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Notícias vindas da mama África

Caminhos de Benguela

O André Choma, 31, é um engenheiro civil que atualmente trabalha em um projeto para auxiliar o governo de Benguela (um dos Estados de Angola) a fazer seu planejamento de longo prazo. Nas horas de folga, treina sob o sol africano e até já participou de uma corrida por lá, relatada aqui neste blog. A gente de vez em quando troca umas idéias por e-mail, e ele conta um pouco sobre o que vê nesse sensacional país, berço de nossos antepassados. Em uma das mensagens mais recentes, ele traça um quadro do momento vivido hoje em Benguela em particular e em Angola em geral. Achei muito bacana e, com autorização do André, compartilho a seguir o relato dele com você.

"Aqui em Angola, a política ainda está polarizada, entre o MPLA (esquerda) e a UNITA (direita), cada um teve o financiamento de um lado no período da guerra fria, o que levou esse país ao caos que é hoje.

Sabemos que em um período de guerra não há lado certo, na verdade cada um tenta defender o seu lado, com interesses sempre econômicos e não ideológicos.

Quem sofreu com tudo isso foi o povo angolano, que hoje vive em um país sem infra-estrutura, sem um amplo abastecimento de energia elétrica, com uma pequena rede de água potável. Além disso, existem as milhares de minas espalhadas pelo interior --pelo menos as áreas estão todas identificadas, e a desminagem vem acontecendo regularmente há anos.

O nosso projeto aqui é contratado pelo governo do MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), mas nós nos mantemos isentos de qualquer vertente política. O objetivo final é levar Angola ao IDH (Índice de desenvolvimento Humano) de Médio Desenvolvimento Humano até 2025, segundo acordo realizado com a ONU na Cimeira do Milênio em 2000.

Aqui conseguimos acompanhar de perto as movimentações políticas, porque trabalhamos diretamente para o governo de um dos Estados (Benguela). O país está entrando em ebulição, porque irão ocorrer as eleições legislativas em setembro. É claro que o MPLA está preocupado com as eleições, porque ninguém sabe o resultado que virá das urnas. De qualquer forma, como qualquer governo, todos se movimentam para garantir a sua parte...

Para nós, que estamos tentando auxiliar o governo a planejar e controlar melhor os projetos, é difícil concorrer com as vontades políticas, que quase sempre vão contra a lógica do que deveria ser executado. Mas espero que o nosso trabalho possa auxiliar esse país a melhorar um pouco, pelo menos, a sua condição.

Não é fácil ver a realidade local, onde a taxa de mortalidade até os 5 anos é de 355 para cada 1.000 nascimentos!!! Vemos muita miséria por aqui, e é triste ver o que a guerra fez com esse país (e com a África em geral).

Na área cultural, conhecemos o modo de vida das populações do interior por conta das nossas conversas com pessoas daqui. Nas aldeias ainda se preservam as leis antigas, onde os mais velhos decidem a "lei" local e fiscalizam todos os acontecimentos. Ainda falta uma valorização maior dessa cultura e da música local.

Os projetos da área de educação são o nosso principal desafio aqui! São onde traçamos, junto ao governo, as metas mais arrojadas de construção de escolas e formação de professores.

A maioria dos alunos estuda em escolas provisórias, que vão desde escolas em escombros até aulas embaixo de árvores. Todos os dias vemos crianças indo para a escola carregando cadeiras de plástico, porque na sala não há lugar para sentar...

Angola ainda vai levar muito tempo para encontrar o seu caminho, e a democratização (real, que ainda vai levar algum tempo) será fundamental para isso. A sorte do país é ser exportador de petróleo, diferentemente de outros países africanos, que não possuem melhores fontes de renda.

Depois de um ano aqui, foi uma experiência que valeu muito a pena. Conheci o que podia desse pedaço do país. No meu blog tem muitas fotos daqui, com as paisagens do interior."

Para visitar o blog do André, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h49

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Uma avaliação de tênis de amortecimento (neutros)

Balanço geral

Já disponível à venda em diversos sites estrangeiros e também abiscoitando vários prêmios de melhor isso e melhor aquilo, o Nimbus 10 me dá um gancho para fazer uma rápida avaliação dessa linha da Asics e, de quebra, comentar outros modelos de tênis de amortecimento, para corredores com pisada neutra ou supinada, que usei ou testei nos últimos anos.

Vou começar pela Asics, que é onde encontro as maiores decepções porque foi onde encontrei o que foi talvez um dos melhores tênis de amortecimento que já testei. A linha Nimbus, premiada e elogiada em tudo quanto é site especializado e revista de corrida, de fato traz muito conforto e amortecimento.

Mas a exigência de lançamentos anuais para manter o preço lá no alto tem prejudicado o produto e os corredores que o usam. Às vezes, mudanças perfunctórias trazem efeitos deletérios significativos.

O Nimbus 7 era muito bom. Usei até o talo pelo menos três pares dele, que por cerca de dois anos foi meu tênis de escolha para correr maratonas. Mas o modelo 8 veio com aquele batoquinho na biqueira e passei longe. Quando vi o 9, com cores mais bacanas e design mais agressivo, comprei sem pensar. Resumo da ópera: está mais fino na parte da frente. Não consigo ficar com ele no pé mais de uma hora, uma hora e meia, que fica desconfortável.

Outra fabricante com bons tênis de amortecimento é a New Balance, que desenvolveu um sistema muito confortável de proteção ao calcanhar e ainda oferece seus modelos em várias larguras. O 1060 era muito duro, mas o 1061 ganhou fofura e manteve a ótima estabilidade. Vi no exterior o 1062, que me pareceu tal e qual o antepassado, sem grandes mudanças (há uma troca no sistema de amarração, por exemplo, e uma placa de estabilidade ou coisa que o valha ficou maiorzinha). Enquanto for posssível, darei preferência ao modelo mais antigo, ainda mais que provavelmente dá para encontrar boas ofertas na internet.

A Mizuno melhora, mas não acerta. Na sua boa linha Creation, experimentei bastante os modelos 8 e 7. O 8 melhorou no amortecimento, em relação ao modelo anterior, mas manteve a certa rigidez que caracteriza os modelos com a placa Wave. Para mim, o problema maior nos dois modelos, o 7 e o 8, é o solado, que não me deu confiança. No asfalto molhado, sempre foi muito escorregadio.

A Nike tem excelente design, combina cores como ninguém, mas pára por aí. Usei os modelos 2005 e 2006 do superpremiado Pegasus. Foi o melhor modelo da Nike que já experimentei, o único com alguma largura decente na parte da frente. Mas também era para usar não mais de uma hora e meia. Cheguei a comprar o Pegasus Air, muito mais bonito que a linha tradicional, rodei uns 20 e tantos quilômetros com ele e devolvi. A palmilha interna era muito alta e firme na parte do arco, saí do treino com bolha no meio do pé, coisa que nunca tinha acontecido.

Ultimamente, usei o Vomero em alguns testes. É um tênis maravilhoso para caminhadas, você o coloca no pé e parece estar nas nuvens. Para correr, não dá, a não ser que você seja um sujeito muito leve (e daí provavelmente vai achar o tênis muito pesado). Ao rodar em rimo mais intenso ou ao descer lombas, quando o choque com o solo é mais forte, dá para sentir o calcanhar amassar a borracha, parecendo tocar no asfalto.

Bom, essas são algumas impressões de uso de alguns modelos que experimentei ou com os quais rodei bastante. Não são sugestões de compra nem recomendação. Lembro que o tênis é algo muito individual: um modelo que, para mim, é ótimo, para você pode ser uma porcaria.

E acho que as lojas especializadas deveriam permitir que o comprador experimentasse o novo modelo por mais do que rápidas passadas. Nos EUA, como já contei neste blog, pude trocar um tênis depois de ter corrido mais de 20 km com ele pelas ruas de Seattle.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h27

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Ressonância magnética dá medo, mas ajuda

Entrei pelo cano

Na madrugada de hoje, enfrentei mais um de meus temores, que até há pouco nem sabia que tinha: a claustrofobia ou coisa que o valha.

Começo do começo: aquelas dores nas costas, durante a maratona de Porto Alegre, me fizeram não só renguear, mas também voltar ao ortopedista, revisitar a maldita hérnia que me acompanha há vários anos.

Já estou caminhando quase normalmente, até trotando de leve, e o médico me trouxe alvíssaras: a coluna continua inteira, o problema é a falta de alongamento, sou mais tosco que dedão destroncado, como se diz na minha terra.

Mesmo assim, o médico pediu a tal RM da coluna para ver em que pé estão os discos...

A ressonância magnética é um método de diagnóstico por imagem que dá mais informações que a radiografia. Por exemplo: uma fratura por estresse identificada por RM nem sempre aparece no raio-X.

Já fiz várias vezes esse exame, desde que tive o diagnóstico de hérnia, mas parece que o envelhecimento vai deixando a gente mais bobo ou mais temeroso.

É que a gente tem de entrar num tubo justinho --parece que estamos presos num caixão de defunto... O tubo é o magneto, cujo altíssimo campo magnético ajuda a produzir as imagens.

Na vez anterior, eu já tinha quase passado mal ao viajar pelo interior do aparelho (a gente é colocado numa cama, que desliza para dentro do tubo). E avisei que tinha sido ruim.

Pois me colocaram com os pés em direção ao magneto, facilitando a minha vida. Mesmo assim, antes do início do exame quase tive um "5 minutos", mas acabei me acalmando.

Quando começou a barulheira, sinal de captura de imagens, já estava mais tranqüilo.

Entrei pelo cano, mas saí dele. Não vai dar para correr os 10k no domingo, durante a maratona de São Paulo. Mas um trotinho pela grama acho que vai ser possível.

Semana que vem, se tudo der certo, volto a correr direito.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h36

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25ª Maratona Internacional de Porto Alegre

Terra natal

Quando dobrei a esquina, a contagem regressiva já tinha começado. As mulheres iriam largar em segundos.

Tudo bem. Para mim, dava tempo de ainda circular um pouquinho, andar de um lado para o outro, esfregar as mãos, tentando espantar o friozinho da manhã porto-alegrense, minutos antes da largada geral da 25ª Maratona Internacional de Porto Alegre, nove anos depois de minha primeira maratona, exatamente aí na minha terra natal.

Desta vez, a saída não é no Parcão velho de guerra, mas na região central, que era bem diferente quando saí de lá para vir morar em São Paulo, há 27 anos. Hoje, um grande parque margeia o rio, a área do Gasômetro foi recuperada, há largas avenidas nesse complexo viário.

Soa a corneta e lá vamos nós. Nos primeiros passos, já sinto uma pontada nas costas, aviso que que não vem coisa boa por aí. Mas, no vai da valsa, saio rápido para meu tradicional nível de lerdeza e vou acelerando.

O dia está cinzento, frio, tudo em riba para correr bem. Guardo no coração o carinho do dia anterior, durante a sessão de autógrafos de meu livro "Maratonando". É bem verdade que outros podem ter começado a prova irritados com a véspera, pois houve reclamação de confusão e demora na entrega dos kits.

Para mim, tudo funcionou a contento. E já passava, quase sem sentir, pelo Mercado Público, prédio mais que centenário, repleto de memórias da infância, da profissão e de lutas políticas. Ali tomei salada de fruta com nata e sorvete na banca 40, participei de campanhas comunitárias, dirigi lançamento de jornais alternativos, fiquei paradão, observando os acontecimentos e os personagens para reportagens especiais na "Zero Hora".

Seguimos em frente mais um pouco apenas para tomar mais uma curva e voltar pela Mauá, costeando o cais do porto, hoje murado. Os grandes armazéns também mudaram de função, foram de certa forma devolvidos à cidade, abrigando exposições como a Bienal do Mercosul.

Depois vem o Gasômetro, sua imensa chaminé, a vista do Guaíba e o sentimento de que um oitavo da prova está completo. A maratona se come assim, como o mel, aos (f)avos. O primeiro quilômetro não conta; no segundo, já cobrimos um vinte-e-um avos. Com mais dois, já temos um décimo, praticamente. E o quinto é o começo do fim...

No domingo, no quinto quilômetro começava a primeira de menos de meia dúzia de subidinhas leves incorporadas ao percurso, que foi modificado neste ano por causa de obras na zona sul da cidade. Os mais jovens que sobem por ali nem desconfiam que aquele sofisticado complexo viário de asfalto e cimento armado tomou o lugar de espaço de lutas e revolução.

Era a Esquina Maldita, o encontro de Oswaldo Aranha e Sarmento Leite, endereço do boteco mais freqüentado, nos anos 60 e 70, pelo pessoal da esquerda universitária, da intelectualidade rebelde. Ali mudamos o mundo, fizemos a revolução, escrevemos contos e arquitetamos filosofias, sempre atendidos pelo garçom Isaac e sua bandeja repletas de copos de chope e caipirinha mais pratarrões de batatas fritas, que comíamos encharcadas de mostarda.

Se foi, não tem mais, não sobrou nem pó.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h39

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25ª Maratona Internacional de Porto Alegre - final

Galo manco

Vamos em frente, que agora é uma descida, e a dorzinha do início volta. Acho que é resto de uma dor que ficou da ultra da Irlanda, mas sigo correndo, aproveitando que um sujeito me passa e eu tento defender minha posição, aperto o passo, fico naquele vai não vai.

Ele também não sai muito e seguimos nessa pelos próximos quilômetros, chegando à Goethe, onde gremistas e colorados costumam festejar suas vitórias e as derrotas do adversário. Dali é uma reta só subindo o viaduto sobre a Protásio, onde, na última vez que corri Porto Alegre, era o km 41 e a gente já ouvia o roncar da multidão, via a festa no Parcão e ganhava forças para uma arrancada final.

Agora é só caminho para seguir até o ginásio da Brigada e entrar na Ipiranga para o trecho mais chato da prova, um retãozão até o final dessa avenida e o retorno pelo outro lado da rua.

É quando começa uma chuvinha rala, garoa fina, com pinguinhos milimétricos, que ajudam a apertar o passo. Eu já não sei se devo seguir. Começo a pensar em desistir no km 21, talvez seja o melhor para a minha saúde e, com certeza, vai deixar mais feliz o meu treinador.

Mas, quando passo o 21, penso que as dores vão continuar comigo de qualquer jeito e, total, só falta meia-maratona, isso não serve para assustar ninguém...

Meio que por vingança, acelero e faço bons tempos por mais uns três quilômetros, apesar do vento contra.

Nova surpresa no percurso: não seguimos até o rio, mas entramos à esquerda para mais uns volteios pelos bairros. Menos mal que, no 27, tangenciamos o Olímpico Monumental, mando meu grito de guerra para o Grêmio --no sábado, fora dia de vitória tricolor e show de sua sensacional torcida (e eu estava lá!!).

Finalmente, na Praia de Belas, encontro a Eleonora. O coração esquenta e as pernas se fortalecem, faço graça e abro sorriso, mas por dentro estou me mordendo, o cérebro se esforça para calcular quanto falta, já fico pensando se minha decisão de continuar vai prejudicar minhas próximas provas (tinha um 10 k para o final de semana seguinte, uma maratona em um mês...).

Azar e caverocas, como costumava dizer minha mãe. O jeito é marcar adversários e xingar quem eu puder, especialmente os caras que desenharam a parte final do percurso.

É que, a partir do km 30, a gente passa de volta perto da largada (pelo menos, não tem a visão do pórtico) e segue mais uma vez em direção ao Gasômetro. Faz a volta e daí margeia o rio em direção à zona sul, passando pelo estádio do Internacional e seguindo mais um pouco para então retornar pelos mesmos passos e, no final, embicar para a direita.

Viu que confusão? Isso que não descrevi o trajeto detalhadamente. Para completar, naquele trecho mais perto do Gasômetro acontecia a prova de revezamento, que teve grande contingente de participantes (no total, o evento reuniu cerca de 4.000 pessoas).

Eu gostei. Vinha sozinho ou com poucos adversários e, de repente, vi-me em meio a uma turma alegre e bem disposta, correndo rápido, o que serviu até de incentivo. Talvez os maratonistas mais rápidos tenham encontrado um bololô que, para eles, tenha sido fator de irritação, como já vi em comentários aqui mesmo no blog. Enfim, as áreas podiam ter sido mais bem delimitadas.

Eu, por mim, estava chegando ao limite. No 36, resolvi caminhar um pouquinho para ver se aliviava os costados. Não estava cansado nem resfolegava, minhas pernas me levariam por mais uma maratona inteira sem sentir, mas o quadril me obrigava a renguear que nem galo manco.

Caminhar era pior. Não consegui seguir nem 30 metros. Correr doía menos e correr rápido (para meus padrões), menos ainda. Foi o que fiz.

Meia-volta no 38, mais uma subidinha (ali era mais ou menos o km 30 na minha primeira maratona de Porto Alegre, em 1999) e a reta final.

Passei um sujeito que tinha me passado, ele se recuperou, eu me recuperei e assim fomos, eu um pouquinho para trás, ele parecendo mais forte, até o 42. Então abri a passada e ninguém mais me viu.

Voei.

Depois de cruzar a linha, iniciar a caminhada foi muito dolorido. Saí mancando, pensando nos dias seguintes, imaginando quando poderia correr de novo.

Mas isso seria para mais tarde. Agora eu tinha um churrascão para festejar...

 

PS.: As fotos da maratona e do lançamento do "Maratonando" são da sensacional Eleonora. Confira outras imagens AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h36

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Maratona de Porto Alegre - antes

Obrigado, tchurma

 

A recepção que tive em Porto Alegre foi sensacional.

Começou antes mesmo de eu chegar com o MARATONANDO: a turma da Zero Hora, que estava com um blog totalmente dedicado à maratona e ao revezamento, em que muitos jornalistas de lá participaram, colocou no ar um texto que fiz convidando para a sessão informal de autógrafos (leia AQUI; é preciso rolar a página).

No sábado, chegamos às dez em ponto ao ginásio da Brigada Militar, onde há 32 anos fiz meu juramento à bandeira como reservista do Exército brasileiro. Já havia uma grande fila esperando a abertura de portões.

Lá dentro, o pessoal da organização se preparava, e a turma dos estandes dava os últimos retoques nas bancas de tênis, roupas esportivas, alimentos de corredor e publicações especializadas. A Santucci, distribuidora local da editora Record, dizia presente com o MARATONANDO.

Demorou um pouco para engrenar, mas, quando começou, foi muito bacana (no foto, um momento do dia).

As manifestações de carinho dos leitores, o encontro com internautas que só conhecia dos comentários deixados neste blog, o rever amigos de longa data --tudo isso aquece o coração de um jeito tal que só dizendo obrigado, muito obrigado a cada um que lá esteve, que aqui visita esse blog, que corre pelas ruas e trilhas do Brasil e do mundo.

Para completar, depois de tudo acabado, ainda deu tempo para aproveitar o fim de tarde e ir ao glorioso estádio Olímpico assistir ao Grêmio.

De fato, porém, a maior delícia foi ver a torcida que, da Geral, cantava e pulava sem parar, entoando musiquinhas (algumas vergonhosamente racistas, diga-se de passagem). O time ganhou, mas está mal das pernas, a torcida é melhor que a equipe...

Bem, aí já era quase hora de dormir e torcer para que viesse o prometido frio...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h28

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Se deixarem, Haile vai a Pequim

Melhor de quatro

 

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, fez no sábado seu melhor tempo nos 10.000 m nos últimos quatro anos. Ele quer mostrar aos dirigentes do atletismo etíope que está em condições de ir a Pequim, se os cartolas concordarem.

Depois que Haile, 35, desistiu da maratona, alegando temer sofrer problemas por causa da poluição de Pequim, disse que poderia correr a prova em pista. Então surgiu um quiproquó com os dirigentes, que falaram que o atleta não escolhe prova, eles é que determinam quem vai correr onde.

Bem, o certo é que o recordista (na frente, na foto AP no alto), correu como gente grande em Hengelo, na Holanda. Fez abaixo da marca que desejava para mostrar aos cartolas que pode competir na elite também na prova mais curta.

Completou os 10.000 m em 26min51,10 --apenas 67 centésimos de segundo atrás de seu compatriota Sileshi Sihine. Terminou sorrindo, polegares erguidos em sinal de bons tempos (ou, pelo menos, esperança de bonança).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h17

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PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 51, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista, autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record).

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