Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Minha São Silvestre, dez anos depois

Adorei

Olha, só posso dizer que a corrida de hoje foi uma belezinha. Na hora da largada, sol forte, mas muitas nuvens prometendo chuva, que acabou não vindo... Mas as nuvens se agigantaram, o vento bufou no asfalto e o clima, se obviamente esteve longe do ideal para a corrida, também não foi massacrante.

A multidão colorida e alegre impressiona e aviva o coração. Posicionei-me numa sombra, esperando a largada, e cronometrei o tempo que levou para a massa à minha frente começar a andar depois do toque da corneta.

Foram seis minutos. Eu levei 11 minutos para passar o pórtico e começar a trotar, e dali para a frente foi só alegria. Havia água em abundância, gelada nos primeiros postos e fresca mais tarde, mas tudo bem. Os postos, aliás, são um dos pontos que podem ser melhorados na estrutura da prova para aumentar o conforto do corredor; está menos ruim do que já foi, mas pode ficar melhor.

Encontrei muitos amigos e conhecidos, gente que não via há tempo, leitores do "Maratonando", visitantes deste blog. Foi uma grande alegria, e agradeço a você e a todos que por aqui aparecem pela companhia, o incentivo, a participação.

Falando em incentivo, pareceu-me haver mais gente nas ruas, todos entusiastas dos corredores, aplaudindo, gritando, dando uma palavra de apoio e amizade. Entre o km 11 e o 12, então, o povo do centro fez a festa...

No olhômetro, creio que aumentou a presença feminina, o que é outro indício do amadurecimento da prova e do mundo das corridas no país.

E a Brigadeiro, senhores, é uma delícia. Subi correndo toda ela, só vendo o freqüencímetro (a partir de amanhã, frequencímetro, sem trema) disparar e nem dando bola para ele, esperando a visão da esquina com a Paulista e do pórtico. Coisa muito boa.

Mas não pude ver outras tantas coisas bacanas que aparecem na cidade, ocultas todas elas pela massa de corredores e de público, além de meus olhos estarem focados no asfalto... Por isso, corri há umas duas semana o percurso, fotografando cenas que não vemos quando na disputa. O resultado é uma reportagem que está publicada no caderno Esporte da Folha neste primeiro dia de 2009. Dê uma olhada e depois mande seus comentários.

Para finalizar, parabéns à grande Fabiana Cristine da Silva, brasileira mais bem colocada na SS, com um ótimo segundo lugar. Já vou dizendo que ela não é uma surpresa, apesar de não aparecer tanto quanto outras nas corridas de rua. Dedicada às pistas, termina 2008 como líder nacional nos 10.000 m e vice nos 5.000. As outras meninas também fizeram bonito: Marily dos Santos (na minha opinião, maior destaque feminino de 2008 pelo desempenho na maratona de Santa Catarina e pela participação em Pequim), Marizete dos Santos e Luzia Souza Pinto.

No masculino, valha-me Nossa Senhora!!! Melhor nem comentar. O campeão da maratona de Chicago passeou para chegar em segundo. Mas ele perdeu para quem perderia mesmo: o campeão, James Kipsang, correu pau a pau com o Haile em Berlim até o km 30/35, fechando a prova em 2h05min36. De qualquer forma, Raimundo Nonato defendeu com galhardia as cores nacionais, o que já não se pode dizer de outros tidos como candidatos...

Para saber mais sobre a São Silvestre, visite a editoria de Esporte da Folha Online, que está com uma boa cobertura.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fragmentos Paulistasno, ano 1, nº 8

Bica de Pedra

 

A rua Bica de Pedra é um desafio aos que gostam de catalogar, organizar, definir, colocar tudo em seu lugar: ela é toda diferente, a cada metro se muda e se oferece de forma nova.

No dia desse treino pela cidade, em novembro passado, comecei perto do final da rua, num baixio na zona oeste da cidade. Nem lembro como cheguei até ali, tantas são as curvas que fiz depois de cruzar a avenida Pompéia. Daquele ponto, tudo no mundo está no alto, como se percebe pela imagem que abre esta página. O sobrado ao longe, em detalhe abaixo, parece montado sobre as árvores, mas ele está em alguma das ruas do alto, talvez a Rifaina ou a Mundo Novo.

Pois dali a Bica de Pedra sobe, se enrodilha e corcoveia qual um pingo selvagem, virgem de monta. É uma rua de gente simples, que vive em casas também simples, de frentes pequenas, muitas já maltratadas pelo tempo e pela falta de conservação. Em uma delas, vive seu Nono, nome que inventei pois ele não se apresentei nem eu lhe perguntei a graça. Simpático cavalheiro que já viu dias de mais ação, hoje aproveita as manhãs de sol sentado à vontade em sua oficina.

Ele talvez jamais se tenha perguntado qual a origem do nome da rua. Pois lhe digo, mesmo que talvez não lhe seja de interesse: é uma homenagem a um município paulista, hoje chamado Itapuí (do tupi-guarani itá-pu-y, água que jorra da pedra. Fica perto de Jaú, ao qual pertencia e do qual se desgrudou em 1913. O nome original era o da fazenda cujas terras foram doadas para a construção de uma capela em torno da qual surgiu um povoado; e tudo porque havia próximo à localidade um pequeno curso de água, nascente de uma bica, numa formação de pequenas pedras.

Tudo isso aprendi no site City Brazil, que provavelmente nunca foi visto por seu Nono. Ela gosta mesmo de suas ferramentas, distribuídas pela garagem-oficina em bagunçadíssima organização, da qual você vê abaixo alguns detalhes.

Visto isso, conheça melhor seu Nono, agora em close...

Dele me despedi com um abraço, não sem antes lhe perguntar se ainda fazia alguns consertos. "Quando aparece", me disse. Às vezes, consegue uns trocos da venda de objetos em exposição na garagem-oficina-loja...

E assim termina a Bica de Pedra. Ou melhor, começa, pois seu ponto de partida é mais perto da Heitor Penteado. Ali próximo, há também uma longa escadaria, que parece já ter sido palco de coisas que não se diz. É com sua entrada que me vou de mais esse pedacinho de São Paulo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como organizar o dia da SS

Dicas de última hora

No dia da minha primeira São Silvestre, há dez anos, acordei às 6h30 e, às 7h, era o primeiro e único aluno na aula de alongamento na academia que então freqüentava. Depois chegou um segundo deslocado, não lembro se também estreante na São Silvestre ou se cumprindo ordens médicas.

Às 8h30, já em casa, tomei um café reforçado e, às 13h, almocei um prato de arroz sem muito tempero, batatas cozidas, abóbora refogada e um filezinho de frango. Às 15h, acompanhei pela TV a largada da prova feminina, comi uma banana, bebi um copo de água e logo estava pronto para partir. Cheguei ás 15h30 ao ponto de encontro da equipe em que eu treinava e, ás 15h45, o treinador nos orientou para entrar no brete ou ficaríamos muito longe da largada.

Fiquei 1h15 no brete, bebericando de uma garrafinha de água, tentando me esconder do sol como podia, procurando esquecer o fedor que emanava daquela multidão de corpos e do asfalto temperado por mijo de milhares de corredores.

Cinco anos depois, em 2003, passei a noite da véspera em festas com minha família, acordei tarde, caminhei com cachorros e crianças em uma cidade próxima a São Paulo, comi um churrasquito leve com sorvete de sobremesa e cheguei à cidade às 15h, ainda meio estufado. Acompanhei a prova feminina e saí de casa depois das quatro. Peguei o metrô, cheguei 20 minutos antes da largada, fiquei numa sombra longe da muvuca e, quando faltava menos de cinco minutos para a largada, cavoquei um lugarzinho na multidão.

Da primeira vez, corri em 1h29; da outra, em 1h36, e subi a Brigadeiro cantando "Adeus, Ano Velho, Feliz Ano" em altos brados, a plenos pulmões.

O que isso nos ensina? Nada, talvez. Ou, por outra, que cada coisa é uma coisa e que cada experiência é única etc. e tal. De qualquer forma, o mundo do atletismo já coligiu sabedoria suficiente para definir algumas dicas que auxiliam o sujeito a passar melhor no dia da corrida. Especialmente de uma prova que, como a São Silvestre, é corrida fora dos horários costumeiramente usados pelos corredores.

Azar. Você está inscrito e vai correr à tarde, com sol ou chuva, vento forte ou calor sufocante. As condições do dia você não pode controlar, mas pode dar um trato nas suas.

Procure tomar bastante água desde hoje. Eu bebo uns três litros por dia, sem contar chás e um refrigerante (diet) de quando em vez. Também aproveite para dormir mais cedo hoje e acordar mais tarde amanhã, procurando descansar bem nesta reta final. E coma menos gordura (eu sei, eu sei, aquele sorvetão amigo, o chocolate suíço, a costela pingando sangue...)

No dia da prova, organize suas refeições de modo a comer alguma coisa a cada três horas, mais ou menos. Faça um bom desjejum, um almoço leve (macarrão ao sugo, por exemplo) e uma banana e uma barra de cereais entre 15h30 e 16h15, mais ou menos. Tem gente que gosta de tomar um gel de carboidrato uns dez minutos antes do início da corrida. Eu não.

Na São Silvestre, beba água em cada posto. Eu costumo tomar uns três goles em cada posto, mesmo sem ter sede. Entre o km 9 e o 11, tome um repositor energético. Ele vai fazer efeito quando você estiver subindo a Brigadeiro...

E divirta-se, que esse é o grande ensinamento da São Silvestre. Ela recompensa o esforço e o suor com medalhes de alegria e satisfação.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

São Silvestre, km por km

Quem guarda tem

Estreantes e experientes na São Silvestre sabem, de ouvir falar ou por experiência corrida, que essa é uma prova-cabeça, tática, de resistência, apesar de ser relativamente curta.

É preciso saber enfrentar cada desafio do percurso para terminar bem a prova, qualquer que seja a sua condição.

Pelo que aprendi em minhas várias participações e pelo tanto que já conversei com corredores mais experientes e treinadores, tenho os seguintes comentários sobre o trajeto da SS.

No primeiro quilômetro, contenha seu entusiasmo e não saia atropelando a multidão. Não adianta, pois a rua é estreita para tanta gente. Aos poucos, o ritmo vai aumentando. Quando você chegar à Consolação o ritmo vai estar quase bom.

Mas agora é que vem o perigo: você já esquentou e tem dois quilômetros de descida pela frente. Endureça a barriga, solte os braços, relaxe os ombros e trate de não acelerar tanto quando você deseja. Quem exagera aí paga ao chegar ao elevado. Aumente o ritmo um pouco, isso é de lei, mas não fique mais de um minuto mais rápido do que sua velocidade de cruzeiro...

Do pé da Consolação até a esquina da Ipiranga com a São João é um plano levemente inclinado, você recupera as forças e começa a decidir seu ritmo. Organiza o corpo, aproveita a sombra das árvores da praça da República e faça a curva da São João já pensando no elevado.

Fique bem pela direita, aproveitando a sombra dos prédios e reduzindo o esforço na hora de pegar água. Se for como no ano passado, haverá um posto um pouco antes da alça de acesso ao Minhocão. Beba.

Suba correndo a tal alça, para mostrar a si mesmo que você não tem medo de lomba... Dê uma descansada nos primeiros metros do elevado e retome o ritmo. O Minhocão é bem ondulado e também muito ensolarado. Tente ficar na sombra e responda aos acenos do povo que fica nas janelas saudando os corredores. Você vai se divertir...

Você passa o km 6 antes do final do elevado e vai entrar por uma série de curvinhas em ruas curtas e feiosas. É o trecho mais feio da corrida. Mas deve ter um chuveirinho para você se refrescar (veja se não molha os tênis). E, ás vezes, os moradores ficam com mangueiras para molhar quem pedir.

Você enfim chega à av. Antartida na altura do km 7, mais ou menos. É um bom lugar para ter gente de apoio, alegrando seu coração. Mas precisa ter algum esquema bem preparado, pois quem for para ali te aplaudir dificilmente vai conseguir te esperar no final...

Tome água no posto antes da subida do viaduto, onde você vai passar pela metade exata da prova. Umas centenas de metros depois, na curva para a avenida Rudge, começa o trecho mais duro, especialmente se o dia estiver ensolarado.

Do oito ao 11 é um retão. Concentre-se para não perder o ritmo. E trate de repor as energias tomando um gel de carboidrato no km 9 ou no 10. Saúde o povo que fica nos pontes de ônibus e procure acelerar um pouco, aproveitando a reta.

Quando cruzar de nova a avenida Ipiranga, prepare-se para o km mais gostoso e mais belo da prova. Passará pelo largo do Paissandu, pelo edifício Grandes Galerias, pelo Teatro Municipal, pelo viaduto do chá; principalmente, é nessa região e em seus bares que se concentra o povo da rua, gente alegre e disposta a aplaudir e se divertir com os corredores. Responda aos acenos da torcida e prepare o espírito para a subida da Líbero Badaró para chegar ao largo de São Francisco.

Depois de passar pelas vetustas arcadas e pela estátua do Beijo, você chega à Cristóvão Colombo.Descanse os músculos, relaxe e desça com o motor engatado, pois ao final dela vai começar a Brigadeiro.

Serão quase dois quilômetros de subida, mas o importante mesmo é chegar inteiro até a rua Pedroso, de onde você já vê o viaduto da 13 de Maio, onde termina o trecho mais duro da prova.

Passando sob ele, faltam apenas mil metros para a glória. Ainda é preciso subir, mas o trajeto é menos íngreme, você pode acelerar, sim, já de olho no perfil do predião Nações Unidas, que indica a chegada da esquina da Brigadeiro com a Paulista.

Já é uma multidão que aplaude. Dê uma paradinha de segundos, ao dobrar a esquina, apenas para recuperar a respiração. E vá embora, que já dá para ver o pórtico de chegada. Grite, acelere, corra que a medalha é sua.

Mas não pare depois de cruzar a linha. Continue caminhando por mais uns dez minutos antes de sentar para descansar. Se tiver muvuca para pegar a medalha, nem dê bola, considere como parte de seu processo de desaquecimento.

E divirta-se, desfrute, aproveite.

Feliz Ano Novo!!!

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 23h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Feliz Natal, corredor

Pernas ao léu

Este blog completou dois anos em novembro último, mas este é seu terceiro Natal.

Estamos vivos graças a você, que acompanha estas mal traçadas de quando em vez ou diária e religiosamente.

Espero poder continuar passando a visão de que a corrida, mais do que um esporte, é uma descoberta de vida, um reencontro consigo mesmo e com os outros, uma passada de amor pelo mundo.

Neste Natal, desejo a todos muita comida, bebida, diversão e alegria em geral, com todos os familiares, amigos, conhecidos e agregados de qualquer estirpe.

E a gente se vê depois da comilança, mas antes da São Silvestre, que eu tenho ainda mais uns recadinhos para quem estréia na mais famosa prova brasileira. E aposto que até os experientes vão gostar (ou, pelo menos, confirmar suas teorias...).

Bueno, agora, pernas ao léu, descanso, rede e uma gostosa soneca...

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dicas para se dar bem na São Silvestre

Descansar e comer

Quem treinou treinou; quem não treinou não treinou. Agora não é mais hora de ganhar velocidade nem de tentar alucinadamente recuperar treinos perdidos.

O mais importante, para você que vai correr a São Silvestre 2008, é preparar o espírito, relaxar, descansar; no máximo, fazer uma sintonia fina, o burilamento final, como alguns técnicos gostam de dizer.

Esses dez dias que antecedem a competição são os melhores: é o período de reduzir a quantidade de treinos, descansar, fazer uma massagem e ficar na ponta dos cascos para a hora da largada.

"Treinar, todo mundo treina. Ganha quem se alimentar melhor e estiver mais descansado", me disse uma vez Diamantino, grande maratonista gaúcho, três vezes representante do Brasil na maratona olímpica. Claro que, para a maioria de nós, a questão não é ganhar, mas sim terminar inteiro, saudável; se possível, dentro ou abaixo do tempo previsto.

Assim, além do descanso, você pode tirar uns dois dias nesse período (terça e sexta, por exemplo) para fazer o tal burilamento. Um treino curto, de uns 30 a 40 minutos, em que você alterna períodos correndo no ritmo de prova e mais forte que no ritmo de prova. Antes, aqueça trotando uns dois quilômetros, e depois faça o relaxamento também por uns dois quilômetros.

Outra coisa é a adaptação ao calor. Eu odeio correr no calor, que me abate e cansa rapidamente. Mas vou me forçar a correr pelo menos uns dois ou três dias mais tardiamente, lá pelas 11h. Também por pouco tempo.

Finalmente, há a questão do horário e da alimentação. Vou voltar a esse tema, mas recomendo que, se você ainda não correu nesse horário, faça pelo menos um dia de teste para ver o que é melhor para você.

Vou dizer o que pretendo fazer: não sei.

Basicamente, tenho duas opções: tomar café bem cedo, antes das 8h, e almoçar pontualmente ao meio-dia; ou, que é o que provavelmente vou fazer, tomar café bem reforçado lá pelas 10h e depois só reabastecer com um sandubinha e uma banana lá pelas 14h...

Ah, não esqueça de beber água, muita água: desde sábado, vá se acostumando a beber mais do que o costume...

E vou torcer para que fique nublado, que caia uma chuvinha ou que o sol se assuste um pouco...

Para terminar, lembro mais uma vez que não sou técnico nem médico nem nutricionista. As dicas que montei foram baseadas em ensinamentos aprendidos ouvindo esses profissionais e também com a minha própria experiência. Podem não funcionar para outras pessoas, mas são um indicativo das dicas gerais sugeridas por treinadores.

O mais importante mesmo é relaxar, aproveitar e ir para essa prova de espírito livre, leve e solto, sabendo que uma grande comilança o espera mais tarde. E que há mais todo um ano pela frente para rever, refazer e reviver.

Divirta-se.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h35

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 7

Escadarias

Eu gosto de escadas. Vezes sem conta, numa corrida qualquer pelas ruas da cidade, encontro escadas enormes, estreitas, escuras, fedidas, mas vou lá, degrau a degrau, bisbilhotar por esses escaninhos da cidade.

A do final da Paulo Vieira (acima) foi muito minha amiga durante os treinos para a maratona da Grande Muralha. Ela tem 165 degraus; cinco voltas são 1.650 degraus. São escorregadios e estreitos, exigem atenção o tempo todo.

Saindo dela, vê-se a calçada, e não resisti a registrar essas cores tão queridas de todos os nós, o verde-amarelo que se destaca na moldura do azul celeste. Para voltar, uma opção é subir outra escadaria, esta mais escondida, meio estranha... Mas o vermelho do carro lhe deu um it...

Da alto dessa degrauria toda, esparrama-se a cidade, como vista do início da rua Aurélia.

Ou se flagra o momento de um telefonema no parque Villa Lobos...

Ou o esforço para carregar no colo o cavalo de ferro.

Enfim, eu gosto de escadas. Voltarei a elas em outras mensagens.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ainda há vagas para a São Silvestrinha

Coisa de criança

Se você tem um filho-atleta com idade de seis a 15 anos, ainda há tempo de fazer a inscrição do moleque ou da garota na São Silvestrinha, que será realizada no dia 27 de dezembro na pista do Ibirapuera.

Haverá distâncias específicas, de 50 a 500 metros, conforme a faixa etária.

Pelo site (AQUI), que está razoavelmente bem-feito, pode-se esperar uma boa diversão.

Mas, em anos anteriores, já foram registrados problemas. Aqui mesmo no blog, você encontra o relato feito por uma mãe muito descontente com o tratamento então dado às crianças (leia AQUI).

De qualquer forma, é razoável esperar que os caras tenham melhorado.

Se você acompanhar alguma criança ao evento, não deixe de mandar seus comentários ou os do jovem atleta.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h04

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dica para correr melhor

Ângulo dos braços

Na rua, nas alamedas do Ibirapuera e da Cidade Universitária, estou cansado de ver corredores rápidos e lentos atacarem o ar como se fosse lutadores de boxe.

Mexem os braços com uma vontade e uma violência que parecem estar batendo em seu pior inimigo...

E desperdiçam energia preciosa.

Não pretendo ensinar ninguém, pois aprendi já há bastante tempo que a melhor forma de corrida é a sua forma, que a passada mais eficiente é a de cada um e assim por diante.

Mesmo assim, há pequenas coisas que a gente pode melhorar sem perder o estilo individual nem violentar a própria história corrida.

Essa coisa dos braços é uma. Um dos meus primeiros treinadores ensinava que, quando os braços estivessem no ponto mais alto, deveriam estar mais ou menos na linha do peito.

Dava até a dica de correr com os punhos quase fechados, mas o dedão aberto, apontando para frente ou para cima, conforme o estágio do movimento.

Tudo muito bom, mas o movimento continuava curto, com o cotovelo reto, quase em um ângulo de 90 graus, que é como corre grande parte das pessoas.

Anos e anos depois, ouvi uma dica que aproveitei e agora compartilho com você, pois me pareceu lógica, útil e eficiente: afrouxe os braços, relaxe sem perder a concentração e o controle dos movimentos.

Esse, aliás, é um ensinamento que para mim é particularmente difícil de colocar em prática: a corrida deve ser solta, fluida, relaxada, sem esforço... É bonito de ouvir, é belo de ver, mas como fazer?

Tentando...

No caso dos braços, é só deixá-los num ângulo um pouco mais aberto, de 100 a 120 graus, sei lá, apenas para que fiquem um pouco mais soltos, e você não tenha de fazer tanta força para controlá-los, para segurá-los.

E o movimento das mãos passa pela cintura (mais ou menos) e sobe até a linha do peito, soltinho, sem esforço, fluido... Para mim, quando consigo acertar o passo, funciona muito bem, pois a corrida fica mais leve e elegante. O principal: fica mais eficiente, pois gasto menos energia para fazer a mesma coisa.

Falando em eficiência, eis outra dica que aprendi também há muito tempo e procuro sempre colocar em prática, especialmente em provas mais longas: correr em linha reta, colocando cada pé na passada imaginária do outro, num movimento que lembra o das modelos nas passarela. Quando em asfalto pintado, procuro correr em cima que divide a pista.

O objetivo disso também é a economia de movimentos.

Experimente e conte sobre seus métodos para correr melhor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h14

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Recém-casada, 29, morre em maratona

Cadê a ambulância?

Cheia de vida, a jovem Erin Lahr era uma corredora experiente e uma noviça nas artes do matrimônio: aos 29 anos, tinha casado com Jeff havia pouco.

E todos os verbos da frase anterior estão no passado por Erin está morta. Morreu ontem, enquanto participava da Dallas White Rock Marathon.

Faltava apenas cerca de cinco quilômetros quando ela caiu, às 11h30, na esquina das avenidas Swiss e Washington. Cerca de 20 minutos depois, estava morta no Baylor University Medical Center, a dois quarteirões dali.

Uma testemunha da queda disse que Erin não apresentava sinais de cansaço ao chegar à esquina. Mas começou a tropeçar, e alguém a socorreu antes que desabasse no chão.

Socorrida na calçada, ainda conseguiu responder a algumas perguntas, mas logo perdeu a consciência. Os que a ajudavam gritaram pedindo um defribrilador, houve quem tentasse respiração artificial. Nada.

"Onde está a ambulância?", perguntavam todos, segundo uma testemunha.

O carro enfim chegou, mas não havia mais tempo, como se soube depois.

Ela foi um doa 16 mil corredores que participaram do evento realizado sob uma temperatura de 19 graus Celsius, calor invulgar para a época --no ano passado, o dia esteve dez graus mais frio na hora da prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h20

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gonzaguinha depois do casório

Gelo no pé

Eu não corri, neste ano, a famosa prova Gonzaguinha, nomeada em homenagem a um sargento da Polícia Militar de São Paulo. Mas o CARLOS RIBEIRO, 34, gerente financeiro, pai de família e batalhador como todo brasileiro, correu e se divertiu à grande. Por isso, pedi a ele que mandasse para este blog o relato de sua participação. Antes de ler o texto, porém, saiba que, apesar de tão jovem, Ribeiro já viveu pelo menos duas vidas de corridas. Na primeira, corria na maciota, não participava de provas, era só para manter o físico em dia. Pois o físico cedeu às exigências do mercado e da vida acadêmica, e Ribeiro viveu sete anos no mais puro sedentarismo, chegando aos 103. Voltou aos treinos, baixou de peso (está com 79 quilos) e está voando baixo, colecionando medalhas. Vamos ao seu relato.

"No domingo anterior à Gonzaguinha, após a última corrida do Circuito Corrida de Rua de São Paulo na Casa Verde, comentei com amigos sobre o casamento da minha cunhada no sábado véspera da prova. Temia que a festa atrapalhasse meu desempenho...

"A dica foi unânime: "Não dorme, Carlão. Emenda que é melhor!".

"Tentei seguir o conselho, mas acabei cochilando às quatro da matina de ontem. Sono bom, do qual acordei exatamente às 7h18.

"Dei um pulo apavorado na cama: a prova era às 8h! O que fazer? Não vou? grito, xingo, chamo a minha mãe?

"Fui embora, meio grogue e relutando em desistir, pois queria de qualquer jeito participar... Chegando à praça Campo de Bagatelle, larguei o carro em um posto de gasolina e sentei o pé.

"Minha "largada" foi às 7h44. Quando enfim cheguei ao Canindé, já tinha acontecido a saída da prova feminina. Eu estava ali perdido, parecia que nunca tinha participado de uma corrida. Cadê o guarda-volumes? E o xixi psicológico não vai fazer?

"Faltando dois minutos para a largada, achei o guarda-volumes; simplesmente atirei minhas coisas e tratei de correr... No meio do caminho, soou a buzina...

"Catizo! Vamo embora...

"Peguei a rabeira no embalo e mandei ver. Estava totalmente ensopado, pois acabara de percorrer 2 km correndo para chegar à prova.

"No km 5, ouvi alguém me chamar. Cumprimentei o amigo, falei do meu atraso, e ele me disse que também tinha recém chegado à corrida...

"Aproveitando o percurso legal, a água à vontade e o clima simplesmente maravilhoso, queimei o chão.

"Forcei até o km 11... Daí para a frente, comecei a sentir o pé esquerdo.

"Fui diminuindo, pensando que não concluiria a prova, porém persisti.

"Quando avistei a chegada, ainda tive pique para dar um tiro. Pensando "esse acabou de lascar o pé", cruzei a linha e parei meu cronômetro com 1h06min49.

"Agora é agüentar a dor no pé. Foi gelo nele o domingão inteiro..."

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h22

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Papai Noel atlético

Barbas corridas

 

Fantasias de Papai Noel pululam nas corridas de dezembro. Em Roma, passando em frente ao Coliseu, corredores vestidos como o Bom Velhinho participam de uma prova beneficente, que arrecadou fundos para um hospital de crianças (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h33

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona de Honolulu é corrida no Iraque

Multitrajeto

Sob canhões, soldados norte-americanos baseados no Iraque participam da versão militar da maratona de Honululu, que a cada ano organiza provas irmãs em paralelo à oficial, realizada ontem no Havaí.

Na base de Taji, a 20 km de Bagdá, cerca de 200 soldados participaram no evento; nem todos agüentaram as durezas do clima, como o corredor da foto acima, que teve de ser amparado por seus colegas.

No Havaí, a corrida começou de madrugada, iluminada por fogos de artifício, e reuniu 23 mil corredores (fotos Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 6

Trilhas por trilhos

Nos meus caminhos paulistanos, não raro passo por linhas férreas. Em geral, subo por viadutos, de onde tenho vista dos trilhos que se perdem no horizonte. Mas, um dia desses, tive uma surpresa e pude cruzar a linha férrea. Estive literalmente sobre os trilhos, na trilha do trem, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. São de lá as primeiras imagens que você vê agora.

O trem é uma figura recorrente na literatura, na poesia e, especialmente, no cinema. Passa a imagem de poder, força, resistência, decisão inquebrantável de seguir adiante. É também fonte de inspiração para retórica e eufemismos imagéticos de todo o tipo.

Quando eu era mais cinéfilo, freqüentador de clubes de cinema e leitor mais ardoroso do folclore que ronda a dita sétima arte (enumere as outras seis, por favor), havia uma piada comentando o trabalho nebuloso e hermético de diretores como Ingmar Bergman e outros da mesma estirpe.

Uma cena de sexo implícito, por Bergmann, seria assim: close na mocinha de olhar perdido, sentada num banco de trem; close no olhar distante do mocinho, no mesmo trem. Ela ergue o olhar, ele ergue o olhar. O trem cruza com outro, e a câmera se perde no horizonte. Silêncio absoluto.

Se fosse sexo explícito, em vez de cruzar com outro trem, o veículo entra em um túnel, sobe o som das rodas nos trilhos como se fossem arfantes pulmões humanos, e a imagem fica totalmente escura...

Bobagens de uma outra época, que eu nem sei se relembrei direito; provavelmente, se você for corredor e cinéfilo das antigas, vai encontrar em algum alfarrábio a história contada decentemente. Se o fizer, mande, que a gente publica.

Enquanto isso, deixe-me terminar de informar sobre as outras imagens. Foram feitas, as três últimas, contando da foto acima, durante o percurso da São Silvestre. Quando a gente corre a prova de fim de ano, quase nem nota, mas passamos pelo menos duas vezes por viadutos que se elevam sobre a linha férrea.

A primeira vez é exatamente na metade do percurso, no viaduto Antártida; e as outras duas (acima e abaixo deste comentário), pouco depois do km 9, na avenida Rudge.

Preste atenção nos trens e corra mais forte do que eles, sem trilhos nem trilhas por esse mundo afora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Margareth, 81, corre com as filhas

Família na maratona

Dona Margaret está superbem aos 81 anos, ativa e vivaz. Não precisa provar nada, mas gosta de uma corridinha e, para não perder o hábito, vai participar da prova de revezamento que integra a Dallas White Rock Marathon, no próximo domingo.

Será um time familiar: Margaret Butts lidera uma equipe integrada ainda por quatro de suas seis filhas.

As meninas estão ansiosas, pois não querem deixar a mãe sequer dar um trotezinho. Apenas uma caminhada é o suficiente, dizem elas. Mas a matrona, apesar de seu corpo de aparência frágil, está preparada, como você pode ver neste vídeo (clique AQUI).

Na sua rotina diária, a senhora Butts às vezes trota um pouco mais de três quilômetros nas ruas de sua cidade, Cedar Hills. Também pilota um triciclo da hora e não deixa de puxar ferro na academia da comunidade.

"Eu sempre digo para às pessoas: tente, que você consegue. Nem que seja um quilômetro ou mesmo metade disso. Eu me sinto ótima e quero continuar me sentido assim, e a corrida faz parte disso", conta a corredora.

No revezamento, Margaret vai dividir a distância com as filhas Edee (52), Faith (48), Christine (36) e Rebekah (40). A mais velha, Susan (53), e a mais nova, Dawn (34), vão correr a meia-maratona.

Vai dizer: dá inveja, hein! Queria eu chegar aos 81 anos e poder fazer um revezamento em uma equipe integrada pelas minhas filhas...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Havia um corpo no meio do caminho

Susto corrido

Não bastam as mortes de atletas: agora bandidos parecem se interessar em jogar corpos no caminho de maratonistas . Ou meio-maratonistas, como foi o caso nessa corrida nos Estados Unidos.

No último sábado, os atletas estavam tranqüilamente disputando uma prova de 21 km na turística cidade de Lafayette, na Louisiana, quando um corredor divisou um corpo escondido no parque Acadiana.

Tratava-se de uma mulher de 47 anos, segundo os legistas. A polícia suspeita de crime.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A preparação psicológica do corredor

Um estudo de caso

Ainda não li, mas parece muito promissor o livro "Joaquim Cruz - Estratégias de Preparação Psicológica: da Prática à Teoria, que a psicóloga do esporte Katia Rubio lança na próxima semana em São Paulo.

Professora da USP e pesquisadora, Katia fez duas longas entrevistas com o corredor, campeão olímpico nos 800 m rasos (Los Angeles-84).

Com base nelas, a pesquisadora traça uma biografia do atleta e discute suas estratégicas para chegar mentalmente preparado às competições.

Depois de ler, farei outros comentários.

O lançamento é na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho (Pinheiros), a partir das 19h de quinta-feira, dia 18.12.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h15

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cientista calcula limite da velocidade humana

Na prancheta é fácil

Volta e meia, matemáticos, estatísticos, fisiologistas e médicos das mais diversas especialidades se lançam à produtiva tarefa de tentar calcular os limites humanos.

Qual é o máximo da velocidade, da resistência, da força? Até onde os recordes podem ir, se é que há limites para a capacidade humana?

O cientistas Mark Denny, que coordena o Laboratório de Biomecânica que leva seu nome na Universidade Stanford, decidiu verificar se há limites absolutos para a velocidade humana.

O cientista comparou as performances do homem com as de cães e cavalos de corrida, contando com gigantescas séries históricas: encontrou dados de velocidade de cães de corrida desde a década de 1920 e desde o século 19 para cavalos e humanos.

Concluiu que os animais aparentemente chegaram ao limite. Os tempos dos cães estão estacionados desde a década de 1970, e a velocidade dos cavalos não aumenta desde a década de 1940, para o Kentucky Derby, e desde 1970 em outras duas provas do hipismo norte-americano.

Quanto a nós, ainda há gordura para queimar, a crer nos cálculos de Denny: nos 100 m, ele estabeleceu o limite em 9s48 (0s21 abaixo do atual recorde mundial estabelecido por Usain Bolt).

O cientista calcula que as mulheres podem baixar ainda 0s30 da marca de 10s49, estabelecida pela norte-americana Florence Griffith-Joyner há 20 anos.

Na maratona, o professor de Stanford é mais otimista que o atual recordista mundial, Haile Gebrselassie, que correu a prova em 2h03min59 em 28 de setembro passado, em Berlim. Denny acredita que algum homem ainda correrá os 42.195 metros em menos de duas horas. Para ele, a marca atual deve cair entre 2min7 e 4min23 até o limite humano.

Para as mulheres, o limite está mais próximo, a crer nos cálculos do cientista. Ele estabeleceu o limite humano em 2h12min41. Escreveu não leu, tá no papo para a inglesa Paula Radcliffe, que já correu em 2h15min25 em 2003.

Fica aqui o registro para que as futuras gerações façam suas comparações....

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h51

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Treino beneficente para a SS

Corrida e solidariedade

No próximo domingo, o pessoal da equipe VO2 promove, em São Paulo, um treino de preparação para a São Silvestre, aberto para corredores não ligados ao grupo.

Eles oferecem água e acompanhamento (de carro e/ou bicicleta), para aumentar a segurança do grupo. Mas atenção: é um treino aberto, sem inscrição nem nada do gênero. Isso significa que, apesar de haver algum apoio, cada um é responsável por si mesmo.

Eles pedem que os participantes levem roupas, água e alimentos não-perecíveis, que serão doados para as vítimas da enchente em Santa Catarina.

O treino começa às 7h, e a largada é no Masp, na avenida Paulista (tal e qual a São Silvestre).

Há outro treino, também com arrecadação de donativos, previsto para a noite do dia 27.

Não encontrei mais informações no site da equipe, mas há telefones para contato (11-3831-0208, 9105-1560, 9135-8194).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fragmentos Paulistanos - ano 1, nº 5

Treino com corujas

Nesta semana, revisitei o parque Villa Lobos, na zona oeste de São Paulo, e constatei que o local melhorou muito em relação ao que era há alguns anos: está mais espaçoso, tem mais verde e, de modo geral, o ambiente é mais acolhedor para quem vai praticar algum esporte, da caminhada ao ciclismo, sem esquecer da turma dos patins. E dos corredores, é claro.

Você foge dos edifícios que sufocam as ruas e ganha vista ampla, aberta, ainda que nem sempre elegante: o favelão do outro lado do rio Pinheiros está lá, firme e forte, para lembrar as agruras da vida e ilustrar os desequilíbrios socioeconômicos desta terra.

Durante a semana, dá para usar tranqüilamente a pista asfaltada destinada aos ciclistas. São três quilômetros; para completar o círculo e voltar ao asfalto sem mudar de direção, basta seguir em frente pela grama por mais um quilômetro.

Ou seja, situação ideal para treinos de ritmo, para quem faz, por exemplo, séries de 3 km forte, 1 km fraco.

O melhor é que você pode também fazer quase todo esse percurso pela grama. Pelos meus cálculos, no olhômetro, é possível rodar pela grama cerca de 80% da volta. Além disso, como registro na minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e /ou do UOL), há bebedouros e banheiros limpos espalhados pelo parque.

Para completar a diversão, você pode se encantar com os pássaros que por lá circulam. Há montes de um passarinho azul-escuro que não consigo identificar, mas que é bem bacana. Os quero-queros (acima) me enchem de saudade das terras gaúchas, e há ainda corujinhas elegantérrimas que te seguem com o olhar prestando a maior atenção, virando a cabeça para acompanhar detidamente seus movimentos.

Outra coisa boa é o fato de haver opções mesmo para quem faz treinos mais longos e não gosta de ficar repetindo muitas vezes a mesma volta. Além do percurso que comentei, há pelo menos outros dois circuitos, menores, mais na área central do parque, digamos assim, que podem ser combinados com a grande volta para formar um percurso mais longo e complicado.

Se nem assim você se der por satisfeito, pode combinar os circuitos internos com uma volta por fora, pela calçada. O meu GPS calculou o trecho em 4,5 km.

Completando o treino, se der tempo, você pode alugar uma bicicleta e circular por ali na maciota ou tomar uma água de coco gelado em uma das barracas que ficam na área do acesso principal ao parque. Depois, voe para o mundo como a corujinha.

Escrito por Rodolfo Lucena às 08h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quatis recebem atletas em parque

Quatilândia veloz

A família de quatis sai rebolante do matagal e atravessa a trilha rumo aos humanos visitantes. Um animalzinho mais avançadinho se ergue nas patas de trás e estende as mãozinhas para catar um pedaço de bolacha. Percebendo que há comida na roda, os outros se acotovelam em torno; mais ao longe, filhotinhos ainda ariscos se escondem na grama alta.

É o Parque Ecológico do Tietê, cuja entrada fica na altura do km 17 da rodovia Ayrton Senna, na zona norte de São Paulo, e que foi palco de uma corrida de dez quilômetros no último domingo.

Quando cheguei lá e percebi o time de corredores que se espalhava pelo gramado, pensei de cara: "Vou ser o último nesta".

Naquela hora, no entanto, o importante era pegar o número. Estava uma bagunça organizada, tudo bem descontraído, e a fila foi minúscula. Do jeito que as coisas iam, já vaticinei que a prova ia atrasar.

Que nada. Com menos de cinco minutos para a hora da largada, a turma começou a se reunir. Alguns sérios, concentrados; outros, descontraídos, como o corredor fantasiado de palhaço. E saímos exatamente na hora para um percurso muito bacaninha.

Nos dois primeiros quilômetros, saímos campo afora, correndo em chão de terra e na grama. Pouco depois do primeiro quilômetro, o percurso margeia um braço do Tietê que por lá se espraia, levando fedor ao ambiente.

Mas as capivaras e os urubus que buscam seu alimentos nas águas podres parecem nem ligar para o cheiro. Se o dia estivesse mais quente, e o sol estivesse mais forte, os corredores poderiam ser bem incomodados.

Não fomos, e logo passamos a correr por grama fofinha. Uma delícia, mas que exigia atenção, pois havia muitos cocurutos, seria um zás-trás para torcer o pé.

Finalmente, entramos na parte séria da prova: em chão de terra batida, daríamos duas voltas no lago do parque, onde os visitantes podem passear em pedalinhos e botes a remo.

Os horários de corredores e turistas diferem, porém, e naquela altura os serviços de aluguel não tinham aberto ainda. O lago estava intocado, as águas plácidas, verdosas, nem de longe dando idéia de limpeza. Novamente agradeci ao céu nublado; se o sol estivesse livre, meus amigos, seria uma caatinga das mais fedidas, além de cabeças saírem torradas...

Com a temperatura agradável do dia, porém, o jeito era correr. Eu já não estava em último e, mesmo parando para tirar algumas fotos, conseguia manter um ritmo surpreendente para meu recente histórico de ultralerdeza e dores. E a presença dos quatis, divertidos e supersimpáticos, era uma diversão a mais na manhã. Eles não se importavam mesmo com a presença dos visitantes: vinham à trilha sem a menor cerimônia.

E foi assim que, quase sem sentir, cheguei ao final da segunda volta, bastando agora pegar a reta para o pórtico montado. Com surpresa, festejei meu primeiro sub-60 em muitos meses: fechei em 59min32, incluindo as várias paradas para fotos.

A medalha de participação, como, de resto, todo o evento, é simples, mas traz todas as informações necessárias: nome da prova, distância, data e local. A camiseta também é bom, assim como o kit. Ao longo do percurso, havia três postos de água, o que é o adequado para a distância. De modo geral, portanto, uma prova bem organizada, que, até onde eu pude ver, não teve nenhum grave problema.

E os quatis são demais!

Para ver mais fotos, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Maratona faz bem a jovens casadoiros

Aceita...?

O garotão Bardia Fard, 27, caiu de joelhos ao terminar a maratona de Seattle ontem, mas não foi de cansaço.

Ele se ajoelhou para sua então namorada, Dominika Szreder, 26, para fazer "o pedido": propôs casamento à sua amada.

Em lágrimas, a maratonista disse "Sim" e recebeu a aliança.

A festa havia começado dois anos e meio antes, na China, quando os dois se conheceram enquanto estudavam direito internacional em uma universidade chinesa. O rapaz é advogado em Chicago; a moça acaba de passar em seus exames na Ordem.

Para ela, o pedido não foi surpresa. Não só tudo estava combinado de antemão, mas as comemorações haviam começado bem antes da linah de chegada. Desde o ponto da meia-maratona, o casal passou a ser acompanhado por amigos e parentes que participaram da celebração.

O casamento ainda não está marcado. Isso é outra maratona...

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Queniano morre depois de correr em Goiás

Mal súbito

Um atleta queniano morreu em Goiânia depois de ter passado mal enquanto participava da Corrida dos Carteiros, prova de 10 km realizada na manhã de ontem.

Segundo informou o jornal local "O Popular", Barnabas Kipkoech, 28, passou mal na altura da marginal Botafogo. Foi socorrido pelos médicos que acompanhavam a prova e encaminhado ao Hospital de Urgências de Goiânia. A médica Rosângela Matias, dos Correios, disse que o queniano sofreu pelo menos oito paradas cardíacas e foi reanimado. Mas acabou não resistindo.

O corpo de Kipkoech foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Goiânia para que fossem feitos os procedimentos legais para seu translado. O corpo deve ser encaminhado para Brasília, cidade na qual o atleta vivia no Brasil, onde estava havia três meses, ou para o Quênia.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h21

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Momento da maratona de domingo

Apoio armado

 

Fortemente armado, soldado libanês observa corredores que participam da maratona de Beirute, realizada ontem com a presença de mais de 31 mil corredores de 61 países (foto EFE).

O mote do evento foi arrecadar fundos para entuidades de luta contra o câncer.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h37

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Imagens do ano esportivo

Emoções nos pés

A Reuters fez uma seleção do que considera algumas das melhores e mais representativas fotos que sua equipe produziu neste ano. A Olimpíada de Pequim foi palco de dramáticas e divertidas cenas, mas o mundo esportivo deu também outras fotos para a seleção. Eu escolhi as seguintes.

Uma das sapatilhas de Usain Bolt é vista desamarrada, logo depois da vitória do jamaicano nos 100 m rasos, em pequim, quando estabeleceu novo recorde mundial para a distância: 9,68 segundos.

Corredores quenianos rodam largo de um grupo de veados no Bushy Park, nos arredores de Londres, antes da maratona da capital da Inglaterra.

Alegria e esforço estão estampados no rosto da jamaicana Shelly-Ann Fraser, vencedora dos 100 m rasos em Pequim-08.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Corrida alegra domingo em favela de SP

Paraisópolis em movimento

 

"As ruas já estavam interditadas. Faltavam duas horas para a primeira prova do Circuito Popular de Corridas, mas o som ainda bombava na boate Batucão, em Paraisópolis (zona sul de São Paulo). Os primeiros corredores chegavam e se misturavam aos últimos baladeiros. Muitos tomavam a saideira e estranhavam a aglomeração."

Assim começa o texto do repórter Adalberto Leister Filho, que, na edição de hoje da Folha, relata a manhã atlética de ontem em uma das maiores favelas de São Paulo (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).

A corrida teve largada no campo do Palmeirinha, circulou pelas ruas da região (foto acima, lalo de Almeida/Folha Imagem) e reuniu apenas cerca de 200 pessoas, menos da metade do total de vagas oferecidas.

Mas é um momento importante da tentativa de disseminar o esporte por regiões mais carentes, que foi tema de ampla reportagem na edição de ontem da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e do UOL).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.