Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Marílson fica em quarto na meia de Bogotá

Nos passos de Vanderlei

 

Marílson Gomes dos Santos, uma das esperanças do atletismo brasileiro na Olimpíada de Pequim, terminou em quarto lugar na meia-maratona de Bogotá, realizada ontem na Colômbia.

Os tempos na altitude não foram de impressionar, mas, considerando o quanto é difícil buscar oxigênio a 2.600 3.000 metros acima do nível do mar, também não dá para reclamar muito.

Marílson era dono do melhor retrospecto entre os candidatos ao título, mas currículo não ganha jogo, como todos estamos cansados de saber. Quênia fez uma trifeta no pódio masculino e também abiscoitou o título no feminino.

Mais de 47 mil corredores engalanaram as ruas de Bogotá, participando da meia e de uma prova de 10 km que também fez parte do evento (foto.

Os quenianos abandonaram o pelotão com menos de um quilômetro corrido. Marílson, que vinha de um período de três semanas de treino nas montanhas colombianas, tentou seguir, mas sem sucesso: no km 5, estava cinco segundos atrás do bloco que liderava e depois só perdeu terreno.

"Não é importante fazer um bom tempo em Bogotá", disse Isaac Macharia, que venceu com 1h03min34. "É como na maratona de Nova York, onde se corre em 2h08, 2h09... A questão é ganhar, não correr rápido."

Marílson seguiu isso à risca, com seu lento resultado de 1h05min59. Ele nem se impressionou, dizendo que tinha encarado a prova como um misto de treino e corrida, como parte de sua preparação para Pequim _Vanderlei Cordeiro de Lima fez a mesma coisa em 2004, quando usou a meia de Bogotá como polimento final para Atenas, onde levou o bronze e entrou para a história dos Jogos Olímpicos ao não se abater com o ataque do padre doidão.

Tomara que ele se saia tão bem ou melhor que Vanderlei, sem precisar enfrentar nenhum incidente.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h02

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Cena do dia - Maratona Alpina

Ponte lotada

Dá inveja, não é? Veja só a turma cruzando a ponte Sunniberg em Klosters, na Suíça, pertinho de Davos, onde costuma ser realizada reunião de cúpula dos líderes dos países mais ricos do mundo (G8). Os corredores participavam da 23ª Swiss Alpine Marathon, realizada no último sábado (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h56

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Como é bom correr de madrugada

Paulista, dez graus

O garotão vestido de negro, capuz do moletom cobrindo-lhe a cabeça, pergunta, meio desconjuntado: "Então você curte balada?"

"Lógico", foi a resposta em tom um tanto entediado da garota, como a perguntar: "O que você acha?". Afinal, estavam os dois no fim da noite, início da madrugada, provavelmente vindos de alguma balada, a pergunta parecia mesmo coisa de tonto, ainda mais para este observador, que passou correndo pelos dois.

Não sei o que aconteceu com o jovem casal. Posso fazer um conto sobre o futuro deles, acreditar que os dois fizeram história em conjunto ou supor que cada um foi para seu lado. De certo, tenho apenas o asfalto frio e o vento que me cortava o rosto na madrugada paulistana, em que acompanhei hoje a cidade indo dormir e começando a acordar.

O frio me empurrava os passos: estava a seis minutos por quilômetros ou mesmo um pouco mais, o que é praticamente um vôo para este corpo lerdo. O relógio da Paulista marcava 10 graus às 5h39, e eu aproveitava cada segundo.

Fazia muito tempo, pelo menos mais de dez dias, que não corria assim, solto, veloz, sem dor. Uma pontada no quadril tinha atrapalhado meus planos e suspendido meus treinos desde a semana anterior, quando eu vinha num animador crescendo de desempenho.

Não faz mal. Dá-lhe fisioterapia, alongamento, massagem, acupuntura, e pode avisar lá que vou, que estou voltando.

Correndo e ouvindo a cidade. Nesses horários, quase ninguém está muito disposto a conversar. Muito menos fazer graça para algum sujeito de bermuda e camiseta reflexiva, cabelão amarrado e meião, que cruza os transeuntes encapotados de roupa de festa ou de trabalho. Mesmo assim, uma gurizada se entusiasmou e, me vendo passar, animou: "Não pára, não pára, não pára!".

Não ia mesmo parar. Ao contrário, me divertia cruzando da calçada para o asfalto, naquela hora não muito tomado pelos carros e oferecendo uma pista mais gostosa para as passadas.

Depois da Brigadeiro, a Paulista vai esmorecendo, o movimento diminui e é quase nulo na seqüência, vergueiro ainda escura, em que uma banca de jornal, fechada, está prestes a se abrir para o mundo: o jornaleiro acaba de chegar, gira a chave enquanto passo por ele.

Vou até a Vila Mariana e começo a voltar, agora para pegar um percurso mais ondulado, pela Cubatão e alameda Santos, tentando mesmo assim manter o ritmo.

O dia acalora, mas coisa pouca, ainda o sol está lutando para acordar.

E eu chego em casa para um descanso satisfeito.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h18

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Distância mágica faz cem anos

42.195

Ele viu pela janela uma corrida, saiu atrás do líder e virou uma lenda do atletismo mundial.

Essa é, em resumo brutal, a história de um jovem ajudante de confeitaria italiano que, no início do século passado, estava calmamente cuidando de suas funções quando ouviu uma balbúrdia na rua. Olhou pela janela e viu uma corrida, uma bando de corredores perseguindo um objetivo: chegar a um ponto distante.

Ficou tão surpreso e curioso que saiu a correr atrás, logo emparelhou com o líder e ficou fascinado pelo esporte. Passou a correr distâncias cada vez maiores, venceu provas de 10 km, de 30 km, enfrentou maratonas.

Na época, a distância da rainha de todas as corridas era mais ou menos uns 40 km. Tinha sido assim na primeira Olimpíada moderna, em 1896, em que a prova foi instituída em homenagem à épica história do soldado grego que, em 496 AC, correu de Maratona a Atenas para contar a vitória grega sobre os invasores persas e morreu depois de tanto esforço.

Em outras provas que assumiram o nome, a distância variou. A primeira maratona de Boston, que persevera até hoje, foi corrida em 1897 numa distância até menor. Nas olimpíadas seguintes, a prova ficou mais ou menos sacramentada em torno das 25 milhas, os tais 40 km.

Tudo seria diferente na Olimpíada de Londres, em 1908. No dia 24 de julho, há exatos cem anos, 55 largaram de frente ao palácio de Windsor, às 14h33, para enfrentar um percurso de 26 milhas e 385 jardas, os tais 42.195 metros.

Pois lá estava o confeiteiro italiano, Dorando Pietri, que havia conquistado por seus proprios méritos, em duras provas de ruas, o direito de representar seu país na maratona. Que seria percorrida naquela distância esdrúxula para atender a caprichos da família real da Grã-Bretanha.

A princesa Anne queria que a prova saísse de perto das janelas do castelo, e o ponto de largada originalmente planejado foi deslocado em cerca de uma milha para que os olhares reais pudessem acompanhar a corrida desde seus primórdios. Os monarcas desejavam também assistir ao momento derradeiro, e a fita de chegada foi instalada na pista do estádio olímpico em frente ao camarote real. Tudo medido e calculado, ficou naquilo já sabido.

O que os corredores pareciam não saber era que, fosse a maratona 40 km ou 42,2 km, a distância era poderosa e merecia respeito. Mas, que nada, largaram como se estivessem indo ali na esquina, apesar do calor incomum para o clima londrino.

Resultado: antes do km 30, o índio canadense que tinha partido buscando a liderança com denodo já estava alternando trote e caminhada. E o pequeno confeiteiro não só passou por ele como seguiu em busca do ponteiro, um forte sul-africano. Pouco antes de chegar ao estádio, alcançou o rival, tomou um gole de uma bebida que o irmão lhe forneceu e seguiu para a glória.

Era o que pensava. Estava completamente exausto. Entrou na pista tontão, foi na direção errada, caiu, levantou, auxiliado por médicos e assistentes. Enfim, apoiado, Dorando Pietri cruzou a linha, tornou-se o primeiro homem a cumprir a maratona olímpica em 42.195 metros.

Mas não levou. Depois dele, em 2h55, chegou o corredor americano, e a equipe de Tio Sam entrou no tapetão contra a vitória auxiliada de Pietri. O confeiteiro acabou desclassificado.

Mas não derrotado, como eu conto em reportagem publicada hoje no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Foi homenageado pela rainha Alexandra, virou celebridade local, símbolo do denodo e do heroísmo que cercam a maratona. E ainda ganhou algum dinheiro, pois sua rivalidade com Hayes, o americano, foi explorada por organizadores de prova, que marcaram uma revanche para Nova York.

Pietri cruzou o oceano para dar um pau em Hayes: depois de centenas de voltas na pista do Madison Square Garden, sagrou-se vencedor do tira-teima. E, para não deixar dúvidas, venceu também uma revanche realizada em março de 1909.

Seguiu sua vida. Casou, estabeleceu-se e morreu jovem, com pouco mais de 50 anos, de ataque cardíaco. Sua história é relembrada com carinho e orgulho por Carpi, cidade italiana onde viveu a maior parte da vida e de onde assistiu àquela corrida de que falei no início deste texto. É lá que hoje ele recebe uma merecida estátua em praça pública.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h44

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Corredor atrai raiva e simpatia do povo da rua

Palavras ao vento

 Não sei por quê, para ver um sujeito correndo pelas ruas da cidade parece acionar em cada cidadão o gatilho do opinionismo, do desejo de se manifestar, de colocar abertamente suas opiniões.

Algo faz com que o sujeito sinta-se no direito de falar o que pensa sobre o atleta que se esfalfa no asfalto, revelando, de certa forma, as suas próprias frustrações e alegrias, quando não seus desejos.

Quem já não ouviu algum grito de incentivo ao correr pela avenida Sumaré, na zona oeste de São paulo, ou qualquer outro trajeto em nossas metrópoles.

Mais das vezes, as palavras que chegam são de incentivo: Vai lá!,. É isso aí! e assemelhados.

Nas madrugadas, porém, nem sempre os comentários são tão educados. Ouvem-se palavrões, um xinga disso ou daquilo, outro grita filho disto filho daquilo e por aí vão, saindo das baladas, embalados por qualquer coisa que lhes libere o superego...

E a gente segue na boa.

Eu, pelo menos, prefiro ficar na minha, mas já vi gente se esquentando à toa. Na maratona de Sevilha, corri parte do trajeto ao lado de um senhor sessentão que não deixava barato nenhuma brincadeira. Como estávamos lá pelo final, espectadores mais brincalhões nos advertiam de que os líderes estavam muito distantes e que a gente precisaria ser mais rápido, porque aquilo era uma corrida.

E o cavaleiro espanhol, dono de uma farmácia em Sevilha, dava o troco: "Vem correr aqui para ver o que é bom".

No meu caso, há quem veja semelhança com algumas figuras mais conhecidas. Jesus Cristo, Bin Laden, Tiradentes, gritam os galhofeiros. Outros são mais discretos e, em vez de gritar, passam a cantarolar, como quem não quer nada, músicas natalinas ou o hit de Roberto Carlos: "Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui". Raul Seixas, que nasceu há 10 mil anos atrás, também é lembrado...

Se corro com a camisa do Grêmio, então, é um deus-nos-acuda. Mas isso conto alguma outra vez...

Bêbados contumazes e moradores de rua de rua em geral costumam ser supersimpáticos. Não escondem seu entusiasmo com o fato de alguém está praticando um esporte. "Muito bem, muito bem, isso faz bem", elogiou-me certa vez um sujeito que estava mais prá lá do que prá cá, e certamente não tinha a própria saúde em alta conta.

Falando em saúde, uma das últimas que me aconteceu passou dos limites.

Tinha saído de casa de madrugada e já corria havia umas três horas. Era o meio da manhã, horário de intervalo nas escolas, como dava para perceber pela quantidade de juventude espalhada em um quarteirão do Paraíso, perto de uma escola e dos bares adjacentes, que alimentam o voraz apetite de adolescentes em fase de crescimento.

Pois vinham três garotões pela calçada, grandalhões, claramente fora do peso, carregando seus discretos lanchinhos: hambúrgueres gosmentos, refrigerantes, salgadinhos, cada um mal tinha mão que chega para defender suas posses.

Eu corria na direção deles, mal tive tempo de pensar em quão "saudável" estava a meninada, quando ouvi o comentário da turma:

"É isso aí, tio! Muito bom!"

Tio, não, tio é sacanagem.

Mas foi o que ouvi.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h32

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Hipotermia mata dois em corrida na Alemanha

Mortes investigadas

A polícia alemã está investigando se houve negligência por parte dos organizadores de uma corrida em que morreram dois participantes, no último domingo.

Os dois homens (um de 41 e outro de 45 anos) morreram por hipotermia (queda da temperatura do corpo) e falta de oxigênio durante uma prova na Zugspitze, a montanha mais alta do país. O percurso começa em Ehrwald, na Áustria, e se estende por 14,6 quilômetros, chegando ao lado alemão da montanha, a cerca de 3.000 metros acima do nível do mar.

Além dos dois mortos, outros seis corredores foram hospitalizados, como sinais de exaustão e hipotermina, mas nenhum em situação crítica.

A questão é se a prova não deveria ter sido suspensa, pois havia avisos da meteorologia em relação às condições de tempo. E, de fato, durante a prova ocorreu uma tempestade de neve, derrubando brutalmente a temperatura. Muitos dos 550 participantes foram pegos de surpresa, vestindo apenas calção e camiseta de corrida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h14

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Recordista mundial ainda tenta ir a Pequim

Contra o tempo

Paula Radcliffe ainda não jogou a toalha. Vítima de uma fratura por estresse na coxa esquerda, a recordista mundial da maratona está seriamente ameaçada de não poder ir a Pequim, pois o tempo seria insuficiente para sua recuperação.

Mas a decisão final só virá na undécima-primeira hora. Ela está determinada a conseguir...

E conta, a seu favor, com feitos como o do ano passado, quando se tornou mãe pela primeira vez, no início do ano, e venceu a maratona de Nova York, em novembro.

Na última segunda-feira, foi a Londres para fazer alguns exames no Instituto Médico Olímpico, mas logo voltou para sua base de treinamento nos Pirineus franceses. "Vou continuar treinando. Mas vai ser uma corrida contra o tempo", admite ela, que neste ano enfrentou várias adversidades.

Não pôde competir na maratona de Londres por causa de problemas nos pés e depois recebeu a notícia da fratura por estresse.

Aos 34 anos, essa pode ser sua última olimpíada com condições efetivas de chegar ao pódio. Restam 30 dias para ela ver se consegue, ao menos, chegar à largada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h54

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Cena do dia

Mamadeira neles

 

Três leõezinhos brancos são alimentados no zoológico de Schloss-Holte Stukenbrock, na Alemanha (foto Reuters). As duas leoas brancas do parque deram à luz sete filhotes ao mesmo tempo. Mas três foram abandonados pela mãe e, agora, ficam sob a atenção de humanos.

E o que isso tem a ver com corrida?

Pense.

...

...

Já pensou?

Eu acho que nada, mas a foto é bem divertida.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h33

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Queniano desmaia em corrida em Fortaleza

Nordeste abrasador

A simples existência de corridas de qualquer distância no nordeste brasileiro, ainda mais maratonas e meias, é mais uma comprovação da veracidade da frase de Euclides da Cunha, que afirmava: "O nordestino é, antes de tudo, um forte". A primeira Meia Maratona SESI do Ceará, realizada ontem sob sol escaldante, deixou até queniano caído, conforme relato do leitor FÉLIX LUIS, cearense da gema, professor de informática, web designer e, claro, corredor, responsável pelo site Portal do Corredor. Leia a seguir o que ele nos conta sobre a prova.

"Antes da largada, os espaços de sombra das tendas de assessorias esportivas, barracas de venda de coco, sorvetes e até postes de iluminação e árvores eram disputados por todos. Quem deixasse o local perdia a vaga. O evento ofereceu dois percursos, de 10 e 21 km, e teve a participação, no total, de aproximadamente 600 atletas.

"À medida em que o momento da largada se aproximava, aos poucos todos os coelhos deixavam a toca para encarar o sol forte --a temperatura estava no mínimo em 30º, mas uma sensação térmica bem maior.

"Os postos de água durante o percurso ajudaram a aliviar o calor, mas as marcações de km não existiam, e a grande maioria dos corredores, que não tinham GPS ou relógios com marcação de km, ficaram confusos e ansiosos para saber se estavam acima ou abaixo dos tempos desejados.

"A medalha também não agradou, estava muito simples e sem informação... o que não é novidade para muitos eventos.

"A prova teve a presença de corredores quenianos, sendo que um deles desmaiou a poucos metros de mim, na altura do km 15.

"A forma como ele vinha cambaleante lembrou a chegada da Gabrielle Andersen na Maratona Feminina de Los Angeles em 1984. Depois de algumas passadas confusas, ele caiu no asfalto quente. Foi atendido logo em seguida por populares e depois foi levado ao hospital. Quem diria... um queniano desmaiando no calor cearense...

"Quanto a mim, corri para tentar baixar meu tempo em relação a Meia Maratona de Fortaleza, que aconteceu em abril, quase sem sol e com o tempo nublado. Mesmo com as condições adversas, consegui cortar 90 segundos, de acordo com a minha marcação pessoal, mas vou esperar o resultado oficial para analisar o tempo bruto e líquido."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h47

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Surpresas e decepções na Golden League em Roma

Pequim ainda distante

 

O duplo amputado Oscar Pistorius, campeão paraolímpico que está tentando obter uma vaga na Olimpíada de Pequim, não conseguiu carimbar o passaporte ontem, em Roma. Ele disputou os 400 m, mas ficou longe do índice B; aliás, não foi possível sequer melhorar seu recorde pessoal, como esperava.

Pistorius, também conhecido como Blade Runner, por causa de suas próteses em lâminas, conquistou na Justiça o direito de competir por uma vaga olímpica, e vem trabalhando duro para isso. Ontem chegou em antepenúltimo na corrida 2, marcando 46s62 (foto Reuters).

Foi a primeira vez que o vi correr ao vivo, na transmissão da TV italiana. Por causa das lâminas, ele tem uma largada mais lenta que a dos outros corredores, mas, aos poucos, ganha ritmo e consegue se aproximar do grupo.

Enfim, não me parece que as lâminas lhe dêem algum tipo de vantagem. Ontem, Lauter Nogueira comentava sobre a resposta mais rápida das prótese e sobre o fato de que o corredor não sentiria dor nas pernas... Mas é preciso ver também todos os outros problemas que ele teve de superar e precisa enfrentar a cada prova...

Pelo desempenho ontem, parece difícil que venha a atingir o índice, mas sua trajetória e determinação devem ser inspiradoras para todos.

Falando em determinação, foi o que pareceu faltar para o ex-recordista mundial Asafa Powell na prova classificatória dos 100 m. Ele começou mais ou menos, mas logo dominou o terreno e, nos 80 m, parecia claro que iria ganhar e com muita folga. Foi quando desacelerou e foi engolido pela turma que vinha atrás.

A impressão que deu foi de excesso de confiança, de que ele tinha achado que estava no papo e relaxou, em vez de continuar. Afinal, em certas competições, não basta vencer, é preciso brilhar...

Mais tarde, ele mesmo informou que tinha sofrido uma câimbra na virilha. E, obviamente, ficou de fora da final.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h34

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Russa detona mais uma vez seu recorde

Meninos, eu vi

Foi sensacional! O feito, em si, não me deu muita emoção, pois é, basicamente, apenas um pulo (sem desrespeito a ninguém, por favor). Mas a expressão da russa Yelena Isinbayeva ao erguer a cabeça do colchão, depois de passar a barra colocada na altura de 5,03 m, vitoriosa, exultante, é inesquecível --mesmo que vista de tão longe, apenas pelos olhos das câmeras da TV italiana.

A russa é um dos mitos do atletismo moderno: nos últimos anos, vem derrubando marcas como se estivesse em um jogo de boliche. Em 2005, foram mais de dez quebras de recorde (todas marcas dela mesma).

Além disso, bela tanto ou mais que as musas eslavas do tênis, cria toda uma aura em torno de si a cada vez que compete, chamando os cliques dos fotógrafos e os olhares das câmeras (foto do alto Divulgação/IAAF; ao lado, da Reuters).

Na ponta da pista, antes de iniciar sua corrida para vôos jamais experimentados por outras mulheres, ela se concentra. Fala consigo mesma em palavras pronunciadas rapidamente, como se fosse parte de uma oração, de uma advertência, de uma chamada à concentração.

O ritual também se passa à relação dela com a vara. Passa nas mãos um preparado para evitar deslizes; a vara também recebe o preparado. Ela equilibra seu instrumento de trabalho, faz movimentos amplos com os braços, larga novamente seu aparelho propulsor, está quase pronta.

Vai iniciar a corrida, a explosão. Antes, prende a correntinha por dentro de seu top, para que a medalha não balance. E parte quase aos saltos, numa corrida toda especial, que logo ganha impressionante velocidade.

Ela já tinha derrubado a barra uma vez, nos 4,95 m, provavelmente por falta de velocidade na corrida: superara o obstáculo com folga, mas na descendente, ficou perto demais. Ou seja, na vertical foi ótima, mas na horizontal deixou a desejar. Falha que corrigiu logo em seguida, quando acertou o ponto de partida para a corrida e fez alguma modificação de estilo sugerida por seu técnico. Tinha, portanto, a experiência necessária para saber quando saltar e como superar o obstáculo colocado em altura recorde.

E assim fez, literalmente no apagar das luzes da terceira edição da Liga de Ouro deste ano, ontem à noite, no estádio olímpico de Roma. Ela superou por dois centímetros sua marca anterior, de 5,01 m, estabelecida de 9 de agosto de 2005. E foi com folga, deixando claro que novas alturas vêm por aí e respondendo na pista aos que achavam que sua carreira tinha estagnado e que ela, aos 26 anos, partia para o descenso inelutável.

O encontro italiano da Liga de Ouro também serviu para reduzir ainda mais o seleto grupo de atletas em condições de disputar o prêmio máximo de US$ 1 milhão, reservado a quem consiga vencer, em sua modalidade, em todas as seis etapas da série de competições.

O americano Bershawn Jackson, dos 400 m com barreiras, não conseguiu se manter entre os competidores. Também frente às barreiras, mas nos 100m, Josephine Onya, naturalizada espanhola, viu desparecer sua chance de levar o prêmio.

Ao final da competição, restaram apenas duas atletas em condições de alcançar o prêmio. No salto em altura, a croata Blanka Vlasik passou com folga os 2 m para ganhar o ouro e ficar na disputa milionária. A outra desafiante é a jovem queniana Pamela Jelimo, 18, que bateu o recorde com evento ao vencer os 800 m em 1min55.69.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h00

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Fala, leitor - ainda a maratona do Rio

Abstinência de chocolate

Não costumo publicar mais de um relato sobre o mesmo evento, mas, quando vi a foto da alegria do engenheiro RODRIGO LUCCHESI por ter completado sua primeira maratona, achei que você também ia gostar de conhecer a história. Lucchesi, de 29 anos, corre há seis anos, parando e voltando, e promete se firmar agora, planejando vir a fazer uma maratona por ano, já que entrou no clube. Acompanhe o relato de sua estréia.

"No dia 29 de fevereiro, quando faltavam exatos quatro meses para a maratona do Rio, resolvi que havia chegado a hora de escrever um capítulo importante na minha vida. Que livro, que árvore, que nada... Eu ia para a maratona!

Ao longo dos quatro meses, teve de tudo para eu parar de treinar: lesão na planta do pé (fiquei uma semana sem correr), viagens de trabalho, provas no mestrado, a famosa preguiça naquele dia chuvoso... Aos trancos e barrancos, consegui treinar uma média de três vezes por semana. E meu longo mais longo foi de ‘apenas‘ 30 km.

Na véspera da prova, a parte mais difícil da maratona: DORMIR! Deitei às 11h da noite, e foi um tal de vira pra cá, vira pra lá e nada... Quando adormeci, comecei a sonhar que não estava conseguindo dormir (?!) e acordei às 4h da manhã.

Resumindo: dormi um tempo líquido de 3 horas. O que me deixou mais tranqüilo foi que já me disseram que o sono mais importante é o da noite anterior à véspera, e nesse eu havia caprichado...

Comecei em um ritmo confortável (6 min/km), o tempo não estava tão quente, consegui fazer os primeiros 21 km em 2h05min. A segunda parte da prova é que era pra valer: elevado do Joá, subida da Niemeyer, calor do Aterro. Ainda bem que levei comigo duas aspirinas que consumi para diminuir as dores que sentia nas pernas. Sem elas, teria sido bem mais difícil.

O trecho entre a av. Princesa Isabel e o Aterro é o mais difícil, é quando as pernas começam a pedir arrego, não existe mais a platéia das praias que dava aquela força, o calor aumenta.

Ao entrar no Aterro, a maioria das pessoas caminhava, como se fossem soldados voltando da guerra, trôpegos. Fiz questão de não parar de trotar nesse trecho porque sabia que voltar a correr depois iria ser muito doloroso. Então continuei no meu trote devagar e sempre.

Reta final! Vejo enfim as barracas das equipes e o pórtico de chegada: meus últimos quatro meses passam em flashback pela minha frente, lembro dos treinamentos mais pesados, da dificuldade em acordar cedo, da abstinência de chocolate nas últimas semanas...

O coração acelera, meus olhos se enchem de água, penso na minha família e nos meus amigos que me apoiaram, começo a gritar, minhas pernas dão aquele último gás, abro os braços, vejo minha esposa na linha de chegada e, literalmente, corro pro abraço!!!

Fim de prova! Tempo líquido de 4h47min, meta cumprida (e comprida!) e sonho realizado! Ano que vem vou de novo!"

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h16

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Correndo no frio - dicas de treinamento

Aquecer e alongar

Na seqüência do material especial sobre treinos no período do inverno, apresento a seguir uma entrevista com Mário Sergio Andrade Silva, diretor técnico da assessoria esportiva Run&Fun.

FOLHA - Quais são os riscos de correr no frio?

MÁRIO SERGIO - O maior risco é o aparecimento de lesões, principalmente as musculares, por falta de um aquecimento inadequado. O outro é a desidratação, porque no frio temos menos vontade de hidratar, o que pode nos levar a beber água menos do que o necessário. Finalizando: quando acabamos de treinar, estamos ainda bem molhados por conta da transpiração; a secagem e o uso de roupas secas nos protegem da chance de gripes e resfriados.

FOLHA - Como o corredor deve se precaver para diminuir esses riscos?

MÁRIO SERGIO - No caso do risco de lesões, a melhor maneira é fazer um bom alongamento antes e depois dos treinos. Após esse alongamento, aquecer bem devagar por de 15 a 20 minutos antes de aumentar a velocidade ou mesmo enfrentar subidas. Dessa maneira, aquecemos bem e recrutamos fibras antes de exigi-las.

No caso da desidratação, o negócio é beber água antes, durante e depois dos treinos mesmo sem sentir vontade. De fato, quando sentimos sede é que já estamos em débito. Uma boa maneira de ir acompanhando isso é olhar a coloração da urina: quanto mais clara melhor.

Para evitar gripes e resfriados ou coisa pior (pneumonia), é sempre bom ter roupas secas para colocar após o treino e não ficar conversando ou demorando antes de trocá-las.

FOLHA - Há algum tipo de alimentação especial?

MÁRIO SERGIO - Não. O principal é a hidratação, mas a dica de nunca treinar em jejum continua valendo.

FOLHA - Há risco se o corredor usar muita roupa?

MÁRIO SERGIO - Sim. Usar roupas que o mantenha aquecido é uma boa, mas não adianta se encher de agasalho, pois pode ajudar no processo de aumento da transpiração. As roupas devem possibilitar a troca de calor dos nossos vasos capilares com o ambiente. Assim, saco plastico, muitos agasalhos ou mesmo várias camisetas não são indicados. Um bom agasalho, que não deixe entrar o vento frio, calças de material elástico, que não tiram os movimentos, luvas e gorros acabam sendo mais indicados.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h18

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Fala, leitor - Desafrio Urubici

Bolha, lágrimas e alegria

O leitor Bethoven Soares Darcie, de 42 anos, sem nunca ter sequer participado de uma maratona, resolveu enfrentar o Desafrio de Urubici, uma corrida de 50 km nas montanhas de Santa Catarina. São trilhas e asfalto, frio, abastecimento irregular, exigência de que você carregue materiais de primeiros socorros e um percurso que chega ao topo do Morro da Igreja, o ponto mais alto do Sul do país. É lindo, eu adoro aquela região, mas nunca fiz essa corrida, que está na minha lista de planos futuros. Com uma ponta de inveja, coloco a seguir a história de Bethoven, nascido em Goiãnia, funcionário público, apaixonado por um futebolzinho de fim de semana e, desde o último dia 28 de junho, ultramaratonista.

"Poucos minutos depois da largada, no centro da cidade, já corríamos em uma estrada de terra. A temperatura estava boa, cerca de 10 graus. A paisagem era linda: fazendas rústicas, pastos verdes com algumas araucárias ao pé da serra, riachos com suas corredeiras e por trás os morros, como se estivesse abraçando todo aquele cenário.

Os primeiros dez quilômetros foram bem, não fossem os pés já totalmente molhados por causa da umidade do terreno, encharcado depois de vários dias de chuva. O contato deles com o solo fazia splash, splash.

Logo chegamos ao trecho considerado perigoso pelos organizadores. Olhei para cima e pensei "não é tão difícil assim." O maior problema era manter o equilíbrio, pois a forte inclinação do terreno, a lama e as várias pedras soltas conspiravam contra nós, os corredores.

Após vencer as primeiras subidas, com os pés e as pernas cheios de lama, e chegar ao asfalto pensei comigo mesmo: "Foi cansativo, mas nem tanto, esse povo exagera nas dificuldades" pobre coitado, não tinha idéia do que me esperava.

Já no negro caminho construído, que contrastava com o verde da paisagem lateral, rumo ao topo do Morro da Igreja, com seus mais 1.800 metros, a temperatura ia despencando.

Uma cerração dificultava a visibilidade, eu não enxergava mais que cinco metros à frente. Após uma subida forte, veio outra, mais inclinada ainda, depois, mais uma para variar, outra, idem, ibidem... As pernas já começavam a doer pelo esforço de vencer os incomensuráveis aclives.

Finalmente, após pouco mais de três horas, cheguei ao topo. O frio era intenso, 0º, e a sensação térmica muito mais baixa, pois o vento e a chuva dificultavam o corpo a se manter aquecido. As finas gotas de água pareciam adentrar a pele de meu rosto única parte de meu corpo desprotegida devido à força do vento.

Ainda no topo, me servi da sopa e de vários pedaços de pão distribuídos pela organização e me encostei atrás de um carro, protegido do vento e da chuva. Lá fiquei por cerca de 20 minutos, criando coragem para enfrentar o retorno e, principalmente, o frio. Aí em lembrei do cobertor de sobrevivência. Uma garota da organização me ajudou a abri-lo pois o tremor das mãos dificultava, cobri meu corpo e peguei a estrada novamente.

Para os que pensam que "para baixo todo santo ajuda", ledo engano. O impacto do corpo na descida é muito maior, podendo provocar sérios danos às articulações. Ademais, não era uma descida qualquer, mas sim mais de 20 km de declives.

Com o passar do tempo, já nas trilhas, a planta do pé começa a doer. Não conseguia me lembrar por que desistira de usar a palmilha de silicone que tanto havia me ajudado durante os longões. Senti na pele --ou melhor, nos pés-- o ditado de que "qualquer erro de estratégia a ultramaratona te cobrará na metade final".

Eu cometera dois: não havia colocado as palmilhas e forçara demais em algumas subidas. Após mais de 40 km corridos, meus pés doíam. Ao final ficou como recordação uma bolha de sangue em meu pé esquerdo.

Os últimos quilômetros pareciam não ter fim. Meus pés estavam em brasas, a coxa direita começava a doer também e, por mais que eu me esforçasse, seguia lentamente.

Até que vi o local da chegada, um alívio tomou conta de meu corpo. O que era temor de não conseguir passou a ser alegria. A dor desaparece e as lembranças do esforço, das belezas e da emoção de chegar até ali tomam conta de mim, algumas lágrimas descem, é uma sensação incrível.

São recordações inesquecíveis. Por isso eu amo correr, por isso estou sempre em busca de novos limites, novos desafios, novas emoções, pois, a meu ver, essa é uma das partes mais gratificante da vida."

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h56

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Corredor desaparecido na ditadura argentina é tema de filme

Desespero sem fim

Em dezembro de 1977, o bancário argentino Miguel Sánchez sai de sua casa para realizar um sonho: fazer sua terceira participação na São Silvestre. Treinado pelo mito argentino Osvaldo Suárez, tricampeão da prova no final da década de 1950, Sánchez (foto) está em sua melhor forma.

Carrega consigo a bandeira nacional, que leva com orgulho a todas as provas em que participa. Depois da São Silvestre, em São Paulo, emenda um passeio a Montevidéu, onde participa da tradicional corrida de San Fernando.

Feliz e satisfeito, volta para casa, em Villa España, região metropolitana de Buenos Aires, no dia 7 de janeiro. Na manhã seguinte, sua casa é invadida por agentes da ditadura militar argentina, Miguel é levado embora. Nunca mais apareceu.

A história de Miguel foi a primeira a ser conhecido pelo grande público de uma leva de atletas desaparecidos no país irmão durante o período mais negro da ditadura. Há pelo menos três dezenas de jovens jogadores de rugbi, hóquei, tênis e praticantes de outros esportes que nunca mais foram vistos depois de terem sido seqüestrados por forças militares ou paramilitares. São uma porção emblemática da tragédia argentina, que contabiliza cerca de 30 mil desaparecidos.

O drama de Miguel e de seus parentes, que buscam saber o que aconteceu com ele, é um dos aspectos tratados em "Atletas x Ditadura - A Geração Perdida", um documentário produzido por dois jornalistas gaúchos, Marcelo Outeiral,35, e Marco Villalobos, 47, que será apresentado hoje em uma sessão especial em Porto Alegre (às 19h, com entrada franca, no Memorial do Rio Grande do Sul, rua Sete de Setembro 1.020).

Se você se recorda, o filme, produzido de forma quase amadora, já foi abordado neste blog, em texto produzido pela colega Sylvia Colombo, maratonista das águas. Agora, fiz uma reportagem sobre o documentário, que foi publicada hoje na Ilustrada (AQUI, para assinantes da Folha e ou do UOL), mas a entrevista com Marcelo foi muito mais rica, e apresento a seguir os principais trechos dela.

FOLHA - Por que fazer esse documentário, de onde veio a idéia?

OUTEIRAL - Começou, primeiro, com o interesse pelos temas, assim, do nosso continente, América do Sul, principalmente, essas questões que envolvem direitos humanos, não é? Pesquisando e buscando pautas nessa área, cheguei à história do Miguel Sanchez, que é o corredor do filme, e então intensifiquei a investigação sobre esse tema.

FOLHA - Como você descobriu a história dele?

OUTEIRAL - Eu li uma nota num jornal argentino. Aí consegui o contato da irmã dele e de um jornalista argentino, que também investiga essa questão de atletas que desapareceram, isso me ampliou um pouco esse campo. Comecei a pesquisar esse tema em 2006. Fiquei mais ou menos um ano procurando casos de atletas desaparecidos durante as ditaduras militares.

FOLHA - O que você descobriu?

OUTEIRAL - Essa situação da Argentina deu para constatar que aconteceu, também, em quase todos os países: Uruguai, Chile, Bolívia e até mesmo no Brasil. Aqui, militantes, guerrilheiros, que pouca gente sabe, mas tiveram uma história ligada ao esporte, também, na juventude. E, quando a gente percebeu a quantidade de material que a gente tinha, vimos que daria mais do que uma reportagem, não é?

FOLHA - O seu objetivo e do Marco era uma reportagem? Ou não havia ainda um planejamento?

OUTEIRAL - Não, havia um foco claro. Mas havia sempre essa idéia de transformar numa matéria ou num livro ou numa reportagem. E, aí a gente conseguiu fazer um mapeamento de toda a situação na América do Sul. Mas, aquela questão de verba, da dificuldade que é fazer um documentário, a gente acabou focando na Argentina, porque em número de vítimas no esporte. Ela tem maior número de vítimas no esporte, não é?

FOLHA - Você conseguiram fazer um balanço dos desaparecidos? Lá e cá?

OUTEIRAL - Olha, a Argentina posso dizer que tenha aproximadamente uns 30 atletas dos mais diferentes níveis, que desapareceram durante os anos da ditadura lá. De 2004, 2005 para cá lá, eles começaram, também, a resgatar essas histórias. A Argentina está dando um valor muito mais generoso e mais justo para os atletas desaparecidos do que nos outros países.

Aqui no Brasil, por exemplo, há uma diferença em relação à Argentina. Enquanto na Argentina os atletas estavam mais assim desenvolvidos do ponto de vista da competição, mais atuantes, no Brasil, jovens deixaram a competição mais cedo para ir para a militância.

Na Argentina foi o contrário: na maioria dos casos, houve uma participação política mais leve, digamos assim, de entregar panfletos, de protestos, mas, conseguiram, ao mesmo tempo, levar mais longe a carreira esportiva, não é?

FOLHA - No Brasil, vocês conseguiram ver quantos casos?

OUTEIRAL - Aproximadamente, uns dez casos. Alguns são mais conhecidos, como Stuart Angel (militante do MR-8), que até no filme ["Zuzu Angel"] aparece remando. Tem o Osvaldo da Costa, o Oswaldão, que morreu na guerrilha do Araguaia e que foi campeão de boxe, Há alguns casos de militantes, guerrilheiros, que não se sabe exatamente a participação esportiva que eles tiveram. Há, nesse sentido, apenas uma linha na biografia. A Helenira Resende, que foi uma guerrilheira superatuante do Araguaia, teve uma participação destacada, ela foi jogadora de basquete na adolescência, em Assis, no interior de São Paulo. E tivemos remadores, jovens campeões estaduais de judô. Mas, como eu te falei, em relação à Argentina, pararam mais cedo com o esporte e entraram na militância com mais força, digamos assim.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h55

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Corredor desaparecido - parte 2

La corsa di Miguel

Continuação da entrevista com o jornalista Marcelo Outeiral, co-diretor do documentário "Atletas x Ditadura - A Geração Perdida", que aborda quatro casos de atletas desaparecidos durante a ditadura argentina.

FOLHA - Você falou que a história de Miguel Sánchez, o corredor, foi a que desencadeou o seu trabalho. Por que?

OUTEIRAL - Foi o primeiro caso que veio à tona na Argentina, por ter desaparecido depois de uma viagem ao Brasil, o que indica um possível envolvimento das polícias políticas dos dois países, talvez uma ação da chamada Operação Condor. Também pela forma como o caso dele veio à tona, com o envolvimento de um jornalista italiano, que leu algo sobre ele e foi atrás. A participação da irmã dele, da Elvira, que é bem efetiva assim nessa questão de levar o nome dele ao maior número de pessoas. E também há uma corrida em homenagem a Miguel, que tem edições na Itália e na Argentina, em várias cidades. O sonho da irmã dele é trazer a corrida para o Brasil, não é?

FOLHA - Ele era militante político mesmo?

OUTEIRAL - Miguel Sánchez é um militante da Juventude Peronista, corredor, poeta e funcionário de um banco em Buenos Aires. Era uma pessoa de vários talento. A militância dele, pelos depoimentos de amigos e outros integrantes da Juventude Peronista, se limitava mesmo a panfletar e a ajudar em alguma outra coisa. Não foi alguém que pegou em armas. Era um cara, segundo os amigos, apaixonado pelo esporte, pelas coisas que envolvia corrida, o equipamento, de estar ao ar livre, da energia que tinha entre os atletas, das pessoas se conhecerem em cada lugar que iam correr. Essa troca de informações, pela amizade que foram fazendo. Ele era um cara que sempre onde ele ia levava a bandeira argentina. Sánchez era um sujeito muito determinado, disposto a sacrifício e que poderia, se não chegasse a um supercampeão a ter bons resultados. Ele ganhou, inclusive, algumas provas na categoria dele na Argentina e tal, representando o Banco da Província de Buenos Aires.

FOLHA - Por que a suspeita do envolvimento da Operação Condor no desaparecimento dele?

OUTEIRAL - Teve esse tour final dele, por Brasil, Uruguai e de volta à Argentina. Pode ser um indicativo de que estava havendo uma troca de informações, não é? E por que ele estaria levantando suspeitas? Porque a Juventude Peronista era um braço dos Montoneros (grupo de oposição à ditadura que teve ação armada).

Os Montoneros tinham uma ação forte no Brasil, tinham um núcleo no Brasil e, por ele não ser um campeão, não ter patrocínio, não ter resultados expressivos, isso pode ter levantado nos militares, nos agentes, a hipótese de que ele vinha ao Brasil para trazer dinheiro ou informação. Era comum grupo de guerrilheiros na Argentina bancarem uma parte, assim, de músicos, artistas, na viagem e, nesse trajeto, eles levarem alguma informação, alguma coisa. Então, ele teria sido uma vítima e errada, não é? Porque ele não era Montonero. Isso é certo, ele não era Montonero.

FOLHA - E como começaram essas homenagens a ele, as corridas de Miguel?

OUTEIRAL - Começou na Itália, em 2000, pelo envolvimento, pela atração que um jornalista italiano, Vitorio Piccioni, teve pela história dele. Ele é um cara que tem esse dom de botar as coisas em pé, sabe? Há outras provas, para cadeirantes, e várias distâncias. Normalmente, essas provas estão associadas a uma outra atividade cultural como música, exibição de algum filme, alguma coisa assim. Dificilmente é a corrida isolada, justamente, para marcar o que aconteceu, para as pessoas saberem a quem a corrida está sendo dedicada, não é?

FOLHA - E na Argentina, é mais recente, não é?

OUTEIRAL - Mais recente, na Argentina, acho que, se não me engano, começou em 2001 ou 2002. Quem toca assim é a irmã dele (de Miguel), a Elvira. Agora, já tem a ajuda de outras pessoas e tal. esse ano teve a participação de 10 mil pessoas. [Para saber mais, visite o site da prova, AQUI, que está em italiano e não é o mais atualizado do mundo, mas traz bastante informação].

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h50

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Corredor desaparecido - final

Nunca mais

Final da entrevista com o jornalista Marcelo Outeiral, co-diretor do documentário "Atletas x Ditadura - A Geração Perdida", que aborda quatro casos de atletas desaparecidos durante a ditadura argentina. O filme será apresentado hoje em uma sessão especial em Porto Alegre, e seus realizadores negociação a futura exibição em canais da TV paga.

FOLHA - Esse trabalho de pesquisa você fez em férias, folgas? O que vocês investiram nisso, de tempo, dinheiro?

OUTEIRAL - Folgas, dinheiro do próprio bolso. É um interesse, um gosto por esse tema e, também, por tentar de alguma forma fazer com que essas histórias cheguem ao conhecimento das pessoas. Porque por mais que se fale na brutalidade das ditaduras, acho que nunca é suficiente para que se tenha a dimensão da barbaridade que foi, não é? Então, é legal se um estudante de jornalismo ou se algum atleta, se algum jovem atleta ficar sabendo dessas histórias, se isso ajudar a criar neles uma consciência ou um alerta de tudo o que aconteceu, já vai ser uma recompensa.

E, também, por uma questão mais pessoal minha de tentar buscar dentro do esporte outras pautas que fujam um pouco daquela rotina da competição, sabe? Quem ganhou? Quem perdeu? Quem jogou melhor? Quem jogou pior? Então, estou sempre buscando, dentro do esporte, pautas que fujam um pouco do campo restrito da competição.

Há muitos casos. No Chile, por exemplo, o campeão nacional de ciclismo foi seqüestrado, aí depois o irmão dele venceu uma prova e dedicou ao irmão, o anúncio ao vivo foi censurado. Então, esses casos agora estou trabalhando para uma possível tese de mestrado. Devo começar em outubro um mestrado nessa área para tentar levar adiante esses outros casos que a gente levantou.

FOLHA - E daí você vai focar na história específica desse atleta chileno?

OUTEIRAL - Não, vou tentar ampliar e mostrar o que aconteceu no nosso continente, em relação aos atletas. E, aí tentar aprofundar mais, se é possível traçar uma comparação entre, se algum país teve um envolvimento maior ou menor, porque tudo o que eu te falei ainda são impressões iniciais, pode ser uma coisa mais aprofundada, um mestrado, quem sabe um livro no futuro, não é? Porque o plano de fazer um documentário e ir a todos esses países foi por água abaixo no momento em que a gente não teve nenhum patrocínio, nenhuma lei de incentivo, nada.

FOLHA - Como é que vocês fizeram o documentário?

OUTEIRAL - Nós nos reunimos, eu, o Marco Villalobos, com um cinegrafista, diretor de fotografia, também de Porto Alegre, com um equipamento emprestado, passagens do nosso bolso, algumas milhas, alugamos um apartamento quarto e sala em Buenos Aires, ficamos lá oito dias, fazendo entrevistas, captando imagens, pesquisando, aí fomos a La Plata e rodamos lá por Buenos Aires. Foi algo, assim, muito gratificante do ponto de vista não só jornalístico, mas também pessoal, entrar em contato com essas pessoas. Você viu os depoimentos são muito fortes.

É o nosso primeiro trabalho, como documentário. A gente sabe que tem falhas, tem problemas, mas foi o que a gente celebra, assim, que ele foi o filme possível, feito com muita garra. O retorno tem sido bem legal das pessoas que assistem e todas com o mesmo sentimento de que essas histórias têm mesmo que serem divulgadas para que não se repitam mais, essas barbaridades...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h47

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Correndo no frio - dicas de alimentação

Metabolismo acelerado

Está certo que o inverno brasileiro não se compara com as temperaturas de outras plagas, no hemisfério norte ou mais ao sul do Chuí. Mesmo assim, há dias em que a gente só quer ficar na cama, protegido por cobertas quentinhas.

Mas o espírito guerreiro do corredor se manifesta, e vamos para a friaca de calçãozinho e regata. Depois, o atleta vira um Taz famélico e ataca o que vier pela frente.

Calma, gente, é preciso equilíbrio mesmo no inverno. Aliás, correr no inverno é o tema de minha coluna de hoje no caderno equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Para escrevê-la, ouvi várias pessoas. Uma delas foi a nutricionista Tânia Rodrigues, da RGNutri, que conversou comigo por e-mail.

Na entrevista, ela dá algumas dicas para a gente conhecer melhor nosso corpo no período invernal. Eu adorei a frase "Não há comidas que os atletas não possam consumir"...

FOLHA - No frio, a gente engorda? Por que? O que fazer para não engordar?

TÂNIA RODRIGUES - No inverno, nosso organismo acelera o metabolismo para proteger-se do frio. Com isso, há uma maior necessidade de energia para manter a temperatura normal do corpo. A vontade de consumir alimentos mais calóricos, como chocolates, fondues e massas também aumenta. Esse efeito, associado a uma fome maior, pode contribuir para o ganho de peso.

Para evitar os indesejáveis quilinhos a mais, é importante manter uma alimentação equilibrada, realizar de cinco a seis refeições ao dia e praticar uma atividade física regularmente.

Os alimentos típicos dessa época do ano, como chocolate quente e fondues, devem ser consumidos com moderação e vale abusar da criatividade para elaborar preparações com ingredientes mais saudáveis.

FOLHA - Há comidas especiais para o frio?

TÂNIA RODRIGUES - Não existem comidas especiais para o frio. Mas boas opções para essa época do ano são as sopas preparadas com ingredientes frescos e nutritivos, como uma sopa de legumes com frango. Os chás, além de saborosos e pouco calóricos, também ajudam a aquecer o corpo e são uma ótima alternativa para os lanches.


FOLHA - Há comidas que parecem ótimas para o frio, mas que não são recomendadas para atletas?

TÂNIA RODRIGUES - Não há comidas que os atletas não possam consumir. A preocupação é apenas com a quantidade de alimentos ricos em gordura e calorias e com a freqüência com que eles são consumidos. Nesse caso, para os atletas valem as mesmas recomendações que para os indivíduos sedentários: o uso da moderação no consumo de alimentos mais calóricos e menos saudáveis, para manter a alimentação equilibrada.


FOLHA -No frio, o corredor deve mudar seu regime alimentar?

TÂNIA RODRIGUES - O corredor não precisa mudar seu regime alimentar no inverno. Se houver fome, uma dica é fracionar bastante as refeições. Comer em intervalos de duas ou três horas ajuda o corpo a se sentir saciado e ainda por cima o mantém ativo.

Se as saladas não parecerem atrativas nessa época do ano, aumente o consumo de legumes cozidos ou assados. As frutas também podem ser consumidas assadas ou cozidas e são ótimas opções para os lanches.

FOLHA - Para mim, a hidratação no frio é um problema. Os tais três litros de
água por dia me fazem sentir congelado. Dá para substituir por chá
quente, por exemplo? E chocolate quente?

TÂNIA RODRIGUES - A quantidade de líquidos a ser ingerida por dia varia de acordo com as características indivíduo e do tipo de exercício que ele pratica. O chá quente pode ser consumido no lugar da água ou sucos para manter o corpo hidratado. A substituição por chocolate quente, no entanto, não é ideal, pois sua composição é bastante diferente da água. Ao tomar chocolate quente para hidratar, há um consumo elevado de açúcar, gordura e, conseqüentemente, calorias.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h11

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Leitor relata estréia na maratona do Rio

Com câimbras, mas no clube

FÁBIO ROGÉRIO SILVEIRA NAMIUTI, 37, analista programador que já freqüentou estas páginas, volta agora com o relato de sua primeira vez nos 42.195 metros. Foi no deslumbrante cenário da orla carioca, mas nem toda a beleza cura algumas dores. Vamos ao texto dele.

"O domingo passado custou a chegar, e o caminho até ele não foi nada fácil. Para ter o direito de estar na largada da Maratona Internacional do Rio de Janeiro, investi muito suor e disciplina. Pretendia estrear na distância em porto Alegre, mas uma contusão me obrigou a mudar os planos. Os treinos, ao longo de 15 semana, foram duros, ainda mais para alguém que, até então, nunca tinha passado dos 25 km.

O dia estava bonito, o calor até veio, mas a temperatura felizmente não atingiu as alturas previstas. A largada foi na hora prevista, seguindo do Recreio no sentido à praia à Praia da Macumba, só uma voltinha rápida e estreita para aquecer e preparar para o retão, esse, sim, de responsa: um trecho de 18 km em belo cenário, mas igual o tempo todo. Inóspito, tão deserto que até cacto tem. Ainda bem que com vários oásis de água gelada.

O ritmo estava fácil de manter. Na Barra, começaram a aparecer alguns espectadores, raros no trecho anterior. Passamos a dividir o espaço com carros, mas, tirando os motoqueiros invadindo a área dos corredores, nenhum incidente.

A metade da prova foi bem recebida, ainda mais que representava mudança no percurso. Não sou maníaco por subidas, mas, depois de tanta planície, uma ladeirinha não caía mal. A subida no Joá, que na altimetria parecia considerável, não passou de um mero viaduto. A outra era minha velha conhecida. A Niemeyer, na Meia do Rio, tem mais nome do que dificuldade. É longa, mas suave. Mas, na Meia, é no início, quando estamos todos cheios de gás. Como seria agora, já com 27 km de prova?

A subida foi gratificante. Após ter perdido colocações no plano, recuperei outras tantas ultrapassando corredores transformados em caminhantes. A massa se arrastando assustava, mas subi com tranqüilidade. Quase no fim, comecei a sentir uma ardência nos pés e achei que molhar aliviaria.

Não estava errado, mas a parada custou caro. No que voltei a correr, surgiram câimbras na coxa e panturrilha. E estava apenas no km 29!

Andei o resto da subida e tentei retomar o ritmo na descida para o Leblon, mas o estrago estava feito. Acabaria a corrida e começaria o meu rastejar em direção à chegada.

Num dia bonito, praias lotadas; a maioria ignorou a prova. Em uns lugares, me senti transparente; em outros, obstáculo entre prédios chiques e praia. Em momentos difíceis, um incentivo pode tornar um km mais curto. Vou preferir correr no Rio em dias nublados.

A orla foi longa, ainda mais na velocidade que me era possível, mas passou. Cada vez que tentava aumentar, a panturrilha me limitava.

Quando finalmente mudou a direção, os túneis-estufas desta vez foram bem-vindos por esconderem o sol. Avisto o Pão de Açúcar, que indica o final mais próximo.

Torcedores reapareceram, em pequeno número, mas mais animados. Com eles, voltou a empolgação, que, se não me fazia correr mais, ao menos me impedia de andar.

Pela primeira vez vi, uma placa com 42 escrito e ela me abriu o apetite. Os 195 m finais foram em sprint.

Dei um grito, cheguei ao final. Não como gostaria (4h50min para quem treinara para 4h), mas faço parte do clube também. Não sou sócio VIP, vou tentar virar um nas próximas oportunidades."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h44

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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