Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Carro enfrenta atleta em Nova York

Vitória a pé

A maratona de Nova York, que acontece neste domingo, é o momento em que a tradicional imprensa americana sai de sua indiferença em relação ao atletismo para organizar montes de reportagens, tentando cobrir ângulos humanos e técnicos da prova, além de algumas curiosidades.

O repórter Jim Baumbach , do site Newsday, tratou de dirigir pelo circuito para ver se, de carro, conseguiria chegar ao ponto em um tempo menor que o esperado para o corredor.

Claro que essa é uma conta impossível de ser feita de forma justa, pois, como se sabe, o trânsito muda de forma aleatória. O sujeito pode escolher fazer o percurso de madrugada e terá um resultado; na hora do pico, terá outro.

Conhecedor das idiossincrasias nova-iorquinas, Baumbach tratou de fazer sua experiência por volta do meio-dia para pegar o que deveria ser um trânsito mediano, como de fato foi.

resumo da ópera: o carro nem pódio pegaria, com base nos tempos registrados pelos atletas no ano passado. O vencedor terminou em 2h09min04, enquanto o repórter levou 2h17, o que deveria colocá-lo no 11º ou no 12º lugar...

Aposto que, se alguém tentasse fazer a mesma coisa com o percurso da São Silvestre, teria como resultado uma diferença muito maior em relação ao resultado do vencedor da corrida...

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h13

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Lorde da cerveja corre fantasiado em Dublin

Tucano cervejeiro

Essa alegre figura correndo pelas ruas de Dublin é o lorde Iveagh, nascido Arthur Edward Guinness, descendente do visionário empreendedor Arthur Guinnes, mais conhecido pelo seu sobrenome, que indica a cerveja densa e preta tida como uma das melhores de seu gênero no mundo.

O nobre corre fantasiado de tucano porque o bichinho é símbolo da sua cervejaria (foto EFE). Ele terminou a maratona de Dublin, ontem, em pouco mais de seis horas....

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h00

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Ai, que vontade que dá

Vento veloz

Um surfista manda ver em ondas gigantes provocadas por fortes ventos que atingiram a praia de Baleal, ao norte de Lisboa (foto AP). Os ventos que castigaram a costa portuguesa chegaram a 65 km/h.

Pode ter sido assutador, terrível. Mas que é bonito, lá isso é...

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h35

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Fuga de presos atrapalha corrida

Confusão em Itatiba

Uma fuga de presos na madrugada do último domingo levou medo à cidade de Itatiba, no interior de São Paulo, e provocou confusão em uma corrida marcada para a manhã eleitoral. O trajeto da prova teve de ser modificado, o abastecimento de água para os corredores ficou prejudicado e o trânsito não foi controlado, chegando a colocar em risco a segurança dos atletas.

‘Ficamos dando voltas e voltas em torno e dentro do parque da Juventude; quando saíamos para a rua, o policiamento era mínimo, ao ponto de eu ficar com medo de ser atropelado. Afinal, os motoristas também devem ter ficado nervosos com a desorganização das ruas‘, disse o leitor deste blog e Marathon Maniac Hideaki Fujinaga.

Era a terceira edição do evento, que teve a adesão, no total, de 2.000 participantes (a 3ª Corrida da Cidade de Itatiba incluía uma prova de corrida de 15 km, outra de 8 km e ainda uma caminhada de 6 km).

Mas a confusão se instalou desde cedo, pois a rotina da cidade, que fica a 84 km de São Paulo, foi mudada com a fuga de presos. Trinta e seis detentos da cadeia pública renderam um carcereiro e fugiram; a polícia iniciou um amplo trabalho de perseguição, que teve até a presença de helicóptero para auxiliar na busca dos fugitivos.

Quanto aos corredores, tiveram de se adaptar à situação, correndo pelo circuito improvisado e, provavelmente, fazendo percurso inferior ao planejado, até por razões de segurança.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h35

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Campeãs dão dicas para Radcliffe

Cautela e caldo de galinha...

Paula Radcliffe parece ser uma fortaleza que supera todas as adversidades e transforma em força as suas dores. Ela conseguiu chegar a Pequim apesar de uma fratura por estresse sofrida no primeiro semestre. Dores a partir do km 10 a impediram de ter um bom resultado, mas a recordista mundial da maratona já voou baixo em prova realizada ontem: bateu o recorde britânico e ficou a apenas 21 segundos do recorde mundial em provas de rua de 10 milhas. Agora ela se prepara para brilhar na maratona de Nova York.

Mas continua sem ter o sonhado ouro olímpico, que deverá voltar a tentar em 2012, em sua pátria. Se quiser a medalha, porém, vai precisar mudar seu ritmo de treino e controlar sua sede por vitória e velocidade. Pelo menos, é a opinião de campeãs como a inesquecível norueguesa Ingrid Kristiansen, ex-recordista mundial da maratona, e a dona do ouro olímpico Constantina Tomescu-Dita, 38 --idade que Radcliffe terá em Londres-2012.

Ouvidas pelo jornal britânico "The Guardian" em excelente reportagem que você pode ler na íntegra AQUI, em inglês, as duas deram boas dicas, que podem ser avaliadas também, por corredores comuns, e não apenas os supervelozes profissionais.

"Se ela quiser vencer em Londres, ela não pode continuar treinando tanto, pois o treinado exagerado com certeza vai levar a novas lesões", disse Kristiansen. "É muito impacto, isso acaba derrotando suas defesas", completou ela, mesmo admitindo que a redução deve ser difícil para a britânica: "Ela provavelmente pensa, como eu pensava, que tem de continuar na mesma boa forma em que estava anos atrás. Mas o corpo diz outra coisa..."

Voltando os olhos para seu passado, a norueguesa reconhece que não reduziu que chega o volume de treinos. "Eu forcei, forcei e forcei, e meu corpo acabou quebrando. Eu não ouvi meu corpo. Isso é um problema para quem corre em alto nível. A gente quer ter os melhores resultados antes que seja tarde".

Para a norueguesa, talvez fosse bom se Radcliffe desse um irmãozinho para sua filha Isla: "Assim, ela ficaria fora de corridas em que todo mundo quer que ela seja mais e mais rápida. Talvez seja a única forma de vencer em Londres".

A romena Tomescu-Dita, por seu lado, tem larga experiência para falar sobre competitividade em idade "avançada": com 38 anos, ela é a mais velha vencedora de uma maratona olímpica.

"Quando você vai ficando mais velho, você precisa cuidar mais de sua recuperação após o treinamento e você não pode tentar fazer a mesma quilometragem que fazia quando era mais jovem", aconselha ela.

São dicas que valem para todos nós. Ou, como diziam nossos avós, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém (a não ser que a galinha esteja estragada...).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h42

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Cena da maratona de Nairobi

Sem tempo queniano....

 

Corredores participam da maratona de Nairobi, realizada hoje na capital do Quênia (Reuters).

O tempo do vitorioso não fez jus às tradições quenianas: o nativo Kikwei Tuiyange fechou em meras 2h10min30.

Está certo que a prova é num calor danado, assim como as outras três que completam esse circuito de desafiadoras provas (Cingapura, Mumbai e Hong Kong).

Para comparação, Robert Cheruyiot, compatriota de Tuiyange, ganhou hoje a maratona de Frankfurt em 2h07min21 (foto AP, abaixo).

Em contrapartida, outro queniano vencedor, Joseph Kimosop Lomala, fechou hoje em primeiro na maratona de Veneza com 2h11min07 --ou seja, pior do que o compatriota na terra natal. Vai saber...

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h42

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Maratona cruza da Ásia para a Europa

Ponte intercontinental

 

Milhares de pessoas correm pela ponte do Bósforo, em Istambul, cruzando da Ásia para a Europa durante a maratona Eurasia, que teve hoje sua 30ª edição (foto AP).

Só em ocasiões como essa os pedestres podem cruzar a ponte intercontinental, que, de resto, é aberta apenas ao tráfego de veículos; quando lá estive, cheguei a subir até a entrada da ponte, mas há guaritas de policiais que fiscalizam o cumprimento das regras.

Em compensação, depois do treino, você pode comer um sensacional iogurte com mel enquanto aproveita um passeio de barco pelo Bósforo.

Navegando pelo estreito canal, vendo as ruínas de fortificações milenares, dá para perceber por que Constantinopla (o antigo nome de Istambul) conseguiu resistir a quase todos os cercos que sofreu. Das suas colinas, um soldado bem armado e com munição adequado consegue segurar um batalhão e muito mais.

Mas, como se sabe, em 1453 foi pro saco, e a tomada pelos mouros da então capital do império bizantino foi tão importante que marcou, para muitos historiadores, o final da Idade Média.

Bom, voltando aos tempos de hoje: tenho de colocar essa prova no meu calendário...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h44

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Leitora puxa minha orelha....

Chegar é a glória!

Noutro dia, coloquei aqui uma mensagem em que, comentando uma corrida de rua em Sampa em que muita gente caminhava, dizia o seguinte: "O que me levou a meditar sobre as razões que levam esse povo a se registrar em uma prova de 10 km mesmo sabendo (eu imagino que os caras e as moças tenham um mínimo de conhecimento sobre suas próprias capacidade) que não vão completar ou que terão muitas dificuldades para terminar, sabendo que vão sofrer... O raciocínio começou em tom meio crítico a esse povo, mas aos poucos fui me dando conta de como era legal isso. O sujeito quer participar. Quer tentar. E tem todo o direito de fazer isso. E é muito legal que faça, que tenha coragem de se colocar à prova."

Pois não bastou que eu fizesse a autocrítica.

A leitora Andréa Costa, de Bauru, colocou um comentário reafirmando o que eu costumo dizer, mas que às vezes esqueço: qualquer distância é distância, e o que é fácil para alguns pode ser um desafio incomensurável para outros.

Como achei muito legal o comentário dela, trago o texto de Andréa para um merecido destaque. Ela diz:

"Olá. Que ótimo que você se deu conta que seu raciocínio estava meio crítico com quem corre circuitinhos.

"Nesse mesmo dia que você correu pelo Minhocão, eu fazia minha primeira corrida de rua -- 6 km, em Bauru. Foi ahhando que ia morrer depois dos primeiros poucos metros e fazendo um percurso intervalado que eu consegui chegar à final.

"E foi ótimo ver pessoas com o dobro da minha idade passando por mim com um pique de me causar inveja.

"Continuo treinando para conseguir chegar aos 10 km e só. E estará ótimo. Para mim, foi superimportante ter participado e foi a glória chegar à final. E acredito que muita gente esteja como eu, com muita força de vontade, tentando encontrar seus limites e cuidando do corpo de maneira saudável."

Parabéns Andréa e todos os corredores que, cada um a seu modo, estão aí, pelas ruas deste mundão velho sem porteira.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h42

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Filme sobre a maratona de Nova York

Corrida da vida

A história de Fred Lebow e, por extensão, da maratona de Nova York, é o fio condutor do documentário "Run for Your Life", que será apresentado neste sábado no US Sports Film Festival (Festival norte-americano de filmes sobre esportes), na Filadélfia.

Vindo da Transilvânia, aquele imigrante judeu mudou a história do New York Road Runners Club lá nos início da década de 1960. Levou os corredores para o Central Park, onde foi realizada em 1970 a primeira Maratona de Nova York.

A corrida foi um sucesso e logo tinha mais participantes que a vetusta prova de Boston, a mais antiga do mundo. Mas Fred Lebow (nascido Fischl Lebowitz) tinha muito mais a criar, como mostra esse filme de Judd Ehrlich.

O documentário traz depoimentos de figuras lendárias da maratona, como os ex-recordistas e campeões da maratona de NYC Alberto Salazar e Grete Waitz. Na semana que vem, já estará à venda em DVD nos EUA (eu vou vou ver se consigo comprar para contar mais para você).

Por enquanto, fique com uma palhinha neste trailer, que eu espero que funcione; nos testes que fiz, a conexão estava ruim, mas o endereço está certo. É questão de ficar tentando, acho.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h56

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Que cena impressionante!

Raio assassino

Desculpe aí se você é muito sensível, mas a imagem acima (AP) é muito impressionante.

São algumas das 52 vacas mortas por um raio que atingiu uma cerca em uma fazenda em Valdez Chico, uma localidade no interior do Uruguai.

O incidente ocorreu durante uma tempestade que atingiu a região na última quarta-feira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h17

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Dica de treino em São Paulo

2 km na rua Inhambu

 

Nos caminhos de meu treino de hoje, cruzei pela rua Inhambu, na região sul de São Paulo, pertinho do Ibirapuera.

Já tinha corrido por lá, mas hoje fiz a rua de cabo a rabo, nos seus quase dois quilômetros de extensão.

E descobri que é um ótimo lugar para dar uma apimentada na volta do Ibirapuera. A rua tem subidas e descidas, nada muito forte, mas de qualquer forma diferente do totalmente plano do parque.

E, perto do final, há uma praça em que se pode dar uma voltinha de uns 300 metros, também com leve variação na altimetria, sob gostosa sombra.

Com esses elementos, qualquer um pode criar um bom treino.

Aí vai minha sugestão para um exercício em torno de 12 km.

Comece leve, aquecendo com uma volta no parque pela cerca, rodando o perímetro completo e terminando na saída do Manequinho Lopes.

Daí, siga pela República do Líbano até a rua Inhambu e vá embora até o final, na avenida dos Bandeirantes. Entre à esquerda na praça David Nasser e pegue a primeira à esquerda para voltar à República do Líbano e embicar de novo até o parque.

Vai dar para suar.

Se for durante a semana, é melhor fazer esse treino bem cedo. Hoje passei por lá na metade da manhã e havia bastante movimento, o que impediu a manutenção de um ritmo constante. Aos domingos, imagino que a coisa seja mais tranqüila.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h47

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Fala, leitor! - Maratona de Chicago

Alerta vermelho

No ano passado, teve até morte na maratona de Chicago, que foi interrompida por causa do calor incomum. Neste ano, o calor também deu as caras, como nos conta o analista de sistemas paulistano Marco Antonio Stoicov Nordi, 35, que fez sua estréia em maratonas na Cidade do Vento, como a terra da Al Capone é conhecida. Bom, chega de conversa e vamos ao relato do novo maratonista. Bem-vindo ao clube!

"Em Chicago, fiz minha primeira maratona. Certamente, não será a ultima!

Depois de muitos treinos, dúvidas, tensão, insegurança, dores e sonhos, chegou o dia com o qual eu sonhava havia meses. Sou corredor há pouco mais de sete anos, mas apenas nos últimos 12 meses é que realmente passei a levar a corrida a sério, depois de perder 12 quilos e perceber como essa massa impedia que melhorasse meu desempenho.

Escolhi a Maratona de Chicago por ter uma organização muito boa, que eu já conhecia desde 2005, quando fui torcer por minha namorada em sua estréia nos 42.195 metros. Fiquei morrendo de inveja dela e, entre um donut e outro, decidi ali mesmo que um dia voltaria para aquela cidade para correr a minha primeira maratona.

Chicago é uma cidade muito bonita, à beira do lago Michigan. A prova possui um percurso plano, e o clima frio desta época do ano sempre ajudou o desempenho dos atletas. Porem, após a onda repentina de calor do ano passado, os organizadores criaram uma escala de alerta para a prova, com as cores verde, amarela, vermelha e preta, indicando a previsão do clima durante a prova.

A cor verde indicava condições ideais de temperatura e umidade. O amarelo indicava estado de atenção, o vermelho serviria para condições de risco alto e o preto, prova cancelada. Dez dias antes, foi dado o alerta amarelo, pois a previsão era de uma temperatura de 10 a 24 graus.

Eu até achei que isso era excesso de preocupação, beirando o exagero, pois não achava tão alta aquela temperatura...

Com o passar dos dias, a previsão de calor só aumentava, para desespero dos organizadores, imagino eu. Meu único medo era de que a prova fosse cancelada.

Na hora da largada, no dia 12 de outubro, o sol mostrava a que viria, e o boné tomou o lugar da touca de lã _ela ficou no hotel com as luvas e a camiseta de manga comprida.

A excitação dos cerca de 45 mil corredores e outros milhares de espectadores me deixava arrepiado. Eu nunca corri uma prova com tantas pessoas torcendo, vibrando, incentivando desconhecidos, simplesmente por prazer.

O inicio do percurso foi tranqüilo. Como havia muita gente, o ritmo era lento, mas constante. Para mim foi o ideal, já que preferi não disputar as primeiras posições com os quenianos.

Em todos os postos de abastecimento, havia água e isotônico à vontade. Como em 2007 a água acabou, neste ano a organização da prova secaria o lago Michigan, se fosse necessário!

Fui mantendo o ritmo que havia planejado, sempre de olho na cor das bandeiras hasteadas nos vários postos de apoio. O ‘Moderate‘ (moderado) estampado em amarelo me deixava preocupado, pois a temperatura subia gradualmente, e ainda havia muito chão pela frente...

Pouco a pouco, fui percebendo que alguns corredores começaram a diminuir a velocidade, chegando a caminhar. Eu, que planejei com meu treinador cada mudança de ritmo, mudei de estratégia e mantive o ritmo dos primeiros 5 km, cerca de sete minutos por quilômetro. Para complicar, neste ano apenas alguns quilômetros no percurso estavam sinalizados. Tive que fazer uns calculos para tentar controlar o ritmo por milhas.

Perto do quilometro 18, tive certeza que as coisas se complicariam, pois o calor estava forte para aquela hora da manhã, e a organização distribuía até esponjas com água para nos refrescar. Isto não estava previsto, mas fez uma diferença danada...

Na metade do caminho, meu cansaço estava acima do normal.

Nos meus treinos longos, 21 quilômetros não me assustavam mais, era apenas uma distância que exigia respeito.

O risco de a prova ser cancelada não saía da minha cabeça, eu só queria que me deixassem concluir a maratona, a minha primeira.

As ruas sempre cheias de pessoas da primeira metade do caminho começaram a ficar mais expostas ao sol, à medida que eu me afastava da sombra dos arranha-céus do centro da cidade. Vários moradores abriram as mangueiras de suas casas para tentar ajudar os corredores a se refrescar, e alguns hidrantes também estavam abertos.

Perto do quilometro 28, aconteceu o que eu temia: o alerta foi elevado para o nível de risco seguinte.

As bandeiras vermelhas traziam a inscrição ‘HIGH‘ (alto), e isso significava que a prova poderia ser cancelada.

Boa parte dos atletas caminhava, e alguns precisavam de atendimento médico.

Isso aconteceu justamente quando o percurso era mais inóspito, beirando algumas auto-estradas e atravessando bairros menos populosos.

Resolvi que diminuiria meu ritmo o quanto fosse necessário e estava muito atento aos sinais de cansaço. Parece que as 11 horas de vôo até Chicago dois dias antes estavam cobrando seu preço...

Tentei caminhar um pouco no km 33, mas minhas pernas começaram a doer! Só me restava continuar trotando, milha após milha.

Os voluntários que distribuíam água e isotônico não deixavam a peteca cair, incentivando muito a todos. Caminhões abasteciam com garrafas d’água alguns postos extras de distribuição, tudo para tentar aplacar o calor.

Eu estava resolvido: iria terminar a prova com certeza, no tempo que fosse.

A cada milha, diminuía a distância entre mim e a realização de meu sonho. Eu estava consciente de que tinha condições de terminar, e isso era uma questão de tempo.

Eu tinha me esforçado demais para chegar até ali, não a partir da largada, mas desde meu primeiro treino de corrida. Quantas coisas aconteceram ate que eu estivesse ali, a menos de 5 quilômetros da linha de chegada...

Aquele momento era meu, e meu sucesso dependia do meu esforço, e de mais ninguém!

Pouco a pouco, o cansaço foi desaparecendo, o calor foi deixando de incomodar tanto, e eu só atentava para as placas que indicavam a distancia percorrida.

A emoção tomou conta de mim e, no quilometro 41, comecei a chorar.

Epa! Peralá! Se eu chorasse, não conseguiria respirar direito, e a vaca iria pro brejo!

Meu ultimo esforço foi para controlar as lagrimas e manter a respiração e o ritmo.

Na reta final, nada mais importava. Concluí a prova em 4h53, por volta da uma da tarde de um domingo ensolarado. E o dia mais feliz da minha vida estava apenas na metade..."

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h05

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Jennifer Lopez manda ver em triatlo em Malibu

Pelas criancinhas


A notícia é meio antiga, mas eu só fiquei sabendo hoje, ao zapear por sites de celebridades: Jennifer Lopez, além de cantora e atriz, também esbanja sua energia na corrida, natação e bicicleta.
Ela participou  de um tritlo em Malibu, a famosa praia do sul da Califórnia, ajudando a arrecadar fundos para o programa de pesquisa de câncer em crianças do Childrens Hospital Los Angeles.
A estrela completou em 2h23min38 a prova de 800 m de natação, 29 km de pedal e 6,5 km de corrida e ainda arrecadou mais de US$ 125 mil para o hospital.
O elenco de celebridades participantes da prova ou apoiando o evento faz inveja a qualquer filme de Hollywood. No masculino, Matthew McConaughey fechou em 1h30; participaram também Felicity Huffman (“Desperate Housewives”), Jon Hamm (“Mad Men”), Mark-Paul Gosselaar (“Raising the Bar,” “NYPD Blue”), Jon Cryer (“Two and a Half Men”), Monique Coleman (“High School Musical”), Andy Baldwin (“The Bachelor”) e a tenista Anna Kournikova.
O Nautica Malibu Triathlon foi realizado no dia 14 de setembro passado.
As fotos que embelezam esta mensagem foram reproduzidas do site Celebslam, que traz montes de outras imagens AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h47

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Multidão corre 100 metros em Riga

Para o Guiness

No último final de semana, as festas pelo 90º aniversário da República da Letônia tiveram entre os destaques uma corrida em pista: gente de todo o tipo, vestindo os mais diferentes “uniformes”, participou de uma tentativa de entrar para o Livro dos Recordes.
O objetivo era bater o recorde do maior número de participantes em uma corrida de revezamento de cem metros ao longo de 24 horas.
Não entendi direito como funciona, mas, pelo jeito, cada um corre cem metros e a prova dura 24 horas...
O recorde anterior era da escola feminina de Cingapura Saint Nicholas, que fez um evento semelhante em 29 de março último e reuniu 1.848 participantes.
De acordo com os números extra-oficiais, o esforço foi plenamente recompensado, e o recorde foi mais que dobrado: durante as 24 horas, 3.844 corredores passaram o bastão. Mas o Guiness ainda precisa receber e verificar todos os registros para passar o recibo do recorde.
Além da colorida e variadíssima turma do revezamento, uma imagem foi constante na pista em Riga, capital da Letônia: o ultramaratonista Georgs Jermolajevs, 66, correu sem parar durante as 24 horas do evento. Ele é uma figuraça, conforme você pode ler neste relato AQUI, em inglês.
A seguir, algumas fotos (Reuters) do revezamento.


Escrito por Rodolfo Lucena às 09h55

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Uma corrida na manhã chuvosa paulistana

Com força e com vontade

 Dormi com o relógio no horário antigo, acordei uma hora mais tarde e, mesmo assim, não estava tão quente. A chuva já tinha parado, mas prometia voltar para deixar fresco o dia.

Melhor que isso, só dois disso: saí para correr, fazer meu treininho básico dominical.

Diverti-me com a Sumaré vazia, o parque da Água Branca quase às moscas e ... surpresa!: o Minhocão lotado.

Hoje tinha corrida no Pacaembu, acho que naquele circuitinho de 10 k que sai de perto do estádio e sobe o elevado.

Pois eu peguei a multidão voltando, passando um pouco do km 7 _por coincidência, eu estava àquela altura chegando ao km 7 do meu treino...

Então fiquei me divertindo vendo o povo passar, eu ia, eles vinham, mostrando, mais uma vez, que a democracia da corrida não discrimina ninguém: havia jovens e velhos, gordos e magros, altos e baixos, todos se divertindo numa boa.

E, já naquela altura, havia muita gente trotando bem de levinho mesmo outros tantos caminhando. À medida que eu ia mais, chegava mais perto dos últimos que vinham, crescia o número dos caminhantes. Na altura do km 6 deles, ouvi um garotão grandalhão reclamar com o sujeito com quem corria: "Tô sem perna e sem pulmão". Outros não falavam, mas dava para perceber o cansaço, mesmo neste dia fresquinho.

O que me levou a meditar sobre as razões que levam esse povo a se registrar em uma prova de 10 km mesmo sabendo (eu imagino que os caras e as moças tenham um mínimo de conhecimento sobre suas próprias capacidade) que não vão completar ou que terão muitas dificuldades para terminar, sabendo que vão sofrer...

O raciocínio começou em tom meio crítico a esse povo, mas aos poucos fui me dando conta de como era legal isso. O sujeito quer participar. Quer tentar. E tem todo o direito de fazer isso. E é muito legal que faça, que tenha coragem de se colocar à prova.

Vale para os novos, os inexperientes, os pouco treinados. E vale para os gordos, os velhos, os lerdos e os doentes. Ir para rua já é uma vitória; chegar ao final é a glória.

Depois do km 6 deles, vi uma senhora bem velhinha, pelas rugas estava perto dos 70. Ela trotava devagar, mas sempre no mesmo ritmo, de quem se conhecia e sabia do que era capaz: talvez viesse até a passar do garotão visto antes...

Quase na rabeira, cumprimento um conhecido de muitas corridas, ex-maratonista, hoje bem acima do seu peso, que liga o som e bate o bumbo e vai embora no seu ritmo, sem se preocupar com o que for, apenas decidido a se divertir.

É isso aí: a rua é de todos, de quem pode e de quem não pode, de quem corre, de quem caminha, de quem cansa e de quem sobra. Basta ir com vontade. E com a força que tiver, do jeito que for.

Ê domingo bom!

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h46

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Jovem mãe vence maratona de Amsterdam

Estréia vitoriosa

"Eu me tornei uma corredora mais forte depois que nasceu minha filhinha. Ela me dá forças", disse a queniana Lydia Cheromei, tricampeã da São Silvestre, depois de vencer hoje a maratona de Amsterdã.

Medalha de prata no Mundial de meia-maratona de 2004, Cheromei, 31, ficou dois anos suspensa (2005-2007) acusada de uso de drogas ilícitas. Cumprida a pena, ela voltou a competir e hoje fez sua estréia na nova distância, levando para casa o troféu da vitória.

No masculino, outro ex-campeão mundial da meia-maratona brilhou nos 42.195 metros.O também queniano Paul Kiprop Kirui, 28, decidiu abandonar o pelotão no km 37 e perseguir a vitória, que conquistou com 2h08min31, quase dois minutos abaixo de seu melhor tempo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h13

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Celebração do Dia do Professor

Português e matemática

A gente vai ficando velho e, vez que outra, faz um balanço da vida ou de pedaços dela. Neste Dia do Professor, fiquei me perguntando o quê, afinal, eu tinha aprendido na escola? E quais teriam sido os melhores professores?

A mais bonita foi a Tia Jussara, normalista que foi fazer seu estágio no Colégio Nossa Senhora de Fátima e se tornou o ai-jesus de toda a meninada do segundo ano primário. Mas, se aprendi qualquer coisa com ela, perdeu-se nos escaninhos da memória.

Aprendizado mesmo, de coisa que fica para a vida, veio de um artista, professor de música no João 23, que dobrava turno como professor de português. Nesta função é que passou duas grandes lições.

Na primeira, escreveu no quadro-negro a palavra "casa". E perguntou à turma do terceiro ginasial o que aquilo significava, o que era aquela palavra... Cada um tinha uma definição, de prédio ou apartamento a lar ou lugar de morar. Em mandarim, porém, casa era um desenho que significava casa mesmo (ou o que é casa para você?). Enfim, profundas filosofias.

E foi no terreno filosófico a outra lição do professor Flávio Oliveira. De novo, desafiou a turma com uma frase escrita na lousa. A sentença não vou discutir nem lembro quem é o autor, mas sua sabedoria me acompanhou pela vida afora, assim como o aristotélico só-sei-que-nada-sei: "Se não me tivesses encontrado, não me estarias procurando".

A filosofia, a lógica ou a lógica da filosofia foi ainda o cerne do ensinamento de outro grande professor que vem à minha lembrança. Nubem Airton, especialista nas matemáticas e então rebelde, que carregava entre seus alfarrábios um papel com a letra de "Apesar de Você", o hino de Chico Buarque contra a ditadura, sonho de esperança e de mudança.

Pois ele uma vez colocou para a mesma turma do terceiro do ginásio a frase definitiva: "Todo pato é branco". Sentença simplória, boboca, mas que ensina, num zás-trás, a burrice e a insensatez das definições definitivas. Basta apenas um patinho, lá nos confins do planeta, ter um quê de bege, que a frase se esfarela... 

Faz anos, milênios que não vejo nenhum deles. Mas que representem, aqui, a homenagem a esse profissional que tenta sempre, mesmo nas mais adversas condições, provar que alguma coisa, sim, se aprende na escola.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h00

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Fala, leitor - Minha primeira visita ao Rio

Dupla estréia

Apresento a seguir depoimento do leitor RODRIGO LUIZ CONCISTRÉ, 31, que fez no último domingo uma dupla estréia: conheceu o Rio de Janeiro e correu pela primeira vez a meia-maratona que leva o nome da Cidade Maravilhosa. Leia o que ele nos conta.

 "Foi minha primeira meia do Rio e, apesar de o calor desta edição não ter sido um dos maiores (esteve em uma média de 28º e com umidade do ar alta), não foi um passeio no parque. O sol deu as caras dez minutos antes da largada e chegou avisando que não seria moleza. Lembrei da frase que todos os veteranos da prova tinham me dito: ‘Curta a paisagem’. E eu curti.

Foi também minha primeira vez no Rio e achei cada quilometro uma beleza, a começar pelo local da largada: a praia de São Conrado à direita e a Pedra da Gávea atrás de nós tornaram a cena marcante. A belíssima subida da Niemeyer, logo de cara, foi facilmente transposta com a ajuda da paisagem, das árvores, da brisa e dos moradores do Vidigal apoiando os corredores a todo instante. Próxima parada: Leblon. Ali o sol castigou a todos que o desafiavam naquela manhã.

Fui sem exigir de mim até o km 11, mas a bela Copacabana, interminável e sem sombra, me obrigou a diminuir meu ritmo ainda mais. Naquele ponto, quem não treinou o mínimo ou abandona ou passa a colocar sua saúde em risco. Eu sabia que a umidade estava alta e não deveria ensopar minha camiseta com água a fim de evitar uma piora na minha transpiração, mas foi impossível não tornar alguns copinhos de água na cabeça.

Por sorte o sol de uma trégua e aproveitei o km 13 ao 15 para reunir as migalhas, me concentrar mais e repor energias. No 15, eu já sabia que iria enxergar os outros competidores chegando logo à minha esquerda.

Até ai isso não foi problema. O problema foi saber que a minha reta não terminava e que assim que terminasse eu teria de fazê-la novamente até a chegada. Foi uma difícil constatação. Nesta hora qualquer reza, mandinga ou santo ajuda. Acredite em mim.

Coloquei meus fones de ouvido pela primeira vez. Nessa hora você lembra dos duros treinos, frio, chuva, calor. Lembra do esforço que você fez para chegar até ali. No meu caso, sou deixei de fumar há seis anos e quando penso nisso dificilmente não me emociono.

Lembrei-me das pessoas que me apoiaram desde o início, mesmo achando que eu fosse louco, meus pais, minha namorada. Os olhos enchem de lágrimas, as pernas ardem, os pés suplicam por um descanso, mas você continua.

As pessoas começam a andar e você continua.

A chegada aparece. Difícil segurar a emoção nessa hora. Pena que acabou. Terminei com 2h21 min. Já fiz meias melhores.

Talvez eu pudesse ter acelerado mais em algum ponto ou diminuído menos em outro, mas no final não tem importância. Foi a corrida mais bonita e desafiadora que encarei. Superei cada um dos seus 21.097 metros tentando sempre me preservar para o próximo. Pretendo voltar no ano que vem e espero que seja tão difícil e recompensadora quanto foi essa."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h49

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Minha primeira meia-maratona do Rio

Teste de sobrevivência

Meu colega ADALBERTO LEISTER FILHO, eminente repórter de Esportes desta Folha, participou da meia do Rio e manda um relato da prova. Vamos ao que ele nos conta.

"Foi a primeira vez que participei da Meia-Maratona do Rio. Acho que ela é uma daquelas provas de que o brasileiro aficionado por corridas de rua planeja participar algum dia, como a São Silvestre e a Volta da Pampulha.

Pois bem, já fiz três São Silvestres e ainda não consegui calhar um fim de semana de folga com a prova pela lagoa belo-horizontina. Mas, neste ano, planejei o final das minhas férias justamente no domingo da Meia do Rio para ter condições de cruzar a via Dutra sem atropelos.

Por que justamente em 2008? Porque neste ano a prova valeu como Mundial de Meia-Maratona da Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo). E a tentação de ostentar uma medalha no peito com o aval da entidade que comanda a modalidade, para mostrar futuramente aos netinhos, falou mais alto do que qualquer problema de preparação ou calendário.

De um modo geral achei a organização boa, mas houve pequenas falhas. Perde-se muito tempo na largada, com um tráfego intenso de corredores e pouco espaço para deslanchar (isso não deve ser novidade para quem participa todos os anos). A dica é não começar em ritmo muito intenso e usar o trecho até a avenida Niemeyer apenas como um aquecimento.

Afora a subidinha inicial da Niemeyer, o percurso é plano. Mas o pior, que fez boa parte dos corredores xingarem a TV detentora dos direitos da prova, é o calor. Por conta da transmissão ao vivo e da grade de programação da Globo, a largada é às 9h15min, um verdadeiro crime na primavera carioca.

Já na largada, quando o sistema de som tocou "Primeiros erros", de Kiko Zambianchi, o público cantava mais entusiasticamente o refrão, quase que como um pedido: "Chove e chove e chove". Um grupo de garotas chegou a ensaiar, animadamente, uma dança da chuva.

Em vão. Fez um sol abrasador durante toda a prova. Na saída, a temperatura era de 24ºC. Quando cruzei a linha de chegada, havia atingido os 30ºC.

Para completar, os voluntários dos postos de água raramente entregavam os copinhos na mão dos atletas, como acontece em São Paulo. Isso gerava quebra de ritmo.

No único posto em que houve distribuição de bebida isotônica, os participantes pegavam um copo e tinham que retirar o líquido dentro de galões. Mais perda de ritmo.

A prova, contudo, compensa esses pequenos contratempos. Sem dúvida correr pela orla carioca é estimulante. A paisagem, tanto em São Conrado quanto por toda a zona sul (Leblon, Ipanema, Arpoador e Copacabana), é belíssima. Não, não temos chance de ver nada parecido em São Paulo.

Além disso, o povo, não importa a classe social, desde as crianças pobres da Rocinha até os jovens endinheirados da Zona Sul, incentiva durante todo o percurso, animando até aqueles que começam a baquear por conta da distância ou do tempo.

Para mim, particularmente, correr nas férias foi uma solução e um problema. Havia ficado dois meses fora do Brasil, um na cobertura da Olimpíada, em Pequim, e outro, de férias, percorrendo o sudeste asiático. Nesse período, obviamente, meus treinos haviam ido para o beleléu.

Na volta ao Brasil, julguei que três semanas seria um tempo razoavelmente adequado para a preparação (corro há cinco anos continuamente). Mas fiquei doente, impedindo os treinos na primeira semana. Na outra, seguidas cervejadas para rever os amigos acabaram com minha preparação.

Na semana derradeira que dispunha, consegui correr 5 km na terça e na quarta. Na quinta fiz um "longão" de 10 km. Sexta viajei ao Rio.

Mesmo sabendo que isso é contra qualquer manual de preparação, decidi fazer mais um treino de 5 km na véspera e no mesmo horário da prova, no parque do Flamengo. Mais do que o desgaste, naquele momento, achei que precisava priorizar a rodagem.

Por conta desses atropelos, encarei a Meia do Rio como se fosse um novo longão. Não forcei no início, superei relativamente bem toda a Zona Sul, mas comecei a sentir após o túnel do Leme.

Passei a trotar a partir de Botafogo, mas acho que minha condição era razoável até o Flamengo. Mas passar ao lado da linha de chegada, do outro lado da rua, sabendo que ainda havia mais 5 km pela frente, foi desanimador. Nada que a virada, pouco depois do km 18, não animasse novamente.

Mas, no km 19, quebrei. Deixei inclusive de trotar. Andei, como boa parte dos corredores que estavam ao meu redor. No km 20, resolvi voltar a correr, até para acabar logo a prova. Tive cãibra na coxa esquerda, mas nada que impedisse de seguir até o final em ritmo de trotezinho e completar o percurso aliviado.

Fechei minha terceira meia-maratona em 2h32min47s, de longe meu pior tempo na prova. Mas, diante da pouca preparação e das condições de clima e temperatura enfrentadas, acho que atingi meu objetivo fundamental no domingo: sobrevivi."

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h43

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Televisão funciona bem na Meia do Rio

Cidade Maravilhosa

Ainda não começaram a chegar reclamações de corredores que participaram da largada geral da Meia-maratona Internacional do Rio de Janeiro, que neste ano sediou também o Mundial de meia-maratona, prova oficial da IAAF (a Fifa do atletismo).

Por isso, comento aqui só o que vi, que foi a transmissão pela TV. Pode ser que eu esteja ficando menos exigente, mas desta vez achei bem razoável o trabalho do povo da Globo no que se refere à cobertura da prova masculina.

Não teve muita firula nem espaço para muita opinião, que é onde os caras se enrolam. Se ficam no feijão com arroz, funciona razoável _apesar de que, se meus ouvidos não me enganaram, trataram por duas vezes a prova de maratona, antes do início da disputa.

O problema mesmo foi quanto à cobertura da prova feminina, da qual a TV mostrou a largada e, em seguida, largou a moçada (com o perdão do trocadalho...). Ficamos quase meia hora sem saber o que rolava entre as damas, pois a largada masculina e da massa atrasou uns 12 minutos, se não me engano.

Daí, de modo geral, uma cobertura sem emoções, sem brilho, mas sem grandes erros, o que já não é pouco. Parece que se ligaram e pararam de chamar os corredores da massa de atletas de fim-de-semana e outros epítetos menos calorosos.

As vitórias no feminino e no masculino foram as esperadas: Zersenay Tadese, da Eritréia, venceu com 59min56, estabelecendo novo recorde para a prova carioca; no feminino, Lornah Kiplagat, que corre pela Holanda, chegou em primeiro com 1h08min37.

A disputa do segundo lugar, no masculino, foi o único momento de alguma emoção, bem no final da prova, quando Ahmad Abdullah, do Catar, tentou se impor ao queniano Patrick Musyoki, mas acabou em terceiro mesmo.

O brasileiro mais bem colocado foi Marílson, para variar; no feminino, Maria Zeferina Baldaia confirmou sua boa fase. Como os organizadores fizeram prova dentro de prova, dizendo que a Maratona Internacional o Rio era uma coisa e o Mundial outra, os dois brasileiros foram apontados como vencedores da prova local.

Isso me parece estranho. Cada um deles fez duas inscrições? Pois eles estavam disputando também o Mundial. E, se quem disputava o Mundial corria também pela prova local, então os vencedores desta deveriam ser o queniano Musyoki e a etíope Aselefech Mergia.

Enfim, os organizadores têm lá seus critérios, e imagino que exista alguma lógica nos anúncios. Que, deve admitir, não compreendo, ainda mais que o release sobre a prova local diz que a prova "contou com 15 mil corredores de rua, incluindo as categorias da elite C, pelotão popular, cadeirantes e deficientes físicos". Acho que Marílson e Baldaia não se enquadram em nenhuma das categorias citadas, mas vai saber...

Tudo bem. Os estrangeiros reclamaram do calor, mas adoraram o percurso, que é mesmo lindo, comprovando mais uma vez, como se necessário fosse, que o Rio é de fato a Cidade Maravilhosa (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h42

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Corrida para especialistas

A academia se agita

Já não era sem tempo: a corrida amplia seu espaço nos bancos universitários. De 6 a 9 de novembro, a USP realiza seu primeiro Congresso Científico de Corrida e Caminhada.

A proposta do evento é reunir especialistas no assunto e promover interação e atualização entre profissionais que trabalham com a prática esportiva. Ou seja, é para treinadores, médicos e psicólogos do esporte, professores de educação física e outros especialistas ligados ao mundo as corridas.

Para saber mais, visite o site do evento.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h12

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Recordista mundial vira traficante

Heroína, a outra

O ex-recordista mundial dos 100 metros rasos, o norte-americano Tim Montgomery, que cumpre pena nos Estados Unidos por fraude, acaba de confessar-se culpado de tráfico de drogas.

Ela havia sido preso com mais de 100 g de heroína, droga das mais pesadas, e admitiu que pretendia comercializar o produto. Agora, com a soma das penas, vai amargar pelo menos dez anos de cadeia.

Do mundo esportivo, ele já havia sido banido há três anos por causa do uso de esteróides, drogas que aumentam a massa muscular. Sua marca foi eliminada do livro dos recordes.

Quando estava no auge de sua fama construída, sabe-se hoje, de forma fraudulenta, ganhava fortunas e conquistava mulheres famosas: uma de suas parceiras foi a velocista norte-americana Marion Jones, cujo uso de doping também foi descoberto e punido (ela acabou recentemente de cumprir pena na prisão por fraude com cheques).

É lamentável ver a decadência de um sujeito que, provavelmente, poderia ter sido um grande atleta mesmo sem o uso de drogas.

E reafirma que o envolvimento com essa heroína é a pior viagem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h17

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Entrevista exclusiva com medalhista da Spartathlon

Deusa de prêmio

A ultramaratonista alemã MARIKA HEINLEIN, 46 anos, casada e sem filhos, acaba de correr a SPARTATHLON, 246 km de Atenas a Esparta, na Grécia. Com 45 quilinhos em 1, 60 m, ela chegou em terceiro lugar entre as mulheres, com 31h39min19. Entre os treinos e as ultras, a corredora dirige uma livraria no norte da Baviera, num lugarejo chamado Wiesentheid, próximo à floresta de Steigerwald e dos lindos vinhedos da Francônia. Foi de lá que ela concedeu entrevista ao sensacional correspondente deste blog na Alemanha, seu já conhecido Fábio Shiro Monteiro, que foi meu colega no ginásio e hoje é violonista virtuose, professor emérito e pai de uma família de músicos brilhantes. E um ótimo entrevistador, como você vai perceber ao longo da leitura.

FOLHA - Você já correu hoje?

MARIKA HEINLEIN - Ainda não, mas hoje à noite vou bater meus 11 km. Ainda estou em fase de regeneração depois da Spartathlon. E daqui a duas semanas já tenho a próxima corrida de 24 horas, em Hilden, na região do Ruhr, Alemanha.

FOLHA - Que corrida é essa?

MARIKA - É uma corrida beneficente, para angariar fundos para ultramaratonista chinesa Lu Chiu Shu Jung (corredora de Taiwan que, como você viu neste blog, teve uma perna e um pé amputados devido a uma infecção bacteriana generalizada após a ultra Le Transe Gaule na França).

FOLHA - Como foi a Spartathlon?

MARIKA - Bem melhor do que no ano passado, quando cheguei em oitavo, precisando de três horas a mais. Desta vez, acho que estive mais bem preparada. Nas últimas seis semanas antes dessa ultra treinei uns mil quilômetros. Eu só queria melhorar a marca anterior, mas deu até para subir no pódio, ganhei uma coroa de louros, uma medalha de bronze, uma taça e até uma pequena estátua da deusa grega Palas-Atena.

FOLHA - Mais detalhes, por favor...!

MARIKA - O percurso é dureza, tem uns 4.000 m de diferença de altimetria. A largada é pela manhã cedinho, ao lado da Acrópole, em Atenas. De lá, se corre ao longo da auto-estrada que leva a Corinto, e sempre com vento forte contra, muito desagradável. Depois de Corinto, na península do Peloponeso, o terreno diversifica bastante: de terra batida a estrada asfaltada, caminho estreito ou largo, subidas e descidas, tudo a quase 30 graus.

Lá pelo km 120, já estava em terceira entre as mulheres e, a partir daí, as distâncias entre os participantes aumentam bastante.

O pior trecho é o passo de Sangas, pelo km 160, a uns 1.200 m de altitude. É uma trilha muito íngreme, estreita e perigosa, porque você desce no escuro um piso de brita às vezes escorregadio. Tive que tomar muito cuidado e dei sorte em não passar muito frio. Lá, a temperatura pode baixar até a 2 graus.

Depois, a coisa melhorou. Nos últimos quilômetros, fomos acompanhados por crianças em bicicleta e uma dupla de policiais em moto. Faltando 22 km para terminar, a japonesa Yoshiko Matsuda, que estava uns 30min atrás de mim, começou a ligar o turbo. A 50 metros da chegada, notei que ela estava encostando, nem acreditei que ela pudesse ainda correr tanto. Aí pensei: essa rapadura não entrego mais. Gritei: "Não, não!!", mandei ver e cheguei com 15 segundos de vantagem sobre a japonesa, que depois ainda veio se desculpar. Em primeiro chegou a coreana Sook-Hoe Hur, com 30h03; e em segundo a americana Stacey Bunton, com 31h25.

FOLHA - Durante o percurso, como foi o atendimento? Você teve que trocar roupa?

MARIKA - Não tive problema algum com a alimentação fornecida, ao contrário de outros participantes. Mas isso é normal, é muito difícil oferecer nutrientes que agradem a todos. O controle é bastante rígido no que diz respeito ao apoio. O primeiro ponto de apoio é só no km 81; depois, de 20 em 20 km até o final. Não troquei a roupa, só vesti um abrigo à noite, passando por Sangas.

FOLHA - Você tem algum patrocinador?

MARIKA - Nada, tive que bancar tudo do próprio bolso. Mas não importa, corri a Spartathlon no ano passado, neste ano e vou ano que vem para lá de novo. Pelo desafio do percurso e pela honra de poder participar.

CONTINUA....

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h52

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Entrevista com medalhista da Spartathlon - final

Correndo entre livros

FOLHA - Quando você começou a correr?

MARIKA - Quando garotinha, eu já corria e fazia ginástica no clube esportivo, mas nada muito a sério. Depois parei, fui estudar e trabalhar. Faz 20 anos que vendo livros, primeiro como empregada numa livraria na cidade de Kitzingen, e nos últimos nove anos como proprietária desta livraria, aqui em Wiesentheid. Há uns dez anos, comecei a correr maratonas, e há apenas três anos participo também de ultras.

FOLHA - Além do terceiro lugar na Grécia, quais as suas conquistas mais importantes?

MARIKA - Sem dúvida, o mais importante foi o primeiro lugar na ultra de Berlim, em julho passado. Foram 215,906 km em 24 horas, minha melhor marca até agora, melhor marca na Alemanha em 2008 e quinta melhor marca feminina em toda a história de ultras de 24 horas no país. Isso que sofri uma queda durante a noite, ao tentar desviar de um participante. Fui medicada e corri até o fim de olho roxo e joelho inchado...

Mas a vitória no Baltic-Run, em agosto, foi também muito especial. São 320 km, de Berlim até a ilha de Usedom, em cinco etapas, e terminei em primeiro em todas as etapas, chegando com 3h38 de vantagem sobre o segundo lugar.

FOLHA - E os treinos?

MARIKA - Morando na beira do Steigerwald, tenho atrás do quintal toda a floresta para correr. Em geral, corro uns 100 km por semana. Antes das ultras, vou aumentando até uns 200 km/semana.

FOLHA - Dá para conciliar a vida esportiva com o trabalho na livraria e com a vida conjugal?

MARIKA - Dá, porque meu marido, Bruno, me acompanha como apoio nas ultras e é meu parceiro na livraria também. Só não consegue me acompanhar correndo. Se bem que ele tenta...

FOLHA - Existe alguma coisa em comum entre uma vida com livros e o fato de correr ultras?

MARIKA - Nunca pensei nisso antes, mas deve existir. Para você correr ultras, você precisa de maturidade, de força mental. Eu sempre falo que corro com a cabeça, mais do que com as pernas. Se não, não vou chegar até o fim. Talvez isso explique o fato de muitos ultramaratonistas serem já coroas. Na Spartathon, só a metade dos trezentos participantes completou o percurso, entre eles Alfred Schipels, de 73 anos, o campeão alemão de ultras na sua faixa etária.

FOLHA - Para terminar: você bebe ou fuma? Já fumou e/ou bebeu?

MARIKA - Quando garota, cheguei a fumar, por pouco tempo. Mas já faz 25 anos que não fumo. Quanto à bebida, com moderação. O vinho daqui da região é ótimo e também faz este motorzinho trabalhar.

Entrevista concedida a Fábio Shiro Monteiro; fotos arquivo pessoal

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h49

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Mundial de Meia-maratona no Rio

Foi dada a largada

Para os cidadãos comuns, começou nesta quarta-feira a entrega dos kits aos atletas que vão participar da Meia-maratona Internacional do Rio de janeiro, que, neste ano, é também o Mundial da distância.

Essa é talvez a maior demonstração do democratismo da corrida. Quando você poderia jogar uma partida de futebol com Ronaldinho ou Zidane? Disputar uma piscina com Phelps ou trocar raquetadas com Federer? Nas ruas do Rio, o Zé das Couves estará na mesma pista do Campeão e da Campeona, como dizem os espanhóis. Até eu planejava estar lá, cheguei a me inscrever, mas compromissos outros me levam a assistir pela TV.

Bom, ao que dizem os organizadores, foram preenchidas as 15 mil vagas. Tomara que não descambe em muvuca ampla, geral e irrestrita.

Da turma da elite, o Brasil promete leva como destaques Marílson e Franck Caldeira, Maria Zeferina e Marizete Rezende. Entre as candidatas ao título, desponta Lornah Kiplagat, nascida no Quiênia e hoje competindo pela Holanda. Bicampeã mundial da distância, terá como importante adversária a japonesa Yukiko Akaba, dona da segunda melhor marca do ano, 1h08min11.

No masculino, o bicampeão mundial Zersenay Tadese, da Eritréia, busca confirmar sua liderança, que será desafiada por um esquadrão queniano em que desponta Patrick Makau Musyoki, número 3 do ranking.

A prova femina começa às 8h45; a elite masculina largará às 9h15, com o pelotão popular, mas 200 metros à frente da massa.

Se você participar, não deixe de mandar suas impressões.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h23

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Cena do passado

Princesa corredora

Eu não tinha visto, mas, no domingo retrasado, a princesa da Noruega mostrou seus dotes atléticos nas ruas de Oslo. Mette-Marit (Divulgação/Efe) participou de uma prova de 10 km, uma das corridas integrantes do festival esportivo capitaneado pela maratona de Oslo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h21

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Cena do domingão

Cubo mágico

Será que o enlouquecedor cubo funcionou para esse corredor que participou ontem da maratona de Budapeste (foto AP)? A prova teve a participação de cerca de 20 mil pessoas de mais de 40 países.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h20

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As dez maiores maratonas do mundo

New York, New York

Depois que eu falei que a Great North Run se apresentava como a maior meia-maratona do mundo, vários leitores perguntaram quais eram as maiores maratonas em número de participantes.

Fui pesquisar nos meus alfarrábios (na verdade, passear por alguns sites) e encontrei diversos números interessantes.

Vou ficar com os dados da Associação Internacional de Maratonas, que tem uma boa página com estatísticas.

O resumo da ópera é o seguinte: New York rules!!! Ou seja: a maratona de Nova York manda, nada de braçada quando o critério de qualidade é a quantidade: os quatro primeiros lugares entre as cinco maiores participações da história são da cidade que nunca dorme.

Bom, o ranking do ano passado, em número de concluintes, é o seguinte:

Nova York, 38.557

Londres, 35.667

Berlim, 32.530

Paris, 26.880

Chicago, 28.815

Honolulu, 20.692

Washington, 20.679

Boston, 20.338

Tóquio, aprox. 20.000

Los Angeles, 20.016

Destas, as com maior presença relativa de mulheres foram as de Honolulu e Chicago, com 48,1% e 41,2%, respectivamente.

As mulheres foram maioria em apenas uma das grandes maratonas do mundo no ano passado: na prova de San Diego (Califórnia, EUA), somaram 51,6% dos 15.958 concluintes.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h22

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Um quilômetro de concentração

Chegada apertadíssima

Bom, como prometido, saí a pesquisar nos sites para descobrir como os ingleses fazem para começar em ordem uma meia-maratona com 52 mil participantes, a Great North Run, realizada hoje a apresentada como a maior meia-maratona do mundo.

A melhor explicação que encontrei foi a enorme área de concentração: um quilômetro para os corredores se organizarem aguardando o sinal de largada, e cada um deve ficar no seu qua-dra-do, digo, na área a que é destinado de acordo com sua previsão de término.

Claro que você sabe o que é um quilômetro, mas não custa lembrar: fica tudo cheio de gente em uma área equivalente, na avenida Paulista, ao trecho entre a Brigadeiro e a Augusta, mais ou menos.

Bom, e é uma prova riquíssima --de talento, diversão e grana propriamente dita. Os corredores também arrecadam dinheiro para obras de caridade --na edição de hoje, o valor chegou a cerca de 10 milhões de libras (R$ 36,1 milhões).

Quanto à diversão, teve até a versão britânica Esquadrilha da Fumaça --os aviões que fazem desenhos no céu com fumaça colorida... (foto AP)

E o talento foi soberbo: a final feminina foi encostadérrima. A etíope Gete Wami, baixinha terrível, mandou ver, mostrando que é boa de sprint, fechando em 1h08min51, seguida pela queniana Magdelane Mukunzi um segundo atrás e, outro segundo depois, pela esperança britânica JoPavey.

No masculino, o etíope Tsegay Kebede, bronze na maratona olímpica, fechou em 59min45, quase dois minutos à frente de seu compatriota Gebre Gebremariam.

Uma nota estranha à perfeição do evento e à qualidade dos sites (tanto o oficial quanto o da BBC, muito melhor) foi o serviço da Nike de mostrar o desempenho de cada atleta. Uma boa idéia, que muitos devem ter gostado, mas que errou feio no caso do campeão: colocou Kebede no décimo lugar... (veja abaixo).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h48

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Como eles conseguem juntar tanta gente???

Supermeia britânica

Eu não sei como eles conseguem juntar tanta gente numa largada, mas os britânicos esperam 52 mil pessoas na Great North Run, que apresentam como a maior meia-maratona do mundo (em número de participantes, é claro, pois a distância é igual para todos, --ih, essa foi de doer!!)

E vão os pangarés amadores e os puro-sangue da elite: o campeão mundial da maratona, Luke Kibet, e seu compatriota Felix Limo estarão presentes. No feminino, o nomão é Gete Wami, da Etiópia, que terá de enfrentar a ex-campeã Benita Johson e a britânica Jo Pavey, que está treinando para conseguir representar seu país na maratona em Londres-2012.

A BBC de Londres está toda entusiasmada com a prova, que estará também cheia de celebridades. A TV vai transmitir direto em um canal, passar destaques ao vivo em outro e ainda dar flashes no site .

O que não descobri é como eles fazem para as pessoas saírem ilesas da largada. Deve ser por ondas, como na Peach Tree, em Atlanta, uma das maiores (se não a maior) prova de 10 km do mundo. Os campeões terminam e tem gente que nem largou ainda...

Bom, vou ver se descubro e depois conto para você.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h32

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Ex-campeões voltam a Nova York

Radcliffe e Marílson na área

Bueno, no primeiro domingo de novembro saberemos afinal as reais condições de Marílson, que abandonou a maratona olímpica e agora anuncia que vai competir em Nova York, prova que venceu em 2006.

Vai voltar a enfrentar Paul Tergat, outro ex-campeão que retorna à maratona mais badalada do mundo, onde também estará presente o ex-campeão Hendrick Ramaala (África do Sul).

No feminino, a recordista mundial Paula Radcliffe será um dos destaques, mas o time das damas de elite inclui ainda Catherine Ndereba, Tegla Loroupe, Joyce Chepchumba e Ludmila Petrova. Eu adoro ver a Loroupe correr e a Ndereba mais ainda --acho que é uma das mais elegantes das ruas deste mundo.

Mudando de saco para mala, Haile, que não correu a maratona olímpica para quebrar o recorde em Berlim, acaba de anunciar que voltará a correr a miliardária maratona de Dubai, que venceu no ano passado...

O que me faz lembrar a lendária entrevista do repórter Ernesto Varella, personagem criado pro Marcelo Tas, que um dia perguntou ao tricampeão Nélson Piquet: "Você corre atrás do quê?"

Ao que o superpiloto respondeu, sem titubear e sem falsa pudicícia: "Do dinheiro, meu, do dinheiro..."

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h07

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Entrevista com especialista em medicina esportiva

Moderação é o remédio

Na minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilíbrio (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), voltei ao assunto da ultramaratonista que foi atacada por uma bactéria terrível e acabou perdendo as pernas. Você já conhece o caso, já foi tratado neste blog. Uma das hipóteses para que a ação da bactéria tenha sido tão rápida é o fato de que nossas defesas ficam alquebradas depois ou durante exercícios de alta intensidade duração.

Para saber mais sobre a questão, fui conversar com o doutor Mauro Vaisberg, especialista em medicina esportiva e co-autor do livro "O Exercício como Terapia na Prática Médica" (Artes Médicas, 2005). Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.

FOLHA - A corrida de longa distância inibe as defesas do corpo? Como? Por quê?

MAURO VAISBERG - Normalmente, o exercício moderado estimula o sistema imunológico. Há uma série de trabalhos que demonstram isso, tanto em humanos como em modelos experimentais. Quando você corre de maneira regular, faz um treinamento moderado...

FOLHA - Moderado é o quê? Algum tempo de duração?

VAISBERG - Moderado varia de pessoa para pessoa. Se você é um corredor de maratona, se você correr todo dia a 70%, 80% da sua freqüência cardíaca, da sua capacidade aeróbica máxima, isso é um treinamento que está de moderado para intenso, mas ainda não é um treinamento intenso. Mas, quando você faz uma corrida, uma maratona ou uma ultramaratona, dependendo das condições climáticas, da sua condição pessoal, pode passar a ser um esforço muito intenso. Se você faz um esforço, um treinamento moderado e contínuo, isso reforça o seu sistema imunológico. Mas, mesmo que você seja treinado, se você faz um esforço muito grande, isso faz cair as defesas.

FOLHA - Ou seja, mesmo os profissionais bem treinados correm riscos.

VAISBERG - O profissional não vai para brincar, o cara se esforça ao máximo porque está tentando ganhar, não é um não-profissional, que está lá para brincar, entendeu? Mas, mesmo entre os não-profissionais, tem cara que exorbita, ele acha que tem que se superar. Então, ele faz um esforço muito intenso.

FOLHA - Isso pode ser prejudicial. Mas treinar, de modo geral, é bom, não é?

VAISBERG - Normalmente, quem treina, quem faz exercícios de maneira regular e moderada tem menos infecção de vias aéreas do que a população geral. Então, vamos dizer que a população geral tenha cerca de cinco a sete resfriados ou gripes por ano. Quem treina, o cara que treina para correr ou o ciclista que treina sem o intuito de uma competição ou sem um treinamento muito pesado, tem menos infecções, ele tem duas, três, por ano. Cai pela metade, pelo menos. Agora, quem treina pesado, ou seja, esses atletas profissionais que treinam muito forte, que competem muito forte, eles têm mais infecções do que o sedentário, que não faz treinamento nenhum.

FOLHA - Isso porque a corrida ou o esforço físico, inibe essas defesas do organismo?

VAISBERG - Há uma série de explicações. A infecção de vias aéreas superiores, que é o principal problema do atleta, provavelmente associa uma série de fatores, tipo: como ele respira muito, ele acaba desidratando as vias aéreas. Ele seca a via aérea. Então, a gente tem, normalmente, um anticorpo _que está na nossa saliva, nas secreções_, chamado IGA, que protege. Então, uma das explicações é que, ressecando, você tem a diminuição da produção desse anticorpo. Ou seja, a perda desse anticorpo protetor.

Além do fator local, há também o fator sistêmico. Há uma série de células que a gente tem de proteção do sistema imuno do organismo, que quando você faz um esforço extenuante, você acaba por ativar tanto a célula, que ela acaba ficando um período refratária, entendeu? Um período em que ela está sem condição de te proteger. Ela entra em exaustão. Então, em neutrófilos se mostra isso aí. O neutrófilo é a primeira célula de defesa do nosso organismo. O neutrófilo, depois de um exercício extenuante, acaba ficando sem função. Isso demonstra que ele teve uma superativação. Então, ele foi tão ativado pelo exercício, o sistema imunológico ativa o exercício, ele foi tão ativado, que ele acaba perdendo a função

FOLHA - Isso dura muito?

VAISBERG - Depois de algum tempo, retorna ao normal.

FOLHA - Há alguma forma de acelerar a volta à normalidade?

VAISBERG - Há uma série de situações, nas quais, em tese, o indivíduo pode tolerar um pouco mais o esforço. Há trabalhos mostrando que suplementando com carboidrato você tolera melhor o esforço. Mas, isso, também, não é um negócio absoluto. Porque é o seguinte: a questão da tolerância ao esforço, também, tem uma variação individual. Então, essa variação individual tem outros fatores, além só do esforço físico em si. Então, se o indivíduo está mais ou menos tenso naquele dia. Se o indivíduo teve ou não exposição a algum vírus dois ou três dias antes. Você vai correr uma maratona. Cinco dias antes você foi numa festa, num ambiente fechado e tinha várias pessoas meio gripadas. Aí chega lá na hora você faz um esforço extenuante e isso facilita com que você tenha a gripe, entendeu? Outra coisa: normalmente, qualquer pessoa que tenha qualquer sintoma febril, a gente contra-indica um esforço maior. Se o sujeito não está bem, ele não deve correr. Então, essa corredora, provavelmente, ela devia estar se sentindo mal...

FOLHA - Exatamente.

VAISBERG - Tomou alguma coisa para conseguir tolerar a corrida. Isso é um contra-senso. O esporte, o exercício deve ser uma coisa que sempre tem que ser bem tolerado, mesmo que você faça um esforço. É óbvio: todo atleta faz um esforço grande, mas você tem que entrar em boas condições. Se você não estiver em boas condições, você não deve nem entrar.

FOLHA - Se o sujeito está gripado ou com febre, não deve correr.

VAISBERG - Não deve nem fazer o treino do dia. Não, não, não deve nunca. Acordou, está mal, chazinho e cama. Ninguém vai deixar de trabalhar, mas, chazinho e colo da mamãe. Por quê? Porque você não sabe, tem alguns vírus que tem tropismo pelo miocárdio. Então, você pode ter uma miocardite viral e o esforço de uma maratona ou de um treino muito puxado pode facilitar isso. Então, se o indivíduo não está bem, ele não deve fazer exercício e muito menos entrar numa competição.

Isso tem que ser regra de ouro. Aí não tem papo, não tem discussão.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h09

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Entrevista com especialista em medicina esportiva - final

Atividade é necessária

Confira a segunda parte da entrevista com Mauro Vaisberg, especialista em medicina esportiva e corredor há 36 anos --começou no início da faculdade. Hoje com 55 anos, ele costuma correr duas vezes por semana, bicicletar outras tantas e também gosta de nadar. Não costuma participar de provas, mas abre uma exceção para a São Silvestre: já esteve em umas tantas, sempre na boa, sem contar tempo nem medalhas...

FOLHA - O que pode ser feito para prevenção?

VAISBERG - Você precisa se alimentar bem. Nos dias que precedem, a prova você precisa se alimentar bem, você precisa se tratar bem, você precisa dormir bem. Tudo isso é importante para evitar que você tenha problema. Dormir, por exemplo, é o tipo do negócio que ninguém dá muita bola, não é? Todo mundo acha que dormir é perder tempo. Na verdade, dormir é superimportante. Trabalhos feitos experimentalmente, com o sono, se você não deixa um animal dormir um certo período de tempo, que eu não sei exatamente quanto, o bicho pode morrer e, em geral morre por infecção, entendeu? Então, dormir bem, antes da prova é fundamental, também. É uma das medidas que o indivíduo deve tomar.

E o sono é uma coisa para a qual o sujeito deve se preparar. Eu estou desligando agora o meu computador, está certo? Então, tem uma série de passos para você desligar o computador, não tem? Você não puxa da tomada, só. Dormir é a mesma coisa. As pessoas ficam com o rádio, a TV e o computador ligados, de repente deitam e acham que tem que dormir bem.

Não dá, porque para a gente dormir tem que secretar uma série de substâncias: hormônios, neurotransmissores, citocinas e você tem que dar um sinal para o teu cérebro que está na hora de dormir. O sinal para o teu cérebro é: diminuir o ruído, diminuir a luminosidade, diminuir a atividade, que era o que acontecia, lá sei eu, 80 anos atrás, não é? À noite ficava mais escuro, ficava mais quieto, tinha menos ruído e você tinha, em geral, menos atividade. Hoje às 11h55 nós estamos com o computador, rádio e televisão ligados, desligamos tudo, deitamos e achamos que nós vamos dormir. Mas o cérebro está recebendo uma mensagem assim: "Meu, acorda, olha aí, olha quanta luz, olha quanto sol", você entendeu?

FOLHA - O sujeito tem de se preparar para o sono.

VAISBERG - Lógico, é que ninguém dá muita bola para isso, mas isso é fundamental, também. Então, precisa se tratar bem, precisa se alimentar muito bem para ter uma boa reserva para queimar, certo? E precisa ter um sono excelente.

FOLHA - E durante e depois da prova?

VAISBERG - Durante a prova você vai repondo carboidrato, se for uma prova longa, ou você repõe só líquidos se for uma prova curta. Depois você tem que fazer repouso, tem que ficar num treino leve. Se você for um amador, você tem que pensar que você não tem toda a orientação de um profissional, portanto você deve se resguardar. Um profissional, em geral, tem técnico, tem nutricionista, tem um médico da equipe que vai orientar. Um amador não tem tudo isso. Então, ele precisa ligar o aparelho de bom senso...

FOLHA - E a história dos radicais livres, de que correr aumenta a produção dos radicais livres, o que aceleraria o envelhecimento...

VAISBERG - No nosso organismo, os radicais livres são produzidos normalmente, está certo? Quando você faz um esforço maior, você tampona, você tem um sistema para não deixar esses radicais livres prejudicarem teu organismo. Se a produção for muito acima do normal, você pode superar a capacidade do teu sistema de tamponamento das enzimas antioxidantes de bloquearem esses radicais livres. Aí, eventualmente, você pode ter algum prejuízo, você pode ter lesão celular em função do aumento desses radicais livres.

FOLHA - O que isso provoca?

VAISBERG - Você pode ter lesão muscular, você pode ter perda de células do sistema imunológico, mas, normalmente, a gente tem uma boa capacidade de tamponar. Também tem um monte de folclore em cima disso. É que o nosso organismo é bem-feito, entendeu?

FOLHA - Mas, ao fim e ao cabo, exercício faz bem?

VAISBERG - Exercício, se não for feito com exagero, é uma das melhores coisas que tem, pelo seguinte: nosso organismo foi moldado, ao longo da evolução, para você alternar períodos de atividades com períodos de repouso. Se você alterna períodos de repouso com períodos de repouso, você não está obedecendo às especificações do produto, entendeu? Então, você precisa ter períodos de atividade. Isso faz parte do nosso funcionamento normal.

Veja toda essa epidemia de obesidade que tem hoje. A obesidade é associada com uma série de doenças. Casos mais graves de obesidade também são associados com depressão do sistema imunológico, porque a gordura não é só um depósito de energia. Hoje, é vista como se fosse um órgão endócrino e produz uma série de substâncias. Tanto na desnutrição quanto na obesidade extrema você tem alterações da resposta imuno. Então, o exercício feito de maneira regular protege disso. Agora, o que é ruim, é o excesso.

FOLHA - Correr uma maratona estando treinado é excesso?

VAISBERG - Não, se ele treinar e se preparar bem e estiver bem na véspera da maratona e não precisar se encher de antiinflamatório para tirar a dor de garganta, a dor no corpo para correr, beleza, pode correr, sem problema. Agora, o que não pode é um cara sem preparo, sem uma boa alimentação, sem se tratar direito, com alguma infecção viral ou bacteriana se meter a correr. Esse cara vai ter confusão, com certeza.

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h06

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Aviso aos navegantes, em causa própria

Volte sempre

Amanhã é o dia de publicação de minha coluna no caderno Equilíbrio, da Folha (a coluna +Corrida sai a cada primeira quinta-feira do mês).

E, como já é tradicional, a coluna se espalha para este blog.

Amanhã terei aqui uma entrevista bem bacana com um especialista em medicina esportiva que também é corredor --já fez várias São Silvestres...

Bueno, fica o lembrete. Aguardo você de volta amanhã...

Seja sempre bem-vindo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h51

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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