Rodolfo Lucena

+ corrida

 

Dureza é pouco em maratona no Quênia

Conservação ambiental

Corredores participam da Lewa Marathon, realizada para arrecadar fundos para os projetos ambientais desenvolvidos na área de conservação de Lewa, a 300 km de Nairobi, capital do Quênia (fotos Divulgação/Reuters).

Lançada no ano 2000, a mais recente edição da prova ocorreu no domingo passado e atraiu cerca de 750 participantes dividos entre a maratona e a meia maratona. Houve também uma corrida de cinco quilômetros para a criançada.

Corrida em estradas de terra em duas voltas de 21 km, a prova está incluída entre as dez mais difíceis do mundo, segundo o site oficial (AQUI). As razões da dureza: percurso bem ondulado, clima adverso e altitude --a reserva de Lewa fica a uma altitude de cerca de 1.500 m acima do nível do mar.

Em contrapartida, você corre em um território magnífico, ajuda um projeto de proteção ambiental e assiste a espetáculos como dança tradicionais de guerreiros da tribo meru (abaixo).

Ah, faltou dizer que o campeão da prova foi um queniano, Benson Kaptikou, que completou em 2h24min16. A corrida teve a participação do multicampeão da São Silvestre e ex-recordista mundial da maratona Paulo Tergat. No feminino, Catherine Ndereba, ex-recordista mundial da distância, foi o grande destaque, participando e vencendo a prova mais curta em 1h21min07.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h26

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23ª Maratona do Fogo, Dourados, MS

Sob o sol, só e sem água

A seca destruiu grande parte da safra de milho, maior riqueza agrícola do município de Dourados, no Mato Grosso do Sul. A terra crestada e os campos doloridos são testemunha das perdas. Há caules amarelados até aonde a vista alcança, no meu trajeto de Dourados a Fátima do Sul, cidade vizinha, na fronteira sul.

É que lá vai começar a retomada da história de um dos marcos do pedestrianismo brasileiro, a Maratona do Fogo. Criada no início dos anos 80 e hoje rediviva depois de um hiato de alguns anos, é uma das mais antigas maratonas brasileiras, chegando agora à sua 23ª edição. Porto Alegre acabou de realizar sua 26º edição.

A corrida leva esse nome porque é uma homenagem ao Corpo de Bombeiros local, mas não faria feio se o nome se referisse ao clima da cidade ou à sensação enfrentada pelos corredores que participam do evento, correndo pelo asfalto chamejante.

No último domingo, porém, o dia começou com temperatura amena. Havia até um ventinho frio cortando os corpos que se aglomeravam na praça central de Fátima do Sul. Numa retreta, as autoridades fizeram seu discurso; uma bandinha bem aprumada tocou o Hino Nacional (só de lembrar, as lágrimas me voltam; eu choro cada vez que canto o Hino) e, às 7h30, foi dada a largada da prova feminina, que reunia um punhadinho de mulheres sérias, secas, cheias de determinação nos rostos.

A turma dos homens era um pouco mais numerosa, talvez uma centena, por aí. Também parecia um grupo mais descontraído, tinha até um que outro gordinho, além deste seu escriba. Foram feitos os alogamentos de praxe, comandados por um trio de uma academia local.

Depois de a bandinha tocar o Hino de Fátima do Sul, a prefeita da cidade acionou a buzina. O percurso é simples e elegante: vai-se por 27 quilômetros pela BR 376, toma-se uma rotatória para entrar à esquerda na BR 163 e então segue-se sempre em frente até a hora de dobrar à direita, já na área central da cidade, para fazer a reta final e concluir a prova em frente à sede dos Bombeiros.

Ao longo dos primeiros quilômetros, sob um céu nublado e uma brisa fresca, mal dava para sentir o ondulado do trajeto. Tratava de embeber os olhos na paisagem, cumprimentar alguns leitores destas páginas (subida honra para este blogueiro) e conversar com um ou outro.

Um corredor, talvez desconfiado de falhas na organização, fazia-se acompanhar pela mulher, que seguia em um carro totalmente equipado. Havia água, isotônico, bolachinhas, soro fisiológico e até um desfribilador, que a mulher do corredor, enfermeira profissional, estava apta a pilotar.

Pois o cara sabia das coisas. No km 5, onde deveria estar o primeiro posto de água, não havia nada. Já furioso, de olho na distância e me xingando por ser tão crédulo nas boas intenções de organizadores de corrida, só me acalmei quando percebi que, aparentemente, os caras só tinham errado na distância: o posto estava uns 500 metros depois do esperado, segundo a marcação do meu GPS.

Pensando que fosse só o susto, me aprocheguei sedento. E dei com os burros na água, como se diz. Ou, adaptando o dito, dei com os burros no seco, pois já não havia água no km 5.

Para encurtar o caso, não tinha água no km 5 nem no km 10. Tinha no 15, no 20 e no 25, mas nada no 30 (não tinha água no km 30, gente!!!!) nem no 35. No 40 tinha água, mas na chegada, não.

Eu fui bem até o 27, estava em ritmo de 6min30, o que não é ruim para quem correu uma maratona há apenas um mês e queria simplesmente completar essa prova com o mínimo de sofrimento.

Não foi possível. Deu para completar, mas com sofrimento e muita raiva pelo descaso e desrespeito dos organizadores com os corredores mais lentos. Pelo que pude perceber, todos os que, até o km 25, estavam mais lentos do que eu, acabaram desistindo.

Entre o 28 e o 29, passei uns três ou quatro atletas que seguiam lenta e doloridamente, mas foram até o final.

Pouco depois do 30, o ônibus prego passou pela gente, oferecendo carona. Nenhum de nós aceitou, os organizadores iriam ter de nos aguentar.

Desde o primeiro posto, pedi que avisassem os organizadores sobre o problema. Não havia falta de água, era pura incompetência. Nos postos em havia água, os copinhos sobravam...

O sol àquela altura vinha com tudo, e eu decidi seguir como podia, pois o cansaço me consumia e a raiva não contribuía muito para reforçar meu ânimo. Corria e caminhava, contando com a colaboração de carros de apoio particulares, que me garantiram água nos momentos mais dramáticos. Bar só fui ver já na cidade...

E assim fui pela avenida Marcelino Pires, que corta a cidade de fora a fora. E, se fosse contar com os organizadores, eu também seguiria embora por ela, pois não havia nenhuma indicação de onde dobrar à direita para pegar a reta final. Fui perguntando ate achar a rua certa.

De longe, eu avistava as faixas da Maratona do Fogo, prova de história gloriosa que foi manchada nesta edição. Segurei um pouco para reunir as forças para a acelerada final e fui.

Para onde?, me pergunto na última esquina, pois o caminho à frente parece fechado.

Mas não, é por ali mesmo. Vou, acelero, corro, suado, sedento, raivoso. Decidido a mostrar que o maratonista não se dobra, dou aquele sprint final glorioso...

E não cruzo a linha de chegada.

Linha de chegada não há mais, como diria Drummond. O pórtico está atirado ao chão, desmontado, pronto para ser levado embora.

Alguém fardado com a camiseta da prova me diz que o final é ali mesmo e que eu posso ir buscar minha medalha numa sala ao lado, onde também há frutas.

Para meu cronômetro com 5h20 e caquerada, vou pegar minha medalha. Como uma banana a seco, também ali já não havia água.

Vou embora, cumprimentando no caminho outros maratonistas que chegam e que, apesar do descaso, seguem também até o final. Mesmo sem linha de chegada.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h55

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Assista on-line ao campeonato de atletismo dos EUA

Show internético

Está rolando na mítica Eugene, espécie de pátria dos corredores norte-americanos, o campeonato de atletismo dos EUA, que vai até domingo.

O site da federação norte-americnaa de atletismo (AQUI) tem muitas informações, fotos, vídeos e até cobertura on-line.

Confira lá, que está bem bacana.

Aqui vai uma amostra, a garotinha Amy Begley chega para vencer os 10.000 com 31min22s69, seguida por Shalane Flanagan em prova disputada ontem (foto AP).

E o campeão mundial Tyson Gay não teve dificuldades para vencer sua prova de classificação para a final dos 100 m (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h44

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Os últimos chegarão depois

Vitoriosa derrotada

A espanhola Natalia Rodriguez, à direita, prepara o bote para tomar a frente da russa Gulnara Galkina-Samitova na prova de 3.000 m no campeonato europeu por equipes, realizado no último sábado em Leiria, Portugal (foto AP). A guapa Rodriguez conseguiu seu intento e terminou a corrida em primeiro lugar, mas foi desclassficada por causa de uma nova regra, que elimina o último corredor em certas etapas da corrida.

Não conhecia essa regra, mas imagino que seja para tornar a prova mais competitiva ao longo de todo o tempo, evitando que alguns fiquem só cozinhando o galo para disparar quando o final se aproxima.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h06

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Corinthians bota a turma para correr

Corre, Timão

 

Já contei aqui minha gostosa experiência na corrida norturna em Bertioga, no litoral de São Paulo. Mas deixei de falar sobre uma grata surpresa que tive naquele evento.

Pouco antes da largada, notei que várias pessoas estavam usando camisetas com o símbolo do Corinthians. Pensei que seriam corredores do time que vinham disputar as primeiras posições (alguns clubes também buscam divulgação por meio de corridas), mas logo vi que era uma turma alegre, bem-humorada, que estava ali para se divertir e para confraternizar com outros corredores.

Traziam no peito os dizeres "Corre Corinthians", o que aguçou minha curiosidade. Pergunta aqui, pergunta ali, descobri que eram mesmo um grupo de corridas do Timão, que agora tem um departamento específico para cuidar dessa turma (como você pode ver no site do clube, AQUI).

É uma atividade relativamente nova, que começou de forma pouco convencional. Uma corredora costumava fazer seus treinos no clube, onde foi construindo amizades e convidando pessoas para participar. Alguns se interessaram, e Betânia Granja, que é formada em educação física, passou a orientar os treinos de amigos (na foto acima, ela está de camiseta preta, mais ou menos no centro da turma).

O sucesso veio aos poucos, diz Betânia, a treinadora do Corre Corinthians: "Em julho de 2008, nasceu o Corre Corinthians apenas com uma aluna. Terminei aquele mês com quatro alunas, dezembro de 2008 com 20 atletas e maio de 2009 com 110 atletas". Há cerca de dois meses, o Corre Corinthians virou departamento, que é dirigido por Cláudio Roberto Alvarenga.

Independentemente de gostar do Corinthians, achei muito bacana um clube tão popular abrir espaço para as corridas e os corredores amadores. Seria ótimo se as grandes equipes de futebol usassem mais o seu poder de atração para o incentivo da prática de esporte em geral, além do futebol (que também é muito bom, diga-se de passagem).

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h56

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Correr e pular corda é fácil

Mas em pernas de pau???

 

Era o Dia dos Desafiadores do Impossível, evento realizado no último domingo em Dachau, cidade alemã que fica pertinho de Munique. Pois lá o nosso amigo da foto, Stefan Cojocnean, 37, da Romênia, resolveu estabelecer um novo recorde para corrida e pular corda usando pernas de pau. Nesse estilo, ele completou 100 m em 21s38. O tal Dia dos Desafiadores dos Impossível acontece anulamente e está na sua 15ª edição; durante o evento, os competidores tentam quebrar ou criar recordes em disciplinas pouco convencionais, como a mostrada acima (foto Reuters).

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h32

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Zoológico é palco de maratona

Entre as gazelas

Corredores passam pelo cercado das gazelas, no zoológico da cidade holandesa de Amersfoort, durante uma maratona local. A prova é bem peculiar, pois cruza também por uma base militar e um quartel de bombeiros. Infelizmente, isso é tudo o que eu consegui de informação na agência EFE, que mandou a foto; o site oficial está em holandês. Se você conseguir entender o idioma e quiser mandar mais detalhes sobre o evento, que foi realizado na semana passada, fique à vontade.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h17

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Diversão noturna no praião de Bertioga

Programão de fim de semana

Acabo de curtir mais uma prova em que tudo funcionou direito, o que me deixa pensando que ou meu espírito crítico está virando condescendente de mais ou os organizadores de corrida em São Paulo estão prestando mais atenção nas provas e nos corredores.

Espero sinceramente que a segunda hipótese seja a verdadeira.

A julgar pela corrida noturna realizada no sábado em Bertioga, no litoral de São Paulo, é mesmo. O evento foi pura diversão para corredores de todos os níveis, dos iniciantes aos que gostam de sempre lutar para derrubar o próprio tempo.

Com início marcado para as 18 horas, nem que o sol tivesse aparecido o dia todo estaria um clima ruim para correr. Mas, ao contrário, ao longo de todo o dia o sol teve de brigar com nuvens que disputavam o domínio do céu. Quando chegou o hora da corrida, havia ainda um certo mormaço, mas só por causa da brisa superleve, que mal chegava a mover o cocuruto das árvores.

O circuito era a coisa mais simples do mundo: você vai 2,5 km em percurso reto e plano pelo asfalto e volta a mesma coisa pela praia --esta, um pouco mais problemática por causa dos riachos escavados pelas saídas de esgotos na areia. Com tal configuração, dava mesmo para fazer várias provas no mesmo evento: havia um corrida de 10 km, uma de 5 km e uma de duplas.

Quando soou a corneta da largada, já era mais noite que lusco-fusco, mas a iluminação das ruas garantiu a segurança. E era mesmo necessária, pois vai ter asfalto ruim assim em outro canto. Muitos buracos, desníveis, costeletas e corcovas exigiam atenção máxima do atleta até chegar a praia...

As areias estavam às escuras, mas pequenas tochas cravadas na areia iluminavam os pontos mais importantes (a curva para entrar na praia e a entrada do funil). Então, prezado leitor, amiga leitora, a responsabilidade do participante era correr.

Eu tratei de fazer isso, e terminei quatro minutos abaixo da hora, o que está mais do que bom para meus padrões de velocidade. O desempenho me alegrou, mas o que mais me deixou feliz, mesmo, foi ter participado de um evento que foi todo marcado pela alegria e a diversão, sem problemas de organização que eu tivesse notado.

Alguns participantes chiaram por causa das camisetas cor-de-rosa, mais aí vai do gosto de cada um --e creio que as reclamações eram mais por brincadeira do que efetivamente fruto de alguma desagrado real. A mim, o que incomoda mesmo é o fato de os organizadores terem usado palavras em inglês para nomear a prova (Bertioga by Night). Que droga de mania colonizada é essa de usar o inglês para tudo!

Registro ainda que meu GPS marcou cerca de 9.500 m, e não os 10 km prometidos, mas é fato que o aparelho não promete precisão total. Também é verdade que, nas provas em que participei recentemente, a diferença nunca foi tão grande, ficando em geral em torno de 200 m e até menos.

Mas deixa isso para lá, que a diversão falou mais alto. E ao final da corrida a gente ganhou água, isotônico, bolinho de chocolate e ainda um caldinho de feijão da melhor qualidade. Dê só uma olhada na foto que a Eleonora fez.

Escrito por Rodolfo Lucena às 17h57

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Fala, leitor - Ironman de Florianópolis

Vida nova

Executivo de uma empresa de segurança em Fortaleza, o leitor José Gilberto Dias Filho cumpre uma rotina diversificada (e, de fato, nada rotineira). Além de suas responsabilidades na companhia, estuda direito, trata de atender aos interesses da família e arranja um jeito para treinar. E treina muito, para ser capaz de enfrentar não só uma maratona mas também as outras exorbitantes exigências de uma prova de Ironman, que completou neste ano em Florianópolis. Neste relato, Gilberto, 41, conta fala sobre sua conquista e como chegou até lá...

"Há cinco anos, eu pesava 113 kg, que já carregava por uns dez anos.

Resolvi mudar.

Comecei a andar e nadar. Dava umas corridinhas de 800 metros e caminhava novamente. Em outubro de 2004, corri 5 km --foi um sufoco concluir a prova. Daí para a Meia Maratona de Fortaleza, em abril de 2005, foi um pulo. Estava com 32 kg a menos e consegui terminar.

Minha trajetória não foi muito diferente da de outros atletas amadores: muita determinação, disciplina e prazer acima de tudo. Sempre tive esse pensamento, tem que ter prazer, até para poder competir outras vezes. O esporte não pode trazer estresse, e sim tirar o estresse.

Em 2006, resolvi me preparar para o Ironman de 2007, mas o projeto acabou adiado. Mas, naquele mesmo ano, participei em Brasília do triatlo 70.3, prova dura, pois a temperatura é muito alta, mas valeu a pena e serviu para preparação para Floripa.

Pois o Ironman estava nos meus sonhos. Os treinos incluíam travessias de 3 a 4 km, pedal de 180 km e corridas de 21 e 30 km. Tudo isso com objetivo de terminar bem a prova.

Enfim chegou o grande dia!

Coloquei na cabeça, que faria, naquele dia, uma prova de cada vez, tudo ao seu momento e não poderia nadar diferente do que já vinha treinando. Terminei a natação em 1h53 minutos, tempo acima do que tinha planejado. Tinha previsto 1h40, mas era muito água. Afinal, são 3.800 m de natação...

Na transição, senti que me tratavam como um rei: água, isotônico...

O pedal foi só emoção, 180 km pedalando com gringos da Argentina, México, EUA, Paraguai, além dos brasileiros. Foram 7h17 h, tudo dentro do previsto.

Estava ansioso para poder começar a correr e poder encontrar e falar com os amigos que estavam assistindo à prova.

A corrida foi o melhor da festa! Correr 42 km, vendo gente o todo tempo, os amigos dando força, valeu muito a pena. Estava sentindo dores no joelho e no pé e, em muitos momentos procurava correr nos gramados das casas para diminuir o impacto. Levei seis horas para completar a maratona, uma hora a mais do que o planejado. O tempo foi totalmente diferente do que eu planejei, no mínimo uma hora a mais.

Mas eu tinha completado o desafio. Chorava, conversava, ria, brincava: valeu a pena.

A chegada, depois de 15h38, foi a consagração de uma mudança de estilo de vida."

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h53

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Sapatilha dourada rende belas fotos

Show de velocidade

 

O esforço em busca da vitória se reflete nos rostos da etíope Meselech Melkamu (dir.) e da queniana Linet Masai durante a prova de 5.000 m na etapa de Ostrava, República Tcheca, do circuito Sapatilha de Ouro da IAAF (a Fifa do atletismo).

Melkamu (foto AP) acabou vencendo no que foi talvez a melhor performance do evento, que teve muitos nomões de respeito. Depois de ter se tornado a segunda mulher mais rápida da história nos 10.000 m ao fechar a prova em 29min53s80 no último domingo, ela conseguiu se recuperar para mandar ver hoje nos 5.000.

Ao longo da prova, dividiu a liderança com Masai e com a também queniana Vivian Cheruiyot, chegando a passar a última volta atrás de Masai. Mas, na hora do vamos ver, depois da última curva, ela se mandou para fechar em 14min34s17. Masai, de 19 anos, fechou no mesmo segundo, 19 centésimos atrás, para registrar sua melhor marca na distância.

 

O cubano Dayron Robles faz uma careta depois de vencer os 110 m com barreiras, parecendo insatisfeito com o fato de ter estabelecido hoje a melhor marca do ano (foto Reuters). De fato, mais tarde o recordista mundial afirmou: "Hoje eu não estava me sentindo bem. Acho que preciso de mais uma semana de treino para melhorar".

Esta foi a segunda competição do cubano neste ano; ele estabeleceu o recorde mundial (12s87) em sua terceira prova no ano passado.

 

Outro que não ficou totalmente satisfeito com sua performance foi o recordista mundial dos 100 m, o jamaicano Usain Bolt, que venceu hoje com meros 9s77 (foto Reuters). "Hoje tive a segunda pior largada de minha carreira", disse ele, que levou 206 milésimos de segundo para reagir ao tiro de largada, sendo o último dos contendores a disparar. Na metade da prova, estava em terceiro ou quarto, quando disparou para conquistar o troféu.

 

Assim como Bolt, a britânica Marilyn Okoro (à dir.) deu razão ao dito popular segundo o qual "os últimos serão os primeiros". Mais ou menos. Na largada dos 800 m, como se vê na foto AP, foi eclipsada pela russa Tatyana Levina, mas depois assumiu a liderança para não largar mais.

Por seu lado, a etíope Dire Tune reservou a data de hoje para tentar estabelecer novo recorde mundial nos 20.000 m (foto Reuters). Aliás, queria matar dois coelhos com uma cajadada só, como diz o povo, quebrando duas marcas históricas na mesma prova.

Não conseguiu. Faltaram 218 metros para que ela superasse o seu próprio recorde na uma hora, que estabeleceu em Ostrava mesmo, no ano passado, quando correu 18.517 m em 60 minutos.

Inabalável, Tune continuou correndo para tentar alcançar a marca estabelecida há nove anos pela queniana Tegla Loroupe, que fechou os 20.000 m em 1h05min26s6. E também fracassou, ficando nove segundos atrás. De qualquer forma, seu tempo de 1h05min35s3 é o segundo melhor da história para a distância.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h24

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Cresce grupo brasileiro dos Maníacos por Maratona

Expansão geométrica

Além de tudo o que já falei aqui sobre a maratona de Porto Alegre, devo dizer que ela foi importante para mim e um grupo de corredores porque marcou a reunião do que então era a maioria dos brasileiros integrantes do Marathon Maniacs, grupo criado nops EUA para reunir doidos de pedra e malucos em geral que se alegram por fazer o maior número de maratonas que seus ossos e músculos permitirem.

Como você já sabe, se chegou a dar uma breve olhada no perfil deste que aqui escreve, tenho a subida honra de ter sido o primeiro MM na América Latina. Provavelmente, na época, havia algumas dezenas de corredores brasileiros em condições de reivindicar a participação, mas não tinham ideia da existência do grupo ou não quiseram participar da brincadeira.

Pois é disso que se trata: pura diversão de um bando de loucos por maratona que resolvem compartilhar um espaço virtual e alguns símbolos com outros do mesmo gênero.

Para entrar no MM, é preciso ter corrido pelo menos duas maratonas em dois fins de semana seguidos, duas em três semanas ou três em três meses. Com esse currículo, o sujeito entra com nível bronze (ou uma estrela); a partir daí, os níveis de metal se sucedem, assim como o número de estrelas. Chega ao nível máximo (titânio ou dez estrelas) quem fez 52 maratonas ou mais em um ano ou 30 maratonas em 30 Estados dos EUA, países e/ou Províncias canadenses (qualquer combinação) ou completou maratonas em 20 países em um ano.

O interessado apresenta seu currículo e, se for aprovado, paga uma taxa de inscrição que dá direito a uma camiseta com o logo do grupo. Passa a poder fazer compras na lojinha virtual e ganha desconto em algumas lojas e corridas nos EUA. Há também no site alguns serviços apenas para associados.

O crescimento do grupo nos últimos anos é impressionante. O MM foi fundado em 2003 por Steve Yen, Chris Warren e Tony Phillips; no final de 2006, ano em que ingressei no grupo, havia 446 maratonamaníacos. Em um ano, o grupo cresceu mais de 70%, chegando a 773 membros. Passou a 1.271 em 2008 e, no último dia 16, o total de associados atingiu 1.628.

A expansão aqui no Brasil também é muito rápida. Quando a foto que ilustra este texto foi feita, em maio passado, havia oito MM no Brasil. Hoje, somos 13 devidamente registrados e com o número MM, mas o grupo internético dos brasileiros conta com 19 participantes, pois alguns estão em vias de associação ou são simpatizantes.

Para saber mais sobre os Marathon Maniacs, clique AQUI.

PS.: Na foto, da esquerda para a direita: Carlos Hideaki Fujinaga, eu, Nilson Paulo de Lima, Julio Cesar Baldi e João Gabbardo dos Reis

Escrito por Rodolfo Lucena às 18h15

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Começa em Berlim corrida de US$ 1 mi

 Beijinho dourado

O estádio olímpico de Berlim foi palco neste final de semana da primeira etapa da Liga de Ouro, série de seis encontros que divide US$ 1 milhão de prêmio entre os ganhadores de todas as edições, na sua modalidade.

A russa Elena Isinbaeva já deu mostras de que neste ano volta a ser fortíssima candidata à bufunfa. Depois de vencer a prova de salta com vara, na qual a brasileira Fabiana Murer levou o bronze, mandou beijinho para as câmeras (foto AP).

O etíope Keninisa Bekele também é um dos nomes cotados para o butim. Dono de dois ouros olímpicos, venceu a prova dos 5.000 m em 13min0s76 no que foi sua 12ª vitória seguida na distância (foto Reuters).

Quem também festejou foi a norte-americana Sanya Richards, que dividiu o prêmio de 2007 com Isinbaeva. Nos 400 m, mostrou que tem bala para disputar o prêmio máximo (foto Reuters), brilhando no palco que em agosto abrigará o Mundial de atletismo.

Nos 100 m, cuja largada você vê abaixo (foto AP), as estrelas jamaicanas não compareceram, abdicando assim da briga pelo butim da Liga de Ouro. Mesmo assim, veio do Caribe o vitorioso: Daniel Bailey, de Antigua e Barbuda.

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h28

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Depois de conflito, USP fecha para o público

Entrada proibida

Fui fazer meu treininho hoje na USP e, ao chegar lá, deparei-me com a entrada principal barrada, controlada. Seguranças informavam que a USP estava fechada, e que o carro não poderia entrar.

Sem mais delongas ou explicações, orientavam o visitante a fazer o retorno e seguir cuidando de sua vida.

E assim alguns milhares de corredores não tiveram o prazer de correr hoje pela Cidade Universitária que, como se sabe, foi palco nesta semana de cenas de violência cometidas pela Polícia Militar contra estudantes, professores e funcionários da universidade.

Para agir contra a greve da comunidade universitária, a PM entrou no campus a pedida da reitora e foi protagonista de pancadaria não vista naquelas alamedas nem sequer nos piores tempos da ditadura militar.

Não sei se uma coisa tem a ver com a outra, mas parece estranha a colocação de barreiras num sabadão normal. (NOTA: Um leitor diz, em comentário publicado abaixo,  que o fechamento foi por causa do feriadão e que as assessorias esportivas foram avisadas com antecedência; lembro apenas que sexta-feira foi dia de trabalho...). 

Bom, como alternativa, segui para o parque Villa-Lobos, que está cada dia mais bacaninha.

Como em suave ironia, um dos canteiros principais do parque era usado como cenário para painéis que homenageavam os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Se você não lembra, ela foi firmada em 1948 pelos países que integram as Nações Unidas. E começa assim:

"Artigo I.

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II.

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania."

Se quiser conhecer o texto integral, em português, confira o site da ONU (clique AQUI).

O documento inspirou um sem-número de trabalhos artísticos e culturais. Um deles foi o poema "Estatutos do Homem", de Thiago de Mello, que termina assim:

"Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem."

Para conhecer todo o poema, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 12h24

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"New York Times" tem planilha para corredores

Treino gratuito

O "The New York Times", um dos principais jornais do mundo em circulação e peso político, está abrindo cada vez mais espaço para os corredores de rua.

Tradicionalmente, faz uma boa cobertura da maratona de Nova York e acompanha os principais fatos do atletismo profissional com alguma atenção. No ano passado, porém, sua cobertura da maratona de NY já foi bem mais alentada e, neste ano, decidiu começar o aquecimento com muita antecedência e grande amplitude.

Desde o mês passado, tem um blog dedicado ao mundo dos corredores de rua, com textos voltados especialmente para atletas iniciantes. É o Run Well, uma parte do blogão da área de bem-estar, que, por sua vez, fica na área de saúde do site do jornal. Vários jornalistas contribuem para o blog, cada um na sua especialidade.

Há, por exemplo, quem se dedique especificamente a avaliar produtos eletrônicos e acessórios em geral dedicados aos corredores; outro participante fala sobre nutrição; e uma repórter que decidiu, finalmente, encarar a dura tarefa de treinar para uma maratona compartilha sua experiência com os leitores.

Uma das dificuldades que teve foi montar um plano de treinamento, processo que ela contou em uma das mensagens. E, para evitar que os leitores tenham tantos problemas para escolher o rumo a tomar em suas passadas até a maratona, o NYTimes lançou nesta semana um serviço que, ao que eu saiba, é inédito em sites de publicações não especializadas: oferece um plano de treinamento, uma planilha de treinos.

Mas não é uma simples tabelinhas com dicas para 16 ou 18 semanas até a data da maratona. O site trabalha com planos de treinamento elaborados por alguns dos principais treinadores e grupos de corridas do país. Há, por exemplo, planilhas criadas por técnicos como ex-atleta olímpico Jeff Galloway, conhecido por seu método que combina corrida e caminhada, e por clubes de corrida como o New York Road Runners, que organiza a maratona de Nova York.

E é tudo grátis.

Você se cadastra no site, dá alguns dados básicos, e o site sugere os planos de treinamento, que você avalia e seleciona. Os treinos vêm em milhas, mas, ao fazer seu perfil, você pode mudar para quilômetros.

Se quiser, você pode imprimir a planilha completa para as tantas semanas até a sua prova alvo (no formulário, já há um monte de maratonas dos EUA, e você pode incluir a sua). Daí você faz o acompanhamento que achar melhor --uma opção é fazê-lo pelo próprio site, onde você pode registrar cada um de seus treinos, assim como verificar com detalhes as especificações de cada sessão (as informações sobre treinos intervalados, por exemplo, são bem minuciosas). Há até um botão de feedback, que, imagino eu, deve permitir que você mande e-mails com suas dúvidas ou comentários.

Bom, chega de conversa: se quiser conhecer o tal serviço, clique AQUI.

Para poder acompanhar e aproveitar todo o detalhamento das planilhas, é praticamente imprescindível que seu inglês seja de nível pelo menos intermediário. O Google acaba de lançar um serviço de tradução automática, mas exige que você tenha uma conta no Gmail e não sei se resolve. De qualquer forma, deve ser de alguma ajuda.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h55

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Fala, leitor - Maratona de Regensburg

Patins e samba

A leitora Lia Campos, de Fortaleza, esteve na Alemanha no mês passado e participou de uma das competições que integram a maratona de Regensburg, na região da bavária.

O evento é bem grandinho: mais de 7.500 pessoas participaram nas várias corridas do dia --maratona, meia maratona, 10 km e ainda uma meia-maratona para patinadores, que abriu as atividades do dia (foto acima).

A Lia não mandou exatamente um relato, mas sim algumas informações, que vou tecendo para dar forma a um texto.

Em primeiro lugar, apresento a leitora. Ela tem 43 anos, trabalha no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará e começou a correr há cinco anos. Já tem algumas provas longas no currículo, como a Meia Maratona de Fortaleza, o Desafio das Capitais (nunca ouvi falar, mas parece que é uma prova de 25 km realizada em dezembro em Fortaleza) e a São Silvestre. Agora, na Alemanha, pretendia fazer a meia maratona, mas uma lesão a obrigou a se contentar com a prova de 10 km.

Antes mesmo da prova, realizada no dia 24 de maio, ficou bem impressionada com a organização, que mandou vários boletins informativos (em alemão) a partir do momento em que foi feita a inscrição. Eles também sabem cobrar bem: a camisa da prova era paga (10 euros), assim como o chip (caução de 30 euros, mas eles só devolviam 25 euros).

Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena, como dizia Fernando Pessoa, que não corria, mas poetava como se fosse corredor de longuíssimas distâncias.

A festa começava na feira da maratona, onde foi feita a entrega dos kits. Lá havia estandes de vendedores de produtos de corrida e tendas de lanches; lá também foi realizado o almoço de massas, no dia anterior á prova. Aliás, também no dia anterior, aconteceu uma corrida de 1 km para crianças, a Ostwind Mini Marathon.

O que interessa, porém, é correr. E, para a corrida, o palco estava montado com muita alegria e muita música. O percurso saía da periferia da cidade e passava pelo centro, onde se concentrava a maioria do público que incentivava os corredores.

Ao longo do trajeto da maratona, 16 bandas mandavam ver no som e na animação. A cereja do bolo: uma delas era de samba...

Mas os 10 km, corridos pela Lia, também tiveram direito ao som de vários grupos musicais. O que foi mais uma ajudinha para que ela terminasse bem sua prova, podendo então se dedicar à medalha merecidamente conquistada e à degustação dos acepipes servidos ao final da prova.

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h43

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Imagine uma corrida aqui

Em defesa dos ursos

 

Turistas caminham por penhasco acima do Ram Plateau no Parque Nacional de Nahanni, no Canadá.

Lá não tem corrida, ao que eu saiba, mas que seria uma terreno bacaníssimo para uma prova, lá isso seria.

O parque já é giogantesco, como a imagem dá a perceber, mas o governo canadense quer aumentá-lo ainda mais, multiplicando por seis a área protegida para defender o habitat de ursios cinzentos, caribus e outras espécies animais.

Bem que o Brasil poderia seguir o exemplo e aumentar a proteção sobre nossas reservas naturais, você não acha?

A foto é Divulgação, distribuída pela Reuters.

Escrito por Rodolfo Lucena às 19h05

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Fala, leitor - San Diego Rock ’n’ Roll

 Elvis em penca

Mineirim de Ituiutaba, o economista Carlyle Vilarinho vive hoje em Brasília, onde trabalha e corre (começou em 2004, depois de muitos anos como fumante). Adora maratonas e, no fim de maio, correu uma em San Diego, nos Estados Unidos, plena de música, como diz o nome: San Diego Rock ’n’ Roll Marathon (acima, a chegada da prova). A seguir, acompanhe o relato de Vilarinho, que completou 51 anos alguns dias antes de correr nos EUA.

 

A cidade é belíssima, e o povo muito receptivo. Segundo os organizadores, é a quinta maior maratona dos Estados Unidos. No ano passado, recebeu 17 mil partyicipantes; neste ano, por causa da crise, numero caiu para 15 mil na maratona _havia também uma prova de revezamento.

 

A organização foi perfeita. A entrega dos chips é na feira, realizada no centro da cidade, perto dos hotéis: dá para ir a pé. Na feira, na sexta e no sábado, muitos expositores e belas palestras. Conheci e ouvi a palestra do ultramaratonista Dean Karnazes.

O dia da maratona estava ótimo, nublado com temperatura entre 14 e 18 graus Celsius. Muita gente alegre, mais de 150 corredores fantasiados de Elvis (abaixo, na largada). Uma festa só.

A largada foi às 6h30 em um grande parque no centro da cidade, onde também foi servido um farto café da manhã, com sucos, pães, café e energéticos. Na corrida, saí tranquilo, curtindo o belo visual da cidade, as pessoas, suas camisetas e trejeitos.

Ao longo do caminho, um ou outro puxava conversa. Ate o km 8 é só no centro da cidade, leve descida e plano. Segundo os organizadores, é a quinta maior maratona dos Estados Unidos. No ano passado, recebeu 17 mil partyicipantes; neste ano, por causa da crise, numero caiu para 15 mil na maratona _havia também uma prova de revezamento.

No km 9, o percurso sai da cidade, pega uma rodovia e surge primeira subida. Daí para a frente, é só fora da cidade, contonando vales e parques.

No km 25, eu ainda acompanhava com desenvoltura o marcado de ritmo de 4min/km, curtindo todo o cenario. No km 32, a barra começou a pesar, e eu já não me impressionava com as bandas de rock presentes a cada milha.

Descubro que a altimetria era bem mais desafiadora que a da maratona de Curitiba e trato de não pensar mais em tempo, vamos curtir o rock ’n’ roll.

As pernas começam a sentir os efeitos do tobogã enfrentado desde o km 30, mas agora a chegada já não está tão distante. A gente corre essa parte final em um parque, longe dos torcedores, somos nós, corredores, e a natureza.

Mas enfim chego à área da Marinha, onde está a chegada. Quando faltam 500 metros, volto a ver os torcedores. Respiro fundo e e acelero, com as forças que me restam.

Nem acredito! Cravei 4h07, minha segunda melhor marca, justo aqui neste percurso tão difícil que me deu saudades de Curitiba: lá é muito mais fácil.

Caminho um pouco. Há farta distribuição de água, comidinhas e tudo a que se tem direito. Afinal, encontro a Rita, que me espera com uma plca: "Parabéns, Carlyle". Ela me dá um beijo e pergunta se estou bem. Eu respondo: "Sim, a partir de hoje quero ser maratonista, acho que posso ter jeito para a coisa".

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h43

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Corrida com churrasco e festa no CTG

Coisas da fronteira

A meia-maratona de Uruguaiana termina com manhã alta na avenida Getúlio Vargas, pouco depois do obelisco que lembra o centenário da rendição paraguaia às tropas brasileiras. Mas a festa dos corredores vai mais longe: continua pelo almoço de confraternização, uma belíssima churrascada de costela gorda, e segue no pós-sobremesa, com apresentação de danças gauchescas.

Participei dessa corrida no início de março último e fiz uma reportagem a respeito, que sai publicada na edição deste mês da revista "O2".

Dou aqui uma palhinha: a prova é uma das poucas do mundo que cruza fronteiras nacionais. E é praticamente a única oportunidade de o sujeito atravessar a pé a ponte que ali une Brasil e Argentina, irmanando Uruguaiana e Paso de Los Libres.

O percurso em si não é o mais bonito do mundo, mas vale pela travessia dos quase dois quilômetros de ponte, além de ser razoavelmente desafiador: especialmente em terras portenhas, há subidinhas bem consideráveis. Daquele lado, também, as coisas não são tão bem organizadas como cá. Nesta edição, as marcações de percurso estavam bem chochas, e tivemos de busca ajuda dos poucos espectadores para saber o caminho certo.

Na terra gaúcha, porém, estava tudo certinho, com bastante água, muita alegria e disposição e um calorzinho inesperado para a época e a região.

O que tornou a corrida um pouco mais difícil, mas deixou a tarde mais agradável. Especialmente depois do churrasco (incluído na inscrição) e das danças. Assista a seguir a um pequena amostra das habilidades da turma da invernada artística do CTG Patrulha do Oeste. CTG é a sigla de Centro de Tradições Gaúchas...

 

Para ver fotos da cidade e do percurso, clique AQUI.

Escrito por Rodolfo Lucena às 16h33

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Fala, leitor

Mil quilômetros de solidão

Esta foi uma semana de exame de consciência, balanço de vida corrida, avaliação de aprendizado. Por isso, trago neste sábado a contribuição de um leitor de Vitória, Espírito Santo, que compartilha conosco sua trajetória de corridas no ano passado, marcante na vida dele. Trata-se de JONAS REIS, 56, jornalista e funcionário público, que planeja correr no ano que vem sua primeira maratona (na foto, ele treina na ladeira do Porto de Tubarão, em Vitória). Acompanhe a seguir a história de Jonas.

"No dia 1º de janeiro de 2008, eu voltava de carro para Vitória, depois de passar o Réveillon em Copacabana. Preocupado com a estrada, achei que já fosse furar a promessa de Ano Novo: começar a treinar no primeiro dia do ano e correr mil quilômetros até 31 de dezembro.

Dei os primeiros passos nas corridas em 2007, incentivado por um casal de amigos corredores. Na primeira tentativa, em março, cansei na marca de 400 metros, mas, no segundo semestre, quando completaria 55 anos, já havia tornado natural um treino de 5.200 metros, que é o percurso de ida e volta na ciclovia da orla mais próxima de minha casa.

Naquele período, conquistei minha primeira medalha participando da prova de 5 KM da OAB. Corri também os 10 km da Unimed e os 10 km da Fila. Na minha primeira Dez Milhas Garoto, entre Vitória e Vila Velha, levei uma queda e fiquei na metade da prova, logo depois de atravessar a ponte ligando a ilha ao continente.

Para atingir o objetivo traçado para 2008 era fundamental começar no primeiro dia, pelo aspecto psicológico da coisa. Assim, à noite, depois de sete horas na estrada, parti sozinho para os meus 5.200m.

Naquele treino me ocorreu que a imagem mais deslumbrante de uma maratona é a solidão dos competidores. Olhos ansiosos varando a distância, coração e mente pulsando forte, quem sabe que infinitos atravessando o pensamento! Embora treinos e provas ofereçam a oportunidade de compartilhar com outros os prazeres da atividade, o avançar solitário, mesmo em meio a milhares de corredores, exerce atração irresistível. Enquanto os quilômetros se sucedem, repassam-se os sonhos e vira-se a vida do avesso, revendo atitudes e construindo novas possibilidades.

Corri sozinho 99% dos treinos e provas em 2008. Após completar uma a uma as principais provas de Vitória, encarei de novo as Dez Milhas, e a medalha veio com gosto de troféu.

Em outubro, animado grupo de corredores de uma academia local encontrou espaço para mim em sua excursão e pude correr a Meia Maratona do Rio, algo impensável alguns meses antes.

Depois, sem perder o ritmo, fui sozinho correr em Belo Horizonte os 18 km da Volta da Pampulha, outra das provas mais bonitas do país.

São Silvestre, assim, era quase uma obrigação, até para encerrar entre 20 mil corredores o ano iniciado com um solitário, curto e tímido treino na noite de Vitória.

No dia 31 de dezembro, desci com cautela as ladeiras do percurso e vivi a indescritível emoção de vencer a subida da Brigadeiro. Somava, ali, 1.028 km de treinos e provas em 2008.

As reflexões feitas na solidão das distâncias percorridas me tornaram mais tolerante. O exercício empreendido me fez mais saudável. Correr, enfim, me fez uma pessoa mais feliz. Ao fazer essas constatações soube, então, que 2008 foi apenas um começo."

Escrito por Rodolfo Lucena às 11h29

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O que a corrida ensina

Celebração da vida

O meu aniversário de dez anos de maratona fez com que eu parasse um pouco para pensar nesses anos todos, nas conquistas e derrotas, nos ensinamentos que cada passada traz... Esse exame de consciência fez com que eu buscasse aprender também com a experiência de outros. Por e-mail, conversei com muita gente, amigos, conhecidos, colegas de trabalho que também se dedicam à corrida de rua. Ouvi também corredores profissionais, gigantes do atletismo. Cada palavra foi importante para a produção de minha coluna desta quinta-feira no caderno Equilíbrio, da Folha (AQUI, para assinantes da Folha e/ou do UOL), em que comento o momento de balanço, de avaliação. Na coluna, citei algumas das palavras que ouvi, mas os limites do papel são estreitos para a riqueza dos depoimentos. Por isso, coloco a seguir o que cada um me disse sobre os ensinamentos da corrida e as mudanças que o esporte provocou na vida. Mande também o seu depoimento.

Grande parte da minha personalidade foi formada pela educação que recebi dos meus pais, entretanto, a corrida me ensinou valores importantes como responsabilidade, disciplina, respeito e muitos outros. O atletismo foi a única oportunidade que tive na vida. Soube aproveitá-la muito bem e me sinto um atleta realizado. Da mesma maneira que tive essa oportunidade, espero contribuir para que outras crianças também tenham uma vida digna nos aspectos esportivo, moral, ético e financeiro. Esse é meu trabalho atualmente, através do Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, com sede em Campinas (SP).

VANDERLEI CORDEIRO DE LIMA, medalhista olímpico em Atenas-2004 (foto EFE)

A corrida sempre esteve em minha vida. Comecei a correr em 2005, porém já vibrava desde cedo com as conquistas de meu pai, que correu três São Silvestres, sendo uma com o imbatível tempo de 1h e 11min. Depois ele infelizmente acabou sendo atropelado e teve de operar o joelho. Ele sente profundamente não poder correr comigo atualmente. Em 2002 resolvi parar de fumar. Com a natação, consegui parar. Com a corrida, enxerguei o que realmente era FAZER um esporte. Finalmente entendi meu pai. Eu corro pra celebrar a vida.

RODRIGO LUIZ CONCISTRÉ, 31, analista financeiro

Minha história de vida pode ser resumida em AC/DC (antes e depois da corrida, que comecei a praticar há duas décadas). Já casado e pai de três filhas, minha vida se dividia entre trabalho, estudos e casa. Os inevitáveis 20 quilos acima dos 65 atuais estavam presentes. Comecei a correr para perder peso. As conquistas foram rápidas, e outros sonhos vieram. A motivação aumentava cada vez mais até chegar no mundo das maratonas. Aprendi com a corrida a saber expandir limites (o que é diferente de superar limites). A corrida me ensinou que as conquistas estruturadas são conquistas com planejamento e um passo após o outro.

NILSON PAULO LIMA, maratonista

Com a corrida aprendi que o nosso horizonte é desenhado por nós mesmos. O meu era pra ser rural, depois ficou urbano, depois ficou mundial. Aprendi que existia um mundo lá fora muito maior que os meus olhos enxergavam quando eu era criança. Aprendi que existem pessoas muito parecidas comigo, mas muito mais pessoas diferentes e se elas são diferentes, não são melhores nem piores, apenas diferentes. Aprendi a saber o momento certo de fazer nossas escolhas, e que nem sempre serão perfeitas, mas serão nossas escolhas.

MARILY DOS SANTOS, única representante brasileira na maratona em Pequim-2008 (Ayrton Vignola/Folha Imagem)

 

 

Eu via meu pai acordar às 5h30 da manhã, pegando seu carro e indo ir correr seus 15 km, todos os dias, no parque do Ibirapuera. Com isso tomei gosto pelo esporte, pois muitas vezes acordava junto para ir com ele. Mas há seis anos é que realmente a coisa andou, quer dizer corri literalmente. Eu precisava de uma mudança brusca em minha vida, ora porque havia acabado de terminar a faculdade e não tinha ainda meu emprego, ora por causa do emprego me sentia muito largado, sedentário. Foi ai que comecei a correr compulsivamente. Tomei gosto pela prática da corrida e tentava trazer pra minha vida, para o meu dia a dia aquela vontade de correr mais um quilômetro quando já se correu 14 km debaixo de chuva.

E deu certo porque hoje eu corro pra tudo, é meu esporte e meu estilo de vida.

FLÁVIO PIRES, 27

 

Com a corrida aprendi a superar limites, a ter disciplina e perseverança, a acreditar nos meus sonhos.

MARIA ZEFERINA BALDAIA, campeã da Maratona de São Paulo em 2008 (foto Divulgação)

Comecei a correr aos 25 anos. Era sagrado: todos os domingos eu corria por volta de 40/ 50 minutos. Participei até de São Silvestre: terminei em 1h40 e mal conseguia subir escada no dia seguinte, mas foi uma experiência única. A corrida para mim proporciona uma superação de limites, saúde, disciplina, bom astral e concentração, pois todo domingo continuo correndo, controlando o meu cronômetro e querendo bater o meu próprio recorde. A corrida me proporciona, nesta fase adulta, um prazer que não consegui conquistar em esportes coletivos durante a infância/adolescência. Pela pouca estatura ou por não ter nenhuma proximidade com bola, minha atividade esportiva sempre foi frustrante. Com a corrida, quando termino cada percurso aos domingos, eu tenho a impressão que sempre sou vencedor.

ANDRÉ NAKASHIMA, 39, atua na área de publicidade

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h30

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O que a corrida ensina - final

Autoestima em alta

Continuação dos depoimentos de corredores profissionais e amadores sobre mudanças que a corrida provocou nas suas vidas. 

O triatlo e a corrida fazem parte da minha vida, pois, além do condicionamento físico e saúde, são o meu estilo de vida .

A perseverança e a autoestima de quem é atleta ou apenas pratica esportes aumenta muito. Você passa a ter muito mais confiança em si próprio.

FERNANDA KELLER, seis vezes medalha de bronze no Mundial de Ironman, no Hawai (foto Divulgação)

Além dos benefícios relacionados a saúde, perda de peso, que no meu caso foi considerável, bem estar, autoestima, etc...,a corrida me ajudou em uma questão anterior a tudo isso, que foi a escolha da atividade física. São Paulo isola muito as pessoas e pensar em um time com mais de cinco é muito complicado. Daí surgiu a corrida, que dependia apenas da minha vontade e disciplina, não seria necessário combinar com mais pessoas, horários, quadras, etc...seria apenas eu, uma rua não muito movimentada e um tênis. Tomei gosto pela coisa e percebi que esse talvez seja um dos maiores esportes coletivos da atualidade. Através dele, conheci muitas pessoas e fiz novos amigos.

EDSON LUIS CERQUEIRA PINTO, corredor amador

O que aprendi com a corrida? Que ela é o esporte mais democrático que existe no mundo. Quando corro na USP, fico impressionado com a quantidade de pessoas e de idades que ali se encontram. É sensacional ver um ‘tiozão‘ de 60 anos passar voando do meu lado (que tenho apenas 25). Claro que a corrida traz muitos benefícios para a saúde. Mas o que me prende a ela é algo que não consigo explicar... É meio que um vício... eu dependo da corrida... eu sinto necessidade de correr.

TALIS MAURICIO, repórter, corre desde os 17 anos

Com certeza, a corrida provocou uma mudança geral em minha vida. Quando vim para São Paulo, vim como qualquer outro nordestino, para trabalhar. Chegando aqui, me tornei atleta profissional, conheci vários países, várias culturas diferentes. Sem dúvida, o esporte só traz coisas boas na vida das pessoas. O esporte é uma escola. O esporte mudou a minha vida.

JOSÉ TELES, maratonista olímpico (Pequim-08)(foto Divulgação)

Aprendi que o meu limite está muito além do que eu imagino. Isso transcendeu a esfera esportiva e se estendeu a todos os aspectos da minha vida (pessoal e profissional). Os reflexos da corrida na minha personalidade são imensos, me tornei mais tranquila, mais obstinada, mais confiante, mais sociável.

LUCIANE SANT ANA, 35, analista financeira

Para mim, correr é acima de tudo um prazer que me concedo diariamente --daí que não gosto muito de provas, treinos com planilha etc. Sou um diletante na acepção original do termo. Mesmo assim, correndo minha primeira e muito provavelmente única prova de 42 km, aprendi que todas aquelas bobagens que treinadores repetem sobre concentração, manter o foco etc. funcionam, pelo menos para situações absurdas como a de uma maratona, em que nos empenhamos num esforço sobre-humano e desnecessário apenas para provar a nós mesmos que somos capazes de concluir esse esforço sobre-humano e desnecessário.

HÉLIO SCHWARTSMAN, 43, corredor há seis anos

Devido à corrida, eu terminei um casamento e comecei outro. Estudei uma nova licenciatura e até um mestrado e mudei totalmente de profissão. Fechei uma empresa e abri outra. Até mudei de país. Só com isso já dá para ver a dimensão das mudanças que a corrida trouxe a minha vida. Além disso, eu reforcei os valores morais que havia herdado de meus pais: de honestidade, de perseverança, de dedicação, de sofrimento, de cair e levantar, de cair outra vez e voltar a levantar, de saber que a felicidade de uma viagem não está no destino, mas no caminho todo. E principalmente o que aprendi é que o final não pode justificar os meios. Aprendi a valorizar as vitórias, mas não me deixar embriagar por elas, pois são tão ou mais efêmeras que as derrotas. E que é justamente das derrotas que devemos extrair ensinamentos e força para nos prepararmos para outros combates.

ANDRÉS ALAÑÓN VÁZQUEZ, ultramaratonista, recordista espanhol de 48 horas em pista, com 357,2 km (foto Divulgação)

Comecei a correr sistematicamente desde garoto, quando tinha uns 12 anos. Lembro que comecei a correr nas férias de julho por insistência do meu pai. Ele sempre foi uma pessoa muito exigente, com estudos, alimentação, trabalho e cuidados com o corpo em geral. Para ajudar, naquela época eu tinha bronquite e, para minimizar o problema, me motivava a correr. Ele me acordava bem cedo e depois de ajudar em algumas atividades, eu ia correr. No começo, ia um pouco contrariado, mas em pouco tempo comecei a gostar da ideia, principalmente porque deixava de fazer outras atividades que considerava chatas na época. Com o passar do tempo, notei que a corrida passou a preencher um espaço de maior importância na minha vida. Aprendi com os treinos, o poder e a importância da disciplina e da motivação para atingir um resultado e que a grandeza desse resultado seria proporcional ao empenho e aprendizado adquirido durante o "processo". Aprendi que para percorrer uma longa distância é preciso dar diversos pequenos passos e assim a lidar melhor com a ansiedade. Ampliei meus limites e a controlar melhor a dor, a sede, o calor, a fadiga... Descobri a importância de termos algo que funcione como uma válvula de escape para os momentos de angústia, dúvidas, temores e desafios que vão surgindo em nosso caminho. Descobri também que a felicidade muitas vezes está em coisas simples, como a corrida de uma criança, despreocupada, prazerosa e sorridente, que agora não canso de assistir em meus dois filhos, de cinco e quatro anos.

WILLIAM PEDROSA MACHADO, 39, diretor comercial

Escrito por Rodolfo Lucena às 20h14

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Entrevista com Adriano Bastos, campeão de Porto Alegre

Rei da recuperação


Conhecido pelas múltiplas vitórias na maratona da Disney (acima, em 2006, foto AP), Adriano Bastos tem se destacado também em provas nacionais. No ano passado, conquistou em Santa Catarina a vitória e o índice para participação na maratona olímpica --não foi porque outros tinham marcas melhores. Neste ano, já venceu na Disney, em Florianópolis e acaba de ser campeão em Porto Alegre. Nesta entrevista, realizada por telefone na semana passada, ele fala sobre sua carreira e suas conquistas.

FOLHA - Como foi a prova, sua mais recente vitória?
ADRIANO BASTOS -
Foi a mais recente e a terceira vitória em maratonas só neste ano: venci a Disney no início do ano, depois a Maratona de Santa Catarina, em 19 de abril, e agora essa. É uma coisa meio anormal, podemos dizer, pensando pela distância da maratona, que é uma prova que exige uma recuperação maior...

FOLHA - Você falou anormal. Então, por que decidiu participar dessas três provas?
BASTOS -
Eu tenho uma recuperação melhor do que os demais corredores, porque eu tenho a base do triatlo. Já parei com o triatlo faz dez anos, mas a carga que ele me deu de treinamento, em termos de preparação muscular e tudo o mais, faz com que eu seja muito mais favorecido para suportar esse tipo de sobrecarga do que os corredores em geral. Hoje eu consigo ter uma recuperação muito mais acelerada. Ter uma possibilidade tremenda para provas longas e tudo o mais. Então, para mim, sair de uma maratona e um mês depois encarar outra, não é algo assim tão impossível e tão difícil. Tanto que no ano passado eu fiz isso também: venci em Santa Catarina, fui sexto em São Paulo e um mês depois fui nono na Maratona do Rio. Agora no dia 28 de junho eu volto ao Rio para correr a minha quarta maratona somente no primeiro semestre.

FOLHA - E você tem outras maratonas no segundo semestre?
BASTOS -
Tenho, sim. Neste ano, se tudo der certo, vou fechar seis maratonas. Vou fazer a Maratona de Foz do Iguaçu, dia 27 de setembro. A última maratona vai ser a de Curitiba, que acontece no penúltimo domingo de novembro.

FOLHA - No mundo profissional, isso é totalmente inusitado...
BASTOS -
Exatamente, mas acontece que eu tracei um objetivo de carreira um pouco diferente e metas diferentes. Os caras de elite mundial definem uma ou duas maratonas no ano e se preparam de forma absurda para chegar à maratona e corrê-la abaixo de 2h10, abaixo de 2h08. É um cara que já tem uma genética favorável para correr para esses tempos que até eu considero absurdo. Ele abdica de participações de provas menores e tudo o mais para focar o treinamento para chegar lá no dia e conseguir fazer aquilo. Eu, se um dia treinasse para tentar fazer a minha melhor marca na maratona, eu acredito que eu correria para 2h13, 2h14. Isso com muito treinamento, correndo o risco de me lesionar e ficar um ou dois anos afastado. Hoje o meu foco é outro, ou seja, é longevidade, prolongar o máximo possível minha carreira. Pretendo me manter no nível em que eu corro hoje por, pelo menos, mais dez anos pela frente. Segurar esses tempos de 2h18, 2h19, que são o meu normal para a maratona, são de certa forma confortáveis, e levar isso adiante, me garantir no profissional e assegurar a minha permanência com meus patrocinadores. Minha principal fonte de renda, são os meus patrocinadores, que já estão comigo há anos. Eu corro hoje para manter o que eu tenho. Não fico com aquela loucura de: ah, eu vou entrar na prova que paga tanto para ganhar o prêmio. Não. Premiação para mim acaba entrando como um extra, vai para o caixinha, vamos dizer. Eu não conto com isso, quando entra é uma bonificação, considero assim. Eu foco mais estar presente, semanalmente, no pódio, em provas maiores ou menores e manter essa visibilidade frequente.

FOLHA - Quando você fala semanalmente, é literal ou força de expressão?
BASTOS -
Não, é isso mesmo. Só para você ter uma ideia: entre a Maratona de Santa Catarina e essa agora, eu participei de outras quatro provas menores. Duas semanas depois de eu vencer Santa Catarina, eu corri uma prova de 8 km, onde eu fui segundo colocado; na semana seguinte, no mesmo final de semana, eu corri duas provas: venci os 5 km no sábado á noite e fui o quarto colocado em uma prova de 10 km no domingo de manhã. Na semana passada, foi o quarto colocado em uma prova de 10 km em Campinas. Essas provas menores são um treino forte. Eu entro nelas para valer, mas elas são parte do meu treinamento. Mas não abro mão de meus treinos longos, com foco na maratona.

FOLHA - Essa estratégia de marketing também auxilia a sua assessoria esportiva, não?
BASTOS -
É como eu atraio alunos para a minha assessoria. As pessoas me procuram para treinar comigo _eu sou formado em educação física, tenho assessoria em parceria com a minha esposa, que também é formada em educação física. Temos a empresa, mas o que as o que traz clientes para nós é o Adriano Bastos atleta. O cara que é fã, o cara que me admira e tudo o mais, ele fala: “Bom, vou treinar com o Adriano Bastos”. Então, é o nome chamando o aluno para a assessoria esportiva.

FOLHA - O seu visual também faz parte dessa estratégia?
BASTOS -
As fantasias são só na Disney. Lá eu incorporo o personagem literalmente. É mais para fazer a festa mesmo ali com o pessoal, tornar a coisa meio atípica. Agora, no meu dia-a-dia, não. A única coisa é que eu trouxe um pouco de bagagem do triatlo com relação à minha maneira de vestir, que acaba se destacando bastante, em relação ao que é o vestuário de um corredor normal, que é short e camiseta. Então, você me vê correndo com a bermuda e aquele topzinho de triatlo ou com um macaquinho de triatlo, que é a maneira que eu me sinto confortável, mas, de certa forma, acaba sendo um vestuário que se destaca, não é? Porque não é comum: a bandana e os óculos, que corredor não está acostumado a usar. Sem óculos, eu me sinto literalmente, pelado. Corro de óculos até à noite, coloco lente transparente e corro de óculos até à noite. Eu me sinto bem dessa forma. Então, meio que montei minha imagem. Então, as pessoas quando batem o olho já sabem: aquele é o Adriano. É uma coisa que já identifica.


CONTINUA...

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 14h20

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Entrevista com Adriano Bastos, parte 2

Lutar pela superação

FOLHA - Como você chegou a ser profissional?

BASTOS - Eu comecei no triatlo com 13 anos e fui até os 22, em 1999. Treinei muito, cheguei a participar em algumas provas profissionais. Mas eu sempre fui aquele triatleta mediano, com uma natação razoável, pedalava muito bem e tinha uma corrida excelente. Eu corria muito melhor que qualquer outro triatleta. E isso começou a despertar a atenção de algumas pessoas, principalmente do João Paulo Diniz e de um outro diretor do Pão de Açúcar, que treinavam na mesma equipe em que eu estava. No final de 99 o João Paulo, fez uma proposta para que eu largasse o triatlo para ir para a corrida, nem que fosse uma experiência. Ofereceu patrocínio por um ano, para ver o que aconteceria. Eu teria a oportunidade de pagar a faculdade, ter um salário. Embarquei nessa, arrisquei. Comecei a chegar entre os primeiros colocados em algumas provas, mais curtas. Com dois meses, três meses de treinos específico de corrida, em abril de 2000, eu fui para a maratona de Paris e fiz 2h21, baixei sete minutos no meu tempo e fui o melhor brasileiro lá. Começaram a aparecer resultados. Minha carreira como corredor começou graças ao João Paulo Diniz, que me fez essa proposta.

FOLHA - Como você chegou à maratona da Disney?

BASTOS - Em 2003, tive oportunidade de ir junto com o grupo do Pão de Açúcar, que a cada ano levava um grupo de funcionários para alguma maratona internacional. Não levaram em 2002, que seria Nova York, então substituíram pela Disney, no início de 2003. Como atleta patrocinado, eles me levaram junto e eu tive a minha primeira vitória (foto AP). No ano seguinte eu me machuquei, não pude ir, mas em 2005 novamente os patrocinadores bancaram minhas despesas, e eu venci pela segunda vez. desde então, como campeão, tenho ido por convite da organização.

FOLHA - Na internet, em muitos comentários sobre seu desempenho, dizem que você só ganha porque não vai ninguém a essas provas...

BASTOS - Eu já provei, já dei literalmente um tapa na cara dessas pessoas com as vitórias aqui no Brasil e com os pódios que eu já consegui, fui quarto colocado na Maratona de São Paulo, venci a Maratona de Curitiba. Venci a Maratona de Santa Catarina no ano passado, quando estavam todos os caras fortes, tentando índice para a Olimpíada.

FOLHA - Todas essas provas fazem exame antidoping, não?

BASTOS - As maratonas em que eu participo aqui todas têm. No ano passado, fiz o antidoping em Santa Catarina, quando venci. Em novembro, eu fiz antidoping em Curitiba, quando fui quarto colocado lá. Este ano já fiz antidoping em Santa Catarina, no mês passado, e agora, em Porto Alegre, de novo. Quanto a esse quesito estou mais tranquilo do que nunca e mostrando que o que eu estou fazendo, estou fazendo limpo. Estou fazendo antidoping com frequência.

FOLHA - O que a corrida lhe ensinou?

BASTOS - A ter muita paciência, trabalhar muito a cabeça, a paciência, a ser humilde e, principalmente, a trabalhar a superação, aquele negócio de acreditar que a gente sempre pode chegar num determinado ponto, num determinado nível. Basicamente ter paciência, humildade e acreditar na própria superação.

FOLHA - E o que a corrida trouxe de importante para a sua vida, o que a corrida representa para a sua vida.

BASTOS - Para mim a corrida representa tudo, literalmente. a minha vida, hoje, se move em cima da corrida, ou seja, ela sempre se moldou nesse mundo da corrida. Então, tudo o que eu tenho hoje é graças à corrida. Graças à corrida, eu tive essa primeira oportunidade de ter o patrocínio do Pão de Açúcar. Graças à corrida eu paguei minha faculdade, obtive bons resultados, conquistei bons patrocinadores. Hoje, eu tenho uma excelente renda financeira, uma qualidade de vida excelente, tudo graças à corrida. Minha esposa eu conheci graças à corrida, nos nos conhecemos em uma academia onde éramos professores. Eu construí minha vida, seja casamento, seja compra de imóveis, carro, tudo graças à corrida.

FOLHA - O que você recomenda para quem quer começar a correr?

BASTOS - Procure uma assessoria esportiva ou um profissional de educação física para montar todo esse planejamento, ter uma orientação adequada. Não queira começar sozinho, que o risco de se machucar numa brincadeira dessas é grande. É preciso ter todo um trabalho bem orientado para fazer a coisa certa. E, lógico, paciência. Não queira ultrapassar o limite do corpo, deixe o desempenho e toda a evolução do condicionamento vir naturalmente, pois isso leva tempo mesmo. Não é de um dia para outro.

 

Escrito por Rodolfo Lucena às 13h28

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Tergat distribui alimentos no Quênia

Por uma boa causa

 

O ex-recordista mundial da maratona Paul Tergat participa de um esforço de divulgação do Programa de Alimentos da ONU. Na escola Stara, no subúrbio de Kibera, no Quênia, ajuda a distribuir comida para as crianças, em ação realizada na semana passada (foto EFE).

Escrito por Rodolfo Lucena às 10h50

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Rodolfo Lucena Rodolfo Lucena, 54, é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha.

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