Folha corre no Super40 neste domingo
Jornal no asfalto
Seis equipes da Folha participam amanhã da corrida de revezamento Super40, na Cidade Universitária (zona oeste de São Paulo).
Que eu saiba, é a mais massiva participação da Folha em corridas. A gente costuma dizer presente em revezamentos, mas apenas com uma ou outra equipe. Desta vez, foi um agito geral.
São times bem ecléticos, com iniciantes e experientes, velozes e não tão rápidos (como este que vos fala), funcionários das mais diversas áreas da empresa.
O meu time tem atletas do Esporte, da Economia e da Ilustrada da Folha (além da Informática, é claro), mais a participação de jornalistas do Agora.
Foi muito legal a mobilização da turma, e espero que todos se divirtam bastante.
Depois eu conto como foi.
Escrito por Rodolfo Lucena às 13h44
Duplo amputado disputa vaga olímpica
Primeira vitória
O atleta paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, que usa lâminas de fibra de carbono para conseguir correr, vai poder disputar uma vaga na Olimpíada de Pequim.
A decisão foi anunciada hoje pela Corte Arbitral do Esporte, derrubando uma decisão da IAAF (a Fifa do atletismo), que considerou que a prótese dava ao atleta uma vantagem competitiva.
Mais alta instância da Justiça esportiva, a Corte Arbitral tomou a decisão por unanimidade, e a nova regra passa a valer imediatamente. A IAAF já anunciou que aceita o resultado do pleito de Pistorius,21.
Agora, o campeão paraolímpico vai ter de correr para conseguir seu lugar nas pistas. Ele almeja uma vaga na prova de 400 m, para a qual o tempo mínimo de qualificação é de 45s95. Até hoje, o melhor tempo de Pistorius nessa distância é de 46s46.
Assista abaixo a um vídeo da participação dele no Golden Gala, em Roma, no ano passado, onde foi feita a foto do alto (arquivo AP).
Escrito por Rodolfo Lucena às 17h10
Epifania na Maratona da Grande Muralha
Revolução na vida
Neste sábado será realizada mais uma edição de uma das mais belas, desafiadoras e impactantes corridas do mundo, a Maratona da Grande Muralha, em que os atletas correm um bom trecho na própria Grande Muralha, maior obra já feita pelo homem.
A participação no evento é uma verdadeira epifania, você se descobre e redescobre o mundo, como contei no meu livro MARATONANDO e também relatei no meu antigo site, que você pode visitar AQUI.
Naquele ano, fui o único brasileiro a participar do evento, mas, desde então, muitos outros já estiveram lá, enfrentando os milhares de degraus da gigantesca construção. Um deles foi a fonoaudióloga Nara Elisa Welles Cardoso, que fez na China, no ano passado, sua primeira maratona.
Gaúcha de Pelotas, Nara, 39, entrou no mundo das corridas exatamente por causa da Maratona da Grande Muralha, que provocou um grande revolução na sua vida. Conheça, nesta entrevista, a história dessa atleta.
Folha - Como e quando você começou a correr?
Nara - Foi em um projeto da empresa em que eu trabalho, a Widex, que é especializada em produtos para deficientes auditivos e criou um projeto de integração do surdo à sociedade através do esporte. O esporte escolhido foi a corrida. Percebi que, estando à frente daquele projeto, atendendo os pacientes, sendo formadora de opinião, tinha de, no mínimo, tentar fazer igual. Dar o exemplo. Então, com 36 anos, decidi começar a correr dentro desse projeto. Ia ver se conseguia, porque eu tinha 103 quilos...
Folha - Até então você não praticava esporte?
Nara - Eu pratiquei esporte desde pequena até 19 anos para 20 anos, fui atleta de vôlei, cheguei a treinar aeróbica seis horas por dia, fiz ciclismo. Quando tinha 19 anos, sofri um acidente de carro e fiquei um ano parada. Tive fissura de costela, quebrei a mão, o pé, tive perda de pele no rosto, fiz cirurgia plástica. Tomei muito corticóide e cortisona. Quando sofri o acidente, pesava 59 quilos; quando tive alta, já estava com 90 e tantos quilos. Com a auto-estima baixa, nunca mais tinha conseguido recuperar o peso e nem voltara a praticar esporte. Aí chegou esse projeto da empresa, que resolveu patrocinar a maratona de revezamento Ayrton Senna, em 12 de outubro de 2005. Na prova, tinha umas 6.000 pessoas, 1.500 atletas com a camiseta da Widex. Desses, 406 eram deficientes auditivos. Eu fui de Porto Alegre a São Paulo, participei do evento o dia inteiro. O Marcelo, meu chefe, me colocou num grupo de revezamento para correr 5 km. Chegou na hora, eu amarelei. Disse não, que estava gorda, não ia conseguir, e passei meu número para outra pessoa. Aqui foi uma coisa...
Folha - E aí?
Nara - Aquilo me doeu muito, viver toda uma história de ex-atleta, de frustração por ter engordado. Aí eu pensei: ‘Bom, a hora é agora, vou tentar‘. Mas demorei meses para começar de fato. Foi quando a empresa resolveu fazer um projeto para engajar os funcionários numa campanha para levantar fundos para patrocinar os surdos que vão agora participar da Paraolimpíada. A empresa levaria à Maratona da Grande Muralha um grupo de funcionários selecionados entre suas unidades no mundo, e cada funcionário estaria angariando três euros por quilômetro percorrido e cinco euros por minuto corrido. Em 2006, o Marcelo me fala desse projeto, me convida para participar, coloca o desafio de eu ficar em condições para correr a Grande Muralha em 19 de maio de 2007. Eu topei e treinei oito meses para fazer minha primeira maratona, a Maratona da Grande Muralha.
Folha - Como foi o treinamento?
Nara - Comecei de fato o treinamento no dia 11 de setembro de 2006. Eu estava com 103 quilos. Pela primeira vez, depois do acidente, corri cem metros para valer. Durante 20 minutos, corria um minuto, caminhava um minuto, foi o meu primeiro treino. Odiei. Doeu tudo, uma coisa horrível. Aquele um minuto correndo era um desespero. Daí fui superando a dor, fui superando o cansaço. Quando fechou um mês, eu já estava correndo direto 15 minutos e enlouquecida, cada vez querendo mais, correr mais, mais, e eu não parei desde então.
Folha - Finalmente chegou a hora de ir para a China...
Nara - Eu ainda era dúvida. Tinha emagrecido 32 quilos em oito meses, mas estava ainda 12 quilos acima do peso ideal para correr uma maratona. O pessoal estava preocupado, porque eu tive um problema viral e dois resfriados.
No início, o Morten Fenger, o treinador da Widex mundial, que fez toda a nossa preparação, me orientou para correr até o km 21 conforme eu fazia nos treinos. Na meia-maratona, ele iria me alcançar e ver como seria, se daria tempo para completar, porque tem um limite de oito horas.
Cada passo era uma vitória, uma conquista. Quando cheguei no km 22, o Morten me alcançou e disse: ‘Nara, se tu continuares nesse ritmo até o fim da prova a gente completa a prova no tempo. Eu vou correr do teu lado para a gente ter certeza que tu vais conseguir. Só me obedece. Não pára, não diminui, vamos conversando que eu vou tentando te fazer manter o ritmo‘.
E foi assim que eu consegui completar. Ele me acompanhou do km 22 até o 42,195 km lado a lado. Eu corri 7h49m30s para conseguir completar a prova
Uma coisa que me marcou muito, assim, durante o trajeto, na corrida, era o olhar das pessoas, uma coisa muito incrível, como tu tiras força do olhar das pessoas, que estão ali te incentivando. Eu ganhei tantas flores, Rodolfo. Cada criancinha que eu passava, me dava uma florzinha, essas florzinhas de campo, sabes? Às vezes, assim, um raminho verde, uma coisinha.
E o olhar daquelas pessoas. O povo chinês é extremamente fechado, mas eu não sei se porque eu era uma das últimas ou porque eu era mulher ou porque ainda estava gordinha, todo mundo me recebia, me aplaudia, me incentivava, falando coisas que a gente não entendia, mas ficava a expressão, o sentimento, o olhar.
Eu tive uma sensação de superação, terminando a prova. Sensação de conquista, de vitória, de superação, de que não existe nada que tu não possas fazer te determinando. É só ter a pura intenção de fazer, a vontade real e verdadeira e ter disciplina e seguir à risca. Foi uma virada na minha vida. Eu entrei uma pessoa, uma mulher nesse treinamento da China e eu terminei outra.
Folha - Quem é essa outra pessoa?
Nara - Eu melhorei em todos os aspectos da minha vida. Eu me tornei uma pessoa muito mais positiva, uma pessoa muito mais tranqüila, mais segura de mim. A sensação que eu tive, com esse entrar na corrida, foi de um resgate de mim mesma. Fazia muito tempo que eu estava me escondendo de mim mesma, desde lá do acidente de carro, da frustração da mudança física, radical de vida. Participar do projeto, ter aceitado fazer e levar a sério me fez resgatar a minha essência assim. Como se eu tivesse voltado a ser eu mesma. Uma Nara que ficou escondida, durante muitos anos.
Hoje, quando eu me olho no espelho, eu me enxergo. Antes, era como se eu não conseguisse me ver. Melhorou a vida do meu matrimônio, melhorou a vida do casal, melhorou a vida sexual, melhorou tudo o que você possa imaginar.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h52
Quanto custa o seu quilômetro rodado
Muito ou pouco?
Quando se aproxima a hora da maratona (ou de alguma outra corrida-alvo), a gente vai ficando cada vez mais neurótico.
Revê os treinos, calcula o ritmo que fez na meia-maratona de Quinquinhas, extrapola para o dia mesmo da corrida, lembra daquele longão não terminado, festeja algum recorde obtido no período, planeja o que vai fazer no dia da prova, estabelece metas, reavalia essas metas, constrói uma plano B, um C, um D...
Um amigo meu, além de fazer tudo isso, ainda aproveitou um momento de lazer para calcular quanto gastava por quilômetro rodado com cada um dos seis pares de calçados que usa para treinar.
Como ele colocou as informações em uma lista fechada, não cito o nome. E como o objetivo não é comparar durabilidade de tênis, em que muitos fatores estão envolvidos, não informo abaixo as marcas e modelos que ele usa. O restante está tal e qual.
Veja o resultado:
Tênis A, comprado em 06/2007 = 1.088,7 km = 0,46 R$/km
Tênis B, comprado em 03/2007 = 1.011,7 km = 0,49 R$/km
Tênis C, comprado em 10/2006 = 710,6 km = 0,43 R$/km
Tênis D, comprado em 02/2008 = 648,3 km = 0,46 R$/km
Tênis E, comprado em 04/2008 = 242,7km = 1,65 R$/km
Tênis F, comprado em 11/2007 = 215,8km = 1,39 R$/km
Ele simplesmente dividiu o preço do calçado pelos quilômetros rodados em treinos ou corridas, não levando em consideração eventual uso diário (trabalho, academia, passeios etc.)
O que achei mais impressionante não foi ele saber a quilometragem exata de cada par --isso eu e a torcida do Corinthians também temos. Mas saber quanto pagou pelo dito cujo...
De qualquer forma, não sei se adianta muita coisa fazer esses cálculos, pois eles comprovam que a gente paga muito caro pelos tênis. Como já falei aqui, um tênis de primeira linha custa nos Estados Unidos, na loja --portanto, com todos os lucros e impostos já embutidos--, US$ 120 mais o imposto sobre vendas. Que seja 10%, dá US$ 132 (R$ 220). No Brasil, sai por R$ 499...
As lojas reclamam dos impostos, choram isso e aquilo, mas lembre-se que estou falando de valor de face, final, ao consumidor. Claro que a importadora não paga aqueles US$ 132
Bom, mas voltando à vaca fria: você já calculou o custo por quilômetro de seu parceiro de treinos? Compartilhe com a gente...
Escrito por Rodolfo Lucena às 12h43
"Primeiro-casal" diz presente na maratona de Praga
Lula lá
Fantasiado de Lula e Marisa Letícia, casal de corredores participa da maratona de Praga, realizada hoje nas ruas da capital da República Tcheca (foto Efe). O homem vestido de Lula está usando número de mulher.
Escrito por Rodolfo Lucena às 16h41
Não deu para a Sirlene
Parabéns, guerreira
Sirlene do Pinho lutou até o último momento, abraçou a derradeira oportunidade para tentar conquistar uma vaga na maratona olímpica, mas não deu.
Ela correu hoje a maratona de Praga em busca de sub-2h37, que é o índice A para mulheres, mas, a julgar pelo que já vi pelos sites, parece que nem completou a prova (não tenho ainda confirmação disso).
O certo é que, de acordo com as informações disponibilizadas no site da prova, apenas duas mulheres correram abaixo de 2h37, num dia relativamente quente para os padrões locais (quando os primeiros da elite chegaram, os termômetros marcavam 18 graus).
A campeã do ano passado, a russa Nailya Yulamanova, defendeu seu título com galhardia, fechando em 2h31min43, melhorando em quase 90 segundos seu tempo de 2007. A queniana Emily Kimuria chegou em segundo, com 2h35min55), e sua compatriota Caroline Kwambai , campeã da meia-maratona de Praga em 2006, veio depois, com 2h37min51.
O queniano Kenneth Mburu foi o vencedor no masculino, com 2h11min06.
Escrito por Rodolfo Lucena às 11h16
