Rodolfo Lucena

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Conheça fatores que aumentam risco na corrida

Fique esperto

Milhares de pessoas vão se reunir domingo na Cidade Universitária, em São Paulo, para um dos mais concorridos eventos corredísticos da cidade, que oferece uma meia-maratona e uma prova de 5,5 km, muita cor, alegria e diversão.

Por isso mesmo, esse evento é um dos que atraem corredores menos experientes e até pessoas com pouco treinamento, que vão para a prova baseadas no entusiasmo, no vamo-que-vamo.

Isso pode ser muito perigoso.

Participar de forma saudável de uma meia-maratona (e de qualquer corrida) exige treino, preparo e respeito a algumas condições, como alimentação e descanso adequados, além da consciência dos riscos que as condições climáticas podem oferecer.

A Corpore, que organiza a prova domingueira, distribui hoje uma mensagem alertando sobre fatores que, combinados, podem resultar em ocorrências médicas. A lista tem um ar meio assustador, mas é bom que cada um fique esperto, pois os riscos são concretos e merecem toda a nossa atenção.

Ao menor sinal de perigo, dê um tempo, reduza o ritmo, pare, descanse e prepare o coração para seguir em frente. A máxima do trânsito vale também para os atletas: na dúvida, não ultrapasse.

Reproduzo a seguir a tabela distribuída pela Corpore.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h08

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Cai recorde mundial dos 10 km

Tchau, Haile

Caiu hoje uma das marcas mundiais do etíope Haile Gebrselassie, recordista da maratona. Ele era até hoje também o dono do melhor tempo do mundo nos 10 km, com 27min02 estabelecidos em 2002, em Doha, Qatar.

Pois hoje Micah Kogo, do Quênia, fechou em 27min01 a 21ª edição da Parelloop 10k em Brunssum, Holanda.

O jovem queniano (22 anos), dono do bronze olímpico na distância, parece gostar mesmo do circuito holandês: "Depois de correr aqui o meu melhor tempo até então, em 2007, eu sempre fiquei pensando em voltar para tentar quebrar o recorde", disse ele depois da prova.

E completou: "Espero voltar no ano que vem para tentar um sub27".

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h00

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O amor é poderoso, mas não é tudo

Só deu para ela...

Os quenianos tinham esperanças de conseguir seu primeiro casal de ouro no MUndial de cross country, disputado ontem em Amã, na Jordânia.

Mas vai ficar para outra oportunidade.

A parte feminina do casal cumpriu com galhardia seu propósito, saindo vencedora depois de dura disputa. A queniana Linet Masai já estava saboreando a perspectiva de acabar com longos 15 anos de ausência de seu país no posto mais alto do pódio quando sua jovem compatriota Florence Kiplagat, 22, subiu a lomba final com tudo e arrebentou a fita para ganhar o ouro (que prometeu dar de lembrança para a moça que ficou cuidando de sua filhinha de pouco mais de um ano...).

Já o maridão da Kiplagat, Moses Mosop, não chegou nem ao pódio, amargando modesto 11º lugar. A vitória foi do etíope Gebre-egziabher Gebremariam.

O melhor brasileiro na prova foi o catarinense Adilson Dolberth, que chegou em 65º lugar. No feminino, a melhor atleta verde-amarela foi Sueli Silva, goiana de jataí, que completou na 66ª posição.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h02

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Acerte o seu treino para a maratona

Estréia em Porto Alegre

Melhor maratona do Brasil, a prova de Porto Alegre é escolhida por muitos corredores como o momento de estréia na mágica distância dos 42.195.

Mágica e misteriosa, pois mesmo veteranos tremem e sentem aquele frio na barriga antes de cada novo início, pois cada percurso e cada dia de corrida são diferentes dos anteriores, e o corredor também é diferente de si mesmo...

Espero que veteranos e estreantes estejam treinando bem para a corrida. Chegam perguntas a respeito da influência do novo percurso nos treinos e questões assemelhadas, às quais vou procurar responder baseado na minha experiência, no que já aprendi com outros corredores e com treinadores. É, pois, uma opinião de um corredor com alguma bagagem, mas não a de um especialista em treinamento...

A mudança do percurso da maratona de Porto Alegre tende a tornar o trajeto ainda mais propício a um bom desempenho. O retão de ida e volta a partir do km 23 (aproximadamente) é um desafio e um incentivo, pode ser um obstáculo ou uma alavanca para o ritmo do corredor.

Sabendo, então, que a partir dali a prova vai começar de verdade, o corredor pode se preparar para enfrentar esse desafio.

A primeira preparação é a psicológica, coisa que vai-se desenvolvendo ao longo dos treinos. Você tem de saber que é capaz (mesmo que a gente sempre duvide de nós mesmos, o que também é absolutamente comum...) e aceitar a dificuldade que vem pela frente. Aproveite a beleza que o cerca, marque corredores como alvo, confira mil vezes seu relógio, enfim, faça o que você costuma fazer para se manter concentrado, focado.

Uma vez garantindo que você está por inteiro presente no asfalto, trate de enfrentar inimigos mais concretos. Um adversário bem importante poderá ser o vento contra. Se houver um grupo de corredores, procure a proteção dos corpos dos outros (que provavelmente vão estar fazendo a mesma coisa); se não, o que eu faço é tentar acertar meu ritmo de modo que eu consiga manter uma velocidade mais ou menos constante.

É mais ou menos como em subidas: não adianta muito forçar a barra e depois despencar; é melhor diminuir, se for necessário, mas ficar equilibrado e pronto para acelerar ou forçar mais quando as condições estiveram mais favoráveis.

Acho que isso responde à questão levantada por um leitor sobre treinamento para correr contra o vento. Não sei se existe, mas o que sei é que se trata de treinamento de força/resistência, como o de lombas.

Sobre os longos, que também suscitaram questões entre os leitores, não há regra fixa; costuma fazer uns três ou quatro, de 32 até 36 km, mas não fico encucado se não tiver tempo para os de 36. Muitos treinadores recomendam treinos máximos de 30 ou 32 km, o que já me parece bem razoável para mostrar ao correr que ele tem resistência.

Lembre-se de que seu treino para a maratona é para a maratona, não para o treino. É péssimo se a gente vira um "leão de treino", aquele sujeito que faz os treinos mais doidões, resiste a tudo e depois, na prova, sucumbe de cansaço ou com alguma lesão mal-curada.

Temos ainda nove semanas até a maratona de Porto Alegre. Dá tempo para corrigir problemas, aumentar distâncias e até fazer treinos de velocidade (coisa da qual não sou muito adepto, mas faço...). Mas não deixe de guardar as últimas duas semanas para reduzir o esforço, prepara o espírito, descansar, ver a prova e ficar inteiraço para a hora da largada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h40

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Muda o percurso da maratona de Porto Alegre

Beijando o Guaíba

 

Parece que virou moda: quando a gente começa a se acostumar com um percurso, vem alguém e muda o trajeto de uma prova querida.

Neste ano, quando completo dez anos de maratonas, vou correr a maratona de Porto Alegre pela quarta vez (afinal, foi lá que comecei a enfrentar essa maravilhosa distância de 42.195 metros). E farei um terceiro percurso, diferente do percorrido no ano passado e muito distante da queridíssimo trajeto de 1999 e 2000.

Isso não quer dizer que eu esteja reclamando. A bem da verdade, só de olhar o mapa, considero que o novo percurso é bem melhor do que o do ano passado.

Confira o mapa aí do alto, que é mais uma ilustração do que uma mapa e está disponível no site da maratona. É estranho ver o Guaíba posicionado no alto, mas imagino que o povo da Corpa tenha feito isso para deixar ainda mais evidente a grande mudança: a maior parte da prova ladeia o rio, indo ou voltando.

Isso não só aumenta a plasticidade do percurso como também tira do trajeto o seu pior momento: aquela interminável ida e volta pela feíssima e chatíssima avenida Ipiranga, que você pode perceber no mapa abaixo, que adernei para que fosse visto pelo mesmo ângulo da ilustração lá do alto.

Ou seja, no ano passado a gente fez um passeião pelas entranhas da cidade; neste ano, trotearemos por seus limites...

Só espero que, se tiver vento, que seja a favor...

No meu segundo ano de prova, quando fiz o melhor tempo de minha vida, tive vento contra todo o tempo de ida margeando o Guaíba (com o rio ao meu lado direito); pensei que tudo bem, pois a volta compensaria com o vento a favor. Ledo e ivo engano, pois mudou o vento...

Aliás, isso tirou um tempo preciosíssimo da Márcia Narloch, que venceu e estabeleceu o recorde feminino naquele ano, mas ficou pouco mais de dois minutos acima do índice para se qualificar para a Olimpíada. E olha que ela estava então em estupenda forma, tanto que, na semana seguinte, venceu também a maratona de São Paulo.

Bom, voltando ao trajeto previsto para este ano, ele é bom também para quem assiste, pois, ficando firme na região da largada vai ver os corredores passando por ali umas quantas vezes (largada, km 7, km 20, km 23 e chegada). Já para o corredor isso pode ser menos estimulante...

Outra coisa: espero que os desenhadores do trajeto tenham dado um jeito para que não ocorram confusões entre maratonistas e participantes do revezamento, como no ano passado.

E é exatamente ali que calculo que será o pior momento da prova, mais ou menos entre os km 20 e 23, que será o único trecho efetivamente repetido na corrida. Mas, se tiver público, talvez a agitação compense.

A partir dali, o corredor fica sozinho por um retão sem fim, descendo quase 10 km ao lado do rio e voltando o mesmo tanto. A cabeça vai ter de controlar o corpo, manter a concentração e determinar o ritmo... E, quando a cabeça falhar, o corpo vai ter de mandar mensagem dizendo que quer correr mais, mais e mais...

Que depois vai ter churrasco e pavê...

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h28

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Casal queniano busca ouro inédito

O amor é lindo

As corridas de cross country são muito mais do que provas trilheiras como as que nós, corredores de rua, conhecemos.

Para os profissionais, elas são montadas em um circuito de terreno adverso, cheio de subidas e descidas. Não contentes com os obstáculos naturais, os organizadores costumam colocar outros, como troncos caídos e enormes poças de barro. E, não poucas vezes, as provas são realizadas em locais de clima quente.

No sábado, por exemplo, será realizado em Amã, na Jordânia, a 37ª edição do Mundial de cross country, e a IAAF (federação internacional de atletismo) está toda esperançosa de que românticos ingredientes tornem mais atraentes as provas.

É que sai do Quênia uma dupla que pretende ser tornar o primeiro casal do país com medalhas de ouro no mesmo Mundial.

O homem é Moses Mosop, campeão nacional de cross country (12 km) e medalhista de prata no último Mundial. Mas a estrela que sobe é sua esposa, Florence Kiplagat, 22, nascida em um clã de corredores --seu tio, William Kiplagat, tem 2h06 na maratona e disputa no mês que vem a prova de Roterdã.

Correr foi para Kiplagat uma forma de conseguir estudar --ela sonhava em conseguir uma bolsa de estudos em uma universidade norte-americana. Não teve sucesso nisso, mas seu esforço e seus treinos a levaram a posição de destaque no cenário nacional, e em 2006 disputou o Mundial de juniores em Pequim, onde pegou prata nos 5.000 m

Agora, depois de um interregno dedicado à maternidade --o casal tem uma filhinha de um ano--, quer mostrar que ainda tem muita força e pode conquistar muitas medalhas.

Vamos ver o que vai rolar.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h52

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O que fazer depois da queda

De plancha no concreto

De novo, vou ter de começar explicando o título, pois voltei a usar o gauchês.

O termo plancha é usado ali no seu sentido figurado, pois no literal se refere à parte chata da faca ou do facão. Entre as bravatas atribuídas aos gaúchos, há uma em que o sujeito provocador entra no bolicho (o boteco do interior) e já vai cantando vantagem logo ao cumprimentar: "Buenas que me espalho, nos pequenos dou de plancha, nos grandes dou de talho".

No fim não acontece nada, e a gente volta ao de plancha no asfalto. Que nada mais é que o resultado de um tombo acachapante, em que a gente cai inteiro no chão, sem perdão, arriscando quebrar dentes e nariz se não conseguir se proteger com braços e pernas...

E foi o que aconteceu comigo no treino de hoje.

Descia a Sumaré num ritmo normalzinho quando percebi um corredor que vinha na direção oposta. Estávamos os dois em rota de colisão, e lá fiquei eu pensando se ficava na mesma faixa, apenas me desviando um pouco, ou se trocava de faixa, e aí cada um teria seu espaço amplo e tranquilo.

Optei pela segunda alternativa e segui sem perder o ritmo, mas também sem olhar para o chão. E dei um bico num pedaço de cimento que me desequilibrou completamente.

Lá fui eu caindo para frente, olhando um poste vir celeremente em minha direção e já imaginando o estrago que o aço iria fazer na minha já não bela cara... Consegui rolar um pouquinho e me esborrachei no chão meio de lado, raspando tudo no cimento.da pista central da Sumaré.

As decisões precisam ser tomadas em milésimos de segundo. Num átimo, você calcula se quebrou algo, mexe o corpo sem efetivamente movê-lo, manda comandos aos músculos e espera a resposta...

Quando você cai, só há dois caminhos. Ou você se levanta sozinho ou você não se levanta sozinho. No segundo caso, é melhor começar a gritar logo por ajuda pois quanto mais rápido for o atendimento melhores são suas chances (acho eu). No primeiro caso, é mais importante ainda você reagir rápido, para que a vergonha ou o desânimo não atrapalhem a retomada do ritmo.

Foi o que fiz. Vi que joelho, mão, dedos e cotovelo estavam ensaguentados, mas eu sobreviveria. Não foi o primeiro nem será meu último tombo na rua.

O ruim mesmo é o tratamento. Pois esses machucados rasteiros não exigem mais do que água e sabão, mas como arde...

Mas passa... Tudo passa.

Como dizia o outro: "Tudo na vida é passageiro, menos cobrador e motorneiro".

Com o que me despeço.

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h41

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Em Roma, a mais rápida maratona da Itália

Coelho recordista

Esta história a gente já conhece: o coelho sai em um ritmo fortíssimo para ajudar algum figurão a estabelecer nova marca importante, o figurão quebra e o coelho termina em primeiro.

Hoje, em Roma, foi quase isso, com uma pimenta a mais: o queniano Benjamin Kiptoo não só venceu a Acea Electrabel Maratona di Roma como também estabeleceu ali o melhor tempo já registrado em solo italiano, com 2h07min17.

Vencedor das maratonas de Brescia e de Pequim em 2008, Kiptoo viu seus compatriotas tomarem conta do pódio e de muito mais: foram de quenianos os 12 primeiros lugares na prova masculina. Na feminina, a etíope Firehiwot Dado, cuja melhor marca na carreira era um modesto tempo de 2h37min34 obtido em Kosice no ano passado, esmigalhou seu recorde pessoal e deixou para trás todas as adversárias para fechar em 2h27min08.

Já em Tóquio, o vencedor foi o vento: fortes correntes derrubaram os tempos, e a prova foi vencida com uma marca bem fraquinha para esse tipo de evento. O queniano Salim Kipsang fechou em meras 2h10min27.

Mas, apesar do tempo desapontador, não dá para fazer pouco da vitória, pois o campeão teve de se livrar de nada menos do que seu compatriota Sammy Korir. É, o nome faz você lembrar do recorde mundial de Tergat, quando Korir foi o coelho que terminou pau a pau com o recordista. Em Tóquio, o ex-copelho acabou ficando para trás e terminou fora do pódio, que foi completado por dois japoneses. Kazuhiro Maeda e Kensuke Takahashi.

Na prova feminina, a nipônica Mizuho Nasukawa fez a alegria da torcida ao terminar em 2h25min38, um bom tempo para as condições da prova: ela melhorou seu recorde pessoal em mais de quatro minutos e ainda venceu com mais de três minutos (cerca de um quilômetro) sobre a vice, sua compatriota Yukari Sahaku.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h05

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Como enfrentar as unhas pretas

Em defesa da vaselina

O título e a chamada desta mensagem estão meio para o sensacionalista, mas de vez em quando é bom dar uma mexida nas tradições. E, como você verá a seguir, ambos, título e chamada, refletem o que tenho a dizer.

O que não significa que não sejam talvez mais instigantes que o texto, mas isso é próprio dos títulos. Lembro com carinho do jornalzinho que fazíamos, eu e minha turma do colegial, no querido Inácio Montanha. Certa vez, bolamos a manchete "Dorcelina assume a direção"; para o incauto, poderia significar que a bedel da escola, iracunda mas muito querida, tomava enfim o posto da menos apreciada diretora. Mas o texto esclarecia que, depois de meses frequentando uma auto-escola, a bedel enfim tomara coragem para dirigir seu carro etc. e tal...

Não lembro se isso chegou a ser efetivamente publicado no nosso glorioso "Espinácio", mas que nos divertimos muito com a história, lá isso nos divertimos.

Bem, chega de digressão, coisa própria de minha idade avançada.

Volto às unhas pretas, tema de uma pergunta de uma leitora que, sempre bela e garbosa, via suas unhas enfeiarem depois de ter começado a correr.

Pois digo a você e a todos: unhas pretas sempre as teremos entre nós.

Elas são resultado das milhares de microbatidas entre a carne dos dedos e as unhas, que acabam por romper microvasos ali disponíveis em profusão. Dependendo da gravidade do caso, forma-se uma espécie de bolha de sangue, que levanta a unha. Com o tempo, a unha velha é descartada, e outra surge em seu lugar.

Isso acontece muito para quem está começando, pois depois o corpo se ajeita. Daí, precisa se readaptar a cada novo patamar galgado pelo corredor. Então, ao longo de sua história, você vai perceber que as unhas pretas aparecem em determinadas épocas. Há momentos que você corre várias maratonas (ou a sua distância preferida) sem sofrer nada nas unhas nem ter bolhas ou outras incomodações. De repente, volta tudo. vai ver, você aumentou a distância de treino repentinamente ou fez treinos em ritmo mais forte do que estava acostumado, o que também contribui para aumentar a frequência e a intensidade dos choques.

Então, basicamente, elas são inevitáveis. Em algum momento, por alguma razão, vão aparecer. Mas dá para se proteger, se prevenir. A melhor coisa, como você já percebeu, é manter seus treinos em uma progressão razoável, dentro do bom senso, seja lá que isso signifique (para este blog, por exemplo, bom senso é não aumentar a distância semanal total em mais do que 10% ou 15% de cada vez...).

Também o uso de meias justas e secas, em tênis de corrida adequados à sua passada e com aquela folga de lei (na corrida, os pés incham com todo aquele movimento sanguíneo, e seu tênis deve ter espaço para esse aumento de volume).

Quanto a tratamento, eu sempre simplesmente dei tempo ao tempo, que a dor passa e a unha também... Mas, se a bolha de sangue for muito grande e dolorida e se a dor não diminuir depois de um ou dois dias, é bom procurar um médico ou, pelo menos, um podólogo. De novo, há soluções caseiras, que envolvem o uso de agulhas, que eu nunca experimentei e não recomendo.

E é mais ou menos por aí. Eu lembro da minha primeira unha a ser destruída. Foi a do dedão do pé esquerdo, detonada logo da primeira vez que usei um tênis "Nike" comprado na Galeria do Rock, lá nos idos de 1998. Foi terminar o treino, uns 10 k por aí, e ver a unha vermelhona. O vermelho foi ficando vinho, o vinho roxo, o roxo preto até que a unha caiu. As outras que vieram (pois foram muitas quedas e renovações ao longo desses dez anos) nunca mais acertaram o caminho, e acabam sofrendo às vezes mais, ás vezes menos, mas sofrem. E a tal unha, a qualquer momento, é feia que dói. Só não é minha unha mais feia porque, ainda bem, tenho as unhas dos dois mindinhos, que são absolutamente horríveis.

Então, corra em paz e fique feliz que você não tem as minhas unhas.

Faltou falar da vaselina. Por causa do meu outro post sobre bolhas, alguns leitores acharam que eu desrecomendo vaselina. Em primeiro lugar, eu não recomendo nem desrecomendo nada.

Em segundo lugar, vaselina (ou outro creme gorduroso) é ótimo para prevenir assaduras nos braços e entre as pernas. Sempre passo antes de treinos e provas que vão me tomar mais de duas horas. Pela minha experiência, porém, não se deve passar muito nos pés como forma de prevenção de bolhas. Há quem use, mas todos os comentários feitos falam do uso parcimonioso. Eu já usei nos pés, mas passando na noite anterior. Enfim, como disse no outro post, e vale para este também: cada um com seu cada qual, aqui eu conto o que deu certo para mim e abro espaço para outros contarem o que deu certo (e o que não deu) para eles. A gente sempre aprende com a experiência alheia. Compartilhe a sua conosco.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h47

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Como prevenir e enfrentar bolhas

Tentativa e erro

Corri minha primeira maratona em 4h00min20, se bem me lembro. E, ao lado da inexperiência, uma maldita bolha surgida no km 30 foi a culpada por eu não ter corrido sub4 de cara.

A bem da verdade, aquilo não foi exatamente uma bolha. Foi uma obra de arte, um trabalho artesanal que, a partir de um simples roçadinho, construiu uma coisa enorme, na planta do meu pé direito, pegando todo o pouco arco que tenho e ainda ocupando área maior.

O que me salvou foi a Eleonora, que me esperava no km 32, com minhas filhas, todas me incentivando. Não tive remédio senão abrir um sorrisão e continuar correndo, dando um pau na dor. Foi este, então, meu primeiro ataque às bolhas: quando aparecem, bato o pé no chão com mais força, para ela aprender quem manda, e sigo correndo. Isso faz a gente diminuir o ritmo e nem sempre funciona, pois as dores são grandes.

Já ouvi relatos de gente que desistiu de provas por causa de bolhas. E uma ultramaratonista de Taiwan, como você já leu neste blog, teve uma bolha infeccionada que serviu de porta porta para uma bactéria maligna, e a corredora acabou tendo as duas pernas amputadas.

Bom, voltando às bolhas. Desde aquela maratona, em 1999 (neste ano faço o décimo aniversário de maratonas, vou festejar em Porto Alegre, como é de lei), já tive bolhas, bolhinhas e bolhas, nos mais diversos pontos dos pés.

E me dediquei a procurar explicações para as malditas assim como formas de prevenção e tratamento. Vamos ver se consigo passar para você um pouco do que já li.

Bueno, primeiro precisamos saber que há três grandes variáveis envolvidas no processo de produção das bolhas. Se você me perdoa, chamo-as de variáveis "fixas", por mais que a expressão seja contraditória, pois são conhecidas. Falo dos pés, das meias e dos tênis. E não é pouca coisa: só aí são 16 elementos de risco --24 se você contabilizar os espaços entre os dedos.

Primeiro: os pés devem estar limpos e secos, as meias também; os tênis precisam estar secos, pelo menos. A umidade contribui para aumentar o deslize dos elementos envolvidos, o que aumenta o risco de bolhas.

As meias devem ser justas; eu gosto até de tê-las um pouquinho apertadas, pois o tecido vai dar de si ao longo da jornada. Há hoje em dia meias de todo o tipo de material tecnológico, que promete absorver o suor e deixar o pé seco.

Cuidado: aprendi da pior maneira possível que elas têm uma vida útil limitada, diretamente proporcional ao número de vezes que são lavadas. Vão perdendo a elasticidade e o desastre vem (a minha meia predileta me deu duas bolhas na minha mais recente maratona).

Há quem goste de passar vaselina ou algum tipo de creme. Eu nunca usei e nem vejo a lógica de isso dar resultado, pois só deixa o pé mais escorregadio. O que já fiz, porém, foi passar creme nos pés na noite anterior (era uma dessas pomadas anti-inflamatórias, pois estava com dor nos pés). Não sei se isso ajudou ou não, mas o certo é que não tive bolhas.

Quando, porém, você tem bolhas durante uma prova, há basicamente duas coisas a fazer, se a prova não for alguma ultra longuíssima: ou você para ou você continua. Se continuar, o melhor, pelo menos pela minha experiência, é não fugir da bolha. Ao contrário, lute para manter a passada, mesmo que você tenha de dar umas porradas na bolha nos primeiros momentos. Acho que o risco de mudar a passada é muito maior do que a eventual redução de ritmo que a dor provocar nos primeiros momentos.

Bom, uma vez tida a bolha, o que fazer nos dias seguintes, como continuar treinando?

Se não for imprescindível, dê um descanso para os pés por um ou dois dias, especialmente se a bolha for na planta. Correr com dor, seja de que tipo for, é uma porcaria. Alguns acham que isso fortalece o espírito, mas imagino que, para muitos, o resultado seja exatamente o oposto. E um descanso sempre faz bem.

Se a bolha for entre os dedos, que é muito dolorido e, pelo menos para mim, demora mais para passar o efeito danoso, uma opção é usar uma dedeira de silicone. Não é a coisa mais confortável do mundo, mas dá para aguentar em treinos curtos.

Alguns recomendam furar a bolha com agulha esterilizada, mas ou você deixa isso para médicos ou especialistas ou você faz como eu e deixa a natureza seguir seu curso. Passar cremes ou deixar o pé de molho também não funciona: só deixa a pele mais delicada. Se a bolha estourar, mantenha a área limpa. Há quem recomende passar uma pomada antibacteriana, que me parece uma boa medida preventiva.

E bola para a frente. Siga seu nariz que a vida é curta e os quilômetros são muitos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h18

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Correndo o mundo por Tóquio-2016

Nem Rio, nem Chicago

 

Para divulgar a candidatura de Tóquio a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o ator japonês Kanpei Hazama (à esq., de vermelho), 59, planeja dar a volta ao mundo correndo e navegando.

Ele chegou hoje a Los Angeles depois de percorrer 12,7 mil quilômetros desde o Japão. O ator, que começou sua empreitada por Tóquio-2016 em dezembro do ano passado, planeja percorrer 36 mil quilômetros por terra e mar até o início de 2011.

Hazama atravessou o oceano em um pequeno barquinho, acompanhado apenas por outro tripulante, Keisuke Hiki (dir., foto Divulgação/EFE).

Nunca tinha ouvido falar desse sujeito nem conheço nenhum filme dele. A página do IMDb lista 18 filmes em que atuou com ator, além de outros filmes e séries em que se apresentou como ele mesmo.

Quanto ao projeto, diz ele que planeja correr 50 quilômetros por dia, quando em terra firme, e deve visitar pelo menos dez países _inclusive os territórios que disputam com Tóquio o direito de sediar a Olimpíada de 2016.

"Eu nunca vou desistir. Se tiver uma fratura por estresse, paro até ficar bom e depois volto para a estrada". Para acompanhar o desenrolar do desafio, você pode clicar AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h45

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Para discutir na mesa do bar

Estatísticas

Ainda estou atrás do balanço geral das maratonas de 2008 nos EUA.

Dados oficiais e completos não foram divulgados; e o site do Running USA está defasado.

Para compensar, cito a seguir alguns dados divulgados no blog do ultramaratonista Dean Karnazes. Nenhuma grande novidade, mas já dá para usar com assunto de conversa durante o descanso após um treino.

Há nos EUA cerca de 42 milhões de corredores (treinam seis dias ou mais por ano); de 8.000 corredores frequentes (treinam cem dias ou mais por ano) consultados, 53% eram homens e 64% tinham completado pelo menos uma maratona.

Metade dos corredores ouvem música nas suas corridas, 15% usam algum tipo de GPS e, em média, o corredor dos EUA compra 2,9 pares de tênis por ano. A meia-maratona é a distância preferida, seguida pela completa e por provas de 10 km (que são as prediletas no Brasil).

As maiores corridas do mundo são JPMorgan Corporate Challenge: Frankfurt 3.5 Mile (60 mil concluintes), Atlanta Peachtree 10K (55.253 concluintes), e Sydney City2Surf 14K (54,9 mil concluintes). As maiores maratonas: Nova York (38.607 concluintes), Londres (35.701 concluintes) e Berlim (32.530 concluintes).

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h56

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A corredora e o rei

Campeã coroada

 

A corredora Eline Berings, da Bélgica, posa para foto com o rei Alberto durante recepção em que foi cumprimentada no palácio real de Laeken, em Bruxelas.

Berings foi a campeã da prova de 60 m com barreiras no campeonato europeu de atletismo em quadra coberta, realizado nesta semana em Turim, Itália (abaixo, ela festeja a conquista).

Fotos EFE

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h57

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Minha primeira corrida na neve

Frio abrasador

Não foi uma nevooona, assim, tipo tempestade, coisa de cinema. O que vi cair, mesmo, foram flocos já meio desfigurados, virando água nocaminho para o solo. Mas, provavelmente no dia ou dias anteriores à minha chegada, havia nevado bastante.

Muitas ruas, praças e parques ainda estavam cobertos de neve, com uma razoável profundidade (uns dez centímetros, pelo menos, a confiar no meu olhômetro.

Tudo isso aconteceu em Brno, uma cidade da República Tcheca que visitei há uns 15 dias em uma viagem a trabalho. É uma cidade pequena, de uns 400 mil habitantes, segundo me contam, com destaque para a presença de estudantes e empresas de alta tecnologia.

Não foi a primeira vez que vi neve, mas nunca tinha visto tanta.

Como a temperatura não caía estava sempre próximo ou abaixo de zero grau, a dita cuja também não derretia. Em alguns pontos da cidade, via-se que a municipalidade tinha recolhido a neve e juntado em blocos de gelo, como os montes de folhas secas feitos pelos garis durante a limpeza de nossos parques.

Afinal, consegui um tempinho livre e tomei coragem para desafiar o frio. Usei roupas de lycra por baixo, calça e camiseta, além dos imprescindíveis gorro e luvas.

Corri por uma hora, mais ou menos. Em geral, as calçadas e passagens em praças estavam livres da neve, mas, em alguns pontos de terra, o gelo dominava e era preciso cuidar para não levar um tombo ou molhar os tênis.

Não foi uma experiência traumática. Mas também não enfrentei muito vento. Não sei o que aconteceria se o Minuano deles começasse a zumbizar. Com certeza, ia ser jogo duro.

Numa praça, havia até pelo menos mais um corredor e crianças brincando em seu recanto gelado.

Fiz muitas outras fotos, mas acho que as aqui colocadas são as mais representativas. Algumas cenas parecem coisa de filme, não?

E você, já correu na neve? Ou em calor enregelante? Mande sua história e fotos.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h47

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Para não dizer que não falei de doping

Outra punição????

 

Um dos mordedores de medalha das fotos anteriores é o britânico Dwain Chambers (Reuters), pivô que um rumoroso caso de doping.

Depois de cumprir suspensão por doping, o velocista voltou a competir e a vencer, detonando mais dúvidas nos órgãos de fiscalização da suposta limpeza do esporte.

Sobre essa limpeza, as memórias de Chambers, que acabam de ser lançadas na Inglaterra, deixam claro que o que mais há é vergonheira (leia texto AQUI).

A vitória dele no campeonato europeu de atletismo, realizado em Turim, poderá ser impugnada. É que, apesar de ter cumprido a suspensação regulamentar, ele não pagou toda a multa exigida pelo órgão fiscalizador (saiba mais AQUI).

Bom, tomara que o problema agora seja mesmo só financeiro, e que o sujeito esteja limpo...

Escrito por Rodolfo Lucena às 09h55

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Moda em Turim é morder medalha

Dentada da vitória

 

A atleta russa Anastasiya Taranova-Potapova mordem a medalha de ouro que conquistou no salto triplo no campeonato europeu de atletismo em quadra coberta, hoje em Turim, Itália. A celebração da russa foi precedida e imitada por outros vencedores, confrome registram as câmeras da EFE.

O francês Renaud Lavillenie, vencedor no salto com vara, dá sua dentada no ouro.

O bronze conquistado pela italiana Elisa Cusma Piccone nos 800 m também parece gostoso.

No salto em altura, a vitória foi da alemã Ariane Friedrich, que crava os dentes de alegria.

O esforço foi tanto nos 60 m que o trio do pódio não resistiu ao sabor da medalha; ao centro, o campeãoa Dwain Chambers, da Grã-Bretanha, ladeado pelos italianos Fabio Cerutti (esq.), prata, e Emanuele Di Gregorio, bronze (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h38

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Vaquinha corre em Paris

Festa à fantasia

 

Um corredor (ou será corredora?) fantasiado de vaquinha participa da meia maratona de Paris, realizada hoje na capital francesa (EFE).

As roupas usadas por outros corredores dá uma idéia do friozinho que faz na dita Cidade Luz.

A prova teve cerca de 27 mil participantes, e a vitória ficou com o etíope Bazu Worku; Jelena Prokopcuka, da Letônia, foi a vitoriosa entrer as mulheres.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h31

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Calor marca Meia Maratona de SP

Vapor do asfalto

Está certo que hoje não estava tão quente como durante a semana, mas, mesmo assim, o sol castigou firme quem se aventurou a participar da Meia Maratona de São paulo, realizada hoje na capital, saindo da praça Charles Muller, em frente ao Pacaembu, passando pelo Minhocão (foto Eduardo Anizelli/Folha Imagem) e cruzando algumas ruas do centrão.

O evento, que teve também uma prova de 10 km, começou às 8h, o que já é tarde para uma corrida do gênero no nosso tropicaliente Brasil. Até a vitoriosa queniana Angelina Matheu Mutuka, que fechou em 1h14min14, reclamou do calor e da umidade. Entre os homens, o vencedor foi Damião Ancelmo de Souza, das Alagoas, que completou em 1h05min18.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h31

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Paulinha não será tetra ainda

Dedo quebrado

A recordista mundial da maratona, Paula Radcliffe, confirmou que não participa da maratona de Londres deste ano, quando iria tentar seu quarto título (venceu em 2002,2003 e 2005).

A culpa é de uma lesão no segundo dedo do pé direito, ocorrida durante uma sessão de treinos em Albuquerque. O tratamento para o dedo quebrado ainda não está decidido, mas a hipótese de cirurgia está sendo analisada.

Os britânicos vão sentir a ausência de sua heroína, mas, a julgar pela lista de inscritas, não deverá faltar emoção na dispuita feminina.

Estão confirmadas a campeã olímpica, a romena Constantina Dita, a atual campeã e vencedora da World Marathon Majors, Irina Mikitenko, da Alemanha, a elegantérrima ex-recordista mundial Catherine Ndereba (Quênia); a medalhista olímpica chinesa Zhou Chunxiu, a etíope Berhane Adere, bicampeã de Chicago, e sua compatriota Gete Wami, vencedora do WMM-07.

Sai de baixo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h37

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Cenas do campeonato europeu de atletismo

Pista coberta

 

Na semifinal da prova de 60m com barreiras, o atleta alemão Helge Schwarzer levou o maior tombo. Na imagem, ele, no chão, é ladeado pelo britânico Allan Scott (esq.) e pelo seu compatriota Erik Balnuweit (foto AP), durante o campeonato europeu de atletismo em pista coberta que está acontecendo em Turim, na Itália.

Depois de machucar o joelho direito hoje, durante a prova de salto em distância, a espanhola Arantza Loureiro é carregada para receber atendimento (foto AP).

Na maior fila indiana, o britânico Mo Farah lidera uma prova de classificação nos 3.000 metros, em disputa realizada no estádio Oval (foto EFE).

Sem espaço para desaceleração depois da prova de 60 m com barreira, as atletas que disputaram a semifinal param sua corrida se jogando contra uma barreira almofadada (foto AP).

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h22

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Rousseau também enfrentou um cachorrão

Salto no escuro

Estou lendo um trabalho muito divertido sobre a história do pedestrianismo, mais volta para o mundo dos caminhantes do que o dos corredores, mas, como sabemos, os dois mundos correm em paralelo e, ao mesmo tempo, embricados, ainda que isso possa parecer um absurdo geométrico.

De qualquer forma, o autor recheia "The Lost Art of Walking" com historinhas supostamente divertidas (desde que você não tenha sido o personagem...). Uma delas, envolve o conhecido tema do enfrentamento entre o homem que caminha ou corre e os cachorros de rua.

Recentemente, falei disso neste blog, e surgiram muitas histórias. Parece que cada corredor tem sua história de terror ou quase-terror na qual está envolvido o dito melhor amigo do homem.

Pois isso também é verdade com nosso herói Jean-Jacques Rousseau. É, ele mesmo, o filósofo suíço do século 18 que discorreu (ou criou) o conceito do bom selvagem (grosseiramente reduzindo o conceito: o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade). Pois uma de suas obras é "Devaneios do Caminhante Solitário", na qual relata seu encontro, durante um passeio, com um gigante cão dinamarquês.

Rousseau vinha de uma tarde dedicada à meditação quando ele vê o bicharoco correndo na direção dele, Rousseau, como batedor de uma carruagem (bem ao estilo da época: na Inglaterra, dálmatas corriam sob as carruagens dos nobres; suas pintas ajudavam a tornar a unidade mais visível).

O filósofo vê o problema e percebe que, se o cachorro vier na sua direção mesmo, com certeza vai derrubá-lo. Então resolve se preparar para dar um supersalto, "tão bem sincronizado que, quando o cachorro passar por mim, eu ainda estarei no ar..."

O cara bem que podia ser bom de filosofia, mas com certeza não batia bem quando se tratava da avaliação de suas possibilidades atléticas. Ele teria de saltar verticalmente quase um metro do solo, a partir de uma posição estática. Você bem pode imaginar o quanto de esforço e músculos e treinamento isso exige.

E, mais ainda, o quão preciso deve ser o cálculo para garantir que você esteja no ar exatamente no instante da passagem do adversário. Pois Rousseau talvez estivesse ainda fazendo esses cálculos quando o dinamarquês o atingiu, jogando-o ao solo e ao um desmaio reparador.

"Eu não senti o choque nem a queda nem nada mais que tenha se seguido até o instante em que voltei a mim", conta o filósofo, citado por Geoff Nicholson, que é o autor do livro que estou a ler.

Muito educativo, não?

Fica a lição: não repita isso em casa. Muito menos na rua, diga-se de passagem.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h53

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Tergat estréia 2009 com vitória

Tem de melhorar

O ex-recordista mundial da maratona e simpaticíssimo multicampeão da São Silvestre Paul Tergat começou o ano com uma boa vitória, ainda que com tempo pouco significativo para quem sonha em voltar à hegemonia do maratonismo internacional.

O queniano de 39 anos (foto Reuters) fechou a maratona do lago Biwa, no Japão, em 2h10min22 depois de disputar um longo combate com o espanhol Jose Rios, que já tinha duas vitórias na prova em seu cartel.

Até o km 35, seis contendores ainda se mantinham na mesma balada. Pouco depois do 39, Rios decidiu sair. Tergat foi em seu encalço, mantendo um duelo por cerca de dois quilômetros até ultrapassar o espanhol e livrar uma luz razoável.

Ele ficou satisfeito com a vitória, mas reconheceu que tem de trabalhar muito, pois a marca está bem distante do seu melhor. Tergat estabeleceu o recorde mundial da maratona em Berlim em 2003, com um tempo de 2h04min55s. No mesmo circuito, no ano passado, o etíope Haile Gebrselassie cravou 2h03min59.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h55

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Morte na maratona de Barcelona

Jovem sucumbe

 

O corredor irlandês Colin Dunne morreu domingo, enquanto participava da maratona de Barcelona, que reuniu cerca de 10 mil pessoas na edição deste ano.

Ele passou mal na altura do km 34,5 e morreu em seguida. Segundo nota oficial da organização, Dunne recebeu atendimento imediato, mas foi em vão.

A prova começou na praça de Espanha (foto EFE).

Não tenho mais informações sobre o caso, mas essa morte é mais um alerta para todos nós.

Seja qual tenha sido a razão da tragédia, é um aviso: a gente pratica um esporte de risco e precisa estar preparado para ele.

Não é apenas a questão do treinamento mas também dos cuidados médicos preventivos: fazer os exames de praxe, cuidar do coração etc. e tal.

Pelo que já vi de estatísticas brandidas por grupos pró e contra o esporte, não acredito que participar de maratonas envolva mais risco do que não participar. Mas acho que cada um de nós pode tentar se precaver mais, cuidar-se mais para poder se divertir além da conta.

É aquela coisa: não tenha juízo, mas se cuide.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h52

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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