Blog do Rodolfo Lucena - + corrida
 

Palestinos fogem de tiros e foguetes para treinar

Orgulho nacional

"Quero erguer a bandeira palestina e mostrar ao mundo orgulho por minha cidade e meu país", diz Nader al-Masri, único atleta da Faixa da Gaza que vai estar presente em Pequim.

Ataques aéreos e foguetes foram alguns dos "pequenos" problemas a se intrometer no treino de Masri, 28, que corre com tênis baratos e teve de superar também problemas burocráticos para conseguir autorização de Israel para sair do território ocupado.

Ele nem dá bola. Armado de "fé e confiança", como disse à agência Reuters, o corredor treina diariamente entre prédios bombardeados e casas com marcas de tiros. Roda por campos que, vez que outra, são atingidos por mísseis israelenses.

Na sua cidade, é muito conhecido: "Run, Nader, run", dizem as crianças, em incentivo, enquanto os adultos acenam para o fundista --ele vai correr a prova de 5.000 metros em Pequim (na foto da Reuters, ele treina em sua cidade, Beit Hanoun).

Não é exatamente o mais veloz do mundo --seu melhor tempo é quase dois minutos pior que o recorde mundial. Mas o atleta palestino acredita que pode melhorar bastante até a Olimpíada.

É o que também espera a outra corredora da delegação palestina, a jovem Ghadeer Ghroof, de Jericho. Hoje com 17 anos, ela teve de superar problemas ortopédicos de infância para se transformar numa velocista de nível internacional.

"Ela é especial, extraordinária", diz o treinador do time palestino, Yusef Hamadna. "Até pouco tempo atrás, caminhava como se fosse Charles Chaplin, com os pés para fora, mas ela teve determinação, força de vontade. A nação palestina deve se orgulhar dela."

Ghroof (foto Reuters) começou a correr aos 11 anos. Em Pequim, vai participar das competições de 100 e 200 metros. "Estou muito feliz de chegar lá. Eu não estou indo pela medalha, mas sim para dar um orgulho para a Palestina e mostrar que nós ainda existimos."

A delegação é integrada ainda por dois outros atletas, ambos da natação.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h22

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Entrevista com Marily dos Santos - parte 1

Índice A

Marily dos Santos, a guerreira das Alagoas, chacoalhou o mundo das maratonistas brasileiras ao obter o índice A de classificação para a maratona olímpica, tornando-se, por enquanto, a única representante do Brasil na maratona feminina em Pequim-08. No dia 20 de abril passado, um domingo de frio e chuva forte, ela correu 42.195 metros nas ruas de Florianópolis em 2h36min21. Nesta entrevista exclusiva, feita por telefone na semana passada, Marily conta um pouco da emoções da conquista e relembra sua trajetória.

Folha - Você acaba de obter o índice. Quais são seus planos, a partir de agora?

Marily dos Santos - Vou dar um descansozinho só nesta semana, só trotezinho leve na água da piscina e na grama. Depois, vou treinar sério mesmo para a maratona para a gente tentar correr bem lá. Procurar fazer um tempo bom na maratona, independente da colocação que chegue, porque todo mundo sabe que lá estão as melhores do mundo. A semana que vem, o treinamento sério que eu digo é treinar mais forte. Eu treino em dois turnos, de manhã e à tarde. Faço tiros de velocidade na terça, na quinta e no sábado. E rodo uns 120 quilômetros por semana.

Folha - Mas, por enquanto, você está só festejando o índice. Como foi a prova em Florianópolis?

Marily - Eu fiquei tão feliz que fiquei só ajoelhada e orando. Eu esperava de mim, mas no dia mesmo fiquei muito preocupada. O treinador ficou mais preocupado do que eu, dizendo assim: ‘Acho que hoje não vai conseguir fazer tempo para o índice olímpico, mas vamos tentar ganhar a maratona‘. Aí eu fiquei um pouco desgostosa. No meio do caminho, eu falei: ‘Vou embora antes do 21‘. Ele falou: ‘Vá no 21, na metade da prova‘, mas só que eu me desesperei e vim embora desde o 16.

Aí ele viu que eu estava querendo mesmo, ficou emocionado, lá, gritando, me dando força: ‘Você pode, você pode, vai que você pode!‘. Aí eu achei que conseguia, era uma emoção só.

Ele confia muito em mim, mas no dia da prova estava chovendo muito, tinha muitas poças d‘água, ele ficou com medo que eu me machucasse. Estava um rio tão grande de água de um meio-fio para o outro. A gente ficava procurando aquele local que tinha menos água, porque não é brincadeira a gente largar numa maratona, saber que o asfalto está livre para a gente e a água ficar tomando conta, a gente ficar com medo de pisar numa pedra, numa boca-de-lobo e ainda fazer tempo.

Eu achei assim, inesquecível, nunca mais vou esquecer. Ele mesmo ficou muito feliz, porque ele achou que se chovesse mais do que aquilo não ia dar em nada mesmo. Ele achou que eu fui uma guerreira mesmo.

Folha - Esse foi o seu melhor tempo em maratona?

Marily - Meu melhor tempo, essa foi minha quinta maratona. A primeira foi só para brincar mesmo, estrear, foi em 2003, em São Paulo, fui a sétima. Foi uma estréia sem compromisso de subir no pódio nem de correr na frente, porque eu só corria meia-maratona e 10 km, não tinha aquela responsabilidade de chegar entre as três, de enfrentar outras maratonistas que já tinham mais experiência do que eu.

Folha - A experiência que você ganhou ajudou em Florianópolis?

Marily - Claro, a gente fica ali, uma estudando a outra, olhando o relógio, mas eu não gosto de correr muito com relógio. O carro-madrinha estava na minha frente com aquele cronômetro, mas chovia tanto que estava embaçando o cronômetro. Eu perguntei para a Márcia [Narloch] e para a outra menina que estava ao lado, como é que estava o tempo. Elas disseram que já era, o negócio era tentar ganhar a prova. Eu sou muito insistente, falei: ‘Não, eu quero mais do que ganhar a prova‘. Isso foi no km 14. No km 15 km, eu olhei para o meu treinador, ele olhou para mim, disse que estava cedo. Quando chegou no 16 eu falei: ‘Ele pode brigar comigo, falar o que quiser, mas eu vou embora é agora‘. Aí eu vi a placa do 16 dei logo uma pancada.

Comecei a liderar a prova, com aquela coragem, sabendo que eu ia fazer um tempo bom, que eu ia chegar em primeiro lugar ou que eu ia fazer o tempo para Pequim. Só sei que eu estava com coragem e confiando muito em mim. Ai o treinador viu que eu estava com coragem, ficou calado, olhando para mim. Ele estava mais me dando força, olhando para mim e mandando eu ir embora. No retorno, lá no 23, quando eu retornei eu já tinha 500 metros de frente, já. Eu digo ‘já era, mesmo que eu não faça o tempo, mas aqui eu vou segurar, não vou deixar ninguém mais passar na minha frente‘. Eu corri 26 km sozinha na frente.

Folha - É muito difícil correr sozinha na frente?

Marily - É difícil, mas, quando a gente está querendo a coisa, quando a gente tem coragem, a gente vai em frente. Eu fiquei conversando comigo mesma correndo. Resolvi fazer de conta que tinha uma menina aqui no meu pé e não queria me largar de jeito nenhum. E fui correndo assim: faz de conta que ela quer me passar e eu não vou deixar. Eu me concentrei assim, aí eu corri assim, como gente grande mesmo. O treinador gritando, gritando para eu baixar o tempo. Não sei o que passava pela minha cabeça, minha cabeça não estava obedecendo, nem minhas pernas, nem nada. Eu sei que eu queria era correr.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h12

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Entrevista com Marily dos Santos - parte 2

Primeira corrida

Folha - Conte um pouco sobre sua vida, onde você nasceu, como era sua família...

Marily - Eu nasci num sítio perto de Joaquim Gomes, é uma cidadezinha em Alagoas, onde a gente fazia as compras e vendia as coisas que a gente plantava. E, vivia muito, assim, saudável, eu corria muito na época de criança. Tinha uma bodega, lá, minha mãe dizia: ‘Marily, vá lá comprar isso aqui‘. Dava o dinheiro. Eu pensava que era só aquele dinheiro, pagava, não pegava nem o troco, saía correndo de volta. O pessoal gritava: ‘Volta, menina‘, mas eu pensava que era brincadeira, vinha embora correndo. Eu cuidava de minha avó, levava as compras dela, porque ela era aposentada. Aí toda semana eu levava as compras dela na cabeça. Só que dava uns 8 km da minha casa para a casa da minha avó. Aí eu ia correndo e caminhando com o saquinho na cabeça.

Folha - Isso com quantos anos?

Marily - Isso aí com oito anos até os 15 anos, 16 anos até a época quase de eu vir embora. Aí eu ia correndo e caminhando. Agora, na volta tirava de uma carreira só, não gostava de parar de jeito nenhum. Eu vinha vazia, sem nada. Quando ela me dava uma jaca lá do sítio para trazer, eu chegava com a cabeça toda furada. Teve uma vez, era uma jaca mole, minha cabeça quase entrava dentro da jaca, de tão mole que estava. Apanhava, tomava uma surrinha assim, umas chineladinhas só para aprender, mas eu não me importava, eu queria era correr. Tomava aquele carão de menino mesmo. ‘Ah, por que você fez isso e não sei o que e tal. Ah! Duas horas depois eu estava fazendo de novo.

Folha - E ao mesmo tempo você trabalhava na roça?

Marily - Assim, a gente plantava abacaxi, mandioca, muito feijão. Aí meu pai dizia: ‘Olha, a gente está com muito feijão aqui dentro de casa, vamos vender‘. Algumas pessoas lá encomendavam para a gente. Aí, eu ia avisar, na casa das pessoas, que estava tendo um cento de abacaxi lá para ele. Tinha 300 abacaxis, tinha jaca, tinha feijão, para eles virem comprar. Eu tinha que passar na casa de todas essas pessoas. Até chegar na última casa dava mais ou menos uns 10 km. Aí eu ia correndo e tinha que voltar correndo. Tanto que, às vezes, o pessoal passava carão em mim, porque eu não conseguia nem dar o recado direito, eu falava gaguejando de vir correndo assim um pouco cansada, ofegante.

Meu pai dizia assim: ‘Eu vou cuspir no chão, se esse cuspe estiver seco quando você voltar, eu vou puxar a sua orelha‘.

Aí eu ia correndo, eu tinha um medo de apanhar já depois de grande, de vergonha das minhas coleguinhas, assim, do pessoal. Aí eu ia correndo, ia num pé e voltava no outro, correndo mesmo. Tanto que eu não conseguia dar o recado direito. Eles entendiam porque já sabiam, já conheciam. Eu chegava: ‘Tem um cento de abacaxi lá para o senhor. Vá buscar. Três horas da tarde‘. E saía correndo de novo.

Eu demorava um pouquinho na última casa, tomava uma água e voltava correndo de novo. Aí dava uma dorzinha de facão no meio do caminho, eu parava para caminhar, dois minutos depois a dor passava, voltava a correr. Isso quando não era subindo nos cajueiros, nas jaqueiras, derrubando jaca. Subia nas árvores, assim, aí acho que tipo uma academia, não é?

Folha - E qual foi a primeira corrida em que você participou?

Marily - Foi lá em Alagoas. Foi lá em Maceió, a Corrida do Trabalhador. Meu primo que me levou. Meu primo é tricampeão da Maratona do Rio, foi medalha de prata no Pan-americano, perdendo para o cubano dentro do estádio (Cuba-1961). Foi segundo em Boston, ganhou várias maratonas. O nome dele é José Carlos Santana. Ele foi passar as férias lá nesse sítio, que era um local tranqüilo. A nossa vida lá era assim: não tinha energia de jeito nenhum, lá a gente não via televisão, rádio tinha que comprar a pilha, quando a pilha acabava a gente colocava no pé do pote para ficar fria para colocar no rádio de novo. E, às vezes, sinto até saudade desse tempo.

Aí esse meu primo me conheceu e perguntou se eu queria ver a praia pela primeira vez. Me levou para Maceió, chegou lá disse que tinha uma corrida, perguntou se podia me inscrever. Eu disse: ‘Pode, eu vou correr‘. E corri, fui quarta colocada no geral. Era uma corrida de 10 km, foi quando eu tinha 18 anos.

Folha - Você ganhou algum prêmio?

Marily - Tinha premiação para as três primeiras. Aí acharam tão assim, eu correr a primeira vez, que me deram uma medalha. Deram a medalha e eu fui com essa medalha direto no peito, mostrar para o pessoal e tal. Aí eu falei: ‘Acho que eu não vou querer correr mais não‘.

Folha - Mas você não tinha ficado alegre com o resultado, por que você pensou em não mais correr?

Marily - Ah, porque eu sofri demais. Eu sofri demais, eu queria correr na frente dos homens. Meu primo disse que eu poderia ter chegado entre as três, eu corri muito forte no final, já fiquei toda dolorida. Aí, depois de dois dias já queria correr de novo. Aí ele me trouxe para uma outra corrida de Maceió, e fui a terceira no geral. Aí ganhei dinheiro, R$ 300, eu fiquei tão feliz, que eu não sabia onde botava tanto dinheiro. Então tive que continuar correndo.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h10

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Entrevista com Marily dos Santos - final

Osso duro de roer

Folha - Na época, você trabalha com sua família, não tinha salário...

Marily - Não, a gente trabalhava para a gente mesmo. Meu pai comprava as coisas para a gente. Ia comprar junto. A gente dizia: ‘Eu quero isso‘, e ele ia lá e pagava. O primeiro dinheiro que ganhei foi aquele da corrida, mas prêmio mesmo foi um ventilador. Eu vendi por R$ 30. Foi numa corridinha, uma brincadeira que teve na comunidade, em Joaquim Gomes. O povo soube que eu tinha corrido em Maceió, aí tinha essa corridinha, falaram: ‘Olha, aquela menina daquele sítio corre‘. Aí eu soube e vim correr, não é? Depois de Maceió, tinha a corrida de Juazeiro (BA), meia-maratona. Eu sofri mais ainda e ganhei dinheiro, também. Eu fui quarta no geral. E decidir ir morar em Juazeiro, fiquei dois anos lá, morando com a família daquele meu primo e também na casa do meu tio. Treinava, corria e estudava lá, em Juazeiro, no colégio Jutahi Magalhães.

Folha - Você fazia o segundo grau?

Marily - O segundo grau, eu tinha muita vontade, mas não dava, não, porque lá onde eu nasci não tinha escola. Tinha uma professora lá que ensinava só até a quarta série. Só pegava criança a partir de 7 anos. E criança hoje em dia com 7 anos, já sabe ler e escrever, e eu não sabia. Não só eu, todas as crianças de lá. Aí comecei a estudar, estava na quarta série, aí o colégio caiu, lá nesse sítio. Até fazer um outro eu já estava com 16 anos. Em Juazeiro, fiz a quarta e quinta junto, mas não passei, porque o estudo era muito fraco lá no sítio. Mas no outro ano eu passei. Depois fui para Salvador e continuei os estudos.

Folha - Por que essa mudança?

Marily - O meu primo me trouxe para Salvador, e disse: ‘Olha, Marily, eu vou te apresentar um treinador, porque eu sou maratonista, não tenho como passar treinamento para juvenil, para pessoa iniciante, que está começando‘. Ele não encontrou o que estava procurando, ams encontro esse com quem estou treinando agora, o Gilmário Mendes. Aí deu tudo certo com esse.

Folha - Tão certo que vocês casaram...

Marily - É, foi isso mesmo, depois de dois anos de treino a gente começou a namorar e casou.

Folha - Todo atleta tem algum atrito com o treinador, de vez em quando. E como fica no caso de vocês?

Marily - Claro que tem, porque nem todo mundo é santo, mas a gente não mistura muito as coisas não. A gente não mistura porque profissional é profissional, você tem que ter o lado ali do trabalho sério e o lado de esposa e marido em casa, não é? O que a gente vê ali, a gente conversa depois. E nada para interferir, assim, em treinamento, viagem, essas coisas. Se a gente quer conversar mais alto, deixa para casa ou lá no interior. Tem, sim, aquelas briguinhas bestas, mas a gente chega num acordo. Meu treinador se preocupa muito comigo. Ele cuida. Se eu estiver com alguma coisa e não falar para ele, aí ele se chateia, mas eu acho que é para o meu bem.

Folha - Desde quando você se considera profissional?

Marily - Corredora profissional desde os 20 anos já. Desde que eu comecei a ter treinador, porque eu comecei a treinar com um treinador muito profissional, então me achei profissional também. Nós também temos um trabalho nosso, uma equipe de corredores, a MultSport Clube de Corredores. Mas patrocinadores daqui, nada. Se eu não fosse, assim, persistente, não tivesse disciplina de pegar meu dinheiro de corrida, que eu ganhava aqui, e ir correr nas competições de São Paulo, Rio, aparecer na Globo, hoje em dia não teria não. Eu comecei a aparecer na São Silvestre. Mesmo que não ganhasse a corrida, eu sou osso duro de roer, ia lá para a frente, comecei a aparecer na televisão, as pessoas acharam que eu tinha talento para isso. Começaram me dar apoio, comecei a ganhar material esportivo, depois a Mizuno me chamou num acordo e estou recebendo salário da Mizuno e da Caixa (Marily é bicampeã do circuito Caixa de corridas de rua).

Folha - Por tudo isso, a corrida é muito importante na sua vida...

Marily - A importância da corrida é ter me tirado de um local que não tem futuro. Foi uma escola para mim. Aprendi muitas coisas importantes. Viajar, já fui para fora do Brasil sozinha. Já fui, já voltei, aprendi bastante coisa, também. Minha mãe está vendo o que eu era, o que eu estou sendo agora, acho isso muito importante. Meu pai, também, não é? Ele não entendia o que eram as corridas e agora já está entendendo, sabe muito bem o que é que eu quis na minha vida, isso é muito importante. Eles me apóiam bastantes. Meus pais são assim, sabe, muito meus amigos.

Folha - Você falou de viagens para o exterior. Qual a mais legal?

Marily - Já corri o Campeonato de Cross, na Bolívia. Já corri a Corrida de São Fernando, no Uruguai. Já corri em Portugal o Mundial de Meia-Maratona. Apesar de ter sido muito longe mesmo, eu gostei muito de ter ido para a Tailândia. Gostei mesmo. Até acho que eu não tenho coragem mais de ir para lá, mas eu gostei muito. Fui com mais três colegas, foi um prêmio da Corrida Contra o Câncer de Mama. Fui a segunda no geral, eu perdi só para a queniana. Fui a primeira brasileira. Aí eles falaram que davam a passagem para a gente para a Tailândia. Eu não achei que ia sair, mas, depois de um ano chegou essa passagem. A Fabiana [Cristina da Silva] também ganhou a passagem, foi em 2002 [A queniana Tegla Loroupe venceu, Fabiana foi a quinta colocada e Marily, a sexta].

Folha - Lá é quente, úmido, poluído, como deverá ser em Pequim...

Marily - Quanto a isso eu não me preocupo não, quando mais quente estiver, para mim é melhor. Eu corri muito bem na chuva, mas eu sou do calor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h08

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Maratona entra na trama de comédia romântica

Só por amor

Já vou avisando que não vi o filme ainda, portanto esta não é uma crítica nem uma recomendação.

Está passando em São Paulo um filme cujo título em português é "Maratona do Amor"; pelas resenhas que vi, promete algumas risadas (e talvez faça corredores mais sisudos franzirem o cenho).

Um sujeito está para casar, mas amarela e larga a quase-futura cônjuge no altar.

Tempos depois, mais maduro e também na pindaíba, avalia que cometeu um erro e trata de arquitetar estratégias para demonstrar à amada seu amor.

Na falta de dragões para matar ou castelos para tomar, vai enfrentar o grande e heróico desafio de correr uma maratona ("Qualquer um pode correr uma maratona", diz), mesmo não estando no primor da forma, como o próprio título original já revela ("Run Fat Boy Run", algo como Corra, Gordinho, Corra).

Ele não se abate e vai treinar (foto no alto, Divulgação). O incentivo é ainda maior quando descobre que o então namorado da moça (afinal, ela não ficou parada; como se diz, a fila anda) também vai correr. E, claro, tem de ser derrotado.

Como você vê, trata-se de uma grande bobagem. Mas pode ser divertido, ainda mais que a direção é assinada por um especialista em comédia, David Schwimmer, que ficou conhecido na TV como o Ross do seriado "Friends" e faz sua estréia por trás das câmeras.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h46

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Não deu para Baldaia

94 segundos

Essa foi a diferença entre a marca obtida por Maria Zeferina Baldaia e o índice A para estar presente na maratona de Pequim.

A corredora mineira fechou a maratona de Hamburgo, realizada hoje na Alemanha, em 2h38min34, o que deixa, por enquanto, o Brasil com apenas uma representante na maratona olímpica, a alagoana Marily dos Santos.

Baldaia correu a primeira metade em 1h16min56, mas não conseguiu manter o ritmo _o que seria mais do suficiente para sua qualificação. Fez a segunda metade em 1h21min39 (a diferença entre a soma das metades e o resultado final é por causa das aproximações, creio eu; os números são os oficiais).

A vencedora em Hamburgo foi a russa Irina Timofeyeva, que fechou em 2h24min14, deixando a queniana Pamela Chepchumba mais de um quilômetro atrás.

No masculino, o duelo dos quenianos David Mandago e Wilfred Kigen foi mais apertado. Mandago venceu em 2h07min23, e o compatriota chegou 25 segundos mais tarde.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h40

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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