Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Seleção brasileira feminina de futebol está em Pequim

Que bonito é

As meninas do Brasil deram a volta por cima e, na repescagem, conseguiram a classificação para Pequim-08.

Com uma boa partida, acabam de derrotar a seleção de Gana por 5 a 1 e agora têm de tratar de treinar muito, pois há muito o que melhorar na equipe.

Para variar, do meio para a frente está pelo menos bom. As experientes Formiga, Maicon e Marta, o trio calafrio, jogam uma bolinha redonda que dá gosto.

Já a defesa, meus amigos, é coisa para deixar cardíaco de molho. São lentas e não se posicionam bem. Para complicar as coisas, a goleira deu vexame hoje.

Mas, ao fim e ao cabo, a seleção está lá...

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h45

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Fala, leitor

Belzonte em Camberra

Os mineiros vão longe, não é? Pois o fisioterapeuta Leonardo Oliveira Pena Costa, 32, é filho de Belzonte, como o povo de lá carinhosamente chama a capital de Minas, mas está correndo nas ruas da Austrália. Dono de uma clínica de fisioterapia e professor da PUC, está hoje fazendo seu doutorado em Sydney, onde começou a correr porque não conseguia arranjar parceiros legais para seu joguinho de tênis.

Corrida vai, corrida vem, o cara resolve treinar para a maratona. E no dia 13 passado fez sua estréia nos 42.195 metros, em Camberra. A seguir, acompanhe o relato que Leonardo mandou para a gente.

 

"Foi quase um ano de preparação, correndo quatro a cinco dias por semana, passando por algumas provas curtas de nove e 14 quilômetros e depois algumas mais longas (uma meia-maratona e uma prova de 25 km).

Os treinos já estavam me matando e eu estava louco para partir logo para a corrida. A última semana pré-maratona é a melhor de todas, com treinos curtos para deixar as pernas descansadas e sem dor, e o melhor: o ‘carb loading‘. Comi lasanha e macarrão à vontade, refrigerante, bolos, balas.

Viajei pra Camberra na tarde anterior à prova e achei um hotelzinho a 150 metros da linha de largada/chegada (perfeito!). Comi um macarrão gigante e fui tentar dormir. Todo mundo dizia que dormir antes da prova seria difícil, mas, para minha surpresa dormi como um anjo. Às 5 da manhã estava de pé e às 6:30 estava prontinho na linha de largada (morrendo de medo).

Eram 1.400 corredores e a temperatura estava GELADA (7 graus) com previsão de chuva no fim da prova. Meu sonho era acabar em menos de quatro horas, meu segundo sonho (menos ambicioso) era terminar a prova vivo...

7 horas da manhã em ponto e o tiro de largada foi dado. No mesmíssimo segundo veio uma tempestade que durou duas horas ininterruptas (nunca acredite na previsão do tempo daqui da Austrália). A sensação térmica caiu demais e minha mão estava congelada.

Corri ao lado de um dos pacers que faria a prova em quatro horas. O objetivo era correr cada quilômetro em 5min42. E assim fomos...

A prova é composta por quatro trechos: um de 10 km em volta do parlamento australiano, duas voltas num percurso de 16 km pela cidade e numa rodovia e finalmente os 195 metros para a chegada...

O frio não passava, mas ao mesmo tempo isso conservava um pouco da energia. Passei a meia-maratona com 1h58 (minha melhor marca é 1h45) e, como vi que estava inteirão, decidi sair do grupo e acelerar um pouco.

O tempo todo procurei correr conservadoramente e manter o ritmo, em vez de acelerar muito e jogar tudo pela janela.. Parou de chover nesse momento e o sol veio tímido, mas suficiente para me secar e começar a perceber suor de novo...

Na marca de 34 km, comecei a ver um monte de gente andando, passando mal, desistindo e fui passando um montão de gente. Aquilo me deu forças e fui vendo que ia acabar legal a prova.

O último quilômetro foi o mais legal, tinha um corredor com centenas de pessoas gritando e aplaudindo, fiquei muito feliz e emocionado nessa hora e terminei a prova em 3 horas 55 minutos e 14 segundos!

Dei um beijo no escudo do Cruzeiro (corri com a camisa do time de atletismo do maior time de futebol do planeta), recebi minha medalha de participação e fui correndo, oooops, mancando até o hotel....

Fiquei todo dolorido, mas valeu muito a pena."

 

Bom, aqui é o Rodolfo de novo, apenas para comentar que o Leonardo, talvez pelo entusiasmo com seu desempenho, se enrolou em relação a qual é o maior time de futebol do planeta. Como todos sabemos, é o Grêmio... Mas tudo bem, como os dois são azuis, explica-se a confusão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h02

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Exercício faz bem ao câncer

Cravo e ferradura

Tô dizendo: para qualquer pesquisa médica que você encontrar, haverá outra dizendo exatamente o contrário.

Ok, não é bem assim.

No que se refere ao exercício, de modo geral as pesquisas apontam resultados positivos, indicando que a atividade física moderada e até de intensidade faz bem para a saúde física e mental.

Mas olhe só o que descobriram pesquisadores das instituições norte-americanas Duke Comprehensive Cancer Center (DCCC) e Duke Prostate Center: tumores na próstata de ratos que fizeram exercícios cresceram mais rapidamente do que na de ratos sedentários.

"Nossa pesquisa mostrou que o exercício teve como conseqüência um crescimento do tumor significativamente mais rápido", disse Lee Jones, que lidera a pesquisa.

Os pesquisadores implantaram tumores de próstata em 50 ratos; depois colocaram metade deles em gaiolas com aquelas rodinhas para os ratos correrem; a outra metade ficou em gaiolas sem equipamento para exercício. Todos ganharam a mesma comida; os ratos que faziam exercício corriam em média mais de meia milha por dia.

Nestes, o crescimento dos tumores foi cerca de duas vezes mais rápido. A causa, acreditam os pesquisadores, é o maior fluxo sangüíneo.

Em contrapartida, esse fluxo maior, pensam eles, pode ajudar a disseminar melhor as drogas anticâncer, pois um problema que diminui a eficiência de quimioterapia e radioterapia é exatamente o fluxo "pobre". Os pesquisadores imaginam que podem estudar uma linha de tratamento que combine a terapia química com exercícios, para aumentar a efetividade das drogas.

Bom, para não terminar esse post só falando de doença, trago o resultado de outra pesquisa que indica que praticar exercícios de forma regular é uma maneira de retardar os efeitos do envelhecimento.

Segundo estudo divulgado pelo jornal norte-americano "The Daily Telegraph", a partir da meia idade, exercícios aeróbios, como a corrida, podem ajudar a diminuir e "até reverter o declínio na força muscular, equilíbrio e capacidade de coordenação nas idades mais avançadas".

O envelhecimento reduz a capacidade aeróbia dos homens em até 50%, comparando-se um sujeito de 20 anos e um de 60 anos. As mulheres começam a ter perdas a partir dos 35 anos, chegando a uma queda de 50% nos 60 anos.

O estudo não foi uma pesquisa direta, mas sim uma compilação de diferentes pesquisas já realizadas feita pelo doutor Roy Shephard, da Faculdade de Educação Física e Saúde da Universidade de Toronto.

Avaliando os resultados que examinou, Shepard concluiu que, entre pessoas de 64 a 83 anos que fazem exercícios, é possível registrar ganhos de capacidade aeróbia entre 12% e 17% (em comparação com sedentários). O máximo atingido, considerando-se treinamento de alto intensidade a longo prazo, foi de 25%,

O autor extrapolou esses resultados para calcular que, fazendo exercícios, a pessoa podem retardar os efeitos do envelhecimento em até 12 anos. Isso tudo considerando a capacidade aeróbia. Ou seja: um sujeito ativo de 80 anos teria, supostamente, a capacidade aeróbia de um sujeito sedentário ou "normal" de 68 anos.

É bom lembrar novamente que essa conclusão é baseado em cálculos que, por sua vez, são baseados em diferentes pesquisas com pessoas. de qualquer modo, o autor do estudo conclui que exercícios físicos são benéficos e devem ser recomendados para pessoas de mais idade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h27

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Cinqüentona disputa vaga olímpica

Dá-lhe, Joan!

A campeã da primeira maratona olímpica feminina, a norte-americana Joan Benoit Samuelson, mostra que é mesmo de faca na bota, como a gente diz lá no Rio Grande do Sul. Com quase 51 anos, ela disputa no próximo domingo uma vaga na maratona olímpica. Vai participar da seletiva de seu país, que será realizada em Boston, um dia antes da 112ª edição da tradicional prova da cidade.

Claro que a veterana atleta dificilmente terá chances contra suas jovens competidoras, e a "Runner’s World" calcula que seu objetivo na prova é conquistar uma marca 2h50, mas o fato é que ela está na prova.

É a única atleta de mais de 50 anos ali presente. No total 162 atletas se registraram para a disputa, mas 181 corredoras norte-americanas tinham obtido qualificação para participar. Delas, 19 conquistaram o índice A (2h39 na maratona).

Essa é mais uma razão que torna maravilhoso esse esporte, pois permite que, mesmo no terreno da comptição mais acirrada, participem atletas de idades tão díspares (a mais jovem a se qualificar tem apenas 22 anos).

Sem falar na longa cauda em que participamos os amadores, os lentos, os apaixonados. Em Londres, um sujeito de 101 largou em pé de igualdade com a juventude que colore o evento, com os fantasiados, com a massa, enfim.

Aproveito para avisar que pretendo cobrir, no domingo, a seletiva; na segunda, dentro do psssível, vou manter atualizada em tempo quase real a cobertura de Boston.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h27

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Marílson vence em Santo André

Preparativos

Marílson Gomes dos Santos parece estar no bom caminho rumo a Pequim. Ontem, sob um calorão de 30 graus, não tomou conhecimento dos adversários e ganhou fácil a meia-maratona de Santo André em 1h02min57.

O queniano Joshua Kiprugut chegou em segundo mais de três minutos depois, o que dá uma folga de mais de um quilômetro.

"Voltei porque precisava fazer uma boa avaliação das minhas condições. Estou na reta final para a classificação para as Olimpíadas", disse Marílson.

No feminino, a queniana tida como favorita abandonou. Salina Jebet caiu no km 17 e teve de ser levada a um hospital. Sofreu rompimento parcial do ligamento lateral do joelho direito. A vitória ficou com Andréa Celeste da Silva Ramos (1h19min45).

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h06

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Sem leões, a maratona é fácil

Distanciamento crítico

 

Como você leu neste blog, um grupo de guerreiros masai participou da maratona de Londres para angariar fundos para o desenvolvimento de sua comunidade, no interior da Tanzânia. Eles correram usando suas vestes tradicionais, equipamentos de guerra e calçados de trabalho (fotos AP).

O melhor que vi sobre a participação dos corredores africanos saiu no "Guardian", que publicou ontem uma seleta do diário de Isaya, 24, chefe do grupo de guerreiros.

"O avião era muito grande assustador, eu fechei meus olhos", registrou ele sobre sua chegada a Londres.

Também comentou sobre sua confiança em uma boa participação: "Os nossos anciões nos disseram que podemos correr a maratona porque estamos acostumados a correr, caçando leões e cuidando do gado. Às vezes, tenho de correr por dois ou três dias com o gado, para protegê-lo dos leões".

E registrou no diário o choque de cultura: "Todos tiram fotos da gente, não dos soldados nem dos cavalos", anotou durante a visita ao Parlamento. "Nós estamos vendo uma outra cultura, e eles estão todos olhando para nós".

Outra, sobre as entrevistas: "Todos os jornalistas fazem as mesmas perguntas, sobre leões, sangue, nossas roupas e armas. Na praça Trafalgar, um deles me perguntou o que eu achava dos leões de bronze. O que eu poderia dizer? Eles não são de verdade".

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

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Cenas da maratona de Londres - 1

Gracinha

 

Fotógrafo também gosta de fazer jogo de palavras, como mostra a imagem acima, em que aparecem pernas de corredores que dão tudo de si durante a maratona de Londres.

Em primeiro plano, aparece a palavra "slow", lento em inglês, escrita no asfalto.

A foto é de Alessia Pierdomenico, da Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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Cenas da maratona de Londres - 2

Alegria, dor, emoção

O cadeirante Shaho Qadir se prepara para cruzar a linha de chegada plantando bananeira. O atleta inglês largou sua cadeira de rodas alguns metros antes do final e seguiu nas próprias mãos, sob aplauso do público.

Em outro momento da prova dos cadeirantes, vencida pelo britânico Davie Wear, o americano Joshua George (à dir. na foto abaixo) se envolveu em um acidente com o sul-africano australiano Ernst Van Dyk quase na chegada. George completou a prova carregado (fotos AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h28

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Cenas da maratona de Londres - 3

Dave, o Cego

O deficiente visual Dave Heeley (centro) cruza a linha de chegada em Londres (foto AP). O atleta inglês, que se apresenta como Blind Dave (Dave, o Cego), center, fez na capital britânica sua sétima maratona, em sete dias.

"Sou o primeiro cego a fazer isso", disse ele, que foi recebido na chegada por sua mulher, Debbie, e pelas filhas Dannie, Georgie Lee and Grace.

Apoiado pelo guia Malcolm "Mac" Carr, Heeley correu um total de 295 quilômetros em cerca de 168 horas --nas Ilhas Falkland (Malvinas), no Rio, em Los Angeles, em Sydney, em Dubai, em Tunis e em Londres, que completou em 5h20.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Londres tem três sub-2h06

É de Lel

O queniano Martin Lel se confirma como o moderno rei de Londres ao vencer pela terceira vez a maratona na capital britânica. Ele liderou um dos mais velozes pódios da história, chegando em 2h05min15 e quebrando o recorde da prova, que já durava seis anos.

Foi seguido por seu compatriota Samuel Wanjiru e pelo marroquino Abderrahim Goumri, ambos na casa das duas horas e cinco minutos.

No feminino, a alemã Irina Mikitenko mandou ver e deixou para trás atletas mais conhecidas, como a etíope Gete Wami. Nascida no Casaquistão, a corredora naturalizada alemã conquistou sua primeira vitória em maratonas já na sua segunda tentativa na distância. Ela fechou em 2h24min14.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h34

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Brasileiros na maratona olímpica

Vanderlei ainda de olho

Por causa de uma lesão, o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima não correu hoje em Turim, na Itália, e continua fora dos Jogos de Pequim. Mas ele ainda não jogou a toalha: melhorando da lesão, deve tentar obter o tempo em Praga, no mês que vem, segundo informações extra-oficiais.

Com 2h12min53, Vanderlei tem a quarta melhor marca entre os brasileiros com índice A. Está pouquinho atrás do terceiro, o jovem Franck Caldeira, que conseguiu sua vaga (pelo menos, por enquanto) em Paris, na semana passada, com 2h12min32.

Com marca nove segundos melhor, José Telles já está se aprontando para carimbar o passaporte. Ele hoje correu em Rotterdam, mas não conseguiu melhorar sua marca, apesar de ter corrido bem (2h13min09). Esse piauiense da gema tem uma longa história de lutas, como você já leu neste blog (para reler entrevista com ele, clique AQUI e role até chegar ao texto).

O líder da seleção brasileira na maratona, como você sabe, é Marilson Gomes dos Santos, com 2h08min37. O país pode levar três atletas com índice A.

Na prova feminina, hoje o Brasil tem apenas uma vaga. Há três atletas com índice B, sendo que as duas primeiras, Sirlene do Pinho e Marizete Moreira dos Santos, têm a mesma marca: 2h39min08. Ainda não foi divulgado o critério para desempate.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h02

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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