Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Melhora estado de ultramaratonista inglês

De volta à pátria

 O britânico Gary Johson, que estava hospitalizado com problemas renais depois de ter participado da ultramaratona Brazil 135, recebeu alta e viaja neste sábado para sua terra.

Segundo mensagem enviada pelo organizador do evento, Mário Lacerda, o atleta deverá continuar o tratamento na Inglaterra.

Ele terminou a duríssima prova, realizada de 23 a 25 na serra da Mantiqueira (MG), com grave desidratação e, hospitalizado, chegou a correr o risco de perder um rim.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h29

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Meia Maratona de São Paulo muda percurso

Até o centrão

A Yescom reagiu e acaba de anunciar (pelo menos, só agora eu recebi o e-mail) um novo percurso para a Meia Maratona Internacional de São Paulo, marcada para março.

A mudança é relativamente pequena, mas, pelo menos, agora já não são duas voltas igualmente chatas.

Na primeira, o corredor sai do elevado, passa por algumas ruas do centro (av. Duque, José Paulino, parque da Luz) e retoma pedaços conhecidos do trajeto da São Silvestre --o viaduto da Rudge, por exemplo, é cruzado na direção oposta da percorrida na SS.

A partir do km 12, repete, em sentido contrário, os nove quilômetros iniciais.

É uma iniciativa positiva, que melhora os atrativos da prova. Parece uma resposta ao bom percurso da meia-maratona da Corpore, em abril, o que não diminui em nada suas qualidades.

A Corpore, por sua vez, confirma no seu site a realização do Desafio Castelhanos, em Ilhabela. Serão 48 quilômetros de muito amor para dar, morro abaixo e morro acima. Se tiver chovido, então, vai ser aquele barral gostoso.

O problema é que a prova está marcada para a semana anterior à maratona de Porto Alegre. É de cortar o coração.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h24

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Com mais de 90, corredores arrebatam recordes

Longevidade inspiradora

Fonseca, 94, foi o mais velho competidor da última São Silvestre. Deixou para trás gente com menos de um terço de sua idade.
Fischer, 92, é o recordista mundial dos 100 e dos 200 m na sua faixa etária. Ele dá uma volta completa na pista de atletismo em 1min45s52.
As histórias desses monstros do atletismo são o tema da reportagem de capa da edição desta quinta do caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL).
Conversar com os dois foi um dos momentos mais agradáveis e inspiradores do meu trabalho.
Antonio Antunes Fonseca, o Toniquinho, saiu de seu descanso com a família na praia especialmente para nos receber no sobrado em que mora, em um esquina de Sorocaba. Lá vive com a mulher, dois filhos e uma neta. O prédio também abriga a academia de dança da filha e, na varanda, tem uma área onde o corredor guarda seus troféus e medalhas e outra que dedica para treinos em dias de tempo mais inóspito.
Frederico Fischer concedeu a entrevista em sua casa em Peruíbe, onde vive há 22 anos. Mora com a mulher, Teresa Fortunata, ex-velocista e barreirista que conheceu nas pistas do Clube de Regatas Tietê. Ela de vez em quando contou também suas histórias, além de um delicioso bolo de sua própria autoria.
Foram conversas longas, eivadas de desvios provocados pelo entrevistador ou pelo entusiasmo dos entrevistados. A partir de agora, você lê uma versão editada das entrevistas, mas ainda plenas de histórias --tanto, que cada uma teve de ser dividida em várias parte. As fotos de Fonseca são de Eduardo Knapp; as de Fischer, de Fernando Donasci.

Sente-se confortavelmente e tenha uma boa leitura.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h41

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Entrevista com Antonio Fonseca, 94, herói da São Silvestre

Treinar bastante




FOLHA - Como foi a São Silvestre para o senhor?
ANTONIO ANTUNES FONSECA -
Foi muito boa. Eu tive muito incentivo dos colegas, pois eu chamo atenção por causa da idade... Conversei com outros corredores, ia contando como comecei nas corridas, o incentivo que tive na minha cidade. Em certos trechos, gritavam: ‘Toniquinho!‘. Mais ou menos em três ruas gritaram meu nome. Um lá gritou: ‘Esse é campeão!‘. Agora eu quero me preparar bem porque neste ano ainda quero melhorar o meu tempo.

FOLHA - Como o senhor começou a participar da São Silvestre?
FONSECA -
Essa foi a minha quarta participação. Eu corria aqui em Sorocaba e ganhava todas as provas, na minha categoria. Corri 12 anos pelo Clube de Regatas Tietê, de São Paulo, onde eu adquiri técnica. Corri também pelo São Paulo. E fui escalado para participar de provas no exterior. Tomei parte em quatro mundiais de veteranos. Eu me inscrevia em marcha atlética (5.000 metros), 400 metros e 200 metros; e arremesso de disco, martelo e dardo. Eu comecei a me destacar. Por isso, essas medalhas que vocês veem aí, tem mais ou menos umas 650 medalhas...
Eu fazia aquelas corridas no sítio, quando era menino, eu sempre me destacava. O meu pai pegava gosto, me via ganhando daqueles cablocos, e dizia: ‘O meu filho vai ser um grande corredor‘. Hoje eu sou um velho, mas tudo aquilo que eu gostaria de ser, estou realizando.Tudo que eu faço, faço com amor.

FOLHA - O senhor começou a participar de competições de atletismo depois de aposentado, com 60 anos. O que o levou às corridas?
FONSECA -
Eu jogava futebol, antes. Eu não tinha muita técnica, mas tinha muita corrida. Joguei no Xangrilá, no São Bento (de Sorocaba), no Fortaleza, mas eu só tinha corrida, não era muito bom de bola. Eu corria e centrava. Então me diziam: ‘Você tem de entrar no atletismo, a corrida vossa é demais‘. E me indicaram a Associação Atlética de Veteranos, para treinar e participar de competições. Eu estava já com 60 anos e fui lá. Comecei a arremessar peso, disco, comecei a me destacar. Entrei no campeonato paulista e me levaram para o São Paulo. Sempre ganhando medalhas, em primeiro, segundo, terceiro... Eu ia daqui, a Prefeitura dava condução, e a gente ia competir em São Paulo e também na região, aqui.

FOLHA - Como foi o seu primeiro Mundial?
FONSECA -
Eu fui pela Associação de Veteranos. No Japão, é muito bem organizado o esporte. A pista é uma maravilha. E eles têm muito cuidado com os veteranos... Naquele tempo, não tinha marcha atlética no Brasil, para a terceira idade. Eu que iniciei, lá em São Caetano. E, no Japão, fui campeão mundial na minha categoria, na marcha atlética, 5.000 m. Há muitos veteranos, mas fazem apenas uma prova. Eu tenho essa felicidade de fazer várias modalidades: marcha atletica, 100 metros, arremesso de peso, São Silvestre e outras... Participei dos mundiais no Japão; em Bufalo, nos Estados Unidos; na Finlândia, em Turk. Na Espanha, na Itália. E agora vou de novo para a Finlândia [NR: ele se refere ao Mundial que será realizado em Lahti em julho/agosto]. Neste ano, vou levar desvantagem, porque faço 95, mas, na época das competições, ainda terei de competir na faixa dos 90 aos 94 anos. Mas há muito poucos da minha idade... Lá eu vou fazer marcha, 400 metros, arremesso de peso, dardo, disco e martelo.

FOLHA - Como o senhor se mantém em forma?
FONSECA -
Eu tenho muito cuidado com a alimentação, não faço extravagância de jeito nenhum. Eu levo a minha vida só treinando, me alimentando bem e fazendo exercícios com amor. Nada de bebida, cigarro. Treinar bastante. O treino é muito importante. E ter cuidado com a alimentação. Eu como cereais de manhã, com banana, leite. Depois café e muito pouca carne. Verdura e frutas à vontade. Fruta é esencial para o atleta. E treinar. Eu, quando vou deitar, ainda deitado eu tô treinando [move os braços e pernas para mostrar o movimento]. E aqui mesmo, nesta varanda, eu fico vai e vem, vai e vem, trotando.

FOLHA - Como são seus treinos?
FONSECA -
Três vezes por semana eu faço natação e física na ACM. E três vezes por semana eu faço essa corrida na Vila Gabriel, na pista de atletismo. Lá eu corro, arremesso peso. E faço caminhada duas vezes por semana. Corro oito quilômetros, em ritmo maneirado...

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h38

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Entrevista com Antonio Fonseca - parte 2

Vida aventureira




FOLHA - Quando e onde o senhor nasceu?
FONSECA -
Nasci em 18 de outubro de 1914. Nasci em Araçoiaba da Serra. Naquele tempo, era Campo Largo de Sorocaba. Hoje, a turma do jornal me chama de Toniquinho de Sorocaba. Eu nasci lá, mas esporte fiz mais aqui. Meu pai era lavrador, sitiante. Meu pai gostava muito de esporte. Nós treinávamos em raia de corrida de cavalo. É por isso que sou atleta hoje. Eu queria jogar futebol, mas ele não queria. ‘Futebol é para vagabundo‘, não me deixava. Mas, no fim, de tanto a gente pedir, ele fez um campo, comprou bola para a gente jogar. Depois vim para Araçoiaba, jogava futebol, mas, nas corridas de rua, no aniversário da cidade, eu ganhava todas. tanto que ele marcavam um trecho e diziam: ‘Você tem de chegar nesse ponto antes de o segundo apontar lááá na esquina‘. Quando vim para Sorocaba, não queriam deixar que eu me inscrevesse numa corrida: ‘Ele não está preparado, ele vai fazer feio...‘ Um meio-parente meu intercedeu, acabaram deixando. Era a minha primeira corrida aqui. Que vontade de correr! E me avisaram: ‘Olha, cuidado, que a turma sai com tudo...‘ Eu ouvia os alto-falantes: ‘Atenção! Está na hora da partida‘. E deram a partida. Eu saí. Dei a volta na praça, depois pegava até Santa Clara, descia e ia até a Votorantin, dá mais ou menos dez quilômetros. Quando eu desci a Santa Clara, olhei para trás e não vi ninguém: eu era o último. Estava tudo embolado na minha frente. Quando eu peguei a reta, eu puxei... Cheguei em segundo. O Tremembé, que ia ganhar, caiu na minha frente... Eu estava com 22 anos. Foi a primeira corridinha. Depois acabou. E olha que agora eu corro.

FOLHA - Conte um pouco sobre sua família.
FONSECA -
O meu pai e a minha mãe, os dois faleceram muito cedo. A minha mãe, atacada do pulmão. Meu pai, com 51 anos. Eu sou o mais velho, cuidava de três irmãos. Já morreram dois. O Carlito morreu com 51 anos, e o Osório morreu com 18 anos. De vivo, só tenho uma irmã, que mora aqui, vizinha. Ela se chama Maria Maelo Fonseca, está com 68 anos. Eu trabalhava na lavoura, com o arado. Sempre trabalhei. Por isso que eu sou forte. Eu trabalhava contente, cantando. Naquele tempo, a gente cantava Recomenda. Tinha uma matraca, e a gente saía de noite, batia na porta da casa das pessoas. Chegava, ajoelhava e cantava [NR: Ele canta os versos ‘Acordai quem está dormindo, oi, acordai, vamos rezar, oi, prá rezar um Padre Nosso, oi, junto com Ave Maria...‘ E tocava a matraca...]. Meu pai era repentista. Ele cantava e a minha mãe respondia. A minha mãe, se fosse hoje, era uma artista. Ela chegou a cantar na igreja, lá em Araçoiaba... Minha vó curava criança só com reza e com benzimento. Às vezes, vinha criança magra, ela curava.

FOLHA - E como foi a sua vida? Depois de trabalhar na roça...
FONSECA -
Eu vinha cavalo para Araçoiaba. Eu tinha um cavalo branco, que a turma dizia: ‘Olha aí, vem chegando o Buck Jones‘. Toda a vida eu fui espirituoso. Mais tarde, trabalhei em Araçoiaba: tinha uma maquininha de limpar arroz. Eu ajudava muita gente, pessoas pobres, até que o prefeito de lá chegou e me disse: ‘Fonseca, você vai ser candidato a vereador, você vai ganhar fácil‘. Pois eu fui o segundo mais votado. Fui o mais novo de lá. E aqui em Sorocaba fui um dos mais velhos. Aqui fui eleito duas vezes... Mas resultado: fui eleito vereador e já fui presidente da Câmara [de Araçoiaba]. Eu não ganhava nada como vereador. Para viver, trabalhava na lavoura. Plantava algodão, feijão, milho, trabalhava com arado. Sempre trabalhei. Até agora, eu estou com 94 anos, eu tenho uma chacrinha, tenho uma casas que eu alugo, e eu mesmo que faço alguns consertos, fico como servente de pedreiro. Eu adoro trabalhar. Como eu adoro esportes. É a coisa mais gostosa você poder trabalhar, você ter o que fazer, você pensar só naquilo, não estar pensando mal...

FOLHA - Quantas profissões o senhor teve?
ANTONIO ANTUNES FONSECA -
Fui vereador aqui [Sorocaba] e em Araçoiaba. Comecei na lavoura e na enxada. Depois eu comecei a comprar cereais dos caipiras e a vender em Araçoiaba. Depois tive um criação de suíno. Ganhei dinheiro! Cheguei a fazer um mangueirão de seis hectares, fechado de arame. Sempre lutando. Trabalhei com carroça, trazer algodão do sítio de meu pai para Araçoiaba, onde tinha máquina. Depois comprei a maquininha e limpava arroz para o gasto dos caboclos. Depois vendi e comprei a máquina nova, que limpava 40 sacas de arroz. Aí comecei a comprar arroz e a vender arroz. Fui delegado de polícia. Aqui em Sorocaba, cheguei a trabalhar em feira, fui feirante. Eu fazia mudanças porque eu tinha um caminhãozinho... Vendi alho na feira, era o único que vendia alho. Tinha um deputado com quem fiz amizade, o Juvenal de Campos. Ele dizia: ‘Ô Toniquinho, você vai ser candidato a vereador e você vai ganhar fácil, porque o pessoal gosta muito de você. Pode deixar que eu vou gravar um disco e você põe no carro vosso e você vai ganhar eleição‘. Ele gravou um disco falando assim: (imita a gravação, com voz empolada) ‘Para vereadorrr, vote em Toniquiiinho, homem simples, leal e honesto, um trabalhadorr como você‘. Fui o quinto mais votado. Entrei na Câmara, completei dois mandatos. Eu me aposentei com 60 anos.





CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h33

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Entrevista com Antonio Fonseca - final

Pensamento positivo




FOLHA - Depois que o senhor se aposentou, por que passou a praticar tantos esportes diferentes?
FONSECA -
Porque tinha aqui na Associação, arremesso de dardo, disco... Comecei lá... Minha especialidade é mais o arremesso... Disco, na categoria de 90 anos, eu pus 31 metros... Dardo, 28 metros. Peso, o melhor arremesso meu foi 11 metros...

FOLHA - O senhor ganhou dinheiro com o atletismo?
FONSECA -
(Risos) Nada. Só gasto. Mas gasto com gosto. Vale. Eu ganho bem, sou aposentado como corretor de imóvel, como vereador. Não gasto em bebida, clube... Eu tomo parte em festinha. Gosto de música, eu toco xaxim, eu adoro samba. Tenho televisão, disco, eu me divirto. Temos um conjunto, na padaria União, aqui perto, a gente toca todo domingo, das 11 às três. E assim a gente toca a vida. Esquece da idade...

FOLHA - Qual a importância do esporte?
FONSECA -
O esporte é muito importante, principalmente nesta época em que está o mundo, de drogas e tudo. O esporte faz você sair disso. Você pensa só em esporte, em melhorar o arremesso. Eu não vou em baile... A minha vida, eu levo só no esporte. Esporte, ver televisão, ler jornal. Outra coisa: muito cuidado com a alimentação. O importante é a pessoa se alimentar bem, não fazer extravagância...
E outra coisa. Nunca fumei. Fumei duas vezes, uma vez foi quando era menino. Era moleque, fui ao circo... Tinha uma moça com uma bola grande, assim (gesticula). Ela subiu na bola e acendeu um cigarro e cantou (imita): ‘Enquanto eu fumo, depressa a vida passa, e a dança da fumaça me faz adormecer‘. E eu achei bonito, e fui e comprei um maço de cigarro, comecei a fumar. Mas vomitei...
Depois passou muitos anos, eu era delegado lá em Araçoiaba. Um caboclo matou outro lá, e foi um médico daqui de Sorocaba, doutor Ovídio, fazer a autópsia. Eu, vendo ele cortar o cadáver, peguei um cigarro e acendi, por causa do mau cheiro... Olhei, o coração do sujeito estava esfumaçado, perguntei para o médico o que era aquilo... Ele disse: ‘É isso que você tem na mão... O cigarro que faz isso...‘ Eu disse: ‘Dr. Ovídio, nunca mais‘, e joguei o cigarro fora.

FOLHA - Como esportista, o senhor teve alguma lesão?
FONSECA -
Só no futebol, que trincou um osso, ficou um tempo mal. Depois de aposentado, nunca tive nada. Fui operado da próstata, então fiquei um tempo sem poder competir. Mas fiquei bom... mas nunca tomei remédio. Levanto às 5h, às 6h30 começo a fazer física. Jogo vôlei. Antes jogava futebol de salão e de campo, mas parei por causa das corridas...
Estou com catarata, tenho de operar. Estou na fila, tem que esperar.

FOLHA - Quando o senhor está correndo, o que o senhor pensa?
FONSECA -
Quando estou correndo, penso em estar sempre melhorando... Nos treinos, a gente pensa até quando que vai continuar  fazendo aquele negócio, não é? Porque vai chegar o dia em que a gente vai ter de parar, então a gente sempre pensa nisso. Mas tem que esquecer e tocar o barco. Pensamento positivo.


 


As fotos desta página são de minha autoria

LEIA A SEGUIR A ENTREVISTA COM FREDERICO FISCHER

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h30

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Entrevista com Frederico Fischer, 92, recordista

Correr com gana

 



FOLHA - O senhor treina sozinho, aqui na praia?

FREDERICO FISCHER
- Sozinho, aqui na praia. Faço meus treinos. Máximo três vezes por semana, a média seria duas vezes por semana. Primeiramente, faço os alongamentos aqui em casa, tudo direitinho. Principalmente das pernas. Faço depois um trote pela praia, deve dar uns 3.800 metros, ida e volta. Aí continuo nos alongamentos e marco, com meu ‘passômetro‘, 50 metros, às vezes 75, e começo a dar os piques de velocidade. Começo devagar, depois mais forte, mais forte... e sempre tirando o tempo para não perder o pique da velocidade.
Eu sempre fui velocista. Em 1945, fui o campeão paulista _naquele tempo, poderia ser considerado brasileiro, porque só tinha São Paulo no atletismo, fui o campeão paulista nos 400 m com barreiras. Em 1948, fui campeão paulista do decatlon. Então eu sempre fiz de tudo: corridas, arremessos e saltos. Arremessos ainda treino uma vez ou outra. Eu tenho meus implementos aqui: peso, disco, dardo, martelo. Uma vez ou outra faço um treinamento, mas nunca me empenho assim em querer fazer um resultado. O que eu quero é me sentir bem, estar quites com o organismo, com o físico, para evitar lesões. E tenho tido sorte.

FOLHA - Está agora se preparando para o Mundial?
FISCHER -
Talvez. Há um senão. Primeiramente, a esposa. Ele já está me limitando, já não quer mais que eu faça tantas provas. Como eu fui decatleta, eu gosto de fazer muitas provas. Em julho ou agosto, estive em Manaus no campeonato brasileiro. Fiz oito provas. Como na minha faixa etária já não tenho quase mais adversários, talvez só uns dois ou três, e sempre bem mais fracos do que eu, eu ganho todas as provas. Eu fiz oito provas. Mas ela não gostou... Agora, para esse Mundial, tem o senão seguinte: eu já fiz a operação da catarata de uma vista; agora está na hora de fazer a da segunda. A operação é feita em São Paulo, é um aparelhamento ultramoderno, que é rapidíssimo. Mas o pós-operatório obriga a gente a não fazer esforço nenhum por quase dois meses. Se isso acontecer, eu não sei como eu vou estar depois dessa parada. Em geral, eu não demoro muito para entrar em forma, mas é sempre problemático. E a inscrição para o Mundial é feita quatro, cinco meses antes...

FOLHA - É preciso alguma qualificação?
FISCHER -
Não. O espírito do veteranismo é o seguinte: confraternização e amizade. Não há índice para participar. Vamos supor, no arremesso de peso: quem quiser participar, pode se inscrever, desde que pague a taxa e esteja dentro da faixa etária... Eu estou com 92, até os 94 estou na faixa dos 90. Não há índice. Participa quem quiser e puder pagar.

FOLHA - Tem de ser sócio da Associação de Veteranos?
FISCHER -
Sim. Eu participei do terceiro Mundial de veteranos, em 1979. Quando começaram os Mundiais, eu e o presidente da Associação Atlética dos Veteranos de São Paulo. Daí era livre, era pouca gente, entravam todos. Mas, quando começou a aumentar o número de participantes, resolvemos impor certos regulamentos. Para o Mundial, só aceitam inscrição feita através de entidade nacional. Eu participei também nos mundiais de Porto Rico, de San Sebástian, na Espanha, e em Riccione, na Itália, em 2007 [NR: estabeleceu novos recordes mundiais nos 100 e nos 200m].

FOLHA - O senhor falou que o veteranismo é confraternização, mas, pelo seu relato, também é muito competitivo...
FISCHER -
Aí, sim. Na hora de entrar na raia, aí não tem conversa. Aí é brigar mesmo. É da pessoa. O sujeito gosta de vencer. Ninguém gosta de perder. A gente tem aquela gana. Isso é natural... Mas depois todo mundo é amigo...

FOLHA - O senhor treina também esse aspecto competitivo, se prepara para a tensão da competição?
FISCHER -
Precisa treinar muito, principalmente velocidade. Nas provas de velocidade, a saída é importantíssima. Quem bobeou na saída, quando os adversário são fortes, não pega mais. Na praia, eu treino isso: simulo a partida. Falo mentalmente os comandos: ‘Às suas marcas‘; eu vou lá na marca. Penso: Pronto, e o tiro: vai!. Aí eu saio, porque tem que automatizar esse mecanismo do corpo, porque senão a pessoa fica muito lerda... Nos treinos, tem de mentalizar como se fosse a prova, para habituar o corpo. Antes da prova, a gente tem de excluir tudo e só pensar na prova.

FOLHA - Como é o resto do seu dia, o resto da semana?
FISCHER -
Eu faço muita coisa aqui em casa. Às vezes meto a máquina aqui, corto grama... Tenho minha oficina, faço uma coisa ou outra. Às vezes, se precisa pegar numa vassoura, pego numa vassoura... Vou a pé ao centro fazer compras, carrego sacolas. Procuro andar sempre, fazer exercícios. Não ginástica, mas mexer o corpo. Às nove e meia da noite, mais ou menos, já estou procurando o berço, antes das sete estou de pé... Aí já começo a me mexer, abrir a casa, cuidar dos cachorros, cuidar do passarinho.

FOLHA - E a alimentação, o senhor tem um cuidado especial?
FISCHER -
A alimentação é um fator importante, mas quem cuida disso é a minha esposa. Ela entende bem de alimentação, pois ela é formada em enfermagem. E eu não sou glutão. Eu como normal, comida variada. Muito legume, muita verdura, muita fruta. Não muito coisa gordurosa, pouco sal... Quando moço, gostava de doce. Mas vêm vindos os anos, a gente vai perdendo...  Gosto de tomar meu vinho, um pouco de cerveja, um aperitivo uma vez ou outra... A gente vai largando, com o tempo.‘


CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h25

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Entrevista com Frederico Fischer - parte 2

Acidente de percurso

 

 

 

FOLHA - O senhor nasceu onde e quando...
FISCHER -
Meus pais eram alemães. Meus pais em 1909 já estavam no Brasil. Tanto que só [quem nasceu na Alemanha foi] o meu irmão mais velho, que faleceu há um ano e pouco, pouco antes de completar os cem anos. Depois dele, tem uma irmã, Emília, que mora lá na Vila Pompéia, onde eu me criei. Ela vai fazer 99 anos. Meu pai morreu cedo, com 45 anos, sofreu um acidente, mas era muito forte. A minha mãe viveu até os 92 anos. Eu nasci em Ribeirão Preto, em 1917, seis de janeiro. Meu pai estava bem estabelecido lá em Ribeirão Preto, tinha um frigorífico. Ele era especialista em carnes, linguiças, salames, essas coisas. Tanto que o conde Matarazzo, anos mais tarde, levou ele para Jaguariaíva (PR) para tomar conta do frigorífico. Ele era bom nesse ramo. Mas, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha, ele perdeu tudo. Em 1918, ele era alemão, ele não podia sair da cidade. O que ele tinha de pagar, ele pagou, o que tinha para receber, ninguém pagou. Ele perdeu tudo. Aí saímos de Ribeirão Preto...
Fomos para Jaguariaíva, foi lá que meu pai teve um acidente, caiu no rio, morreu afogado, uma coisa horrível. E nós voltamos para São Paulo. Minha mãe começou a trabalhar, foi se empregar na fábrica, na Água Branca, na Matarazzo... Eu ficava em casa, cuidava dos meus irmãos. Nós éramos todo pequenos. Naquela época, a Vila Pompéia era tudo campo, uma casa aqui, outra lá adiante, só barba de bode... Eu jogava futebol, empinava papagaio, ia nadar no rio Cabuçu, que ficava entre a Freguesia do Ó e bairro do Limão.
Quando fiz 15 anos, arranjei um emprego, comecei a trabalhar lá no Brás, numa fundição de ferro-gusa. Ô, fiquei feliz da vida. Meu primeiro ordenado, 500 réis por hora, eu era o homem mais feliz do mundo. Trabalhei um ano lá, depois arranjei um emprego mais perto, na Vila Pompéia... Era uma oficina mecânica, eu trabalhava de ajudante de mecânico, torno, fresa, como operário... Aí eu disse: ‘Agora estou ganhando um dinheirinho, vou começar a estudar‘. Peguei a escola de comércio, me formei em contabilidade e depois fui contador o resto da vida, sempre trabalhei em contabilidade.

FOLHA - E o senhor fazia esporte?
FISCHER -
Na Vila Pompéia, eu brincava, jogava futebol. Cheguei a jogar futebol muito bem. Eu era goleiro, fechava o gol... Andei muito de bicicleta. Mais tarde, meu irmão construiu um barquinho, um barco a vela, e eu comecei a frequentar a represa de Santo Amaro. Aí eu já tinha meus 14, 15 anos. A primeira medalha que eu ganhei na minha vida foi velejando. Em 1933. Eu era proeiro do meu irmão. Mais tarde ele se casou, a esposa passou a ser a proeira dele. Eu desisti de Santo Amaro e foi quando eu entrei no Clube de Regatas Tietê, em 1936 entrei como sócio lá. E fui sócio até agora, parece que o clube fechou, não sei... Lá eu ia remar catraia, nadar nas psicina. Eu tinha um bom físico, era muito forte. Quando terminei o curso à noite, passei a treinar mais e comecei a entrar firme no atletismo.
Eu ia indo bem, já no arremesso. Foi quando eu sofri um acidente de bicicleta. Eu andava na rua Alfonso Bovero, era tudo terra. Fui fazer um manobra, a bicicleta escorregou, eu capotei, dei um mortal, arrancou a clavícula do omoplata. Meu braço ficou lá embaixo. E com isso meu braço enfraqueceu enormemente. Depois que terminou o tratamento, demorou meses para recuperar a força.
Aí eu comecei a correr. Já que não podia arremessar, deixei um pouco os arremessos, comecei a corrida. Eu sempre gostei de fazer de tudo: brincar no salto em altura, brincar no salto em distância, brincar nos arremessos, fazer corrida, brincar na barreiras...
Eu tenho uma cicatriz aqui na mão. Eu fui fazer um pentatlo lá no Corinthians, no Parque São Jorge, no dia em que Japão atacou Pearl Harbour. Pois no salto em distância, a gente usava sapato com prego, eu me pisei e rasguei a minha mão. Eu ia ganhar aquele pentatlo. Fiquei em segundo lugar mesmo sem fazer os cem metros, por causa desse acidente. Nem sei como aconteceu. Fui lá na enfermaria, costuraram aquilo ali na marra, sem anestesia, sem nada.


CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h21

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Entrevista com Frederico Fischer - parte 3

Limpeza interna


FOLHA - Qual foi seu primeiro título importante?
FISCHER -
Foi o 400 com barreira, em 1945, no Estadual. O tempo foi bom, fiz 57 segundos e uns quebradinhos... O recorde sul-americano era 56 e seis, 56 e oito, que era do Padilha, que ele fez na Olimpíada de Berlim, em que foi o sexto colocado. Então, de 56 para 57 não é muita diferença...

FOLHA - Nessa época, com 26, 27 anos, o senhor mantinha uma rotina de treinamento mais forte?
FISCHER -
Não. O máximo que se podia treinar era três vezes por semana. Alguém que treinasse mais era chamado de louco. Não podia treinar tanto. Depois de veteranos, eu corria com um grupo de amigos nas ruas e também no clube, corria uns cinco, seis quilômetros, quanto a gente quizesse. Pois nos chamavam de loucos. Quem atingia os 40 anos tinha de parar, não fazer mais esporte, de jeito nenhum, porque era muito perigoso para o coração. O nosso treino de moço era no máximo três vezes por semana, muito dosado. Senão, era excesso, podia estourar...

Quando eu fui campeão estadual nos 400 m com barreiras, teve um campeonato brasileiro logo em seguida, em Porto Alegre. Eu era empregado em uma firma, trabalhava como contador em uma firma, e eu cheguei para o dono da firma, pedindo uns dias de licença para participar do campeonato, teria de me ausentar uns dias... Ele me olhou bem, assim, e disse: ‘Você escolhe, teu divertimento ou teu emprego‘, e virou as costas. O que eu escolhi? Meu emprego. E não fui para o Brasileiro. .

FOLHA - E a sua vida fora do esporte?
FISCHER -
Continuei estudando, mas aconteceu um problema na minha vida... Fiquei conhecendo a dona Teresa... (risos)... Conheci a Teresa lá no clube, ela era atleta também. Ela fazia barreira, saltava altura. Eu ficava encafifado com aquela menina... Um dia, peguei coragem, fui falar com ela. E até hoje ela não me largou. Nós casamos em 1947.  Fui tocando a vida, tocando o barco, problemas em casa, filhos crescendo... Depois, com 40 anos, já não participava mais de competições oficiais. Só ia no clube para brincar. Lógico, a gente fazia umas corridinhas.

FOLHA - E como o senhor voltou a correr?
FISCHER -
Eu trabalhava numa empresa, como diretor, na Porcelanas Mauá, eu já morava em Mauá naquele tempo. Foi numa época em que a gente passava crises financeiras bravas.. E a cabeça da gente vivia muito cheia de problemas. Uma vez eu estava em São Paulo, passando pelo clube, disse: vou dar uma corrida.... Fui, corri, suei bastante. Aí quando eu sentei no carro, senti um alívio tremendo na cabeça. Aqueles problemas que a gente quer resolver e não consegue, de repente fica tudo mais claro. Ô danado! E achei que tinha sido a corrida. Percebi que aquela corrida, aquela transpiração, o sangue circulando mais, parece que faz uma limpeza lá dentro. Então decidi voltar a correr.
Passei a frequentar o clube novamente. Primeiramente, eu ia aos domingos, e tinha lá dois veteranos que eu conhecia, que eram corredores de fundo, 3.000, 5.000 m. No começo, eu tentava acompanhá-los, perdia longe para eles. Mas, pouco tempo depois, eu comecei a superá-los.
No ano seguinte, resolvemos organizar um campeonato dos veteranos no Tietê. Eu deveria estar com 50, 55 anos. Comecei uma brincadeira interna. Mas logo juntamos outros clubes, o Espéria, o Penha.  Nessa altura, já tinham me colocado como diretor esportivo da associação de veteranos [NR - Fischer entrou para a diretoria da Associação Atlética Veteranos de São Paulo em 1973, assumindo a presidência em 1975; ficou no cargo por quatro anos e outros quatro como vice].

FOLHA - Como o senhor chegou às competições internacionais?
FISCHER -
Quando eu já tocava o veteranismo aqui em São paulo. Um companheiro nosso, Adolfo Vargas, um chileno, uma vez voltou de férias de lá contando que o Figueroa, que era um atleta do decatlo chileno, queria montar uma associação de veteranos lá. Pediu nossa ajuda, e eu montei um calhamaço de papel para ele, com toda a nossa organização. Foi quando ele organizou o primeiro campeonato sul-americano. Fomos para lá. O Brasil ganhou uns 95% das provas. O segundo sul-americano foi em São Paulo. Eu trabalhei para burro, era diretor de esportes da Associação de Veteranos. Participei de todos os campeonatos sul-americanos, menos em um, que foi na Colômbia. Participei de todos os Brasileiros, Paulistas... Quando tem competição importante em São Paulo, eu pego o carro e vou.

FOLHA - E sua participação nos Mundiais?
FISCHER -
O meu primeiro Mundial foi em Hannover, na Alemanha, em 1979. Era o terceiro Mundial que estava sendo organizado. Fomos em dois brasileiros, eu e um japonês naturalizado. Fui à queima-roupa, meu filho que me incentivou. Não há patrocínio de jeito nenhum, não há auxílio de ninguém, de nada. Eu sempre paguei tudo. Inclusive a própria camisa que se usa e está escrito Brasil, você tem de comprar. Não existe auxílio nenhum. Fui o quinto colocado no arremesso de peso. Poderia ter sido o terceiro colocado nos 400 m, mas já saí com uma lesão na barriga da perna, forcei demais aqui nos treinos. Cheguei lá, vi que não dava, nem participei. Mas voltei satisfeito.



CONTINUA...

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h18

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Entrevista com Frederico Fischer - final

Segredos de um casamento




FOLHA - Qual foi a pior prova em que o senhor participou?

FISCHER -
Eu sempre tenho me saído mais ou menos bem. Modéstia à parte, me acostumei a ganhar. Fiquei viciado nisso. Mas, às vezes, eu sou azarado nas provas, principalmente nos 100 m. Teve um ano, o recorde mundial do M80 era 16s16; eu fiz 16s17 aqui em São Paulo. Teve o Brasileiro em Porto Alegre, eu me preparei para a prova, estava tinindo... Na hora da prova, não deram a largada, porque estava faltando um atleta. Até darem a largada, foi quase hora. Nesse interim, mudou o tempo: vento contra e chuva. Não fiz o tempo que eu queria. Agora, no Sul-Americano, em Rosario, em novembro de 2008... O meu recorde, para os 90 anos, é 17s53, que fiz em Riccione (2007). Eu fiz 17s73!! A prova era às 15h. Eu me apresentei, mas a prova foi suspensa. Teve um desfile, celebração, discurso... Eu corri os 100m já desaquecido, louco da vida, com uma raiva... Foi uma ducha de água fria terrível, porque eu teria melhorado meu tempo...

FOLHA - Qual foi a melhor lembrança?

FISCHER -
O que eu fiquei contente mesmo foi aqueles 400 m com barreiras. Foi uma prova excepcional. Eu disse: ‘Sabe de um coisa? Eu vou embora, seja o que Deus quiser‘. Deu a saída, eu fui embora. Terminando a curva dos 200, eu não estou ouvindo ninguém, aqueles passos. Pensei: ‘O que está acontecendo, será que estou na frente?‘.  Quando a gente entra na reta, eu vi que estava sozinho da prova. Eu me disse: ‘Não vou perder mais a prova. Eu vou correr para derrubar as últimas duas barreiras...‘ E, com essa gana de passar, fiz as melhores passagens; em vez de derrubar, passei melhor ainda. Porque eu entrei na barreira. A técnica primordial é atacar a barreira, não ter medo da barreira. Fiz essas duas passagens maravilhosas, ganhei com boa margem.

FOLHA - Como veterano, qual o segredo para continuar a competir em alto nível?

FISCHER
- Não sei. Se existe algum segredo, tem que cobrar aqui de minha nutricionista... [NR - ‘Mangia benne!!‘, diz Teresa].

FOLHA - E qual o segredo para ter um casamento que dure tanto assim?

FALA TERESA FISCHER -
Brigar bastante...

FALA FISCHER -
É ter medo da mulher!! Ela é brava! Ela é brava!

TERESA CONTINUA:
Tem de se colocar, tem de discutir, tem de resolver, não ficar guardando mágoa. Não é briga desrespeitosa...

Não é para parar o esporte, pode continuar treinando, mas não competir tanto......

FISCHER -
Aí que tá, Teresa: o que me motiva a treinar são os campeonatos. Porque, se não fosse isso, você vai desistindo, você vai relaxando....

TERESA -
Em Manaus, ele participou de oito provas. Ganhou as oito, mas também se desgasta, se judia. Ele tem de continuar, mas de uma forma... É como um carro velho. Está bonito e tudo. Mas você cuida bem. Se não cuidar bem, ele se desmancha, porque é velho, ele já está velho, já está cansado.

FOLHA - Qual a importância do esporte?

FISCHER -
Principalmente a saúde. Além de fazer muito bem para a saúde, dá umas regras para como viver. Como o sujeito tem de viver: evitar extravagâncias, evitar besteiras. Extravagâncias todas, seja na bebida, seja na comida, seja no comportamento, passar noitadas fora. Esse negócio faz bem. Ativa a circulação. Em cano que o líquido é jorrado com violência nunca forma crosta pro dentro; é assim em mecânica. Cano em que a água passa devagarinho, com o tempo vai fechando, enferrujando. Mas se ela passa com força não cria crosta. Na nossa carcaça, acho que é a mesma coisa: o sangue passa lá nos miolos, faz uma limpeza... Eu sei que faz bem, faz bem mesmo.

FOLHA - O senhor nota diferenças em seu desempenho?

FISCHER -
Fisicamente, eu não nota nada, não noto diferença nenhuma. A única coisa é que, na corrida, o cronômetro diz: ‘Olha , você está cada vez mais lento‘. Nos arremessos, a mesma coisa, são cada vez mais próximos. Mas eu tenho a impressão de que está a mesma coisa. A minha mente é a mesma coisa. Eu penso que estou igual, mas não estou. Nos arremessos, em que é preciso muita explosão, precisa ser muito rápido. E a gente vai ficando velho, vai ficando lento, em vez de uma catapulta, você arremessa em câmera lenta.


FOLHA - E o senhor tem contato com grupos de idosos aqui em Peruíbe?
FISCHER -
Teve um  grupo que começou aqui, mas ele jogam bocha. Eu não jogo bocha. Outra: eles ficam o dia inteiro sentado numa mesa jogando baralho. Eu detesto baralho. Eles não gostam de correr, fazer movimento, essas coisas... Não participo do grupo.

Não é só bocha e truco que o idoso deve fazer. Tem é que se movimentar mesmo. E outra: sentir cansaço. Não é: começou a cansar e parar. Tem de forçar um pouco mais. Mas primeiro fazer exame médico, precisa ver como está máquina, o coração, outras coisas mais. O idoso, quando quer recomeçar a fazer uma brincadeira, primeiro precisa fazer os exames. E começar devagarinho, porque a cabeça é uma, o corpo é outro.

Escrito por Rodolfo Lucena às 06h14

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Vem aí uma reportagem superespecial

Fique ligado

Esta é para você, que visita o blog à noite: não deixe de voltar amanhã de manhã, pois vou colocar no ar uma reportagem superlegal.

São entrevistas com dois cavalheiros sensacionais: o recordista mundial dos 100 m, categoria M 90 (90 a 94 anos), e o mais velho participante da São Silvestre de 2008.

Não deixe de ler e, se puder, já avise os amigos.

Eu adorei conversar com os caras, e as entrevistas estão muito bacanas, pois a história de cada um deles é realmente fantástica.

Abraço, que eu vou seguir escolhendo as fotos....

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h55

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Corredor da Brazil 135 sofre deficiência renal

Torcendo pela recuperação

O corredor britânico Gary Johnson, que participou da ultramaratona Brazil 135, está internado em São José dos campos com grave caso de deficiência renal e corre o risco de perder um dos rins, segundo informações do diretor da prova, Mário Lacerda.

Johnson completou em 15º lugar a exaustiva prova --217 quilômetros nas montanhas da serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Chegou no domingo, dia 25, depois de 40h56 no percurso (a largada foi no dia 23).

No final da tarde, Johnson foi internado em no hospital de Paraisópolis (MG) com alto grau de desidratação. Como a situação se complicou, foi transferido ontem para São José dos Campos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h19

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Ex-menina de rua dá banho de bola em Miami

Animal, campeã

A ex-menina de rua Ana Luiza Garcez --a Animal-- foi a campeã máster da meia-maratona de Miami, realizada ontem.

A atleta, que há quinze dias havia faturado o mesmo título na Meia da Disney, fechou a meia em quarta no geral feminino, com 1h26min29s.

"Ter conseguido isso é uma grande vitória para mim. Eu sabia que eu estava bem e que eu tinha condições de fazer um bom resultado, mas eu não esperava conseguir ser campeã máster nas duas provas", disse Ana, segundo texto distribuído pela equipe em que atua, a Run For Life (foto Divulgação).

"Fui tratada como uma rainha. Participei de toda a programação dos atletas de elite. Nunca imaginei que um dia iria largar numa prova ao lado de quenianos, marroquinos e tantos outros atletas de várias partes do mundo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h41

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Mundo animal - réptil vira pai aos 111 anos

Salve Henry, o pai velho

 

Não tem nada a ver com corrida, mas é muito legal.

Uma tuatara, que, para meus olhos de não-especialista, parece um lagarto ou uma iguana, mas é uma espécie rara de réptil que viva na Nova Zelândia, acaba de ser pai. Henry, o dito-cujo, tem 111 anos e, ao que creem os cientistas que cuidam do caso, é pai de primeira viagem.

Depois de quase 40 anos no atual cativeiro sem mostrar interesse pelo sexo feminino, Henry se engraçou com Mildred, uma tuatara octogenária, e levou o caso às vias de fato em julho passado.

O fruto da intensa paixão foram 11 rebentos, que acabam de furar as paredes dos ovos em que estavam protegidos.

Vou contar uma coisa: pelo que vi na matéria produzida pela BBC, o Henry só se apresentou agora por causa de uma certa incompetência de seus cuidadores.

Desde que chegou ao Southland Museum, em Invercargill, em 1970, ele manifestava péssimo humor, brigava com outros bichos da espécie e só queria comer e lagartear. Até que, recentemente (o texto original não diz quando), os cientistas descobriram que o coitado do bicho tinha um tumor. Ninguém tinha percebido isso? Pois tiraram o cancro, e Henry ganhou nova vida.

Não só se engraçou com Mildred como agora vive em harmonia com mais outras duas fêmeas (além da parceira original). E poderá contribuir para ampliar o rebanho de quase 70 tuataras orgulhosamente mantido pelo museu.

Esses répteis vivem apenas na Nova Zelândia. Conhecidos como fósseis vivos, e são os sobreviventes de bichos que viveram há 200 milhões de anos.

Agora, não me pergunte como os caras sabem que Henry tem 111 anos...

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h06

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Maratona subterrânea é corrida na Alemanha

Sob as águas do Elba

Participantes da décima Maratona Subterrânea correm pelo túnel velho de Hamburgo, sob o rio Elba, na prova realizada ontem.

Cerca de 280 corredores de oito países participaram da corrida, que consiste em quase 48 voltas no Alter Elbtunnel, 12 metros abaixo do rio Elba.

O túnel foi construído em 1911 (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h34

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Coração matou velocista alemão

Morte no apartamento

O meu amigo Fábio Shiro Monteiro, que mora na Alemanha, manda a notícia: a TV alemã acaba de divulgar que saiu o resultado da necrópsia no velocista Rene Herms.

Como você lembra (publiquei neste blog), o corredor foi encontrado morto no apartamento em que morava. Não havia sinais de crime nem de suicídio, segundo a polícia.

O exame dos legistas indica que ele morreu de uma infecção cardíaca de origem viral.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h41

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Não é corrida, mas parece muito legal

Que delícia

Os mais-mais do snowboard estão reunidos no Colorado para os X Games de inverno (atualmente, no hemisfério norte, domina a estação gelada).

Nas fotos desta página (AP), momentos aéreos dos treinos de Chas Guldemond (no alto) e Kevin Pearce.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h31

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Fragmentos Paulistanos, ano 1, nº 10

Caramuru, ú, ú

Eu adoro o dia de meu treino de caminhada e corrida. Caminhar não dói tanto quanto correr, refresca o espírito e permite tirar fotos sem problemas. Além disso, é um ótimo exercício de resistência ao cansaço e às inconveniências da vida. Meus treinos já estão passando dos 20 km, em dois blocos de caminhada/corrida, cada um de 5 km ou mais. A segunda parte é barra. Na segunda caminhada, o suor inunda o corpo, é uma meleca só; na segunda corrida, resistir ao cansaço e garantir uma boa forma de corrida é fundamental.

Na semana passada, a primeira imagem que me cativou o olhar foi a desse torreão que, do ponto em que eu estava, parecia um prédio medieval sobrevivendo na cidade contemporânea. Trata-se do prédio do Instituo Biológico, na esquina da Rodrigues Alves com a avenida Ibirapuera, que, para surpresa minha, não começa no parque, mas sim cá em cima, perto dos domínios da estação Ana Rosa do metrô.

Depois, fui para a região da Saúde e segui por uma rua que, aos poucos, foi me conquistando pela variedade de vida que apresentava. Tinha uma lojinha de panelas e utensílios bacanérrima.

Dois restaurantes japoneses me pareceram convidativos. Havia prédios ricos e pobres e até restos de carro largados na garagem.

Havia também oficinas e empreendimentos os mais diversos, como o que abrigava esta motoca.

É a rua Caramuru, feinha, mas simpática, que se estende em curvas e descidas por quase dois quilômetros.

Termina na Lomas Valentinas, que, logo depois, é cortada por um riacho que corre a céu aberto, surpreendendo a cidade com bananeiras, sujeira e alguma fedentina.

Saí de lá e segui meu caminho. Passei por várias oficinas mecânicas, e as pilhas de pneus me chamaram a atenção.

Surpreendente, também, é a maquinona descendo o asfalto...

E adorei o contraste das cores, os óculos no capacete, o capacete no cone, o cone no asfalto.

Asfalto em que quase desaparece a luva perdida, abandonada por algum trabalhador.

Abandonado em seus pensamentos está o cavalheiro a cavalo na guia da calçada.

E há flores no asfalto.

E há cimento e arte na praça, que serve de abrigo para quem não tem teto.

Ou quer apenas tirar uma pestana ao sol.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h50

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Academia de Londres usa gente como peso

Halteres humanos

Gente, essa é demais.

Para tornar mais divertidos os trabalhos de musculação, uma academia de Londres resolveu inovar e, em vez de halteres, barras e outros equipamentos para fazer força, oferece pessoas, que podem ser carregadas ou colocadas em equipamentos para aumentar a resistência ao exercício.

As fotos aqui colocadas (Reuters) são sobejamente ilustrativas da novidade.

A academia, que já tem aulas dedicadas a mulheres que querem tentar atrair jogadores de futebol, apresenta um cardápio variado de pesos humanos, da pequena Arti Shah, que pesa 30 kg e é carregada na imagem abaixo, ao gigante Matt Barnard, de assustadores 155 quilos.

Segundo os idealizadores da coisa, a ideia ajuda os clientes porque dá a eles uma ideia mais concreta do peso que estão levantando. Além disso, os pesos humanos, se lhes for solicitado, podem ficar gritando frases de incentivo ao pessoal que se exercita.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h41

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Rede desafia poder da BM&F no atletismo

Começa a competição

A BM&F forma, com o Pão de Açúcar, uma poderosa parceria que domina o atletismo de alto rendimento no país. São "donos" de campeões olímpicos e estrelas das ruas e das pistas, numa sequência interminável de vitórias.

Pois agora esse poder todo está sendo desafiado por um novo contendor, o Grupo Rede, do setor de energia, que ontem apresentou seu braço esportivo, a Rede Atletismo, com um escrete de 82 atletas --um deles é Maurren maggi, ouro em Pequim sob os auspícios da BM&F.

A disposição do grupo está resumida em uma frase de Jorge Queiroz de Moraes, presidente da equipe: "Queremos dar um couro na BM&F", disse ele, em palestra para os atletas do grupo.

Tudo isso está registrado em ótima reportagem produzida pelo colega ADALBERTO LEISTER FILHO. O texto foi publicado hoje na Folha, mas está disponível para o público em geral AQUI, na editoria de Esporte da Folha Online.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h24

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Segredos para correr no frio

A 24 graus negativos

Meu colega HÉLIO SCHWARTSMAN, que atuava na área dos editoriais aqui da Folha, está atualmente morando nos EUA, dedicado a estudos. Mas não para de correr, mesmo no frio anormal que está fazendo por lá. Até as aulas das crianças foram suspensas, por causa do frio, o que não o impediu de sair para aquele trote maneiro. A seguir, veja como foi a experiência que HÉLIO nos relata.

"O sol brilhava lá fora, tornando o dia resplandecente, perfeito para uma corrida matinal. O único problema era o frio. Na esperança de que as temperaturas subissem um pouco, atrasei meu treino por duas horas. Não precisei sair cedo naquela sexta-feira. As aulas dos meninos haviam sido canceladas porque a lei do Estado de Michigan prevê o fechamento de todas as escolas sempre que a temperatura e/ou o wind chill (a sensação térmica levando em conta também os ventos) ficarem abaixo de -20 F (-28 C). Para aquela manhã, o serviço meteorológico havia previsto wind chill de até - 35 F (- 37C).

 

Quando finalmente saí para correr, a coluna de mercúrio marcava - 11 F (- 24 C).

São dois os riscos associados à exposição a temperaturas tão baixas (inferiores a 0 F ou - 18 C): hipotermia e congelamento dos tecidos das extremidades, o que, em casos extremos, pode levar à gangrena e amputação do membro afetado.

A hipotermia é relativamente fácil de evitar. Como somos máquinas extremamente ineficientes (cerca de 80% da energia que queimamos vira calor; apenas 20% se convertem em movimento), o corredor sempre está uns 10 graus centígrados acima do resto da humanidade.

Para superar os outros 25 graus e chegar perto da confortável temperatura de 0 C, o segredo é vestir-se com várias camadas de roupa. O ar que fica entre elas funciona como um isolante térmico, conservando o calor gerado próximo ao corpo. Há, é claro, uma pegadinha. A roupa não pode ficar úmida. Como a água, ao contrário do ar, é boa condutora de calor, ficar molhado significa irradiar energia térmica para o ambiente. E o problema é que o frio não nos faz deixar de suar. O melhor, portanto, é recorrer a esses novos e caros tecidos sintéticos, que permitem uma eficiente evaporação do suor.

Outro ponto fundamental é cobrir a cabeça. É através dela que perdemos cerca de 40% do calor. Pés e mãos levam mais uns 20%. Daí a necessidade de luvas e meias de tecido especial. Jamais use uma meia de algodão, tecido que fica facilmente molhado.

Alguns corredores gostam de meter-se numa baklava, aquelas toucas de assaltante de banco que cobrem também nariz e boca. Com ela, o ar não entra tão gelado nos pulmões. Pessoalmente, não gosto. Prefiro sentir o frescor revigorante da manhã _e evitar aquele gelo todo que, nos dias mais frios, se forma na máscara por onde o ar passa.

O frostbite pode ser traiçoeiro, então é preciso sempre estar conferindo se dedos dos pés, das mãos, nariz e orelhas estão em ordem. Ao primeiro sinal de torpor, é preciso encerrar a corrida e reaquecer a parte afetada.

Uma boa dica é fazer a primeira parte do treino contra o vento e a segunda a favor. Com isso, a volta, quando já estamos mais cansados e suados, fica mais fácil.

O trabalho e o investimento compensam. A sensação de ter conseguido passar uma hora e meia lá fora sob condições tão inóspitas lembra um pouco a de terminar uma maratona.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h20

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Cai recorde dos 50 km nos EUA

Não deu 2h39

Não foi a corrida sonhada por Josh Cox, mas ele conseguiu manter o ritmo necessário para esmigalhar o recorde norte-americano dos 50 quilômetros.

Aproveitando a Arizona's Rock 'n' Roll Marathon, realizada ontem em Phoenix (essa eu corri no ano passado), ele passou a linha de chegada e seguiu correndo até a pista do estádio Sun Angel, onde rodou ainda quase 19 voltas.

Completou a distância em 2h47min17, com mais de quatro minutos sobre o recorde anterior, que já durava quase sete anos (2h51min48, marca obtida por Alex Tilson em 11 de fevereiro de 2002).

Cox, de 39 anos, escrevera no braço esquerdo, antes da prova, o tempo que desejava obter 2h39min45; no direito, o ritmo que deveria manter para atingir seu objetivo. Se conseguisse, teria nas mãos o recorde mundial.

Talvez desse, se ele não tivesse se sentido mal durante a corrida. Vomitou seis vezes durante a prova e parou duas vezes para ir ao banheiro.

O que torna ainda mais impressionante a sua façanha.

Ele passou a marca final da maratona em 2h20min32. O vencedor, o queniano Moses Kigen, fechara em 2h10min36, meio segundo antes do etíope Tekeste Kebede, levando um prêmio de US$ 20 mil.

Não encontrei informações sobre prêmio para Cox, além do beijo que recebeu de sua mulher ao terminar a prova. Ela também lhe deu uma lata de cerveja gelada. Ele usou o líquido para refrescar a cabeça...

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h26

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Corredor quase vira picolé em Minneapolis

Bota frio nisso!!!

 

Olha só como ficou Keith Golke, de Minneapolis, depois de tentar manter a tradição de sua corridinha matinal em torno do lago Calhoun, na semana passada.

A terça-feira, 13 de janeiro, foi o dia mais frio do ano na cidade desde 2004, por causa de uma corrente gelada que desceu do Ártico.

Mesmo assim, corredores como Golke decidiram mostrar ao mundo que termômetros enregelados não são motivo para um sujeito determinado deixar de sair de casa para sua corrida de cada dia (foto AP).

Minneapolis é uma das cidades que sediam a Twin Cities Marathon, considerada uma das mais belas maratonas urbanas dos EUA.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h26

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Pela vida e pela paz

Nas ruas de Mumbai

 

Garoto com deficiência física caminha, auxiliado por familiares, durante a maratona de Mumbai, realizada ontem naquela cidade da Índia (foto Reuters).

Foi o primeiro evento de massa na cidade desde o ataque terrorista de novembro passado.

Muitos dos cerca de 35 mil participantes (foto abaixo, AP) usaram roupas e levaram cartazes com dizeres alusivos ao atentando, homenageando vítimas dos atiradores.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h48

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Presença de mulheres em maratonas volta a crescer

Recorde feminino

Os números ainda não estão fechados, mas já dá para saber que a presença das mulheres em maratonas nos EUA não só voltou a crescer mas atingiu marca recorde em 2008.

De acordo com levantamento feito pelo site MarathonGuide, o número de mulheres que concluíram maratonas nos EUA em 2008 aumentou 6,7% em 2008 em relação ao ano anterior; em 2007, o crescimento sobre 2006 havia sido de apenas 2,7%.

A maior presença feminina foi determinante para o aumento do número de concluintes de maratonas, que, chegou a aproximadamente 424 mil em 2008 --um crescimento de 4,2% em relação a 2007. Desse total, as mulheres foram cerca de 40,4%, maior fatia já registrada desde que é feita a pesquisa.

Em breve, terei os resultados completos e conto mais para você.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h54

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Haile leva US$ 250 mil sem recorde

"Banqueiros, corram"

 

O recordista mundial da maratona, Haile Gebrselassie, defendeu hoje brilhantemente seu título na maratona de Dubai, embolsando mais US$ 250 mil para seu pé de meia... Mas não conseguiu bater sua própria marca, o que lhe daria uma bolsa MUITO mais gordinha...

Mesmo assim, o rapidíssimo etíope, com chuva e tudo, fechou em tempo para ninguém botar defeito: 2h05min29, o oitavo melhor tempo da história. E ninguém deve esquecer que são de Haile as três melhores marcas.

Desta vez, ele se segurou na primeira metade, fazendo exatamente o que tinha planejado, 61min45, cerca de 20s mais rápido do que quando ele estabeleceu o recorde atual (2h03min59) em Berlim, há quatro meses.

A temperatura estava ideal, em torno dos 12 graus, mas choveu a partir do km 5. Apesar de Haile (foto Reuters) já ter dito que não corre bem na chuva, chegou ao km 30 com mais de 30 segundos de folga sobre a marca pretendida. Mas, quando o último coelho lhe abriu espaço, na altura do km 32, e a chuva ficou mais forte, sua média de tempo acabou caindo...

Mesmo assim, ficou mais de dois minutos à frente do segundo colocado, seu compatriota Edae Chimsa, que no ano passado teve de pagar sua própria inscrição e agora levou US$ 100 mil. Em terceiro, chegou o estreante Wendimu Tsige, também etíope, que trabalhou como coelho, mas foi até o fim para fechar em 2h08min41.

Na véspera da prova, durante a entrevista coletiva de praxe, o recordista fez uma de suas raras incursões no mundo da política. Os repórteres perguntaram como a crise afetaria o futuro das maratonas, já que muitas provas, como a de Dubai, são patrocinadas por bancos. E, depois de ouvir como os banqueiros estavam preocupados etc. e tal, Haile recomendou:

"Eles deveriam correr. As pessoas sempre me perguntam por que eu estou sempre sorrindo. Eu também sou um empresário e também estou sofrendo com a crise, mas eu estou sempre feliz porque eu corro."

Sei lá, viu. Há coisas que nem a corrida resolve. Mas pode ser que alivie.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h34

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Saiba como foi o bate-papo no UOL

São Silvestre, maratonas, roupas...

Semanalmente, às quintas-feiras, a Folha promove um bate-papo na internet com um jornalista da equipe. Hoje a conversa on-line foi comigo. Participaram dezenas de internautas, segundo me contou o pessoal da Folha Online, e foi uma conversa muito bacaninha, beliscando nos mais diversos assuntos, da organização de corridas à respiração nos treinos, passando por São Silvestre, maratonas e locais onde comprar os implementos para nosso esporte.

Se você perdeu e quiser dar uma olhada na conversa, clique AQUI para ler a íntegra do bate-papo.

Desde já, peço desculpas pelo monte de erros de digitação. Eu ia respondendo o mais rápido possível, para permitir que viessem mais perguntas...

Mande seus comentários, críticas, sugestões...

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h42

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Escolha a melhor prova para você

Calendário inicial

a sua primeira edição deste ano, no dia oito passado, o caderno Equilíbrio, da Folha, publicou um sensacional calendário de corridas, abrangendo todo este glorioso ano de 2009.

Foi um trabalho minucioso da repórter Fernanda Bassette, que compilou 157 provas das mais diversas distâncias, individuais e em revezamento.

Aproveitando o embalo, eu passo a publicar uma versão menor, segmentada, do calendário.

Abaixo, você pode conferir as provas de janeiro e fevereiro.

Se quiser ver tudo, de uma vez, clique AQUI (para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h37

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Fragmentos Paulistanos, ano 1, nº 9

Mercado de Porto Alegre

Pouco antes do Natal de 2008, visitei Porto Alegre para dar um abraço na família. Aproveitei para trotear pelas coxilhas de asfalto, num treino gostoso que me levou pelos rincões semiapagados da memória.

São tantas as imagens, que resolvi separá-las por tema.

Agora, mostro para você algumas chapas que fiz em um ensaio no Mercado Público, um dos meus locais prediletos da cidade.

Lá fiz política e revolução, namorei, comi, bebi, trabalhei, descobri histórias que contei no jornal, na "Zero Hora" dos idos de 78...

Desta vez, corri um pouquinho por lá. Mais em volta, mesmo, porque nas alamedas internas há que caminhar com cuidado e respeito.

Sem mais delongas, seguem as imagens (sem legendas; espero que elas falem por si...).

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h28

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Jovem corredor olímpico é encontrado morto

Mistério no apartamento

 

O corredor alemão Rene Herms, que na foto acima mostra uma tatuagem durante sua participação em competição no estádio Olímpico de Munique, em 2004 (foto arquivo AP), foi encontrado morto no seu apartamento na cidade de Lohmen.

A polícia alemã disse que o caso está sendo investigado e que não está clara a causa da morte, pois não há indícios de crime nem de suicídio.

Herms, de 26 anos, foi pentacampeão alemão dos 800 metros e participou da semifinal da modalidade na Olimpíada de 2004.

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h11

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Adriano Bastos vence de novo na maratona da Disney

Hexacampeão

 

O brasileiro Adriano Bastos festeja sua quinta vitória consecutiva (sexta no total) na maratona do DisneyWorld, realizada hoje em Lake Buena Vista, Flórida.

Cerca de 22 mil pessoas participaram do evento (foto AP).

Fechando em 2h20min38, Bastos, 30, deixou o segundo colocado quase dois quilômetros atrás: o norte-americano Aaron Church terminou mais de seis minutos e meio depois.

Depois de sua sexta conquista, Bastos afirmou que deseja chegar a dez vitórias na Disney. Mas disse que esta foi a vez mais difícil, do ponto de vista psicológico, pois em geral ele corre mais livre, sem desafiantes. E afirmou ainda estar cansado da viagem (ele chegou a Orlando na quinta-feira).

O segundo colocado não foi exatamente gentil: "Há montes de corredores norte-americanos que podem vencer Bastos. O problema é que aqui não há prêmio em dinheiro". De fato, sem o atrativo financeiro, corredores da elite internacional não vão à

prova da Disney.

O que a vitoriosa da prova feminina vem comprovar. A japonesa Lisa Mizutani, que estuda medicina em seu país, estava em Miami visitando sua tia e aproveitou a viagem para correr a prova. Liderou o tempo todo e fechou em 2h46min27.

Na meia-maratona, disputada no sábado, a brasileira Ana Luíza dos Anjos Garcez, a Animal, fez bonito. A ex-menina de rua foi campeã master do feminino. A atleta, de 46 anos, finalizou os 21 km em 1h31min38s e conseguiu o título que escapou das suas mãos em 2007, quando foi a segunda melhor atleta master e campeã na categoria 40-44 anos (foto Divulgação). Saiba mais a respeito lendo o material publicado no site da equipe de Animal, AQUI  

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h21

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Entrevista exclusiva com FABIANA CRISTINE DA SILVA

Paciência e conquista

 

Para as massas, ela nasceu agora: só depois da São Silvestre de 2008 é que a pernambucana Fabiana Cristine da Silva virou uma figura conhecida, aparecendo na TV como quem recupera a imagem do atleta brasileiro em uma prova que, no masculino, os estrangeiros dominaram... Foi a melhor brasileira na prova, conquistando um belíssimo segundo lugar.

Apesar de jovem (tem 30 anos), ela já vem de longe no atletismo. É profissional, no sentido de receber pagamento para correr, desde a adolescência. Já participou de Mundiais e competições sul-americanas. No ano passado, foi a mais rápida brasileira em provas de dez mil metros, nas ruas e nas pistas.

E é uma simpatia. Conversei com ela, por telefone, durante mais de uma hora, na semana passada. Na sua casa em Taubaté, interior de São Paulo, onde ela mora com o marido, Daniel Lopes Ferreira [corredor de elite, especialista em 10 km], dois rottweilers, uma poodle, um papagaio e uma tartaruga, Fabiana ainda mantinha o sorriso largo de vitoriosa, lembrando os momentos da prova e falando do seu início no mundo das corridas.

Leia a seguir um condensado de nossa conversa.

FOLHA - O que você fez depois da vitória? Como você passou o ano?

FABIANA - Depois que terminou tudo -a premiação, a coletiva, o exame antidoping-, não via a hora de chegar em casa. Minha mãe tinha vindo de Recife com minha avó e meus tios, e eu não tinha visto nenhum deles ainda. Fiquei doidinha para chegar em casa para eles contarem como foi. Como apareceu na TV... E comemorar...

FOLHA - Foi sua melhor participação na São Silvestre.

FABIANA - Foi um resultado bem legal. Depois da lesão que eu tive em 2007, que não me deixou ir para o Pan, esse ano [2008] foi de recuperação. No dia da São Silvestre, conversei de manhã com o meu técnico, que está na China. Ele perguntou: "E aí Fabiana, quantas quenianas têm?" Eu disse: "Ah, acho que as cinco do pódio, porque a TV não mostra nenhuma brasileira". Só depois é que apareceu a Marily [Marily dos Santos, que terminou em terceiro lugar], a Baldaia deu entrevista, mas até então estavam só falando das quenianas... Eu disse para ele que queria correr atrás, ele disse para eu correr no bloco [das líderes]. Então falei: "Tá bom: no bloco, mas atrás."

O meu objetivo era vir de trás mesmo. Não me preocupar com o início da prova. Botei na cabeça que a prova, para mim, ia começar a partir do km 5. Eu não consigo descer bem, fico toda perdida para correr descida em competições, principalmente fortes como a São Silvestre.

Quando eu olhei o primeiro km, estava 3min10s, eu disse: "Pronto, agora vou ficar por aqui porque sei que o bicho está pegando ali na frente...." Eu estava em décimo, e as meninas passaram, se não me engano, em 2min58s, 3min cravados, passaram muito, muito forte. Fiquei atrás e disse para mim mesma: "Agora, vou me concentrar aqui e ter paciência, porque, se eu não tiver paciência, não vou alcançar o que eu quero".

FOLHA - E você conseguiu ter paciência?

FABIANA - Quando terminou a Consolação, fui conseguindo pegar posição. Já estava em oitava ou sétima e conseguia ver as meninas. Era como eu tinha posto na minha cabeça, que era começar ali, a partir do km 5. Eu fui indo, fui indo, encostei na Marily no km 9.

FOLHA - Ela estava em que posição?

FABIANA - Acho que sexta. Estavam ela e a Edielza [Edielza Alves dos Santos, que chegou na quarta colocação] na frente e tinha outra queniana. Passei a Maily e cheguei na Edielza, mas antes duas quenianas pararam. Eu disse: "Pronto, agora estou no pódio". Eu vi as duas quenianas saindo fora assim: uma parou, a outra estava diminuindo o ritmo. Eu falei: "Pronto, agora, tenho de me concentrar aqui, que eu tenho que pensar na frente, não vou nem olhar mais para trás. Tenho que pensar para a frente.

FOLHA - Tudo aconteceu do km 9 para o km 10...

FABIANA - Foi... Quando eu passei a Edielza e olhei assim para a frente, vi o carro-madrinha, pensei: "Nossa, aquela ali é a primeira colocada? Então, sou a segunda..." Porque meu intuito era passar a Marily e a Edielza, mas eu não sabia se tinha mais quenianas na frente. Foi quando eu vi a tanzaniana e a etíope. Passei a tanzaniana, já era a segunda...

FOLHA - E via a primeira...

FABIANA - Ficou aquela distância, eu pensava: "Nossa, o carro-madrinha está ali, a primeira colocada está ali". E o povo gritava: "Deixa para a Brigadeiro!" A etíope não saiu muito forte. Quando eu estava no primeiro mil, ela estava na minha frente. Aí depois, quando deu dois, ela olhou no relógio e viu as quenianas se distanciando, foi que ela saiu. Do dois para o três, ela foi lá para a frente, mas até antes ela estava ali, na minha frente, no bloquinho de trás. Aí foi quando ela deu aquele sprint já foi para frente e pronto, foi embora.

FOLHA - Você falou no que o povo gritava. Com toda a sua concentração, conseguia mesmo ouvir alguma coisa?

FABIANA - Nossa! Por mais que a gente concentre, a gente escuta tanta coisa, tanta coisa, tanta, tanta coisa. O pessoal: "Deixa, deixa para a Brigadeiro. Deixa para a Brigadeiro, que você pega ela na Brigadeiro". E um gritava: "Vai junto, não deixa ela ganhar, não!". A gente escuta tanta coisa. É muito bom, muita gente gritando o seu nome...

FOLHA - E qual foi a coisa mais legal que gritaram?

FABIANA - Eu vou dizer uma coisa, eu acho foi bem no cinco. Eu vi uma senhora, ela veio ao meu encontro correndo e disse: "Minha filha, saia daí, você tem que ir é para a Playboy'". Tomei até um susto porque eu estava concentrada na Marily, e ela veio ao meu encontro, assim: "Minha filha, saia daí, vá para a 'Playboy', que você merece a 'Playboy'". Foi legal mesmo.

FOLHA - E você pensa na "Playboy"?

FABIANA - Não, não quero, não é para a minha cabeça. Deus me livre.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h58

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Entrevista com Fabiana Cristine da Silva - parte 2

Começo aos 8 anos

Nascida em 1978, Fabiana tem 30 anos, 1m65 e pesa 53 kg. Hoje é forte, mas já foi muito magrinha. Com 14 anos, participou do campeonato sul-americano juvenil. "Na época eu era magrinha, magrinha, magrinha. O pessoal dizia que eu era só joelho", lembra a corredora, que agora fala sobre seu início no mundo do atletismo.

FOLHA - Quantas vezes você já participou da São Silvestre?

FABIANA - Todo mundo está perguntando, mas eu não lembro, porque eu já corri não sei quantas São Silvestres. Já parei em São Silvestre, já fui 32ª em São Silvestre, com 13 para 14 anos eu fui 19ª em São Silvestre, quando eu morava em Recife, foi a minha primeira São Silvestre.

FOLHA - Com 13 anos? Como foi isso?

FABIANA - Eu morava em Recife, comecei a correr muito novinha. Comecei a correr com oito anos de idade, mas profissionalmente começou de 11 para 12 anos. Mas essa história é assim: teve uma seletiva lá em Pernambuco para vir para a São Silvestre, eu conseguir ganhar a passagem de avião e vim e corri a São Silvestre. A seletiva era organizada pela prefeitura, mas tinha uma outra corrida lá, a Corrida do Chope, promovida por alguma fabricante de cerveja.

Era muito engraçado porque, quando os atletas chegavam, havia chope para eles, mas poucos atletas bebiam. Mas essa corrida dava como prêmio a passagem para a São Silvestre, com direito a acompanhante e a ficar no Othon Palace, que é justamente onde é o km 12 da São Silvestre. E eu ganhei a passagem da Prefeitura, na seletiva, e ganhei essa corrida. Aí minha mãe veio comigo para a minha primeira São Silvestre.

FOLHA - E como foi?

FABIANA - Foi tudo uma novidade... O sonho da maioria dos atletas nordestinos é vir para a São Silvestre. E a minha colocação foi a melhor de uma nordestina naquele ano na São Silvestre. Foi quando mudei de treinador, também. Depois que voltei para lá, mudei de treinador. Esse senhor que me colocou mesmo no atletismo, o nome dele é sr. Augusto, ele não era formado, mas ele passava treino para as filhas dele, sabe? Ele ama o atletismo... Ele tinha uns cinco, seis filhos e colocava as crianças para treinar, para correr as corridinhas em Recife. Eu estava brincando na rua, e toda vez que eles passavam, eu saía acompanhando. Até que um dia uma filha dele me chamou, convidou. Eu disse: "Eu vou pedir para a minha mãe; se ela me deixar correr, eu corro". E a minha mãe: "Tá, menina vai, vai correr, vai".

FOLHA - E você foi...

FABIANA - Fui e participei de minha primeira corridinha, de mil metros. Eu fui terceiro lugar e cheguei em casa com uma medalha. Era a corrida de Imbirabeira, começava de manhã, com a criançada. Aí depois o pessoal dava aquele almoço, e às 16 horas era a corrida principal, mas daí era só o pessoal bam-bam-bam de Recife que corria.

FOLHA - Daí seguiu em frente...

FABIANA - Minha mãe, na época, estava trabalhando num hipermercado em Recife, e meu padrasto, eu acho que ele estava trabalhando em um posto de gasolina. A gente ficava sozinho em casa, eu e meu irmão. De manhã eu treinava e à tarde eu estudava. Aí era vice-versa, meu irmão treinava à tarde e estudava de manhã, porque a gente tinha que ficar com a minha irmã pequenina.

FOLHA - Os resultados apareceram, você correu a São Silvestre... Como foi a mudança de técnico?

FABIANA - Depois que eu voltei da São Silvestre, eu voltei para treinar com seu Augusto, mas o pessoal ficou reclamando, dizendo que o sr. Augusto era um louco de ter deixado a Fabiana correr uma São Silvestre, que já era 15 km... E aí chegou esse rapaz, Evandro Cabral, que tomava conta de uma equipe bam-bam-bam de Recife, patrocinada pela Celen Rio Forte. Era uma empresa de Vigilância, que fornecia tipo assim material para o atleta e um dinheiro, não é?

Ele foi na casa de minha mãe e perguntou se não queria deixar me patrocinar, que dava ajuda de custo...

Então fui conversar com o seu Augusto, dizendo que ia sair. A empresa deu segurança, alimentação para eu poder correr na época. A gente era tudo pobrezinho, um treinava com um tênis de crochê, depois passava para o outro. Aí foi quando a Celen me deu material, uniforme, certinho, agasalho e uma ajuda de custo. E foi quando o Evandro me jogou para as provas de pista.

FOLHA - Você tinha virado atleta profissional...

FABIANA - Sim. O Evandro me jogou mais para prova de pista, não me deixava muito correr rua. Antes, muito novinha, cheguei a correr até prova de 20 quilômetros. E, para mim, que não entendia nada, era o máximo. Com o Evandro, mudou. Fiquei em provas de pista e cross e já fui entendendo mais o que era o atletismo, participando de competições. E participei de meu primeiro campeonato sul-americano, no Peru. Era em 92, eu era a única menor no Campeonato Sul-Americano Juvenil. Aí eu fui terceira no Sul-Americano no 3.000 e no 5.000, quer dizer, com 13 para 14 anos. Eu já corria de tênis, mas não estava acostumada, eu ficava doidinha para tirar o tênis para correr descalça. Mas me adaptei com a sapatilha, com o tênis...

FOLHA - E você continuava estudando?

FABIANA - Estudava, treinava e era menor estagiária do Correio, porque quando acabou a Celen e Rio Forte, aí o Correio, em Recife, veio para me dar uma ajuda de custo, junto com o Banco do Brasil. Isso foi logo depois, com 15 anos mais ou menso, porque com 16 eu vim para São Paulo... Foi com 15 anos que eu consegui um patrociniozinho do Banco do Brasil por ter ganho o JEBs (Jogos Estudantis Brasileiros). Então, nesse época, eu acordava às 4h40 para fazer o treino da manhã. Depois ia para o Correio, fazer o meu estágio. De lá já ia para a escola, e da escola ia para a pista treinar, à noite, porque em Recife, como é muito quente, a gente começava o treino às sete da noite. Então, com 15 anos, participando de campeonatos brasileiros, do Sul-Americano, eu consegui me destacar. Foi quando o Sérgio Coutinho, então diretor da Funilense (clube de corrida antecessor do BM&F/Pão de Açúcar), me convidou para vir para São Paulo. Foi quando eu conheci o Daniel...

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h52

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Entrevista com Fabiana Cristine da Silva - final

Superando a dor

FOLHA - Como foi esse encontro?

FABIANA - Conheci o Daniel em 94, na Hungria, no Mundial de cross. Eu me classifiquei por Recife. Havia quatro etapas de cross no Brasil. Eu era menor, mas corria pelo juvenil, que na época podia. Ganhei três etapas e perdi uma, em que fui segunda. E me classifiquei para o Mundial

FOLHA - E era qual distância? Como é a prova de cross?

FABIANA - A prova era de quatro quilômetros. O cross é uma prova em circuito acidentado, eles fazem em campos, às vezes em campo de polo... Colocam obstáculos, troncos, barro... Tem subidas, tem descidas, uma parte de lama para o atleta passar, para passar mesmo lá se acabando na lama. O circuito tem uns dois quilômetros, e aí os atletas dão várias voltas, conforme a quilometragem...

FOLHA - E foi num Mundial de cross que você conheceu seu marido...

FABIANA - Na Hungria, o pessoal se reunia, tinha as apresentações. Eu falei: 'Sou de Recife'. Aí chegou a vez do Daniel, ele falou: 'Sou de Pernambuco, mas moro em São Paulo'. A gente ficou conversando. Depois do Mundial, cada um foi para a sua casa, mas a gente estava sempre em contato. Nas competições, um ia ver o outro... Foi quando o Sérgio me convidou para vir para São Paulo, e eu vim já morar com o Daniel e estamos juntos até hoje. Eu tinha 16 anos. Dia 25 de março faz 15 anos que eu estou em São Paulo e que eu estou com o Daniel, porque quando eu vim de Pernambuco, já vim juntar as trouxas com ele e estou até hoje.

FOLHA - Mas vocês conseguem treinar juntos?

FABIANA - A prova dele é os 10.000 m, as minhas eram o 1.500 e 5.000, não é? Outro tipo de corrida. Mas, dependendo do treino que o Marcão [Marco Antonio Oliveira, treinador de Fabiana] passava, se a passagem dos 400 m fosse igual, eu pegava carona com o Daniel. A gente aquece junto, mas, em termos de treinamento, cada um faz o seu.

FOLHA - Desse período todo, qual a lembrança mais bacana?

FABIANA - Uma conquista boa foi quando eu ganhei meu primeiro carro, foi uma coisa inesquecível. Porque sempre a gente botava na cabeça: 'Será que eu vou ganhar o carro?' O Daniel, na época, já tinha ganho dois carros. Antes de ele ganhar o primeiro, na Corrida JK de Belo Horizonte, eu sonhei que ele ia vencer mesmo. E eu perguntava: 'Será que um dia eu vou ganhar um carro?' Aí calhou de ser em Cuiabá. Lá tem uma subida que é bem perto da chegada, mais ou menos uns 800 metros. E vínhamos eu e a Marcinha [Marcia Narloch, maratonista] brigando. Eu lembro a nossa respiração, uma mais forte que a outra. Nessa subida, o Daniel, que já tinha terminado, veio ao meu encontro: 'Fabiana, ganhei o carro!'. Aí eu botei na cabeça que tinha de ganhar também... E ganhei, foi na Corrida de Reis de Cuiabá... É uma lembrança bem legal, o dia em que nós dois ganhamos o carro...

FOLHA - E o que vocês fizeram com os carros?

FABIANA - Ah, a gente vendeu para construir. A gente vendeu os dois para construir essa casa. Depois vieram outros carros. Eu já ganhei quatro, e o Daniel ganhou quatro também. Está empate, quatro a quatro...

FOLHA - Mas sua carreira não foi só de alegrias...

FABIANA - Que nada! Parece que tem uma coisa com o Pan-Americano. Nos quatro Pans, eu tive lesão, não fui a nenhum. No México (95), tive fasciite plantar; em Winnipeg (99), fratura por estresse. No outro [Santo Domingo, 2003], outra lesão. Eu vinha bem o ano, quando chegava a horam, tinha uma lesão. E nesse, ño Rio, também. Eu falei para o marcão: 'Deve ser a síndrome do Pan...'. O do Rio, nem corri nem vi. Fiz a cirurgia no tendão na época do Pan, não podia nem andar direito, estava com uma muleta. .

FOLHA - Você ficou muito tempo parada?

FABIANA - Foi um ano, entre o período que eu fiquei parada antes e depois da cirurgia, os trabalhos de fisioterapia e o tempo que eu tive de ir treinando para entrar em ritmo de competição...

FOLHA - E você treinava com dor mesmo?

FABIANA - Eu nem conseguia treinar. Foi na extensão do tendão, era uma bolsa que estava de sangue, um pedacinho de osso que cresceu ali e estava fazendo atrito nessas duas partes e ficava dolorido. Dolorido não, com muita dor. Aí eu não conseguia nem calçar o tênis direito, não conseguia trotar. Se eu trotasse, era com o pé do lado. Como é que eu ia correr?

Eu não fazia nada.... Já que era para ficar parada, fiquei para mesmo... Aumentei uns cinco quilos...

Depois da cirurgia, quando o médico me liberou, que eu podia fazer alguma coisa, aí já comecei a pedalar. Pedalar e caminhar, caminhar e trotar, para depois só voltar mesmo a correr quase dois meses depois. Aí foi quando eu botei na minha cabeça que agora ia fortalecer os músculos e perder peso para voltar, em 2008, bem. Aí pronto, foi quando eu botei na minha cabeça que minha primeira prova eu queria voltar bem. Aí foi aqui em General Salgado, em Taubaté, a Corrida do Batalhão. Ganhei a prova com 34min58...

FOLHA - Outro drama foi a suspensão do Daniel, acusado de doping. Ele ficou parado dois anos...

FABIANA - Foi um negócio ruim, que eu não desejo para ninguém. Ele estava bem na época, ia correr outras corridas, foi quando o Martinho, da CBAt, ligou, e começou aquele desespero de o exame ter dado positivo e tal. Eu fiquei arrasada de ver o Daniel chorando direto. Porque eu nunca tinha visto o Daniel chorar tanto que nem criança como foi esse período... Mas foi superado, ele está aí, voltou a treinar bem, competir bem e está tudo superado mesmo. No final do ano, ele ganhou o Circuito Bradesco, está bem para caramba...

FOLHA - Você também teve uma longa batalha judicial...

FABIANA - Contra a Globo. Porque eu fui segunda na Corrida de Reis em Cuiabá, acho que foi em 2005, e a queniana que ganhou não tinha carta-convite, ela não tinha direito de competir. Quando gente vai lá fora, tem prova que não pode competir, porque não tem autorização. Quando vimos que a queniana estava irregular, resolvemos lutar. E ganhei, já recebi o dinheiro, tudo certinho...

FOLHA - Quais são seus planos para este ano?

FABIANA - Vou dar uma descansada de um mês. Vou para Recife passear um pouquinho com a minha mãe e com o Daniel e, depois, quando eu vier, começar a pre-base para o resto do ano. Vamos ver se a gente consegue melhorar as marcas e quem sabe ir ao Mundial, mas vou deixar acontecer. Não vou ficar bitolada. O que tiver que ser vai ser.

 

Fotos Ayrton Vignola e Almeida Rocha/Folha Imagem

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h49

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Dica de meia-maratona

Percurso invertido

Acabo de receber mensagem da Corpore com informações sobre a meia-maratona que a entidade organiza e que é uma das boas provas do calendário 2009.

O evento, marcado para 5 de abril, tem a corrida longa e mais uma provinha de 5,5 km, que pode atrair quem está começando.

A grande novidade da meia-maratona é que, neste ano, o percurso será invertido.

Ou seja: você, no início, fica mais quilômetros "do lado de lá" da marginal Pinheiros. Passa pelo tunelzinho sob a avenida Vital Brasil e cruza a ponte Bernardo Goldfarb para vir para "o lado de cá", vai até o parque Villa-Lobos e então começa a voltar, cruza a ponte Cidade Universitária (que, nas versões anteriores, era a primeira a ser atravessada...) e entra na USP para completar o circuito.

Do ponto de vista de desempenho, a mudança me parece positiva, pois aquele vaivém em frente ao Jockey era um terror, quentíssimo. O que pode ser chato é a retona na Raia, ao entrar novamente na Cidade Universitária. Mas dá para buscar sombra por ali.

Se não estiver muito quente, parece uma boa oportunidade de tentar desafiar seus tempos do passado. Mas já aviso que, nos últimos anos, foi um calorzão daqueles...

Abaixo, o mapa do novo percurso, pois foram feitas algumas pequenas mudanças, além da inversão da direção da prova.

 

Ih, errei...

Como você pode ver nos comentários, esse percurso já foi utilizado em 2008. A memória me enganou, pois eu tinha "certeza" que havia corrido a prova no ano passado; pelo jeito, foi em 2007 e em 2006... De qualquer forma, mantenho minha opinião sobre esse não tão novo trajeto: é muito melhor que o anterior e deve propiciar a obtenção de bons tempos, especialmente se não fizer muito calor...

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h27

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Caminhos secretos da São Silvestre

Olhos dos pés...

 

Uma das melhores visões que podemos ter ao correr a São Silvestre são os trilhos sob o viaduto Antártida (foto acima). Não pela beleza, mas pelo significado: ali cruzamos a metade da prova. O resto é só seguir.

Mas muitos de nós nem notamos o entorno da corrida, passando sempre de olhos grudados no asfalto ou nos corredores em volta, para fugir de alguma topada ou qualquer outro incidente. Foi por isso que, há pouco mais de 15 dias, corri o percurso batendo fotos que mostram cenas que deixamos de ver quando corremos.

O resultado foi uma reportagem publicada na edição de ontem da Folha, no caderno Esporte, AQUI (para assinantes da Folha e/ou do UOL).

Não posso reproduzir o texto, mas seguem abaixo algumas imagens....

A estátua de Anhaguera (agora sem trema), que no dia da prova já não envergava o colete salva-vidas...

O gari, que, como tantos outros trabalhadores de rua, parece ser invisível para a maioria dos passantes

Estátua de Mercúrio, o mensageiro dos Deuses, vista na praça da República

Cores dos prédios no entorno do Minhocão

Busca de proteção na cidade desprotegida

A 23 de Maio, vista do início da Brigadeiro

Vendedor de flores na porta da igreja

Veja todas as fotos que fiz do circuito clicando AQUI

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h40

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Como Fabiana chegou ao 2º lugar na SS

Baterias recarregadas

As mulheres salvaram o Brasil na São Silvestre de 2008, como bem disse a Folha de hoje em reportagem que você pode conferir AQUI. Pois eu conversei com o treinador da brasileira mais bem colocada, FABIANA CRISTINE DA SILVA, que foi segundo lugar. O técnico MARCO ANTONIO OLIVEIRA, atualmente morando em Xangai, fez um balanço do que foi a preparação que resultou na conquista dessa posição. Ele se comunica com sua orientada pela internet e, também pela internet, mandou para este blog, com exclusividade, o texto abaixo.

"São 12 anos de acompanhamento técnico da Fabiana. Esse de 2008 foi o mais atípico, pois ela teve de se submeter a uma cirurgia no meio da periodização de 2007. Por causa disso, a atleta acabou perdendo a convocação para o Pan Rio-07 e, na sequência, a limitação de sua performance a impediu de buscar o índice olímpico para dizer presente em Pequim-08.

"Foram seis meses de fisioterapia, antes e depois da cirurgia. Só no começo de 2008 os treinamentos voltaram a normalidade. O sucesso da cirurgia realizada pelo doutor Cristiano Frota de Souza Laurino e a parada obrigatória de seis meses para recuperação foram pontos determinantes para os resultados conquistados em 2008.

"Com bateria recarregada e estrutura óssea plantar ok, conseguimos a segunda colocação no Ibero-Americano, nos 5.000 m, e o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Fundo-Pista, em que ela venceu os 10.000 m com a marca de 33m28, novo recorde pessoal. No tradicional Troféu Brasil, a Fabiana foi primeira colocada nas duas provas de fundo (5.000 e 10.000 m).

"Mas nem tudo foi um mar de rosas, pois, nos últimos dois meses antes da São Silvestre, passamos bom tempo tentando equacionar a falta resposta satisfatória do organismo da Fabiana às cargas aplicadas aplicadas nos treinamentos diários. Essa situação levou Fabiana a ter uma performance irregular nas competições de rua nesse período.

"Essa situação adversa gerou uma certa insegurança para correr a São Silvestre, pois a intenção era subir ao pódio. Acabamos optando por uma estratégia defensiva-agressiva, ou seja, sair administrando o tempo de uma maneira que no meio do caminho a atleta pudesse ganhar posições.

"O ritmo muito forte empregado pelas adversárias no início da prova favoreceu a nossa estratégia. Fabiana correu até o km 10 no ritmo "tranquilo" de 3min20/km; já no km 9 começou a ganhar posições importantes, o que acabou por levá-la à segunda colocação na São Silvestre."

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h38

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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