Rodolfo Lucena

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Mulher Maravilha corre 21 maratonas sub2h30

Rápida e consistente

E elegante, elegantérrima. Assim é Catherine Nderema, a ex-recordista mundial da maratona, que, desde a última maratona de Londres (foto AP), somou mais uma conquista a seu rol de marcas fantásticas: passou a ser correcordista em número de maratonas sub2h30.

Ao longo de sua carreira, a queniana, que tem um amplo trabalho social em seu país, correu 21 provas abaixo daquela marca, mostrando uma impressionante consistência.

Campeã mundial em 2003 e 2007 e medalhista olímpica (foto Reuters, em Atenas-04), Ndereba, de 36 anos, começou sua carreira de maratonista em 1999 _conseguiu o feito, portanto, em dez anos. Sempre mostrando gentileza ímpar, como fica evidente na entrevista que fiz com ela em 2001, pouco depois de Ndereba ter batido o recorde mundial --leia a entrevista AQUI.

Ela agora iguala a marca da alemã Kartin Dorre, que correu 21 maratonas sub2h30 entre 1984 e 1999.

Além das duas, há apenas mais uma mulher com no clube das mais de 20 maratonas sub2h30 na correira. É a também queniana Joyce Chepchumba, que já correu 20 provas abaixo daquela marca.

Eis as marcas de Ndereba, segundo o site da IAAF:

2:28:27, 6, Boston, 19-Abr-99

2:27:34, 2, Nova York, 07-Nov-99

2:26:11, 1, Boston, 17-Abr-00

2:21:33, 1, Chicago, 22-Out-00

2:23:53, 1, Boston, 16-Abr-01

2:18:47, 1, Chicago, 07-Out-01 = Recorde mundial

2:21:12, 2, Boston, 15-Abr-02

2:19:26, 2, Chicago, 13-Out-02

2:19:55, 2, Londres, 13-Abr-03

2:23:55, 1, Paris, 31-Ago-03

2:23:03, 2, Nova York, 02-Nov-03

2:24:27, 1, Boston, 19-Abr-04

2:26:32, 2, Atenas, 22-Ago-04

2:25:13, 1, Boston, 18-Abr-05

2:22:01, 2, Helsinki, 14-Ago-05

2:25:05, 1, Osaka, 29-Jan-06

2:26:58, 3, Nova York, 05-Nov-06

2:29:08, 5, Nova York, 04-Nov-07

2:27:06, 2, Pequim, 17-Ago-08

2:29:14, 5, Nova York, 02-Nov-08

2:26:22, 7, Londres, 26 Apr 09

 

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h49

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A melhor meia-maratona do milênio

Noturna e às escuras

Porto Alegre, 25 de abril de 2009, 19 horas. Em poucos minutos, vai começar, com leve atraso, a 3ª Meia Maratona do Corpa. É a primeira prova noturna do gênero organizada pelo clube de corredores da cidade e nela vou estabelecer minha melhor marca deste século, correndo sem esforço, brincando no asfalto, bebendo a beleza da minha terra, festejando comigo mesmo a alegria de viver.

Cheguei ao parque da Harmonia (que hoje tem outro nome, mas cujo verde sempre harmoniza a vida), ali do lado da chaminé do Gasômetro, hoje centro de artes e cultura, bem no finalzinho do pôr-do-sol mais lindo do mundo, que colore o Guaíba de fogo e sangue.

Meu número, como os de todos os meio-maratonistas, veio com meu nome. Muito chique.

Enrolei um tanto, com tempo ainda para ver, na Usina do Gasômetro, uma exposição de colagens de um ex-professor meu, do tempo da Escolinha de Artes. Eu jamais iria lembrar da cara dele e aposto que ele também não me reconheceria, mas foi um reencontro bacana. A Escolinha da Artes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) foi sempre um palco de inovação e de incentivo à criatividade e à livre expressão de crianças, jovens e adultos. Hoje passa por problemas, nem sede tem, mas confio que vai dar a volta por cima.

Chega de conversa. Começa a prova, que vai ser, para mim, a melhor meia-maratona deste milênio.

O que não significa que não tenha tido problemas nem que não tenhamos, os corredores, sofrido com falhas da organização. Trato já desses casos.

O primeiro e mais grave foi simplesmente a falta de luz numa prova noturna.

O percurso era simplório: vai-se 5.275 metros para a frente, volta-se outro tanto e depois se repete tudo mais uma vez para completar a distância, num trajeto quase sempre reto e também quase absolutamente plano. Mas, apesar de tudo ser relativamente fácil, precisávamos de luz.

Como disse, o Sol se foi antes mesmo do início da prova, que já começou sob a forte e bonita iluminação do parque à beira-rio (lago? estuário? O Guaíba já nem sabe direito o que é...).

Mas um trecho de uns 500 a 700 metros estava completamente às escuras, e a única medida tomada pelos organizadores foi colocar uns lanterninhas em pontos de maior risco, para avisar os corredores sobre lombadas e sonorizadores, que poderiam provocar quedas. E, depois que passávamos esse trecho, seguíamos por mais cerca de dois quilômetros sob luz mortiça, de boate...

A culpa é da Prefeitura, diziam os corredores, e talvez seja mesmo. Mas os organizadores sabiam do problema antecipadamente e deveriam ter tomados medidas mais eficazes: um lanterninha só é pouco...

Também foi pouco, insuficiente, o trabalho de separação de corpos: o evento incluía ainda revezamentos e provas menores e havia um posto de transição perto demais da curva da meia-maratona. Isso ensejava choques entre os meia-maratonistas, que diminuíam o ritmo para fazer a curva da volta, e os revezamentistas, que aceleravam para chegar a mil no posto de troca. Eu quase fui derrubado por um revezamentista mais afoito e com um grau de estupidez cavalar...

É o tipo de coisa que talvez nem precisasse de sinalização física para ser resolvida: bastaria alguém gritando, orientado uns e outros para onde deveriam ir, que cada um faria seu trajeto sem risco de interferência.

De qualquer forma, eu é que não deixei que nada disso interferisse no meu estado de espírito nem no ritmo que minha pernas desenvolveram no asfalto. Ameaçar de equipado com meu GPS velhinho e mangolão, mal dei bola para o relógio: segui no vai-da-valsa, acompanhando o ritmo de quem estivesse à minha frente, tentando sempre ver se conseguia chegar e passar.

CONTINUA...

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h47

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A melhor meia-maratona do milênio - parte 2

Luz no fim do túnel

Os primeiros momentos da prova foram muito alegres e divertidos, pois estávamos todos juntos, meio-maratonitsas e e revezamentistas _estes formavam um grupo bem mais jovem, pelo menos no olhômetro, com maior presença feminina e de pessoas que corriam juntas, nem sempre pensando do que estavam fazendo.

Talvez por isso e por falta de aviso mais explícito, em alto e bom som, alguns deles se passaram na jogada na hora de fazer a primeira volta. Explico: o percurso era de 5.275 metros (ou por aí), mas o povo do revezamento de quatro atletas corria apenas metade e voltava o que tinha ido, de modo que as fossem todas feitas no ponto da largada, a área mais iluminada de todo o trajeto. Assim, o ponto de virada deles era marcado por cones, e havia um grupo de pessoas da organização auxiliando, mas, pelo menos das vezes que passei por ali, sua atuação era fraca, o que fez com que alguns revezamentistas seguissem retos (pelo menos dois foram avisados do erro por outros corredores e puderam retornar sem grandes perdas).

Centenas de metros depois, a luz se esvaía. Exatamente na ponte sobre a foz do arroio Dilúvio, que vem desde o Beco do Salso dividindo ao meio a avenida Ipiranga, os postes estavam estéreis.

"Culpa do Fogaça", denunciavam alguns, reclamando da falta de ação do prefeito local. Seja de quem for a culpa, a falha é lamentável.

Mas não tirou nossa diversão. Seguimos, agora sob luzes mortiças, em terreno com leve declive, o suficiente para permitir soltar os braços e acompanhar os reflexos da parca iluminação nas águas calmas do Guaíba (rio? lago? estuário?).

Pouco antes da primeira virada, a bateria da Imperadores animava uma churrascada no galpão da escola, e o som chegava até nós, obrigando o corpo a se mexer mais, alegrar-se mais, responder com energia à energia do baticum. E então, com água gelada de verdade, fazia-se a volta para iniciar a segunda perna.

Agora que já sabia como era o percurso, não teria medo de tropeçar na escuridão e poderia me dedicar a cuidar do meu ritmo, a responder com entusiasmo aos cumprimentos de conhecidos, amigos, de leitores de "Maratonando" e deste blog (obrigado a todos, gente boa!!!).

A única surpresa foi mesmo quase lá na largada, na curva para iniciar a segunda volta, quando reduzi, e o tal revezamentista me atropelou. Sorte que eu estava lento e firme, nem perdi o equilíbrio com o empurrão (o cara colocou mesmo as duas mãos nas minhas costas!); se tivesse caído, provavelmente teria derrubado as grades próximas e atingido alguns dos torcedores que acompanhavam o evento.

Parei apenas para soltar um palavrão e segui para a segunda volta.

Ela foi gloriosa.

Já tinha conhecido a paisagem, já me alegrara com a alegria de todos, já me encontrara com o rio, já vira as montanhas, já xingara os colorados ao passar pelo estádio deles, já dançara com a música do percurso. Era hora de correr.

Mesmo sem olhar o relógio, resolvi aumentar um pouquinho ritmo, coisa de cinco ou dez segundos por quilômetro, só no visual, digamos assim, só no formato do corpo e no rodar das pernas, sem confirmar no aparelho se a minha sensação se refletia em tempo melhor. Só diversão me levou ao ponto extremo do percurso, á água geladíssima de lá e ao início da quarta e última perna.

O ritmo subiu em progressão lenta, mas inexorável.

Mesmo conversando com um amigo do asfalto por quase dois quilômetros, sentia no corpo a velocidade aumentar. Era rápido (claro que tudo em relação aos meus padrões eternamente lerdos, em que manter permanentemente um ritmo de seis por quilômetro é quase uma epopeia), mas estava consciente das minhas limitações: o sujeito perguntou se daria para baixar das duas horas; respondi que não, mas que garantia abaixo de 2h05...

E, conversa vai, conversa vem, fui aumentando o ritmo sem nem sentir. Ele caiu fora, voltou para acompanhar um amigo, e eu soltei o chinelo. Aumentei ainda mais quando encontrei retardatários do revezamento e de provas menores, vendo também meio-maratonistas que haviam me ultrapassado anteriormente.

Entrei em alfa e, já vendo o pórtico de chegada, abri a passada tal como nas primeiras corridas em que participei. Parecia (ou, pelo menos, era como eu me via) um velocista voando no asfalto, glorioso e cheio de vida.

Nem gritei, nem chorei, nem pulei, nem ri, nem cantei. A energia foi toda para o movimento. Corri.

E terminei quase sem suar em 2h00min53. Meu melhor tempo neste século.

Saravá, irmão!!

PS: As fotos neste relato são da Eleonora.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h46

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Palestinos correm na Gaza bombardeada

Maratona, protesto e paz

 

Durante maratona realizada hoje em Gaza, corredores passam pelo prédio do parlamento palestino, que foi atingido por bombas (Reuters).

Na cidade semidestruída, a corrida, vencida por Mahmoud Abu Kwik, foi também um chamado à reconciliação entre os grupos palestinos Fatah e Hamas. Representantes dos dois grupos estão reunidos no Cairo para ver se acertam um acordo.

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h44

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Coelho leva pito na maratona de Londres

Corre, cara!!!

Os coelhos contratados para puxar o ritmo da maratona de Londres tiveram um trabalho danado e acabaram não conseguindo cumprir suas funções, irritando a elite mundial e levando um puxão de orelha em cores e ao vivo para o mundo todo.

Eles saíram meio descontrolados, o que culminou com a passagem, no km 10, com 40 segundos de vantagem sobre o recorde mundial, coisa que dificilmente poderia se manter ou se provar efetiva. Mesmo assim, cruzaram a meia-maratona em 1h01min35, a mais rápida passagem da história e 15 segundos mais veloz do que havia sido planejado. Mas a diferença foi caindo e, no 25, já estava em apenas cinco segundos.

Nos quilômetros seguintes, a situação foi se deteriorando. Claramente os três homens de regata listrada em branco e preto não tinham forças para liderar o pelotão que tinha três medalhistas olímpicos e outros fenômenos da maratona mundial.

Foi um deles, o veterano Hendrick Ramaala, da África do Sul, que decidiu tomar uma atitude: passou os coelhos e ainda lhes passou um pito, chamando os caras para correr ou sair logo da frente, pois, àquela altura, só estavam mesmo atrapalhando. O recordista olímpico Sammy Wanjiru também passou os coelhos, atacando pela direita, e também fez sinais para que eles fossem mais rápidos.

Mas eles não tinham mais gás: a prova agora era de Wanjiru, pois o tricampeão e recordista do circuito, seu compatriota Martin Lel, tinha desistido no dia anterior, atingido por uma lesão sofrida no última treinamento pré-prova.

E lá se foi o jovem medalhista olímpico (foto), seguido por seus parceiros de pódio em Pequim, para quebrar recorde de Lel, já que as chances de recorde mundial foram destruídas nas trapalhadas de ritmo da primeira metade da prova. Fechou em 2h05min10, seguido pelo medalhista de bronze Tsegaye Kebede, da Etiópia, que deu o troco no marroquino Jaouad Gharib, prata em pequim, que agora teve de se contentar com o terceiro lugar.

Na prova feminina, o sofrimento da coelha foi o mesmo, acossada pela campeã do circuito, a alemã naturalizada Irina Mikitenko, que teve como surpreendente sombra a britânica Mara Yamauchi, que lutou bravamente ao longo de todo o trajeto e bravamente terminou em segundo sem nenhuma chance de ameaçar a agora bicampeã.

A veterana atleta (36 anos) fechou em 2h22min11, melhorando seu tempo em mais de dois minutos e mostrando no asfalto uma segurança que se repetiu na avaliação que fez de seu desemprenho: "Eu tinha muita confiança nas minhas pernas e, depois do quilômetro 32, não vi razão nenhuma que pudesse me impedir de vencer. Eu senti que, na hora que eu apertasse o ritmo um pouco, as outras não iriam conseguir me acompanhar".

De fato.

A prova, disputada ontem, teve a partipação de mais de 35 mil corredores (fotos AP).

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h35

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Maratona de Londres passa ao vivo na TV

Ligue o despertador

Às cinco da matina deste domingo, horário de Brasília, começa a maratona de Londres, palco de grandes disputas e sensacionais shows de velocidade. Neste ano, como já vem acontecendo há alguns anos, a prova será transmitida ao vivo para o Brasil.

Está na grade na SporTV: às 5h, início das transmissões, com a largada da prova feminina; às 5h30, começa a masculina.

Entre as mulheres, a queridinha dos britânicos e recordista mundial Paula Radcliffe não dará o ar de sua graça, machucada que está.

 

 

 

 

 

 

 

Mas outras feras vão garantir o brilho do evento, como a campeã olímpica Constantina Dita (esq., foto Reuters), que mostrou ao mundo em Pequim como uma quase quarentona pode dar um banho de bola em desempenho esportivo. Terá pela frente outra poderosa veterana, a alemã Irina Mikitenko (Reuters), atual campeã e dona do quarto melhor tempo da história, com a marca de 2h19min19 que estabeleceu em Berlim em setembro passado.

No masculino, a estrela Martin Lel está pisando em ovos, cuidando com extremo cuidado de cada passo que dá, de cada lugar em que senta, de cada movimento. Ele se prepara para a conquista de um inédito tetracampeonato, mas poderá ter de cair fora da prova por causa de uma lesão no quadril. Seu técnico já avisou que a decisão só será tomada quase na hora da largada, mas notícias de hoje dão conta de que o problema não parece ser grave, o que leva o campeão à largada.

Um dos grandes adversários que terá é o seu compatriota Sammy Wanjiru (à dir., ao lado de Lel; à esq., Abderrahim Goumri, do Marrocos, terceiro no ano passado; foto AP), o recordista olímpico que fez em Pequim o que muitos da imprensa especializada consideram o maior desempenho da história em uma maratona.

E o garotão (21 anos) não deixa por menos: "Meu objetivo é quebrar o recorde mundial e ser o número 1 do mundo", disse Wanjiru, que no ano passado terminou nove segundos atrás de Lel. "Neste ano, vou ganhar dele; meu ataque final será mais poderoso", afirma.

De fato, com esses caras e ainda os outros dois medalhistas olímpicos (Jaouad Gharib, do Marrocos, e Tsegaye Kebede, da Etiópia) e mais o campeão mundial Luke Kibet, os organizadores de Londres estão torcendo mesmo por uma quebra de recorde.

Pode acontecer, é claro, e lá estarão corredores que podem mesmo desafiar a marca de Haile. O problema é que, exatamente por causa da quantidade de estrelas, a maratona de Londres tem se convertido numa batalha tática, pela vitória, e não pelo tempo.

Enfim, como você já percebeu, é um programão imperdível. Acorde mais cedo, tome café, assista à prova e aproveite o incentivo para um treinão depois.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h58

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Maratona de Floripa teve muitos problemas

Com sol e sem água

Demorei um pouco para falar sobre a Maratona de Santa Catarina, que a maioria chama de maratona de Florianópolis, para ter tempo de ver os diversos comentários, uma vez que não pude participar do evento, que foi mais uma vez vencido por Adriano Bastos, multicampeão da maratona da Disney.

A prova, realizada no domingo passado, tem a grande vantagem de ser sediada em Florianópolis, cujas belezas não serão jamais suficientemente cantadas. Em contrapartida, o percurso, ainda que belo, à beira-mar, é de uma chatice sem par: passamos quatro vezes pela largada, a penúltima pouco depois do km 30.

E, apesar de ser um evento oficial (ou talvez por causa disso, vai saber), não prima pela organização. É comum a troca de datas (no ano passado, isso foi um salseiro) e já houve ano em que os líderes pegaram percurso errado. A seu favor, tem o fato de ter sido o palco onde Marily dos Santos obteve o índice olímpico para a maratona de Pequim, tornando-se a única da equipe brasileira de maratonistas a obter o feito em solo pátrio.

Bom, sem mais delongas, passo ao relato da prova tal como me foi contada por Milton Bairros da Rosa, 57, que tem a vantagem de ser gaúcho. Funcionário público aposentado, participa de competições desde 2005 e tem a felicidade de morar em Balneário Camboriú. Leia a seguir o que ele nos conta.

"Terminei em 4h37, uma hora acima do que planejava. Até o Papai Noel me ultrapassou!

"O que sobressai na prova deste ano é a má distribuição dos postos de água. No início (talvez por causa da rústica, realizada concomitantemente), os postos estavam a cada 2 km. Depois, aquele despropósito! Até a marcação estava com problema: a marca do km 1 estava a 1,3 km da largada. Alguém ao meu lado exclamou, num vaticínio: ‘Já vi que esta maratona vai ser complicada!‘. Não deu outra!

"Acompanhei a raiva e até destempero emocional e verbal de um rapaz, sotaque paulistano, camiseta vermelha de uma equipe que não recordo. Vinha possesso já sobre o viaduto (km 28?), quando xingou em altos brados (não sei de ontem tirou tanta energia àquela altura) o pessoal da organização que passava num Kombi.

"E logo à frente, sob a ponte, na sombrinha, havia uma animada turma (moças e rapazes), cantando e distribuindo água. "Embora não utilizasse nenhum baixo calão, a ira do cara promoveu um silêncio constrangedor na galera. "É desumano o que vocês estão fazendo", dizia ele. E prometeu, falando comigo, que não ficaria nada inteiro na área da organização caso sua mãe, que estaria lá atrás, tivesse algum problema pela falta de água.

"E a Rústica? Como é que pode se determinar a largada dos 10 km logo após a Maratona?

"O primeiro da Rústica foi nos ultrapassar lá pelo km 2,5 ajudado por um batedor de moto, que o precedia em zigue-zague entre os cones e a faixa destinada aos carros. Já do segundo em diante ... coitados ... zigue-zague era como dava, por entre os maratonistas. Não seria mais lógico largar a prova mais rápida antes?

"Além dos problemas da distribuição da água, não houve isotônico.

"Por tudo que se viu, apesar de não ser muito diferente de várias outras competições aqui e lá fora, chego a temer pelo futuro dessa prova."

 Obrigado ao Milton pelo texto, e faço aqui também meu comentário: é inaceitável a falta de água em corridas de longa distãncia e longa duração; jantar de massas de alta qualidade, firulas daqui e dali, nada disso compensa a falha no que é um dos fatopres mais importantes para a segurança e a saúde do corredor.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h14

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Canguruzinho cai da bolsa materna

Tijana, o guacho

A mãe levou um susto e saiu disparando, saltando como só as canguruas sabem fazer.

Na corrida desesperada, o pobre do filhote caiu da bolsa materna, que era sua proteção e posto de amamentação.

Agora, no zoológico de Belgrado, o jovem Tijana, de apenas seis meses, recebe mamadeiras dos tratadores.

O leite é especial, doado por Austrália, Estados Unidos e Alemanha, e será sua alimentação pelos próximos dois meses. Só então passará a comer arroz e bananas.

Se você pensa que isso não tem nada a ver com corrida de rua, maratonas e ultramaratonas, vou ter de concordar. Mas a foto da AP é muito bacana, não é?

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h44

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Boston tem chegada mais disputada da história

Não deu pros EUA

Mais uma vez, no Dia do Patriota, os norte-americanos ficaram a ver navios. Acreditavam que, neste ano, teriam chances de emplacar alguém, homem ou mulher, na vetusta Maratona de Boston, mais antiga prova do gênero no mundo, corrida na manhã de hoje. No masculino, apostavam suas fichas no fenômeno Ryan Hall; no feminino, tinham longínquas esperanças de que a bela Kara Goucher mantivesse no país a medalha de ouro, não vista por eles há mais de duas décadas.

Os sonhos se esfumaçaram no asfalto.

Diferentemente do previsto, foi no feminino que as chances dos patriotas acabaram sendo maiores. Graças a um ritmo lerdíssimo desenvolvido ao longo de toda prova, a norte-americana conseguiu se manter firme no pelotão de liderança. Durante muitos quilômetros, ficou mesmo na frente do grupo, levantando o vento na cara.

Estavam com ela outras seis, que, depois do km 35, foram se afinando em cinco, quatro e, já quase chegando a hora do vamos ver, apenas duas, a queniana Salina Kosgei (32), cujo nome não aparecera entre as favoritas, e a jovem etíope Dire Tune (23), que sabia tudo do percurso, vencido por ela no ano passado na até então mais apertada chegada da história da prova feminina, com apenas dois segundos de diferença em relação à segunda colocada.

No masculino, a história é diferente. Hall pareceu ter descoberto a pólvora, uma nova e sensacional estratégia para quebrar adversários: saiu em disparada puxando o pelotão, que passou a marca do km 5 com quase 40 segundos abaixo da passagem do recorde da prova e se manteve, nas passagens do km 10 e do km 15 na mesma velocidade. Será que o feitiço não iria virar contra o jovem e loiro feiticeiro?

Pois virou. O tetracampeão Robert K Cheruiyot chegou nele para mostrar quem é que conhecia o ritmo, outros quenianos também se somaram, assim como uma dupla etíope. Depois do km 30, os dois da terra de Haile seguiram embora, levando consigo o tetracampeão, que também não resistiu ao ritmo. E o parceiro do etíope líder também desabou: o caminho estava livre para Deriba Merga prosseguir.

E, é ele mesmo, o infeliz que liderou por quilômetros e quilômetros a duríssima maratona olímpica apenas para ser atropelado pelo jovem guerreiro Wanjiru e, depois, já no estádio, vendo a chegada se aproximar, cair do segundo para o quarto lugar em pouco mais de 200 metros...

Mas voltemos à final feminina: passado o km 40, as duas africanas, uma baixinha, minúscula, outra elegante, pernuda, fazem seu ataque. La Goucher, bela balzaquiana recém-iniciada nos mistérios da maratona, tenta resistir, mas, já nas ruas de Boston, a história está sendo escrita pelas estrangeiras.

Elas se digladiam, intercalam, uma ultrapassa a outra, a outra ultrapassa a uma, até que a maravilhosa petite dá seu arranque final, e ele não é suficiente para conter o vigor das pernas mais longas da queniana, que passa para conquistar a mais apertada vitória da história, apenas um segundo à frente da etíope, que cruza e desaba (teve de ficar em observação em um hospital local, mas não tive notícias de nada mais grave).

Goucher chega num tardio terceiro, banhada em lágrimas.

Hall também é terceiro, pois desta vez não houve quem ameaçasse Merga, ficando em segundo o queniano Daniel Rono, cujo nome também não aparecera entre os favoritos, enquanto o tetracampeão vai deixar para 2010 o sonho do penta.

No site oficial da prova, você encontra todos os detalhes de tempo, passagens a cada cinco quilômetros, prêmios em dinheiro e mais uma montoeira de coisas, até mesmo links para diversos vídeos bacanérrimos.

Divirta-se.

PS.: As fotos desta mensagem são da AP.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h59

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Memórias da África do Sul

Ultra de dois mares

 

A África do Sul é a pátria das ultramaratonas, todos sabem. É lá que se realiza a mais movimentada ultra do mundo, a Comrades, que a cada ano recebe mais de 10 mil atletas dispostos a enfrentar os quase 90 quilômetros de subidas, descidas e muito calor.

Pois o país é palco também de outro ultraevento, não tão comprido e com menor número de participantes, mas nem por isso menos desafiador ou, especialmente, menos belo.

É a Maratona dos Dois Oceanos, 56 quilômetros de emoções, alegrias, desânimo e explosão de força, cansaço e foguetório. Há uma subida de mais de 300 metros ao longo de cerca de cinco quilômetros, depois uma descida equivalente, como você pode ver pelas fotos da edição deste ano que ilustram esta mensagem (fotos EFE).

Ao longo do percurso, você corre ao lado do oceano Índico e, depois, sobe a montanha para encarar o poder do Atlântico. É uma maravilha, realizada sempre no sábado de Páscoa. A partida e a chegada são na Cidade do Cabo.

Foi a minha primeira ultra, há sete anos, e ainda é de lá o meu melhor tempo para os 50 km...

O relato daquela participação está no meu livro, mas você também pode dar uma olhada AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h25

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Coreia do Norte também tem maratona

Corrida e política

 

A Coreia do Norte vem frequentando a primeira página dos jornais ultimamente por causa do lançamento de um míssil, mas o país também investe em outros tipos de corrida, além da espacial.

Hoje é festejado o nascimento do fundador da nação, Kim Il-Sung, que foi proclamado "presidente para a eternidade", quando morreu, em 1994.

Mas desde domingo há comemorações, que incluem até uma maratona (na foto Reuters/KCNA, a largada da prova).

A 22ª edição da Mangyongdae Prize International Marathon, parte do Mangyongdae Sports Festival, foi realizada em Pyongyang. As mulheres norte-coreanas deram o tom, com a vencedora Pyo Un Suk conquistando o bicampeonato com 2h28min34; no masculino, os tempos foram apenas razoáveis: o chinês Wang Zemin venceu em 2h14min21.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h05

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Obama corre na Casa Branca

Treinando o cachorrinho

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, corre com Bo em um dos corredores da Casa Branca (foto Divulgação, distribuída pela Reuters).

O cachorrinho, de apenas seis meses, é um cão-d’água português (saiba mais sobre a raça clicando AQUI), que foi dado de presente às filhas de Obama pelo senador Ted Kennedy.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h59

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Beleza de treino

Poesia pura

 

Fotógrafo da Reuters captura grande momento do treino que um corredor que trota em volta do lago Alster, em Hamburgo, norte da Alemanha.

Escrito por Rodolfo Lucena às 15h48

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Uma festa à francesa para corredores

Crepes e história

"E aí, o que é mais difícil: ganhar a corrida ou carregar o prêmio?", perguntei eu, recebendo em troca o sorriso amarelo e o dar de ombros que merecia minha pergunta. E lá se foi Renaud Herde (foto), no frio e no vento, vergado pelo peso de três caixas de vinho, que conquistou ao vencer a pequena e bela Meia-maratona de Maraussan, no sudeste da França, quase no Mediterrâneo, território de uvas gostosas e vinhos poderosos.

Cheguei lá totalmente por acaso, como relatei em reportagem publicada neste domingo na "Revista da Folha" (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). No meio de uma viagem a trabalho à Europa, tinha um final de semana livre e tratei de ver onde havia uma meia-maratona boazinha.

Encontrei essa: o percurso parecia bonito e o lugar era de fácil acesso, bastava uma vôo de cerca de uma hora desde Paris e depois podia alugar um carro, que serviria de base para passeios pela região.

O difícil foi consegui fazer a inscrição, pois não encontrava de jeito nenhum o tal de site oficial. Todos os calendários de corrida da França indicavam a prova, concordavam com a data (22 de fevereiro), mas nada de lugar para inscrição.

Depois de uns tantos e-mails e pesquisas internéticas, acabei não só descobrindo o diretor de prova e esclarecendo todas as dúvidas (o sujeito foi sempre supersimpático, diferentemente do que costumam pintar os franceses) como também encontrando um sensacional lugar para a hospedagem no final de semana: um castelo medieval de verdade, onde ficaríamos na suíte da torre...

Quando lá chegamos, a castelã nos deu a chave do prédio, um pedaço de ferro de quase um palmo, e nos mostrou partes da propriedade, que incluía um vinhedo e um restaurante. Mas tratamos logo de seguir para Maraussan, pelo menos para saber como chegar à largada da corrida, na manhã seguinte.

Lá nos fomos, circulando pela região prenhe de vinhedos, mas todos podados, no final do inverno, esperando o tempo amainar para brotar, desabrochar. Descobrimos Maraussan, uma cidadezinha de pouco mais de 3.000 habitantes, com meia dúzia de ruas; passamos por Beziérs, espécie de centro regional, e jantamos em uma cidadezinha menor ainda, que parecia ter só uma rua e um centrinho, com um só restaurante, bar, café e ponto de encontro da juventude local.

Chegou o grande dia. Pelo caminho, apesar de tão cedo, víamos gente já trabalhando nos campos, enfrentando o vento. Dali a pouco seríamos nós.

A entrega dos kits foi supertranquilo. Numa mesa, você dizia seu nome, na outra pegava o número e, numa sala contígua, sua garrafa de vinho e mochila (em contrapartida, nada de camiseta nem de medalha). Daí podia tomar um cafezinho ou chocolate esperando a hora da prova.

Quando faltava dez minutos para a largada, o diretor de prova foi chamando todo mundo. Éramos uns 200 e nos alinhamos em frente a uma construção sólida, em que um slogam em cimento, acima dos enormes portões, anunciava: "Um por todos, todos por um". O prédio tinha sido construído em 1905: era a sede da primeira cooperativa de vitivinicultores do mundo, fundada em 1901 por produtores rurais da região.

Sem saber, tinha ido cair no meio do berço de importantes movimentos sociais franceses. Mas, agora, o que me importava era me movimentar para enfrentar o frio: com o vento, a sensação era de quase zero grau ou sei lá...

Os primeiros quilômetros foram pelas ruas da cidade: piso de paralelepípedo, casas antigas, construções com ar do tempo do Ariri Pistola e uma descida imensa, que me deixou pensando se na volta teríamos de escalar aquela ladeira...

Nada. Em minutos estávamos no campo. O caminho vai do asfalto para terra, volta ao asfalto, corta vinhedos, cruza plantações, sobe e desce com vigor, testando a musculatura do corredor. E da ciclista, pois Eleonora estava acompanhando o percurso de bicicleta, provavelmente sofrendo mais do que eu com o vento contra.

 

E assim, corremos e bicicletamos por parte da história da França, chegando enfim de volta à praça de Maraussan, onde os corredores eram saudados com palmas e as corredores recebiam um flor. A maior parte dos atletas permaneceu por ali mesmo enquanto acontecia a rápida cerimônia de premiação, para logo se iniciar a segunda etapa da festa: os comes e bebes...

Para beber, um aperitivo feito de vinho, açúcar e suco de limão, batizado de marquisètte (uma francesa me corrigiu, furiosa, quando disse que aquilo era ponche...). E, para comer, logo teríamos uma lauto repasto, com direito a patês, baguetes e crepes de sobremesa...

Uma festança à francesa, para felizes e satisfeitos corredores.

Veja fotos da festança e da região clicando AQUI. As fotos foram produzidas pela Eleonora e por mim.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h08

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Isotônico faz mal aos dentes

Beba, mas se cuide

 

O consumo excessivo de bebidas isotônicos pode ser prejudicial aos dentes, segundo estudo apresentado na reunião anual da Associação Internacional de Pesquisa em Odontologia, nos EUA, na semana passada.

O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade de Nova York, verificou que o consumo prolongado de bebidas esportivas pode promover uma condição conhecida como erosão dentária --. um processo progressivo e destrutivo, caracterizado pela perda do tecido duro dos dentes, por ação de ácidos contidos em bebidas, alimentos ou ainda provenientes do próprio organismo. A condição resulta no enfraquecimento e até mesmo na destruição do dente, independentemente da presença de bactérias, segundo informações da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) citadas em despacho da agencia de notícias Fapesp.

O principal autor da pesquisa, Mark Wolff, professor e presidente do conselho da Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova York, afirmou: "Nosso estudo relacionou diretamente o ácido cítrico presente em bebidas esportivas com a erosão dentária".

O grupo de Wolff cortou pela metade dentes de boi, que foram usados no estudo por conta de semelhanças em sua constituição com dentes humanos. Metade da amostra foi imersa em água e metade em isotônicos. "Os dentes foram imersos em bebidas esportivas por 90 minutos para simular os efeitos de bebericar tais líquidos de tempos em tempos durante um dia inteiro", disse Wolff.

Ao observar as duas metades em microscópio e realizar análises químicas, os pesquisadores observaram um significativo aumento no amolecimento e na erosão nas partes mergulhadas em isotônicos.

Segundo os cientistas, o problema pode ser ainda maior se o usuário escovar os dentes imediatamente após o consumo desse tipo de bebida. Nesse caso, por conta de o esmalte estar amolecido, os dentes estariam mais suscetíveis às propriedades abrasivas dos cremes dentais.

"Para prevenir a erosão dentária, consuma bebidas esportivas com moderação. E, após a ingestão, espere pelo menos meia hora para escovar os dentes, para dar tempo de reendurecer o esmalte dentário. Quem consome tais bebidas com frequência deve consultar o dentista para saber se precisa usar uma pasta que neutralize a acidez e ajude a reendurecer o esmalte", disse Wolff.

Segundo a APCD, a ingestão de produtos altamente ácidos, como refrigerantes, bebidas energéticas e sucos de frutas naturais ou industrializados, é a causa mais frequente da erosão dentária.

Nem a agência de notícias nem o site do congresso em que o estudo foi apresentado informam o que é considerado "consumo excessivo". Ninguém beberica bebidas isotônicas ao longo de um dia inteiro, situação que o estudo buscou mimetizar. De qualquer forma, como diz o povo, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h32

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Fragmentos paulistanos - Ano 1, nº 15

Praça-surpresa

Esta edição de Fragmentos Paulistanos vai sem foto produzida por mim, apenas imagem disponível no Google Maps. É que hoje saí para fazer um treino por caminhos que pensava serem conhecidos, locais já fotografados, espaços sem novidade para mim e para você.

Mas a vida ensina que, quanto mais a gente se descuida, mais o imprevisto acontece. De fato, mesmo que você se cuide e pense que está preparado, o inesperado acontece.

De qualquer forma, não faz bem a ninguém subestimar distâncias, caminhos, trajetos ou a capacidade de qualquer cidade apresentar surpresas agradáveis _mesmo esta São Paulo tão feia e engarrafada.

Pois eis que, nem sei como, me deparei no meu caminho de hoje com uma praça maravilhosa. Estava eu rodando por ruelas e alamedas da Casa Verde, na zona norte, quando vi uma rampa bem rampa que me olhava como que me desafiando a subi-la, enfrentá-la, domá-la.

Lá fui eu até o topo, rodei mais um pouquinho para mostrar que era dono do asfalto e fui me despachando por outra ruela lateral. Foi aí que encontrei a dita cuja, um quadrilátero (retangulátero, talvez) cheio, mas cheio mesmo de árvores, tanto que o chão de terra da praça estava úmido e os pedaços cimentados mostravam restos de musgo.

O nome da dita cuja é uma homenagem ao general Fernando Valente Pamplona, chefe do Estado Maior do Exército do final dos anos 1980, que morreu em 1987 depois que seu para-quedas não se abriu, em um salto de demonstração durante o 7º Campeonato Mundial de Paraquedismo, em Foz do Iguaçu.

A praça está encravada em uma área bem chique da Casa Verde. Em volta delas, pelas ruas do Aclamado e Tibaés, distribuem-se sobrados bacanas, construídos em estilos bem diferentes. A rua Tibaés, por sinal, apresenta uma subidona bem bacana, depois que se afasta da praça.

Mas tergiverso. O bom da praça não é seu entorno nem sem nome; o bom da praça é sua sombra, seu verdor, seu vigor. E seu relevo, especial para bons treinos, leves e pesados. Pois o contorno não é plano, mas também não é uma pedreira de tão íngreme. Há uma leve, mas bem definida, subida, e também áreas planas.

Estava sem GPS e, por isso, não posso dar certeza das distâncias (a bem da verdade, o GPS também não é a coisa mais exata do mundo), mas calculo que o perímetro total (a praça é cortada por asfalto em um determinado ponto) fique em torno de 850 metros.

Alterne 12 voltas, uma leve e uma forte, e você terá um treino de qualidade para ninguém botar defeito. Rode leve, tranquilo, por umas 20 vezes, e já está aí um treino meio-longo dos bons. O melhor: tudo ou quase tudo pela sombra, pois duvido que dê para passar muito sol por todo aquele arvoral que domina o terreno. Aliás, há também árvores frutíferas. Hoje provei algumas amoras, que ainda estavam amargas. Daqui uns dez, 15 dias, as amoreiras vão estar vermelhinhas, vermelhinhas...

Qualquer hora, volto lá com mais vagar para aproveitar o espaço.

Ah, e faltou dizer que a praça está vis-à-vis com a avenida Braz Leme, cujo canteiro central é um dos mais agradáveis palcos de treino da cidade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h24

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Empate sub2h05 na maratona de Roterdã

Alta velocidade

Os quenianos estão voando baixo na Europa. Hoje dois deles terminaram no mesmo segundo, abaixo de 2h05, a maratona de Roterdã. E um terceiro mandou para o espaço o recorde da maratona de Paris.

Em Roterdã, nosso conhecido James Kwambai, campeão da última São Silvestre, talvez achasse que tinha a prova na mão depois de ter sofrido e derrotado um ataque de seu compatriota Duncan Kibet depois do km 41. Mas o rival não se deu por vencido e, ao contrário, nos últimos 500 metros deu tudo para voltar a emparelhar.

No final, os dois marcaram 2h04min27, com Kibet (esq., foto Reuters) chegando centésimos de segundo à frente e arrematando a taça de campeão. Esse é o terceiro tempo da história. Os dois tempos mais rápidos foram registrados pelo recordista mundial, Haile Gebrselassie (2h03min59 e 2h04min26).

Confirmando a rapidez do circuito, o terceiro e o quarto classificados, também quenianos marcaram abaixo de 2h07: Abel Kirui fez 2h05min04 e Patrick Makau, 2h06min14. Foi a estréia de Makau na distância e é bom ficar de olho nesse atleta, que mais de maia dúzia de vezes já correu a meia abaixo de 60 minutos.

Por seu lado, Paris, com tempo excepcional para correr e sem grandes ventos, também mostrou que pode ser um circuito veloz --além de belo, é claro, como atesta a foto abaixo (AP), da largada de milhares de atletas na avenida Champs Elysees, com o Arco do triunfo ao fundo, a tudo observando.

Foi uma das provas mais rápidas da história, segundo informa a IAAF, com seis atletas fechando abaixo de 2h07 (mesmo número registrado em Londres no ano passado) e 11 terminando em menos de 2h09 (novo recorde).

Para completar, o vencedor quebrou o recorde do circuito: o queniano Vincent Kipruto (Reuters) correu a maratona de Paris em 2h05min47, conseguindo sustentar o ritmo fortíssimo que o pelotão de liderança impôs desde o início da prova. Os líderes passaram a meia-maratona em 1h02min46, o que indicava um tempo final que nenhum do grupo havia até então atingido.

Kipruto não só conseguiu manter o ritmo, como apertou o passo quando faltavam cerca de três quilômetros, saindo para derrubar o recorde estabelecido em 2003 (Michael Rotich, 2h06min33).

O queniano é um jovem corredor de apenas 21 anos, que estreou em maratonas no ano passado. Seu principal rival em Paris foi também um atleta recém-saído da adolescência. O etíope Bado Worku, 20, estreou na distância com o impressionante tempo de 2h06min15. Work, prata nos 5.000 m no Mundial de juniores de 2004, venceu em março a meia-maratona de Paris.

O herói olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze em Atenas, correu a prova a convite, para se divertir, e fechou em 2h20min31, o que lhe valeu a 30ª colocação.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h53

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Com calor, meia de SP fica desafiadora

Festa domingueira

Começo este comentário pelo fim. Vinha eu voltando para casa depois de terminar a Meia-maratona de São Paulo dentro do planejado. Cruzava a ponte Cidade Universitária quando vi carros da polícia e da CET com sirenes piscando. Acompanhavam a última atleta da prova: eram 10h18 e ela estava na altura do km 16. Naquele ritmo, completaria a prova em torno de 3h40, por aí. Era uma jovem, e eu e outros corredores a cumprimentamos, incentivamos: "Vamo que vamo".

Para mim, ela é um exemplo de determinação, força, dedicação. Quisera eu ser capaz de, com o sol no lombo, cansado, alquebrado e com um quarto de prova ainda pela frente, seguir sorrindo e sem medo como aquela moça. Nem sei se ela terminou ou não, mas, ali no km 16, foi exemplo para muitos de nós que seguíamos para casa com o chamado dever cumprido.

E foi uma diversão um tanto dolorida cumprir esse dever hoje. Pois o sol amanheceu conosco e não nos largou, transformando um percurso bem tranquilo em um desafio de resistência e persistência.

De qualquer jeito, com 86% de umidade relativa do ar e 21 graus nos termômetros, a galera se concentrou para a largada (foto acima), que foi dada pontualmente às 7h30 (antes, já tinham partido os cadeirantes e a elite feminina.

E as cores, que até então pintavam a USP domingueira, com gente espalhada por tudo quanto é canto, tendas de assessorias esportivas, empresas que aprendem que é bom ter funcionários correndo, academias, grupos esportivos, as cores se transformaram em movimento. Saímos a passo, mas foi só cruzar o pórtico que já dava para trotar leve e, aos poucos, ir aumentando o ritmo.

Não foi o meu caso, pois iria fazer uma experiência de rodar a prova inteira em ritmo bem leve, para fechar num média perto de 6min30 por km. E foi difícil, especialmente nos primeiros quilômetros, pois mal você olha e já está puxando mais rápido, ainda mais com o incentivo da concorrência e da música. Ainda na USP, uma garotada alegre mandava ver na bateria, fazendo muita gente sair das passadas ritmadas para ensaiar passos de samba corrido... Era um grupo pequeno, semelhante a vários outros espalhados ao longo do percurso, que ajudaram a aliviar o esforço e tornaram mais alegre a caminhada.

Saindo da USP, em pouco tempo chegamos ao maldito túnel sob a Francisco Morato, de triste memória. É que eu sou veterano desta meia-maratona, corri várias vezes quando o percurso era invertido, e agente pegava os túneis (ida e volta) nos km 17 e 19, mais ou menos. Era dureza. Agora também não são fáceis, mas a galera está descansada, entra cantando, fazendo bagunça e passa ainda mais entusiasmada (foto abaixo) com o sonzão que estava rolando lá embaixo, um baticum brabíssimo em poderosas caixas de som para ninguém botar defeito.

Sai-se dos túneis com um terço da prova já feito. Corre para cá, dobra para lá, dá mais uma voltinha e pronto: estamos na ponte Bernardo Goldfarb, a pior subida de todo o percurso. Curtinha e dolorida, ainda mais com o sol no lombo, faz o povo suar, gemer, reclamar. Mas logo se está lá no alto, desce-se com vontade para chegar ao lado de cá do Pinheiros (nem deu para sentir o fedor, que estava forte, com pude comprovar quando cruzei de novo o rio para voltar para casa).

Esse foi mais um exemplo da mexida inteligente no percurso, pois, em outros tempos, essa ponte era o penúltimo desafio, já no km 14, se minha memória não se espatifou ao longo do tempo...

Bom, daí em diante foi só reta, com o calor aumentando. A gente tinha de buscar alguma sombra, mas era mercadoria rara. O jeito era seguir tranquilo, sempre em frente até quase o final do Villa-Lobos, retornando então até a praça Pan-americana, que fica pouco depois do km 15 e já tem um cheiro de chegada, pois agora é só cruzar a ponte Cidade Universitária (foto), muito mais baixinha que a anterior, com subida e descida leves, e logo estaremos na USP.

O entusiasmo de uma senhora foi tanto que, ao ver o marco da quilometragem na ponte, gritou, cheia de satisfação: "Quilômetro 16! Agora só faltam quatro!".

Talvez "comer" um quilômetro lhe ajudasse, mas acho que essa história de diminuir distâncias não funciona, não serve nem para remédio.

Pouco antes do km 18, um jovem técnico que acompanhava uma sua treinanda, uma senhora que talvez estivesse fazendo sua estréia na distãncia, incentivava a pupila: "Vamos, força, só falta um quilômetro e meio..." E logo a placa do 18 apareceu na frente deles, ao que a senhora retorquiu: "Não adianta querer me enganar...

É, não adiante mesmo. O jeito é enfrentar o sol e o calor e seguir em frente pelas alamedas conhecidas. Uma curva para lá, um desvio para cá e chegamos todos ao final, com direito até a um estirãozinho mais forte para alegrar a galera que assiste aos chegantes. Um bom exercício de domingo.

Antes de colocar o ponto final, permita-me agradecer e mandar um abraço aos leitores do "Maratonando" e deste blog que encontrei na prova. É sempre um prazer, um orgulho e uma alegria cruzar convosco pelas corridas deste mundo velho sem porteira.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h43

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Últimas dicas para a meia-maratona de São Paulo

Comida e água

A Corpore distribuiu um servição bem legal com dicas sobre os últimos momentos da preparação para a meia-maratona deste domingo. O texto, assinado pelo diretor médico da prova, doutor Milton Mizumoto, é bem minucioso e vale, obviamente, para provas longas em geral. Chegou em formato de tabela, mas não consegui copiar e colar aqui no blog. De qualquer forma, reproduzo a seguir a maior parte do material distribuído pela Corpore.

CUIDADOS ALIMENTARES HOJE

Evite alimentos gordurosos e excesso de proteínas (carne, frango, peixes, ovos, frios); evite jantar após as 22h.

Por que: a digestão lenta desses alimentos poderá fazê-lo dormir mal; jantar muito tarde poderá fazer com que acorde ainda com o estômago empachado.

DIETA NO DOMINGO

No café da manhã, procure comer carboidratos de fácil digestão (torradas, biscoitos de água e sal, bolos não gordurosos). Utilize geleia à vontade, pouca manteiga e poucos frios, procure tomar chás e sucos diluídos e evite tomar muito leite ou café.

Por que: carboidratos complexos (amidos) são de fácil digestão e absorção, estarão presentes na circulação sanguínea após aproximadamente 40 minutos. Alimentos proteicos ou gorduras são de digestão lenta; poderão retardar o esvaziamento gástrico durante a digestão e prejudicar o tempo de absorção, o que fará com que você corra com estômago cheio. O leite, como alimento proteico, poderá retardar o esvaziamento gástrico, dependendo da capacidade digestiva do corredor. O café em excesso poderá deixá-lo mais excitado e aumentar a pulsação cardíaca.

HIDRATAÇÃO

Após o café da manhã, tome pequenas quantidades de líquidos a cada 20 minutos (50ml); durante a prova hidrate-se em todos os postos. É importante manter seu corpo hidratado, e o melhor sinal disso é a urina clara. Durante a prova haverá postos de hidratação; não deixe de se hidratar desde o começo.

Por que: a falta de hidratação poderá prejudicar a sua potência e resistência de corrida.

ENERGÉTICOS NO DIA DA PROVA

Se for utilizar energéticos-carboidratados, comece apenas 20 minutos antes da largada.

Por que: O uso muito antecipado de "energéticos-carboidratados" contendo açúcares, glicose ou maltodextrinas poderá provocar hipoglicemia reativa durante a corrida, prejudicando a performance.

ALONGAMENTO, AQUECIMENTO E DESAQUECIMENTO

Alongue-se antes e após a corrida. Aqueça antes e desaqueça depois.

Por que: o alongamento antes previne distensões musculares, alongamento depois previne retrações musculares. O aquecimento antes aumenta a circulação sanguínea no músculo, preparando-o para a corrida. O desaquecimento gradativo depois da corrida evita a formação de grandes quantidades de radicais livres, diminuindo a incidência de isquemia coronariana.

RITMO DA CORRIDA

Corra sempre em ritmo confortável. Dicas: a) conseguir conversar com o companheiro enquanto corre; b) conseguir cantarolar durante a corrida; c) conseguir falar num fôlego só enquanto corre: "Eu moro para lá de Paranapiacaba"; d) em dia quente e úmido, se você se sentir mal, diminua o ritmo além de hidratar-se.

Por que: quando o ritmo começa a se tornar anaeróbio poderemos ter: a) empachamento gástrico, pois o sangue é desviado do aparelho digestivo para os membros; b) falta de ar, dores no peito ou cefaleia em função de um organismo mal adaptado; c) queda de açúcar no sangue (hipoglicemia), ocasionando tonturas, suor frio e desmaios.

Quando o ritmo é forte em dia quente e úmido, o calor da contração muscular não consegue emanar pelo suor através da vaporização, podendo provocar hipertermia.

CUIDADOS APÓS A CHEGADA

Procure desacelerar devagar após cruzar a linha de chegada, não pare repentinamente; caso não se sinta bem, procure a equipe médica.

Por que: pode ocorrer de você ter feito uma boa prova, e após cruzar a linha de chegada não se sentir bem, pois a adrenalina diminui e acarreta uma leve queda da pressão arterial, principalmente naqueles que correram forte.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h03

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Males e benefícios do chocolate para o corredor

Delícia asteca

 

 Nesta época pascoalina, o chocolate invade de vez nossas vidas, com seus vários formatos e sabores, todos deliciosos. E todos totalmente engordativos.

Há muita gente que diz, falando com um de nós, corredores: "Mas você pode, você corre não sei quantos quilômetros por dia..."

Ledo e ivo engano. Duas barrinhas de chocolate já exigem um treinão de 20 quilômetros em ritmo moderado a forte, coisa que, dizem as pesquisas, não é feita pela maioria dos corredores....

O que não significa que a gente não deva aproveitar essa maravilha (como você pode perceber, sou chocólatra assumido e feliz, ainda que insatisfeito com o que a balança me conta sobre mim).

Para colaborar no sentido de que todos aproveitemos de forma consciente e bem informada, fui conversar com algumas especialistas em nutrição esportiva. Para todas, fiz as mesmas perguntas. As respostas são semelhantes, mas cada profissional acrescentou algum pontinho extra, merecedor de atenção.

Por isso, trago para você as três entrevistas, que citei em minha coluna de hoje no caderno Equilibrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL). Começo com a especialista em fisiologia do exercício e mestre em educação física Patrícia Oliveira, nutricionista do Instituto Vita, porque ela mandou trambém um pequeno texto sobre a história do chocolate, que publico a seguir.

O chocolate é um alimento encontrado na forma pastosa e de bebida doce ou amarga, feito a partir do cacau; antes dos espanhóis chegarem às Américas, os astecas já conheciam o cacau. Com elas, faziam um líquido escuro que chamavam de xocoatl (do náuatle xococ "amargo" + atl "água"). Em 1502, a ilha de Guanaja, habitada pelos astecas, povo místico e religioso, recebeu a esquadra de Colombo. O navegador foi um dos primeiros europeus a provar o sabor do chocolate. Por centenas de anos, o processo de fabricação do chocolate permaneceu o mesmo. Com a Revolução Industrial, muitas mudanças ocorreram e trouxeram o alimento para a forma em que o conhecemos hoje. No século 18, máquinas de espremer manteiga de cacau foram criadas. Isso ajudava a fazer um chocolate mais consistente e durável. A partir daí, o consumo do chocolate foi popularizado e espalhado pelo mundo todo.

Alguns benefícios nutricionais do chocolate:

•Devido ao cacau tem-se uma quantidade razoável de ácido oléico que é uma gordura monoinsaturada, e também encontrada em azeite de oliva. É considerada a "gordura do bem" conferindo uma proteção às artérias, contribuindo para uma elevação do bom colesterol (HDL) e uma diminuição do colesterol ruim (LDL).

• Aumenta a produção de endorfina e dopamina (são neurotransmissores) promovendo um aumento na alegria, disposição e outros sentimentos positivos.

• Estimula as regiões cerebrais relacionadas com o prazer e a sensação de bem-estar e está relacionado à produção do hormônio (feniletilamina) que é precursor da serotonina.

valor calórico do chocolate (calorias/100 gramas):

O cacau ou o chocolate amargo, por exemplo, são benéficos para o sistema circulatório. Outros efeitos incluem as propriedades anticancerígenas, estimulantes cerebrais e a capacidade de curar diarréias, entre outros. As propriedades afrodisíacas do chocolates ainda não foram comprovadas.

Por outro lado, ingerir grandes quantidades de alimentos altamente energéticos, tais como o chocolate, aumenta o risco de obesidade.

 

Isso posto, seguem as respostas de Patrícia a algumas perguntas específicas sobre chocolate e corredores

 

 

FOLHA - Qual o valor nutritivo e a importância do chocolate para o corredor?

PATRÍCIA OLIVEIRA - Alguns estudos comparam a ingestão durante o treino e pós treino do chocolate e de outras bebidas energéticas e demonstram que o chocolate tem um papel importante na recuperação do glicogênio muscular devido sua grande composição de açúcar e proteínas.

FOLHA - Quais os problemas do chocolate para o corredor?

PATRÍCIA OLIVEIRA - Não só para o corredor mas para todas as pessoas que consomem o chocolate em excesso, o problema é a grande quantidade de gordura, principalmente saturada, e colesterol, que podem levar à obesidade e problemas cardíacos futuros

FOLHA - Existe algum tipo de chocolate mais indicado para atletas? Por que?

PATRÍCIA OLIVEIRA - Para reposição rápida ao final do treino, o chocolate ao leite, mas não fazer do consumo uma rotina pela quantidade de gordura

FOLHA - Há quantidades indicadas de chocolate? Quando bastante passa a muito e, depois, a demais?

PATRÍCIA OLIVEIRA - Um pedaço de 20g é suficiente, tem em média 120 kcal. Outra dica importante é dividir o chocolate e comer só um pouco por dia. A dica é ... coma um pequeno pedaço, guarde o resto para aproveitar no dia seguinte.

FOLHA - Há diferenças de caráter nutricional entre chocolate quente (bebida), sorvete de chocolate comum, sorvete de chocolate belga, chocolate em barra e chocolate em bombom?

PATRÍCIA OLIVEIRA - O que fará a diferença é a quantidade de açúcar, cacau e outros ingredientes. Por exemplo, quanto mais açúcar e outros ingredientes, tais come castanhas, crocantes etc, mais calórico.

FOLHA - Chocolate diet é um susbtituto adequado? Tanto do ponto de vista do valor energetico quanto de outros elemnetos?

PATRÍCIA OLIVEIRA - O chocolate diet pode ser uma alternativa no controle do açúcar, principalmente para diabéticos, mas em grandes quantidades também possui uma grande quantidade de gordura.

 FOLHA - Quanto você precisa correr para "queimar" uma barra de chocolate?

PATRÍCIA OLIVEIRA - Essa é uma pergunta complicada, por que vai depender do tamanho da barra, da intensidade da corrida, da idade da pessoa , se é do sexo masculino ou feminino, mas em média, 100 g de chocolates podem ser queimados em uma hora de corrida de moderada a intensa.

 

O chocolate amargo é feito com os grãos de cacau torrados sem adição de leite, e algumas versões permitem a sua utilização como base para sobremesas, bolos e bolachas. O chocolate ao leite ou chocolate de leite leva na sua confecção leite ou leite em pó. A couverture é o chocolate rico em manteiga de cacau, utilizados pelos profissionais chocolateiros, como a Valrhona, Lindt & Sprüngli, Theo Chocolate e outros, com mais de 70% de cacau, e gordura de cerca de 40%. O chocolate branco é feito com manteiga de cacau, leite, açúcar e lecitina, podendo ser acrescentados aromas como o de baunilha.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 01h44

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Males e benefícios do chocolate - parte 2

Energia rápida

Eis a entrevista com a especialista em nutrição esportiva Tânia Rodrigues, diretora da RG Nutri.

 FOLHA - Qual

o valor nutritivo e a importância do chocolate para o corredor?

FOLHA -  Quais os problemas do chocolate para o corredor?

 TÂNIA RODRIGUES - O chocolate, além de ser um alimento calórico, possui uma quantidade bastante significativa de gorduras, dentre elas a gordura saturada.

 

FOLHA - 

Existe algum tipo de chocolate mais indicado para atletas? Por quê?

FOLHA - 

Há diferenças de caráter nutricional entre chocolate quente (bebida), sorvete de chocolate comum, sorvete de chocolate belga, chocolate em barra e chocolate em bombom?

FOLHA -  Chocolate diet é um substituto adequado? Tanto do ponto de vista do valor energético quanto de outros elementos?

TÂNIA RODRIGUES - Apesar de o chocolate diet possuir em sua formulação adoçantes no lugar do açúcar, ele contém maior teor de gordura. Esse teor aumentado de gordura mantém a suavidade e a característica de "derretimento na boca" característico dos chocolates. Portanto, o seu consumo deve ser moderado também. Para comparação, verifique a tabela a seguir.

 

 

Alimento

 

Calorias

(Kcal)

Proteínas

(g)

Carboidratos

(g)

Lipídeos

(g)

Fibra

(g)

Sódio

(mg)

    

Total

Saturado

Mono-insaturado

Poli-insaturado

Colesterol

(mg)

  

Chocolate ao leite

(170g)*

897,6

8,8

102,0

49,6

29,2

-

-

-

0

115,6

Chocolate ao leite diet

(170g)*

810,0

10,7

96,3

Açúcares:19,8

56,1

31,2

-

-

-

3,9

130,3

 

 

 

 

FOLHA - 

Quanto você precisa correr para "queimar" uma barra de chocolate?

 

TÂNIA RODRIGUES - Para uma pessoa (homem) com estatura e peso médio, consumindo 100g de chocolate ao leite, uma hora de corrida, em intensidade leve-moderada. Para a ingestão de 50 g do produto, uma corrida de 30 min, na mesma intensidade, "queimariam" as calorias.

 

TÂNIA RODRIGUES - Confira a tabela a seguir.

 

TÂNIA RODRIGUES - Os chocolates amargos e meio amargos são os mais indicados para todos os indivíduos, por possuírem uma maior quantidade de cacau e menores quantidades de calorias, gorduras e sódio. Atualmente no mercado, existem os chocolates amargos com percentual de cacau acima de 50%, sendo estes ainda mais indicados. No entanto, o consumo deste alimento deve fazer parte de uma alimentação saudável e balanceada.

TÂNIA RODRIGUES - Para praticantes de atividade física ou atletas, o chocolate é um alimento que fornece energia rápida e apresenta digestão facilitada. Por ser um alimento advindo do cacau, apresenta algumas propriedades positivas como alguns minerais essenciais: magnésio cobre, potássio, fósforo e manganês. Além disso, estudos recentes apontam que o cacau tem um importante papel antioxidante no organismo, por possuir substâncias como os flavonóides.

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 01h39

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Males e benefícios do chocolate - final

Para depois da corrida

Segue a entrevista com Cynthia Antonaccio, mestre em nutrição pela USP e diretora da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem-estar.

FOLHA -. Qual o valor nutritivo e a importância do chocolate para o corredor?

CYNTHIA ANTONACCIO - O chocolate pode ser interessante pela quantidade de energia – calorias presente. Recentemente, têm sido apresentado pesquisas com ensaios laboratoriais (in vitro) sobre a interferência positiva do chocolate na saúde cardiovascular. Isso porque ele é um alimento que contém o cacau - que é rico em flavonóides e gorduras: ácido graxo esteárico e oléico.

FOLHA - Quais os problemas do chocolate para o corredor?

CYNTHIA ANTONACCIO - Apesar de ser fonte de energia e conter os flavonóides, essa energia pode ser excessiva. Não se deve esquecer que cacau é uma coisa, chocolate é outra. O chocolate geralmente vem em receita que envolve uma quantidade grande de açúcar e gordura. Por isso, o corredor que precisa de energia extra pode ser beneficiar, mas o corredor que vem lutando contra a balança, pode engordar.

Por conter gordura, é melhor que seja consumido em momentos pós corrida, e não naqueles que antecedem.

FOLHA - Existe algum tipo de chocolate mais indicado para atletas? Por que?

CYNTHIA ANTONACCIO - Chocolates escuros (dark) pois contêm menos açúcar. E a quantidade de cacau é maior – ou seja, mas benefícios dos flavonóides. O chocolate é feito do licor do cacau + manteiga do cacau. Alem do açúcar e da gordura extra adicionada. A gordura do cacau contém ácido oléico (mesmo do azeite – gordura monoinstaurada) e ácido graxo esteárico. As gorduras monoinsaturadas não elevam o colesterol. Já as gorduras saturadas sim, porem os estudos mostram que apesar do acido esteárico ser uma gordura saturada ela não aumenta o colesterol. E contém flavonoides– quanto mais escuro , mais leva flavonóides. Gorduras que não afetam o colesterol, e flavonóides fazem uma relação do chocolate com a saúde cardiovascular.

FOLHA - Há quantidades indicadas de chocolate? Quando bastante passa a muito e, depois, a demais?

CYNTHIA ANTONACCIO - Uma porção por dia. Mas certamente isso dependerá do gasto energético de cada um. Pense quem, em média, o chocolate contribui com 475 kcal (meio-amargo) e 540kcal (ao leite)

FOLHA - . Há diferenças de caráter nutricional entre chocolate quente (bebida), sorvete de chocolate comum, sorvete de chocolate belga, chocolate em barra e chocolate em bombom?

CYNTHIA ANTONACCIO - Chocolate quente = está adicionado de leite – e contém mais cálcio.

Sorvete de chocolate = idem adicionado de leite. E provavelmente mais gordura e mais açúcar ainda.

Chocolate em barra = contem normalmente mais o licor do cacau e a manteiga de cacau. Alem de açúcar e outras gorduras de adição.

Chocolates mais finos, que contenham apenas gordura do cacau, sem acréscimo de outra gordura tipo hidrogenada, são mais saudáveis.

Bombons = adicionados de outros itens como castanhas, etc.

FOLHA - Chocolate diet é um susbtituto adequado? Tanto do ponto de vista do valor energetico quanto de outros elemnetos?

CYNTHIA ANTONACCIO - Depende do objetivo. Apenas se for para diabéticos. Se não, o açúcar será trocado por mais gordura e nem sempre gordura do cacau. Se for gordura hidrogenada, prejudica a saúde.

O chocolate diet ao leite fornece 557 kcal por 100g - pouco mais do que o normal ao leite (475lcal)

FOLHA - Quanto vc precisa correr para "queimar" uma barra de chocolate?

CYNTHIA ANTONACCIO - Aproximadamente 45 minutos de corrida.

 

 

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 01h28

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Maratona de SP terá prova de 25 km

Promoção de aniversário

A Maratona de São Paulo oferece nesta edição, em que completa 15 anos, a opção de uma nova distância: uma prova de 25 km, que se soma à maratona propriamente dita e a uma prova de 10 km. Foram suspensas a corrida e a caminhada de 4,5 km.

Há apenas 2.000 vagas para a prova de 25 km, que traz um apelo extra, válido apenas nesta edição, segundo o regulamento: "Os atletas inscritos que completarem os 25 km na Maratona Internacional de São Paulo 2009 e não correram ou não completaram os 42 km nos últimos quatro anos, terão a inscrição confirmada e gratuita para a modalidade de 42 km na Maratona Internacional de São Paulo 2010.

Para meu gosto, o percurso dos 25 km oferecido é muito melhor que o da prova da Corpore, que também tem no seu calendário uma corrida nessa distância.

O problema é o horário da largada, o mesmo da maratona: "A partir das 8h55". Isso não é hora de começar maratona em país tropical, ainda mais uma prova que dura mais de quatro horas para mais da metade dos participantes.

No ano passado, 1.281 dos 2.476 homens concluintes levaram mais de quatro horas para cumprir a distância; no feminino, apenas 53 das 237 participantes completaram a prova em menos de quatro horas.

De qualquer jeito, apesar desse problema --que é muito importante--, a maratona de Sampa vem melhorando nos últimos anos. O trajeto é bem interessante e quase chego a sentir vontade de participar. Vamos ver em que condições termino Porto Alegre...

Outra coisa: a partir do próximo dia 11 aumentam os preços das inscrições para as diversas modalidades oferecidas. Confira tudo no site oficial, AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h46

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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