Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Dica para correr melhor em subida

Motor de proa

Vez que outra, coloco aqui alguma coisa que aprendi ao longo desses anos de corrida.

Como sempre digo e aviso, não sou técnico nem especialista. Falo de coisas que me ensinam e que, pelo menos no meu caso, deram certo.

Uma delas foi uma dica que ouvi um dia, quando arfava e bufava para subir a lomba da Biologia, muito conhecida dos corredores que percorrem o circuito da Cidade Universitária da USP.

Um sujeito bem mais veterano do que eu me orientou: "Mexe mais os braços, mexe mais os braços". E, emparelhando comigo, explicou que a movimentação ajudava a melhorar o equilíbrio do corpo e ainda funcionava como uma espécie de motorzinho, "puxando" a gente para cima.

Sei lá se a explicação está correta, mas o certo é que, aumentando a movimentação dos braços durante a subida, ela fica mais fácil e você consegue, pelo menos, manter sua velocidade média. Além de receber um incentivo de seu corpo: se as pernas se arrastam, os braços se agitam e avisam as pernas que não podem ficar paradas.

Cada um, é claro, vai ter de encontrar o que é, para si, esse ritmo mais forte da movimentação dos braços. E não estou falando de sair com os braços girando alucinadamente. É só aquele movimento pendular, comum, que normalmente fazemos e de deve ser acelerado um pouco lomba acima.

Em contrapartida, na lomba abaixo é importante enrijecer o abdome, organizar o corpo, largar os braços, soltar-se para reduzir o impacto e defender as engrenagens todas.

Se você experimentar essas dicas e tiver comentários, sou todo ouvidos (ou dedos no teclado, sei lá...). Ou, se tiver outra dica, ela também é bem-vinda.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h40

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Haile já fala em outro recorde

O que vem por aí

Feliz da vida com a fabulosa marca que estabeleceu hoje de manhã em Berlim, Haile Gebrselassie (foto AP) não está completamente satisfeito com seu desempenho.

Acha que pode cortar ainda alguns segundos no tempo da maratona e melhorar seu recorde em algum momento no futuro.

"Sou capaz de correr a maratona em 2h03min30 ou alguma coisa em tono disso. É possível, mas agora estou correndo também contra a minha idade", disse ele, que tem 35 anos de vida e 15 de carreira internacional, além de recordes a perder de vista.

Sobre a marca de hoje, ele voltou a repetir a ladainha da humildade: "É apenas um recorde, e amanhã alguém poderá quebrá-lo. Há tantos bons corredores por aí...", disse. Mas acrescentou, como em um desafio a todos e a si mesmo: "Eu simplesmente terei de ser mais rápido".

Haile disse que começou a prova preocupado, mas, depois, foi só alegria, como mostra a imagem abaixo (foto EFE), em que contracena com a alemã naturalizada Irina Mikitenko (nascida no Cazaquistão). A vencedora da prova feminina fechou em 2h19min19, tornando-se a quarta maratonista mais rápida do mundo (apenas Paula Radcliffe, Catherine Ndereba e Mizuki Noguchi têm tempos melhores que o dela).

De fato, porém, creio que ele estava muito de sangue doce mesmo antes da prova. Veja só a expressão do campeão ao posar com corredores comuns (não tão comuns, porque fantasiados), minutos antes de iniciar sua corrida para se tornar o primeiro homem a correr a maratona em menos de 2h04 (foto Reuters)

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h57

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Haile volta a quebrar recorde da maratona

Primeiro sub-2h04

 

Se alguém tinha alguma dúvida sobra as razões que levaram Haile Gebrselasie (foto Reuters) a desistir da maratona olímpica em Pequim, foi iluminado hoje pelos céus de Berlim. Em terras germânicas, o fabuloso etíope voltou a quebrar o recorde da maratona, que era dele mesmo, e se tornou o primeiro homem a correr os 42.195 metros em menos de duas horas e quatro minutos.

Na manhã de hoje, nas planas ruas berlinenses, Haile, 35, completou em 2h03min59, quase meio minuto abaixo do recorde que estabelecera havia um ano, no mesmo asfalto alemão. A redução foi de 27 segundos, o que dá quase uma quadra e meia de distância de si mesmo, se ele fosse seu próprio perseguidor.

"Hoje foi perfeito", disse o recordista, que se tornou também o primeiro tricampeão da maratona de Berlim. E poderia até ter sido melhor, a julgar pelas palavra do campeão: "Eu tinha um pequeno problema no músculo da minha panturrilha e parei de treinar por uma semana. Só retornei na semana passada. Então hoje vim aqui com algumas dúvidas na cabeça. Mas foi tudo ótimo".

Veja a seguir os dez últimos recordes mundiais. A marca caiu em mais de quatro minutos desde 1981.

2h08min13 - Alberto Salazar (EUA), 1981

2h08min05 - Steve Jones (GBR), 1984

2h07min12 - Carlos Lopes (POR), 1985

2h06min50 - Belayneh Dinsamo (ETI), 1988

2h06min05 - Ronaldo da Costa (BRA), 1998

2h05min42 - Khalid Khannouchi (MAR), 1999

2h05min38 - Khalid Khannouchi (EUA), 2002

2h04min55 - Paul Tergat (QUE), 2003

2h04min26 - Haile Gebreselassie (ETI), 2007

2h03min59 - Haile Gebreselassie (ETI), 2008

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h27

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Quem mais descansa carrega pedra

Pausa refrescante

Acabei de ler, atrasado, uma reportagem no site do "The New York Times" sobre uma prova de uma milha disputada nas ruas de Nova York. É um evento bem tradicional, que dura horas e envolve desde profissionais até a gurizada e amadores de todas as idades (ca-da-um-no-seu-qua-dra-do, é claro).

O que eu mais gostei foi a conversa com os corredores de ponta, que estavam no final de suas respectivas temporadas e se preparam para dar um tempo nas corridas...

O americano naturalizado Bernard Lagat (nascido no Quênia), que decepcionou seus torcedores em Pequim, completou ali 17 provas, apenas neste ano. Delas, venceu 12 --uma não foi a milha nova-iorquina, em que foi suplantado nos últimos metros pelo neo-zelandês Nick Willis.

"Agora é hora de descansar", disse o atleta de 33 anos. Ele vai tirar cinco semanas de folga, quando pretende rodar de bicicleta com o filho, Miika, 3.

A vencedora no feminino, Lisa Dobriskey, da Grã-Bretanha, também pretende descansar. Mas, aos 24 anos e fissurada por uma corridinha, acha que não vai ser fácil ficar fora das pistas.

Ela não vai ficar sem fazer nada, porém. A primeira semana será de completo descanso, mas, nas seguintes, fará o que seu técnico chama de "repouso ativo".

Vá fazendo as contas: aulas de ioga e spinning (bicicleta) e trabalhos de alongamento e exercícios de flexibilidade dinâmicos e estáticos, num total de 12 sessões por semana durante três semanas. No período, haverá também treinos de corrida em uma esteira especial, de impacto reduzido....

Depois, ela começa a base: dois meses de treinamento em região de altitude no México...

Moleza é pouco, não é?

A reportagem do NYT está AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h02

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Dica de corrida no Pará

Calorão e alegria

O meu prezado leitor Eduardo Landé, das gloriosas terras paraenses, vez que outra manda notícias das corridas no norte brasileiro.

Há tanto calendário de corridas, mas nem sempre aparecem provas fora do eixo Rio-São Paulo.

Por isso, fica aí a dica do Landé, que até já montou um clube de corridas em Belém (o site deles está AQUI).

No dia 18 de outubro será realizada a 25ª Corrida do Círio, talvez a mais tradicional da região. É uma prova de 10 km e participam cerca de 4.000 corredores.

Neste ano, a novidade é a Corridinha do Círio, para a galerinha de 6 a 17 anos.

Mais informações no site da prova, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h54

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Ultramaratonista amputada está melhor

Volta à casa

Continua estável a situação da ultramaratonista Lu Chiu Shu Jung, que teve as pernas amputadas depois de ser vítima de um violentíssimo processo infeccioso durante sua participação na Le Transe Gaule, prova em 18 etapas que cruza a França.

Como já contei aqui, uma bolha estourada foi o gatilho para ação fulminante de uma bactéria conhecida como "comedora de carne".

O último boletim de saúde emitido pelo hospital onde a atleta de Taiwan está internada, na França, informa que sua condição geral é boa e que ela respira sem ajuda de aparelhos.

Sem não surgirem problemas novos, os médicos dizem que ela poderá ser transferida amanhã ou depois para atendimento em sua pátria.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h31

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Eu também esqueci...

Ronaldo, o recordista

Na semana passada, aconteceu o décimo aniversário da histórica façanha de Ronaldo da Costa, o corredor mineiro que derrubou um recorde mundial que já durava dez anos.

No dia 20 de setembro de 1998, o macérrimo corredor, dono de largo e simpático sorriso, deixou o mundo embasbacado.

Não só correu a maratona em 2h06min05, derrubando com folga a marca estabelecida pelo etíope Belayneh Dinsamo, que fizera 2h06min50 em 17 de abril de 1988, como festejou a vitória dando estrelas no asfalto de Berlim, palco para sua glória.

Conheceu a fama e a fortuna, mas também sofreu muito desde então, passando por amarguras e temores (alguma coisa ele contou em entrevista exclusiva para este blog, publicada em 3 de janeiro de 2007, que você pode ler AQUI --é preciso rolar a página até chegar à entrevista).

O aniversário do recorde passaria em branco não fosse a iniciativa do pessoal de esportes do UOL, que fez bela reportagem com Ronaldinho (confira o texto AQUI).

Para comemorar, o atleta organizou uma corrida para crianças. Ele disse ao repórter do UOL: "Já que ninguém lembrou, vou fazer minha festa na maratoninha. Estar com as crianças é o que gosto mesmo e também estarei com meus familiares lembrando desta data, que para mim foi o auge da minha carreira".

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

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Fala, leitor

Treinão para a meia do Rio

Como a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar é provavelmente a maior corrida de rua do país, em número de participantes, há muito o que falar. Já trouxe o relato do Vignola, que começou a correr numa prova dessas e completou ali, no último domingo, seu quarto ano de corridas. Agora trago o depoimento da fisioterapeuta RENATA ORTIZ, que também fez no Ibirapuera seu aniversário de corridas. Leia o que ela nos conta.

"Há exatamente dez anos realizei minha primeira corrida de rua na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar. Maior coincidência foi a chuva, que vinha sem parar.

Lembro-me de como estava ansiosa e de como corri rápido os primeiros cinco quilômetros de minha vida. Foi essa prova, lá em 1998, que fez com que eu me apaixonasse pela corrida.

Os tempos são outros, a mente é diferente e o corpo também, mas a emoção, a ansiedade e a vontade de correr que senti neste último domingo parece que nunca mudaram.

Corri os primeiros 10 km supertranqüila. O que mais me impressionou foram as pessoas que passavam dentro de seus carros, olhando para nós corredores. Acho que pensavam: ``O que esses loucos estão fazendo a essa hora da manhã correndo debaixo de tanta chuva???``.

Pois é, somos loucos mesmo, loucos por essa sensação inexplicável de bem-estar e superação que nos inunda assim que a prova finaliza.

Depois que terminei meus 10 km (57min), corri para a troca de 5 kmm e iniciei minha segunda corrida, em uma outra equipe. É que eu estava aproveitando a maratona de revezamento para fazer um treinão para meu próximo desafio, a Meia Maratona do Rio de Janeiro.

Aí foram mais 35 minutos pensando em ultrapassar limites, suportar a dor na panturrilha, esquecer das bolhas nos meus pés devido ao tênis estar encharcado e entregar o chip para minha parceira.

Alias, acho esta a parte mais bacana da prova: ``a troca``. É incrível como corremos rápido quando entramos no tapete de troca, na tentativa de baixar em alguns segundos o tempo da equipe, ganhar mais algumas colocações e terminar a prova com o dever cumprido.

A corrida faz isso com a gente, loucos que, mesmo debaixo de tanta chuva, com atrasos e desencontros, estamos lá todos os anos participando do revezamento."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h04

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Fala, leitor

Aniversário na muvuca

AYRTON VIGNOLA, 32 anos, editor-assistente de Fotografia aqui na Folha, correu a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar no último domingo, em São Paulo, em uma equipe de quatro atletas, todos aqui do jornal. Acompanhe a seguir o seu relato.

"A previsão era de frio e chuva, mas nem o pior temporal que pudesse atingir São Paulo tiraria um motivo especial para eu correr a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar. Afinal, estava completando quatro anos de corridas de rua. Quatro anos!!!!!! E a primeira prova foi justamente esse revezamento.

Foram 4 anos de alegria, amizades, treinos nas 4 estações do ano, coração saudável, corpo saudável e paz interna. Quanto investimento --roupas, pares de tênis e alimentação. Mas nem tudo é sorriso, quem faz esporte sabe disso. As lesões acontecem. Nesses quatro anos, tive uma lesão no joelho direito resolvida com uma cirurgia e seis meses de fisioterapia, fortalecimento e muita paciência. Mas é passado!

Cheguei ao Ibirapuera às 5h45. Fazia frio e adivinha...chovia. Fiquei no carro até as 6h20. Logo estava na hora de encarar a chuva. Coloquei uma camiseta térmica de manga longa e lá fui. O setor da largada ainda estava bem vazio, decidi fazer um bom alongamento. Estica daqui, puxa ali, dói aqui, dói tudo. "Eita coisa chata", mas é necessária!.

Em pouco tempo, a área fica cheia. Já tinha dado 7h e nada da largada. Sai o anúncio oficial de atraso. Pintam as primeiras vaias. Para mim, tudo era alegria. Pensei na prova: curtir o percurso ou ‘socar o mamão’?

Decidi aquecer bem no primeiro km e depois impor um ritmo mais forte.

Dada a largada com atraso de dez minutos, tudo parecia bem nos primeiros 300 metros. De repente, tudo parou. Parecia as Marginais em horário de pico na sexta-feira. Andei uns 100 metros e logo vi o motivo: um afunilamento de mais ou menos três metros de largura.

Inacreditável!!!!

Será que a organização não percebeu que não dava para literalmente enfiar centenas de corredores em um corredor de pouco mais de 3 metros de largura em uma extensão de 1,5 km???

Gastei exatos 19min50seg até ultrapassar aquele ponto. Só no km 2 é que a situação deu leve melhorada, pelo menos já era possível trotar.

Logo ganhamos a 23 de Maio e tudo normalizou. E a chuva também... continuou caindo.

Uma garota ao meu lado, correndo com uma amiga, reclama que tinha gastado uma grana para alisar o cabelo no dia anterior. Um grandalhão grita com o corredor que ia poucos metros à frente: "Corra mais rápido porque seu tênis está jogando água em mim!" O céu superescuro, maior frio e chovendo muito, e o cara fala isso. Fala sério!!!!

Foquei na prova novamente, completei os primeiros 5km, fazendo o retorno na av. 23 de Maio.

Tinha conseguido recuperar a lerdeza inicial, meu tempo estava muito. Pouco depois, aproveitando uma descida, literalmente soltei o corpo pra ganhar mais velocidade. Passei pelos km 7,8,9 somente administrando a respiração e os batimentos do coração.

Logo ganhei a reta final, que dava acesso ao corredor da transição. Entrei na transição, encostei o chip no painel de registros e olhei no relógio pela última vez. Pensei ter ido muito mal na prova, mas me surpreendi quando vi o tempo bruto de 1h09 para 11,2 km.

Imediatamente olhei para o céu, deu um sorriso, ergui a mão direita apontando para cima e disse obrigado Deus, obrigado pelos quatro anos de corrida, obrigado por me dar a oportunidade e saúde para completar mais uma corrida.

Com essa prova, somo o total de 128 medalhas. Todas guardadas com muito carinho e orgulho. Continuei correndo até o portão 8 do setor verde escuro onde passei o chip para o meu companheiro de equipe e de jornal Marcelo Sakate.

Nossa equipe, com o nome de Pé de Pano, era formada pelos corredores Ayrton Vignola, Marcelo Sakate, Clayton Freitas e Fernando Antunes."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h44

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Maratona de revezamento reúne 30 mil em SP

Muvuca gigante

Há quem não agüente mais a muvuca que a cada ano envolve o gigantesco revezamento organizado pelo grupo Pão de Açúcar. Há, por outro lado, quem não agüente esperar para mais uma vez inscrever seu time nessa maratona que reúne o maior contingente de corredores do país.

Enfim, quem vai sabe que é uma confusão mesmo e aproveita para se divertir de qualquer jeito. E o clima sempre é bastante alegre, para cima, com toda aquela multidão querendo correr, fazer o seu melhor.

Com previsão para levar às ruas 30 mil atletas no próximo domingo, na região do Ibirapuera, em São Paulo, o revezamento contabiliza ainda outros números gigantescos: serão distribuídos 300 mil copos de água e 50 mil garrafas de isotônico; 4,5 km de carpetes farão a sinalização do evento e 11 mil metros de grades estarão espalhadas pelo percurso. Mais de mil pessoas trabalham no apoio.

Mesmo assim, pode dar confusão, faltar água ou haver erro na cronometragem _ou não...

Bueno, você que resolveu enfrentar a brincadeira, lembre-se de chegar cedo, pois a prova começa às 7h. A melhor pedida para evitar o congestionamento e a desagradável busca por lugar para estacionar é ir de metrô e descer da Paulista até o Ibira já aquecendo a ossada... Mas, se quiser preguiçar, pule em um dos ônibus especiais que vão fazer o trajeto da estação Brigadeiro do metrô até a Assembléia Legislativa. Eles começam a circular às cinco da matina e funcionam até as três da tarde.

Tenha uma ótima diversão. E mande suas histórias, reclamações e desabafos para este blog.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h32

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"Runner‘s World" brasileira sai dia 6/11

Calendário nacionalizado

Com uma tiragem prevista para 80 mil exemplares, chega às bancas no dia seis de novembro a edição brasileira da "Runner’s World", que sai sob o manto da editora Abril.

Conversei por e-mail com Sérgio Xavier, jornalista que atua há 13 anos na revista "Placar" e será o responsável pelo projeto. Prestes a completar 42 anos, Xavier diz que corre desde criança; a partir de 1997, começou a fazê-lo "com mais método". Sua primeira corrida foi em 2003, a meia do Rio: "Evidentemente, quebrei..." relembra ele.

A tiragem parece alta em um mercado no qual as principais publicações estão com números bem menores. Xavier responde: "Acreditamos que o segmento não está devidamente explorado. A força da marca "Runner’s" e a força da Abril em distribuição e principalmente em assinaturas devem fazer a diferença. "Men’s Health" superou todas as expectativas da Abril há dois anos. Era para ter uma circulação de 40 mil no primeiro ano, bateu nos 100 mil e já está hoje com 130 mil. A Rodale, dona da marca Men’s e também da Runner’s, ficou assombrada com o mercado não atendido no Brasil".

Do ponto de vista editorial, a espinha dorsal do projeto segue a receita da edição norte-americana, com dicas de treinos, nutrição, testes de tênis, histórias de corridas e corredores. Promete um calendário brasileiro e também a nacionalização de dicas em áreas como nutrição, que "merece uma bela tropicalização", no dizer de Xavier.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h20

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Tragédia envolve ultramaratona na França

Bactéria destruidora

Na 16ª etapa da Transe Gaule, uma ultramaratona de 1.166 quilômetros que corta a França e é disputada em 18 etapas, estourou uma bolha no pé esquerdo de Chiu Shu-jung, 51, experiente corredora de Taiwan.

Ela não deu muita bola e seguiu em frente até a etapa final, no dia 30 de agosto, concluindo a exaustiva prova em segundo lugar no feminino, 17º no geral, fechando em um total acumulado de 125h07min24.

Pouco depois, teve de ser hospitalizada por causa de fortes dores em seus pés. Ela já estava com infecção adiantada nos pés e teve de ser transferida para um hospital em Montpellier.

Atacada por uma bactéria conhecida como "comedora de carne", a corredora foi vítima de fasciite gangrenosa. Foi submetida a sucessivas operações e acabou por ter sua perna direita amputada, no dia 31 de agosto, assim como parte do pé esquerdo, em cirurgia no dia seguinte. Segundo o boletim médico, as amputações foram necessárias para evitar que a infecção se espalhasse.

Ela está sendo mantida em coma induzida e, segundo o último boletim médico que vi (do dia 16 de setembro), seu estado, apesar de grave, como se pode imaginar, é considerado estável.

Chiu, de 51 anos, tem dois filhos e é uma das grandes ultrmaratonistas do planeta. Integra a equipe nacional de Taiwan para provas de 24 horas e, no ano passado, classificou-se no 40º lugar no geral na conhecida Spartathlon (corrida de 246 km de Atenas a Esparta).

"Nunca pensei que fôssemos sofrer tanto", disse o marido de Chiu, Lu Hua chieh, que pela primeira vez a acompanhou em uma prova. Ele disse esperar que os médicos estudem bem o caso para que, no futuro, seja dado um atendimento melhor a corredores que enfrentem situação similar.

Eu só tenho a lamentar uma tragédia como essa. E imaginar se ela não poderia ter sido evitada se os médicos tivessem sido mais rigorosos ou se tivesse sido diferente o tratamento dado a uma simples bolha.

Entrei em contato com o hospital onde a ultramaratonista, conhecida no seu país como Mamãe Ultra, está sendo atendida. Informarei sobre qualquer novidade a que tenha acesso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h13

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Palestra gratuita sobre lesões no joelho

Prevenção e treinamento

Como prevenir as lesões nos joelhos é um dos assuntos do 4º Workshop do Corredor, que vai ser realizado na próxima sexta-feira, dia 19, a partir das 19h30, em São Paulo.

São três palestras em seqüência, cada uma com meia hora de duração.

A primeira trata das lesões nos joelhos de corredores de rua; a segunda aborda técnicas para prevenir essas lesões. E a terceira discute o treinamento de corrida em ambiente empresarial.

Trata-se de uma realização do Grupo de Estudos de Corrida e Caminhada Movimenta, do Instituto Vita, e o evento será realizado no auditório 2 do Instituto de Ensina e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (rua Cel. Nicolau dos Santos, 69).

É gratuito. Se você for, chegue um pouquinho antes, porque é uma longa caminhada desde a entrada principal do hospital até o elevador que finalmente o levará até o auditório.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h07

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Fala, leitor

Dunas de asfalto

O FÉLIX LUÍS já está virando colaborador contumaz neste blog. Se você ainda não conhece o rapaz, saiba que se trata de um corredor do Ceará que até semana passada tinha como distância máxima a meia-maratona e hoje é ultramaratonista. O feito foi obtido durante a Dunas Race 2008, que, apesar do nome inspirador, é disputada no asfalto do Autódromo Internacional do Eusébio em Fortaleza. Leia a seguir o relato que ela mandou para este blog.

A largada do Revezamento Noturno e Ultramaratona de 12 horas Dunas Race 2008 aconteceu às 19h40 do último sábado, no Autódromo Internacional do Eusébio em Fortaleza, e terminou às 7h40 do domingo, 14/09. Aproximadamente 350 atletas participaram da prova.

Larguei lá atrás, entre os últimos, bem diferente do que eu estou acostumado a fazer, pois costumo ficar no pelotão intermediário. Ano passado, fui campeão na categoria quarteto misto, e o ritmo era bem mais forte.

Fiz a primeira volta _cada volta no autódromo tem 2.380 metros_ apenas para conhecer o percurso e voltei o boxe de minha equipe para refazer cálculos. De cara já vi que a estratégia que eu havia feito teria de ser alterada por causa do tempo que fiz na volta. Da segunda volta em diante, eu só pensava em fazer pelo menos as 20 voltas obrigatórias para não ser desclassificado.

Na volta 18, já fiquei feliz pois havia feito a minha primeira maratona, ainda que não tenha corrido o tempo todo. Tive algumas paradas estratégicas para hidratação e relaxamento, pois o objetivo final seria bem maior que uma maratona, e o ritmo era bem mais lento, mas fiz os 42 km.

Daí em diante, parei, tomei um banho, troquei de roupa, recebi uma massagem e fiz mais duas voltas para completar a vigésima volta.

Meta de classificação alcançada, passei a correr mais motivado. O meu limite físico seria o divisor de águas, me empolguei, aumentei o ritmo e corri dez voltas consecutivas (23,8 Km), até 5 da manhã aproximadamente.

Com os primeiros raios de sol, eu já estava bem cansado, mas não exausto. Fui para o box novamente, parei um pouco para hidratação e fiz as últimas voltas mais caminhando do que correndo. Só não consegui uma volta extra no final porque fiquei a 40 segundos de conseguir abrir a última volta, pois o cronômetro zerou. Seriam 35, mas fiquei satisfeito com as 34 que fiz, totalizando 80,9 km. Tenho certeza de que, com alguns ajustes estratégicos para o próximo ano, posso superar tranqüilamente 40 voltas.

Desta vez não conquistei o pódio, como no ano passado, mas garanto que a medalha que conquistei é a mais especial do meu quadro de medalhas a partir de agora.

Gostei muito de correr na categoria solo, e já penso em novos desafios, quem sabe até fora do país, como a Ultramaratona Comrades, na África do Sul.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h17

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Pre vive

No meu treininho de recuperação, correndo pelas ruas onduladas de Seattle, acabei me deparando com o que é, se bem me lembro, a primeira homenagem desse gênero a um corredor que vi pelas cidades que já percorri.

É bem verdade que é uma homenagem meio chinfrin, uma ruelinha com nome de praça que mal é uma passagem, se tanto.

Mas o importante, aqui, é a lembrança da comunidade, perpetuando a memória de um corredor cujo desempenho, nas pistas e fora dela, emocionou gerações de americanos.

Trata-se de Steve Prefontaine, que muitos norte-americanos entusiastas do atletismo em geral e das corridas em particular consideram uma espécie de herói das pistas.

De fato, na sua curta vida, Pre foi atle exuberante, quebrador de recordes. Marcou também a política esportiva dos EUA, rebelando-se contra a dominação então exercida com mão de ferro pela entidade nacional de atletismo.

Há vários livros e filmes sobre a trajetória desse corredor, que terminou de maneira trágica em um acidente automobilístico, depois de uma noite de festa com os amigos também corredores. No site oficial em memória dele (AQUI), há informações sobre a carreira de Prefontaine e as homenagens que ainda hoje lhe são prestadas, como uma corrida anual no Oregon.

Aqui em Seattle, ele virou nome de rua. Ruela, diria, como você pode ver no mapa abaixo. Mas melhor que nada.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 02h21

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Skagit Flats Marathon, no Estado de Washington

Masters do asfalto

 

Cada maratona tem uma cara. Em algumas, a personalidade é dada pelo percurso; em outras, o clima é o fator dominante; belezas naturais marcam outras tantas, enquanto as mais famosas são caracterizadas por grande quantidade de participantes rodando em trajetos urbanos de algumas das maiores metrópoles deste mundo velho sem porteira.

Pois a pequena prova da pequena Burlington, no condado de Skagit, nordeste do Estado de Washington, a meio caminho entre Seattle e a fronteira com o Canadá, tem cara enrugada, cabelos grisalhos e músculos temperados por décadas: nunca vi tanto velhinho junto correndo. Não por acaso, nunca vi também tanta gente junto envergando orgulhosa o uniforme do Marathon Maniacs, o clube que reúne doidões que fazem maratonas aos borbotões (eu sou um dos integrantes....).

No sábado, véspera da prova, encontrei os Dolphins, meus amigos de e-mail que finalmente chegaram à vida real. Casados há 14 anos, formam uma superdupla, em que ela dá o maior apoio, organiza tudo o que é preciso, aplaude, abraça e beija no final, enquanto ele corre: Bob Dolphin, 78, completou no último domingo sua maratona de número 430.

Muitas delas ele contou em e-mails que manda aos amigos --neles, a participação da mulher, Lenore, também é determinante, pois é ela quem põe no computador o relato ditado por Bob, que se desculpa por nunca ter aprendido a datilografar (leia AQUI a entrevista que fiz com ele quando ele completou a maratona número 400; é preciso rolar a página até chegar ao texto).

Conversamos, sou apresentado a outros corredores veteranos (os Dolphins, que vivem a cerca de 120 quilômetros de Burlington, parecem conhecer cada um pelo nome) e depois vamos a um jantar em família, pois um dos filhos de Lenore vive em Mount Vernon, cidade-irmã de Burlington.

Na manhã de 7 de setembro, eles me pegam no hotel e vamos para a largada. O quartel-general é um escola pública, e muita gente ainda faz sua inscrição agora, pouco antes da largada. Há muito espaço, muita gentileza e conforto: podemos usar as instalações da escola. Os banheiros são os dos vestiários: é tudo aberto, sem portas (mesmo a área da privada...), mas há também banheiros químicos, como em grande parte das provas.

Os Dolphins (foto) me apresentam a Tony, que é uma espécie de vice-presidente do MM, e a vários outros integrantes do grupo, além de organizadores de provas e corredores velhinhos de vários lugares. Um sujeito veio da Austrália há algumas décadas; hoje aposentado, corre maratonas aos borbotões e é muito rápido: pretende fazer a meia em menos de três horas, o que é excelente para um vovô de 80 anos...

Não há chip nem pórtico de largada: os corredores nos amontoamos em um das saídas da pista de atletismo, ouvimos as orientações do diretor da prova e acompanhamos a interpretação do Hino Nacional. Como é costume, o canto é solo; nós ouvimos em silêncio; minha mente canta o Ouviram do Ipiranga e celebra meu aniversário de casamento, hoje tão longe da Eleonora.

Largada!

São 8h e mais um pouquinho, o sol brilha, não há nuvens, e o vento apenas de vez em quando dá sinal de vida. Os termômetros já marcam 16 graus, e as perspectivas de de temperatura crescente. Em compensação, o percurso prometido é totalmente plano --pizza-flat como dizem os americanos...

Aliás, não por acaso a prova é identificada como Skagit Flats, referenciada nas planícies do condado de Skagit, que se orgulha de sua poderosa e superprodutiva agricultura, famosa por suas maçãs, ervilhas e pela belíssima produção de flores ("Temos mais tulipas que a Holanda, que importa nossos bulbos", orgulha-se Jeff, filho de Lenore).

E é por campos agriculturados que passamos, correndo pelo asfalto quente. As estradas são construídas em platôs, de modo que ficamos sempre acima do nível das plantações.

Mal começamos a correr, já há um posto de água, antes mesmo do segundo quilômetro. Como todos os outros, cheio de gente sorridente, uma garotada da escola que se agita, aplaude e incentiva. Cada posto tem água e isotônico, pelo menos; em quase todos, há pelo menos um banheiro químico, o que impressiona considerando o pequeno número de participantes (cerca de 700 no total, com mais de dois terços na meia-maratona).

O clima alegre ajuda a correr. Mesmo com as costas doloridas e o corpo ainda cansado da maratona de Reykjavik, consigo ir bem rápido, para meus padrões tartaruguescos: passo os 10 km em uma hora cravada e não estou nem sentindo.

Isso vai mudando aos pouco, pois o cansaço bate, a lombar grita e o sol aperta. Lá pelo km 18, planejo chegar à metade da prova e então começar a caminhar e correr, para dar uma folga para a musculatura. Mas é um pensamento um tanto vexatório nessa prova carregada de Marathon Maniacs. Fico sabendo que há um bom número que fez, no dia anterior, uma pequena ultra de 50 km e hoje veio aqui para soltar a musculatura. Mas todos estão láááá na frente....

 

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h29

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Skagit Flats Marathon, no Estado de Washington - final

Alegre debutante

Na virada do percurso (o trajeto é a coisa mais simples do mundo: vai-se por 21 km e volta-se por outras tantos; o resto será feito na pista de atletismo da escola), meus planos vão por água abaixo, pois volto a emparelhar com uma dupla de MMs com quem vinha disputando corrida, e a gente vai seguir junto por meia dúzia de quilômetros, cada um contando vantagem, falando de suas tantas maratonas.

Um deles já fez 30 só neste ano, mas diz que é pinto, porque há outro sócio, também supermaster (o que significa bem velhinho, setentão), que já fez 75 e deve passar fácil das cem neste ano...

Não sei como esse povo consegue, como não se machucam, como não se importam.... Os dois maníacos que acompanho (foto) vão lentos, tipo 6min40 a 7min/km, mas mantêm o ritmo sempre, o que acaba por me deixar para trás lá pelo 27 ou 28.

Sozinho com meus demônios, vou permitindo que o calor me abata, que o ritmo se alesme e que o sol tome conta do terreno. E levo a mente a filosofar sobre a fraqueza humana, a minha, na verdade. Como a gente (eu) pode ser tão preguiçoso e folgado... Fico aqui, correndo uma maratona, sabendo que vou terminar em algum momento e, talvez por isso, deixo que a busca por conforto me domine, em vez de heroicamente perseguir o ritmo perfeito, a velocidade que encanta, a passada que embala e acalma.

Sei que dá (ou daria ou poderia dar) pois, quando resolvo correr, apertar um pouquiinho que seja o trote, meu ritmo cai de novo para seis e pouco. O problema é segurar isso, ter força de vontade... Aproveito que a lombar dói bastante para forjá-la como desculpa racional.

E coloco metas: corro um quilometro, caminho 50 passos; corro 500 metros, descanso um minuto... Passo um outro sujeito, alcanço uma senhora, deixo para trás um casal bem jovem... Alegro-me, aproveito como incentivo, mas logo deixo o corpo relaxar.

Pasando do km 35, as desculpas vão crescendo, assim como o calor. As paradas nos postos de água se alongam, e aproveito para comer algo que os caras oferecem, para mim inédito: uma mistura de confeitos de chocolates, granola em pedaços, frutas secas, amendoim e caju. Dou uma mãozada, dou outra: é muito bom. Com água gelada, então, manjar dos deuses...

Eu aqui estou mais para anjo torto, decaído e desasado. Já falta menos que uma volta no Ibirapuera, e o sol já fez todo o estrago que podia, reforçando minhas dores e preguiça. Para completar, uma velhinha bem velhinha passa por mim e segue num trote firme, com o maior sorriso no rosto (foto abaixo). O marido dela, ainda mais velhinho, acompanha de bicicleta, pára, tira fotos, dá a ela isotonico, ouve ordens para seguir adiante e esperá-la no ponto x, enquanto eu a tudo acompanho caminhando.

Tomo vergonha na cara e, sem me esforçar muito, troto algumas centenas de metros até emparelhar com a tal senhora, que faz graça comigo: "Eu sabia que seria um incentivo para você. Imagina que você ia agunetar ser ultrapassado por uma velha senhora...". Digo a ela que já fui ultrapassado por gente até mais velha e muitas vezes... Mas aqui, o inédito é que a senhora, enrugada e de cabelos brancos, mas magrinha e durona, com ar de fortaleza, está estreando na maratona aos 67 anos, idade lembrada em seu número do peito...

Ela não é exceção nesta prova: mais de 31% dos que terminaram a maratona têm mais de 50 anos; muitos, mais muitos mesmo, mais de 60... Isso é muito mais que o encontrado na média das maratonas nos EUA, em que a participação dos cinquentões e outros velhinhos da pá virada e com motor fervendo com diversão mal passa dos 18%.

Parabéns. Eu também sou membro desse grupo de sêniores, mas na turma dos folgados. Sigo em frente apenas para ser ultrapassado pela debutante uns dois quilômetros depois. Falta muito pouco.

Eu corro um pouco mais, descanso um pouco mais, marco como adversário um outro sujeito, que passo e depois perco, mas que continua por ali... Só depois de km 41 voltamos a território urbano, se é que se pode chamar assim as ruas dessa cidadezinha que, no total, mal chega a 9.000 habitantes.

A marca da última milha é no portão da escola, aonde cheguei depois de ter ultrapassado aquele último alvo... Pelo menos, algum orgulho posso juntar dos pedaços quebrados ao longo do caminho. Os poucos espectadores que restam e corredores que já se encaminham para suas casas aplaudem, o que me faz apertar o passo e entrar, para variar, correndo na pista.

Muitos MMs me saúdam, eu agradeço, retribuo com gritos de Brasil e termino em 5h03 quase 04 para receber a medalha das mãos de Lenore Dolphin. Com ela, vou esperar a chegada de Bob, uma hora depois.

Já não sinto cansaço, a musculatura parece estar buscando forças para iniciar sua recuperação. Prometo às pernas e à lombar que agora vou parar um pouco. Mas já fico pensando: onde será a próxima?

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h24

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Entrevista com a psicóloga do esporte Sâmia Hallage

O acerto do erro

A medalha de ouro da seleção feminina de vôlei colocou sob os holofotes a função do psicólogo do esporte. Em 2004, as meninas, na opinião de muitos, amarelaram, não tiveram coragem de vencer um jogo que estava "no papo"; agora, mais maduras, foram poderosas, equilibradas e vitoriosas.

Na comissão técnica, apoiando o trabalho de Zé Roberto, estava a psicóloga Sâmia Hallage, uma capixaba de 40 anos que há 12 anos trabalha com a Confederação Brasileira de Vôlei, atuando nas categorias de base e agora conquistou lugar no time principal (foto Alex Almeida/Folha Imagem).

Conversei com ela sobre essa volta por cima, que é sempre exigida dos atletas, mas que também ronda os nossos espíritos amadores. Os corredores, às vezes, parecemos vítimas das mais diversas síndromes _somos obsessivos-compulsivos, deprimidos, exultantes, sei lá mais o quê.

Bom, vamos passar logo à entrevista.

Folha - Errando é que se aprende? Ou ninguém aprende nada com o erro?

Sâmia - Olha, eu acho que o erro ensina muito. Por que a gente aprende com o erro? Aprende que tem que fazer diferente, para conseguir um resultado diferente. É claro que a gente não precisa errar para aprender, mas, às vezes, a gente só aprende errando. Às vezes a gente aprende com o erro do outro, às vezes a gente aprende antecipando uma situação. O ser humano cresce muito quando ele tem uma dificuldade, quando ele erra, quando ele cai. Só que aí ele precisa fazer uso dessa situação de maneira positiva. E como é que a gente aprende isso? A gente aprende durante a nossa vida. Tem gente que lida bem, por exemplo, com uma derrota, com o erro, com uma dificuldade. Tem gente que não consegue lidar com isso. Por quê? Porque a gente nasceu diferente? Não. A gente aprendeu diferente. Onde a gente aprende isso? Na nossa família, principalmente. Então, por exemplo, se o meu filho, quando ele é pequenino, ele faz alguma coisa e ele é elogiado, ele é incentivado, ele vai aprender a lidar com situações difíceis de maneira muito diferente daquela criança que é massacrada pelos pais, por exemplo. Aquela criança que faz alguma coisa errada, e o pai e a mãe a chamam de burra, cobram, fazem pressão. São as primeiras experiências na infância e na adolescência, que, às vezes, ensinam e determinam como é que essa pessoa vai lidar com as situações que ela vai ter na vida dela, de repente, quando ela é um adulto.

Folha - Agora, mas o atleta eu acho que ele treina, eu imagino que treine muito mais essa capacidade de aceitação do próprio fracasso. Ele erram, caem, levantam e continuam...

Sâmia - Um atleta, é claro que ele tem que lidar com o fracasso, com a derrota. Até porque, no esporte, um ganha e um perde, não é? Não é todo mundo que ganha uma medalha de ouro numa Olimpíada. Volta um com a de ouro, um com a de prata, um com a de bronze, o resto sem medalha. Então, é uma coisa natural do esporte ganhar e perder. Então, a gente tem que já entender isso para poder até entender que, às vezes, o atleta perde, o atleta erra ou simplesmente tem um outro que é melhor do que ele. Ponto final. Isso não tem a ver com ser amarelão e com ser medroso.

Agora, é claro que o atleta que tem esse suporte, que consegue lidar melhor, consegue, sei lá, fazer melhor uso de uma derrota, é um atleta que fica mais tranqüilo, que tem até uma qualidade de vida melhor, porque a vida de atleta não é uma vida fácil. Ele vive numa pressão 24 horas por dia. Se ele não ganha, se ele bate sempre na trave, existe essa cobrança. Se ele ganha existe, também, essa cobrança: ele precisa continuar ganhando. Então, assim, ele precisa ter isso tranqüilo na vida dele porque senão ele não consegue ter saúde mental.

Essa parte que é muito importante. Ficar em paz, viver essa tal de qualidade de vida que é um conceito bem discutido. Eu acho que isso é um dos objetivos da psicologia do esporte. Não é só fazer o atleta ganhar medalha, mas é que ele consiga ter um bom rendimento, mas que consiga ter esse tal de bem-estar psicológico, porque senão a vida dele de atleta fica muito curta e limitada. Ninguém consegue viver assim a vida inteira.

Folha - A exigência dele é perfeição, o que se exige de qualquer um é nota dez o tempo todo...

Sâmia - Sim, mas veja que isso vale também para a gente, que é profissional. A gente, também, não pode errar, não é? Você pode fazer uma matéria horrível? Eu posso fazer uma besteira? Posso, eu vou ser criticada. A gente tem essa pressão, também, talvez a diferença seja que a gente não viva todos os holofotes. Então, quanto mais bem sucedido você é, mais você vai estar no foco, não é? Mas a gente tem essa pressão no nosso dia-a-dia, a gente tem que fazer as coisas darem certas. Só que tudo tem que ter um equilíbrio, não é? Porque senão aí é que não dá certo mesmo. Se a pessoa não estiver equilibrada, se ela não estiver tranqüila, aí as coisas não vão dar certo.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h12

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Entrevista com Sâmia Hallage - Parte 2

Reforço positivo

 

Folha - E como é isso no mundo do atleta amador, do corredor? Cada um costuma se cobrar muito...

Sâmia - Olha, eu corro, também. E, aí a gente começa a correr, a gente começa a conviver com pessoas que correm e dos mais variados tipos. As pessoas começam a correr, talvez, buscando alguma coisa diferente na vida. E a corrida dá muita coisa legal em troca: é uma atividade superlegal, traz vários benefícios para a saúde, sociais, você conhece um monte de gente. Você começa a correr, você melhora o seu rendimento, isso melhora a sua auto-estima, você começa a se superar, coloca metas... Isso se reflete na vida pessoal, amorosa, de relacionamentos. Esse seria o lado positivo. Mas tem gente que acaba levando isso muito a sério. Mesmo sem ser um corredor profissional, a gente acaba convivendo com pessoas que correm e que acabam focalizando muito a vida delas nisso, não é? Então, a pessoa começa a correr para ter uma atividade legal, relaxante e tal, e aquilo acaba se tornando número um na vida delas. Então, a pessoas, às vezes, deixa de sair se divertir, ter uma vida social, porque tem que treinar todos os dias às 5 horas da manhã. E, às vezes, essa pressão é com ela mesma. E, quando elas não conseguem, como é que elas lidam com essa frustração? Por que aí, assim, puxa eu não posso tudo. Eu não sou o super-homem que eu imaginava. Ou elas começam a se dedicar e fazem aquela atividade de repente ser a mais importante da vida delas e começam a buscar desafios cada vez mais altos.

Eu acho que tem muito a ver com o que a gente chama na psicologia de reforçadores. Quais são os reforçadores que a gente tem disponíveis na nossa vida? Tem um monte de coisas que dá prazer para a gente. Coisas simples, às vezes, a relação com o filho ou uma relação com um parceiro legal. Ter um trabalho bem-sucedido. Sair para correr no parque. Ir a um cinema. Sair para jantar com os amigos, a gente tem inúmeros reforçadores e a gente busca isso na vida, coisas que fazem a gente se sentir bem. E, às vezes, a gente vê que o atleta de alto rendimento ou esse atleta amador, que fica muito bitolado, muito restrito a uma atividade, ele deposita todos os seus reforçadores naquilo. Então, as outras coisas param de ter graça na vida dele.

Folha - Então, o que a pessoa tem que aprender? Ela tem que aprender que ela, o seu valor não está colocado em nenhuma coisa individual que ela faça ou deixe de fazer, não é?

Sâmia - Sim, está em tudo. Não é porque eu não consegui ter uma medalha de ouro na Olimpíada que eu sou uma pessoa desprezível. Eu tenho outras qualidades. Puxa, eu cheguei no bronze ou eu cheguei em quinto lugar ou eu sou um atleta reconhecido, eu tenho outras qualidades. Eu acho que isso ajudar a manter esse bem-estar psicológico da pessoa. É que a gente, às vezes, focaliza e parece que tudo na vida vai depender daquela medalha. Tudo na minha vai depender se eu vou conseguir ou não fazer uma maratona em quatro horas? Eu perco essa visão mais geral. Puxa, às vezes, eu sou uma boa mãe ou um bom pai, eu tenho uma vida legal, um trabalho que me satisfaz, mas eu focalizo, de repente, eu fracassei naquela tarefa específica e, portanto, eu sou um fracassado. Acho que essa é uma visão errada, que, às vezes, a pessoa acaba tendo, porque ela focaliza muito tudo naquela atividade em particular.

Folha - É claro que não tem uma receita de bolol, mas que caminhos o sujeito pode trilhar para tentar chegar nesse ponto menos bitolado, com uma visão de si mesmo no mundo?

Sâmia - Então, eu acho que é muito pelo pensamento da pessoa, não é? O que a gente pensa, às vezes, determina aquilo que a gente vai fazer e aquilo que a gente vai sentir. Eu sou psicóloga e eu posso estar defendendo o meu peixe, mas, se a pessoa está num extremo desses ela se beneficiaria de um trabalho de terapia, porque o problema não é especificamente os três segundos ali, o buraco, provavelmente, é mais embaixo, mas, as pessoas ainda têm uma resistência muito grande. Porque o que na verdade a terapia vai fazer? Ela vai ajudar a pessoa a enxergar as coisas de um outro ponto de vista. Então, às vezes, a gente enxerga ali que toda a felicidade do mundo está em diminuir três segundos naquela volta de 400 metros, no treino daquela volta. E, a gente deixa de enxergar o quanto tem outras coisas tão importantes acontecendo na nossa vida. Então, talvez, assim, buscar uma ajuda ou de um amigo. Eu acho que, assim, uma ajuda especializada em muitos casos ela é necessária até porque às vezes a pessoa está deixando de ver o quanto a vida dela é legal e desvalorizando outras coisas boas que ela tem na vida e concentrando, aposta todas as fichas dela numa corrida, por exemplo ou naquele treino. E, aí é um circulo vicioso...

Folha - Corrida que deveria ser, em tese, um negócio para o fulano relaxar.

Sâmia - Para relaxar. Mas, sabe o que a gente vê? Que a pessoa, às vezes não tem uma vida legal e ela deposita todas as fichas naquilo. Em vez dela buscar melhorar os relacionamentos dela... O exercício físico ou a corrida, em vez de ela ser uma coisa para trazer o bem-estar, funciona como uma fuga. Uma fuga porque se eu coloco para mim que eu preciso todo dia acordar às 5 horas da manhã e treinar de manhã e treinar na hora do almoço e treinar à noite, eu tenho uma desculpa para mim mesma que eu não tenho lazer dos amigos ou que eu não cultivo amigos, entendeu?

Isso é uma coisa meio complicada, mas a verdade é essa. Eu acabo saindo um pouco do mundo, me isolando, mas com uma desculpa honrosa para mim mesma pelo menos. Você vê que hoje em dia existe até essa nova doença, que se chama vigorexia, não é?

 CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h09

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Entrevista com Sâmia Hallage - final

Entenda a vigorexia

Folha - O que é isso?

Sâmia - A vigorexia seria o vício em atividade física. Essa doença nem está catalogada ainda no DSM, que é o manual dos distúrbios mentais, mas é uma doença... Ela, ainda, na verdade, nem está sendo reconhecida como tal, está sendo estudada. Mas, o que seria a vigorexia? Seria assim, o sujeito tem um excesso de atividade física... Sabe aqueles caras que ficam 24 horas por dia numa academia para ter músculo? E ele tem músculo porque ele não vê o músculo e ele cada vez faz mais atividade física...

Folha - Tô fraco, tô fraco, tô fraco....

Sâmia - Ela pode ser comparada, ela é o inverso da anorexia, onde a mulher pára de comer. Isso acontece mais com mulher, ela se vê como gorda, ela pára de comer, ela emagrece e ela continua se vendo gorda no espelho. É o distúrbio da imagem corporal. Mas, a vigorexia ou esse vício da atividade física é uma doença da sociedade moderna. Isso não existia alguns anos atrás. Então, a pessoa acaba se isolando dos relacionamentos, da família, de ter relacionamentos amorosos, às vezes, ela até compromete o próprio trabalho em busca de um corpo perfeito e por mais que ela faça atividade física, mais ela precisa fazer. Então, isso é, acho que, talvez, uma coisa comportamental mesmo, não é? A vigorexia é mais estudada, mais voltada para o aspecto da musculação, que tem a ver com a imagem corporal.

Folha - Voltando ainda para a questão do erro e da dor do erro, um pouco para o atleta profissional e para o amador, errar afinal é humano ou é desumano?

Sâmia - Não, errar é humano, errar faz parte da vida a gente acerta e erra o tempo todo. O problema é como: o que a gente faz com o erro? Eu acho que o problema é esse. Errar todo mundo vai sempre errar. O problema é o que a gente faz com ele e como a gente se comporta depois do erro. Então acho que isso é o crucial.

Folha - Ou seja, o fulano que errou é que pode ser desumano consigo mesmo.

Sâmia - Isso, perfeito. Se eu olho para o erro como - é claro que a hora que eu errei, a hora que eu fracassei é muito dolorosa, é muito sofrida e todo mundo vai sofrer com o erro, com uma coisa que não deu certo. Todo mundo vai chorar, todo mundo vai sofrer. Só que tem uma hora que eu preciso fazer alguma coisa com aquilo. E, o que eu tenho que fazer? Bom, se o que eu fiz me levou a essa situação de erro, talvez, para eu ter um resultado diferente, eu tenho que fazer diferente. E, aí eu tenho que buscar uma outra alternativa para mudar minha estratégia. Se eu mudar o que eu fiz, eu vou mudar o resultado, porque o resultado é produto do nosso comportamento. Então, se eu mudar o que eu faço, eu mudo o resultado que eu tenho. Esse é um dos princípios básicos da análise do comportamento. Se eu tenho o meu comportamento, eu mudei aquilo que eu fiz, eu mudei o resultado daquilo e aí eu aprendo a me comportar de maneira diferente e aí eu tenho um resultado diferente. Quando eu tenho um resultado diferente, eu vou olhar para o meu olho e falar: puxa vida, olha, que legal?

Folha - É, mas aí você aprendeu não com o erro, mas aprendeu com o acerto novo. Quando você erra, você aprende que aquele não é um caminho. Então, você não teve um aprendizado de vitória.

Sâmia - Ah, não, mas, de alguma maneira, você iniciou uma nova caminhada. É, eu não aprendi com o erro, mas eu vou aprender com aquilo que o erro, de repente me fez mudar, porque o erro de repente fez parte para eu mudar o meu comportamento, porque daquele jeito que eu estava fazendo não estava dando certo. Então, preciso mudar meu comportamento para mudar meu resultado. Aí eu aprendo, sim, com esse novo comportamento, que é o legal, que é o acerto.

Folha - Na Olimpíada, alguns países entraram em grande número de finais e perderam quase todas. Há um medo de vencer? O tal amarelão?

Sâmia - Essa questão de amarelar é uma questão muito complicada. O que a gente tem de visão de fora nem sempre é a visão acertada. Então, às vezes, as pessoas me perguntam assim: puxa, mas será que fulano de tal não ganhou tal prova por que amarelou? Eu falo: não sei. Primeiro, porque eu não gosto muito desse conceito amarelar, não é? Não dá para a gente generalizar. Por que pode ser que o atleta não tenha conseguido a medalha porque, sei lá, um excesso de ansiedade o atrapalhou na final? Pode. Mas essa é uma possibilidade entre mil outras, não é? Então, a gente não sabe. Tem todo o lado, de repente, da preparação física, técnica, tática. Não é só o emocional; o emocional ajuda, mas ele não define sozinho.

Não adianta o cara estar bem preparado emocionalmente e não estar bem preparado fisicamente, porque ele não vai agüentar, de repente, ele não vai ter pernas para completar a prova. Também, o contrário é verdadeiro, não adianta ele ter pernas e não ter cabeça. Na verdade, é um conjunto de coisas que vão fazer um atleta ser o vencedor. Não dá para afirmar: é isso. Não é matemática, é muito mais do que isso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 05h07

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Sujeito corre fazendo balãozinho

Maratona de embaixadas

Em Kiev, Ucrânia, Mykola Kutsenko corre pelas ruas batendo bola, fazendo balãozinho, como a gente chama no Rio Grande as embaixadinhas (em inglês, é Keepy Uppy --blog também é cultura).

O rapaz planeja ir até Varsóvia, na Polônia, cobrindo a cada dia a distância de uma maratona (é, os velhos conhecidos 42.195 metros). O objetivo é entrar no líder dos recordes como a maior distância percorrida enquanto executa embaixadas (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h41

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Cenas do Grand Prix de Gateshead

Sol e chuva

Apesar da pista molhada, que tornou tudo mais complicado na tarde inglesa de domingo, o jamaicano Asafa Poweel (centro, foto AP) não teve dificuldade para vencer a prova de 100 m no Grand Prix de Gateshead, na Inglaterra. Disputada mais cedo, a prova de alta velocidade para mulheres teve pista seca e vitória de Lauryn Wiilians, dos EUA (centro, foto abaixo, da Reuters).

Acompanhei ao vivo boa parte do Grand Prix pela Sportv, que me pareceu fazer uma cobertura bem honesta, apesar da dificuldade apresentada pelo tipo de evento, em que surgem muitos espaços "brancos", entre um atleta e outro fazer sua performance ou mesmo entre uma prova e outra.

O narrador ficou na dele, repetindo de vez em quando alguma informação, mas sem encher a paciência do telespectador. E o comentarista também trouxe detalhes interessantes em um trabalho que nem de longe lembra as coisas da Globo.

Ah, a TV inglesa também parece estar esquentando os motores para Londres 2012. Para mim, pelo menos, foi novidade a marcação virtual na prova de salto em distância: quando o sujeito pulava, apareciam linhas no chão marcando cada metro, em azul, e uma linha em vermelho marcando o melhor desempenho até então. Muito útil para o telespectador.

Nas provas de velocidade, eles experimentaram um pouco com a câmera, nem sempre com sucesso (a gente perdia o líder, por exemplo).

E fique atento, pois está na grade da Sportv a cobertura, hoje, do evento Athletissima, que acontece em Lausanne, na Suíça. A transmissão começa às 16h, hora oficial de Brasília.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h30

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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