Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 4

Vista do alto

No dia 29 de outubro, saí rumo à zona norte. A primeira cena que chamou o olhar de minha câmera foi a orientação florida em uma esquina da rua Cajaíba.

Dessa confusão de carroça, papelada e material descartado em geral, saiu um cachorro preto, latindo para mim como se eu fosse o demo. Nem expliquei que era apenas um corredor fotografando o mundo: saí na muda, grato por continuar inteiro, apesar da fúria do vira-lata.

Vista a partir da ponte da Freguesia do Ó.

Como em pequenas cidades interioranas, a igreja concentra a atividade de lazer na Freguesia do Ò. na praça, as pessoas conversam; no entorno, bares e restaurantes enchem à noitinha e entopem nos finais de semana.

Vista da cidade. Quando se está do lado de lá do rio, percebe-se melhor o quanto lado de cá é atulhado de prédios, pontas, cimento e aço.

Papo descansado, tal e qual estivessem os dois em algum cantinho tranqüilo deste mundo, e não na cidade que nunca dorme (esta é Sampa; Nova York às vezes dá uma cochilada...).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h42

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Fala, leitor - Pedras e trilhas

Pódio na lama

Já contei que, aos poucos, irei colocando aqui relatos que chegaram e não pude trazer á baila em tempo hábil. O texto abaixo, do PAULO STARZYNSKI, conta uma verdadeira aventura rural. O PAULO é estatístico e está comemorando seu sexto ano no mundo das corridas (participará de uma ultramaratona de seis horas para marcar a efeméride). Enquanto ele festeja, a gente se diverte com o relato do DESAFIO PEDRAS E TRILHAS, em Atibaia.

Vamos ao texto.

 

"A prova foi a mais atípica e inesperada dentre todas que participei. Foi minha primeira prova em montanha e acho que fiquei viciado! Havia pouquíssimos inscritos: na largada, apenas 19 homens e duas mulheres.

"Fui de carona para Atibaia, e a viagem já serviu para entrar no clima, pois os outros caroneiros eram o Jaime Maria da Rocha, recordista da Volta à Ilha, 155 km em Floripa, na categoria solo, e o Luciano Prado, que é ultra disputador de recordes mundiais...

"Chegamos a Atibaia, na pousada Pedra Grande (local da largada, foto acima), com uma hora e meia de antecedência, o que deu tempo para tomar um cafezão.

"Foi uma ótima providência, pois a largada atrasou meia hora. Partimos com frio, mas sem chuva. Nem precisava: tudo estava molhado e enlameado por causa do aguaceiro de antes da largada e das chuvas dos dias anteriores.

"Partimos e, na saída da fazenda, um dos corredores avisa: "É pra direita!!!!", e todos viram para o lado anunciado, apenas para 300m depois ouvirem o Carlos Dias, organizador da prova, avisando, ainda do local de largada: "Tá errado, tá errado..."

"Voltamos. Os primeiros viraram últimos, e eu quase líder!

"O ritmo era tranqüilo, quase lento. Os 32 km prometiam ser encabritados. As subidas chegaram ainda no primeiro quilômetro e eram bastante duras. Teríamos de seguir por 4km na estrada que atinge o cume da Pedra Grande.

"Quando a estrada apontou pra cima de verdade, e eu senti o ritmo cair violentamente, não tive dúvidas: engatei uma primeira, inclinei o tronco adiante e comecei a andar na subidona. Quando a subida aliviava, eu voltava a correr. Quando a corrida passava pra ponta dos pés, eu voltava a caminhar. Assim foi até o topo. Pensei que minhas panturrilhas iriam desmanchar com o esforço, mas sempre que precisava voltar a correr o corpo respondia bem e o ritmo fluia.

"No topo, lá na Pedra Grande, a vista é linda. Dá pra ver toda a cidade de Atibaia e região.

"Não foi o caso naquele dia. Uma forte neblina tampava absolutamente tudo e só dava pra ver uns 20m adiante. Corremos por sobre a pedra até que a rota começou a inclinar para baixo. Eu também conhecia aquela parte e sabia que seria um paredão, daqueles de descer quase sentado, até a trilha lá embaixo.

"Descemos a parte de pedra, muito lisa, e finalmente entramos na trilha de terra e lama onde começava uma boa descida.

"Nesse momento, eu seguia a Luzia, experiente corredora de montanhas, e, na frente dela, o Luciano Prado. Em dado momento, a Luzia passou o Luciano e eu me ví encaixotado atrás dele e num ritmo mais forte.

"Assim que a trilha deu uma alargada, acelerei e passei... parece bobagem, mas foi muitíssimo legal fazer aquilo naquele momento!! Afinal, o cara foi recordista mundial de 24H em esteira com 245km, e achei a ultrapassagem o maior barato!!

"A prova seguiu em um cenário cada vez mais bacana. As subidas e descidas alternavam-se sem dó, e os musculos sofriam com as súbitas mudanças. A panturrilha cansada do início da prova começava a ter companhia do quadríceps, espancado nas descidas. Mas como eram 32km, eu me poupava e ainda estava bem.

"Continuava atrás da Luzia, que estava mais longe, e de um outro rapaz. Nas subidas, mesmo quando andava, eu mantinha um bom ritmo e me poupava. No plano (se é que havia) e nas descidas eu ia chegando devagar neles. Por algumas vezes, quase levei o maior capote nas trilhas lisas e nas poças d’água.

"Depois de 1h de prova, cheguei nos dois que eu avistava fazia alguns minutos. Ficamos juntos por pouco tempo. O cara logo ficou pra trás, e a Luzia disparou, na demostração mais impressionante de corrida morro abaixo que eu já vi!!!! Só encontraria com ela novamente na chegada.

"Com 1h25min, passei pela mesma portaria onde havia passado de manhã com o carro, indicando que a fazenda estava próxima. "Mas já?? Devem ser duas voltas", pensei.

"Quando entrei na fazenda, ví a linha de chegada e uma barraca de frutas. O Carlos me recepcionou e foi logo explicando que, enquanto corríamos, o pessoal do apoio identificou um trecho intransponível no percurso. A chuva fizera o rio transbordar, e a água batia na cintura, com correnteza. Perigoso, segundo ele.

"O percurso havia sido alterado durante a prova, e ninguém sabia! Foi realmente fácil correr 15km preparado mentalmente para correr 32km. Acho que vou pensar sempre assim! hehehehe

"Olhei em volta e não vi muita gente. Perguntei pela minha posição: ‘QUARTO!‘, o fiscal respondeu!

"Meu primeiro pódio geral (e provavelmente único) na minha carreira de corredor. Foi uma corrida diferente, atípica e com final muito feliz para mim!"

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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Cena do dia - Gaúcho no chão

Com o Grêmio foi pior....

 

O corajoso gaúcho tentou montar em pelo o cavalo chucro, mas com dois saltos foi apeado do corisco.

Melhor desempenho que o Grêmio, que foi desasado em terras baianas...

O gaudério fotografado pela Reuters é uruguaio e participou de um rodeio beneficente em Cerro Colorado, uma cidadezinha a 130 km de Montevidéu.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h11

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Conheça os atletas do ano

Yelena e Usain

Uma festança em Monte Carlo celebrou com gala os melhores desempenhos deste ano nas pistas e nas ruas. É bem verdade que o povo das ruas não teve muita chance. Mas não sou eu que vou dizer que os escolhidos não mereceram seus troféus e a grana que os acompanha; ao contrário, acho que os vencedores mandaram muito bem, encheram de alegria o seu povo e os amantes do atletismo no mundo todo.

No feminino, a russa Yelena Isinbayeva, dona dos mais brilhantes olhos azuis do atletismo, foi a vencedora.

No masculino, o raio jamaicano não deu chances a ninguém, como faz nas pistas: Usain Bolt levou o troféu da IAAF, a entidade que comanda o atletismo mundial (foto Reuters).

As festas em Monaco também homenagearam as lutas femininas para conseguir um lugar ao sol no atletismo.

Um evento principesco (estava lá o príncipe Albert) lembrou que apenas há 80 anos as mulheres passaram a competir no atletismo olímpico, ao lado dos homens. Há mais tempo, porém, o movimento feminino trata de marcar sua presença no esporte: em 1921, foi realizada a primeira Olimpíada Feminina.

O evento foi organizado por Alice Milliat, que em março daquele anos levou aos jardins do Casino de Monaco, competidoras oriundas de cinco países. Em abril do ano seguinte, mais de 300 mulheres de sete países participaram da competição.

Hoje, o príncipe, que é presidente honorário da IAAF, e o presidente da entidade, Lamine Diack, descerraram no local uma placa comemorativa. Saiba mais no site da IAAF, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h24

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Fala, leitor - Maratona de Atenas

Coração forte

Prezado leitor, permita-me em primeiro lugar pedir desculpas: tenho recebido um grande número de relatos sensacionais de corridas no Brasil e no exterior, mas não está dando para colocar tudo no ar em tempo hábil. Respondo a todas as mensagens que recebo e, aos poucos, vou trazendo para o blog as que considero mais legais. Então, algumas histórias podem sair um pouco atrasadas, mas garanto que a leitura vale a pena. É o caso deste relato enviado pelo JÚLIO CORDEIRO, dentista de 40 anos, que correu a maratona de Atenas no início deste mês. Ele integrou um grupo de corredores pernambucanos que cruzaram o planeta para chegar até a pátria-mãe da maratona e ter a glória de completar a prova no histórico estádio Panathinaikos. Mas chega de conversa e vamos ao relato do JÚLIO.

"No final de 2007, o susto de ter que fazer um cateterismo me impulsionou a procurar alguma atividade física.

"Como não gosto de depender de ninguém e confiava na minha perseverança, escolhi a corrida. Apesar do ligamento do joelho operado anos antes, estava certo de que conseguiria correr ao menos 10 km em seis meses.

"Estava totalmente enganado.O vírus me contaminou muito cedo e com três meses já estava participando das corridas de 10 km. Com cinco meses de treinos já me arriscava na minha primeira meia-maratona. E sonhava com uma maratona...

"Tinha corrido, em treinos, o máximo de 26 km quando recebi um convite do Lula, presidente de nossa Associação dos Corredores da Jaqueira, parque popular do Recife (no alto, Julio e Lula, à dir.), para me unir ao seu grupo e realizar esse sonho de correr uma maratona na Grécia, onde toda a história começou.

"Os treinos eram muito fortes, mas a alegria contagiante do grupo me fortalecia cada vez mais. Os longões e a força de vontade me deram confiança e já fiz a minha primeira maratona no Rio de Janeiro com um tempo de 4h12.

"Estava pronto para o sonho maior: a Maratona de Atenas.

"Nosso grupo de corredores pernambucanos foi composto por oito maratonistas: Lula, Frade, eu, major Azevedo, Paulo Picanha, Juliana, Jacqueline e Marinês (foto abaixo). Alguns estreantes e outros experientes, mas todos determinados a tornar aquele sonho realidade.

"Já em Atenas, a ansiedade tomou conta de mim um dia antes e não consegui dormir quase nada. Queria que chegasse logo a hora de correr. Mas a festa que fizemos até a largada me tirou o nervosismo e encheu de curiosidade aqueles europeus frios. Não parávamos de cantar músicas do nosso frevo. Eles, surpresos e encantados com nossa alegria, não paravam de tirar fotos da gente.

"Como meu objetivo íntimo era correr sub-4, saí para tentar manter 5min20/km. Quando passei o km 30 com 2h34min47, tive certeza de que meu objetivo seria alcançado.

"Quando faltavam uns 800 metros para a chegada triunfal no estádio Panathinaikos, Lula me alcança, numa força e uma energia contagiantes, tira a bandeira do Brasil do calção e fala: "Júlio,vamos chegar juntos com a nossa bandeira do Brasil". O choro na linha de chegada, carregando a bandeira brasileira, e ver minha esposa, Christianne, nas arquibancadas do estádio, foi uma das maiores emoções da minha vida.

"Cravamos 3h43min44. O tempo foi só um pequeno detalhe de uma grande corrida de emoções.

"Meu coração, que havia dois anos estava fraco, hoje bate forte e feliz."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h15

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Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 3

Segundo turno

No dia do segundo turno das eleições municipais deste ano, saí cedinho para um treino rápido, preparando o espírito para o cumprimento de meu dever cívico.

Pelas ruas da cidade silenciosa (coisa estranha, o silêncio eleitoral; nem parece democracia...), vi gentes passeando, trabalhando ou curtindo a própria dor.

Também levei um baita susto quando entrei no Minhocão e, de repente, vi carros vindo em alta velocidade em minha direção. Nem tinha me dado conta de que, apesar de ser domingo, o elevado estaria livre para os veículos. Acabei rodando um quilômetro na contramão, com o coração na mão e torcendo pela compreensão dos motoristas apressados, mas nem pude registrar para a posteridade o fato inédito, pois a bateria de minha câmera tinha acabado de dar seu último suspiro.

Pelo menos, a máquina teve tempo para capturar um instante das vidas que você vê a seguir.

 

Olhar perdido de ressaca crônica.

Na manhã de folga, a dama leva seu cachorrinho para o passeio diário, mas não larga seu celular.

Para o papeleiro, todo dia é dia de trabalho na indústria de reciclagem.

O descendente de orientais aguarda, na Angélica, a carona que o levará para uma partida de golfe.

O corintiano exibe a marca do time, que, no dia anterior, tinha garantido a volta para a primeira divisão do campeonato brasileiro.

O vendedor de sacolas abre o sorriso para a câmera na feira em frente à estação Santa Cecília do Metrô.

As mãos ágeis da vendedora de peixes limpam quilos e quilos de camarão num zás-trás.

Olha só que peixe bom!

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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Estréia no asfalto de Interlagos

Gosto de quero mais

Como já contei aqui, a Folha mandou ver no Ayrton Senna Racing Day. Cinco equipes da casa participaram da maratona de revezamento realizada ontem em no autódromo de Interlagos. Os times, formados por atletas dos vários departamentos da empresa, reuniram corredores rápidos e mais lentos, experientes e estreantes. Foi o caso de ANA KELI DE OLIVEIRA, 37, que cumpriu sua missão em 34 minutos e agora conta para nós como foi participar de sua primeira corrida. A foto é cortesia do site Webrun e foi feita pelo fotógrafo Caetano Barreira.

Em meados de outubro, recebi um comunicado da Folha sobre a Maratona de Revezamento Ayrton Senna Racing Day. A empresa, por ser uma das apoiadoras, tinha o direito de inscrever cinco equipes para a prova.

Num primeiro momento, li a mensagem e não dei importância.

Alguns dias depois, estava em casa me preparando para ir à academia e, em um rompante, liguei para meu marido e pedi para não agendar nenhum compromisso pois iria correr em uma maratona de revezamento em 16 de novembro.

Conversei com meu personal, que me disse que eu poderia participar sem problemas, pois conseguiria completar o percurso tranqüilamente, já que meu condicionamento me permitia correr até 10 km em esteira.

Ao chegar à Folha, minha primeira atitude foi ligar para o RH para fazer minha inscrição.

"Pronto, agora não tenho mais como desistir....", pensei. Dali em diante, quando falava com entusiasmo sobre minha decisão de participar da prova, queria, na verdade, ouvir de todos que seria capaz, que conseguiria ir até o fim, pois eu mesma não estava tão confiante assim.

Passei a focar meus treinamentos na prova e senti na pele o que todos diziam sobre o desempenho na esteira ser diferente da corrida na rua.

Comecei a entrar em pânico, mas não falava a ninguém, para o sentimento não atingir maiores dimensões e culminar numa desistência.

Na véspera da corrida, deixei tudo organizado para que meu marido pudesse ficar bem com o Geovani, nosso filhinho de 2 anos, e fui dormir. Às 4h45, acordei assustada, pois sonhava que já eram 8h06 (olhem a loucura, oito e seis!) e que saía de Guarulhos rumo a Interlagos acreditando ser possível chegar lá em 15 minutos.

Depois perdi o sono e já comecei a me aprontar para meu grande dia.

Peguei um trânsito terrível e quase que meu sonho se concretizou, pois consegui chegar ao autódromo faltando três minutos para as 8h.

Encontrei minha equipe, que já estava com meu chip. Numa correria, enquanto eu o colocava em meu tênis (não sabia como fazê-lo), outro pregava meu número na camiseta e outros me davam instruções básicas e diziam para eu ir tranqüila respeitando meus limites.

Pedi para ser a primeira, seguindo um conselho do meu personal.

Fui para a largada, e a emoção começou.

Foi só ali que comecei a ter uma idéia do que era uma prova. Via gente de todas as idades, das mais variadas formas físicas, mas todos pareciam ter algo em comum: a certeza de que eram capazes.

Enquanto o locutor incitava os corredores, eu sentia uma euforia, uma vontade de que o cronômetro começasse a correr para eu sair em disparada, ganhando cada quilômetro do autódromo. Ao mesmo tempo, retomava a consciência e pensava que era melhor ir mais devagar para garantir minha resistência até o final dos 5.275 metros.

A partir da largada, mesmo motivada pelo fato do primeiro quilômetro ser uma descida, fui me contendo para garantir as próximas subidas que estavam por vir.

Por 20 minutos, consegui manter o mesmo ritmo, até que no penúltimo quilômetro me rendi à última subida e andei por uns cinco minutos, mas, motivada por muitos ofegantes que, apesar do cansaço, não pararam, recuperei o fôlego e voltei a correr.

Ao chegar à marca dos km 5, fui tomada por uma alegria por saber que não teria mais como não conseguir terminar a prova.

Ao cruzar a linha de chegada, comecei a procurar minha companheira de equipe e logo fui orientada por outro colega que ela me aguardava com a pulseira de revezamento no box 15.

Naquele instante, um sentimento de equipe me fez apressar ainda mais as passadas para ganhar alguns segundos que pudessem ajudar a marca da equipe.

Cheguei finalmente ao encontro de Cibelle, entreguei a braçadeira, desejei-lhe boa sorte e saí do box, ao encontro dos outros seis integrantes da equipe 462, com uma sensação muito boa por ter participado da prova e com uma vontade de correr em todas as outras que estiverem por vir."

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h00

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Maratona festeja aniversário de Havana

Sob o olhar de Fidel

Corredores passam por cartaz com a figura de Fidel Castro durante a maratona Marabana, ontem em Havana (fotos Reuters). A prova, que reuniu corredores de 80 países, foi parte dos festejos do 489º aniversário da cidade. O percurso passou por pontos históricos e turísticos, como El Malecón (abaixo). E o campeão foi o cubano Aguelmis Roja, com 2h20min50.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h50

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Tóquio faz festa só para meninas

Favorita desbancada

Acompanhada pelas câmeras de TV, a japonesa Yoko Shibui corre em frente ao templo Zojoji durante a maratona feminina de Tóquio, realizada ontem (foto AP).

Shibui liderou a prova por muito tempo, mas no km 38,5 foi superada pela compatriota Yoshimi Ozaki, que partiu para a vitória em 2h23min30 em sua segunda maratona (na estréia, terminou no segundo lugar). A favorita Shibui não conseguiu manter a força e acabou em quarto lugar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h49

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Como saber mais sobre a pesquisa

O caminho das pedras

 

A pesquisa com corredores brasileiros aqui comentada foi apresentada ontem no Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatogia, realizado em Porto Alegre.

Um resumo dela já está disponível na internet. Para encontrar o texto, clique AQUI.

Você vai chegar a uma página com uma tabela imensa, com várias colunas e um montão de linhas.

A maneira mais fácil de encontrar a pesquisa que interessa é ir pelo nome do autor. Na coluna "Autor", desça até bater no nome de Rogério Teixeira da Silva.

Aí basta seguir a linha e clicar no link para o resumo do trabalho.

Boa leitura

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h09

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Critérios usados pela pesquisa da dor

Retrato falado

Vários leitores perguntaram, e eu também, já na primeira entrevista, havia questionado o médico Rogério Teixeira da Silva sobre a validade estatística da pesquisa feita com os corredores brasileiros.

Ele me disse que, de fato, estritamente falando, os dados são representativos de quem respondeu à pesquisa, mas formam um quadro da realidade dos corredores de rua que participam de provas no Brasil.

Há vários tipos de problema na amostra utilizada, de acordo com o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino.

Ela não é baseada em um universo cujo perfil é conhecido (como, por exemplo, as pesquisas eleitorais, que ouvem eleitores distribuídos proporcionalmente de acordo com o universo do eleitorado). Além disso, foram os entrevistados que mandaram as respostas, o que provoca distorções estatísticas (só os interessados ou mais ativos respondem).

O próprio médico coordenador do trabalho diz que, se a pesquisa ouvisse, por exemplo, corredores que não têm e-mail, poderia trazer dados diferentes.

Trabalhos desse tipo são resultado das limitações sofridas pelos pesquisadores brasileiros. "Este é o nosso dilema de pesquisador - lidar com limites, riscos e probabilidades", diz Silva.

De qualquer forma, se, por critérios estatísticos, não é possível cravar que a amostra represente o universo dos corredores brasileiros, há que convir que é um trabalho de fôlego e que dá um retrato de pelo menos uma importante parcela dos corredores do país.

E mostra que há um grande caminho ainda a ser percorrido para que tenhamos um quadro mais preciso da realidade desse segmento social.

Várias pesquisas que tiveram grande impacto na sociedade utilizaram metodologia semelhante, ainda que especialistas discordem da validade estatísticas dos resultados. Uma das mais conhecidas é o "Relatório Hite", sobre a sexualidade feminina, que fez furor no final dos anos 1970.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h02

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Automedicação é praga entre corredores

Antiinflamatório ameaça

A maioria absoluta dos corredores brasileiros já sentiu alguma dor forte durante a corrida e tratou o problema sem buscar ajuda de um médico. O pior é que o tratamento foi por conta própria, ampliando as chances de o sujeito desenvolver algum problema crônico ou ser atingido por doenças provocadas pelos próprios remédios ingeridos.

Essa é a conclusão de uma superpesquisa cujos primeiros resultados serão apresentados hoje no Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, que está sendo realizado em Porto Alegre (a capital do mundo, para quem ainda não sabia....).

A pesquisa é baseada em entrevistas com 7.731 corredores, por e-mail, resultando no maior banco de dados sobre hábitos da categoria jamais construído. Realizada pelo Núcleo de estudos em esporte e Ortopedia, foi coordenada por Rogério Teixeira da Silva, 41, o presidente do Comitê de Traumatologia Desportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, com quem conversei ontem à tarde.

O resumo da ópera é o seguinte: 71,2% dos atletas ouvidos --que, pelo número de entrevistas, podem ser considerados representativos da população corredora brasileira, segundo Silva-- disseram ter sofrido alguma dor que precisaram tratar. E não foram ao médico.

O tratamento adotado, em geral, foi fazer o tradicional gelinho ou simplesmente parar de correr por algum tempo até passar a dor. O que já é arriscado, pois o sujeito pode acabar ficando com uma dor crônica, se não descobre qual é a origem do problema.

Mas a terceira medida mais adotada, com mais de 30% de ocorrência, foi tomar antiinflamatório, sem orientação médica, o que escancara um monte de problemas.

"Esses remédios são de prescrição obrigatória", lembra Silva, completando: "O sujeito não poderia nem comprar sem receita...". Donde se deduz que farmácias estão vendendo o produto de forma irregular.

Mas o pior são as possíveis conseqüências danosas para a saúde do atleta. Como você já deve ter ouvido, vários remédios dessa categoria andaram sendo banidos por causa de seus efeitos colaterais deletérios. Alguns chegam a aumentar o risco de problemas cardíacos, mas em geral eles atacam o chamado trato gastrointestinal. Ou seja: aumentam o risco de úlcera.

E podem também dar origem a lesões muito mais graves que o problema que levou o corredor a usar o remédio. Silva explica que, com o uso continuado, os tecidos musculares atingido podem ir se esgaçando, para usar terminologia leiga. Numa hora, rompem. E aí, meu amigo, bau-bau...

Há também lesões que forçam o corredor a ir buscar ajuda especializada. Mais da metade (53%) já procurou tratamento médico para lesões sofridas. O quadro a seguir mostra os principais tipos de lesão que levaram corredores aos consultórios.

E confira a seguir outros resultados da pesquisa.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h44

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Treinador ajuda, mas força a barra

Quilometragem excessiva

A pesquisa demonstrou que há muita falta de informação entre os corredores sobre a utilização do tênis adequado e sobre o momento certo para trocar o pisante.

A maioria troca quando a sola está gasta ou quando acha que o coitado já está velhinho (foram mais de 70%, considerando as duas respostas). E há os corredores que vão até o limite: pouco mais de 6% só trocam o pisante quando acham que ele está provocando alguma dor.

A resposta "certa" foi dada por apenas 15,3% dos ouvidos, que trocam o tênis segundo a quilometragem percorrida.

De acordo com o médico que coordenou o trabalho, o ideal é trocar o tênis depois de 500 ou 600 quilômetros percorridos, que é quando em geral se esgota a capacidade da borracha de realizar corretamente o necessário amortecimento.

A pesquisa trouxe indícios de que os treinadores dão alguma orientação sobre esse tema, pois quem tem técnico de corrida respondeu mais freqüentemente que troca de tênis segundo a quilometragem percorrida.

Em contrapartida, os técnicos parecem não serem capazes de controlar a vontade de correr de seus pupilos ou, pior ainda, não estão orientando corretamente em relação a cargas e quantidade de treinamento.

Digo isso porque a pesquisa demonstrou que quem corre com orientação técnica roda mais por semana. O que é aceitável, pois o sujeito que procura um treinador em geral quer melhorar o desempenho ou enfrentar desafios maiores do que as provas de 10 quilômetros, que são o percurso de opção de quase 90% dos corredores ouvidos.

O problema é que quem treina com técnico também informa um maior número de lesões por causa da corrida. E o destaque vai exatamente para as lesões por estresse, ou seja, uso excessivo do material.

O médico não acusa os treinadores nem eu vou aqui colocar o técnico no pelourinho, mas isso é indício de problema, que pode ser tanto de caráter formativo (ou seja, o técnico não tem bagagem para dar os treinos adequados para seus atletas) quanto de caráter informativo (ou seja, das relações entre treinador e seu pupilo).

Isso é algo que ainda precisa ser examinado, mas deixa claro que as relações entre treinadores e corredores não estão no melhor dos mundos.

A pesquisa também evidencia que há relação entre a quilometragem percorrida por semana e a ocorrência de lesões. Mas, nesta fase, o trabalho ainda não conseguiu definir a partir de quantos quilômetros por semana os riscos aumentam. Pesquisas internacionais, segundo Silva, indicam que esse ponto de virada ocorre a partir dos 60 quilômetros semanais, aproximadamente.

A pesquisa trouxe ainda alguns dados básicos sobre o universo dos corredores brasileiros, que coloco a seguir.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h39

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Homens dominam as pistas e as ruas

Cadê as mulheres???

O universo das corridas é predominantemente masculino, sabemos todos que participamos de provas de qualquer distância ou simplesmente damos nossos trotinhos pelas ruas da cidade. A pesquisa do Núcleo de Estudos em Esporte e Ortopedia colocou essa diferença em números.

Dos 7.731 corredores ouvidos, apenas 27,6% são mulheres. O que nem de longe reflete a divisão na população em geral, mas talvez (eu que estou calculando) seja compatível com a ocorrência da presença feminina nos esportes em geral.

É que faz muito pouco tempo que a sociedade se abriu para a participação mais ampla das mulheres em todos os aspectos da vida, do trabalho ao lazer. E o próprio movimento de emancipação feminino também tem uma história relativamente curta.

Bom, de qualquer modo, fica o registro.

A população corredora é madura: 79,3% estão entre 30 e 59 anos. E corre uma quantidade bem razoável de quilômetros por semana. Segundo a pesquisa, 31,1% rodam de 11 a 25 quilômetros por semana, exatamente a mesma parcela que corre de 26 a 50 quilômetros semanais.

Ou seja, a maioria fica ali numa faixa razoavelmente saudável. Apenas 7,9% rodam de 51 a 75 km/semana, enquanto 2,5% avançam para de 76 a 100 km: são os maratonistas, imagino, e os que querem melhorar tempo em provas longas.

E há alguns muito animal: 25 atletas ouvidos (0,3% da amostra) informaram correr mais de 150 quilômetros por semana.

A maioria (89,3%) participa de provas de 10 km e treina sem supervisão técnica (62,3%).

A pesquisa estima que o Brasil tenha um universo de 4 milhões de corredores --nos EUA, essa população é estimada em 40 milhões.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h37

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Vote nos melhores atletas do mundo

Desempenhos espetaculares

Qual foi o mais sensacional momento deste ano no atletismo? Quem estrelou a cena mais espetacular?

Cada um tem sua opinião, e agora você pode contar ao mundo o que pensa.

É que a IAAF, a Federação Internacional das Federações de Atletismo, está promovendo a escolha das melhores performances do ano. E o público tem direito a voto, o que sempre é bom.

A escolha é dificílima, como você bem pode imaginar. Basta lembrar das maravilhas que vimos na Olimpíada de Pequim e da quantidade de recordes batidos neste ano.

Para facilitar, cada um pode votar em três desempenhos esplendorosos, no masculino e no feminino.

Imediatamente, você fica sabendo em que pé está a votação.

No masculino, a Jamaica está nadando de braçada.

O relâmpago Usain Bolt abocanha os dois primeiros lugares por seus recordes nos 100 e nos 200 m, e a equipe verde-amarela (cores da Jamaica, lembre-se) do 4x100 fica com o terceiro. Todos os desempenhos foram registrados em Pequim-08.

No feminino, a coisa está um pouquinho mais espalhada, mas a Jamaica também desponta.

Menos no topo, pois a belga Tia Hellebaut, de quem eu nunca tinha ouvido falar, é a mais votada por seu desempenho olímpico no salto em altura. As que completam o pódio são mais conhecidas, pelo menos por este escriba: Veronica Campbell-Brown e Shelly-Ann Fraser, ambas jamaicanas, que mandaram ver nos 200 m e nos 100m em Pequim-08.

Meus candidatos, por enquanto, estão mais para baixo.

No masculino, dois de meus preferidos por enquanto estão por baixo: votei em Haile, pelo recorde em Berlim, e em Wanjiru, pelo recorde olímpico. Mas votei também no líder: a sensacional chegada de Bolt nos 100 m.

No feminino, minha preferida amarga um sétimo lugar inexplicável, que é a posição ocupada por Yelena Isinbayeva. Minhas outras candidatas também estão por baixo: a garota Pamela Jelimo e a incansável Tirunesh Dibaba.

Para votar, vá ao site da IAAF e clique no banner Vote Now for the 2008 Performances of the Year.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h17

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Vai ter corrida de revezamento em Interlagos

Aquecendo os motores

No próximo domingo, o autódromo que viu pela primeira vez um negro ser campeão da Fórmula 1 vai dar espaço para pernas em penca: milhares de corredores vão participar da maratona de revezamento Ayrton Senna Racing Day.

Como sempre, as provas em equipe abrem oportunidade para congraçamento de empresas, grupos de amigos, festa de academias.

Esta Folha volta às pistas com cinco times, formados por representantes dos mais diversos departamentos da empresa.

Tomara que não esteja quente como da última vez em que participei do evento, quando o sol torrou o pouco de cérebro que me restava. E olha que corri só duas voltas; domingo, serão quatro...

A previsão é de chuva e céu nublado, mas, se vier sol, o horário não vai ajudar. A prova está marcada para começar às 8h.

Tomara que, no mínimo, cumpram o horário. Mas seria muito bom se os organizadores de corridas no Brasil percebessem que vivemos em um país quente, muito quente, e que todos ganhariam se as corridas mais longas, como maratonas e meias, começassem mais cedo.

Haveria menos risco para a saúde dos corredores e mais chances para um bom desempenho em geral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h22

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Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 2

Rumo ao Paraíso

Só vendo de cima é que se distingue o verde da avenida Rebouças, que cruzei no dia 25 de outubro passado para seguir um treininho rumo ao bairro do Paraíso, na zona sul paulistana.

Camelô enche de cores passarela sobre a Rebouças.

Frutas no asfalto em feira no Paraíso.

Pintas em bananas da feira da rua Chris Tronbjerg, nomeada em homenagem a Christian Tronbjerg, um dinamarquês nascido em 13 de outubro de 1907 que chegou ao Brasil em 1935, onde trabalhou na indústria automobilística; morreu em 1º. de março de 1986.

Vista da 23 de Maio e do Obelisco a partir da passarela da rua Tutóia.

Árvore "furada" na pracinha ao lado da passarela supracitada.

Lojinha de artigos de limpeza expõe seus produtos em calçada do Paraíso.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h54

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Uma aventura em Palmas, Tocantins

Tempo quente

Esqueça tudo o que você sabe (ou pensa que sabe) sobre o calor. Em Palmas, é diferente. A mais jovem capital estadual do Brasil parece se orgulhar da canícula que ostenta, e não sei quem inventou que é humano fazer corridas na cidade em ambientes não refrigerados.

Pois eu acreditei e me fui para lá na manhã de sábado passado, decidido a participar da 8ª Meia Maratona do Tocantins, organizada pelo governo estadual. Apesar da premiação prometida aos vencedores em diversas faixas, a inscrição era gratuita, mas o registro era obrigatório para que o participante recebesse o seu chip de direito.

Era quase uma da tarde de sábado quando cheguei à Secretaria do Esporte, suando em bicas. Comentei o calor com o sujeito que me atendeu, e a resposta foi: "Ih, tá frio demais, isso tá é muito fresquinho..." Devia ser a resposta padrão para assustar turistas.

Pelo menos o meu nome estava lá registrado, e recebi meu número na hora. Um outro atleta que também aguardava seu número teve pior sorte: apesar de ter recebido pela internet confirmação de seu registro, seu nome não aparecia em lugar nenhum. Os atendentes acabaram fazendo a inscrição na hora, em folhinha escrita à mão. Comecei a desconfiar que as coisas não estavam tão organizadas assim...

Na madrugada seguinte, acordado por trovões, festejei a chuva e torci para que o dia seguisse pelo menos nublado. Às 7h20 estava, sob chuvinha intermitente, na praça dos Girassóis (veja mapa), onde seria a entrega dos chips das 6h às 7h30 pontualmente.

Pelo destaque que dei ao advérbio pontualmente, você já percebeu que as coisas estavam desandando. Os banheiros químicos chegaram às 7h30 --eram três para as mulheres e três para o homens, que totalizavam cerca de 800 inscritos.

Alguns funcionários do Estado forcejavam para erguer o pórtico inflável de largada, que foi só de chegada... Às 8h20, o locutor ainda chamava atletas que não tinha retirado seu chip.

Quinze minutos mais tarde, começou enfim a organizar a largada, mas da maratoninha, prova para as crianças, que estavam entusiasmadíssimas. A bagunça continuou até que a turminha enfim partiu (foto do alto), depois de uma largada em falso provocada pelo falatório pouco explicativo do locutor.

Pelo menos um garoto tropeçou e levou o maior tombo a alguns metros da largada, que foi em descida em um terreno cheio de irregularidades, como um espelho d’água que enfeitava a lateral do palácio do governo. Começou o choro, foi atendido por um enxame de pais, fotografado e filmado pela mídia que acompanhava o evento oficial, e seguiu heróico sob aplausos do público.

Ufa, agora vão começar a chamar os corredores, pensei eu, já preocupado pois o tempo secava e o calor preparava-se para mostrar seu poder.

Que nada! Os caras iam esperar a chegada das crianças... É óbvio que a prova infantil deveria ter largado depois, mas imagino que os organizadores pensaram em garantir público cativo para aplaudir a petizada...

As crianças adoraram, claro, mas isso não quer dizer que tenha sido uma coisa boa. Participaram da mesma prova de dois quilômetros meninos e meninas de sete a 14 anos, o que é um absurdo. Qualquer um sabe que são imensas as diferenças de desenvolvimento físico em psicológico nessa faixa etária que é um universo... Uma criança de sete anos é muito diferente de uma de dez, que é diferentérrima de uma de 14. Não por acaso, seguiram-se à chegada vários chamados ao serviço médico e pedidos de presença urgente de pai desse ou daquele garoto.

Bem, a desorganização continuou, mas exatamente uma hora e treze minutos depois do horário previsto enfim largou a 8ª Meia Maratona de Tocantins, evento que incluía também uma Corrida e Caminhada Popular de sete quilômetros.

Já consciente dos obstáculos iniciais, fiquei na rabeira, largando calmamente para observar que bicho aquilo ia dar. Poucos metros depois, era ultrapassado pela ambulância que, supostamente, deveria seguir o último colocado e proteger as costas dos corredores contra o trânsito, que não estava sequer controlado ou orientado por cones...

No primeiro cruzamento, os corredores já tiveram de tourear os carros que vinham de uma avenida transversal à que corríamos. Alguns motoristas, gentilmente, faziam sinal para passarmos; outros aumentavam ameaçadoramente o giro do motor. Não havia polícia nem ninguém a botar ordem na casa...

Aliás, dois cruzamentos mais tarde, quando corredores já vinham enquanto eu ainda ia, um ônibus enorme tentava seguir pela pista em que estavam os atletas; era contido aos gritos por um sujeito da organização, que colocou uma moto em frente ao coletivo, tirou um capacete e ameaçava quebrar o vidro do ônibus se o motorista insistisse em ir adiante.

Eu fui e não sei como terminou o qüiproquó.

A essas alturas, o sol já dava seus ares de gente grande, e eu resolvi mudar meus planos e recolher-me à minha insignificância: prevendo que aquela situação iria se estender por todo o percurso, tratei de reduzir meu sofrimento e decidi ficar na corrida popular de sete quilômetros, a primeira etapa da prova toda.

Uma vez tomada a decisão, aproveitei o que tinha de visual, a bela ponte (foto) que cruza um lago artificial, criado pela barragem do rio Tocantins, e o retão em que corria, agora já de frente para o palácio do governo, que assomava no alto de uma lombinha bem chatinha...

Pois Palmas, ainda que planejada, riscada por amplas e longas avenidas, é plana ma non troppo; na segunda parte da prova, por sinal, as ondulações eram ainda mais pronunciadas (abaixo, o trajeto da corrida popular).

Mas eu não precisei soletrá-las; apenas dei a volta no palácio, cheguei ao ponto final e parei meu cronômetro, sem passar pelo pórtico nem pelo tapete que registraria meu chip. Assim, minha aventura tocantinense não ficou oficialmente documentada; não faria diferença, pois, apesar de meu número ter sido entregue de acordo com a inscrição que fizeram quase um mês antes da prova, o chip que recebi na manhã da corrida tinha identificação diferente... "Isso acontece", me disse o sujeito que entregou o artefato informático. "Vale o número do chip", esclareceu ele.

É bom saber.

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h18

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Guerreiro completa maratona de Atenas

Tal e qual

 

Imitando o hemerodromo, o soldado que correu de Maratona a Atenas totalmente equipado, um participante da prova moderna exibe fantasia de guerreiro grego (foto EFE).

Aposto que sua vestimenta estava muito mais leve que a do sujeito que levou a mensagem da vitória dos gregos sobre os persas, em 490 antes de Cristo, e morreu depois de cumprir sua missão.

De qualquer modo, não é pouca coisa agüentar o calor ateniense e a maldita subida do km 32. A prova deste domingo reuniu mais de 9.000 atletas de diversos países e, como a maratona da primeira Olimpíada mdoerna, termina no glorioso estádio Panathinaikon.

Essa foi uma das maratonas bacanas que eu também já corri. A história está no meu livro, mas, na época, fiz um site para apresentar uma palhinha das emoções então vividas. Dê uma olhada clicando AQUI

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h01

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Fragmentos londrinos - cena do dia

Que delícia

 

Imagine só que gostoso deve ser correr num cenário como esse, com um friozinho que vai indo embora à medida que a gente vai acelerando, mudando o ritmo, contando os passos, revendo o mundo.

Com sua roupagem outonal, as árvores do Hyde Park transformam as alamedas londrinas em delícia pura (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h56

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Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 1

Detalhes das ruas

A partir de hoje, quando este blog já festeja seu segundo ano completo de vida, começo a publicar a série Fragmentos Paulistanos, com detalhes das ruas da cidade e do povo que lhes dá vida.

Durante alguns de meus treinos, levo uma pequena câmera, simples, com recursos suficientes para capturar um momento, uma cor, um caco deste mundão por onde corremos.

Ao final do dia, escolho algumas das cenas para compartilhar com você, sem muita conversa, esperando que a imagem transmita o que meus olhos viram.

Pretendo colocar uma nova edição a cada semana, sempre na noite de quarta ou na manhã de quinta-feira. A de hoje traz cenas recolhidas durante treino pela região central da cidade, no dia 22 passado.

Espero que você goste. Mande seus comentários.

Grafite em paredão na av. Sumaré

Riacho a céu aberto que "brota" da av. Marquês de São Vicente

Há quem ganhe muito e viva nababescamente, mas não pode dizer, sem mentir, o que o papeleiro afirma com orgulho em seu carro: "Meu trabalho é honesto"

Garoto corre em favela vizinha do viaduto que liga as avenidas Rudge e Rio Branco

Menina cria seu mundo em meio ao lixo da favela

Casarão na rua Guaianases

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 21h46

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Segunda morte confirmada em NY

Ataque cardíaco

O brasileiro José Carlos Gomes, 58, que morreu domingo depois de ter completado a maratona de Nova York, sofreu um ataque cardíaco, segundo informações divulgadas ontem pelos organizadores da prova, que deram conta também de uma segunda morte na prova.

Gomes, que treinava na equipe da Sul América Seguros e Previdência, empresa em que trabalhava em São Paulo há mais de 20 anos, completou a prova em 4h12min15 e passou mal depois de cruzar a linha de chegada. Foi atendido e levado a um hospital, mas não resistiu. Segundo o jornal "Agora", ele era casado e tinha três filhos.

Em comunicado divulgado ontem, a Sul América disse que o analista de sistemas era praticante do esporte havia muito anos e fora um dos selecionados pela empresa para participar da prova.

Os organizadores não divulgaram a identidade do outro corredor que morreu, mas o site do "The New York Times" informa ter sido Joseph Marotta, 66. Ele também teria sofrido um ataque cardíaco depois de ter caminhado o percurso, que completou em 9h16min46.

No ano passado, o atleta norte-americano Ryan Shay, 28, morreu um dia antes da maratona de Nova York, enquanto disputava a seletiva para a escolha dos maratonistas do país na Olimpíada de Pequim. No dia seguinte, morreu o cientista Matthew P. Hardy, 50, que completou a maratona de NY pela 12ª vez. Ele estava em casa, depois da corrida, quando sofreu um bloqueio das artérias coronárias _os organizadores da maratona de Nova York não contabilizam essa morte entre as relacionadas com a prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h34

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Conheça os novos vencedores da WMM

Empate no topo

Em pontos corridos, terminou empatada, no feminino, a disputa da edição 2007-2008 da World Marathon Majors, uma espécie de copa do mundo das maratonas, em que contam apenas as mais importantes e concorridas provas do planeta (Nova York, Berlim, Londres, Boston e Chicago, mais Mundial e Olimpíada, nos anos em que acontecerem).

Três atletas chegaram à última etapa com chances de alcançar o título. Vencendo em Nova York, Gete Wami, etíope que levou o título da WMM no ano passado, ou a ex-recordista mundial Catherine Ndereba poderia levar o título. Elas tinham 65 e 41 pontos, respectivamente. De sangue doce, sem participar do evento na Big Apple, a alemã Irina Mikitenko esperava pelo resultado da prova com 65 pontos já na gaveta.

Como nenhuma das participantes da prova de domingo marcou pontos para a série mundial, Wami e Mikitenko terminaram empatadas. A igualdade prosseguiu no primeiro critério de desempate, que é a competição direta, pois cada uma venceu a outra uma vez no período. A decisão então ficou para o voto de um júri formado pelos diretores das cinco provas que formam o circuito.

Por unanimidade, elegeram a atleta nascida no Cazaquistão e naturalizada alemã. Isso porque Irina conquistou seus pontos em menos provas e seu tempo médio nas provas foi mais rápido do que o da etíope.

No masculino, a coisa foi mais fácil. O vice da temporada passada, Martin Lel, tinha longa distância do segundo colocado, pois amealhara três vitórias na temporada: Londres e Nova York 2007 e Londres 2008. Contando ainda o quinto lugar em Pequim-08, totalizou 76 pontos para levar o caneco.

Eles foram homenageados hoje em Nova York e dividiram um prêmio de US$ 1 milhão.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h51

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Brasileiro morre na maratona de NY

Luto

O corredor brasileiro Carlos José Gomes, de São Paulo, morreu ontem depois de participar da maratona de Nova York.

Gomes, de 58 anos, completou a prova em pouco mais de quatro horas. Logo depois, sentiu-se mal. Foi atendido no local e levado de ambulância ao hospital Lennox Hill, onde morreu.

As causas da morte não foram divulgadas.

Houve pelo menos outros dois casos de corredores com problemas cardíacos. Um francês de 59 anos desmaiou e chegou a ficar instantes sem respirar, mas recebeu respiração artificial de outro corredor. Isso deu tempo para que chegassem os bombeiros, que o transferiram para um hospital em estado grave.

O outro atendido foi um americano, mas não há mais dados sobre ele.

Há um ano, o norte-americano Ryan Shay morreu enquanto participava da seletiva para a escolha do representante dos EUA na maratona olímpica.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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Cenas de Paula e Marilson em NY

Bicampeões

 

Refresco sem pausa (EFE)

Vou te pegar (Reuters)

Hasta la vista... (Reuters)

Abraço da vitória, com Juliana (AP)

Paula e Marilson posam para a posteridade (AP)

Sorriso da tranqüilidade, depois da prova (AP)

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h41

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US$ 165 mil para Marilson

Dois em três

No seu terceiro ano de Nova York, Marilson Gomes dos Santos ganhou hoje seu segundo título na mais famosa e concorrida maratona do mundo. Faltando pouco mais de 800 metros para o final, passou o marroquino Abderrahim Goumri, que vinha demonstrando cansaço, e correu para vencer em 2h08min43.

Levou nesta brincadeira US$ 165 mil (US$ 130 mil pela vitória e o restante como bônus por correr abaixo de 2h09). O marroquino chegou 24 segundos depois para se tornar bi-vice da prova.

A corrida começou lenta, com o pelotão da frente fechando em 1h06 a meia-maratona. Aos poucos o grupo de elite foi definhando e, por volta do km 30, os dois líderes deixaram para trás seus últimos companheiros, nada menos que os quenianos Daniel Rono, que tem 2h06 com melhor tempo, e o ex-recordista mundial Paul Tergat. Rono acabou fechando em terceiro.

No feminino, Paula Radcliffe voltou a vencer, demonstrando estar recuperada dos problemas que a derrubaram na maratona olímpica --onde, por sinal, Marilson também teve desempenho pífio, abandonando a prova.

Enfim, ambos mostraram seu valor mais uma vez no palco mais glamuroso do mundo. Marilson revelou que vai festejar sua vitória com um passeio pelo Disney World.

Escrito por Rodolfo Lucena às 22h31

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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