Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Maratona entra na trama de comédia romântica

Só por amor

Já vou avisando que não vi o filme ainda, portanto esta não é uma crítica nem uma recomendação.

Está passando em São Paulo um filme cujo título em português é "Maratona do Amor"; pelas resenhas que vi, promete algumas risadas (e talvez faça corredores mais sisudos franzirem o cenho).

Um sujeito está para casar, mas amarela e larga a quase-futura cônjuge no altar.

Tempos depois, mais maduro e também na pindaíba, avalia que cometeu um erro e trata de arquitetar estratégias para demonstrar à amada seu amor.

Na falta de dragões para matar ou castelos para tomar, vai enfrentar o grande e heróico desafio de correr uma maratona ("Qualquer um pode correr uma maratona", diz), mesmo não estando no primor da forma, como o próprio título original já revela ("Run Fat Boy Run", algo como Corra, Gordinho, Corra).

Ele não se abate e vai treinar (foto no alto, Divulgação). O incentivo é ainda maior quando descobre que o então namorado da moça (afinal, ela não ficou parada; como se diz, a fila anda) também vai correr. E, claro, tem de ser derrotado.

Como você vê, trata-se de uma grande bobagem. Mas pode ser divertido, ainda mais que a direção é assinada por um especialista em comédia, David Schwimmer, que ficou conhecido na TV como o Ross do seriado "Friends" e faz sua estréia por trás das câmeras.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h46

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Não deu para Baldaia

94 segundos

Essa foi a diferença entre a marca obtida por Maria Zeferina Baldaia e o índice A para estar presente na maratona de Pequim.

A corredora mineira fechou a maratona de Hamburgo, realizada hoje na Alemanha, em 2h38min34, o que deixa, por enquanto, o Brasil com apenas uma representante na maratona olímpica, a alagoana Marily dos Santos.

Baldaia correu a primeira metade em 1h16min56, mas não conseguiu manter o ritmo _o que seria mais do suficiente para sua qualificação. Fez a segunda metade em 1h21min39 (a diferença entre a soma das metades e o resultado final é por causa das aproximações, creio eu; os números são os oficiais).

A vencedora em Hamburgo foi a russa Irina Timofeyeva, que fechou em 2h24min14, deixando a queniana Pamela Chepchumba mais de um quilômetro atrás.

No masculino, o duelo dos quenianos David Mandago e Wilfred Kigen foi mais apertado. Mandago venceu em 2h07min23, e o compatriota chegou 25 segundos mais tarde.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h40

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Não tem nada a ver, mas...

21 aninhos

Desculpe aí se você acha que este blog só pode falar apenas, exclusiva e tão somente de corrida, mas não resisti à vontade de compartilhar a foto acima, que foi mandada por uma assessoria de imprensa.

Ela retrata a tenista russa Maria Sharapova no momento em que apaga as velinhas em sua festa de aniversário, em Nova York, na noite da última terça-feira.

E, como já estou me sentindo patrulhado por corredores heavy-metal, que só querem saber de assuntos corredísticos, aproveito o ensejo para acrescentar uma informação que não tem nada a ver com Sharapova, mas sim com os Jogos Olímpicos.

A presença em Pequim do campeão olímpico da maratona Stefano Baldini está ameaçada. O italiano sofreu uma fratura por estresse na perna esquerda e vai ficar em tratamento por um mês.

"Não quero fazer drama, mas isto complica as coisas. Estamos perto das Olimpíadas e acho que me machucar não é a melhor maneira de me aproximar dos Jogos", disse ele.

E eu que pensava que só pangarés amadores como este escriba sofriam de tais males, típicos de algum erro de treinamento...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h00

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Baldaia tenta índice para Pequim

Sorriso no asfalto

Neste domingo, na Alemanha, a simpaticíssima Maria Zeferina Baldaia coloca seu famoso sorriso para correr. No asfalto de Hamburgo, essa mineira de Nova Módica, crescida na paulista Sertãozinho, vai tentar uma vaga na maratona olímpica. para isso, ela precisa obter o índice A, correndo abaixo de 2h37min.

Não é um bicho-de-sete cabeças para ela, que fez um minuto abaixo dessa marca em condições bem piores, na maratona de São Paulo de São Paulo de 2002, em que foi a campeã. Pelos últimos resultados, Baldaia (foto Folha Ribeirão/Edson Silva/Folha Imagem) está em ótima forma e no maior alto astral: no primeiro domingo deste mês, venceu a meia-maratona de Stramilano no feminino.

"Ela está muito confiante e pretende melhorar a marca pessoal. Faremos uma prova bastante estratégica, tentando não cometer loucuras. Não temos nenhuma preocupação com o pódio, mas sim de tentar buscar uma das vagas olimpícas", disse o treinador da atleta, Claudio Castilho, em entrevista exclusiva, por e-mail, para este blog.

Baldaia já vem treinando há algum tempo na Europa, para se acostumar com as condições climáticas. Segundo o técnico, desde setembro de 2007, ela vem treinando pensando nisso.

"Os resultados vieram acontecendo, e vivemos todos esses momento um a um, semana a semana, treino a treino um de cada vez. O grande vestibular aconteceu na São Silvestre, por ser uma prova que ela tem um carinho especial pelo fato de ter sido campeã anteriormente. Sabíamos que haveria muita ansiedade da parte dela e muita cobrança, mas ela correspondeu muito bem e saímos um pouco mais fortalecidos".

Claro que nada disso garante um bom desempenho. Mas que seria bom ver essa ex-cortadora de cana, ex-bóia fria levar seu sorriso a Pequim, lá isso seria.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h22

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O pior tênis do mundo

Caca de cachorro

Uma coisa chata de correr pelas ruas e parques de São Paulo é o risco sempre presente de pisar em alguma caca de cachorro traiçoeira.

Ainda não passei pela humilhação ou, menos pomposamente, pelo mico de não só pisar mas também escorregar na sujeirada e me esborrachar no chão.

Mas já voltei várias vezes com o tênis empesteado para casa.

Com base nessa fedorenta experiência, declaro que a linha Creation, da Mizuno, notadamente o 7, mas acredito que também o 8, é a pior que conheço quando se trata de pisar em caca de cachorro.

O problema todo é aquela estrutura de espaços vazios no solado, apresentada como importante elemento para o amortecimento. Pode até ser, mas, quando você pisa de jeito em dejetos caninos, a porcaria se gruda na sola e entremeia a entresola, solertemente se infiltrando naqueles tais espaços.

Não adianta esgravatar com palitinho ou galho de árvore, muito menos arrastar na grama, pois as fezes animalescas se encontram protegidas pelas camadas de ondas da sola. O único jeito é lavar mesmo os tênis completamente, não sem antes tê-los deixado sob forte jato de água.

Para não fazer injustiça com a Creation que, afinal de contas, é até uma boa linha de amortecimento, apesar de problemas já relatados nesse blog, devo dizer que suspeito que todas as famílias de calçados de corrida que têm estruturas de amortecimento vazadas ou similares (as tais molinhas, por exemplo) devem ser um prato cheio para a meleca canina.

Qual a sua opinião? Você tem alguma história fedida para contar?

Sinta-se à vontade para mandar seu relato, mas, por favor, contenha-se no uso do vocabulário, como pode notar que eu fiz nesta mensagem, em que procurei manter um elegante vernáculo apesar do tema escatológico.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h11

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Quênia divulga sua seleção de maratonistas para Pequim

Time de campeões

Quênia vai para arrasar em Pequim, na maratona olímpica.

Veja só o time que a entidade nacional de atletismo divulgou hoje: o tetracampeão da maratona de Boston, Robert Cheruiyot, o recordista da maratona de Londres, Martin Lel, e o recordista mundial de meia-maratona, Samuel Wanjiru, que fez dobradinha com Lel no pódio londrino de abril último.

É pouco ou quer mais?

Se quiser mais, não tem problema: na reserva vai ficar Luke Kibet, o campeão mundial da maratona, vencedor de Osaka...

Paul Tergat, o ex-recordista mundial, já havia anunciado não ter condições de disputar a vaga por não estar com preparação adequada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h32

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Impressões sobre uma corrida na Costa Rica

Detalhes

ANDRÉ DA SILVA DIAS, paulista que hoje mora na Costa Rica, ficou impressionado (como muitos de nós) com a bagunça registrada em provas do chamado Primeiro Mundo, como uma realizada na Inglaterra e reportada aqui neste blog. Para comparação, André, que já colaborou outras vezes com o +Corrida, manda um relato de uma corrida de 10 km em que participou. Segue o texto que ele mandou (a foto também foi mandada por ele). A prova, pelo visto, pode servir de exemplo para muitos organizadores de corrida aqui no Brasil.

"A Carrera San Juan de Murciélago está em sua edição número 18 e é organizada pelo Lions Club de uma cidade chamada Tibás, na Grande San José, capital da Costa Rica.

Trata-se de uma corrida de 11,5 km que integra o calendário de corridas de rua do país, segundo as normas da Federación Costarricense de Atletismo. O calendário é composto por cerca de 50 corridas ao longo do ano, com percursos que variam de 8 km até uma maratona. A corrida é de categoria A, segundo a Federação, contando pontos para o ranking nacional de 10 km.

A inscrição custava cerca de US$ 7 e podia ser feita em oito pontos da cidade (lojas de material esportivo). O kit continha apenas uma camiseta de algodão e o número. A premiação para o vencedor masculino e feminino era de US$ 200, com US$ 150 e US$ 100 para o segundo e terceiro colocado respectivamente. Também havia premiação para as categorias juvenil, veteranos (sete faixas etárias) e portadores de necessidades especiais.

No dia da corrida, cheguei uma hora antes da largada, prevista para as 9 da manhã de um domingo ensolarado. Foi então que soube que haveria chip para marcar o tempo, coisa bem rara nas corridas por aqui. Uma grata surpresa. Com pouca fila, logo peguei meu chip e comecei a buscar os amigos da equipe de corrida a que faço parte.

Corrida bem popular, se não pelo número de corredores (pouco mais de 500), mas pela diversidade dos participantes. Muitos grupos de corrida presente, jovens e veteranos. Os corredores de elite não são mais do que 30, todos do país. Para se ter uma idéia, a corrida com mais participantes aqui não chega a 4.000 inscritos.

A largada foi bem pontual, em um percurso de muitas subidas e descidas pelas principais ruas e avenidas da cidade, saindo e chegando à praça central.

No começo, o trânsito estava fechado para os carros, mas, aos poucos, conforme o grupo de corredores se dispersava, a coisa complicava, pelo menos para os do fundão, como eu. Já no km 4 era apenas meia pista para os corredores; depois do oitavo quilômetro apenas uma das faixas. Considerando que a segurança é uma prioridade, o controle do transito não é o ponto forte das corridas por aqui. Mas já participei de outras muito piores por aqui.

Havia pontos de assistência nos quilômetros 3, 7 e 10, com apenas saquinhos de água. Mesmo com o calor de 28 graus, acho que a quantidade foi suficiente, pois os postos ainda estavam cheios quando passei.

Durante o percurso, alguns moradores tentavam refrescar os participantes jogando água com mangueiras. Havia também muita gente dando assistência a amigos e familiares, principalmente ao final das subidas.

Na chegada, nenhum tumulto para tirar o chip e pegar a medalha, só um pouco de aglomeração nas barracas de comida e hidratação. Cada corredor recebia um saco plástico com uma fatia de abacaxi, duas bananas e um sachê com geléia. Curioso é o sistema de controle da organização para impedir que alguém pegue mais comida: ao retirar seu pacote de frutas, rabiscavam seu número.

Em outra barraca havia distribuição de isotônico em míseros copinhos plásticos de 100 ml. Para quem quisesse massagem, outra barraca oferecia o serviço, de graça.

Além dos aspectos relacionados à corrida, vale à pena mencionar alguns pontos sobre o ambiente na qual a corrida foi realizada: estacionei o carro a uma quadra da praça e não havia um flanelinha na região; também não havia um guarda por perto, é verdade, além dos que estavam para orientar o trânsito; ninguém veio me pedir dinheiro em quanto estive circulando e também não vi ninguém mendigando; apenas um vendedor ambulante na praça, com um carrinho de pipocas.

São detalhes, mas não tão detalhes assim. São reflexos de como vive a população, de como se comportam, das dificuldades que enfrentam para viver em uma cidade grande em algum país da América Latina. E são detalhes como esses que fazem deste país, a Costa Rica, um lugar singular na região."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h30

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Diferença de dois segundos em Boston

 

Meninos, eu vi

A prova feminina na Maratona de Boston 2008 entra na história com uma das finais mais emocionantes já vistas nessa disputa.

O último quilômetro foi um show de emoção, garra, técnica, determinação, força e velocidade pura. As líderes Dire Tune, da Etiópia, e Alevtina Biktimirova, da Rússia, corriam ombro a ombro, tentando, cada uma, ler a mente da outra para ver quando atacar.

A jovem etíope, enfim, não resistiu e abriu a passada, ficou um, dois, cinco metros à frente quando faltavam meras centenas de metros para a chegada. A russa reagiu, acelerou, encostou, passou, mostrando no rosto o enorme esforço e a determinação de não ceder.

A liderança de Biktimirova durou o tempo suficiente para Tune se refazer daquela penúltima batalha. Elas já viam a chegada, e o relógio foi como uma injeção de adrenalina. A etíope se desgarrou, a russa reagiu, mas a diferença entre as duas aumentava centímetro a centímetro, e não havia mais percurso, a prova iria acabar (na foto da AP, os metros finais, com Tune à frente e a russa lutando para chegar).

A câmera mostra o rosto da russa, que já conhecia o percurso e já tinha em seu currículo uma vitória em maratona, ainda que no lento circuito de Honolulu. É uma máscara de esforço, músculos todos retesados, contraídos, forçados.

Mais fluida, a etíope não cede. Vence em 2h25min25; sua adversária chega dois segundos depois, na mais apertada decisão feminina da história de Boston, a mais antiga maratona do mundo, que hoje teve sua 112ª edição. A menor diferença anterior havia sido de dez segundos, em 2006.

O final refletiu o desenrolar da prova, em que as duas estiveram sempre no pelotão da frente. As parciais mostram a parelha: mesmo segundo no km 5, um segundo de diferença no km 10, mesmo segundo no 15 e no 20, um segundo de diferença na meia e no 25, mesmo segundo no 30, no 35 e no 40.

Deve ser um horror, para cada uma, sentir que tudo o que faz a outra responde. Elas devem ter ficado o tempo todo pensando, calculando, imaginando, sonhando, esperando o erro da adversária. E, se ninguém errasse, alguém teria de atacar.

Tune, de 22, que tinha a marca de 2h24min40, mostrou-se mais agressiva. A outra liderou por mais tempo, mas a etíope era como uma pantera na cola da gazela, dona de marca inferior (2h25min12 em Frankfurt, 2005). E festejou, gloriosa o suficiente para abraçar a adversária.

Frente a tantas emoções, como diria Roberto Carlos, a chegada de Robert Cheruiyot para marcar sua quarta vitória foi quase um anticlímax.

Nos últimos quilômetros, ele olhava o relógio sem parar, talvez calculando se dava para quebrar o recorde da prova, que é dele mesmo. Não correu que chega para se derrotar, mas o suficiente para chegar sozinho à reta final e, depois de vencer em 2h07m46, fez graça para a TV, contando 1, 2, 3, 4 com os dedos da mão.

A cobertura da Sportv foi ok, esforçada. Eles tinham os dados biográficos e a numeralha dos principais corredores e aproveitaram bem as informações. Também demonstraram atenção ao desenrolar da prova, apontando mudanças aqui e acolá.

Quando tinham de dar opinião ou acrescentar algo fora do script, porém, deram algumas escorregadas. Cheguei a anotar cada coisa que notei, mas não é preciso ficar relembrando os erros aqui. Tomara que, para a próxima, eles se preparem melhor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h50

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Circuito olímpico passa primeiro teste

Com poluição e tudo

 

Sob o olhar do eterno presidente Mao, grupo de corredores participa em Pequim de maratona que testou ontem o circuito olímpico (EFE).

A prova foi lenta, vencida por Serod Batochir, da Mongólia, em 2h14min15, seguido pelo chinês Li Zhuhong, que é aplaudido pela torcida na foto abaixo (AP).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h59

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Marily dos Santos é Brasil em Pequim

Saiu o índice A

Se estava toda enrolada a escolha da representante brasileira na maratona olímpica de Pequim, hoje Marily dos Santos a desenrolou.

Com chuva e frio que acabaram por fazer a três vezes competidora olímpica Marcia Narloch desistir da prova, Marily, que notoriamente prefere tempo mais quente, correu concentrada e determinada, fazendo o que no meio do atletismo se chamada split negativo, ou seja, correu a segunda parte da maratona mais rápido do que a primeira.

E terminou em primeiro lugar, ganhando o carro de prêmio ao vencedor. Mas provavelmente ela festejou ainda mais a marca que registrou, 2h36min21, mais de meio minuto melhor que o índice A para ter o direito de representar o Brasil na Olimpíada. Os resultados de Florianópolis foram confirmados pela delegada-técnica da CBAt junto à organização da prova, segundo texto publicado no site da Cbat.

Bicampeã do ranking Caixa/Cbat de Corredores de rua, ela já tinha o índice B, mas sua marca era pior que a das outras duas atletas que também estavam na briga, Marizete Moreira dos Santos e Sirlene do Pinho.

Agora, as duas precisam correr para buscar o índice A. Com a marca melhor, o país pode levar até três atletas (como acontece no masculino).

Marily é natural de Joaquim Gomes, Alagoas. Hoje com 30 anos, trabalhou na roça, com a família, na infância e na adolescência. Ainda em seus "teens", começou a participar de corridas, incentivada por um primo que era atleta profissional.

Hoje, com razão, ela festeja sua conquista. As dificuldades superadas podem ser medidas pelo depoimento de seu treinador e marido, Gilmário Mendes (também colaborador eventual deste blog), que comentou hoje em um fórum de atletismo:

"A Marily detestou sair de 32 graus que fazia em Salvador e pegar 17 graus no meio da prova, correr na forte chuva, no congelante frio, contra um vento absurdo em alguns pontos e desviar das poças fazendo percurso maior que os 42.195m...

"Eu já a conhecia há 11 anos, mas hoje assisti a um show de determinação, pois a ida dos primeiros cinco quilômetros estava quase a ritmo de 4min/km, quando ela resolveu que ganhar o carro já era bom, mas não o suficiente... Perguntou ainda para a Márcia e Ilda Alves se alguém queria forçar com ela. E de repente começei a ver quilômetros para 3min29, 3min35, mesmo desviando das poças e tangenciando por fora.

"Avisei a ela que teria de dobrar a segunda meia mais forte, pois passou na marca dos 21,1 em 1h18min26. O resto só assistindo para entender: alguém sozinho por 26 km e já mais de 4min da segunda colocada na passagem dos 30 km e correr contra o relógio...!".

E foi o que ela fez muito bem feito.

No masculino, o ganhador em Florianópolis foi Adriano Bastos, com 2h16min25, o que também é melhor que o índice A. Mas sete brasileiros já obtiveram a marca. Os líderes atuais são Marilson Gomes dos Santos (2h08min37), José Teles de Souza (2h12min23) e Franck Caldeira de Almeida (2h12min32).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h43

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Cinqüentona mostra vigor da juventude

Joan faz a festa

Aos quase 51 anos, a primeira campeã da maratona olímpica feminina disputou hoje a seletiva norte-americana pau a pau com a meninada.

Joan Benoit Samuelson não só deixou para trás mais de 50 de suas adversárias, mas estabeleceu um novo recorde de seu país para a faixa etária de 50 a 54 anos. Chegou em 90º lugar com 2h49min08, melhorando a marca anterior em mais de um minuto e meio.

Muito disciplinadamente, ela começou a prova usando o boné de seu patrocinador, mas, em algum momento da corrida foi tomada por outras emoções: terminou com um boné de seu time do coração, a equipe de beisebol Boston Red Sox (que também tem como torcedor famoso o rei do mistério e do suspense, Stephen King).

Afinal, nas seletivas para Los Angeles-84, também terminou usando o boné do Red Sox (na foto AP, a veterana corredora é beijada pela vencedora da prova, Deena Kastor).

"De lá para cá, tivemos alguns anos sensacionais e outros não tão bons assim, tanto eu quanto o Red Sox", disse Samuelson depois da corrida de hoje.

Ela é a única atleta a ter conseguido índice para se classificar para as sete seletivas para a maratona olímpica realizadas até hoje nos EUA.

Por vontade própria, deixou de participar nas édições de 1988, 1992 e 2004. Agora, veio com tudo, treinando sozinha, fazendo entre 110 e 130 quilômetros por semana desde o início do ano.

"Vou fazer a minha corrida", disse ela antes da prova. "Espero conseguir manter meu ritmo e passar de algumas no final."

Fez muito mais, e foi saudada pelo público de ponta a ponta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h22

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Deena Kastor lidera seleção dos EUA em Pequim

Olho no olho

Com seu poderoso ataque nos quilômetros finais, a medalhista olímpica Deena Kastor confirmou seu favoritismo e venceu a seletiva norte-americana para definir a equipe que vai representar o país na maratona em Pequim.

Ao terminar, tirou os óculos escuros para aproveitar melhor o contato com a multidão que a aplaudia. Já carrega uma bandeira norte-americana e se diverte festejando a conquista. Sua marca foi de 2h29min35.

A segunda colocada foi Lewy Boulet, que completou em 2h30min. A seleção fecha com Blake Russell, que marcou 2h32min40. Com Deena, as três festejam a mais não poder.

É uma time de veteranas, a começar pela própria Kastor, experiente aos 35 anos (ela nasceu no dia do meu aniversário, 16 anos mais tarde....).

A segunda, Magdalena Lewy Boulet, tem 34 anos e foi a quinta colocada na seletiva norte-americana para Atenas. Teve seu primeiro filho em 2005, e desde então vem trabalhando para voltar à melhor forma. Como demonstrou hoje, está na ponta dos cascos.

E Russel, que completa a seleção, também tem histórias de provas dramáticas para recordar. Na seletiva de 2004, liderou a prova durante um bom tempo, mas acabou perdendo forças e não resistiu aos ataques das adversárias, terminando em quarto e fora do time. Tem 32 anos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h49

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Seletiva olímpica norte-americana


Tudo dominado?

Deena passou mesmo e lidera a prova. Para os repórteres da "Runner`s World", a coisa está praticamente definida.

Neste momento, faltando duas milhas para o final, a seleção norte-americana terá Kastor, Boulet e Russell.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h23

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Seletiva olímpica norte-americana

 

Deena ataca

Veja como são as coisas: duas milhas depois, na 22, a lideraça de Boulet já não está mais tão garantida.

Ela, que tinha 90 segundos de vantagem sobre Deena Kastor, agora está protegida por apenas meio minuto. Junto com Deen, a terceira colocada, Blake Russell, também acelera.

E a turma da "Runner`s World" pergunta se a líder vai conseguir segurar ou terá, ao final da seletiva, apenas mais uma triste história para contar?

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h14

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Seletiva olímpica norte-americana

Quem será a terceira?

Quando começo a escrever este texto, a primeira atleta passa a marca do km 32. É Magdelena Lewy Boulet, que assumiu a liderança desde os primeiros instantes e agora marcou 1h53min47 na vigésima milha.

Quinta colocada na seletiva de 2004, Boulet parece que agora vai carimbar o passaporte. Ela está cerca de 90 segundos á frente de Deena Kastor, medalhista olímpica na maratona de Atenas.

A briga pelo terceiro lugar, que ainda dá vaga para pequim, está entre Blake Russell e Davila, conforme a cobertura on-line da revista "Runner’s World", de onde estou tirando essas informações.

Daqui a pouco já vamos para o final.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h05

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Seleção brasileira feminina de futebol está em Pequim

Que bonito é

As meninas do Brasil deram a volta por cima e, na repescagem, conseguiram a classificação para Pequim-08.

Com uma boa partida, acabam de derrotar a seleção de Gana por 5 a 1 e agora têm de tratar de treinar muito, pois há muito o que melhorar na equipe.

Para variar, do meio para a frente está pelo menos bom. As experientes Formiga, Maicon e Marta, o trio calafrio, jogam uma bolinha redonda que dá gosto.

Já a defesa, meus amigos, é coisa para deixar cardíaco de molho. São lentas e não se posicionam bem. Para complicar as coisas, a goleira deu vexame hoje.

Mas, ao fim e ao cabo, a seleção está lá...

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h45

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Fala, leitor

Belzonte em Camberra

Os mineiros vão longe, não é? Pois o fisioterapeuta Leonardo Oliveira Pena Costa, 32, é filho de Belzonte, como o povo de lá carinhosamente chama a capital de Minas, mas está correndo nas ruas da Austrália. Dono de uma clínica de fisioterapia e professor da PUC, está hoje fazendo seu doutorado em Sydney, onde começou a correr porque não conseguia arranjar parceiros legais para seu joguinho de tênis.

Corrida vai, corrida vem, o cara resolve treinar para a maratona. E no dia 13 passado fez sua estréia nos 42.195 metros, em Camberra. A seguir, acompanhe o relato que Leonardo mandou para a gente.

 

"Foi quase um ano de preparação, correndo quatro a cinco dias por semana, passando por algumas provas curtas de nove e 14 quilômetros e depois algumas mais longas (uma meia-maratona e uma prova de 25 km).

Os treinos já estavam me matando e eu estava louco para partir logo para a corrida. A última semana pré-maratona é a melhor de todas, com treinos curtos para deixar as pernas descansadas e sem dor, e o melhor: o ‘carb loading‘. Comi lasanha e macarrão à vontade, refrigerante, bolos, balas.

Viajei pra Camberra na tarde anterior à prova e achei um hotelzinho a 150 metros da linha de largada/chegada (perfeito!). Comi um macarrão gigante e fui tentar dormir. Todo mundo dizia que dormir antes da prova seria difícil, mas, para minha surpresa dormi como um anjo. Às 5 da manhã estava de pé e às 6:30 estava prontinho na linha de largada (morrendo de medo).

Eram 1.400 corredores e a temperatura estava GELADA (7 graus) com previsão de chuva no fim da prova. Meu sonho era acabar em menos de quatro horas, meu segundo sonho (menos ambicioso) era terminar a prova vivo...

7 horas da manhã em ponto e o tiro de largada foi dado. No mesmíssimo segundo veio uma tempestade que durou duas horas ininterruptas (nunca acredite na previsão do tempo daqui da Austrália). A sensação térmica caiu demais e minha mão estava congelada.

Corri ao lado de um dos pacers que faria a prova em quatro horas. O objetivo era correr cada quilômetro em 5min42. E assim fomos...

A prova é composta por quatro trechos: um de 10 km em volta do parlamento australiano, duas voltas num percurso de 16 km pela cidade e numa rodovia e finalmente os 195 metros para a chegada...

O frio não passava, mas ao mesmo tempo isso conservava um pouco da energia. Passei a meia-maratona com 1h58 (minha melhor marca é 1h45) e, como vi que estava inteirão, decidi sair do grupo e acelerar um pouco.

O tempo todo procurei correr conservadoramente e manter o ritmo, em vez de acelerar muito e jogar tudo pela janela.. Parou de chover nesse momento e o sol veio tímido, mas suficiente para me secar e começar a perceber suor de novo...

Na marca de 34 km, comecei a ver um monte de gente andando, passando mal, desistindo e fui passando um montão de gente. Aquilo me deu forças e fui vendo que ia acabar legal a prova.

O último quilômetro foi o mais legal, tinha um corredor com centenas de pessoas gritando e aplaudindo, fiquei muito feliz e emocionado nessa hora e terminei a prova em 3 horas 55 minutos e 14 segundos!

Dei um beijo no escudo do Cruzeiro (corri com a camisa do time de atletismo do maior time de futebol do planeta), recebi minha medalha de participação e fui correndo, oooops, mancando até o hotel....

Fiquei todo dolorido, mas valeu muito a pena."

 

Bom, aqui é o Rodolfo de novo, apenas para comentar que o Leonardo, talvez pelo entusiasmo com seu desempenho, se enrolou em relação a qual é o maior time de futebol do planeta. Como todos sabemos, é o Grêmio... Mas tudo bem, como os dois são azuis, explica-se a confusão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h02

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Exercício faz bem ao câncer

Cravo e ferradura

Tô dizendo: para qualquer pesquisa médica que você encontrar, haverá outra dizendo exatamente o contrário.

Ok, não é bem assim.

No que se refere ao exercício, de modo geral as pesquisas apontam resultados positivos, indicando que a atividade física moderada e até de intensidade faz bem para a saúde física e mental.

Mas olhe só o que descobriram pesquisadores das instituições norte-americanas Duke Comprehensive Cancer Center (DCCC) e Duke Prostate Center: tumores na próstata de ratos que fizeram exercícios cresceram mais rapidamente do que na de ratos sedentários.

"Nossa pesquisa mostrou que o exercício teve como conseqüência um crescimento do tumor significativamente mais rápido", disse Lee Jones, que lidera a pesquisa.

Os pesquisadores implantaram tumores de próstata em 50 ratos; depois colocaram metade deles em gaiolas com aquelas rodinhas para os ratos correrem; a outra metade ficou em gaiolas sem equipamento para exercício. Todos ganharam a mesma comida; os ratos que faziam exercício corriam em média mais de meia milha por dia.

Nestes, o crescimento dos tumores foi cerca de duas vezes mais rápido. A causa, acreditam os pesquisadores, é o maior fluxo sangüíneo.

Em contrapartida, esse fluxo maior, pensam eles, pode ajudar a disseminar melhor as drogas anticâncer, pois um problema que diminui a eficiência de quimioterapia e radioterapia é exatamente o fluxo "pobre". Os pesquisadores imaginam que podem estudar uma linha de tratamento que combine a terapia química com exercícios, para aumentar a efetividade das drogas.

Bom, para não terminar esse post só falando de doença, trago o resultado de outra pesquisa que indica que praticar exercícios de forma regular é uma maneira de retardar os efeitos do envelhecimento.

Segundo estudo divulgado pelo jornal norte-americano "The Daily Telegraph", a partir da meia idade, exercícios aeróbios, como a corrida, podem ajudar a diminuir e "até reverter o declínio na força muscular, equilíbrio e capacidade de coordenação nas idades mais avançadas".

O envelhecimento reduz a capacidade aeróbia dos homens em até 50%, comparando-se um sujeito de 20 anos e um de 60 anos. As mulheres começam a ter perdas a partir dos 35 anos, chegando a uma queda de 50% nos 60 anos.

O estudo não foi uma pesquisa direta, mas sim uma compilação de diferentes pesquisas já realizadas feita pelo doutor Roy Shephard, da Faculdade de Educação Física e Saúde da Universidade de Toronto.

Avaliando os resultados que examinou, Shepard concluiu que, entre pessoas de 64 a 83 anos que fazem exercícios, é possível registrar ganhos de capacidade aeróbia entre 12% e 17% (em comparação com sedentários). O máximo atingido, considerando-se treinamento de alto intensidade a longo prazo, foi de 25%,

O autor extrapolou esses resultados para calcular que, fazendo exercícios, a pessoa podem retardar os efeitos do envelhecimento em até 12 anos. Isso tudo considerando a capacidade aeróbia. Ou seja: um sujeito ativo de 80 anos teria, supostamente, a capacidade aeróbia de um sujeito sedentário ou "normal" de 68 anos.

É bom lembrar novamente que essa conclusão é baseado em cálculos que, por sua vez, são baseados em diferentes pesquisas com pessoas. de qualquer modo, o autor do estudo conclui que exercícios físicos são benéficos e devem ser recomendados para pessoas de mais idade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h27

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Cinqüentona disputa vaga olímpica

Dá-lhe, Joan!

A campeã da primeira maratona olímpica feminina, a norte-americana Joan Benoit Samuelson, mostra que é mesmo de faca na bota, como a gente diz lá no Rio Grande do Sul. Com quase 51 anos, ela disputa no próximo domingo uma vaga na maratona olímpica. Vai participar da seletiva de seu país, que será realizada em Boston, um dia antes da 112ª edição da tradicional prova da cidade.

Claro que a veterana atleta dificilmente terá chances contra suas jovens competidoras, e a "Runner’s World" calcula que seu objetivo na prova é conquistar uma marca 2h50, mas o fato é que ela está na prova.

É a única atleta de mais de 50 anos ali presente. No total 162 atletas se registraram para a disputa, mas 181 corredoras norte-americanas tinham obtido qualificação para participar. Delas, 19 conquistaram o índice A (2h39 na maratona).

Essa é mais uma razão que torna maravilhoso esse esporte, pois permite que, mesmo no terreno da comptição mais acirrada, participem atletas de idades tão díspares (a mais jovem a se qualificar tem apenas 22 anos).

Sem falar na longa cauda em que participamos os amadores, os lentos, os apaixonados. Em Londres, um sujeito de 101 largou em pé de igualdade com a juventude que colore o evento, com os fantasiados, com a massa, enfim.

Aproveito para avisar que pretendo cobrir, no domingo, a seletiva; na segunda, dentro do psssível, vou manter atualizada em tempo quase real a cobertura de Boston.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h27

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Marílson vence em Santo André

Preparativos

Marílson Gomes dos Santos parece estar no bom caminho rumo a Pequim. Ontem, sob um calorão de 30 graus, não tomou conhecimento dos adversários e ganhou fácil a meia-maratona de Santo André em 1h02min57.

O queniano Joshua Kiprugut chegou em segundo mais de três minutos depois, o que dá uma folga de mais de um quilômetro.

"Voltei porque precisava fazer uma boa avaliação das minhas condições. Estou na reta final para a classificação para as Olimpíadas", disse Marílson.

No feminino, a queniana tida como favorita abandonou. Salina Jebet caiu no km 17 e teve de ser levada a um hospital. Sofreu rompimento parcial do ligamento lateral do joelho direito. A vitória ficou com Andréa Celeste da Silva Ramos (1h19min45).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h06

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Sem leões, a maratona é fácil

Distanciamento crítico

 

Como você leu neste blog, um grupo de guerreiros masai participou da maratona de Londres para angariar fundos para o desenvolvimento de sua comunidade, no interior da Tanzânia. Eles correram usando suas vestes tradicionais, equipamentos de guerra e calçados de trabalho (fotos AP).

O melhor que vi sobre a participação dos corredores africanos saiu no "Guardian", que publicou ontem uma seleta do diário de Isaya, 24, chefe do grupo de guerreiros.

"O avião era muito grande assustador, eu fechei meus olhos", registrou ele sobre sua chegada a Londres.

Também comentou sobre sua confiança em uma boa participação: "Os nossos anciões nos disseram que podemos correr a maratona porque estamos acostumados a correr, caçando leões e cuidando do gado. Às vezes, tenho de correr por dois ou três dias com o gado, para protegê-lo dos leões".

E registrou no diário o choque de cultura: "Todos tiram fotos da gente, não dos soldados nem dos cavalos", anotou durante a visita ao Parlamento. "Nós estamos vendo uma outra cultura, e eles estão todos olhando para nós".

Outra, sobre as entrevistas: "Todos os jornalistas fazem as mesmas perguntas, sobre leões, sangue, nossas roupas e armas. Na praça Trafalgar, um deles me perguntou o que eu achava dos leões de bronze. O que eu poderia dizer? Eles não são de verdade".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Cenas da maratona de Londres - 1

Gracinha

 

Fotógrafo também gosta de fazer jogo de palavras, como mostra a imagem acima, em que aparecem pernas de corredores que dão tudo de si durante a maratona de Londres.

Em primeiro plano, aparece a palavra "slow", lento em inglês, escrita no asfalto.

A foto é de Alessia Pierdomenico, da Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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Cenas da maratona de Londres - 2

Alegria, dor, emoção

O cadeirante Shaho Qadir se prepara para cruzar a linha de chegada plantando bananeira. O atleta inglês largou sua cadeira de rodas alguns metros antes do final e seguiu nas próprias mãos, sob aplauso do público.

Em outro momento da prova dos cadeirantes, vencida pelo britânico Davie Wear, o americano Joshua George (à dir. na foto abaixo) se envolveu em um acidente com o sul-africano australiano Ernst Van Dyk quase na chegada. George completou a prova carregado (fotos AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h28

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Cenas da maratona de Londres - 3

Dave, o Cego

O deficiente visual Dave Heeley (centro) cruza a linha de chegada em Londres (foto AP). O atleta inglês, que se apresenta como Blind Dave (Dave, o Cego), center, fez na capital britânica sua sétima maratona, em sete dias.

"Sou o primeiro cego a fazer isso", disse ele, que foi recebido na chegada por sua mulher, Debbie, e pelas filhas Dannie, Georgie Lee and Grace.

Apoiado pelo guia Malcolm "Mac" Carr, Heeley correu um total de 295 quilômetros em cerca de 168 horas --nas Ilhas Falkland (Malvinas), no Rio, em Los Angeles, em Sydney, em Dubai, em Tunis e em Londres, que completou em 5h20.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Londres tem três sub-2h06

É de Lel

O queniano Martin Lel se confirma como o moderno rei de Londres ao vencer pela terceira vez a maratona na capital britânica. Ele liderou um dos mais velozes pódios da história, chegando em 2h05min15 e quebrando o recorde da prova, que já durava seis anos.

Foi seguido por seu compatriota Samuel Wanjiru e pelo marroquino Abderrahim Goumri, ambos na casa das duas horas e cinco minutos.

No feminino, a alemã Irina Mikitenko mandou ver e deixou para trás atletas mais conhecidas, como a etíope Gete Wami. Nascida no Casaquistão, a corredora naturalizada alemã conquistou sua primeira vitória em maratonas já na sua segunda tentativa na distância. Ela fechou em 2h24min14.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h34

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Brasileiros na maratona olímpica

Vanderlei ainda de olho

Por causa de uma lesão, o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima não correu hoje em Turim, na Itália, e continua fora dos Jogos de Pequim. Mas ele ainda não jogou a toalha: melhorando da lesão, deve tentar obter o tempo em Praga, no mês que vem, segundo informações extra-oficiais.

Com 2h12min53, Vanderlei tem a quarta melhor marca entre os brasileiros com índice A. Está pouquinho atrás do terceiro, o jovem Franck Caldeira, que conseguiu sua vaga (pelo menos, por enquanto) em Paris, na semana passada, com 2h12min32.

Com marca nove segundos melhor, José Telles já está se aprontando para carimbar o passaporte. Ele hoje correu em Rotterdam, mas não conseguiu melhorar sua marca, apesar de ter corrido bem (2h13min09). Esse piauiense da gema tem uma longa história de lutas, como você já leu neste blog (para reler entrevista com ele, clique AQUI e role até chegar ao texto).

O líder da seleção brasileira na maratona, como você sabe, é Marilson Gomes dos Santos, com 2h08min37. O país pode levar três atletas com índice A.

Na prova feminina, hoje o Brasil tem apenas uma vaga. Há três atletas com índice B, sendo que as duas primeiras, Sirlene do Pinho e Marizete Moreira dos Santos, têm a mesma marca: 2h39min08. Ainda não foi divulgado o critério para desempate.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h02

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Ultramaratona gelada na Irlanda

Frio, dor, medo

No quilômetro dez, o osso do quadril pareceu resvalar, lançou um raio no piriforme, bem no meio da bunda esquerda, que desceu ardendo por trás da coxa. O joelho bambeou.

"Não vou parar, não vou parar", me disse, sabendo que ia ter de parar, e ainda faltavam mais de 50 quilômetros para o final da ultramaratona de Connemara, em uma das mais belas regiões da Irlanda, a ilha esmeralda, onde gnomos brincalhões se escondem no final do arco-íris, tentando encontrar um tesouro.

Pois meu prêmio parecia ir embora já nos primórdios da corrida. Tratei de caminhar um pouco, para ver se conseguia manter a perna firme no chão, quando vi, lá longe, a Eleonora esperando para o primeiro abastecimento de água. Saí para o trote, vi que dava para segurar e segui fazendo cara de feliz.

Pois estava mesmo muito contente. À minha volta, um dos cenários mais deslumbrantes que já percorri nas minhas voltas pelas maratonas do mundo. Montanhas, lagos, campos, ovelhas, casas cinzentas, severas com as dos chuvarentos filmes ambientados na Irlanda. Pois aqui chove.

Na noite anterior, aliás, o organizador da prova, durante a reunião com os ultramaratonistas, alertou para a gente não se entusiasmar com algum solzinho que aparecesse. O clima previsto era de borrasca: chuva, vento, frio e até neve.

Amanheceu chuviscando, mas nada terrível. Quando a turma que estava em Clifden, uns vinte dos cerca de cem ultras que participariam do evento, saiu para a largada, em Maam Cross, a 35 quilômetros dali, o tempo tinha até melhorado um pouco.

O diretor do evento tinha prometido largada pontual, às 9h, sem choro nem vela. Nós chegamos pouquinha coisa antes, foi o tempo de aliviar a bexiga e vi que a turma já estava se reunindo. A Eleonora me acompanhou correndo até o ponto, um lugar qualquer no meio da estrada. Meio de susto, avisei: "Eles vão largar!". E o cara acionou a corneta.

Foi o sinal para a chuva recomeçar, dessa vez para valer. Saímos os cem, impulsionados pelo vento, pelo frio e pela chuva, para fazer um quilômetro rápido e mais outro e mais outro. Sorte que logo a Eleonora me alcançou e pôde entregar a capa de chuva, pouca coisa mais que um plástico com design, digamos assim, mas o suficiente para proteger das intempéries. Por causa do vento, o capuz não ficava, mas eu tinha o glorioso gorro de lã do Grêmio para proteger minhas idéias.

Eu vestia calça comprida de lycra com uma bermuda de corrida por cima, camisa de manga longa de corrida e camiseta por cima; usava luvas, faixa na cabeça e o gorro. No carro, a Eleonora levava uma troca completa, do tênis ao capuz.

Ao longo da semana, tinha mudado 500 vezes minha estratégia: sair com mais ou menos roupa, camisa longa por baixo ou por cima e por aí vai. Decidi ir com tudo e ver o que acontecia.

Afinal, quaisquer que fossem as condições, eu ia correr --e muito. Pois um fantasma rondava meu espírito: tinha de passar a meia-maratona em duas horas e meia e completar a maratona em até cinco horas. Se não fizesse isso, estava fora. Se fizesse, estava limpo: não havia limite de tempo para o final, poderia fazer a última meia-maratona em quanto tempo quisesse ou conseguisse.

Em resumo. tinha de fazer cada quilômetro em até sete minutos, coisa que fizera com tranqüilidade nas últimas três maratonas que completara desde janeiro. Essa era minha quarta corrida longa em pouco mais de dois meses e meio.

Aqui, porém, havia subidas, descidas, frio de lascar e vento, muito vento. Mesmo assim, até o quilômetro dez eu estava a cavaleiro da situação, com boa vantagem contra o relógio e sem nenhum cansaço. Foi quando a lombar gemeu e a perna esquerda bambeou.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h57

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Ultramaratona gelada na Irlanda - parte 2

Revisão de metas

 

A partir dali, começou uma nova corrida, em que eu precisava cuidar mais da coluna, manter o corpo mais ereto, disfarçar a dor de mim mesmo e correr alongando, sem deixar de enrijecer o abdome e manter firmes os músculos da lombar. Tinha aprendido tudo isso no treinamento com os fisioterapeutas e professores do Instituto Vita, que me acompanham há muitos anos e me ajudam a ficar na estrada apesar de duas hérnias e mais uma lista de defeitos outros.

Vou dizer uma coisa: até que não foi tão difícil quanto eu pensava. Isso porque as terras da Irlanda te apresentam tantas novidades que é fácil esquecer de si mesmo. E surgem tantas e tão repentinas dificuldades que uma dor é superada pela outra, e um sofrimento perde o lugar ante a nova ameaça.

Os quilômetros já lá se vão derrubando a memória, mas ouso dizer que não passei mais de 30 minutos com o mesmo clima, ao longo da prova inteira. A chuva do início logo caiu para chuvisco, fraco, mas gelado e molhado.

Depois, não abriu o sol, mas também não ficou caindo água. Você passa uma meia hora assim e já começa a pensar que é hora de tirar a capa, pois você se arrisca a fazer com que seu corpo, em vez de fonte de calor, se transforme em uma geladeira.

É que a capa de plástico impede ou dificulta a troca de calor (na Irlanda, é melhor dizer troca de frio) com o ambiente. E o suor, em vez de evaporar, fica na roupa, criando um efeito estufa ou, no caso, um efeito congelador. Mas, e se você tirar a capa cedo demais? Volta a chuva ou o vento gélido quebra o seu espírito...

Graças à Eleonora, que passava o maior sufoco para me acompanhar de carro pelas estradas irlandeses, onde todo mundo dirige do lado errado, esse era um problema não tão grave: eu podia errar, passar para ela a capa e pegar depois, se tivesse feito uma má escolha.

Fiquei mais tempo com a capa, pois a chuvinha, do nada, virou granizo, pedrinhas, pedras e pedriscos de gelo batendo no corpo, no rosto, entrando pela meia, molhando o tênis. Uma que outra, conseguia pescar com a língua, para sentir o gosto amargo do gelo.

Eram diversões turbulentas que faziam os quilômetros passarem, assim como a vista das montanhas, que nos olhavam de longe, com os cocurutos nevados, enquanto seguíamos pela estrada principal, uma rodovia nacional que mais lembrava uma estrada vicinal das brasileiras, tão apertadinha era.

Das montanhas também vinha o vento gelado, que não chegava a atrapalhar tanto porque pegava de lado, era até um incentivo para correr mais e fugir de tanto frio.

Enquanto eu pensava isso sobre o vento, chegou a primeira curva importante, quando o percurso abandona a rodovia nacional e passa para uma estrada secundária que, essa sim, parece ir reto em frente para as montanhas. De cada lado, descampado, coxilhas no máximo, terreno marrom, acinzentado, inóspito, rigoroso como o clima. E vindo de frente, de cara, sem disfarce, sem máscara, sem perdão, o vento gelado das montanhas.

Quando soprava forte, fazia que meu ritmo diminuísse instantaneamente. Se ia a 6min40, passava em segundos a 7min30 e tinha de redobrar esforços para manter a velocidade desejada.

Corria um, dois, três quilômetros forçando para ficar quente e derrotar o vento (nada nem ninguém derrota o vento), torcendo para que chovesse, viesse granizo e eu tivesse de colocar a capa, pois ela esquentava muito mais que as roupas que estava usando...

E assim passei com folga de quase quinze minutos a primeira meia-maratona das três que integravam a prova. O evento é muito criativo. Trata-se de uma grande volta em que são realizadas três provas. A maratona começa na primeira meia da ultra, e o início da meia é onde os ultras completamos uma maratona. Todos terminam no mesmo ponto, o que dá exatas 39,3 milhas de percurso para os ultras, 63.292 metros de desafios constantes.

Com aquela folga, já podia encarar com mais alegria as belezas do caminho, apesar da dor que se mantinha firme. Não sabia se era pior a da coxa ou a das costas, mas o certo é que dava para controlar as duas, segurar firme, e nenhuma delas, naquele momento, me impedia de continuar dentro de um ritmo razoável.

Depois do km 35, porém, a situação foi ficando pior. Os músculos estavam fortes, eu estava forte, não sentia cansaço, mas enfrentava tensões que parecia querer me derrubar, fazendo dupla com o vento e o granizo, sem falar nas rampas, nas lombadas e nos desníveis da estrada (essa, sim, uma estradinha local, que não chegava a ser esburacada, mas que tinha mais imperfeições, especialmente nas laterais, onde corríamos).

Eu só queria completar a maratona dentro do tempo. Depois era mais tarde.

 

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h54

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Ultramaratona gelada na Irlanda - parte 3

Vendaval na ventania

 

A cada quilômetro, calculava os minutos que me sobravam. Aquela folga conquistada na meia já tinha se reduzido à metade, mas tudo bem, eu não ia fazer nenhum quilômetro em menos de oito minutos...

Pois fiz um em nove. É certo que incluiu uma parada para aliviar a bexiga, tomar água e me abastecer de carboidrato em gel, mas foram nove minutos de qualquer forma, e ainda mais alguns segundos.

O km 40 veio com chuva e o 41, com granizo. Margeava um lago, talvez o maior que até então tinha passado, quando numa curva, escondidos como se fossem guardas de trânsito prontos para multar, vi duas pessoas anotando os números dos que passavam.

Não era exatamente a maratona, mas quase. Fiquei pensando se aquele era o controle --devia ser , porque, apesar de usarmos chip nos tênis, não houvera tapete na largada nem em nenhum outro ponto. Por ali, passei com cinco minutos de folga e, na maratona mesmo, segundo meu GPS, com 4h58 e mais umas porcariazinhas.

Agora viria uma longa, enorme, dolorosa subida. Para mim, porém, era uma chamada, um coro de anjos, uma caminha doce e quentinha. Desde que decidira correr essa prova, desde que me inscrevera sabendo do maldito e apavorante tempo de corte, sonhava com aquele momento: se passasse a maratona abaixo do tempo de corte, ali seria o meu descanso.

Parei de correr. O corpo cansado agradeceu o início da caminhada, com passos lentos, doloridos. A inclinação do terreno foi me obrigando a tomar prumo, e eu sabia que as passadas deviam ser maiores, mais fortes, mais enérgicas para descansar a musculatura sem perder o entusiasmo.

Ao longo do percurso, tinha ultrapassado uns três ou quatro corredores. De resto, corria sempre sozinho, pajeado pela Eleonora e, de vez em quando, ouvindo um "well done!", incentivo gritado pelo único cadeirante que enfrentava a ultra. Ele me passava nas descidas, mas quilômetros e quilômetros depois nos encontrávamos. Num certo momento muito ondulado, ficamos pari passu por quase meia hora.

Na subidona pós-mararatona, porém, consegui vislumbrar, quilômetros acima, outros corredores. Alguns trotavam outros caminhavam, parecendo dar sinais de cansaço. Eu me alegrei, pensando que talvez pudesse alcançá-los ou, pelo menos, chegar mais perto.

A idéia me fez trotar, para ir mais rápido, mas vi que era bobagem. O melhor era seguir na caminhada, restabelecer as forças e depois mandar ver.

O problema é que a musculatura que anda é diferente da que corre. E andar fazia doer mais o piriforme, fazia com que a coxa gritasse. O remédio era andar mais rápido, segurar mais as costas e o abdome. Quanto mais elegante e aprumado você estiver, menos suscetível a essas dores ficará (pelo menos, assim ocorre comigo).

No topo do morro, iniciei um trote vacilante, que logo ganhou ritmo, chegou a ficar a menos de seis minutos por quilômetro, tão alegre eu estava de ter descansado, me reconfortado, de ter passado a maratona e poder terminar quando pudesse, em termos razoáveis... (sabe-se lá o que é razoável).

Com mais granizo e chuva, um pouquinho de sol e um tantão de vento, passei o km 50. E só instantes depois me dei conta que superara aquela marca em 6h06, estabelecendo um novo recorde pessoal para a distância.

Nunca correra tanto em uma prova de 50 quilômetros. Agora estava em uma de quase 64 e passava batido pela marca. E só faltavam 14 para final, que beleza!

Explodi de alegria! Gritei, beijei a Eleonora, tomei conta daquela estrada vazia, daquelas campos gelados, fui vendaval naquela ventania.

 

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h52

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Ultramaratona gelada na Irlanda - final

Explode, coração!

Aquilo me empurrou mais quilômetros, mais quilômetros, até que de novo as costas gemessem. Não fazia mal. Se corria a oito por quilômetro, estava bom, se fossem dez, também não me importava. Logo conseguia reduzir para sete.

O importante era não correr e caminhar, caminhar e correr. As caminhadas precisavam ser longas, de pelo menos vinte minutos, para dar forças para um novo estirão, que fazia volta à minha memória o mapa do percurso, transformava meu cérebro em computador calculando o que faltava, quanto deveria fazer, para onde ir, como ir.

Tudo que eu queria agora era trocar de tênis. Meus pés já tinham batucado o chão mais de 50 mil vezes, e aquele calçado já vinha de três maratonas. Tinha outro novo, igualzinho, confortável e quentinho, que iria fazer com que diminuíssem as dores do impacto. Mas lá eu ia parar? Sentar? Cruzar as pernas, alcançar os pés, tirar o tênis, colocar outro, amarrar, trocar o chip de lugar?

Melhor era deixar de besteira e correr mais.

Tinha combinado comigo que, se o terreno levemente lembrasse um subida, eu iria caminhar. Mas agora as milhas e quilômetros estavam sendo comidos quase sem mastigar. O bom da corrida é que quanto mais você corre menos resta para correr. Mas tem o perverso revés: quanto menos quilômetros faltam mais compridos eles ficam.

Por isso e também para me dizer que eu estava muito forte, esperto e bem disposto, decidir correr a enorme subida que vinha pela frente.

Trotei no primeiro patamar, apertei mais um pouco no segundo, vi que a lombona iria terminar depois da curva e, quando passei a curva, percebi que tinha ainda mais lomba. E depois tinha mais. Foram quase três quilômetros subindo sem parar, e também não parei de correr.

Porque depois veio a descida e depois viria uma curva mais ao longe e depois viria outra e depois viria uma reta e depois eu chegaria ao final.

Faltavam 28 minutos para oito horas de prova, eu tinha ainda 2,2 milhas para percorrer, pouco menos de três quilômetros e meio. No computador, era fácil. Um ritmozinho de comadre e chegaria lá. Mas vai fazer esse ritmo depois de sete horas e meia correndo, com dores nas costas, nas pernas, nos pés...

O que vale é que a musculatura estava firmona, e o cansaço parecia desaparecer a cada vez que eu olhava para o relógio e me mentia que ia dar.

Quer saber de uma coisa? Dane-se o relógio! A Eleonora já tinha me mandando o penúltimo beijo, dizendo que me esperaria no final, eu só precisava chegar no tempo que fosse.

Mas bem que gostaria de superar aquele último desafio.

Nos carros que vinham na contramão (minha, eles achavam que estavam corretos, mas esse povo é estranho mesmo), as pessoas buzinavam, aplaudiam, faziam sinal de positivo. E eu ficava apavorado vendo o sujeito na direção a bater palmas. Pensava comigo: "Segura o volante, cara!", mas claro que era o carona, o motorista estava do outro lado, o errado, que é certo para eles.

Com tanto incentivo, eu só podia correr. Passei a marca da milha 26 da maratona, a minha 39,1, faltava só o tal ponto dois, os 195 metros, e eu não via o pórtico de chegada.

É que ainda tinha uma curva, eu ia começar a gritar, mas não, Rodolfo, segura as forças e corre.

Agora, sim, grita, chama Brasil, manda beijo para a Eleonora e vai!.

E veio a neve, justo quando eu gritava, corria, passava o pórtico, beijava a Eleonora.

Terminei em 7h59min46.

....  .....  ....

PS.: As maravilhosas fotos que abrilhantam estas maltraçadas linhas foram todas feitas pela Eleonora. Você pode ver AQUI a cobertura fotográfica completa

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h50

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Entrei numa ultragelada na Irlanda

Que friaca!!!

Tenho ainda uma noite de sono antes de largar na ultramaratona de Connemara, na Irlanda, numa região muito bela e de ares selvagens no oeste do país.

Serão 64 quilômetros de puro desafio. Se eu sair inteiro, conto como foi.

Gosto de correr no frio, mas eles estão abusando.

A faixa de temperatura ideal, para mim, fica entre os 12 e os 16 graus.

Hoje fez metade disso aqui em Clifden, a uns 30 km do ponto de largada. O vento corta pior que o Minuano.

Para amanhã, o homem do tempo promete que tudo vai piorar.

Falam em chuva, ventania e neve.

Vai ser uma beleza.

Que meda!!

Torça por mim...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h02

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Ainda há esperanças para o Blade Runner

Pistorius vai aos tribunais

O corredor sul-africano Oscar Pistorius, que teve as duas pernas amputadas, continua lutando para conseguir autorização para competir nos Jogos Olímpicos.

Recordista em três eventos paraolímpicos, o velocista já tem participado, com relativo sucesso, de competições contra corredores que têm duas pernas.

Em janeiro passado, porém, seu sonho foi destruído pela decisão da IAAF de que não poderia competir contra corredores de duas pernas porque suas próteses (lâminas de material especial, daí o apelido Blade Runner) lhe dariam vantagem. Por causa delas, ele gasta 25% menos energia do que o corredor não-deficiente físico.

Disposto a não cair sem luta, ele recorreu da decisão, e seu caso será analisado no final deste mês pela Corte de Arbitragem. Caso ganhe, ainda terá de conquistar nas pistas uma vaga na equipe sul-africana.

No ano passado, ele competiu no campeonato nacional de 400 m e ganhou o segundo lugar. Tem recordes paraolímpicos nos 100, 200 e 400 metros.

Pistorius nasceu sem fíbulas (o longo e fino osso da perna) e tinha 11 meses quando suas pernas foram amputadas logo abaixo do joelho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h46

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Brasileiro corre em Angola sob 30ºC

Estréia com chope

O André Augusto Choma jé é seu conhecido. Trata-se de um brasileiro que está trabalhando em Angola, onde luta para manter seu plano de treinamento. Ele já participou deste blog contando sobre os treinos na terra ancestral do Brasil. Agora, participou pela primeira vez de uma corrida em Benguela. Leia a seguir o relato que ele mandou. No blog de André você encontra mais fotos e outros detalhes.

Benguela é a segunda maior cidade de Angola e fica a pouco mais de 500 km ao sul da capital, Luanda. Quando vim para cá no início do projeto, na metade de 2007, estava preocupado em arrumar condições (local e horário) para treinar, pois tinha acabado de baixar dos 40 minutos o meu tempo nos 10km.

Vi que não seria tão fácil! As ruas têm muito movimento, e nem sempre é possível correr pelas calçadas. Faz calor o ano todo, mesmo logo cedo (já peguei 25ºC antes das 8h), quando estou acostumado a treinar (já que à noite muitas ruas não possuem iluminação).

Depois de nove meses aqui, finalmente fiquei sabendo que haveria uma prova de 5,5 km no dia 30 de março --era a chance de conseguir participar de alguma competição em Angola, depois de tantos treinos. Fui convidado pelo secretário local de Juventude e Desportos, e no domingo cedo segui para o local indicado para a largada, contando com a torcida de toda a equipe do projeto em Angola.

Chegando ao local, descobri que a prova era exclusiva para os funcionários de uma grande cervejaria (a maior do país), mas que eu poderia participar como convidado, desde que não concorresse aos prêmios. Nada mais justo.

Eram cerca de 70 corredores, a maioria com trajes de futebol e com chuteiras ou tênis sem qualquer amortecimento (vi até um corredor largando apenas de meias!!!).

A largada foi atrasada das 8hs para as 9hs, o que complicou para a maioria, devido ao calor infernal que já fazia logo cedo. A organização mostrou-se muito boa (apesar da mudança do horário), levando-se em conta a realidade local: camisetas para todos com o número já preso, percurso bem sinalizado nas esquinas (porém sem as placas a cada km), e povo incentivando nas ruas (crianças, principalmente).

Eu larguei lá atrás do pelotão, tomando cuidado para não sair com tudo e ser traído depois pelo calor. Com menos de 10 minutos de prova, eu já estava entre os 10 primeiros – os ponteiros não estavam tão distantes, e eu conseguia contar os corredores à minha frente. Mantive o ritmo, e fui passando mais alguns pelo caminho, mas o calor foi apertando. A temperatura já beirava os 30ºC e eu já estava torcendo para a prova terminar logo!

Na chegada (com 22min30seg), com direito à "aviãozinho" e tudo, mais surpresas: uma ampla área de dispersão, água à vontade, sanduíches para os corredores e até chope (afinal de contas, a empresa é uma cervejaria)! Além disso, meus colegas avisaram que eu tinha terminado a prova em quarto lugar no geral, o que eu realmente não esperava! Acho que alguns competidores ficaram pelo caminho no trecho final, sem que eu os visse.

O resultado, então, foi bastante comemorado, ainda mais por se tratar da primeira prova em continente africano! Não ganhei o microondas destinado ao quarto colocado porque era convidado (não seria justo com os funcionários), mas fiz questão de cumprimentar o campeão –Marcos Borges– que chegou com 21min45seg e levou uma moto zerinho!

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h42

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Quando você corre??

Sem lugar nem hora

 Na minha coluna desta quinta-feira, no caderno Equilíbrio, da Folha, comentei a luta que muitos de nós fazemos para conseguir tempo para correr.

Não se trata de arranjar tempo para uma diversão, mas sim de garantir um tempo de saúde física e mental, um intervalo pessoal, particular, na vida de hoje, sempre tão complicada por tantas relações.

Antes já tinha feito post semelhante aqui no blog, e muita gente mandou comentários falando sobre seus horários, suas lutas, seus compromissos.

Estão todos lá e mais continuam a chegar. Se você não mandou sua opinião, sinta-se à vontade para comentar.

Destaco aqui alguns dos comentários, como o da leitora Flor, de Uberlândia, que bem ilustra a decisão de fazer o que é possível quando é possível. Ela diz "Gosto de correr pela manhã, as 6:00 - mas quando não dá, corro lá pelas 8:00. Não gosto de correr à noite, estou cansada. Gosto de correr com outra pessoa, mas nunca dá certo, então resolvi, só vou correr só.".

Já o Alexandre, de Porto Alegre, está lutando para se adaptar a uma nova situação:

"Sempre gostei de correr pela manhã,(7hs), mas agora que meu filho está estudando pela manhã ficou complicado. Tenho treinado à tardinha e o rendimento não é o mesmo, já estou cansado do trabalho do dia e não consigo fazer os mesmos tempos e percurso que fazia quando treinava pela manhã."

De Sintra, Portugal, Luis nos conta que, durante a semana, corre sempre antes de ir trabalhar e, por isso, muitas vezes queima o chão quando ainda esta escuro.

E o Eduardo, lá no quente e úmido norte brasileiro, diz: Aqui em Belém tem que ser bem cedo ou à noite. A humidade mata! Corro cedo pra garantir o treino. A noite bate aquela preguiça e a vida profissional e social podem atrapalhar."

Há os que avaliam o seu desempenho e conseguem definir quando se saem melhor, mas nem sempre acham o tempo exato, como comenta o Calazans, de São Paulo: "Tirando por mim, acho que há uma diferença entre o horário preferido de correr e único o horário disponível para correr. Eu mesmo prefiro me exercitar ao anoitecer. Desde criança, sempre pratiquei esportes exaustivamente até o dia ficar escuro. Além disso, de manhã eu sou muito mole. Porém, o meu trabalho impede que eu corra na parte da tarde, já que entro às 10 da manhã e saio às 8 da noite. Acabo tendo de correr no horário que eu menos gosto, que é o da manhã."

As complicações da vida também são lembradas por Yuri, de Brasilia: " Meus horários são limitados. Trabalho manhã e tarde e faculdade à noite... amo correr, então só me resta a hora do almoço, aquí em Brasília chegamos a enfrentar, na seca, umidade por volta de 20%, tudo bem vamos lá... dá pra dar uma corrida básica de 11,5 Km 3 ou 4 vezes por semana, no final de semana prefiro os longos pois meu objetivo é uma maratona, então, tenho liberdade de escolha de horário, sempre manhã, quanto maior a quilometragem que vou correr mais cedo começo."

Enfim, cada um tem a sua história. Mande também a sua.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h16

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Recordista na maratona é barrado nos 10.000m

E agora, Haile???

A Federação Etíope de Atletismo não autorizou a participação do recordista mundial da maratona, Haile Gebreselassie, na competição olímpica dos 10.000 m.

O corredor anunciou que não participaria da maratona por causa da poluição de Pequim, mas poderia estar presente na prova mais curta.

O diretor técnico da entidade etíope, Dube Jillo, disse que ‘não compete a Haile Gebreselassie decidir a sua participação‘, pois ‘é a federação que deve determinar se está ou não apto para participar‘.

‘É muito difícil para ele competir com os atletas jovens. ele não está preparado para correr os 10.000 metros nos Jogos Olímpicos‘, completou o preparador de fundo etíope, Woldemeskel Kostre.

Haile tem quatro títulos mundiais (1993, 1995, 1997 e 1999) e dois ouros olímpicos nos 10.000 m.

Vamos ver se essa decisão se sustenta pelos próximos meses.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h53

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Garis de Belô vão à maratona de Paris

Jornada triunfal

Três garis e um eletricista do serviço de limpeza urbana de Belo Horizonte vão participar domingo da Maratona de Paris, depois de uma vida dedicada às corridas.

Quarentões e usando o serviço para treinar, o quarteto lutou bastante para conseguir o apoio necessário para a concretização do sonho.

A história dos quatro é muito bacana, e eu a li na internet, no portal UAI. Leia AQUI o texto integral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h52

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Maratonista massai tem guia de conduta

Usem cuecas

Seis guerreiros massai que vão participar da maratona de Londres receberam um guia de como se comportar durante sua visita às terras da rainha Elizabeth.

Eles podem correr com suas roupas tradicionais e até usar armamentos durante a prova, mas, nos dias de passeio, devem deixar em casa suas lanças e escudos. Também são orientados a usar cuecas e a não urinar em público.

Os guerreiros da tribo da Tanzânia são também orientados sobre o comportamento dos nativos. O guia "Visiting England - A Cultural Briefing" esclarece que a cara feia de alguns britânicos não significa que eles não sejam boa gente; é que eles são obrigados a trabalhar em escritórios e não gostam disso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h04

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Maratona do milhão versão 2008

Campeões no asfalto

A maratona de Londres é a primeira prova deste ano a contar para a disputa milionária das grandes maratonas do mundo (World Marathon Majors),. Em seguida, nos Estados Unidos, a próxima etapa do campeonato 2007-2008 é a tradicional maratona de Boston, que no dia 21 realizará sua edição número 112.

Como você sabe, a campeã do circuito 2006-2007 foi a etíope Gete Wami, que chegou em segundo em Nova York, seguindo a britânica Paula Radcliffe. Paula não vai competir em seu quintal, pois está machucada e quer se preservar para Pequim. Mas Wami estará a postos no dia 13.

Já o ganhador do prêmio de 2006-2007, o queniano Robert Cheruiyot, nosso conhecido da São Silvestre, volta ao asfalto em Boston, onde busca o tetracampeonato (venceu em 2003, 2006 e 2007).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h02

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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