +8ºC, mas sim o daqui, por volta de -15ºC), precisei adquirir calça, jaqueta, luvas, gorro, protetor de pescoço etc...

Numa loja especializada, encontrei tudo o que precisava. Fiquei apreensivo quanto ao tênis, pois não sabia se poderia correr com meu típico tenis de corrida em solo totalmente atípico.

Os primeiros treinos nas ruas me aliviaram um pouco, pois vi que, dependendo de onde pisar, você não corre risco de escorregar no gelo ou torcer o tornozelo no desnível que a neve causa.

Passados os treinos, chega o dia da prova. A temperatura, que vinha numa média de -5ºC, parece que pregou uma peça na gente. No sábado, caiu para -20ºC.

Isso mesmo, céu azul, sol de deixar cego e vinte graus negativos. Simplesmente congelando.

A prova se deu no parque Jean Drapeau, onde fica o circuito de F1 do GP do Canadá. Nesse mesmo parque, existe um complexo aquático, onde ficou a base da organização da prova.

Todos os corredores, cerca de 400 malucos, ficamos dentro desse lugar até poucos minutos antes do início. A organização nos convidou a ir para a largada, que era poucos metros fora desse local, e logo começamos a prova.

Iniciei numa boa, para pegar o ritmo e ao mesmo tempo ir aquecendo. Depois de uns três quilômetros, o corpá ja estava mais aquecido e isso fez com que eu me acostumasse mais com a temperatura.

O percurso consistia em três voltas num circuito de 7 km. O piso foi bem interessante. Haviam trechos em que a neve estava batida, onde é fácil correr _o piso absorve o impacto das passadas. É como se corrêssemos sobre um tapete. Muito bom.

Em outros trechos, havia gelo no asfalto (da pista de F1) e isso fazia a gente ter que prestar muito mais atenção, pois escorregava bastante. Haviam outros trechos que a neve estava fofa, e a sensação é semelhante à de correr na areia. Nessas horas cansava bastante, e ainda por cima tinha o perigo de um entorse, o que nos fazia diminuir o ritmo.

Planejei com meu treinador para usar o gel de carbohidrato no km 7 e no km 14. Nem precisava calcular, era um ao término de cada volta. Tive medo que o gel congelasse, mas ele estava apenas bem gelado, um pouco mais duro que o normal, mas mastigável.

Havia três postos de água e bebida isotônica, tudo muito gelado... Percebi que teria que diminuir bastante o ritmo para tomar a água, para que não espirrasse no rosto. Imagine correr com o rosto todo molhado a uma temperatura de -20ºC. A parte da boca e do queixo ficavam congelados, e o protetor de pescoço, que era de lã, por molhar, ficou duro e congelado também.

Mesmo assim, eu o mantive pois bloqueava o vento gelado no pescoço.

No segundo gel, complicou. Não sei por quê, minha mão esquerda já estava mais fria que a direita. Tentei abrir o ziper da blusa aonde estava o gel, mas não consegui.

Aí eu resolvi tirar a luva pra abrir o ziper. Estava tão frio que eu perdi a sensibilidade na mão. Não conseguia mais abrir e fechar a mão. Por dentro, a mão doía muito.

Nem sei como, eu consegui pegar o gel e comi num gole só. Aí coloquei a mão fechada na luva, para tentar esquentar mais rápido, e continuei correndo. Depois de uns três quilômetros, a mão voltou a ter sensibilidade e eu segui numa boa.

Daí pro km 21 foi um pulo. Mantive o ritmo programado e terminei em 1h58min, apesar do frio que fazia...

Corri pra dentro do abrigo onde ficava a organização, ganhei uma medalha bonitona e fui pra fila da comida, que estava muito boa. Tinha pizza, sanduba de metro, croisant etc...

Com certeza, essa prova vai entrar pra minha lista de Grand Slam. Show de bola a organização..."

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Engenheiro cinqüentão começa corrida de Paris a Pequim

Passadas curtas

Philippe Fuchs, um engenheiro de minas de 57 anos, começou em Paris um périplo de cerca de 10 mil quilômetros em direção a Pequim. Ele pretende chegar à capital da China no mês de agosto, na época dos Jogos Olímpicos. Para isso, planeja correr me média 85 quilômetros por dia durante 20 semanas.

Fuchs já tem no seu currículo façanhas como os percursos Paris-Barcelona e Paris-Atenas. Com essas experiências, ele afirma que não teme o cansaço. "Isso pode parecer surpreendente, mas o esforço que terei de fazer não será tão intenso como vocês imaginam. Se vocês pensarem no que fazia um mineiro ou um agricultor há um século e meio, antes da mecanização do trabalho, eles tinham que se esforçar muito mais do que nós", declarou Fuchs à agência Reuters antes de sua partida, em Paris, na sexta-feira passada (foto).

"Tenho uma passada bem curta, perto do chão, muito econômica e uma grande facilidade de recuperação", acrescentou.

Patrocinado pela Dassault Systémes, o desafio a ser enfrentado por Fuchs servirá também para estudos científicos. Seu pé será acompanhado em três dmensões e serão observadas as conseqüências da fadiga e das contrações físicas durante uma corrida de longa distância.

A análise dos resultados poderá ajudar a melhorar a concepção de próteses, o desenvolvimento de novos modelos de sapatos esportivos ou a elaboração de programas de treinamento para esportistas de alto nível.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h48

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Haile desiste da maratona olímpica

Estrela fora

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie confirmou hoje que não vai participar da prova na Olimpíada de Pequim. Segundo o atleta etíope, a poluição da capital chinesa é o motivo para a sua desistência.

"A poluição é uma ameaça para a minha saúde e será difícil correr 42 km nessas condições", afirmou o corredor, que sofre de asma. Ele planeja correr os 10.000 m.

Recordista mundial da maratona no feminino e também asmática, a inglesa Paula Radcliffe por enquanto está firmemente direcionada a Pequim. Mas sua trajetória sofre alguns problemas: acaba de anunciar que não participará da maratona de Londres por causa de problema em um pé.

Uma das fortes adversárias de Radcliffe será a equipe japonesa, capitaneada pela medalhista olímpica Mizuki Noguchi (ouro em Atenas-2004) e também integrada pela medalhista no Mundial da distância, Reiko Tosa.

A seleção ficou completa neste domingo, com a vencedora da maratona feminina de Nagoya, Yurika Nakamura. A prova também viu o que parece ser a decadência da ex-recordista mundial e ex-campeã olímpica (Sydney-2000), a simpaticíssima Naoko Takahashi, que amargou o 29º lugar.

Mas parece que as fichas estão sendo apostadas em Noguchi, que já mostrou ser capaz de enfrentar as condições adversas de forte calor e alta umidade. Atualmente, ela faz sua preparação na China, na região das montanhas Kunming.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Velhinho da pá virada corre pela glória

Ultracentenário

Buster Martin diz ser o mais velho trabalhador da Grã-Bretanha. Com 101 anos declarados, ele mantém uma vida ativa e não abre mão de suas corridas.

Na foto, por exemplo, ele posa com a medalha de participação na meia-maratona de Roding Valley, em Woodford Green, leste de Londres, no último dia 2 (foto Divulgação/Reuters). Seu tempo na prova foi de 5h13.

Ele pretende se tornar o homem mais velho do mundo a completar uma maratona: vai correr a maratona de Londres, em abril, e promete festejar tomando cerveja e fumando um cigarrinho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cena domingueira - maratona na Suíça

Corrida na neve

Vista aérea de esquiadores passando pelo lago gelado Sils durante a Engadin Ski Marathon, ontem, na Suíça. Mais de 10.500 esquiadores participaram da prova de 42,2 km entre Maloja and S-Chanf (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h10

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maurren Maggi conquista prata em Valencia

De novo a sorrir

 

A imagem acima revela a alegria de Maurren Maggi, que parece estar no bom caminho para chegar em forma a Pequim. Ela saltou 6,89 m no Mundial Indoor, hoje, em Valencia, estabelcendo novo recorde sul-americano indoor.

Maurren, 31, liderava a disputa na Espanha até a quinta rodada de saltos, quando a portuguesa Naide Gomes fez 7 m. A brasileira (foto Reuters) não conseguiu dar o troco: passou em branco sua sexta e última tentativa.

No salto com vara, Fabiana Murer, que completa 27 anos no próximo dia 16, conquistou ontem a medalha de bronze. Ela saltou 4,70 m na primeira tentativa e dividiu o terceiro lugar com a polonesa Monika Pyrek.

Além da inédita medalha para o Brasil, Fabiana (foto Efe) estabeleceu novo recorde sul-americano _a marca anterior, 4,66 m também era dela.

As duas ganharão um bom dinheiro, além da glória. Maurren leva US$ 20 mil da IAAF pela medalha de prata. Da CBAt, ganhará R$ 7.000 pela colocação e R$ 2.000 pelo recorde. O bronze garante a Fabiana US$ 10 mil dólares da IAAF e R$ 5.000 da CBAt, que também premia o recorde com R$ 2.000.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vanderlei chega em segundo na meia de São Paulo

Ainda é pouco

O medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima foi o brasileiro mais bem colocado na meia-maratona de São Paulo, realizada hoje de manhã na capital. A participação fez parte de seus treinos para a maratona de Turim, na Itália, quando pretende carimbar seu passaporte para a Olimpíada de Pequim.

Apesar da boa colocação, porém, o tempo de Vanderlei foi apenas razoável, como ele mesmo reconheceu: "Lamento não ter conseguido manter a velocidade", disse. Mas há que considerar que ele ainda não está 100% do ponto de vista físico, segundo afirmou.

Na pura matemática das fórmulas engendradas nos laboratórios de atletismo, o tempo de 1h04min10 de Vanderlei significa que, na maratona, ele faria mais de 2h14, tempo insuficiente para dar camisa na elite.

Hoje, o medalhista (foto Publius Vergilius/Divulgação Caixa) tem o pior tempo dos três brasileiros por enquanto qualificados para Pequim. Com 2h08min37, dificilmente Marilson Gomes da Silva fica de fora. Depois dele, porém, há um bololô.

José Telles e Vanderlei estão na casa de 2h13, assim como Clodoaldo Gomes da Silva. No encalço deles, Franck Caldeira tem 2h14min03. Claro que a experiência de Vanderlei lhe dá alguma vantagem, mas na hora do vamos ver o que conta é a marca estabelecida no asfalto.

Voltando à prova de hoje, os vencedores Kiprono Mutai e Eunice Kirwa, ambos do Quênia, estabeleceram novos recordes para o percurso, com 1h04min02 e 1h15min08. A melhor brasileira foi Maria Zeferina Baldaia, que chegou em terceiro.

Ela disse estar feliz com o desempenho e se considera em condições de sonhar com a presença em Pequim.

Com todo o respeito aos resultados e à história de Baldaia, a marca de hoje não permite muitos sonhos não. De novo, volto às fórmulas de predição de resultado, que indicam uma maratona de mais de 2h40 para quem faz 1h16min22 na meia.

É bem verdade, porém, que a concorrência também está fraca. Nenhuma brasileira tem índice A para a maratona. Das três com índice B, as melhores são Marizete Moreira dos Santos e Sirlene Sousa de Pinho, ambas com 2h39min08.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.