Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Balada toma conta de corrida de grife

Asfalto fashion

 

Eu não fui, mas meu colega Clayton Freitas, que trabalha na editoria de Cotidiano da Folha Online, participou hoje da edição paulistana da Human Race, corrida organizada pela Nike em várias cidades do mundo. Freitas corre há um ano com o óbvio motivo de perder peso --perdeu seis, mas atualmente tem 102 kg-- e, devido a isso, seu melhor tempo foi na segunda etapa do Circuito das Estações, em julho de 2008, completando a prova em 54 minutos. Mantém os blogs Fatsrun e Metralhadora Giratória. Acompanhe a seguir o relato dele.

"Eu adorei a camiseta deste ano", diz uma longilínea morena a uma amiga, loira -ao menos a partir da raiz-, que retruca: "Ah, é. Eu até queria customizar, mas o professor achou melhor não"‘ A primeira leva no pé um Nimbus 10 --aquele inspirado no Homem Aranha-- e a outra calça uma edição especial da Mizuno, dourada. E uma fitinha da mesma cor prendendo a parte loira das belas madeixas.

Nada contra belas corredoras, marcas "made in China" ou qualquer outra coisa. É mais ou menos o perfil da maioria presente. O que me restava, e ao Big Gilson no meu MP3, era procurar o meu lugar em meios aos 25 mil que se enfileiravam euforicamente para passar o portal vermelho gigante montado na avenida Afrânio Peixoto, dentro da Cidade Universitária (USP), ponto de largada da The Human Race 10k, realizada neste domingo em São Paulo, assim como em outros 24 pontos do mundo. Os organizadores falam em 1 milhão de participantes ao redor do globo.

Depois de passar por uma verdadeira centopéia humana, cheguei ao tal do portão da fitinha azul, colocada obrigatoriamente em meu braço direito, conforme o tempo que pretendo finalizar a prova. Ou pretendia, talvez. Aproximei-me da entrada com uma placa azul em cima.

Ou eu estava temporariamente daltônico ou realmente lá estavam amarelos, roxos, laranjas, rosas, verdes e alguns azuis, que pela lógica pretendiam ser mais lentos do que eu. Aí eu me pergunto: de que adianta obrigar a multidão de corredores se não há fiscalização para organizá-los em seus devidos lugares? Reclamação aliás de muitos que ao meu lado estavam --azuis.

Tudo bem, vamos lá, afinal a prova era "festiva, cujo objetivo primeiro é congregar as pessoas". Correr parece estar em segundo plano. O importante é usar a camiseta --a Lei Cidade Limpa não vale nisso, né?-- e tentar achar um espacinho para desenvolver as passadas.

Tentei congregar, aumentei o volume do bom blues carioca em meu MP3 e fui. Com percurso mudado e suavizado --interrompido apenas pela ponte Cidade Universitária-- a perspectiva que tenho é de que será uma prova fácil e talvez baterei meu recorde pessoal no 10k, último motivo plausível para sair da cama ainda na madrugada após dormir apenas cinco horas por força de um plantão.

O suave, mas intermitente vento gelado e o céu nublado de São Paulo em um dia típico de inverno, corroboravam a perspectiva de um tempo melhor em relação as demais provas. Passada a bela fachada do Parque Villa Lobos, é a vez de as três hérnias de disco acordarem, dizendo coisas do tipo "O que você está fazendo fora da cama a essa hora?". Em meio a isso, bandas de rock postadas em palcos no meio do trajeto, intercaladas por DJs e bateria de escola de samba ou algo parecido.

Entre as dores e o esforço para cruzar pela multidão, não baixei meu tempo. Cruzei a badalada linha de chegada em 54 minutos, mesmo índice conquistado na etapa de inverno do Circuito das Estações. Fica para a próxima.

Depois de pegar o isotônico --também estilizado unicamente para a prova (e olha que eu tenho uma amiga que guarda a garrafinha tal qual uma medalha)--, vou até o palco montado no Cepeusp (complexo esportivo da USP) onde rola um show de Wilson Sideral, feliz, saltitante e com roupas da grife que patrocina a prova, lógico (foto Clayton Freitas). Nos telões, imagens das outras 24 provas realizadas no resto do mundo.

Findado o show de Sideral, Marcos Mion (MTV), também vestido a caráter, diz aos corredores que eles "fizeram história" pois correram numa prova que reuniu um milhão de pessoas ao redor do mundo. Penso comigo: quem deve ter feito história foi o marketing da Nike. E só. A mais lúcida frase de Mion é a seguinte: "A gente vem, sofre e ainda dá dinheiro". Gostei. Ele se referia ao valor da inscrição, que ia de R$ 50 a R$ 70, um bom naco do mínimo minguado brasileiro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h31

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Mutola, lenda do atletismo, diz adeus

Rainha de Moçambique

Maria Mutola, uma das maiores vencedoras da história dos 800 m, disse adeus ao atletismo neste final de semana, depois de terminar em quarto lugar na sua prova preferida, no encontro da Liga de Ouro em Zurique --competição que venceu por 12 edições seguidas, de 1993 a 2004.

Mutola, conhecida como Maputo Express, referência à capital moçambicana e ao seu vigor físico, dá adeus a uma vitoriosa jornada iniciada há 21 anos, quando ela tinha apenas 14. E entrega o bastão a outra estrela africana, a jovem queniana Pamela Jelimo, 18, que venceu em Zurique com recorde no evento (que era de Mutola), depois de ter conquistado o ouro em Pequim.

Mas as atenções estavam todas voltadas para a rainha de Moçambique, que não leva na mala o recorde mundial, mas tem tantas e tão sensacionais conquistas que pode ser considerada uma das maiores vencedoras nessa distância --ouro e prata olímpicos, quilos de títulos mundiais e, acima de tudo, constância: esteve presente em todas as grandes competições desde que começou a se destacar no cenário internacional.

"Não é fácil pensar em largar as sapatilhas de corrida, mas, a partir de agora, tenho de focar minha vida em outra coisa. Até agora, tem sido muito duro, mas também empolgante. A aposentadoria seria ainda mais difícil se eu não soubesse o que fazer agora", disse Mutola (foto AP)

E ela sabe muito bem: planeja se concentrar nas obras da Fundação Maria Mutola, um projeto que ela criou com o objetivo de ajudar as crianças de Moçambique a entrar no mundo do esporte.

Disse que a prova de Zurique foi sua última prova competitiva, mas talvez vá fazer ainda outras despedidas...

Para saber mais sobre essa atleta, visite seu site oficial, em inglês, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h26

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Cenas do encontro da Liga de Ouro em Zurique

Mulheres voadoras

Nos 200 metros, enfrentam-se a atleta do Bahrein Debbie Ferguson e as americanas Allyson Felix e Marshevet Hooker (da esq. para a direita, foto EFE)

A americana Lolo Jones (dir.) supera uma barreira à frente da rival Sally McLellan, da Austrália (foto Reuters), e termina por vencer a prova (foto abaixo, EFE)

A recordista mundial Yelena Isinbayeva mostra suas habilidades em Zurique (foto AP)

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h59

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Bekele não se cansa de vencer

Colecionador de ouros

 Na Olimpíada, o etíope Kenenisa Bekela mostrou qyue não tem para ninguém. Venceu os 5.000 m e os 10.000 sem nem suar e ainda quebrou recordes que é para ninguém dizer que ele não fez a sua parte.

Pois ontem voltou a vencer. Foi em Zurique, em evento válido pela Liga de Ouro. Desapachou todo mundo na prova dos 5.000 m, em que ele é visto em ação na foto ao lado (EFE).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h39

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Maratona na Islândia, a ilha de fogo e gelo

Batendo panela

 

Daqui não vejo o mar. É uma ruazinha estreita, suburbana, pouco mais de cem metros de perfeição. De cada lado, se alinham sobrados, casas com jardins bem arrumados, grama pouca, brinquedos de crianças espalhados em convidativa bagunça.

Os moradores se agitam nos portais, nas varadas, apoiados na cerca: marido, mulher, duas crianças; duas mulheres, três mulheres, outra família de quatro ou cinco, mais outra, todos encapotados para enfrentar essa linda manhã gelada de alto verão. Sorriem, mas não gritam muito: erguem panelas como se fossem tambores de guerra. Outros seguram tampas tal qual pratos de uma orquestra desengonçada; alguém até improvisou um reco-reco com coisas que parecem também utensílios de cozinha.

É assim, batendo panela, que o povo da Islândia saúda os intrépidos seres que desafiam os elementos nessa ilha perdida no Atlântico, na capital nacional mais próxima ao Pólo Norte, a meio caminho entre o nada e o lugar nenhum (a bem da firmeza dos fatos, a seis horas de Nova York e a três de Londres, voando em velocidade de cruzeiro e sem vento contra). Estamos na maratona de Reykjavik, uma cidadezinha com população bonita, viçosa e rica, e vamos tratar de apreender, ao longo desses 42.195 metros, quantas vezes pode se modificar o clima islandês ao longo de um dado período de tempo.

Para mim, a prova começou com muita alegria. Depois de quase um mês sofrendo com dores fortes na lombar, no quadril e no glúteo, herança de um ultra e da maratona de Porto Alegre, caminho ereto, lamentando apenas os treinos perdidos para a lesão, mas retrucando que eles foram ganhos para o descanso. Sei que a dor virá (imagino que sei), mas vou aproveitar enquanto ela não aparece.

A largada é dada por um som quase inaudível: no meio do pelotão, noto que começou por causa do movimento dos corpos. Saímos um pouco depois da hora, como quase tudo nesses dias islandeses: eles são quase pontuais, três, cinco até dez minutos depois vale como hora certa.

Bato com o pé no tapete que registra meu chip e informa aos computadores que o número 259 passou pelo pórtico em Lækjargata, no centro da cidade, e partimos para cruzar o lago nessas primeiras centenas de metros, gerando imagens que são a marca da desafiadora beleza da maratona de Reykjavik (foto do alto, por Eleonora de Lucena).

O frio, que prometia assustar, não chega aos pés do que marcou o início da maratona de Porto Alegre, e tem até mais sol do que naquele dia gaudério. Por enquanto, o clima está perfeito e meu primeiro quilômetro, a 5min55, passa sem dor e anuncia que vou correr o que der enquanto der. Ainda mais depois de ser acarinhado pelo sorriso do povo batendo panelas para nós, uma imagem que me carregou mais leve até o percurso se encontrar, enfim, com o mar, que iria me acompanhar pela maior parte do tempo.

Ali, não tem ondas, pelo menos na calmaria desse veranico. Só marolas movimentam as águas de um azul desmaiado, mais para o cinza, tal qual o céu, em que o azul disputa com nuvens encardidas a primazia do dia. Também o vento não vem, então vou correr.

Pisamos no asfalto, uma trilha para caminhantes à beira-mar, depois pegamos o asfalto de avenida costeira, sempre observados por gramados bacaninhas e casinhas elegantes. No quilômetro quatro, surge uma primeira subida: pouco metros de altura, poucos metros de comprimento, mas algo inesperado para mim, pois o site da prova informava que não apresentava a altimetria do percurso porque ele era basicamente plano. É bem verdade que falava de algumas colinas, mas a ênfase estava no basicamente.

Ao longo dos próximos 38 quilômetros eu iria descobrir quão plano significa ser "basicamente plano". A altimetria gravada pelo meu GPS dá uma resposta mais enfática do que quaisquer palavras (foto), mas já adianto que, em islandês, a supracitada expressão significa "basicamente ondulado" e pronuncia-se assim: aimeusqaudricepsdoem, com a tônica no ps...

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h39

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Maratona na Islândia, a ilha de fogo e gelo - parte 2

Herança viking

Marquei na memória muscular que voltaria àquela subida por volta do km 35 e depois teria para descansar a descida que agora percorria, com ampla visão da parte central da cidade, que se atira para o mar. Não há praia, só movimento: a costa é toda recortada, e os corredores colorem o percurso como gigantesca centopéia.

Estou correndo muito, para meus parâmetros. Se parasse no km 10, teria feito ali meu melhor tempo do ano na distância, com a maioria das passagens bem abaixo de 6min/km, o que tem sido o meu limite mesmo em treinos de ritmo... O coração velho reage e bate forte, segundo advertem as oscilações do freqüencímetro, mas resolvo não dar bola porque minha sensação é de cansaço zero.

A sabedoria chinesa ensina que quem guarda tem e que quem poupa conquista o que a vida tem de melhor, mas a verdade é que ninguém sabe quando o tempo pode virar ou quando a lombar pode atacar, então é melhor aproveitar enquanto tudo está nos conformes e mandar ver. Depois é mais tarde. Agora é já.

E assim, pleno de alegria, passo pela Eleonora, que esperou para fazer uma foto bacana aproveitando um belíssimo monumento em homenagem ao vikings ancestrais, que colonizaram esse pedaço de terra há mais de mil anos.

Ingólfur Arnarson, do território hoje conhecido como Noruega, foi o primeiro colonizador. Chegou em 874 com seus navios, família e protegidos. O guerreiro viking veio buscar refúgio depois anos de gerras internas, em que o rei Haroldo dos Belos Cabelos acabou dominando a Noruega e forçando o êxodo dos antigos grupos hegemônicos, que chegaram primeiro à região hoje conhecida às ilhas ocupadas pelo povo celta (Escócia, Irlanda), mas foram de lá também expulsos pela ânsia expansionista de Haroldo 1º.

Àquela altura, os navegadores vikings já sabiam da existência da ilha, que estava até registrada em mapas no livro "De mensura orbis terrae" (Sobre as medidas do mundo), com base em informações de monges irlandeses, que contaram a seus líderes religiosos terem viajado para esse fim de mundo. E o Ingólfur aproveitou o conhecimento para se mandar de mala e cuia para a terra nova, estabelecendo-se na região onde é hoje a capital do país, Reykjavik (pronuncia-se Reiq-aviq).

O nome significa baía fumegante, referência à intensa atividade termogeológica do país, mas quem está queimando o asfalto somos nós, os milhares de corredores que participaram da prova, no sábado, dia 23 de agosto. O evento tem ainda meia-maratona e corridas de 10 e 5 km (esta, sem cronometragem), além de um evento para a criança. No total, o site oficial registra a presença de 10.719 corredores (apenas cerca de 5% na maratona); a corrida infantil teve a participação de 4.000 crianças.

E o percurso, agora, não é nada infantil. Vamos percorrer um sucessão de subidas e descidas, todas leves, como prometia o site, mas uma atrás da outra, com trajetos planos para aliviar a tensão. Pela primeira vez em uma corrida, passo por dentro de instalações portuárias, pelos imensos estacionamentos onde se empilham gigantescos engradados, contêineres diversos, uma feiúra só. Estamos em um dos pontos extremos do percurso, eu corro que nem guri, pensando que vou fazer pelo menos uma bela meia-maratona e recuperando na memória o trajeto que vem pela frente. Em algum ponto vamos iniciar a volta, terei mais uma longa subida, bom ponto de ultrapassagem, depois espero longa descida. Que não vem. Essa topografia é a coisa mais estranha: as colinas parecem intermináveis, ainda que leves, prometendo que depois teremos tempo de relaxar e aproveitar o chamado da gravidade, mas o que mais tem depois é planura, e é preciso continuar a fazer força. Não dá para relaxar.

Ao contrário, dá até para suar, mesmo no gelado verão islandês. Eu marco adversários, trato de me proteger do vento atrás de alguns grandalhões e vou mantendo um ritmo bom, pronto para o retão onde novamente vou me encontrar com a Eleonora e voltar a ouvir música.

A intervalos irregulares, a organização botou caminhões com muitos watts, rock do bom, canções tradicionais, som inspirador.. De vez em quando, grupos ou pessoas sozinhas também fazem música para correr: lembro de um cara mandando ver num reco-reco improvisado e adorei correr-dançar para o ritmo de um tambor em que um gordinho, confortavelmente instalado em um gramado, batucava com entusiasmo contagiante.

No conjunto, foi a melhor trilha sonora de uma corrida, na avaliação da Eleonora. Não sei, mas é fato que o ritmo da largada foi imbatível: "Start Me Up", dos Stones, já deixa qualquer um ligadaço e pronto para começar o que quer que fosse.

Saúdo então minha musa, dou adeusinho e vejo a multidão de corredores seguir em frente, só um filetezinho magro embicando para a esquerda, para onde também me encaminho: vai começar a verdadeira maratona, solitário desafio entre o homem, o vento e o asfalto.

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h34

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Maratona na Islândia, a ilha de fogo e gelo - final

Quadríceps gelados

O trajeto começa logo dizendo a que veio: atravesso uma avenida e inicio uma das mais longas subidas do percurso, costeando o perímetro de uma imensa área que é dominada por uma escola e pelo estádio municipal, onde na quinta-feira anterior a seleção da Islândia empatara em 1 a 1 em partida amistosa contra o Azerbaijão (não, não fui ao jogo...).

Só fiquei sabendo da partida porque, em uma das excursões em que participei, pelo interior do país, havia uma esquadra de turistas azerbaijenses, o que surpreendeu até a experiente guia, que nos orientou pelos impressionantes cenários desse paisinho de território pouco maior que o Estado de Santa Catarina, com população aproximada à da região paulistana de Pinheiros e muitas cidades habitadas por menos de um Copan, o belíssimo prédio na região central de São Paulo.

O país é fenomenal. Ilha vulcânica, sua terra é quase toda lava, com menos de 10% da área agriculturável. Eles plantam grama para gerar feno para alimentar seus cavalos, de fama no mundo inteiro, ovelhas e pouco gado. De resto, pescam e aproveitam a riqueza impulsionada pela energia elétrica barata do país, que atraia multinacionais como gigantes do alumínio.

E se beneficiam dos dólares produzidos pelo turismo: o país recebe por ano mais visitantes do que a população local. E os turistas vamos ver gêiseres fantásticos, conhecer a praia preta (pedras e areia esculpidas da lava pelo tempo, o vento e o mar; foto abaixo) e circular pela região onde se encontram e se separam as placas tectônicas dos continentes americano e europeu/asiático.

Nos intestinos da terra, a Islândia está sendo destripada: a acreditar na informação da guia, a cada ano as placas tectônicas se afastam um centímetro em seu oceano de lava. É o que gera o formidável movimento geológico que, vez ou outra, destroça o país: a intervalos de aproximadamente cinco anos, grandes terremotos ou gigantescas erupções vulcânicas atormentam a minguada população. O último grandão foi no ano 2000, diz a guia, o que faz com que todos nós nos entreolhemos, cada pensando que o próximo poderá ser durante a sua estadia no território gelado.

Um pequeno tremor, por sinal, aconteceu dois dias antes de nossa chegada, em duas pequenas ilhas habitadas ao norte do arquipélado islandês. Ninguém se machucou, nenhum prédio caiu e a vida continuou tal e qual.

Para mim, aqui e agora, as coisas já não são tão boas. A metade da maratona passou vertiginosa, mas o que resta é o que vai me matar. Fico pensando que tanta subida e descida, mesmo com pequena inclinação, vai cobrar seu preço em algum momento.

Enquanto não cobra, aproveito o cenário. essa metade é a mais linda. Cruzamos gramados quase todo o tempo, tanto pelos interiores quanto ao chegar enfim à beira-mar novamente. Seguindo sempre por uma trilha de asfalto, cortamos um riachinho que, mais ao longe, forma bela e gorgolejante cascatinha, cena totalmente inusitada para um sisudo ambiente urbano.

Mais tarde, passamos pela única praia que vi na cidade. É uma faixinha de areia, mas areia mesmo, amarela; tem uma guarita para salva-vidas e alguns poucos equipamentos de ginástica. E ninguém no pedaço.

Vou chegando perto do último quarto da prova, que imita bem o percurso dos primeiros 10 km. A Eleonora, em sua incessante busca por imagens, me encontra pouco depois do 30, beijo tchau e até a chegada, e vou galhardamente para a contagem regressiva.

Ainda acelero por uns dois quilômetros, batendo papo com um americano que viveu três anos no Brasil e se orgulha de falar perfeito carioqueish, e deu para a boa. Caminho dez metros no km 33 e retomo o ritmo, me dizendo para ser forte; encontro de novo aquela subida do km 4, caminho nela também, e desço trotando.

Agora é só beira-mar aberta, e o vento resolveu soprar mesmo, só do contra, para variar. A chuva, que havia pintado de quando em vez como pinguinhos isolados, aperta e gela. A lombar reage, mas não dói como em Porto Alegre. As coxas pedem pelo amor de deus para eu parar.

As ondulações do terreno e a velocidade imprimida enfim tomaram os quadríceps que, enregelados pelo vento, parecem pedras. Eu mando que façam movimentos mais amplos, mas a estreiteza do passo é a resposta. E se só caminho, vem a dor na lombar. Há que achar um compromisso.

O jeito é marcar alvos, vislumbrar na frente alguém que pareça pior, mirar e passar. Dá certo, meu ritmo melhora, mas, quando acontece a volta do cipó, eu também sofro: se alguém vindo de trás emparelha comigo, tento manter o ritmo, acabo ultrapassado e quase forçado a descansar.

Quero lutar contra o descanso, mas também terminar logo esse sofrimento. Que é também vergonha. Quando forço os quadríceps de gelo a se movimentarem, volto a médias até razoáveis, o que me diz que, se eu mantiver um ritmo, qualquer que seja, vou conseguir seguir trotando e não vou cair tanto. Mas a preguiça desanima, a chuvadonha levada a vento dessamarra o espírito, estou um bagaço no km 39.

Então descanso mais uns dez metros e faço o 40 inteiro, relaxo no 41 até a metade e me dou outro alvo, corro até o 42, relaxo mais um pouquinho, vejo que não tem dor e vou embora, abrindo a passada que agora dá, deixando mais dois ou três para trás, berrando para a vida e ouvindo locutor me saudar e ao Brasil.

Encontro a Eleonora, abraço, beijo, e saímos para a festa da Baía Fumegante. É a Noite Cultural, a cidade virá às ruas brincar, beber e ouvir música. No fim de tudo, horas e horas mais tarde, fogos de artifício iluminam a noite do Atlântico Norte. É muito bom explodir.

PS.: Veja mais fotos dos passeios e da corrida AQUI 

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h30

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Toda minha solidariedade ao Merga

Ai, que dor!!

 

Tudo bem que o jovem Wanjiru, estrela da meia-maratona, tenha colocado Pequim de joelhos ante o mais impressionante desempenho em uma maratona nessas condições climáticas -- "the greatest ever", disse o editor da revista Runner’s World, Amby Burfoot, na sua cobertura ao vivo. Mas, para mim, a história dessa prova é a do etíope etíope Deriba Merga.

Ele correu na frente o tempo todo, revezando-se na liderança com Wanjiru e o marroquino Jaouad Gharib. Chegou a tentar, entre o 30 e o 35, algumas escapadas, sem sucesso. Mas, quando o queniano disse "Fui!", no 35, Merga se disse "Fico!".

Ainda tentou acompanhar o marroquino por alguns quilômetros, mas viu que não dava. E acho que aí foi quando ele cometeu seu grande erro, talvez insistindo em uma tentativa de prata que estava fadada ao insucesso.

Como ele tinha então uma boa vantagem para o pelotão perseguidor, talvez se tivesse sentado em cima, reduzido um pouco para guardar forças, não tivesse acontecido o desastre final.

Ele já tinha andado quase cem metros (no olhômetro) dentro do Ninho do Pássado quando adentrou o estádio seu compatriota Tsegay Kebede. E aí foi uma questão de tempo, muito pouco tempo, para Merga ver ir embora o bronze que talvez já contasse ter em sua mão.

Dava para ver a dor e o sofrimento do cara: ele queria correr mais, mas não dava, os músculos não respondiam, as pernas não se moviam no compasso do cérebro. Quem sabe ainda descubro pela internet alguma entrevista com ele e trago aqui, vamos ver.

Quanto aos brasileiros, longa vida ao José Telles, que agarrou com brio e galhardia o que provavelmente foi sua última experiência olímpica e ficou na pista até o final, malgrado o sofrimento. Veteraníssimo, deu o que tinha e chegou ao final. Sobre Marílson e Franck, prefiro não comentar por enquanto. Mas não estava tão quente assim...

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h09

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Correr retarda os efeitos do envelhecimento

Mais saúde e alegria

Correr regularmente retarda os efeitos do envelhecimento, constatou um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, que acompanhou 500 corredores de idade por mais de 20 anos.

Corredores idosos têm menos indisposições e permanecem mais ativos quando atingem os 70 e 80 anos.

Pesquisadores acompanharam 538 corredores com mais de 50 anos comparando-os com um grupo similar de 423 não-corredores. Os corredores faziam parte de um clube nacional de corrida.

Em dezenove anos de estudo, 34% dos não-corredores havia morrido, comparado com apenas 15% dos corredores. No começo do estudo, os corredores corriam a media de 4 horas por semana. Depois de 21 anos, o tempo de corrida caiu para a média de 76 minutos por semana.

Todos que participaram do estudo se tornaram mais indispostos ao longo dos anos, mas entre os corredores as indisposições começaram mais tardiamente.

Os corredores estão associados a menores taxas de mortes por ataques cardíacos e derrames. Também apresentam menores taxas de mortes precoces causadas por câncer, doenças neurológicas, infecções e outras causa, segundo o estudo revelou.

PS.: Quero agradecer aos leitores que chamaram a minha atenção para este artigo: o LEONARDO COSTA, mineirim que mora atualmente na Austrália, e o CARLYLE, que fez a tradução em que baseei este post. Obrigado e continuem colaborando. A casa agradece.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h10

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Chuva fina e fria toma conta de Reykjavik

Dor de véspera

Pronuncia-se Reiq-a-viq, com a tônica no "iq", e é a capital mais perto do Pólo Norte em todo o mundo. Hoje a chuva tomou conta da cidade, tornando-a ainda mais fria e ventosa neste período de alto verão, em que as temperaturas sobem a assustadores 14 graus centígrados...

Nada disso me aquece, pois a dor que me atingiu na última maratona parece não querer ir embora, mesmo depois de mais de um mês de fisioterapia, de treinos abortados e de acupuntura. Ela me agulha o lombo e pinica o quadril, aumentando o nervosismo desse período que antecede a maratona.

Nunca antes havia viajado para uma maratona com tanta dor, mas pensei que ela ia diminuir, desistir de mim... Parece que não, mas vamos ver na hora da prova.

No último treino, ontem, corri pelas ruas centrais dessa cidade, uma cidadezinha para os padrões paulistanos: tem pouco mais de cem mil habitantes, basicamente a Vila Madá e ainda leva troco.... Aliás, em passeios pelo interior do país, cruzei por várias cidades de população menor que o Copan...

É uma terra estranha, essa Islândia perdida no meio do Atlântico Norte. Terra de fogo e gelo, como dizem os poemas que a homenageiam, entrecortada por soluços vulcânicos e abraçada pelo manto das geleiras.

Na capital, pouco se nota disso no verão. As montanhas próximas, carecas, indicam cocurutos de gelo, mas, por enquanto, ainda estão verdejantes. Um verde rasteiro, meio desmaiado, mas está lá.

Neste sábado, vou correr de verdade. Tenho medo da dor, imagino que o frio talvez esteja pior que o desejado, torço para a chuva não prosseguir. E penso que nada disso importa: na hora da largada é que a gente vai ver o que tem para colocar no asfalto.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h14

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Faixa azul leva romena ao pódio

Na flor da idade

Aos 38 anos, a romena Constantina Tomescu é a mais velha campeã olímpica da maratona. Na prata, ganha também a experiência e a elegância de Catherine Ndereba, ex-recordista mundial da distância e heroína dos fracos e dos oprimidos em seu país-natal.

Tomescu deu exemplo de coragem, independência e resistência. Se ninguém vai, ela foi e se apartou do grupinho logo cedo, muito mais cedo que as tradições da estratégia maratonística recomendam.

Ela seguia a faixa azul pintada no asfalto chinês ligando a praça da Paz Celestial ao Ninho do Pássaro. E só foi olhar para trás depois do km 40, bem depois.

Não conseguiria ver a americana de bronze, que caiu fora com dores nos pés. Também não veria o grupo que a perseguia, que estava cerca de 300 metros atrás. Nele, dando demonstração de luta e determinação que talvez tenham lhe faltado em 2004, a recordista mundial Paula Radcliffe crispava os dentes para enfrentar a dor que lhe descia do quadril e tomava a coxa esquerda, obrigando-a a mancar.

E o drama estava aberto na luta das duas chinesas e duas quenianas. Que beleza!!

Outra beleza exemplar se desenrolava no Cubo d’Água, onde a quarentona Dara Torres se transformava na mais velha medalhista de prata na natação, dando o maior pau em gente com metade de sua idade (também perdendo para gente com metade de sua idade, mas é a vida).

Torres se apartou dos perseguidores há meses, quando viu que, mesmo velha e alquebrada, estava com tempos que a garotada nem sonhava. Lutou pela vaga olímpica e deu no que deu, um exemplo para gerações futuras.

Tomescu e Torres entram para a história. Tomara que suas conquistas abram novas portas para quem já não é adolescente, mas tem muito para brilhar, para enfrentar, para sofrer e se alegrar.

Que venha a vida, que é ruim, mas é boa!

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h46

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Corrida me pega em esquina de NYC

Avenida-parque

Eu estava quieto no meu canto, fazendo compras, olhando as vitrines e vendo o quanto eu NÂO poderia comprar quando passa um sujeito bufando, de calção e camiseta. Logo vem um trio de bicicleta, uma dupla correndo para suar, uma garota trotando lentíssimo, uma família inteira, pessoal com carrinho de criança e cachorro na guia, todo mundo correndo.

Que beleza!

A rua cheia do trânsito nova-iorquino deu lugar aos transeuntes, pedestres corredores, caminhantes, ciclistas e turistas como este que vos fala.

É o terceiro sábado seguido que fazem isso, liberando a Park Avenue desde a ponte do Brooklin até lá na rua 70, num total de quase sete milhas entregues ao povo em Nova York. Ida e volta dá pouco mais de meia maratona.

Ninguém precisa se inscrever, não tem número nem horário de largada. A rua fica aberta para o povo das 7h às 13h e pronto. É uma promoção do departamento de trânsito local, como se fosse a CET deles.

O único problema é que eu não pude correr junto pois estava ainda carregado de malas, esperando a hora do hotel me atender... Mas já bateu um sentimento legal.

Vamos com espírito elevado para a próxima maratona, apesar das dores que insistem em tentar me derrubar...

E outra coisa: VIVA O CIELO!!!!!

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h15

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Exclusivo, direto da Colômbia

República esportiva

Acabei de conversar por e-mail com Claudio Castilho, técnico de José Telles, um dos representantes brasileiros na maratona olímpica.

Eles ainda não partiram para o outro lado do mundo. Estão em uma casa em Paipa, na Colômbia, fazendo a preparação final e aproveitando a altitude da cidade para aumentar a capacidade de oxigenação do sangue.

A casa é uma verdadeira república do atletismo. Lá estão também Marilson e sua mulher, Juliana, também atleta, e Mario, da marcha atlética.

Eles embarcam para a China no próximo dia 14.

Para aquecer os motores, relembre uma entrevista que fiz com Telles pouco antes de ele disputar o Mundial de Osaka, no ano passado.

Clique AQUI e role a página até chegar à entrevista.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h58

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Campeã olímpica está fora da maratona

Lesão nos treinos

A formiguinha atômica Mizuki Noguchi, campeã da maratona em Atenas-2004, desistiu de participar da prova em Pequim por causa de uma lesão, segundo informações da NHK, emissora pública de TV de seu país.

Ela se lesionou durante o período de treinamento na Suíça. Tentou tratar, mas viu que não ia dar tempo.

Agora me diz: como é que uma campeã se machuca em treino?

Alguém vai dizer que foi uma fatalidade.

Foi um erro!!!

O treinamento desse caras é milimetricamente monitorado, e aposto que o corpo de Noguchi, 30, já tinha mandado antes algum sinal que não foi levado em conta.

Perde a chance, assim, de tentar ser a primeira mulher a somar duas vitórias na maratona olímpica.

A maravilhosa portuguesa Rosa Mota, conhecida nossa das façanhas na São Silvestre, faturou o bronze em 1984 e o ouro quatro anos depois; a russa Valentina Yegorova venceu em Barcelona-1992 e ficou em segundo em Atlanta-1996; e a japonesa Yuko Arimori foi prata em 1992 e bronze em 1996.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h45

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Direto de Pequim

Atletismo na vila

Parte da delegação do atletismo chegou hopje à vila olímpica em Pequim.

São mais de 50 pessoas, o que provocou uma superlotação dos alojamentos brasileiros, segundo me conta por e-mail o médico Wagner Castropil, que vem acompanhando a turma do judô.

O pessoal da equipe médica está alerta para dar os atendimentos necessários no período de treinamento e aclimatação dos atletas.

Na quinta-feira, Marily dos Ssantos, única representante brasileira na maratona olímpica, embarcou para a China. Ela esteve ultimamente na Colômbia, fazendo treinamento em altitude, e espera representar bem o Brasil, como disse antes de partir. Ela é uma guerreira desde criancinha, nas Alagoas, e deve lutar bastante, como é sua característica, evidenciada na prova em que obteve a classificação, uma chuvosa maratona em santa catarina. eu a entrevistei depois disso e você pode reler nossa conversa AQUI (tem de rolar a página).

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h45

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Homenagem aos pais que correm e aos que não correm

Bicicleta e vôlei de praia

Meu pai é mais forte do que eu. É apenas um ou dois centímetros mais alto, mas pesa uns cinco ou seis quilos a menos e, se não faz musculação, sustenta rija a musculatura com anos de massagens, ioga e outras atividades ditas alternativas.

Nunca correu uma maratona, mas já deu pau em dois cânceres.

Uma vez, só uma, corremos juntos. Foi lá no parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre. Entusiasmado com minhas maratonas pelo mundo, ele queria experimentar. Ficamos um minuto no trote, dez minutos na caminhada, dois minutos no trote, dez minutos na caminhada. Depois repetimos. Assim fomos por quase uma hora. E deu.

Ele ainda resfolegava, e vimos uma confusão em um gramado do parque. Tinha sido montada ali uma quadra de vôlei de praia, com areia como se fosse a do mar (coisa estranha, essa, não? mas São Paulo também já teve disputa do circuito nacional de vôlei de praia com quadra em plena praça Charles Muller, todinha de cimento e asfalto).

Pois sentamos lá para assistir ao jogo e depois fomos encontrar com o resto da família, fazer um churrasco. Nunca mais corremos.

Com minhas filhas, também nunca corri. Mas, uma vez, a mais velha foi de bicicleta até o Ibirapuera e eu a acompanhei correndo. Na volta, quase aconteceu um acidente, mas livramo-nos todos. Apesar do susto, foi um dia muito feliz para mim. A mais nova descobriu os efeitos relaxantes de uma longa caminhada, que pode até ser dolorida, mas acalma os monstros interiores.

Na praia, de quando em vez, a família toda caminha junta.

É muito bom.

Escrito por Rodolfo Lucena às 00h42

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Mapa mostra peso olímpico dos países

O poder das medalhas

O The New York Times montou um mapa interativo muito bacana, em que o tamanho de cada nação é dado pelo número de medalhas conquistadas em Jogos Olímpicos, como mostra a imagem acima, baseada no ranking de Atenas-2004.

Você também pode visualizar as nações em ordem medalhal, como na imagem abaixo, baseada no ranking de Seul-88.

Esse tipo de lista dá margem a um monte de discussões sobre as relações entre poderio econômico e pujança esportiva.

De qualquer forma, o desempenho de um país em uma Olimpíada não necessariamente reflete o investimento que o país faz em esporte, mas sim o investimento que faz em esporte de alta performance.

As duas coisas podem até andar juntas, mas também podem ter caminhos separados. A tendência é que quem investe em esporte para s massas vai conseguir mais gente para peneirar e tem mais chance de encontrar as moscas brancas...

Bom, chega de conversa de mesa de bar. Se você quer consultar o quadro do NYT, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h48

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Pegadas gigantes no céu de Pequim

Foi bom para você?

Tomara que você tenha conseguido assistir ao espetáculo de abertura da Olimpíada de Pequim.

Se não deu, com certeza você encontrará, na internet e nas tvs, melhores momentos ou reapresentações.

Vale a pena.

Eu adorei as pegadas gigantescas, criadas por fogos de artifício, que passearam pelas ruas de Pequim até o estádio Ninho do Pássaro, prenunciando o início da cerimônia.

Não vou ficar aqui gastando adjetivos para falar da festa. O que eu gostaria mesmo seria entrevistar quem bolou todo esse espetáculo, descobrir como foi o processo de criação que redundou no que o mundo viu hoje.

Como apaixonado pela palavra, adorei as representações da produção do papel e, especialmente, os tipos móveis com ideogramas formados por gente (diga lá: qual foi o momento que você mais apreciou?).

Das delegações, adorei as africanas, em especial Angola, com sua belíssima bandeira, e o coloridíssimo Zimbábue. E me emocionei com o Brasil.

Fiquei imaginando roteiros onde correr, sonhando com trilhas suadas, outras geladas, caminhos por este mundo velho sem porteira.

De ruim, só mesmo partes da cobertura televisiva. A Globo é insuportável. Na SporTV, pelo menos, Milton Leite mantém a sobriedade: trata de cumprir sua função com decência. Narra e traz informações que não estão disponíveis para o telespectador. Mas a gente podia passar sem os comentários do Oscar...

Bom, vamos ver o que vem por aí.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h00

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Corredores são atração em museu de Londres

Arte corrida

Corredores dos mais diversos tipos, disparando a toda velocidade por uma galeria da Tate Britain, um dos mais sacrossantos templos da arte do mundo, demonstram que a corrida já virou uma expressão artística, como comentei hoje em minha coluna no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

A série de sprints, que se sucedem a cada 30 segundos ao longo de todo o horário de funcionamento da galeria, é o cerne da instalação Trabalho Número 850, do consagrado artista inglês Martin Creed, e fica em cartaz até novembro (foto Divulgação).

Mas, se não vai dar para você ir até lá, dá para ter uma boa idéia de como funciona o trabalho visitando o site da galeria, AQUI.

Se, por acaso, você planeja viajar, saiba que também pode ser um dos corredores da exposição. As dicas para inscrição você encontra, em inglês, AQUI.

Um dos filminhos mais bacanas que encontrei sobre a mostra está AQUI (um crítico começa comentando a instalação, mas depois é a maior diversão).

Em suma, é o que já sabíamos: correr é uma arte para quem corre e para quem vê. Vamos às ruas, vamos ser artistas.

Afinal, como diz o poeta, "a gente quer comida, diversão e arte".

Escrito por Rodolfo Lucena às 07h08

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Intervalo para pensar em algo fora de Pequim-08

Barômetro da pá virada

Conheci o professor Valdemar Setzer por telefone na década de 1980, quando várias vezes o entrevistei para reportagens da "Dados & Idéias", revista pioneira no mundo da informática brasileira. O tema era sempre o computador na educação, e ele sempre dava a opinião contrária ao uso da máquina na educação infantil (posição que continua a ter, pelo que vi em seu site). Pois agora, muitos anos depois, volto a ele por causa de uma história que recebi por e-mail e que foi publicada no site de Setzer. Achei muito bacana e a reproduzo aqui, tal como vista no site.

REVOLTADO OU CRIATIVO?.

"Há algum tempo recebi um convite de um colega professor para servir de árbitro na revisão de uma prova de física que recebera nota zero . O aluno dizia merecer nota máxima. O professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido .

"Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova: Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro .

"A reposta do estudante foi a seguinte : "Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele ; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; esse comprimento será igual à altura do edifício".

"Sem dúvida, a resposta satisfazia o enunciado, e por instantes vacilei quanto ao veredicto .

"Recompondo-me rapidamente , disse ao estudante que ele tinha respondido à questão, mas sua resposta não comprovava conhecimentos de física, que era o objeto da prova. Sugeri então que ele fizesse outra tentativa de responder a questão . Meu colega concordou prontamente e, para minha surpresa, o aluno também.

"Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, demonstrando algum conhecimento de física .

"Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o teto da sala .

"Perguntei-lhe então se desejava desistir , pois eu tinha um compromisso logo em seguida. Mas o estudante anunciou que não havia desistido , e estava apenas escolhendo uma entre as várias respostas que concebera .

"De fato, um minuto depois ele me entregou esta resposta: ‘Vá ao alto do edifício , incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo T de queda, desde a largada até o toque com o solo . Depois, empregando a fórmula h=(1/2)gt2 , calcule a altura do edifício‘ .

"Nesse momento , sugeri ao meu colega que entregasse os pontos e , embora contrafeito , ele deu uma nota quase máxima ao aluno.

"Quando ia saindo da sala , lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Não resisti a curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ele disse : Ah! sim , há muitas maneiras de achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro . Por exemplo: num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício . Depois , usando-se uma simples regra-de-três , determina-se a altura do edifício . Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto , é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas, tem-se a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balança-lo como um pêndulo , o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, obtêm-se duas acelerações diferentes , e a altura do edifício pode ser calculada com base nessa diferença. Se não for cobrada uma solução física para o problema, existem muitas outras respostas . A minha preferida é bater à porta do zelador do edifício e dizer: ‘Caro zelador , se o senhor me disser a altura desse edifício , eu lhe darei esse barômetro.‘

"A essa altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada‘ para o problema Ele admitiu que sabia , mas estava farto das tentativas do colégio e dos professores de dizer como ele deveria pensar."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h13

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Conheça melhor o seu tendão de aquiles

Aula aberta

Quem estiver interessado em saber mais sobre o próprio corpo e, especialmente, sobre uma parte do corpo muito exigida na corrida tem uma boa oportunidade nesta quarta-feira.

No hospital Sírio Libanês será realizada uma palestra com o título "Lesões do Tendão de Aquiles nos Corredores", ministrada pelos doutores Márcio Freitas e Mauro Dinato, que prometem uma abordagem que seja entendida por leigos.

Não é preciso fazer inscrição e a palestra é grátis.

Acontece ao meio-dia desta quarta-feira, dia 6, no Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), andar C, anfiteatro 4.

O Sírio Libanês fica na Rua Dona Adma Jafet, 91, tel. 3155-0200

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h54

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Abertas as inscrições para a São Silvestre

O fim de ano taí

Ainda nem entramos na primavera e o fim do ano já está chegando...

O começo do fim é anunciado pela entrada da São Silvestre no calendário geral das preocupações dos corredores: desde sexta-feira passada estão abertas as inscrições para a mais tradicional corrida de rua do Brasil, que tem número de vagas limitado em 20 mil atletas.

Feitas somente pelo site oficial da São Silvestre, as inscrições vão até 30 de novembro; podem ser suspensas antes se as vagas forem preenchidas.

Até o dia 10 de agosto, a taxa cobrada será de R$ 65,00. De 11 de agosto até 30 de setembro, este valor sobe para R$ 70,00. Depois, até o dia 30 de novembro cada atleta deverá pagar R$ 80,00.

A largada do pelotão de elite feminino está programada para as 16h30 (horário de Brasília) do dia 31 de dezembro, 15 minutos antes da elite masculina e da categoria geral. Competidores com deficiência iniciam a disputa às 15h15.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h09

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Doping tira ouro olímpico dos EUA

Devolvam as medalhas

A equipe norte-americana que venceu o revezamento 4x400 na Olimpíada de Sydney, no ano 2000, foi desclassificada hoje pelo Comitê Olímpico Internacional, que determinou que as medalhas fossem devolvidas.

Um dos competidores do time norte-americano, Antonio Pettigrew (o primeiro da esquerda para a direita na foto acima, de 30.set.2000, da Reuters), admitiu ter competido dopado e já havia devolvido sua medalha. E hoje saiu a decisão do COI tirando as medalhas da equipe, que tinha ainda como integrantes Michael Johnson (na frente, ao lado de Pettigrew) e os irmãos Calvin e Alvin Harrison.

Com a desclassificação dos EUA, o novo pódio da prova terá Nigéria (ouro), Jamaica (prata) e Bahamas (bronze). Com isso, o Brasil cai um posto, ficando em 53º no quadro de medalhas de Sydney.

Essa é mais uma demonstração de que o comitê olímpico pretende atuar firmemente contra a trapaça nos Jogos de Pequim. Esse é o quarto ouro olímpico perdido pelo atletismo dos Estados Unidos nos últimos oito meses por causa de doping. Só a proclamada superatleta Marion Jones perdeu três ouros e dois bronzes por usar drogas para melhor o desempenho atlético _por causa delas, suas colegas do 4x400 e 4x100 também perdem as medalhas (os times foram desclassificados).

No caso do revezamento masculino, três dos quatro integrantes da equipe que correu a final testaram positivo para doping. Além de Pettigrew, também os gêmeos Harrison foram pegos e sofreram suspensões. Para completar, Jerome Young, que integrou o time em uma prova de classificação, foi banido por causa de repetidas infrações.

Nos últimos dias, o Comitê Olímpico Internacional anunciou várias punições a atletas pegos no doping: sete da Russia e um da Itália foram banidos de Pequim-08. Durante os Jogos, deverão ser realizados cerca de 4.500 testes.

Tomara que funcione, pois, como já disse aqui, o doping é uma m...

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h02

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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