30 km - Corrida Ecológica de Nova Friburgo
Show depois da chuva
Demorou um pouco, mas finalmente trago para você um relato da Corrida Ecológica de Nova Friburgo, um interessante desafio de 30 km nas montanhas do Rio de Janeiro. O engenheiro de produção Alexandre Issao Minamihara, 25, paulista perdido no Rio, participou do evento, realizado no dia 16 passado, e nos traz seu depoimento.
"Chuva. Muita chuva. Chuva que não acabava mais. Era esse o cenário que me aguardava em Friburgo às vésperas da Corrida Ecológica.
O dia amanheceu frio e uma névoa densa cobria a cidade. Provavelmente o percurso, predominantemente em estrada de terra, estaria cheio de lama. E provavelmente o tênis para pista seca que eu levei não ajudaria muito.
Estava mais frio do que eu gostaria, pensei até em correr com duas camisetas. Depois de um bom café da manhã no hotel, fomos para o local da largada, um ginásio em Conselheiro Paulino, distrito de Friburgo. A chuva havia parado e o sol ameaçava sair, portanto abandonei a idéia das duas camisetas. Er a minha primeira prova do ano (a última fora a maratona de Curitiba, em novembro), então todas as sensações eram amplificadas pela ansiedade e pela adrenalina que antecedem uma corrida.
Largada. O percurso dos 30 km é bastante peculiar: uma subida relativamente leve mas constante nos primeiros 15 km, e a volta pelo mesmo percurso (ou seja, uma descida constante).
Segundo o site da organização, o desnível é de apenas 115 m entre a largada e o km 15. Porém as subidas e descidas no meio do caminho vão aos poucos minando as energias dos corredores.
Os primeiros 6 km são em paralelepípedo e asfalto e os 9 km restantes em estrada de terra. Optei por uma estatégia baseada na freqüência cardíaca, estabilizando-a entre 155-158 bpm e indo embora. Se eu não estivesse enganado, essa FC resultaria num ritmo entre 4:30/km e 4:35/km.
A marcação de km foi um dos pontos negativos da prova, pois as placas estavam localizadas em pontos aleatórios (em geral no poste mais próximo da distância indicada pela placa). As únicas marcações exatas foram a dos 15 km e a dos 30 km.
Passei os 15 km em 1h06min31 (média de 4:26/km e 155 bpm). Excelente até então.
Felizmente a lama que eu esperava encontrar não apareceu, apenas algumas poças d’água facilmente contornáveis.
Na volta, porém, as coisas começaram a ficar complicadas. Acho que, para descer bem, é preciso fazer treinos de velocidade focando na velocidade das passadas e na coordenação motora, para conseguir descer rápido sem se desgastar muito.
Eu ainda não fizera um intervalado sequer em 2008. Minhas passadas estão cadenciadas, o que ajuda a correr longas distâncias, mas atrapalha na hora de encarar uma descida.
No km 19 um sujeito que corria na minha frente parou para atender um chamado da natureza (aka número 1) e voltou a correr no momento em que passei por ele.
Fomos alternando posições por um bom tempo, eu respondia à todas as acelerações do cara e ele acompanhava todas as minhas tentativas de correr isolado. Isso até o km 28, quando eu disparei (na verdade foi o cara que diminuiu).
No km 29, senti uma dor abdominal muito forte, que me fez correr todo torto e desengonçado até a chegada, mas apesar desse contratempo não fui ultrapassado por ninguém.
Fechei os 30 km em 2h11min06 (4:22/km e 154 bpm). Por 15min33, RECORDE PESSOAL nos 30 km!!! Fiquei realmente muito satisfeito com esse tempo, deu confiança para seguir em frente com o tipo de treino que estou fazendo e a certeza que estou no caminho certo para conseguir o sub-3h30 na maratona de Porto Alegre."
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32
Causa da morte na maratona pré-olímpica
Alguém errou
Na semana passada, finalmente saiu o resultado da perícia médica sobre o caso de Ryan Shay, um promissor atleta norte-americano que morreu em novembro passado, em Nova York, durante a maratona em que foi selecionada a equipe que vai representar aquele país em Pequim-08.
A morte foi por causa de uma arritmia cardíaca provocada pela hipertrofia (aumento do tamanho) do coração. A hipertrofia do músculo cardíaco é comum em maratonistas, razão pelo qual os médicos sempre o liberaram para participar do esporte. Mas acontece que o caso dele era patogênico e já havia sido diagnosticado quando Shay tinha 14 anos.
demorei um pouco para colocar a história aqui no blog porque queria ouvir comentários mais técnicos a respeito do caso.
O cardiologista Nabil Ghorayeb, especialista em medicina esportiva, afirma: "Esse caso não difere de TODOS de morte súbita durante a atividade esportiva ou mesmo física intensa. Não se morre por praticar esporte, quem morreu tinha alguma doença (em 90% cardíaca ) que não foi diagnosticada ou não foi valorizada."
Ele também aventa a hipótese de erro de avaliação: "O fato de ter antecedentes de cardiomegalia ( ou hipertrofia cardíaca ) nos conduzem a pensar que algo errado aconteceu. Será que erraram no diagnóstico de que essa hipertrofia era patológica e foi considerada apenas coração de atleta?"
Ghorayeb diz: "A lição que se tira é a de que alterações devem ser investigadas profundamente, com todos os exames possíveis, coisa que é absolutamente condenada nos EUA. As avaliações americanas são precárias, não se fazem exames, apenas consulta clínica, sem sequer um eletrocardiograma e isso tem sido criticado por especialistas".
Ele adverte que, no Brasil, não é obrigatória a avaliação de atletas, e que federações e clubes os enviam para exames por livre arbítrio. Segundo o médico, "nas avaliações e exames dos atletas do PAN , 60% disseram ser a primeira vez que passavam num clínico! Só estiveram com ortopedistas, que os mandavam a fisioterapeutas para tratamento".
Escrito por Rodolfo Lucena às 13h24
